Versículo Bíblico de Aniversário

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Deus Fala em Sonhos com Samuel – I Samuel 3

O primeiro versículo deste 3º capítulo de I Samuel nos dá conta de uma religião morta em Israel, em razão não somente do pecado dos filhos de Eli, como de todo o povo, que como veremos adiante, necessitava ser purificado da sua idolatria.
A citação do verso 1 de que a palavra do Senhor era muito rara e que as visões não eram frequentes é uma forma de retratar a escassez das operações de Deus em face da desobediência do Seu povo.
Um despertamento ou avivamento espiritual é sobretudo então um retorno do povo de Deus à obediência que Lhe é devida, mediante prática da Sua Palavra.
Samuel foi confirmado como profeta do Senhor desde Dã até Berseba, e o motivo desta confirmação é citado no verso 19: “o Senhor era com ele e não deixou nenhuma de todas as suas palavras cair em terra.”.
As palavras proféticas de Samuel procediam do céu e para lá retornavam, dando cumprimento ao propósito do Senhor.
Não era uma palavra para agradar aos homens e que procedia do próprio homem. Era uma palavra que procedia de Deus e subia à presença de Deus nos céus, daí se dizer que nenhuma das palavras que Samuel proferiu em nome do Senhor caiu em terra. Deus aparecia no tabernáculo em Siló e se manifestava por meio da Sua palavra a Samuel (v. 21).
A palavra ensinada por Samuel não eram palavras persuasivas de sabedoria humana, do que também se guardaram os apóstolos de Cristo, porque a Palavra de Deus traz em si mesma a força da persuasão de ser a verdade, e é poderosa para quebrar corações de pedra.
Quando o Senhor se manifestou pela primeira vez a Samuel Ele lhe revelou que faria uma coisa incomum em Israel: “Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual fará tinir ambos os ouvidos a todo o que a ouvir.”.
Deus se moveria em Israel especialmente através do ministério de Samuel, e o povo reconheceria este mover e muitos chegariam ao arrependimento e à conversão dos seus maus caminhos, voltando à prática da Sua Palavra.
Samuel haveria de ser confirmado como profeta do Senhor em todo Israel, como vemos no final deste terceiro capítulo (v. 20), e o Senhor começaria a fazer isto se revelando a ele, ainda quando era muito jovem e quando se encontrava ainda sob os cuidados de Eli.
As manifestações do Senhor Lhe trariam grande honra e glória e despertaria o desejo em muitos de Israel de honrarem o único Deus verdadeiro.
Tal com o profeta Samuel foi levantado em Israel quando a nação estava desviada dos caminhos de Deus.
O avivamento está ligado à necessidade de reforma.
De trazer as pessoas ao modo pelo qual devem viver para o Senhor.
E isto está muito além de mero conhecimento da doutrina correta, a par deste ser muito importante e necessário, porque é possível ser absolutamente corretos em nossa doutrina, e não termos nenhuma prática daquilo em que cremos e também nenhuma comunhão real com o Senhor.
Um falso profeta jamais conduzirá o povo do Senhor à prática da Sua Palavra, e não disciplinará os contradizentes, antes, falará segundo aquilo que o coração carnal humano deseja ouvir.
Mas um verdadeiro profeta como Samuel, procurará apartar o povo de Deus das suas transgressões, para um viver obediente ao Senhor e à Sua Palavra.
Por isso nós lemos em I Sm 7.3 o seguinte: “Samuel, pois, falou a toda a casa de Israel, dizendo: Se de todo o vosso coração voltais para o Senhor, lançai do meio de vós os deuses estranhos e as astarotes, preparai o vosso coração para com o Senhor, e servi a ele só; e ele vos livrará da mão dos filisteus.”.
Israel estava lamentando a ausência da arca do Senhor do meio deles já por vinte anos, pois esta havia sido tomada pelos filisteus e se encontrava agora em Quiriate-Jearim (I Sm 7.2) e não no tabernáculo em Siló.
A arca representava a presença abençoadora de Deus.
E o que foi que eles fizeram naquela ocasião?
O que foi que o líder espiritual deles lhes ordenou?
Que dessem muitas glórias a Deus?
Que eles determinassem pela fé a sua vitória?
Não! Eles lamentaram a ausência do Senhor e Samuel lhes convocou a um verdadeiro arrependimento, pelo abandono dos falsos deuses e a uma consagração total a Deus de todo o coração.
A bênção é consequência da obediência ao Senhor e à Sua Palavra. Em outras palavras, a um caminhar na justiça.
A bem-aventurança verdadeira é sempre fruto da justiça. De um caminhar em comunhão com Deus em santidade.
Foi para isto que Cristo morreu e nos salvou.
Ele não nos salvou para permanecermos na prática do pecado, senão para mortificá-lo e praticar a justiça do reino de Deus.
O que fica aquém disso é mera religião e não cristianismo, porque este é a vida de Cristo em nós.
Por causa do pecado de Eli, apesar de ser o sumo sacerdote, Deus já não falava mais diretamente a ele, pois perdera a comunhão com o Senhor, pela falta desta santidade.
Deus chamou o menino Samuel e insistiu em falar com ele por quatro vezes seguidas.
Ele não falaria com Eli, senão por meio da boca de um dos seus profetas, que o repreendera duramente, conforme vimos no capítulo anterior, e também através do próprio Samuel, que iria confirmar as palavras proferidas pelo referido profeta, conforme vemos nos versos 11 a 14, deste terceiro capítulo.
Nós podemos falar da perda de comunhão de Eli com Deus pelo teor das suas palavras quando soube do juízo que fora proferido por Deus a ele pela boca de Samuel: “Ele é o Senhor, faça o que bem parecer aos seus olhos (v. 18).”.
Ele havia esquecido da misericórdia do Senhor e não insistiu, como Moisés para que perdoasse o seu pecado e o dos seus filhos.
Moisés conseguira perdão para todo um povo, lutando em intercessão, jejuando por quarenta dias e noites, até que o obteve do Senhor.
E Eli foi incapaz de lutar pelo próprio bem e da sua casa.
Acrescente-se a isso que temendo lhe dizer os juízos proferidos por Deus, Samuel guardou silêncio, e Eli sabendo que se tratava de alguma palavra contra ele e seus filhos, constrangeu Samuel sob a ameaça de maldição, dizendo que caso não lhe dissesse o que Deus lhe havia revelado, que viesse sobre o próprio Samuel os juízos que haviam sido proferidos e mais outro tanto (v. 17), isto é, que ele sofresse o dobro do que havia sido dito por Deus.
Isto não seria de se esperar de um ministro do Senhor, que é levantado para interceder em favor daqueles que estão rodeados de fraquezas.
Ele sequer atentou para a consagração que ele bem sabia existir na vida daquele menino.
Temos aqui a atitude de um homem que não está de fato andando em comunhão com o Senhor.
Ele estava ocupando o cargo de sumo sacerdote, mas não agindo em conformidade com a exigência do ofício que exercia.
Importa que andemos humildemente com o Senhor e diante dEle.
É por isso que sempre que o Espírito Santo nos enche, Ele primeiro nos esvazia, Ele nos humilha, revelando a nossa completa insuficiência e pequenez diante do Deus Altíssimo e da Sua gloriosa majestade.
E isto nos abate e enfraquece em muitos modos, até mesmo fisicamente, de maneira que quando somos fortalecidos pela graça e levados a exultar na presença de Deus, geralmente temos este poder manifestado na nossa fraqueza, e com isto somos guardados do orgulho espiritual.
E nós temos muitos motivos para caminharmos humildemente com o Senhor, porque ainda que haja uma manifestação poderosa da Sua santa presença na Igreja, ainda deveremos por toda a vida crescer espiritualmente, amadurecer o fruto que temos recebido do Espírito, pois não há fruto que nasça maduro, e todo fruto tem o seu tempo de amadurecimento.
Relativamente às coisas espirituais, este é um processo que dura toda a nossa vida, e que razão teríamos para nos gloriar senão no Senhor mesmo e na nossa fraqueza?
É andando em humildade que recebemos mais graça. Graça sobre graça conforme é da vontade de Deus. Pois dá graça a quem se humilha reconhecendo que tudo temos recebido dEle, e que por mais que nos esforcemos e trabalhemos, tudo terá sido produzido em nós pela graça de Jesus, sendo assim simples servos inúteis, pois nada teríamos feito sem esta assistência da graça que tudo opera em nós e através de nós.



“1 Entretanto, o menino Samuel servia ao Senhor perante Eli. E a palavra do Senhor era muito rara naqueles dias; as visões não eram frequentes.
2 Sucedeu naquele tempo que, estando Eli deitado no seu lugar (ora, os seus olhos começavam já a escurecer, de modo que não podia ver),
3 e ainda não se havendo apagado a lâmpada de Deus, e estando Samuel também deitado no templo do Senhor, onde estava a arca de Deus,
4 o Senhor chamou: Samuel! Samuel! Ele respondeu: Eis-me aqui.
5 E correndo a Eli, disse-lhe: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele disse: Eu não te chamei; torna a deitar-te. E ele foi e se deitou.
6 Tornou o Senhor a chamar: Samuel! E Samuel se levantou, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele disse: Eu não te chamei, filho meu; torna a deitar-te.
7 Ora, Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e a palavra do Senhor ainda não lhe tinha sido revelada.
8 O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel pela terceira vez. E ele, levantando-se, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Então entendeu Eli que o Senhor chamava o menino.
9 Pelo que Eli disse a Samuel: Vai deitar-te, e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve. Foi, pois, Samuel e deitou-se no seu lugar.
10 Depois veio o Senhor, parou e chamou como das outras vezes: Samuel! Samuel! Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve.
11 Então disse o Senhor a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual fará tinir ambos os ouvidos a todo o que a ouvir.
12 Naquele mesmo dia cumprirei contra Eli, do princípio ao fim, tudo quanto tenho falado a respeito da sua casa.
13 Porque já lhe fiz: saber que hei de julgar a sua casa para sempre, por causa da iniquidade de que ele bem sabia, pois os seus filhos blasfemavam a Deus, e ele não os repreendeu.
14 Portanto, jurei à casa de Eli que nunca jamais será expiada a sua iniquidade, nem com sacrifícios, nem com ofertas.
15 Samuel ficou deitado até pela manhã, e então abriu as portas da casa do Senhor; Samuel, porém, temia relatar essa visão a Eli.
16 Mas chamou Eli a Samuel, e disse: Samuel, meu filho! Ao que este respondeu: Eis-me aqui.
17 Eli perguntou-lhe: Que te falou o Senhor? peço-te que não mo encubras; assim Deus te faça, e outro tanto, se me encobrires alguma coisa de tudo o que te falou.
18 Samuel, pois, relatou-lhe tudo, e nada lhe encobriu. Então disse Eli: Ele é o Senhor, faça o que bem parecer aos seus olhos.
19 Samuel crescia, e o Senhor era com ele e não deixou nenhuma de todas as suas palavras cair em terra.
20 E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor.
21 E voltou o Senhor a aparecer em Siló; porquanto o Senhor se manifestava a Samuel em Siló pela sua palavra. E chegava a palavra de Samuel a todo o Israel.” (I Sm 3.1-21).

Silvio Dutra

EZEQUIEL 40

O primeiro versículo deste capitulo apresenta duas datas distintas para o cativeiro dos judeus, porque a primeira relativa a 25 anos correspondia ao tempo da primeira leva de cativos para Babilônia, e a segunda data relativa a 14 anos, à segunda leva, depois da queda de Jerusalém no final do reinado de Zedequias, quando os babilônios entraram em Jerusalém, após tê-la cercado por dezoito meses.
Isto significa que Ezequiel encontrava-se em Babilônia há 25 anos, e os judeus que foram levados para lá depois da queda de Jerusalém, há 14 anos.
Foi nesta ocasião que ele teve a visão do templo restaurado pelo Senhor, que abrangerá todos os últimos capítulos do seu livro, a contar deste.
Esta é a porção mais difícil de ser interpretada em toda a Bíblia, então devemos ter todo o cuidado para não fazermos afirmações finais onde não seja seguro fazê-las.
Esta visão de um templo glorioso e purificado, com suas medidas e serviços designados para os sacerdotes, pelo próprio Deus, ainda que não seja compreendida em seus detalhes, e quanto a um possível tempo de aplicação real na terra, ou se se trata de uma representação de realidades espirituais e celestiais, certamente tinha o propósito de encorajar os judeus a purificarem o santuário e o culto deles de tudo o que fosse carnal e profano.
Contudo, é melhor entender todas estas visões como uma referência a realidades espirituais e não materiais, porque as dimensões do templo são maiores do que a própria Nova Jerusalém.
Certamente não foi este templo, com estas dimensões e quantidade imensa de portas, janelas, átrios e câmaras, que foi reconstruído pelos judeus quando retornaram de Babilônia, nem mesmo depois de ter sofrido os acréscimos que lhe foram feitos pelo rei Herodes.
Lembramos que Jesus disse que a casa de Seu Pai tem muitas moradas. O céu é uma casa. É a habitação de Deus e dos Seus servos. Sua casa é um templo com muitas câmaras, com instalações privativas para todos os Seus servos, sejam homens, anjos, arcanjos, querubins e serafins.
Então, como temos no capitulo 47 uma referência às águas vivas que procedem do templo de Deus, faríamos bem em aplicar todas estas visões às realidades celestiais, e não tentarmos fazer afirmações objetivas quanto ao significado de cada uma das descrições que encontramos no final do livro do profeta Ezequiel.




“1 No ano vinte e cinco do nosso cativeiro, no princípio do ano, no décimo dia do mês, no ano catorze depois que a cidade foi conquistada, naquele mesmo dia veio sobre mim a mão do Senhor,
2 e em visões de Deus me levou à terra de Israel, e me pôs sobre um monte muito alto, sobre o qual havia como que um edifício de cidade para a banda do sul.
3 Levou-me, pois, para lá; e eis um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo na mão um cordel de linho e uma cana de medir; e ele estava em pé na porta.
4 E disse-me o homem: Filho do homem, vê com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, e põe no teu coração tudo quanto eu te fizer ver; porque, para to mostrar foste tu aqui trazido. Anuncia pois à casa de Israel tudo quanto vires.
5 E havia um muro ao redor da casa do lado de fora, e na mão do homem uma cana de medir de seis côvados de comprimento, tendo cada côvado um palmo a mais; e ele mediu a largura do edifício, era uma cana; e a altura, uma cana.
6 Então veio à porta que olhava para o oriente, e subiu pelos seus degraus; mediu o limiar da porta, era uma cana de largo, e o outro limiar, uma cana de largo.
7 E cada câmara tinha uma cana de comprido, e uma cana de largo; e o espaço entre as câmaras era de cinco côvados; e o limiar da porta, ao pé do vestíbulo da porta, em direção da casa, tinha uma cana.
8 Também mediu o vestíbulo da porta em direção da casa, uma cana.
9 Então mediu o vestíbulo da porta, e tinha oito côvados; e os seus pilares, dois côvados; e o vestíbulo da porta olha para a casa.
10 E as câmaras da porta para o lado do oriente eram três dum lado, e três do outro; a mesma medida era a das três; também os umbrais dum lado e do outro tinham a mesma medida.
11 Mediu mais a largura da entrada da porta, que era de dez côvados; e o comprimento da porta, treze côvados.
12 E a margem em frente das câmaras dum lado era de um côvado, e de um côvado a margem do outro lado; e cada câmara tinha seis côvados de um lado, e seis côvados do outro.
13 Então mediu a porta desde o telhado de uma câmara até o telhado da outra, era vinte e cinco côvados de largo, estando porta defronte de porta.
14 Mediu também o vestíbulo, vinte côvados; e em torno do vestíbulo da porta estava o átrio.
15 E, desde a dianteira da porta da entrada até a dianteira do vestíbulo da porta interior, havia cinquenta côvados.
16 Havia também janelas de fechar nas câmaras e nos seus umbrais, dentro da porta ao redor, e da mesma sorte nos vestíbulos; e as janelas estavam à roda pela parte de dentro; e nos umbrais havia palmeiras.
17 Então ele me levou ao átrio exterior; e eis que havia câmaras e um pavimento feitos para o átrio em redor; trinta câmaras havia naquele pavimento.
18 E o pavimento, isto é, o pavimento inferior, corria junto às portas segundo o comprimento das portas.
19 A seguir ele mediu a largura desde a dianteira da porta inferior até a dianteira do átrio interior, por fora, cem côvados, tanto do oriente como do norte.
20 E, quanto à porta que olhava para o norte, no átrio exterior, ele mediu o seu comprimento e a sua largura.
21 As suas câmaras eram três dum lado, e três do outro; e os seus umbrais e os seus vestíbulos eram da medida da primeira porta: de cinquenta côvados era o seu comprimento, e a largura de vinte e cinco côvados.
22 As suas janelas, e o seu vestíbulo, e as suas palmeiras eram da medida da porta que olhava para o oriente; e subia-se para ela por sete degraus; e o seu vestíbulo estava diante dela.
23 Havia uma porta do átrio interior defronte da outra porta tanto do norte como do oriente; e mediu de porta a porta cem côvados.
24 Então ele me levou ao caminho do sul; e eis que havia ali uma porta que olhava para o sul; e mediu os seus umbrais e o seu vestíbulo conforme estas medidas.
25 E havia também janelas em redor do seu vestíbulo, como as outras janelas; cinquenta côvados era o comprimento, e a largura vinte e cinco côvados.
26 Subia-se a ela por sete degraus, e o seu vestíbulo era diante deles; e tinha palmeiras, uma de uma banda e outra da outra, nos seus umbrais.
27 Também havia uma porta para o átrio interior que olha para o sul; e mediu de porta a porta, para o sul, cem côvados.
28 Então me levou ao átrio interior pela porta do sul; e mediu a porta do sul conforme estas medidas.
29 E as suas câmaras, e os seus umbrais, e o seu vestíbulo eram conforme estas medidas; e nele havia janelas e no seu vestíbulo ao redor; o comprimento era de cinquenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados.
30 Havia um vestíbulo em redor; o comprimento era de vinte e cinco côvados e a largura de cinco côvados.
31 O seu vestíbulo olhava para o átrio exterior; e havia palmeiras nos seus umbrais; e subia-se a ele por oito degraus.
32 Depois me levou ao átrio interior, que olha para o oriente; e mediu a porta conforme estas medidas;
33 e também as suas câmaras, e os seus umbrais, e o seu vestíbulo, conforme estas medidas; também nele havia janelas e no seu vestíbulo ao redor; o comprimento era de cinquenta côvados, e a largura era de vinte e cinco côvados.
34 E o seu vestíbulo olhava para o átrio exterior; também havia palmeiras nos seus umbrais de uma e de outra banda; e subia-se a ele por oito degraus.
35 Então me levou à porta do norte; e mediu-a conforme estas medidas.
36 As suas câmaras, os seus umbrais, e o seu vestíbulo; também tinha janelas em redor; o comprimento era de cinquenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados.
37 E os seus umbrais olhavam para o átrio exterior; também havia palmeiras nos seus umbrais de uma e de outra banda; e subia-se a ela por oito degraus.
38 Havia uma câmara com a sua entrada junto aos umbrais perto das portas; aí se lavava o holocausto.
39 E no vestíbulo da porta havia duas mesas de uma banda, e duas da outra, em que se haviam de imolar o holocausto e a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa.
40 Também duma banda, do lado de fora, junto da subida para a entrada da porta que olha para o norte, havia duas mesas; e da outra banda do vestíbulo da porta, havia duas mesas.
41 Havia quatro mesas de uma, e quatro mesas da outra banda, junto à porta; oito mesas, sobre as quais imolavam os sacrifícios.
42 E havia para o holocausto quatro mesas de pedras lavradas, sendo o comprimento de um côvado e meio, a largura de um côvado e meio, e a altura de um côvado; e sobre elas se punham os instrumentos com que imolavam o holocausto e o sacrifício.
43 E ganchos, de um palmo de comprido, estavam fixos por dentro ao redor; e sobre as mesas estava a carne da oferta.
44 Fora da porta interior estavam as câmaras para os cantores, no átrio interior, que estava ao lado da porta do norte; e elas olhavam para o sul; uma estava ao lado da porta do oriente, e olhava para o norte.
45 E ele me disse: Esta câmara que olha para o sul é para os sacerdotes que têm a guarda do templo.
46 Mas a câmara que olha para o norte é para os sacerdotes que têm a guarda do altar, a saber, os filhos de Zadoque, os quais dentre os filhos de Levi se chegam ao Senhor para o servirem.
47 E mediu o átrio; o comprimento era de cem côvados e a largura de cem côvados, um quadrado; e o altar estava diante do templo.
48 Então me levou ao vestíbulo do templo, e mediu cada umbral do vestíbulo, cinco côvados de um lado e cinco côvados do outro; e a largura da porta era de três côvados de um lado, e de três côvados do outro.
49 O comprimento do vestíbulo era de vinte côvados, e a largura de doze côvados; e era por dez degraus que se subia a ele; e havia colunas junto aos umbrais, uma de um lado e outra do outro.” (Ezequiel 40)

Silvio Dutra

Paciência Vitoriosa no Sofrimento - 1ª Pedro 1

Pedro se referiu no segundo versículo aos destinatários de sua primeira epístola como sendo eleitos segundo a presciência de Deus, na santificação do Espírito, para a aspersão e obediência ao sangue de Jesus Cristo.
Fomos eleitos, segundo o texto de Pedro, para sermos santificados pelo do Espírito Santo, e para recebermos a aspersão e sermos obedientes ao sangue de Jesus Cristo.
Porque é por meio da santificação e da nossa purificação pelo sangue de nosso Senhor, que se comprova a nossa eleição, ou seja, que somos de fato escolhidos por Deus para sermos Sua exclusiva propriedade, não sendo mais escravizados ao pecado.
Nosso Senhor afirmou que foi Ele quem nos escolheu, e não propriamente nós a Ele, ou seja, nós o amamos porque nos amou primeiro; conhecemos e valorizamos a Sua redenção e salvação, porque fomos primeiro redimidos e salvos por Ele.
Se não tivesse vindo a nós, jamais teríamos ido a Ele.
Assim, o propósito da eleição é nos conduzir ao conhecimento pessoal de Jesus Cristo, e nos tornar santos assim como Deus é santo, daí a necessidade da nossa santificação.
Isto tem a ver com a nossa participação da Sua natureza divina, que é de santidade (Hb 12.10).
Sem escolher fazer a Sua vontade, sem nos submetermos ao Seu governo, jamais poderemos conhecer a Sua natureza divina, a qual Ele tem prazer em revelar e comunicar àqueles que O amam.
Estes que O amam devem renunciar ao próprio governo, e se deixarem conduzir pelo Espírito Santo, para que possam conhecer a natureza de Deus.
À medida que progride a nossa santificação, mais progride o nosso conhecimento de Deus, porque fomos eleitos para este propósito de conhecermos mais e mais a Sua própria pessoa divina e virtudes, de um modo íntimo e pessoal, em plena comunhão com Ele.
De maneira que a própria vida eterna consiste neste conhecimento pessoal de Deus (João 17.3).
Pedro desejou aos destinatários de sua primeira epístola, graça e paz multiplicadas. Isto denota a importância que era dada pelos apóstolos e por toda a Igreja Primitiva, tanto da circuncisão, quanto da incircuncisão, ao fortalecimento na graça de Jesus, e à busca da paz, que é fruto desta graça (I Pe 1.2b).
O apóstolo fez menção à multiplicação destas graças na vida dos cristãos, porque eles as possuem em determinado grau, o qual pode crescer cada vez mais, conforme a consagração dos filhos de Deus à Sua vontade.
Tendo concluído a breve saudação inicial, o apóstolo passou a exaltar o nome do Senhor pelas coisas que fez em favor dos cristãos por meio de Jesus Cristo; bendizendo o Seu nome antes de tudo pela Sua grande misericórdia, pela qual foram regenerados, não para um propósito temporário e terreno, mas para uma esperança viva, isto é de vida eterna, que eles obtiveram por meio da ressurreição de nosso Senhor (I Pe 1.3).
Uma esperança que não pode ser corrompida, e que não tem qualquer defeito, e que não pode falhar, porque está fixada e reservada nos céus para os que são de Cristo (v. 4).
Tal caráter eterno e firme desta esperança de vida eterna não é garantido pelo poder dos cristãos, mas pelo poder de Deus, pelo qual são guardados, simplesmente por causa da fé deles, e não de suas obras de justiça, para a plena manifestação da salvação deles, da qual, cuja glória plena será revelada no último tempo (v. 5).
Os cristãos exultam no Espírito, por causa desta esperança, embora sejam contristados por várias provações (que produzem tristeza em seus corações juntamente com a alegria espiritual que eles sentem por causa da sua esperança), conforme Deus julgue necessário para o aperfeiçoamento da fé deles, para que aprendam a serem perseverantes e venham a ser amadurecidos espiritualmente, de maneira que pela evidência da obra transformadora de suas vidas por Jesus Cristo, em santidade, isto Lhe traga louvor, glória e honra na Sua vinda (v. 6, 7).
É a provação desta fé pelo fogo que a fortalece e a faz crescer em graça, de modo que o Jesus invisível se tornará cada vez mais real e operante na vida do cristão, implantando nele as Suas virtudes divinas, e isto fará com que ele exulte com alegria indescritível e cheia de glória, por saber estar alcançando o objetivo da sua fé, que é a salvação da sua alma (v. 8, 9).
A salvação por meio da fé em nosso Senhor Jesus Cristo, na dispensação da graça, havia sido prenunciada pelos profetas do Antigo Testamento (v. 10), e eles procuraram saber pelo Espírito Santo, que estava neles, em que tempo ou ocasião haveria de ocorrer os sofrimentos de Cristo e a glória que haveria de seguir a tais sofrimentos (v. 11).
Mas foi revelado a eles que isto não ocorreria nos dias em que viveram, a saber no Velho Testamento, e que a promessa do derramar do Espírito Santo em todas as nações, para a pregação do evangelho, não ocorreria nos seus dias, mas foi para os cristãos que viveriam na dispensação da graça, que eles prenunciaram as coisas relativas ao evangelho que lhes havia sido pregado por aqueles que lhes falaram sendo instrumentos do Espírito Santo, que começou a ser derramado do céu desde o dia do Pentecostes.
Para esta pregação no poder do Espírito Santo, até mesmo os anjos gostariam de participar, mas este privilégio foi dado por Deus aos cristãos (v.12).
Em face de toda a obra realizada por Deus em favor dos Seus eleitos, e do propósito da sua vocação (chamada) pelo Espírito, o apóstolo descreve a partir do verso 13, quais são as coisas em que devem se empenhar para serem e fazerem, para o inteiro agrado de Deus.
Em primeiro lugar, devem procurar renovar as suas mentes, com sobriedade, e viver pela graça que lhes está sendo oferecida por meio da revelação de Jesus Cristo.
Eles já receberam uma certa medida de graça na regeneração, quando nasceram de novo do Espírito Santo, na conversão, mas esta graça deve aumentar em graus em suas vidas, conforme é do propósito de Deus (v. 13).
A mente do cristão deve estar cingida com a verdade da Palavra de Deus, a qual deve ser aplicada à sua vida, porque ele tem agora uma luta a travar contra o diabo, contra a carne e contra as seduções do mundo, uma vez que tendo se convertido das trevas para a luz, e do domínio de Satanás para o do Senhor, foi confirmado como eleito de Deus para a salvação eterna em Cristo Jesus.
E tem também todo um reino infinito espiritual para lhe ser revelado no espírito, e do qual se dará conta através da sua mente, ainda que ela não possa compreender todas as coisas sobrenaturais que excedem ao entendimento natural.
Devem também os cristãos viver como filhos obedientes a Deus e a toda a Sua vontade, não mais se conformando aos desejos e paixões que tinham antes da sua conversão.
Eles devem deixar efetivamente para trás o seu antigo modo de vida pecaminoso, no qual viveram quando eram ignorantes da vontade de Deus (v. 15).
Não somente devem deixar o antigo modo de vida, como também se santificarem em todo o seu procedimento, porque Aquele que lhes chamou é inteiramente santo e, a Escritura dá testemunho desta verdade de que Deus é santo (v.15,16).
Ao dizer que devemos ser santos, porque Deus é santo, o apóstolo quis dizer que nós devemos imitar a Deus como filhos amados que somos.
Fomos salvos para este supremo propósito de sermos santos como o nosso Pai é santo.
Sabendo que o nosso Pai é o Juiz de vivos e de mortos, e que julga sem fazer acepção de pessoas, devemos então andar em temor perante Ele, na busca desta santidade de vida, durante todo o tempo da nossa peregrinação neste mundo (v. 17).
E o grande argumento apresentado pelo apóstolo para o temor que devemos ter diante de Deus é o de que fomos comprados por Cristo para Deus, não com prata ou ouro, mas pelo Seu precioso sangue.
Ele nos redimiu pagando com Sua morte na cruz o preço exigido para satisfazer inteiramente à justiça de Deus, para nos livrar da culpa do nosso pecado (v. 18,19).
Pedro havia sido testemunha ocular da ressurreição de Jesus e podia dar tanto o seu testemunho por fé quanto por vista, dAquele que sempre existiu e que foi conhecido nos céus antes da fundação do mundo, e que se manifestou neste tempo final da graça, por amor à humanidade, para que por meio da fé nEle se possa ter uma esperança firme e segura da salvação, porque não temos um Salvador e Senhor que nos tenha sido dado sendo deste mundo, mas Alguém que era do céu e que já existia antes mesmo da fundação do mundo (v. 20, 21).
Já que os cristãos têm um tal Salvador e Senhor por meio do qual puderam ter suas almas purificadas do pecado, pela obediência à verdade que lhes foi pregada, obediência esta que conduz ao amor fraternal verdadeiro, então é seu dever permanecerem neste amor espiritual, amando-se mútua e fervorosamente no Espírito (v. 22).
Os cristãos nasceram de novo pela Palavra da verdade do evangelho, que é qual um princípio vivo e permanente que existe numa semente, pronto para gerar uma nova vida.
Esta semente de vida eterna não pode morrer e sempre gerará vida abundante toda vez que for devidamente semeada no solo de um coração fértil, que tenha sido arado pelas provações.
Esta nova vida recebida do céu é espiritual e eterna.
Ela não é como aquilo que é gerado pela carne e morre, porque o que é nascido da carne é carne, e a carne para nada aproveita para os propósitos eternos de Deus, que se cumprem somente se vivendo no espírito, porque o que é nascido do espírito é espírito, e vive para sempre, porque o espírito é o que vivifica e permanece eternamente.
A glória desta vida espiritual, que é gerada pelo Espírito Santo, não somente aumenta como há de permanecer para sempre.
Mas a glória de tudo o que se faz na carne é passageira, assim como a flor da erva, que cai quando a erva seca.
A palavra que nos salvou há de permanecer para sempre porque ela provém do céu, e nos foi dada por revelação do Espírito Santo.
Tal é o caráter do evangelho, da palavra da fé que pregamos, a qual é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (v. 23 a 25).


“1 Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia.
2 eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
4 para uma herança incorruptível, sem mácula e imarcescível, reservada nos céus para vós,
5 que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo;
6 na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações,
7 para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;
8 a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com alegria inefável e cheia de glória,
9 alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
10 Desta salvação inquiriram e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada,
11 indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.
12 Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos bem desejam atentar.
13 Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo.
14 Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância;
15 mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento;
16 porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.
17 E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação,
18 sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais,
19 mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,
20 o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós,
21 que por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.
22 Já que tendes purificado as vossas almas na obediência à verdade, que leva ao amor fraternal não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros,
23 tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece.
24 Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;
25 mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi evangelizada.” (I Pedro 1.1-25)

Silvio Dutra

Vencer Oposições para Fazer a Vontade de Deus – Esdras 5

Nós vimos no último versículo do quarto capítulo, anterior a este quinto de Esdras, que estaremos comentando, que as obras do templo foram paralisadas por determinação do rei persa, por instigação dos samaritanos.
Neste quinto capítulo nós vemos os judeus sendo exortados pelos profetas Ageu e Zacarias a reiniciarem as obras que haviam sido paralisadas.
Há muitos princípios a serem aprendidos em relação a tudo isto, e nós estaremos analisando isto de modo detalhado nas linhas seguintes.
Primeiro, devemos considerar que os judeus estavam debaixo do governo e domínio da Pérsia, e seguiram a norma bíblica de obedecerem às autoridades, quando não tentaram se insurgir pelo uso das armas contra a Pérsia, ao serem impedidos de prosseguir na reconstrução do templo, e se sujeitaram à providência divina.
Alguns teriam pegado em armas em nome da fé, mas naquela situação, a fé demandava obediência ao poder governante, no caso a Pérsia, porque era pela permissão divina que os persas estavam dominando o mundo, tal como Babilônia, antes deles.
Isto explica porque Jesus nem os apóstolos proferiram uma só palavra contra a dominação romana, porque ela havia sido prevista nos conselhos de Deus, conforme revelado através do profeta Daniel.
Sobre este princípio de se estar sujeito à autoridade, pela vontade de Deus, ainda temos algumas coisas a falar; entretanto, é necessário enfocar que quando a autoridade terrena tenta impedir uma determinação específica provinda diretamente de Deus, como foi o caso da libertação dos judeus de Babilônia e da reconstrução do templo em Jerusalém, importa antes obedecer a Deus do que aos homens, tal como ocorreu nos dias dos apóstolos, quando as autoridades de Israel, na pessoa dos sacerdotes, tentaram impedi-los de pregar o evangelho.
A construção do templo, naquela ocasião, tal como o evangelho nos dias dos apóstolos e nos nossos próprios dias, configurava o testemunho do cumprimento da vontade de Deus perante todas as nações.
Não admira portanto, que o Senhor tivesse levantado os profetas Ageu e Zacarias, para exortarem os judeus a se lançarem à obra de reconstrução que havia sido paralisada.
Eles deveriam se entregar à execução da tarefa sem se insurgirem contra as autoridades constituídas da Pérsia, porque aos servos de Deus convém serem mansos para com todos, na expectativa que se arrependam e cheguem ao conhecimento da verdade.
Não lhes convém contenderem, especialmente com as autoridades que procedem de Deus.
Como bem se expressou D. M. Lloyd Jones a respeito de ser dever do cristão suportar ofensas sem protestar: “O cristão não deve se preocupar com as ofensas nem com as defesas pessoais. Porém quando é questão de honra, de justiça, da verdade, deve se preocupar e protestar. Quando não se honra a lei, quando ela é violada a olhos vistos, não por interesse pessoal, nem para se proteger a si mesmo, atua como cristão em Deus, como alguém que crê que em última instância toda lei procede de Deus.”.
Ele prossegue dizendo que “nosso Senhor condena todo ressentimento que possamos sentir contra o governo legítimo de nosso país. O governo que está no poder tem o direito de fazer estas coisas, e nosso dever é cumprir a lei. Devemos fazê-lo ainda que estejamos completamente em desacordo com o que se faz, mesmo que o consideremos injusto. Se possui autoridade legal e sanção legitima, nosso dever é fazê-lo.”.
Pedro diz em sua primeira carta:
“Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.” (I Pe 2.13-14). “Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos Senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus.” (I Pe 2.18).
“Se você está fazendo algo e chega um policial e lhe diz que deve levar essa carga por uma milha, não somente deve fazê-lo com alegria, senão estar disposto a caminhar mais uma milha.
O resultado será que quando chegar o policial dirá: “Que pessoa é esta? Que há nele que o faz agir assim? O faz com alegria e mais do que se lhe pede.”. E chegará a esta conclusão: “Este homem é diferente, não parece preocupado por seus próprios interesses. Como cristãos, nosso estado mental e espiritual deveria ser tal, que nada poderia nos ofender.”. (Lloyd Jones)
Foi exatamente esta a atitude dos judeus, conforme podemos observar neste capítulo, quando foram interpelados por aqueles que se dirigiram a eles perguntando com que autoridade estavam desobedecendo o decreto do rei e reconstruindo o templo.
Foi com mansidão que responderam com verdade aos seus inimigos, que tinham aquele direito e que ele havia sido assegurado pelo próprio rei Ciro, quando saíram de Babilônia.
Isto fez com que pedissem para que fosse investigado na corte da Pérsia se era realmente verdade o que estavam dizendo, e isto daria oportunidade para que a defesa deles viesse pela mão dos seus próprios inimigos, porque foram os seus interlocutores junto ao rei Dario, ainda que não para defendê-los, mas para confirmar se era verdade o que haviam alegado, e isto daria ocasião para que fosse descoberto o decreto imperial de Ciro em favor dos judeus, conforme veremos no capítulo seguinte.
Aqueles judeus haviam agido de acordo com a norma bíblica de se estar sujeito à autoridade e puderam assim contar com a proteção de Deus, para levarem adiante o cumprimento da Sua santa vontade.
Os que estão no ministério devem combater segundo as regras, disse o apóstolo Paulo a Timóteo, e muitas coisas estão incluídas nisto, inclusive a que nos temos referido.
Quando os ministros atuam contra a Palavra revelada de Deus, mesmo naquelas coisas ordenadas por Ele, não podem esperar ser bem sucedidos no que fizerem, porque não podemos contar com a aprovação e a assistência do Senhor, quando agimos contra a Sua vontade.

Agora, tal como Jesus elogiou o que devia ser elogiado nas sete Igrejas (Apocalipse 2 e 3), ao mesmo tempo que repreendeu o que deveria ser repreendido, de igual modo ressaltamos o que houve de bom no comportamento dos judeus dos dias de Zorobabel.
Mostraremos agora, no que eles haviam falhado e por isso se tornaram dignos da repreensão divina, através dos profetas Ageu e Zacarias.
Ageu e Zacarias começaram a profetizar no segundo ano do reinado de Dario, conforme se afirma nos primeiros versículos dos seus livros, respectivamente.
Umas poucas coisas tinha o Senhor contra eles, conforme nós vemos especialmente nas repreensões feitas através do profeta Ageu.
É dito que debaixo desta palavra de exortação de Ageu, se animaram e reiniciaram as obras de reconstrução a partir do quarto dia, do sexto mês, do segundo ano do rei Dario (Ag. 1.1).
Nós veremos no capítulo seguinte a este, em Esdras 6.15 que a obra foi concluída no terceiro dia do décimo segundo mês (Adar), no sexto ano do reinado de Dario, portanto, quatro anos após terem sido reiniciadas.
O motivo afirmado pelo Senhor como sendo a causa deles terem ficado paralisados naqueles dezesseis anos, não foi tanto o decreto imperial de Artaxerxes determinando a paralisação, mas o fato de não terem priorizado o reino de Deus e sua justiça.
E, nem mesmo com as manifestações do desagrado divino através das visitações na forma de produção de condições desfavoráveis que são descritas em Ag 1.6-11, por causa da sua indolência espiritual.
Mesmo debaixo de toda a forma de oposição que estavam sofrendo por parte dos samaritanos e que culminou com o decreto de Artaxerxes determinando a paralisação das obras.
Os judeus estavam se ocupando apenas de cuidar de suas vidas pessoais e de suas casas, ainda que estas necessitassem de ser construídas, porque haviam vindo de Babilônia, não somente para reconstruírem o templo como também suas casas.
Mas, como haviam mudado a ordem correta das prioridades, estavam fazendo pouco progresso em seus projetos, pois estavam cuidando primeiro das suas próprias necessidades, sem levarem em conta que importa em primeiro lugar cuidar dos interesses de Deus.
Este era o problema com os judeus nos dias de Zorobabel: Uma pequena fé que não lhes estava permitindo fazer a vontade de Deus em meio às oposições e a colocarem o Seu reino em primeiro lugar em suas vidas.
Uma grande fé nos levará a viver mais para Deus do que para nós mesmos; a amarmos a Sua vontade acima da nossa própria vontade, a nos regozijarmos nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias, por amor a Cristo (II Cor 12.10).
É fé que descansa no Senhor e faz a Sua vontade e não a própria, em toda e qualquer circunstância.
Tal é a intervenção de Deus, especialmente na vida do Seu povo, que nós vemos isto ilustrado no caso dos judeus dos dias de Zorobabel, que naqueles 16 anos de paralisação das obras de reconstrução do templo, não permitiu que prosperassem em seus projetos pessoais, como uma forma de alertá-los que algo não ia bem na relação deles com Ele, porque não haviam lhe obedecido quanto a que não deviam parar de construir o templo, a par de toda a oposição que estavam sofrendo.
Então, em vez do atendimento das necessidades materiais, no nível das suas expectativas, Deus fez exatamente o oposto do que esperavam, para que os seus olhos fossem abertos para o fato de que não deveriam viver com as mesmas expectativas que os gentios tinham em relação aos seus deuses, como se fossem meros instrumentos de realização dos seus desejos pessoais.
Deus quer ser conhecido, amado e servido. Não é propriamente a nossa vontade que devemos ver cumprida na nossa aproximação dEle, senão a Sua vontade.
Nossa visão fundamental da vida neste mundo irá determinar nossa forma de viver, e controlar toda a nossa conduta.
“Porque assim como é o homem em seu pensamento, em seu coração, tal ele é”.
Sempre se pode dizer qual é a filosofia de um homem pela maneira pela qual ele vive, e pela maneira pela qual ele reage diante das coisas que sucedem ao seu redor.
Por isso, os tempos de crise peneiram as pessoas.
Sempre revelamos exatamente nossa posição com o que dizemos, por isso Jesus disse que seremos julgados de acordo com as nossas palavras (Mt 12.36).
Fala-se em viver intensamente cada momento.
É o que estamos vendo ao nosso redor, e esta é a forma pela qual a maioria das pessoas parece viver hoje em dia.
Estas pessoas não dão muita atenção às consequências e não se preocupam com o seu destino eterno.
Jesus se referiu a isto com esta expressão: “os gentios buscam todas estas coisas”.
Esta palavra “buscar” é uma palavra muito forte, porque indica que isto é buscado com intenso desejo e constantemente. Isto é, a vida consiste nestas coisas que eles buscam.
E se estas coisas sucedem com um cristão, nas palavras de Jesus ele não está sendo melhor aos olhos de Deus do que um pagão. Porque estará vivendo como um pagão e não como um verdadeiro israelita, cuja vida e procedimento estão definidos na Bíblia.
Se como cristãos deixamos que estas coisas ocupem o primeiro lugar na nossa vida, e se monopolizam nossa vida e nosso pensamento, então somos como os pagãos, somos mundanos e com mentes mundanas.
É possível ser um cristão com ideias corretas acerca da salvação e ao mesmo tempo ter uma mente mundana, com uma filosofia pagã, que poderá ser revelada na sua conversação diária, preocupando-se sempre com comida e bebida, e sempre buscando riqueza, posição e possessões temporais.
Estas coisas os dominam. São elas que os tornam felizes ou infelizes. São elas que lhes dão prazer ou desgosto, e sempre estão pensando nelas e falando sobre elas.
Um cristão, conforme Jesus ensina, não deveria estar dominado por estas coisas.
Qualquer que seja a posição que assuma diante delas, não deve ser controlado por elas, e elas não deveriam na realidade fazê-lo feliz ou infeliz, porque esta é a situação típica do pagão.
A alegria do cristão deve estar centrada na sua vida devotada a Deus, e no uso que Deus faz dele no Seu serviço.
Especialmente vendo vidas sendo salvas e edificadas pelo evangelho.
Nós vimos que quando os judeus chegaram na Palestina vindos de Babilônia, logo se apressaram em construir o altar dos holocaustos, para apresentarem continuamente nele sacrifícios a Deus, e a motivação principal que os conduziu a isto é declarada no contexto imediato ao que cita a edificação do altar: eles estavam procurando a proteção de Deus em razão de temerem os seus inimigos.
Enquanto a obra de reconstrução do templo permaneceu paralisada, eles continuaram no entanto oferecendo holocaustos no altar que haviam edificado, e ao que tudo indica, parecia aos seus olhos que aquilo era suficiente para garantirem a provisão divina especialmente a relativa à segurança do seu futuro.
O temor daqueles judeus quanto ao seu futuro havia lhes paralisado, o que estava bem tipificado na paralisação da reconstrução do templo.
De igual modo, quando um cristão se permite dominar por este sentimento de temor do seu futuro, que o leva a se inquietar cada vez mais em fazer provisões relativas às coisas do mundo para a sua segurança, o resultado imediato disto é que ele paralisa o seu crescimento espiritual e a sua fé fica enfraquecida em vez de aumentar.
O problema dos judeus não era portanto o de simplesmente construírem o templo, mas de terem a sua confiança restaurada em Deus, a ponto de obedecê-lo, mesmo em meio às oposições que estavam sofrendo, e em face das condições de escassez material que o próprio Deus estava lhes impondo, em face da sua desobediência.
Seria neste contexto que teriam que se levantar, e restaurando a sua confiança e fé no Senhor, lançarem mãos à obra, tendo o cuidado de antes, santificarem suas vidas, conforme Deus lhes exigiu através dos profetas Ageu e Zacarias.
Então precisavam ser tratados na sua preocupação em relação ao futuro, que é o que se chama de ansiedade.
Deus tem um cuidado especial com os cristãos, especialmente pelo zelo pela nova natureza que Ele implantou neles na regeneração, que é completamente santa, assim como Ele é santo, e não permitirá por motivo da Sua própria honra e glória, que a nova natureza seja suplantada pela natureza terrena, decaída no pecado, que ainda permanece em seus filhos, enquanto estiverem neste mundo.
Esses que são novas criaturas em Cristo Jesus podem estar certos do permanente cuidado de Deus em relação a eles, de modo que não vivam a temer o que o futuro possa lhes reservar.
Eles estarão dando grande honra ao seu Pai, confiando inteiramente nas promessas que tem feito a respeito deles, quanto a que jamais lhes deixará ou desamparará.



“1 Ora, os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus que estavam em Judá e em Jerusalém; em nome do Deus de Israel lhes profetizaram.
2 Então se levantaram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Jozadaque, e começaram a edificar a casa de Deus, que está em Jerusalém; e com eles estavam os profetas de Deus, que os ajudavam.
3 Naquele tempo vieram ter com eles Tatenai, o governador da província a oeste do Rio, e Setar-Bozenai, e os seus companheiros, e assim lhes perguntaram: Quem vos deu ordem para edificar esta casa, e completar este muro?
4 Ainda lhes perguntaram: Quais são os nomes dos homens que constroem este edifício?
5 Os olhos do seu Deus, porém, estavam sobre os anciãos dos judeus, de modo que eles não os impediram, até que o negócio se comunicasse a Dario, e então chegasse resposta por carta sobre isso.
6 A cópia da carta que Tatenai, o governador da província a oeste do Rio, e Setar-Bozenai, e os seus companheiros, os governadores, que estavam deste lado do Rio, enviaram ao rei Dario;
7 enviaram-lhe um relatório, no qual estava escrito: Ao rei Dario toda a paz.
8 Saiba o rei que nós fomos à província de Judá, à casa do grande Deus, a qual se edifica com grandes pedras, e já a madeira está sendo posta nas paredes, e esta obra vai-se fazendo com diligência, e se adianta em suas mãos.
9 Então perguntamos àqueles anciãos, falando-lhes assim: Quem vos deu ordem para edificar esta casa, e completar este muro?
10 Além disso lhes perguntamos pelos seus nomes, para tos declararmos, isto é, para te escrevermos os nomes dos homens que entre eles são os chefes.
11 E esta é a resposta que nos deram: Nós somos servos do Deus do céu e da terra, e reedificamos a casa que há muitos anos foi edificada, a qual um grande rei de Israel edificou e acabou.
12 Mas depois que nossos pais provocaram à ira o Deus do céu, ele os entregou na mão de Nabucodonosor, o caldeu, rei de Babilônia, o qual destruiu esta casa, e transportou o povo para Babilônia.
13 Porém, no primeiro ano de Ciro, rei de Babilônia, o rei Ciro baixou decreto para que esta casa de Deus fosse reedificada.
14 E até os utensílios de ouro e de prata da casa de Deus, que Nabucodonosor tinha tomado do templo que estava em Jerusalém e levado para o templo de Babilônia, o rei Ciro os tirou do templo de Babilônia, e eles foram entregues a um homem cujo nome era Sesbazar, a quem ele tinha constituído governador;
15 e disse-lhe: Toma estes utensílios, vai, e leva-os para o templo que está em Jerusalém, e reedifique-se a casa de Deus no seu lugar.
16 Então veio o dito Sesbazar, e lançou os fundamentos da casa de Deus, que está em Jerusalém; de então para cá ela vem sendo edificada, não estando ainda concluída.
17 Agora, pois, se parece bem ao rei, busque-se nos arquivos reais, ali em Babilônia, para ver se é verdade haver um decreto do rei Ciro para se reedificar esta casa de Deus em Jerusalém, e sobre isto nos faça o rei saber a sua vontade.” (Ed 5.1-17).

Silvio Dutra

RUTE 2

Logo no primeiro versículo do segundo capítulo de Rute é dito que Boaz era rico e poderoso, e era parente de Elimeleque, marido de Noemi, que havia morrido em Moabe.
No comentário do capítulo anterior nós vimos que Boaz era Neto de Naassom, que era príncipe da tribo de Judá quando Israel peregrinou no deserto com Moisés.
E Boaz sendo filho de Raabe, aquela mulher de grande fé cujo nome se encontra na galeria dos heróis da fé de Hebreus, aprendeu com seu pai e mãe não apenas como preservar e aumentar a fortuna material de seus ancestrais, mas sobretudo a ser uma pessoa piedosa, de uma verdadeira fé genuína que se evidencia por um caráter justo e temente a Deus, e que portanto, ama e pratica os Seus mandamentos e vontade.
Esta é a fé bíblica que salva. Uma fé que transforma o caráter segundo o caráter de Deus, que está revelado na Sua Palavra.
A verdadeira fé nos torna semelhantes ao Filho de Deus, quanto a todas as virtudes que fazem parte da Sua pessoa divina e santa.
Uma fé meramente intelectual que não se evidencia em obras de justiça é a fé dos demônios e não a fé dos que foram justificados e regenerados, sendo feitos novas criaturas em Cristo Jesus.
A piedade de Boaz se comprova no relato que a Bíblia nos dá sobre o seu testemunho de vida, porque sendo um homem rico e poderoso relacionava-se com as pessoas pobres e se interessava pessoalmente pelo bem-estar delas, ainda que fossem estrangeiras, como no caso de Rute.
Ele era um patrão justo porque era temente a Deus e agia de acordo com a Sua vontade e Palavra. E não desdenhava e tratava com desprezo seus parentes pobres, pois nós vemos a manifestação da sua bondade para com Rute, pelo que soube do bem que ela havia feito à sua sogra.
E cabe destacar que não era propriamente Noemi que era parente de Boaz, mas Elimeleque, seu ex-marido, que havia morrido em Moabe.
Boaz não fazia portanto acepção de pessoas porque o nosso Deus também não faz tal tipo de acepção.
E na verdade Deus se inclina mais para o pobre, o necessitado, o desprezado, do que para os que se encontram em posições confortáveis e elevadas, como forma de corrigir as distorções e injustiças que são muito comuns entre os homens.
Por isso nós vemos em Rute uma atitude permanentemente humilde. Ela não protesta diante de Deus sobre nenhum direito que lhe era devido em razão da sua fé nEle e de ter deixado a sua própria terra para servi-lo.
Ela não fez nenhuma determinação em relação a si mesma e nem a Noemi, quanto a isto, como que se Deus fosse obrigado a fazer aquilo que ela julgasse necessário ou conveniente.
E não o fez tão somente diante de Deus, como também diante dos homens. Ela não disse que iria respigar e que ninguém poderia impedi-la de fazê-lo. Ela simplesmente se entregou ao cuidado e à direção de Deus sobre a sua vida, e isto se demonstra nas palavras que proferiu, as quais lemos no segundo versículo:
“Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo a apanhar espigas atrás daquele a cujos olhos eu achar graça.”.
Ela teria que se humilhar para obter o alimento necessário para si e para Noemi, submetendo-se ao que estava prescrito na lei para o sustento daqueles que se encontravam em condições de miséria, a saber, rebuscar as sobras da lavoura que deveriam ser deixadas para os pobres.
Ela não ficaria se lastimando em casa, ou esperando que Deus lhe enviasse alguém para matar a sua fome e de sua sogra. Não. Fortalecida pela graça ela se pôs sobre os seus pés e partiu para ação, ainda que isso representasse uma humilhação para ela.
Quando Boaz veio de Belém saudou seus segadores com a expressão:”O Senhor seja convosco” (v. 4), e já sabemos que no texto original a palavra traduzida por Senhor é Jeová.
E os segadores responderam: “O Senhor te abençoe.”.
E ao indagar àquele que supervisionava o serviço dos segadores quem era aquela desconhecida que estava respigando após os segadores, este lhe informou que se tratava da nora de Noemi, e que ela estava trabalhado desde a manhã sem descansar nem sequer um pouco (v. 7).
Pelo que se infere do contexto bíblico a norma legal do rebuscar era permitida somente aos pobres que também tivessem trabalhado na colheita. Eles trabalhariam assim, antes que pudessem pegar aquilo que havia ficado para trás, por alguma omissão na colheita, ou que tivesse caído ao solo, ou permanecido escondido entre os ramos e folhas.
Por isso Boaz recomendou a Rute que permanecesse trabalhando no seu campo e que se juntasse às moças israelitas que estavam trabalhando na colheita, de modo que não fosse molestada pelos homens que trabalhavam para Boaz, aos quais ele ordenou expressamente que não importunassem Rute em razão de ser pobre e estrangeira entre eles.
E tal foi a bondade de Boaz para com ela que lhes ordenou que a deixassem respigar até mesmo entre os molhos que já haviam sido colhidos, e que deixassem de colher espigas, propositalmente, num esquecimento voluntário, para que fossem respigadas por Rute.
E vale a pena destacar o cavalheirismo, bondade e atenção de Boaz, bem como a atitude humilde de Rute, que estão registradas nos versos oitavo a décimo sexto, onde lemos no verso 12 as seguintes palavras de Boaz dirigidas a Rute:
“O Senhor recompense o que fizeste, e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.”.
Isto é o que de fato sucede a todo o que confia inteiramente na graça de Jesus e que vem buscar refúgio debaixo das suas asas, pois o Senhor recompensará a todo que o fizer concedendo a plenitude da Sua graça. A uma entrega e confiança completa em Deus corresponde uma recompensa também completa.
Boaz orou para que o Senhor recompensasse Rute da forma referida, mas certamente ele o fez porque observou a grande diligência com que ela estava se empenhando em seu trabalho.
Assim devemos juntar à fé a ação e certamente o Senhor abençoará os nossos esforços, e devemos ser também diligentes para não perder o fruto do nosso trabalho, como somos exortados pela Palavra de Deus:
“Olhai por vós mesmos, para que não percais o fruto do nosso trabalho, antes recebeis plena recompensa.” (II Jo 8).
“mas o que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações,” (Apo 2.25,26).
“ Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apo 3.11).
Nos versos 17 a 23 nós temos o relatório que Rute fez a Noemi da bondade de Boaz para com ela.
E o relatório de Rute avivou a memória de Noemi, de modo que ela se lembrou que Boaz era um dos parentes de seu ex-marido, que poderia resgatar a hipoteca da propriedade que lhe pertencia como herança vitalícia, segundo a lei de Moisés, segundo a qual, quando a própria pessoa não tivesse recursos para reaver a sua antiga posse, um parente próximo abastado poderia fazê-lo no lugar dela.
E Noemi aconselhou Rute a continuar respigando somente nos campos de Boaz para que não parecesse a ele, em caso contrário, um desprezo da generosidade que ele havia lhe demonstrado.
Se elas esperavam uma generosidade ainda maior de Boaz, a ponto de se dispor a resgatar a propriedade hipotecada, haveria necessidade de se aproximar dele, de estar somente no campo dele e não em outro, e de igual modo aqueles que têm sido resgatados pelo Senhor Jesus ou que o estão esperando, não podem se envolver com os negócios deste mundo, eles devem permanecer na presença do Senhor, e trabalharem para ele, tornando-se familiares e apegados a Ele, e assim poderão ter a certeza de que receberão o Seu favor.
Aquele que busca agradar a Deus em tudo jamais será desamparado por Ele.



“1 Ora, tinha Noemi um parente de seu marido, homem poderoso e rico, da família de Elimeleque; e ele se chamava Boaz.
2 Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo a apanhar espigas atrás daquele a cujos olhos eu achar graça. E ela lhe respondeu: Vai, minha filha.
3 Foi, pois, e chegando ao campo respigava após os segadores; e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da família de Elimeleque.
4 E eis que Boaz veio de Belém, e disse aos segadores: O Senhor seja convosco. Responderam-lhe eles: O Senhor te abençoe.
5 Depois perguntou Boaz ao moço que estava posto sobre os segadores: De quem é esta moça?
6 Respondeu-lhe o moço: Esta é a moça moabita que voltou com Noemi do país de Moabe.
7 Disse-me ela: Deixa-me colher e ajuntar espigas por entre os molhos após os segadores: Assim ela veio, e está aqui desde pela manhã até agora, sem descansar nem sequer um pouco.
8 Então disse Boaz a Rute: Escuta filha minha; não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui, mas ajunta-te às minhas moças.
9 Os teus olhos estarão atentos no campo que segarem, e irás após elas; não dei eu ordem aos moços, que não te molestem? Quando tiveres sede, vai aos vasos, e bebe do que os moços tiverem tirado.
10 Então ela, inclinando-se e prostrando-se com o rosto em terra, perguntou-lhe: Por que achei eu graça aos teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu estrangeira?
11 Ao que lhe respondeu Boaz: Bem se me contou tudo quanto tens feito para com tua sogra depois da morte de teu marido; como deixaste a teu pai e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que dantes não conhecias.
12 O Senhor recompense o que fizeste, e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.
13 E disse ela: Ache eu graça aos teus olhos, senhor meu, pois me consolaste, e falaste bondosamente à tua serva, não sendo eu nem mesmo como uma das tuas criadas.
14 Também à hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te, come do pão e molha o teu bocado no vinagre. E, sentando-se ela ao lado dos segadores, ele lhe ofereceu grão tostado, e ela comeu e ficou satisfeita, e ainda lhe sobejou.
15 Quando ela se levantou para respigar, Boaz deu ordem aos seus moços, dizendo: Até entre os molhos deixai-a respirar, e não a censureis.
16 Também, tirai dos molhos algumas espigas e deixai-as ficar, para que as colha, e não a repreendais.
17 Assim ela respigou naquele campo até a tarde; e debulhou o que havia apanhado e foi quase uma efa de cevada.
18 Então, carregando com a cevada, veio à cidade; e viu sua sogra o que ela havia apanhado. Também Rute tirou e deu-lhe o que lhe sobejara depois de fartar-se.
19 Ao que lhe perguntou sua sogra: Onde respigaste hoje, e onde trabalhaste? Bendito seja aquele que fez caso de ti. E ela relatou à sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz.
20 Disse Noemi a sua nora: Bendito seja ele do Senhor, que não tem deixado de misturar a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Esse homem é parente nosso, um dos nossos remidores.
21 Respondeu Rute, a moabita: Ele me disse ainda: Seguirás de perto os meus moços até que tenham acabado toda a minha sega.
22 Então disse Noemi a sua nora, Rute: Bom é, filha minha, que saias com as suas moças, e que não te encontrem noutro campo.
23 Assim se ajuntou com as moças de Boaz, para respigar até e fim da sega da cevada e do trigo; e morava com a sua sogra.”

Silvio Dutra

RUTE 1

A narrativa do livro de Rute pertence, como se afirma no primeiro versículo, ao período conturbado dos Juízes.
É bem provável que os fatos narrados tenham ocorrido logo no início do referido período, porque Boaz, que se casou com Rute, era filho de Salmom, um dos príncipes da tribo de Judá, que havia se casado com Raabe (Mt 1.5).
E este Salmom era filho de Naassom, príncipe de Judá que apresentou a oferta daquela tribo no dia da consagração do tabernáculo, nos dias de Moisés (Nm 7.12).
Boaz era portanto neto de Naassom, e não estava assim distante no tempo dos dias de Josué, depois do qual teve início o período dos Juízes, com Otniel, sobrinho de Calebe.
Tal era o caráter e a honra deste Naassom e de sua família, que foi com a sua irmã, Eliseba, que Arão casou, tendo com ela gerado a Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (Êx 6.23).
E Deus mesmo indicou a Naassom para ser príncipe dos filhos de Judá (Nm 2.3), sendo ele também o general de todo o exército de Judá nos dias de Moisés (Nm 10,14), revelando-se com isto que era antes de tudo um homem de fé, dado ter sido escolhido pelo próprio Deus.
Salmom era filho deste homem, que foi honrado de tal forma pelo próprio Deus, e se enamorou de Raabe nos dias de Josué, depois da conquista de Jericó.
E podemos imaginar qual era o porte e o caráter santo desta mulher, para ter sido a preferida dentre todas as filhas de Israel, para se casar com o príncipe mais honrado, da tribo mais honrada dentre todas de Israel, da qual procederia o Salvador do mundo.
Certamente era a mão do Senhor que estava em tudo isto, conduzindo mentes e corações a se unirem, para que cumprisse o Seu propósito determinado desde antes que tivesse chamado todas as coisas à existência.
Glorificado seja pois não o homem, mas o Senhor, Criador dos céus e da terra, que evidencia nesta e em tantas outras coisas a beleza da Sua infinita majestade e poder.
E tendo casado com Rute, Boaz gerou a Obede, pai de Jessé, pai de Davi (Rt 4.21,22), sendo portanto Rute e Boaz bisavós do rei Davi.
Nós aprendemos portanto da história do livro de Rute qual era o caráter moral, a santidade e a fé das pessoas que foram os ancestrais do rei Davi, e podemos então entender em que princípios de fé e de temor a Deus ele fora educado.
A Providência divina, tendo um olho voltado para o futuro, para o Messias e Rei que deveria vir ao mundo, fez com que fossem incluídas na Sua genealogia duas mulheres de fé, gentias e de testemunho irretocável: Raabe, de Jericó, e Rute de Moabe.
Mostrando que a família do Messias é uma família que é unida não pelos laços de sangue, ou mesmo da nacionalidade, mas pelos laços da fé comum, tanto a judeus quanto a gentios.
Não foi pelos caminhos da glória terrena que Deus trouxe o Messias ao mundo, mas pelos caminhos da aflição e da humildade, pois para que Rute viesse a se casar com Boaz e se converter à religião e ao Deus de Israel, ela teve que experimentar do cálice de aflição do qual todos os que têm parte com o Messias são chamados a beber, na participação dos Seus sofrimentos e conformação com a Sua morte (Fp 3.10).
Por isso o caminho trilhado até à posição determinada para Rute por Deus, passou primeiro pela estrada da aflição e da humilhação, que ela experimentou inicialmente em sua própria terra natal, com a perda de seu marido, e da dor que compartilhou e dividiu com sua sogra Noemi, que perdeu em Moabe dois filhos e o marido, tendo ficado só, com suas duas noras, das quais, uma ficou em Moabe servindo aos seus deuses, e a outra, Rute decidiu com as belas palavras que até hoje fazem eco do símbolo da fidelidade tanto a Deus quanto àqueles que O amam, não somente na prosperidade, mas também na adversidade:
“Respondeu, porém, Rute: Não me instes a que te abandone e deixe de seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.” (1.16,17).
Quando havia escassez de alimento em Israel, Noemi, seu marido e dois filhos partiram de Belém, que no original é Beith-Lehem, significando casa do pão, e não havia pão certamente como uma forma de juízo do Senhor contra a idolatria dos israelitas, que como vimos, era comum em Israel nos dias dos Juízes, e com isto, Deus estava fazendo valer as ameaças de maldições previstas na Lei, como forma de convencer o povo do seu pecado, e conduzi-lo ao arrependimento.
O fato de ter sido escolhida uma família de Belém, para que através dela, uma mulher gentia de Moabe, mas cheia da verdadeira fé no Senhor, retornasse de lá para Belém, onde nasceria no futuro o Messias, não foi por puro acaso, mas o cumprimento do que Deus havia determinado em Sua Soberania.
E esta mulher de fé viria não casada com um dos israelitas que partiram para Moabe e que lá se casou com ela, mas viria como viúva, para casar com outro homem de fé e piedoso, de modo a formar mais um casal de pessoas de fé, participantes da genealogia do Messias, de modo a que se registrasse que a família de Deus, que é formada pelo Messias, é composta somente por pessoas de fé, tal como aquelas que o Senhor, em Sua providência, incluiu na genealogia de Jesus.
Isto não é maravilhoso aos nossos olhos?
Ainda que tenha sido uma perplexidade para Noemi, que julgou que a perda do marido e dos filhos em Moabe fosse uma forma de visitação dos juízos de Deus sobre ela, de modo que ao retornar pediu que não fosse mais chamada de Noemi, que no hebraico significa, agraciada, agradável, mas sim de Mara, que significa amargurada, como forma de declaração da amargura e aflição que haviam invadido a sua alma, pela sua consideração de que a mão do Senhor havia se abatido sobre a sua vida, tornando-a uma pessoa desventurada.
E mal sabia ela, que o seu testemunho de vida reta havia convertido de tal maneira a Rute, que ela veio a se tornar para ela como uma verdadeira mãe, que recusou abandoná-la, bem como ao Deus que Noemi servia.
Assim, na verdade, Deus estava dando uma alta honra a Noemi, permitindo que o seu nome fosse lembrado perpetuamente, por incluí-la na narrativa bíblica, como aquela cujo testemunho trouxe para Israel uma mulher gentia que Deus havia determinado incluir na genealogia de Seu filho amado.
Com isto, ela estava sendo mais do que agraciada, e bem fazia jus ao nome que lhe fora dado.
Tendo vivido cerca de dez anos em Moabe (v.4), e já sem marido e os dois filhos, Noemi decidiu retornar a Judá porque ouviu em Moabe que o Senhor havia se tornado de novo favorável à terra de Israel, provendo-a de pão (v.6).
Isto demonstra que apesar de estar em Moabe, o coração de Noemi estava em Israel, principalmente porque o culto a falsos deuses daquela terra devia pesar muito no seu espírito piedoso e temente, ao único e verdadeiro Deus.
Isto demonstra que a emigração que fizera com sua família no início indo para Moabe, não tinha por alvo deixar Israel e o Deus de Israel e se fixar numa terra estranha, mas senão, como Abraão fizera no passado, simplesmente buscar condições de sobrevivência, enquanto perdurasse a fome em Israel, motivada pelos juízos de Deus contra a idolatria do Seu povo.
Isto nos ensina que a necessidade pode nos conduzir a lugares ruins onde as pessoas não tenham o temor de Deus, como conviver com parentes não cristãos e que nos persigam por causa do nosso amor ao Senhor, mas nós não temos nenhum motivo para permanecer debaixo desta condição ruim que tivemos que suportar por motivo de necessidade, quando as coisas melhoram.
O cristão é um cidadão do céu, e assim, por melhores que sejam as condições e os lugares deste mundo, eles haverão de se tornar melancólicos para nós, com as perdas e experiências tristes que temos nesta vida, tal como a terra de Moabe se tornou para Noemi com a morte de seu marido e filhos, e criando nela o desejo de retornar ao seu povo de Israel; e de igual modo, as tristezas que temos neste mundo ajudam no propósito de Deus de nos levar a aspirar pela nossa verdadeira pátria, o céu.
Os dissabores desta vida são modos usados pelo Senhor para nos atrair àquele lugar onde já não há mais morte, nem tristeza, nem dor.
Afinal Noemi é cidadã de Israel e não de Moabe, uma terra estranha para ela.
E o cristão é cidadão do céu, e não é deste mundo, que é uma terra estranha para ele, na qual está apenas em peregrinação rumo à pátria celestial, onde todos da família de Deus, seus verdadeiros parentes, aguardam por ele com grande expectativa e alegria.
Noemi tentou dissuadir suas noras de seguirem juntamente com ela para Israel, para evitar que viessem a passar necessidades, porque a propriedade de seu marido não poderia ser resgatada para que elas nela morassem, reavendo-a de volta de seus atuais proprietários, porque não tinha lembrança de que houvesse algum parente próximo que estivesse disposto a fazê-lo por ela, e ela não tinha mais condição em sua idade, de se casar ou de gerar filhos com algum parente próximo, para que através deles, pela lei do levirato, voltasse a ter direito à sua herança nos territórios de Israel.
Mas ela não sabia o que Deus estava preparando, um caminho totalmente diferente de tudo que ela pudesse imaginar, porque Ele faz infinitamente mais do que tudo o que pensamos ou pedimos (Ef 3.20).
Uma de suas noras, Órfa, ao pesar as aflições que lhe aguardavam numa terra estranha voltou atrás no seu desejo de acompanhar Noemi (v. 15), mas Rute estava apegada a ela por obra do Espírito de Deus e não a deixaria de modo algum.
Assim são aqueles que são nascidos de novo do Espírito: eles jamais deixarão de seguir a Jesus Cristo, e mesmo que venham a cair da Sua presença, jamais cairão de uma forma definitiva, porque pela fé, passaram a formar um só espírito com Ele.
Noemi julgava por sua condição que estava debaixo da vara da correção de Deus, que o Senhor estava contrariado com ela, e lhe havia escolhido para ser objeto dos Seus juízos, porque lhe tirara o marido e filhos, deixando-a numa terra estranha, e sem posses em sua própria terra natal, de onde havia partido para Moabe, sem saber que passaria por toda aquela aflição que a havia alcançado.
E tal foi o impacto da aflição na vida de Noemi que ao chegar em Belém com Rute, vinda de Moabe, as pessoas da cidade se comoveram com o estado delas, e as mulheres ficaram perplexas quanto a Noemi, que estava muito diferente da pessoa que havia partido para Moabe.
As aflições fazem grandes e surpreendentes mudanças num pequeno espaço de tempo.
Nós temos visto como a doença e a velhice alteram as pessoas, mudam o semblante delas e o seu temperamento. Por isso Noemi, que significa agradável, pediu que a chamassem de Mara, porque tinha agora um espírito triste.
É preciso pois considerar que há aflições temporárias que não chegam a operar toda esta transformação que foi operada em Noemi, mas pode haver um tempo em que Deus permitirá e nos chamará a experimentar provas que transformarão profundamente o nosso caráter, gerando sobriedade, seriedade, consideração adequada dos problemas e realidades da vida, e muitas outras coisas que nos tornarão muito diferentes das pessoas que éramos antes de ter passado pelos vales de aflição profundos e contínuos, que nos farão valorizar o céu e perceber quão passageiras são todas as coisas deste mundo, incluída aí a nossa própria constituição física.
A plenitude das coisas terrenas passará um dia, por maior que possa ser o tempo que nos seja concedido para participarmos dela. Mas a plenitude espiritual em Cristo jamais passará. Ao contrário ela se renova e cresce a cada dia e adentra pela eternidade afora.
“e os que usam deste mundo, como se dele não usassem em absoluto, porque a aparência deste mundo passa.” (I Cor 7.31).
“Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” (II Cor 4.16).
Não é incomum que muitas vezes, muitos cristãos confundam as aflições pelas quais passarão inevitavelmente neste mundo, como falta de amor e de cuidado de Deus por eles, quando na verdade não é necessariamente o caso. Por isso Jesus nos alertou sobre as aflições que teríamos no mundo, a par de toda a nossa fidelidade a Ele e agrado de Deus em relação às nossas vidas.
Mas Rute não levou em conta nada disto e manteve a sua decisão de fazer do Deus de Noemi o seu Deus, e do povo dela o seu próprio povo.
E nisto fez a única coisa necessária da qual Jesus falou em seu diálogo com Marta. Ela fez a grande, melhor e sábia decisão que lhe daria a sua alma como despojo, na salvação que obteve pela fé.
As dificuldades que poderia enfrentar em Israel não poderiam separá-la do amor do Deus verdadeiro que ela havia conhecido.
Ofra, tendo escolhido evitar as dificuldades e permanecer com seus deuses em sua própria terra fez uma péssima escolha, apesar de para a carne e o mundo, parecer ter sido uma melhor decisão do que a de Rute.
Felizes são todos aqueles que decidem seguir a Deus independentemente das circunstâncias difíceis que terão que enfrentar por servi-lo, na sua luta contra os principados e potestades, e nas provações de fé que o Senhor certamente lhes submeterá, porque no fim, em sua perseverança, eles conquistarão o céu de glória.



“1 Nos dias em que os juízes governavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar no país de Moabe, ele, sua mulher, e seus dois filhos.
2 Chamava-se este homem Elimeleque, e sua mulher Noemi, e seus dois filhos se chamavam Malom e Quiliom; eram efrateus, de Belém de Judá. Tendo entrado no país de Moabe, ficaram ali.
3 E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos,
4 os quais se casaram com mulheres moabitas; uma destas se chamava Orfa, e a outra Rute; e moraram ali quase dez anos.
5 E morreram também os dois, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.
6 Então se levantou ela com as suas noras, para voltar do país de Moabe, porquanto nessa terra tinha ouvido que o Senhor havia visitado o seu povo, dando-lhe pão.
7 Pelo que saiu do lugar onde estava, e com ela as duas noras. Indo elas caminhando para voltarem para a terra de Judá,
8 disse Noemi às suas noras: Ide, voltai, cada uma para a casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós o fizestes com os falecidos e comigo.
9 O Senhor vos dê que acheis descanso cada uma em casa de seu marido. Quando as beijou, porém, levantaram a voz e choraram.
10 E disseram-lhe: Certamente voltaremos contigo para o teu povo.
11 Noemi, porém, respondeu: Voltai, minhas filhas; porque ireis comigo? Tenho eu ainda filhos no meu ventre, para que vos viessem a ser maridos?
12 Voltai, filhas minhas; ide-vos, porque já sou velha demais para me casar. Ainda quando eu dissesse: Tenho esperança; ainda que esta noite tivesse marido e ainda viesse a ter filhos,
13 esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? deter-vos-íeis por eles, sem tomardes marido? Não, filhas minhas, porque mais amargo me é a mim do que a vós mesmas; porquanto a mão do Senhor se descarregou contra mim.
14 Então levantaram a voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela.
15 Pelo que disse Noemi: Eis que tua concunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses; volta também tu após a tua concunhada.
16 Respondeu, porém, Rute: Não me instes a que te abandone e deixe de seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus.
17 Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
18 Vendo Noemi que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar nisso.
19 Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém. E sucedeu que, ao entrarem em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e as mulheres perguntavam: É esta, porventura, Noemi?
20 Ela, porém, lhes respondeu: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque o Todo-Poderoso me encheu de amargura.
21 Cheia parti, porém vazia o Senhor me fez tornar. Por que, pois, me chamais Noemi, visto que o Senhor testemunhou contra mim, e o Todo-Poderoso me afligiu?
22 Assim Noemi voltou, e com ela Rute, a moabita, sua nora, que veio do país de Moabe; e chegaram a Belém no principio da sega da cevada.”

Silvio Dutra

Você não é como um religioso superficial que escolhe o versículo conveniente pra tentar dar lição de moral, né?

Charles Canela

João 11:35
Sabe esse pequeno versiculo, eu acho que é o menor e o maior ao mesmo tempo.
Quando o verbo se tornou carne, ele nao quis ser o SUPER HOMEM, mesmo que antes dessa passagem ele diz ""Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá" JOAO 11:25. Ele nao falou essa frase com o IRON MAN, tanto é que dez versiculos mais tarde, Ele chora.
Isso me conforta por saber que por ser Cristão, minha vida não seria um mar de rosas obrigatório, sabe?
Mas junto com essas tais rosas, viriam os espinhos, que iriam machucar. Mas me alegro, pois a Palavra diz "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" Salmos 30:5

Júlio.M

Esteva lendo um versiculo agorinha em Eclesiastes 3:4 e refleti no seguinte: Partindo de um principio básico de que há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar...independente do que você esteja passando neste momento, é você quem escolhe como reagirá!!! então vai uma dica....Sorria e dance sozinho, mas se conseguir fazer isso sem se importar com quem esteja em sua volta Aaaah! (então você alcançou o ápice da real felicidade) Pense nisso!

Fernando Macedo

Quando ler um versículo da bíblia, leia como se tivesse lido a bíblia toda e, quando ler a bíblia toda, leia como tivesse lido apenas um versículo.

Paulo Ponce Leão

Ezequiel capitulo 18 versículo :4 “a alma que pecar, essa morrerá.”, alma na Bíblia se refere a pessoa, alma falecida, é o mesmo que uma pessoa morta.

Bíblia

Pedro diz no sétimo versículo que essas coisas aconteceram — essas "várias tentações" — para que "a prova da Vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo". Como isso é importante — o precioso caráter da fé! Ele ressalta isso em sua comparação com o ouro. "Olhem para o ouro", ele diz. "O ouro é precioso, mas não tão precioso quanto a fé". Como ele estabelece isso? Ele mostra que o ouro é algo que um dia vai desaparecer. É apenas temporário, não há nada de permanente nele, ainda que seja maravilhoso e de muito valor. Mas a fé é eterna. O ouro vai perecer, mas a fé permanecerá. A fé é algo que é duradouro e eterno. Aquilo através do que vivemos, diz o apóstolo, é o que é responsável por estarmos na vida cristã. Vocês estão nesta posição de fé, ele diz, e não percebem como isto é maravilhoso e admirável. Andamos pela fé, toda a nossa vida é uma questão de fé, e aos olhos de Deus isso é tão precioso, tão maravilhoso, que Deus quer que seja absolutamente puro. Purificamos o ouro através do fogo. Eliminamos todas as impurezas ao colocar o ouro no crisol, ou na fundição, submetendo-o a um alto grau de calor; assim tudo que é impuro é removido, permanecendo apenas o ouro. Seu argumento, então, é que se fazemos isso com o ouro que perece, quanto mais precisa ser feito com a fé. Fé é esse princípio extraordinário que liga o homem a Deus; é o que livra o homem do inferno e o leva para o céu; é a conexão entre este mundo e o mundo por vir; a fé é esse elemento místico e admirável que pode tomar um homem morto em delitos e pecados, e fazer dele uma nova criatura, um novo homem em Cristo Jesus. É por isso que é tão preciosa. É tão preciosa que Deus quer que seja absolutamente perfeita. Esse é o argumento do apóstolo. Então, enfrentamos essas várias tentações e provações por causa do caráter da fé.

Martin Lloyd-Jones

Esqueça capítulo, versículo, epígrafe e entenda que: O SANTUÁRIO (templo) do Criador é você, é em você que Ele habita.
‪#‎TemploÉDinheiro‬ ‪#‎SaiDela‬

Adriano Croti

O Paradoxo da Justiça Divina



Hoje eu quero olhar para apenas um versículo: 1 João 2:1. Este é um texto que deve ser familiar para a maioria de vocês, mas às vezes perdemos as verdades ricas em textos mais conhecidos por não olhar de perto o suficiente ou pensar profundamente o bastante sobre o que o texto realmente diz. Este é um daqueles textos importantes que é milhares de vezes mais profundo do que a maioria das pessoas jamais perceberá, só por ler o capítulo. Então, eu quero meditar sobre isso com cuidado. E assim você terá um pouco do contexto. Vou começar a ler com outro texto (ainda mais conhecido) que se encontra apenas dois versos antes, mas separados por uma divisão de capítulo. Eu vou começar a ler com 1 João 1:9, e deixe-me sugerir-lhe que há um tema que une esses dois textos, e é o tema da justiça de Deus – no ato mesmo do perdão. Primeira João 1:9,10:
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.”
I Jo 2:1: “Meus filhinhos, eu estou escrevendo essas coisas para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo.”
(A citação “o justo” no final do versículo é de grande significação porque é pela justiça de Cristo, e não pela nossa, que somos justificados por Deus, e é em razão disso que ele pode interceder como Advogado, em nosso favor junto ao Pai – nota do tradutor)
Sempre tenho ficado intrigado com essa frase "temos um Advogado para com o Pai". A velha edição de 1984 da NIV traduz assim: "nós temos alguém que fala ao Pai em nossa defesa." Faz parecer que Jesus é um advogado, certo? Isso lhe surpreende? Você pode ter pensado que não haveria nenhum advogado no céu. Não tenho dúvidas de que haverá. Espero ver pelo menos Don Green lá. Mas a boa notícia é que nenhum deles fará o exercício da advocacia no céu. Há apenas uma prática de advocacia no céu, e que é do próprio Senhor, o nosso "Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo."
O apóstolo João está deliberadamente usando a terminologia dos tribunais. Ele está retratando Cristo como um advogado que defende o nosso caso na sala de justiça de Deus. É uma imagem surpreendente da nossa salvação, e um lembrete vívido de que a nossa redenção do pecado está toda ela sobre a divina justiça. Somos salvos por meios legais de um modo que magnifica a justiça de Deus.
Agora deixe que isto penetre em sua consciência. Quero enfatizar isso, porque muitas pessoas não compreendem completamente a salvação, e pensam do perdão divino como algo que subverte totalmente a justiça e a põe de lado. Como se a misericórdia de Deus anulasse a Sua justiça. Como se o amor de Deus destruísse e revogasse o Seu ódio ao pecado.
Em outras palavras, as pessoas tendem a pensar que a salvação está fundamentada somente no amor e misericórdia e bondade de Deus, como se Ele simplesmente decidisse abandonar o devido castigo do pecado e acabar com o registro de nossos erros e anular as reivindicações da justiça contra nós, só porque o seu amor era tão grande que ele simplesmente acabou com o Seu santo ódio pelo pecado.
Mas isso é uma visão errônea. Na verdade, é um dos principais erros da heresia conhecida como Socinianismo. Os Socinianos originais eram hereges do século XVI que negavam que Deus exige qualquer pagamento pelo pecado como um pré-requisito para o perdão. Eles insistiram em vez disso que Ele perdoa os nossos pecados a partir da graça de Sua bondade somente. Eles argumentaram que, se Deus exigisse uma expiação - um pagamento pelo pecado, então isto não seria realmente o perdão quando Ele nos absolve. Eles alegaram que o pecado podia ser pago ou perdoado, mas não ambos.
Em outras palavras, eles definiram o perdão de uma maneira que contradiz e contraria a justiça. Eles tinham essencialmente ensinando que Deus não poderia manter as exigências de sua justiça e perdoar os pecados, ao mesmo tempo. Eles pensaram no perdão e na justiça como duas ideias incompatíveis.
Espero que você não pense que a salvação funciona dessa forma.
Uma das mais gloriosas verdades do evangelho é que Deus nos salvou de uma maneira que confirmou a Sua justiça. A justiça não foi nem comprometida nem posta de lado; ela foi totalmente satisfeita. E a nossa salvação está, portanto, fundamentada na justiça de Deus, bem como na sua misericórdia.
E é isso que o apóstolo Paulo quis dizer quando afirmou em Romanos 1:17 que "a justiça de Deus se revela no evangelho”. É também o que o apóstolo João ressalta aqui neste contexto, quando ele diz no versículo 9 do capítulo 1, que "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar." Ele não meramente põe de lado a justiça e nos perdoa com base na enorme abundância de Sua misericórdia, Ele perdoa, porque é um ato de justiça fazê-lo assim.
Agora, não há um paradoxo surpreendente e maravilhoso nessa ideia? Você vê isso? Nós normalmente pensamos da justiça como o atributo de Deus que exige a punição do pecado. E é isso. A justiça clama por vingança sempre que um mal é feito. Provérbios 11:21: "Tenha a certeza, que uma pessoa má não ficará impune." Êxodo 34:7: " [Deus] não tem por inocente o culpado."
Entendemos isso instintivamente. É injusto deixar o mal impune. A justiça verdadeira leva Deus a tratar com os malfeitores. Ouça a oração de Salomão na dedicação do templo (2 Crônicas 6:23): " ouve tu dos céus, age e julga a teus servos, dando a paga ao perverso, fazendo recair o seu proceder sobre a sua cabeça e justificando ao justo, para lhe retribuíres segundo a sua justiça." De acordo com Apocalipse 6:10, as almas daqueles que foram martirizados por sua fé clamavam a Deus: "Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?"
E Deus vai julgar o mal. Estamos ansiosos para o dia em que o Juiz de toda a terra julgará as obras dos ímpios e expurgará o mal do universo. Ele não comprometerá a sua própria justiça, permitindo que um pecado fique impune. Jesus disse: "nada há encoberto que não será revelado, nem oculto que não será conhecido" (Mateus 10:26 ). Lucas 12:3: "Tudo o que você disse no escuro será ouvido na luz, e o que você sussurrou em salas privadas será proclamado sobre os telhados." Todo pecado, mesmo os secretos, serão expostos e julgados. A justiça clama por vingança do pecado, e Deus é um Deus de justiça perfeita, então ele não deixará um só pecado impune. (exceto no caso de terem sido perdoados pela expiação no sangue de Jesus – nota do tradutor)
Nós tendemos a pensar sobre essas coisas de uma forma muito superficial. Tomamos a misericórdia de Deus como garantia e ignoramos Sua santa justiça. Mas uma visão correta de Deus sempre exaltará o Seu ódio justo contra o pecado, tanto quanto magnificará o Seu amor e misericórdia. A misericórdia de Deus não é um sentimento piegas que faz com que Ele se esqueça da sua santidade e ponha de lado a sua justa ira contra o pecado. As exigências da justiça devem ser plena e completamente satisfeitas para que Deus possa perdoar o pecado. Ele não pode e não vai simplesmente ignorar o pecado como se isto realmente não importasse.
Ainda assim, ele perdoa.
E para mim, uma das coisas mais maravilhosas sobre o evangelho é que ele explica como isso é possível. Cristo satisfez a justiça de Deus em favor daqueles aos quais Ele salva. Ele suportou a pena dos seus pecados quando Ele morreu na cruz. O evangelho declara: "Sua justiça, [assim] para que ele pudesse ser [ambos] justo, e justificador daquele que tem fé em Jesus."
Em outras palavras, o Evangelho não é apenas uma mensagem sobre o amor de Deus. Ele é isso, mas não é só isso. O verdadeiro evangelho magnifica sua justiça, tanto quanto o seu amor. Mas quando foi a última vez que você pensou sobre o evangelho como uma mensagem sobre a justiça divina?
Tendemos a não pensar nesses termos. Invariavelmente, quando você ouve o evangelho apresentado nos dias de hoje, todo o enfoque está no amor de Deus e Sua aversão justa ao pecado raramente é sequer mencionada. "Deus ama você e tem um plano maravilhoso para a sua vida." Gostamos de falar sobre o perdão, mas raramente há qualquer atenção ao fato de que Deus exigiu o pagamento completo pelo pecado, e se o pagamento não tivesse sido feito, nunca haveria qualquer perdão. Hebreus 9:22 - "sem derramamento de sangue não há perdão dos pecados." A verdade é que, se a justiça de Deus não tivesse sido plenamente satisfeita, nossa salvação não seria possível. Seríamos condenados para sempre sem qualquer esperança de misericórdia.
É por isso que o apóstolo João usa toda esta terminologia forense. Ele está destacando o fato de que nossa salvação está fundamentada na justiça de Deus. Capítulo 1 versículo 9: "Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados." E olhe para o versículo 1 do capítulo 2: "Nós temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo."
Mais uma vez, há um paradoxo maravilhoso nisso. Nós pensamos da justiça como aquilo que clama para o nosso castigo, mas podemos aprender com o evangelho que Deus tem feito a justiça ser algo que clama por misericórdia. Isso é realmente um profundo pensamento, quando você pensa sobre isso.
Este é o assunto que abriu os olhos de Martinho Lutero para o evangelho. Ele estava estudando Romanos 1, e ele não conseguia passar do versículo 17. Ele leu, onde Paulo diz que o evangelho revela a justiça de Deus, e ele era incapaz de ir adiante. Ele disse que ficou com raiva. Ele disse que odiou o apóstolo Paulo por ter escrito esse versículo, porque o evangelho é suposto ser boa notícia. Mas Paulo diz que revela a justiça de Deus, e Lutero só conseguia pensar em justiça como algo que exigia a punição dos pecadores.
Mas, finalmente, ele se deu conta de que Paulo estava falando de um modo diferente sobre a justiça divina. Na verdade, Paulo estava descrevendo esta qualidade mesma da justiça divina que exige a salvação dos crentes. "Como está escrito: O justo viverá pela fé". E Lutero disse que era como se uma janela para o céu tivesse sido aberta para ele. De repente, ele viu a justiça de Deus sob uma luz completamente diferente, e ele veio a amar esse mesmo atributo de Deus, que ele detestava anteriormente.
Há um ponto importante em tudo isso: a menos que você veja que a justiça de Deus é tão importante quanto a sua misericórdia na obtenção de sua salvação, você não vai amar a Sua justiça da forma que deveria. Mas se você entender que a salvação não somente cumpre a misericórdia divina, mas também magnifica a justiça divina, isso será um poderoso fator dissuasivo para o pecado em sua vida.
Olhe para o nosso versículo de novo: "Meus filhinhos, escrevo estas coisas para que não pequeis."
E nesta manhã eu quero levá-lo para a visualização da galeria do salão da justiça celestial, para que possamos analisar o paradoxo da justiça divina de perto. E eu vou chamar a atenção para três aspectos nesta cena forense que são surpreendentes e maravilhosos. Aqui estão três características que não são as que poderíamos esperar encontrar num cenário onde a primeira preocupação é a justiça: o advogado, o veredicto, e o remédio para o nosso pecado. Vamos olhá-los individualmente. Primeiro,

1. O Advogado

O advogado de defesa é o próprio Cristo. Isto é notável por várias razões. Primeiro de tudo, como eu disse no início, é extraordinário pensar de Cristo no papel de nosso Advogado celestial - intercedendo por nós com Deus, argumentando a nosso favor com base na divina justiça. É assim que Ele pleiteia o nosso caso. É assim que Ele fala em nosso benefício. Ele nos representa diante do trono da justiça divina, e faz com que essa própria justiça demande o nosso perdão. Você não poderia ter um melhor advogado para defender seu caso.
A palavra grega traduzida como "advogado" é parakletos. Literalmente significa "alguém chamado ao lado." Ela tem a ideia de um intercessor em nosso favor. Ela também pode transmitir a noção de quem consola – um consolador. É a mesma palavra usada para o Espírito Santo em João 14:16, onde Jesus prometeu enviar o "Consolador", o parakletos - alguém chamado ao nosso lado para nos ajudar. Assim, o Espírito Santo habita em nós como nossos parakletos aqui na terra. Jesus intercede por nós como nosso parakletos na sala do trono de Deus. (Muitos sofrem a dor de se sentirem sempre acusados e condenados pelo pecado, porque não conseguem ver Jesus e o Espírito Santo como parkletos – advogados de defesa – consoladores para o pecador penitente, senão como duros juízes prontos a nos castigar por nossas falhas e fraquezas. Enquanto prevalecer esta última visão, não se pode desfrutar do amor e do descanso de Deus – nota do tradutor).
Agora, se você nunca se arrastou num tribunal para responder a acusações, uma coisa que você vai descobrir é que não existe presença mais reconfortante naquele tribunal que o advogado que fala em seu favor. Ele se senta ao seu lado. Ele argumenta o seu caso com mais eloquência e autoridade do que você jamais seria capaz de fazer em sua própria defesa. Ele fica ao seu lado completamente e sem reservas. Ele é a pessoa mais amigável na sala do tribunal quando ele olha para você ou fala com você e especialmente quando ele fala para o tribunal em seu nome. Acima de tudo, ele é o adversário determinado de quem fez as acusações contra você. Esse é o papel que Cristo cumpre para nós no céu. Isso não é uma verdade maravilhosa?
Não há melhor defensor do que Jesus Cristo. Não há ninguém que possa discutir com mais poder ou mais persuasivamente. Ele nunca perde Seus casos.
E observe com quem ele pleiteia. De acordo com este versículo, Ele é o nosso advogado "junto ao Pai". Ele defende o nosso caso diante do Pai.
Agora, não é a ideia de que o nosso advogado está diante de um tribunal duro e insensível. Ele defende junto a um Pai amoroso. E, neste tribunal, não é somente o nosso advogado que está gentilmente disposto para nós, mas o juiz está do nosso lado também.
Algumas pessoas imaginam que Cristo é simpático para nós, mas o Pai é severo e implacável, e Cristo deve pleitear com Ele, a fim de superar a sua hostilidade contra nós, como se Deus estivesse em oposição a nós e insistindo em retribuição. Como se Cristo devesse interceder desesperada e urgentemente em nosso favor para mudar a atitude do Pai e superar a suposta hostilidade do juiz celestial contra o nosso pecado.
Se essa é a maneira que você imagina o exercício da advocacia de Cristo, tire essa ideia de sua mente. Nesta corte celestial de justiça, o Juiz já está predisposto a perdoar. Ele está tão ansioso pela nossa absolvição tanto quanto o nosso advogado que nos defende. Na verdade, é Ele, o Pai, o Juiz - que enviou o Filho para se tornar nosso Salvador. Primeira João 4:10: "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas foi Ele que nos amou primeiro e enviou seu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados. " Assim, o Pai e Seu Filho, nosso advogado, estão ambos inclinados em direção à misericórdia. Salmo 130:7 diz: "com o Senhor há benignidade, e com ele há copiosa redenção." O salmista orou (no Salmo 86:5), "tu, Senhor, és bom e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam." E no versículo 15, ele acrescentou, "tu, Senhor, és um Deus misericordioso e compassivo, tardio para se irar e cheio de amor e fidelidade." Isaías 55:7 diz que Deus "é rico em perdoar." Em todos os lugares nas Escrituras, Deus é retratado como ansioso para perdoar, e disposto para perdoar, não se deleitando na destruição dos ímpios, mas pleiteando com os pecadores para que se arrependam e se reconciliem com ele.
O obstáculo, visto por nossa perspectiva, é a justiça. Como é que é justo para perdoar? O sacrifício de Cristo responde a essa pergunta (versículo 2): "Ele é a propiciação pelos nossos pecados." Capítulo 1:7: "o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado."
Mas é justo perguntar: Se Deus nos ama e está disposto a ser misericordioso para conosco, e Cristo pagou a dívida exigida pela justiça, por que é então necessário que Ele suplique ao Pai em nosso favor? Por que o Filho deve ser o nosso advogado diante do Pai? Por que precisamos de um defensor celeste?
Porque há quem nos acusa: Satanás, que em Apocalipse 12:10 é chamado de "o acusador dos irmãos", e que está constantemente trazendo acusações contra nós ao tribunal de Deus. Isto descreve o drama no céu no final dos tempos. O apóstolo João escreve: "Eu ouvi uma grande voz no céu, que dizia:" Agora chegou, a salvação, o poder, e o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, porque já o acusador de nossos irmãos foi jogado para baixo, porque os acusava de dia e noite diante do nosso Deus." Você entendeu isso? Satanás está constantemente, sem parar, dia e noite, enquanto você está dormindo, bem como enquanto você está acordado, argumentando contra você perante o juiz de todo o universo. Acusando você. Trazendo a lista de suas transgressões diante do trono de Deus. Exigindo que seja punido por seu delito. E o seu grande objetivo é a destruição de sua alma.
Mas Cristo defende o seu caso. E Ele faz isso não para que Ele possa mudar a mente do juiz - porque o juiz já está disposto a ser misericordioso e clemente para você, se você está em Cristo. Mas Cristo pleiteia seu caso, a fim de responder ao argumento do acusador. A fim de calar aquele que fala contra você. Para derrotar e emudecer o grande inimigo de sua alma.
Assim como Satanás pleiteia o caso contra você dia e noite, você tem um incansável defensor que nunca para de defender sua causa. E de acordo com Hebreus 7:25 , "ele é capaz de salvar totalmente aqueles que se aproximam de Deus por meio dele, pois vive sempre para interceder por eles." Ele nunca descansa. Ele nunca faz um recesso. Ele está constantemente respondendo às acusações contra você de uma forma que totalmente domina e oprime o adversário e totalmente silencia suas queixas.
E aqui está outra coisa notável sobre o defensor celeste. Ele é o único advogado de defesa na história da jurisprudência que vai defender o seu caso se você confessar totalmente a sua culpa a ele. Se você tentar encobrir sua própria culpa e se recusar a confessar que você é total e completamente digno de condenação, então você não pode tê-Lo como seu advogado. (O que é motivo para condenação nos tribunais terrenos com base na lei e justiça dos homens, é totalmente o oposto no tribunal celestial – nota do tradutor).

2. O Veredicto

Aqui está um Advogado que nunca perde um caso. Não importa o quão culpados e manchados pelos pecados eles estejam, os seus clientes nunca enfrentarão a condenação do juiz. "Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" ( Romanos 8:1 ). Ele tem se tornado justiça em si mesmo a nosso favor.
Ainda, isto é justiça divina, e não uma injustiça, quando somos absolvidos. O versículo 9 do capítulo 1 diz: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." Ele é o nosso Advogado (2:1) - ". Jesus Cristo, o Justo". O veredicto? Um perdão total. "Deus que é luz, e em quem não há trevas nenhuma ... é fiel e justo para nos perdoar os pecados."
Assim, o veredicto é imediata absolvição e um perdão completo e livre de todos os nossos pecados sobre os princípios de justiça somente, sem comprometer a justiça divina, no mínimo. Então, no final, o juiz é tanto "justo e justificador daquele que crê em Jesus "(Romanos 3:26). Não é isto uma surpreendente justiça?
Agora, tenha em mente por que isso é possível: Como o próprio advogado já pagou a pena do pecado em nosso favor. Versículo 3: "Ele é a propiciação pelos nossos pecados." Nós conversamos sobre a palavra propiciação antes. Isso significa que Cristo tem satisfeito totalmente a justiça, bem como a ira de Deus, em nosso favor. Ele tinha pago plenamente a pena do pecado antes, para que o nosso caso jamais fosse levado perante o trono. Na verdade, seria injusto se fôssemos convidados a pagar a pena uma segunda vez. E assim Cristo ganha nossa absolvição alegando que a justiça já tem sido cumprida. A pena já está paga na íntegra. "Ele mostra as mãos e feridas e me declara com sendo Seu."
Quem não gostaria de um advogado como esse?
Agora eu lamento que todo este princípio não seja enfocado o suficiente em nosso pensamento, e isso é raramente mencionado na maior parte da pregação no mundo evangélico de hoje. Como eu disse anteriormente, há muito enfoque sobre a misericórdia e bondade de Deus, e isto é certamente um princípio importante. Foi o amor de Deus que o levou a dar o seu próprio Filho como um sacrifício pelos pecados, para que o perdão fosse possível.
Mas o perdão não teria sido possível na base do amor somente. Deus é um juiz justo. Ele não pode simplesmente virar a cabeça e olhar para longe de nosso pecado e agir como se nunca tivesse acontecido. Ele não pode ignorar o pecado e fingir ser justo, ignorando a injustiça. Algo deve ser feito sobre o pecado. Há um preço a ser pago. O princípio da justiça deve ser satisfeito. Se Deus simplesmente ignorasse o nosso pecado, Ele seria um acessório após o fato. A justiça estaria fatalmente comprometida. Sua própria santidade seria desacreditada.
Afinal de contas, Deus condenou imediatamente o diabo e os anjos que pecaram por expulsá-los do céu para sempre. Ele um dia vai amarrá-los e lançá-los no lago de fogo, onde vão colher o salário do seu pecado por toda a eternidade. Como poderia um Deus cujos padrões de justiça são tão altos, simplesmente desculpar o pecado da humanidade e não exigir nenhum preço pelo pecado de Adão e todos os que estão em Adão?
Alguém tinha que pagar, e tinha que ser um Homem que pagaria - um ser humano. Não somente isso, se um homem tivesse que pagar a penalidade do pecado em nome de terceiros, ele teria que ser um homem que não tivesse pecados de sua autoria para expiar. E por isso mesmo, Cristo se tornou um homem, o homem perfeito, perfeito em justiça, "santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e exaltado acima dos céus" de acordo com Hebreus 7:26. E Ele pagou um preço infinito, sofrendo a plena ira de Deus contra o pecado, o equivalente pleno do tormento eterno no inferno para sempre em favor de multidões que nunca poderiam se dar ao luxo de pagar um preço tão alto por si mesmos.
Esse é o verdadeiro significado da cruz. Cristo sofreu e morreu sob o peso de uma punição que é inconcebível em termos humanos.
Como Ele pagou esse preço? Foi por ser flagelado e cuspido, torturado e espancado por ímpios, cruéis, impiedosos carrascos? Bem, sim, mas não foi somente isso. Os sofrimentos físicos da cruz eram apenas uma fração infinitesimal da dor que Cristo sofreu. O sangramento, a sede, a dor, os chicotes urticantes e unhas cruéis podem parecer ter causado dor suficiente. Essas coisas certamente lhe deram uma maior dor terrena do que qualquer homem pode razoavelmente esperar suportar.
Mas isso somente não teria sido suficiente para expiar o pecado. E, de fato, o trauma físico era apenas um símbolo minúsculo dos sofrimentos reais de Cristo. Assim, esse drama terrestre jogado sobre uma cruz romana, foi um tipo do sofrimento muito mais grave que afligiu a alma de Cristo no reino espiritual. Ele recebeu todo o peso da ira divina por todos os pecados de todo o Seu povo de todos os tempos. Deus derramou a Sua ira santa contra o pecado na pessoa de Seu próprio Filho.
Vários séculos antes do evento da crucificação, o profeta Isaías havia dado um vislumbre da obra expiatória de Cristo, e quando ele olhou para o evento profeticamente, ele viu a crucificação do ponto de vista de Deus, e isto é o que ele escreveu (Isaías 53:10): "Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos.” Isaías nos diz que Deus puniu a Cristo pelos nossos pecados. Novamente nas palavras de Isaías: "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.”, Isaías 53.6.
Cristo carregou uma quantidade infinita de punição. Ele sofreu mais da ira de Deus do que você jamais iria sentir, mesmo se você passasse o resto da eternidade nos tormentos do inferno. E Ele fez isso para pagar pelos pecados de todos os que iriam crer nele para sempre.
E, tendo já sofrido tanto, Ele pode agora defender nossa causa diante de Deus em perfeita justiça. Ele pode ser um advogado diante do trono da justiça divina em nome de culpados, pecadores sem esperança, e Ele pode ganhar a sua completa absolvição, porque a justiça tem sido completamente satisfeita através de Seu sacrifício perfeito.
Isso é uma verdade importante para se manter em mente quando consideramos o perdão de Deus. Vivemos em uma sociedade onde os criminosos culpados saem impunes o tempo todo. Eles são livrados por tecnicidades forenses. Eles são absolvidos por juízes injustos e júris insensatos, e por advogados corruptos. E olhamos para isso com ressentimento, porque é uma distorção horrível da justiça.
Mas até mesmo o próprio Satanás não pode se queixar de qualquer injustiça no tribunal de Deus, mesmo os pecadores que são absolvidos o tempo todo. Porque o preço da justiça já tem sido satisfeito e pago integralmente.
Então, se você está em Cristo, você tem um defensor perfeito junto a Deus, o Pai, Jesus Cristo, o justo. Você pode ir corajosamente diante do trono da graça e estar totalmente certo de que você vai achar graça para socorro em ocasião oportuna. Você pode viver com plena confiança de que não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. Você pode descansar na promessa de que não entrará em condenação, mas já passou da morte para a vida.
Se você ainda não está em Cristo, ou se você não tiver certeza de sua condição com Ele, peço-lhe para pedir a Ele por misericórdia, agora mesmo, exatamente onde você está sentado. Confesse seus pecados e não tente desculpá-los ou encobri-los. Peça ao Espírito de Deus para quebrantar seu coração sobre o seu pecado para que você possa vê-lo como Deus o vê (o pecado) - abominável, repugnante, e extremamente pecaminoso. Você tem a própria promessa inviolável de Deus que se você confessar o pecado e buscar a Sua misericórdia, Ele vai lhe perdoar, e Ele é ao mesmo tempo fiel e justo para fazê-lo.
Agora eu quero voltar sua atenção para uma terceira característica marcante dessa passagem.

3. O Remédio

A obra de Cristo tem adquirido para nós muito mais do que uma mera absolvição dos nossos pecados. "Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar-nos de toda injustiça." Este mesmo princípio de justiça perfeita, que ganha o nosso perdão, também foi construído em um remédio para nossas tendências pecaminosas. Isso nos dá um motivo para não pecar. Mais do que isso. Esta notável justiça não se limita a nos dar um veredicto de não culpados no tribunal de Deus. Ela também nos purifica da mancha do pecado, nos permite vencer o amor ao pecado, e nos dá um incentivo para não pecar.
Olhe a frase de abertura do nosso versículo: "Meus filhinhos, escrevo estas coisas para vocês, para que não pequeis."
Este é um aspecto maravilhoso do argumento de João. E de certa forma é lamentável que quando os livros da Bíblia foram divididos em versículos e capítulos, alguém decidiu colocar uma pausa no capítulo justamente aqui. Porque esta declaração deve ser considerada no contexto do que foi dito antes.
No capítulo 1, três vezes o apóstolo nos lembra que somos pecadores culpados e devemos confessar nossos pecados. Versículo 6: "Se dissermos que temos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade." Versículo 8: "Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós." E o versículo 10: "Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós."
E o versículo 9 contém essa familiar promessa, pródiga de completo perdão: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados."
Agora, sempre houve pessoas que pensam que a doutrina que João estabelece aqui é perigosa para uma vida santa. Ainda hoje, há pessoas que tentam explicar a promessa de livre perdão. Eles pensam que é como um desencorajamento à santidade. E por incrível que pareça, as pessoas que possuem essa visão geralmente caem em algum tipo de perfeccionismo, onde ensinam que é possível, se você se esforçar o suficiente e exercer a força de vontade suficiente, que você pode abster-se do pecado completamente e atingir um tipo de perfeição. E, você vê, que isso transforma a mensagem de João em sua cabeça, porque quem pensa que alcançou algum tipo de perfeição absoluta está na própria situação que João condena no versículo 8 do capítulo 1, por dizerem que eles não têm pecado.
A mensagem de João é clara: Nós pecamos. Todos nós pecamos. Nós pecamos muitas vezes e pecamos miseravelmente. E devemos confessar isso a Deus.
Mas é possível, e às vezes acontece, que uma mente carnal se apodera dessa verdade e pensa que pode justificar uma continuidade ininterrupta no pecado. Afinal de contas, se eu pecar, e se Deus perdoa o pecado, então por que não apenas continuamos pecando, tanto quanto pudermos, para que a graça abunde? Paulo antecipou esse argumento em Romanos 6 , e nos diz que é uma posição impensável. "De maneira nenhuma! Como podemos nós que morremos para o pecado ainda vivermos nele?"
Aqui o apóstolo João está dizendo a mesma coisa. Na verdade, ele diz que essas verdades devem nos guardar do pecado. Longe de pensar que a liberdade da graça de Deus iria levar uma pessoa redimida a pecar, ele diz que o princípio da liberdade do perdão é a própria doutrina de que isto deve nos guardar do pecado.
Se você acha que a graça livre significa licença para pecar, você precisa examinar a si mesmo para ver se você está na fé. A consciência se revolta por tal abuso da misericórdia divina, especialmente quando percebemos que um preço inconcebivelmente cruel foi pago por Cristo por nossos pecados. Devemos odiá-Lo porque Ele é bom para nós? Vamos amaldiçoá-Lo porque Ele nos abençoa? Que tipo de culpado monstruoso usaria a bondade de Deus como uma desculpa para desonrá-Lo? Será isto crucificar novamente a Cristo e colocá-lo à ignomínia? Ninguém que verdadeiramente Lhe ame e que nEle confia jamais trataria sua benignidade com tal desprezo perverso.
A verdade é que aqueles de nós que Lhe conhecem - que se beneficiam tão incomensuravelmente por Sua súplica diante do trono de Deus em nosso favor – não necessitam de nenhum argumento mais nobre para a santidade do que a riqueza da sua misericórdia para conosco.
Ele vive sempre para interceder por nós. Ele está pleiteando nossa causa diante do trono do Pai, neste exato momento. Se isso não mudar o seu coração com um desejo apaixonado de servi-Lo e honrá-lo com a sua vida, então o seu coração está frio e morto, e isso é o próprio pecado que você precisa confessar no dia de hoje, para que Ele possa perdoá-lo e purificá-lo de toda injustiça.
Eu espero que você reflita sobre essas coisas com cuidado. Contemple a justiça maravilhosa que fornece perdão e purificação. Deixe estas verdades penetrarem em sua alma, e queime o seu coração com um zelo pela Sua justiça - a justiça mesma que torna a justiça divina em seu favor e lhe dá acesso diante do trono, aqui e agora - e que lhe garante uma eternidade cheia de bênçãos inimagináveis. Não há nenhum argumento mais forte para a santidade do que isso.

Texto de Phil Johnson, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Phil Johnson

Acho incrível o universo de palavras, que surge em minha mente, ao ler um simples versículo...

Jose Carlos Alves

Vamos esclarecer duas coisas coisa: o versículo de Mateus 6:33 que diz "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" não quer dizer que Deus vai te dar um carro do ano, dinheiro, luxo nem nada do tipo. Se vocês lerem o capitulo todo de Mateus 6, vão entender que "estas coisas" são na verdade uma promessa de Deus para conosco, se O buscarmos em primeiro lugar, elas são: vestimenta (roupas), alimento (comida) e moradia (casa). Não confundem as coisas, se você buscar o reino de Deus esperando que TODAS AS COISAS que você quiser sejam acrescentadas na sua vida, creio que o seu propósito de busca esteja errado. O segundo ponto encontra-se em Filipenses 4:13, que diz "tudo posso naquele que me fortalece". Muitos também isolam esse versículo com o intuito de dizer que podem tudo naquele que os fortalece, no caso, Deus. Mas esse "tudo posso", é interligado a bens materiais, logo, pensam que podem tudo o que quiserem vindo de Deus. Mas, lendo o versículo 12, você lê o real significado de poder tudo: "Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade." Filipenses 4:12
Muito cuidado ao isolar versículos, seja para agradar pessoas ou até mesmo para agradar a si próprio; leia todo o contexto para que entenda.

Clinton Ramachotte

DA SÉRIE: PRETEXTO PRA HERESIA

“Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas” (Salmos 105:15).

O versículo citado acima tem sido usado para muitas coisas. Maus pastores e falsos profetas usam essa passagem para se defenderem; crentes sem conhecimento usam em defesa de certos ungidos e outros ainda a usam pra reforçar a ideia de que não cabe a nós, servos de Deus, julgar (segundo a reta justiça) ou criticar heresias e até práticas anti-bíblicas. No contexto, as palavras “toqueis” e “maltrateis” significa UNICAMENTE a um dano físico a alguém. Mas, o Salmo 105:15, usado como texto isolado, não impede em nada de questionar os ensinos dos pastores ou qualquer outra homem ou mulher de Deus em caso de heresia. A expressão nesse versículo não foi dada para proteger os desvios das doutrinas e muito menos heresias. Por esse texto, vemos que a referência do verbo TOCAR não tem relação alguma com contradizer, contestar, discordar, por isso, se tiver dúvidas de algo que está sendo pregado, estude o contexto do texto, o antes e o depois e tire sua dúvida. Nunca se cale perante alguma heresia.

Clinton Ramachotte

E disse-lhes Jesus: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.

Evangelho segundo São Mateus, capítulo 4, versículo 19 (Mt 4,19)

Jesus respondeu: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

Evangelho segundo São Mateus, capítulo 4, versículo 4

Quando a bíblia diz "orai e vigiai" não é a vida dos outros, é a sua!

izabelmist