Ana Paula Zandoná: Amor. Esse é aquele tipo de assunto que...

Amor. Esse é aquele tipo de assunto que vai, vem e sempre retornamos a falar sobre ele. Deve ser porque ele nunca foi totalmente resolvido, solucionado; mas querendo ou não, sempre temos ele por perto. Amar em si não deveria ser tão complicado... É só ela se apaixonar por ele, ele por ela, e pronto! Viveriam felizes para sempre, como num verdadeiro conto de fadas. O problema que aqui nem tudo é tão surreal, nem tudo é tão lindo e inconseqüente. Aqui não existem príncipes (educados, lindos, inteligentes e divertidos) e princesas (educadas, lindas, inteligentes e divertidas). Aqui todo mundo é de carne e osso, e alguns de coração também - a maioria mais carne do que coração. Aqui o amor não é encarado como divino, dádiva e presente dos céus, é tido como aquele que só faz sofrer.
Por que será que dificultamos tudo? Acordamos pela manhã, damos um beijo no amado, passamos o dia estressados e irritados, chegamos no final do dia e descarregamos tudo em cima daquele que sempre esteve com nós nos momentos ruins, aí ele se irrita e termina tudo. Choramos, sofremos, esperneamos. Aquele "viveram felizes para sempre" teve um final, como num livro - mas o nosso final nem sempre é bom e previsível. "Por que isso só acontece comigo? Será que só eu faço coisa errada?". Grande engano. Isso é universal.
A questão é até que ponto depositamos nossa expectativa em cima daquilo que era pra nos fazer bem. Normal. Mas a troco de quê? Se esperarmos a vida inteira pelo príncipe saído de um cavalo alado, viveremos encalhadas, resmungonas e rabugentas. Adiantou passar o tempo reclamando daquele que não deu um beijo na hora certa e terminar um namoro por superfluidade? Que nada! A gente tem é que gritar pra todo mundo que aquele que não te deu um beijo na hora certa é aquele que te enche de abraços nas horas incertas e inesperadas; que a gente não passou a vida inteira esperando por uma perfeição que não viria, mas abrimos o coração para aquele que ofereceu o amor - sim! O "causador do sofrimento".
O assunto amor é clichê, sempre vai ser e não há fórmulas para o tirar da boca do povo; até cada um aprender que a perfeição não existe, e que como nós não a possuimos, não podemos exigir de mais ninguém. Que o príncipe - o imperfeito - é esse que está bem do seu lado... agora só resta à gente abrir os olhos pra enxergar o cavalo alado!

Inserida por anapaulazandona