Textos para Irmãos

Cerca de 186 textos para Irmãos

Paz para os meus irmãos,que Seguem nesse mundão... É fato que o cordeiro vira lobo, e o lobo tem seu ofício... Mas,
VAMOS LÁ! voltar às atividades diárias: Lavar os copos, contar os livros e sorrir, sorrir com mais um dia,contemplando essa morna rebeldiavoltando, voltando... Estudar é preciso, dormir não é preciso... Viver é um detalhe Santo que não temos parte sem termos sido lavados.

Rosivandro AA13

Ter um irmão faz a gente descobrir como é dividir e dar o melhor de si pra ver quem agrada mais o pai. Guardar segredos e a cada brecha fazer a chantagem Ah então você não vai fazer? Vou contar tudo pra mãe!!. Que atire a primeira pedra quem nunca fez isso...
Você sendo o mais velho descobre a sensação de ser pai antes do tempo, porque tem que cuidar do guri quando os pais não estão presentes; e sendo o mais novo, sabe qual é o verdadeiro sentido da palavra proteção.
Brigar sem ter motivos, rir lembrando histórias, defender quando um da rua quer partir pra cima. Odiar e lá no fundo amar, ter irmão te faz ser mais irmão!
Ter um irmão faz a gente ser mais gente.
JÔNATAAAAAASSS NÃO MEXE NO MEU CELULAAAAAAAAAR!!!!

Ester Rodrigues

No dia em que homens e bichos
souberem que são irmãos
não existirá mais extinção
e, finalmente,
o homem e o leão
poderão num fim de tarde
falar em evolução
discutir a inflação
pegar um porre de cachaça com limão
ou quem sabe planejar uma nova revolução
não com balas de canhão
mas com as flores da estação.

Ana Cristina Vieira - 2007

BAÍA DOS PORCOS
(Morro Dois Irmãos)

Serenos são teus seios negros ao mar
Ornatos supremos de um éden despido...
Onde o regozijar nos faz te ver sem te olhar
Na acepção de sentir o que ali está contido.

Baía convergente da beleza de um lugar
Onde um pouco da gente deixamos por lá
E um muito de lá conosco sempre estará
Na visão imponente que da ilha é o altar.

Do mirante sentimos a veleidade... Voar
Com a presença de Deus pairando ali no ar
E em tuas águas assenhoreiam-se os desejos.

Seios negros que aguçam os sentidos...
Eis o mais belo dentre os bustos audazes
Onde o esplendor enfeitiça olhares.

Bruno Bezerra

AMIGOS
Nao sei descreve-los
mas sei dizer como sao
Nao sei se sao irmaos
mas sei dizer que nos os amamos.
Nao sei se sao certinhos
mas sei que se andam comigo e porque sao completamente doidos
Nao sei se nao me querem por perto
mas sei dizer que se nao me quizessem por perto , nao os chamaria de AMIGOS.

Natalia Lemos

Nós, latino-americanos

Somos todos irmãos
mas não porque tenhamos
a mesma mãe e o mesmo pai:
temos é o mesmo parceiro
que nos trai. Somos todos irmãos
não porque dividamos
o mesmo teto e a mesma mesa:
divisamos a mesma espada
sobre nossa cabeça.

Somos todos irmãos
não porque tenhamos
o mesmo braço, o mesmo sobrenome:
temos um mesmo trajeto
de sanha e fome. Somos todos irmãos
não porque seja o mesmo sangue
que no corpo levamos:
o que é o mesmo é o modo
como o derramamos.

Ferreira Gullar

HÁ AMIGOS MAIS CHEGADOS QUE IRMÃOS
O amigo ama em todo o tempo. E, amor não não é conivência. É melhor a ferida feita pelo amigo do que a bajulação do hipócrita. O amigo prefere o desconforto do confronto ao conforto da omissão. O amigo está ao seu lado mesmo quando todas as outras pessoas já se foram, pois há amigos mais chegados que irmãos.

Hernandes Dias Lopes

AMIZADE

Existem vários tipos de amigos,
desde aqueles que são mais que irmãos
aos que viajam na maionese.

Mas na verdade a amizade é um tesouro
que só encontra aqueles que são verdadeiros.

Sem a amizade não conseguimos viver,
porque a amizade
faz parte de tudo o que sentimos e pensamos.
(Fernanda Oliveira 6ª E – Porto Seguro)

Valdeci Alves Nogueira

Amizade...
Amigos são simplesmente irmãos que o nosso coração escolhe e acolhe...
Amigo é irmão sem laço de sangue... Sem grau de parentesco, mas com grau de amor...
Amigo é aquele que mesmo que vá doer te fala a verdade, mas jamais te abandona...
Amigo te ama... Respeita-te...
Amigo são simplesmente pessoas que Deus põe no seu caminho como anjos... A zelar por você.
A distancia não separa uma amizade... Por que mesmo a distancia você sabe que pode contar...
Amigo é a pessoa que mesmo que seja tarde você quer ligar... Amigo sempre te diz que vai dar certo, não por que quer te consolar, mas por que confia que você pode fazer melhor...
Amigo te impulsiona... Diz-te que é vencedor... Amigo mesmo sempre esteve ao nosso lado...
Mesmo que não tenha percebido ele sempre esteve lá... Quietinho... Todas as vezes que você precisou... Ele estava lá... Mesmo que você não reconhecido o valor dele... Ele jamais deixou você desamparado...
Amigo é o verdadeiro significado de amor eterno...
Amigos que passaram por nossa vida. Se não permaneceram por que nunca foi amizade...
Amigo é aquele que é seu amigo... Quando não te sobra amigo algum...
Mas antes de esperar ter amigo... É bom mesmo ser amigo de alguém... Que valorizamos e sentimos bem...
Não espere amigos seja amigo também...

felicity Secret

Meus irmãos, sintam-se felizes quando passarem por todo tipo de aflições. Pois vocês sabem que, quando a sua fé vence essas provações, ela produz perseverança. Que essa perseverança seja perfeita a fim de que vocês sejam maduros e corretos, não falhando em nada! Mas, se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e Ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos.
Tiago 1.2-5

Bíblia Sagrada

Sinceridade Requerida para o Perdão

“Heb 10:19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,
Heb 10:20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne,
Heb 10:21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus,
Heb 10:22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.
Heb 10:23 Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.”

Consideremos o que é bom, agradável e aceitável diante dAquele que nos criou. Olhemos fixamente para o sangue de Cristo, e vejamos quão precioso aos olhos de Deus é o seu sangue, que tendo sido derramado para a nossa salvação, trouxe ao mundo inteiro a graça do arrependimento.
Voltemo-nos ao testemunho das gerações passadas, para aprendermos a achar o arrependimento, no exemplo que nos foi deixado por todos aqueles que entenderam a necessidade de se reconhecerem pecadores diante de Deus, e que lhe confessavam diariamente os seus pecados para obterem o favor do seu perdão; quer quando se converteram e foram justificados pela fé em Cristo, quer ao longo de toda sua jornada terrena.
Não podemos ter a verdadeira paz e vida, se permanecemos endurecidos, por não confessarmos os nossos pecados e não nos perdoarmos mutuamente, porque necessitamos perdoar o nosso próximo para que sejamos perdoados por Deus; pois necessitamos do Seu perdão constantemente para ter a verdadeira paz no nosso viver.
Deus prometeu perdoar os nossos pecados caso os confessemos e os abandonemos. E ele fez esta promessa juntando a ela o juramento que fizera por si mesmo, de nunca voltar atrás na decisão de nos perdoar e abençoar.
Sejamos então sinceros e honestos quanto às nossas falhas, diante dAquele cujos olhos percorrem toda a Terra e que tudo vê. Se dissermos que não temos pecado ou caso pensemos que somos bons e justos de nós mesmos, chamamos a Deus de mentiroso, e não podemos estar em paz com Ele e nem mesmo com nossas próprias consciências, porque tanto um quanto outro testificam claramente a nossa condição de pessoas falhas e imperfeitas, necessitadas de graça e de perdão.
Silvio Dutra

Silvio Dutra

JUÍZES 9

“1 Abimeleque, filho de Jerubaal, foi a Siquém, aos irmãos de sua mãe, e falou-lhes, e a toda a parentela da casa de pai de sua mãe, dizendo:
2 Falai, peço-vos, aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém: Que é melhor para vós? que setenta homens, todos os filhos de Jerubaal, dominem sobre vós, ou que um só domine sobre vós? Lembrai-vos também de que sou vosso osso e vossa carne.
3 Então os irmãos de sua mãe falaram todas essas palavras a respeito dele aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém; e o coração deles se inclinou a seguir Abimeleque; pois disseram: E nosso irmão.
4 E deram-lhe setenta siclos de prata, da casa de Baal-Berite, com os quais alugou Abimeleque alguns homens ociosos e levianos, que o seguiram;
5 e foi à casa de seu pai, a Ofra, e matou a seus irmãos, os filhos de Jerubaal, setenta homens, sobre uma só pedra. Mas Jotão, filho menor de Jerubaal, ficou, porquanto se tinha escondido.
6 Então se ajuntaram todos os cidadãos de Siquém e toda a Bete-Milo, e foram, e constituíram rei a Abimeleque, junto ao carvalho da coluna que havia em Siquém.
7 Jotão, tendo sido avisado disso, foi e, pondo-se no cume do monte Gerizim, levantou a voz e clamou, dizendo: Ouvi-me a mim, cidadãos de Siquém, para que Deus: vos ouça a vós.
8 Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei; e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós.
9 Mas a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, para ir balouçar sobre as árvores?
10 Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós.
11 Mas a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para ir balouçar sobre as árvores?
12 Disseram então as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós.
13 Mas a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, para ir balouçar sobre as árvores?
14 Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.
15 O espinheiro, porém, respondeu às árvores: Se de boa fé me ungis por vosso rei, vinde refugiar-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro, e devore os cedros do Líbano.
16 Agora, pois, se de boa fé e com retidão procedestes, constituindo rei a Abimeleque, e se bem fizestes para com Jerubaal e para com a sua casa, e se com ele usastes conforme o merecimento das suas mãos
17 (porque meu pai pelejou por vós, desprezando a própria vida, e vos livrou da mão de Midiã;
18 porém vós hoje vos levantastes contra a casa de meu pai, e matastes a seus filhos, setenta homens, sobre uma só pedra; e a Abimeleque, filho da sua serva, fizestes reinar sobre os cidadãos de Siquém, porque é vosso irmão);
19 se de boa fé e com retidão procedestes hoje para com Jerubaal e para com a sua casa, alegrai-vos em Abimeleque, e também ele se alegre em vós;
20 mas se não, saia fogo de Abimeleque, e devore os cidadãos de Siquém, e a Bete-Milo; e saia fogo dos cidadãos de Siquém e de Bete-Milo, e devore Abimeleque.
21 E partindo Jotão, fugiu e foi para Beer, e ali habitou, por medo de Abimeleque, seu irmão.
22 Havendo Abimeleque reinado três anos sobre Israel,
23 Deus suscitou um espírito mau entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém; e estes procederam aleivosamente para com Abimeleque;
24 para que a violência praticada contra os setenta filhos de Jerubaal, como também o sangue deles, recaíssem sobre Abimeleque, seu irmão, que os matara, e sobre os cidadãos de Siquém, que fortaleceram as mãos dele para matar a seus irmãos.
25 E os cidadãos de Siquém puseram de emboscada contra ele, sobre os cumes dos montes, homens que roubavam a todo aquele que passava por eles no caminho. E contou-se isto a Abimeleque.
26 Também veio Gaal, filho de Ebede, com seus irmãos, e estabeleceu-se em Siquém; e confiaram nele os cidadãos de Siquém.
27 Saindo ao campo, vindimaram as suas vinhas, pisaram as uvas e fizeram uma festa; e, entrando na casa de seu deus, comeram e beberam, e amaldiçoaram a Abimeleque.
28 E disse Gaal, filho de Ebede: Quem é Abimeleque, e quem é Siquém, para que sirvamos a Abimeleque? não é, porventura, filho de Jerubaal? e não é Zebul o seu mordomo? Servi antes aos homens de Hamor, pai de Siquém; pois, por que razão serviríamos nós a Abimeleque?
29 Ah! se este povo estivesse sob a minha mão, eu transtornaria a Abimeleque. Eu lhe diria: Multiplica o teu exército, e vem.
30 Quando Zebul, o governador da cidade, ouviu as palavras de Gaal, filho de Ebede, acendeu-se em ira.
31 E enviou secretamente mensageiros a Abimeleque, para lhe dizerem: Eis que Gaal, filho de Ebede, e seus irmãos vieram a Siquém, e estão sublevando a cidade contra ti.
32 Levanta-te, pois, de noite, tu e o povo que tiveres contigo, e põe-te de emboscada no campo.
33 E pela manhã, ao nascer do sol, levanta-te, e dá de golpe sobre a cidade; e, saindo contra ti Gaal e o povo que tiver com ele, faze-lhe como te permitirem as circunstâncias.
34 Levantou-se, pois, de noite Abimeleque, e todo o povo que com ele havia, e puseram emboscadas a Siquém, em quatro bandos.
35 E Gaal, filho de Ebede, saiu e pôs-se à entrada da porta da cidade; e das emboscadas se levantou Abimeleque, e todo o povo que estava com ele.
36 Quando Gaal viu aquele povo, disse a Zebul: Eis que desce gente dos cumes dos montes. Respondeu-lhe Zebul: Tu vês as sombras dos montes como se fossem homens.
37 Gaal, porém, tornou a falar, e disse: Eis que desce gente do meio da terra; também vem uma tropa do caminho do carvalho de Meonenim.
38 Então lhe disse Zebul: Onde está agora a tua boca, com a qual dizias: Quem é Abimeleque, para que o sirvamos? Não é esse, porventura, o povo que desprezaste. Sai agora e peleja contra ele!
39 Assim saiu Gaal, à frente dos cidadãos de Siquém, e pelejou contra Abimeleque.
40 Mas Abimeleque o perseguiu, pois Gaal fugiu diante dele, e muitos caíram feridos até a entrada da porta.
41 Abimeleque ficou em Arumá. E Zebul expulsou Gaal e seus irmãos, para que não habitassem em Siquém.
42 No dia seguinte sucedeu que o povo saiu ao campo; disto foi avisado Abimeleque,
43 o qual, tomando o seu povo, dividiu-o em três bandos, que pôs de emboscada no campo. Quando viu que o povo saía da cidade, levantou-se contra ele e o feriu.
44 Abimeleque e os que estavam com ele correram e se puseram à porta da cidade; e os outros dois bandos deram de improviso sobre todos quantos estavam no campo, e os feriram.
45 Abimeleque pelejou contra a cidade todo aquele dia, tomou-a e matou o povo que nela se achava; e, assolando-a, a semeou de sal.
46 Tendo ouvido isso todos os cidadãos de Migdol-Siquém, entraram na fortaleza, na casa de El-Berite.
47 E contou-se a Abimeleque que todos os cidadãos de Migdol-Siquém se haviam congregado.
48 Então Abimeleque subiu ao monte Zalmom, ele e todo o povo que com ele havia; e, tomando na mão um machado, cortou um ramo de árvore e, levantando-o, pô-lo ao seu ombro, e disse ao povo que estava com ele: O que me vistes fazer, apressai-vos a fazê-lo também.
49 Tendo, pois, cada um cortado o seu ramo, seguiram a Abimeleque; e, pondo os ramos junto da fortaleza, queimaram-na a fogo com os que nela estavam; de modo que morreram também todos os de Migdol-Siquém, cerca de mil homens e mulheres.
50 Então Abimeleque foi a Tebez, e a sitiou e tomou.
51 Havia, porém, no meio da cidade uma torre forte, na qual se refugiaram todos os habitantes da cidade, homens e mulheres; e fechando após si as portas, subiram ao eirado da torre.
52 E Abimeleque, tendo chegado até a torre, atacou-a, e chegou-se à porta da torre, para lhe meter fogo.
53 Nisso uma mulher lançou a pedra superior de um moinho sobre a cabeça de Abimeleque, e quebrou-lhe o crânio.
54 Então ele chamou depressa o moço, seu escudeiro, e disse-lhe: Desembainha a tua espada e mata-me, para que não se diga de mim: uma mulher o matou. E o moço o traspassou e ele morreu.
55 Vendo, pois, os homens de Israel que Abimeleque já era morto, foram-se cada um para o seu lugar.
56 Assim Deus fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai, matando seus setenta irmãos;
57 como também fez tornar sobre a cabeça dos homens de Siquém todo o mal que fizeram; e veio sobre eles a maldição de Jotão, filho de Jerubaal.” (Jz 9.1-57)

A apostasia de Israel depois da morte de Gideão é castigada, não como as apostasias anteriores por uma invasão estrangeira, mas por uma tirania do filho bastardo de Gideão, que destruiu os siquemitas, adoradores de Baal-Berite, depois de terem feito uma aliança entre si, para matarem vilmente os setenta filhos de Gideão, dos quais escapou apenas o caçula, chamado Jotão.
A aliança que eles haviam feito com Baal-Berite, que como vimos antes significa senhor da aliança, foi uma aliança maldita que causou a sua ruína, porque eram israelitas e deveriam manter a aliança que tinham feito com Jeová.
Este foi um modo muito amargo de se ensinar aos israelitas o que sucede aos que fazem aliança com Baal, e que viraram as suas costas ao único Deus verdadeiro. Deus não somente vingou a morte dos setenta filhos de Gideão, como vindicou Sua própria santidade nos siquemitas, que haviam se voltado para a adoração de Baal.
Ao que tudo indica, Gideão residia com seus filhos legítimos em Ofra, e como sua concubina morava em Siquém, o filho que tivera com ela, Abimeleque, era também residente nesta cidade.
Tendo Gideão recusado o convite para reger sobre Israel, e tendo vedado tal regência a qualquer um dos seus filhos, Abimeleque sentiu-se no direito de assumir o governo de Israel, uma vez que era também filho de Gideão, e para evitar que algum dos setenta filhos de Gideão, contrariando a decisão de seu pai, viesse a assumir o governo da nação, forjou um plano vil de matar a todos os seus irmãos, e o fez pagando um exército de mercenários levianos, que foram pagos com o dinheiro que lhe fora dado pelos siquemitas, dinheiro este retirado da casa de Baal-Berite, possivelmente com o intento de que o dinheiro que havia sido consagrado àquela divindade, desse a Abimeleque sucesso em seu empreendimento.
Como Siquém era uma cidade importante da tribo de Efraim, e como vimos antes, os efraimitas haviam se ressentido com Gideão, por não lhes ter convocado para lutar contra os midianitas, pois Gideão era da cidade de Ofra, que pertencia a outra tribo, a de Manassés, eles encontram agora oportunidade para dar um duro golpe na descendência de Gideão, através de uma aliança maldita que fizeram com Abimeleque, e isto foi facilitado porque desde a morte de Gideão, haviam se voltado para o culto a Baal, e como sabemos, tal a divindade, tais os seus adoradores.
Quando Jotão soube que os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo haviam constituído a Abimeleque rei sobre Israel, ele proferiu uma parábola e uma maldição que se encontram nos versos 7 a 21, e que certamente lhes foram dadas por inspiração do Espírito Santo, e a maldição que ele proferiu teve cumprimento cabal tanto sobre Abimeleque quanto sobre os siquemitas.
A parábola revela a modéstia de Gideão e de seus filhos legítimos em recusarem o governo que lhes foi proposto pelos israelitas, apesar de serem pessoas habilitadas para exercer um bom governo; e a imodéstia e presunção de Abimeleque, que é o espinheiro da parábola, que se precipitou em assumir o governo de Israel, quando não tinha a menor qualificação moral para isto.
E assim como o fim do espinheiro é ser queimado, em razão da sua inutilidade e danos, que causa a outros, então, toda pessoa que é como um espinheiro, está sujeita à maldição, e o seu fim será ser queimada no fogo eterno do inferno.
Como, na parábola, o espinheiro veio a governar por assentimento das demais árvores, então que saísse fogo do espinheiro e as queimasse, e que o fogo das árvores também queimasse o espinheiro (v. 20), sendo isto uma clara referência a Abimeleque e aos cidadãos de Siquém e Bete-Milo que lhe haviam aclamado rei.
Depois de ter Abimeleque reinado três anos sobre Israel, Deus suscitou um mau espírito entre Abimeleque e os siquemitas com vistas a vingar a morte dos filhos de Gideão (v. 22, 23).
Os siquemitas começaram a ficar insatisfeitos com Abimeleque, e ele com eles, e isto procedia da parte de Deus, que permitiu que o diabo semeasse discórdia entre eles, pois nada dá ao diabo, maior prazer do que exercer o seu ministério corrompido de matar, roubar e destruir.
O mesmo diabo que aparentemente havia favorecido Abimeleque e os siquemitas conduzindo-os a uma posição de governo sobre Israel, por meio de um expediente extremamente vil, seria também o causador da destruição de Abimeleque e dos siquemitas.
E que isto sirva de alerta a todos os que se deixam usar por Satanás para prejudicarem a outros, porque no final eles próprios serão prejudicados pelo diabo, que não pode desejar o bem a qualquer homem, porque os odeia com um ódio mortal, e visa tão somente à sua destruição.
Por isso, nunca se nega a destruir a carne daqueles aos quais tal coisa lhe é permitida por Deus, para fim de juízo ou de correção, pois tem imenso prazer em fazer isto, e existe para isto, e para nenhum outro propósito, até que ele mesmo venha a receber a execução final da sentença que já foi pronunciada sobre ele, de queimar eternamente no lago de fogo e enxofre.
No caso de Saul é dito também que vinha sobre ele um espírito maligno da parte do Senhor, e isto significa ser permitido ao diabo que se apodere daqueles dos quais Deus retirou a Sua proteção, por andarem contrariamente com Ele e com a Sua vontade.
“Ora, o Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e o atormentava um espírito maligno da parte do Senhor.” (I Sm 16.14).
Deus esperou três anos para começar a entregar a Abimeleque e os siquemitas à destruição.
Assim, ninguém se apresse em considerar que Deus não leva em conta o pecado, em razão de não ver juízos imediatos sendo exercidos sobre os seus praticantes.
Cabe destacar que conforme a Bíblia ensina, todos comparecerão diante dEle no tribunal em que cada um de nós prestará contas do bem ou do mal que tiver feito por meio do corpo (II Cor 5.10; Rom 14.10-12).
Se os siquemitas não foram gratos a Gideão, que lhes havia libertado do jugo dos midianitas, como seriam gratos a Abimeleque?
Porque não haveriam de traí-lo, já que haviam traído à memória de Gideão cooperando para matar toda a sua descendência?
Fazendo aliança com o mal nunca se poderá ter a garantia de cumprimento da promessa do bem.
Antes que Deus executasse o juízo de morte sobre Abimeleque, permitindo que fosse morto de modo desonroso pelas mãos de uma mulher, que lhe quebrou o crânio com uma pedra da parte superior de um moinho, Ele permitiu que Abimeleque destruísse os siquemitas, dando-se cumprimento à maldição proferida por Jotão, que dele sairia fogo e consumiria os siquemitas.
Ele pôs literalmente fogo na fortaleza de El-Berite, da cidade de Migdol-Siquém, onde seus habitantes haviam se refugiado (v. 49).
Eles foram mortos na casa do próprio deus que eles adoravam, julgando que ali estariam seguros, por pensarem que o seu deus viria em seu socorro.
Antes disso ele havia destruído uma insurreição dos habitantes de Siquém, que haviam colocado a um certo Gaal como cabeça deles, para derrubarem Abimeleque.
Seria a substituição intentada de um tirano por outro. E isto ocorreu para que conforme fora predito pela maldição proferida por Jotão, Abimeleque encontrasse ocasião para destruir os siquemitas.
Ele não estava portanto, prosperando em seus projetos e nem sendo abençoado por Deus, mas simplesmente sendo ele próprio o instrumento do juízo de Deus contra aqueles que lhe haviam conduzido ao poder, por meio da injustiça.
Muitos parecem prosperar neste mundo, quando prevalecem sobre seus inimigos, e no entanto, muitas vezes isto é apenas um juízo de Deus, que se cumpre pela instrumentalidade deles, até que eles próprios venham também a serem julgados.
Os ditadores sanguinários, têm geralmente o mesmo fim daqueles aos quais mataram a sangue-frio. Aquele que matar pela espada da injustiça, pela espada também será morto, e ainda que isto não se cumpra literalmente neste mundo, certamente, em face da falta de arrependimento para a vida, tal se cumprirá no juízo vindouro de Deus.
Abimeleque deixou a Zebul, que era seu confidente, como sendo o governante da cidade de Siquém, e este Zebul traiu a Gaal informando sobre suas intenções a Abimeleque.
Os que traem serão também traídos, de um modo ou de outro.
E Abimeleque derrotou as forças de Gaal, que saíram a lutar com seu exército fora dos muros da cidade de Siquém.
E como os siquemitas, apesar de terem abandonado a Gaal, permaneceram contrários a Abimeleque, este deu com tal fúria sobre a sua própria cidade natal de Siquém, que a transformou em ruínas, e para que ficasse na condição de uma assolação perpétua, fez com que fosse semeada com sal (v. 45).

Silvio Dutra

O Principal Objetivo em Nossa Vida

“Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia; o que resta é que não só os casados sejam como se o não fossem; mas também os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa.” (I Cor 7.29-31)

O apóstolo Paulo chama a nossa atenção para o que é principal: “Irmãos, o tempo é curto", e, portanto, se ocupem com estas coisas como se vocês não as tivessem porque a aparência deste mundo passa. Esta é a razão pela qual ninguém, senão um verdadeiro cristão pode relacionar-se moderadamente com as coisas deste mundo. Por quê? Porque ninguém, senão um cristão fiel tem um objetivo principal que permeia toda a sua vida; ele busca o céu e a felicidade, porque isto estará com ele mais tarde e para toda a eternidade.
Por isso a sua fé permeia todos os assuntos: o casamento, compras, o mundo. E não deve se importar com se entristecer ou se alegrar, porque há um grande e principal objetivo em vista.
Ele não será negligente na execução dos seus deveres, relativos ao casamento, ao uso do dinheiro, às suas funções neste mundo, procurando sempre, em tudo, fazer o melhor com a ajuda e a direção do Espírito Santo, todavia, sempre terá este sentimento de que o Reino de Deus e a sua justiça, sempre deve ocupar o lugar principal em sua mente, coração e ações.
Assim, não concentrará o principal de seus esforços em objetivos terrenos e passageiros, mas naqueles que se referem a Deus e às coisas espirituais e eternas, porque é isto o que lhe ordena o seu Senhor.
Ele sabe que o tempo é curto, e portanto, deve ser moderado em todas as coisas deste mundo.
O envolver-se em demasia com tudo o que respeita à vida que temos aqui embaixo conquista totalmente as nossas afeições por estas coisas, e não poderemos ter e manter o nosso amor a Deus acima de tudo e de todos, conforme é ordenado por Ele.
Se temos um afeto desmedido por qualquer coisa desta vida, faremos todo o empenho para não perdê-la, e ficaremos fatalmente imobilizados e desmotivados caso aconteça a perda, o que é de se supor, que aconteça mais cedo ou mais tarde.
Daí nosso Senhor ter afirmado tão categórica e expressamente: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14.33); “Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preserva-la-á para a vida eterna.” (João 12.25); “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; (Mat 10.37).
Deus não consentirá que nosso afeto por Ele esteja em competição com qualquer outra coisa ou pessoa deste mundo.
Nada e ninguém deve ser motivo para que Ele não seja servido em primeiro lugar por nós. Nem bens terrenos, ou cônjuges, ou filhos, ou carreira, nem nossas tristezas, nem nossas alegrias, enfim, nada é nada.
De tudo cuidaremos com zelo e amor, mas não deixaremos de tributar a honra, o culto, o serviço que são devidos ao Senhor, antes de tudo o mais.
Sem este sentimento e prática de renúncia jamais poderemos servi-lo e amá-lo do modo pelo qual importa fazê-lo.
E há uma urgência no uso que fazemos de nossa vida aqui embaixo porque a vida é curta, e o tempo do nosso encontro com o Senhor é certo, e ele julgará todas as nossas obras.
E o que tivermos deixado de fazer para o Senhor não poderá ser recuperado, porque não poderemos voltar atrás e começar tudo de novo.

Silvio Dutra

O Dever da Paciência

“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.” (Tg 1.2-4)

Nós, neste momento somos pouco capazes de formar uma concepção do estado da Igreja na era apostólica. O Cristianismo entre nós não possui nenhum dos males a que os cristãos primitivos foram expostos. Mas a que isso é devido? Está o Cristianismo mudado em tudo? ou é menos ofensivo do que era aos olhos dos homens ímpios? Não. É o mesmo de sempre, e, se aqueles que professam ser cristãos não são desprezados e odiados agora como eram nos tempos antigos, é porque eles mantêm "apenas a forma de piedade, e não têm o seu poder.” Deixe as pessoas entrarem no espírito do Cristianismo, agora, quanto ao que os cristãos fizeram nos dias apostólicos, e eles serão tratados precisamente como eles foram; pelo menos, as leis da terra admitirão isso; e, se não forem perseguidos até a morte, isto não será procedente de terem mais amor à piedade no coração carnal agora, do que havia então; mas em razão da maior proteção que é proporcionada pelas leis do país, e de um espírito de tolerância moderno que comumente é estabelecido.
A real e vital piedade foi então universalmente odiada, e é assim ainda. Não foi para os judeus convertidos na Palestina que Tiago escreveu, mas para "as doze tribos que andavam dispersas.", ou seja os cristãos judeus que viviam fora dos termos de Israel. A religião não foi perseguida apenas parcialmente, mas em todas as partes e em todos os lugares, e ainda é, em todos os lugares, porque os cristãos são uma pedra de tropeço para os judeus, e loucura para os gregos, e todos aqueles que cultivarem isto, mais cedo ou mais tarde precisarão ter o consolo do nosso texto administrado a eles para apoiá-los.
Nas palavras que lemos, vemos,
I. A parte designada por povo de Deus.
Nos séculos anteriores eram odiados por causa da justiça.
Volte ao tempo de Abel. Você bem sabe que ele foi assassinado por seu próprio irmão Caim. E qual foi a razão da inimizade de Caim contra ele? Somos informados em I João 3.12: "não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.”. Desça a todas as épocas sucessivas, e você ainda irá encontrar a mesma inimizade subsistindo entre a semente da mulher e a semente da serpente. Como a luz e as trevas, assim também Cristo e Belial, tanto em si mesmo e em seus membros, sempre foram, e sempre serão, opostos um ao outro, 2 Cor 6.14,15. Assim, a diversidade de provações a que os piedosos foram expostos, são apresentadas em resumo no 11º capítulo da Epístola aos Hebreus: "Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.”
Vá ao tempo de Cristo e seus apóstolos: pode-se esperar que a sua luz superior e piedade, e os inúmeros milagres com os quais a sua missão divina foi confirmada, iria livrá-los de tal tratamento mau; e, especialmente, que o Senhor Jesus Cristo, cujo caráter era tão impecável, e cuja sabedoria era infinita, fosse capaz de superar os preconceitos de um mundo enfatuado e cego. Mas eles somente foram mais expostos aos insultos e crueldade dos ímpios em tal proporção que a sua luz brilhou com um esplendor mais brilhante. E todos os que nos primeiros séculos da Igreja se tornaram seguidores de Jesus, foram, em sua medida, submetidos às mesmas tentações, e tiveram que beber do mesmo cálice amargo.
O mesmo tratamento que lhes foi dado é encontrado nos presentes dias.
Temos observado que uma mera forma de piedade passará sem sofrer oposição; mas a piedade real e vital, nos sujeitará à censura em nossos dias, mais do que nunca. "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Tim 3.12). Esse tipo de piedade que surge a partir de si mesma e termina em si mesma, vai nos levar a estarmos no favor do mundo, mas a que é derivada completamente de Cristo como sua boa fonte e autor, e que é exercida exclusivamente para o avanço de sua glória, é, e sempre será, odiosa aos olhos dos ímpios, precipitará a fúria dos demônios; e um homem que incorpora isso em sua vida e conversação não pode escapar da perseguição mais do que o próprio Cristo podia.
Receber tudo de Cristo, e fazer tudo por Cristo, é a própria essência da piedade cristã, e ao exigir isto de seus seguidores, o nosso bendito Senhor legou à sua Igreja uma fonte que nunca falha quanto ao mundo. Isto ele mesmo nos diz: "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.” (Mt 10.34,35)
Consequentemente, encontramos de modo universal, que, quando uma pessoa começa a viver pela fé no Senhor Jesus Cristo, e a dedicar-se ao seu serviço, todos os seus amigos e parentes ficarão alarmados, e tentarão, por todos os métodos de ridicularização, ou ameaça, ou persuasão, desviá-lo de seu propósito. Deixe ele viver com todo o descuido de sua alma, e ninguém vai se incomodar com ele. Ele pode viver toda a sua vida em tal estado, e nenhum amigo vai exortá-lo a servir ao Senhor, mas a menor abordagem da piedade será desencorajada por cada amigo e parente que ele tiver. Não que a religião será desaprovada como religião em si; algum nome mal deve ser dado a isto em primeiro lugar, e em seguida, será reprovado sob esse caráter. Mas as próprias pessoas que mantêm na mais alta veneração os nomes dos apóstolos e dos grandes reformadores da nossa Igreja, e que elevariam santuários e monumentos aos santos falecidos punirão os santos vivos com o maior rancor; e fossem os apóstolos ou reformadores viverem novamente na terra, e receberiam o mesmo tratamento daqueles que lhes foi dado pelo povo da época em que eles viveram. Se eles chamaram de Belzebu ao Dono da casa, é em vão para qualquer um dos seus servos abrigar a esperança de que ele deve escapar de uma acusação semelhante.
Dolorosa como essa parte é a carne e o sangue, ninguém precisa temer isto, se atender às
II. Instruções dos Apóstolo em relação a isto.
Deus graciosamente designa a seu povo esta parte, a fim de promover seu bem-estar espiritual, e para progressivamente transformá-los à imagem divina em verdadeira justiça e santidade. Daí Tiago exortar os seus irmãos que estavam sendo afligidos a considerarem suas provações como um meio para um fim; e,
1. Para darem boas-vindas aos meios.
A própria tendência das tentações é trabalhar a paciência em nossas almas. Elas, primeiro, operam efetivamente para a produção de impaciência, ou, melhor, devo dizer, para suscitar aquelas disposições más que se escondem em nossos corações. Desde que tenhamos o nosso orgulho em alguma medida, subjugado, não sabemos como suportar a indelicadeza que recebemos; nós nos preocupamos sob isto, e nos iramos como o novilho ainda não domado, mas quando descobrimos a nossa fraqueza, temos vergonha disso, e nos humilhamos diante de Deus por conta disso, e imploramos a sua graça para nos apoiar, e assim, somos gradualmente instruídos pela disciplina, e somos, finalmente, "fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai", Col 1.11, que tem feito em nós uma grande mudança de coração e de vida que nos expõe à inimizade do mundo ímpio.
Agora, quando vemos o que o nosso bom Deus nos designou para estas tentações, devemos não somente estar reconciliados com elas, mas ser gratos por elas, como diz o apóstolo: "tenham por motivo de grande alegria o passardes por várias tentações.", pois, o preço pode ser muito grande para a aquisição de algo tão valioso como a de um espírito manso, submisso e paciente? Nós submetemos nossa vontade a muitas coisas que desagradam a carne e o sangue para o avanço da nossa saúde física, e não devemos ficar felizes em não tomar as prescrições do nosso celeste Médico para a saúde de nossas almas? Que importa que sejam impalatáveis para o nossos gosto? Devemos considerar a aflição como algo bom, quando sabemos quais os benefícios que resultarão delas; e isto é assegurado: “que os sofrimentos da presente vida não são dignos de serem comparados com o peso da glória que há de ser revelada em nós.", Rom 8.18. Quando vemos, portanto, as nuvens se reunindo ao nosso redor, não devemos ficar alarmados, mas devemos dizer sim, com o agricultor cuja lavoura está morrendo com a seca, agora Deus está prestes a renovar e frutificar meu coração estéril, e suas nuvens devem cair copiosamente na minha alma. E no que meditam seus inimigos, senão somente no mal? Isto deveria trazer qualquer preocupação para você, quando sabe que eles têm se empenhado somente para anular tudo o que é bom? Digo, com o profeta : "Não temais" quaisquer ameaças, por maiores que elas possam parecer, nem se queixem de qualquer tentação, embora seja opressiva, mas se alegrem em meio a elas no seu Deus, e lhe bendigam por estar lhes considerando “dignos para suportá-las”, e aceitá-las como um inestimável "presente de suas mãos" , "e" ter prazer nelas" por saber o que elas vão certamente produzir para o seu bem-estar e para a “glória de Deus”, I Pe 4.14-16.
2. Para cultivar o fim.
Deus tem designado as provações como um meio de torná-lo semelhante a ele, que "foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.”, Is 53.7. Busquem experimentar esse benefício delas, e "tenha a paciência a sua obra perfeita em vocês, para que sejas perfeitos e completos, sem faltar nada.", não se queixe que suas tentações são pesadas, ou de longa duração, mas esteja mais ansioso para ter a sua escória consumida, do que ter a intensidade do forno reduzida. Foi "por meio de sofrimentos que o Senhor Jesus Cristo foi aperfeiçoado", Heb 2.10, e se "Ele aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu", não devemos estar prontos para aprendê-la da mesma forma? Estamos sempre prontos para pensar que a perfeição consiste em virtude ativa, mas Deus não é nem um pouco menos honrado na virtude passiva, e quando a paciência até agora tem operado em sua alma como para fazê-lo "gloriar-se nas tribulações" por amor ao Senhor, e você possa dizer a partir do íntimo de sua alma, em todas as circunstâncias, "Não a minha vontade, mas seja feita a tua", você terá atingido aquela medida de santidade que constitui a perfeição, e você vai em breve, como o trigo que está completamente maduro, ser guardado no celeiro de seu Pai celestial. Você já leu que Jesus, depois de ter sofrido a cruz, desprezando a vergonha, se assentou à direita do trono de Deus, esteja então contente, por "sofrer juntamente com ele, para que, no devido tempo, você possa ser glorificado." Que este seja o seu único objetivo; e ore para que "o Deus de paz, que tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus através do sangue da aliança eterna, lhe aperfeiçoe em toda boa obra para fazer a sua vontade, operando em você o que é bom e agradável à sua vista, através de Cristo Jesus.”

Tradução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, de um texto de Charles Simeon, em domínio público.

Charles Simeon

JUÍZES 9

“1 Abimeleque, filho de Jerubaal, foi a Siquém, aos irmãos de sua mãe, e falou-lhes, e a toda a parentela da casa de pai de sua mãe, dizendo:
2 Falai, peço-vos, aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém: Que é melhor para vós? que setenta homens, todos os filhos de Jerubaal, dominem sobre vós, ou que um só domine sobre vós? Lembrai-vos também de que sou vosso osso e vossa carne.
3 Então os irmãos de sua mãe falaram todas essas palavras a respeito dele aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém; e o coração deles se inclinou a seguir Abimeleque; pois disseram: E nosso irmão.
4 E deram-lhe setenta siclos de prata, da casa de Baal-Berite, com os quais alugou Abimeleque alguns homens ociosos e levianos, que o seguiram;
5 e foi à casa de seu pai, a Ofra, e matou a seus irmãos, os filhos de Jerubaal, setenta homens, sobre uma só pedra. Mas Jotão, filho menor de Jerubaal, ficou, porquanto se tinha escondido.
6 Então se ajuntaram todos os cidadãos de Siquém e toda a Bete-Milo, e foram, e constituíram rei a Abimeleque, junto ao carvalho da coluna que havia em Siquém.
7 Jotão, tendo sido avisado disso, foi e, pondo-se no cume do monte Gerizim, levantou a voz e clamou, dizendo: Ouvi-me a mim, cidadãos de Siquém, para que Deus: vos ouça a vós.
8 Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei; e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós.
9 Mas a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, para ir balouçar sobre as árvores?
10 Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós.
11 Mas a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para ir balouçar sobre as árvores?
12 Disseram então as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós.
13 Mas a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, para ir balouçar sobre as árvores?
14 Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.
15 O espinheiro, porém, respondeu às árvores: Se de boa fé me ungis por vosso rei, vinde refugiar-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro, e devore os cedros do Líbano.
16 Agora, pois, se de boa fé e com retidão procedestes, constituindo rei a Abimeleque, e se bem fizestes para com Jerubaal e para com a sua casa, e se com ele usastes conforme o merecimento das suas mãos
17 (porque meu pai pelejou por vós, desprezando a própria vida, e vos livrou da mão de Midiã;
18 porém vós hoje vos levantastes contra a casa de meu pai, e matastes a seus filhos, setenta homens, sobre uma só pedra; e a Abimeleque, filho da sua serva, fizestes reinar sobre os cidadãos de Siquém, porque é vosso irmão);
19 se de boa fé e com retidão procedestes hoje para com Jerubaal e para com a sua casa, alegrai-vos em Abimeleque, e também ele se alegre em vós;
20 mas se não, saia fogo de Abimeleque, e devore os cidadãos de Siquém, e a Bete-Milo; e saia fogo dos cidadãos de Siquém e de Bete-Milo, e devore Abimeleque.
21 E partindo Jotão, fugiu e foi para Beer, e ali habitou, por medo de Abimeleque, seu irmão.
22 Havendo Abimeleque reinado três anos sobre Israel,
23 Deus suscitou um espírito mau entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém; e estes procederam aleivosamente para com Abimeleque;
24 para que a violência praticada contra os setenta filhos de Jerubaal, como também o sangue deles, recaíssem sobre Abimeleque, seu irmão, que os matara, e sobre os cidadãos de Siquém, que fortaleceram as mãos dele para matar a seus irmãos.
25 E os cidadãos de Siquém puseram de emboscada contra ele, sobre os cumes dos montes, homens que roubavam a todo aquele que passava por eles no caminho. E contou-se isto a Abimeleque.
26 Também veio Gaal, filho de Ebede, com seus irmãos, e estabeleceu-se em Siquém; e confiaram nele os cidadãos de Siquém.
27 Saindo ao campo, vindimaram as suas vinhas, pisaram as uvas e fizeram uma festa; e, entrando na casa de seu deus, comeram e beberam, e amaldiçoaram a Abimeleque.
28 E disse Gaal, filho de Ebede: Quem é Abimeleque, e quem é Siquém, para que sirvamos a Abimeleque? não é, porventura, filho de Jerubaal? e não é Zebul o seu mordomo? Servi antes aos homens de Hamor, pai de Siquém; pois, por que razão serviríamos nós a Abimeleque?
29 Ah! se este povo estivesse sob a minha mão, eu transtornaria a Abimeleque. Eu lhe diria: Multiplica o teu exército, e vem.
30 Quando Zebul, o governador da cidade, ouviu as palavras de Gaal, filho de Ebede, acendeu-se em ira.
31 E enviou secretamente mensageiros a Abimeleque, para lhe dizerem: Eis que Gaal, filho de Ebede, e seus irmãos vieram a Siquém, e estão sublevando a cidade contra ti.
32 Levanta-te, pois, de noite, tu e o povo que tiveres contigo, e põe-te de emboscada no campo.
33 E pela manhã, ao nascer do sol, levanta-te, e dá de golpe sobre a cidade; e, saindo contra ti Gaal e o povo que tiver com ele, faze-lhe como te permitirem as circunstâncias.
34 Levantou-se, pois, de noite Abimeleque, e todo o povo que com ele havia, e puseram emboscadas a Siquém, em quatro bandos.
35 E Gaal, filho de Ebede, saiu e pôs-se à entrada da porta da cidade; e das emboscadas se levantou Abimeleque, e todo o povo que estava com ele.
36 Quando Gaal viu aquele povo, disse a Zebul: Eis que desce gente dos cumes dos montes. Respondeu-lhe Zebul: Tu vês as sombras dos montes como se fossem homens.
37 Gaal, porém, tornou a falar, e disse: Eis que desce gente do meio da terra; também vem uma tropa do caminho do carvalho de Meonenim.
38 Então lhe disse Zebul: Onde está agora a tua boca, com a qual dizias: Quem é Abimeleque, para que o sirvamos? Não é esse, porventura, o povo que desprezaste. Sai agora e peleja contra ele!
39 Assim saiu Gaal, à frente dos cidadãos de Siquém, e pelejou contra Abimeleque.
40 Mas Abimeleque o perseguiu, pois Gaal fugiu diante dele, e muitos caíram feridos até a entrada da porta.
41 Abimeleque ficou em Arumá. E Zebul expulsou Gaal e seus irmãos, para que não habitassem em Siquém.
42 No dia seguinte sucedeu que o povo saiu ao campo; disto foi avisado Abimeleque,
43 o qual, tomando o seu povo, dividiu-o em três bandos, que pôs de emboscada no campo. Quando viu que o povo saía da cidade, levantou-se contra ele e o feriu.
44 Abimeleque e os que estavam com ele correram e se puseram à porta da cidade; e os outros dois bandos deram de improviso sobre todos quantos estavam no campo, e os feriram.
45 Abimeleque pelejou contra a cidade todo aquele dia, tomou-a e matou o povo que nela se achava; e, assolando-a, a semeou de sal.
46 Tendo ouvido isso todos os cidadãos de Migdol-Siquém, entraram na fortaleza, na casa de El-Berite.
47 E contou-se a Abimeleque que todos os cidadãos de Migdol-Siquém se haviam congregado.
48 Então Abimeleque subiu ao monte Zalmom, ele e todo o povo que com ele havia; e, tomando na mão um machado, cortou um ramo de árvore e, levantando-o, pô-lo ao seu ombro, e disse ao povo que estava com ele: O que me vistes fazer, apressai-vos a fazê-lo também.
49 Tendo, pois, cada um cortado o seu ramo, seguiram a Abimeleque; e, pondo os ramos junto da fortaleza, queimaram-na a fogo com os que nela estavam; de modo que morreram também todos os de Migdol-Siquém, cerca de mil homens e mulheres.
50 Então Abimeleque foi a Tebez, e a sitiou e tomou.
51 Havia, porém, no meio da cidade uma torre forte, na qual se refugiaram todos os habitantes da cidade, homens e mulheres; e fechando após si as portas, subiram ao eirado da torre.
52 E Abimeleque, tendo chegado até a torre, atacou-a, e chegou-se à porta da torre, para lhe meter fogo.
53 Nisso uma mulher lançou a pedra superior de um moinho sobre a cabeça de Abimeleque, e quebrou-lhe o crânio.
54 Então ele chamou depressa o moço, seu escudeiro, e disse-lhe: Desembainha a tua espada e mata-me, para que não se diga de mim: uma mulher o matou. E o moço o traspassou e ele morreu.
55 Vendo, pois, os homens de Israel que Abimeleque já era morto, foram-se cada um para o seu lugar.
56 Assim Deus fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai, matando seus setenta irmãos;
57 como também fez tornar sobre a cabeça dos homens de Siquém todo o mal que fizeram; e veio sobre eles a maldição de Jotão, filho de Jerubaal.” (Jz 9.1-57)

A apostasia de Israel depois da morte de Gideão é castigada, não como as apostasias anteriores por uma invasão estrangeira, mas por uma tirania do filho bastardo de Gideão, que destruiu os siquemitas, adoradores de Baal-Berite, depois de terem feito uma aliança entre si, para matarem vilmente os setenta filhos de Gideão, dos quais escapou apenas o caçula, chamado Jotão.
A aliança que eles haviam feito com Baal-Berite, que como vimos antes significa senhor da aliança, foi uma aliança maldita que causou a sua ruína, porque eram israelitas e deveriam manter a aliança que tinham feito com Jeová.
Este foi um modo muito amargo de se ensinar aos israelitas o que sucede aos que fazem aliança com Baal, e que viraram as suas costas ao único Deus verdadeiro. Deus não somente vingou a morte dos setenta filhos de Gideão, como vindicou Sua própria santidade nos siquemitas, que haviam se voltado para a adoração de Baal.
Ao que tudo indica, Gideão residia com seus filhos legítimos em Ofra, e como sua concubina morava em Siquém, o filho que tivera com ela, Abimeleque, era também residente nesta cidade.
Tendo Gideão recusado o convite para reger sobre Israel, e tendo vedado tal regência a qualquer um dos seus filhos, Abimeleque sentiu-se no direito de assumir o governo de Israel, uma vez que era também filho de Gideão, e para evitar que algum dos setenta filhos de Gideão, contrariando a decisão de seu pai, viesse a assumir o governo da nação, forjou um plano vil de matar a todos os seus irmãos, e o fez pagando um exército de mercenários levianos, que foram pagos com o dinheiro que lhe fora dado pelos siquemitas, dinheiro este retirado da casa de Baal-Berite, possivelmente com o intento de que o dinheiro que havia sido consagrado àquela divindade, desse a Abimeleque sucesso em seu empreendimento.
Como Siquém era uma cidade importante da tribo de Efraim, e como vimos antes, os efraimitas haviam se ressentido com Gideão, por não lhes ter convocado para lutar contra os midianitas, pois Gideão era da cidade de Ofra, que pertencia a outra tribo, a de Manassés, eles encontram agora oportunidade para dar um duro golpe na descendência de Gideão, através de uma aliança maldita que fizeram com Abimeleque, e isto foi facilitado porque desde a morte de Gideão, haviam se voltado para o culto a Baal, e como sabemos, tal a divindade, tais os seus adoradores.
Quando Jotão soube que os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo haviam constituído a Abimeleque rei sobre Israel, ele proferiu uma parábola e uma maldição que se encontram nos versos 7 a 21, e que certamente lhes foram dadas por inspiração do Espírito Santo, e a maldição que ele proferiu teve cumprimento cabal tanto sobre Abimeleque quanto sobre os siquemitas.
A parábola revela a modéstia de Gideão e de seus filhos legítimos em recusarem o governo que lhes foi proposto pelos israelitas, apesar de serem pessoas habilitadas para exercer um bom governo; e a imodéstia e presunção de Abimeleque, que é o espinheiro da parábola, que se precipitou em assumir o governo de Israel, quando não tinha a menor qualificação moral para isto.
E assim como o fim do espinheiro é ser queimado, em razão da sua inutilidade e danos, que causa a outros, então, toda pessoa que é como um espinheiro, está sujeita à maldição, e o seu fim será ser queimada no fogo eterno do inferno.
Como, na parábola, o espinheiro veio a governar por assentimento das demais árvores, então que saísse fogo do espinheiro e as queimasse, e que o fogo das árvores também queimasse o espinheiro (v. 20), sendo isto uma clara referência a Abimeleque e aos cidadãos de Siquém e Bete-Milo que lhe haviam aclamado rei.
Depois de ter Abimeleque reinado três anos sobre Israel, Deus suscitou um mau espírito entre Abimeleque e os siquemitas com vistas a vingar a morte dos filhos de Gideão (v. 22, 23).
Os siquemitas começaram a ficar insatisfeitos com Abimeleque, e ele com eles, e isto procedia da parte de Deus, que permitiu que o diabo semeasse discórdia entre eles, pois nada dá ao diabo, maior prazer do que exercer o seu ministério corrompido de matar, roubar e destruir.
O mesmo diabo que aparentemente havia favorecido Abimeleque e os siquemitas conduzindo-os a uma posição de governo sobre Israel, por meio de um expediente extremamente vil, seria também o causador da destruição de Abimeleque e dos siquemitas.
E que isto sirva de alerta a todos os que se deixam usar por Satanás para prejudicarem a outros, porque no final eles próprios serão prejudicados pelo diabo, que não pode desejar o bem a qualquer homem, porque os odeia com um ódio mortal, e visa tão somente à sua destruição.
Por isso, nunca se nega a destruir a carne daqueles aos quais tal coisa lhe é permitida por Deus, para fim de juízo ou de correção, pois tem imenso prazer em fazer isto, e existe para isto, e para nenhum outro propósito, até que ele mesmo venha a receber a execução final da sentença que já foi pronunciada sobre ele, de queimar eternamente no lago de fogo e enxofre.
No caso de Saul é dito também que vinha sobre ele um espírito maligno da parte do Senhor, e isto significa ser permitido ao diabo que se apodere daqueles dos quais Deus retirou a Sua proteção, por andarem contrariamente com Ele e com a Sua vontade.
“Ora, o Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e o atormentava um espírito maligno da parte do Senhor.” (I Sm 16.14).
Deus esperou três anos para começar a entregar a Abimeleque e os siquemitas à destruição.
Assim, ninguém se apresse em considerar que Deus não leva em conta o pecado, em razão de não ver juízos imediatos sendo exercidos sobre os seus praticantes.
Cabe destacar que conforme a Bíblia ensina, todos comparecerão diante dEle no tribunal em que cada um de nós prestará contas do bem ou do mal que tiver feito por meio do corpo (II Cor 5.10; Rom 14.10-12).
Se os siquemitas não foram gratos a Gideão, que lhes havia libertado do jugo dos midianitas, como seriam gratos a Abimeleque?
Porque não haveriam de traí-lo, já que haviam traído à memória de Gideão cooperando para matar toda a sua descendência?
Fazendo aliança com o mal nunca se poderá ter a garantia de cumprimento da promessa do bem.
Antes que Deus executasse o juízo de morte sobre Abimeleque, permitindo que fosse morto de modo desonroso pelas mãos de uma mulher, que lhe quebrou o crânio com uma pedra da parte superior de um moinho, Ele permitiu que Abimeleque destruísse os siquemitas, dando-se cumprimento à maldição proferida por Jotão, que dele sairia fogo e consumiria os siquemitas.
Ele pôs literalmente fogo na fortaleza de El-Berite, da cidade de Migdol-Siquém, onde seus habitantes haviam se refugiado (v. 49).
Eles foram mortos na casa do próprio deus que eles adoravam, julgando que ali estariam seguros, por pensarem que o seu deus viria em seu socorro.
Antes disso ele havia destruído uma insurreição dos habitantes de Siquém, que haviam colocado a um certo Gaal como cabeça deles, para derrubarem Abimeleque.
Seria a substituição intentada de um tirano por outro. E isto ocorreu para que conforme fora predito pela maldição proferida por Jotão, Abimeleque encontrasse ocasião para destruir os siquemitas.
Ele não estava portanto, prosperando em seus projetos e nem sendo abençoado por Deus, mas simplesmente sendo ele próprio o instrumento do juízo de Deus contra aqueles que lhe haviam conduzido ao poder, por meio da injustiça.
Muitos parecem prosperar neste mundo, quando prevalecem sobre seus inimigos, e no entanto, muitas vezes isto é apenas um juízo de Deus, que se cumpre pela instrumentalidade deles, até que eles próprios venham também a serem julgados.
Os ditadores sanguinários, têm geralmente o mesmo fim daqueles aos quais mataram a sangue-frio. Aquele que matar pela espada da injustiça, pela espada também será morto, e ainda que isto não se cumpra literalmente neste mundo, certamente, em face da falta de arrependimento para a vida, tal se cumprirá no juízo vindouro de Deus.
Abimeleque deixou a Zebul, que era seu confidente, como sendo o governante da cidade de Siquém, e este Zebul traiu a Gaal informando sobre suas intenções a Abimeleque.
Os que traem serão também traídos, de um modo ou de outro.
E Abimeleque derrotou as forças de Gaal, que saíram a lutar com seu exército fora dos muros da cidade de Siquém.
E como os siquemitas, apesar de terem abandonado a Gaal, permaneceram contrários a Abimeleque, este deu com tal fúria sobre a sua própria cidade natal de Siquém, que a transformou em ruínas, e para que ficasse na condição de uma assolação perpétua, fez com que fosse semeada com sal (v. 45).
Silvio Dutra

Silvio Dutra

FIRMEZA

"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor.", 1 Coríntios 15.58. Firmeza é um princípio essencial no caráter cristão. Não pode haver sucesso nem prosperidade na vida cristã, quando este princípio está faltando.
O salmista disse: "Meu coração está firme, confiando no Senhor." Isto é a verdadeira firmeza. Isto é apegar-se a Deus, deixar as tempestades rugirem quanto possam. Isto é descansar e permanecer em Jesus, embora as provações da vida possam ser as mais severas possíveis. Isto é uma firme, líquida e determinada decisão de guardar as doutrinas da Bíblia. Isto é descansar confiantemente nas promessas das Escrituras Sagradas. Assim como um homem se deita com confiança para descansar em sua cama, assim um cristão, em sua firmeza, descansa confiantemente, descansa sem medo, sobre a imutável Palavra de Deus.
Através de Jesus Cristo, os cristãos são feitos participantes da natureza divina. Eles recebem a marca do caráter divino em suas almas. Entre os diferentes princípios do caráter de Deus é encontrada a firmeza. Quando Deus livrou Daniel dos leões, o rei Dario disse: "Eu faço um decreto que, em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel. Porque ele é o Deus vivo, e permanece para sempre" Dn 6.26. Como a fortaleza cristã é nobre, viril, e agradável a Deus, por isso a falta de firmeza é ignóbil, não viril e altamente desagradável a Deus.
Alguns (que podem ser muitos) são conduzidos por seus sentimentos. Nós, como filhos de Deus, devemos ser guiados pelo Espírito de Deus, mas nem todos compreendem totalmente o que se entende por "ser guiado pelo Espírito." Eu prefiro ser liderado por um senso de dever do que por meus sentimentos. Eu não entendo que, a fim de ser conduzido pelo Espírito, precisamos sempre ter uma forte impressão interior ou a voz quase inaudível falando conosco. O Espírito de Deus tem iluminado a Palavra e iluminado a sua mente para saber o que é seu dever cristão, daí quando você vai para a frente e cumpre seus deveres fielmente, você está realmente sendo conduzido pelo Espírito. Você sabe que é o seu dever ajudar os pobres, apoiar os fracos, consolar os tristes,participar de serviços de culto de adoração, testemunhar de Jesus, estudar as Escrituras, orar e diligentemente seguir toda boa obra.
Às vezes você pode sentir uma forte impulsão para orar, mas você não precisa ter esse sentimento sempre, a fim de que seja o dever de orar. É seu dever orar, porque muitas vezes você não se sentirá compelido a fazê-lo quando tem fortes impressões interiores. Você não precisa esperar por tais impressões antes de agir, porque o conhecimento de seu dever o torna responsável.
Não pode ter verdadeira firmeza aquele que é influenciado por suas emoções ou impressões. O homem que é firme, inabalável na Palavra, vai para a frente para cumprir seus deveres conhecidos, não importa o que possam ser seus sentimentos. Quaisquer que sejam as suas impressões para fazer uma determinada coisa, se não for consistente com a Palavra e com o Espírito, e seu conhecimento do que é reto, você persistentemente se recusará a obedecer.
O verdadeiro princípio da firmeza que permanece na vontade de Deus e nas doutrinas de Cristo foi ensinado por Barnabé à igreja em Antioquia. Houve alguma controvérsias na igreja sobre a circuncisão, e perseguições pesadas a partir dos de fora, e muitos foram movidos da verdadeira fé. Barnabé exortava que, com firme propósito de coração se apegassem ao Senhor. A firmeza é um objetivo fixado no coração para se apegar a Deus, para atender estreita e prontamente a cada dever cristão. É uma decisão, um propósito inabalável e imutável do coração para obedecer implicitamente os ensinamentos do Salvador, independentemente dos sentimentos.
Você vai descobrir que, se você observar todos os deveres cristãos, muitas vezes você vai ter que ir contra os seus sentimentos. Quantas vezes o inimigo de sua alma, se puder, lançará sentimentos de indiferença sobre você a respeito da oração. Essa é a hora de mostrar a sua coragem e firmeza cristã. É fraqueza e preguiça negligenciar a oração simplesmente porque não nos sentimos inclinados a orar. Ceder a sentimentos indiferentes é incentivá-los, e eles vão crescer mais e mais fortes, de modo que se sentirá menos e menos inclinado a orar. Quanto mais oramos, mais plenos na oração nos sentimos, de igual modo, a recíproca é verdadeira. Quando tivermos nos rendido aos sentimentos de indiferença por algum tempo e tristemente negligenciado a oração, temos uma luta difícil para chegar até a luz gloriosa, vitória e doçura. Mas você tem que sair, para onde as bênçãos caem, você deve chegar onde você tem o gosto doce do amor e as bênçãos gratificantes da presença de Deus. Você deve ser corajoso, viril e decidido. A maneira de desfrutar o servir a Deus e fazer o nosso dever cristão com plenitude é sempre fazer o nosso dever e, especialmente, naqueles momentos em que fazê-lo parece ser o menos agradável.
Resista firmemente a Satanás e a todo sentimento de indiferença, e faça o seu dever a qualquer custo. Lembre-se, não é aquele que sente que deve fazer o bem e não o faz, mas "aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando." (Tg 4.17)

Tradução feita pelo Pr Silvio Dutra de um texto de James Orr

James Orr

Persevere em fazer o Bem.

E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. II Tessalonicenses 3:13.

Por que fazer o bem me cansaria? É gratificante demais ver o sorriso no rosto das pessoas que auxiliamos de alguma forma. O que ele quer dizer com isso? Muitos de nós costumamos alimentar em nossas cabeças que fazer o bem é um simples ato de ação social. Porem poucos conhecem o fazer o bem sem distinguir a quem ou as circunstância nas quais se pratica esse bem!

Não quero que você confunda gentileza com gente lesa! Não se cansar de fazer o bem é perseverar em amor e obediência ao mandamento de Deus! É perdoar quando se tem toda razão de estar sentindo aquilo! É perseverar no amor pratico aos seus pais, aos seus irmãos, aos seus amigos e principalmente aos seus inimigos! É se doar mesmo sabendo que não haverá retribuição nenhuma. É estender a mão a alguém mesmo sem ter certeza se será bem compreendido ou bem recebido!

Viver assim às vezes trás experiências não muito agradáveis de viver, e na verdade mais dores de cabeça do que sorrisos no rosto. Mais não foi assim que aconteceu com o nosso mestre? Por que esperar viver outra coisa se nosso salvador viveu assim? Ou você não lembra o que aconteceu com os 10 leprosos que foram curados? Quantos voltaram? Cristo parou de fazer milagres após isso? Pense…

Lembre-se do que disse o apóstolo Paulo aos Gálatas: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.” Quando nos cansarmos de fazer o bem, seja por tristeza, seja por injustiça ou qualquer outro motivo, devemos correr aos pés do mestre, e derramar o nosso coração diante dEle.

Que você possa ser um agente dessa bondade divina em meio ao mundo mal que vivemos!

MGT

Sentido da Liberdade
Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a lei se encerra num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Mas, se vos mordeis e vos devorais, vede que não acabeis por vos destruirdes uns aos outros. Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. Se, porém, vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus! Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito. Não sejamos ávidos da vanglória. Nada de provocações, nada de invejas entre nós.

Gálatas 5 13 - 26

"Nossos irmãos ciganos"

O sopro que vem do Oriente e acalanta minha alma são espíritos ciganos que vem a este mundo para espalhar alegria e amor.
Fazem de mim um instrumento que transfere para o mundo concreto das formas a essência da sabedoria milenar do povo cigano.
Seja através das cartas ou de mensagens estes espíritos ciganos deixam seu rastros de felicidade e bom ânimo para os irmãos de fé.
Por isso, vim hoje aqui agradecer a todas essas almas ciganas que há tempos me acompanham nessa longa jornada evolutiva.
Pois seja nos montes, nas campinas, nos vales e até mesmo na selva de pedra eles se fazem presentes influenciando positivamente os nossos destinos.
Salve nossos irmão ciganos!

Carlinhos de Aruanda

Alegre por Ser de Cristo

“Quanto ao mais, irmãos meus, regozijai-vos no Senhor. Não me é penoso a mim escrever-vos as mesmas coisas, e a vós vos dá segurança.” (Filipenses 3.1)

Paulo disse, que o fato de os cristãos se regozijarem no Senhor lhes daria segurança, porque a alegria no Senhor é a nossa força, e nos mantém firmes e seguros na fé, diante das tribulações.
As tribulações nos trazem tristezas e aflições, mas podemos manter o nosso espírito fortalecido com aquela alegria mais interna de sabermos que em Cristo tudo isto estará cooperando para o nosso aperfeiçoamento espiritual, e assim, não devemos ter estas tribulações como um motivo para ficarmos entristecidos, mas satisfeitos, por sabermos que o nosso Deus se encontra no controle delas, e que por meio delas está produzindo o que é melhor para nós.

"Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança." (Tiago 1.2,3)

"E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança." (Romanos 5.3,4)

Devermos portanto aprender a estarmos contentes em toda e qualquer situação, porque é assim fazendo, que não somos removidos pelas provações e tribulações, da nossa firmeza em Cristo.
É a fé que vence o mundo. É a graça que nos dá força para viver na fé.
E constatar que a obra da graça está avançando em nossas vidas, tornando-nos mais semelhantes a Cristo, é o maior motivo que temos para estarmos sempre alegres e contentes, a par de quaisquer circunstâncias externas ou internas que possamos estar experimentando.
Não há maior alegria do que aquela que diz respeito ao exercício do ministério que recebemos de Deus para cumprir.
A certeza de estarmos fazendo a Sua vontade gera uma satisfação interior que não pode ser apagada por qualquer tipo de provação que tenhamos que enfrentar.
Afinal, tudo está sendo recompensado regiamente pelo Senhor, e será ainda mais quando formos galardoados na glória depois de termos cumprido a nossa jornada terrena com alegria.

Silvio Dutra