Mariana Gueiros: Mar de nuvens azuis Há dias trovoadas...

Mar de nuvens azuis

Há dias trovoadas lavam aquelas terras, o medo apavora o sertanejo, o alarme é verídico, o sertão vai virar mar.
São dias e dias de precipitações, precipitações que caem do rosto daquelas pessoas, um sofrimento sem fim, que alaga os sonhos de quem ainda os tem. Uma criança olha pro céu e pedi o fim daquela chuva, roga por um sol brilhante que os reconhece e os ajude. O que fazer diante de tamanha situação? Se amparar debaixo de uma árvore? De qualquer forma os atingirá, pois, até as folhas das árvores a chuva já derrubou, as folhas, os muros que sustentam a racionalidade humana, ficaram só galhos, galhos de coragem em habitar esse lugar.
Lá surge o arco-íres, com esplendor e beleza, mais será que é o arco-íris ou é apenas uma vida que ainda não perdeu a certeza. Sim! A Certeza, de que há esperança e um dia muita fartura em suas vidas e em suas mesas. Dignidade, respeito, reconhecimento, como dizia Caetano, “Gente é pra brilhar”, brilhar como o sol, que aquece, ilumina e alegra, corações tristonhos que sonham numa vida longe da tristeza.
Cadê nossos gestores? Porque não fazem uma drenagem, acabam com a umidade da terra e a umidade da alma. Voam como a asa branca, alto e distante, nos vêem lá do céu, sequer pousam, com medo da chuva, nós que fiquemos molhados, no meio deste mar de amargura.
Vastos campos floridos, frutas em abundância, respeito à vida, um lar de felicidade e um adeus ao abandono.
Só isso que queremos, se você não pode nos dá, dê pelo menos o direito de falar.

Inserida por marigueiros