Tânia Mara Camargo: APREPARANO O CASÓRIO DO CAIPIRINHA Me...

APREPARANO O CASÓRIO DO CAIPIRINHA

Me adiscurpe minha sinhá
Mais num tamo intimu ainda não
Farta por as prova de se virgê
Pra vois micê mais eu se casá

Mais como nois ta nas época
De colhê as prantação
Vô isperá pro méis que veim
Pra modi buscá a sinhá

Sô home disconfiado
Mais na sinhá me vô acreditá
Pode se ajunta os pano
Os chêro e os sabonete
Que vô buscá ocê pra casá

Inté já se acombinei
Cas orquestra aqui da roça
Já tudo se ensaianô
A ave Maria dos sertão
Pra modi cumemorá nossa união

Minha sinhá! A mais linda de meu lugá
Num precisa trazê tanta tranquêra
Que aqui num tem lugá
Teixa esses treim aí
Já me abasta o que tem aqui!

Nois mandamo um porco gordinho
De vorta pro seu lugá
Pois era irmão dunzinho que tinha lá
E aqui dava de estragá os otro
De cueca é ansim que o tar se aveste
Vortô pra sua terra, genuíno dos nordeste

Os garnizé pode trazê
Os daqui são tudo iguá
Parece memo o saláro mínimo
Que ninguém se agüenta
Agora já se armentô
Pulô pra trezento e oitenta

Os burrinho daqui são tudo educado
Cada um sabe onde é seu lugá
É mio dexâ esse aí tamém
Se não quano chegá aqui
Vai se acandidatá a sê dono do currá
Pió que se podi inté de ganhá!
O os treim num vai prestá!

Dos corrupto, Sinhá é melhó se ispricá
Vô tá esperano, essa história me contá
Oia, sinhá! Vois micê pode esperá
Seus pertenci e as tranquêra separá
Se adespede dos seus parenti
Mais tem logo que se avisá
Seus parenti fica tudo lá
Aqui num é prefeitura municipá

Num se apreocurpe
De vois micê vô cuidá
E se adecrará que nois vai se amá

Num se apreocurpe
Cuns imposto nem cuns leão
Desse riscado nois intendi
Sô caçado dos bão!

Inté, sinhá!
Dispois iscrevo pra falá das orquestra
Pros dia da nossa festa
Aqui tá tudo animado
Pra modi esperá a chegada da sinhá

To pensano na hora dos bejo e dos chamegu
A sinhá não vai se tê sussêgo!

Inserida por anaferreira