Vc é Linda

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Toque de Amor...

Tocaste meu coração
Como o orvalho toca a flor
Como a lua em comunhão
Com a noite em seu esplendor.

Preencheste minha vida
Como uma balada de amor
Que envolve e se faz acolhida
Na dança com todo ardor.

Invadiste minha praia
Como onda turbulenta
Espantando a calmaria
Deixando-me mais sedenta.

Iluminaste meu mundo
Como o sol clareando a aurora
Com teus raios me invadindo
De um jeito que tudo aflora!

Linda Edwards

Me faça chorar com a verdade ao invés de me fazer sorrir com a mentira!!!!

Vivian Linda

Quando me perco me procuro em você porque é em você que me acho.

Linda Amaral

O maior erro cometido é colocar na mente o que não vem do coração

Leidi Linda

É pedir demais para ser amada?
Foi você quem se propôs a me amar.
E eu, deslumbrada com tamanho amor, me entreguei com toda esperança de felicidade e cumplicidade em momentos bons e/ou ruins...

Linda S.

Eu insisto!
Eu insisto em falar de uma história diferente da que vivi, eu teimo em apontar caminhos mais floridos que os que percorri... Eu persisto na existência de um tempo mais ameno, de uma vida mais serena...Eu continuo acreditando que amar pode valer ..Não a pena, pois não há pena em amar...Mas que amar vale a vida e que na vida o que vale é amar...Eu ainda digo ao caminheiro que há desvios e atalhos, mesmo que não os tenha encontrado... ...E sigo sonhando que se pode acreditar... Acreditar nas pessoas, em abraços de irmãos, em apertos de mãos...Eu me pego a esperar sem fim que venham dias que tragam de volta o gosto do primeiro amor... Eu anseio por ventos que tragam as boas novas, para quem perdeu de vista a esperança e que venham também de carona em suas asas, a inocência, e a delicadeza para quem perdeu a essência... E quer acreditem ou não, eu posso jurar que tudo pode ser diferente quando se quer mudar e que o barco chegará ao porto desejado sob bonança ou tempestade... Eu sonho com esse tempo, um tempo que celebre encontros e mande embora a despedida... Mesmo que não chegue a alcançá-lo...Que ele venha bem depressa e que passe assim... Devagar... devagar...E que ao passar, deixe lembranças que valham recordar... E que se acaso ele não me encontre mais, mas que seja o tempo de outros, presente da vida a quem soube esperar!...Eu insisto e persisto em desejar!

Linda Lacerda

Que eu abra janelas...

Senhor, tu que abres portas,
Deixe que eu abra janelas...Janelas
De violetas ,de girassóis, de quintais...
Aquelas que dão para o vôo dos pardais...
Que levarão meu olhar distante
Para os prados,para os horizontes...
Lá onde estão os meus sonhos,
onde vivem os meus ideais...
Senhor, e que abrindo janelas,
Faça que eu, de divisar seja capaz
pelas janelas da minha alma,
os campos onde floresce a paz!

Linda Lacerda

Estabelece-se!

Fica estabelecido que as pessoas terão asas na alma e que alçarão voos em direção aos sonhos,que estarão pousados no galho mais baixo da árvore dos desejos, plantada no meio de um jardim,no campo onde floresce o impossível!

Linda Lacerda

A flor nossa de cada dia!



Parece piegas falar que pode se encontrar uma flor para cada dia, mas fácil, muito fácil, encontrar uma flor para todos eles... Eu procuro flores em todos os dias da minha vida. E foi assim que construí um jardim num solo quase infértil, onde poderia haver somente espinheiros... Algumas pessoas nascem em terra erguida e arada pelas mãos caprichosas do destino. Essas já receberam o seu próprio jardim, construído, plantado e regado pela vida... Mas sou persistente e descobri que se a vida não fertilizou a parte que me foi dada, revolvi eu mesma arar a terra seca e dela fiz brotar a minha flor de cada dia... E assim sigo procurando e graças a Deus, encontrando flores para darem sentido e colorido a eles. Há aqueles dias em que encontro uma flor entre os rochedos... Aquela que nasceu por acaso, solitária e quase sempre despercebida por estar em lugares ermos e que para encontrá-la temos que escalar montanhas... Eu sei que essa é flor do alento... Que me diz que embora às vezes me sinta desolada, ainda trago em mim a beleza que olhos sensíveis encontrarão...Colho a flor da gratidão,- essa muito rara de se encontrar , pois está plantada em lugares quase nunca percorridos-...no coração das pessoas que sofrem mais que eu e nem por isso se desesperam ou renegam a existência...Encontrar a flor nossa de cada dia é mais ou menos assim como jogar o jogo do contente...Quando pequenas coisas me deixam feliz, por mais simples que sejam para outras pessoas, eu sei que encontrei a bela flor da alegria... Essa eu colho aos ramalhetes e oferto aos que passam pelo caminho... Ela é como flor do campo... Nasce em todos os lugares, basta que se tenha sensibilidade para enxergá-la... Está em pequenos gestos que fazemos ou recebemos... Há a flor da simplicidade quando recebo uma boa noticia, quando vejo cores onde a vida insiste em me mostrar preto e branco...Flor de sentimento quando reencontro um amigo querido que há muito não via...quando alegro-me com a alegria dos outros... Há uma flor para os meus dias de melancolia quando vejo que a introspecção é um tempo que precisamos para vasculharmos o nosso interior e, por conseguinte voltarmos melhor... Há uma flor para os dias em que penso que vou me atolar no pântano da vida e penso que de lá é que brotam maravilhosas flores de lótus... Encontro a linda flor da esperança quando vejo pessoas que há muito a perderam, e vagam pelo mundo se revolvendo em pesadelos, desejando que houvessem morrido antes de nascer... Há flores de otimismo para enfeitar os dias em que amanheço de olhos voltados para o futuro, sonhando, e tentando tornar meus sonhos realidade... Há pequeninas flores quase imperceptíveis que nascem à beira do caminho sem que ninguém as semeie... São as flores da “felicidade sem motivo”... Dia em que descubro que devo ser grata por tudo e achar graça em todos...Que ela está nas coisas que menos valorizamos, mas que seguem ao longo da nossa estrada, tentando se fazerem vistas...Procure a sua flor de cada dia... E regue-a para que continue a perfumar e enfeitar cada um deles, por mais descoloridos e tristes que pareçam...

Linda Lacerda

Pergunte-me por quê!


Não é sempre que acordo com vontade de dar explicações, mas às vezes sinto falta de alguém me enchendo de por quês... Porquê da minha tristeza, porquê das minhas angústias, porquê das minhas inquietações, porquê das minhas perguntas...uma pessoa que te ama, quer saber de você e isso , geralmente se resume em saber os seus por quês...Minha filha me vê quietinha num canto ,logo me pergunta: "mãe, por quê tão quietinha?"...Mimosa, a poodle me olha de olhos doces e úmidos...é a sua forma de me perguntar por quê...Lino,o siamês se enrosca suavemente entre os meus pés e ronrona...Nina, a calopsita quando pousa sobre os meus ombros cansados sem emitir um único assovio,também quer saber o por quê... Outras vezes um amigo me pergunta por que estou assim tão calada, outros ainda me perguntam o porquê da minha cara pensativa, dos meus olhos tristes... da minha solidão...Às vezes me irrito um pouco, por que nessas horas o que quero é ficar calada, é ter o direito de ficar assim comigo mesma, sem interrupções de outros...Preciso de mim mesma e esse é um momento que não gostaria de dividir com mais ninguém...Depois volto atrás e vejo que isso é uma prova de amor...Sei disso por que as pessoas que nos amam sempre querem saber por quê...E quando estamos alegres também querem saber o motivo da alegria, da euforia, se interessam por nós...Mas existem aquelas manhãs em que essa simples pergunta me ajuda, pois essa pessoa me dá a oportunidade de pôr pra fora o que sinto, o que não poderia fazer, se não houvesse o tal por quê...Eu mesma já enchi de por quês a vida, o tempo, o destino, mas diferente de mim, eles nunca me responderam e também nunca me perguntaram o porquê das minhas dúvidas...E se a minha vida é uma equação, foi com a incógnita que o tempo teve preguiça de encontrar.. Todos os meus por quês ficaram no ar, vagando por aí em busca de respostas que nunca virão mistérios que nunca desvendarei... Mas hoje eu gostaria de dizer que estou aberta a por quês... Tenho todas as respostas, apesar de não ter as soluções...Então, não seja como o tempo...Pergunte-me por quê hoje... Pergunte-me eu te direi o porquê da minha inquietude, da minha cara amarrada, do meu olhar perdido...Não posso garantir que as minhas respostas te farão mais feliz ou menos preocupado, mas egoisticamente preciso libertar dissabores em forma de respostas ...Queira saber de mim, que isso me faz bem... O por quê é a válvula de escape que as pessoas nos dão...Sem ele morreríamos sufocados dentro de nós mesmos, sufocados de perguntas sem respostas, de mágoas, de tristezas, de solidão...Viva o por quê e viva as pessoas que nos perguntam ,por que talvez no seu por quê esteja a resposta que tanto procuramos...

Linda Lacerda

Tudo se vai...


Tudo se vai...os sonhos, a chuva na vidraça...vão- se as alegrias,os dias bons e os dias maus... até a esperança um dia nos deixa...vão-se as tardes azuis de abril,as flores de maio se vão para nos trazer o inverno que um dia também vai embora... o arco-iris se vai levando suas cores...vão-se as nossas dúvidas e dores,nossos amigos,nossos amores... vão- se as estrelas e o brilho que elas nos deixam, depois se vai; as tempestades se vão, a bonança também...vão- se os risos, vai-se o pranto, vão-se as ilusões... vão- se as andorinhas em busca de outros verões,vão- se luas e estações ...sentimentos como folhas secas se vão com o vento...vão-se as nuvens do céu de agosto...vão-se os verdes anos...vai o ontem ,para que venha o hoje acordar o amanhã que não sabemos se virá ...o que fica é apenas a estrada e a história que escrevemos ao passar por ela,que talvez continue na memória.E para que tudo não seja em vão,vivamos o momento,desatemos os laços do presente, brindemos o agora,que o tempo urge e não tem tempo de esperar e ele também se vai,nos levando a nós,a todos e a tudo que ele mesmo nos trouxe...nos levando a vida!

Linda Lacerda

Sinto saudade

Sinto saudades... Saudades do que fui e do que poderia ter sido, de quem tive e de quem poderia ter tido...Saudades de quem eu quis e eu deixei passar, de quem me quis e eu sequer olhei...Sinto falta dos abraços que não dei, dos beijos que deixei no ar...Da inocência que perdi e da juventude que me roubaram... Dos amores que o tempo não me deixou viver,das alegrias que a vida não me deu... Sinto saudades de tempos idos, de amigos sinceros...de pular poças d’água depois da chuva e saudades de olhar um céu que era só meu refletido no espelho azul...Das espirais que as pedras formavam na água e dos meus olhos inocentes perdidos nelas.Sinto falta de desenhar monstros e anjos nas nuvens, enquanto elas e a vida passavam sem me mostrar para onde estavam me levando.Saudades de construir castelos na beira do mar e chorar quando a onda os levava junto com meus sonhos...Sinto saudades até de chorar por nada (hoje choro por tudo). Saudades de manhãs de sol, de dias nublados, de tardes de outono com seus horizontes dourados . Sinto saudades de pingos de chuva como canção de ninar, de cheiro de vó, de colo de mãe...Sinto falta de alguém que foi embora de mim... Sinto falta de farrapos de alegria que senti, de nuances de felicidade que passaram no meu caminho. Saudades de lua cheia, lua nova e pôr do sol... Sinto falta de idílios, fantasias,e de olhos secos de dor, sinto saudades até das lágrimas que chorei! de lábios esquecidos, sinto falta dos sorrisos que não dei, das minhas gargalhadas roubadas pela tristeza... Sinto saudades da menina que ficou por tão pouco tempo,de boa noite no portão, de bilhetinhos escondidos, de olhares furtivos...De cartas amarelecidas pelo tempo, que se fizeram poemas de amor...Sinto saudades de alegrias, de casas e lares de livros e histórias... Saudades de irmãos, de camas unidas, de olhar chuva na vidraça, do arco-íris que vinha depois...De varais ao vento, de moça triste na janela...Saudades de ouvir a banda passar, de coretos e cantores, de trovas e canções... De cantarolar baixinho sem motivo, sem por quê... De rir sozinha de coisas que ouvi da vida... Saudade de lenços brancos de partida, de aconchego da volta... De andar à esmo sem motivos pra voltar... De dias que não vieram,de momentos que nem existiram...Sinto saudades de outra vida, outra estrada, outro começo, outro fim... Saudade de outra saudade de um tempo que não viví , e vazia de tudo, sinto saudades de mim.

Linda Lacerda

Para além do quintal...

Para além do quintal dos meus olhos há varais que dançam ao sabor do vento,há janelas que se abrem sobre prados ,há balanços e risos de alma,há borboletas que nunca se vão,uma criança que não cresce, bolhas de sabão refletidas nos olhos... cheiro de vento que me traz esperança,néctar de alegria a me escorrer pelos lábios...Onde o arco-iris tem mais cores ...lá há um céu só meu,repleto de estrelas que se tornam cadentes,que se tornam desejos, que viram realidade...redes onde me deito para tecer meus sonhos...No tempo que me foi dado fiz essa casa,com caramanchões onde plantei flores que dão as boas vindas a quem chegar com saudade de amar,beirais que abrigam sonhos que despertem e façam meus verões mais brilhantes, meus céus mais azuis,minhas nuvens mais preguiçosas,morada vizinha da paz, porta-a porta com o amor,de altos platibandas onde se lê:"Minha Vida!"

Linda Lacerda

Reminiscências...


Ontem fiz uma viagem de volta ao passado. Uma viagem com passagem de ida e volta. Sentei-me no quarto das minhas memórias, esvaziei as gavetas das lembranças, arrumei com cuidado no baú das ilusões e na estação do presente, peguei uma carona no trem do pensamento e parti de volta à minha história. Trilhei caminhos planos e tortuosos, peguei atalhos, construí desvios no afã de me desvencilhar da realidade, refiz obstáculos, ri outra vez meus risos, derramei outra vez minhas lágrimas, amei, perdi amores, folheei um livro do qual não pude destacar sequer uma página, trilhei outra vez meu caminho feito de nanquim. Nada consertei, nada pude mudar. A borracha do tempo não havia apagado meus erros , as oportunidades que perdi adormecidas à beira do caminho... Algumas sementes que espalhei a o longo da minha estrada já haviam se tornado frutos, outras haviam sido mortas pelas intempéries da vida. Poucas foram as flores que vi na minha estrada de volta... Nesse amargo regresso, os espinhos me feriram novamente os pés e sequer pude ver as pessoas amadas que perdi... No meio do percurso cansada do peso da bagagem que levava, sentei-me na estação dos saudosistas e acenei para os devaneios, que seguiam conduzidos pela nostalgia, que presto pararam e indagaram o meu destino. Falei-lhes do meu desejo de voltar no tempo para fazer novas escolhas, rever pessoas que haviam passado por mim sem serem notadas, quem sabe o primeiro amor...Estender a mão a algumas que eu havia deixado sentadas à beira do caminho, encontrar outra vez a minha infância perdida, queria falar com o tempo, pedir-lhe outra chance, recolher migalhas de alegria que porventura houvessem caído da minha vida, sonhar outros sonhos, mesmo que fosse por alguns instantes... Ter a ilusão de que poderia fazer tudo outra vez e melhor e diferente. Mas nesse momento o tempo passou muito apresado e me disse que o seu itinerário era o futuro que era impossível que ele retrocedesse comigo, pois em sua companhia viajavam os que estavam deixando para sempre o passado. Eram os que olhavam horizontes muito além dos meus, que eram muitos, pois andavam leves, que não carregavam nos ombros o peso de lembranças, mágoas e amarguras e recordações como eu carregava..... E mesmo sabendo que o tempo jamais voltaria, parti sozinha ao meu destino final. Continuei minha jornada mais de lágrimas que sorrisos, num caminho mais de pedras que de flores... Passei por ilusões perdidas, por lembranças já quase esquecidas, vi de longe, muito longe a paz acenar com seu lenço branco na estação das despedidas e prossegui... Chegando à casa do passado, encontrei –a cheia de sombras e fantasmas, a saudade sentada à porta, me estreitou num forte abraço. Arriei minhas malas e parei. Encontrei-me criança inocente e sem pressa, em balanços de alegria, contando estrelas e transformando em pássaros, anjos e monstros, nuvens que passavam junto com a vida sem dizer para onde estavam me levando... mas o tempo, implacável, seguia seu caminho sem volta e corria muito rápido, roubando-me a inocência, a pureza. Agora já cheia de anseios e planos, o meu maior desejo era que o tempo continuasse mesmo a correr... Comecei a pedir-lhe que passasse e eu o fustigava para que voasse, dei rédeas a ele e galopando sobre vales e transpondo montanhas, e passando por cima de tudo, cheguei ao mais belo lugar onde se pode estar: À minha juventude. Mas nessa parte da vida, também não estava o que eu buscava. Muita coisa me prendia, muitos me dominavam, eu não poderia viver assim. Necessitava ser livre, queria as asas da liberdade sobre mim... Pedi então ao tempo que corresse mais depressa. Precisava me livrar das amarras que me prendiam ser adulta, encontrar um grande amor, fazer novas descobertas, desvendar os mistérios da vida, fazer tudo aquilo que sentisse vontade e finalmente ser dona de mim... E o tempo obediente, correu, correu, voou... Cheguei ao presente, lugar onde estão todas as oportunidades, onde moram o agora e o hoje, mas sequer olhei para eles. Passei a me preocupar o que viria adiante e não tive tempo de desatar os laços dessa caixa preciosa, que tantos a deixam num canto, sem ao menos desembrulhar, dado a pressa de chegar ao futuro e ver o que a vida faria . Precisava ser urgentemente alguém importante, com muitas histórias para contar, vencer todas as batalhas e finalmente ser independente. Então, na minha ânsia insana, gritei com o tempo, reclamei dos dias que pareciam não ter fim, das estações que nunca mudavam, das luas novas que nunca se iam, adiantei o relógio do destino. E a corrida continuou e o tempo voava e me levava pela mão e me arrastava com ele, até que me encontrei velha e sem forças e quis descansar. Agora já não precisava mais pedir ao tempo que passasse. Eu estava quase à sua frente... Comecei então pedir que parasse, ou pelo menos que andasse mais devagar, pois a louca corrida em busca de realizações me tornara cansada e saudosa do presente que não vivi. Mas ele se fez surdo, inclemente e implacável passou muito mais velozmente, e viajando nas suas asas ele me trouxe e me fez pousar onde estou. Um lugar chamado velhice, outono da existência para quem soube aproveitá-lo e inverno dos corações para quem o desperdiçou sem ter vivido a primavera!

Linda Lacerda

Hoje descobri!

Hoje acordei e descobri que não posso mais ser quem eu fui,ou quem gostaria de ter sido. Que o meu passado, tenha sido bom ou ruim, ficou lá atrás.Que não posso carregar comigo o fardo das lembranças, se em meus ombros pesa o que sou agora. Descobri que não devo deixar que as garras do tempo que se foi, agarrem o presente que me conduz ao futuro.Que a minha dor, a dor da lagarta, da uva e do trigo, apenas nos transformaram em algo melhor. Descobri que o tempo que nos trouxe nos levará e que não posso usá-lo para assistir a um filme que já vi, rebobinando fitas, se a história continua e eu sou sua protagonista,embora às vezes sem tempo para assistí-la.Descobri que as feridas que a vida me fez, já se transformaram em cicatrizes, que as lágrimas que chorei já foram secas pelo lenço do tempo.Descobri que a juventude foi um presente que já desembrulhei e usei, mas que não pude guardar no armário,como fiz com as minhas bonecas. Que a velhice também é uma caixa de presentecujoconteúdo se chama vida da qual muitos não puderam desatar os laços.Hoje acordei e resolvi absolver vida que andei culpando por ter matado meus sonhos,por que descobri que sonhos podem morrer,para reviverem realidade .Descobri as mágoas são águas más que devem virar correntezas e não lago parado.Descobri que preciso de mim aqui ao meu lado e não lá atrás ,perdida no caminho, a procura de quem fui,ou de quem poderia ter sido.Descobri que devo seguir o exemplo do rio, que embora murmure, segue seu curso, transpõe barreiras e desce vales, mas encontra o mar...Descobri que traumas são restos dores que a vida varreu para debaixo do tapete e mais do que isso, descobri que podemos enrolar o tapete e dançar no espaço que restou.Descobri que a vida é estrada de mão única e que em cada estação fica um pouco de nós ,mas que devemos seguir em frente com o que restou do que fomos: O que somos!

Linda Lacerda

Viva as estações!
Desejo que você viva sua vida como a terra vive as suas estações. Que você tenha a sabedoria dos pássaros que voam em busca de outras paragens, até que se passem os tempos ruins. Que no inverno dos seus dias, onde até alguns corações se tornam frios, você adormeça na esperança de receber a primavera, aproveite o seu esplendor e no calor do seu peito os aqueça .Que como as flores, exale perfume e inebrie o mundo. Que você saiba transformar os seus sonhos em realidade, como as sementes se transformam em frutos e que esses mesmos frutos produzam bálsamo que alivie a dor e que sejam alimento para os que têm fome do bem. Que o orvalho da esperança regue suas folhas que se chamam pelo nome de certeza. Que suas raízes sejam firmadas na rocha, para que resistam às tempestades que por vezes assolam a nossa vida. Que você saiba colher cada florzinha, sejam elas de estufa ou do campo; Que retire com cuidado espinhos que porventura tenham e que se não for possível, aceite-as como são e cultive cada uma delas no aconchego do seu coração. .. Que dos seus olhos emanem raios de esperança para mantê-las vivas e que você saiba enfeitar a sua vida com essas mesmas flores. Que aos olhos dos que lhe cercam, você brilhe como o sol do meio- dia e que o seu interior irradie raios de alegria. Que no campo fértil dos seus sentimentos mansos regatos corram e refrigerem a alma dos que têm sede de paz e que eles possam repousar sob a ternura do seu olhar. Que quando as mãos do destino lhe podarem, você se refaça e que os seus brotos destilem a seiva do otimismo e que como chuva temporã, regue corações secos que adormeceram no desamor. Que no frio, o calor do seu abraço aqueça outros braços e que a alegria faça morada em seu seio, para que a nostalgia não invada sua alma nem o seu olhar... Que na parte que lhe coube plantar uma vinha, que ela seja de justiça, que nela você semeie somente o bem e que o terreno do seu coração seja fértil para germinar o amor... Que suas mãos se estendam aos que o cansaço fez sentar à beira do caminho. Que as estações da sua vida sejam distintas, para que outros se apercebam dos seus frutos, do seu florescer e do seu calor, para que vejam o desabrochar do amor que provem de você. . Desejo que a fé seja o seu firme fundamento na construção do impossível e que nela você faça degraus que levem você alcançar os seus sonhos e anelos. Que se encontrar pedras no caminho, tenha a humildade de recolhê-las, para que os pés dos que lhe seguem não se firam. E que se grandes ondas lhe cercarem você se eleve e caminhe sobre as águas e que o espelho dessas mesmas águas reflita tudo o que de bom você propiciou aos que lhe acompanham enquanto está aqui. Que no verão o sol seja presença constante em seu viver , que no inverno os corações se sintam aquecidos pelas suas mãos calorosas e que sempre carregue nos ombros o manto que aquece toda amizade sincera. Que você descubra que os bons corações às vezes hibernam, para voltarem melhores na primavera. Que a sua vida seja um buquê de sempre-viva e amor- perfeito ofertado a todos quantos assistem o despontar da luz que habita em você. Desejo que seja arco íris depois da chuva e bonança depois da tempestade. Que no verão você seja a gota de orvalho que cintila nos olhos dos que perderam a esperança. Que você seja brisa mansa que acaricia corações que sofrem e vento que seca as lágrimas dos que choram... Que no inverno das suas vidas, as pessoas alcem voos a ti, como aves de arribação em busca de outros verões e que os raios do seu sol interior lhes aqueçam. Que você seja sombra que dá refúgio aos cansados e que ela se estenda a todos os viageiros que lhe procuram como abrigo das intempéries da vida e que no seu coração o amor construa um ninho. Que no outono da sua existência, quando se tingirem de prata os seus cabelos e seus olhos já não possuírem o mesmo brilho e quando lhe for levada a maciez da sua tez e o verdor da sua juventude, você ainda olhe o mundo com alegria. Que os bons ventos alísios tragam nas asas sopros que afastem da sua cabeça a nuvem do desengano que um dia quis pairar sobre ela. Que nessa estação, você ainda tenha forças para dar largas passadas em busca da paz e que ao alcançá-la, empunhe a sua bandeira e grite ao infinito que a busca acabou e a dissemine ao mundo no tempo que lhe resta. Que nessa jornada ela seja sua companheira de viagem e que nessa estrada a tristeza lhe perca de vista .Que depois da primeira curva a alegria esteja a lhe esperar e que caminhe de mãos dadas com você. E quando o tempo que nos traz e nos leva a todos lhe fizer alçar voo rumo ao fim, que o anjos lhe abram passagem na passarela infinita do éter e que você possa calar fundo ao mundo e a todos que nele lhe foram caros e que você receba como prêmio o galardão reservado àqueles que tornaram melhores os dias dos que compartilharam este intervalo que lhe foi concedido e à essa missão que lhe foi confiada, que ora chamamos de vida!

Linda Lacerda

Não tenho medo da morte!Tenho coisas para fazer em Denver!



Não tenho medo da morte. A morte é breve e certa. Tenho medo da vida, muitas vezes longa, tantas vezes incerta... Por que temeria eu a morte,se não a conheço a não ser de passagem,quando cumprindo seu papel, passa por mim levando alguém que fatalmente reencontrarei? Temo antes a vida, que conheço, sei de cada instante de dor, das surpresas que ela me trouxe, das dores que me causou... Não tenho medo da morte, acima de tudo, por que a morte me separará de quem amo por uma única vez... Tenho medo da vida, que por tantas e tantas vezes fez-se ir quem eu mais queria...A morte nenhum outro golpe me dará, que não aquele fatal, único e certeiro... Por quantas vezes fui golpeada pela vida? Ela, sim, me causa medo, insegurança e nem sobre minha própria morte tem poder; Ao passo que a morte de tudo me livra inclusive de viver. Quem na vida chora por mim, me presta homenagem, me honra, me envia flores, me santifica? A morte, sim, essa vem com todos esses atributos e ainda traz com ela uma saudade imensa que todos sentirão de mim... Que títulos a vida me deu,que superará ao meu epitáfio,-(presente que só da morte se recebe-):”Aqui jaz aquela que em vida se chamou Linda?” Por que teria medo da morte? Ela não me perguntará com que roupa quero ir,esteja eu vestida de princesa ou plebéia, não fará reparo,nem me pedirá um pouco mais de finesse;Não marcará horários irritantes que sempre tive que cumprir... Não faz acepção de mim, como não faz de ninguém... A morte é democrática e isso me fascina... Visita a todos igualmente, assim como leva o mendigo, leva o rei e a diferença se atém à indumentária que o luxo possa oferecer.... Diferente da vida, que a alguns deixa todo o seu tempo prostrado na existência vã a esperar por tê-la digna... Por que teria eu medo da morte, se ela virá no dia certo , não me deixará a esperar? Quanto à vida, essa a tudo me faz aguardar,inclusive pelo impossível!... Mas a morte? Pobre morte, nunca me enganou... Antes me deu a única certeza que tenho na vida: A certeza de que morrerei. Não tenho medo da morte...Tenho medo da vida, que na escola do mundo, muitas vezes sem me ensinar, me prova e reprova...A vida me pede tempo, me toma tempo...A morte não tem tempo a perder... Apenas passará para me levar, esteja eu aprovada ou não... À morte não interessa se terminei o meu dever, se fiz certo ou errado... Eu conheço a vida e por isso tenho medo...Medo de viver...A vida não é boa em cumprir promessas...A morte, essa nunca falha...Posso esperar confiante pela sua chegada .A quantos a vida fez esquecer de mim? A morte pelo contrário, me deixará para sempre na lembrança de tantos... De quantas coisas necessito para viver? -Muitas,- diria você... Dinheiro, saúde, amor,amigos...Para morrer, apenas preciso de um corpo são ou inválido, um coração que bata rápido ou devagar e de um último suspiro, entre tantos que dei vida afora...Aqueles, de desgosto, esse, no entanto de alivio... Não tenho medo da morte...Essa nada me cobra...Apenas me levará para acertar contas com superiores, sem querer saber o que devo ou fiquei de receber.... Não tenho medo da morte que não me cobra o futuro... Ela não me prometeu que ele virá e tira de mim qualquer risco de enfrentá-lo! Tenho medo da vida que me tira o hoje e me faz preocupar com o amanhã... E parafraseando ao contrário a sagrada carta de Paulo aos Coríntios,diria no adeus final: “Vida,oh vida, onde está o teu grilhão"?Tragada foste tu pela vitória da morte, por que para mim ,vida não é liberdade e morte jamais será prisão!

Linda Lacerda

Aonde foi parar aquela menina?


Hoje dei pela falta da menina que morava em mim... Nem vi quando ela se foi...A menina que já chegou contando as horas... De manhã quando a acordei já não estava mais aqui. Eu não tenho mais a menina por dentro. Fiz de tudo para segurá-la, quase a pressionei. De frente ao espelho, finalmente, para quase desespero meu, vi a velha que hoje se instalou sem me perguntar se podia, se havia lugar para ela... De olhos opacos, rugas , de lábios ressequidos, de mãos de bruxas da minha infância..... Bati muitas e muitas vezes, a porta do tempo em sua cara... E hoje ela finalmente, arrombou as trancas que a prendiam lá fora e se apossou de mim contra a minha vontade. Em restos de ilusão, borrei -a de rouge carmim, pus -lhe máscaras, troquei suas roupas antigas, vesti-a de novas roupas coloridas, enchi- a de balangandãs, levei-a aos antigos lugares onde ia, mas ninguém viu nela sequer resquícios da menina que um dia foi... Não consegui disfarçá-la. Ela estava ali, num fio de cabelo branco, numa ruga onde antes era pele de cetim... Eu não queria que ela viesse..Não a convidei, não estava preparada para recebê-la... Assim como a menina teve pressa para ir, ela teve urgência em chegar. Alguém teria que ocupar meu corpo, ou então a morte viria fazê-lo... É uma velha e por ser velha, sem brilho, sem viço, sem verdor... Eu quero a menina de volta, seus risos, sua beleza, sua alegria... A menina a embalar-se e a embalar meu sonhos... Eu quero a menina que o tempo levou... Eu não quero despedir-me de mim... Eu não sou essa pessoa que vejo no espelho, eu nunca fui assim... Não reconheço sua amargura, nem essa pele macilenta, nem esse rosto flácido... Eu não quero essa pessoa que precisa de retoques, que precisa de disfarces, que não posso assumir... Eu não quero esse ser quase invisível que agora está aqui...Eu não sei o que fazer com esse meu jeito assim sem graça, já não desperto interesses, não recebo mais olhares, eu quero a beleza perdida que o tempo roubou e levou com a menina que vivia aqui...Quero-a de volta, mesmo com sua inexperiência, com suas inconsequências, de cabelos ao vento, sem pensar no amanhã...Quero a sua juventude, sua rebeldia sem causa,quero as asas que ela tinha,sua felicidade sem motivo ,quero os sonhos que ela levou... as canções que ela inventava e cantava pra viver... Essa velha é preocupada, já não dorme direito nem me deixa sonhar...Vive perdida no passado e paradoxalmente, corre contra o tempo quando o que eu mais queria era que ele parasse ...Sei que busca a menina que desapareceu na distância sumiu na curva da estrada ...Foi dando adeus de mansinho, avisando que iria, mas eu não acreditei... Dentro de mim a menina seria eterna, até ontem, quase a toquei num resto de brilho que havia em meu olhar, no homem que passou e olhou para mim, na velha calça desbotada que ousei colocar... Mas hoje ela se foi definitivamente... E cheia de bagagem... Nada deixou para traz... Nem um vestido de renda, nem um laço pro cabelo, nem um pingo de rubor na face...Me deixou só lembranças e lembranças não enfeitam, não rejuvenescem...Nem uma gotícula do tempo que passou, sequer um estrela cadente ,um desejo escondido... Até isso ela levou... Hoje passou por mim na rua, trocou de calçada, fez que não me viu... Seguia em bandos de adolescentes, em gritaria de estudantes, em risos soltos no ar... De vestido esvoaçante, de gargalhadas por nada, ela não sentiu saudades daqui... A casa estava se desmoronando, seus pilares arqueados, ao invés de Milk shake, chá das cinco, ela nunca gostou disso... Ela precisava viver... Foi em busca de outros corpos, de outros sonhos e me deixou ficar... A menina travessa precisava da alegria que eu já não tinha mais, de se perder em devaneios, precisava da beleza,de forças para acender o sol e apagar a lua... Agora que ganhou a chave da casa, de vez em quando faz -me visitas esporádicas em forma de recordações que para nada me servem... Vem em sonhos depois me acorda e me faz fitar um espelho que não reflete o que fui quando ela estava aqui... Não quero as marcas que ela me deixou...São na alma e não no corpo...desse, quase nada restou...Não quero seguir sozinha essa estrada sem beleza, sem risadas, sem nada...Quero o fim de uma história que não acabou...Quero alegria que ela me trazia, a vida que ela me deu...Não conheço essa pessoa que agora vive aqui...Procura-se desesperadamente por mim!

Linda Lacerda