Andy More: Brilhos O fascínio poderá se encontrar...

Brilhos

O fascínio poderá se encontrar em cada frase que escrevemos, nas quais poderão dizer tanta coisa, só com sorrisos delineadas nas palavras, mas também podem distorcer os sentidos que se calam… E na poesia, são os gritos do nosso silêncio que se escapam da alma, e ela nem sempre sente os sorrisos para lhes secar as lágrimas.
Na prosa já assim não é, por vezes torna-se tão difícil transmitir nas palavras, aquilo que sentimos que muitas vezes acabamos por escrever tanto e nada se diz; por que para mim, escrever, é sempre uma tarefa dolorosa quando não encontro um fio condutor daquilo que pretendo transmitir. É como me sinto neste momento. Não sei se a inspiração me falta ou se é o raciocínio que me tolda a razão… ou se foram apenas as tuas palavras que me deixaram neste estado letárgico.

É sempre agradável saber que conseguimos envolver alguém através daquilo que escrevemos ao ponto de incutir um sentimento de fascínio por quem as escreve. No entanto, isso não implica que seja dirigido a alguém especial, e muitas vezes são somente pensamentos que me escapam sem serem elaborados, e tornam-se numa consequência daquilo que se sente na altura, na qual escrevemos o que vai saindo naturalmente, pois na maioria das vezes escrevo para mim… Neste momento, esses pressupostos estão a ser adulterados pela falta de inspiração e do qual este sentimento me devolve uma ingénua culpa, onde nem tão pouco sinto vontade de me defender… Poderia, eventualmente desenvolver um conjunto de frases elaboradas com intuito de te seduzir, mas tu já me facilitaste agradavelmente essa parte, excepto quando referes eu ser um pouco ordinário... Esta parte não entendi, mas também não me vou esforçar para tal, pois é a tua opinião, e possivelmente terás alguma razão para isso… não sei. Além do mais, se neste momento tentasse seduzir-te, seria notório ao leres que eram só para tentar ser agradável. E neste momento não o irei fazer… Aguardo sereno o seu desenvolvimento e deixo-te unicamente um poema de Eugénio de Andrade

O SILÊNCIO

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade

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