Textos de Saudades de que Ja Morreu Mae

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Se um dia, já homem feito e realizado, sentires que a terra cede a teus pés, que tuas obras desmoronam, que não há ninguém à tua volta para te estender a mão, esquece a tua maturidade, passa pela tua mocidade, volta à tua infância e balbucia, entre lágrimas e esperanças, as últimas palavras que sempre te restarão na alma: minha mãe, meu pai.

Rui Barbosa

"(...) Você já parou pra pensar no que machuca mais: fazer algo e desejar que não tivesse feito, ou não fazer e desejar que tivesse? Você já teve medo de começar um relacionamento? Medo de não ser a hora ou a pessoa certa? Seu coração não escolhe quem amar, e faz por conta própria, quando você menos espera, ou mesmo quando você não quer. Quantas vezes você deixou passar momentos importantes que não voltam mais? Quantas vezes você quis esquecer uma história ou alguém, que permaneceu na sua cabeça por um tempo longo? Você já se sentiu sozinho mesmo cercado de um monte de pessoas? Ou já beijou alguém que fez a multidão sumir? Você já passou um dia sentindo muitas saudades do que viveu?Você já viveu uma situação tão boa e feliz que até deu medo de tudo ser muito passageiro? (...)"

Martha Medeiros

“Uma vez, uma amiga minha, mulher feita já, com mais de 30 anos, tinha ido com a irmã visitar um tio ao hospital e ele, repentinamente, faleceu na presença das duas. Elas ficaram sem ação. Viraram-se uma para a outra e a minha amiga disse: Precisamos chamar um adulto. Quando ela me contou, nos fartamos de rir, mesmo entendendo essa sensação de orfandade. Na verdade, não importa que idade tenhamos, há sempre um momento em que é preciso chamar um adulto."

Martha Medeiros

E mais uma vez, eu abri uma página sua de uma rede social e fiquei olhando sua foto. Como eu já sorri olhando praquilo, você não tem idéia. Mas das ultimas vezes, infelizmente não era sorrindo que eu olhava, era com desanimo, com saudade e mágoa misturadas. Porque você tinha que morrer? Porque você tinha que matar tudo que eu sentia? Me obrigar a morrer também. Me obrigar a fingir estar viva pra todo mundo. Me obrigar a não chorar, quando tive vontade de chorar. Vontade de te esmurrar, te dizer que você é um idiota, um babaca, um cretino, um fraco, nunca passou disso. Nunca uma piada sua foi engraçada, nunca você me surpreendeu. Nunca. Mas eu não consigo deixar de pensar em você, a cada dia, a cada ato meu. E quando eu procuro outras pessoas, eu procuro imaginando você me vendo. E tendo ódio de mim. Porque eu quero que sinta ódio. Porque ódio significa alguma coisa, e é melhor que indiferença. Você que já foi tudo, já foi minha esperança, foi meu futuro imaginado, hoje não é nada. Não passa de uma foto numa rede social. Se eu vivo bem sem você, porque eu continuo te olhando? Porque eu sempre volto aqui? Porque eu ouço musicas que falam de tristeza? Por quê? Você não vale isso. Mas eu faço. Eu continuo fazendo. Como uma cerimônia de luto, eu sigo a risca. Mas acontece que você não morreu de verdade, do jeito que eu preferia que morresse. Você está ai vivo, vivendo sua vida, fazendo suas coisas, feliz, tranqüilo, sem sentir minha falta, sem olhar minha foto em rede social. Porque eu não consigo? Porque você não podia ser alguém? Eu esperei muito de você? Não. Eu não esperei nada, eu entendi tudo, eu entendia o que ninguém entenderia. Eu respeitei. Eu fiz como você quis. Tudo. Eu me anulei. Eu deixei de me amar, pra todo meu amor ser só seu. Eu voltei atrás. Eu chorei, eu pedi desculpas, eu agüentei besteiras. Agüentei tudo. Ajuntando do chão, migalhas do seu carinho, migalhas do seu amor. Do seu jeito explosivo e calmo. Um dia me amando como se a terra fosse acabar depois da meia noite. No outro dia um desconhecido me pedindo pra tratá-lo como qualquer um, por favor. Você é meu personagem favorito. O dono de todos os meus textos, de todas as minhas histórias. O dono da curvinha das minhas costas. E eu tenho que dizer isso agora, só pra uma foto numa rede social. Porque você morreu na minha vida. Você pediu demissão, seu cargo era o de presidente, era membro honorário do conselho, tinha tapete vermelho e eu me vestiria até de secretária se te agradasse. E você pediu demissão, sem aviso prévio nem nada. Me diz agora? Como viver bem? Como sobreviver, sem essa ponta de angustia? Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar as vezes, me domina.

Tati Bernardi

" Perdi alguma coisa que era essencial e já que não me é mais . Não me é necessária , assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável . Essa terceira perna eu perdi . E voltei a ser uma pessoa que nunca fui . Voltei a ter o que nunca tive .. apenas as duas pernas . Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar . Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta , era ela que fazia parte de mim , uma coisa encontrável por mim mesma , e sem querer precisar me procurar."

Clarice Lispector

Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

(Poemas Inconjuntos, heterónimo de Fernando Pessoa)

Alberto Caeiro

Cheguei demasiado tarde
e já todos se tinham ido embora
restavam paeis velhos, vidas mortas,
identidade, sujidade, eternidade.

Comeram o meu corpo e
beberam o meu sangue; e, pelo caminho, a minha biblioteca;
e escreveram a minha Obra Completa;
sobro, desapossado, eu.

Resta-me ver televisão,
votar, passear o cão
(a cidadania!). Prosa também podia,
e lentidão, mas algo (talvez o coração) desacertaria.

Pôr-me aos tiros na cara como Chamfort?
Dar em aforista ou ainda pior?
Mudar de cidade? Desabitar-me?
Posmodernizar-me? Experienciar-me?

Com que palavras e sem que palavras?
Os substantivos rareiam, os verbos vagueiam
por salões vazios e incendiados
entregando-se a guionistas e aparentados.

Cheira excessivamente a morte por aqui
como no fim de uma batalha cansada
de feridas antigas, e eu sobrevivi
do lado errado e pela razão errada.

“Que dia? Que olhar?”
(Beckett, “Dias felizes”)
Que feridas? Que estanda-
te? Que alheias cicatrizes?

Estou diante de uma porta (de uma forma)
com o – como dizer? – coração
(um sítio sem lugar, uma situação)
cheio de palavras últimas e discórdia.

Manuel António Pina

Coisas da Vida

Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde
Mas a noite é uma criança distraída
Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida
É o fim da picada
Depois da estrada começa
Uma grande avenida
No fim da avenida
Existe uma chance, uma sorte
Uma nova saída
São coisas da vida
E a gente se olha, e não sabe
Se vai ou se fica
Qual é a moral?
Qual vai ser o final
Dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso eu digo
Que eu não tenho muito o que perder
Por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso sonho

Rita Lee

Reconhecimento à loucura

Já alguém sentiu a loucura
vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?

Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.

Almada Negreiros

"João e Maria.

Morreu Maria, nessa tarde de segunda. Muito choro, tristeza e saudades...
João, no trabalho, ainda não sabe mas seu grande amor faleceu.
Como pólvora a notícia se espalha. A pequena Serra Azul se abala.
A João ninguém fala!
Aonde estarão as fofoqueiras da cidade?! Algumas dizem não ter coragem.
O telefone do consultório toca, João gentilmente atende. No primeiro momento ele não sente, mas seu "docinho" está ausente! Sua mãe ao telefone chora... Não sabe o que falar.
-Filho, filho... Maria se foi, está morta! Não sabemos a causa.
João desaba, o telefone vai ao chão. Ele está sozinho... Angustia, tristeza e emoção. Pobre João!"

João Vitor Rocha

Talvez seja melhor tentarmos sozinhos
Foi tua esta decisão quando parti
Saímos cada um prum lado cheio de razão
Você chorou por mim e eu te perdi

Não sei o que se passou nessa minha ausência
Porém olhando seus traços vejo que restou
O mesmo se deu comigo não posso esconder
Você se perdeu e ninguém me encontrou

Será que ainda há tempo para o nosso amor?
Será que valeu a pena esse tempo esperar?
Depois do que passamos distante um do outro
Pensando bem não existem motivos pra gente voltar

Não sei o que se passou nessa minha ausência
Porém olhando seus traços vejo que restou
O mesmo se deu comigo não posso esconder
Você se perdeu e ninguém me encontrou.

Saudades

Oração para teu amor te procurar hoje!
(LE) neste momento onde quer que vc esteja. Neste exato instante você perderá a concentração e seu pensamento se voltará para mim. Você entenderá que não pode viver sem mim. Neste exato momento você começará a se desfazer do seu orgulho. Agora mesmo você está com vontade de me ligar/escrever. Agora mesmo você está pensando em mim. Você vai tentar resistir. Não resista. Se você não me ligar/escrever agora, vai me ligar/escrever mais tarde. Ou amanhã... ou depois. Mas neste instante você tem a certeza de que vai me ligar/escrever. Você compreenderá que está apaixonada por mim e não consegue ficar sem a minha presença. Neste exato momento você vai pensar em mim. Eu invoco os três Santos Anjos, Miguel, Gabriel e Rafael para que iluminem o seu coração e desfaça qualquer dúvida. Que Miguel expulse de perto de você todo mal espírito, toda má influência. Que Gabriel anuncie a você o meu nome, que sopre em seus ouvidos a palavra amor e faça lembrar de mim, que me anuncie ao seu anjo da guarda. Que Rafael use o bálsamo curador para curar a descrença que se instalou no seu coração mas que mantenha aberta a cicatriz do amor e do desejo por mim. Assim seja! Com todo meu amor!
Quando esta mensagem for publicada, em dois minutos você terá um desejo irresistível de me ligar/escrever e terá um desejo irresistível de me ver. E vai vir, ceda a ele que estou esperando por você. Vem pra mim, só pra mim meu amor! E me telefone agora mesmo. Amém!!!
Acho que tudo que é feito com fé dá certo.
Deus está no meio de nós e faz maravilhas!

JA

Carta de um namorado que já se foi.

— Oi amor, tudo bem?

— Tudo ótimo, eu te amo tanto. — Ele disse sorrindo.

— Também te amo amor, mas porque tá me encarando desse jeito? - Ela disse confusa.

— Amor, quero te pedir uma coisa?

— Claro amor, tudo o que quiser..

— Poderia ficar uma semana sem mim?

— Como assim? Não aguentaria..

— Faz isso por mim, por favor.

— Tá bom amor. Então vamos compensar o tempo que iremos ficar longe um do outro?

— Pensei que nunca iria pedir.

De manhã cedo mais ou menos ás 06:15 ele lhe beijou a testa e disse sussurradamente para não acordá-la: - Eu te amo.

E se foi.

Os dias não pareciam passar, mas exatamente uma semana depois, foi correndo à sua casa e encontrou sua mãe chorando e lhe entregou uma carta que nela estava escrito:

Amor, quando se trata de você o dia fica mais florido, meu coração mais feliz e é maior o meu sorriso. Você foi a melhor coisa que me aconteceu e está acontecendo, mesmo que duvide do meu amor ou algum dia pense que enjoei de você engana-se pois nunca ficarei sóbrio de você, sou viciado em seu sorriso, e; vê-lo todos os dias é a melhor coisa que se pode ter na vida. Amei dormir colado à ti, acordar do teu lado e te dar o primeiro beijo de bom dia, não ligo que esteja com o cabelo desarrumado, com a cara amarrada e as roupas amarrotadas o importante é que estou junto à ti e isso é a melhor coisa que eu poderia ter. Só peço que não chores por mim, quero que lembre de todos os momentos felizes que passamos juntos. Sua vida continua, só lembre que te amei mais do que tudo e talvez mais do que à mim mesmo, sei que pode está pensando agora o que será da sua vida agora, você à continuará estarei com você à todo momento pois agora sou um anjo e estarei com você em qualquer lugar e lhe apoiando em qualquer decisão, seja qual for. E lembra quando lhe pedi pra ficar uma semana sem mim? Pois é eu fui ao médico um dia antes e ele disse que eu teria uma semana de vida e já que conseguiu ficar uma semana acho que consegue um pouco mais, sei muito bem a menina forte que você é, minha menina forte. Desculpe todos aqueles ataques de ciúmes bobos, sei que fui inseguro mas foi tudo por você, talvez esse seja meu defeito te querer só pra mim, é uma coisa estranha mas eu não olhava pra nenhuma menina, só pensava em você, nunca lhe traí nem por pensamento, mas antes do namoro era outra coisa. Nunca me esquecerei de todos os momentos que passamos juntos, desde aquele passeio ao cinema (nosso primeiro encontro) até aquela nossa última noite de amor uma semana atrás. Não sofra, não se suicide, quero que você viva muitos e muitos anos pois senão minha função de anjo não servirá de nada. Me desculpe se te fiz chorar em algum momento como agora, mas tive que lhe prestar explicações pois não ficaria em paz se você pensasse que se fui sem ao menos saber que estou olhando a pessoa que mais amo nesse mundo nesse exato momento e, quando olhar para o céu e ver aquela estrela maiss brilhante no céu, lembra que falávamos que era nossa? Pois é quando olhar para o céu e vê-la brilhando saiba que é sou eu fazendo uma serenata para você igual aquelas que fazia nas madrugadas de frio em que se sentia sozinha, quando pulava a sua janela, tomava cada susto, foram e sempre serão os melhores momentos da minha vida, te amo mais que tudo.

Beijos do seu amor.

Carta de um namorado que já se foi. Hudson Tabachi

Carta para o homem que morreu e um pouco de verdade viva

Você pensa que eu não sei?
Eu sei que tenho soluçado risos nervosos por aí. Sempre um por aí perto dos seus ouvidos.
Tudo para você ver o quanto eu me divirto, o quanto sou charmosa. Para você lembrar de como a gente se diverte, com a minha risada, com a sua.
E eu grito um pouco rindo, eu sei disso também. Que é para você lembrar de quando eu sinto prazer. De quando você me dá prazer.
Eu passo quieta por você, você passa quieto por mim, e eu ainda escuto o barulho que a gente faz.
Vocês pensam que eu não sei?
Escova no cabelo todos os dias, lápis nos olhos, perfume de morango. Eu sei, eu sei, a paixão é ridícula.
Sei que não cumpro o que prometo com olhares de mulher. Pois é, eu sou uma menina. Surpreso? Eu não.
Você está surpreso mesmo? Achou que era uma mulher te instigando para fugir da lógica? Isso é coisa de criança.
Lógica? Que se foda a lógica.
Eu não tenho tesão nenhum em separar o certo do errado. Espero não aguentar mais a dor do caminho errado para mudar de vida, é só isso que acontece.
E o caminho certo também não me dá muito tesão não.
Menos aquele que a gente fez para fugir, menos aquele que a gente fez para se pegar, se entrar, parar de pensar em sentir e sentir de uma vez.
E a inspiração para escrever Meu Deus! Foi para onde?
Foi para o mesmo lugar da minha outra paixão esquecida. O homem para o qual dedico este texto.
Aquele que tirei do pedestal e nunca mais coloquei em lugar nenhum.
Foi para depois. Depois que eu resolver o que é verdade, o que é de verdade.
Você pensa que eu não sei que você sabe que eu estou mentindo? Eu sei.
Quer um pouco de verdade? Leia o começo deste texto, não é sobre você que eu escrevo não.
Essa é a verdade, mas você me ensinou que ela não é necessária.
Eu sei bem. E sei que você mente também. E sei que a gente se atura porque perder pessoas é muito triste.
Por mais que você não venha me encoxar no meio da noite, não me agarre no corredor, não jogue a porra do controle remoto para longe, não fale no meu
ouvido o quanto você está precisando me comer naquele momento. Por mais que você não seja esse homem, você respira quietinho ao meu lado enquanto dorme, lindo.
E quando você dorme quietinho assim, eu sei que, apesar de eu não abalar sua vida em nada, você precisa de mim.
E você já abalou tanto a minha vida. Que pena, agora você morreu.
Mas eu continuo vendo você respirar, quietinho, ao meu lado.
A verdade é que eu ainda acredito em reencarnação.
E eu te olhei tantas vezes implorando. Não morre, por favor. Seja ele, seja o homem que perde um segundo de ar quando me vê.
Mas você nunca mais me olhou quase chorando, você nunca mais se emocionou, nem a mim.
Você nunca mais pegou na minha mão e me fez sentir segura. Nunca mais falou a coisa mais errada do mundo e fez o mundo valer a pena.
Eu treinei viver sem você, eu treinei porque você sempre achou um absurdo o tanto que eu precisava de você para estar feliz.
De tanto treinar acostumei.
E cadê a inspiração? Foi embora junto com a minha pureza, a minha crença, a minha fidelidade.
Eu sou comum, igualzinho a você, a vocês. Eu cometo erros mesquinhos e sou capaz de grandes momentos.
Para cada grande momento, milhares de erros mesquinhos no ar, no lençol, no ralo de um banho cheiroso.
Para cada fundo do poço, milhares de motivos de perdão boiando, bóias de coração para eu me agarrar.
E eu nunca me agarro em mim, sempre espero alguém chegar.
Eu não queria ter ido tão longe. Nem seguido um que não posso, nem aturando outro que nunca pude.
Eu só queria que ele aparecesse, o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó.
O homem que vai ser o pai dos meus filhos e não dos meus medos.
O homem com o maior colo do mundo, para dar tempo de eu ser mulher, transar para sempre. Para dar tempo de seu ser criança, chorar para sempre.
Para dar tempo de eu ser para sempre.
Cansei de morrer na vida das pessoas. Por isso matei você.
Antes que eu morresse de amor. Matei você.
Eu sei que sou covarde. Surpreso? Eu não.
Desculpa, eu tinha prometido nunca mais escrever tão subjetivamente.
Te amo, viu?
Você renasceu de novo.
Eu sei que sou louca.
Louca e covarde.

Tati Bernardi

Carta para o homem que morreu e um pouco de verdade viva.

Você pensa que eu não sei?
Eu sei que tenho soluçado risos nervosos por aí. Sempre um por aí perto dos seus ouvidos.
Tudo para você ver o quanto eu me divirto, o quanto sou charmosa. Para você lembrar de como a gente se diverte, com a minha risada, com a sua.
E eu grito um pouco rindo, eu sei disso também. Que é para você lembrar de quando eu sinto prazer. De quando você me dá prazer.
Eu passo quieta por você, você passa quieto por mim, e eu ainda escuto o barulho que a gente faz.
Vocês pensam que eu não sei?
Escova no cabelo todos os dias, lápis nos olhos, perfume de morango. Eu sei, eu sei, a paixão é ridícula.
Sei que não cumpro o que prometo com olhares de mulher. Pois é, eu sou uma menina. Surpreso? Eu não.
Você está surpreso mesmo? Achou que era uma mulher te instigando para fugir da lógica? Isso é coisa de criança.
Lógica? Que se foda a lógica.
Eu não tenho tesão nenhum em separar o certo do errado. Espero não aguentar mais a dor do caminho errado para mudar de vida, é só isso que acontece.
E o caminho certo também não me dá muito tesão não.
Menos aquele que a gente fez para fugir, menos aquele que a gente fez para se pegar, se entrar, parar de pensar em sentir e sentir de uma vez.
E a inspiração para escrever Meu Deus! Foi para onde?
Foi para o mesmo lugar da minha outra paixão esquecida. O homem para o qual dedico este texto.
Aquele que tirei do pedestal e nunca mais coloquei em lugar nenhum.
Foi para depois. Depois que eu resolver o que é verdade, o que é de verdade.
Você pensa que eu não sei que você sabe que eu estou mentindo? Eu sei.
Quer um pouco de verdade? Leia o começo deste texto, não é sobre você que eu escrevo não.
Essa é a verdade, mas você me ensinou que ela não é necessária.
Eu sei bem. E sei que você mente também. E sei que a gente se atura porque perder pessoas é muito triste.
Por mais que você não venha me encoxar no meio da noite, não me agarre no corredor, não jogue a porra do controle remoto para longe, não fale no meu
ouvido o quanto você está precisando me comer naquele momento. Por mais que você não seja esse homem, você respira quietinho ao meu lado enquanto dorme, lindo.
E quando você dorme quietinho assim, eu sei que, apesar de eu não abalar sua vida em nada, você precisa de mim.
E você já abalou tanto a minha vida. Que pena, agora você morreu.
Mas eu continuo vendo você respirar, quietinho, ao meu lado.
A verdade é que eu ainda acredito em reencarnação.
E eu te olhei tantas vezes implorando. Não morre, por favor. Seja ele, seja o homem que perde um segundo de ar quando me vê.
Mas você nunca mais me olhou quase chorando, você nunca mais se emocionou, nem a mim.
Você nunca mais pegou na minha mão e me fez sentir segura. Nunca mais falou a coisa mais errada do mundo e fez o mundo valer a pena.
Eu treinei viver sem você, eu treinei porque você sempre achou um absurdo o tanto que eu precisava de você para estar feliz.
De tanto treinar acostumei.
E cadê a inspiração? Foi embora junto com a minha pureza, a minha crença, a minha fidelidade.
Eu sou comum, igualzinho a você, a vocês. Eu cometo erros mesquinhos e sou capaz de grandes momentos.
Para cada grande momento, milhares de erros mesquinhos no ar, no lençol, no ralo de um banho cheiroso.
Para cada fundo do poço, milhares de motivos de perdão boiando, bóias de coração para eu me agarrar.
E eu nunca me agarro em mim, sempre espero alguém chegar.
Eu não queria ter ido tão longe. Nem seguido um que não posso, nem aturando outro que nunca pude.
Eu só queria que ele aparecesse, o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó.
O homem que vai ser o pai dos meus filhos e não dos meus medos.
O homem com o maior colo do mundo, para dar tempo de eu ser mulher, transar para sempre. Para dar tempo de seu ser criança, chorar para sempre.
Para dar tempo de eu ser para sempre.
Cansei de morrer na vida das pessoas. Por isso matei você.
Antes que eu morresse de amor. Matei você.
Eu sei que sou covarde. Surpreso? Eu não.
Desculpa, eu tinha prometido nunca mais escrever tão subjetivamente.
Te amo, viu?
Você renasceu de novo.
Eu sei que sou louca.
Louca e covarde.

Tati Bernardi

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

Fabrício Carpinejar

Amor que Morre

O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta.
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer
E são precisos sonhos pra partir.

Eu bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
Doutro amor impossível que há de vir!

Florbela Espanca

Hoje senti sua falta, como sempre sinto.
Senti saudades de mim, saudades de você,
saudades de nós, saudades da minha felicidade,
do seu sorriso, do seu viver.
Hoje mais do que nunca senti sua falta.
Falta dos teus olhos,
falta dos meus olhos nos seus.
Falta do seu olhar,
falta da alegria no meu olhar.
Hoje senti que preciso de você,
senti sua falta. Falta de ouvir "amor meu",
falta de ser o amor seu.
Falta de
ter com quem falar,
falta de ter você comigo!
Sinto saudades, saudades de você.
Saudades do seu carinho...
Saudades da sua certeza...
Saudades da menina, da mulher.
Saudades de você, amor meu...
Senti falta de ouvir que sou o amor seu...
Hoje senti sua falta, como sempre sinto...
Saudade de você meu anjo

desconhecido

"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo.
Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo.
Não viva de fotografias amareladas...
Continue, quando todos esperam que desistas.
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr através dos anos, trote.
Quando não conseguir trotar, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.


Mas nunca se detenha."

Madre Teresa de Calcuta

Que saudades!
Como pode alguém sentir saudades do que nunca houve?
Como pode alguém sentir saudades do que nem viveu?
É como estou hoje,
Com saudades!
Morrendo de saudades dos sonhos que criei,
Chorando de saudades das horas que imaginei,
Das histórias que sonhei.
Hoje estou assim,
Querendo que o tempo vá para onde eu quero,
Para onde ele nunca esteve.
Mas a saudade é tanta que me paralisa,
É muita saudade
E nem aconteceu
E nada eu vivi.
Como se pode sentir saudades de uma época que não existiu?
De fantasias e de promessas que nunca se concretizaram?
Por que sentir saudades de um futuro inventado
quando há um presente imenso para se viver?
Mas não se manda no coração.
O coração é pretensioso e quase sempre faz o que quer,
A razão até tenta dominar,
Mas raramente consegue.
E por causa do coração a gente faz um monte de besteira
E fica esperando, esperando...
Esperando que tudo volte a ser como antigamente...
Ou pior,
Que tudo seja como criamos em nossos sonhos mais recorrentes.

Germana Facundo