Texto sobre Carater

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Onde eu me Situo em Tudo Isto?

Com esta pergunta de caráter pessoal em nosso título queremos conduzir o presente assunto no seu próprio campo de pertinência, uma vez que as questões que serão abordadas dizem respeito à nossa personalidade como um todo composto de várias partes, e portanto, a proposta da indagação seria a de que aqueles que assim o desejassem, possam analisar a si mesmos quanto às medidas que possuem de cada um dos pontos enfocados.
À guisa de orientação geral, cabe destacar que, a par de estarmos apresentando um estudo analítico de partes constituintes da personalidade, o nosso foco será o homem total, assim compreendido: corpo, alma e espírito, uma vez que sendo a divindade composta por três pessoas distintas e no entanto haver um só Deus, de igual forma, as três partes constituintes da humanidade aqui na Terra, são as três referidas, e o ser humano é uma só pessoa a par de ter um espírito, uma alma e um corpo físico.
Muito bem. Feitas estas considerações de caráter geral, passemos ao estudo analítico propriamente dito.
Há, neste mundo, dois reinos distintos de operações distintas, sendo um natural do qual todos participam, e o segundo, espiritual, do qual passam a participar apenas aqueles cujos espíritos são renascidos do Espírito Santo.
Tanto num reino quanto noutro, as ditas faculdades ou habilidades naturais ou espirituais se encontram e são aperfeiçoadas ou deterioradas nos seguintes campos:

1 - inteligência intelectual
2 - inteligência emocional
3 – caráter
4 – conhecimento
5 – sabedoria
6 – vontade e inclinação moral e espiritual.

Todos estes seis aspectos básicos constituintes da personalidade são encontrados tanto no reino natural, quanto no espiritual, sendo amplamente distintos em suas formas de ser e de expressão.

1 – Inteligência Intelectual

Não pretendemos esgotar os diversos significados desta expressão, senão relacioná-la apenas às diferentes capacidades das pessoas em adquirir conhecimentos e resolver problemas, especialmente pelo uso do raciocínio. Estas capacidades são diversas e em muitos casos independentes e também múltiplas em todos os campos possíveis de serem investigados, quer no campo natural, quer no espiritual.
Assim, a Inteligência Intelectual Natural, se relaciona a tudo o que é pertencente ao mundo natural visível ou invisível. Ela abrange todos os processos lingüísticos, filosóficos, científicos, tecnológicos, ontológicos e tudo quanto possa ser aprendido do que chamamos de coisas pertencentes ao universo físico tangível ou intangível.
Por seu turno, a Inteligência Intelectual Espiritual, se relaciona exclusivamente às coisas que podem ser somente entendidas por iluminação e revelação do Espírito Santo, I Cor 2. Estas coisas são espirituais, celestiais e divinas, e apesar de serem manifestadas ao nosso espírito, podem ser apreendidas e discernidas pela mente que foi e que está sendo renovada progressivamente pelo Espírito Santo.
Como afirmamos anteriormente, ambos os tipos de inteligência mencionados pertencem a campos distintos, e portanto ser muito inteligente nas coisas temporais, não implica necessariamente que se tenha inteligência espiritual, e a recíproca é também verdadeira, porque é possível ser muito inteligente espiritualmente falando, e ser pouco inteligente no que se refere às coisas naturais. Assim, um cristão não está necessariamente em vantagem em relação ao não cristão no que se refere ao domínio das coisas naturais, como este, não está no que tange às espirituais em relação ao cristão.
Todavia, por ser o homem corpo, alma e espírito, a inteligência intelectual pode não somente ser afetada em si mesma, como também afetar consideravelmente outros campos da personalidade, que destacamos anteriormente (Inteligência Emocional, caráter, conhecimento, sabedoria, vontade e inclinação moral), por vários fatores.
Por exemplo, portadores de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade) ou TDA (sem hiperatividade), que é caracterizado por falta de concentração, impulsividade e hiperatividade ou excesso de energia. O TDA ocorre em crianças e adultos, homens e mulheres, abrangendo todas as camadas socioeconômicas, níveis de escolaridade e graus de inteligência. Nos EUA há cerca de 17 milhões de pessoas que sofrem este distúrbio presentemente.
Apesar de cerca de um terço conseguir superar o problema na adolescência, os demais terão que conviver com o TDA ao longo de suas vidas neste mundo. E ainda, que possa haver um considerável controle com o uso adequado de fármacos receitados por médicos psiquiatras, e pelo acompanhamento psicológico do método de disciplina comportamental, sempre haverá uma grande influência, mas não para tornar a pessoa menos inteligente, ao contrário, porque são muito inteligentes acima da média, intelectualmente falando, mas podem sofrer sérios prejuízos nas demais áreas da personalidade destacadas anteriormente. (inteligência emocional, conhecimento etc).
Isto porque são os principais sintomas dos portadores adultos de TDA:

- dificuldades em organizar as tarefas diárias;
- tendência a ser desorganizado e a perder objetos;
- irritação com tarefas repetitivas ou monótonas;
- preferência por ambientes agitados;
- numa conversa, começa a falar antes do fim de uma pergunta ou de uma resposta;
- distração e "sonhos acordados" constantes, principalmente quando está lendo ou ouvindo por obrigação;
- períodos de sonolência durante o dia;
- falhas de memória;
- comportamento impulsivo. Falar e agir sem medir as consequências;
- alterações rápidas de humor;
- em alguns casos, envolvimento com uso abusivo de drogas.

Vemos que estes fatores podem afetar até mesmo a Inteligência Intelectual Espiritual, e todos os demais campos pertinentes ao chamado homem espiritual total, porque tudo isto contribui para a dispersão na concentração exigida especialmente para a prática da oração e meditação da Palavra de Deus; uma vez que a mente está naturalmente indisposta, distraída e irritada.
E tudo no mundo espiritual chama e se desenvolve no ambiente de ordem, concentração e paz.
Todavia, quando se é nascido do Espírito Santo, ainda que não dissolvidas totalmente, estas desvantagens apontadas podem em muito ser mitigadas pelo poder da graça de Cristo, através das novas disposições implantadas na nova criatura, que vão na contramão de tudo o que se encontra no TDA, a par de que, isto demandará, como em todos os demais aspectos componentes da personalidade, de um crescimento gradual e progressivo que será consumado com o processo da santificação do corpo, alma e espírito.

2 – Inteligência Emocional

Não pretendemos nos prender à exploração completa deste conceito, conforme muitos o fizeram, especialmente Salovey e Mayer, e Goleman, dos quais estamos destacando apenas a definição das habilidades apresentadas por este último como sendo as principais categorias do que se chama de Inteligência Emocional:

1. Auto-Conhecimento Emocional - reconhecer as próprias emoções e sentimentos quando ocorrem;
2. Controle Emocional - lidar com os próprios sentimentos, adequando-os a cada situação vivida;
3. Auto-Motivação - dirigir as emoções a serviço de um objetivo ou realização pessoal;
4. Reconhecimento de emoções em outras pessoas - reconhecer emoções no outro e empatia de sentimentos; e
5. Habilidade em relacionamentos inter-pessoais - interação com outros indivíduos utilizando competências sociais.

Quando falta ou quando se é pequena a chamada Inteligência Emocional, assim considerada pelos termos destacados anteriormente, haverá prejuízos especialmente nas chamadas relações inter-pessoais, pela falta de um controle adequado sobre as emoções, e que se traduzirá geralmente em explosões de ira, irritações e alterações de humor, muitas vezes injustificadas.
Isto depõe contra a possibilidade de um viver harmônico em interações sociais, e especialmente na comunhão espiritual quando isto se refere à Inteligência Emocional Espiritual.
Como o fruto do Espírito Santo é paz, alegria, bondade, benignidade, longanimidade, amor e domínio próprio, ainda que a Inteligência Emocional Natural, por maior que seja, não responda a este fruto citado, que é eminentemente sobrenatural e celestial, ou seja, que nos vem do Alto, todavia, aqueles que não a possuem naturalmente ou de modo deficiente terão maiores dificuldades em serem ajustados ao padrão de comportamento que Deus espera forjar em todos os seus filhos amados, sem que isto caracterize, no entanto, uma impossibilidade, para o Deus ao qual são possíveis todas as coisas.
Assim, quando aqueles que se encontravam com maiores dificuldades para o seu aperfeiçoamento espiritual, chegam a alcançá-lo por lutarem para o buscarem em Deus, muito maior é a glória de Deus nestes casos, pela plena evidência do seu poder transformador de vidas.
Parece-nos portanto, que ele permitiu estas deficiências naturais, que entraram na criação por causa do pecado original, para que ele tivesse uma glória ainda maior, pela demonstração do seu poder de cura, amor e cuidado misericordioso demonstrados para todos aqueles que recorrem a ele para serem socorridos, por meio da fé em Jesus Cristo, por meio de quem nos são concedidas todas as coisas.
Antes de concluir esta parte, cabe ressaltar que os que são de temperamento calmo e brando, não estão também excluídos da necessidade do cuidado de Deus, porque podem ficar tímidos por conta de suas disposições naturais e não virem a investir e a fazer progresso com ousadia no reino de Deus, por um firme testemunho de fé, especialmente nas circunstâncias adversas.
E, além disso, são mais facilmente tentados a confundir a santificação que procede do Espírito Santo com o seu fruto de mansidão, longanimidade, etc, com o temperamento natural que eles possuem, e que como afirmamos anteriormente, não consiste no fruto de santificação que nos leva a servir e a adorar a Deus com um coração puro e uma boa consciência.
Enfim, ser calmo não significa que se esteja vivendo na fé e na direção do Espírito Santo.

3 – Caráter

A par de existirem várias formas de definição do que seja caráter, estaremos restringindo o uso do termo à sua forma de apresentação indireta na Bíblia como se referindo à própria essência da personalidade, a qual é identificada pelo bom nome da pessoa, como ocorre em Mateus 10.40, onde caráter foi vertido de onoma, no original grego, que significa nome.
Assim, podemos definir caráter como sendo o modo de viver segundo determinados valores específicos.
Teríamos assim um bom ou um mau caráter, dependendo destes valores.
Um bom caráter segundo o que é relativo ao mundo civil é portanto aquele que segue as regras e valores aprovados da sociedade em que se vive.
E um bom caráter segundo o que é relativo ao reino de Deus é aquele que segue as regras e os mandamentos de Deus.
Por conseguinte, todo o comportamento que sistematicamente viola estas regras, tanto num campo de abrangência, quanto noutro, pode ser dito pertencente a alguém de mau caráter.
A formação do caráter pode ser altamente influenciada pelo meio em que se vive, de modo que aqueles que andam com os sábios poderão vir a ser sábios, mas aquele que andar em má companhia poderá ter o seu caráter moldado por seus maus companheiros.
Do cristão se requer que seja um bom caráter tanto no chamado mundo civil, quanto no reino de Deus, porque lhe é imposto dar a César o que é de César e a Deus e o que é de Deus.
E, a propósito, não é possível ser um bom caráter segundo Deus, quando não se é um bom cidadão.
O Cristão carrega sobre si o bom nome de Cristo, e é seu dever portanto, moldar o seu caráter a este nome, porque importa que haja nele o mesmo caráter que há em Cristo, que em tudo é obediente ao Pai.
Um espírito santificado deve influenciar os hábitos de uma mente e de um corpo também santificados, porque tudo o que se pensa, se imagina, que se faz com o corpo, deve seguir o pendor do espírito e não o da carne (natureza pecaminosa).

“E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai.” (Fil 2.22)

4 – Conhecimento

Há um conhecimento natural que todos os homens podem alcançar, dentro dos limites considerados anteriormente, e um conhecimento espiritual que somente aqueles que são nascidos do Espírito Santo podem obter.
Tanto num caso como noutro (natural e espiritual) pode existir progresso no aumento do conhecimento, sendo que no que tange ao espiritual, isto será possível não apenas mediante o nosso esforço em diligência para adquirir o citado conhecimento, como também somos dependentes da iluminação e revelação do Espírito Santo, e daí a necessidade da oração e da prática da Palavra de Deus.
E como vimos antes, um bom caráter, será o fator principal gerador de uma boa consciência, em uma maior aplicação para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de nossa inteligência intelectual e emocional, notadamente no que se refere ao campo espiritual, e muito contribuirá para uma maior aquisição de conhecimento das coisas espirituais, celestiais e divinas, porque, apesar de Deus trabalhar com a nova natureza que recebemos pela fé em Cristo, tudo reflete no homem total que somos, a saber, corpo, alma e espírito.
O conhecimento espiritual no qual o cristão deve se empenhar para o seu crescimento é o relativo à graça de Jesus, ou seja, em tudo o que é chamado a receber e a viver segundo lhe está disponibilizado em Cristo, pela sua graça, 2 Pe 3.18.

5 – Sabedoria

Sabedoria, biblicamente falando, abrange muito mais do que a definição clássica de se fazer o uso adequado dos conhecimentos adquiridos.
Este é um assunto por demais extenso, e por isso gostaríamos de resumi-lo ao enfoque da sabedoria e sensatez que é segundo Deus, e o da sabedoria e sensatez que é segundo o mundo.
O próprio texto grego do original do Novo Testamento nos ajuda muito no estabelecimento de tal distinção porque possui palavras específicas para indicar um uso mais preciso das referidas palavras.
Por exemplo: a palavra sábio no grego, quando indica o tipo de conhecimento, habilidades e mentalidade adquiridos, é geralmente fronimos.
E quando indica o conjunto de conhecimentos e o modo da sua aplicação, a palavra geralmente usada é sofós.
Agora, tanto num caso, como no outro, é possível ser sábio e sensato segundo Deus, nas coisas espirituais, celestiais e divinas; ou então ser sábio segundo o mundo e a carne apenas nas coisas terrenas e naturais, ou então nas do reino espiritual da maldade.
Toda pessoa chega a este mundo naturalmente desprovida do conhecimento de Deus, e portanto não pode possuir a sensatez, a sabedoria, a prudência e inteligência divinas, traduzidas no modo de discernir todas as pessoas e coisas, segundo o modo de Deus discerni-las.
Tal sabedoria, somente pode ser adquirida, e crescer em graus, mediante a conversão e consagração a Cristo.
Nós lemos em I Cor 1.26,27 o seguinte:
“Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;”
A expressão “as coisas loucas” foi traduzida da palavra grega, morós, usada por Paulo no original grego, no gênero neutro, a qual significa néscio, insensato, tolo ou estulto. Significado este, que encontramos nos demais textos do Novo Testamento que utilizam a referida palavra.
Como a referência “as coisas loucas” está em contraposição à citação “os sábios”, então teríamos uma melhor tradução com “Deus escolheu os insensatos, ou tolos, do mundo, para envergonhar os sábios”.
Mas Deus pode escolher e amar pessoas insensatas?
Sim. Deus pode amar o insensato e não a sua insensatez.
Os crentes estão também sujeitos a serem insensatos, ou seja, a não terem discernimento, não como um atributo permanente, mas por lapsos avulsos de bom senso.
Todavia, em Ef 5.17 os crentes são convocados a não serem insensatos, mas procurar saber a vontade de Deus.
Mesmo crentes estão sujeitos a serem sábios segundo o mundo em muitos sentidos, mas eles têm o que o mundo não tem, que é a fonte da verdadeira sabedoria habitando neles, a qual é Cristo, e que pode levá-los a terem cada vez mais a sabedoria que é segundo Deus.
Pela rápida exploração destes conceitos relativos à sabedoria, podemos entender que não é à toa que Deus nos ordena a não nos gloriarmos na nossa sabedoria, Jer 9.23, porque ela está sujeita a diversas limitações em si mesma, e não responde por si só, a tudo o que compõe a nossa personalidade, conforme estamos analisando em todas as partes deste estudo.

6 – Vontade e Inclinação Moral e Espiritual

Por vontade entendemos muito mais do que a faculdade da mente humana em fazer escolhas e tomar decisões, porque a vontade não é um poder soberano em nós, uma vez que pode ser influenciada por diversos fatores que pesarão preponderantemente em muitas das nossas escolhas e decisões, que apesar de serem o fruto do exercício de nossa vontade, pode-se dizer das mesmas que foram involuntárias, em diversas situações, ou seja, quando não nos achávamos no domínio pleno destas escolhas e decisões.
Daí termos associado à vontade, a nossa inclinação moral e espiritual, porque por um conjunto de fatores que não chegamos a compreender muito bem, há toda uma disposição diferenciada de pessoa para pessoa para pender para os mais diversos tipos de ânimo, espírito, temperamento, humor, padrões de obediência e de rebelião, enfim, de todo o somatório de poderes que operam na mente, no espírito e corpo de cada pessoa, e que determinam o seu pendor ou inclinação moral e espiritual.
De um modo geral, toda a humanidade se encontra naturalmente indisposta para as coisas espirituais, celestiais e divinas, e isto configura, na verdade, um estado de inimizade e oposição a tudo o que se refira efetivamente à vontade de Deus e seus mandamentos.
Mas, mesmo neste caso, alguns possuem um pendor natural para as coisas que são consideradas comportamentalmente aprovadas pela sociedade, e outros que vão na direção contrária a isto. E nem sempre uma chamada boa educação pode responder sozinha para a determinação de um bom comportamento.
Há vários fatores intrínsecos formadores da própria personalidade que preponderam sobre tudo o mais que se possa fazer de esforço para melhorar o procedimento daqueles que costumam fazer um uso inadequado da vontade por seguirem inclinações perniciosas inerentes à sua própria constituição interior.
Pessoas há que simplesmente não se permitem serem amoldadas por boas influências externas, sejam elas de qual natureza forem, naturais ou espirituais. E isto permanece como um grande mistério até hoje para todos nós, porque sucede assim.
Deus, que é o criador de tudo e de todos, não criou qualquer tipo de mal moral ou espiritual.
Portanto, não se pode atribuir isto a uma falha de fabricação, mas a um fator estranho que se introduziu não somente na criação dos homens, como também na dos anjos que se transformaram em demônios, porque sendo ambos seres morais, dotados de vontade própria, escolheram e se inclinaram para longe de Deus e do padrão de vida e de comportamento que nele existem e que dele emanam para todas as suas criaturas que lhe são obedientes.
Mas, no melhor dos homens, em razão da inimizade natural pecaminosa que há em todos, há a necessidade de nos esforçarmos para nos inclinarmos para as coisas que são de Deus, segundo o pendor do Espírito Santo, para que possamos ter a nossa vontade sendo dirigida pela boa, perfeita e agradável vontade de Deus, em tudo o que é justo e santo, Rom 8.6-13; 12.1,2.
Assim, bem irá ao que se arrepender e se humilhar diante de Deus reconhecendo a sua plena dependência dele para tudo o que é bom e aprovado, uma vez observadas todas as limitações e dificuldades a que estamos naturalmente expostos.

E, ao concluirmos esta nossa breve reflexão gostaria de indagar a mim mesmo: e então, onde é que eu me se situo em tudo isto? Estou estagnado, vencido pelas circunstâncias que me são adversas tanto exteriores, quanto interiores, ou estou fazendo progresso em Cristo Jesus para superá-las?

Silvio Dutra

O Caráter e a Bem-Aventurança do Justo

“Mas regozijem-se todos os que confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome. Pois tu, Senhor, abençoas o justo e, como escudo, o cercas da tua benevolência.” (Sl 5.11,12)

I. O caráter do justo

Geralmente as pessoas se referem apenas às ações, e principalmente àquelas que dizem respeito aos homens. Mas isso daria uma visão muito parcial e inadequada do assunto.
A verdade é que, o caráter do homem é para ser estimado, não tanto por suas ações em relação aos homens, como pelo hábito de sua mente para com Deus. Não quero dizer que as ações não são necessárias para evidenciar a verdade e excelência do princípio interno, pois o princípio que é improdutivo de frutos santos, não tem valor, é um pretexto hipócrita, uma mera ilusão. Mas as ações, embora boas em si mesmas, como orações e doações, podem proceder de um princípio vicioso, e, em vez de serem aceitáveis a Deus, podem ser perfeitamente odiosas aos seus olhos. Assim, o justo é descrito pelos caracteres que não admitem qualquer dúvida:

1 . Eles confiam em Deus

Os justos têm uma visão de Deus como ordenando todas as coisas tanto no céu quanto na Terra. Eles sabem que, com certeza, nem mesmo um pardal cai por terra sem a sua permissão específica. Eles sabem que tanto homens e demônios são como instrumentos em suas mãos e que, no entanto inconscientes eles não podem ter qualquer poder governante, porque, de fato, cumprem a vontade do Deus Todo-Poderoso. Assim, qualquer ação que efetuem, eles a recebem como de Deus, e tudo o que seja planejado contra eles, eles se sentem protegidos em suas mãos. Eles sabem que, sem ele, "nenhuma arma forjada contra eles pode prosperar", e que , através de seu cuidado gracioso, "todas as coisas devem trabalhar juntamente para o seu bem."
Davi foi exposto aos maiores perigos através da malícia de Saul, mas "ele se fortaleceu no Senhor seu Deus", e confiou todos os seus problemas a ele. Portanto, o verdadeiro santo, seja ele quem for, foge para Deus como um refúgio seguro, e se esconde sob a sombra de suas asas; certo de que, quando protegido dessa forma, nenhum inimigo pode assaltá-lo, nenhum mal encontrará acesso a ele.
Eles confiam na graça de Deus, bem como em sua providência. Eles estão bem seguros, de que não há esperança para eles em si mesmos, especialmente no que diz respeito à obtenção de reconciliação com Deus, ou o cumprimento de sua santa vontade. Na misericórdia de Deus, portanto, e sobre os méritos de seu Salvador, eles dependem de perdão e aceitação, e no Senhor Jesus eles procuram por essas fontes de graça, conforme as suas necessidades o exijam.
Renunciando a toda confiança em si mesmos, eles vão para a frente, dizendo: " No Senhor há justiça e força."

2. Eles amam a Deus

Eles contemplam suas gloriosas perfeições, especialmente como são manifestadas no Filho do seu amor, que é o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa divina; e com santa admiração eles se prostram diante dele, dizendo: “Quão grande é a sua bondade! Quão grande é a sua formosura!" Eles também contemplam com admiração e gratidão o amor que ele tem lhes mostrado, em escolhê-los, desde antes da fundação do mundo, para serem os monumentos de sua graça, e, por lhes dar tais suprimentos do seu Espírito, para efetuar eficazmente a sua salvação.
É também citado que "para aqueles que creem, Cristo é precioso." Sim, o seu próprio nome é como o unguento derramado; e ouvir e falar dele é o trabalho mais prazeroso de suas almas.
Agora, eu digo, estas são as virtudes características do justo; e estas são as graças que são de suprema excelência aos olhos de Deus. É evidente que, pelo exercício destas disposições Deus é mais honrado do que em todos os atos externos que possam ser executados, porque ele próprio é o objeto que eles têm por fim almejar, e cuja glória eles promovem.
Em ligação imediata com estas disposições está a,

II. Sua bem-aventurança

1. Quem é tão alegre como eles?

1. "Regozijem-se", diz o salmista, sim, "encham-se sempre de alegria”. Este é o seu privilégio; este é o seu dever. O mandamento do próprio Deus é: "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.", “Regozijai-vos sempre, porque esta é vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." É verdade que existem épocas de humilhação, bem como para a alegria; mas é verdade também que, embora, na experiência mundana, há uma oposição direta entre estes dois sentimentos, de modo que eles não podem co-existir, eles podem existir simultaneamente nos santos em funcionamento harmonioso. De fato, não há alegria mais sublime do que aquela que surge da tristeza do arrependimento, e que é temperada por contrição. A própria postura dos santos glorificados no céu, testemunha isto, porque eles se prostram sobre seus rostos diante do trono, e cantam em voz alta: "Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados,". Mas você vai particularmente perceber o que é dito: "Eles se alegram nele", e não em si mesmos, mas somente em Cristo, no qual todo o seu refrigério é achado.

2 . Quem tem tal motivo de alegria como eles ?

Eles já estão sob o cuidado e a proteção do seu Deus , “que os defende" dos assaltos de todos os seus inimigos, e que prometeu a si mesmo ser o seu protetor até o fim; como diz Davi: “Pois tu, SENHOR, abençoas o justo e, como escudo, o cercas da tua benevolência." Há, em outro salmo, uma expressão marcante, que bem ilustra isso: "Tu os escondes no secreto da tua presença." O crente , quando sensato da presença de Deus com a sua alma, tem uma certeza da sua proteção, como se visse com seus olhos físicos, todo o céu cheio com carros de fogo, com cavalos de fogo, para a sua defesa. Ele então concebe em sua mente a ideia de que Deus é um muro de fogo em redor dele, e que quem pensar em escalá-lo não somente irá falhar, mas perecerá na tentativa. Na verdade, sentir-se assim, no próprio seio do nosso Deus é uma alegria indizível e cheia de glória.

APLICAÇÃO

Procure ser verdadeiramente justo. Não te esqueças em que este caráter consiste principalmente. Procure conhecer a Deus, confie nele, ame-o, conhecendo-o como ele se revelou em seu Evangelho, e confie nele como o Deus da Aliança e Salvador; e ame-o com todo o seu coração, e mente, e alma, e força. Deixe que um senso de sua presença contigo seja a tua principal alegria, e cada ação da tua vida seja realizada para a sua glória. Então você será preservado de todos os inimigos, e será abençoada a sua antecipação do céu.

Tradução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, de um texto de Charles Simeon em domínio público.

Charles Simeon

Sou um eterno aprendiz e como tal aceito todas as correções necessárias para moldar meu caráter e o meu caminho.
Às vezes peco na gramática e nesse caminho da escrita que não é fácil aceito humildemente todos os puxões de orelha que se faça necessário, mas de uma forma positiva, pois noto que alguns fazem uso da correção no sentido pejorativo e se esquecem do sentido da mensagem.
“Quem nunca errou que atire a primeira pedra”

Paulo Ursaia

Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, prender, levantar e seguir em frente.
Sou isso hoje...
Amanhã, já me reinventei.
Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.
Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar...
Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil...e choro também!

" Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer.
Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre?
Será que ele deixa?"

"Dessa vez, com você, eu queria que desse certo.”

"Quando vai dando assim, tipo umas onze da noite, o horário que a gente se procurava só pra saber que dá pra terminar o dia sentindo algum conforto. Quando vai chegando esse horário, eu nem sei. É tão estranho ter algo pra fugir de tudo e, de repente, precisar principalmente fugir desse algo. E daí se vai pra onde?"

Tati Bernardi

O caráter faz ver além, as consequências dos atos de hoje, e não pode ser adquirido ou estudado ou mesmo aprendido.
A educação e a cultura se diferem nesses valores, assim como o caráter e as boas maneiras ou o estilo de vida que se leva. Ambos a cultura e o estilo de vida são transformados, adquiridos e estudados e podem ser esquecidos ou aprimorados. Mas o caráter faz desses todos seus caminhos. Escolher qual deles seguir e quais consequências irão advir só o caráter pode identificar, no momento que as decisões - de trabalho, amor, relações sociais, escolares, de amizade etc - são tomadas.

Patricky Field

Só os tolos e os sem caráter insistem em usar o passado como forma de atingir ou defender-se do inimigo.
Eles usam o passado como defesa, como a arma mais poderosa que pode existir.
Porque a maior arma, instrumento de defesa dos acusados e o Presente , que não há nada para se relembrar
Apenas para se orgulhar.

Legi4o

Bárbara Mendes

O caráter se revela com a dignidade e o respeito aos nossos semelhantes.
Com o respeito a nossa própria encarnação, com o esforço empenhado para evitar cometer erros e corrigir os já cometidos.
Lutando sempre em busca do bem-estar próprio e principalmente da coletividade.
É importante salientar que, o caráter pode ser moldado de berço, por isso há necessidade do esclarecimento espiritual dos pais e educadores em geral.
E&P

Ely Pomin

Sobre Cumprimento de Votos – Números 30

Este capítulo 30º de Números revela o caráter obrigatório do cumprimento dos votos feitos ao Senhor, e define as exceções em que estes votos poderiam ser cancelados; sendo o consequente descumprimento perdoado por Deus:
- Voto feito por uma mulher que ainda vivesse às expensas de seu pai, que fosse anulado pelo mesmo.
- Voto feito por mulher que se casou com um voto em andamento, e que foi anulado pelo marido quando este chegou ao seu conhecimento.
- Voto de mulher casada que fosse anulado pelo marido.
Nestes casos, o silêncio ou aprovação do pai ou do marido, em relação ao voto feito pela filha ou esposa, respectivamente, confirmaria a validação do voto, e este teria que ser cumprido pela mulher que o fizera.
As viúvas e repudiadas, que tivessem retornado à casa de seus pais, poderiam votar livremente sem que alguém pudesse cancelar os seus votos.
O castigo de Ananias e Safira foi decorrente da quebra de um voto feito a Deus numa oferta que foi inspirada pelo Espírito Santo.
Como o voto é voluntário estava no poder deles não fazerem o voto na presença de Deus, e dos apóstolos, e assim não teriam sofrido qualquer castigo (At 5.4), conforme lhes fora dito pelo apóstolo.
Em Ec 5.4-6 nós lemos o seguinte:
“Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. O que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votares e não pagares. Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas na presença do anjo que foi erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos?”
A Palavra ensina que ainda que o voto tenha sido feito como dito irrefletido dos lábios, Deus o levará a sério e requererá o seu cumprimento.
Por este princípio o Senhor nos ensina a sermos responsáveis perante Ele, e a não sermos descuidados quando nos dirigimos a Ele.
Em outras palavras: com Deus não se brinca e não se deve brincar.
Aprendemos também desta lei relativa aos votos que para Deus uma filha na casa de seu pai está efetivamente submissa à vontade dele, assim como uma mulher em relação ao seu marido, pois, não se cogita, dito pela própria boca de Deus; se seriam acertadas ou não as razões do pai ou do marido para cancelar os votos de sua filha ou esposa, respectivamente.
O Senhor valida e reconhece o governo do pai sobre a filha, e do marido sobre a esposa, conforme Ele mesmo o estabeleceu.
A lei dos votos não ensina que estes deveriam ser expressamente aprovados pelo pai ou pelo marido para que pudessem ser feitos, mas que em não havendo uma concordância expressa da parte deles, depois de terem tomado conhecimento do mesmo, este voto fica automaticamente cancelado diante de Deus, e a pessoa que o fez estaria desobrigada quanto ao seu cumprimento.



“1 Depois disse Moisés aos cabeças das tribos dos filhos de Israel: Isto é o que o Senhor ordenou:
2 Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou jurar, ligando-se com obrigação, não violará a sua palavra; segundo tudo o que sair da sua boca fará.
3 Também quando uma mulher, na sua mocidade, estando ainda na casa de seu pai, fizer voto ao Senhor, e com obrigação se ligar,
4 e seu pai souber do seu voto e da obrigação com que se ligou, e se calar para com ela, então todos os seus votos serão válidos, e toda a obrigação com que se ligou será válida.
5 Mas se seu pai lho vedar no dia em que o souber, todos os seus votos e as suas obrigações, com que se tiver ligado, deixarão de ser válidos; e o Senhor lhe perdoará, porquanto seu pai lhos vedou.
6 Se ela se casar enquanto ainda estiverem sobre ela os seus votos ou o dito irrefletido dos seus lábios, com que se tiver obrigado,
7 e seu marido o souber e se calar para com ela no dia em que o souber, os votos dela serão válidos; e as obrigações com que se ligou serão válidas.
8 Mas se seu marido lho vedar no dia em que o souber, anulará o voto que estiver sobre ela, como também o dito irrefletido dos seus lábios, com que se tiver obrigado; e o senhor lhe perdoará.
9 No tocante ao voto de uma viúva ou de uma repudiada, tudo com que se obrigar ser-lhe-á válido.
10 Se ela, porém, fez voto na casa de seu marido, ou se obrigou com juramento,
11 e seu marido o soube e se calou para com ela, não lho vedando, todos os seus votos serão válidos; e toda a obrigação com que se ligou será válida.
12 Se, porém, seu marido de todo lhos anulou no dia em que os soube, deixará de ser válido tudo quanto saiu dos lábios dela, quer no tocante aos seus votos, quer no tocante àquilo a que se obrigou; seu marido lhos anulou; e o senhor lhe perdoará.
13 Todo voto, e todo juramento de obrigação, que ela tiver feito para afligir a alma, seu marido pode confirmá-lo, ou pode anulá-lo.
14 Se, porém, seu marido, de dia em dia, se calar inteiramente para com ela, confirma todos os votos e todas as obrigações que estiverem sobre ela; ele lhos confirmou, porquanto se calou para com ela no dia em que os soube.
15 Mas se de todo lhos anular depois de os ter sabido, ele levará sobre si a iniquidade dela.
16 Esses são os estatutos que o Senhor ordenou a Moisés, entre o marido e sua mulher, entre o pai e sua filha, na sua mocidade, em casa de seu pai.” (Nm 30.1-16).

Silvio Dutra

Índice
Caráter e inteligência 19
Criar expectativas 20
O saber e o valor contribuem em conjunto par a grandeza 21
Tornar-se indispensável 22
Estar no auge da perfeição 23
Evitar as vitórias sobre o chefe 24
Sorte e fama 25
Relacione-se com quem tenha o que lhe ensinar 26
Natureza e arte, matéria e elaboração 27
Agir com intenção, com primeira e segunda intenções 28
Cercar-se de pessoas inteligentes 29
A sabedoria e a honestidade 30
Variar o modo de agir 31
O esforço e a capacidade 32
Não começar com muita expectativa 33
O homem em seu tempo 34
A arte da sorte 35
Ser pessoa de conversa agradável e saborosa 36
Não ter defeitos 37
Encontrar o ponto fraco de cada um 38
E melhor intenso que extenso 39
Não ser vulgar em nada 40
Ser íntegro 41
Conhecer os felizardos para acolhê-los, e os azarados para evitá-los 42
Conhecer sua melhor qualidade 43
Dar às coisas seu devido valor 44
Saber se retirar quando se está ganhando 45
Nunca exagerar 46
Sentir e expressar-se 47
Cuidado com a antipatia 48
Fugir dos assuntos difíceis e perigosos 49
O homem de valores profundos 50
Ser sensato e observador 51
Nunca perder o respeito por si mesmo 52
Nunca perder a compostura 53
Ser diligente e inteligente 54
Saber esperar 55
Saber improvisar 56
Refletir é mais seguro 57
Saber retirar-se 58
Saber evitar os desgostos 59
Cuidado para que as coisas saiam bem 60
Nunca se entregar ao mau humor 61
Saber negar 62
Ser equilibrado por inclinação natural ou por gosto 63
Ser decidido 64
Não ser inacessível 65
Escolher um modelo elevado 66
Não ficar de brincadeiras 67
Saber adaptar-se 68
Começar com cuidado 69
Temperamento jovial 70
Ter cautela ao informar 71
Renovar o brilho 72
Nunca exagerar o mal nem o bem 73
Permitir-se pequenos deslizes 74
Saber usar os inimigos 75
Previnir os boatos 76
Cultura e refinamento 77
A arte de viver muito 78
Agir somente se não houver duvidas 79
Homem universal 80
Capacidade inescrutável 81
Saber manter a expectativa 82
Metade do mundo ri da outra metade, e ambas são tolas 83
Ter ações dignas de rei 84
Conhecer a natureza dos empregos 85
Não ser cansativo 86
Não demonstrar satisfação consigo mesmo 87
Não esperar o sol se pôr 88
Conquistar a boa vontade dos outros 89
Preparar-se para os tempos de crise 90
Nunca competir 91
Tratar sempre com pessoas de princípios 92
Ganhar fama de cortês 93
Ser prático na vida 94
Ser elegante no falar e no agir 95
Viver sem afetação 96
Não ser registro dos erros alheios 97
Tolo não é aquele que comete uma tolice, mas o que não sabe disfarçá-la 98
Condição elegante 99
Pensar duas vezes 100

Baltazar Gracián

Só reconhecemos o verdadeiro caráter de alguém quando lhe é retirado tudo o que mais deseja.

Sim, o apego, algo que transforma as almas, revelando o seu verdadeiro temperamento.

Por esse motivo, somente espíritos que são livres e amam de forma desprendida tornam-se verdadeiramente felizes.

Quem precisa da posse para amar geralmente se desilude e perde o rumo de sua caminhada em direção à luz de Deus.

Roger Bottini Paranhos

Caráter e inteligência 19

São os dois pólos para exibir as qualidades de um homem. Um sem o outro é boa sorte pela metade. Não basta ser inteligente, é preciso também ter predisposição de caráter. A má sorte do tolo é desconsiderar a sua condição, ocupação, vizinhança e amizades.

Baltasar Gracián

Foi preciso conhecer pessoas sem caráter para valorizar as que têm caráter;
Foi preciso me envolver com pessoas mal intencionadas para valorizar as bem intencionadas;
Foi preciso me relacionar com pessoas falsas para valorizar as verdadeiras;
Foi preciso machucar meus sentimentos para valorizar o amor verdadeiro.

Sid Aguiar

O Caráter Leal e Aprovado de Davi – I Samuel 24

Nós vemos no 24º capítulo de I Samuel, que Saul pensava que Davi não poderia escapar de modo algum de sua mão em En-Gedi, mas a providência de Deus fez com que ocorresse exatamente o oposto disto, pois foi ele quem veio a ficar à mercê das mãos de Davi, porque entrou sozinho numa caverna com o propósito de aliviar o ventre, e era justamente naquela caverna que Davi estava escondido com seus homens.
Mas Davi poupou a sua vida e apenas cortou a orla da veste de Saul, para lhe provar que tivera a sua vida ao alcance da sua mão e no entanto, não aproveitou a ocasião para matá-lo, pois sabia que isto não era para ser decidido por ele, senão pelo próprio Deus, que havia ungido a Saul como rei.
Davi teve discernimento suficiente para perceber que a profecia que lhe foi dirigida quanto ao fato de que Saul seria entregue em suas mãos para matá-lo, era uma profecia falsa, pois eis o teor das palavras que lhe foram ditas pelos seus homens na ocasião:
“Eis aqui o dia do qual o Senhor te disse: Eis que entrego o teu inimigo nas tuas mãos; far-lhe-ás como parecer bem aos teus olhos.” (v. 4).
Era uma profecia falsa porque Deus nunca agirá contra a verdade revelada na Sua Palavra.
Na Lei de Moisés está dito que nenhum israelita deveria agir contra o príncipe do seu povo. Ainda que se alguém viesse a fazê-lo, certamente não o estaria fazendo com a aprovação do Senhor, e também não seria isentado do seu juízo.
Foi por conhecer tal lei, que Paulo temeu quando disse ao sumo-sacerdote Ananias que Deus o feriria, e se desculpou por suas palavras, ainda que o sumo-sacerdote estivesse agindo de modo injusto mandando que batessem na boca do apóstolo (At 23.3-5), e as palavras que ele citou na ocasião para se justificar foi a sua ignorância de que ele era sumo-sacerdote, e citou a referida lei de Moisés que proibia qualquer ato desrespeitoso contra aqueles que fossem investidos por Ele em posição de autoridade: “Aos juízes não maldirás, nem amaldiçoarás ao governador do teu povo.” (Êx 22.28).
Assim, além do conhecimento que Davi tinha da Lei do Senhor, ele era um homem dirigido pelo Espírito Santo, e foi por esta intimidade com o Senhor e o conhecimento da Sua Palavra que ele pôde sentir o seu coração doer quando cortou o manto de Saul, quanto mais não sentiria a desaprovação de Deus se o matasse?
Para não errarmos nas coisas relativas a Deus é necessário tanto conhecer as Escrituras quanto o Seu poder.
Se a Lei de Moisés proibia o falar mal e o amaldiçoar o príncipe, quanto mais tirar-lhe a vida.
Este respeito exigido em relação às autoridades não foi mudado na dispensação da graça, conforme podemos ver nas palavras dos apóstolos Pedro (I Pe 2.13, 17,.18) e Paulo (Rm 13.1).
Acrescente-se a isto que caso Davi matasse Saul, em vez de ser conhecido como o rei heróico de Israel, que havia livrado seu povo várias vezes dos seus inimigos, Davi seria reconhecido como o rei traidor que matara o seu próprio soberano.
Então ele agiu debaixo da direção de Deus e sabiamente, quando disse a Saul as palavras dos versos 9 a 15, nas quais deixou bem claro, depois de ter prestado a devida reverência a Saul por ser o rei, que estava deixando o caso inteiramente nas mãos do Senhor, para que Ele julgasse entre Saul e ele, e que Ele o vingasse de todo o mal que estava recebendo de Saul, pois não seria a sua própria mão que seria contra o rei, e citou o provérbio dos antigos de que dos ímpios é que procede a impiedade, provavelmente insinuando que não ele, mas Saul estava agindo de modo ímpio porque não era um homem piedoso, mas tal jamais se veria nele, que perseguisse ou matasse a alguém por motivos ímpios, porque ele, Davi, era um homem piedoso, e a perseguição feroz e incansável que Saul empreendia contra ele tinha ainda o agravante de estar sendo feita contra alguém que não estava procurando fazer-lhe mal, e por isso Davi se comparou a um cão morto, e a uma pulga, pois que dano mortal ambos podem fazer a um homem?
E, deste modo, ele estava entregando a sua causa ao Senhor, para que fosse o seu juiz e advogado, de modo a livrá-lo da mão de Saul (v. 12-15).
O espírito imundo não estava atuando sobre Saul naquela hora e ele foi convencido naquele momento, que de fato estava pagando todo o bem que Davi lhe fizera com o mal, e então levantando a sua voz ele chorou e o chamando de meu filho declarou que Davi era mais justo do que ele, porque lhe havia recompensado com o bem, e ele lhe havia recompensado com o mal (v. 16,17), pois havia mostrado que era inocente perante ele e havia procedido bem, porque havendo Deus lhe entregado nas mãos de Davi ele não o matara (v. 18).
Saul reconhece que é agir contra a própria natureza terrena encontrar o inimigo e deixá-lo ir em paz, quando se poderia de algum modo prejudicá-lo (v. 19).
Então declarou que esperava que Deus pagasse a Davi pelo bem que lhe havia feito naquele dia, e que estava convicto, que de fato Davi haveria de reinar e que o reino de Israel haveria de ser firmar na sua mão (v. 19,20).
E para confirmar que era real esta certeza ele pediu a Davi que jurasse pelo Senhor, que não desarraigaria a sua descendência quando viesse a reinar e nem extinguiria o nome dele da casa de seu pai, não matando a todos os seus descendentes (v. 20, 21).
E Davi lhe jurou que o atenderia no que ele estava lhe pedindo (v. 21).
Deste modo, nós aprendemos deste capitulo, que o temor e o respeito devido àqueles que estão em posição de autoridade sobre nós, não significa que devemos silenciar diante das injustiças que estejam praticando.
Subserviência não é a submissão bíblica esperada por Deus de seus servos.
A submissão bíblica implica a presença da virtude da humildade, da moderação, mas não da covardia e da falta de ousadia, pois nos é dito pelo apóstolo que o espírito que temos recebido de Deus não é de covardia, mas de poder, de amor e de moderação (II Tim 1.7).
Podemos aprender muito do exemplo prático de Davi, que não agiu contra Saul, por motivo de covardia, e nem de falta de poder, mas porque era movido pelo amor de Deus, e pela moderação dos que são dirigidos pelo Espírito Santo.
A palavra para moderação no original grego é sofronismós, que significa prudência, disciplina própria, domínio próprio, prudência, moderação.
Nós vemos em Davi este equilíbrio entre coragem e domínio próprio ou moderação.
É isto que deve existir em todo verdadeiro cristão, para que não deixem de dar honra a quem é devido honra, mas que não deixem reprovar o mau comportamento destes a quem deve honra, por motivo de covardia.
Nós estamos fazendo este comentário para que se evite a todo custo uma falsa interpretação do que é autoridade espiritual e como se deve agir diante daqueles que estão investidos pelo próprio Deus de autoridade sobre nós, como era o caso de Saul em relação a Davi, porque ele estava reinando porque fora ungido por ordem de Deus para tal, e portanto, cabia ao próprio Deus e a nenhum homem de Israel decidir sobre a questão se Saul deveria ou não continuar reinando.
É comum que aqueles que estão investidos de autoridade façam uso do artifício da intimidação, de modo que os que estão debaixo do seu governo se sintam temerosos de emitir qualquer opinião contrária à deles, por um falso convencimento de que o ato de fazê-lo ainda que por amor à verdade e à justiça seria estar agindo contra Deus, que os colocou na posição de autoridade, em que eles se encontram.
Cada servo do Senhor deve manifestar a sua própria personalidade e firmeza para a glória de Deus, porque foram criados para tal propósito.
Eles não devem anular as próprias vontades e torcer até mesmo o direito para se colocarem debaixo da dependência total de outros homens, a pretexto do dever da obediência devida àqueles que os lideram.
Isto não tem nada a ver com a verdadeira obediência ou submissão, pois dependência demais não é bom, tanto quanto a independência também não o é.
Por isso a Bíblia fala em moderação, que significa evitar excessos, comportamentos extremos.
Se Davi se anulasse perante Saul a pretexto de uma obediência absoluta, ele não viria jamais a ser rei em Israel, e até mesmo poderia ser morto por ele.
Mas ele tinha personalidade o bastante para seguir a vontade de Deus, e não a mera vontade dos homens. E se o fizesse ele não estaria de modo nenhum agradando ao Senhor, que foi quem na verdade lhe havia ungido para ser o novo rei de Israel.
Assim, uma verdadeira atitude de rebeldia, de confrontação indevida da autoridade sempre deve ser medida pela identificação de um espírito atrevido e não moderado, de um espírito de desamor e não de amor.
Mas não se pode falar em rebeldia onde a virtude, o respeito e o amor prevalecem.
Não se pode falar de deslealdade onde se age em estrita obediência à vontade de Deus.
Deste modo, tal como Davi, devemos sempre pedir que seja o Senhor mesmo o juiz entre nós e aqueles que nos acusam de rebeldia, ou de qualquer outra falta que tenhamos convicção de que não esteja em nós, tal como fazia o apóstolo Paulo:
“1 Que os homens nos considerem, pois, como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.
2 Ora, além disso, o que se requer nos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel.
3 Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo.
4 Porque, embora em nada me sinta culpado, nem por isso sou justificado; pois quem me julga é o Senhor.
5 Portanto nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor.” (I Cor 4.1-4).
“Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.” (Gál 1.10).





“1 Ora, quando Saul voltou de perseguir os filisteus, foi-lhe dito: Eis que Davi está no deserto de En-Gedi.
2 Então tomou Saul três mil homens, escolhidos dentre todo o Israel, e foi em busca de Davi e dos seus homens, até sobre as penhas das cabras montesas.
3 E chegou no caminho a uns currais de ovelhas, onde havia uma caverna; e Saul entrou nela para aliviar o ventre. Ora Davi e os seus homens estavam sentados na parte interior da caverna.
4 Então os homens de Davi lhe disseram: Eis aqui o dia do qual o Senhor te disse: Eis que entrego o teu inimigo nas tuas mãos; far-lhe-ás como parecer bem aos teus olhos. Então Davi se levantou, e de mansinho cortou a orla do manto de Saul.
5 Sucedeu, porém, que depois doeu o coração de Davi, por ter cortado a orla do manto de Saul.
6 E disse aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, que eu estenda a minha mão contra ele, pois é o ungido do Senhor.
7 Com essas palavras Davi conteve os seus homens, e não lhes permitiu que se levantassem contra Saul. E Saul se levantou da caverna, e prosseguiu o seu caminho.
8 Depois também Davi se levantou e, saindo da caverna, gritou por detrás de Saul, dizendo: Ó rei, meu senhor! Quando Saul olhou para trás, Davi se inclinou com o rosto em terra e lhe fez reverência.
9 Então disse Davi a Saul: por que dás ouvidos às palavras dos homens que dizem: Davi procura fazer-te mal?
10 Eis que os teus olhos acabam de ver que o Senhor hoje te pôs em minhas mãos nesta caverna; e alguns disseram que eu te matasse, porém a minha mão te poupou; pois eu disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, porque é o ungido do Senhor.
11 Olha, meu pai, vê aqui a orla do teu manto na minha mão, pois cortando-te eu a orla do manto, não te matei. Considera e vê que não há na minha mão nem mal nem transgressão alguma, e que não pequei contra ti, ainda que tu andes à caça da minha vida para ma tirares.
12 Julgue o Senhor entre mim e ti, e vingue-me o Senhor de ti; a minha mão, porém, não será contra ti.
13 Como diz o provérbio dos antigos: Dos ímpios procede a impiedade. A minha mão, porém, não será contra ti.
14 Após quem saiu o rei de Israel? a quem persegues tu? A um cão morto, a uma pulga?
15 Seja, pois, o Senhor juiz, e julgue entre mim e ti; e veja, e advogue a minha causa, e me livre da tua mão.
16 Acabando Davi de falar a Saul todas estas palavras, perguntou Saul: E esta a tua voz, meu filho Davi? Então Saul levantou a voz e chorou.
17 E disse a Davi: Tu és mais justo do que eu, pois me recompensaste com bem, e eu te recompensei com mal.
18 E tu mostraste hoje que procedeste bem para comigo, por isso que, havendo-me o Senhor entregado na tua mão, não me mataste.
19 Pois, quem há que, encontrando o seu inimigo, o deixará ir o seu caminho? O Senhor, pois, te pague com bem, pelo que hoje me fizeste.
20 Agora, pois, sei que certamente hás de reinar, e que o reino de Israel há de se firmar na tua mão.
21 Portanto jura-me pelo Senhor que não desarraigarás a minha descendência depois de mim, nem extinguirás o meu nome da casa de meu pai.
22 Então jurou Davi a Saul. E foi Saul para sua casa, mas Davi e os seus homens subiram ao lugar forte.” (I Sm 24.1-22)

Silvio Dutra

O Caráter Reprovado de Saul – I Samuel 14

Saul pusera a sua confiança nos homens e não em Deus, e continuou fazendo isto, pois nós vemos a citação no final deste 14º capítulo de I Samuel, que estaremos comentando, que afirma que todo homem poderoso e valente que Saul via, ele o agregava a si (v. 52).
Este é o incorrigível Saul, que tendo escolhido 3.000 homens para o acompanharem aonde quer que fosse, é achado no início da narrativa deste capitulo com apenas 600 homens.
Os outros fugiram de medo dos filisteus e o abandonaram. E o que ele poderia fazer com este punhado de homens desarmados contra o poderoso exército dos filisteus, sem a fé de um Gideão e os seus trezentos?
Mas independentemente das loucuras de Saul, Deus mais uma vez assistiu os israelitas e lhes abençoou com a vitória, porque quando Ele intervém em favor do Seu povo, não é por haverem muitos ou poucos ao Seu lado, que Ele dá a vitória, como aprendemos do exemplo de Gideão, e da ação do próprio Jônatas, que destruiu a guarnição de filisteus de Gibeá, dizendo as seguintes palavras, que revelam a grande fé que Ele tinha em Deus: “operará o Senhor por nós, porque para o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos” (v. 6).
De igual modo na Igreja de Cristo as bênçãos determinadas por Deus continuam a ser derramadas pelo Espírito Santo ao seu povo, independentemente da insensatez de muitos dos seus líderes.
Caso os livramentos e bênçãos do Senhor dependessem da sabedoria e fidelidade plena dos que lideram a Igreja, de há muito ela já teria desaparecido da terra, e os cristãos teriam sido subjugados pelo reino das trevas, porque tanto os líderes, quanto o povo do Senhor, permanecem imerecedores dos Seus grandes livramentos, porque não se vê na maior parte dos cristãos o tanto da fidelidade que deveria haver neles.
Não que com isso o Senhor deixe de disciplinar, corrigir e sujeitar a juízos a muitos dentre os que andam desordenadamente na Sua presença, mas a história da Igreja tem testemunhado que a proteção da Igreja está debaixo inteiramente da Soberania e da misericórdia do Senhor e não a uma fidelidade completa do Seu povo, que como no dizer de Tiago, tropeça em muitas coisas.
Esta vitória dos israelitas sobre os filisteus, bem ilustra este ponto.
E eles só não tiveram uma vitória maior, por causa dos desatinos de Saul, que na sua precipitação colocou sob pena de anátema a todo aquele que comesse pão, antes dele subjugar inteiramente os seus inimigos.
Isto deu ocasião a que os guerreiros de Israel desfalecessem de fome e que o seu próprio filho Jônatas ficasse debaixo da maldição, que ele havia proferido, pois havia comido um pouco de mel, sem nada saber sobre a maldição que seu pai havia proferido.
Além disso, tal deliberação expôs o povo a comer carne com sangue, depois da batalha, em razão da grande extenuação em que se encontravam.
A medida que Saul tomou para impedir que continuassem comendo carne com o sangue, pode revelar aparentemente alguma forma de zelo dele pela Palavra de Deus, mas na verdade queria apenas se livrar de algum possível juízo da parte dEle, de maneira que não pudesse continuar prevalecendo contra os filisteus, conforme havia decidido fazer já a partir do cair da tarde daquele mesmo dia.
Não havia um real temor da Palavra do Senhor nele, porque cometeu dentre os erros que já citamos, mais o que é declarado neste capítulo, de ter decidido trazer a arca da aliança de Quiriate-Jearim para o campo de batalha, e isto lhe traria a mesma ruína que sucedeu ao povo de Israel nos dias de Eli, por cometerem tal erro.
Alguns mais sábios e prudentes do que ele decidiram não lhe dar ouvido e a arca permaneceu no mesmo lugar.
Ele queria usar, como os israelitas do passado, a arca como um talismã, tal como os pagãos fazem com os seus deuses.
Além disso, convocou para o campo de batalha o neto de Fineias, sobrinho de Icabode, que trazia na ocasião a estola sacerdotal em Siló.
Ele não percebeu que a glória do Senhor havia se retirado de Siló, e pouco se importou em dar honra ao Senhor, insistindo com Ele na restauração do culto do tabernáculo.
Mas agora, na sua costumeira precipitação e obstinação, decidiu agir seguindo os seus impulsos, e assim mesmo tenta obter uma resposta de Deus, se deveria ou não, continuar em perseguição aos filisteus.
O resultado, como era de se esperar, é que Deus não lhe deu nenhuma resposta através do neto de Fineias.
É bem provável que Deus não falaria com ele nesta ocasião, nem mesmo através de Samuel, pois já lhe havia rejeitado, como vimos no capítulo anterior.
Ele atribuiu apressadamente o fato de Deus não falar com ele, ao pecado praticado por alguém.
Ele procurou mais uma vez uma justificativa para o seu insucesso com o Senhor, e estava procurando um culpado.
Para que ficasse ainda mais atestada a sua loucura e insensatez, foi permitido pelo Senhor que o lançamento de sortes recaísse sobre Jônatas, de modo que a questão do anátema precipitado que ele proferira viesse à tona e se revelasse qual seria o seu comportamento em relação ao próprio filho.
De um homem que tinha sido ungido por Deus para reinar em Seu nome deveria se esperar coisas melhores, assim como estas são esperadas de verdadeiros cristãos, que levam sobre si o nome do Senhor (Hb 6.9).
O anátema não foi proferido em nome do Senhor e assim não tinha nenhuma obrigatoriedade de ser cumprido.
Saul poderia tê-lo revogado, e se arrependido de tê-lo proferido ao observar o grande dano que havia produzido em sua própria tropa.
Mas a sua vaidade não lhe permitiria isto, e então decidiu que o próprio filho deveria ser morto, e só não foi por causa do povo que intercedeu em seu favor.
Para acobertar o seu erro, demonstrou uma falsa piedade e zelo pelo Senhor, ordenando ao povo que não comesse mais carne com sangue, mas que os animais tomados em despojo dos filisteus fossem oferecidos em sacrifício no altar que mandou construir, de modo que não viessem a pecar comendo carne com sangue.
Saul é assim. Ele tenta nos confundir e enganar, mostrando ao mesmo tempo um zelo aparente por Deus, enquanto está lutando a todo custo pela sua própria honra pessoal, e para a preservação e engrandecimento do seu próprio nome e reputação.
Desta forma, não é para a honra dele, mas para exibir a grande misericórdia do Senhor, que estão registradas as palavras que nós lemos sobre as suas conquistas nos versos 47 e 48:
“47 Tendo Saul tomado o reino sobre Israel, pelejou contra todos os seus inimigos em redor: contra Moabe, contra os filhos de Amom, contra Edom, contra os reis de Zobá e contra os filisteus; e, para onde quer que se voltava, saía vitorioso.
48 Houve-se valorosamente, derrotando os amalequitas, e libertando Israel da mão dos que o saqueavam.”.
Uma tal citação não foi interpretada pelo autor de Hebreus como o resultado da fé e obediência de Saul, mas como pura misericórdia de Deus que havia determinado estender os termos de Israel já a partir dos seus dias para entregar o reino a Davi, que era um homem segundo o seu coração. Não é portanto de se admirar que apesar de a narrativa bíblica ser bastante longa em relação a Saul, que o seu nome não conste na galeria dos heróis da fé de Hebreus 11.
Na verdade, o seu nome não é citado em todo o Novo Testamento, senão em At 13.21, em profundo contraste com o de Davi, pois o que certamente a revelação divina queria destacar é este profundo contraste que há entre um ministro que é segundo o coração de Deus e aquele que não o é.




“1 Sucedeu, pois, um dia, que Jônatas, filho de Saul, disse ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição dos filisteus, que está do outro lado. Mas não o fez saber a seu pai.
2 Ora Saul estava na extremidade de Gibeá, debaixo da romeira que havia em Migrom; e o povo que estava com ele era cerca de seiscentos homens;
3 e Aíja, filho de Aitube, irmão de Icabô, filho de Fineias, filho de Eli, sacerdote do Senhor em Siló, trazia a estola sacerdotal. E o povo não sabia que Jônatas tinha ido.
4 Ora, entre os desfiladeiros pelos quais Jônatas procurava chegar à guarnição dos filisteus, havia um penhasco de um e de outro lado; o nome de um era Bozez, e o nome do outro Sené.
5 Um deles estava para o norte defronte de Micmás, e o outro para o sul defronte de Gibeá.
6 Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura operará o Senhor por nós, porque para o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.
7 Ao que o seu escudeiro lhe respondeu: Faze tudo o que te aprouver; segue, eis-me aqui, a tua disposição será a minha.
8 Disse Jônatas: Eis que passaremos àqueles homens, e nos descobriremos a eles.
9 Se nos disserem: Parai até que cheguemos a vós; então ficaremos no nosso lugar, e não subiremos a eles.
10 Se, porém, disserem: Subi a nós; então subiremos, pois o Senhor os entregou em nossas mãos; isso nos será por sinal.
11 Então ambos se descobriram à guarnição dos filisteus, e os filisteus disseram: Eis que já os hebreus estão saindo das cavernas em que se tinham escondido.
12 E os homens da guarnição disseram a Jônatas e ao seu escudeiro: Subi a nós, e vos ensinaremos uma coisa. Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Sobe atrás de mim, porque o Senhor os entregou na mão de Israel.
13 Então trepou Jônatas de gatinhas, e o seu escudeiro atrás dele; e os filisteus caíam diante de Jônatas, e o seu escudeiro os matava atrás dele.
14 Esta primeira derrota, em que Jônatas e o seu escudeiro mataram uns vinte homens, deu-se dentro de meia jeira de terra.
15 Pelo que houve tremor no arraial, no campo e em todo o povo; também a própria guarnição e os saqueadores tremeram; e até a terra estremeceu; de modo que houve grande pânico.
16 Olharam, pois, as sentinelas de Saul a Gibeá de Benjamim, e eis que a multidão se derretia, fugindo para cá e para lá.
17 Disse então Saul ao povo que estava com ele: Ora, contai e vede quem é que saiu dentre nós: E contaram, e eis que nem Jônatas nem o seu escudeiro estava ali.
18 Então Saul disse a Aíja: Traze aqui a arca de Deus. Pois naquele dia estava a arca de Deus com os filhos de Israel.
19 E sucedeu que, estando Saul ainda falando com o sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos filisteus ia crescendo muito; pelo que disse Saul ao sacerdote: Retira a tua mão.
20 Então Saul e todo o povo que estava com ele se reuniram e foram à peleja; e eis que dentre os filisteus a espada de um era contra o outro, e houve mui grande derrota.
21 Os hebreus que estavam dantes com os filisteus, e tinham subido com eles ao arraial, também se ajuntaram aos israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
22 E todos os homens de Israel que se haviam escondido na região montanhosa de Efraim, ouvindo que os filisteus fugiam, também os perseguiram de perto na peleja.
23 Assim o Senhor livrou a Israel naquele dia, e a batalha passou além de Bete-Aven.
24 Ora, os homens de Israel estavam já exaustos naquele dia, porquanto Saul conjurara o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão antes da tarde, antes que eu me vingue de meus inimigos. Pelo que todo o povo se absteve de comer.
25 Mas todo o povo chegou a um bosque, onde havia mel à flor da terra.
26 Chegando, pois, o povo ao bosque, viu correr o mel; todavia ninguém chegou a mão à boca, porque o povo temia a conjuração.
27 Jônatas, porém, não tinha ouvido quando seu pai conjurara o povo; pelo que estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, ao chegar a mão à boca, aclararam-se-lhe os olhos.
28 Então disse um do povo: Teu pai solenemente conjurou o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão hoje. E o povo ainda desfalecia.
29 Pelo que disse Jônatas: Meu pai tem turbado a terra; ora vede como se me aclararam os olhos por ter provado um pouco deste mel.
30 Quanto maior não teria sido a derrota dos filisteus se o povo hoje tivesse comido livremente do despojo, que achou de seus inimigos?
31 Feriram, contudo, naquele dia aos filisteus, desde Micmás até Aijalom. E o povo desfaleceu em extremo;
32 então o povo se lançou ao despojo, e tomou ovelhas, bois e bezerros e, degolando-os no chão, comeu-os com o sangue.
33 E o anunciaram a Saul, dizendo: Eis que o povo está pecando contra o Senhor, comendo carne com o sangue. Respondeu Saul: Procedestes deslealmente. Trazei-me aqui já uma grande pedra.
34 Disse mais Saul: Dispersai-vos entre e povo, e dizei-lhes: Trazei-me aqui cada um o seu boi, e cada um a sua ovelha e degolai-os aqui, e comei; e não pequeis contra e Senhor, comendo com sangue. Então todo o povo trouxe de noite, cada um o seu boi, e os degolaram ali.
35 Então edificou Saul um altar ao Senhor; este foi o primeiro altar que ele edificou ao Senhor.
36 Depois disse Saul: Desçamos de noite atrás dos filisteus, e despojemo-los, até o amanhecer, e não deixemos deles um só homem. E o povo disse: Faze tudo o que parecer bem aos teus olhos. Disse, porém, o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus.
37 Então consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei atrás dos filisteus? entregá-los-ás na mão de Israel? Deus, porém, não lhe respondeu naquele dia.
38 Disse, pois, Saul: Chegai-vos para cá, todos os chefes do povo; informai-vos, e vede em quem se cometeu hoje este pecado;
39 porque, como vive o Senhor que salva a Israel, ainda que seja em meu filho Jônatas, ele será morto. Mas de todo o povo ninguém lhe respondeu.
40 Disse mais a todo o Israel: Vós estareis dum lado, e eu e meu filho Jônatas estaremos do outro. Então disse o povo a Saul: Faze o que parecer bem aos teus olhos.
41 Falou, pois, Saul ao Senhor Deus de Israel: Mostra o que é justo. E Jônatas e Saul foram tomados por sorte, e o povo saiu livre.
42 Então disse Saul: Lançai a sorte entre mim e Jônatas, meu filho. E foi tomado Jônatas.
43 Disse então Saul a Jônatas: Declara-me o que fizeste. E Jônatas lho declarou, dizendo: Provei, na verdade, um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão; eis-me pronto a morrer.
44 Ao que disse Saul: Assim me faça Deus, e outro tanto, se tu, certamente, não morreres, Jônatas.
45 Mas o povo disse a Saul: Morrerá, porventura, Jônatas, que operou esta grande salvação em Israel? Tal não suceda! como vive o Senhor, não lhe há de cair no chão um só cabelo da sua cabeça! pois com Deus fez isso hoje. Assim o povo livrou Jônatas, para que não morresse.
46 Então Saul deixou de perseguir os filisteus, e estes foram para o seu lugar.
47 Tendo Saul tomado o reino sobre Israel, pelejou contra todos os seus inimigos em redor: contra Moabe, contra os filhos de Amom, contra Edom, contra os reis de Zobá e contra os filisteus; e, para onde quer que se voltava, saía vitorioso.
48 Houve-se valorosamente, derrotando os amalequitas, e libertando Israel da mão dos que o saqueavam.
49 Ora, os filhos de Saul eram Jônatas, Isvi e Malquisua; os nomes de suas duas filhas eram estes: o da mais velha Merabe, e o da mais nova Mical.
50 O nome da mulher de Saul era Ainoã, filha de Aimaaz; e o nome do chefe do seu exército, Abner, filho de Ner, tio de Saul.
51 Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
52 E houve forte guerra contra os filisteus, por todos os dias de Saul; e sempre que Saul via algum homem poderoso e valente, o agregava a si.” (I Sm 14.1-52)

Silvio Dutra

A Formação do Culto Misto dos Samaritanos – II Reis 17

Há um princípio no caráter de Deus que o leva a dar oportunidades àqueles que Ele sabe que melhorarão com o tempo, à medida que são submetidos progressivamente à ação da Sua graça, e nós vemos isto nas ações de Jesus em Seu ministério terreno, e do trabalho dEle na Sua Igreja.
Isto está ilustrado na parábola da figueira estéril à qual ele deu tempo e tratos culturais, para que viesse a frutificar, e que seria cortada somente se não respondesse de modo favorável à oportunidade que lhe estava sendo dada de frutificar.
Mas quando esta esperança foge totalmente, como foi o caso do Reino do Norte, e as pessoas se tornam como espinheiros, dos quais não se pode esperar nenhum fruto, o destino delas então é o de serem cortadas e queimadas em fogo inextinguível.
Os israelitas do Reino do Norte haviam se desviado de tal maneira do Senhor, e se entregaram tanto às práticas pagãs, que eles se degeneraram completamente e passaram a ser como qualquer uma das nações, que não conheciam a Deus, senão ainda piores do que elas.
Por isso, o Senhor os rejeitou de tal forma, que permitindo que fossem entregues nas mãos dos assírios, viriam a manter no esquecimento, a forma devida de se servir ao Senhor, em sua própria terra, porque foram espalhados por outras nações, vindo a assimilar com o passar dos anos a identidade cultural delas.
Mas, como em Judá ainda havia um remanescente fiel, o Senhor proveria um destino diferente para eles, pois ainda que sendo levados a partir de 605 a.C. até 586 a.C. para Babilônia, não somente os manteria reunidos numa só nação, onde receberiam um tratamento digno muito diferente do que havia sofrido Israel sob os assírios, e além disso, o Senhor não os deixou sem o ministério dos profetas em Babilônia, porque antes mesmo que toda a nação fosse levada para lá em cativeiro, Ele lhes enviou para estarem com eles os profetas Daniel (605 a. C.) e Ezequiel (597 a.C.), de modo que fossem curados de sua idolatria, e que achassem favor junto ao rei de Babilônia.
Deus amaldiçoou de tal forma a criação, depois que o pecado entrou no mundo, que desde então, para que o homem tenha verdadeira alegria e paz em sua alma, depende de recebê-las diretamente dEle, porque são tantas as pressões, decepções, perdas, fraquezas, perseguições e toda sorte de adversidades internas, inerentes à própria natureza terrena decaída; e externas, relativas ao mundo de pecado, que não poderá ter de modo algum um viver abençoado, se isto não lhe for concedido particularmente pelo Senhor.
Deste modo, tudo o que é adverso contribui para que se busque a Deus, para achar nEle graça e auxílio, de forma que se receba dEle descanso e paz para a alma.
Por isso, importa ter uma vida agradável ao Senhor, achegando-nos a Ele em inteira certeza de fé, por meio de um coração verdadeiro, purificado da má consciência, e o corpo lavado de toda impureza carnal por estar lavado com a água limpa da santificação do Espírito Santo (Hb 10.22), porque de outro modo não se pode privar da intimidade com Ele e das Suas bênçãos, porque Deus é totalmente santo e justo, a par de ser amoroso e misericordioso.
Então, como poderia Israel com seus grosseiros pecados não perdoados, pela falta de arrependimento deles, contar com as bênçãos do Senhor para sempre?
Eles seriam rejeitados por Deus do mesmo modo como lhe haviam rejeitado desprezando os Seus profetas, Seus mandamentos, a Sua Palavra.
O que sucedeu a eles é para a nossa própria advertência, de modo que não nos iludamos que podemos ter uma vida abençoada pelo Senhor vivendo da mesma maneira que eles viveram no passado, ou seja, sem que andemos em retidão na Sua presença, por não procurarmos fazer aquilo que Lhe é agradável, não pelo que julguemos que Lhe seja agradável, mas consoante uma firme perseverança em obedecer a tudo que nos tem ordenado em Sua Palavra.
A expulsão de Israel da terra da promessa é uma ilustração da nossa própria expulsão da comunhão com o Senhor, se não praticarmos o que é reto aos Seus olhos.
Não importa a beleza dos cultos que Lhe prestamos, a suntuosidade dos nossos templos, a afinação dos louvores que Lhe entoamos, se não prezamos e guardamos os Seus mandamentos, por um andar no Espírito Santo, produzindo no nosso coração o Seu fruto no nosso viver diário.
Este 17º capítulo de II Reis descreve o motivo dos israelitas terem sido expulsos da sua terra pelo Senhor, e como ela passou a ser habitada por povos que não O conheciam, e que misturaram as suas práticas de adoração pagã com algumas das prescrições da Lei de Moisés, que lhes foram ensinadas por um sacerdote de Israel, que foi trazido de volta do cativeiro, especialmente para tal propósito (v. 28), porque julgavam que os leões, que haviam ocupado a terra que fora deixada desocupada dos seus habitantes, por causa do cativeiro, estavam atacando os seus novos habitantes porque isto deveria ser um juízo do Deus daquela terra por não estar sendo também cultuado por eles, e como esta gente não conhecia ao Senhor, como os próprios israelitas, que haviam virado as Suas costas para Ele, ignoravam que Deus exige um culto exclusivo dos Seus servos, e que é uma maior abominação para Ele ser colocado ao lado de outros deuses do que não receber qualquer tipo de adoração, porque esta mistura do que é frio com o que é quente produz a mornidão que O leva a nos expulsar da Sua boca.
É então melhor ser frio não conhecendo as coisas que são devidas ao Senhor, do que conhecê-las e permitir que a adoração que é devida exclusivamente a Ele seja mesclada com a adoração de outros deuses ou com práticas mundanas.
Na própria Lei Ele nos adverte que não terá por inocente a todo aquele que tiver outros deuses diante dEle.
Então, em vez de verdadeira adoração o que eles tinham era uma superstição.
E este seu culto mesclado prosseguiu até os dias do ministério terreno do Senhor Jesus, porque no tempo de Alexandre, o Grande, um sacerdote de Judá, unido aos samaritanos edificou o templo do monte Gerizim, alegando que fora ali que Abraão tinha levado Isaque quando tivera a Sua fé provada por Deus, e baseavam a sua religião somente no Pentateuco, rejeitando o restante do Antigo Testamento, e apesar de guardarem o sábado, as festas e a circuncisão, deles falou o Senhor Jesus que não conheciam o que adoravam (Jo 4.22).
Por isso se diz destas pessoas que passaram a habitar nos territórios desocupados de Israel o que nós lemos no verso 41:
“Assim estas nações temiam ao Senhor, mas serviam também as suas imagens esculpidas; também seus filhos, e os filhos de seus filhos fazem até o dia de hoje como fizeram seus pais.”.
Desta forma, os israelitas que haviam sido deixados em Israel, quando seus irmãos foram levados pela Assíria, seguiram este culto misto e não se arrependeram de suas antigas más obras, apesar de todos os juízos que o Senhor trouxera sobre Israel (v. 34 a 40).



“1 No ano duodécimo de Acaz, rei de Judá, começou a reinar Oseias, filho de Elá, e reinou sobre Israel, em Samaria nove anos.
2 E fez o que era mau aos olhos do Senhor, contudo não como os reis de Israel que foram antes dele.
3 Contra ele subiu Salmanasar, rei da Assiria; e Oseias ficou sendo servo dele e lhe pagava tributos.
4 O rei da Assíria , porém, achou em Oseias conspiração; porque ele enviara mensageiros a Sô, rei do Egito, e não pagava, como dantes, os tributos anuais ao rei da Assíria; então este o encerrou e o pôs em grilhões numa prisão.
5 E o rei da Assíria subiu por toda a terra, e chegando a Samaria sitiou-a por três anos.
6 No ano nono de Oseias, o rei da Assíria tomou Samaria, e levou Israel cativo para a Assíria; e fê-los habitar em Hala, e junto a Habor, o rio de Gozã, e nas cidades dos medos.
7 Assim sucedeu, porque os filhos de Israel tinham pecado contra o Senhor seu Deus que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mãe de Faraó, rei do Egito, e porque haviam temido a outros deuses,
8 e andado segundo os costumes das nações que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel, e segundo os que os reis de Israel introduziram.
9 Também os filhos de Israel fizeram secretamente contra o Senhor seu Deus coisas que não eram retas. Edificaram para si altos em todas as suas cidades, desde a torre das atalaias até a cidade fortificada;
10 Levantaram para si colunas e aserins em todos os altos outeiros, e debaixo de todas as árvores frondosas;
11 queimaram incenso em todos os altos, como as nações que o Senhor expulsara de diante deles; cometeram ações iníquas, provocando à ira o Senhor,
12 e serviram os ídolos, dos quais o Senhor lhes dissera: Não fareis isso.
13 Todavia o Senhor advertiu a Israel e a Judá pelo ministério de todos os profetas e de todos os videntes, dizendo: Voltai de vossos maus caminhos, e guardai os meus mandamentos e os meus estatutos, conforme toda a lei que ordenei a vossos pais e que vos enviei pelo ministério de meus servos, os profetas.
l4 Eles porém, não deram ouvidos; antes endureceram a sua cerviz, como fizeram seus pais, que não creram no Senhor seu Deus;
15 rejeitaram os seus estatutos, e o seu pacto, que fizera com os pais deles, como também as advertências que lhes fizera; seguiram a vaidade e tornaram-se vãos, como também seguiram as nações que estavam ao redor deles, a respeito das quais o Senhor lhes tinha ordenado que não as imitassem.
16 E, deixando todos os mandamentos do Senhor seu Deus, fizeram para si dois bezerros de fundição, e ainda uma Asera; adoraram todo o exército do céu, e serviram a Baal.
17 Fizeram passar pelo fogo seus filhos, suas filhas, e deram-se a adivinhações e encantamentos; e venderam-se para fazer o que era mau aos olhos do Senhor, provocando-o à ira.
18 Pelo que o Senhor muito se indignou contra Israel, e os tirou de diante da sua face; não ficou senão somente a tribo de Judá.
19 Nem mesmo Judá havia guardado os mandamentos do Senhor seu Deus; antes andou nos costumes que Israel introduzira.
20 Pelo que o Senhor rejeitou toda a linhagem de Israel, e os oprimiu, entregando-os nas mãos dos despojadores, até que os expulsou da sua presença.
21 Pois rasgara Israel da casa de Davi; e eles fizeram rei a Jeroboão, filho de Nebate, o qual apartou Israel de seguir o Senhor, e os fez cometer um grande pecado.
22 Assim andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha cometido; nunca se apartaram deles;
23 até que o Senhor tirou Israel da sua presença, como falara por intermédio de todos os seus servos os profetas. Assim foi Israel transportado da sua terra para a Assíria, onde está até o dia de hoje.
24 Depois o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria em lugar dos filhos de Israel; e eles tomaram Samaria em herança, e habitaram nas suas cidades.
25 E sucedeu que, no princípio da sua habitação ali, não temeram ao Senhor; e o Senhor mandou entre eles leões, que mataram alguns deles.
26 Pelo que foi dito ao rei da Assíria: A gente que transportaste, e fizeste habitar nas cidades de Samaria, não conhece a lei do deus da terra; por isso ele tem enviado entre ela leões que a matam, porquanto não conhece a lei do deus da terra.
27 Então o rei da Assíria mandou dizer: Levai ali um dos sacerdotes que transportastes de lá para que vá e habite ali, e lhes ensine a lei do deus da terra.
28 Veio, pois, um dos sacerdotes que eles tinham transportado de Samaria, e habitou em Betel, e lhes ensinou como deviam temer ao Senhor.
29 Todavia as nações faziam cada uma o seu próprio deus, e os punham nas casas dos altos que os samaritanos tinham feito, cada nação nas cidades que habitava.
30 Os de Babilônia fizeram e Sucote-Benote; os de Cuta fizeram Nergal; os de Hamate fizeram Asima;
31 os aveus fizeram Nibaz e Tartaque: e os sefarvitas queimavam seus filhos no fogo e a adrameleque e a Anameleque, deuses de Sefarvaim.
32 Temiam também ao Senhor, e dentre o povo fizeram para si sacerdotes dos lugares altos, os quais exerciam o ministério nas casas dos lugares altos.
33 Assim temiam ao Senhor, mas também serviam a seus próprios deuses, segundo o costume das nações do meio das quais tinham sido transportados.
34 Até o dia de hoje fazem segundo os antigos costumes: não temem ao Senhor; nem fazem segundo os seus estatutos, nem segundo as suas ordenanças; nem tampouco segundo a lei, nem segundo o mandamento que o Senhor ordenou aos filhos de Jacó, a quem deu o nome de Israel,
35 com os quais o Senhor tinha feito um pacto, e lhes ordenara, dizendo: Não temereis outros deuses, nem vos inclinareis diante deles, nem os servireis, nem lhes oferecereis sacrifícios;
36 mas sim ao Senhor, que vos fez subir da terra do Egito com grande poder e com braço estendido, a ele temereis, a ele vos inclinareis, e a ele oferecereis sacrifícios.
37 Quanto aos estatutos, às ordenanças, à lei, e ao mandamento, que para vós escreveu, a esses tereis cuidado de observar todos os dias; e não temereis outros deuses;
38 e do pacto que fiz convosco não vos esquecereis. Não temereis outros deuses,
39 mas ao Senhor vosso Deus temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos.
40 Contudo eles não ouviram; antes fizeram segundo o seu antigo costume.
41 Assim estas nações temiam ao Senhor, mas serviam também as suas imagens esculpidas; também seus filhos, e os filhos de seus filhos fazem até o dia de hoje como fizeram seus pais.” (II Rs 17.1-41).

Silvio Dutra

O ouropel

Seja você mesmo acima de tudo. Seu caráter deverá ser único e verdadeiro, do contrário não será caráter. Simplesmente haja de forma natural.
Dê um firme e esmagante aperto de mão a quem você considera, não deixe faltar o olhar sincero, e tudo isso virá acompanhado de você com a cabeça ereta, erguida, demonstrando o seu CARÁTER.
Não tente mostrar a ninguém um "brilho" que você não possui, não tente se passar por ouro se você é apenas um ouropel.

Jovemjoviano

Um Amor de Caráter Espiritual e Vital



O amor que une o crente a Cristo não é de caráter meramente sentimental. Na verdade o sentimento de afeição é apenas uma das muitas formas de expressão do caráter desse amor que é de cunho eminentemente espiritual e vital.
Assim como uma pessoa ama os membros de seu corpo e deles cuida, não por sentimento, mas por serem parte essencial de sua própria vida, de igual modo, Cristo nos ama como membros de seu corpo, e nós também o amamos nesta relação vital por ser ele a nossa cabeça, que nos dirige e mantém vivos e operantes.
Daí se afirmar em Romanos 8 que nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, uma vez que estamos ligados vitalmente a ele.
Quem jamais deixou de amar os membros de seu corpo e de cuidar deles? Qual membro, que estando sadio, jamais deixou de servir à cabeça que o governa?
E tudo isto é feito de forma voluntária e prazerosa, e não como por obrigação.
Evidentemente que não se pode experimentar isto com a nossa velha natureza terrena, e por isso esta necessita ser crucificada, juntamente com Cristo, pela negação do ego carnal, para que possamos ser novas criaturas, com uma nova natureza espiritual e divina que recebemos do Alto, pela habitação do Espírito Santo em nós.
É a nova criatura que se deleita neste amor e relação vital com o seu Senhor, enquanto a carne (velho homem) continua se opondo à sua vontade, e portanto, necessitamos nos despojar dele mais e mais, para que sejamos revestidos do novo homem, pelo processo da santificação.
Por isso nosso Senhor apontou o ato de guardar os seus mandamentos como sendo a grande evidência e prova do nosso amor por ele, porque é impossível que seja assim, quando não se possui a nova natureza recebida do Espírito Santo, e não se anda segundo a mesma, porque somente esta tem prazer nos mandamentos de Deus, João 14.15,21.

Silvio Dutra

O meu parabéns hoje vai para você

Que zela pelo seu caráter e bom senso
Que não se deixa corromper por nenhuma situação ou circunstância ruim
Que discorda de coisas que destroem, lares, pessoas, amizades, famílias e sentimentos
Que se valoriza e não se presta ao papel decadente de ser a outra, e sim a única
Que não aceita viver de restos, de tempo, de dias, de pessoas e de amor
Que luta até o fim por tudo e todos que ama
Que se preocupa em não prejudicar seja lá quem for ou o que for
Que é força e coragem em tempos difíceis
Que é exemplo de fé em dias cinzentos
Que é mãe, amiga, esposa, avó e diva

Pra você mulher de verdade é dedicado este dia.

Parabéns!!!!!!

Zu Kawaguchi

CONHECER-SE.

Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente.
Sou isso hoje...
Amanhã, já me reinventei.
Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.
Sou complexo, sou mistura, sou homem com alma de menino... E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar...
Não me doo pela metade, não sou teu meio amigo nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou bobo, mas não sou burro. Ingênuo, mas não santo. Sou pessoa de riso fácil...e choro também! Portanto, sou sempre o que sou e não o que dizem. Faço amizades com pouca facilidade e amigo pra mim é joia rara, mas não subestime meu bem querer, pois se me decepciona não confio outra vez. Para mim a riqueza é supérflua, o orgulho é insignificante e a vaidade consome quem a sente. A vida é plena, é bela, é sábia e não joga nunca para perder, portanto devemos aproveitar a cada momento não como se fosse o último, mas como único.

Sol Lima- Acrelândia

Ser cheio do Espírito Santo é ser imagem e semelhança de Cristo em caráter. É ser alguém que transborda em FRUTOS DO ESPÍRITO, e não que emana poderes.
Dos dons do Espírito que anda em escassez é o AMOR. Os demais, vemos por aí sendo banalizados e comercializados em diversos templos, por líderes vazios dos frutos de DEUS e cheios de unção do espírito de mamom.

Ket Antonio