Versiculos Biblicos sobre Missões

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Tiago 2 - Por Matthew Henry

Versículos 1-13: Todas as profissões de fé serão más se não produzirem amor e justiça para os demais; 14-26. As boas obras são necessárias para demonstrar a sinceridade da fé que de outro modo, não será mais vantajosa que a fé dos demônios.

Vv. 1-13. Os que professam fé em Cristo como o Senhor da glória não devem fazer acepção de pessoas pelas circunstâncias ou aparências externas, de uma maneira que não concorde com sua profissão de ser discípulos do humilde Jesus. Aqui Tiago não incentiva à rudeza nem à desordem; deve dar-se o respeito civil, mas nunca de modo que influencie nos procedimentos dos cristãos para dispor dos ofícios da Igreja de Cristo ou para passar as censuras da Igreja ou em alguma questão da religião. O questionamento a si mesmo é algo de muita utilidade em todos os aspectos da vida santa. Façamo-lo com mais freqüência e aproveitemos todas as ocasiões para discorrer com as nossas almas.
Como os lugares de adoração não podem ser edificados nem mantidos sem gastos, pode ser apropriado que os que contribuem sejam acomodados de maneira concordante; porém, se todos fossem pessoas de maior orientação espiritual, os pobres seriam tratados com mais atenção do que costuma acontecer nas congregações.
O estado humilde é mais favorável à paz interior e ao crescimento na santidade. Deus daria riquezas e honra deste mundo a todos os crentes se lhes fizesse bem, considerando que Ele os tem escolhido para que sejam ricos em fé, e os tem feito herdeiros de seu reino, prometido a todos que o amam. Considere quão frequentemente as riquezas conduzem ao vício e à maldade, e que grandes censuras são feitas a Deus e à religião por parte dos homens ricos, poderosos e grandes no mundo; isso fará que este pecado pareça muito grave e néscio.
A Escritura estabelece como lei amar ao próximo como a si mesmo. Esta lei é uma lei real, que vem do Rei dos reis, e se os cristãos agirem de modo injusto, serão convictos de transgressão pela lei.
Pensar que as nossas boas obras expiarão as nossas más obras, é algo que claramente nos leva a buscar outra expiação. Conforme o pacto de obras, transgredir qualquer mandamento coloca o homem sob a condenação, da qual nenhuma obediência o pode livrar, seja passada, presente, ou futura.
Isto nos mostra a felicidade dos que estão em Cristo. Podemos servi-lo sem medo. Porém, Deus considera que é sua glória e alegria perdoar e abençoar aqueles que poderiam ser condenados com justiça em seu tribunal; e sua graça ensina que os que participam de sua misericórdia, devem imitá-lo em sua conduta.

Vv. 14-26. Equivocam-se aqueles que tomam a crença de somente algumas noções do Evangelho pelo todo da religião evangélica, como muitos fazem hoje. Não há dúvida de que somente a fé verdadeira, pela qual os homens participam da justiça, expiação e graça de Cristo, salva as suas almas; porém, produz frutos santos e se mostra verdadeira por seus efeitos nas obras deles, enquanto o consentimento a qualquer forma de doutrina ou crença histórica de fatos difere totalmente da fé salvadora.
A profissão de fé sozinha pode obter a boa opinião de pessoas piedosas e, em alguns casos, pode procurar coisas mundanas boas; porém, de que aproveita a alguém se ganhar o mundo todo e perder a sua alma? Essa fé pode salvá-lo? Todas as coisas devem ser contadas como proveitosas ou prejudiciais para nós, segundo tenham a tendência de promover ou atrapalhar a salvação de nossas almas. Este ponto das Escrituras mostra evidentemente que uma opinião ou consentimento ao Evangelho, sem obras não é fé.
Não há maneira de mostrar que cremos realmente em Cristo, senão sendo diligentes em boas obras por causa do Evangelho e para os propósitos do Evangelho. Os homens podem vangloriar-se uns aos outros e se orgulharem falsamente de algo que na realidade não possuem. Não se trata somente de conformar-se à fé, mas consentir com ela; não só de concordar com a verdade da Palavra, mas de concordar em receber a Cristo. Crer verdadeiramente não é só um ato de entendimento, mas uma obra de todo o coração.
Por dois exemplos se demonstra que a fé que justifica não pode existir sem obras: Abraão e Raabe. Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça. A fé que produz tais obras, conduziu-o a favores peculiares. Então vemos, no verso 24, como o homem é justificado pelas obras; não somente pela opinião ou declaração, ou por crer sem obedecer, mas tendo a fé que produz boas obras. Ter que negar a sua própria razão, afetos ou interesses, é uma ação ideal para provar um crente.
Observe aqui o maravilhoso poder da fé para transformar os pecadores. A conduta de Raabe provou que a fé dela era viva e tinha poder; demonstrou que ela cria com o seu coração e não só por consentimento intelectual.
Então, tenhamos em mente que as boas obras sem fé são obras mortas, carentes de raiz e princípio. Tudo o que fazemos por fé é realmente bom, porque se faz em obediência a Deus e para a sua aceitação: quando não há fruto é como se a raiz estivesse morta. A fé é a raiz, as boas obras são os frutos, e devemos nos ocupar em ter ambos. Esta é a graça de Deus pela qual resistimos, e a qual devemos defender. Não existe estado intermediário. Cada um deve viver como amigo de Deus ou como seu inimigo. viver para Deus, que é consequência da fé que justifica e salvará, nos obriga a não fazer nada contra Ele, mas a fazer tudo por Ele e para Ele.

Matthew Henry

Gálatas 5 – Por Matthew Henry

Versículos 1-12: Uma fervorosa exortação a estarem firmes na liberdade do Evangelho; 13-15: Uma fervorosa exortação a terem o cuidado de não consentirem com um temperamento pecador; 16-26. Urna fervorosa exortação a caminharem no Espírito, e não darem lugar às luxúrias da carne: as obras de ambos são descritas.

Vv. 1-6. Cristo não será o Salvador de alguém que não o receba e confie nEle como o seu único Salvador. Demos ouvidos às advertências e às exortações do apóstolo, a estarmos firmes na doutrina e na liberdade do Evangelho. Todos os verdadeiros cristãos, que são ensinados pelo Espírito Santo, esperam pela vida eterna, pela recompensa da justiça, e pelo objeto de sua esperança, como dádiva de Deus por meio de sua fé em Jesus Cristo, e não por amor às suas próprias obras.
O judeu convertido pode observar as cerimônias ou afirmar a sua liberdade; o gentio pode desprezá-las ou tomar parte nelas, sempre e quando não dependa destas. Nenhum privilégio ou profissão exterior de fé, servirão para que sejam aceitos por Deus, sem que tenham a fé sincera em nosso Senhor Jesus Cristo. A verdadeira fé é uma graça que age, trabalha por amor a Deus e aos nossos irmãos. Que estejamos entre aqueles que, pelo Espírito Santo, aguardam a esperança da justiça pela fé.
O perigo anterior não estava em coisas sem importância em si mesmas, como agora o são em muitas formas e observâncias. Porém, sem a fé que trabalha por meio do amor, tudo mais carece de valor, e comparado a isto, todas as demais coisas são de escasso valor.

Vv. 7-12. A vida do cristão é uma carreira na qual ele deve correr e manter-se, se desejar alcançar o prêmio. Não basta que professemos o cristianismo; devemos correr bem, vivendo conforme esta confissão. Muitos que começam bem na religião são prejudicados em seu avanço ou desviam-se pelo caminho. Aqueles que começaram a desviar-se do caminho e a mostrarem-se cansados, deveriam perguntar a si mesmos, de modo sério, o que é que lhes está atrapalhando.
A opinião ou a persuasão (v. 8) era sem dúvida a de mesclar as obras da lei com a fé em Cristo quanto à justificação. O apóstolo deixa que eles mesmos julguem de onde surgiu o problema, e mostra o suficiente para indicar que esta situação deve-se a Satanás, e a mais ninguém.
Para as igrejas cristãs, é perigoso dar ânimo àqueles que seguem a erros destruidores, e especialmente àqueles que os difundem. Ao repreender o pecado e o erro, devemos sempre distinguir entre os líderes e os liderados. Os judeus se ofendiam por ser pregado que Cristo é a única salvação para os pecadores. se Paulo e os demais tivessem aceito que a observância da lei de Moisés deveria unir-se à fé em Cristo, como necessária para a salvação, então os crentes poderiam evitar muitos dos sofrimentos que tiveram. Deve-se resistir aos primeiros indícios deste fermento. Certamente aqueles que persistem em perturbar a Igreja de Cristo, devem suportar o seu juízo.

Vv. 13-15. O Evangelho é uma doutrina que está de acordo com a piedade (1 Tm 6.3), e está longe de consentir com o menor pecado que seja, e vem nos submeter à obrigação mais forte de evitá-lo e vencê-lo. O apóstolo insiste em que toda a lei se cumpre em uma só palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se os cristãos, que devem ajudar-se uns aos outros e regozijarem-se uns nos outros, brigam entre si, o que se pode esperar senão que o Deus de amor negue a sua graça, e que o Espírito de amor se retire, e prevaleça o espírito maligno que procura destruí-los?
Bom seria que os crentes se posicionassem contra o pecado em si mesmos e nos lugares aonde vivem, ao invés de morderem-se e devorarem-se uns aos outros, sob o pretexto de terem diferentes opiniões.

Vv. 16-26. Se fôssemos cuidadosos para agir sob a direção e poder do bendito Espírito Santo, mesmo que não fôssemos libertos dos estímulos e da oposição da natureza corrupta que procura permanecer em nós, esta não nos dominaria. Os crentes estão envolvidos em um conflito, onde desejam esta graça capaz de alcançar a vitória plena e rápida. Aqueles que desejam entregar-se à direção do Espírito Santo, não estão sob a lei como pacto de obras, nem expostos à sua espantosa maldição. O ódio que possuem contra o pecado e a sua busca pela santidade mostram que possuem uma parte na salvação que é trazida pelo Evangelho.
As obras da carne são muitas, e são manifestas. Estes pecados excluíram os homens do céu. Porém, quantas pessoas que se dizem cristãs vivem desta maneira, e declaram que estão à espera do céu! Os frutos do Espírito, ou da natureza renovada que devemos ter, são enumerados. Assim, o apóstolo os nomeia, bem como as obras da carne, que são daninhas não somente para os próprios homens, mas tendem a torná-los mutuamente nocivos. Deste modo o apóstolo observa aqui o fruto do Espírito, que tende a tornar os cristãos mutuamente agradáveis e felizes. O fruto do Espírito mostra a evidência de que eles são dirigidos pelo Espírito.
A descrição das obras da carne e do fruto do Espírito nos diz o que devemos evitar e resistir, e o que devemos desejar e cultivar; este é o anelo e a obra sincera de todos os verdadeiros cristãos. O pecado já não reina agora em seus corpos mortais, de modo que o obedeçam (Rm 6.12), pois eles procuram destruí-lo. O Senhor Jesus Cristo jamais reconhecerá aqueles que se rendem para serem servos do pecado. E não basta que cessemos de fazer o mal, mas devemos aprender a fazer o bem. A nossa conversação deverá estar de acordo com o princípio que nos dirige e nos governa (Rm 8.5). Devemos mortificar as obras da carne, e caminhar na nova vida sem desejar a vanglória, nem de modo indevido a estima e o aplauso dos homens; não provoquemo-nos nem invejemo-nos mutuamente, mas buscando dar estes bons frutos com maior abundância, que são, por meio de Jesus Cristo, para o louvor e a glória de Deus.

Matthew Henry

Gálatas 3 - Por Matthew Henry

Versículos 1- 5: Os gálatas são repreendidos por desviarem-se da grande doutrina da justificação, que somente acontece pela fé em Cristo; 6-9: Esta doutrina é afirmada a partir do exemplo de Abraão; 10-14: O teor da lei e a gravidade de sua maldição; 15-18: O pacto da promessa que a lei não podia anular; 19-25: A lei foi um aio para guiar-nos a Cristo; 26-29: No Evangelho todos os crentes são um em Cristo Jesus.

Vv. 1-5. Vários fatores contribuíam para que o estado néscio dos cristãos gálatas se tornasse ainda mais grave. A doutrina da cruz lhes fora pregada, e a ceia do Senhor lhes era ministrada. Em ambas, Cristo crucificado e a natureza de seus sofrimentos lhes haviam sido expostos de modo pleno e claro.
Eles foram feitos participantes do Espírito Santo pela ministração da lei ou por conta de algumas obras que fizeram em obediência a ela? Não foi por terem ouvido e abraçado a doutrina da fé exclusivamente em Cristo, que sozinha é suficiente para a justificação? Não foi por meio do primeiro, mas deste último. Não são sábios aqueles que toleram ser desviados do ministério e da doutrina em que foram abençoados para o seu próprio proveito espiritual.
Ah! Que os homens não se desviem da doutrina de Cristo crucificado, que é uma doutrina de importância absoluta, para ouvirem distinções inúteis, pregações puramente morais ou loucas imaginações! O deus deste mundo cegou o entendimento dos homens usando diversos homens e meios, para que aprendessem a não confiar no Salvador crucificado. Podemos perguntar de modo direto: Onde há o fruto do Espírito Santo de modo mais evidente? Naqueles que pregam a justificação por meio das obras da lei, ou naqueles que pregam a doutrina da fé? Com toda a segurança, nestes últimos.

Vv. 6-14. O apóstolo prova a doutrina, de cuja rejeição havia culpado os gálatas. A saber, a da justificação pela fé, sem as obras da lei. Ele o faz a partir do exemplo de Abraão, cuja fé se firmou na Palavra e na promessa de Deus, e por crer foi reconhecido e aceito por Deus como sendo um homem justo. É dito que as Escrituras preveem, porque aquEle que previu foi o Espírito Santo, que inspirou as Escrituras. Abraão foi abençoado por causa da fé que possuía na promessa de Deus; e esta é a única forma pela qual os demais obtêm este privilégio. Então, estudemos o assunto, a natureza e os efeitos da fé de Abraão, porque quem pode escapar da maldição da santa lei de alguma outra maneira? A maldição é contrária a todos os pecadores; portanto, é contrária a todos os homens, porque todos pecaram, e todos se fizeram culpáveis diante de Deus; e como transgressores da lei, estamos debaixo de sua maldição, e em vão buscaremos a justificação por meio dela. Os justos ou retos são somente aqueles que são libertos da morte e da ira, e que são restaurados a um estado de vida no favor de Deus: somente através da fé é que as pessoas chegam a ser justas.
Assim vemos, pois, que a justificação por meio da fé não é uma doutrina nova, mas foi ensinada na Igreja de Deus muito antes dos tempos em que o Evangelho foi introduzido. Na verdade, é a única maneira pela qual os pecadores foram ou podem ser justificados.
Mesmo não tendo sentido esperar a libertação por meio da lei, existe um caminho aberto para que o homem escape da maldição, e recupere o favor de Deus, a saber, por meio da fé em Cristo. Cristo nos redimiu da maldição da lei; foi feito pecado, ou uma oferta pelo pecado por nós; não separado de Deus, mas por certo tempo sujeito ao castigo divino. Os intensos sofrimentos do Filho de Deus advertem os pecadores aos gritos, para que fujam da ira vindoura, mais do que de todas as maldições da lei, porque, como é que Deus poderia salvar a um homem que permanece sob o pecado, tendo em vista que não poupou o seu próprio Filho, quando os nossos pecados foram carregados sobre Ele? Porém, ao mesmo tempo, Cristo, da cruz, convida os pecadores a que de modo livre e de graça, refugiem-se nEle.

Vv. 15-18. O pacto que Deus fez com Abraão não foi cancelado por meio da entrega da lei a Moisés. O pacto foi estabelecido com Abraão e com a sua semente. Ele ainda está em vigor. Cristo permanece para sempre em pessoa e na semente espiritual de Abraão, que são seus por meio da fé. Por esta razão conhecemos a diferença entre as promessas da lei e as promessas do Evangelho. As promessas da lei são feitas à pessoa de cada ser humano; as promessas do Evangelho são feitas primeiramente a Cristo, e depois feitas por meio dEle aos que pela fé são enxertados nEle.
Para dividir corretamente a Palavra da verdade, deve ser estabelecida uma grande diferença entre a promessa e a lei quanto aos efeitos interiores e a toda a prática da vida. Quando a promessa se mescla com a lei, anula-se e converte-se em lei. Que Cristo esteja sempre diante de nossos olhos como argumento seguro para a defesa da fé, contra a dependência da justiça humana.

Vv. 19-22. Se esta promessa foi suficiente para a salvação, então para que serviu a lei? Os israelitas, mesmo tendo sido escolhidos para serem o povo peculiar de Deus, eram pecadores como os demais. A lei não foi concebida para descobrir uma maneira de justificar, diferente daquela que fora dada pela promessa, mas para conduzir os homens a enxergarem a necessidade que tinham da promessa, mostrando-lhes a gravidade do pecado, e para dirigi-los somente a Cristo, por meio de quem poderiam ser perdoados e justificados.
A lei foi dada pelo ministério dos anjos e pela mão de um mediador, Moisés; porém, a promessa foi feita pelo próprio Deus. Daí temos que a lei não poderia ser projetada para revogar a promessa. Como o próprio vocábulo indica, o mediador é um amigo que se interpõe entre duas partes e que não age somente em relação a uma, ou a favor de uma das partes. A grande intenção da lei era que a promessa por fé em Jesus Cristo fosse dada àqueles que creem; àqueles que, estando convictos de sua culpa, e da insuficiência da lei para efetuar a justiça por si mesmos, pudessem ser persuadidos a crer em Cristo, e, assim, alcançarem o benefício da promessa. Não é possível que a santa, justa e boa lei de Deus, a norma do dever para todos, seja contrária ao Evangelho de Cristo. A lei empreende todos os esforços para promover o Evangelho.

Vv. 23-25. A lei não ensinava um conhecimento vivo e Salvador, porém, por meio de seus ritos e cerimônias, especialmente por seus sacrifícios, apontava para Cristo, para que eles fossem justificados pela fé nEle. Deste modo, a palavra "aio" significava um servo que tinha a incumbência de levá-los a Cristo, como as crianças eram levadas à escola pelos servos encarregados de atendê-los; para que fossem mais plenamente ensinados por Ele, que é o verdadeiro caminho de justificação e salvação, o qual existe unicamente pela fé em Cristo.
Destaca-se a grande vantagem do estado do Evangelho, no qual desfrutamos a revelação da graça e da misericórdia divina, mais claramente do que os judeus de antigamente. A maioria dos homens continua presa como se estivesse em um calabouço escuro, apaixonados por seus pecados, cegos e adormecidos por Satanás, por meio dos prazeres, preocupações e esforços mundanos. Porém, o pecador despertado descobre o seu terrível estado, e sente que a misericórdia e a graça de Deus são a sua única esperança. Os terrores da lei costumam ser utilizados pelo Espírito Santo, que produz a convicção, para mostrar ao pecador que este precisa de Cristo, para levá-lo a confiar em seus sofrimentos e méritos e possa ser justificado pela fé. Então, a lei, pelo ensino do Espírito Santo chega a ser a sua amada norma do dever e a sua norma para o exame diário de si mesmo. Utilizando-a deste modo, aprende a confiar mais claramente no Salvador.

Vv. 26-29. Os verdadeiros cristãos desfrutam de grandes privilégios sujeitos ao Evangelho, e já não são mais contados como servos, mas como filhos; agora não são mantidos a determinada distância e sujeitos a certas restrições como os judeus na Antiga Aliança. Tendo aceito a Cristo Jesus como o seu Senhor e Salvador, e confiando somente nEle para a justificação e a salvação, eles chegam a ser filhos de Deus. Porém, nenhuma forma exterior ou confissão é capaz de garantir estas bênçãos, porque se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Ele.
No batismo nós nos revestimos de Cristo; por meio deste professamos que somos seus discípulos. sendo batizados em Cristo, somos batizados em sua morte, porque assim como Ele morreu e ressuscitou, nós morremos para o pecado e andamos em uma vida nova e santa. Revestir-se de Cristo, de acordo com o Evangelho, não consiste na imitação daquilo que é exterior, mas em ter um novo nascimento, uma completa transformação.
Aquele que faz com que os crentes sejam herdeiros proverá o necessário para eles. Portanto, o nosso afã deve ser o de cumprir os deveres que são de nossa responsabilidade, e devemos lançar sobre Deus todas as nossas outras ansiedades. Devemos ter um interesse especial pelo céu; as coisas desta vida não passam de ninharias. A cidade de Deus no céu é a porção ou a parte de seus filhos. Procuremos nos assegurar de ser participantes destas promessas, acima de todas as outras coisas nesta vida.

Matthew Henry

1 Pedro 4 - Por Matthew Henry

Versículos 1-6. Se insta a considerar os sofrimentos de Cristo para a pureza e a santidade; 7-11: O final próximo do estado judeu como razão para sobriedade, para a vigilância e a oração; 12-19: Exorta-se os crentes a regozijarem-se e gloriarem-se nas reprovações e nos sofrimentos por Cristo, e a encomendarem as suas almas aos cuidados do Deus fiel.

Vv. 1-6. Os melhores e mais firmes argumentos contra o pecado são tomados dos sofrimentos de Cristo. Ele morreu para destruir o pecado; e ainda que tenha se submetido jubilosamente aos piores sofrimentos, nunca deu lugar ao menor pecado. As tentações não poderiam dominar o homem se não fosse por sua própria corrupção; os verdadeiros cristãos devem fazer a vontade de Deus, e não seus próprios desejos, nem luxúrias, a regra de suas vidas e ações. A verdadeira conversão faz uma maravilhosa mudança no coração e na vida. Altera a mente, o juízo, os afetos e a conduta. Quando o homem converte-se realmente, para ele torna-se muito triste pensar como viveu o tempo passado de sua vida.
Um pecado traz outro. Aqui são mencionados seis pecados que dependem de outros. O dever do cristão não é somente guardar-se da maldade grosseira, mas também das coisas que conduzem ao pecado ou que têm a aparência do mal. O Evangelho fora pregado aos que desde então estavam mortos, que pelo juízo carnal e orgulhoso dos homens ímpios foram condenados como malfeitores, alguns sofrendo até a morte. Porém, sendo vivificados para a vida divina pelo Espírito Santo, viveram para Deus como seus servos devotos. Os crentes não devem temer ainda que o mundo zombe deles e lhes reprove.

Vv. 7-11. A destruição da nação e da congregação judaica anunciada por nosso Salvador estava muito próxima. A rápida aproximação da morte e do juízo diz respeito a todos nós, aos quais as nossas mentes são levadas naturalmente por estas palavras. O fato de nosso fim estar próximo é um poderoso argumento para nos tornar sóbrios em todos os assuntos mundanos, e fervorosos na religião.
Há tantas coisas más em todos nós que Satanás prevalecerá para incitar divisões e discórdias se o amor não cobrir, escusar e perdoar os erros e as faltas dos outros, pelas quais cada um necessita da tolerância do próximo. Não devemos imaginar que o amor cobrirá ou corrigirá os pecados daqueles que os praticam, com a intenção de induzir Deus a perdoá-los.
A natureza da obra cristã, a bondade do Senhor e a excelência da recompensa requerem que os nossos esforços sejam sérios e fervorosos. Em todos os deveres e serviços desta vida devemos ter a glória de Deus como nossa principal finalidade. Miserável e instável é aquele que se apega a si mesmo e esquece-se de Deus; está confundido por seus méritos, ganhos e fins mesquinhos, que muitas vezes são frustrados, e quando os alcança perecerão juntos em pouco tempo. Porém, aquele que entrega-se totalmente a Deus pode dizer confiantemente que o Senhor é a sua porção, e que nada senão a glória por Jesus Cristo é sólida e verdadeira: esta dura para sempre.

Vv. 12-19. O Espírito Santo é glorificado pela paciência e pela fortaleza no sofrimento, com a dependência das promessas de Deus e por guardar a palavra que Ele tem revelado; porém, é insultado e blasfemado pelo desprezo e pelas reprovações que são dirigidos aos crentes. Alguém pensaria que as precauções são desnecessárias para os cristãos, mas seus inimigos os acusam falsamente de crimes horríveis. Até o melhor dos homens precisa se prevenir contra o peso dos pecados. Não há consolo nos sofrimentos quando os acarretamos por nossos próprios pecados e conduta néscia. Um tempo de calamidade universal se aproxima, como predisse nosso Salvador (Mt 24.9, 10). Se tais coisas acontecem nesta vida, quão horrível será o dia do juízo!
A verdade é que apenas os justos serão salvos, aqueles que se propõem a andar retamente nos caminhos de Deus. Isto não significa que o propósito e a obra de Deus sejam incertos, mas só alude às grandes dificuldades, aos duros encontros no caminho e muitas tentações e tribulações que os crentes passam, além das lutas internas e temores externos. Porém, todas as dificuldades exteriores seriam como nada se não fosse pela luxúria e pela corrupção interior. Estes são os piores impedimentos e dificuldades. Se o caminho do justo é tão duro, então quão duro será o fim do pecador ímpio que se compraz no pecado, e pensa que o justo é néscio por causa de todas as suas dores! A única maneira de manter a alma bem é encomendá-la a Deus pela oração e pela paciente perseverança em fazer o bem. Ele vencerá tudo para o benefício definitivo do crente.

Matthew Henry

Amós 7 - Por Matthew Henry

Versículos 1-9: Visões dos juízos prestes a sobrevir a Israel; 10-17: Amazias ameaça Amós.

Vv. 1-9. Deus suporta muitas coisas, porém não suportará para sempre a um povo provocador, A lembrança das misericórdias que anteriormente recebemos como o produto da terra, da última colheita, deveria tornar-nos submissos à vontade de Deus quando nos deparamos com desenganos no crescimento posterior.
O Senhor tem muitas maneiras de humilhar uma nação pecadora. Qualquer que seja o problema que nos angustie, devemos ser mais fervorosos na presença de Deus e suplicar o perdão dos pecados. O pecado é capaz de reduzir imediatamente a um grande povo. O que será da nação de Israel, se a única mão que é capaz de levantá-la, se estender contra ela?
Observemos o poder da oração, Consideremos que grande bênção é para uma terra o povo que ora. Observemos quão rápido e quão disposto Deus é para mostrar misericórdia; quanto espera para ser bondoso, Israel era uma parede, uma parede firme, que o próprio Senhor levantou como defesa para o seu santuário, Parece que o Senhor está agora sobre esta parede. Ela é medida, e parece ser uma parede que se inclina. Assim Deus colocará à prova o povo de Israel e descobrirá a maldade deles; chegará o momento em que aqueles que vez por outra foram perdoados, já não serão desconsiderados.
O Senhor ainda continua chamando a Israel de seu povo. A oração repetida, e o êxito do profeta deveriam levar-nos a buscar ao salvador.

Vv. 10-17. Não é novidade que os acusadores de nossos irmãos procurem apresentá-los de modo mau, como inimigos do rei e do reino, como traidores de seu príncipe e alvoroçadores da terra, quando na verdade são os melhores amigos de ambos. Aqueles que tomam a piedade como fonte de ganho, e estão governados pelas esperanças de riqueza e prosperidade, são dados a pensar que estas são também as motivações mais fortes dos demais.
Porém, aqueles que, como Amós, têm uma garantia de Deus, não devem temer o semblante do homem. Se Deus, que o enviou, não o tivesse fortalecido, não teria sido capaz de endurecer o seu rosto como a pederneira. O Senhor costuma escolher o fraco e o néscio do mundo, para confundir o sábio e o poderoso, mas nenhuma oração fervorosa, nem qualquer trabalho abnegado, são capazes de levar os soberbos pecadores a suportar as fiéis repreensões e advertências. Todos aqueles que se opõem ou desprezam a Palavra divina devem esperar efeitos fatais para a sua alma, a menos que se arrependam.

Matthew Henry

Mateus 18 - Por Matthew Henry

Versículos 1-6: A importância da humildade; 7-14: Advertência contra as ofensas; 15-20: A remoção das ofensas; 21-35: A conduta para com os irmãos – A parábola do servo sem misericórdia.

Vv. 1-6. Cristo falou muitas palavras sobre os seus sofrimentos, e somente uma sobre a sua glória; todavia, os discípulos se firmaram nesta e esqueceram-se das outras. Muitos dos que gostam de ouvir falar de privilégios e glória estão dispostos a desviar-se dos pensamentos acerca de trabalhos e problemas. Nosso Senhor colocou diante deles uma criancinha, assegurando-lhes solenemente que não poderiam entrar em seu reino se não fossem convertidos e se tornassem como os pequeninos.
Quando as crianças são muito pequenas, não desejam autoridade, nem consideram as distinções exteriores, estão livres de maldade, são aprendizes e estão dispostas a confiar em seus pais. É verdade que assim que começam a mostrar outras disposições e chega a juventude, lhes são ensinadas outras idéias, mas são as características da infância que as convertem em exemplos adequados de mente humilde e de cristãos Mateus (Comentário Bíblico de Matthew) 63 verdadeiros. Certamente necessitamos ser renovados sempre no espírito de nossa mente, para que cheguemos a ser simples e humildes como os pequeninos, e dispostos a sermos o menor de todos. Estudemos diariamente este tema e examinemos o nosso espírito.

Vv. 7-14. Considerando a astúcia e a maldade de Satanás, e a fraqueza e depravação dos corações dos homens, não é possível que haja algo além de ofensas. Deus as permite para fins sábios e santos, para que sejam dados a conhecer os que são sinceros e os que não o são. Tendo-nos dito anteriormente que haveriam sedutores, tentadores, perseguidores e maus exemplos, permaneçamos em guarda. Apartemo-nos tão breve quanto possamos daquilo que pode nos levar ao pecado. Evitemos dar ocasião ao pecado.
Se vivermos segundo a carne, morreremos. Se através do Espírito mortificamos as obras da carne, viveremos. Cristo veio ao mundo para salvar almas e tratará severamente aos que atrapalham o progresso de outros que estão voltando o seu rosto ao céu! E algum de nós recusará atender aqueles que o Filho de Deus veio buscar e salvar? Um pai cuida de todos os seus filhos, mas é particularmente terno com os pequenos.

Vv. 15-20. Se alguém faz algum mal a um cristão confesso, este não deve queixar-se aos demais, como costumam fazer, mas ir de maneira privada a quem lhe ofendeu, tratar o assunto com amabilidade e repreender sua conduta. Isto terá no cristão verdadeiro, de modo geral, o efeito desejado e as partes se reconciliarão. Os princípios destas regras podem ser praticados em todas as partes e em todas as circunstâncias, mesmo sendo demasiadamente renegados por todos. Quão poucos são os que provam os métodos que Cristo ordenou expressamente a todos os seus discípulos.
Em todos os nossos procedimentos, devemos buscar a direção orando; nunca devemos apreciar de modo indigno as promessas de Deus. Em qualquer tempo ou lugar que nos encontremos no nome de Cristo, devemos considerar que Ele está presente em nosso meio.

Vv. 21-35. Ainda que vivamos totalmente pela misericórdia e perdão, somos demorados para perdoar as ofensas de nossos irmãos. Esta parábola anuncia quanta provocação Deus vê em sua família na terra, e quão indóceis somos nós, os seus servos.
Há três pontos a destacar nesta parábola:
1. A maravilhosa clemência do Senhor. A dívida do pecado é tão grande que não somos capazes de pagá-la. observe aqui o que todo pecado merece; este é o pagamento do pecado: ser vendido como escravo. Muitos que estão fortemente convictos de seus pecados agem de forma néscia, quando fantasiam poder dar satisfação a Deus pelo mal que têm feito.
2. A severidade irracional do servo para com o seu conservo, apesar da clemência de seu Senhor para com ele. Não se trata de que ignoremos que não devamos fazer o mal ao nosso próximo, já que isto também é pecado diante de Deus, mas que não devemos aumentar o mal que nosso próximo nos faz, nem pensar em vingança. Que nossas queixas, tanto da maldade de alguém mau, quanto das aflições daquele que é afligido, sejam levadas diante de Deus e deixadas com Ele.
3. O Senhor reprovou a crueldade de seu servo. A magnitude do pecado acrescenta as riquezas da misericórdia que perdoa, e o sentido consolador da misericórdia que perdoa, faz muito para dispor nossos corações a perdoar nossos irmãos. Não devemos supor que Deus perdoa aos homens, mas posteriormente reconhece suas culpas para condená-los. A última parte desta parábola mostra as conclusões falsas a que muitos chegam quanto ao assunto do perdão dos seus pecados, mesmo que a sua conduta posterior demonstre que nunca entraram no espírito do Evangelho, nem demonstraram com a sua vivência a graça que santifica.
Não perdoamos corretamente a nosso irmão ofensor se não o perdoarmos de todo coração. Porém, isto não basta. Devemos buscar o bem estar até mesmo daqueles que nos ofendem. Com quanta justiça serão condenados os que, mesmo levando o nome de cristãos, persistem em tratar a seus irmãos sem misericórdia! o pecador humilhado confia somente na misericórdia abundante e gratuita através do resgate da morte de Cristo. Busquemos mais e mais a graça de Deus que renova, para que nos ensine a perdoar ao próximo, assim como esperamos o perdão dEle.

Matthew Henry

Marcos 8 - Por Matthew Henry

Versículos 1-10: O milagre da alimentação dos quatro mil; 11-21: A advertência de Cristo contra os fariseus e herodianos; 22-26. A cura de um cego; 27-33: O testemunho de Pedro a respeito do Senhor Jesus Cristo; 34-38: O Senhor Jesus Cristo deve ser seguido.

Vv. 1-10. O Senhor Jesus encorajou os mais vis, que foram a Ele em busca de vida e graça. Cristo conhece e considera o nosso estado de ânimo. A generosidade de Cristo está sempre preparada; para mostrar isto, repete este milagre. os seus favores se renovam, como ocorre com as nossas carências e necessidades. Aquele que tem a Cristo, e vive por fé, não deve temer a escassez, e deve viver pela fé com ação de graças.

Vv. 11-21. A incredulidade obstinada terá algo a dizer, mesmo que seja muito irracional. O Senhor Jesus Cristo recusou-se a dar resposta à demanda daqueles homens. Se não sentirem a convicção do pecado, jamais se convencerão. Ah! Que razão temos para lamentar por aqueles que nos rodeiam, e destroem a si mesmos e aos demais por meio de sua incredulidade perversa e obcecada, e por sua inimizade contra o Evangelho! Quando nos esquecemos das obras de Deus e não confiamos nEle, devemos nos repreender severamente, assim como Cristo repreende aqui os seus discípulos. Como é que por tantas vezes nos equivocamos com o significado daquilo que Ele nos diz, desprezamos as suas advertências, e não confiamos em seus cuidados para conosco?

Vv. 22-26. Aqui está o caso de um cego que foi levado a Cristo por seus amigos. Aqui fica demonstrada a fé daqueles que o trouxeram. Se aqueles que estão espiritualmente cegos não orarem por si mesmos, em todo o caso os seus amigos e parentes devem orar por eles, para que o Senhor Jesus Cristo os toque. A cura foi realizada de forma gradual, o que não era comum nos milagres de nosso Senhor. Cristo demonstra o seu método comum para curar, por sua graça, àqueles que por natureza estão espiritualmente cegos. Em primeiro lugar, o conhecimento que estas pessoas possuem é confuso. Porém, quando encontram-se com Cristo e buscam conhecê-lo, o seu conhecimento se torna como a luz da aurora, que vai aumentando até que seja dia perfeito e, então, eles vêm claramente todas as coisas. Não prestar a devida atenção aos favores do Senhor Jesus Cristo é renunciar a eles; e aqueles que o fazem, conhecerão o valor dos seus benefícios por meio da necessidade.

Vv. 27-33. Estas coisas estão escritas para que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Os milagres de nosso Senhor nos asseguram que Ele não foi vencido, mas que foi vencedor. Agora, os discípulos estão convencidos de que Jesus é o Cristo; estão em condições de suportar o conhecimento dos sofrimentos que o Senhor Jesus enfrentará, os quais o Senhor começa aqui a lhes revelar.
Ele vê os erros naquilo que dizemos ou fazemos, dos quais nem sequer nós mesmos temos consciência, e sabe de que espírito somos, mesmo que não o soubéssemos. A sabedoria humana se toma algo néscio quando tem a pretensão de limitar as intenções de Deus. Pedro não compreendia corretamente a natureza do reino de Cristo.

Vv. 34-38. É freqüentemente informada a grande aglomeração de pessoas em volta do Senhor Jesus Cristo, para que ajudasse a multidão em diversos casos. Todos têm a obrigação de saber disto, se esperam que cure as suas almas. Eles não devem ser indulgentes para com o conforto de sua carne. Como a felicidade do céu com Cristo é suficiente para compensar a perda da própria vida por amor a Ele, assim, ganhar o mundo inteiro por meio do pecado não compensa o sofrimento da alma que é destruída pelo pecado. Chegará o dia em que a causa do Senhor Jesus Cristo aparecerá gloriosa, mesmo que alguns agora a considerem algo pequeno e desprezível. Pensemos nesta época e vejamos hoje tudo o que pertence a esta terra, do modo que o veremos naquele grande dia.

Matthew Henry

Marcos 13 - Por Matthew Henry

Versículos 1-4: O anúncio da destruição do templo; 5-13: O discurso profético de Cristo; 14-23: A profecia de Cristo; 24-27: Declarações proféticas; 28-37: Exortação para vigiar.

Vv. 1-4. Observemos quão pouco o Senhor Jesus Cristo valoriza a pompa exterior, onde não existe a verdadeira pureza de coração. Contempla com compaixão a ruína das almas preciosas, e chora por elas, porém, não o encontramos contemplando com tristeza a ruína de uma casa formosa. Então, lembremo-nos do quão necessário é que tenhamos uma morada mais duradoura no céu, e que estejamos preparados para ela por meio da obra do Espírito Santo, e que esta morada seja buscada por meio da fervorosa utilização de todos os meios da graça.

Vv. 5-13. O nosso Senhor Jesus, ao responder a pergunta dos discípulos, não o faz tanto para satisfazer a curiosidade destes, mas para dirigir-lhes a consciência. Quando muitos são enganados, devemos por esta razão ser despertados para que examinemos a nós mesmos. os discípulos de Cristo, senão fosse pelas próprias faltas deles, poderiam desfrutar da santa segurança e da paz mental, mesmo quando tudo ao seu redor estivesse desordenado. Eles devem ter o cuidado de não serem afastados de Cristo, e nem de seu dever para com Ele, pelos sofrimentos com que se encontrarão por amor a Ele. Serão odiados por todos os homens: problema mais do que suficiente! Porém, a obra a que foram chamados deve seguir avante e prosperar. Ainda que eles sejam esmagados e derribados, o Evangelho não o pode ser. A salvação prometida é maior do que a libertação de todo o mal, é uma bênção eterna.

Vv. 14-23. Os judeus apressaram o ritmo de sua ruína ao rebelarem-se contra os romanos, e ao perseguirem os cristãos. Aqui temos uma profecia sobre a destruição que lhes sobreveio cerca de quarenta anos mais tarde; uma destruição e um estrago como jamais sofreram em toda a sua história. As promessas de poder para perseverar, e as advertências contra um afastamento, concordam entre si. Porém, quanto mais considerarmos estas coisas, veremos motivos mais abundantes para fugir sem demora a nos refugiarmos em Cristo, e a renunciarmos a todo objeto terrestre pela salvação de nossas almas.

Vv. 24-27. Os discípulos haviam confundido a destruição de Jerusalém com o final do mundo. O Senhor Jesus Cristo corrigiu este erro, e demonstrou que o dia de sua vinda e o dia do juízo seriam posteriores àquela tribulação. Aqui anuncia a dissolução final do quadro e da trama do mundo presente. Além disto, é prevista a aparição visível do Senhor Jesus vindo nas nuvens, e a reunião de todos os eleitos com Ele.

Vv. 28-37. Temos a aplicação do sermão profético. Quanto à destruição de Jerusalém, é preciso esperar, pois virá dentro de pouquíssimo tempo. Quanto ao final do mundo, não pergunteis quando virá, porque o dia e a hora não são do conhecimento de nenhum homem. Cristo, como Deus, não poderia ignorar nada, porque a sabedoria divina, que habitava em nosso Senhor, era comunicada à sua alma humana conforme o beneplácito divino. o nosso dever em relação aos dois casos é estar alertas e orarmos. Quando o Senhor Jesus ascendeu ao alto, deixou algo para que todos os seus servos façam. Devemos estar sempre vigilantes esperando o seu regresso. Isto se aplica tanto à vinda de Cristo a nós em nossa morte, como também ao juízo geral.
Não sabemos se o nosso Senhor virá nos dias de nossa juventude, na idade madura ou em nossa velhice, porém, assim que nascemos começamos a morrer e, portanto, devemos esperar pela morte. O nosso grande esforço deve ser no sentido de que, quando o Senhor vier, não nos encontre confiados, agradando à nossa concupiscência em conforto e preguiça, despreocupados em relação à nossa obra e dever. O Senhor diz a todos que vigiem, para que sejam encontrados em paz, sem manchas e irrepreensíveis.

Matthew Henry

Josué 24 - Por Matthew Henry

Versículos 1-14: Os benefícios de Deus para os antepassados; 15-28: Josué renova o pacto entre o povo e Deus; 29-33: A morte de Josué; o enterro dos ossos de José; o Estado de Israel.

Vv. 1-14. Nunca devemos dar por terminada a nossa obra para Deus, até que a nossa vida tenha terminado. Se nos forem acrescentados mais dias do que o esperado, assim como a Josué, é porque Deus tem mais serviços para realizarmos, o que quer ter o mesmo sentimento que também houve em Cristo Jesus, gloriar-se-á em dar o último testemunho da bondade de seu Salvador, e em proclamar aos quatro ventos as obrigações com a qual o tem enlaçado a imerecida bondade que Deus lhe tem mostrado.
A assembleia se reuniu em solene atitude religiosa. Josué falou-lhes em o nome e da parte de Deus. O seu sermão foi sobre doutrinas e suas aplicações. A parte doutrinária fala da história das grandes coisas que Deus fizera por seu povo e pelos antepassados. A aplicação da história das misericórdias de Deus para com eles é uma exortação a temer e a servir a Deus como gratidão por seu favor, e que possa continuar.

Vv. 15-28. É essencial que o serviço do povo de Deus seja feito voluntariamente, porque o amor é o único princípio genuíno do qual pode ser proveniente todo serviço aceitável a Deus. O Pai busca os adoradores que assim o adorem, em espírito e em verdade, os desígnios da carne são inimizade contra Deus; portanto, o homem carnal é incapaz de dar adoração espiritual. Daí a necessidade de se nascer de novo. Porém, uma boa quantidade de pessoas fica somente nas formalidades quando as tarefas lhes são impostas.
Josué lhes deu a escolha; porém, não como se fosse indiferente que eles servissem ou não a Deus. "Escolhei hoje a quem sirvais"; agora, as coisas estão bem claras diante dos israelitas. Josué resolve servir a Deus, não importa o que seja que os demais façam, os que resolvem servir a Deus não devem importar-se em ficar sozinhos dali por diante, os que vão ao céu devem estar dispostos a nadar contra a maré. Não devem fazer como a maioria, mas sim como os melhores. Ninguém pode comportar-se corretamente em qualquer situação, sem considerar profundamente os seus deveres religiosos nas relações familiares.
Os israelitas concordaram com Josué, influenciados pelo exemplo do homem que fora uma bênção tão grande para eles; "Também nós serviremos ao Senhor". observe quanto bem fazem os grandes homens por sua influência, se forem zelosos com a religião. Josué os leva a expressar o pleno propósito do coração de serem fiéis ao Senhor. Devem despojar-se de toda confiança em sua própria suficiência ou, caso contrário, os seus propósitos serão vãos. Quando decidiram deliberadamente servir a Deus, Josué os comprometeu mediante um pacto solene e construiu um monumento para memória. Desta maneira emotiva, Josué se despediu deles; se perecerem, o sangue deles seria sobre as suas próprias cabeças.
A casa de Deus, a mesa do Senhor, e até os muros e árvores diante dos quais expressamos os nossos propósitos solenes de servi-lo, darão testemunho contra nós se o negarmos; de qualquer maneira, podemos confiar que Ele porá temor em nosso coração, para que não nos apartemos de sua presença. Somente Deus pode dar graça; contudo, abençoa os nossos esforços por fazermos com que os homens se comprometam em seu serviço.

Vv. 29-33. José morreu no Egito; porém, deu ordens no tocante aos seus ossos, para que não permanecessem em sua tumba, até que Israel descansasse na terra prometida.
Observe ainda a morte e sepultura de José e Eleazar, o sumo sacerdote. os homens mais úteis, após servir à sua geração conforme a vontade de Deus, um após outro, caem adormecidos e enfrentam a corrupção do seu corpo físico. Porém, Jesus, após passar e concluir a sua vida na terra, de uma forma mais efetiva do que José e Josué, ressuscitou dentre os mortos e não viu a corrupção.
Os redimidos do Senhor herdarão o reino que lhes foi preparado desde a fundação do mundo. Admirados, eles falarão a respeito da graça de Jesus: "Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai, a Ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!" (Ap 1.5).

Matthew Henry

Josué 8 - Por Matthew Henry

Versículos 1,2: Deus anima Josué. 3-22: A conquista de Ai; 23-29: A destruição de Ai e de seu rei; 30- 35: leitura da lei em Ebal e Gerizim.

Vv. 1,2. Quando fielmente tiramos o pecado, esta coisa maldita que nos separa de Deus, então, e só então, podemos esperar ouvir a voz do Senhor para nosso consolo. Deus nos guie na continuação de nossas obras, e guerra cristã, como uma boa evidência de sua reconciliação conosco. Deus animou a Josué para que continuasse.
O despojo de Ai não deveria ser destruído como o de Jericó; portanto, não havia perigo de que as pessoas cometessem essa transgressão. Acã, que tomou o despojo proibido, perdeu a vida e tudo mais; porém, o resto do povo que se manteve longe das coisas malditas foi rapidamente recompensado por sua obediência. A forma de termos o consolo que Deus nos permite é nos distanciarmos do que Ele proíbe. Ninguém perde por negar-se a si mesmo.

Vv. 3-22. Observe a conduta e a prudência de Josué. Os que querem manter as suas lutas espirituais não devem amar o seu conforto. Provavelmente ele foi só ao vale para orar a Deus e pedir uma bênção, e não buscou ao Senhor em vão.
Josué não retrocedeu e terminou a obra. Os que estendem as suas mãos contra seus inimigos espirituais, nunca devem retroceder.

Vv. 23-29. Deus, o Justo Juiz, sentenciara os cananeus por causa da impiedade deles; os israelitas somente executaram a sentença. Nada da conduta deles deve ser tomada como exemplo para os demais. Sem dúvida houve uma razão especial para a severidade com o rei de Ai; provavelmente ele fora notavelmente ímpio, vil e blasfemo contra o Deus de Israel.

Vv. 30-35. Quando Josué chegou aos montes Ebal e Gerizim, sem tardar e preocupar-se com a condição de Israel, que ainda não tinha se estabelecido, confirmou o pacto do Senhor com seu povo, mediante o que fora indicado (Dt 11 e 27). Não devemos pensar em mudar a maneira de fazer alianças com Deus, até que estejamos estabelecidos no mundo; tampouco qualquer assunto deve impedir que demos importância e busquemos a única coisa necessária. A maneira correta de prosperar é começar por Deus (Mt 6.33). Eles edificaram um altar e ofereceram sacrifícios a Deus, como sinal de sua dedicação a Ele, como holocausto vivo para sua honra. Pelo sacrifício de Cristo, temos paz com Deus.
Uma grande misericórdia para qualquer povo é possuir a lei de Deus por escrito, e é próprio que a lei esteja escrita em idioma conhecido para que possa ser lida e ouvida por todos os homens.

Matthew Henry

Josué 7 - Por Matthew Henry

Versículos 1-5: Derrota dos Israelitas em Ai; 6-9: Abominação e oração de Josué; 10-15: Deus ordena a Josué o que deve fazer. 16-26. Acã é descoberto; é destruído.

Vv. 1-5. Acã tomou algo do despojo de Jericó, o amor pelo mundo é a raiz de amargura mais difícil de se arrancar. Tomemos cuidado com o pecado, para que não aconteça que por ele muitos sejam presos e contaminados (Hb 12.15); e devemos ter cuidado de não nos confraternizarmos com os pecadores na prática da iniquidade, para que não participemos de sua culpa. É nosso dever cuidar uns dos outros para impedir o pecado, porque as transgressões alheias podem ser para o nosso mal. A fácil conquista de Jericó suscitou desprezo para com o inimigo, e uma disposição a esperar que o Senhor fizesse tudo por eles, sem que utilizassem os meios corretos. Desta maneira, os homens abusam da graça divina e das promessas de Deus, e as utilizam como desculpa para seus caprichos. Devemos nos ocupar com nossa salvação, mesmo cientes que é Deus quem a realiza em nós.
Foi uma vitória custosa para os cananeus, porque, devido a ela, Israel despertou, fez reformas e reconciliou-se com seu Deus, e o povo de Canaã endureceu-se para sua própria ruína.

Vv. 6-9. O interesse de Josué pela honra de Deus, mais que pelo destino de Israel, era a linguagem do Espírito Santo. Josué suplica a Deus. Lamenta a derrota, porque teme que o fracasso denigra a sabedoria e o poder de Deus, sua bondade e fidelidade. Em nenhum momento podemos apresentar uma alegação melhor que esta: " Senhor que farás por teu grande nome?" Que Deus seja glorificado em tudo, e então recebamos toda a sua vontade.

Vv. 10-15. Deus desperta a Josué para que faça uma investigação, e diz-lhe que, quando o anátema for tirado, tudo estará bem, os tempos de perigo e tribulação devem ser momentos de reforma. Devemos examinar nosso coração, nossas casas, e fazer uma diligente busca para descobrir se não existe um anátema que Deus vê e aborrece; uma luxúria secreta, um ganho ilícito, algum segredo indevido para com Deus ou outras pessoas. Não podemos prosperar até que o anátema seja destruído, arrancado de nosso coração e tirado de nossas habitações, de nossa família e eliminado de nossa vida. Quando o erro dos pecadores é descoberto, deve ser dado a Deus o seu reconhecimento. Com juízo seguro e sem falha, o Deus justo discerne e fará distinção entre o inocente e o culpado; ainda que os justos sejam da mesma tribo, família e lugar que os maus, nunca serão tratados como o ímpio.

Vv. 16-26. Observe quão néscios são os que prometem guardar segredo ao pecar. Deus tem muitas maneiras de trazer à luz as obras ocultas das trevas. observe também até que ponto é nosso dever buscar a causa de nossa tribulação, quando Deus contende contra nós. Devemos orar como Jó: "Senhor faz-me entender porque contendes comigo".
O pecado de Acã começou pelos olhos, viu todas aquelas coisas formosas, como Eva observou o fruto proibido. Observe no que resulta tolerar que o coração ande conforme a concupiscência dos olhos, e a necessidade que temos de fazer pacto com nossos olhos, que chorarão se vaguearem. os que querem evitar as ações pecaminosas devem mortificar e controlar dentro de si os desejos pecaminosos, particularmente, a cobiça das riquezas mundanas. Se Acã tivesse olhado essas coisas com os olhos da fé, as teria visto como anátema e as desprezaria com temor; porém, ao olhá-las unicamente com os olhos dos sentidos, as enxergou como coisas valiosas e as cobiçou. E quando cometeu o pecado, procurou ocultá-lo. Assim que conseguiu o despojo desejado, este se transformou em um peso, e não se atreveu a utilizar o tesouro que foi conseguido ilicitamente. Quão diferentemente se veem à distância os objetos da tentação, de quando são alcançados, observe aqui o engano do pecado: o que é agradável ao cometer, é amargo em sua consequência, observe como se enganam os que roubam a Deus, o pecado é algo mui perturbador, não só para o próprio pecador, mas também para todos os que o rodeiam. Deus certamente recompensará com tribulação os que transtornam o seu povo.
Acã não pereceu sozinho em seu pecado. os que abraçam mais do que lhes pertence perdem os seus. os filhos de Acã morreram com ele. Provavelmente, ajudaram-lhe a esconder os objetos cobiçados.
Que consequências fatais seguem ainda neste mundo o pecador e a tudo que pertence a ele. Um pecador destrói muito do que é bom. Então como será a ira vindoura?
Fujamos dela em direção a Cristo, o amigo do pecador. Há circunstâncias na confissão de Acã que marcam o progresso do pecado, desde a sua entrada no coração até que seja posto em prática, o que pode servir como a história de quase todas as ofensas cometidas contra a lei de Deus, e o sacrifício de Jesus Cristo.

Matthew Henry

Josué 1 - Por Matthew Henry

Versículos 1-4: O Senhor nomeia a Josué como sucessor de Moisés; 5-9: Deus promete dar assistência a Josué; 10-15: Os preparativos para cruzar o Jordão; 16-18: O povo promete obedecer a Josué.

Vv. 1-4. Josué havia servido a Moisés. Ele, que fora chamado para, no futuro, ser líder, serviu por muito tempo como servo. Nosso Senhor Jesus também assumiu a forma de servo. Josué estava treinado para obedecer às ordens, os mais aptos para governar são os que aprenderam a obedecer, como o Filho de Deus, que foi obediente até a morte, e morte de cruz.
A mudança de situação dos homens úteis deve estimular aos sobreviventes a serem mais diligentes em fazer o bem. Levantem-se e vamos cruzar o Jordão. As zonas mais baixas estavam alagadas neste momento. Josué não tinha uma ponte nem possuía botes; porém, deveria crer que Deus abriria um caminho, ao determinar que o povo passasse para o outro lado.

Vv. 5-9. Josué fez com que a lei de Deus fosse seu governo. Deus o ordenou que meditasse nela dia e noite para que pudesse compreendê-la. Quaisquer que sejam os assuntos do mundo que tenhamos em mente, não devemos desprezar a única coisa necessária. Todas as ordens de Josué ao povo, e também seus juízos, deviam estar em conformidade com a lei de Deus. Ele próprio devia submeter-se aos mandamentos de Deus; a dignidade e o domínio de homem algum o colocaram acima das Íeis divinas. Ele devia alertar-se a si mesmo com a promessa e a presença de Deus. Que você não se desanime ao sentir suas próprias enfermidades; Deus é todo suficiente. Ele te diz: "Eu tenho te mandado, chamado e comissionado para fazê-lo; então, tenha a segurança que te sustentarei e livrarei". Quando estamos na senda do dever, temos razões para ser fortes e mui ousados. Nosso Senhor Jesus, assim como Josué, foi sustentado em seus sofrimentos por considerar a vontade de Deus e o mandamento de seu Pai.

Vv. 10-15. Josué disse ao povo que cruzasse o Jordão e possuísse a terra porque Deus determinara isto. Nós honramos a verdade de Deus quando não vacilamos em confiar em suas promessas, os soldados das duas tribos e meia que ficaram com a parte oriental de Canaã precisavam cruzar o Jordão com seus irmãos, para conquistar a parte ocidental. Quando Deus por sua providência nos tem dado repouso, devemos considerar que serviço podemos fazer em favor de nossos semelhantes.

Vv. 16-18. O povo de Israel compromete-se a obedecer a Josué: "Faremos tudo o que nos tens mandado, sem murmurar nem discutir, e onde quer que nos envies, iremos". o melhor que podemos pedir a Deus para nossos magistrados, é que eles tenham a presença de Deus; isso fará com que eles sejam bênçãos para nós, de maneira que, ao pedir isso para eles, levemos em conta nosso próprio interesse. Que sejamos colocados sob a bandeira do capitão de nossa salvação, obedientes aos seus mandamentos e pelejemos a boa batalha da fé, com toda confiança em seu nome e por amor ao seu nome, contra tudo que se oponha à sua autoridade; pois qualquer que se recuse a obedecer-lhe deve ser destruído.

Matthew Henry

Jeremias 4 - Por Matthew Henry

Versículos 1,2: Exortações e promessas; 3,4: Exortação a Judá para que se arrependa; 5-18: Denuncia de juízos; 19-31: A ruína se aproxima de Judá.

Vv. 1,2. Os primeiros dois versículos devem ser lidos com o capítulo anterior. O pecado deve ser tirado do coração, caso contrário não sairá da vista de Deus, porque o coração está aberto diante dEle.

Vv. 3,4. Um coração não humilhado é como o solo sem arar. É solo que pode ser melhorado; solo que foi deixado para nós, porém, sem cultivo, e está encoberto de espinhos e maldades, produtos naturais do coração corrupto. Roguemos ao Senhor que crie em nós um coração puro, e renove em nós um espírito reto, porque não entrará no reino do céu o homem que não nascer de novo.

Vv. 5-18. O violento conquistador das nações vizinhas devastaria Judá. o profeta se aflige ao ver o povo de Deus adormecido pela segurança dada pelos falsos profetas. Descreve-se a aproximação do inimigo. Foi feito algo para a reforma externa de Jerusalém, porém, era necessário que os seus corações fossem limpos, através do arrependimento e da fé verdadeira, do amor ao pecado e sua contaminação.
Quando as pequenas calamidades não despertam os pecadores nem trazem mudanças às nações, a sentença será pronunciada contra eles. A voz do Senhor declara que a miséria se aproxima, especialmente contra os maus mestres do Evangelho; quando os alcançar, será evidente que o fruto da iniqüidade é amargo e o seu fim é fatal.

Vv. 19-31. O profeta não tinha prazer em dar mensagens de ira. É mostrada a ele uma visão de toda a terra em desordem. Comparado com o que era anteriormente, tudo está fora de ordem, mas a ruína da nação judaica não seria definitiva. Todo o final de nossos consolos não é um final absoluto. Ainda que o Senhor venha a corrigir o seu povo com muita severidade, contudo, não os lançará fora. os ornamentos e as cores falsas não servem para nada. Nenhum privilégio ou profissão de fé exterior evitará a destruição.
Quão infeliz é o estado daqueles que são como crianças néscias, acerca da preocupação por suas almas! seja o que for que ignoremos, queira o Senhor dar-nos bom entendimento nos caminhos da santidade.
Como o pecado acha o pecador, cedo ou tarde o pesar alcança ao que se sente seguro em si mesmo.

Matthew Henry

Jeremias 3 - Por Matthew Henry

Versículos 1-5: Exortações ao arrependimento; 6-11: Judá é mais culpável do que Israel; 12-20: Promessa de perdão; 21-25: Os filhos de Israel expressam o seu sofrimento e arrependimento.

Vv. 1-5. Quando nos arrependemos, é bom pensarmos nos pecados dos quais temos sido culpados, e nos lugares e companhias em que foram cometidos.
Com que suavidade o Senhor os havia corrigido! Ele é Deus na maneira que recebe o arrependido, e não homem. Não importa o que dissemos ou fizemos até agora, passemos a invocá-lo de agora em diante. Esta graça de Deus não nos basta? Agora que o perdão é proclamado, não receberás o benefício? Eles esperaram encontrar nEle as ternas compaixões de um Pai para com um filho pródigo que regressa. Irão a Ele como o guia de sua juventude, pois os jovens precisam de direção, os pecadores arrependidos podem se animar por saberem que Deus não manterá a sua ira para sempre. Todas as misericórdias de Deus, em todas as épocas, dão animo; e o que pode ser mais desejável para o jovem do que ter o Senhor como Pai e Guia de sua juventude? Pais, dirijam sempre seus filhos com fervor na busca desta bênção!

Vv. 6-11. Se nos fixamos nos delitos daqueles que quebrantam a sua profissão de fé e as suas consequências, veremos que há muitas razões para evitar os maus caminhos. É espantoso ser declarado mais criminoso do que aqueles que realmente pereceram em seus pecados; porém, no castigo eterno, será pouco consolo para eles saber que outros foram mais vis que eles.

Vv. 12-20. Observe a prontidão de Deus para perdoar o pecado e as bênçãos reservadas para os tempos do Evangelho. Estas palavras foram proclamadas à nação de Israel, às dez tribos cativas na Assíria, instruindo-lhes como retornar. se confessarmos os nossos pecados, o Senhor é fiel e justo para perdoá-los.
Estas promessas se cumprirão plenamente com o regresso dos judeus em épocas futuras. Deus receberá com graça aos que regressarem a Ele; e, por graça, os apartará do restante.
A arca do pacto não foi encontrada depois do cativeiro. Toda esta dispensação terminaria, e isto aconteceu depois da multidão de crentes ter crescido muito por causa da conversão dos gentios e dos israelitas espalhados entre eles. É predito um estado feliz da Igreja. Ele pode ensinar a todos que o chamem de Pai, mas sem uma completa mudança de coração e vida, ninguém pode ser filho de Deus e ter a segurança de não se apartar dEle.

Vv. 21-25. O pecado é apartar-se andando em caminhos tortuosos. Esquecer do Senhor é a base de todo pecado, e por ele nos envolvemos em dificuldades. A promessa para aqueles que regressam é: Deus curará a sua rebelião por sua misericórdia perdoadora, sua paz que acalma e a sua graça que renova. Eles vêm consagrando-se ao Senhor, desprezando toda expectativa de alivio e socorro que não venha dEle e dependendo somente dEle. Vêm justificando a Deus em seus problemas, e se condenam a si mesmos por seus pecados. os verdadeiros arrependidos aprendem a chamar o pecado de vergonha, mesmo aquele no qual mais se compraziam. os verdadeiros arrependidos aprendem a chamar o pecado de morte e ruína, e o acusam como culpado por seu sofrimento., Enquanto os homens se endurecerem no pecado, sua porção será o desprezo e a miséria: aquele que encobre o seu pecado não prospera, mas aquele que o confessa e abandona encontra misericórdia.

Matthew Henry

Tito 2 - Por Matthew Henry

Versículos 1-8: Os deveres que se convertem em sã doutrina; 9-10: Os servos crentes devem ser obedientes; 11-15: Tudo deve ser regido pelo santo desígnio do Evangelho, o qual diz respeito a todos os crentes.

Vv. 1-8. Os discípulos de Cristo devem, em todas as coisas, comportar-se de uma maneira que seja harmoniosa com a doutrina cristã. Os anciãos devem ser sóbrios; que não pensem que a deterioração de seu corpo físico justifique qualquer excesso, porém, busquem a consolação na comunhão mais íntima com Deus, não em concessões indevidas. A fé trabalha por amor e deve ser vista no amor; no amor de Deus por si mesmo, e no dos homens por amor a Deus.
As pessoas mais velhas tendem a se irritar com facilidade, e serem temerosas. Portanto, é preciso que cuidemos delas. Mesmo que não exista um texto bíblico específico para cada palavra ou para cada olhar, há, contudo, regras gerais de acordo com as quais tudo deve ser organizado.
As mulheres jovens devem ser sóbrias e discretas, porque muitas expõem-se a tentações fatais, por aquilo que inicialmente poderia ser classificado apenas como uma falta de discrição.
Acrescenta-se a razão: para que a Palavra de Deus não seja blasfemada. Falhar nos deveres é uma grande reprovação para o cristianismo.
Os jovens têm a tendência de ser ansiosos e precipitados, portanto, com seriedade devem ser chamados a ser sóbrios: existem jovens que se arruínam mais pelo orgulho do que por qualquer outro pecado.
Todo o esforço do homem piedoso deve ser dirigido para calar os seus adversários. Que a própria consciência de cada um de nós possa nos responder com retidão. Que glória é para o cristão quando a boca que se abre contra ele não é capaz de encontrar nada mau para falar a seu respeito!

Vv. 9,10. Os servos devem conhecer e cumprir o seu dever para com os seus senhores na terra, por causa de seu Senhor celestial. Ao servir a um Senhor terreno conforme a vontade de Cristo, Ele é servido; os tais serão recompensados por Ele. Não devem dar-se à linguagem insolente e provocadora, mas aceitar em silêncio uma repreensão ou uma censura, sem formular respostas soberbas e atrevidas. Quando alguém tem consciência de uma falta, escusar-se ou simplesmente justificá-la a agrava, aumentando esta culpa a ponto de dobrá-la. Jamais se deve utilizar por conta própria aquilo que pertence ao seu senhor, nem desperdiçar os bens que lhe tenham sido confiados. O crente deve demonstrar toda esta boa fidelidade para utilizar os bens de seu senhor e fomentar o seu progresso. Se alguém não for fiel naquilo que pertence a outra pessoa, quem lhe dará aquilo que lhe pertence? (Lc 16.12). A verdadeira religião é uma honra para todos aqueles que a professam, e estes devem adorná-la em todas as coisas.

Vv. 11-15. A doutrina da graça e da salvação pelo Evangelho é para todas as classes de pessoas, de todos os níveis e em todas as posições ou condições. Ela nos ensina a deixar o pecado; a não termos mais qualquer ligação com este. A conversa terrena e pecaminosa não convém à vocação celestial. Ensina a tomar consciência daquilo que é bom. Devemos olhar para Deus em Cristo Jesus como o objeto de nossa esperança e adoração. A conversa daqueles que conhecem o Evangelho deve ser uma conversa boa e saudável. Observe aqui o nosso dever em poucas palavras: negar a impiedade e a luxúria mundana, viver sóbria, reta e piedosamente apesar de todos os ardis, tentações, maus exemplos, maus costumes e vestígios do pecado no coração do crente, com todos os seus obstáculos. Somos ensinados a buscar a glória do mundo porvir. Na manifestação gloriosa de Cristo, se completará a bendita esperança dos cristãos.
A finalidade da morte de Cristo é levar-nos à santidade e à felicidade. Cristo, o grande Deus e nosso Salvador, nos salva não somente como Deus, nem somente como homem, mas como Deus-homem, tendo as duas naturezas em uma só pessoa. Ele nos amou e entregou-se por nós; e o que poderíamos fazer, a não ser amá-lo e entregarmo-nos a Ele! A redenção do pecado e a santificação da natureza caminham unidas, e formam um povo peculiar para Deus, livre de culpa e condenação, e purificado pelo Espírito Santo.
Toda a Escritura é proveitosa. Aqui está aquilo que fará a devida provisão para todas as partes do dever, e para o correto desempenho destes. Indaguemos se toda a nossa dependência está posta nesta graça que salva o perdido, perdoa o culpado e santifica o imundo. Quanto mais afastados estejamos de nos ensoberbecer por causa das boas obras imaginárias, ou de confiarmos nestas para nos gloriarmos somente em Cristo, mais zelosos seremos para que abundemos em todas as verdadeiras boas obras.

Matthew Henry

O Sacrificio e a Obediência aos Mandamentos – Números 15

Os primeiros vinte e nove versículos deste 15º capítulo de Números são repetições de leis constantes especialmente de Levítico, relativas à apresentação de ofertas e sacrifícios.
Deus havia perdoado o povo de ser exterminado pela Sua ira, mas Ele lhes recorda que deveriam apresentar sacrifícios, porque era com base nestes que poderiam ser perdoados.
Todo e qualquer pecado que seja perdoado, no sentido de sermos livrados dos juízos de Deus, sempre o serão com base no sacrifício de Jesus pelos pecadores, do qual, aqueles sacrifícios de animais eram apenas uma figura.
É pela exclusiva graça de Deus, que opera com base no sacrifício, que somos perdoados, e não por nenhum ato de penitência da nossa parte, por nenhuma boa obra que façamos para compensar a má obra que tenhamos feito.
Nossas ofensas da santidade devida a Deus são tão imensas que nada que fizéssemos por mais caro e trabalhoso que fosse, poderia apagá-las.
Somente o precioso sangue de Cristo pode fazê-lo, quando nos apropriamos dos seus benefícios, simplesmente pela fé, confiando que Deus determinou fazê-lo unicamente pela Sua graça.
Entendemos então, com a introdução deste 15º capítulo, que Deus não estava esperando perfeição absoluta dos israelitas, mas fé e arrependimento.
Ele não esperava que eles se aperfeiçoassem em seus talentos naturais para a guerra, de modo que se superassem, senão apenas confiança no Seu poder e graça, e especialmente fé na Sua fidelidade, em cumprir as Suas promessas.
Se Ele havia prometido aos patriarcas, que daria a terra de Canaã à sua descendência, não cabia aos israelitas outra opção senão a de crerem na fidelidade de Deus, pois Ele lhes havia dado inúmeros exemplos de quão fiel era em cumprir todas as Suas promessas.
Todavia, a partir do trigésimo versículo deste 15º capítulo, o Senhor declarou expressamente que a cobertura do pecado, pelo sacrifício, não anulava a responsabilidade de se guardar Seus mandamentos; de modo que aqueles que pecassem deliberadamente, isto é, que confrontassem abertamente a Sua autoridade, estariam blasfemendo o Seu santo nome, e portanto, deveriam ser excluídos da comunidade de Israel, por terem desprezado a Palavra de Deus, quebrando o seu mandamento, e neste caso, responderiam pela sua iniquidade (v. 30,31).
Para ilustrar como deveria então ser aplicada a lei, é registrado logo em seguida o caso de um homem que apanhou lenha num dia de sábado, e sendo trazido a Moisés e a Arão, e a toda a congregação, foi colocado na prisão, e o Senhor disse a Moisés que tal homem deveria ser morto por toda a congregação, através de apedrejamento fora do arraial (v. 32-36).
Para o propósito de os israelitas lembrarem do seu dever de guardarem os mandamentos do Senhor, e para que não se deixassem arrastar à infidelidade pelos afetos carnais de seus corações, e pela cobiça de suas vistas, de modo que fossem santos para com o Seu Deus, este ordenou a Moisés que lhes dissesse que usassem em todas as suas gerações, franjas nas borlas das suas vestes, e que nestas colocassem um cordão azul, para tal propósito de se lembrarem de todos os mandamentos.
Mais uma vez o Senhor lhes lembrou que lhes havia tirado do Egito, para ser o Deus deles (v. 37-41).
Com o cumprimento deste mandamento, através de suas vestes, eles testemunhariam que eram diferentes das demais nações, e que não estavam envergonhados do Seu Deus e da Sua lei.
Os fariseus ampliavam estas franjas das vestes de modo a fazê-las maiores do que as dos demais judeus, de forma a mostrarem que eram mais santos do que eles (Mt 23.5).
Mas não faziam um uso sincero e santo, senão hipócrita e para se ostentarem.



“1 Depois disse o Senhor a Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel e díze-lhes: Quando entrardes na terra da vossa habitação, que eu vos hei de dar,
3 e ao Senhor fizerdes, do gado ou do rebanho, oferta queimada, holocausto ou sacrifício, para cumprir um voto, ou como oferta voluntária, para fazer nas vossos festas fixas um cheiro suave ao Senhor,
4 Então aquele que fizer a sua oferta, fará ao Senhor uma oferta de cereais de um décimo de efa de flor de farinha, misturada com a quarta parte de um him de azeite;
5 e de vinho para a oferta de libação prepararás a quarta parte de um him para o holocausto, ou para o sacrifício, para cada cordeiro;
6 e para cada carneiro prepararás como oferta de cereais, dois décimos de efa de flor de farinha, misturada com a terça parte de um him de azeite;
7 e de vinho para a oferta de libação oferecerás a terça parte de um him em cheiro suave ao Senhor.
8 Também, quando preparares novilho para holocausto ou sacrifício, para cumprir um voto, ou um sacrifício de ofertas pacíficas ao Senhor,
9 com o novilho oferecerás uma oferta de cereais de três décimos de efa, de flor de farinha, misturada com a metade de um him de azeite;
10 e de vinho para a oferta de libação oferecerás a metade de um him como oferta queimada em cheiro suave ao Senhor.
11 Assim se fará com cada novilho, ou carneiro, ou com cada um dos cordeiros ou dos cabritos.
12 Segundo o número que oferecerdes, assim fareis com cada um deles.
13 Todo natural assim fará estas coisas, ao oferecer oferta queimada em cheiro suave ao Senhor.
14 Também se peregrinar convosco algum estrangeiro, ou quem quer que estiver entre vos nas vossas gerações, e ele oferecer uma oferta queimada de cheiro suave ao Senhor, como vós fizerdes, assim fará ele.
15 Quanto à assembleia, haverá um mesmo estatuto para vós e para o estrangeiro que peregrinar convosco, estatuto perpétuo nas vossas gerações; como vós, assim será o peregrino perante o Senhor.
16 Uma mesma lei e uma mesma ordenança haverá para vós e para o estrangeiro que peregrinar convosco.
17 Disse mais o Senhor a Moisés:
18 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Depois de terdes entrado na terra em que vos hei de introduzir,
19 será que, ao comerdes do pão da terra, oferecereis ao Senhor uma oferta alçada.
20 Das primícias da vossa massa oferecereis um bolo em oferta alçada; como a oferta alçada da eira, assim o oferecereis.
21 Das primícias das vossas massas dareis ao Senhor oferta alçada durante as vossas gerações.
22 Igualmente, quando vierdes a errar, e não observardes todos esses mandamentos, que o Senhor tem falado a Moisés,
23 sim, tudo quanto o Senhor vos tem ordenado por intermédio do Moisés, desde o dia em que o Senhor começou a dar os seus mandamentos, e daí em diante pelas vossas gerações,
24 será que, quando se fizer alguma coisa sem querer, e isso for encoberto aos olhos da congregação, toda a congregação oferecerá um novilho para holocausto em cheiro suave ao Senhor, juntamente com a oferta de cereais do mesmo e a sua oferta de libação, segundo a ordenança, e um bode como sacrifício pelo pecado.
25 E o sacerdote fará expiação por toda a congregação dos filhos de Israel, e eles serão perdoados; porquanto foi erro, e trouxeram a sua oferta, oferta queimada ao Senhor, e o seu sacrifício pelo pecado perante o Senhor, por causa do seu erro.
26 Será, pois, perdoada toda a congregação dos filhos de Israel, bem como o estrangeiro que peregrinar entre eles; porquanto sem querer errou o povo todo.
27 E, se uma só pessoa pecar sem querer, oferecerá uma cabra de um ano como sacrifício pelo pecado.
28 E o sacerdote fará perante o Senhor expiação pela alma que peca, quando pecar sem querer; e, feita a expiação por ela, será perdoada.
29 Haverá uma mesma lei para aquele que pecar sem querer, tanto para o natural entre os filhos de Israel, como para o estrangeiro que peregrinar entre eles.
30 Mas a pessoa que fizer alguma coisa temerariamente, quer seja natural, quer estrangeira, blasfema ao Senhor; tal pessoa será extirpada do meio do seu povo,
31 por haver desprezado a palavra do Senhor, e quebrado o seu mandamento; essa alma certamente será extirpada, e sobre ela recairá a sua iniquidade.
32 Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado.
33 E os que o acharam apanhando lenha trouxeram-no a Moisés e a Arão, e a toda a congregação.
34 E o meteram em prisão, porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer.
35 Então disse o Senhor a Moisés: certamente será morto o homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial.
36 Levaram-no, pois, para fora do arraial, e o apedrejaram, de modo que ele morreu; como o Senhor ordenara a Moisés.
37 Disse mais o Senhor a Moisés:
38 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes que façam para si franjas nas bordas das suas vestes, pelas suas gerações; e que ponham nas franjas das bordas um cordão azul.
39 Tê-lo-eis nas franjas, para que o vejais, e vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor, e os observeis; e para que não vos deixeis arrastar à infidelidade pelo vosso coração ou pela vossa vista, como antes o fazíeis;
40 para que vos lembreis de todos os meus mandamentos, e os observeis, e sejais santos para com o vosso Deus.
41 Eu sou o senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito para ser o vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus.” (Nm 15.1-41).

Silvio Dutra

Gideão – Parte 3 – Juízes 8

Tendo comentado os três primeiros versículos deste 8º capítulo de Juízes, no final do comentário alusivo ao final do capítulo anterior, nós vemos uma afirmação no verso 4 que bem demonstra a qualidade do espírito de Gideão e dos trezentos que o seguiam:
“E Gideão veio ao Jordão e o atravessou, ele e os trezentos homens que estavam com ele, fatigados, mas ainda perseguindo.”.
Eles estavam fatigados não apenas pela perseguição que estavam empreendendo mas também pelo fato de estarem famintos, e isto se vê no verso 5. Mesmo extenuados, exauridos ainda estavam perseguindo.
Nada deteria aqueles homens dotados de tal qualidade de espírito. E por isso foram previamente selecionados por Deus, para servirem de exemplo a todo Israel, e a nós na igreja de Cristo, quanto ao modo como Deus deve ser servido na obra que realizamos em Seu nome e para Ele. O apóstolo Paulo testemunha de si mesmo que trabalhava até à exaustão no serviço de Cristo. E nisto deixou um exemplo para ser seguido por todos os obreiros de Jesus, especialmente pelos ministros do evangelho.
E a atitude dos habitantes de Sucote e de Penuel foi grave porque se recusaram alimentar a Gideão e a seus homens, de modo a terem melhores condições na perseguição que estavam empreendendo aos dois reis midianitas Zeba e Zalmuna. Eles se recusaram em ser generosos para com eles, apesar de que seriam também beneficiados com a libertação do jugo dos midianitas. Mas eles não criam nisto, em face do pequeno exército de Gideão, e não somente se negaram a ajudá-lo como também zombaram deles.
E mesmo com fome eles prosseguiram na perseguição, não sem que antes Gideão prometesse que castigaria a incredulidade e falta de generosidade dos homens de Sucote e de Penuel, aos primeiros dando-lhes uma surra com os espinhos e abrolhos do deserto, e aos moradores de Penuel traria danos, derrubando a torre deles, e até mesmo matando a alguns deles, certamente aqueles que haviam zombado mais acremente quando lhes pediram alimento. E ele o fizera conforme havia prometido depois de ter subjugado os dois reis midianitas.
Deus havia por um processo extraordinariamente miraculoso feito com que o número assombroso de cento e vinte mil midianitas fossem mortos (v. 10), e apenas quinze mil homens haviam sobrado do exército deles e fugido com Zeba e Zalmuna, contra os quais Gideão estava empreendendo perseguição com os seus valentes, que haviam deixado suas trombetas e tochas para agora lançarem mão de espadas com as quais prevaleceriam sobre os midianitas, conforme a promessa que havia sido feita por Deus: “Disse ainda o Senhor a Gideão: Com estes trezentos homens que lamberam a água vos livrarei, e entregarei os midianitas na tua mão; mas, quanto ao resto do povo, volte cada um ao seu lugar.” (Jz 7.7).
Os reis midianitas foram julgados e condenados à morte por terem matado em tempos atrás os irmãos de Gideão no monte Tabor (Jz 6.2), que tendo buscado abrigo nas montanhas por medo dos midianitas foram achados por estes dois reis, e foram vil e barbaramente mortos a sangue frio.
Nos versos 20 e 21 nós vemos Gideão chamando seu filho ainda muito jovem para ser o vingador do sangue dos seus irmãos que foram mortos por aqueles reis, porque com isso a desonra deles seria ainda maior na execução da sua sentença de morte, entretanto o jovem não teve coragem suficiente para fazê-lo, e os reis rogaram a Gideão que ele mesmo os matasse, porque assim não seriam desonrados na morte, porque certamente correria a notícia que foram mortos pelas mãos de uma criança, caso o filho de Gideão tivesse a coragem de fazê-lo.
Depois de matá-los, Gideão se apoderou dos ornamentos em forma de lua que estavam nos pescoços dos camelos daqueles reis, que possivelmente se destinavam a honrar a deusa Asterote que era representada pela lua, assim como Baal era representado pelo sol. E certamente para evitar um uso indevido em idolatria, ele pegou todos os demais ornamentos, e na intenção de evitar um mal, acabou fazendo um outro, porque fabricou com eles uma estola sacerdotal e a colocou em sua cidade, e aquela peça de uso sagrado exclusivo do tabernáculo era adorada pelos israelitas.
Quando os israelitas pediram a Gideão que ele se fizesse o governante deles, e que isto passasse a ser considerado um direito hereditário em sua família, conforme é próprio aos reis, ele se recusou em atender ao pedido deles, e afirmou que aquele que regeria sobre eles seria sempre o Senhor, e não ele e ninguém de sua casa. O desejo de Gideão era o de servir ao seu povo, e não o de governá-lo. Ele havia sido chamado e capacitado por Deus para a obra que realizara, e deveria se limitar ao que lhe foi ordenado, e ele estava bem consciente disto. A propósito, neste aspecto, o período dos juízes, em que não havia uma organização política, com um governo confederado e central sobre todas as tribos, se tinha o inconveniente de Israel não configurar uma unidade federativa, por outro lado, tinha a vantagem de ter líderes levantados e escolhidos diretamente pelo próprio Deus para conduzirem o seu povo. O modelo do direito sucessório por hereditariedade carregava consigo o grande inconveniente de serem conduzidas ao trono pessoas ímpias, conforme se vê na história dos reis de Israel.
Os versos 30 a 35 são introdutórios à narrativa do capítulo seguinte deste livro (nono) porque narra o número de filhos (setenta) que Gideão tivera com as muitas mulheres que possuía, não sendo destacado o nome de nenhum destes seus filhos, senão Jotão, e o filho que tivera com a concubina que ele tinha em Siquém chamado Abimeleque (v. 31), cuja história é narrada no nono capítulo.
E é também citado no verso 33 que depois da morte de Gideão os israelitas tornaram a se prostituir após os baalins, tendo posto a Baal-Berite por deus deles, sendo que Baal significa senhor, mestre ou esposo, e berite, aliança, portanto, traduzido daria senhor da aliança, e no entanto, os israelitas haviam se aliançado com o único e verdadeiro Senhor, através da mediação de Moisés, configurando portanto esta falsa adoração numa alta traição e adultério, não se lembrando os israelitas do Deus que os livrara das mãos de todos os seus inimigos ao redor, e nem usaram de beneficência com a casa de Gideão, conforme veremos no comentário relativo ao nono capítulo.
Os siquemitas adoravam a Baal-Berite, e é significativo que se note a conexão desta adoração com a barbárie que seria realizada por Abimeleque, em conluio com os habitantes de Siquém, onde residia a parentela de sua mãe e de seu avô materno.


“1 Então os homens de Efraim lhe disseram: Que é isto que nos fizeste, não nos chamando quando foste pelejar contra Midiã? E repreenderam-no asperamente.
2 Ele, porém, lhes respondeu: Que fiz eu agora em comparação ao que vós fizestes? Não são porventura os rabiscos de Efraim melhores do que a vindima de Abiezer?
3 Deus entregou na vossa mão os príncipes de Midiã, Orebe e Zeebe; que, pois, pude eu fazer em comparação ao que vós fizestes? Então a sua ira se abrandou para com ele, quando falou esta palavra.
4 E Gideão veio ao Jordão e o atravessou, ele e os trezentos homens que estavam com ele, fatigados, mas ainda perseguindo.
5 Disse, pois, aos homens de Sucote: Dai, peço-vos, uns pães ao povo que me segue, porquanto está fatigado, e eu vou perseguindo a Zeba e Zalmuna, reis dos midianitas.
6 Mas os príncipes de Sucote responderam: Já estão em teu poder as mãos de Zeba e Zalmuna, para que demos pão ao teu exército?
7 Replicou-lhes Gideão: Pois quando o Senhor entregar na minha mão a Zeba e a Zalmuna, trilharei a vossa carne com os espinhos do deserto e com os abrolhos.
8 Dali subiu a Penuel, e falou da mesma maneira aos homens desse lugar, que lhe responderam como os homens de Sucote lhe haviam respondido.
9 Por isso falou também aos homens de Penuel, dizendo: Quando eu voltar em paz, derribarei esta torre.
10 Zeba e Zalmuna estavam em Carcor com o seu exército, cerca de quinze mil homens, os restantes de todo o exército dos filhos do oriente; pois haviam caído cento e vinte mil homens que puxavam da espada.
11 subiu Gideão pelo caminho dos que habitavam em tendas, ao oriente de Nobá e Jogbeá, e feriu aquele exército, porquanto se dava por seguro.
12 E, fugindo Zeba e Zalmuna, Gideão os perseguiu, tomou presos esses dois reis dos midianitas e desbaratou todo o exército.
13 Voltando, pois, Gideão, filho de Joás, da peleja pela subida de Heres,
14 tomou preso a um moço dos homens de Sucote, e o inquiriu; este lhe deu por escrito os nomes dos príncipes de Sucote, e dos seus anciãos, setenta e sete homens.
15 Então veio aos homens de Sucote, e disse: Eis aqui Zeba e Zalmuna, a respeito dos quais me escarnecestes, dizendo: Porventura já estão em teu poder as mãos de Zeba e Zalmuna, para que demos pão aos teus homens fatigados?
16 Nisso tomou os anciãos da cidade, e espinhos e abrolhos do deserto, e com eles deu uma severa lição aos homens de Sucote.
17 Também derrubou a torre de Penuel, e matou os homens da cidade.
18 Depois perguntou a Zeba e a Zalmuna: Como eram os homens que matastes em Tabor? E responderam eles: Qual és tu, tais eram eles; cada um parecia filho de rei.
19 Então disse ele: Eram meus irmãos, filhos de minha mãe; vive o Senhor, que se lhes tivésseis poupado a vida, eu não vos mataria.
20 E disse a Jeter, seu primogênito: Levanta-te, mata-os. O mancebo, porém, não puxou da espada, porque temia, porquanto ainda era muito moço.
21 Então disseram Zeba e Zalmuna: Levanta-te tu mesmo, e acomete-nos; porque, qual o homem, tal a sua força. Levantando-se, pois, Gideão, matou Zeba e Zalmuna, e tomou os crescentes que estavam aos pescoços dos seus camelos.
22 Então os homens de Israel disseram a Gideão: Domina sobre nós, assim tu, como teu filho, e o filho de teu filho; porquanto nos livraste da mão de Midiã.
23 Gideão, porém, lhes respondeu: Nem eu dominarei sobre vós, nem meu filho, mas o Senhor sobre vós dominará.
24 Disse-lhes mais Gideão: uma petição vos farei: dá-me, cada um de vós, as arrecadas do despojo. (Porque os inimigos tinham arrecadas de ouro, porquanto eram ismaelitas) .
25 Ao que disseram eles: De boa vontade as daremos. E estenderam uma capa, na qual cada um deles deitou as arrecadas do seu despojo.
26 E foi o peso das arrecadas de ouro que ele pediu, mil e setecentos siclos de ouro, afora os crescentes, as cadeias e as vestes de púrpura que os reis de Midiã trajavam, afora as correntes que os camelos traziam ao pescoço.
27 Disso fez Gideão um éfode, e o pôs na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu ali após ele; e foi um laço para Gideão e para sua casa.
28 Assim foram abatidos os midianitas diante dos filhos de Israel, e nunca mais levantaram a cabeça. E a terra teve sossego, por quarenta anos nos dias de Gideão.
29 Então foi Jerubaal, filho de Joás, e habitou em sua casa.
30 Gideão teve setenta filhos, que procederam da sua coxa, porque tinha muitas mulheres.
31 A sua concubina que estava em Siquém deu-lhe também um filho; e pôs-lhe por nome Abimeleque.
32 Morreu Gideão, filho de Joás, numa boa velhice, e foi sepultado no sepulcro de seu pai Joás, em Ofra dos abiezritas.
33 Depois da morte de Gideão os filhos de Israel tornaram a se prostituir após os baalins, e puseram a Baal-Berite por deus.
34 Assim os filhos de Israel não se lembraram do Senhor seu Deus, que os livrara da mão de todos os seus inimigos ao redor;
35 nem usaram de beneficência para com a casa de Jerubaal, a saber, de Gideão, segundo todo o bem que ele havia feito a Israel.”. (Jz 8.1-35)

Silvio Dutra

Um dia vou tomar da mão do padre o microfone, e direi verdades que os versículos ocultam ao povo sedado.
Um povo coitado, boicotado, e com um belo carnê de dívida divina pra pagar. Ou depositam a parcela caixinha, ou o diabo da esquina sua saúde vai perseguir até conseguir arrancar.
Ó quanta fé, ó quanto medo. Se sair mal "Deus sabe o que faz", se sai bem "Milagre de Deus".
Se isso é fé, então até nunca mais!

Aldo Teixeira

Lendo inúmeros versículos sobre esse tema percebo que Deus é o nosso ninho, maior abrigo; na Sua santa benigna presença sempre encontraremos, tudo que mais necessitamos, provisão, proteção, direção, amor, zelo e cuidado necessário, para nossa sobrevivência e transcendência. Ele nos livra de todas as investidas dos nossos predadores, inimigos. E nos faz habitar, em paz e em segurança, nas alturas; nos capacitando a alçar voos deleitosos por toda eternidade.

Servamara