Vinícius Cosmo: Já vai é tarde!- ele disse à ela com...

Já vai é tarde!- ele disse à ela com os olhos cheios de lágrimas.
Ela pegou seu casaco amontoado na estante de canto, olhou-o nos olhos, e num instante, atingiu-o de uma forma veloz, com olhares que causaram-lhe arrepios. Abriu a porta e fechou-a causando um estremecer dos alicerces daquela casa.
Ele foi até a porta à procura de vestígios da moça. Como se conseguisse, sentir novamente o perfume que vinha dos seus seios fartos, que o enlouquecia.
Não havia nada na sala, a não ser lembranças. O cheiro daquela mulher avassaladora, se foi quando a porta se fechou. E ele ficou ali, sentado. Acendeu um cigarro, fumou-o. O gosto do cigarro estava parecido com gosto de sangue-pisado, tinha gosto de fim, gosto do adeus. Foi até o quarto, onde escondia uma caixa, com alguns papéis vegetais que encobriam um grande mistério (mistério que levou ao fim e ao começo)
Era um revólver. Pegou-o, mirou em seu rosto. Olhando sua imagem refletida no espelho, e ali no quarto, com as portas do guarda-roupa aberto. Apertou o gatilho, e partiu. Partiu de uma cena, do cheiro de sangue-pisado e a dramaturgia da moça. E foi-se atirar em lugares irreais.
Era um campo, cheio de flores amareladas e rosadas. Ele tocava em cada uma dessas, suas mãos, brancas, se sujavam daquela cor misteriosa. O estranho é que ele se via. É como se neste campo existissem espelhos em vez do céu, e nos espelhos ele via refletida sua imagem. Imagem que causava angústia.
Não era bem como deveria ser. Ele deveria sair de um cenário, cair em outro, e recomeçar.
Só que os astros, ou o que o guiava no momento, estavam contras. O que acontecia à cada segundo, era mais revolta, desarmonia, repúdio. Foi à partir daí, que as flores amareladas e rosadas, mudaram e viraram espinhos, e que cada ponto destes espinhos saiam fogo. E que atingia sua pela, levando a uma dor insuportável. E os espelhos, devido ao calor do fogo, se partiram ao meio, portanto lascas de vidros sobre caiam sua cabeça, cortando pouco a pouco sua pele. E as chamas aumentavam, os gritos eram cada vez maiores.
Mas o que fazer?
Um lugar irreconhecível, sem nenhuma escapatória. Ele gritava mais alto. Pedia ajuda de alguma forma...
Após horas da sua pele em contato com aquele fogo, em um passe de mágica, todo aquele sofrimento deu uma trégua. Ele pôde, ver. Algo vindo em sua direção. Era idêntico a um homem, tinha estatura de um, porém tinha cores azuladas, e não tinha nariz, orelhas, e nem boca. Apenas se aproximava do rapaz, lentamente.. De pouco em pouco.
Quanto mais o espírito azulado, ou o quer que seja, se aproximava, mais dores ele sentia. É como ele estivesse em alguns martírios. Passando para níveis piores e mais dolorosos.
A dor que sentia, era como se algo, muito grosso, enfiasse nos pavilhões auditivos e ensurdecesse.
E a dor aumentava, que causava sangramentos em seus ouvidos e nos seus olhos.. Ele agonizando aos poucos, gritava, implorando ajuda. E num estalar de dedos, todo aquele cenário e aquele espírito azulado, desaparece. E o sangramento de seus ouvidos e dos seus olhos cessa.
E após alguns instantes em silêncio e numa escuridão. Ele vê uma luz, meio apagadinha, mas que direcionava-o a um caminho. De certo, na percepção aquilo seria uma saída. Foi caminhando em direção. E cada vez que ele chegava mais perto, parecia que aquela luz ofuscava. Caminhou durante horas..
Quando de repente, aquele brilho se apaga. E se encontra numa escuridão novamente. Escuridão na qual, o deixava cego. Contraditório ou não, quanto mais escuro, há menos chances de ver outra vez..

Ele caminhou, por aquele vale sombrio, sem nenhum amparo. Procuro excessivamente por ajuda, ou algum ser que habitasse o local. Horas e horas. Dias e dias.
A questão, é que o que depois dali, é apenas o "perpétuo", diga-se de passagem: "o pra sempre."

Inserida por viniciuscosmo