Depois de enfrentar duas grandes Guerras Mundiais e vários outros problemas oriundos a partir da Revolução Industrial, o ser humano do século XX perdeu grande parte da esperança  de um dia conseguir construir e viver numa Utopia, como sonhavam os poetas e filósofos de outrora. 

E o reflexo disso está na distopia, gênero literário que se configurou como a antítese do sonho utópico. Governos repressivos e totalitários, que moldam uma sociedade com valores morais desvirtuados e bastante assustadores, costumam fazer parte do pano de fundo das obras distópicas, que revelam um futuro pessimista para a humanidade. 

Selecionamos algumas das obras mais significativas do gênero e que também servem como ótimas críticas sobre diversos aspectos da nossa sociedade.

1. 1984 (1949)

1984 orwell

Esta obra prima de George Orwell é um dos livros mais importantes do século XX! Mesmo sendo escrito há várias décadas, não deixa de permear vários assuntos atuais vividos pela sociedade contemporânea.

Orwell criou um mundo que está centrado na figura assustadora do "Big Brother", um autocrata onipresente que lidera o regime político totalitário e repressivo que impera ao longo da história - O Partido.

É difícil não ficar chocado com a "Novilíngua" e a "Teoria das Guerras", que são conceitos apresentados pelo autor e usados pelo Partido para controlar a população que vive sob o domínio do "Grande Irmão".

Esta obra é considerada uma dura crítica ao comunismo e ao fascismo, em especial à Joseph Stalin, líder da extinta União Soviética. 

Sem dúvida, 1984 é leitura obrigatória para todos os amantes de distopias!

2. Laranja Mecânica (1962)

laranja mecanica

Autoria de Anthony Burgess, Laranja Mecânica é uma forte sátira à sociedade inglesa, e outra das obras mais icônicas do século XX!

A história tem como palco uma Inglaterra futurista, onde o domínio das gangs juvenis é total, praticando sem nenhum receio a chamada "ultraviolência". E, como modo de combater este comportamento, Burgess nos apresenta o revolucionário Tratamento Ludovico, uma técnica experimental que promete "curar" Alex, o protagonista e "anti-herói sociopata" da narrativa.

Aliás, este tratamento não deixa de ser outra crítica feroz do autor contra a chamada "psicologia comportamental" (Behaviorismo). 

Ah, e vale muito a pena conferir a versão cinematográfica de Laranja Mecânica (1972), dirigida pelo incrível Stanley Kubrick!

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3. A Guimba (2008)

a guimba

O britânico Will Self é o autor desta obra, descrita por muitos críticos como "profética", "satírica" e "alucinógena". 

Tom Brodzinski é um típico turista americano que vai com a sua família desfrutar as maravilhas naturais de um país fictício, que é descrito como uma mistura de Austrália e Iraque (que mistura, hein).

Mas, por causa de uma guimba de cigarro que acidentalmente acertou um dos moradores, Tom se vê rodeado por um verdadeiro pesadelo kafkiano. Este acidente aparentemente banal é o estopim para que o protagonista conheça a realidade social e política escondida sob aquele "paraíso".

4. Admirável Mundo Novo (1931)

admiravel mundo novo

Neste outro clássico da literatura, o mundo imaginado por Aldous Huxley é baseado num futuro onde os seres humanos são gerados em laboratórios e condicionados a seguir as normais sociais pré-estabelecidas pelo Estado.

As pessoas são classificadas por castas, de acordo com as características biológicas definidas desde o seu nascimento. Conceitos "antiquados" como "pai", "mãe" ou "família" são considerados repugnantes. 

Aliás, qualquer coisa que desestabilizasse o indivíduo de suas obrigações de trabalhar e produzir devia ser punida. O amor, por exemplo, não era um sentimento conhecido por esta civilização, assim como qualquer outro tipo de compromisso amoroso.

"Cada um pertence a todos" é o lema da sociedade em Admirável Mundo Novo, que não deixa de ser uma grande crítica ao extremismo do coletivismo socialista. 

Pare para imaginar como seria viver num mundo onde não existe a ideia do amor... Muito medo, não?

5. Fahrenheit 451 (1953)

farrenheit 451

A sociedade vivida em Fahrenheit 451 é o pior dos pesadelos para os fãs do Pensador!

Ray Bradubury, autor desta obra clássica, cria um mundo pós-Segunda Guerra Mundial onde o regime totalitário vigente proíbe totalmente a existência de qualquer tipo de livro!

Todas as pessoas ficam restritas a obter informações e conhecimento unicamente através de televisões, seja em suas casas ou em praças públicas. A leitura deixou de existir, assim como as críticas pessoais e a opinião própria. A expressão do pensamento individual foi totalmente suprimida.

A história do livro gira em torno de Guy Montag, um "bombeiro", que tem a função de queimar livros. Aliás, uma curiosidade: 451 é a temperatura, em Fahrenheit, usada pelas equipes de "bombeiros" para queimar o papel dos livros nesta história.

De acordo com o próprio autor, Fahrenheit 451 serve para refletirmos como a televisão pode destruir totalmente o interesse das pessoas pela leitura

E então, você concorda?

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6. A Revolução dos Bichos (1945)

revolução dos bichos

George Orwell volta a "cutucar" o governo de Stalin e a ideologia do regime socialista nesta fábula satírica clássica!

Na história de Orwell, os animais de uma fazenda resolvem se rebelar contra a exploração que sofrem dos seres humanos. Assim, decidem criar uma sociedade utópica que é liderada por um grupo de porcos, mas acabam por reproduzir os mesmos comportamentos corruptos e totalitários que eram típicos dos homens.

7. A Máquina do Tempo (1895)

a maquina do tempo

Este é considerado o primeiro romance que aborda viagens no tempo através de uma máquina criada unicamente com este propósito. Esta história foi mentalizada por um dos maiores escritores de ficção-científica de todos os tempos, H. G. Wells!

Na obra de Wells, um homem desenvolveu uma máquina capaz de viajar para o futuro, chegando até o inimaginável ano de 802.601. Nesta época, o "Viajante do Tempo" se depara com civilizações remanescentes dos seres humanos, e que vivem uma realidade nenhum pouco otimista. 

8. Nós (1924)

nós

Considerado o livro que provavelmente inspirou Orwell a criar 1984, Nós é uma sátira futurista ao Estado totalitário, tendo como base os eventos presenciados pelo autor desta obra, Evgueny Zamiatin, durante as revoluções russas de 1905 e 1917. 

A obra de Zamyatin descreve uma sociedade totalmente controladora e totalitária, que acredita ser o livre-arbítrio o responsável por provocar a infelicidade na vida das pessoas. Assim, todo o comportamento dos indivíduos passa a ser monitorado e controlado pelo Estado, representado pela figura do "Benfeitor".

Devido a censura imposta na União Soviética na década de 1920, Nós foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos, em inglês. O livro somente conseguiu ser comercializado livremente na Rússia em 1988. 

9. O Processo (1925)

o processo

Um dia você acorda e descobre que está sendo acusado de um crime, mas não é revelado qual. Como se defender de algo que você desconhece? Este é o pesadelo vivido por Josef K. em O Processo, uma das obras mais influentes de Franz Kafka

De certo modo, esta obra de Kafka profetizou os absurdos presenciados durante o nazismo, como as perseguições, prisões e extermínios sem motivo ou explicação dos judeus.

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10. Eu, Robô (1950)

eu robo

Autoria do russo Isaac Asimov, esta obra é uma coletânea composta por nove contos que têm em comum a evolução da robótica numa sociedade futurista. 

As Três Leis da Robôtica, conceito muito interessante criado por Asimov, é a base das histórias narradas neste livro e que também passaram a ser adotadas por outros autores. 

11. O Senhor das Moscas (1954)

o senhor das moscas

William Golding cria uma obra simbólica e de leitura obrigatória, que retrata a existência da natureza do mal nos seres humanos

Após um avião cair numa ilha deserta, um grupo de crianças tenta se organizar sem qualquer tipo de supervisão de adultos. Ao longo do tempo, a noção de civilidade e a inocência típica desta idade é substituída pela selvageria total. 

O Senhor das Moscas está recheado de simbolismos e analogias aos diferentes papéis da sociedade. Aliás, para começar, o título do livro é uma referência direta a Belzebu, nada mais nada menos que o próprio Diabo. 

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12. Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? (1968)

o caçador de androides

Esta obra de Philip K. Dick serviu de inspiração para o roteiro de Blade Runner (1982), dirigido por Ridley Scott, e uma das melhores produções de ficção científica de todos os tempos!

Numa Terra devastada por uma guerra nuclear, Philip K. Dick conta a história da crise moral de um caçador de androides que sonha em ter um animal de estimação, num mundo onde quase todas as espécies foram extintas. 

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13. Neuromancer (1984)

neuromancer

Neuromancer é considerado o precursor do cyberpunk, um subgênero de ficção científica criado por William Gibson, e que aborda conceitos como inteligência artificial e cyberespaço. 

O mundo em Neuromancer é submerso numa "alucinação coletiva digital", onde todas as pessoas se conectam ao universo virtual para adquirir conhecimento. O livro conta a história de Case, um ex-hacker que tenta achar uma cura para o seu problema neural que impossibilita que se conecte com este cyberespaço. 

A visão criada por Gibson serviu de inspiração para várias obras do gênero, como a trilogia Matrix, por exemplo.

14. Não Me Abandone Jamais (2005)

não me abandone jamais

No universo criado por Kazuo Ishiguro, alguns seres humanos são criados em laboratórios com a finalidade única de serem doadores de órgãos no futuro. 

Pode parecer apenas uma ficção científica, mas com os avanços tecnológicos nesta area, a ideia de desenvolver clones humanos para satisfazer necessidades físicas de um grupo de pessoas se torna cada vez mais real.

Não Me Abandone Jamais nos faz refletir sobre o conceito da existência. Afinal de contas, mesmo sendo criadas em laboratórios, aquelas pessoas existem... Realmente é uma história perturbadora e que te fará pensar muito sobre os conflitos morais e éticos que esbarram nas "conquistas cientificas".

15. Submissão (2015)

submissão

Ao contrário das outras obras distópicas que retratam sociedades num futuro distante, Submissão, de Michel Houellebecq, mostra a França de 2022, liderada por Mohammed Ben Abbes, o candidato do imaginário Partido da Fraternidade Muçulmana.

A crítica central do livro é focada na chamada "população silenciosa", aquela que simplesmente aceita as imposições que servem para anular a cultura do local, impondo aquela praticada pelo regime dominador.

Ficou faltando algum livro importante na lista? Compartilhe com a gente a SUA lista com as melhores obras distópicas que já leu!