Carta de Despedida

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No ínterim da vida, um mal estar, uma despedida
De mim. De quê?
Acho que eu dormi nos intervalos da chegada, da partida.
E a cada despedida eu me pergunto se é o fim

Ontem, morreu um bicho dentro de mim,
E hoje as suas tripas me degolam
Um bicho esguio e luminoso... Sei lá...
Só sei que estava aqui porque agora não está,
E se nunca esteve, tem um espaço aqui pra ele... Vazio, vazio

No ínterim da vida, um não estar, uma despedida...
Assim foi que eu fiquei desfalecida no sofá do quintal velho
Enquanto uma semente que virou broto que virou árvore e virou árvore
De repente, virava árvore que virava broto e virava semente
Semente que se enroscou e bloqueou minha garganta
Semente que dói feito pedra.

O que eu sei é que até ontem havia um caixão por aqui
Um caixão que ninguém abriu
O cadáver... Não sei bem... Mas acho que era morte/por segundo
Talvez por cárcere privado, talvez por conveniência.
O que eu sinto, vejo e ouço é que até hoje fede e bate na madeira inutilmente.

Aconteceu...
No ontem de algum dia
Em algum olhar distante, vazio e doloroso.
Eu não sei... Mas eu me lembro,
Como uma sensação no escuro.

eu

Ano passado, na festa de despedida de uma amiga, ouvia calada e com atenção seu dolorido discurso sobre o quanto ela se preocupava com a decisão de ir embora. Dizia se preocupar com a saudade antecipada da família, com a tristeza em deixar um amor pra trás e com a dor de se afastar dos amigos. Ela iria embora para Londres com tantas incertezas sobre cá e lá, que o intercambio mais parecia uma sentença ao exílio.

Dentre dicas e conselhos reconfortantes de outras amigas, lembro-me de interromper a discussão de forma mais fria e prática do que gostaria:

“Quando você estiver dentro daquele avião, olhar pra baixo e ver todas estas dúvidas e desculpas do tamanho de formigas, voltamos a falar. E você vai entrar naquele avião, nem que eu mesma te coloque nele.”

Ela engoliu seco e balançou a cabeça afirmativa.

Penso que na época poderia ter adoçado o conselho. Mas fato é que a minha certeza era irredutível, tudo que ela precisava era perspectiva. Olhar a situação de outro ângulo, de cima, e ver seus dilemas e problemas como quem olha o mundo de um avião. Óbvio, eu não tirei essa experiência da cartola. Eu, como ela, já havia sido a garota atormentada pelas dúvidas de partir, deixando tudo pra trás rumo ao desconhecido. Hoje sei que o medo nada mais era do que fruto da minha (nossa) obsessão em medir ações e ser assertiva. E foi só com o tempo e com as chances que me dei que descobri que não há nada mais libertador e esclarecedor do que o bom e velho tiro no escuro.

Hoje a minha amiga não tem mais dúvida. Celebra a vida que ela criou pra ela mesma lá na terra da rainha, onde eu mesma descobri tanto sobre minha própria realeza. Ironicamente – e também assim como eu – ela aprendeu que é preciso (e vai querer) muitas vezes uma certa distancia do ninho. Aprendeu que nem todo amor arrebatador é amor pra vida inteira. Que os amigos, aqueles de verdade, podem até estar longe, mas nunca distantes. Hoje ela chama o antigo exílio de lar, e adora pegar um avião rumo ao desconhecido. Outras, como eu, e como ela, fizeram o mesmo. Todas entenderam que era preciso ir embora.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.

Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva, lá de cima do avião.

As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.

Desconhecido

A última despedida

"Não irão adiantar mais conversas. Simplesmente não adianta insistir. Um dia, eu pesei tudo o que era então passado e os sonhos do então presente para o futuro e o resultado foi que poderia adiantar, talvez. Hoje, esse presente em questão já se tornou passado e o presente que era o futuro me mostrou que tais sonhos foram em vão e já não adianta mais insistir. Lágrimas há pouco escorreram dos meus olhos e eu prometi que dessa vez seriam as últimas.
As pessoas se vão assim como as folhas caem no outono; assim como o sol nasce a cada manhã.
Você fez parte da minha história. Escreveu nela algumas páginas que eu gostaria de arrancar. Páginas que se estivessem escritas a lápis, eu apagaria. Mas também escreveu muitos capítulos que irei eternizar. Esses, são os que eu passaria a caneta. Mas no final das contas, você foi só mais um personagem dentre muitos outros - e sabe-se lá quantos! - que farão parte do meu livro, até que eu encontre o co-protagonista.
Apesar de entender de uma vez por todas e me permitir superar, ainda dói aqui dentro do peito, sabe? Ver nossos planos se tornando palavras que foram jogadas ao vento. Dói ter que comprovar me baseando na nossa história que palavras são mesmo jogadas ao vento, que as promessas foram feitas para serem descumpridas. É verdade que quem quer planeja mas não promete. Quem realmente quer, pensa e cumpre.
Você prometeu que iria mudar. Promessas e mais promessas. Eu já não me dou o luxo da inocência. Cansei de arriscar a acreditar em promessas.
Definitivamente chegou o fim pra nós dois... E é um pesar admitir que já aconteceu tarde. Não quero mais conversar, adiar o inevitável. Não vou mais insistir em nós e mais uma vez deixar pra depois."

Bárbara Bottega

Soneto de Despedida

Que não sejam só promessas, palavras
Que seja, contudo e antes de tudo, o ato.
Que não seja o que evolui, apenas.
Mas que seja a pureza do princípio, o nato.

Que não seja o imutável, mas que não mude.
Que seja ao menos o mínimo, mas cresça.
Que não seja só mais uma paixão - que ilude
E se não for para subir, que ao menos não desça.

Se não for para sorrir, que eu chore.
Se um dia for florir, que eu regue.
Que se tiveres de partir, que eu não implore.

Se não for nos seus braços, que eu nem me aqueça
Se não for o nu e cru da verdade, que eu apenas negue.
Se não for a tua voz, e o teu beijo, que eu esqueça.

Anderson Júnior

No dia em que eu morrer...


No dia em que eu morrer
Desejo uma despedida
Desta vida
Deste mundo
Que seja especial
Marcante, memorável
Uma despedida de verdade.

No dia em que eu morrer
Eu desejo uma tempestade
Muita água caindo
Pra lavar a alma de todos.
Desejo que o medo se vá
E haja muita celebração.
Sim, porque muitos pedem chuva
Mas poucos saem pra se molhar.

No dia em que eu morrer
Desejo que se escreva
No lugar onde eu for colocada
‘Se eu quisesse agradar a homens
Não seria serva de Cristo.’
Porque perdi muito tempo
Tentando agradar pessoas
Superar expectativas
Mostrar resultados
Não decepcionar.
Mas descobri
Que nunca é suficiente
Nem todas as minhas lágrimas
Nem todo o meu trabalho
Nem todo o meu suor
Nem todo o meu sangue
Nem todo o meu esforço
Nada nunca será suficiente
Nada nunca estará bom.
Eu me comprometo com todos
Ninguém tem compromisso comigo.

Se esperei, não esperei o bastante.
Se chorei, ainda foi pouco.
Se trabalhei, ainda há muito por fazer.
Se busquei, não foi da maneira certa.
Se sofri, tem coisa pior.

Mas no dia em que eu morrer
Irei para os braços dAquele
Para quem eu nunca precisei provar nada
A quem eu agradei dormindo
De quem tirei um sorriso com uma piada
Que me entendeu e não me condenou por isso.
Ele nunca me exigiria
O que as pessoas me exigem.
Ele nunca me condenaria
Pelas escolhas que me forçam a evitar
Mesmo que eu não saiba como buscá-lO
Ele sabe como me encontrar.

Por isso
No dia em que eu morrer
Não quero agradar ninguém.

Angela Natel

Nos trilhos da vida
Caminha minha pobre alma
Ainda não é a eterna despedida
Desejo destilar aquela velha calma

Nos caminhos desconhecidos do destino
Minha fé repousa no Eterno
É ele quem me deu a coragem desde menino
Para combater os horrores do inferno

Deus é meu refúgio,meu Porto seguro
Um dia aonde devo descansar
Me leva adiante nos mares do Futuro
Com sua Luz,seu amor me faz encontrar

Quero com sabedoria dizer
Ter forças para doutrinar
E assim alegria em viver
Para sempre eu poder amar!

Samuel Ranner

Despedida

Despeço-me então de ti
Cidade querida onde um dia nasci
E rumo para um rio que não corre
Voa
Entregar-me aqueles que não amam
Zoam
Entregar-me a mim

Tudo a frente é incerto
Vejo um vasto deserto
Se apresentar e confesso
Que não estou triste
Mas posso ficar

Seu perfume me motiva
E me intriga
Não sei se vou suportar
Deixar-te aqui
Entregue a quem quiser
Ou aqui ficar sem poder me entregar

Se eu vou
Eu me mudo
Mudo de mundo
Mas volto pra cá
Para rever-te então
Com toda a amizade
Por minha querida cidade
Que sempre me acolherá

E encontrarei nas ruas e vielas
Moças bonitas
Mulheres belas

E já estarei sorrindo
Por motivos mesquinhos.
Mas voltarei talvez, triste.
Com alguém que insiste
Em num erro acertar

Lucio Medina

O que seria morrer?

O fim da alma ou do corpo?
Uma nova vida ou um vivo morto?
Uma despedida ou uma chegada?
Um caminho aberto ou encruzilhada?

Talvez um começo, talvez um fim
Que sabe folha seca ou ate mesmo jardim
A libertação do espírito, a prisão de um ser?
O adeus definitivo ou o ate mais ver?

O que seria morrer então?
Nascer em outro mundo ou voltar para o mesmo em uma outra geração?
Seria uma pergunta ou uma solução?
Querendo ou não é assim que tem que ser, diante de tantas dúvidas todos nós vamos morrer.

Azurra

Desencontro

Sempre que um chega o outro dá a partida
Não quero ser o encontro dessa despedida
Quando acontece assim agente perde a vida
O coração vive pensando que o outro quer
Mais é uma ligeira vontade só fingida
O coração do homem precisa da mulher
Pense no que você ainda pode ter
Lembre-se se não quer perder
Amor não se joga fora
Ande venha logo não demora
Pois o meu coração chora
De saudade de você.
Quase perco o dia e sempre perco as noites
Não faça assim comigo
Dentro desse coração
Existe um sentimento que você criou.
Não me faça desistir de amar você
Mesmo que um chega o outro dá partida
Meu coração não já não pode te perder.

Reff Carvalho

Dessa vez eu quero escrever uma carta para você.
Mas não é uma carta de despedida
É uma carta te desejando boas vindas ao que eu sempre te dizia que iria acontecer.
Você realmente pode me ver? Eu estou ferida, insegura, desprotegida,
Pensando em todas as coisas que nunca serei capaz de esquecer
Você era tudo o que eu conhecia e quando você me dizia: Amor é capaz de tudo
Eu pensava que poderiamos ser.

Karol Amorim

(A despedida)

Lá vem o choro seguido de lágrima e com as lágrimas vem o lamento e com o lamento vem a dor da perda e com a perda vem o sofrimento e com o sofrimento vem a angustia acompanhada do choro.

Quantas coisas mais estão por vir em nossas vidas,na madrugada escuto o soluço de uma criança que havia chorado muito,E pergunto criança onde sua mãe está e o que faz sozinho na rua a essa hora e num piscar de olhos a criança some como um pensamento que é esquecido no nosso esquecimento mortal.

Desaparece sem deixar pistas ou vestígio de onde tenha ido ou estado sua mãe e continuo a caminhar em direção contraria de minha casa,por que lá não quero mais voltar.

E ai me despeso da minha vida antiga atras de uma vida desleal e desamparada,soluçando com muita lágrima no rosto grito por socorro,mas socorro ultima vez que me viu deu adeus sem se despedir e foi embora no dia seguinte antes da despedida.

Smith

Galope da despedida

Disse a sua princesa:
Logo voltarei, logo estarei aqui
Mas a sua tristeza
Não a deixava permitir


Quero que me leve
No galopar do seu cavalo
E me dizer que a mim tu queres
De estar, pra sempre do meu lado
Meu bem


Eu sei que feliz tu não estais
Leva o meu sabor, o meu clamor
Comigo fica a ausência e nossa dor
Mas o meu coração contigo vai

Halany Gomes

Despedida

Meu amigo, hoje é o nosso ultimo dia juntos
sei que não nos encontraremos mais
e se nos encontramos não será mais como antes.
lembraremos da "zuera", dos choros, da amizade.
Quando estou só, sempre me lembro de você sorrindo,
quando a vida me ensinou a chorar voce estava la perto
me dizendo: força cara !
Hoje me sinto aliviado, pois a cruz de minhas costas foi retirada por suas maos há algum tempo.
Muito Obrigado .

Diego Balduino Rodrigues

Despedida Inusitada




Eu ando pelo mundo procurando ver

Coisas que me façam crer...




Que exista algo bem melhor

Num plano quase infinito

Algo cada vez maior

Longe de qualquer grito




Procurando cores e sabores

De uma vida viciante

Espinhos e flores

Imaginação constante




O sonho na janela

Já não quer mais voar

As dores de um mundo à espera

Já não querem mais cessar




O final de um fim aflito

Vai ficando por aqui

Um mero adeus bonito

Um pouco longe de ti

Zade Bretas

Soneto de Despedida

Da primeira vez ocorreu impetuoso
oprimiu a calma feito um louco
violentando meu ser pouco a pouco
fez dos meus olhos secos aquoso.

Da segunda vez ocorreu a esmo
resumiu o caminho eterno a colisão
assassinou friamente a paixão
fez dos meus olhos amantes ermo.

Enquanto teus olhos brilhavam aos meus
o choro, a sofreguidão, o impeto que ocorreu
era claro meus olhos ainda eram teus

Quando meus olhos se perderam aos teus
a morte, a colisão, o ermo que ocorreu
era claro teus olhos não eram mais os meus

Julio Leoncini

Despedida

Amor... Não se despediu ao ir embora
Talvez soubesse que um abraço evitaria a despedida
Que ouviria aquelas palavras que esperara
Tanto tempo para ouvir, que nunca foram ditas.

Uma despedida sem olhar para trás
Sem um beijo no rosto, se cuida, fica bem...
Talvez soubesse que qualquer gesto evitaria a despedida
Que uma lagrima surgiria nos olhos.

Foi embora, sem dizer uma palavra, sem hesitar.

A.J.Hilzendeger

DESPEDIDA

Hei, eu preciso ir, mas, se você quiser eu espero mais um pouco. Se você estiver com medo do escuro e achar que tem um bicho papão embaixo da cama, eu fico, seguro na sua mão e espero você dormir. Realmente eu tenho que ir agora, já é tarde. Algo me aguarda lá fora, não sei o que é ainda, mas será inevitável, terei que descobrir. Claro que não vou fazer essa desfeita com você, aceito sim essa última xícara de café. Você sabe que me tira o sono, o café, mas não vou negar essa gentileza justamente agora, pode servir. Deixa que eu lavo essa louça pra você, é o mínimo que posso fazer pra retribuir o café. bem, agora realmente preciso ir, vai passar um filme ótimo na tv e não quero perder. Ja vai começar. Ah, já começou? Acho que não devo, mas ja que insiste, eu assisto e depois sigo de uma vez. Bom, o café estava ótimo, não tem bicho papão embaixo da sua cama e o filme ja terminou. Agora, acho que ja posso ir. Então é isso... Hei, eu preciso ir, mas, se você quiser eu espero...

Monica Ermirio

Soneto de Despedida

Distante deste mundo vão
Agarro as minhas memórias
Para me consolar elas estão
Não esqueço velhas histórias

Sinto muito mas nada sinto
A não ser uma longa saudade
Eu não te amo e não minto
Por mais que tivesse vontade

Amo o que foi e ainda fica
Como a cinza que incendeia
Meu sentimento não se explica

Perdão mas tenho que ir
Meu pensamento ainda é teu
O coração nunca te pertenceu.

Allan Caetano Zanetti

Despedida

Despeço-me de ti
Sem mágoa nenhuma
Antes grata
Pelas tantas sensações
Se de prazer ou sofrer
Tanto faz
Importa que as vivi
E em mim se eternizaram

Despeço-me de ti
No afã de novas ondas
Que me lavem a alma
E te embasa o inesquecível
Dos momentos propícios
Que a mim dedicou
E por aqui...ficaram

Despeço-me de ti
Admirando teu estilo
Sempre sóbrio e envolvente
E levando comigo
O que de bom me ensinou
E portanto...deixou

Despeço-me de ti
Sabendo que amanhã
Outro dia virá
Independente da presença
Tão abrangente
Que enche de vazio
Mas que esvazia aos poucos
Essa ausência torturante

Despeço-me de ti
Na certeza de que o tempo
Sábio e implacável
Apagará todas as mágoas
Que fez doer no coração
O que julguei ser imutável
Mas no fundo...era apenas o fruto da minha solidão

Despeço-me de ti...assim
Sem mais

Nanevs

CARTA DE DESPEDIDA AO SENHOR ESTRANHO:


18 de Abril de 2011, Brasil.


Estranho,


“Sei que é uma decisão tardia, diante os fatos ocorridos, mas tudo tem seu tempo pra acontecer, se isso só aconteceu agora, deve-se ter lá seus motivos. Vá entender!

Enfim, resolvi não te querer mais.

Mesmo que meu coração ainda reclame sua ausência.

Resolvi mudar o costume de ter você em tudo. De ter você nos cantos da casa, de ouvir você abrindo a porta, de ouvir o barulho do seu carro, de sentir sua respiração... Tudo isso de maneira imaginária, pois você não está mais aqui. Fato. E eu preciso me acostumar com isso.

Resolvi pensar sozinha, imaginar meu futuro sem você. Você não vai voltar.

Resolvi guardar as recordações numa caixa grande, de aparência simples, para que ali ficassem enterrados os nossos momentos bons, ou melhor, os momentos que tanto apreciei. Momentos sublimes e que, na realidade, eram tão vazios... Guardei dentro dela todas aquelas pequenas coisas que me fazem ter você na lembrança, tudo que me faça sentir a sua energia: suas camisas, bermuda, roupa intima, escova de dente, fotos, cartas escritas, bilhetes, vidros de perfumes, aliança, coleção de CDs...

Criei uma caixa imaginária dentro de mim pra guardar tudo que vivemos: as palavras ditas, as noites amor, as conversas por MSN, as conversas por telefone até amanhecer o dia, as mensagens no celular, o som do seu sorriso, a lembrança dos seus olhos, da sua respiração, o beijo que você dava na minha mão ao dirigir, a sua cara ao ler a mensagem que escrevi no espelho, as reticências, o “quem sabe um dia!”, o “inclusive”, as músicas, as nossas vídeo chamadas, as suas mãos calejadas, a ponta da orelha, o seu silêncio, a paz que encontrávamos juntos...

Guardei nela também a saudade que sinto e que você nunca sentiu.

Guardei os planos, os projetos, as incansáveis noites em claro esperando por noticias suas, a minha insistência em fazer com que você acreditasse que eu seria a pessoa certa pra você, as minhas lágrimas de apelo, o meu sofrimento por vezes tão grande que me causava dores físicas, a minha insegurança, minha preocupação e o meu medo de perder você.

Guardei a esperança, o desejo, a vontade, o amor por você, a espera, a paciência, a sinceridade, a compreensão, o meu respeito e admiração por te achar tão perfeito.

Resolvi mudar o perfume, meus produtos de banho, comprei lençóis novos, toalhas novas. Não quero nada que seja intimo misturado com a sua lembrança.

Olha, vou comprar uma cama nova! Não agüento mais dormir no sofá, pois não consigo olhar pra cama e pensar o quanto você foi sórdido ali! Acho que foi nela que você mais mentiu... principalmente ao fingir fazer amor. Acho que você desconhece o real significado da frase.

Penso apenas que não suportaria mais suas mãos sobre o meu corpo, apesar do desejo ainda ser forte, eu não agüentaria tanta humilhação. Não agüentaria olhar pra você e pensar que tudo é fingimento.

Eu que sempre me entreguei verdadeiramente. Eu que sempre acreditei na nossa cumplicidade. Acreditei em você. Confiei. Agora me encontro perdida em meio a sentimentos tão frios e procurando as palavras certas para descrevê-los.

Tenho raiva do meu corpo por saber que nele você despertou sensações maravilhosas que ninguém nunca conseguiu fazer o mesmo.

Tenho raiva de mim por não conseguir me permitir que outro o toque, pois ainda sinto como se ele fosse seu.

Repito pra mim mesma, cheguei a escrever as frases ditas por você (colei em espelhos, guarda-roupa, geladeira... eu precisava que delas!), pois foram elas que me fizeram enxergar que eu não sou o bastante... não sou o bastante pra você. Não por ser inferior. Não. Mas porque pra você, você se basta. Você é tão você, que os outros não são nada. Você brinca com os sentimentos, com as pessoas, você muda a vida, a rotina, você tem o dom de transformar o céu em inferno! É triste. Mas é a realidade. Você tem um dom de cativar e de destruir tudo em segundos, com a mesma facilidade.

E eu não quero ao meu lado alguém tão singular. E eu preciso me libertar desse sentimento doentio que é amar você, porque definitivamente, você não é o quem eu amo. A sua realidade é diferente da pessoa que amei. Eu imaginei, ou vivi, não sei ao certo, algo inexistente.

Você tantas vezes me disse que me amava incondicionalmente... o que é ser incondicional pra você?
Acho que você nunca vai saber o quanto eu amei você e a sua real importância para mim.

Senhor Estranho, encontre-se. Porque agindo assim você vai fazer com que muitas pessoas boas e de sentimentos puros, se percam. E definitivamente, ninguém merece ser usada assim.

Boa sorte em seu caminho, porque agora eu vou refazer o meu e concertar os estragos que você o fez.
Seja feliz.”

...

(são três pontos finais, só pra ter certeza que acabou.)”

Laila Monteiro