Texto Antigamente

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MASCARADA
Você me conhece?
(Frase dos mascarados de antigamente)

- Você me conhece?
- Não conheço não.
- Ah, como fui bela!
Tive grandes olhos,
que a paixão dos homens
(estranha paixão!)
Fazia maiores...
Fazia infinitos.
Diz: não me conheces?
- Não conheço não.

- Se eu falava, um mundo
Irreal se abria
à tua visão!
Tu não me escutavas:
Perdido ficavas
Na noite sem fundo
Do que eu te dizia...
Era a minha fala
Canto e persuasão...
Pois não me conheces?
- Não conheço não.
- Choraste em meus braços
- Não me lembro não.

- Por mim quantas vezes
O sono perdeste
E ciúmes atrozes
Te despedaçaram!

Por mim quantas vezes
Quase tu mataste,
Quase te mataste,
Quase te mataram!
Agora me fitas
E não me conheces?

- Não conheço não.
Conheço que a vida
É sonho, ilusão.
Conheço que a vida,
A vida é traição.

Manuel Bandeira

Antigamente, quando ficava triste, eu queria que a alegria viesse em meu socorro em minutos, como se ela fosse a próxima estação do metrô. Não queria atravessar ruas desertas, pontes frágeis, transversais melancólicas, não queria percorrer um trajeto longo até conquistar um estado de espírito melhor. Queria transformação imediata: da estação Tristeza para a estação Hip-Hip-Hurra, sem escala e sem demora.
Eu era ingênua em acreditar que poderia governar meus sentimentos. Como se fosse possível passar por estações deprimentes sem as ver, deixá-las para sempre presas no underground e saltando nas estações que interessam: Euforia, Segurança, Indepêndencia. Os pontos turísticos mais procurados.
Viver é uma caminhada e tanto, não tem essa colher de chá de selecionar onde descer. É preciso passar por tudo: pelo desânimo, pela desesperança, pela sensação de fracasso e fraqueza, até que a gente consiga chegar a uma praça arborizada onde iniciam outras dezenas de ruas, outras tantas passagens, e a gente segue caminhando, segue caminhando.
Locomover-se desse jeito é cansativo e lento, mas sei que não existe outra maneira consciente de avançar. Metrôs oferecem idas e vindas às cegas. Mantém nossas evoluções escondidas no subterrâneo. A gente não consegue enxergar o que há entre um desgosto e um perdão, entre uma mágoa e uma gargalhada, entre o que a gente era e o que a gente virou.
Não tem sido fácil, mas sinto orgulho por ter aprendido a atravessar, em plena luz do dia, o que em mim é sombrio e intricado. Não me economizo mais. Me gasto.

Martha Medeiros

"Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.

Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.

Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor."

Do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 112, extraímos o texto acima.

Rubem Braga

Antigamente quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia:
"Ele é uma criança, não entende nada"
Por dentro eu ria, satisfeito e mudo
Eu era um homem e entendia tudo.

Hoje só com meus problemas,
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem quando fico sério:
"Ele é um homem e entende tudo"
Por dentro com a alma atarantada
Sou uma criança, não entendo nada.

Erasmo Carlos e Roberto Carlos

Muito antigamente a gente era feliz, eu sonhava com uma cabana numa praia deserta e você deitado numa rede tomando água de coco. Hoje não tenho mais sonhos, nem praia, nem rede nem agua nenhuma. Hoje só a desilusão me açoita todos os dias por eu ter sonhado um sonho que era mesmo somente um sonho e nunca foi verdade.
A vida acaba quando os sonhos se vão. Enquanto os sonhos fazem parte da nossa vida, há esperanças, quando não, há tormentas e arrependimentos. Hoje você me conhece mais do que nunca e vive me dizendo que estou diferente como quem não gosta do que vê. Que pena meu amor, porque meus olhos pararam no tempo e nunca te vi diferente do dia em que te conheci. Mas, com toda essa névoa que cobre nossas vidas, tenho deixado de ver teu ser como era antes e deixado de pensar como pensava antes e deixado de acreditar no que acreditava antes. Hoje, nem mesmo sei quem sou, para que vivo e por que. Sente o que eu sinto? Não sei mais se sente mesmo ou... Deixar a vida me levar, é o que eu faço hoje, deixo sempre as coisas acontecerem como devem acontecer. Interferir nos planos da vida não está nos meus planos mais. Vou seguir sentindo,pensando em tudo o que ja vivi mas sem sonhar.Sonhos são para aqueles que ainda acreditam que felicidade existe!(05/10/2010)

Silvia Aparecida Maia

A bola nova
Essa bola amarela, não sei não. Antigamente as bolas de futebol tinham a cor do couro com que eram feitas. Pintadas de branco, só em jogo noturno. Lembro do meu espanto ao saber que, em cada jogo oficial de campeonato usavam uma bola nova, o que me levava a sonhar com montes de bolas usadas uma vez só, estocadas em algum lugar. Uma visão do paraíso. E era uma bola por partida, substituída, com autorização do juiz, apenas em caso de perda de esfericidade, o nome científico de murchamento. Isto significava que quando a bola espirrava para fora do campo, era devolvida pelo público para que o jogo pudesse continuar. A bola era devolvida pelo público! Talvez nada na nossa história recente tenha a importância simbólica deste fato: no tempo da Número 5 cor de couro a torcida devolvia a bola. Se a bola demorasse a voltar para o campo havia manifestações de impaciência e quem a retivesse - só por farra, ninguém era ladrão - era hostilizado pelos outros torcedores. Não se sabe se a torcida passou a ficar com a bola quando começaram a usar várias por partida ou se foi algo na nossa alma que mudou. Há quem atribua a uma reversão dos pólos magnéticos da Terra lá pelos anos 40 e 50 a deterioração do caráter do brasileiro. Não sei. Seja como for, uma das suas primeiras manifestações foi não devolverem mais a bola.
Ela era branca só em jogo noturno porque ajudava a visibilidade, até se darem conta de que o branco também favoreceria a visibilidade de dia, pois seu contraste com o verde do gramado era maior do que o do marrom. Agora houve um retrocesso. A cor da nova bola não é marrom, é amarelo cocô-de-criança. Os goleiros estão se queixando de que ela é mais difícil de pegar, mas talvez estejam só com nojo. O contraste com o verde decididamente piorou. Não demora aparecer uma teoria conspiratória alegando que a troca foi para atrapalhar o Brasil na Copa deste ano. Um reconhecimento de que o Brasil era imbatível com a bola antiga, o campeão definitivo da bola branca. Como todos estranharão a bola nova da mesma maneira, estaria começando outra era com tudo reequilibrado, e com chance até para Trinidad-Tobago.

Além da bola, o Brasil precisará se preocupar com a soberba. O clima nacional está um pouco como o de 82, lembra? Aquele time que foi para a Copa da Espanha, com Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico, Eder, também não podia perder para ninguém, com qualquer bola. Nos anais da Fifa não consta, mas quem ganhou aquela Copa foi a Soberba. Vai ser nosso principal inimigo na Alemanha.

Luis Fernando Veríssimo

Antigamente, quando eu queria saber se alguém tava amando, eu perguntava se ela tinha vontade de ficar com mais alguém. Se não tivesse, estava amando, eu concluia. Até que o amor percebeu minha inexperiência e resolveu me ensinar que é muito mais que isso. É você querer ficar com outra pessoa pra esquecer quem você ama e comparar cada gesto, sentir falta de cada defeito. É o pensamento monopolizado, o frio na barriga só de ver a foto. É se sentir ridícula ensaiando mil maneiras de parecer fria e, no fim, ser toda atenção e carinho do mundo. É perdoar, entender, se preocupar. Priorizar o outro e as prioridades dele, se doar sem pensar em reciprocidade. Amar alguém é se amar menos. Lindo, mas no momento eu quero meu amor só pra mim. Porque a vida também andou me ensinando, me fez entender que pra ter um amor saudável, é preciso um amor-próprio inabalável. Se não, dói. Então deixa eu me amar, deixa eu me recuperar, deixa eu parar de associar amor com dor. Aproveita e se ama também!

Marcella Fernanda

Ser reconhecido me deixava muito animado antigamente. Acontecia muito quando eu estava andando por Los Angeles. Uma vez parei em um farol e ouvi: ‘Ei, cara!’ Isso te assusta muito. Olhei para o lado e haviam quatro caras em um picape mostrando o dedo do meio para mim! Fiquei muito cansado de coisas assim acontecerem, então parei de prestar atenção nas pessoas ao meu redor.

slash

Reencontra-la me fez lembrar de antigamente.. dos sonhos que tinha... do nosso futuro casamento.. da nossa futura família... do nosso futuro.
Hoje ao revê-la matei a saudade que tinha, e dei vida a sua imagem que antes estava perdida em mim.
Recordei quão bom era estar perto de você e quão distante estou daqueles sonhos...
Incrível como tudo continua igual:
Seu sorriso, sua voz, seu olhar..
nossa amizade, nossa sincronia
minha esperança, meu amor...

Reencontrei, pois, meu anjo, minha chama, meu amor platônico ..
Você: Aquela que um dia foi a mãe dos meus filhos.

Roberto Oliveira

A solidão rodeava meus sonhos, dias de sol já não eram belos como antigamente, quase nada já me fazia sentido. Talvez pelo fato de não ter mais alguém do meu lado, me acostumei em sempre ter, acabei caindo na pior das ciladas , a armadilha da rotina. Que faz você sonhar com outros mundos, outras pessoas outras vidas. Sem perceber te perdi, já não havia mais a minha rotina, porem a solidão e a dor de não te ter ao lado, tomou conta de mim, me fez refém dos meus próprios erros, da minha própria decisão.
Passei a não olhar mais como olhava. Tranquei-me,Com medo de sofrer tudo de novo, com medo de errar como errei, com medo de assumir algo que é digno de ser sofrido. Essa coisa de amar é tão louca de se pensar, essa coisa de querer e a dor de não poder ter. Mais sinto que algo mudou, sinto já não sentir dor. Sinto que já me recuperei, eu falava “jamais amarei”. Ate que um momento, um acontecimento, as coisas já não faziam mais sentido, aquela dor que temia sentir já não era obstáculo, sem explicação, sem tradução, sentia a sensação, como na primeira atração, não entendendo meu coração. Poderia ser traição? Refém da minha própria emoção. Você apareceu e tornou tudo diferente, me fez olhar o mundo de novo como uma criança no parque de diversões, me fez sentir vontade de querer gritar igual um louco, curou minhas magoas. Agora posso ver que sou capaz de amar novamente, agora posso sentir que o amor não é apenas um retrato da felicidade de uma pessoa, mais que o amor pode surgir em cada sorriso não reparado, de um abraço apertado, da vontade de estar ao seu lado. Mesmo que não de certo, mesmo que não fica por perto, eu sempre serei grato, pois agora vejo o que é de fato. O amor não tem explicação sentido ou razão. É o combustível da vida, o que faz e motiva, sem amor nada dura, não tem graça, se satura.

Evandro Cruz

Amor de antigamente

Hoje você jura amor eterno, amanhã não me olha nos olhos, semana que vem você encontrará um novo “amor” e provavelmente depois de chorar muito eu ficarei bem.
Hoje em dia “eu te amo” virou bom dia, boa tarde, bons sonhos ou até mesmo alô como vai? Desculpe-me a sinceridade, quem sabe a petulância, mas qual é o significado do amor? Prefiro não ouvir um “eu te amo” por toda a vida, do que ouvir um falso “eu te amo” todos os dias.
Eu espero amar alguém e sentir reciprocidade nisso, quero passear de mãos dadas quem sabe usar aliança de compromisso, mas sentir aquele frio na barriga, quero olhar nos olhos desse alguém e saber que ali há amor e que isso não precisa ser dito várias vezes ao dia. Eu não quero frases decoradas nem palavras repetidas, eu quero sinceridade. Mas vale um não agradável do que um sim falso. Atualmente tudo está tão monótono que uma prova de amor se resume numa atualização de status numa determinada rede social, expondo uma felicidade que não existe, ou melhor, um amor que não existe.
Tudo isso me faz crer que nasci no tempo errado. Queria ser do tempo em que uma serenata embaixo da janela era declaração de amor, que versos e poesias eram feitas descendentes de um sentimento real. Queria poder acreditar nas pessoas. Queria alguém que me convidasse pra jantar sem outras intenções e não aquele que avisa da balada do fim de semana, queria uma companhia agradável para ver um bom filme num sábado à noite. Eu queria mais simplicidade e menos aparência. Eu queria ouvir a melodia de uma música no violão vendo o pôr do sol, eu queria que o amor fosse o amor de antigamente.
Então eu acordei.

Carlos almeida

Antigamente , eu tinha uma útopia
Acreditava que Natureza preserveda seria
E o Pantanal e a Amazonia
Reservas indigenas seriam um dia
Protegidas e respeitadas, pelo imenso valor
Mas olhando para realidade, o que sinto é dor
Cercas de arame farpado por todos os lados
Centenas de animais silvestres atropelados
Aumento populacional, queimadas e pastos
Plantações de eucaliptos e canaviais
É a ganância humana incentivando essas praticas mortais
Só me resta manter a esperança
Na profecia que conheço desde criança
Não tardará a terrivel vingança
Chegará o juizo final
Deste belíssimo planeta será extirpado todo o mal
Haverá um novo começo
Novo céu, nova terra, sangue inocente foi o preço
Somente esta certeza me conforta
Apesar de tudo o Amor vencerá
E isto é o que realmente importa

AdrianaPatrocinio

...E era tudo como antigamente
o que ansiosamente nós buscávamos
porque de antigamente nos nutríamos
e só
em antigamente
encontrávamos.

E assim buscando um tempo que ficara
(aprisionando mãos palavras sonhos)
e quanto nós quiséramos / amávamos
reinventando tudo como antigamente..."

Carminha Barreto Campello

Antigamente crianças brincavam
Hoje... extravasam
E se acabam
Pelos olhos inocentes
Que desabam...

Brincam de bonecas de carne e osso
Corda no pescoço
De quem vive com tamanho esforço
Calabouço
Pra quem se sente solto...

Falta de informação
Não há...
O que está errado
É quem esta dando o recado!

Idéias distorcidas na musica
A cultura
O que era uma alma pura
Vive suja
Na sociedade que julga
Enquanto os culpados estão em constante fuga
Existe cura ?

Gabriella Myiazaki

Antigamente eu sonhava em ser astronauta,mais depois percebe que não precisaria ir para o espaço para ver uma estrela,era apenas olhar nos seus olhos.
Antigamente eu sonhava em ser herói,agora que te conheci você me torno um,deu um poder que move tudo o ”amor”

Antigamente eu sonhava várias coisas,depois que te conheci vi que não era necessária várias coisas apenas um beijo seu e o seu sorriso lindo,afinal quem sente falta de coisas quando tem o mundo nos braços?

Luan Cunha

Uma frase idiota, mas o pior que tem fundamento:
"Antigamente mulher gostava de cara que era cavalheiro, educado, romântico, carinhoso. Depois, passou a gostar de cara que se mostrava, que lutava JIU JITSU... Agora a moda é KARATÊ! O kara-tê dinheiro, o kara-tê carro, o kara-tê fama, o kara-tê peitoral definido..."

Vanessa Pimentel

Não Espere Novas Revelações



1. “Havendo Deus, antigamente, falado.” (Hb 1.1-3)

O propósito desta introdução consiste no enaltecimento da doutrina de Cristo. Aqui aprendemos não só que devemos receber essa doutrina com reverência, mas também que devemos repousar exclusivamente nela. Para que se entenda melhor esse fato, é indispensável que observemos a antítese das cláusulas em separado. Em primeiro lugar, o Filho de Deus é contrastado com os profetas; em segundo lugar, nós, com os patriarcas; em terceiro lugar, as variadas e múltiplas formas de expressão que Deus adotou em relação aos pais, até chegar à última revelação que nos é comunicada por Cristo. Não obstante, dentro dessa diversidade o autor põe diante de nós o Deus único, no caso de alguém concluir que a lei está em divergência com o evangelho, ou que o autor deste seja distinto do autor daquela. Portanto, para que pudéssemos apreender o ponto crucial desse contraste, o seguinte confronto poderá servir de ilustração:
Deus falou
Outrora, pelos profetas: agora, pelo Filho.
Então, aos pais: agora, a nós.
Antes, diversas vezes: agora, nestes últimos dias.
Com o assentamento desse alicerce, a concordância entre a lei e o evangelho é estabelecida, porque Deus, que é sempre o mesmo, cuja Palavra é imutável e cuja verdade é inabalável, falou em ambos igualmente. É preciso, contudo, que observemos a diferença entre nós e os patriarcas, visto que Deus se dirigiu a eles no passado de uma forma diferenciada de nós hoje. Primeiramente, nos tempos dos patriarcas ele se utilizou dos profetas; no tocante a nós, porém, ele nos deu seu próprio Filho como Embaixador. Nesse aspecto, portanto, nossa condição é muito melhor. Além do mais, Moisés se acha incluído na categoria de profeta, como um daqueles que são inferiores ao Filho. E pela forma como se processou a revelação, também estamos em melhor situação, pois a diversidade de visões e de outras administrações que existiram no Velho Testamento evidenciava que não havia ainda uma ordem definida e definitiva de fatos, tal como sucede quando tudo se acha perfeitamente estabelecido. Esse é o significado da frase "diversas vezes e de diversas maneiras". Deus poderia ter seguido o mesmo método perenemente até ao fim, se tal método houvera sido perfeito em todos os sentidos. Segue-se, pois, que essa variedade constituía um sinal de imperfeição. Além do mais, tomo essas duas palavras no seguinte sentido: "diversas vezes" tem referência às várias mudanças de tempos. O termo grego significa literalmente "em muitas partes", como, por exemplo, quando tencionamos falar com mais amplitude ou posteriormente. Mas o termo grego (em minha opinião) indica diversidade no próprio método divino. Quando ele diz: "nestes últimos dias nos falou", o sentido consiste em que não há mais razão para ficarmos ainda em dúvida se devemos esperar alguma nova revelação. Não foi apenas uma parte da Palavra que Cristo trouxe, e, sim, a Palavra final. É nesse sentido que os apóstolos entenderam a expressão "os últimos tempos" e "os últimos dias". E Paulo entende a mesma coisa, ao escrever: "de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado" (1 Co 10.11). Se Deus agora falou sua Palavra final, é conveniente que não avancemos mais, assim como devemos deter nossos passos quando nos aproximamos dele. É muitíssimo necessário que reconheçamos ambos esses aspectos; pois constituía-se um grande obstáculo para os judeus o fato de não considerarem a possibilidade de Deus haver transferido para outro tempo um ensino mais completo. Viviam satisfeitos com sua própria lei, e não se apressaram rumo ao alvo. Em contrapartida, uma vez tendo Cristo aparecido, um mal opositor começou a prevalecer no mundo. Os homens se esforçaram para ir além de Cristo. Que outra coisa faz todo o sistema do papado, senão transgredir esse limite que o apóstolo delimitou? Portanto, assim como o Espírito de Deus, nesta passagem, convida a todos a irem a Cristo, assim os proíbe a ultrapassarem essa Palavra final da qual ele faz menção. Resumindo, o limite de nossa sabedoria está posto aqui no evangelho.

2. A quem constituiu herdeiro. O autor glorifica a Cristo com esse sublime enaltecimento à guisa de incitar-nos a reverenciá-lo, pois assim como o Pai fez todas as coisas sujeitas a Cristo, nós, igualmente, pertencemos ao seu reino.
Ele declara igualmente que nenhum bem pode ser encontrado fora dele visto ser ele o herdeiro de todas as coisas. Por essa razão, segue-se que somos os mais miseráveis e destituídos de todas as boas coisas, a menos que ele nos socorra com suas riquezas. Ademais, ele acrescenta que essa honra, ou seja, exercer autoridade sobre todas as coisas, pertence por direito ao Filho de Deus, porquanto todas as coisas foram feitas por ele; embora essas duas prerrogativas sejam atribuídas a Cristo por razões distintas. O mundo foi criado por ele na qualidade de sabedoria eterna de Deus, a qual assumiu a diretriz de todas as suas obras desde o princípio. Essa é a prova da eternidade de Cristo; naturalmente que ele teria que existir antes que o mundo fosse por ele criado. Mas se a questão for sobre a extensão de tempo, então nenhum princípio será encontrado. Tampouco se detrai algo de seu poder, ao afirmar-se que o mundo foi criado por ele, ainda que não o tenha criado por iniciativa própria. É uma forma usual de se expressar quando se afirma que o Pai é o Criador. O que se acresce em algumas passagens - pela Sabedoria [Pv 8.27], ou pelo Verbo [Jo 1.3], ou pelo Filho [Cl 1.16] - possui a mesma força se se disser que a própria Sabedoria foi nomeada como Criadora. Deve-se notar que existe aqui uma distinção de pessoas, entre o Pai e o Filho, não só com referência aos homens, mas também com referência ao próprio Deus. A unidade de essência requer que, o que é próprio da essência de Deus, pertence tanto ao Filho quanto ao Pai. E assim, tudo quanto pertence exclusivamente a Deus, é comum a ambos. Tal fato não impede que cada um possua as propriedades de sua própria pessoa. O título “herdeiro” é atribuído a Cristo em sua manifestação na carne. Pois, ao fazer-se homem e revestir-se de nossa própria natureza, ele recebeu para si essa herança a fim de restaurar para nós o que fora perdido em Adão. No princípio Deus estabelecera o homem como seu filho, para ser ele o herdeiro de todas as coisas; mas o primeiro homem, por meio de seu pecado, alienou-se de Deus, tanto ele próprio como também sua posteridade, e privou a todos tanto da bênção divina quanto de todas as demais coisas. Só começaremos a desfrutar as boas coisas de Deus, por direito, quando Cristo, que é o herdeiro de todas as coisas, nos admitir em sua comunhão. Ele tornou-se o herdeiro para poder fazer-nos ricos por meio de suas riquezas. Aliás, o apóstolo lhe atribui esse título para que pudéssemos saber que sem ele somos destituídos de todas as boas coisas. Se porventura considerarmos o termo “todo” como pertencente ao gênero masculino, então esta cláusula significará que todos nós devemos estar sujeitos a Cristo, visto que fomos entregues a ele pelo Pai. Prefiro, porém, lê-lo como neutro, significando que somos privados da posse legal do céu e da terra, bem como de todas as criaturas, a menos que tenhamos comunhão com Cristo.

Por João Calvino


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Comentário dos livros do Velho Testamento:
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Escatologia (tempo do fim):
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Calvino

O Motivo

Já faz tempo que eu não escrevo como antigamente, esse antigamente q nem faz tanto tempo assim, mas q passou e eu esqueci com o tempo as coisas q me faziam escrever, sobre as coisas da minha vida, da minha alma, do meu coração, mas agora eu resolvi voltar, pra escrever meus motivos.

Eu tinha diversos motivos pra escrever, mas alguns eu realmente não lembro, os bons motivos são fáceis de lembrar, amigos, momentos felizes, histórias da infância, presentes, família e amor, principal motivo. Mas os ruins eu não me lembro, são poucos, eu garanto, e não moram na minha mente, nem no meu coração.

Há um motivo ruim que sempre me fez escrever, pensar e falar, esse eu não tenho como esquecer, vive comigo como uma pessoa, como a minha sombra, me acompanha sempre em todos os lugares, me faz pensar antes de agir e falar, me segura nos momentos de ansiedade e bloqueia gestos e palavras em momentos de felicidade, é um sentimento que me rege sempre, me preparando para o pior, ou pelomenos evitando que eu erre ou sofra, mas muitas vezes esse mesmo sentimento me faz sofrer, exatamente por não me deixar viver, bater a cabeça, errar, fazer besteiras sem pensar, como qualquer ser humano.

Sei desde quando esse sentimento mora aqui e nem faz tanto tempo assim, aprendi a viver com ele, deixei que tomasse conta de mim, guiando meus sentimentos, gestos, palavras e até minhas lágrimas que quando teimam em cair pelo meu rosto me levam para um quarto escuro e solitário, onde acontece a maior briga entre minha razão e meu coração, quando um já não compreende a existência do outro, assim esse motivo ruim que me faz escrever hoje vai levando minha vida pra um caminho diferente de tudo que um dia eu sonhei ser e ter. E eu não deveria dar tanto valor pra algo que não me faz tão bem assim, escrevendo linhas e mais linhas sobre ele, sobre o que é e o que faz comigo, mas foi a forma que encontrei de contar sobre algo que surge em minha mente todos os dias que acordo, permanece comigo e a noite dorme ao meu lado.

E todo esse tempo, anos e anos, tentando entender os motivos dos meus caminhos, eu só aprendi a ter Medo, assim mesmo, com letra maiuscula, como um nome próprio, de gente, simplesmente pq é isso que ele é hoje, esse Medo é alguem que dorme, acorda e vive comigo todos os dias, sem nem ter pedido licença pra entrar na minha vida, tomou conta e me submete a obedecê-lo sempre, em qualquer que seja o momento.

Não tenho vergonha de falar que tenho Medo, faço calculos para não errar, se algo me faz sentir incapaz ou perceber que não convem, esse mesmo Medo me faz parar, desistir, não tentar, melhor assim sem tentativas, sem sofrimentos.

Dentro de todo esse Medo há aquele motivo que fez isso nascer em mim, há um momento que funcionou como o estopin para que isso fosse criado, há uma história, uma lembrança que foi alimentada e assim cheguei aqui, e precisei mudar pra usar esse Medo a meu favor, tornei-me fria, menos sorridente, mais cautelosa, um pouco depremida, um tanto quanto distante do mundo que me cercava, hoje eu busco um lugar só meu pra viver e desabafar esse meu Medo entre quatro paredes de um quarto ou um céu enluarado que escuta minhas confissões sem julgar nem questionar.

Esse motivo é o oposto do Medo, o contrário de tudo que possa torna-se ruim, o amor fez nascer esse Medo, amor de uma vida sem conciência, vivida plenamente sem medos, sem invasões, um amor que nasceu pra felicidade e morreu para a magoa, tudo em um só coração, com o tempo e a distância que tomei das coisas o Medo foi encontrando o seu lugar, a cada lágrima que caia, um espaço abria e assim o Medo entrava, saia um pouquinho de amor e entrava um pouquinho de Medo. Passaram-se os anos e o que deveria ser uma fase, tornou-se permanente.

Mora em mim esse Medo, não há como deleta-lo, pois as lembranças existem e fariam o Medo voltar toda vez que uma lágrima insistisse em escorrer pelo meu rosto, mas como tudo que fazemos e plantamos nessa vida, com o tempo as coisas amenizam e tornam-se comuns, o cotidiano e o comodismo caminham juntos e novas lembranças são criadas todos os dias, preparar o coração é simples, dificil é convencer a razão de que tudo muda todos os dias, que renascemos a cada 24horas com uma nova oportunidade pra vencer esse Medo.

Tenho o Medo da vida, de viver e sofrer, por isso prefiro evitar alterações, permaneço no presente, lembrando do passado e esperando o futuro...

Fabiene Paes

Antigamente, não era tão visto a assinatura em papéis como prova de que o indivíduo iria, ou não, cumprir com sua palavra. As pessoas tinham palavra, tinham caráter - o que hoje ainda resta em alguns.
Hoje, tudo que você for fazer, tem que está documentado, assinado... Isso é visto como uma "garantia". As pessoas não querem mais te ouvir falar. Elas querem provas concretas de que sua palavra é verdadeira. Até aí, eu concordo em partes, mas o estranho é que isso vá parar na área dos sentimentos, como se alguém fosse capaz de expressar a totalidade do que sente.
"Mas eu quero que você prove que me ama."
Provar? Como? Não dá pra provar um amor fazendo uma declaração numa escola ou em um lugar que tenha um grande número de público, gritando "eu te amo", "você é o amor da minha vida", pra todo mundo ouvir. Quantas dessas pessoas que fizeram isso nem se lembram mais da pessoa por quem gritou "eu te amo"? E pra muitas pessoas, isso é uma prova de amor. Francamente...
Palavras podem ser mentiras, mas atitudes também podem ser forjadas ou passageiras.
Falam de provar sentimentos como se a pessoa ouvinte fosse um professor, a pessoa que está falando fosse um aluno, e o amor, um simples papel a ser preenchido. Daí você senta na mesa, pega esse papel, uma caneta e começa a preencher os requisitos que a pessoa ouvinte quer ouvir. Terminada a prova, a pessoa dirá se você passou ou não. Fala sério... Dá vontade até de rir.
Com essa historinha de "me prove" é que muitos não enxergam o que está diante dos olhos.
Eu amo, eu sinto, mas não faço a mínima questão de dar certo tipo de prova. Se você acostumar uma pessoa a sempre dar provas concretas do que você fala, ela nunca vai acreditar na sua palavra.
Sei que é difícil, no mundo em que vivemos, acreditar em alguém, porque há pessoas que conseguem mentir olhando no fundo dos seus olhos, mas nem todas são assim. Eu não perco meu tempo tentando convencer uma pessoa que não acredita no que eu falo. Sabe por quê? Palavras, atitudes, momentos... Tudo isso é passageiro. Um amor será realmente provado nos momentos de uma vida e pra isso, temos que vivê-los com a pessoa.
"Ah, mas como eu vou saber que é verdadeiro?"
Sinto informá-lo, mas não há como saber. Você não consegue ler o pensamento das pessoas, nem fazer uma viagem para dentro delas, muito menos, sentir o que elas sentem.

Tenta, acredita, "dar teu sangue"... Quem hoje conseguiu é porque um dia acreditou e tentou.

Jeozadaque Martins

O ANTIGO, O FUTURO, O ATUAL
Antigamente a melhor de todas as coisas era a Virtude, porque sem ela não havia amizade. Para o futuro ergueram as Muralhas da China, o Muro de Berlin e o de Israel, cuja
Intenção foi separar os homens.
Atualmente, a preferência humana é criar armas mortíferas e fabricar munições, mas a pior de todas as invenções foi construir o Muro da Vergonha de ser Fraterno!

Praia Boa Viagem-Recife, 13/Maio/2014.
(Agenor pensador)

AGENOR ALVES SANTOS