Edgardo Xavier: Outra Pele Sinto a luz da tarde como...

Outra Pele

Sinto a luz da tarde
como outra pele
e saio de mim

O gosto é acre
no tempo das promessas
e o ar anil quando arde
no teu corpo
de seda e jasmim

Não leio palavras nos teus olhos
mas sei a prata dos silêncios
e o barulho dos sentidos

Sei que pelo amor
até as pedras
adoçam os gumes
e se moldam à mão
que lhes trava o voo
Pelo amor
sangram as escarpas
seixos e papoilas

Há vermelho nos trigais

Inserida por solitaria543