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Quem escreve tenta se convencer do que sempre escreveu.
Quem chora tenta se convencer que nunca sorriu.
Assim como quem sorri se convence de que nunca chorou.
Você é apenas o sentimento que te inspira...
Assim, quem respira, jamais tem medo de se afogar;
Quem tem sorte, não tem medo do azar;
Quem ama, vive o medo de sofrer.
Quem nunca se apaixona sofre, antes, o medo de viver.
Assim tu és apenas o sentimento que te inspiras...

Elvis Silva Magalhães

Algumas vezes o medo te oferece apenas uma alternativa: ser corajoso(a) e enfrentá-lo!

Li Azevedo

Perdoar é nobre e gera respeito, retaliar gera medo.
O respeito traz o bem, mas só o medo afasta o mal.

Elcio Souza Geremias

O grande barato é não ter medo do medo!

Durcce Domenenghetti

Há pessoas que tem medo de amar e outras o tolo medo de serem amadas.

Advaldo Sousa

O medo só reprime os covardes!

Samir Alves

Sem o trabalho, não há dor...
Sem a dor, não há sucesso...
Sem o sucesso, não há recompensa.

Classificados Mineiro - grupo Iza Magazine

Ao passo descalço do teu desamor (Parte |)

Silêncio no andar de baixo, e no de cima, calmaria. A vizinhança tão inquieta era silenciosa, era silenciosa para mim. Calei o mundo e me deixei ouvir, todos os sons foram substituídos por gritos agonizantes, roncos de motor e frascos de remédio. Não era a primeira vez, nem seria a última. Nunca sabia no que iria dar, apenas seguia a linha como um trem sem destino, fazia o que me parecia conveniente no momento.
Aquelas crises nunca foram comuns, por mais constantes e periódicas que parecessem, sempre mudavam, nada ficava estático. A cada ocasião, um sintoma novo, a cada sintoma, um remédio novo, a cada remédio, um delírio novo, a cada delírio, uma tensão crescente, a cada tensão, um declínio envolvente, e eu me envolvia, tão inconsequente...
O quarto cheirava à flores mortas, não que eu também não estivesse, mas pelo menos não exalava o odor fétido, não ainda. Os móveis eram empoeirados, as janelas cobertas de cima a baixo por um tecido preto, explicado pelo meu ódio quanto à energia luminosa e radioativa do sol, nunca me foi energizante, nunca "renovou-me a alma". Mas então era noite, estava tudo em paz e a vida continuava no mesmo tédio poente em que o preto se misturava com a paisagem, num estado tão terno e natural que não mais surpreendia.
Arranquei a agulha que estava em minha veia, o curativo acumulou gotículas de sangue, o impulso fez com que o soro respingasse pelo ar, num arco quase perfeito. O respirador, infelizmente, precisava me acompanhar. Sempre odiei carregar aquilo pra qualquer lugar que fosse, parecia uma bomba relógio prestes a explodir, e era exatamente o que eu era, uma bomba. Minha devastação ia muito além de quem estava em volta, percorria um perímetro muito maior, e todos os prejudicados pouco me importariam, pra falar a verdade, adoraria saber que você explodiu em milhões de pedacinhos assim como fez com meu coração, que se fundiu com a natureza. Não seria hipócrita ao ponto de escrever mais um daqueles textos água com açúcar que lotam páginas, livros e livrarias. Isso não deveria ser pra você, mas agora é. Na verdade, não diria "pra você", mas "sobre você", sobre toda uma vida, uma história que vi se despedaçar diante meus olhos, se quebrar como um castelo de vidro ao menor impacto ao que foi exposto. Mas não foi menor, foi o pior, o maior.
Cobri todos os espelhos pra que não pudesse ver-me em reflexos por aí, ainda que tentasse, não conseguiria. Me perdi a muito tempo, espelhos só refletem o que é real, e eu, infelizmente já não sou.
Andei oscilante até uma das janelas cobertas, minhas pernas cambaleavam e me faziam querer ir ao chão, resisti e fui forte, apoiei-me nas poltronas e me arrastei seguindo o emaranhado de pétalas no chão, murchas e sem vida. Você as entregou a mim, muito tempo atrás. Foram de longe o melhor presente que já ganhei. As mantive em formol por tanto tempo, e agora, assim como tudo mais que nos representava, foram ao chão. Pisoteadas...
A tanto tempo não levantava daquela cama, o soro me mantinha nutrida, e eu me abandonava aqui, sozinha com a noite, com a escuridão. A janela parecia pequena para a vista que queria contemplar, passei pela porta completamente coberta de preto, minha mão era pouco maior que a maçaneta, dedos finos e gelados, causaram espanto até em mim, com um único golpe levantei um das mãos e puxei o tecido, o quarto não se iluminou, a penumbra noturna era mais escura que todo o recinto, ainda que coberto de preto. Abri a porta e adentrei um mundo mais mórbido que o meu. O relógio na parede marcava 3:00 da manhã, meu vestido era branco, longo, e agora, se enchia de poeira a cada passo dado, arrastava o pó entre as linhas, enquanto seguiam meus passos até a sacada.
As barras eram de mármore, chegavam até minha cintura, era compreensível levando em conta que estava no décimo quinto andar. Meus pés apoiavam-se entre as colunas e o vento soprava meus cabelos. Era quase como voar, numa noite de lua cheia em que a vida fluía, enquanto meu mundo se resumia a um câncer de pulmão em estágio 4 e alguns muitos metros do quarto de um apartamento. O cilindro de oxigênio era quase como um exaustor, fazia o barulho de uma turbina a cada vez que eu respirava, o alarde era embriagante. A lua parecia olhar-me lá de cima, enquanto tudo mais se tornava invisível. O chão era tão distante... Mas tão agradável. Era uma vista em completa sintonia. Os subúrbios da cidade gritavam no silêncio, faróis de carros ainda eram visíveis na madrugada, os roncos da tua moto ainda estavam em minha cabeça, junto com o som do teu violão a cada música que tocava para mim. A tua voz mostrava-me um caminho que devia ser percorrido, você cantava minhas músicas favoritas, sabia exatamente como me descompassar, como fazer com que minhas ações se tornassem exatamente o que esperava delas, o que queria delas. Teu olhar pairava sobre mim enquanto segurava aquele violão, enquanto me olhava fixamente e depois segurava minha mão. Não havia lugar no mundo que me oferecesse mais proteção. Irônico, não? Creio já a essa altura já não saberia mais definir o que sentia por você. Diria que amor e ódio ao mesmo tempo, talvez. Não sabia como definir. Te rotular nunca foi desejo.
Teus dedos passavam pelo violão como se o desenhasse, como um trem seguindo os trilhos. Os movimentos iam de rápidos a lentos em questão de milésimos de segundo. Olhava-te, os lábios te chamavam, o corpo te queria. As notas das músicas eram delicadas e melodiosas, tua voz transpassava um desejo tão ardente quanto o meu. Você parecia perceber, dava aquele riso sarcástico enquanto entrávamos no que seria um abraço infinito. Meu corpo era teu, como tudo mais em mim. Te idolatrava como um deus que merecia todo o meu agradecimento, pela redenção que conseguiu de mim, por todo amor despertado. Você era o conjunto perfeito de tudo que eu amava. Gostos, cheiros e sabores. O gosto do teu corpo ficou em mim por muito tempo após a sua partida, pensei em muitas coisas que poderia fazer e não fiz. Me lamentei por não ter corrido aos teus braços antes, mas não valia a pena, não mais.
Costumávamos viajar pelas cidades todas as noites. O mundo parecia tão pequeno, nos perdíamos nos ponteiros do relógio, perdíamos as horas enquanto rodávamos quilômetros e mais quilômetros em cima da tua moto. Meu corpo se inclinava pra frente, meus braços agarravam tua cintura, te trazendo cada vez mais perto, tão perto que eu podia te sentir. Podia sentir as batidas metódicas e ritmadas do teu coração, podia sentir sua respiração embaçando a viseira capacete, extasiados pelo frio continuávamos ali. Tua camisa apertada acentuava cada curva do seu corpo, e eu o conhecia centímetro a centímetro. O desconhecido não despertava espanto, estávamos juntos e era o que importava. Lembra como você sempre parecia tão cheio de vida? Mesmo quando rodávamos por uma noite inteira, no final, você descia, tirava o capacete e me olhava com aquele ar inacabado, jogava o cabelo pro lado e seu rosto se iluminava, emanava uma luz tão ofuscante que me consumia por dentro. A visão da tua face se apresentava a mim como olhar todo o paraíso de uma vez. Aquele casaco de couro foi presente meu, lembra? Você costumava usá-lo sempre. Dizia-me que a madrugada é a horas dos que morrem de amor, dos inconsequentes sem limites, era portanto a nossa. Não ligaria de ficar dias inteiros acordada ao teu lado, admirando-te. Não ligaria em subir na tua moto e rodar todo o mundo abraçada com você, até que minha coluna doesse pedindo por uma pausa. Não ligaria em beijar-te até perder o fôlego. O faria se pudesse, se o destino houvesse permitido, não permitiu.
A noite tratava-me sem dó, o frio era congelante, ainda assim, mais quente que seu coração. Você foi como uma garrafa de whisky que me fez querer outras tantas doses depois da primeira, que me fez perder a sanidade tão rápido que quase não pude perceber, e quando percebi, acabou.

Thaylla Ferreira {Epitáfios para Lígia}

Thaylla Cavalcante

Às vezes eu tenho medo. Medo de amar, medo de viver, medo de sentir o que sinto. O que eu sinto é maior que o mundo. Maior que o meu pensamento e isto me dá medo.

Rita Padoin

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.

William Shakespeare

Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Desconhecido

Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

Clarice Lispector

A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.

Charles Chaplin

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

Clarice Lispector

Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.

Clarice Lispector

Desejo que você
Não tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la.
Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes.
Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.
Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-la.
Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência.
Seja um sonhador, mas una seus sonhos com disciplina,
Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas.
Seja um debatedor de idéias. Lute pelo que você ama.

Augusto Cury

Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo.
Tenho um sorriso confiante que às vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele.
Sou inconstante e talvez imprevisível.
Não gosto de rotina. Eu amo de verdade aqueles para quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras.
Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo.
São poucas as pessoas para quem eu me explico...

Bob Marley

Deve-se temer mais o amor de uma mulher do que o ódio de um homem.

Sócrates

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Alfredo Cuervo Barrero

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.

Platão

Construí amigos, enfrentei derrotas, venci obstáculos, bati na porta da vida e disse-lhe: Não tenho medo de vivê-la.

Augusto Cury

METADE

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Sarah Westphal

O maior erro que você pode cometer, é o de ficar o tempo todo com medo de cometer algum.

Elbert Hubbard

O Medo do Amor

Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.

Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.

Martha Medeiros