Eduardo de Paula Barreto: TRÊS BARRAS DE OURO Um ancião...

TRÊS BARRAS DE OURO


Um ancião moribundo e rico

Divulgou onde morava

Que havia decidido

Dar ao homem mais sabido

A fortuna em ouro que ele guardava.



Surgiram pessoas de longe

Trazendo malas largas

E entre elas um monge

Com um pequeno alforje

Com pão e água.



Então o ancião passou a dizer

Quais eram as diretrizes

Para aqueles que

Quisessem enriquecer

E tornarem-se felizes:



- Que cada um pegue quantas barras quiser

E siga até o alto do morro,

Vocês terão que seguir a pé

E haja o que houver

Ninguém poderá dar-lhes socorro.



Todos pularam sobre as barras

De ouro que reluziam

E encheram as suas malas

Até quase rasgá-las

E apressados partiram.



Apenas três barras restaram no terrreno

E o monge as tomou sem precipitação,

As acomodou no alforje pequeno

E saudando o ancião com um aceno

Iniciou a sua peregrinação.



E durante o percurso penoso

Viu caídos sobre as malas pesadas

Todos aqueles gananciosos

Que sucumbiram aos esforços

Por não conseguirem carregá-las.



No alto do morro diante do ancião

Ele mostrou o seu alforge de couro

Contendo as três barras, água e pão,

Então o ancião estendendo-lhe a mão

Disse: - Agora é seu todo o meu ouro.



EDUARDO DE PAULA BARRETO
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