Uma Libélula Rubra Haikai Bashô
Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.
Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas
Este caminho!
sem ninguém nele,
escuridão de outono.
Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante.
casca oca
a cigarra
cantou-se toda
Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.
Relvas de verão
sob as quais os guerreiros
sonham.
E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?
Frescura:
os pés no muro
ao dormir a cesta
Extingue-se o dia
mas não o canto
da cotovia
Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga.
Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta
Mesmo um velho cavalo
é belo de manhã
sobre a neve
Preso na cascata
um instante:
o verão
Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.
Esnobar
É exigir café fervendo
E deixar esfriar.
[POEMEU EFEMÉRICO]
Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril
Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.
Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos
E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.
