Textos o Menestrel William Shakespeare

Cerca de 30 textos o Menestrel William Shakespeare

ANGELIM, UM VIOLEIRO APAIXONADO

Angelim, meu compadre e menestrel dos violeiros, está apaixonado.
Coisa boa!
Estar apaixonado é estar acometido de uma doença para a qual não se quer cura.
Ele vai se casar. E casamento de violeiro não é como outro qualquer. Não há promessas, há confissões de amor e desejos... Quem gosta de promessas é político! Violeiro gosta é de cantar a vida que brota dos sonhos e saudades... Por isso ele é sincero!
Sua princesa já terá lido a oração das mulheres celtas:

Ama teu homem e segue-o,
Mas somente se ambos representarem um para o outro
O que a Deusa mãe ensinou: amor, companheirismo e amizade.

Ele, por sua vez já terá cantado para sua amada a oração de Renato Teixeira e Almir Sater:

Quando o amor começa, nossa alegria chama,
e um violeiro toca em nossa cama ...
(...)Tudo é sertão, tudo é paixão, se o violeiro toca
A viola, o violeiro e o amor se tocam...

Por ambos saberem que “ são demais os perigos desta vida pra quem tem paixão” farão tudo para que possam viver um grande amor.

Portanto amigos, a mim me resta apenas abençoá-los assim:

Que vocês se abracem sempre, sem se sufocarem
Que vocês se ajudem sempre, sem se anularem
Que vocês se aproximem sempre, sem invadir o espaço do outro
Que vocês se amem não apenas "POR CAUSA" , mas "APESAR DE..."

Isso mesmo compadres! A mim me resta apenas pedir ao bom Deus que vocês sejam mais que marido e mulher! Que vocês sejam amigos, amantes, filhos-de-Deus, filhos-da-liberdade, filhos-da-vida, filhos-da-felicidade...

Carlos Alberto Rodrigues Alves

MENESTREL


Ouvi de um menestrel
Das investidas de puro amor em seu corcel
Que o seu violão falava uma língua
Propensa a fazer morada no coração.
Que o desleixo de sua vida
E parecer-se cão sem dono
É que a cada estação,
Chuvoso tempo e de raro sol
Lindos cantos saiam de sua boca.
Um pinho, uma madeira às costas,
Já se ferindo roçando as encostas,
Onde o amor subira, pedindo me toca
Com teus dedos cegos.

A mão disposta por todas as cordas,
Um piano idêntico, de teclas amigas,
E a voz plangente daquele homem apeado
Amarrado ao cavalo, por ali comendo.
Ouvi de sua boca canções que nunca esqueço,
E quando me dou na ventura alegre,
De alguma me lembro,
Outras solfejo baixo,
Cá com o meu coração
Por tudo apaixonado.
Quando dou por mim amando intenso
Lembro do escondido canto
Que ele me guardou,
Num fundo sem fundo, entrando o coração
È essa a aventura, que me alegra tanto.
O menestrel das estradas
Lembro, o seu chapéu de barbicacho,
Nem lembrava ser todo esse riacho,
De águas perenes dos meus olhos inteiros
Que inda são de estação de inverno
Ainda ele insiste em ser meu cativo.

naeno*

Naeno Rocha

Sentado em um banco amadeirado
mas não acolchoado
porém confortável

Reflexões tomavam conta da sala,
como nuvens em um dia nublado
ofuscando e massageando um dia estrelado
Nostálgico

Lembranças sucumbiam a mente virgem
mal sabiam que ali presidia um xerife
Tentativa de assalto à uma mente armada
Neurônios zelando a casa

O céu da vida
via-se a olho nu
Todo azul
Muito azul
Muito blue

Um carretel cheio de linha
Uma pipa
Ferramentas de uma infância viva

Rabiolas de jornal levavam informações,
junto com bordões aos cantos da sala
Uma pipa sem rabiola
nunca se sustentara

Você poderia imaginar uma praça em sua casa ?
Aqui confortável, imaginei a minha

Bruno Gomes Menestrel

A fé sonha com o sonhador
A fé é tão límpida, que fascina
A fé que para o oprimido, é o que mantém de pé
A fé faz crer, que um dia todos poderão crer
A fé ilumina a imaginação lisa de pessoas vazias
A fé fortalece o tronco, após o arvoredo sofrer um tombo
A fé faz com que a desistência, chegue a falência
A fé que vê o ontem como o agora, e o amanhã revigora
A fé vê na fé um desejo bonito, de um finito infinito
A fé requer que a fé tenha fé.

Bruno Gomes Menestrel

A reciprocidade do tempo
A conclusão dos momentos
Aí está o adendo

Mesmo querendo
Mesmo sendo
Vivendo no relento
Revolucione sua analítica
O dom
O talento

Para todos que vivem
nesse Brasil covil
Em meio à anjos falsos
sucumbindo o direito que nos é dado

Sorrimos de tudo
Rimando no tumulto
Fazemos valer
Revolucionar, é só questão de crer.

Bruno Gomes Menestrel

Na vitrola
Pensamentos
Músicas
Momentos
Memórias de beco
Crônicas
Pelejo

A rua fortalece
Berço da poesia
Em cada calçada vejo,
o caminhar de vidas.

Refletir é a lei
Pensar
Assim se fez.

O ápice inalcançável,
se tornou afável
Alimentação mental,
valor indispensável.

A plebe à sorrir
Força em admitir
Que a vida ganha,
nunca se viu assim.

Que o Rap invada os lares,
esquinas e bares.
Que a felicidade almeje,
ares e ares.

É o grito do gueto
Respiração de um negro.

O Rap é o leito
Não é obsoleto
Atual conceito antigo
Aqui se fez respeito.

Bruno Gomes Menestrel

O Rap é o meu acalanto
Os versos saem da minha mente,
como um bando de pássaros
sobrevoando o céu manso
O miocárdio treme,
mas a estrutura não abala
Na minha veia corre Rap,
no meu coração uma discoteca
Relembrando o que a borracha do tempo não apaga
Se ainda continuamos escravos desse Brasil boresta.
Aqui não falta Rap
A senzala está em festa.

Bruno Gomes Menestrel

As flores do caminho, sempre sorrindo
As pedras do caminho, freio omisso
Os trens sempre lotados, indo e vindo
As conversas alheias, agulhando os ouvidos
As tretas no bairro, mantendo de pé o circo
O palhaço suburbano, o povo sofrido
O salário mínimo, dizem que é digno
A visão política, ao extremo ridículo
A cesta básica, suor do ofício
A família em casa, a coroa dormindo
A noite caindo, e a madrugada assistindo
Um novo dia chegando, a aurora progredindo
O sistema jogando, com dados de vidro
O buquê nacional, girassol em estado crítico
Um aplauso pro Brasil, e um sorriso vazio
A visão popular, acabando com o declínio
A luta por progresso, na espera de alívio
Um país demagogia, a ira da anarquia
O efeito bumerangue, alertando o dia-a-dia
A revolução minoritária, sustentando o livro
As pedras no caminho, enfim regrediram.

Bruno Gomes Menestrel

Fito a vida com paixão
O caos das ruas, alimentam minha razão
Necessário ao ser, querer ser o que não é
Pessoas lisas, não sabem o que é a fé

Abismados, questionadores populares flertam
Visto a poesia limpa, me protegendo de falsos poetas
Certos caminhos fazem curvas, para o auge não alcançar
A felicidade da malandragem está em sorrir, e poder versar

Hoje me vejo, um cara sensato
Correto suburbano, em um subúrbio errado
A vaidade corrompe a cidade, com deveres que não condizem com a realidade
A avareza traz o estado de alarde, mas não é tarde

Fé sim, permaneço aqui
Fé sim, não há o que destruir
Fé sim, há luz ali
Fé sim, há muito querer por vir
Quero sim, os olhos ainda são os mesmos
Fito a vida com paixão
Posso crer no que eu vejo.

Bruno Gomes Menestrel

Mulher olhe para mim
Desfila em sua classe
Vestido de cetim
Irradia os meus passos
Me sinto cada dia mais apaixonado

A minha poesia transcorre nas calçadas
Sorriso deslumbrante
Ela é Rainha lá em casa
Coroa de flores
As mais belas cores
Traduzindo amores

Amores conduzidos
Uma só razão
Uma só paixão
Eu e você

Mulher, olhe para mim.

Bruno Gomes Menestrel

Canta sabiá, para alguém ouvir
E o seu lindo cantar venham aplaudir
Canta sabiá, leva felicidade
Para onde não há amor de verdade
Canta sabiá, saudando a aurora
Há muita tristeza aflorando lá fora
Canta sabiá, em tom de grandeza
Canta sabiá, brindando a natureza
Como és belo o canto do Sabiá
Que mesmo sem saber
Já conseguia entender
Que com seu cantar
Tristeza não iria haver
É lindo viver
Canta sabiá

Bruno Gomes Menestrel

Veja nesse submundo
Ilusões com os falsos poetas
Perturbadores filosóficos, imundos
Pois é

Seu zé, cria da nação Brasil
Com os olhos arregalados
Desenha a tristeza
Menores usando o caderno
Fuzil
São mais de mil

Sorriem os penhores
Trabalhadores chicoteados pelo sol
Açoitados, clamam as dores

Senhores em forma abstrata
Enganam as vozes da nação
Rindo dos seus votos em massa
Vista a marcha social
Aniquile todo redemoinho em seu caminhar

A poesia está nas vestes do seu dia a dia
Recitem o amor, usando a sabedoria
Queima a babilônia, e sua falsa crítica
Hesitem a falsos olhares
A falsa bíblia.

Bruno Gomes Menestrel

Tudo na vida é aprendizado
Escola dos sensatos
Que todos tenhamos complacência
E benevolência
Para que os erros não se repitam
Sejamos fiéis a nós mesmos
Falar com a alma
O coração é sul
A mente é o norte
Dois pólos
Uma conexão forte
Nossos intuitos
Um novo tempo
Um novo momento
Uma nova oportunidade
Um novo aprendizado.

Bruno Gomes Menestrel

O cego e o mudo

Cego estou
Mudo sou

Não enxergo
Não falo

Ouvimos bem
É fato

Você é belo
Sou velho

Bela velhice
Cretinice

Enxergo o seu ser
Falo com seu olhar

Ouço sua voz
Perdoe a rouquidão

Sou feliz
Sou seu amigo

Minha cegueira
Minha fala

Vejo tudo com o coração
Falo tudo com sua visão

O meu olhar ninguém cala
A minha voz ninguém apaga.

Bruno Gomes Menestrel

Não nasci cético
Meu estado é poético
Ético
Sem pudor
Mas apinhado de amor

Sem demagogia
Meu escudo
Contraposto à hipocrisia
Veracidade contagia
A alma do benfeitor

Falo sem querer falar
Escrevo sem anotar
Poetizo o palavrear
Sem rumo
Sem escrúpulos
Sem me calar

Poesia se fez
Sou o seu freguês
Aqui estou
Meu mundo mudou
De vez.

Bruno Gomes Menestrel

Mulher

A mulher é um mistério
Dubiedade
Hoje é linda
Amanhã mais ainda

A mulher é aura
Exalando amor
Agraço da vida
Rainha do mundo

Sorriso constante
Amante
Lampejo de um laço
Pulsante
Saibo da vida

A mulher é esperança
Colírio
Fulgente
É mãe, é filha e avó.
É vontade cinzelada, poesia.
A mulher é linda sempre.

Bruno Gomes Menestrel

Virei poeta
Poeta sem faculdade
Faculdade é a vida
Onde se forma de verdade
Escrever é um dom
Tem que ter veracidade
Levei rasteira do tempo
Já fui vento
Já fui lenço
Mas o poeta de verdade
Vira de ponta cabeça a vaidade
E faz da ponta da caneta
Do caderno da cabeceira
Seu momento
Aseidade.

Bruno Gomes Menestrel

A mochila

Carrego nas costas
Memórias postergadas
Hoje as cultivo
Não são mais migalhas

O Deleito
O vento corrói os dias
As horas não são as mesmas
Disritmia

O peso assombra a força
Da mesma forma que as alças
Esgarçam as vestimentas duradouras
Refontoura

A mente já não mente
Se quer compreende
Verdadeiramente
Apenas
Omite e sente

A fonte secou
A paz acabou
A guerra voltou
Nada é o que ficou

Na mochila
Existe vida
Aquela perdida
Mas nunca esquecida
Aquela que do nada
Restou

Bruno Gomes Menestrel

O céu do subúrbio

Tudo acizentado
Pisca a luz celeste
E apaga o céu nublado
Veja a pipa.

Clareou as calçadas
As ruas amarguradas
Conversa fiada
Na surdina.

O povoado
Feliz com pouco
Não entende o sufoco
Mas defende seu suor

Crianças olhando para o alto
Enternecedoras
Desenham seus rostos nas nuvens
Não tem caderno
Não há papel

No subúrbio
Nasceu a esperança
Quando criança
Sorria do telhado
O Céu.

Bruno Gomes Menestrel

O auditório do ancião

Apreensão
Boca seca
O público na espreita
Aguardam o discurso
Em tom mudo

O púlpito
Amadeirado
Aguarda a voz
Do revolucionário
Grandioso missionário

Atrás do palco
O alvo
O pensador
O literário
Vê sua vida em um refratário

Batalhador
Suburbano
Vida sofrida
Mão calejada de anos
Ali está fulano

Chegou sua hora
As mensagens afloraram
Não teve demora
Sem apoquentação

Ouvia-se o som de palmas
O choro de pessoas humildes
O espelho da alma
Aclama o público

O ancião emocionado
Enxugou as lágrimas
Aquietou as lástimas
Silente
Fez o seu reinado.

Bruno Gomes Menestrel