Versiculos Biblicos sobre Missões

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Gideão – Parte 3 – Juízes 8

Tendo comentado os três primeiros versículos deste 8º capítulo de Juízes, no final do comentário alusivo ao final do capítulo anterior, nós vemos uma afirmação no verso 4 que bem demonstra a qualidade do espírito de Gideão e dos trezentos que o seguiam:
“E Gideão veio ao Jordão e o atravessou, ele e os trezentos homens que estavam com ele, fatigados, mas ainda perseguindo.”.
Eles estavam fatigados não apenas pela perseguição que estavam empreendendo mas também pelo fato de estarem famintos, e isto se vê no verso 5. Mesmo extenuados, exauridos ainda estavam perseguindo.
Nada deteria aqueles homens dotados de tal qualidade de espírito. E por isso foram previamente selecionados por Deus, para servirem de exemplo a todo Israel, e a nós na igreja de Cristo, quanto ao modo como Deus deve ser servido na obra que realizamos em Seu nome e para Ele. O apóstolo Paulo testemunha de si mesmo que trabalhava até à exaustão no serviço de Cristo. E nisto deixou um exemplo para ser seguido por todos os obreiros de Jesus, especialmente pelos ministros do evangelho.
E a atitude dos habitantes de Sucote e de Penuel foi grave porque se recusaram alimentar a Gideão e a seus homens, de modo a terem melhores condições na perseguição que estavam empreendendo aos dois reis midianitas Zeba e Zalmuna. Eles se recusaram em ser generosos para com eles, apesar de que seriam também beneficiados com a libertação do jugo dos midianitas. Mas eles não criam nisto, em face do pequeno exército de Gideão, e não somente se negaram a ajudá-lo como também zombaram deles.
E mesmo com fome eles prosseguiram na perseguição, não sem que antes Gideão prometesse que castigaria a incredulidade e falta de generosidade dos homens de Sucote e de Penuel, aos primeiros dando-lhes uma surra com os espinhos e abrolhos do deserto, e aos moradores de Penuel traria danos, derrubando a torre deles, e até mesmo matando a alguns deles, certamente aqueles que haviam zombado mais acremente quando lhes pediram alimento. E ele o fizera conforme havia prometido depois de ter subjugado os dois reis midianitas.
Deus havia por um processo extraordinariamente miraculoso feito com que o número assombroso de cento e vinte mil midianitas fossem mortos (v. 10), e apenas quinze mil homens haviam sobrado do exército deles e fugido com Zeba e Zalmuna, contra os quais Gideão estava empreendendo perseguição com os seus valentes, que haviam deixado suas trombetas e tochas para agora lançarem mão de espadas com as quais prevaleceriam sobre os midianitas, conforme a promessa que havia sido feita por Deus: “Disse ainda o Senhor a Gideão: Com estes trezentos homens que lamberam a água vos livrarei, e entregarei os midianitas na tua mão; mas, quanto ao resto do povo, volte cada um ao seu lugar.” (Jz 7.7).
Os reis midianitas foram julgados e condenados à morte por terem matado em tempos atrás os irmãos de Gideão no monte Tabor (Jz 6.2), que tendo buscado abrigo nas montanhas por medo dos midianitas foram achados por estes dois reis, e foram vil e barbaramente mortos a sangue frio.
Nos versos 20 e 21 nós vemos Gideão chamando seu filho ainda muito jovem para ser o vingador do sangue dos seus irmãos que foram mortos por aqueles reis, porque com isso a desonra deles seria ainda maior na execução da sua sentença de morte, entretanto o jovem não teve coragem suficiente para fazê-lo, e os reis rogaram a Gideão que ele mesmo os matasse, porque assim não seriam desonrados na morte, porque certamente correria a notícia que foram mortos pelas mãos de uma criança, caso o filho de Gideão tivesse a coragem de fazê-lo.
Depois de matá-los, Gideão se apoderou dos ornamentos em forma de lua que estavam nos pescoços dos camelos daqueles reis, que possivelmente se destinavam a honrar a deusa Asterote que era representada pela lua, assim como Baal era representado pelo sol. E certamente para evitar um uso indevido em idolatria, ele pegou todos os demais ornamentos, e na intenção de evitar um mal, acabou fazendo um outro, porque fabricou com eles uma estola sacerdotal e a colocou em sua cidade, e aquela peça de uso sagrado exclusivo do tabernáculo era adorada pelos israelitas.
Quando os israelitas pediram a Gideão que ele se fizesse o governante deles, e que isto passasse a ser considerado um direito hereditário em sua família, conforme é próprio aos reis, ele se recusou em atender ao pedido deles, e afirmou que aquele que regeria sobre eles seria sempre o Senhor, e não ele e ninguém de sua casa. O desejo de Gideão era o de servir ao seu povo, e não o de governá-lo. Ele havia sido chamado e capacitado por Deus para a obra que realizara, e deveria se limitar ao que lhe foi ordenado, e ele estava bem consciente disto. A propósito, neste aspecto, o período dos juízes, em que não havia uma organização política, com um governo confederado e central sobre todas as tribos, se tinha o inconveniente de Israel não configurar uma unidade federativa, por outro lado, tinha a vantagem de ter líderes levantados e escolhidos diretamente pelo próprio Deus para conduzirem o seu povo. O modelo do direito sucessório por hereditariedade carregava consigo o grande inconveniente de serem conduzidas ao trono pessoas ímpias, conforme se vê na história dos reis de Israel.
Os versos 30 a 35 são introdutórios à narrativa do capítulo seguinte deste livro (nono) porque narra o número de filhos (setenta) que Gideão tivera com as muitas mulheres que possuía, não sendo destacado o nome de nenhum destes seus filhos, senão Jotão, e o filho que tivera com a concubina que ele tinha em Siquém chamado Abimeleque (v. 31), cuja história é narrada no nono capítulo.
E é também citado no verso 33 que depois da morte de Gideão os israelitas tornaram a se prostituir após os baalins, tendo posto a Baal-Berite por deus deles, sendo que Baal significa senhor, mestre ou esposo, e berite, aliança, portanto, traduzido daria senhor da aliança, e no entanto, os israelitas haviam se aliançado com o único e verdadeiro Senhor, através da mediação de Moisés, configurando portanto esta falsa adoração numa alta traição e adultério, não se lembrando os israelitas do Deus que os livrara das mãos de todos os seus inimigos ao redor, e nem usaram de beneficência com a casa de Gideão, conforme veremos no comentário relativo ao nono capítulo.
Os siquemitas adoravam a Baal-Berite, e é significativo que se note a conexão desta adoração com a barbárie que seria realizada por Abimeleque, em conluio com os habitantes de Siquém, onde residia a parentela de sua mãe e de seu avô materno.


“1 Então os homens de Efraim lhe disseram: Que é isto que nos fizeste, não nos chamando quando foste pelejar contra Midiã? E repreenderam-no asperamente.
2 Ele, porém, lhes respondeu: Que fiz eu agora em comparação ao que vós fizestes? Não são porventura os rabiscos de Efraim melhores do que a vindima de Abiezer?
3 Deus entregou na vossa mão os príncipes de Midiã, Orebe e Zeebe; que, pois, pude eu fazer em comparação ao que vós fizestes? Então a sua ira se abrandou para com ele, quando falou esta palavra.
4 E Gideão veio ao Jordão e o atravessou, ele e os trezentos homens que estavam com ele, fatigados, mas ainda perseguindo.
5 Disse, pois, aos homens de Sucote: Dai, peço-vos, uns pães ao povo que me segue, porquanto está fatigado, e eu vou perseguindo a Zeba e Zalmuna, reis dos midianitas.
6 Mas os príncipes de Sucote responderam: Já estão em teu poder as mãos de Zeba e Zalmuna, para que demos pão ao teu exército?
7 Replicou-lhes Gideão: Pois quando o Senhor entregar na minha mão a Zeba e a Zalmuna, trilharei a vossa carne com os espinhos do deserto e com os abrolhos.
8 Dali subiu a Penuel, e falou da mesma maneira aos homens desse lugar, que lhe responderam como os homens de Sucote lhe haviam respondido.
9 Por isso falou também aos homens de Penuel, dizendo: Quando eu voltar em paz, derribarei esta torre.
10 Zeba e Zalmuna estavam em Carcor com o seu exército, cerca de quinze mil homens, os restantes de todo o exército dos filhos do oriente; pois haviam caído cento e vinte mil homens que puxavam da espada.
11 subiu Gideão pelo caminho dos que habitavam em tendas, ao oriente de Nobá e Jogbeá, e feriu aquele exército, porquanto se dava por seguro.
12 E, fugindo Zeba e Zalmuna, Gideão os perseguiu, tomou presos esses dois reis dos midianitas e desbaratou todo o exército.
13 Voltando, pois, Gideão, filho de Joás, da peleja pela subida de Heres,
14 tomou preso a um moço dos homens de Sucote, e o inquiriu; este lhe deu por escrito os nomes dos príncipes de Sucote, e dos seus anciãos, setenta e sete homens.
15 Então veio aos homens de Sucote, e disse: Eis aqui Zeba e Zalmuna, a respeito dos quais me escarnecestes, dizendo: Porventura já estão em teu poder as mãos de Zeba e Zalmuna, para que demos pão aos teus homens fatigados?
16 Nisso tomou os anciãos da cidade, e espinhos e abrolhos do deserto, e com eles deu uma severa lição aos homens de Sucote.
17 Também derrubou a torre de Penuel, e matou os homens da cidade.
18 Depois perguntou a Zeba e a Zalmuna: Como eram os homens que matastes em Tabor? E responderam eles: Qual és tu, tais eram eles; cada um parecia filho de rei.
19 Então disse ele: Eram meus irmãos, filhos de minha mãe; vive o Senhor, que se lhes tivésseis poupado a vida, eu não vos mataria.
20 E disse a Jeter, seu primogênito: Levanta-te, mata-os. O mancebo, porém, não puxou da espada, porque temia, porquanto ainda era muito moço.
21 Então disseram Zeba e Zalmuna: Levanta-te tu mesmo, e acomete-nos; porque, qual o homem, tal a sua força. Levantando-se, pois, Gideão, matou Zeba e Zalmuna, e tomou os crescentes que estavam aos pescoços dos seus camelos.
22 Então os homens de Israel disseram a Gideão: Domina sobre nós, assim tu, como teu filho, e o filho de teu filho; porquanto nos livraste da mão de Midiã.
23 Gideão, porém, lhes respondeu: Nem eu dominarei sobre vós, nem meu filho, mas o Senhor sobre vós dominará.
24 Disse-lhes mais Gideão: uma petição vos farei: dá-me, cada um de vós, as arrecadas do despojo. (Porque os inimigos tinham arrecadas de ouro, porquanto eram ismaelitas) .
25 Ao que disseram eles: De boa vontade as daremos. E estenderam uma capa, na qual cada um deles deitou as arrecadas do seu despojo.
26 E foi o peso das arrecadas de ouro que ele pediu, mil e setecentos siclos de ouro, afora os crescentes, as cadeias e as vestes de púrpura que os reis de Midiã trajavam, afora as correntes que os camelos traziam ao pescoço.
27 Disso fez Gideão um éfode, e o pôs na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu ali após ele; e foi um laço para Gideão e para sua casa.
28 Assim foram abatidos os midianitas diante dos filhos de Israel, e nunca mais levantaram a cabeça. E a terra teve sossego, por quarenta anos nos dias de Gideão.
29 Então foi Jerubaal, filho de Joás, e habitou em sua casa.
30 Gideão teve setenta filhos, que procederam da sua coxa, porque tinha muitas mulheres.
31 A sua concubina que estava em Siquém deu-lhe também um filho; e pôs-lhe por nome Abimeleque.
32 Morreu Gideão, filho de Joás, numa boa velhice, e foi sepultado no sepulcro de seu pai Joás, em Ofra dos abiezritas.
33 Depois da morte de Gideão os filhos de Israel tornaram a se prostituir após os baalins, e puseram a Baal-Berite por deus.
34 Assim os filhos de Israel não se lembraram do Senhor seu Deus, que os livrara da mão de todos os seus inimigos ao redor;
35 nem usaram de beneficência para com a casa de Jerubaal, a saber, de Gideão, segundo todo o bem que ele havia feito a Israel.”. (Jz 8.1-35)

Silvio Dutra

Um dia vou tomar da mão do padre o microfone, e direi verdades que os versículos ocultam ao povo sedado.
Um povo coitado, boicotado, e com um belo carnê de dívida divina pra pagar. Ou depositam a parcela caixinha, ou o diabo da esquina sua saúde vai perseguir até conseguir arrancar.
Ó quanta fé, ó quanto medo. Se sair mal "Deus sabe o que faz", se sai bem "Milagre de Deus".
Se isso é fé, então até nunca mais!

Aldo Teixeira

Versículos do Salmo 121 do livro Salmos da Bíblia.

1 Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro?
2 O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.
3 Ele não permitirá que você tropece; o seu protetor se manterá alerta,
4 sim, o protetor de Israel não dormirá; ele está sempre alerta!
5 O Senhor é o seu protetor; como sombra que o protege, ele está à sua direita.
6 De dia o sol não o ferirá; nem a lua, de noite.
7 O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida.
8 O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre.
JESUS

Maria Izabel da Silva Thomáz

Lendo inúmeros versículos sobre esse tema percebo que Deus é o nosso ninho, maior abrigo; na Sua santa benigna presença sempre encontraremos, tudo que mais necessitamos, provisão, proteção, direção, amor, zelo e cuidado necessário, para nossa sobrevivência e transcendência. Ele nos livra de todas as investidas dos nossos predadores, inimigos. E nos faz habitar, em paz e em segurança, nas alturas; nos capacitando a alçar voos deleitosos por toda eternidade.

Servamara

Versículos do Salmo 38 do livro Salmos da Bíblia.
1 Senhor, não me repreendas no teu furor
nem me disciplines na tua ira.
2 Pois as tuas flechas me atravessaram,
e a tua mão me atingiu.
3 Por causa de tua ira,
todo o meu corpo está doente;
não há saúde nos meus ossos
por causa do meu pecado.
4 As minhas culpas me afogam;
são como um fardo pesado e insuportável.
5 Minhas feridas cheiram mal e supuram
por causa da minha insensatez.
6 Estou encurvado e muitíssimo abatido;
o dia todo saio vagueando e pranteando.
7 Estou ardendo em febre;
todo o meu corpo está doente.
8 Sinto-me muito fraco e totalmente esmagado;
meu coração geme de angústia.
9 Senhor, diante de ti
estão todos os meus anseios;
o meu suspiro não te é oculto.
10 Meu coração palpita, as forças me faltam;
até a luz dos meus olhos se foi.
11 Meus amigos e companheiros me evitam
por causa da doença que me aflige;
ficam longe de mim os meus vizinhos.
12 Os que desejam matar-me
preparam armadilhas,
os que me querem prejudicar
anunciam a minha ruína;
passam o dia planejando traição.
13 Como um surdo, não ouço,
como um mudo, não abro a boca.
14 Fiz-me como quem não ouve,
e em cuja boca não há resposta.
15 Senhor, em ti espero;
tu me responderás, ó Senhor meu Deus!
16 Pois eu disse: "Não permitas
que eles se divirtam à minha custa
nem triunfem sobre mim quando eu tropeçar".
17 Estou a ponto de cair,
e a minha dor está sempre comigo.
18 Confesso a minha culpa;
em angústia estou por causa do meu pecado.
19 Meus inimigos, porém,
são muitos e poderosos;
é grande o número
dos que me odeiam sem motivo.
20 Os que me retribuem o bem com o mal
caluniam-me porque é o bem que procuro.
21 Senhor, não me abandones!
Não fiques longe de mim, ó meu Deus!
22 Apressa-te a ajudar-me,
Senhor, meu Salvador!

salmo 38 ,biblia sagrada

Marcos 8 - Por Matthew Henry

Versículos 1-10: O milagre da alimentação dos quatro mil; 11-21: A advertência de Cristo contra os fariseus e herodianos; 22-26. A cura de um cego; 27-33: O testemunho de Pedro a respeito do Senhor Jesus Cristo; 34-38: O Senhor Jesus Cristo deve ser seguido.

Vv. 1-10. O Senhor Jesus encorajou os mais vis, que foram a Ele em busca de vida e graça. Cristo conhece e considera o nosso estado de ânimo. A generosidade de Cristo está sempre preparada; para mostrar isto, repete este milagre. os seus favores se renovam, como ocorre com as nossas carências e necessidades. Aquele que tem a Cristo, e vive por fé, não deve temer a escassez, e deve viver pela fé com ação de graças.

Vv. 11-21. A incredulidade obstinada terá algo a dizer, mesmo que seja muito irracional. O Senhor Jesus Cristo recusou-se a dar resposta à demanda daqueles homens. Se não sentirem a convicção do pecado, jamais se convencerão. Ah! Que razão temos para lamentar por aqueles que nos rodeiam, e destroem a si mesmos e aos demais por meio de sua incredulidade perversa e obcecada, e por sua inimizade contra o Evangelho! Quando nos esquecemos das obras de Deus e não confiamos nEle, devemos nos repreender severamente, assim como Cristo repreende aqui os seus discípulos. Como é que por tantas vezes nos equivocamos com o significado daquilo que Ele nos diz, desprezamos as suas advertências, e não confiamos em seus cuidados para conosco?

Vv. 22-26. Aqui está o caso de um cego que foi levado a Cristo por seus amigos. Aqui fica demonstrada a fé daqueles que o trouxeram. Se aqueles que estão espiritualmente cegos não orarem por si mesmos, em todo o caso os seus amigos e parentes devem orar por eles, para que o Senhor Jesus Cristo os toque. A cura foi realizada de forma gradual, o que não era comum nos milagres de nosso Senhor. Cristo demonstra o seu método comum para curar, por sua graça, àqueles que por natureza estão espiritualmente cegos. Em primeiro lugar, o conhecimento que estas pessoas possuem é confuso. Porém, quando encontram-se com Cristo e buscam conhecê-lo, o seu conhecimento se torna como a luz da aurora, que vai aumentando até que seja dia perfeito e, então, eles vêm claramente todas as coisas. Não prestar a devida atenção aos favores do Senhor Jesus Cristo é renunciar a eles; e aqueles que o fazem, conhecerão o valor dos seus benefícios por meio da necessidade.

Vv. 27-33. Estas coisas estão escritas para que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Os milagres de nosso Senhor nos asseguram que Ele não foi vencido, mas que foi vencedor. Agora, os discípulos estão convencidos de que Jesus é o Cristo; estão em condições de suportar o conhecimento dos sofrimentos que o Senhor Jesus enfrentará, os quais o Senhor começa aqui a lhes revelar.
Ele vê os erros naquilo que dizemos ou fazemos, dos quais nem sequer nós mesmos temos consciência, e sabe de que espírito somos, mesmo que não o soubéssemos. A sabedoria humana se toma algo néscio quando tem a pretensão de limitar as intenções de Deus. Pedro não compreendia corretamente a natureza do reino de Cristo.

Vv. 34-38. É freqüentemente informada a grande aglomeração de pessoas em volta do Senhor Jesus Cristo, para que ajudasse a multidão em diversos casos. Todos têm a obrigação de saber disto, se esperam que cure as suas almas. Eles não devem ser indulgentes para com o conforto de sua carne. Como a felicidade do céu com Cristo é suficiente para compensar a perda da própria vida por amor a Ele, assim, ganhar o mundo inteiro por meio do pecado não compensa o sofrimento da alma que é destruída pelo pecado. Chegará o dia em que a causa do Senhor Jesus Cristo aparecerá gloriosa, mesmo que alguns agora a considerem algo pequeno e desprezível. Pensemos nesta época e vejamos hoje tudo o que pertence a esta terra, do modo que o veremos naquele grande dia.

Matthew Henry

Marcos 13

Versículos 1-4: O anúncio da destruição do templo; 5-13: O discurso profético de Cristo; 14-23: A profecia de Cristo; 24-27: Declarações proféticas; 28-37: Exortação para vigiar.

Vv. 1-4. Observemos quão pouco o Senhor Jesus Cristo valoriza a pompa exterior, onde não existe a verdadeira pureza de coração. Contempla com compaixão a ruína das almas preciosas, e chora por elas, porém, não o encontramos contemplando com tristeza a ruína de uma casa formosa. Então, lembremo-nos do quão necessário é que tenhamos uma morada mais duradoura no céu, e que estejamos preparados para ela por meio da obra do Espírito Santo, e que esta morada seja buscada por meio da fervorosa utilização de todos os meios da graça.

Vv. 5-13. O nosso Senhor Jesus, ao responder a pergunta dos discípulos, não o faz tanto para satisfazer a curiosidade destes, mas para dirigir-lhes a consciência. Quando muitos são enganados, devemos por esta razão ser despertados para que examinemos a nós mesmos. os discípulos de Cristo, senão fosse pelas próprias faltas deles, poderiam desfrutar da santa segurança e da paz mental, mesmo quando tudo ao seu redor estivesse desordenado. Eles devem ter o cuidado de não serem afastados de Cristo, e nem de seu dever para com Ele, pelos sofrimentos com que se encontrarão por amor a Ele. Serão odiados por todos os homens: problema mais do que suficiente! Porém, a obra a que foram chamados deve seguir avante e prosperar. Ainda que eles sejam esmagados e derribados, o Evangelho não o pode ser. A salvação prometida é maior do que a libertação de todo o mal, é uma bênção eterna.

Vv. 14-23. Os judeus apressaram o ritmo de sua ruína ao rebelarem-se contra os romanos, e ao perseguirem os cristãos. Aqui temos uma profecia sobre a destruição que lhes sobreveio cerca de quarenta anos mais tarde; uma destruição e um estrago como jamais sofreram em toda a sua história. As promessas de poder para perseverar, e as advertências contra um afastamento, concordam entre si. Porém, quanto mais considerarmos estas coisas, veremos motivos mais abundantes para fugir sem demora a nos refugiarmos em Cristo, e a renunciarmos a todo objeto terrestre pela salvação de nossas almas.

Vv. 24-27. Os discípulos haviam confundido a destruição de Jerusalém com o final do mundo. O Senhor Jesus Cristo corrigiu este erro, e demonstrou que o dia de sua vinda e o dia do juízo seriam posteriores àquela tribulação. Aqui anuncia a dissolução final do quadro e da trama do mundo presente. Além disto, é prevista a aparição visível do Senhor Jesus vindo nas nuvens, e a reunião de todos os eleitos com Ele.

Vv. 28-37. Temos a aplicação do sermão profético. Quanto à destruição de Jerusalém, é preciso esperar, pois virá dentro de pouquíssimo tempo. Quanto ao final do mundo, não pergunteis quando virá, porque o dia e a hora não são do conhecimento de nenhum homem. Cristo, como Deus, não poderia ignorar nada, porque a sabedoria divina, que habitava em nosso Senhor, era comunicada à sua alma humana conforme o beneplácito divino. o nosso dever em relação aos dois casos é estar alertas e orarmos. Quando o Senhor Jesus ascendeu ao alto, deixou algo para que todos os seus servos façam. Devemos estar sempre vigilantes esperando o seu regresso. Isto se aplica tanto à vinda de Cristo a nós em nossa morte, como também ao juízo geral.
Não sabemos se o nosso Senhor virá nos dias de nossa juventude, na idade madura ou em nossa velhice, porém, assim que nascemos começamos a morrer e, portanto, devemos esperar pela morte. O nosso grande esforço deve ser no sentido de que, quando o Senhor vier, não nos encontre confiados, agradando à nossa concupiscência em conforto e preguiça, despreocupados em relação à nossa obra e dever. O Senhor diz a todos que vigiem, para que sejam encontrados em paz, sem manchas e irrepreensíveis.

Matthew Henry

Josué 24

Versículos 1-14: Os benefícios de Deus para os antepassados; 15-28: Josué renova o pacto entre o povo e Deus; 29-33: A morte de Josué; o enterro dos ossos de José; o Estado de Israel.

Vv. 1-14. Nunca devemos dar por terminada a nossa obra para Deus, até que a nossa vida tenha terminado. Se nos forem acrescentados mais dias do que o esperado, assim como a Josué, é porque Deus tem mais serviços para realizarmos, o que quer ter o mesmo sentimento que também houve em Cristo Jesus, gloriar-se-á em dar o último testemunho da bondade de seu Salvador, e em proclamar aos quatro ventos as obrigações com a qual o tem enlaçado a imerecida bondade que Deus lhe tem mostrado.
A assembleia se reuniu em solene atitude religiosa. Josué falou-lhes em o nome e da parte de Deus. O seu sermão foi sobre doutrinas e suas aplicações. A parte doutrinária fala da história das grandes coisas que Deus fizera por seu povo e pelos antepassados. A aplicação da história das misericórdias de Deus para com eles é uma exortação a temer e a servir a Deus como gratidão por seu favor, e que possa continuar.

Vv. 15-28. É essencial que o serviço do povo de Deus seja feito voluntariamente, porque o amor é o único princípio genuíno do qual pode ser proveniente todo serviço aceitável a Deus. O Pai busca os adoradores que assim o adorem, em espírito e em verdade, os desígnios da carne são inimizade contra Deus; portanto, o homem carnal é incapaz de dar adoração espiritual. Daí a necessidade de se nascer de novo. Porém, uma boa quantidade de pessoas fica somente nas formalidades quando as tarefas lhes são impostas.
Josué lhes deu a escolha; porém, não como se fosse indiferente que eles servissem ou não a Deus. "Escolhei hoje a quem sirvais"; agora, as coisas estão bem claras diante dos israelitas. Josué resolve servir a Deus, não importa o que seja que os demais façam, os que resolvem servir a Deus não devem importar-se em ficar sozinhos dali por diante, os que vão ao céu devem estar dispostos a nadar contra a maré. Não devem fazer como a maioria, mas sim como os melhores. Ninguém pode comportar-se corretamente em qualquer situação, sem considerar profundamente os seus deveres religiosos nas relações familiares.
Os israelitas concordaram com Josué, influenciados pelo exemplo do homem que fora uma bênção tão grande para eles; "Também nós serviremos ao Senhor". observe quanto bem fazem os grandes homens por sua influência, se forem zelosos com a religião. Josué os leva a expressar o pleno propósito do coração de serem fiéis ao Senhor. Devem despojar-se de toda confiança em sua própria suficiência ou, caso contrário, os seus propósitos serão vãos. Quando decidiram deliberadamente servir a Deus, Josué os comprometeu mediante um pacto solene e construiu um monumento para memória. Desta maneira emotiva, Josué se despediu deles; se perecerem, o sangue deles seria sobre as suas próprias cabeças.
A casa de Deus, a mesa do Senhor, e até os muros e árvores diante dos quais expressamos os nossos propósitos solenes de servi-lo, darão testemunho contra nós se o negarmos; de qualquer maneira, podemos confiar que Ele porá temor em nosso coração, para que não nos apartemos de sua presença. Somente Deus pode dar graça; contudo, abençoa os nossos esforços por fazermos com que os homens se comprometam em seu serviço.

Vv. 29-33. José morreu no Egito; porém, deu ordens no tocante aos seus ossos, para que não permanecessem em sua tumba, até que Israel descansasse na terra prometida.
Observe ainda a morte e sepultura de José e Eleazar, o sumo sacerdote. os homens mais úteis, após servir à sua geração conforme a vontade de Deus, um após outro, caem adormecidos e enfrentam a corrupção do seu corpo físico. Porém, Jesus, após passar e concluir a sua vida na terra, de uma forma mais efetiva do que José e Josué, ressuscitou dentre os mortos e não viu a corrupção.
Os redimidos do Senhor herdarão o reino que lhes foi preparado desde a fundação do mundo. Admirados, eles falarão a respeito da graça de Jesus: "Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai, a Ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!" (Ap 1.5).

Matthew Henry

Josué 8

Versículos 1,2: Deus anima Josué. 3-22: A conquista de Ai; 23-29: A destruição de Ai e de seu rei; 30- 35: leitura da lei em Ebal e Gerizim.

Vv. 1,2. Quando fielmente tiramos o pecado, esta coisa maldita que nos separa de Deus, então, e só então, podemos esperar ouvir a voz do Senhor para nosso consolo. Deus nos guie na continuação de nossas obras, e guerra cristã, como uma boa evidência de sua reconciliação conosco. Deus animou a Josué para que continuasse.
O despojo de Ai não deveria ser destruído como o de Jericó; portanto, não havia perigo de que as pessoas cometessem essa transgressão. Acã, que tomou o despojo proibido, perdeu a vida e tudo mais; porém, o resto do povo que se manteve longe das coisas malditas foi rapidamente recompensado por sua obediência. A forma de termos o consolo que Deus nos permite é nos distanciarmos do que Ele proíbe. Ninguém perde por negar-se a si mesmo.

Vv. 3-22. Observe a conduta e a prudência de Josué. Os que querem manter as suas lutas espirituais não devem amar o seu conforto. Provavelmente ele foi só ao vale para orar a Deus e pedir uma bênção, e não buscou ao Senhor em vão.
Josué não retrocedeu e terminou a obra. Os que estendem as suas mãos contra seus inimigos espirituais, nunca devem retroceder.

Vv. 23-29. Deus, o Justo Juiz, sentenciara os cananeus por causa da impiedade deles; os israelitas somente executaram a sentença. Nada da conduta deles deve ser tomada como exemplo para os demais. Sem dúvida houve uma razão especial para a severidade com o rei de Ai; provavelmente ele fora notavelmente ímpio, vil e blasfemo contra o Deus de Israel.

Vv. 30-35. Quando Josué chegou aos montes Ebal e Gerizim, sem tardar e preocupar-se com a condição de Israel, que ainda não tinha se estabelecido, confirmou o pacto do Senhor com seu povo, mediante o que fora indicado (Dt 11 e 27). Não devemos pensar em mudar a maneira de fazer alianças com Deus, até que estejamos estabelecidos no mundo; tampouco qualquer assunto deve impedir que demos importância e busquemos a única coisa necessária. A maneira correta de prosperar é começar por Deus (Mt 6.33). Eles edificaram um altar e ofereceram sacrifícios a Deus, como sinal de sua dedicação a Ele, como holocausto vivo para sua honra. Pelo sacrifício de Cristo, temos paz com Deus.
Uma grande misericórdia para qualquer povo é possuir a lei de Deus por escrito, e é próprio que a lei esteja escrita em idioma conhecido para que possa ser lida e ouvida por todos os homens.

Matthew Henry

Josué 7

Versículos 1-5: Derrota dos Israelitas em Ai; 6-9: Abominação e oração de Josué; 10-15: Deus ordena a Josué o que deve fazer. 16-26. Acã é descoberto; é destruído.

Vv. 1-5. Acã tomou algo do despojo de Jericó, o amor pelo mundo é a raiz de amargura mais difícil de se arrancar. Tomemos cuidado com o pecado, para que não aconteça que por ele muitos sejam presos e contaminados (Hb 12.15); e devemos ter cuidado de não nos confraternizarmos com os pecadores na prática da iniquidade, para que não participemos de sua culpa. É nosso dever cuidar uns dos outros para impedir o pecado, porque as transgressões alheias podem ser para o nosso mal. A fácil conquista de Jericó suscitou desprezo para com o inimigo, e uma disposição a esperar que o Senhor fizesse tudo por eles, sem que utilizassem os meios corretos. Desta maneira, os homens abusam da graça divina e das promessas de Deus, e as utilizam como desculpa para seus caprichos. Devemos nos ocupar com nossa salvação, mesmo cientes que é Deus quem a realiza em nós.
Foi uma vitória custosa para os cananeus, porque, devido a ela, Israel despertou, fez reformas e reconciliou-se com seu Deus, e o povo de Canaã endureceu-se para sua própria ruína.

Vv. 6-9. O interesse de Josué pela honra de Deus, mais que pelo destino de Israel, era a linguagem do Espírito Santo. Josué suplica a Deus. Lamenta a derrota, porque teme que o fracasso denigra a sabedoria e o poder de Deus, sua bondade e fidelidade. Em nenhum momento podemos apresentar uma alegação melhor que esta: " Senhor que farás por teu grande nome?" Que Deus seja glorificado em tudo, e então recebamos toda a sua vontade.

Vv. 10-15. Deus desperta a Josué para que faça uma investigação, e diz-lhe que, quando o anátema for tirado, tudo estará bem, os tempos de perigo e tribulação devem ser momentos de reforma. Devemos examinar nosso coração, nossas casas, e fazer uma diligente busca para descobrir se não existe um anátema que Deus vê e aborrece; uma luxúria secreta, um ganho ilícito, algum segredo indevido para com Deus ou outras pessoas. Não podemos prosperar até que o anátema seja destruído, arrancado de nosso coração e tirado de nossas habitações, de nossa família e eliminado de nossa vida. Quando o erro dos pecadores é descoberto, deve ser dado a Deus o seu reconhecimento. Com juízo seguro e sem falha, o Deus justo discerne e fará distinção entre o inocente e o culpado; ainda que os justos sejam da mesma tribo, família e lugar que os maus, nunca serão tratados como o ímpio.

Vv. 16-26. Observe quão néscios são os que prometem guardar segredo ao pecar. Deus tem muitas maneiras de trazer à luz as obras ocultas das trevas. observe também até que ponto é nosso dever buscar a causa de nossa tribulação, quando Deus contende contra nós. Devemos orar como Jó: "Senhor faz-me entender porque contendes comigo".
O pecado de Acã começou pelos olhos, viu todas aquelas coisas formosas, como Eva observou o fruto proibido. Observe no que resulta tolerar que o coração ande conforme a concupiscência dos olhos, e a necessidade que temos de fazer pacto com nossos olhos, que chorarão se vaguearem. os que querem evitar as ações pecaminosas devem mortificar e controlar dentro de si os desejos pecaminosos, particularmente, a cobiça das riquezas mundanas. Se Acã tivesse olhado essas coisas com os olhos da fé, as teria visto como anátema e as desprezaria com temor; porém, ao olhá-las unicamente com os olhos dos sentidos, as enxergou como coisas valiosas e as cobiçou. E quando cometeu o pecado, procurou ocultá-lo. Assim que conseguiu o despojo desejado, este se transformou em um peso, e não se atreveu a utilizar o tesouro que foi conseguido ilicitamente. Quão diferentemente se veem à distância os objetos da tentação, de quando são alcançados, observe aqui o engano do pecado: o que é agradável ao cometer, é amargo em sua consequência, observe como se enganam os que roubam a Deus, o pecado é algo mui perturbador, não só para o próprio pecador, mas também para todos os que o rodeiam. Deus certamente recompensará com tribulação os que transtornam o seu povo.
Acã não pereceu sozinho em seu pecado. os que abraçam mais do que lhes pertence perdem os seus. os filhos de Acã morreram com ele. Provavelmente, ajudaram-lhe a esconder os objetos cobiçados.
Que consequências fatais seguem ainda neste mundo o pecador e a tudo que pertence a ele. Um pecador destrói muito do que é bom. Então como será a ira vindoura?
Fujamos dela em direção a Cristo, o amigo do pecador. Há circunstâncias na confissão de Acã que marcam o progresso do pecado, desde a sua entrada no coração até que seja posto em prática, o que pode servir como a história de quase todas as ofensas cometidas contra a lei de Deus, e o sacrifício de Jesus Cristo.

Matthew Henry

Josué 1

Versículos 1-4: O Senhor nomeia a Josué como sucessor de Moisés; 5-9: Deus promete dar assistência a Josué; 10-15: Os preparativos para cruzar o Jordão; 16-18: O povo promete obedecer a Josué.

Vv. 1-4. Josué havia servido a Moisés. Ele, que fora chamado para, no futuro, ser líder, serviu por muito tempo como servo. Nosso Senhor Jesus também assumiu a forma de servo. Josué estava treinado para obedecer às ordens, os mais aptos para governar são os que aprenderam a obedecer, como o Filho de Deus, que foi obediente até a morte, e morte de cruz.
A mudança de situação dos homens úteis deve estimular aos sobreviventes a serem mais diligentes em fazer o bem. Levantem-se e vamos cruzar o Jordão. As zonas mais baixas estavam alagadas neste momento. Josué não tinha uma ponte nem possuía botes; porém, deveria crer que Deus abriria um caminho, ao determinar que o povo passasse para o outro lado.

Vv. 5-9. Josué fez com que a lei de Deus fosse seu governo. Deus o ordenou que meditasse nela dia e noite para que pudesse compreendê-la. Quaisquer que sejam os assuntos do mundo que tenhamos em mente, não devemos desprezar a única coisa necessária. Todas as ordens de Josué ao povo, e também seus juízos, deviam estar em conformidade com a lei de Deus. Ele próprio devia submeter-se aos mandamentos de Deus; a dignidade e o domínio de homem algum o colocaram acima das Íeis divinas. Ele devia alertar-se a si mesmo com a promessa e a presença de Deus. Que você não se desanime ao sentir suas próprias enfermidades; Deus é todo suficiente. Ele te diz: "Eu tenho te mandado, chamado e comissionado para fazê-lo; então, tenha a segurança que te sustentarei e livrarei". Quando estamos na senda do dever, temos razões para ser fortes e mui ousados. Nosso Senhor Jesus, assim como Josué, foi sustentado em seus sofrimentos por considerar a vontade de Deus e o mandamento de seu Pai.

Vv. 10-15. Josué disse ao povo que cruzasse o Jordão e possuísse a terra porque Deus determinara isto. Nós honramos a verdade de Deus quando não vacilamos em confiar em suas promessas, os soldados das duas tribos e meia que ficaram com a parte oriental de Canaã precisavam cruzar o Jordão com seus irmãos, para conquistar a parte ocidental. Quando Deus por sua providência nos tem dado repouso, devemos considerar que serviço podemos fazer em favor de nossos semelhantes.

Vv. 16-18. O povo de Israel compromete-se a obedecer a Josué: "Faremos tudo o que nos tens mandado, sem murmurar nem discutir, e onde quer que nos envies, iremos". o melhor que podemos pedir a Deus para nossos magistrados, é que eles tenham a presença de Deus; isso fará com que eles sejam bênçãos para nós, de maneira que, ao pedir isso para eles, levemos em conta nosso próprio interesse. Que sejamos colocados sob a bandeira do capitão de nossa salvação, obedientes aos seus mandamentos e pelejemos a boa batalha da fé, com toda confiança em seu nome e por amor ao seu nome, contra tudo que se oponha à sua autoridade; pois qualquer que se recuse a obedecer-lhe deve ser destruído.

Matthew Henry

Jeremias 4

Versículos 1,2: Exortações e promessas; 3,4: Exortação a Judá para que se arrependa; 5-18: Denuncia de juízos; 19-31: A ruína se aproxima de Judá.

Vv. 1,2. Os primeiros dois versículos devem ser lidos com o capítulo anterior. O pecado deve ser tirado do coração, caso contrário não sairá da vista de Deus, porque o coração está aberto diante dEle.

Vv. 3,4. Um coração não humilhado é como o solo sem arar. É solo que pode ser melhorado; solo que foi deixado para nós, porém, sem cultivo, e está encoberto de espinhos e maldades, produtos naturais do coração corrupto. Roguemos ao Senhor que crie em nós um coração puro, e renove em nós um espírito reto, porque não entrará no reino do céu o homem que não nascer de novo.

Vv. 5-18. O violento conquistador das nações vizinhas devastaria Judá. o profeta se aflige ao ver o povo de Deus adormecido pela segurança dada pelos falsos profetas. Descreve-se a aproximação do inimigo. Foi feito algo para a reforma externa de Jerusalém, porém, era necessário que os seus corações fossem limpos, através do arrependimento e da fé verdadeira, do amor ao pecado e sua contaminação.
Quando as pequenas calamidades não despertam os pecadores nem trazem mudanças às nações, a sentença será pronunciada contra eles. A voz do Senhor declara que a miséria se aproxima, especialmente contra os maus mestres do Evangelho; quando os alcançar, será evidente que o fruto da iniqüidade é amargo e o seu fim é fatal.

Vv. 19-31. O profeta não tinha prazer em dar mensagens de ira. É mostrada a ele uma visão de toda a terra em desordem. Comparado com o que era anteriormente, tudo está fora de ordem, mas a ruína da nação judaica não seria definitiva. Todo o final de nossos consolos não é um final absoluto. Ainda que o Senhor venha a corrigir o seu povo com muita severidade, contudo, não os lançará fora. os ornamentos e as cores falsas não servem para nada. Nenhum privilégio ou profissão de fé exterior evitará a destruição.
Quão infeliz é o estado daqueles que são como crianças néscias, acerca da preocupação por suas almas! seja o que for que ignoremos, queira o Senhor dar-nos bom entendimento nos caminhos da santidade.
Como o pecado acha o pecador, cedo ou tarde o pesar alcança ao que se sente seguro em si mesmo.

Matthew Henry

Jeremias 3 - Por Matthew Henry

Versículos 1-5: Exortações ao arrependimento; 6-11: Judá é mais culpável do que Israel; 12-20: Promessa de perdão; 21-25: Os filhos de Israel expressam o seu sofrimento e arrependimento.

Vv. 1-5. Quando nos arrependemos, é bom pensarmos nos pecados dos quais temos sido culpados, e nos lugares e companhias em que foram cometidos.
Com que suavidade o Senhor os havia corrigido! Ele é Deus na maneira que recebe o arrependido, e não homem. Não importa o que dissemos ou fizemos até agora, passemos a invocá-lo de agora em diante. Esta graça de Deus não nos basta? Agora que o perdão é proclamado, não receberás o benefício? Eles esperaram encontrar nEle as ternas compaixões de um Pai para com um filho pródigo que regressa. Irão a Ele como o guia de sua juventude, pois os jovens precisam de direção, os pecadores arrependidos podem se animar por saberem que Deus não manterá a sua ira para sempre. Todas as misericórdias de Deus, em todas as épocas, dão animo; e o que pode ser mais desejável para o jovem do que ter o Senhor como Pai e Guia de sua juventude? Pais, dirijam sempre seus filhos com fervor na busca desta bênção!

Vv. 6-11. Se nos fixamos nos delitos daqueles que quebrantam a sua profissão de fé e as suas consequências, veremos que há muitas razões para evitar os maus caminhos. É espantoso ser declarado mais criminoso do que aqueles que realmente pereceram em seus pecados; porém, no castigo eterno, será pouco consolo para eles saber que outros foram mais vis que eles.

Vv. 12-20. Observe a prontidão de Deus para perdoar o pecado e as bênçãos reservadas para os tempos do Evangelho. Estas palavras foram proclamadas à nação de Israel, às dez tribos cativas na Assíria, instruindo-lhes como retornar. se confessarmos os nossos pecados, o Senhor é fiel e justo para perdoá-los.
Estas promessas se cumprirão plenamente com o regresso dos judeus em épocas futuras. Deus receberá com graça aos que regressarem a Ele; e, por graça, os apartará do restante.
A arca do pacto não foi encontrada depois do cativeiro. Toda esta dispensação terminaria, e isto aconteceu depois da multidão de crentes ter crescido muito por causa da conversão dos gentios e dos israelitas espalhados entre eles. É predito um estado feliz da Igreja. Ele pode ensinar a todos que o chamem de Pai, mas sem uma completa mudança de coração e vida, ninguém pode ser filho de Deus e ter a segurança de não se apartar dEle.

Vv. 21-25. O pecado é apartar-se andando em caminhos tortuosos. Esquecer do Senhor é a base de todo pecado, e por ele nos envolvemos em dificuldades. A promessa para aqueles que regressam é: Deus curará a sua rebelião por sua misericórdia perdoadora, sua paz que acalma e a sua graça que renova. Eles vêm consagrando-se ao Senhor, desprezando toda expectativa de alivio e socorro que não venha dEle e dependendo somente dEle. Vêm justificando a Deus em seus problemas, e se condenam a si mesmos por seus pecados. os verdadeiros arrependidos aprendem a chamar o pecado de vergonha, mesmo aquele no qual mais se compraziam. os verdadeiros arrependidos aprendem a chamar o pecado de morte e ruína, e o acusam como culpado por seu sofrimento., Enquanto os homens se endurecerem no pecado, sua porção será o desprezo e a miséria: aquele que encobre o seu pecado não prospera, mas aquele que o confessa e abandona encontra misericórdia.

Matthew Henry

Tito 2 - Por Matthew Henry

Versículos 1-8: Os deveres que se convertem em sã doutrina; 9-10: Os servos crentes devem ser obedientes; 11-15: Tudo deve ser regido pelo santo desígnio do Evangelho, o qual diz respeito a todos os crentes.

Vv. 1-8. Os discípulos de Cristo devem, em todas as coisas, comportar-se de uma maneira que seja harmoniosa com a doutrina cristã. Os anciãos devem ser sóbrios; que não pensem que a deterioração de seu corpo físico justifique qualquer excesso, porém, busquem a consolação na comunhão mais íntima com Deus, não em concessões indevidas. A fé trabalha por amor e deve ser vista no amor; no amor de Deus por si mesmo, e no dos homens por amor a Deus.
As pessoas mais velhas tendem a se irritar com facilidade, e serem temerosas. Portanto, é preciso que cuidemos delas. Mesmo que não exista um texto bíblico específico para cada palavra ou para cada olhar, há, contudo, regras gerais de acordo com as quais tudo deve ser organizado.
As mulheres jovens devem ser sóbrias e discretas, porque muitas expõem-se a tentações fatais, por aquilo que inicialmente poderia ser classificado apenas como uma falta de discrição.
Acrescenta-se a razão: para que a Palavra de Deus não seja blasfemada. Falhar nos deveres é uma grande reprovação para o cristianismo.
Os jovens têm a tendência de ser ansiosos e precipitados, portanto, com seriedade devem ser chamados a ser sóbrios: existem jovens que se arruínam mais pelo orgulho do que por qualquer outro pecado.
Todo o esforço do homem piedoso deve ser dirigido para calar os seus adversários. Que a própria consciência de cada um de nós possa nos responder com retidão. Que glória é para o cristão quando a boca que se abre contra ele não é capaz de encontrar nada mau para falar a seu respeito!

Vv. 9,10. Os servos devem conhecer e cumprir o seu dever para com os seus senhores na terra, por causa de seu Senhor celestial. Ao servir a um Senhor terreno conforme a vontade de Cristo, Ele é servido; os tais serão recompensados por Ele. Não devem dar-se à linguagem insolente e provocadora, mas aceitar em silêncio uma repreensão ou uma censura, sem formular respostas soberbas e atrevidas. Quando alguém tem consciência de uma falta, escusar-se ou simplesmente justificá-la a agrava, aumentando esta culpa a ponto de dobrá-la. Jamais se deve utilizar por conta própria aquilo que pertence ao seu senhor, nem desperdiçar os bens que lhe tenham sido confiados. O crente deve demonstrar toda esta boa fidelidade para utilizar os bens de seu senhor e fomentar o seu progresso. Se alguém não for fiel naquilo que pertence a outra pessoa, quem lhe dará aquilo que lhe pertence? (Lc 16.12). A verdadeira religião é uma honra para todos aqueles que a professam, e estes devem adorná-la em todas as coisas.

Vv. 11-15. A doutrina da graça e da salvação pelo Evangelho é para todas as classes de pessoas, de todos os níveis e em todas as posições ou condições. Ela nos ensina a deixar o pecado; a não termos mais qualquer ligação com este. A conversa terrena e pecaminosa não convém à vocação celestial. Ensina a tomar consciência daquilo que é bom. Devemos olhar para Deus em Cristo Jesus como o objeto de nossa esperança e adoração. A conversa daqueles que conhecem o Evangelho deve ser uma conversa boa e saudável. Observe aqui o nosso dever em poucas palavras: negar a impiedade e a luxúria mundana, viver sóbria, reta e piedosamente apesar de todos os ardis, tentações, maus exemplos, maus costumes e vestígios do pecado no coração do crente, com todos os seus obstáculos. Somos ensinados a buscar a glória do mundo porvir. Na manifestação gloriosa de Cristo, se completará a bendita esperança dos cristãos.
A finalidade da morte de Cristo é levar-nos à santidade e à felicidade. Cristo, o grande Deus e nosso Salvador, nos salva não somente como Deus, nem somente como homem, mas como Deus-homem, tendo as duas naturezas em uma só pessoa. Ele nos amou e entregou-se por nós; e o que poderíamos fazer, a não ser amá-lo e entregarmo-nos a Ele! A redenção do pecado e a santificação da natureza caminham unidas, e formam um povo peculiar para Deus, livre de culpa e condenação, e purificado pelo Espírito Santo.
Toda a Escritura é proveitosa. Aqui está aquilo que fará a devida provisão para todas as partes do dever, e para o correto desempenho destes. Indaguemos se toda a nossa dependência está posta nesta graça que salva o perdido, perdoa o culpado e santifica o imundo. Quanto mais afastados estejamos de nos ensoberbecer por causa das boas obras imaginárias, ou de confiarmos nestas para nos gloriarmos somente em Cristo, mais zelosos seremos para que abundemos em todas as verdadeiras boas obras.

Matthew Henry

Amós 7 - Por Matthew Henry

Versículos 1-9: Visões dos juízos prestes a sobrevir a Israel; 10-17: Amazias ameaça Amós.

Vv. 1-9. Deus suporta muitas coisas, porém não suportará para sempre a um povo provocador, A lembrança das misericórdias que anteriormente recebemos como o produto da terra, da última colheita, deveria tornar-nos submissos à vontade de Deus quando nos deparamos com desenganos no crescimento posterior.
O Senhor tem muitas maneiras de humilhar uma nação pecadora. Qualquer que seja o problema que nos angustie, devemos ser mais fervorosos na presença de Deus e suplicar o perdão dos pecados. O pecado é capaz de reduzir imediatamente a um grande povo. O que será da nação de Israel, se a única mão que é capaz de levantá-la, se estender contra ela?
Observemos o poder da oração, Consideremos que grande bênção é para uma terra o povo que ora. Observemos quão rápido e quão disposto Deus é para mostrar misericórdia; quanto espera para ser bondoso, Israel era uma parede, uma parede firme, que o próprio Senhor levantou como defesa para o seu santuário, Parece que o Senhor está agora sobre esta parede. Ela é medida, e parece ser uma parede que se inclina. Assim Deus colocará à prova o povo de Israel e descobrirá a maldade deles; chegará o momento em que aqueles que vez por outra foram perdoados, já não serão desconsiderados.
O Senhor ainda continua chamando a Israel de seu povo. A oração repetida, e o êxito do profeta deveriam levar-nos a buscar ao salvador.

Vv. 10-17. Não é novidade que os acusadores de nossos irmãos procurem apresentá-los de modo mau, como inimigos do rei e do reino, como traidores de seu príncipe e alvoroçadores da terra, quando na verdade são os melhores amigos de ambos. Aqueles que tomam a piedade como fonte de ganho, e estão governados pelas esperanças de riqueza e prosperidade, são dados a pensar que estas são também as motivações mais fortes dos demais.
Porém, aqueles que, como Amós, têm uma garantia de Deus, não devem temer o semblante do homem. Se Deus, que o enviou, não o tivesse fortalecido, não teria sido capaz de endurecer o seu rosto como a pederneira. O Senhor costuma escolher o fraco e o néscio do mundo, para confundir o sábio e o poderoso, mas nenhuma oração fervorosa, nem qualquer trabalho abnegado, são capazes de levar os soberbos pecadores a suportar as fiéis repreensões e advertências. Todos aqueles que se opõem ou desprezam a Palavra divina devem esperar efeitos fatais para a sua alma, a menos que se arrependam.

Matthew Henry

Amós 6 - Por Matthew Henry

Versículos 1-7: O perigo do luxo e da falsa segurança; 8-14: Castigos por causa de pecados.

Vv. 1-7. Considera-se que aqueles que cuidam de seus corpos fazem o bem a si mesmos, mas aqui nos é falado a respeito de sua intranqüilidade, e dos seus "ais". Aqui se descreve o orgulho, a segurança e a sensualidade, pelos quais Deus pedirá contas. Os pecadores que não consideram estas coisas correm perigos de todos os lados, mas os que estão vivendo de modo confortável em sião, que são néscios, que possuem uma confiança vã e abusam dos seus privilégios, correm o maior perigo. Muitos imaginam ser povo de Deus vivendo em pecado e conforme o mundo; entretanto, o exemplo da ruína dos demais nos proíbem ter esta certeza. Aqueles que se estabelecem em seus prazeres costumam ser indiferentes aos problemas dos demais, uma grande ofensa para com Deus.
Aqueles que depositaram a sua felicidade no prazer dos sentidos, e colocam o seu coração nestes, serão despojados destes prazeres. Aqueles que procuram afastar de si mesmos o dia mau, sem buscar ao Senhor, encontrarão aquilo que temem bem próximo a si.

Vv. 8-14. Quão terrível e desgraçado é o caso daqueles que tiveram a sua ruína eterna decretada pelo Senhor; Ele é capaz de executar o seu propósito e ninguém é capaz de mudá-lo! Há corações que estão desgraçadamente endurecidos, aqueles que não são levados a mencionar o Nome de Deus, nem o adoram quando a própria mão do Senhor Deus se coloca contra eles, quando a enfermidade e a morte entram em suas famílias. Aqueles que não forem arados como os campos, serão lançados fora, como se faz com as pedras, Quando os nossos serviços a Deus tornam-se amargos por meio do pecado, as suas providências serão, de modo justo, amargas para nós. Os homens devem prevenir-se para que não endureçam os seus corações, porque Deus destruirá todos aqueles que andam em soberba.

Matthew Henry

Amós 4 - Por Matthew Henry

Versículos 1-5: Israel é reprovado; 6-13: A demonstração de sua impenitência.

Vv. 1-5. Aquilo que é alcançado por meio da extorsão, costuma ser utilizado para prover a carne e satisfazer as suas concupiscências. Aquilo que é alcançado por meio da opressão não pode ser desfrutado com satisfação. Quão miseráveis são aqueles, cuja confiança na obediência às atitudes contrárias à orientação bíblica, somente vêm a provar que crêem em mentiras! Tomemos todo o cuidado para que a nossa fé, esperança e adoração estejam respaldados pela Palavra divina.

Vv. 6-13. Observemos o quão néscios são os corações carnais: andam errantes, indo de uma criatura a outra, procurando algo em que possam se satisfazer, e esforçam-se por aquilo que não satisfaz; porém, depois de tudo, não inclinarão os seus ouvidos àquEle em quem podem encontrar tudo o que desejam. Pregar o Evangelho é como fornecer a chuva; e onde falta a chuva, tudo se murcha. Bom seria se as pessoas fossem tão sábias com as suas almas, como o são com os seus corpos; e, quando não tivessem esta chuva perto de si, fossem procurá-la para que pudessem tê-la.
Como os israelitas persistiram em rebeldia e idolatria, o Senhor veio contra eles como um adversário, Em breve, cada um deve se encontrar com o Senhor em juízo, e ninguém será capaz de manter-se diante dEle se nos tratar conforme as nossas obras, se desejarmos nos preparar para termos um encontro tranqüilo com o Senhor nosso Deus no período aterrador de sua vinda, deveremos agora encontrá-lo em Cristo Jesus, o eterno Filho de Deus Pai, que veio salvar os pecadores. Devemos buscá-lo enquanto pode ser achado.

Matthew Henry

Colossenses 1 - Por Matthew Henry

Versículos 1-8: O apóstolo Paulo saúda os colossenses e bendiz a Deus pela fé, amor e esperança deles; 9-14: Ora para que tenham fruto no conhecimento espiritual; 15-23: Fornece uma visão gloriosa de Cristo: 24-29: Estabelece o seu próprio caráter como apóstolo dos gentios.

Vv. 1-8. Todos os verdadeiros cristãos são irmãos entre si. A fidelidade acompanha todos os aspectos e relações da vida cristã.
A fé, a esperança e o amor são as três principais virtudes da vida cristã, e o tema apropriado para orarmos e darmos graças ao Senhor. Quanto mais fixamos as nossas esperanças na recompensa que há no porvir, mais livres estaremos para fazer o bem por meio de nosso tesouro terrestre. Estava reservado para eles; nenhum inimigo poderia tirá-lo deles.
O Evangelho é a Pala;ra da verdade, e podemos edificar as nossas almas sobre esta base, tendo a certeza de um bom resultado. Todos aqueles que ouvem a Palavra do Evangelho deverão dar frutos que estejam de acordo com o Evangelho, deverão obedecê-lo e ter os seus princípios e vidas formados de conformidade com este.
O amor ao mundo surge de pontos de vista que trazem consigo interesses pessoais, ou de similaridade com os modos do mundo; o amor carnal surge dos apetites e prazeres. A estes sempre se apega algo corrupto, egoísta e baixo. Porém, o amor cristão surge do Espírito Santo e está repleto de santidade.

Vv. 9-14. O apóstolo era constante para orar pedindo que os crentes fossem cheios do conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria. As boas palavras não têm qualquer utilidade se não estiverem acompanhadas por boas obras. Aquele que empreende o fortalecimento de seu povo é um Deus de poder glorioso. O bendito Espírito Santo é o autor de boas dádivas. Ao orarmos pedindo poder espiritual, não somos pressionados e nem limitados nas promessas, e não devemos sê-lo em nossas esperanças e desejos. A graça de Deus nos corações dos crentes é o poder de Deus, e existe glória neste poder. A utilização especial desta força é para as ocasiões de sofrimento. Existe uma obra a realizar, mesmo que estejamos sofrendo.
Em meio a todas as suas tribulações eles davam graças a Deus Pai, cuja graça especial os preparava para participar da herança que está preparada para os santos. Para que esta transformação fosse realizada, aqueles que antes foram escravos de Satanás tornaram-se súditos de Cristo. Todos aqueles que estão desejosos de ir ao céu já estão preparados, ou estão se preparando para o céu. Aqueles que possuem a herança de filhos, são educados como filhos e têm a disposição de filhos. Por meio da fé em Cristo desfrutam esta redenção, como a compra que fez por meio de seu sangue expiatório, mediante a qual é concedido o perdão dos pecados e todas as demais bênçãos. certamente consideraremos como um favor ser libertos do reino de Satanás e levados ao reino de Cristo, sabendo que todas as tribulações logo terminarão, e que cada crente será contado entre aqueles que foram libertos da grande tribulação.

Vv. 15-23. Cristo, em sua natureza humana, é a revelação visível do Deus invisível, e todos aqueles que o viram contemplaram também o Pai. Amemos estes mistérios com uma fé humilde, e contemplemos a glória de Jeová em Cristo Jesus. Ele existe antes de toda a criação, antes que fosse feita a primeira criatura; este é o modo pelo qual as Escrituras representam a eternidade, e pelo qual a eternidade de Deus é representada para nós. Sendo todas as coisas criadas por Ele, foram criadas para Ele; sendo feitas por seu poder, foram feitas conforme o seu beneplácito e para o louvor de sua glória. Não somente criou a todas no princípio, mas as sustenta pela Palavra de seu poder.
Cristo, como Mediador, é a Cabeça do corpo, que é a Igreja. Toda a graça e força pertencem a Ele; e a Igreja é o seu corpo. Toda a plenitude habita nEle; a plenitude de mérito e justiça, de força e graça para nós. Deus mostrou a sua justiça ao requerer plena satisfação. Este modo de redimir a humanidade por meio da morte de Cristo foi o mais adequado. Aqui é apresentado diante de nós o método para que sejamos reconciliados. Devido ao ódio que Deus tem em relação ao pecado, aprouve a Deus reconciliar consigo mesmo o homem caído.
Se estamos convencidos de que éramos inimigos por causa das más obras, e que agora estamos reconciliados com Deus por meio do sacrifício e morte de Cristo segundo a nossa natureza, não procuraremos explicar nem compreender plenamente estes mistérios; porém, veremos a glória deste plano de redenção e nos regozijaremos na esperança que está posta diante de nós. Se o amor de Deus por nós é tão grande, o que podemos fazer agora por Deus? Orar com frequência e ser abundantes nos deveres santos, não viver mais para nós mesmos, e sim para Cristo, que morreu por nós. Mas para quê? Para que continuemos vivendo em pecado? Não, mas para que morramos para o pecado e vivamos, não para nós mesmos, mas para Ele.

Vv. 24-29. Os sofrimentos da cabeça e dos membros são chamados de sofrimentos de Cristo, e como se fossem um só corpo de sofrimentos. Porém, Ele sofreu pela redenção da igreja; nós sofremos por outras coisas porque saboreamos ligeiramente este cálice de aflições, do qual Cristo bebeu primeiramente e bebeu-o até o final. Podemos dizer que o cristão cumpre a sua parte nos sofrimentos de Cristo quando toma a sua cruz, e conforme a vontade de Cristo sofre pacientemente as aflições que Deus lhe designa.
Sejamos agradecidos pelo fato de Deus nos ter dado a conhecer os mistérios ocultos durante séculos e gerações, e tenha mostrado as riquezas de sua glória entre nós. Ao pregarmos a Cristo entre nós, perguntemos honestamente se Ele habita e reina em nós; somente isto é capaz de garantir a esperança que temos de sua glória. Devemos ser fiéis até a morte em meio a todas as provas, para que recebamos a coroa da vida e alcancemos a meta de nossa fé: a salvação de nossa alma.

Matthew Henry

Tiago 4 - Por Mattew Henry

Versículos 1-10: Advertências contra os afetos corruptos, e o amor deste mundo que é inimizade contra Deus; 11-17: Exortações a não empreender nenhum assunto na vida sem a consideração constante da vontade e da providência de Deus.

Vv. 1-10. Posto que todas as guerras e pelejas vêm das corrupções de nossos próprios corações, é bom mortificar as concupiscências que lutam em nossos membros. Elas são males que não permitem a alegria nem a satisfação. Os desejos e os afetos pecaminosos impedem a oração e a obra de nossos desejos para com Deus. vigiemos para não abusar ou usar mal as misericórdias que alcançamos através das orações respondidas, por causa da disposição de nossos corações.
Quando os homens pedem prosperidade a Deus, costumam pedir com más intenções e finalidades ruins. Se assim buscamos as coisas deste mundo, é justo que Deus as negue. Aqueles que oram com desejos incrédulos e frios não são atendidos; podemos ter toda a certeza de que nossas orações voltarão vazias quando corresponderem mais à linguagem das concupiscências do que à linguagem das virtudes.
Aqui há uma clara advertência a evitar todas as amizades criminais com este mundo. A orientação do mundo é inimizade contra Deus. Um inimigo pode ser reconciliado, porém a ““inimizade”, nunca. O homem pode ter muitas coisas nesta vida e ser, não obstante, mantido no amor de Deus; porém, o que coloca o seu coração no mundo ao qual se conformará, ao invés de abandonar a sua amizade, é um inimigo para Deus. Assim pois, qualquer pessoa que resolva em todos os aspectos estar de acordo com o mundo, se fará inimigo de Deus.
Os judeus ou os professos relaxados do cristianismo pensam que a Escritura fala em vão contra esta orientação em relação ao mundo. O Espírito Santo, que habita em todos os cristãos ou na nova natureza que Ele cria, não produz este tipo de fruto.
A corrupção natural é mostrada na inveja. O espírito do mundo nos ensina a acumular e amontoar para nós, conforme as nossas próprias fantasias; o Deus Espírito Santo nos ensina a estar dispostos a fazer o bem a todos os que nos rodeiam, de acordo com as nossas possibilidades. A graça de Deus corrigirá e curará nosso espírito natural; e onde Ele dá graça, dá outro espírito que não é do mundo.
O orgulhoso resiste a Deus, às verdades de Deus e às leis de Deus; em suas paixões resiste à providência de Deus; portanto, não é estranho que Deus resista ao soberbo. Que desgraçado é o estado daqueles que fazem de Deus o seu inimigo! Deus dará mais graça ao humilde porque eles veem sua necessidade dela, oram por ela, são agradecidos por ela e a terão.
Submetam-se a Deus conforme o verso 7. Submeta o seu entendimento à verdade de Deus; submeta a sua vontade à vontade de seu preceito, à vontade de sua providência.
Submetamo-nos a Deus, porque Ele está disposto a fazer-nos o bem. Se nos rendermos às tentações, o Diabo nos seguirá continuamente; porém, se nos vestimos de toda a armadura de Deus, e resistirmos, ele nos deixará. Que os pecadores submetam-se a Deus, e busquem a sua graça e favor resistindo ao Diabo. Todo o pecado será lamentado aqui com tristeza santa, e no além, com miséria eterna. O Senhor não negará o consolo àquele que verdadeiramente lamenta-se pelo pecado, e exaltará aquele que se humilha diante dEle.

Vv. 11-17. Nossos lábios devem ser governados pela lei da bondade, da verdade e da justiça. Os cristãos são irmãos. Quebrantar os mandamentos de Deus é falar mal deles e julgá-los como se eles nos pusessem uma restrição grande demais. Temos a lei de Deus, que é a nossa regra para tudo; não presumamos em colocar as nossas próprias noções e opiniões como regra para aqueles que nos rodeiam, e tenhamos o cuidado de não sermos condenados pelo Senhor. "Eia agora" é um chamado a todo aquele que considera que a sua conduta é má. Quão dados os homens mundanos e astutos são para deixar Deus fora de seus planos! Quão vão é buscar algo bom sem a bênção e a direção de Deus! A fragilidade, a brevidade e a incerteza da vida devem frear a confiança vã e presunçosa de todos os projetos para o futuro. Podemos estabelecer a hora e o minuto do nascer e do por do sol pela manhã, mas não podemos precisar a que horas a névoa se dissipará. Tão curta, tão irreal e dada a murchar é a vida humana, e toda a prosperidade e o prazer que a acompanham; porém, a benção ou o "ai" serão para sempre, conforme a nossa conduta neste momento passageiro.
Devemos depender sempre da vontade de Deus. Nossos tempos não estão em nossas mãos, mas à disposição de Deus. Nossa mente pode estar cheia de preocupações e pensamentos por nós mesmos, por nossos familiares ou amigos, mas a providência muitas vezes confunde nossos planos. Tudo o que pensamos e tudo o que fazemos deve depender de Deus de modo submisso. Néscio e daninho é ensoberbecer-se de coisas mundanas e projetos futuros, pois produzirá grande desengano e será destrutivo ao final.
Os pecados de omissão e os de comissão serão levados a juízo. Será condenado tanto aquele que não faz o bem que sabe que deve fazer, quanto aquele que faz o mal sabendo que não o deve fazer. Ó, que sejamos tão cuidadosos para não omitir a oração e não descuidar da meditação e do exame de nossas consciências, posto que não devemos cometer grosseiros erros contra a luz!

Matthew Henry

Tiago 2 - Por Matthew Henry

Versículos 1-13: Todas as profissões de fé serão más se não produzirem amor e justiça para os demais; 14-26. As boas obras são necessárias para demonstrar a sinceridade da fé que de outro modo, não será mais vantajosa que a fé dos demônios.

Vv. 1-13. Os que professam fé em Cristo como o Senhor da glória não devem fazer acepção de pessoas pelas circunstâncias ou aparências externas, de uma maneira que não concorde com sua profissão de ser discípulos do humilde Jesus. Aqui Tiago não incentiva à rudeza nem à desordem; deve dar-se o respeito civil, mas nunca de modo que influencie nos procedimentos dos cristãos para dispor dos ofícios da Igreja de Cristo ou para passar as censuras da Igreja ou em alguma questão da religião. O questionamento a si mesmo é algo de muita utilidade em todos os aspectos da vida santa. Façamo-lo com mais freqüência e aproveitemos todas as ocasiões para discorrer com as nossas almas.
Como os lugares de adoração não podem ser edificados nem mantidos sem gastos, pode ser apropriado que os que contribuem sejam acomodados de maneira concordante; porém, se todos fossem pessoas de maior orientação espiritual, os pobres seriam tratados com mais atenção do que costuma acontecer nas congregações.
O estado humilde é mais favorável à paz interior e ao crescimento na santidade. Deus daria riquezas e honra deste mundo a todos os crentes se lhes fizesse bem, considerando que Ele os tem escolhido para que sejam ricos em fé, e os tem feito herdeiros de seu reino, prometido a todos que o amam. Considere quão frequentemente as riquezas conduzem ao vício e à maldade, e que grandes censuras são feitas a Deus e à religião por parte dos homens ricos, poderosos e grandes no mundo; isso fará que este pecado pareça muito grave e néscio.
A Escritura estabelece como lei amar ao próximo como a si mesmo. Esta lei é uma lei real, que vem do Rei dos reis, e se os cristãos agirem de modo injusto, serão convictos de transgressão pela lei.
Pensar que as nossas boas obras expiarão as nossas más obras, é algo que claramente nos leva a buscar outra expiação. Conforme o pacto de obras, transgredir qualquer mandamento coloca o homem sob a condenação, da qual nenhuma obediência o pode livrar, seja passada, presente, ou futura.
Isto nos mostra a felicidade dos que estão em Cristo. Podemos servi-lo sem medo. Porém, Deus considera que é sua glória e alegria perdoar e abençoar aqueles que poderiam ser condenados com justiça em seu tribunal; e sua graça ensina que os que participam de sua misericórdia, devem imitá-lo em sua conduta.

Vv. 14-26. Equivocam-se aqueles que tomam a crença de somente algumas noções do Evangelho pelo todo da religião evangélica, como muitos fazem hoje. Não há dúvida de que somente a fé verdadeira, pela qual os homens participam da justiça, expiação e graça de Cristo, salva as suas almas; porém, produz frutos santos e se mostra verdadeira por seus efeitos nas obras deles, enquanto o consentimento a qualquer forma de doutrina ou crença histórica de fatos difere totalmente da fé salvadora.
A profissão de fé sozinha pode obter a boa opinião de pessoas piedosas e, em alguns casos, pode procurar coisas mundanas boas; porém, de que aproveita a alguém se ganhar o mundo todo e perder a sua alma? Essa fé pode salvá-lo? Todas as coisas devem ser contadas como proveitosas ou prejudiciais para nós, segundo tenham a tendência de promover ou atrapalhar a salvação de nossas almas. Este ponto das Escrituras mostra evidentemente que uma opinião ou consentimento ao Evangelho, sem obras não é fé.
Não há maneira de mostrar que cremos realmente em Cristo, senão sendo diligentes em boas obras por causa do Evangelho e para os propósitos do Evangelho. Os homens podem vangloriar-se uns aos outros e se orgulharem falsamente de algo que na realidade não possuem. Não se trata somente de conformar-se à fé, mas consentir com ela; não só de concordar com a verdade da Palavra, mas de concordar em receber a Cristo. Crer verdadeiramente não é só um ato de entendimento, mas uma obra de todo o coração.
Por dois exemplos se demonstra que a fé que justifica não pode existir sem obras: Abraão e Raabe. Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça. A fé que produz tais obras, conduziu-o a favores peculiares. Então vemos, no verso 24, como o homem é justificado pelas obras; não somente pela opinião ou declaração, ou por crer sem obedecer, mas tendo a fé que produz boas obras. Ter que negar a sua própria razão, afetos ou interesses, é uma ação ideal para provar um crente.
Observe aqui o maravilhoso poder da fé para transformar os pecadores. A conduta de Raabe provou que a fé dela era viva e tinha poder; demonstrou que ela cria com o seu coração e não só por consentimento intelectual.
Então, tenhamos em mente que as boas obras sem fé são obras mortas, carentes de raiz e princípio. Tudo o que fazemos por fé é realmente bom, porque se faz em obediência a Deus e para a sua aceitação: quando não há fruto é como se a raiz estivesse morta. A fé é a raiz, as boas obras são os frutos, e devemos nos ocupar em ter ambos. Esta é a graça de Deus pela qual resistimos, e a qual devemos defender. Não existe estado intermediário. Cada um deve viver como amigo de Deus ou como seu inimigo. viver para Deus, que é consequência da fé que justifica e salvará, nos obriga a não fazer nada contra Ele, mas a fazer tudo por Ele e para Ele.

Matthew Henry