Carlos Eduardo Souza Cordeiro: Certos momentos da vida costumam ser...

Certos momentos da vida costumam ser estranhos. Fui ao cemitério hoje acompanhar o enterro de um conhecido e durante suas últimas homenagens me peguei pensando no quanto nos preocupamos com tão pouco durante nossa existência. Ele tinha 24 anos, ia completar seu primeiro ano de casado, estava se para se formar na faculdade. Tinha os sonhos que todos os jovens têm. Fico pensando como nossa vida não tem explicação, como essa passagem pode ser tão rápida, como a morte pode ser tão cruel e impiedosa. Penso em sua esposa que também nutria os mesmos sonhos que agora ficarão numa vaga lembrança da felicidade prometida, de todas as coisas boas e más que as pessoas que se amam vivem. Não vejo justiça nisso. Não contrario as leis da natureza, pois acredito que o que deve acontecer de fato acontece, mas continuo não vendo justiça nisso. Afinal, porque os bons devem partir quando o mundo precisa de pessoas boas?

A memória do pouco que convivemos me traz boas lembranças, uma pena que poucas. Talvez em uma próxima oportunidade possamos trazer nossas experiências e nos conhecer melhor. O máximo que posso fazer é tentar me conformar de que a vida é assim mesmo. O melhor que posso fazer é tentar valorizar ainda mais as pessoas que amo e que estão ao meu lado, o tempo que ainda tenho aqui que não sei qual é.

Há muito não acho estranha a idéia de estar aqui neste momento e de repente não estar, penso que não podemos lutar contra um inimigo muito maior que é a morte, com ou sem explicações. Mas confesso que não acho justo. Talvez o que me conforte é acreditar que nada é por acaso e que após essa vida existe outra etapa que nos livra de todo o sofrimento. Por isso não choro pelo sofrimento, mas sim pela saudade que as pessoas nos deixaram e nos deixarão, até o dia de nossa hora para que os nossos chorem esta saudade também. Com o tempo, temos o poder de superar. Nunca ninguém será substituído ou esquecido. A ferida não se fechará e a cada momento oportuno virá em nossa lembrança os momentos que passamos e os sonhos que sonhamos juntos. Mas não podemos parar ou voltar o tempo.

Podemos sim, pensar nas pessoas ao nosso redor em todos os momentos, viver a vida com intensidade, buscar o que realmente queremos sem passar por cima de ninguém. Sem matar e se matar. Podemos nos unir de vez em quando para lembrar os bons tempos com aqueles que se foram e se necessário, podemos chorar de saudade.

Podemos nos dar força quando alguém se vai, um ombro, um colo, um abraço. Sei que nesta existência não te veremos mais Rodrigo, porém, creio que de onde estiver, estará olhando por aqueles que te amaram e que você também amou. Vá em paz e com Deus. Sua semente certamente ficou plantada e florescerá naqueles que conviveram contigo.

Até uma próxima.

Inserida por ccordei