Olavio: Querido filho: Escrevo-te para que...

Querido filho:

Escrevo-te para que saibas que estou viva. Escrevo bem devagar porque não sei se tu já sabes ler rápido. Bom, não vais mais reconhecer a casa quando vieres, porque a gente se mudou. Finalmente enterramos teu avô. Encontramos o cadáver na mudança; estava no armário desde daquele dia em que ele ganhou da gente brincando de esconde-esconde. Hoje tua irmã, Julia, teve um filho, mas como ainda não sei se é menina ou menino, não posso dizer se vc é tio ou tia. Teu irmão José fechou o carro com a trava e deixou as chaves dentro, teve que ir lá em casa para pegar a chave duplicada e só assim pode tiara todos nós dentro de carro. Esta carta te mando por Manolo, que vai chegar de surpresa para ai. A propósito será que podes pega-lo no aeroporto? Se encontrares D. Maria, dá um alô de minha parte, caso não encontres, não precisar dizer nada. Tua mãe que ti ama.

P.S.: Eu iria ti mandar o dinheiro, mas já fechei o envelope.

Inserida por Olavio