Poema de Maria Quintana

Cerca de 390 poema de Maria Quintana

Vida
Só a poesia possui as coisas vivas. O resto é necropsia.

( in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

Crimes passionais
Os verdadeiros crimes passionais são os sonetos de amor.

( in: Da Preguiça como Método de Trabalho, 1987.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

Dos elefantes
O único defeito dos elefantes é não serem portáteis.

( in: Da Preguiça como Método de Trabalho, 1987.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

Triste mastigação
As reflexões dos velhos são amargas como azeitonas.

(in: Sapato Florido, 1948.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

O lampião
A janelinha de acetilene do lampião da esquina tinha uma luz que não era a do dia nem a da noite... a mesma luz que banhava as pessoas, animais e coisas que a gente via em sonhos... aquela mesma luz que deveria enluarar, mais tarde, as janelas altas do outro mundo...

( in: Sapato Florido, 1948.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

Dos leitores
Há leitores que acham bom tudo o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais.

( in: Caderno H, 1973.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

Família desencontrada
O verão é um senhor gordo sentado na varanda reclamando cerveja. O inverno é o vovozinho tiritante. O outono, um tio solteirão. A primavera, em compensação, é uma menina pulando corda.

( in: Caderno H, 1973.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

Coexistência Pacífica
Amai-vos uns aos outros é muito forte para nós: o mais que podemos fazer, dentro da imperfeição humana, é suportarmo-nos uns aos outros.
( in: Caderno H, 1973.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

Fisiognomia
Há longos narizes pensativos que parecem estar pescando. São uns introvertidos, uns inofensivos... O diabo são esses narizinhos arrebitados, sempre se dando conta de tudo.

(in: Da Preguiça como Método de Trabalho, 1987.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

"Pus meus sapatos na janela alta, sobre o rebordo.
Céu é o que lhes falta pra suportarem a existência rude.
E lá, imóveis eles sonham
Que são dois velhos barcos abandonados
À margem tranquila de um açude."

Mario Quintana
Inserida por rapha777

“De noite todos os meus pensamentos são escuros
E todas as palavras têm a letra "u"
Rude
Virtude
Cruzes!”.

(in: Velório sem defunto, 1990.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

“Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!”

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 105.

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

“O que mais me comove, em música,
são essas notas soltas — pobres notas únicas —
que do teclado arrancam o afinador de pianos”...

(Versos extraídos do livro “Mário Quintana — Prosa e Verso”, Editora Globo (9ª edição).)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

A Carta
Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.

( in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

“Enquanto isso, Deus, que afinal é clemente, Põe-se a cogitar na criação. em outro mundo, De uma nova humanidade - sem livre-arbítrio”...

(trecho do livro em PDF: Baú de Espantos)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

“ Era um lugar em que Deus ainda acreditava na gente... Verdade que se ia à missa quase só para namorar mas tão inocentemente que não passava de um jeito, um tanto diferente, de rezar”...

(trecho extraído do livro em PDF: Baú de Espanto)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

” Querias que eu falasse de "poesia" um pouco mais... e desprezasse o quotidiano atroz... querias... era ouvir o som da minha voz e não um eco - apenas - deste mundo louco!”

(trecho extraído do livro em PDF: Baú de Espanto)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

“Como eu vou saber, pobre arqueólogo do futuro, o que inquietamente procuro em minhas escavações do ar?”

(trecho do poema O descobridor do livro em PDF: Baú de Espantos)

Mario Quintana
Inserida por portalraizes

No começo eu era só certezas.
No meio eu era só dúvidas.
Agora é o final
e eu só duvido.

Mario Quintana
Inserida por quintaneei

ENTRE NUVENS DE ALGODÃO

Se for me beijar, que seja
Por um querer a mais.
Eu brigo todas às vezes
Com meu eu...
Pois tu me queres por debaixo
Das marquises e das pontes escuras,
Enquanto eu busco as mãos dadas pelas ruas.
Não digo um não, pois a verdade não é essa...
So te peço pra rever tuas intenções.
Pois já me sinto
(entre nuvens de algodão)

MARCOS DE OLIVEIRA