Fernando Pessoa: A Aranha A ARANHA do meu destino Faz...

A Aranha

A ARANHA do meu destino
Faz teias de eu não pensar.
Não soube o que era em menino,
Sou adulto sem o achar.
É que a teia, de espalhada
Apanhou-me o querer ir...
Sou uma vida baloiçada
Na consciência de existir.
A aranha da minha sorte
Faz teia de muro a muro...
Sou presa do meu suporte.

Fernando Pessoa , Poesias Inéditas (1930-1935). Lisboa: Ática. 1955 (imp. 1990). p. 82.
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