Textos sobre Infância

Cerca de 346 textos sobre Infância

Sonhos Guardados Em Meu Infinito Particular!

O tempo
parece não ter passado,
para o meu coração!
Eram momentos de pureza.
Sonhos, sorrisos, gritos de emoções!
Brincávamos muitas crianças,
naquele quintal imenso
carregado de frutas saborosas.
Um cheiro de frutas da época,
nos embriagávamos!
Era simplesmente delicioso.
Esse “canto mágico”, era o quintal da minha tia.
A Tia Santinha…que fazia jus ao seu apelido.
Tão boa e santa…
Nunca nos reclamou…se isso fez, não me lembro!
Era onde reuníamos parentes e amigos,
para brincarmos de vários brinquedos de criança.
Cozinhado, finca, bolinha de gude,
batizados de bonecas, comadre e compadre,
de onça, de balanço (Zungue, falávamos assim também).
De subir nas árvores…
Lembro-me, que passávamos de umas as outras,
sem medo de cair.
Momentos da minha infância!
Da nossa infância!
Tão doce… Tão angelical!
E até os meninos que escolhíamos para namorar,
eram só de “boca”.
O que era só de boca?
Só falava, mas nem
encostávamos perto deles e nem eles de nós.
Mas sabíamos quem namorava quem(Risos).
E jurávamos amor eterno!
Coisa boa esses momentos,
que ainda hoje desfilam na iris dos meus olhos…
E buscam aconchego em meu coração.
Apesar de tantos momentos
vividos ao longo dos anos, esses marcaram mais.
E com certeza…serão o nosso colo na velhice.
Hei de ouvir, nossos gritos…
Nossa alegria atravessando todos
os sonhos sonhados nessa vida.
Quero ainda sentir o cheiro
da comidinha da minha tia,
que tão delicadamente,
servia um prato a cada um de nós.
E como sobremesa,
aquele doce delicioso de leite que ela fazia.
Lembro-me que o tacho não saia do fogão de lenha…
Era doce quentinho da hora…
Era doce delicioso e disputávamos quem iria rapar o tacho…
Que sonhos deliciosos e vividos tão reais,.
Tão nossos…tão meus!
Que guardo aqui dentro de meu infinito particular!
E que às vezes retomo,
só para poder agradecer a Deus
essa infância dourada que Ele me deu.

Dayse Sene

MINHA INFÂNCIA

Oh que tempo maravilhoso,
Tempo proveitoso que nos resta lembrar,
Tempo que corria e brincava, ria e chorava,
E na memória vai ficar...

Como era bom o dia de chuva,
Andava descalço e sem guarda-chuva,
Pulando enxurrada, com a roupa molhada,
Mas esperando o sol chegar...

Que felicidade, que tempo gostoso,
A verdadeira amizade, um tempo prazeroso,
Brincava de salva, jogava bola,
Ia pra rua quando chegava da escola,
Na intenção de mais um dia brincar...

Tempo bonito, foi minha infância,
Hoje é difícil, muita arrogância,
A maioria nem quer mais saber,
Sendo assim não vão entender,
A felicidade que pude alcançar...

Lembro desse tempo, sinto alegria,
Vivi minha infância, dia após dia,
Hoje a lembrança vem junto comigo,
Está ao meu lado como se fosse um amigo,
Não quero esquecer, apenas viver,
E quero comigo, sempre guardar...

Oh que tempo maravilhoso,
Tempo proveitoso que nos resta lembrar,
Tempo que corria e brincava, ria e chorava,
E na memória vai ficar.

Bruno Henrique Ferreira dos Santos

GUARDEI

Brinquedos em uma caixa,
bonecas descabeladas,
peças de quebra cabeças
fios de telefones estragados.

Guardei sem saber porquê,
juntei tudo sem saber como,
e no meio de tudo que somei,
achei,
uma blusa, uma meia e uma tiara,
perdidas na minha organização.

Coloquei bijuterias em uma pequena mala,
brincos que amarelavam,
anéis de plásticos,
pulseiras de miçangas,
colares de sementes emaranhados
que jamais ficavam desembaraçados,
Coitados.

Em uma bolsa pequena,
guardei minha mocidade.
Pós compactos,
rimeis,
lápis de olho preto,
gloss labial e corretivo.

Guardei meu eu em uma bolsa,
tornei-me palhaça,
maquiada,
uma farsa,
que deveria ter deixado guardada.

Guardei palavras dentro da boca,
engoli gritos que se alojaram em meu estomago,
me afoguei em lágrimas guardadas,
quase transbordadas.

Na mente da gente, há sempre uma semente guardada,
semente semeada, mágoas que guardamos,
de coisas que escutamos.

Guardei sentimento,
e hoje lamento,
ter guardado
o que de mais valioso eu tenho
e poderia ter compartilhado.

Andressa Fernandes

COISA DE MENINA

Quando nasci, minha mãe me deu o nome da minha bisavó, figura feminina da qual todos se orgulhavam.
Mãe, avó e esposa exemplar, bisa Eliza levou um casamento até o fim, como manda os bons costumes do matrimônio “perfeito”: ‘Até que a morte os separou’. Sofreu ameaças, agressões e gritos de um marido agressivo e alcoólatra. Mas, “como deve ser”, nunca cogitou uma separação.
Doce, bondosa, religiosa, mãe de oito filhos. Assim era a mulher que inspirou meu nome.
Já nos primeiros dias de vida, ganhei pulseira de ouro e um par de brincos. Coisa de menina.
Antes mesmo de aprender a falar, já tinha dezenas de bonecas.
Minha mãe gostava de fotografar cada passo meu, e, para isso, contratava um fotógrafo profissional. Trocas de roupa, penteados e vários batons a cada foto.
Tive coleção de Bonecas Barbie, milhares de roupinha, sapatinhos, bijuterias... Tive todas as coisas de menina.
Minha avó me proibiu de brincar na rua o quanto pode. Porque isso não era coisa de menina.
Menina tinha que brincar em casa. Com as amiguinhas. De casinha, comidinha, mamãe e filhinha!

E assim foi. Até meus onze anos.
Foi aos onze que descobri a rua. Foi aos onze que descobri que além das panelinhas, havia um mundo de brincadeiras e diversão!
Foi quando descobri as trilhas de bicicleta, os inúmeros ‘piques’, o jogo de Taco, bolinha de gude e o rolimã.
Foi quando percebi que eu era flamenguista e o que isso de fato significava. Foi quando eu descobri o que era um pênalti e um gol olímpico.

Anos depois, grávida, vi minha vida se encaminhar sem que eu me desse conta. Perdi as rédeas e as coisas aconteceram, simplesmente.
Montei casa, me mudei e voltei a brincar de casinha!
Uma brincadeira que me sufocava a cada dia. Daquelas que dá vontade de guardar tudo numa caixa e não brincar nunca mais. Deixar lá no alto do guarda-roupa, até mofar e ir pro lixo.
Não durou muito. Não havia como durar.
Levou tempo, mas hoje entendo com perfeição. Eu não cabia naquele lugar, naquela vida. Aquela brincadeira já não me servia mais. Eu queria as trilhas e o rolimã!
Separei.
Queria trabalhar em algo que pudesse fazer diferença na vida das pessoas. Estudei, me formei.
Hoje, sou Pedagoga, com dois empregos públicos, e mãe do Arthur, com oito anos.
Nenhum marido.
Não lavo, não passo, não cozinho, não limpo!
Sou um desastre para encontrar coisas, e um maior ainda para manter arrumações.
Esqueço roupa no chão do banheiro, toalha molhada em cima da cama, sapato no meio do caminho! Tomo iniciativa em relacionamentos, pago a conta, pego o telefone, no fim da noite, sou eu quem vou pra casa!
Minha avó tem Alzheimer avançado. Quase não reconhece ninguém. Mas, ao me ver, sempre pergunta: “Quando você vai casar?”
Lido com olhares de lamento de amigas, que torcem para que eu me case,trabalhe menos, tenha mais filhos...
Hoje sei que posso me casar sim, mas que isso não implica em voltar a brincar de casinha. A certeza de que não preciso mais das panelinhas, me traz leveza.

De minha bisa, apenas o nome. Dos ensinamentos da infância, a certeza que posso ser o que eu quiser.

Entre bonecas e rolimãs, futebol e novela, sigo sendo o que sou, sem necessidade de aceitação externa e com a certeza que nada disso me faz menos ‘menina’. Pois coisa de menina é tudo que a menina quiser!

Liza Alvernaz

poemas retalhos


Hoje vi a vida.
Parecia feliz!
Tinha um belo sorriso no rosto
enquanto flutuava pela rua.

Hoje quando cheguei...
Estava a maior confusão.
Ufa!
Um sufoco.

Hoje não conseguia falar,
repeti duas vezes.
Não sobrou histórias
para contar.

Parei
para curtir
o último pedaço
de ser criança.

J.W.Papa

FILHO DA MEIA NOITE

O sol virou pequenas luzes,
Postes ciclopes dançantes;
Castelos são prédios velhos,
A infância uma letra apenas,
Tatuada na casca da árvore,
Que a muito foi queimada.
Hoje solitário vejo o vazio,
Ruas cheias de aragens,
Baratas que saem do esgoto,
Um rato atravessa a rua,
Para olha e continua...
À noite, todos são caças,
Ou seriam caçadores,
Perdidos em suas inocências,
Buscando balanços,
Gangorras e giras...
Diversão de uma infância
Que nunca mais chegara...

André Zanarella 11-02-2013
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4979708

André Zanarella

Boneca de Porcelana

Toda vez que eu ficava triste, eu abraçava minha boneca de porcelana...
Não! Ela não era comum. Ela tinha os olhos coloridos, prefiro pensar q eram da cor dos meus. E os olhos daquela boneca diziam grandes verdades...
As vezes eu tinha a impressão de que ela sorria para mim... Seus cabelos dourados e suas covinhas davam a ela um charme especial.

Ah!Que nada! Eu não sou tão velha pra falar de boneca. Quando eu olhava para ela eu via Deus e quando ela olhava para mim me trazia paz, que falta essa boneca me faz...
Só não sei onde ela está, mas quando eu a encontrar um abraço ainda maior na boneca eu vou dar...

Patrícia Rezende

A bela amizade de Damon e Pítias

De acordo com o filósofo Cícero, considerado o maior orador romano, a história de Damon e Pítias se passou no século IV a.c., em Siracusa, cidade-estado da Sicília. Ainda segundo Cícero, ambos eram seguidores do filósofo Pitágoras.
Damon e Pítias nutriam um pelo outro uma amizade verdadeiramente inabalável. Era um sentimento fraterno que configurava uma singular irmandade, espécie de união e de vínculo espiritual perpétuo que, com o passar do tempo, ganhava intensidade e se solidificava cada vez mais. Possuía uma ligação tão rara que os tornava, por assim dizer, irmãos de alma, uma característica nem sempre presente nos irmãos de sangue. Sob o signo sagrado desse afeto, Damon e Pítias cresceram juntos e foram, gradativamente, descobrindo as maravilhas e as dificuldades da aventura real da vida. Assim, aprenderam a somar e a compartilhar as alegrias e as tristezas da infância, da adolescência e da idade adulta.
A força e a beleza dessa amizade eram conhecidas e admiradas por todos, até que esse laço que os unia precisou ser posto à prova. Certo dia Dionísio, rei de Siracusa, enfurecido pelos discursos de Pítias – que pregava a liberdade e a igualdade entre os homens em oposição aos regimes tirânicos -, mandou chamá-lo, juntamente com o amigo Damon.
Nesse encontro – mais do que propício ao embate de idéias -, Dionísio questionou Pítias a respeito de seus discursos, alegando que suas palavras só serviam para perturbar a ordem vigente e causar inquietações entre as pessoas. Ao ouvir isso, Pítias retrucou dizendo falar apenas a verdade e não ver mal nenhum em discorrer sobre o que considerava certo. Enfurecido, o rei de Siracusa foi além e perguntou a Pítias, sem meias-palavras, se, dentro da verdade divulgada por ele, os reis teriam poder excessivo e executariam leis contrárias ao bem-estar dos súditos. Pítias admitiu pensar assim, afirmando que, se um rei tomava o poder sem o consentimento do povo, só poderia estar agindo de forma autoritária e avessa aos interesses populares. Por defender seus princípios, Pítias foi, então, acusado de traição e condenado à morte.
Triste, mas corajoso o suficiente para atacar sua sentença, Pítias solicitou ao rei a realização de um último desejo: que lhe permitisse voltar a sua casa para se despedir da família e concluir alguns assuntos domésticos. O rei relutou, mas, depois de argumentações de ambos os lados, foi convencido por Damon, que, demonstrando total confiança no caráter de Pítias, ofereceu-se para morrer no lugar do amigo caso ele fugisse durante a jornada – hipótese levantada pelo rei.
O fato de manter Damon como prisioneiro no lugar de Pítias convenceu o soberano de Siracusa de que poderia descontar no amigo fiel as “insolências” de Pítias caso este traísse a confiança de Damon e desaparecesse de forma irresponsável e covarde.
Dessa forma, conforme o combinado, Damon foi levado à prisão no lugar de Pítias. À medida em que os dias se passavam, a guarda do rei e o próprio soberano começaram a escarnecer do prisioneiro, enfatizando o fato de que o dia e a hora da execução estavam se aproximando e Pítias não havia voltado, como prometera. Damon respondia às provocações reafirmando sua confiança no amigo e alegando que deveria ser apenas um atraso, ter acontecido algum imprevisto durante o caminho, etc.
O tempo foi passando e, finalmente, chegou o dia marcado para a execução. Damon foi levado à presença de Dionísio e de seu algoz. Mais uma vez, o rei fez questão de lembrar a ausência de seu amigo e o modo como ele o abandonara. Uma vez mais, Damon respondeu que continuava acreditando em Pítias.
No mesmo instante, as portas do recinto se abriram e Pítias entrou. Ele estava visivelmente esgotado, pálido, cambaleante, ferido. Ainda assim, o exausto viajante arranjou forças para abraçar Damon e comemorar o fato de tê-lo encontrado com vida, apesar de seu atraso. Emocionado, Pítias explicou que seu navio naufragara durante uma tempestade e que bandidos o haviam atacado na estrada. Apesar de todos esses contratempos e de estar fisicamente debilitado, jamais perdera a esperança de chegar a tempo de salvar o amigo da morte, cumprindo ele próprio, a sentença determinada pelo rei.
Ao presenciar essa cena, Dionísio foi vencido pela beleza daquele sentimento grandioso que se manifestava de forma comovente diante dos olhos dos presentes. Imediatamente, o rei declarou revogada a sentença, admitindo ter cometido um erro. Era a primeira vez que presenciava evidências de tão elevado grau de amizade, lealdade e fé. Assim, o rei de Siracusa concedeu-lhes a liberdade, solicitando em troca que os dois amigos lhe ensinassem como construir tão sólida amizade.

Gabriel Chalita, in Pedagogia do Amor

Gabriel Chalita

O tempo é mesmo fantástico...
Na infância usamos fraudas e as únicas necessidades é alimentação, proteção e afeto, o maior tempo passamos brincando, fazemos amigos de todas as classes e raças sem precisar dar nada em troca, são momentos preciosos pois é nessa inocência que podemos construir irmãos para uma vida.
Chega um tempo em que a liberdade se transforma no maior desejo, mas ninguém avisa que para possui-lá o preço é alto, e que para conquista-lá é necessário abdica-lá também. Ficamos adultos e passamos o maior tempo trabalhando e estudando para garantir a nossa própria sobrevivência e daqueles que um dia já garantiu a nossa também.
O tempo passa depressa e feliz daquele que o amor chega sem pedir licença e consegue uma morada, como toda árvore bem plantada bons frutos iram surgir, daí pra frente aquela liberdade que você tanto desejava se transforma na vontade de construir raízes para jamais de lá sair.
Chega o tempo em que as bagagens já estão grandes demais e o nosso desejo é desfazer as malas, chega o momento em que sabemos quem realmente sempre nos quis bem, pois é na nossa inutilidade que as pessoas somem, ou vêm.
Já não temos mais nada a oferecer, só o jeito de ser e viver, desejo que todos tenham alguém de quem possa ouvir um "Eu te amo". O que aprendemos com os anos? Que o importante é vivê-los, não tê-los.

Jordânia Figueiredo

Leda

Minha avó Leda está doente. Não se sabe bem ao certo se é orgânico, se é cansaço, ou se é uma soma das duas coisas.

Acho que a preocupação, o querer alguém tão bem a ponto de desejar pegar todo para si o seu sofrimento, é a maior prova de que amamos alguém. E eu a amo pelos seus detalhes.

A amo pelas pequenas mesinhas de abrir que mantinha em sua casa em minha infância, nas quais eu desfrutava de sua deliciosa salada de maionese nos almoços de domingo.

A amo pelos vistosos brincos de pressão que nunca deixaram de estar pendurados em suas orelhas, pelo batom coral em seus lábios e pelas suas unhas sempre bem feitas.

A amo por ter uma poltrona só dela em sua sala de estar, e pelo jornal rigorosamente posto a sua frente.A amo por seu amor à leitura.

A amo por sua intimidade e gentileza aos garçons, aos porteiros de seu prédio, aos filhos desses porteiros.

A amo até mesmo por sua sinceridade muitas vezes cruel, mas, acima de tudo, por sua sinceridade consigo mesma.

A amo pelo cheiro, pelas camisolas, pelos olhos azuis brilhantes, pela inteligência, pela coragem, pelo medo, pelo senso de humor, pela preocupação, por ser minha.

Patrícia Pinheiro

Todos os meninos
têm sonhos
inventam as viagens
com seus barquinhos de papel
que colocam
sobre um fio d´água
exploram as terras
com seus aviões d´ aerograma
que entranham no vento
com uma linha invísivel

Por vezes
nao

Limitam-se
a viver e morrer
sobre
o fio
da linha


[Távola De Estrelas] A Imponderabilidade Dos Sonhos

Luiz Sommerville Junior

O Menino, o Jovem e o Velho

O Menino que nasceu
No berço de palha
E que desde cedo
Tirava as terras a brocar

Tornou-se o Jovem,
Ainda brocador, mas
Com irmãos
Para cuidar

A vida desse Jovem
Foi conturbada
E demorada para
Arrumar

O Jovem tornou-se
O Velho
Que tinha que brocar
Para suas 3 crias criar.

Victorino Silveira Rios

Saudades da Minha Infância Querida...

Eu fui criança e não tive Iphone, Wii, Play3, iPad, DSI, Xbox.
Eu brincava de esconde-esconde, verdade ou consequência, pega-pega, só ia para casa quando escurecia.
Minha mãe não me ligava no celular, só gritava: PRA DENTRO!
Vivia ralado .
Brincava com amigos, descalço, na areia, no barro e não usava sabonete antibacteriano.
Na escola me apelidavam de tudo e eu apelidava também, e ninguém sofria de "bullying"
Que infância boa!
Já tomei água de mangueira e sobrevivi...
Saudade disso tudo!
EU TIVE INFÂNCIA

Toni Correa Costa

A mera lembrança da infância assombra

A mera lembrança da infância assombra

procuro entender como me transformei no que sou hoje

como mudei tanto

a tal ponto de não reconhecer a mim mesmo

será esse mundo que transforma

será que minha mente se expandiu tanto que ampliou meus horizontes

será as companhias da qual tive nessa longa vida

será o ambiente da qual tive oportunidade de ser

será as coisas da qual presenciei que chocaram marcando minha alma como cicatrizes de uma ferida aberta

será que perdi algo nesse longo percurso que me marcou

algo que possa recuperar, ou um pouco que possa chegar próximo do que era antes

minhas origens chegam a mim ainda em memórias como pequenos flashes

como um vulto instantâneo que aparece e desaparece repentinamente

hoje existem várias massas de moldar por aí

massas ambulantes que estão em plena metamorfose que mudaram tanto que a capacidade de consciência está em cheque

sendo estes ficando cada vez mais dependentes de suas necessidades

agindo se de maneira qualquer sem ter noção das consequências de suas próprias ações

A capacidade de questionar está se despencando quase virando ruínas

extintas são mentes abertas que não se entorpeceram com as ações externas

vejo hoje um lua torta, um sol torto, uma terra torta,

com bilhões e bilhões de arvores tortas em plena ruína e em seu pleno desgaste.

eddiespectrum

MEMÓRIAS DA MINHA DOCE INFÂNCIA

Eu vivi no paraíso onde tudo tinha cor
Mata verde, céu azul, nuvem branca e sol laranja
Formava um lindo arco-íris, belo emaranhado de cores
Que se enlaçavam no brilho do dia.

Eu vi os sorrisos mais sinceros e repletos de felicidade
Nasci no interior, no leito do rio Gurupí
Cercada por águas doces e cachoeiras que se debruçavam
Nas correntes nervosas do rio.

Tinha sonhos inocentes que não se realizavam,
Mas vivia tão feliz que nunca me importava,
Continuava dormindo sem me preocupar,
Sem me magoar, sonhando num suspirando sonante
Esperando ansiosamente o desejável dia do amanhã
Pois sabia que acordaria para uma nova aventura começar.

Ah, como eu brincava! Corria como em um desespero
Mas ao contrário de buscar socorro, procurava diversão
Na areia ou na terra preta do quintal, descalça deslizava
Sobre a maciez da lama, tudo, tudo com a mais pura emoção.
Sob as sombras dos cafezais eu pulava, subia em mangueiras
Apanhava frutas, não tinha temor à altura, embalava-me no
Balanço fechando os olhos sentido o vento suavizando minha pele
Nos dia de verão. Quando o suor escorria sobre meu rosto
Descia para beira do rio Gurupí, me jogava, mergulhava
Ficava alguns segundos submersa, como quem tivera saído do
Deserto e encontrado uma fonte, maná de sensações,
Ah, como era bom o barulhinho da água que me molhava,
Aquele arrepio frio que percorria meu corpo!

As tardes no sítio dos meus avós eram deliciosas
Amava aquela simplicidade, o silêncio que nos
Permitia ouvir o canto dos pássaros, o som que
Ecoava dos troncos e galhos das árvores
O toque leve e sedoso dos dedos da minha avó
Passando óleo de coco babaçu que exalava um
Cheirinho de carinho, enquanto ela penteava e
Massageava com todo cuidado os fios do meu cabelo.

À noite, permutava-se a soluta da escuridão pela luminosidade da
Alegria presente nas rodas de amizade. Ouvia- se versos, histórias
De assombrações, mais principalmente, contos da gente que despertava
curiosidade. Quem não se lembra das brincadeiras de rodas, ciranda-cirandinha
e das cantigas? Que acalantava o sono dos pequeninos, dos anjinhos!

Tinha liberdade de aprender, de errar, de brincar,
Liberdade de ter medo, medo dos olhos ofuscante da coruja que
Assustava-me por noite, deixando-me com sono por dias.
Pura superstição dos velhos sábios da aurora de minha vida
Nossa! Quantos valores e saberes me transmitiram!

Vejo-me agora como uma boba em companhia de lembranças dos
Anos maravilhosos que vivi, mas sinto-me livre para reinventar os
caminhos de hoje para alcançar, talvez, novas e esplendorosas
aventuras amanhã, sem esquecer-me da minha doce infância vivida.

Elizamar Lanoa

Hoje passei o dia relembrando e sorrindo à toa, lembrei de ter conhecido o primo da minha amiga que virou meu melhor amigo e companheiro de viagens, lembrei de um dia inesquecível no shopping do Rio de Janeiro, lembrei de dividir meus quilos de ovos de páscoas ganhos com os amigos chegados, lembrei daquela amiga carioca petrolina que converso no mínimo 87 minutos ao telefone numa ligação ddd, e lembro dos amigos sobrinhos, amigos irmãos e amigos afilhados e comadres que a vida nos uniu ainda mais.

Lembro dos colegas de trabalho que viraram amigos, são poucos e ótimos e da chefe que virou vice-mãe, lembro das risadas e choros e dos desabafos do cds palco de infinitas amizades, lembro da Dani e da Tati, do recanto de amigas e dos pitacos nosso de cada dia, lembro de troca de e-mails, lembro de ainda não mães que ou estão grávidas ou estão com recém-nascidos, lembro dos amigos de infância, dos melhores amigos que caíram posições mas que continuam amigos, lembro de nunca ter tido só um melhor amigo e sim vários, lembro que a vida me afastou de alguns e me agraciou com outros. Lembro dos conselhos de que o nojinho que eu tinha da Tiffany ia passar, lembro de ter ficado amiga-filha da professora de português, lembro de inúmeros conselhos que não ouvi e quebrei a cara, lembro de amar mais e receber menos ou de amar o mínimo e receber o máximo. Lembro que meus amigos são tesouros raros, lembro das amizades de mais de 30 anos e dos amigos que sempre serão, dos amigos íntimos que me sinto livre para fazer o que eu quiser em suas casas, inclusive dormir e tomar banho.

Lembro das amigas irmãs caprichosas que as amo, lembro das amigas chatinhas que admiro ad eternum, lembro de todas as recordações felizes, dos colos, lembro de exercer o perdão com os amigos que pisaram na bola comigo por maldade ou ignorância, lembro de ter sido perdoada também, lembro de ritualizar na festa de fim de ano e ao brinde de champanhe e ao som de fogos de artifício falar o nome de todas as pessoas que eu quero bem e desejo felicidade e prosperidade, lembro das amigas do lindo, do cdb, lembro de ter mais amigas que amigos mas os poucos que tenho valem por 1 milhão de amigos, lembro de engolir o choro diante daquela amiga que teima em te criticar, lembro de chorar da felicidade alheia e alegrar-me como se aquela felicidade fosse uma conquista minha, lembro de me sentir amada a cada instante por um amigo que não vejo, mas o sinto tão fortemente em minha vida, lembro de ter pais amigos, lembro de ter micos compartilhados.

Lembro de ter recebido cartinhas e fotos de amigos que moram longe antes da era e-mail, lembro das amigas de Luminosa, lembro dos amigos primos, da amiga de facul que de tão íntima virei amiga de toda sua família, lembro da facilidade de fazer amigos dos amigos e amigas do Café Cancun. Lembro de ter amigos que amam comidas exóticas como eu e são verdadeiros chefs, lembro de ser feliz com o que tenho de melhor, Sou privilegiada por ter amigos, lembro das minha madrinhas queridas, dos meus ex que se transformaram em amigos, lembro de amigas defensoras dos animais, amigas humanas e que me inspiram. Amigos, ainda bem que fui agraciada com inúmeros sentidos a minha existência.

Um brinde à vocês!

Arcise Câmara

Quando tenho que ir?
Eu não quero, não partir.
Quero viver a vida...
Viver o que não vivi
pois, a muito tempo já percebi que morri.
Quero banhar-me ao mar no verão.
Sentir minhas pernas trêmulas no chão.
De ganhar um beijo roubado...
Pernoitar ouvindo o som na balada
Curtir a revoada da madrugada.
Ver felicitamente o raiar do dia
Ouvir a melodia de um bom dia...
Voltar para casa sem me lamentar
Fazer com que aqui se torne um lar doce lar.

Samanta Bernardi

Infância minha onde estás, por onde anda os doces ou sofridos momentos, procuro meu dom e minha pureza onde percebia e valorizava, chorava e sorria por tudo ao meu redor, por todos ao meu redor, onde cada segundo tinha a importância de uma vida.
Voltarás?
mas quá, só resta-me pedaços de ti minha infância, guardados para sempre, onde vez em quando um deles rapidamente escapa: por uma imagem, por um cheiro, por uma frase, por um toque.

Ricardo Fonseca

JABUTICABAS

Pomar de minha infância:
Laranjeiras, bananeiras, abacateiro,
Mangueiras, goiabeiras, uvas docinhas.
Um cajueiro e o pessegueiro em flor.

Mas o que eu mais curtia era a jabuticabeira.
Quando florida, prenuncio de doçura no ar,
Enchia de doce expectativa, meu paladar.
Como era bom chupar jabuticabas no pé!

O sabor só pode ser comparado
A esta doce e suave lembrança.
É na jabuticabeira de minha infância,
Que reencontro os meus sonhos...
- Saudade! -

Verluci Almeida

AO MEU FILHO, MATEUS

Sei que não sou o melhor pai, ou o pai que você queria que eu fosse. Se há algum responsável nessa história de sua vida, poderia ser Deus, com sua escrita cheia de garranchos, ou eu mesmo, por querer tanto que você viesse ao Mundo. Posso não ser um ótimo professor, posso ser bravo demais.

Se sou assim, é porque acredito, e cobro isso, que você pode ser melhor, mesmo sendo você mesmo. Você só poderá ser melhor que você mesmo, como filho, um futuro pai ou um simples Apresentador Mirim de Jornal, me ensinando que o medo é algo passageiro, embora difícil de explicar, que a fantasia e a brincadeira são coisas que a Vida séria não nos pode tirar, senão nossa própria má vontade e que aprender é tão essencial como respirar, dormir e se alimentar.

Ebrael