Versiculo sobre MissÕes

Cerca de 143 frases e pensamentos: Versiculo sobre MissÕes

Professor, uma profissao! Educador, a mais nobre de todas as missoes!

antonio gomes lacerda

Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão

Mateus Capítulo 7 Versículo 5

O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais que perecem.
DEUS GOVERNA O MUNDO; DEUS TEM MAIS PRAZER NA OBEDIÊNCIA DO QUE NO SACRIFÍCIO.

A Bíblia Sagrada - Salmo 49 versículo 20

Uma das missões mais nobres de um indivíduo é fazer com que os outros saibam prosseguir sem sua presença.

Baudelaire Guinevere

A vida nós temos varias missões. Algumas construimo o mais inesperado, quando nos tornamos adultos tudo que fazemos, tudo que construimos é ao nossos filhos, na verdade tudo que fazemos, hoje são para visar nossos futuros herdeiros, mesmo que demore muitos anos.
Vida ela pode ser injusta inumeras vezes, mas ela foi, para te ensinar uma lição, um ensinamento. Eu digo as coisas não acontecem por acaso, sempre tem o porque, se acaso aconteceu, foi para você aprender e dâ proxima vez voce conseguir lidar com tudo que já foi passado. Faça de seus problemas um ensinamento.

Marcos Lanfranchi

Alguns críticos teóricos afirmam que a felicidade encontra-se no mundo. Porém, vivemos no mundo onde não há felicidade.

ZEZINHO MISSÕES

Jesus respondeu: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

Evangelho segundo São Mateus, capítulo 4, versículo 4

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." [1 Coríntios 10:31]

Se levássemos á sério esse versículo, e ele nos viesse a mente por 2, 3 vezes ao dia, seriamos diferentes do que somos hoje. Infelizmente existe pessoas que esquecem desse versículo e fazem para a própria glória ou até mesmo esquecem de glorificar a Deus.
Mais importante do que conhecer a Palavra de Deus, é praticar a Palavra de Deus.

Clinton Ramachotte

Quando você ler um versículo da Bíblia do qual você quer se apropriar, adicione-o em suas orações.

Joyce Meyer

Escrever versículo biblico no Facebook não te deixa mais santo, principalmente se suas atitudes não condizerem com aquilo que você escreve.

Sarah Ruach

Pedro diz no sétimo versículo que essas coisas aconteceram — essas "várias tentações" — para que "a prova da Vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo". Como isso é importante — o precioso caráter da fé! Ele ressalta isso em sua comparação com o ouro. "Olhem para o ouro", ele diz. "O ouro é precioso, mas não tão precioso quanto a fé". Como ele estabelece isso? Ele mostra que o ouro é algo que um dia vai desaparecer. É apenas temporário, não há nada de permanente nele, ainda que seja maravilhoso e de muito valor. Mas a fé é eterna. O ouro vai perecer, mas a fé permanecerá. A fé é algo que é duradouro e eterno. Aquilo através do que vivemos, diz o apóstolo, é o que é responsável por estarmos na vida cristã. Vocês estão nesta posição de fé, ele diz, e não percebem como isto é maravilhoso e admirável. Andamos pela fé, toda a nossa vida é uma questão de fé, e aos olhos de Deus isso é tão precioso, tão maravilhoso, que Deus quer que seja absolutamente puro. Purificamos o ouro através do fogo. Eliminamos todas as impurezas ao colocar o ouro no crisol, ou na fundição, submetendo-o a um alto grau de calor; assim tudo que é impuro é removido, permanecendo apenas o ouro. Seu argumento, então, é que se fazemos isso com o ouro que perece, quanto mais precisa ser feito com a fé. Fé é esse princípio extraordinário que liga o homem a Deus; é o que livra o homem do inferno e o leva para o céu; é a conexão entre este mundo e o mundo por vir; a fé é esse elemento místico e admirável que pode tomar um homem morto em delitos e pecados, e fazer dele uma nova criatura, um novo homem em Cristo Jesus. É por isso que é tão preciosa. É tão preciosa que Deus quer que seja absolutamente perfeita. Esse é o argumento do apóstolo. Então, enfrentamos essas várias tentações e provações por causa do caráter da fé.

Martin Lloyd-Jones

Paciência Vitoriosa no Sofrimento - 1ª Pedro 1

Pedro se referiu no segundo versículo aos destinatários de sua primeira epístola como sendo eleitos segundo a presciência de Deus, na santificação do Espírito, para a aspersão e obediência ao sangue de Jesus Cristo.
Fomos eleitos, segundo o texto de Pedro, para sermos santificados pelo do Espírito Santo, e para recebermos a aspersão e sermos obedientes ao sangue de Jesus Cristo.
Porque é por meio da santificação e da nossa purificação pelo sangue de nosso Senhor, que se comprova a nossa eleição, ou seja, que somos de fato escolhidos por Deus para sermos Sua exclusiva propriedade, não sendo mais escravizados ao pecado.
Nosso Senhor afirmou que foi Ele quem nos escolheu, e não propriamente nós a Ele, ou seja, nós o amamos porque nos amou primeiro; conhecemos e valorizamos a Sua redenção e salvação, porque fomos primeiro redimidos e salvos por Ele.
Se não tivesse vindo a nós, jamais teríamos ido a Ele.
Assim, o propósito da eleição é nos conduzir ao conhecimento pessoal de Jesus Cristo, e nos tornar santos assim como Deus é santo, daí a necessidade da nossa santificação.
Isto tem a ver com a nossa participação da Sua natureza divina, que é de santidade (Hb 12.10).
Sem escolher fazer a Sua vontade, sem nos submetermos ao Seu governo, jamais poderemos conhecer a Sua natureza divina, a qual Ele tem prazer em revelar e comunicar àqueles que O amam.
Estes que O amam devem renunciar ao próprio governo, e se deixarem conduzir pelo Espírito Santo, para que possam conhecer a natureza de Deus.
À medida que progride a nossa santificação, mais progride o nosso conhecimento de Deus, porque fomos eleitos para este propósito de conhecermos mais e mais a Sua própria pessoa divina e virtudes, de um modo íntimo e pessoal, em plena comunhão com Ele.
De maneira que a própria vida eterna consiste neste conhecimento pessoal de Deus (João 17.3).
Pedro desejou aos destinatários de sua primeira epístola, graça e paz multiplicadas. Isto denota a importância que era dada pelos apóstolos e por toda a Igreja Primitiva, tanto da circuncisão, quanto da incircuncisão, ao fortalecimento na graça de Jesus, e à busca da paz, que é fruto desta graça (I Pe 1.2b).
O apóstolo fez menção à multiplicação destas graças na vida dos cristãos, porque eles as possuem em determinado grau, o qual pode crescer cada vez mais, conforme a consagração dos filhos de Deus à Sua vontade.
Tendo concluído a breve saudação inicial, o apóstolo passou a exaltar o nome do Senhor pelas coisas que fez em favor dos cristãos por meio de Jesus Cristo; bendizendo o Seu nome antes de tudo pela Sua grande misericórdia, pela qual foram regenerados, não para um propósito temporário e terreno, mas para uma esperança viva, isto é de vida eterna, que eles obtiveram por meio da ressurreição de nosso Senhor (I Pe 1.3).
Uma esperança que não pode ser corrompida, e que não tem qualquer defeito, e que não pode falhar, porque está fixada e reservada nos céus para os que são de Cristo (v. 4).
Tal caráter eterno e firme desta esperança de vida eterna não é garantido pelo poder dos cristãos, mas pelo poder de Deus, pelo qual são guardados, simplesmente por causa da fé deles, e não de suas obras de justiça, para a plena manifestação da salvação deles, da qual, cuja glória plena será revelada no último tempo (v. 5).
Os cristãos exultam no Espírito, por causa desta esperança, embora sejam contristados por várias provações (que produzem tristeza em seus corações juntamente com a alegria espiritual que eles sentem por causa da sua esperança), conforme Deus julgue necessário para o aperfeiçoamento da fé deles, para que aprendam a serem perseverantes e venham a ser amadurecidos espiritualmente, de maneira que pela evidência da obra transformadora de suas vidas por Jesus Cristo, em santidade, isto Lhe traga louvor, glória e honra na Sua vinda (v. 6, 7).
É a provação desta fé pelo fogo que a fortalece e a faz crescer em graça, de modo que o Jesus invisível se tornará cada vez mais real e operante na vida do cristão, implantando nele as Suas virtudes divinas, e isto fará com que ele exulte com alegria indescritível e cheia de glória, por saber estar alcançando o objetivo da sua fé, que é a salvação da sua alma (v. 8, 9).
A salvação por meio da fé em nosso Senhor Jesus Cristo, na dispensação da graça, havia sido prenunciada pelos profetas do Antigo Testamento (v. 10), e eles procuraram saber pelo Espírito Santo, que estava neles, em que tempo ou ocasião haveria de ocorrer os sofrimentos de Cristo e a glória que haveria de seguir a tais sofrimentos (v. 11).
Mas foi revelado a eles que isto não ocorreria nos dias em que viveram, a saber no Velho Testamento, e que a promessa do derramar do Espírito Santo em todas as nações, para a pregação do evangelho, não ocorreria nos seus dias, mas foi para os cristãos que viveriam na dispensação da graça, que eles prenunciaram as coisas relativas ao evangelho que lhes havia sido pregado por aqueles que lhes falaram sendo instrumentos do Espírito Santo, que começou a ser derramado do céu desde o dia do Pentecostes.
Para esta pregação no poder do Espírito Santo, até mesmo os anjos gostariam de participar, mas este privilégio foi dado por Deus aos cristãos (v.12).
Em face de toda a obra realizada por Deus em favor dos Seus eleitos, e do propósito da sua vocação (chamada) pelo Espírito, o apóstolo descreve a partir do verso 13, quais são as coisas em que devem se empenhar para serem e fazerem, para o inteiro agrado de Deus.
Em primeiro lugar, devem procurar renovar as suas mentes, com sobriedade, e viver pela graça que lhes está sendo oferecida por meio da revelação de Jesus Cristo.
Eles já receberam uma certa medida de graça na regeneração, quando nasceram de novo do Espírito Santo, na conversão, mas esta graça deve aumentar em graus em suas vidas, conforme é do propósito de Deus (v. 13).
A mente do cristão deve estar cingida com a verdade da Palavra de Deus, a qual deve ser aplicada à sua vida, porque ele tem agora uma luta a travar contra o diabo, contra a carne e contra as seduções do mundo, uma vez que tendo se convertido das trevas para a luz, e do domínio de Satanás para o do Senhor, foi confirmado como eleito de Deus para a salvação eterna em Cristo Jesus.
E tem também todo um reino infinito espiritual para lhe ser revelado no espírito, e do qual se dará conta através da sua mente, ainda que ela não possa compreender todas as coisas sobrenaturais que excedem ao entendimento natural.
Devem também os cristãos viver como filhos obedientes a Deus e a toda a Sua vontade, não mais se conformando aos desejos e paixões que tinham antes da sua conversão.
Eles devem deixar efetivamente para trás o seu antigo modo de vida pecaminoso, no qual viveram quando eram ignorantes da vontade de Deus (v. 15).
Não somente devem deixar o antigo modo de vida, como também se santificarem em todo o seu procedimento, porque Aquele que lhes chamou é inteiramente santo e, a Escritura dá testemunho desta verdade de que Deus é santo (v.15,16).
Ao dizer que devemos ser santos, porque Deus é santo, o apóstolo quis dizer que nós devemos imitar a Deus como filhos amados que somos.
Fomos salvos para este supremo propósito de sermos santos como o nosso Pai é santo.
Sabendo que o nosso Pai é o Juiz de vivos e de mortos, e que julga sem fazer acepção de pessoas, devemos então andar em temor perante Ele, na busca desta santidade de vida, durante todo o tempo da nossa peregrinação neste mundo (v. 17).
E o grande argumento apresentado pelo apóstolo para o temor que devemos ter diante de Deus é o de que fomos comprados por Cristo para Deus, não com prata ou ouro, mas pelo Seu precioso sangue.
Ele nos redimiu pagando com Sua morte na cruz o preço exigido para satisfazer inteiramente à justiça de Deus, para nos livrar da culpa do nosso pecado (v. 18,19).
Pedro havia sido testemunha ocular da ressurreição de Jesus e podia dar tanto o seu testemunho por fé quanto por vista, dAquele que sempre existiu e que foi conhecido nos céus antes da fundação do mundo, e que se manifestou neste tempo final da graça, por amor à humanidade, para que por meio da fé nEle se possa ter uma esperança firme e segura da salvação, porque não temos um Salvador e Senhor que nos tenha sido dado sendo deste mundo, mas Alguém que era do céu e que já existia antes mesmo da fundação do mundo (v. 20, 21).
Já que os cristãos têm um tal Salvador e Senhor por meio do qual puderam ter suas almas purificadas do pecado, pela obediência à verdade que lhes foi pregada, obediência esta que conduz ao amor fraternal verdadeiro, então é seu dever permanecerem neste amor espiritual, amando-se mútua e fervorosamente no Espírito (v. 22).
Os cristãos nasceram de novo pela Palavra da verdade do evangelho, que é qual um princípio vivo e permanente que existe numa semente, pronto para gerar uma nova vida.
Esta semente de vida eterna não pode morrer e sempre gerará vida abundante toda vez que for devidamente semeada no solo de um coração fértil, que tenha sido arado pelas provações.
Esta nova vida recebida do céu é espiritual e eterna.
Ela não é como aquilo que é gerado pela carne e morre, porque o que é nascido da carne é carne, e a carne para nada aproveita para os propósitos eternos de Deus, que se cumprem somente se vivendo no espírito, porque o que é nascido do espírito é espírito, e vive para sempre, porque o espírito é o que vivifica e permanece eternamente.
A glória desta vida espiritual, que é gerada pelo Espírito Santo, não somente aumenta como há de permanecer para sempre.
Mas a glória de tudo o que se faz na carne é passageira, assim como a flor da erva, que cai quando a erva seca.
A palavra que nos salvou há de permanecer para sempre porque ela provém do céu, e nos foi dada por revelação do Espírito Santo.
Tal é o caráter do evangelho, da palavra da fé que pregamos, a qual é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (v. 23 a 25).


“1 Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia.
2 eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
4 para uma herança incorruptível, sem mácula e imarcescível, reservada nos céus para vós,
5 que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo;
6 na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações,
7 para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;
8 a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com alegria inefável e cheia de glória,
9 alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
10 Desta salvação inquiriram e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada,
11 indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.
12 Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos bem desejam atentar.
13 Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo.
14 Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância;
15 mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento;
16 porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.
17 E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação,
18 sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais,
19 mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,
20 o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós,
21 que por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.
22 Já que tendes purificado as vossas almas na obediência à verdade, que leva ao amor fraternal não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros,
23 tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece.
24 Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;
25 mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi evangelizada.” (I Pedro 1.1-25)

Silvio Dutra

O Templo de Salomão – I Reis 6

Nós lemos o seguinte no sétimo versículo do sexto capítulo de I Reis:
“E edificava-se a casa com pedras lavradas na pedreira; de maneira que nem martelo, nem machado, nem qualquer outro instrumento de ferro se ouviu na casa enquanto estava sendo edificada.”.
A planta do templo havia sido dada por Deus, por escrito, em todos os seus detalhes, a Davi (I Crôn 28.19), e este a entregou a Salomão antes da sua morte (I Crôn 28.11-19).
Não seria portanto, o gênio de Salomão que idealizaria como seria a casa do Senhor, pois será sempre o próprio Deus que determinará as condições e critérios para a construção da Sua casa, e isto se aplica especialmente à edificação da Igreja de Cristo, cuja planta se encontra na Bíblia.
Como as pedras eram lavradas nas próprias pedreiras em que eram cortadas, de maneira a serem encaixadas perfeitamente na posição em que deveriam ser colocadas no templo, podemos inferir que houve necessidade de um grande trabalho de planejamento, tanto de engenharia, quanto de arquitetura, para a construção do templo.
Nisto, certamente trabalhou a sabedoria de Salomão e a dos sábios de Israel e de Tiro.
De igual modo, foi a infinita sabedoria de Deus, consumada por Cristo e pelo Espírito Santo, que planejou e está executando o trabalho de edificação da Igreja, que é o templo eterno do Senhor, que está sendo construído com pedras vivas, através do trabalho dos pastores, aos quais Deus tem dado conhecimento e inteligência espiritual, para a realização deste trabalho de construção de um templo que é também espiritual.
Há um grande ensino para a Igreja quanto ao modo como o templo de Salomão deveria ser edificado, seguindo tudo o que Deus havia ordenado a Davi na planta que lhe dera.
Há portanto, um modo para se edificar a Igreja do Senhor, que já foi estabelecido por Ele próprio, e cuja planta se encontra na Bíblia.
Muito se fala hoje em dia sobre a necessidade de se ajustar a mensagem do evangelho a cada tipo de cultura, em se adaptar a doutrina de modo que possa se tornar palatável ao gosto das pessoas.
Entretanto, a mensagem não pode ser alterada.
A mensagem é uma só e a mesma, e sempre o será, porque as Palavras do Senhor não passarão eternamente.
É a cultura que deve se render à mensagem e não a mensagem à cultura.
È a humanidade que deve ser cristianizada, e não humanizado o cristianismo.
Em suma, não é Deus que deve se ajustar à vontade do homem, mas o homem que deve se ajustar à vontade de Deus.
As pedras eram levadas prontas para serem encaixadas, de modo que não se ouvisse barulho enquanto o templo ia sendo erigido.
O Espírito Santo faz um trabalho silencioso nos corações, e é em paz que Ele efetua a conversão dos pecadores, e já os traz prontos, pela regeneração, para serem acrescentados ao grande edifício de pedras vivas que é a Igreja.
A construção deste edifício para a habitação de Deus deve ser feita em paz, porque Ele é Deus de paz e só habita onde há paz.
Não deve haver ruído no ajuste e preparo das pedras. Isto significa não somente que a unidade delas é estabelecida somente pela paz, como também que não deve haver discórdia entre elas quanto à doutrina, porque subentende-se que esta, sendo uma só e verdadeira, deve ter sido aceita antecipadamente por todos.
A doutrina é algo para ser aceito pela fé e para ser debatido, de modo que não haja rupturas na unidade e na comunhão do edifício espiritual.
Então entendemos que os pastores devem ter sido preparados para a realização desta obra espiritual, que demandará deles muita sabedoria e inteligência e conhecimento espiritual, para liderarem o rebanho sobre o qual o Espírito Santo lhes constituiu como líderes, tendo em vista, especialmente, o exercício da disciplina na Igreja, que sendo realizada sem esta sabedoria, pode causar muito ruído e escândalo.
Assim, os ministros necessitam deste preparo no conhecimento das coisas relativas à casa de Deus, que é a Igreja, para que possam discernir entre o bem e o mal, e julgarem segundo a reta justiça.
Sem isto, é possível condenar um inocente e não repreender um malfeitor da membresia da Igreja.
Quando, por exemplo, Paulo disse “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.”, em I Cor 5.13, ele estava se referindo a um crente que vivia incestuosamente com a mulher do seu pai, e não havia se arrependido do seu pecado e ao que parece havia determinado continuar deliberadamente na sua prática.
Vemos então, que se faltar ao pastor este conhecimento, é possível que ele venha a excluir da comunhão dos santos alguém que tenha se arrependido do seu pecado e abandonado a sua prática, a pretexto de ser zeloso, pela santidade do Senhor e do Seu povo.
Neste caso, a disciplina divina requer que o arrependido seja imediatamente perdoado e aceito, em face do arrependimento demonstrado.
As consequências do pecado que ele praticou é um assunto exclusivo para o Senhor, porque certamente colherá o que semeou, mas não cabe à Igreja, efetivamente, qualquer medida revanchista, e muito menos vingativa, depois de ter manifestado o seu arrependimento.
O templo começou a ser edificado no 4º ano do reinado de Salomão, que correspondia ao 480º ano da saída dos israelitas do Egito, com Moisés, e foi concluído no 11º ano do reinado de Salomão, sendo gastos portanto, sete anos para a sua construção (v. 1, 3, 38).
Pelos versículos 2 e 3 nós vemos que as dimensões do templo eram as seguintes:
CASA TOTAL (com Lugar Santo e Santo dos Santos):
30 metros de comprimento, por 10 metros de largura, e 15 metros de altura (v. 2).
SANTO DOS SANTOS:
10 metros de comprimento; por 10 metros de largura, e 10 metros de altura (v. 29).
Observe que havia um vão de 5 metros entre o teto do Santo dos Santos e o da Casa que o continha.
As referências às janelas, escadas, e aos andares e cômodos, diziam respeito à casa que abrigava o Santo dos Santos, sendo todo o espaço ao redor deste considerado como o Lugar Santo.
Como a casa tinha 15 metros de altura ela pôde abrigar três andares (I Reis 6.10) que eram acessados por escadas em forma de espiral (v. 5,8).
E estes andares abrigavam câmaras para guardarem os utensílios e tesouros do templo, e para abrigar os sacerdotes, na preparação deles para o exercício do seu ofício (v. 5,6).
O Santo dos Santos ficava ao fundo da casa, sendo um cubo de 10 metros de lado, de modo que da sua entrada até à da casa propriamente dita que o abrigava, havia um espaço de 20 metros de comprimento (v. 17).
As paredes internas da casa eram cobertas de tábuas de cedro, inclusive o teto, sendo que o assoalho foi revestido com tábuas de cipreste (v. 15).
Estas tábuas tinham entalhes de flores abertas (v. 18).
Dois querubins entalhados em madeira de oliveira, com 5 metros de altura, e colocados um ao lado do outro, com as asas abertas, tocando as extremidades das asas na paredes e uma na outra, cobria toda a extensão de 10 metros de uma à outra parede do Santo dos Santos, e eles ficavam bem ao centro do mesmo, sendo a arca da aliança colocada sob o ponto em que as asas deles se encontravam, e estes querubins eram todos revestidos de ouro (v. 23 a 28; cap 8.6,7).
De igual modo, as tábuas das paredes, bem como do piso, eram revestidas de ouro, assim como o altar de incenso que ficava defronte do Santo dos Santos (v. 21,22, 30).
Todas as paredes eram adornadas com gravuras de querubins, palmeiras e flores abertas (v. 29).
Os querubins representavam a adoração ao Senhor e a guarda da Sua santidade; as palmeiras, a justiça de Deus, que é imputada àqueles que dEle se aproximam; e as flores, a beleza da Sua santidade.
As portas, tanto do Santo dos Santos, quanto da casa, eram de madeira de oliveira e compostas de duas folhas (partes) que eram sustentadas por dobradiças.
Estas portas eram também revestidas de ouro como o cedro da parede, e o cipreste do piso (v. 31 a 35).
Enquanto construía o templo, Salomão foi incentivado a prosseguir na construção pelo Senhor (v. 11 a 13), e para que a suntuosidade da obra não ofuscasse a necessidade de que ele andasse na presença de Deus, guardando os Seus estatutos, mandamentos e juízos, Ele disse a Salomão que habitaria no meio do Seu povo caso ele o obedecesse, mas caso Salomão viesse a transgredir os Seus estatutos, mandamentos e juízos, não seria a suntuosidade daquela casa que garantiria a habitação do Senhor no meio de Israel, como de fato não garantiu, quando o povo se desviou da Sua presença e o templo foi destruído por Nabucodonozor, rei de Babilônia em 586 a .C.
Isto nos mostra de modo muito claro que Deus não está tão interessado nos edifícios que construímos para o Seu serviço, quanto está na edificação da nossa própria vida espiritual.
Não é aquilo que construímos no exterior e que os homens podem destruir, que nos recomenda a Ele e garante a Sua presença em nosso viver, senão aquilo que construímos no nosso próprio interior, mediante o cumprimento dos Seus mandamentos e que faz para Ele um lugar de habitação Santo e eterno, que ninguém pode roubar ou destruir.
“16 Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?
17 Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós.” (I Cor 3.16, 17).
O que o homem pode destruir é a parte de barro do edifício, que é este nosso corpo terreno, mas quem o fizer, não deixará de receber a justa retribuição da parte do Senhor, mas o homem e nem o diabo podem tocar no santuário edificado por Deus no espírito do cristão, de modo que possam lhe produzir algum dano eterno.






“1 Sucedeu, pois, que no ano quatrocentos e oitenta depois de saírem os filhos de Israel da terra do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de zive, que é o segundo mês, começou-se a edificar a casa do Senhor.
2 Ora, a casa que e rei Salomão edificou ao Senhor era de sessenta côvados de comprimento, vinte côvados de largura, e trinta côvados de altura.
3 E o pórtico diante do templo da casa era de vinte côvados de comprimento, segundo a largura da casa, e de dez côvados de largura.
4 E fez para a casa janelas de gelósias fixas.
5 Edificou andares em torno da casa, contra a parede, tanto do templo como do oráculo, fazendo assim câmaras laterais ao seu redor.
6 A câmara de baixo era de cinco côvados, a do meio de seis côvados, e a terceira de sete côvados de largura. E do lado de fora, ao redor da casa, fez pilastras de reforço, para que as vigas não se apoiassem nas paredes da casa.
7 E edificava-se a casa com pedras lavradas na pedreira; de maneira que nem martelo, nem machado, nem qualquer outro instrumento de ferro se ouviu na casa enquanto estava sendo edificada.
8 A porta para as câmaras laterais do meio estava à banda direita da casa; e por escadas espirais subia-se ao andar do meio, e deste ao terceiro.
9 Assim, pois, edificou a casa, e a acabou, cobrindo-a com traves e pranchas de cedro.
10 Também edificou os andares, contra toda a casa, de cinco côvados de altura, e os ligou à casa com madeira de cedro.
11 Então veio a palavra do Senhor a Salomão, dizendo:
12 Quanto a esta casa que tu estás edificando, se andares nos meus estatutos, e executares os meus preceitos, e guardares todos os meus mandamentos, andando neles, confirmarei para contigo a minha palavra, que falei a Davi, teu pai;
13 e habitarei no meio dos filhos de Israel, e não desampararei o meu povo de Israel.
14 Salomão, pois, edificou aquela casa, e a acabou.
15 Também cobriu as paredes da casa por dentro com tábuas de cedro; desde o soalho da casa até e teto, tudo cobriu com madeira por dentro; e cobriu o soalho da casa com tábuas de cipreste.
16 A vinte côvados do fundo da casa fez de tábuas de cedro uma divisão, de altura igual à do teto; e por dentro a preparou para o oráculo, isto é, para a lugar santíssimo.
17 E era a casa, isto é, o templo fronteiro ao oráculo, de quarenta côvados de comprido.
18 O cedro da casa por dentro era lavrado de botões e flores abertas; tudo era cedro; pedra nenhuma se via.
19 No meio da casa, na parte mais interior, preparou o oráculo, para pôr ali a arca do pacto do Senhor.
20 E o oráculo era, por dentro, de vinte côvados de comprimento, vinte de largura e vinte de altura; e o cobriu de ouro puro. Também cobriu de cedro o altar.
21 Salomão, pois, cobriu a casa por dentro de ouro puro; e estendeu cadeias de ouro diante do oráculo, que cobriu também de ouro.
22 Assim cobriu inteiramente de ouro a casa toda; também cobriu de ouro todo o altar do oráculo.
23 No oráculo fez dois querubins de madeira de oliveira, cada um com dez côvados de altura.
24 Uma asa de um querubim era de cinco côvados, e a outra de cinco côvados; dez côvados havia desde a extremidade de uma das suas asas até a extremidade da outra.
25 Assim era também o outro querubim; ambos os querubins eram da mesma medida e do mesmo talho.
26 Um querubim tinha dez côvados de altura, e assim também o outro.
27 E pôs os querubins na parte mais interior da casa. As asas dos querubins se estendiam de maneira que a asa de um tocava numa parede, e a do outro na outra parede, e as suas asas no meio da casa tocavam uma na outra.
28 Também cobriu de ouro os querubins.
29 Quanto a todas as paredes da casa em redor, entalhou-as de querubins, de palmas e de palmas abertas, tanto na parte mais interior como na mais exterior.
30 Também cobriu de ouro o soalho da casa, de uma e de outra parte.
31 E para a entrada do oráculo fez portas de madeira de oliveira; a verga com os umbrais faziam a quinta parte da parede.
32 Assim fez as duas portas de madeira de oliveira; e entalhou-as de querubins, de palmas e de flores abertas, que cobriu de ouro também estendeu ouro sobre os querubins e sobre as palmas.
33 Assim também fez para a porta do templo umbrais de madeira de oliveira, que constituíam a quarta parte da parede;
34 E eram as duas partes de madeira de cipreste; e as duas folhas duma porta eram dobradiças, como também as duas folhas da outra porta.
35 E as lavrou de querubins, de palmas e de flores abertas; e as cobriu de ouro acomodado ao lavor.
36 Também edificou o átrio interior de três ordens de pedras lavradas e de uma ordem de vigas de cedro.
37 No quarto ano se pôs o fundamento da casa do Senhor, no mês de zive.
38 E no undécimo ano, no mês de bul, que é o oitavo mês, se acabou esta casa com todas as suas dependências, e com tudo o que lhe convinha. Assim levou sete anos para edificá-la.” (I Rs 6.1-38).

Silvio Dutra

Uma Questão de Vida e Não de Religião

O primeiro versículo do segundo capítulo de I João nos mostra de forma muito direta e clara qual é o caráter da santificação evangélica, isto é, a santidade que temos por meio da fé no evangelho, e não por tê-la na nossa própria natureza terrena.
João mostra que o caráter desta santificação é uma posição firme e resoluta contra qualquer forma de pecado:
“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis;” (v. 1a).
Mas como ainda estamos na carne neste mundo ele admite que sempre haverá necessidade de se mortificar o pecado, pelo trabalho de crucificação do carregar diário da cruz, e da confiança no trabalho de Cristo como nosso Sumo Sacerdote e Advogado à direita do Pai.
Então ele diz:
“mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” (v. 1b).
Aqui se demonstra melhor o caráter da santificação evangélica, a saber, o fato de termos em Cristo um intercessor e um mediador para a purificação de todos os nossos pecados.
Então há esta oportunidade para uma constante restauração e renovação espiritual, que está baseada no sangue que Jesus derramou por nós na cruz, e no seu trabalho como nosso Advogado à direita do Pai.
Assim temos esperança e confiança apesar de nos ser exigido que não se faça qualquer concessão ao pecado, ou que se tenha qualquer atitude indulgente em relação às nossas fraquezas, as quais são obras da carne, do velho homem, porque a nova criatura é perfeita em santidade, e caso estivéssemos de fato andando no Espírito, não estaríamos vivendo em pecados, produzidos pela carne.
Por isso é requerida plena diligência, daqueles que querem agradar a Deus e serem usados por Ele na obra do evangelho (II Timóteo 2.21-26).
Aliás, este é o modo de vida que está proposto por Deus para todos os cristãos, de forma que João se dirigiu a todos eles quando lhes exortou a não pecarem.
Porque o pecado, o diabo e o mundo nos assediam bem de perto, sempre esperando a oportunidade de nos levar a pecar.
Requer constante vigilância e oração para um viver vitorioso sobre a carne, para que a carne seja mantida na condição de ter sido crucificada em nós juntamente com suas paixões e cobiças, pela nossa identificação com a morte de Cristo.
Disto depende a manutenção da nossa preciosa comunhão com o Deus Altíssimo.
Os cristãos podem se aproximar com confiança para serem purificados de seus pecados, porque há um Advogado de defesa no tribunal celestial constituído para defendê-los das acusações de Satanás contra eles, por causa dos seus pecados.
Cristo não perderá uma só causa daqueles que se aproximam dEle pedindo que seus pecados sejam perdoados.
Ele os perdoará, defenderá e absolverá.
Não há outro Advogado que possa defender a nossa causa porque somente Cristo morreu por nós.
Ele é a propiciação pelos nossos pecados que foi inteiramente aceita pelo Pai, isto é, Ele próprio foi a única oferta que Deus aceitou como sacrifício para satisfazer inteiramente a Sua justiça que determina a morte espiritual do pecador (morte espiritual = falta de conhecimento de Deus e de comunhão com Ele).
Morrendo no nosso lugar, Cristo satisfez então inteiramente à justiça de Deus.
É neste sentido que Ele não é somente a propiciação pelos pecados dos que se encontravam salvos nos dias de João, mas de todos aqueles que viessem a se salvar depois deles (I João 2.2a).
João falou sobre o modo como os cristãos devem caminhar neste mundo, a saber, na luz.
De maneira que aquele que diz que está andando na luz, deve viver e agir conforme está prescrito na Palavra de Deus.
Jesus deixou mandamentos para serem guardados pelos seus discípulos.
Estes mandamentos foram registrados pelos apóstolos nos Evangelhos e nas epístolas, enquanto viviam, de modo que o testemunho da verdade permanecesse entre nós, em todas as épocas da história da Igreja.
Cristo requer obediência a esta Palavra que Ele ordenou que deveria ser guardada por nós.
A falta de obediência a esta Palavra impede o conhecimento e o crescimento neste conhecimento de Cristo (I Jo 2.3).
João acrescenta o argumento de que aquele que diz que tem conhecido a Cristo, mas que não guarda efetivamente os Seus mandamentos é mentiroso, porque não está andando na verdade (v. 4), uma vez que a única verdade relativa à vida com Deus está somente na Palavra de Cristo, e se nós não estamos guardando esta Palavra, dá-se, por conseguinte que não estamos vivendo na verdade, em vidas santificadas, mas no erro, de um viver segundo a carne.
Não mentimos que não temos a vida do Espírito, porque como cristãos a possuímos, mas mentimos quanto ao fato de dizermos que andamos na luz, ou seja, no Espírito, porque se estivéssemos andando no Espírito, as obras da carne não prevaleceriam sobre nós.
Assim é somente naqueles que guardam a Palavra de Cristo que o amor de Deus é aperfeiçoado, porque revelará e manifestará somente a estes a Sua graça e poder.
Segundo João é por este meio que podemos saber que estamos de fato no Senhor, porque aquele que diz que está nEle, deve ser um imitador de Cristo quanto ao modo de vida que Ele viveu (v. 5, 6).
A graça produz somente santidade.
A nova criatura não tem pecado, ou seja, a nova natureza recebida do Espírito Santo na conversão.
Assim, se estamos vivendo segundo a nova natureza, comprovamos que temos vencido o pecado, porque este é o único modo dele ser vencido.
Então é nisto que consiste o caminhar na luz referido pelo apóstolo no capítulo anterior.
O Espírito Santo revelará aos que caminham de tal modo o real significado dos mandamentos de Cristo, e lhes capacitará a viverem em conformidade com estes mandamentos, como por exemplo, o de se auto-negarem, carregarem a cruz, e seguirem a Cristo diariamente, sobretudo o de serem batizados e cheios do Espírito, e de andarem no Espírito para serem purificados, renovados e capacitados com poder para fazer a vontade de Deus, abundando em boas obras.
Muitos alegam terem grande conhecimento dos mistérios divinos; e conseguem fazer com que muitas pessoas fiquem aprisionadas às suas imaginações sedutoras, mas não é tanto ao que afirmam que devemos dar atenção, mas ao fruto da vida destas pessoas, se está de acordo com os mandamentos de Cristo.
É pelo fruto que se conhece a árvore.
Certamente, se o seu caminhar não é um caminhar segundo Cristo, e não andam como Ele andou; as palavras não serão também inteiramente correspondentes à verdade, porque Deus não lhes concederá o verdadeiro conhecimento que é possível somente por iluminação do Espírito.
Logo, quem está andando na luz é porque está obedecendo à verdade; não a verdade que se alega ser a verdade, por se imaginar na mente o que ela seja, e que não está plenamente em conformidade com o verdadeiro significado da revelação escrita na Bíblia, que importa ser conhecido por revelação do Espírito Santo ao nosso espírito.
Sem esta iluminação do Espírito todo o nosso conhecimento das Escrituras pode ser falso ou ineficaz.
Por isso há muitos que se declaram ortodoxos, e fazem muitas feridas nas almas de homens piedosos com o seu falso conhecimento ineficaz, porque é mera letra segundo a sua própria compreensão carnal, de uma Palavra que é espírito e vida, e que importa ser aprendida e vivida em humildade e submissão a Cristo, para que se tenha a instrução, direção e capacitação do Espírito para não somente entendê-la, mas também praticá-la.
Uma das características apontadas por João como conhecimento e prática verdadeiros da Palavra é o aperfeiçoamento no amor de Deus (v. 5), não no amor natural, mas no amor espiritual de Deus.
No amor ágape.
Isto significa que aquele que tem realmente obedecido a Palavra terá isto manifestado num viver sobrenatural em amor a Deus e a seus irmãos em Cristo.
Um amor de comunhão espiritual como o apóstolo se referiu no primeiro capitulo, porque está de fato caminhando na luz e na verdade.
Jesus colocou um desprezo no amor natural que é inconstante e mutável, que pode inclusive se transformar em ódio, quando disse que aqueles que amam aos que lhes amam nada fazem demais com isto, porque este é o amor natural que se manifesta somente quando tudo vai bem no relacionamento.
Mas, para mostrar que é preciso amar com um amor superior a este e que permanece para a eternidade, ele disse que devemos amar os nossos inimigos, porque somente com o amor espiritual que procede de Deus é possível amá-los (Mt 5.44-48).
Um dos grandes inimigos e impedimento para o amor cristão é o amor ao mundo.
Por isso o apóstolo alertou os cristãos quanto a isto nos versos 12 a 17.
Os cristãos tiveram os seus pecados perdoados por Cristo (v. 12).
Especialmente os cristãos maduros têm conhecido o modo pelo qual importa que Deus seja servido, por terem as suas faculdades exercitadas para discernirem tanto o bem quanto o mal, e por isso João os chama de pais, porque são como verdadeiros chefes da família de Cristo (v. 13a).
Os jovens, apesar de não terem a mesma experiência, têm, tanto quanto eles, já vencido o Maligno, porque todos os que estão em Cristo não estão mais sob o domínio de Satanás, já não pertencem mais ao seu reino de trevas (v. 13 b).
Mas, apesar deste conhecimento de Cristo, desta vitória sobre os poderes das trevas, desta força na graça do Senhor, os cristãos devem se guardar de muitas coisas para permanecerem num viver de verdadeira vitória espiritual, e uma destas coisas é se guardarem de amar o mundo (v. 15 a 17).
Todos devem se guardar do fascínio das coisas que há no mundo, tanto cristãos jovens quanto velhos, experientes e inexperientes, porque é possível apagar o amor de Deus em nossos corações por causa deste amor ao mundo.
Tudo aquilo que nós amarmos acima de Deus passa a ser idolatria e ele não pode tolerar isto porque deve ser amado acima de todas as coisas.
O amor ao mundo é inconsistente com o amor de Deus.
Ninguém pode amar a dois senhores. Ou se ama ao Senhor ou às riquezas. Deus é completamente incompatibilizado com Mamon.
Nós somos provados na nossa fé e no nosso amor ao Senhor pelas coisas que há no mundo, de modo que demonstremos na prática se amamos mais as criaturas do que ao Criador.
Se é o mundo que recebe a maior parte dos nossos afetos, consequentemente nós deixaremos o Senhor num segundo plano, e isto é inverter a ordem da criação, porque importa que Ele tenha a maior parte dos nossos afetos, para que possamos ter os nossos afetos pelas demais pessoas e coisas manifestado numa forma equilibrada e ordenada.
Por isso Jesus disse que não somos dignos dele, e não poderemos segui-lo, se amarmos mais aos nossos entes queridos e até a nós mesmos, mais do que a Ele.
Depois de ter alertado a Igreja quanto ao perigo do amor ao mundo, João falou do mistério da iniquidade, daqueles que têm um espírito anticristo aos quais João chamou de anticristos, porque o escárnio e blasfêmias deles contra tudo o que é de Deus e que é santo será revelado em toda a sua força e plenitude quanto o Anticristo se manifestar sobre a terra.
Assim, estes blasfemadores, desde há muito, estão preparando o caminho para ele.
Estes são aqueles que foram plantados como joio na Igreja pelo Inimigo para o propósito mesmo de aprenderem sobre as coisas de Deus para logo depois saírem blasfemando contra estas coisas (v. 18,19).
Não são poucos aqueles que ao longo da história da Igreja têm agido desta forma a serviço de Satanás para o seu grande propósito de blasfemar de modo contundente e generalizado no futuro contra o nome de Deus em toda a terra através do Anticristo e dos seus seguidores.
É por esta razão que vemos a iniquidade se multiplicando, e não diminuindo, à medida que o tempo tem avançado.
Estes que apostataram do seio da Igreja e saíram falando contra Cristo, na verdade nunca O conheceram, e eram hipócritas na profissão de fé que fizeram (v. 19).
Finalmente, o apóstolo advertiu contra o perigo da apostasia de verdadeiros cristãos, por se deixarem arrastar pelo erro destes insubordinados (v. 20 a 29).
Os cristãos verdadeiros têm a unção do Espírito Santo e conhecem a verdade conforme são ensinados pelo Espírito.
Portanto devem permanecer naquilo que ouviram dos apóstolos (e que hoje temos na forma escrita, como nesta epístola de João).
É permanecendo na Palavra do Senhor que permanecemos nEle (v. 24, 27).
Por isso Jesus disse que se nós permanecêssemos na Sua Palavra, permaneceríamos consequentemente nEle e no Seu amor (João 15.7-10).
Os cristãos devem permanecer na unção do Espírito que lhes ensina a verdade de Deus, para que não venham a ser enganados (v. 26).
Se entristecerem o Espírito com os seus pecados, por um viver carnal, não poderão contar com a permanência nesta unção.
O assunto da nossa relação com Cristo Jesus é vida eterna (v. 25) e por isso não devemos nos deixar entreter ou enganar por meros debates relativos à religião que nos afastem deste alvo supremo da promessa de Deus para os cristãos em Cristo Jesus.
Ninguém se iluda com um ensino que glorifica a Deus Pai e que desonra a Jesus Cristo, porque o próprio Pai tem determinado que será honrado pela honra que for dada ao Filho (João 5.23).
Tal é o ensino de muitos que rebaixam a Cristo da sua condição de verdadeiro Deus que Ele é, junto com o Pai e o Espírito Santo.
Por isso João afirmou no verso 23 deste capítulo:
“Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.”
Isto é mais do que confissão religiosa, porque é confissão de testemunho em progresso em santificação por permanecer na verdade da Palavra por meio do poder do Espírito.
É assim que o cristão deve viver: se preparando para o seu encontro com o Senhor.
Santificação é um assunto de permanecer no Senhor, santos, inculpáveis e irrepreensíveis (v. 28) para que Ele seja glorificado no modo pelo qual vivemos neste mundo demonstrando a eficácia do poder operante da Sua graça em nós.
Esta santificação consiste num caminhar na justiça do evangelho, assim como o nosso Senhor é justo (v. 29).
Aquele no qual estiverem faltando estas coisas será vã a sua religião, por mais religioso que ele possa ser.




“1 Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.
2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.
3 E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos.
4 Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade;
5 mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele;
6 aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou.
7 Amados, não vos escrevo mandamento novo, mas um mandamento antigo, que tendes desde o princípio. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes.
8 Contudo é um novo mandamento que vos escrevo, o qual é verdadeiro nele e em vós; porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz.
9 Aquele que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas.
10 Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço.
11 Mas aquele que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai; porque as trevas lhe cegaram os olhos.
12 Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados por amor do seu nome.
13 Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque vencestes o Maligno.
14 Eu vos escrevi, filhinhos, porque conheceis o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Eu escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno.
15 Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
16 Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo.
17 Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.
18 Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora.
19 Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos.
20 Ora, vós tendes a unção da parte do Santo, e todos tendes conhecimento.
21 Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade.
22 Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho.
23 Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.
24 Portanto, o que desde o princípio ouvistes, permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também vós permanecereis no Filho e no Pai.
25 E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.
26 Estas coisas vos escrevo a respeito daqueles que vos querem enganar.
27 E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei.
28 E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda.
29 Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.”.

Silvio Dutra

Vencer Oposições para Fazer a Vontade de Deus – Esdras 5

Nós vimos no último versículo do quarto capítulo, anterior a este quinto de Esdras, que estaremos comentando, que as obras do templo foram paralisadas por determinação do rei persa, por instigação dos samaritanos.
Neste quinto capítulo nós vemos os judeus sendo exortados pelos profetas Ageu e Zacarias a reiniciarem as obras que haviam sido paralisadas.
Há muitos princípios a serem aprendidos em relação a tudo isto, e nós estaremos analisando isto de modo detalhado nas linhas seguintes.
Primeiro, devemos considerar que os judeus estavam debaixo do governo e domínio da Pérsia, e seguiram a norma bíblica de obedecerem às autoridades, quando não tentaram se insurgir pelo uso das armas contra a Pérsia, ao serem impedidos de prosseguir na reconstrução do templo, e se sujeitaram à providência divina.
Alguns teriam pegado em armas em nome da fé, mas naquela situação, a fé demandava obediência ao poder governante, no caso a Pérsia, porque era pela permissão divina que os persas estavam dominando o mundo, tal como Babilônia, antes deles.
Isto explica porque Jesus nem os apóstolos proferiram uma só palavra contra a dominação romana, porque ela havia sido prevista nos conselhos de Deus, conforme revelado através do profeta Daniel.
Sobre este princípio de se estar sujeito à autoridade, pela vontade de Deus, ainda temos algumas coisas a falar; entretanto, é necessário enfocar que quando a autoridade terrena tenta impedir uma determinação específica provinda diretamente de Deus, como foi o caso da libertação dos judeus de Babilônia e da reconstrução do templo em Jerusalém, importa antes obedecer a Deus do que aos homens, tal como ocorreu nos dias dos apóstolos, quando as autoridades de Israel, na pessoa dos sacerdotes, tentaram impedi-los de pregar o evangelho.
A construção do templo, naquela ocasião, tal como o evangelho nos dias dos apóstolos e nos nossos próprios dias, configurava o testemunho do cumprimento da vontade de Deus perante todas as nações.
Não admira portanto, que o Senhor tivesse levantado os profetas Ageu e Zacarias, para exortarem os judeus a se lançarem à obra de reconstrução que havia sido paralisada.
Eles deveriam se entregar à execução da tarefa sem se insurgirem contra as autoridades constituídas da Pérsia, porque aos servos de Deus convém serem mansos para com todos, na expectativa que se arrependam e cheguem ao conhecimento da verdade.
Não lhes convém contenderem, especialmente com as autoridades que procedem de Deus.
Como bem se expressou D. M. Lloyd Jones a respeito de ser dever do cristão suportar ofensas sem protestar: “O cristão não deve se preocupar com as ofensas nem com as defesas pessoais. Porém quando é questão de honra, de justiça, da verdade, deve se preocupar e protestar. Quando não se honra a lei, quando ela é violada a olhos vistos, não por interesse pessoal, nem para se proteger a si mesmo, atua como cristão em Deus, como alguém que crê que em última instância toda lei procede de Deus.”.
Ele prossegue dizendo que “nosso Senhor condena todo ressentimento que possamos sentir contra o governo legítimo de nosso país. O governo que está no poder tem o direito de fazer estas coisas, e nosso dever é cumprir a lei. Devemos fazê-lo ainda que estejamos completamente em desacordo com o que se faz, mesmo que o consideremos injusto. Se possui autoridade legal e sanção legitima, nosso dever é fazê-lo.”.
Pedro diz em sua primeira carta:
“Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.” (I Pe 2.13-14). “Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos Senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus.” (I Pe 2.18).
“Se você está fazendo algo e chega um policial e lhe diz que deve levar essa carga por uma milha, não somente deve fazê-lo com alegria, senão estar disposto a caminhar mais uma milha.
O resultado será que quando chegar o policial dirá: “Que pessoa é esta? Que há nele que o faz agir assim? O faz com alegria e mais do que se lhe pede.”. E chegará a esta conclusão: “Este homem é diferente, não parece preocupado por seus próprios interesses. Como cristãos, nosso estado mental e espiritual deveria ser tal, que nada poderia nos ofender.”. (Lloyd Jones)
Foi exatamente esta a atitude dos judeus, conforme podemos observar neste capítulo, quando foram interpelados por aqueles que se dirigiram a eles perguntando com que autoridade estavam desobedecendo o decreto do rei e reconstruindo o templo.
Foi com mansidão que responderam com verdade aos seus inimigos, que tinham aquele direito e que ele havia sido assegurado pelo próprio rei Ciro, quando saíram de Babilônia.
Isto fez com que pedissem para que fosse investigado na corte da Pérsia se era realmente verdade o que estavam dizendo, e isto daria oportunidade para que a defesa deles viesse pela mão dos seus próprios inimigos, porque foram os seus interlocutores junto ao rei Dario, ainda que não para defendê-los, mas para confirmar se era verdade o que haviam alegado, e isto daria ocasião para que fosse descoberto o decreto imperial de Ciro em favor dos judeus, conforme veremos no capítulo seguinte.
Aqueles judeus haviam agido de acordo com a norma bíblica de se estar sujeito à autoridade e puderam assim contar com a proteção de Deus, para levarem adiante o cumprimento da Sua santa vontade.
Os que estão no ministério devem combater segundo as regras, disse o apóstolo Paulo a Timóteo, e muitas coisas estão incluídas nisto, inclusive a que nos temos referido.
Quando os ministros atuam contra a Palavra revelada de Deus, mesmo naquelas coisas ordenadas por Ele, não podem esperar ser bem sucedidos no que fizerem, porque não podemos contar com a aprovação e a assistência do Senhor, quando agimos contra a Sua vontade.

Agora, tal como Jesus elogiou o que devia ser elogiado nas sete Igrejas (Apocalipse 2 e 3), ao mesmo tempo que repreendeu o que deveria ser repreendido, de igual modo ressaltamos o que houve de bom no comportamento dos judeus dos dias de Zorobabel.
Mostraremos agora, no que eles haviam falhado e por isso se tornaram dignos da repreensão divina, através dos profetas Ageu e Zacarias.
Ageu e Zacarias começaram a profetizar no segundo ano do reinado de Dario, conforme se afirma nos primeiros versículos dos seus livros, respectivamente.
Umas poucas coisas tinha o Senhor contra eles, conforme nós vemos especialmente nas repreensões feitas através do profeta Ageu.
É dito que debaixo desta palavra de exortação de Ageu, se animaram e reiniciaram as obras de reconstrução a partir do quarto dia, do sexto mês, do segundo ano do rei Dario (Ag. 1.1).
Nós veremos no capítulo seguinte a este, em Esdras 6.15 que a obra foi concluída no terceiro dia do décimo segundo mês (Adar), no sexto ano do reinado de Dario, portanto, quatro anos após terem sido reiniciadas.
O motivo afirmado pelo Senhor como sendo a causa deles terem ficado paralisados naqueles dezesseis anos, não foi tanto o decreto imperial de Artaxerxes determinando a paralisação, mas o fato de não terem priorizado o reino de Deus e sua justiça.
E, nem mesmo com as manifestações do desagrado divino através das visitações na forma de produção de condições desfavoráveis que são descritas em Ag 1.6-11, por causa da sua indolência espiritual.
Mesmo debaixo de toda a forma de oposição que estavam sofrendo por parte dos samaritanos e que culminou com o decreto de Artaxerxes determinando a paralisação das obras.
Os judeus estavam se ocupando apenas de cuidar de suas vidas pessoais e de suas casas, ainda que estas necessitassem de ser construídas, porque haviam vindo de Babilônia, não somente para reconstruírem o templo como também suas casas.
Mas, como haviam mudado a ordem correta das prioridades, estavam fazendo pouco progresso em seus projetos, pois estavam cuidando primeiro das suas próprias necessidades, sem levarem em conta que importa em primeiro lugar cuidar dos interesses de Deus.
Este era o problema com os judeus nos dias de Zorobabel: Uma pequena fé que não lhes estava permitindo fazer a vontade de Deus em meio às oposições e a colocarem o Seu reino em primeiro lugar em suas vidas.
Uma grande fé nos levará a viver mais para Deus do que para nós mesmos; a amarmos a Sua vontade acima da nossa própria vontade, a nos regozijarmos nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias, por amor a Cristo (II Cor 12.10).
É fé que descansa no Senhor e faz a Sua vontade e não a própria, em toda e qualquer circunstância.
Tal é a intervenção de Deus, especialmente na vida do Seu povo, que nós vemos isto ilustrado no caso dos judeus dos dias de Zorobabel, que naqueles 16 anos de paralisação das obras de reconstrução do templo, não permitiu que prosperassem em seus projetos pessoais, como uma forma de alertá-los que algo não ia bem na relação deles com Ele, porque não haviam lhe obedecido quanto a que não deviam parar de construir o templo, a par de toda a oposição que estavam sofrendo.
Então, em vez do atendimento das necessidades materiais, no nível das suas expectativas, Deus fez exatamente o oposto do que esperavam, para que os seus olhos fossem abertos para o fato de que não deveriam viver com as mesmas expectativas que os gentios tinham em relação aos seus deuses, como se fossem meros instrumentos de realização dos seus desejos pessoais.
Deus quer ser conhecido, amado e servido. Não é propriamente a nossa vontade que devemos ver cumprida na nossa aproximação dEle, senão a Sua vontade.
Nossa visão fundamental da vida neste mundo irá determinar nossa forma de viver, e controlar toda a nossa conduta.
“Porque assim como é o homem em seu pensamento, em seu coração, tal ele é”.
Sempre se pode dizer qual é a filosofia de um homem pela maneira pela qual ele vive, e pela maneira pela qual ele reage diante das coisas que sucedem ao seu redor.
Por isso, os tempos de crise peneiram as pessoas.
Sempre revelamos exatamente nossa posição com o que dizemos, por isso Jesus disse que seremos julgados de acordo com as nossas palavras (Mt 12.36).
Fala-se em viver intensamente cada momento.
É o que estamos vendo ao nosso redor, e esta é a forma pela qual a maioria das pessoas parece viver hoje em dia.
Estas pessoas não dão muita atenção às consequências e não se preocupam com o seu destino eterno.
Jesus se referiu a isto com esta expressão: “os gentios buscam todas estas coisas”.
Esta palavra “buscar” é uma palavra muito forte, porque indica que isto é buscado com intenso desejo e constantemente. Isto é, a vida consiste nestas coisas que eles buscam.
E se estas coisas sucedem com um cristão, nas palavras de Jesus ele não está sendo melhor aos olhos de Deus do que um pagão. Porque estará vivendo como um pagão e não como um verdadeiro israelita, cuja vida e procedimento estão definidos na Bíblia.
Se como cristãos deixamos que estas coisas ocupem o primeiro lugar na nossa vida, e se monopolizam nossa vida e nosso pensamento, então somos como os pagãos, somos mundanos e com mentes mundanas.
É possível ser um cristão com ideias corretas acerca da salvação e ao mesmo tempo ter uma mente mundana, com uma filosofia pagã, que poderá ser revelada na sua conversação diária, preocupando-se sempre com comida e bebida, e sempre buscando riqueza, posição e possessões temporais.
Estas coisas os dominam. São elas que os tornam felizes ou infelizes. São elas que lhes dão prazer ou desgosto, e sempre estão pensando nelas e falando sobre elas.
Um cristão, conforme Jesus ensina, não deveria estar dominado por estas coisas.
Qualquer que seja a posição que assuma diante delas, não deve ser controlado por elas, e elas não deveriam na realidade fazê-lo feliz ou infeliz, porque esta é a situação típica do pagão.
A alegria do cristão deve estar centrada na sua vida devotada a Deus, e no uso que Deus faz dele no Seu serviço.
Especialmente vendo vidas sendo salvas e edificadas pelo evangelho.
Nós vimos que quando os judeus chegaram na Palestina vindos de Babilônia, logo se apressaram em construir o altar dos holocaustos, para apresentarem continuamente nele sacrifícios a Deus, e a motivação principal que os conduziu a isto é declarada no contexto imediato ao que cita a edificação do altar: eles estavam procurando a proteção de Deus em razão de temerem os seus inimigos.
Enquanto a obra de reconstrução do templo permaneceu paralisada, eles continuaram no entanto oferecendo holocaustos no altar que haviam edificado, e ao que tudo indica, parecia aos seus olhos que aquilo era suficiente para garantirem a provisão divina especialmente a relativa à segurança do seu futuro.
O temor daqueles judeus quanto ao seu futuro havia lhes paralisado, o que estava bem tipificado na paralisação da reconstrução do templo.
De igual modo, quando um cristão se permite dominar por este sentimento de temor do seu futuro, que o leva a se inquietar cada vez mais em fazer provisões relativas às coisas do mundo para a sua segurança, o resultado imediato disto é que ele paralisa o seu crescimento espiritual e a sua fé fica enfraquecida em vez de aumentar.
O problema dos judeus não era portanto o de simplesmente construírem o templo, mas de terem a sua confiança restaurada em Deus, a ponto de obedecê-lo, mesmo em meio às oposições que estavam sofrendo, e em face das condições de escassez material que o próprio Deus estava lhes impondo, em face da sua desobediência.
Seria neste contexto que teriam que se levantar, e restaurando a sua confiança e fé no Senhor, lançarem mãos à obra, tendo o cuidado de antes, santificarem suas vidas, conforme Deus lhes exigiu através dos profetas Ageu e Zacarias.
Então precisavam ser tratados na sua preocupação em relação ao futuro, que é o que se chama de ansiedade.
Deus tem um cuidado especial com os cristãos, especialmente pelo zelo pela nova natureza que Ele implantou neles na regeneração, que é completamente santa, assim como Ele é santo, e não permitirá por motivo da Sua própria honra e glória, que a nova natureza seja suplantada pela natureza terrena, decaída no pecado, que ainda permanece em seus filhos, enquanto estiverem neste mundo.
Esses que são novas criaturas em Cristo Jesus podem estar certos do permanente cuidado de Deus em relação a eles, de modo que não vivam a temer o que o futuro possa lhes reservar.
Eles estarão dando grande honra ao seu Pai, confiando inteiramente nas promessas que tem feito a respeito deles, quanto a que jamais lhes deixará ou desamparará.



“1 Ora, os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus que estavam em Judá e em Jerusalém; em nome do Deus de Israel lhes profetizaram.
2 Então se levantaram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Jozadaque, e começaram a edificar a casa de Deus, que está em Jerusalém; e com eles estavam os profetas de Deus, que os ajudavam.
3 Naquele tempo vieram ter com eles Tatenai, o governador da província a oeste do Rio, e Setar-Bozenai, e os seus companheiros, e assim lhes perguntaram: Quem vos deu ordem para edificar esta casa, e completar este muro?
4 Ainda lhes perguntaram: Quais são os nomes dos homens que constroem este edifício?
5 Os olhos do seu Deus, porém, estavam sobre os anciãos dos judeus, de modo que eles não os impediram, até que o negócio se comunicasse a Dario, e então chegasse resposta por carta sobre isso.
6 A cópia da carta que Tatenai, o governador da província a oeste do Rio, e Setar-Bozenai, e os seus companheiros, os governadores, que estavam deste lado do Rio, enviaram ao rei Dario;
7 enviaram-lhe um relatório, no qual estava escrito: Ao rei Dario toda a paz.
8 Saiba o rei que nós fomos à província de Judá, à casa do grande Deus, a qual se edifica com grandes pedras, e já a madeira está sendo posta nas paredes, e esta obra vai-se fazendo com diligência, e se adianta em suas mãos.
9 Então perguntamos àqueles anciãos, falando-lhes assim: Quem vos deu ordem para edificar esta casa, e completar este muro?
10 Além disso lhes perguntamos pelos seus nomes, para tos declararmos, isto é, para te escrevermos os nomes dos homens que entre eles são os chefes.
11 E esta é a resposta que nos deram: Nós somos servos do Deus do céu e da terra, e reedificamos a casa que há muitos anos foi edificada, a qual um grande rei de Israel edificou e acabou.
12 Mas depois que nossos pais provocaram à ira o Deus do céu, ele os entregou na mão de Nabucodonosor, o caldeu, rei de Babilônia, o qual destruiu esta casa, e transportou o povo para Babilônia.
13 Porém, no primeiro ano de Ciro, rei de Babilônia, o rei Ciro baixou decreto para que esta casa de Deus fosse reedificada.
14 E até os utensílios de ouro e de prata da casa de Deus, que Nabucodonosor tinha tomado do templo que estava em Jerusalém e levado para o templo de Babilônia, o rei Ciro os tirou do templo de Babilônia, e eles foram entregues a um homem cujo nome era Sesbazar, a quem ele tinha constituído governador;
15 e disse-lhe: Toma estes utensílios, vai, e leva-os para o templo que está em Jerusalém, e reedifique-se a casa de Deus no seu lugar.
16 Então veio o dito Sesbazar, e lançou os fundamentos da casa de Deus, que está em Jerusalém; de então para cá ela vem sendo edificada, não estando ainda concluída.
17 Agora, pois, se parece bem ao rei, busque-se nos arquivos reais, ali em Babilônia, para ver se é verdade haver um decreto do rei Ciro para se reedificar esta casa de Deus em Jerusalém, e sobre isto nos faça o rei saber a sua vontade.” (Ed 5.1-17).

Silvio Dutra

EZEQUIEL 40

O primeiro versículo deste capitulo apresenta duas datas distintas para o cativeiro dos judeus, porque a primeira relativa a 25 anos correspondia ao tempo da primeira leva de cativos para Babilônia, e a segunda data relativa a 14 anos, à segunda leva, depois da queda de Jerusalém no final do reinado de Zedequias, quando os babilônios entraram em Jerusalém, após tê-la cercado por dezoito meses.
Isto significa que Ezequiel encontrava-se em Babilônia há 25 anos, e os judeus que foram levados para lá depois da queda de Jerusalém, há 14 anos.
Foi nesta ocasião que ele teve a visão do templo restaurado pelo Senhor, que abrangerá todos os últimos capítulos do seu livro, a contar deste.
Esta é a porção mais difícil de ser interpretada em toda a Bíblia, então devemos ter todo o cuidado para não fazermos afirmações finais onde não seja seguro fazê-las.
Esta visão de um templo glorioso e purificado, com suas medidas e serviços designados para os sacerdotes, pelo próprio Deus, ainda que não seja compreendida em seus detalhes, e quanto a um possível tempo de aplicação real na terra, ou se se trata de uma representação de realidades espirituais e celestiais, certamente tinha o propósito de encorajar os judeus a purificarem o santuário e o culto deles de tudo o que fosse carnal e profano.
Contudo, é melhor entender todas estas visões como uma referência a realidades espirituais e não materiais, porque as dimensões do templo são maiores do que a própria Nova Jerusalém.
Certamente não foi este templo, com estas dimensões e quantidade imensa de portas, janelas, átrios e câmaras, que foi reconstruído pelos judeus quando retornaram de Babilônia, nem mesmo depois de ter sofrido os acréscimos que lhe foram feitos pelo rei Herodes.
Lembramos que Jesus disse que a casa de Seu Pai tem muitas moradas. O céu é uma casa. É a habitação de Deus e dos Seus servos. Sua casa é um templo com muitas câmaras, com instalações privativas para todos os Seus servos, sejam homens, anjos, arcanjos, querubins e serafins.
Então, como temos no capitulo 47 uma referência às águas vivas que procedem do templo de Deus, faríamos bem em aplicar todas estas visões às realidades celestiais, e não tentarmos fazer afirmações objetivas quanto ao significado de cada uma das descrições que encontramos no final do livro do profeta Ezequiel.




“1 No ano vinte e cinco do nosso cativeiro, no princípio do ano, no décimo dia do mês, no ano catorze depois que a cidade foi conquistada, naquele mesmo dia veio sobre mim a mão do Senhor,
2 e em visões de Deus me levou à terra de Israel, e me pôs sobre um monte muito alto, sobre o qual havia como que um edifício de cidade para a banda do sul.
3 Levou-me, pois, para lá; e eis um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo na mão um cordel de linho e uma cana de medir; e ele estava em pé na porta.
4 E disse-me o homem: Filho do homem, vê com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, e põe no teu coração tudo quanto eu te fizer ver; porque, para to mostrar foste tu aqui trazido. Anuncia pois à casa de Israel tudo quanto vires.
5 E havia um muro ao redor da casa do lado de fora, e na mão do homem uma cana de medir de seis côvados de comprimento, tendo cada côvado um palmo a mais; e ele mediu a largura do edifício, era uma cana; e a altura, uma cana.
6 Então veio à porta que olhava para o oriente, e subiu pelos seus degraus; mediu o limiar da porta, era uma cana de largo, e o outro limiar, uma cana de largo.
7 E cada câmara tinha uma cana de comprido, e uma cana de largo; e o espaço entre as câmaras era de cinco côvados; e o limiar da porta, ao pé do vestíbulo da porta, em direção da casa, tinha uma cana.
8 Também mediu o vestíbulo da porta em direção da casa, uma cana.
9 Então mediu o vestíbulo da porta, e tinha oito côvados; e os seus pilares, dois côvados; e o vestíbulo da porta olha para a casa.
10 E as câmaras da porta para o lado do oriente eram três dum lado, e três do outro; a mesma medida era a das três; também os umbrais dum lado e do outro tinham a mesma medida.
11 Mediu mais a largura da entrada da porta, que era de dez côvados; e o comprimento da porta, treze côvados.
12 E a margem em frente das câmaras dum lado era de um côvado, e de um côvado a margem do outro lado; e cada câmara tinha seis côvados de um lado, e seis côvados do outro.
13 Então mediu a porta desde o telhado de uma câmara até o telhado da outra, era vinte e cinco côvados de largo, estando porta defronte de porta.
14 Mediu também o vestíbulo, vinte côvados; e em torno do vestíbulo da porta estava o átrio.
15 E, desde a dianteira da porta da entrada até a dianteira do vestíbulo da porta interior, havia cinquenta côvados.
16 Havia também janelas de fechar nas câmaras e nos seus umbrais, dentro da porta ao redor, e da mesma sorte nos vestíbulos; e as janelas estavam à roda pela parte de dentro; e nos umbrais havia palmeiras.
17 Então ele me levou ao átrio exterior; e eis que havia câmaras e um pavimento feitos para o átrio em redor; trinta câmaras havia naquele pavimento.
18 E o pavimento, isto é, o pavimento inferior, corria junto às portas segundo o comprimento das portas.
19 A seguir ele mediu a largura desde a dianteira da porta inferior até a dianteira do átrio interior, por fora, cem côvados, tanto do oriente como do norte.
20 E, quanto à porta que olhava para o norte, no átrio exterior, ele mediu o seu comprimento e a sua largura.
21 As suas câmaras eram três dum lado, e três do outro; e os seus umbrais e os seus vestíbulos eram da medida da primeira porta: de cinquenta côvados era o seu comprimento, e a largura de vinte e cinco côvados.
22 As suas janelas, e o seu vestíbulo, e as suas palmeiras eram da medida da porta que olhava para o oriente; e subia-se para ela por sete degraus; e o seu vestíbulo estava diante dela.
23 Havia uma porta do átrio interior defronte da outra porta tanto do norte como do oriente; e mediu de porta a porta cem côvados.
24 Então ele me levou ao caminho do sul; e eis que havia ali uma porta que olhava para o sul; e mediu os seus umbrais e o seu vestíbulo conforme estas medidas.
25 E havia também janelas em redor do seu vestíbulo, como as outras janelas; cinquenta côvados era o comprimento, e a largura vinte e cinco côvados.
26 Subia-se a ela por sete degraus, e o seu vestíbulo era diante deles; e tinha palmeiras, uma de uma banda e outra da outra, nos seus umbrais.
27 Também havia uma porta para o átrio interior que olha para o sul; e mediu de porta a porta, para o sul, cem côvados.
28 Então me levou ao átrio interior pela porta do sul; e mediu a porta do sul conforme estas medidas.
29 E as suas câmaras, e os seus umbrais, e o seu vestíbulo eram conforme estas medidas; e nele havia janelas e no seu vestíbulo ao redor; o comprimento era de cinquenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados.
30 Havia um vestíbulo em redor; o comprimento era de vinte e cinco côvados e a largura de cinco côvados.
31 O seu vestíbulo olhava para o átrio exterior; e havia palmeiras nos seus umbrais; e subia-se a ele por oito degraus.
32 Depois me levou ao átrio interior, que olha para o oriente; e mediu a porta conforme estas medidas;
33 e também as suas câmaras, e os seus umbrais, e o seu vestíbulo, conforme estas medidas; também nele havia janelas e no seu vestíbulo ao redor; o comprimento era de cinquenta côvados, e a largura era de vinte e cinco côvados.
34 E o seu vestíbulo olhava para o átrio exterior; também havia palmeiras nos seus umbrais de uma e de outra banda; e subia-se a ele por oito degraus.
35 Então me levou à porta do norte; e mediu-a conforme estas medidas.
36 As suas câmaras, os seus umbrais, e o seu vestíbulo; também tinha janelas em redor; o comprimento era de cinquenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados.
37 E os seus umbrais olhavam para o átrio exterior; também havia palmeiras nos seus umbrais de uma e de outra banda; e subia-se a ela por oito degraus.
38 Havia uma câmara com a sua entrada junto aos umbrais perto das portas; aí se lavava o holocausto.
39 E no vestíbulo da porta havia duas mesas de uma banda, e duas da outra, em que se haviam de imolar o holocausto e a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa.
40 Também duma banda, do lado de fora, junto da subida para a entrada da porta que olha para o norte, havia duas mesas; e da outra banda do vestíbulo da porta, havia duas mesas.
41 Havia quatro mesas de uma, e quatro mesas da outra banda, junto à porta; oito mesas, sobre as quais imolavam os sacrifícios.
42 E havia para o holocausto quatro mesas de pedras lavradas, sendo o comprimento de um côvado e meio, a largura de um côvado e meio, e a altura de um côvado; e sobre elas se punham os instrumentos com que imolavam o holocausto e o sacrifício.
43 E ganchos, de um palmo de comprido, estavam fixos por dentro ao redor; e sobre as mesas estava a carne da oferta.
44 Fora da porta interior estavam as câmaras para os cantores, no átrio interior, que estava ao lado da porta do norte; e elas olhavam para o sul; uma estava ao lado da porta do oriente, e olhava para o norte.
45 E ele me disse: Esta câmara que olha para o sul é para os sacerdotes que têm a guarda do templo.
46 Mas a câmara que olha para o norte é para os sacerdotes que têm a guarda do altar, a saber, os filhos de Zadoque, os quais dentre os filhos de Levi se chegam ao Senhor para o servirem.
47 E mediu o átrio; o comprimento era de cem côvados e a largura de cem côvados, um quadrado; e o altar estava diante do templo.
48 Então me levou ao vestíbulo do templo, e mediu cada umbral do vestíbulo, cinco côvados de um lado e cinco côvados do outro; e a largura da porta era de três côvados de um lado, e de três côvados do outro.
49 O comprimento do vestíbulo era de vinte côvados, e a largura de doze côvados; e era por dez degraus que se subia a ele; e havia colunas junto aos umbrais, uma de um lado e outra do outro.” (Ezequiel 40)

Silvio Dutra

RUTE 2

Logo no primeiro versículo do segundo capítulo de Rute é dito que Boaz era rico e poderoso, e era parente de Elimeleque, marido de Noemi, que havia morrido em Moabe.
No comentário do capítulo anterior nós vimos que Boaz era Neto de Naassom, que era príncipe da tribo de Judá quando Israel peregrinou no deserto com Moisés.
E Boaz sendo filho de Raabe, aquela mulher de grande fé cujo nome se encontra na galeria dos heróis da fé de Hebreus, aprendeu com seu pai e mãe não apenas como preservar e aumentar a fortuna material de seus ancestrais, mas sobretudo a ser uma pessoa piedosa, de uma verdadeira fé genuína que se evidencia por um caráter justo e temente a Deus, e que portanto, ama e pratica os Seus mandamentos e vontade.
Esta é a fé bíblica que salva. Uma fé que transforma o caráter segundo o caráter de Deus, que está revelado na Sua Palavra.
A verdadeira fé nos torna semelhantes ao Filho de Deus, quanto a todas as virtudes que fazem parte da Sua pessoa divina e santa.
Uma fé meramente intelectual que não se evidencia em obras de justiça é a fé dos demônios e não a fé dos que foram justificados e regenerados, sendo feitos novas criaturas em Cristo Jesus.
A piedade de Boaz se comprova no relato que a Bíblia nos dá sobre o seu testemunho de vida, porque sendo um homem rico e poderoso relacionava-se com as pessoas pobres e se interessava pessoalmente pelo bem-estar delas, ainda que fossem estrangeiras, como no caso de Rute.
Ele era um patrão justo porque era temente a Deus e agia de acordo com a Sua vontade e Palavra. E não desdenhava e tratava com desprezo seus parentes pobres, pois nós vemos a manifestação da sua bondade para com Rute, pelo que soube do bem que ela havia feito à sua sogra.
E cabe destacar que não era propriamente Noemi que era parente de Boaz, mas Elimeleque, seu ex-marido, que havia morrido em Moabe.
Boaz não fazia portanto acepção de pessoas porque o nosso Deus também não faz tal tipo de acepção.
E na verdade Deus se inclina mais para o pobre, o necessitado, o desprezado, do que para os que se encontram em posições confortáveis e elevadas, como forma de corrigir as distorções e injustiças que são muito comuns entre os homens.
Por isso nós vemos em Rute uma atitude permanentemente humilde. Ela não protesta diante de Deus sobre nenhum direito que lhe era devido em razão da sua fé nEle e de ter deixado a sua própria terra para servi-lo.
Ela não fez nenhuma determinação em relação a si mesma e nem a Noemi, quanto a isto, como que se Deus fosse obrigado a fazer aquilo que ela julgasse necessário ou conveniente.
E não o fez tão somente diante de Deus, como também diante dos homens. Ela não disse que iria respigar e que ninguém poderia impedi-la de fazê-lo. Ela simplesmente se entregou ao cuidado e à direção de Deus sobre a sua vida, e isto se demonstra nas palavras que proferiu, as quais lemos no segundo versículo:
“Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo a apanhar espigas atrás daquele a cujos olhos eu achar graça.”.
Ela teria que se humilhar para obter o alimento necessário para si e para Noemi, submetendo-se ao que estava prescrito na lei para o sustento daqueles que se encontravam em condições de miséria, a saber, rebuscar as sobras da lavoura que deveriam ser deixadas para os pobres.
Ela não ficaria se lastimando em casa, ou esperando que Deus lhe enviasse alguém para matar a sua fome e de sua sogra. Não. Fortalecida pela graça ela se pôs sobre os seus pés e partiu para ação, ainda que isso representasse uma humilhação para ela.
Quando Boaz veio de Belém saudou seus segadores com a expressão:”O Senhor seja convosco” (v. 4), e já sabemos que no texto original a palavra traduzida por Senhor é Jeová.
E os segadores responderam: “O Senhor te abençoe.”.
E ao indagar àquele que supervisionava o serviço dos segadores quem era aquela desconhecida que estava respigando após os segadores, este lhe informou que se tratava da nora de Noemi, e que ela estava trabalhado desde a manhã sem descansar nem sequer um pouco (v. 7).
Pelo que se infere do contexto bíblico a norma legal do rebuscar era permitida somente aos pobres que também tivessem trabalhado na colheita. Eles trabalhariam assim, antes que pudessem pegar aquilo que havia ficado para trás, por alguma omissão na colheita, ou que tivesse caído ao solo, ou permanecido escondido entre os ramos e folhas.
Por isso Boaz recomendou a Rute que permanecesse trabalhando no seu campo e que se juntasse às moças israelitas que estavam trabalhando na colheita, de modo que não fosse molestada pelos homens que trabalhavam para Boaz, aos quais ele ordenou expressamente que não importunassem Rute em razão de ser pobre e estrangeira entre eles.
E tal foi a bondade de Boaz para com ela que lhes ordenou que a deixassem respigar até mesmo entre os molhos que já haviam sido colhidos, e que deixassem de colher espigas, propositalmente, num esquecimento voluntário, para que fossem respigadas por Rute.
E vale a pena destacar o cavalheirismo, bondade e atenção de Boaz, bem como a atitude humilde de Rute, que estão registradas nos versos oitavo a décimo sexto, onde lemos no verso 12 as seguintes palavras de Boaz dirigidas a Rute:
“O Senhor recompense o que fizeste, e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.”.
Isto é o que de fato sucede a todo o que confia inteiramente na graça de Jesus e que vem buscar refúgio debaixo das suas asas, pois o Senhor recompensará a todo que o fizer concedendo a plenitude da Sua graça. A uma entrega e confiança completa em Deus corresponde uma recompensa também completa.
Boaz orou para que o Senhor recompensasse Rute da forma referida, mas certamente ele o fez porque observou a grande diligência com que ela estava se empenhando em seu trabalho.
Assim devemos juntar à fé a ação e certamente o Senhor abençoará os nossos esforços, e devemos ser também diligentes para não perder o fruto do nosso trabalho, como somos exortados pela Palavra de Deus:
“Olhai por vós mesmos, para que não percais o fruto do nosso trabalho, antes recebeis plena recompensa.” (II Jo 8).
“mas o que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações,” (Apo 2.25,26).
“ Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apo 3.11).
Nos versos 17 a 23 nós temos o relatório que Rute fez a Noemi da bondade de Boaz para com ela.
E o relatório de Rute avivou a memória de Noemi, de modo que ela se lembrou que Boaz era um dos parentes de seu ex-marido, que poderia resgatar a hipoteca da propriedade que lhe pertencia como herança vitalícia, segundo a lei de Moisés, segundo a qual, quando a própria pessoa não tivesse recursos para reaver a sua antiga posse, um parente próximo abastado poderia fazê-lo no lugar dela.
E Noemi aconselhou Rute a continuar respigando somente nos campos de Boaz para que não parecesse a ele, em caso contrário, um desprezo da generosidade que ele havia lhe demonstrado.
Se elas esperavam uma generosidade ainda maior de Boaz, a ponto de se dispor a resgatar a propriedade hipotecada, haveria necessidade de se aproximar dele, de estar somente no campo dele e não em outro, e de igual modo aqueles que têm sido resgatados pelo Senhor Jesus ou que o estão esperando, não podem se envolver com os negócios deste mundo, eles devem permanecer na presença do Senhor, e trabalharem para ele, tornando-se familiares e apegados a Ele, e assim poderão ter a certeza de que receberão o Seu favor.
Aquele que busca agradar a Deus em tudo jamais será desamparado por Ele.



“1 Ora, tinha Noemi um parente de seu marido, homem poderoso e rico, da família de Elimeleque; e ele se chamava Boaz.
2 Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo a apanhar espigas atrás daquele a cujos olhos eu achar graça. E ela lhe respondeu: Vai, minha filha.
3 Foi, pois, e chegando ao campo respigava após os segadores; e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da família de Elimeleque.
4 E eis que Boaz veio de Belém, e disse aos segadores: O Senhor seja convosco. Responderam-lhe eles: O Senhor te abençoe.
5 Depois perguntou Boaz ao moço que estava posto sobre os segadores: De quem é esta moça?
6 Respondeu-lhe o moço: Esta é a moça moabita que voltou com Noemi do país de Moabe.
7 Disse-me ela: Deixa-me colher e ajuntar espigas por entre os molhos após os segadores: Assim ela veio, e está aqui desde pela manhã até agora, sem descansar nem sequer um pouco.
8 Então disse Boaz a Rute: Escuta filha minha; não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui, mas ajunta-te às minhas moças.
9 Os teus olhos estarão atentos no campo que segarem, e irás após elas; não dei eu ordem aos moços, que não te molestem? Quando tiveres sede, vai aos vasos, e bebe do que os moços tiverem tirado.
10 Então ela, inclinando-se e prostrando-se com o rosto em terra, perguntou-lhe: Por que achei eu graça aos teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu estrangeira?
11 Ao que lhe respondeu Boaz: Bem se me contou tudo quanto tens feito para com tua sogra depois da morte de teu marido; como deixaste a teu pai e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que dantes não conhecias.
12 O Senhor recompense o que fizeste, e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.
13 E disse ela: Ache eu graça aos teus olhos, senhor meu, pois me consolaste, e falaste bondosamente à tua serva, não sendo eu nem mesmo como uma das tuas criadas.
14 Também à hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te, come do pão e molha o teu bocado no vinagre. E, sentando-se ela ao lado dos segadores, ele lhe ofereceu grão tostado, e ela comeu e ficou satisfeita, e ainda lhe sobejou.
15 Quando ela se levantou para respigar, Boaz deu ordem aos seus moços, dizendo: Até entre os molhos deixai-a respirar, e não a censureis.
16 Também, tirai dos molhos algumas espigas e deixai-as ficar, para que as colha, e não a repreendais.
17 Assim ela respigou naquele campo até a tarde; e debulhou o que havia apanhado e foi quase uma efa de cevada.
18 Então, carregando com a cevada, veio à cidade; e viu sua sogra o que ela havia apanhado. Também Rute tirou e deu-lhe o que lhe sobejara depois de fartar-se.
19 Ao que lhe perguntou sua sogra: Onde respigaste hoje, e onde trabalhaste? Bendito seja aquele que fez caso de ti. E ela relatou à sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz.
20 Disse Noemi a sua nora: Bendito seja ele do Senhor, que não tem deixado de misturar a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Esse homem é parente nosso, um dos nossos remidores.
21 Respondeu Rute, a moabita: Ele me disse ainda: Seguirás de perto os meus moços até que tenham acabado toda a minha sega.
22 Então disse Noemi a sua nora, Rute: Bom é, filha minha, que saias com as suas moças, e que não te encontrem noutro campo.
23 Assim se ajuntou com as moças de Boaz, para respigar até e fim da sega da cevada e do trigo; e morava com a sua sogra.”

Silvio Dutra

RUTE 1

A narrativa do livro de Rute pertence, como se afirma no primeiro versículo, ao período conturbado dos Juízes.
É bem provável que os fatos narrados tenham ocorrido logo no início do referido período, porque Boaz, que se casou com Rute, era filho de Salmom, um dos príncipes da tribo de Judá, que havia se casado com Raabe (Mt 1.5).
E este Salmom era filho de Naassom, príncipe de Judá que apresentou a oferta daquela tribo no dia da consagração do tabernáculo, nos dias de Moisés (Nm 7.12).
Boaz era portanto neto de Naassom, e não estava assim distante no tempo dos dias de Josué, depois do qual teve início o período dos Juízes, com Otniel, sobrinho de Calebe.
Tal era o caráter e a honra deste Naassom e de sua família, que foi com a sua irmã, Eliseba, que Arão casou, tendo com ela gerado a Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (Êx 6.23).
E Deus mesmo indicou a Naassom para ser príncipe dos filhos de Judá (Nm 2.3), sendo ele também o general de todo o exército de Judá nos dias de Moisés (Nm 10,14), revelando-se com isto que era antes de tudo um homem de fé, dado ter sido escolhido pelo próprio Deus.
Salmom era filho deste homem, que foi honrado de tal forma pelo próprio Deus, e se enamorou de Raabe nos dias de Josué, depois da conquista de Jericó.
E podemos imaginar qual era o porte e o caráter santo desta mulher, para ter sido a preferida dentre todas as filhas de Israel, para se casar com o príncipe mais honrado, da tribo mais honrada dentre todas de Israel, da qual procederia o Salvador do mundo.
Certamente era a mão do Senhor que estava em tudo isto, conduzindo mentes e corações a se unirem, para que cumprisse o Seu propósito determinado desde antes que tivesse chamado todas as coisas à existência.
Glorificado seja pois não o homem, mas o Senhor, Criador dos céus e da terra, que evidencia nesta e em tantas outras coisas a beleza da Sua infinita majestade e poder.
E tendo casado com Rute, Boaz gerou a Obede, pai de Jessé, pai de Davi (Rt 4.21,22), sendo portanto Rute e Boaz bisavós do rei Davi.
Nós aprendemos portanto da história do livro de Rute qual era o caráter moral, a santidade e a fé das pessoas que foram os ancestrais do rei Davi, e podemos então entender em que princípios de fé e de temor a Deus ele fora educado.
A Providência divina, tendo um olho voltado para o futuro, para o Messias e Rei que deveria vir ao mundo, fez com que fossem incluídas na Sua genealogia duas mulheres de fé, gentias e de testemunho irretocável: Raabe, de Jericó, e Rute de Moabe.
Mostrando que a família do Messias é uma família que é unida não pelos laços de sangue, ou mesmo da nacionalidade, mas pelos laços da fé comum, tanto a judeus quanto a gentios.
Não foi pelos caminhos da glória terrena que Deus trouxe o Messias ao mundo, mas pelos caminhos da aflição e da humildade, pois para que Rute viesse a se casar com Boaz e se converter à religião e ao Deus de Israel, ela teve que experimentar do cálice de aflição do qual todos os que têm parte com o Messias são chamados a beber, na participação dos Seus sofrimentos e conformação com a Sua morte (Fp 3.10).
Por isso o caminho trilhado até à posição determinada para Rute por Deus, passou primeiro pela estrada da aflição e da humilhação, que ela experimentou inicialmente em sua própria terra natal, com a perda de seu marido, e da dor que compartilhou e dividiu com sua sogra Noemi, que perdeu em Moabe dois filhos e o marido, tendo ficado só, com suas duas noras, das quais, uma ficou em Moabe servindo aos seus deuses, e a outra, Rute decidiu com as belas palavras que até hoje fazem eco do símbolo da fidelidade tanto a Deus quanto àqueles que O amam, não somente na prosperidade, mas também na adversidade:
“Respondeu, porém, Rute: Não me instes a que te abandone e deixe de seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.” (1.16,17).
Quando havia escassez de alimento em Israel, Noemi, seu marido e dois filhos partiram de Belém, que no original é Beith-Lehem, significando casa do pão, e não havia pão certamente como uma forma de juízo do Senhor contra a idolatria dos israelitas, que como vimos, era comum em Israel nos dias dos Juízes, e com isto, Deus estava fazendo valer as ameaças de maldições previstas na Lei, como forma de convencer o povo do seu pecado, e conduzi-lo ao arrependimento.
O fato de ter sido escolhida uma família de Belém, para que através dela, uma mulher gentia de Moabe, mas cheia da verdadeira fé no Senhor, retornasse de lá para Belém, onde nasceria no futuro o Messias, não foi por puro acaso, mas o cumprimento do que Deus havia determinado em Sua Soberania.
E esta mulher de fé viria não casada com um dos israelitas que partiram para Moabe e que lá se casou com ela, mas viria como viúva, para casar com outro homem de fé e piedoso, de modo a formar mais um casal de pessoas de fé, participantes da genealogia do Messias, de modo a que se registrasse que a família de Deus, que é formada pelo Messias, é composta somente por pessoas de fé, tal como aquelas que o Senhor, em Sua providência, incluiu na genealogia de Jesus.
Isto não é maravilhoso aos nossos olhos?
Ainda que tenha sido uma perplexidade para Noemi, que julgou que a perda do marido e dos filhos em Moabe fosse uma forma de visitação dos juízos de Deus sobre ela, de modo que ao retornar pediu que não fosse mais chamada de Noemi, que no hebraico significa, agraciada, agradável, mas sim de Mara, que significa amargurada, como forma de declaração da amargura e aflição que haviam invadido a sua alma, pela sua consideração de que a mão do Senhor havia se abatido sobre a sua vida, tornando-a uma pessoa desventurada.
E mal sabia ela, que o seu testemunho de vida reta havia convertido de tal maneira a Rute, que ela veio a se tornar para ela como uma verdadeira mãe, que recusou abandoná-la, bem como ao Deus que Noemi servia.
Assim, na verdade, Deus estava dando uma alta honra a Noemi, permitindo que o seu nome fosse lembrado perpetuamente, por incluí-la na narrativa bíblica, como aquela cujo testemunho trouxe para Israel uma mulher gentia que Deus havia determinado incluir na genealogia de Seu filho amado.
Com isto, ela estava sendo mais do que agraciada, e bem fazia jus ao nome que lhe fora dado.
Tendo vivido cerca de dez anos em Moabe (v.4), e já sem marido e os dois filhos, Noemi decidiu retornar a Judá porque ouviu em Moabe que o Senhor havia se tornado de novo favorável à terra de Israel, provendo-a de pão (v.6).
Isto demonstra que apesar de estar em Moabe, o coração de Noemi estava em Israel, principalmente porque o culto a falsos deuses daquela terra devia pesar muito no seu espírito piedoso e temente, ao único e verdadeiro Deus.
Isto demonstra que a emigração que fizera com sua família no início indo para Moabe, não tinha por alvo deixar Israel e o Deus de Israel e se fixar numa terra estranha, mas senão, como Abraão fizera no passado, simplesmente buscar condições de sobrevivência, enquanto perdurasse a fome em Israel, motivada pelos juízos de Deus contra a idolatria do Seu povo.
Isto nos ensina que a necessidade pode nos conduzir a lugares ruins onde as pessoas não tenham o temor de Deus, como conviver com parentes não cristãos e que nos persigam por causa do nosso amor ao Senhor, mas nós não temos nenhum motivo para permanecer debaixo desta condição ruim que tivemos que suportar por motivo de necessidade, quando as coisas melhoram.
O cristão é um cidadão do céu, e assim, por melhores que sejam as condições e os lugares deste mundo, eles haverão de se tornar melancólicos para nós, com as perdas e experiências tristes que temos nesta vida, tal como a terra de Moabe se tornou para Noemi com a morte de seu marido e filhos, e criando nela o desejo de retornar ao seu povo de Israel; e de igual modo, as tristezas que temos neste mundo ajudam no propósito de Deus de nos levar a aspirar pela nossa verdadeira pátria, o céu.
Os dissabores desta vida são modos usados pelo Senhor para nos atrair àquele lugar onde já não há mais morte, nem tristeza, nem dor.
Afinal Noemi é cidadã de Israel e não de Moabe, uma terra estranha para ela.
E o cristão é cidadão do céu, e não é deste mundo, que é uma terra estranha para ele, na qual está apenas em peregrinação rumo à pátria celestial, onde todos da família de Deus, seus verdadeiros parentes, aguardam por ele com grande expectativa e alegria.
Noemi tentou dissuadir suas noras de seguirem juntamente com ela para Israel, para evitar que viessem a passar necessidades, porque a propriedade de seu marido não poderia ser resgatada para que elas nela morassem, reavendo-a de volta de seus atuais proprietários, porque não tinha lembrança de que houvesse algum parente próximo que estivesse disposto a fazê-lo por ela, e ela não tinha mais condição em sua idade, de se casar ou de gerar filhos com algum parente próximo, para que através deles, pela lei do levirato, voltasse a ter direito à sua herança nos territórios de Israel.
Mas ela não sabia o que Deus estava preparando, um caminho totalmente diferente de tudo que ela pudesse imaginar, porque Ele faz infinitamente mais do que tudo o que pensamos ou pedimos (Ef 3.20).
Uma de suas noras, Órfa, ao pesar as aflições que lhe aguardavam numa terra estranha voltou atrás no seu desejo de acompanhar Noemi (v. 15), mas Rute estava apegada a ela por obra do Espírito de Deus e não a deixaria de modo algum.
Assim são aqueles que são nascidos de novo do Espírito: eles jamais deixarão de seguir a Jesus Cristo, e mesmo que venham a cair da Sua presença, jamais cairão de uma forma definitiva, porque pela fé, passaram a formar um só espírito com Ele.
Noemi julgava por sua condição que estava debaixo da vara da correção de Deus, que o Senhor estava contrariado com ela, e lhe havia escolhido para ser objeto dos Seus juízos, porque lhe tirara o marido e filhos, deixando-a numa terra estranha, e sem posses em sua própria terra natal, de onde havia partido para Moabe, sem saber que passaria por toda aquela aflição que a havia alcançado.
E tal foi o impacto da aflição na vida de Noemi que ao chegar em Belém com Rute, vinda de Moabe, as pessoas da cidade se comoveram com o estado delas, e as mulheres ficaram perplexas quanto a Noemi, que estava muito diferente da pessoa que havia partido para Moabe.
As aflições fazem grandes e surpreendentes mudanças num pequeno espaço de tempo.
Nós temos visto como a doença e a velhice alteram as pessoas, mudam o semblante delas e o seu temperamento. Por isso Noemi, que significa agradável, pediu que a chamassem de Mara, porque tinha agora um espírito triste.
É preciso pois considerar que há aflições temporárias que não chegam a operar toda esta transformação que foi operada em Noemi, mas pode haver um tempo em que Deus permitirá e nos chamará a experimentar provas que transformarão profundamente o nosso caráter, gerando sobriedade, seriedade, consideração adequada dos problemas e realidades da vida, e muitas outras coisas que nos tornarão muito diferentes das pessoas que éramos antes de ter passado pelos vales de aflição profundos e contínuos, que nos farão valorizar o céu e perceber quão passageiras são todas as coisas deste mundo, incluída aí a nossa própria constituição física.
A plenitude das coisas terrenas passará um dia, por maior que possa ser o tempo que nos seja concedido para participarmos dela. Mas a plenitude espiritual em Cristo jamais passará. Ao contrário ela se renova e cresce a cada dia e adentra pela eternidade afora.
“e os que usam deste mundo, como se dele não usassem em absoluto, porque a aparência deste mundo passa.” (I Cor 7.31).
“Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” (II Cor 4.16).
Não é incomum que muitas vezes, muitos cristãos confundam as aflições pelas quais passarão inevitavelmente neste mundo, como falta de amor e de cuidado de Deus por eles, quando na verdade não é necessariamente o caso. Por isso Jesus nos alertou sobre as aflições que teríamos no mundo, a par de toda a nossa fidelidade a Ele e agrado de Deus em relação às nossas vidas.
Mas Rute não levou em conta nada disto e manteve a sua decisão de fazer do Deus de Noemi o seu Deus, e do povo dela o seu próprio povo.
E nisto fez a única coisa necessária da qual Jesus falou em seu diálogo com Marta. Ela fez a grande, melhor e sábia decisão que lhe daria a sua alma como despojo, na salvação que obteve pela fé.
As dificuldades que poderia enfrentar em Israel não poderiam separá-la do amor do Deus verdadeiro que ela havia conhecido.
Ofra, tendo escolhido evitar as dificuldades e permanecer com seus deuses em sua própria terra fez uma péssima escolha, apesar de para a carne e o mundo, parecer ter sido uma melhor decisão do que a de Rute.
Felizes são todos aqueles que decidem seguir a Deus independentemente das circunstâncias difíceis que terão que enfrentar por servi-lo, na sua luta contra os principados e potestades, e nas provações de fé que o Senhor certamente lhes submeterá, porque no fim, em sua perseverança, eles conquistarão o céu de glória.



“1 Nos dias em que os juízes governavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar no país de Moabe, ele, sua mulher, e seus dois filhos.
2 Chamava-se este homem Elimeleque, e sua mulher Noemi, e seus dois filhos se chamavam Malom e Quiliom; eram efrateus, de Belém de Judá. Tendo entrado no país de Moabe, ficaram ali.
3 E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos,
4 os quais se casaram com mulheres moabitas; uma destas se chamava Orfa, e a outra Rute; e moraram ali quase dez anos.
5 E morreram também os dois, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.
6 Então se levantou ela com as suas noras, para voltar do país de Moabe, porquanto nessa terra tinha ouvido que o Senhor havia visitado o seu povo, dando-lhe pão.
7 Pelo que saiu do lugar onde estava, e com ela as duas noras. Indo elas caminhando para voltarem para a terra de Judá,
8 disse Noemi às suas noras: Ide, voltai, cada uma para a casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós o fizestes com os falecidos e comigo.
9 O Senhor vos dê que acheis descanso cada uma em casa de seu marido. Quando as beijou, porém, levantaram a voz e choraram.
10 E disseram-lhe: Certamente voltaremos contigo para o teu povo.
11 Noemi, porém, respondeu: Voltai, minhas filhas; porque ireis comigo? Tenho eu ainda filhos no meu ventre, para que vos viessem a ser maridos?
12 Voltai, filhas minhas; ide-vos, porque já sou velha demais para me casar. Ainda quando eu dissesse: Tenho esperança; ainda que esta noite tivesse marido e ainda viesse a ter filhos,
13 esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? deter-vos-íeis por eles, sem tomardes marido? Não, filhas minhas, porque mais amargo me é a mim do que a vós mesmas; porquanto a mão do Senhor se descarregou contra mim.
14 Então levantaram a voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela.
15 Pelo que disse Noemi: Eis que tua concunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses; volta também tu após a tua concunhada.
16 Respondeu, porém, Rute: Não me instes a que te abandone e deixe de seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus.
17 Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
18 Vendo Noemi que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar nisso.
19 Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém. E sucedeu que, ao entrarem em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e as mulheres perguntavam: É esta, porventura, Noemi?
20 Ela, porém, lhes respondeu: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque o Todo-Poderoso me encheu de amargura.
21 Cheia parti, porém vazia o Senhor me fez tornar. Por que, pois, me chamais Noemi, visto que o Senhor testemunhou contra mim, e o Todo-Poderoso me afligiu?
22 Assim Noemi voltou, e com ela Rute, a moabita, sua nora, que veio do país de Moabe; e chegaram a Belém no principio da sega da cevada.”

Silvio Dutra

Acho incrível o universo de palavras, que surge em minha mente, ao ler um simples versículo...

Jose Carlos Alves

João 11:35
Sabe esse pequeno versiculo, eu acho que é o menor e o maior ao mesmo tempo.
Quando o verbo se tornou carne, ele nao quis ser o SUPER HOMEM, mesmo que antes dessa passagem ele diz ""Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá" JOAO 11:25. Ele nao falou essa frase com o IRON MAN, tanto é que dez versiculos mais tarde, Ele chora.
Isso me conforta por saber que por ser Cristão, minha vida não seria um mar de rosas obrigatório, sabe?
Mas junto com essas tais rosas, viriam os espinhos, que iriam machucar. Mas me alegro, pois a Palavra diz "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" Salmos 30:5

Júlio.M