Vestido Vermelho

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Quero um vestido vermelho encarnado,
Cor de sangue…
Quente;
Das unhas vulgares,
Do batom com o qual nunca pintei meus lábios,
com o qual nunca borrarei os teus…

Quero um vestido vermelho encarnado,
Como o espírito que me persegue,
Todas as vezes que te rejeito;
E, quando te aceito…
Você me decepciona
Porque não sabe a diferença…

Teus discursos menores.
Tua vulnerabilidade,
Minha impaciência,
Seus atos impensados,
Subestimam minha inteligência…

Sempre saberei quando fizeres elogios
Pra outras mulheres,
Que correm e se gabam…
Mal sabe elas que fazes isso para me atingir
Porque sabes que não irei partir rumo aos teus braços
Não assim tão fácil…

Quero um vestido vermelho encarnado
Para cobrir as feridas que abres em meu peito
Todas as vezes que me enganas…
Mesmo após tantos pedidos
Para que deixasse teu espaço na minha cama
Lamentas meu compromisso,
Mas não posso confiar em ti…

Quero um vestido vermelho encarnado
Para sujar de lama
Depois de te agredir debaixo da escada…
De surrar teu rosto,
De quebrar meu pulso
De morrer de tanto chorar…

Quero um vestido vermelho encarnado
Para te perturbar…
Para lembrar das flores que fiz sangrar

Para te perturbar…
Para lembrar das noites que não dormimos juntos…

Para te perturbar…
Com os sorrisos que não foram provocados por ti…

Para te perturbar
Com as confissões depois do amor que não fizemos na relva,
Nem sob a chuva…

Quero um vestido vermelho encarnado
Para te assombrar depois que te superar
Da viagem adiada, das mentiras não contadas
Que programastes para mim

Quero um vestido vermelho encarnado
Pra não lembrar…
Que ponto e vírgula nos separam.

Cortezolli

Dia de Roda

Ela chegou para o encontro no parque
Vestido Vermelho de roda
Voava ao vento do amor
Batom rubro, a face cereja

Ele entrou na roda do olhar e da cor
E no beijo girou, girou
Até rodar em cores
Ao sol do amor

Voltas e mais voltas de intensa cor
Era a hora de voltar
E a flor vermelha secou,
Ao ver o pai chegar, uma dor...

Tiro seco, sangue rubro
Roda vermelha formou
E ela, lábios pálidos,
Com ele nunca mais girou...

Maria Helena Frieira