Ana Silva: Escrevi num pedaço de papel o teu nome....

Escrevi num pedaço de papel o teu nome. Rasguei, queimei. Mas continuava lá. Chorei, gritei… e nunca te foste embora. Tento apegar-me à vida, às pessoas… mas arranjas sempre uma maneira de permaneceres junto a mim, quis fugir… quis até morrer… no entanto, não seria isso que te afastaria de mim. Durante muito tempo acreditei, ou quis acreditar, que a dor que me causavas um dia iria passar. Hoje, e depois de tanto tempo sem me abandonares, pergunto-me se estaria errada. E tu continuas aqui, dentro de mim. Carrego-te comigo, como quem carrega a cruz. A cada dia que passa sinto-me mais pequena em relação a ti. Não sinto que te mereça, nem que me magoes desta forma. Mas tu não pensas assim. Tu precisas de mim como eu preciso de ti. Porque somos iguais! Sem ti sentir-me-ia perdida. Não mais me lembraria do caminho de volta a casa. O caminho que percorro até a ti, onde choro contigo, onde a tristeza me invade e consome a fé e a esperança que me restam. E é nesse lugar pintado a negro que tu ficas comigo, que me dizes baixinho que a minha vida terminou, e me levas para onde a tristeza é a tua fiel companheira, onde reina o arrependimento e a mágoa dos que são como nós. Eu só queria ser capaz de viver sem ti. Que me deixasses amar. Porque eu estou no meu limite. Já não suporto afastar as pessoas de mim pelo medo de que realmente me vejam por dentro. Preciso que o façam e me afastem de ti, mas no fundo acabarás por voltar… e sei também que não me deixarás por muito tempo se eventualmente um dia partires. E no presente, dou por mim a proferir estas palavras com extrema e absoluta certeza, sem no entanto deixar de destacar a contradição que vai de encontro ao oposto que constantemente me assombra, o teu nome no pedaço de papel queimado.

Inserida por AnaSilvaaa