Salmos da Bíblia

Cerca de 320 frases e pensamentos: Salmos da Bíblia

SALMO 66

Neste salmo toda a terra é conclamada a salmodiar a glória do nome do Senhor, e a dar glória ao Seu louvor.
Os grandes feitos de Deus devem ser exaltados e proclamados.
O salmista passa em revista as grandes obras de Deus do passado para que Ele seja salmodiado por elas, tais como a abertura do Mar Vermelho nos dias de Moisés, e a travessia a pé seco dos israelitas no Rio Jordão, nos dias Josué, e Israel se alegrou sobremaneira nEle em ambas ocasiões.
Como é Onisciente e governa eternamente, os rebeldes das nações não deveriam se exaltar, mas temer.
É o Senhor que não permite que nossos pés resvalem, e assim preserva a nossa alma.
Contudo, põe à prova o Seu povo, tal como a prata é provada pelo fogo.
Ele permite que sejam afligidos pelos homens ímpios, e que passem pelo fogo, tal como sucedeu aos três amigos de Daniel, e pela água, mas no final da provação, conduz o Seu povo a um lugar espaçoso onde são aliviados das suas opressões.
À vista de tal poder e bondade do Senhor, o salmista se dispôs a ir ao templo para oferecer holocaustos e pagar os votos que fizera com os seus lábios no dia da angústia.
O salmista queria dar testemunho no templo daquilo que Deus havia feito à sua alma, dos clamores que havia feito, e dos louvores que havia entoado.
E o Senhor ouviu suas orações porque não havia vaidade no seu coração.
Então ele encerra o salmo bendizendo o Senhor por ter ouvido suas orações, e por não lhe ter deixado desprovido da Sua graça.


“Aclamai a Deus, toda a terra. Salmodiai a glória do seu nome, dai glória ao seu louvor.
Dizei a Deus: Que tremendos são os teus feitos!
Pela grandeza do teu poder, a ti se mostram submissos os teus inimigos.
Prostra-se toda a terra perante ti, canta salmos a ti; salmodia o teu nome.
Vinde e vede as obras de Deus: tremendos feitos para com os filhos dos homens!
Converteu o mar em terra seca; atravessaram o rio a pé; ali, nos alegramos nele.
Ele, em seu poder, governa eternamente; os seus olhos vigiam as nações; não se exaltem os rebeldes.
Bendizei, ó povos, o nosso Deus; fazei ouvir a voz do seu louvor; o que preserva com vida a nossa alma e não permite que nos resvalem os pés.
Pois tu, ó Deus, nos provaste; acrisolaste-nos como se acrisola a prata.
Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas; fizeste que os homens cavalgassem sobre a nossa cabeça; passamos pelo fogo e pela água; porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso.
Entrarei na tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos, que proferiram os meus lábios, e que, no dia da angústia, prometeu a minha boca.
Oferecer-te-ei holocaustos de vítimas cevadas, com aroma de carneiros; imolarei novilhos com cabritos.
Vinde, ouvi, todos vós que temeis a Deus, e vos contarei o que tem ele feito por minha alma.
A ele clamei com a boca, com a língua o exaltei.
Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido.
Entretanto, Deus me tem ouvido e me tem atendido a voz da oração.
Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.”

Silvio Dutra

SALMO 67

O salmista ora para que Deus continue sendo gracioso para com o Seu povo, e que o abençoe fazendo resplandecer sobre ele o Seu rosto, porque queria dar o testemunho da vida abençoada que o Senhor concedia a Israel, a todas as nações da terra, para que estes também exultassem no Senhor e louvassem o Seu nome.
Ele estava bem cônscio que Israel foi eleita pelo Senhor para ser uma bênção para todos os povos, porque seria através de Israel que revelaria a Sua vontade, e que traria o Salvador ao mundo.
Vemos assim, que quando Davi pedia a Deus que não permitisse que prosperasse a causa dos inimigos de Israel, isto nada tinha a ver com sentimento nacionalista e exclusivismo religioso, mas cooperar com Deus na missão da salvação de pessoas em todo o mundo.
O que seria de nós, de toda a terra, se prevalecesse a causa do mal?
O que sucederia se Satanás fosse vitorioso no seu intento de deter a pregação da justiça e da verdade?


“Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação.
Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos.
Alegrem-se e exultem as gentes, pois julgas os povos com equidade e guias na terra as nações.
Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos.
A terra deu o seu fruto, e Deus, o nosso Deus, nos abençoa.
Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão.”

Silvio Dutra

SALMO 68 - Salmo de Davi

Este Salmo possui palavras proféticas de difícil interpretação, entre outras que conhecemos a quem se aplicam, a saber, a nosso Senhor Jesus Cristo, em Seu trabalho de redenção dos pecadores.
Como por exemplo, a profecia: “Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que o SENHOR Deus habite no meio deles.”, constante deste salmo, e que é citada em Ef 4.8.
Homens são recebidos por dádivas pelo Pai, porque Jesus pagou o preço exigido para o resgate deles, e lhes concedeu os dons do Espírito, até mesmo àqueles que foram antes rebeldes à vontade de Deus, mas que agora lhe eram obedientes por terem se convertido a Ele.
O salmista vê então, logo no início do salmo, aqueles que não se juntam a Cristo, espalhados, e que não sendo por Ele, são contra Ele, e por isso são dissipados pelo Senhor tal como a fumaça, e como cera que é derretida pelo fogo, porque à presença de Deus perecem todos os ímpios que não foram justificados.
Enquanto isto os justos se regozijam e exultam na presença do Senhor com grande alegria.
Por isso deve ser louvado e salmodiado o nome daquele que cavalga sobre as nuvens, isto é, que é espírito, e deve portanto ser adorado também em espírito.
Ele é Senhor de tudo e todos, mas é o Pai dos órfãos e o juiz das viúvas.
E faz com que o solitário more na Sua família, e livra os que estavam no cativeiro do pecado e dos poderes das trevas para a prosperidade de uma vida fértil numa terra fértil, o que os rebeldes não podem experimentar, porque habitam na terra estéril onde não existe o fruto do Espírito Santo.
O Senhor guiou e cuidou do Seu povo, inclusive de todos os necessitados dele.
Este Deus é tremendo mas carrega dia a dia o fardo do Seu povo, porque é a salvação deles.


“Levanta-se Deus; dispersam-se os seus inimigos; de sua presença fogem os que o aborrecem.
Como se dissipa a fumaça, assim tu os dispersas; como se derrete a cera ante o fogo, assim à presença de Deus perecem os iníquos.
Os justos, porém, se regozijam, exultam na presença de Deus e folgam de alegria.
Cantai a Deus, salmodiai o seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens.
SENHOR é o seu nome, exultai diante dele.
Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada.
Deus faz que o solitário more em família; tira os cativos para a prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril.
Ao saíres, ó Deus, à frente do teu povo, ao avançares pelo deserto, tremeu a terra; também os céus gotejaram à presença de Deus; o próprio Sinai se abalou na presença de Deus, do Deus de Israel.
Copiosa chuva derramaste, ó Deus, para a tua herança; quando já ela estava exausta, tu a restabeleceste.
Aí habitou a tua grei; em tua bondade, ó Deus, fizeste provisão para os necessitados.
O Senhor deu a palavra, grande é a falange das mensageiras das boas-novas.
Reis de exércitos fogem e fogem; a dona de casa reparte os despojos.
Por que repousais entre as cercas dos apriscos? As asas da pomba são cobertas de prata, cujas penas maiores têm o brilho flavo do ouro.
Quando o Todo-Poderoso ali dispersa os reis, cai neve sobre o monte Zalmom.
O monte de Deus é Basã, serra de elevações é o monte de Basã.
Por que olhais com inveja, ó montes elevados, o monte que Deus escolheu para sua habitação?
O SENHOR habitará nele para sempre.
Os carros de Deus são vinte mil, sim, milhares de milhares. No meio deles, está o Senhor; o Sinai tornou-se em santuário.
Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que o SENHOR Deus habite no meio deles.
Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação.
O nosso Deus é o Deus libertador; com Deus, o SENHOR, está o escaparmos da morte.
Sim, Deus parte a cabeça dos seus inimigos e o cabeludo crânio do que anda nos seus próprios delitos.
Disse o Senhor: De Basã os farei voltar, fá-los-ei tornar das profundezas do mar, para que banhes o pé em sangue, e a língua dos teus cães tenha o seu quinhão dos inimigos.
Viu-se, ó Deus, o teu cortejo, o cortejo do meu Deus, do meu Rei, no santuário.
Os cantores iam adiante, atrás, os tocadores de instrumentos de cordas, em meio às donzelas com adufes. Bendizei a Deus nas congregações, bendizei ao SENHOR, vós que sois da estirpe de Israel.
Ali, está o mais novo, Benjamim, que os precede, os príncipes de Judá, com o seu séquito, os príncipes de Zebulom e os príncipes de Naftali.
Reúne, ó Deus, a tua força, força divina que usaste a nosso favor, oriunda do teu templo em Jerusalém. Os reis te oferecerão presentes.
Reprime a fera dos canaviais, a multidão dos fortes como touros e dos povos com novilhos; calcai aos pés os que cobiçam barras de prata.
Dispersa os povos que se comprazem na guerra.
Príncipes vêm do Egito; a Etiópia corre a estender mãos cheias para Deus.
Reinos da terra, cantai a Deus, salmodiai ao Senhor, àquele que encima os céus, os céus da antiguidade; eis que ele faz ouvir a sua voz, voz poderosa.
Tributai glória a Deus; a sua majestade está sobre Israel, e a sua fortaleza, nos espaços siderais.
Ó Deus, tu és tremendo nos teus santuários; o Deus de Israel, ele dá força e poder ao povo. Bendito seja Deus!”

Silvio Dutra

SALMO 69 - Salmo de Davi

Neste salmo, Davi usa a metáfora das profundezas em que se encontrava, e aqui ele diz que era no lamaçal e na água, mas não do pecado, mas das muitas dificuldades que tinha que enfrentar da parte dos seus inimigos, e que lhe estavam impedindo os passos, tal como um exército que fica submergido pelo lamaçal ou pelas águas e não pode progredir no avanço contra o inimigo.
Eram tantos os inimigos de Davi que sem razão (motivo justificável) o oprimiam que ele clamou por livramento ao Senhor a ponto de ter ficado com a garganta seca.
Ele se encontrava exausto e os seus olhos desfaleciam de tanto esperar pelo socorro de Deus.
Seus inimigos eram poderosos tal como os poderes das trevas que operam contra o avanço da Igreja.
Davi estava sendo acusado de ladrão injustamente e estava sendo obrigado a fazer restituições de coisas que não havia furtado.
Ele era um pecador como qualquer outra pessoa, mas estava inocente naquele negócio em que estava sendo acusado e que seria motivo de vergonha para os santos, caso viessem a dar crédito a tais argumentos mentirosos.
Davi temia ser uma pedra de tropeço para eles, caso o Senhor não julgasse a sua causa, para que vissem que ele era inocente das acusações que lhe haviam dirigido.
Por amor ao Senhor ele havia suportado afrontas e o seu rosto estava coberto de vexame.
Até mesmo seus irmãos o tinham como um estranho, um desconhecido.
Neste ponto do salmo, Davi recebeu uma revelação que expressou em palavras quanto às injúrias que Cristo sofreria por causa do zelo da casa de Deus.
Nisto, toda a experiência que Davi havia sofrido, tinha-lhe tornado um tipo de Cristo, que foi acusado injustamente de faltas que não havia praticado, e teve que pagar com seus sofrimentos e morte, por pecados que nunca havia cometido, ao contrário, foram nossas próprias transgressões e culpas que recaíram sobre Ele, para que pudéssemos ser justificados, pela fé nele.
Davi colocou um pano de saco sobre si e se tornou o objeto de escárnio dos seus inimigos, a ponto de ser motivo para canções de ébrios.
Todavia, nada disto o abalava porque continuava orando ao Senhor, para que lhe respondesse pela riqueza da Sua graça, e pela Sua fidelidade em socorrer, livrando-lhe daquele tremedal para que não afundasse nele, e fosse salvo dos que o odiavam e das profundezas das águas geladas da opressão, que tentavam apagar o fogo do seu fervor no Espírito.
Nesta altura do salmo foi dado mais uma vez a Davi contemplar a afronta e a vergonha de Cristo na cruz, onde não havia ninguém para Lhe consolar, e quando Lhe deram vinagre em vez de água para saciarem a Sua sede.
Em vez de ajudarem a quem Deus havia ferido e golpeado, por amor de nós, lhe perseguiram e lhe acrescentaram dores, em vez de demonstrarem compaixão.
Assim, a casa deles ficaria deserta, tal como o Senhor Jesus havia confirmado tal profecia dada a Davi, porque se voltaria para os gentios, e Israel seria expulso de sua própria terra.
Estes que assim rejeitaram a Cristo, seriam riscados do Livro da Vida, porque não participariam da Sua salvação.
E quanto aos amargurados e aflitos, aos contritos de coração, o Senhor os socorreria, pondo-lhes em alto refúgio, onde entoariam louvores e ações de graças.
Que todos os aflitos se alegrem nisto, quanto aos que são reavivados porque buscam a Deus, porque é somente nEle que há salvação, e estes que foram salvos habitarão para sempre com Ele em Sião.

“Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até à alma.
Estou atolado em profundo lamaçal, que não dá pé; estou nas profundezas das águas, e a corrente me submerge.
Estou cansado de clamar, secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de tanto esperar por meu Deus.
São mais que os cabelos de minha cabeça os que, sem razão, me odeiam; são poderosos os meus destruidores, os que com falsos motivos são meus inimigos; por isso, tenho de restituir o que não furtei.
Tu, ó Deus, bem conheces a minha estultice, e as minhas culpas não te são ocultas.
Não sejam envergonhados por minha causa os que esperam em ti, ó SENHOR, Deus dos Exércitos; nem por minha causa sofram vexame os que te buscam, ó Deus de Israel.
Pois tenho suportado afrontas por amor de ti, e o rosto se me encobre de vexame.
Tornei-me estranho a meus irmãos e desconhecido aos filhos de minha mãe.
Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias dos que te ultrajam caem sobre mim.
Chorei, em jejum está a minha alma, e isso mesmo se me tornou em afrontas.
Pus um pano de saco por veste e me tornei objeto de escárnio para eles.
Tagarelam sobre mim os que à porta se assentam, e sou motivo para cantigas de beberrões.
Quanto a mim, porém, SENHOR, faço a ti, em tempo favorável, a minha oração.
Responde-me, ó Deus, pela riqueza da tua graça; pela tua fidelidade em socorrer, livra-me do tremedal, para que não me afunde; seja eu salvo dos que me odeiam e das profundezas das águas.
Não me arraste a corrente das águas, nem me trague a voragem, nem se feche sobre mim a boca do poço.
Responde-me, SENHOR, pois compassiva é a tua graça; volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias.
Não escondas o rosto ao teu servo, pois estou atribulado; responde-me depressa.
Aproxima-te de minha alma e redime-a; resgata-me por causa dos meus inimigos.
Tu conheces a minha afronta, a minha vergonha e o meu vexame; todos os meus adversários estão à tua vista.
O opróbrio partiu-me o coração, e desfaleci; esperei por piedade, mas debalde; por consoladores, e não os achei.
Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.
Sua mesa torne-se-lhes diante deles em laço, e a prosperidade, em armadilha.
Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam; e faze que sempre lhes vacile o dorso.
Derrama sobre eles a tua indignação, e que o ardor da tua ira os alcance.
Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.
Pois perseguem a quem tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste.
Soma-lhes iniquidade à iniquidade, e não gozem da tua absolvição.
Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos.
Quanto a mim, porém, amargurado e aflito, ponha-me o teu socorro, ó Deus, em alto refúgio.
Louvarei com cânticos o nome de Deus, exalta-lo-ei com ações de graças.
Será isso muito mais agradável ao SENHOR do que um boi ou um novilho com chifres e unhas.
Vejam isso os aflitos e se alegrem; quanto a vós outros que buscais a Deus, que o vosso coração reviva.
Porque o SENHOR responde aos necessitados e não despreza os seus prisioneiros.
Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo quanto neles se move.
Porque Deus salvará Sião e edificará as cidades de Judá, e ali habitarão e hão de possuí-la.
Também a descendência dos seus servos a herdará, e os que lhe amam o nome nela habitarão.”

Silvio Dutra

SALMO 70 - Salmo de Davi

Muitos hão de se indagar a si mesmos como pôde um Deus justo permitir que a alma que se inteirou tanto da causa da justiça como Davi, e do qual Deus mesmo declarou ser um homem segundo o Seu próprio coração, passasse por tantos sofrimentos?
A resposta imediata para tal pergunta é que Ele faz o mesmo com todos aqueles aos quais muito ama, e que os distingue em seu grande amor também por Ele, com tais sofrimentos com os quais, lhes identifica com o Seu Filho unigênito, que foi também submetido a terríveis sofrimentos por amor de nós.
O que diremos de Paulo?
Acaso foi pouco amado por Deus por causa de tudo o que sofreu? E de Jeremias? E de tantos outros, tanto dos dias bíblicos, quanto do período da história da Igreja?
Então ter muitos sofrimentos quando nos consagramos inteiramente ao Senhor não significa que Ele nos ame menos do que a outros que são poupados, e que têm menos sofrimentos.
Ao contrário é prova de Sua confiança nestes que sofrem, os quais podem ser provados tal como fizera com Jó, para que seja glorificado pela firmeza de fé dEles e da sua permanência na fidelidade, paciência e no amor a Ele, mesmo em face do risco de perderem a própria vida.
“E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte.” (Apo 12.11).
Então não é de se admirar que em toda a sua fidelidade a Deus, vejamos Davi mais uma vez lhe clamando por socorro.
E para que envergonhasse aqueles que lhe demandavam a vida e que se compraziam no seu mal.
Mas que se rejubilassem no Senhor todos os que O buscavam e que amavam a Sua salvação.
Que estes tivessem sempre palavras pelas quais magnificassem o nome de Deus.
Davi, apesar de rei, declara-se pobre de espírito e necessitado do auxílio de Deus, e reconhecendo a sua pequenez perante Ele, e clamou para que se apressasse em lhe valer naquela hora difícil, e que fosse o seu amparo e libertador.


“Praza-te, ó Deus, em livrar-me; dá-te pressa, ó SENHOR, em socorrer-me.
Sejam envergonhados e cobertos de vexame os que me demandam a vida; tornem atrás e cubram-se de ignomínia os que se comprazem no meu mal.
Retrocedam por causa da sua ignomínia os que dizem: Bem-feito! Bem-feito!
Folguem e em ti se rejubilem todos os que te buscam; e os que amam a tua salvação digam sempre: Deus seja magnificado!
Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em valer-me, pois tu és o meu amparo e o meu libertador.
SENHOR, não te detenhas!”

Silvio Dutra

SALMO 71

Este salmo foi escrito por Davi na sua velhice, e muitos pensam que o fizera na ocasião em que Absalão se rebelara contra ele.
Davi já se encontrava velho mas continuava aprendendo de Deus e não cessava de lhe clamar pedindo proteção contra os seus muitos inimigos.
Alguns podem pensar que Davi era paranoico, mas na verdade, todo servo fiel de Deus terá o mesmo sentimento e necessidade iguais aos de Davi, porque o Inimigo acompanha bem de perto, sem dar tréguas a todo aquele que for fiel e estiver empenhado numa verdadeira obra do Senhor, tal como estivera Davi em seus dias.
Todavia, temos que ressaltar que as imprecações e os pedidos de retribuição constantes deste, e de outros salmos, e passagens do Velho Testamento, não devem ser feitos na dispensação da graça, na qual nos encontramos.
É lícito que peçamos a Deus que nos livre do mal, conforme nosso Senhor nos ensinou na Oração Dominical, mas não somos autorizados a usar da espada, conforme lutava Israel nos dias do Velho Testamento, nem mesmo a espada da língua, quer ferindo diretamente as pessoas, ou então pedindo a Deus que as fira, por causa de injustiças e perseguições que nos façam.
Sequer devemos pedir que o Senhor nos vingue dos que se colocam como nossos inimigos, por causa do nosso amor a Ele.
Antes devemos orar pelo bem deles, abençoá-los, e amá-los, sem lhes fechar a porta da possibilidade de serem salvos por Cristo.
Quando isto sucede, o amor tem triunfado e Deus é glorificado, na sua grande luta espiritual, para arrancar pessoas das trevas para a luz, do domínio do mal para o do bem.
E quanto as que resistem a isto, e permanecem na prática da iniquidade, somente a Ele cabe todo o julgamento, quanto ao que se lhes será feito.


“Em ti, SENHOR, me refugio; não seja eu jamais envergonhado.
Livra-me por tua justiça e resgata-me; inclina-me os ouvidos e salva-me.
Sê tu para mim uma rocha habitável em que sempre me acolha; ordenaste que eu me salve, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.
Livra-me, Deus meu, das mãos do ímpio, das garras do homem injusto e cruel.
Pois tu és a minha esperança, SENHOR Deus, a minha confiança desde a minha mocidade.
Em ti me tenho apoiado desde o meu nascimento; do ventre materno tu me tiraste, tu és motivo para os meus louvores constantemente.
Para muitos sou como um portento, mas tu és o meu forte refúgio.
Os meus lábios estão cheios do teu louvor e da tua glória continuamente.
Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.
Pois falam contra mim os meus inimigos; e os que me espreitam a alma consultam reunidos, dizendo: Deus o desamparou; persegui-o e prendei-o, pois não há quem o livre.
Não te ausentes de mim, ó Deus; Deus meu, apressa-te em socorrer-me.
Sejam envergonhados e consumidos os que são adversários de minha alma; cubram-se de opróbrio e de vexame os que procuram o mal contra mim.
Quanto a mim, esperarei sempre e te louvarei mais e mais.
A minha boca relatará a tua justiça e de contínuo os feitos da tua salvação, ainda que eu não saiba o seu número.
Sinto-me na força do SENHOR Deus; e rememoro a tua justiça, a tua somente.
Tu me tens ensinado, ó Deus, desde a minha mocidade; e até agora tenho anunciado as tuas maravilhas.
Não me desampares, pois, ó Deus, até à minha velhice e às cãs; até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às vindouras o teu poder.
Ora, a tua justiça, ó Deus, se eleva até aos céus.
Grandes coisas tens feito, ó Deus; quem é semelhante a ti?
Tu, que me tens feito ver muitas angústias e males, me restaurarás ainda a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra.
Aumenta a minha grandeza, conforta-me novamente.
Eu também te louvo com a lira, celebro a tua verdade, ó meu Deus; cantar-te-ei salmos na harpa, ó Santo de Israel.
Os meus lábios exultarão quando eu te salmodiar; também exultará a minha alma, que remiste.
Igualmente a minha língua celebrará a tua justiça todo o dia; pois estão envergonhados e confundidos os que procuram o mal contra mim.”

Silvio Dutra

SALMO 73 – Salmo de Asafe

Este salmo revela de modo muito claro que apesar de Deus continuar sendo bom para com aqueles cujos corações foram purificados pela fé nele, todavia, é possível que haja no meio deles alguém que, como o salmista, possa ser achado eventualmente não tão firmado na convicção desta bondade divina, de forma que pode se sentir invejoso da prosperidade que têm muitos daqueles que não amam a Deus, e que não são afligidos tanto quanto são os justos.
Este é um fato inegável, que tal prosperidade dos ímpios, produz inveja e incomoda a muitos que não estão firmados na fé, e no Seu amor pelo Senhor, por não terem aprendido a se gloriarem como Paulo em todas as circunstâncias, até mesmo a sentir prazer nas injúrias, nas necessidades e nas perseguições, por amor de Cristo.
No entanto, não há nenhum motivo para se invejar os arrogantes e perversos, quanto à prosperidade mundana que eles possuem, e não pe necessário atinar com o fim que eles terão no dia do Juízo, tal como ocorreu ao salmista posteriormente, para que se possa ser livrado do sentimento invejoso em relação a eles, porque, apesar de não serem afligidos como os demais homens, e terem abundantes riquezas, fama e poder, no entanto são exatamente estas coisas nas quais colocam a sua confiança, que se tornam num laço de perdição eterna para eles, porque as idolatram, e estão tão apegados a elas, que se recusam a deixar qualquer espaço em seus corações para se devotarem a Deus.
Deste modo, as coisas que possuem não lhes dão qualquer vantagem diante dos demais homens, antes, os coloca em grande desvantagem, porque não podem atinar com a condição de perigo espiritual tanto presente, quanto eterno, na qual se encontram.
Eles são mais tentados que os demais a se tornarem presas da soberba, em razão da sua grande prosperidade mundana.
E da soberba tendem a serem arrogantes e violentos, por causa do falso sentimento de superioridade que sentem em relação às demais pessoas.
Não será nenhuma maravilha ou surpresa ver a falta de quase total temor a Deus que têm tais pessoas, e isto pode ser visto pela sua conversação maliciosa, e do seu falar altivo e opressivo.
Eles falam mal das coisas espirituais, celestiais e divinas, porque julgam que isto é coisa para pobre e para pessoas sem personalidade ou imaginação.
Como Deus não apressa o juízo sobre eles, por ser longânimo, chegam à conclusão que Deus não chega a tomar conhecimento de seus projeto iníquos, mas serão apanhados repentinamente pelo Seu juízo, quanto menos esperarem.
Como aumentam suas riquezas sem experimentar as tribulações dos justos, são uma grande fonte de tentação para estes, tal como foram para o salmista, que pensava que de nada lhe valeu conservar puro o coração e permanecer na prática do bem.
Deus corrige diariamente a Seus filhos visitando-os com aflições, mas os ímpios não são participantes destas correções porque não O amam e não conhecem o seu caráter justo e santo.
Até ter uma melhor revelação sobre o destino eterno dos ímpios, que é totalmente diferente do destino dos santos, o salmista achava uma tarefa muito pesada o só refletir sobre as razões de Deus afligir os justos, e permitir que os ímpios tenham uma prosperidade tranquila neste mundo.
Então o salmista reconhece finalmente que foi por causa da sua ignorância e embrutecimento, que havia ficado com o coração amargurado e com as entranhas abaladas.
Com isto, estava agindo de maneira irracional diante de Deus, apesar de estar sempre em comunhão com Ele, se sentindo sustentado pela sua destra.
Deus instrui Seus filhos até conduzi-los à glória do porvir, mas os ímpios não têm qualquer participação nisto.
Deus crucifica o ego dos Seus filhos com as aflições, especialmente para que possam ter uma maior participação da Sua santidade, e por conseguinte uma maior comunicação e comunhão com Ele, conforme é do Seu desejo.
Afinal é Ele próprio todo o motivo de alegria de Seus filhos na terra, e a porção deles no céu.
O salmista havia aprendido finalmente esta grande lição de que não importa que o nosso coração e a nossa carne desfaleçam por causa das aflições, porque Deus é a fortaleza do nosso coração e herança eterna.
Quando somos fracos, então Ele tem a oportunidade de nos mover segundo a Sua própria força e poder.
As tribulações sofridas com paciência têm esta faculdade de nos aproximarem mais e mais de Deus, e nos tornar semelhantes a Ele quanto à paciência, longanimidade e misericórdia.


“Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo.
Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos.
Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos.
Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio.
Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens.
Daí, a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como manto.
Os olhos saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias.
Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez.
Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra.
Por isso, o seu povo se volta para eles e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.
E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo?
Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranquilos, aumentam suas riquezas.
Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência.
Pois de contínuo sou afligido e cada manhã, castigado.
Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de teus filhos.
Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles.
Tu certamente os pões em lugares escorregadios e os fazes cair na destruição.
Como ficam de súbito assolados, totalmente aniquilados de terror!
Como ao sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a imagem deles.
Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram, eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença.
Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita.
Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória.
Quem mais tenho eu no céu?
Não há outro em quem eu me compraza na terra.
Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.
Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os que são infiéis para contigo.
Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no SENHOR Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos.”

Silvio Dutra

SALMO 78 – Salmo de Asafe

Este salmo é profético e histórico.
É uma narrativa das grandes misericórdias de Deus em relação a Israel, apesar do quanto eles Lhe tinham provocado com os seus pecados, e de o Senhor ter trazido sobre eles várias demonstrações do Seu desgosto por causa dos pecados deles.
Asafe começa o salmo no estilo dos profetas, convocando o povo de Israel a ouvir a Lei do Senhor e a prestar atenção às palavras da Sua boca.
E, como era Deus que falava por ele, deu-lhe que profetizasse acerca do modo pelo qual falaria a Seu povo em dias futuros, por intermédio de Jesus, uma vez que eles sempre eram achados por Ele endurecidos em seus pecados.
Ele lhes falaria por parábolas e falaria das coisas ocultas em mistério deste antes da fundação do mundo, para que ouvissem mas não entendessem, já que haviam se tornado endurecidos para ouvir a Sua voz.
Para que se prevenisse de tal endurecimento contra o Senhor, Israel foi alertado desde os dias de Moisés, que se contasse sucessivamente às gerações de Israel todos os sinais e maravilhas que o Senhor havia feito, e como havia escolhido a Jacó para formar através dele um povo que fosse exclusivamente Seu, para amá-lO e servi-lO.
Então, não deveriam se esquecer dos grandes feitos de Deus, para que não viessem a lhe virar as costas e a ficarem insensíveis e endurecidos, a ponto de não poderem ouvir a Sua voz.
Por isso deveriam colocar, através de todas as gerações de Israel, a sua confiança inteiramente no Senhor, e não esquecerem dos Seus feitos, como também dos Seus mandamentos, para não seguirem o mesmo exemplo de seus pais, aquela geração que havia saído do Egito com Moisés, que era uma geração obstinada, rebelde, de coração inconstante, e que portanto, cujo espírito não foi fiel ao Senhor.
Efraim, filho de José, que apesar de não ser o primogênito, havia sido escolhido pelo Senhor para ser grande em Israel, mas não andou fielmente com o Senhor, e não se portou bem perante Ele, especialmente nos dias dos Juízes, e depois, quando o reino foi dividido em Reino do Sul e do Norte.
Por isso foi levado para o cativeiro pelos assírios juntamente com as demais nove tribos do Reino do Norte.
Todavia, o Senhor havia feito prodígios na presença dos seus antepassados na terra do Egito, e apesar de toda a bondade que lhes manifestara, quando os conduzia no deserto, se rebelaram contra Ele.
Antes de serem levados em cativeiro, o Senhor lhes perdoou os pecados por séculos, quando se voltavam para Ele e O buscavam arrependidos.
Todavia, era um arrependimento superficial, somente de boca, porque o coração não estava firme no Senhor, e assim mentiam para si mesmos e para Deus, quando pensavam que estavam votando para Ele, quando na verdade estavam apenas procurando escapar dos Seus juízos, especialmente das nações inimigas que lhes oprimiam.
Mesmo quando o Senhor lhes deu herança em Canaã, expulsando as nações ímpias de diante deles, nem assim guardaram os Seus testemunhos, e não somente tentaram ao Senhor como resistiram à Sua vontade.
Foi por isso que Deus havia abandonado o tabernáculo em Siló, e permitiu que a arca da aliança fosse capturada pelos filisteus, e permitiu que fossem mortos na guerra que haviam feito contra os filisteus.
E como nunca se firmaram na presença do Senhor, Efraim foi rejeitado, e o Senhor escolheu a tribo de Judá, para cumprir o Seu propósito de apascentar a Israel através de Davi, escolhendo a Jerusalém, para ser o local do Seu templo.


“Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca.
Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos.
O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez.
Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus.
Os filhos de Efraim, embora armados de arco, bateram em retirada no dia do combate. Não guardaram a aliança de Deus, não quiseram andar na sua lei; esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes mostrara.
Prodígios fez na presença de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoã.
Dividiu o mar e fê-los seguir; aprumou as águas como num dique. Guiou-os de dia com uma nuvem e durante a noite com um clarão de fogo.
No deserto, fendeu rochas e lhes deu a beber abundantemente como de abismos.
Da pedra fez brotar torrentes, fez manar água como rios.
Mas, ainda assim, prosseguiram em pecar contra ele e se rebelaram, no deserto, contra o Altíssimo.
Tentaram a Deus no seu coração, pedindo alimento que lhes fosse do gosto.
Falaram contra Deus, dizendo: Pode, acaso, Deus preparar-nos mesa no deserto?
Com efeito, feriu ele a rocha, e dela manaram águas, transbordaram caudais.
Pode ele dar-nos pão também?
Ou fornecer carne para o seu povo?
Ouvindo isto, o SENHOR ficou indignado; acendeu-se fogo contra Jacó, e também se levantou o seu furor contra Israel; porque não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação.
Nada obstante, ordenou às alturas e abriu as portas dos céus; fez chover maná sobre eles, para alimentá-los, e lhes deu cereal do céu.
Comeu cada qual o pão dos anjos; enviou-lhes ele comida a fartar.
Fez soprar no céu o vento do Oriente e pelo seu poder conduziu o vento do Sul.
Também fez chover sobre eles carne como poeira e voláteis como areia dos mares.
Fê-los cair no meio do arraial deles, ao redor de suas tendas. Então, comeram e se fartaram a valer; pois lhes fez o que desejavam.
Porém não reprimiram o apetite. Tinham ainda na boca o alimento, quando se elevou contra eles a ira de Deus, e entre os seus mais robustos semeou a morte, e prostrou os jovens de Israel.
Sem embargo disso, continuaram a pecar e não creram nas suas maravilhas.
Por isso, ele fez que os seus dias se dissipassem num sopro e os seus anos, em súbito terror. Quando os fazia morrer, então, o buscavam; arrependidos, procuravam a Deus.
Lembravam-se de que Deus era a sua rocha e o Deus Altíssimo, o seu redentor.
Lisonjeavam-no, porém de boca, e com a língua lhe mentiam. Porque o coração deles não era firme para com ele, nem foram fiéis à sua aliança.
Ele, porém, que é misericordioso, perdoa a iniquidade e não destrói; antes, muitas vezes desvia a sua ira e não dá largas a toda a sua indignação. Lembra-se de que eles são carne, vento que passa e já não volta.
Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto e na solidão o provocaram!
Tornaram a tentar a Deus, agravaram o Santo de Israel.
Não se lembraram do poder dele, nem do dia em que os resgatou do adversário; de como no Egito operou ele os seus sinais e os seus prodígios, no campo de Zoã; e converteu em sangue os rios deles, para que das suas correntes não bebessem.
Enviou contra eles enxames de moscas que os devorassem e rãs que os destruíssem.
Entregou às larvas as suas colheitas e aos gafanhotos, o fruto do seu trabalho.
Com chuvas de pedra lhes destruiu as vinhas e os seus sicômoros, com geada.
Entregou à saraiva o gado deles e aos raios, os seus rebanhos.
Lançou contra eles o furor da sua ira: cólera, indignação e calamidade, legião de anjos portadores de males.
Deu livre curso à sua ira; não poupou da morte a alma deles, mas entregou-lhes a vida à pestilência. Feriu todos os primogênitos no Egito, as primícias da virilidade nas tendas de Cam.
Fez sair o seu povo como ovelhas e o guiou pelo deserto, como um rebanho. Dirigiu-o com segurança, e não temeram, ao passo que o mar submergiu os seus inimigos.
Levou-os até à sua terra santa, até ao monte que a sua destra adquiriu.
Da presença deles expulsou as nações, cuja região repartiu com eles por herança; e nas suas tendas fez habitar as tribos de Israel.
Ainda assim, tentaram o Deus Altíssimo, e a ele resistiram, e não lhe guardaram os testemunhos.
Tornaram atrás e se portaram aleivosamente como seus pais; desviaram-se como um arco enganoso.
Pois o provocaram com os seus altos e o incitaram a zelos com as suas imagens de escultura.
Deus ouviu isso, e se indignou, e sobremodo se aborreceu de Israel.
Por isso, abandonou o tabernáculo de Siló, a tenda de sua morada entre os homens, e passou a arca da sua força ao cativeiro, e a sua glória, à mão do adversário.
Entregou o seu povo à espada e se encolerizou contra a sua própria herança.
O fogo devorou os jovens deles, e as suas donzelas não tiveram canto nupcial.
Os seus sacerdotes caíram à espada, e as suas viúvas não fizeram lamentações.
Então, o Senhor despertou como de um sono, como um valente que grita excitado pelo vinho; fez recuar a golpes os seus adversários e lhes cominou perpétuo desprezo.
Além disso, rejeitou a tenda de José e não elegeu a tribo de Efraim.
Escolheu, antes, a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava.
E construiu o seu santuário durável como os céus e firme como a terra que fundou para sempre.
Também escolheu a Davi, seu servo, e o tomou dos redis das ovelhas; tirou-o do cuidado das ovelhas e suas crias, para ser o pastor de Jacó, seu povo, e de Israel, sua herança.
E ele os apascentou consoante a integridade do seu coração e os dirigiu com mãos precavidas.”

Silvio Dutra

SALMO 81 – Salmo de Asafe

Este salmo é iniciado com o salmista conclamando o povo de Israel a louvar e a celebrar ao Senhor, especialmente nas ocasiões festivas determinadas pela Lei de Moisés.
Logo após, o salmista fala pelo próprio Deus lamentando o fato de Israel ter-lhe voltado as costas e não ter buscado por Ele na angústia, porque caso o povo o tivesse feito, Ele prontamente os teria livrado.
Todavia, Israel não tinha prazer em Lhe ouvir a voz e também não tinha prazer em cumprir Seus mandamentos.
O Senhor protestou para que não tivessem deuses estranhos no meio deles, e que eles seriam a Sua boca, porque as encheria com as Suas palavras de verdade, para que dessem testemunho dele, mas Israel não o quis.
Por isso o Senhor os deixou entregues à teimosia dos seus corações, para que seguissem os seus próprios conselhos e pensamentos.
Todavia, caso tivessem Lhe dado ouvido, andando nos Seus caminhos, prontamente abateria o inimigo e amarraria os seus adversários, e aqueles que aborreciam ao Senhor, se lhe submeteriam e isto duraria para sempre.
E o Senhor seria o provedor de todas as necessidades do Seu povo.
Deste Salmo aprendemos que é na nossa obediência ao Senhor que se encontra a vitória sobre Satanás e todos os poderes das trevas.


“Cantai de júbilo a Deus, força nossa; celebrai o Deus de Jacó.
Salmodiai e fazei soar o tamboril, a suave harpa com o saltério.
Tocai a trombeta na Festa da Lua Nova, na lua cheia, dia da nossa festa.
É preceito para Israel, é prescrição do Deus de Jacó.
Ele o ordenou, como lei, a José, ao sair contra a terra do Egito.
Ouço uma linguagem que eu não conhecera.
Livrei os seus ombros do peso, e suas mãos foram livres dos cestos.
Clamaste na angústia, e te livrei; do recôndito do trovão eu te respondi e te experimentei junto às águas de Meribá.
Ouve, povo meu, quero exortar-te.
Ó Israel, se me escutasses!
Não haja no meio de ti deus alheio, nem te prostres ante deus estranho.
Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito. Abre bem a boca, e ta encherei.
Mas o meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu.
Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos.
Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos!
Eu, de pronto, lhe abateria o inimigo e deitaria mão contra os seus adversários.
Os que aborrecem ao SENHOR se lhe submeteriam, e isto duraria para sempre.
Eu o sustentaria com o trigo mais fino e o saciaria com o mel que escorre da rocha.”

Silvio Dutra

SALMO 82 – Salmo de Asafe

Neste salmo Deus contende com os magistrados, não somente de Israel, mas de toda a terra.
Os juízes são chamados no Velho Testamento, pela mesma palavra usada muitas vezes para designar o próprio Deus, ou seja Elohiym, que significa pluralidade de majestades ou divindades.
O Senhor lhes deu esta honra de serem assim chamados, porque lhes deu poder para julgarem entre a causa justa e injusta, e até mesmo para dispor das vidas dos malfeitores, sentenciando contra eles cerceamento de liberdade, e até mesmo decidirem sobre a cessação de suas vidas.
Daí serem chamados de deuses, porque receberam poder de libertar ou soltar, de deixar viver ou de matar.
Contudo, deveriam agir com justiça e debaixo do temor do Senhor, e regerem conforme as Suas leis santas e justas.
Mas o salmista revela que eles estavam julgando injustamente e sendo parciais para com a causa dos ímpios.
Todavia deveriam fazer justiça ao fraco e ao órfão, proceder retamente para com o aflito e o desamparado.
Socorrer o fraco e o necessitado e tirá-los das mãos dos ímpios.
Contudo, tais magistrados corrompidos nada sabiam disso, nem podiam entender tais coisas, porque vagueavam nas trevas, e por isso vacilavam os fundamentos da terra, porque não era praticada nela a justiça, e nem era defendida por aqueles que têm o dever de fazê-lo.
Por isso, apesar de chamá-los de Elohiym (deuses), o Senhor tinha uma contenda com eles, e sucumbiriam como homens que eram e são.
Em face de uma justiça terrena falha, o salmista clama para que Deus mesmo exerça juízo na terra.


“Deus assiste na congregação divina; no meio dos deuses, estabelece o seu julgamento.
Até quando julgareis injustamente e tomareis partido pela causa dos ímpios?
Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. Socorrei o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios.
Eles nada sabem, nem entendem; vagueiam em trevas; vacilam todos os fundamentos da terra.
Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo.
Todavia, como homens, morrereis e, como qualquer dos príncipes, haveis de sucumbir.
Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois a ti compete a herança de todas as nações.”

Silvio Dutra

SALMO 83 – Salmo de Asafe

Como nos demais salmos de autoria de Asafe, neste também vemos a exaltação do nome do Senhor, em contraste com os pedidos de juízos contra os inimigos de Israel.
Este salmo expressa o sentimento de Israel neste mundo, sempre ameaçado por muitos inimigos, e sempre dependente do livramento do Senhor para não ser riscado de entre as nações, conforme é do desejo de Satanás contra os israelitas, já tendo em diversas ocasiões da história da humanidade, tentado exterminar Israel, mas a proteção do Senhor jamais desamparará o Seu povo, conforme promessa feita aos seus patriarcas, e importa que Israel permaneça como nação até a volta de Cristo, quando então serão libertados das opressões que têm sofrido, para todo o sempre.

“Ó Deus, não te cales; não te emudeças, nem fiques inativo, ó Deus!
Os teus inimigos se alvoroçam, e os que te odeiam levantam a cabeça.
Tramam astutamente contra o teu povo e conspiram contra os teus protegidos.
Dizem: Vinde, risquemo-los de entre as nações; e não haja mais memória do nome de Israel.
Pois tramam concordemente e firmam aliança contra ti as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe e os hagarenos, Gebal, Amom e Amaleque, a Filístia como os habitantes de Tiro; também a Assíria se alia com eles, e se constituem braço forte aos filhos de Ló. Faze-lhes como fizeste a Midiã, como a Sísera, como a Jabim na ribeira de Quisom; os quais pereceram em En-Dor; tornaram-se adubo para a terra.
Sejam os seus nobres como Orebe e como Zeebe, e os seus príncipes, como Zeba e como Zalmuna, que disseram: Apoderemo-nos das habitações de Deus.
Deus meu, faze-os como folhas impelidas por um redemoinho, como a palha ao léu do vento.
Como o fogo devora um bosque e a chama abrasa os montes, assim, persegue-os com a tua tempestade e amedronta-os com o teu vendaval.
Enche-lhes o rosto de ignomínia, para que busquem o teu nome, SENHOR.
Sejam envergonhados e confundidos perpetuamente; perturbem-se e pereçam.
E reconhecerão que só tu, cujo nome é SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra.”

Silvio Dutra

SALMO 84 – Salmo dos filhos de Core

Apesar de o nome de Davi não constar no título deste salmo, é bem provável que ele tenha sido o autor do mesmo, porque nós vemos aqui o mesmo espírito que movia o grande e mavioso salmista de Israel.
Ele começa com uma declaração maravilhosa e monumental, ao se referir com o seu coração santificado e exultante, aos tabernáculos do Senhor, ou seja, às habitações do Senhor, nas quais Ele era encontrado.
Não propriamente que Deus esteja amarrado a qualquer lugar na terra, mas quando estabelece encontros com o Seu povo, em determinados locais, tanto eles, quanto o local da reunião pode ser chamado de tabernáculo, habitação, ou casa de Deus.
Para os pardais, para as andorinhas, Deus preparou ninhos como o local de habitação deles, mas para os Seus santos, proveu os altares nos quais derramam seus corações perante Ele, e estes podem ser chamados de as moradas do espírito apropriadamente, porque é nestes encontros com o Senhor que os cristãos encontram o seu verdadeiro habitat, a saber o próprio Deus.
Daqueles que estão em comunhão espiritual com o Senhor, pode se dizer deles que estão na habitação do Senhor dos Exércitos, do Rei e Deus de suas vidas.
Estes que habitam na casa do Senhor são bem-aventurados, porque acham força espiritual na pessoa do próprio Deus, e o louvarão perpetuamente, e o Senhor faz com que os seus corações tenham caminhos retos e planos.
Estando assim ligados a Deus, quando passam pelo vale árido da tribulação, fazem com que seja transformado num manancial de bênçãos.
Eles aumentam em força porque são transformados de glória em glória, em graus cada vez maiores de semelhança com o próprio Deus em que habitam, que é uma fortaleza indestrutível.
O salmista sabia que esta condição de bem-aventurança depende de oração constante, perseverante, e por isso pedia ao Senhor para ouvir a sua oração e contemplasse o rosto do seu ungido, porque para ele, um só dia nos Seus átrios valia mais do que mil, e preferia estar ainda que fosse à porta da casa do Senhor, do que permanecer nas tendas dos perversos.
Ele sabia que Deus é como a luz e o calor do sol e um escudo impenetrável de proteção para os Seus amados que andam retamente na Sua presença.
Além disso Ele concede a estes graça e glória, sem a qual eles não podem mais viver.
Deste modo, o homem que é realmente feliz é aquele que confia de tal modo no Senhor, tal como o salmista.


“Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos!
A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!
O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva.
Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião.
SENHOR, Deus dos Exércitos, escuta-me a oração; presta ouvidos, ó Deus de Jacó!
Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade.
Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó SENHOR dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia.”

Silvio Dutra

SALMO 85 – Salmo dos filhos de Core

Provavelmente este salmo tenha sido escrito depois do retorno dos judeus do cativeiro em Babilônia.
Então nós temos aqui a manifestação de gratidão por Deus ter favorecido o Seu povo restaurando-o em sua própria terra, e por ter perdoado a sua iniquidade, depois de terem passado setenta anos no cativeiro.
Deus havia se desviado do ardor da Sua indignação e do furor da Sua ira, depois de tê-los corrigido numa terra estrangeira de aflição.
Todavia, foi para uma terra desolada e queimada que eles haviam retornado.
Haveria necessidade de reconstruir tudo o que havia sido destruído pelos babilônios, e havia muitos inimigos que estavam se opondo ao retorno deles, especialmente os samaritanos.
Por isso, ao mesmo tempo que orava agradecendo a Deus pela restauração, o salmista lhe pediu também que os restabelecesse completamente e que retirasse de sobre eles a Sua ira, vivificando-lhes com o regozijo da Sua presença e misericórdia, concedendo-lhes a Sua salvação.
O salmista não orava como quem duvida, porque tinha a plena certeza de que o Senhor ouviria as orações de Seu povo e que voltaria a lhes falar de paz, e preservaria os Seus santos para que não caíssem em insensatez.
Tal seria o caráter da salvação que Deus manifestaria a Israel, especialmente nos dias do Messias, que haveria um encontro da graça com a verdade; e a justiça e paz se beijariam, isto é, estariam conciliadas.
A graça de Jesus faria com que a verdade brotasse na terra, e a justiça baixaria o seu olhar desde os céus, porque muitos seriam justificados aos olhos de Deus, desde os céus, com a própria justiça de Jesus.
E o fruto desta graça e justiça seria o fruto do Espírito Santo, do qual o salmista ressaltou a bondade.
Isto sucederia porque a justiça do Senhor iria adiante dEle, e Suas pegadas formariam caminhos retos para que o Seu povo ande por ele.
Isto significa que o Senhor não trataria com o Seu povo, na base da própria justiça deles, mas com base na justiça de Seu Filho Jesus Cristo.
Todavia, esta justiça lhes seria dada e atribuída para que vivessem na prática da justiça, a qual também seria neles implantada progressivamente pelo Espírito Santo.


“Favoreceste, SENHOR, a tua terra; restauraste a prosperidade de Jacó.
Perdoaste a iniquidade de teu povo, encobriste os seus pecados todos.
A tua indignação, reprimiste-a toda, do furor da tua ira te desviaste.
Restabelece-nos, ó Deus da nossa salvação, e retira de sobre nós a tua ira.
Estarás para sempre irado contra nós?
Prolongarás a tua ira por todas as gerações?
Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?
Mostra-nos, SENHOR, a tua misericórdia e concede-nos a tua salvação.
Escutarei o que Deus, o SENHOR, disser, pois falará de paz ao seu povo e aos seus santos; e que jamais caiam em insensatez.
Próxima está a sua salvação dos que o temem, para que a glória assista em nossa terra.
Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram.
Da terra brota a verdade, dos céus a justiça baixa o seu olhar.
Também o SENHOR dará o que é bom, e a nossa terra produzirá o seu fruto.
A justiça irá adiante dele, cujas pegadas ela transforma em caminhos.”

Silvio Dutra

SALMO 86 – Salmo de Davi

Davi era um homem segundo o coração de Deus porque ele conhecia todos os segredos para se chegar ao coração do Senhor, e tinha um espírito cheio das virtudes do próprio Cristo, que nele haviam sido implantadas pelo Espírito Santo.
.Nós o encontramos pedindo logo no início deste salmo, que o Senhor inclinasse os Seus ouvidos e que lhe respondesse porque se encontrava aflito e necessitado.
E logo em seguida ele afirma o motivo porque esperava ser ouvido: porque era piedoso e confiava na salvação do Senhor.
Ele misturava a piedade à fé.
Mas não era por confiar na sua própria piedade que contava ser ouvido por Deus, porque sabia que a piedade e a fé são necessárias, mas se não clamarmos, se não pedirmos, se não batermos à porta, se não buscarmos ao Senhor, nós não O encontraremos.
Precisamos saber fazer tal distinção como Davi havia aprendido a fazer.
Sabia que era necessário andar em retidão, mas sabia que não poderia ter esta retidão se não a buscasse continuamente em oração no Senhor, que é a fonte de todo o bem.
Não era confiado na sua própria justiça que ele sabia que seria ouvido por Deus, mas por saber que é grande a Sua misericórdia, de modo que sempre Lhe pedia que se compadecesse dele.
Sua expectativa quando orava, era a de que Deus gerasse alegria espiritual em sua alma, porque é esta alegria do Espírito Santo que é a nossa força, para que possamos fazer a obra de Deus.
Davi sabia que era necessário elevar a alma na busca do Senhor para que fosse alegrado com tal alegria espiritual.
Fazia isto com total confiança porque sabia perfeitamente quão bom e misericordioso é o Senhor, e grande em benignidade para com todos os que invocam o Seu nome.
Davi não ficava esperando as coisas melhorarem por si mesmas no dia da angústia.
Ao contrário, era exatamente nestas horas que ele mais clamava a Deus buscando por livramento, e tinha plena convicção de que seria respondido, porque o Senhor sempre atendia aos seus clamores.
Davi sabia que todas as nações ainda se prostrariam diante do Senhor, porque não há quem possa realizar as obras que somente Ele pode fazer, sendo grandes as Suas maravilhas.
Não havia em Davi um coração presunçoso, porque apesar de toda a experiência que tinha nos assuntos divinos, sabia que dependia inteiramente do Senhor para que continuasse a lhe ensinar o Seu caminho e a capacitá-lo a andar na Sua verdade.
Por isso Davi sempre dava graças a Deus por tudo, e de todo o seu coração.
Os muitos inimigos de Davi nunca conseguiram prevalecer contra ele, porque grande era a misericórdia de Deus que sempre o livrava do poder da morte.
A vida é mais forte do que a morte.
E o nosso Deus é a própria vida.
Deus era o ajudador e o consolador de Davi, e o favor de Deus para com ele, sempre envergonhava aqueles que o aborreciam.


“Inclina, SENHOR, os ouvidos e responde-me, pois estou aflito e necessitado.
Preserva a minha alma, pois eu sou piedoso; tu, ó Deus meu, salva o teu servo que em ti confia.
Compadece-te de mim, ó Senhor, pois a ti clamo de contínuo.
Alegra a alma do teu servo, porque a ti, Senhor, elevo a minha alma.
Pois tu, Senhor, és bom e compassivo; abundante em benignidade para com todos os que te invocam.
Escuta, SENHOR, a minha oração e atende à voz das minhas súplicas.
No dia da minha angústia, clamo a ti, porque me respondes.
Não há entre os deuses semelhante a ti, Senhor; e nada existe que se compare às tuas obras.
Todas as nações que fizeste virão, prostrar-se-ão diante de ti, Senhor, e glorificarão o teu nome.
Pois tu és grande e operas maravilhas; só tu és Deus!
Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe-me o coração para só temer o teu nome.
Dar-te-ei graças, Senhor, Deus meu, de todo o coração, e glorificarei para sempre o teu nome.
Pois grande é a tua misericórdia para comigo, e me livraste a alma do mais profundo poder da morte.
Ó Deus, os soberbos se têm levantado contra mim, e um bando de violentos atenta contra a minha vida; eles não te consideram.
Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e cheio de graça, paciente e grande em misericórdia e em verdade.
Volta-te para mim e compadece-te de mim; concede a tua força ao teu servo e salva o filho da tua serva.
Mostra-me um sinal do teu favor, para que o vejam e se envergonhem os que me aborrecem; pois tu, SENHOR, me ajudas e me consolas.”

Silvio Dutra

SALMO 90 – Salmo de Moisés

Neste salmo de autoria de Moisés, se declara a eternidade de Deus, de forma que pode ser o refúgio de todas as gerações.
Sendo Ele eterno e infinito, a vida do homem, na terra, aos olhos do Senhor é menos que um sopro, porque para Ele mil anos são como um único dia.
E dentre os homens em geral, mesmo os mais vigorosos, não é comum se ultrapassar oitenta anos de idade, e quando se alcança esta idade, já se encontram enfadados e cansados.
Moisés chama portanto, a todos os homens a ponderarem esta verdade, para não consumirem os seus dias na terra de maneira não sábia, e que não seja, por conseguinte, segundo a vontade de Deus.
Os anos de existência do homem na terra foram abreviados por Ele, em razão do pecado.
Moisés conheceu bem de perto o que é o atributo da ira de Deus contra o pecado, quando teve que peregrinar com uma geração de israelitas incrédulos e rebeldes, por quarenta anos no deserto, e vendo não raras vezes, a ira do Senhor se acendendo contra os pecados deles.
Ele havia entendido que o homem não pode, de si mesmo, agradar a Deus se Ele não lhe manifestar o Seu favor e graça, para que seja ensinado a contar (considerar devidamente) os seus dias, de modo a alcançar um coração sábio.
Mas sem o temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria, ninguém poderá ser ensinado sobre qual seja o caminho em que deve andar, porque isto é feito pela iluminação do Espírito, e não somente através da vontade divina revelada escrita, conforme esta havia sido passada a Moisés através dos mandamentos e de outras formas de revelação do Senhor.
Se Deus não dispuser o coração do homem para que possa conhecê-lO, todo o seu conhecimento teológico será em vão, porque Deus não é um conceito, mas uma pessoa viva.
Por isso Moisés lhe rogava que se manifestasse ao Seu povo, e que tivesse misericórdia deles, saciando-os com a Sua benignidade, para que seus corações fossem movidos com louvores de júbilo, por todos os dias de suas vidas.
Moisés orou para que o número de anos em que haviam sido afligidos suportando a adversidade, debaixo da ira do Senhor, fosse o mesmo com o qual Ele alegrasse os seus corações, manifestando as Suas obras e glória aos Seus filhos.
E finalmente, orou pedindo que o Senhor derramasse sobre eles a Sua graça e confirmasse as obras das suas mãos.


“Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração.
Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.
Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens.
Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite.
Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca.
Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados.
Diante de ti puseste as nossas iniquidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos.
Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento.
Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.
Quem conhece o poder da tua ira?
E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?
Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.
Volta-te, SENHOR!
Até quando?
Tem compaixão dos teus servos.
Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias.
Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade.
Aos teus servos apareçam as tuas obras, e a seus filhos, a tua glória.
Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos.”

Silvio Dutra

SALMO 91

Este é um dos salmos mais conhecidos e apreciados em todo o mundo, porque fala da segurança que há para aqueles que têm habitado no esconderijo do Altíssimo, e que por conseguinte, descansam à sombra do Onipotente, de modo que Lhe declaram: “Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio.”
Estes podem descansar no Senhor porque Ele os livra do laço do passarinheiro e da peste perniciosa, ou seja tanto de pragas, quanto das armadilhas dos homens e do diabo.
E esta proteção é obtida porque se encontram abrigados no próprio Deus, qual os pintainhos da águia debaixo de suas asas.
E as asas que os protegem são a verdade em que se encontram e na qual vivem, porque esta é para eles tal como um escudo.
Espantos noturnos não podem assustar quem está abrigado de tal forma em Deus, e nem sequer perigos de morte durante o dia, quer seja na forma de agressões violentas físicas ou espirituais, ou pestes e mortandades produzidas pela maldade dos homens, porque ainda que muitos sejam atingidos ao seu redor, no entanto, a proteção do Senhor, sob a qual tal pessoa se encontra será o fator que impedirá que ela seja atingida.
Os que fizeram do Deus Altíssimo o seu refúgio e morada poderão não somente serem livrados do mal e de pragas em suas casas, como também contemplarão com os seus próprios olhos o castigo dos ímpios que se levantam contra o Senhor, no dia do grande juízo final.
Há um exército de anjos trabalhando sob as ordens de Deus, para que guardem os santos em todos os seus caminhos.
Eles podem estar certos que mesmo que o caminho seja aplanado, por ser de justiça e de verdade, no entanto, ao receberem ataques dos espíritos das trevas não tropeçarão, porque os anjos do Senhor lhes sustentarão nas suas mãos.
E o próprio cristão fiel receberá autoridade da parte de Deus para pisar a cabeça do diabo, representado neste salmo pelo leão que ruge, e pela áspide, porque se apegou ao Senhor com amor, e esta é a razão de poder contar com a Sua salvação e livramento.
Todos os que conhecem o Senhor, e que buscam refúgio nEle, andando na Sua verdade, lhe invocarão no dia da angústia, e o Senhor lhes responderá e livrará, porque nos tem feito tal promessa.
Ele será a nossa companhia na tribulação e há de nos glorificar e de nos saciar, dando-nos longevidade por nos mostrar a Sua salvação.


“O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio.
Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa.
Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, estarás seguro; a sua verdade é pavês e escudo.
Não te assustarás do terror noturno, nem da seta que voa de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola ao meio-dia.
Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido.
Somente com os teus olhos contemplarás e verás o castigo dos ímpios.
Pois disseste: O SENHOR é o meu refúgio.
Fizeste do Altíssimo a tua morada.
Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.
Pisarás o leão e a áspide, calcarás aos pés o leãozinho e a serpente.
Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele, livra-lo-ei e o glorificarei.
Sacia-lo-ei com longevidade e lhe mostrarei a minha salvação.”

Silvio Dutra

SALMO 92

O salmista está alegre e rendendo graças ao Senhor e cantando louvores ao Seu nome, proclamando a Sua misericórdia a cada manhã, e a Sua fidelidade a cada noite, usando instrumentos de cordas para louvá-lO.
Deus havia alegrado o seu coração com os Seus feitos e por isso ele exultava nas obras das mãos do Senhor.
E quão grandes obras são estas!
Ele estava encantado com a profundidade dos pensamentos do Senhor, que lhe haviam sido revelados em espírito.
E as coisas de Deus relativas ao Seu reino são vistas somente por aqueles que O conhecem.
O ímpio não pode conhecer isto, antes, há um juízo de destruição eterno para os que vivem na prática da iniquidade.
Deste modo, não era por coisas que havia recebido de Deus, por causa de possíveis interesses egoístas, que o salmista havia sido alegrado pelo Senhor, mas porque o próprio Deus havia se manifestado a ele e lhe dado compreensão das Suas obras de misericórdia, justiça e fidelidade.
Fortalecido pela unção do Senhor se sentia revigorado para poder enfrentar as investidas dos ímpios contra a sua alma justa.
Ele sabia que os seus inimigos, eram na verdade inimigos de Deus e da Sua verdade, e por isso seriam visitados no tempo próprio pelos Seus juízos divinos, mas quanto aos justos, tal como ele, sabia que estes florescerão como a palmeira e crescerão como o cedro do Líbano.
Representam assim os santos que recebem o seu crescimentos e frutificação diretamente da parte de Deus.
Os justos são como tais árvores plantadas na casa do Senhor e que florescem nos Seus átrios.
E tal como o cedro e a palmeira, eles não cessarão de dar frutos espirituais para Deus, mesmo quando forem velhos, porque estarão ainda cheios da seiva e do verdor da graça de Jesus, para anunciarem que Ele é reto, e a nossa rocha e justiça.


“Bom é render graças ao SENHOR e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a tua misericórdia e, durante as noites, a tua fidelidade, com instrumentos de dez cordas, com saltério e com a solenidade da harpa.
Pois me alegraste, SENHOR, com os teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos.
Quão grandes, SENHOR, são as tuas obras!
Os teus pensamentos, que profundos!
O inepto não compreende, e o estulto não percebe isto: ainda que os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a iniquidade, nada obstante, serão destruídos para sempre; tu, porém, SENHOR, és o Altíssimo eternamente.
Eis que os teus inimigos, SENHOR, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que praticam a iniquidade.
Porém tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem; derramas sobre mim o óleo fresco.
Os meus olhos veem com alegria os inimigos que me espreitam, e os meus ouvidos se satisfazem em ouvir dos malfeitores que contra mim se levantam.
O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano.
Plantados na Casa do SENHOR, florescerão nos átrios do nosso Deus.
Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar que o SENHOR é reto.
Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.”

Silvio Dutra

SALMO 95

Partes deste salmo são citadas no texto de Hebreus 3.7-11; 15; 4.7. O autor de Hebreus se valeu deste salmo para ilustrar e afirmar que a incredulidade impede a entrada no descanso do Senhor, que é Ele próprio.
Todo cristão genuíno será portanto identificado pelo fato de não endurecer o seu coração quando ouvir a voz do Senhor, pelo Espírito Santo, conforme se afirma nos versos 7 e 8 de Hb 3.
Os israelitas cujos corpos ficaram prostrados no deserto, durante a jornada de 40 anos rumo a Canaã, nos dias de Moisés, provaram que eram incrédulos, pelo comportamento deles, provocando e tentando o Senhor no deserto, colocando-o à prova por diversas vezes, para que mostrasse que Ele estava de fato no meio deles, porque consideravam que Ele estivesse ausente em razão das dificuldades que estavam enfrentando.
Por esta razão é afirmado que aqueles que são de Cristo estão identificados com os Seus sofrimentos e não duvidarão do Seu amor e bondade para com eles, por causa das aflições que experimentam neste mundo por amor ao Seu nome e ao evangelho.
Estes que se rebelam contra o Senhor por causa dos seus sofrimentos, e que vivem sempre à busca de que seja feita a sua própria vontade, segundo os seus interesses egoístas, nunca poderão conhecer os caminhos de Deus, como se afirma no verso 10, e ficam sujeitados aos Seus juízos quanto a não conhecerem o descanso que há nEle para as suas almas, como se afirma no verso 11.
Aqueles que se recusam a tomar o jugo de Jesus não podem experimentar o descanso que Ele pode e quer nos dar quando estamos sobrecarregados e cansados pelas circunstâncias difíceis desta vida, conforme sua promessa em Mt 11.28-30.
Não é dado a nenhum cristão, pela vontade de Deus, que venha a apostatar da fé, a ter um coração mau e infiel, porque Ele é digno de receber honra, glória, louvor e paciência e perseverança em todos os nossos sofrimentos por amor a Ele.
Não fazê-lo é imputar-lhe uma grande desonra, porque afirmamos por nosso comportamento infiel que Ele não é poderoso, bondoso e fiel para nos guardar e consolar.
Daí se exigir que nos exortemos mutuamente, ou seja, que nos incentivemos, todos os dias, para que não sejamos endurecidos pelo pecado. Não pela falta de poder em Deus para nos firmar, mas por causa da nossa própria fraqueza e da perversidade da natureza terrena da qual devemos nos despojar, que nos inclina a nos afastarmos do Deus vivo.
Não é portanto por causa de Deus que devemos nos exortar, porque Ele é fiel em cumprir o que tem prometido, mas por causa da nossa própria fraqueza.
Se o cristão não se permite ser exortado pela Palavra, e não dobra a sua cerviz, para reconhecer seus pecados e fraquezas, de maneira que peça humildemente ao Senhor que o fortaleça com a Sua graça, é bem certo que ele cairá da graça e da firmeza que tinha em Cristo, porque entristecerá o Espírito Santo com o seu endurecimento à verdade, e uma vez entristecido o Espírito, o Seu fogo que nos santifica, purifica e consola, se apaga, e sem este fogo não podemos viver de acordo com a vontade de Deus, e sermos os cristãos espirituais que devemos ser, para estarmos habilitados a fazer a Sua obra.
Cristãos não são pintinhos que vivem amontoados piando sem parar pedindo por alimento. Eles são filhotes de águias que aguardam pelo seu alimento com confiança, que será recebido com toda a certeza pela provisão de seus pais.
Deus não se agrada portanto daqueles que se aproximam dEle apenas com a expectativa de receberem coisas para gastarem em seus próprios interesses, mas daqueles que se dispõem a receberem crescimento dEle para que possam servi-lo.
Mas, para isto é necessário fazer o que se diz no verso 14, lembrando sempre daqueles israelitas que não entraram no repouso do Senhor por causa de um viver na incredulidade.
Faziam parte do povo de Deus mas eram incrédulos.
Não deram a devida honra e glória a Ele, por demonstrações práticas de fé em suas vidas, especialmente por obedecerem toda a Sua vontade, dispondo-se principalmente a entrarem em Canaã e lutarem para conquistar aquilo que lhes havia sido dado por promessa.
Por isso o autor de Hebreus diz no verso 14 do terceiro capítulo da referida epístola:
“Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se de fato guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o princípio tivemos”.
Jesus não nos chamou simplesmente para nos livrar da condenação eterna no fogo do inferno, mas para efetuarmos conquistas sobre o reino das trevas, sobretudo resgatando almas das garras do diabo.
Para isto é necessário fazer renúncias ao ego, consagrar-se a Ele, usar a armadura de Deus e lutar contra o Inimigo todos os dias, fazendo valer um testemunho valoroso de bons soldados de Cristo.
É por isso que se diz que confirmamos que somos de fato participantes da vida ressurrecta de Cristo, pelo Seu poder operante em nossas vidas, todos os dias, até o fim, e desde o início da confiança que depositamos nEle desde o dia da nossa conversão.
Para prevenir uma possível apostasia, o salmista começa esta salmo convidando o povo a cantar ao Senhor com júbilo e a celebrá-lO porque é o Rochedo da salvação do seu povo.
Ele deve ser buscado com ações de graças e louvado com salmos; porque é o Deus supremo e o grande Rei acima de todos os deuses. Ele é o Criador que sustenta todas as coisas.


“Vinde, cantemos ao SENHOR, com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação.
Saiamos ao seu encontro, com ações de graças, vitoriemo-lo com salmos.
Porque o SENHOR é o Deus supremo e o grande Rei acima de todos os deuses.
Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes lhe pertencem.
Dele é o mar, pois ele o fez; obra de suas mãos, os continentes.
Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou.
Ele é o nosso Deus, e nós, povo do seu pasto e ovelhas de sua mão.
Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração, como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto, quando vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, não obstante terem visto as minhas obras.
Durante quarenta anos, estive desgostado com essa geração e disse: é povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos.
Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso.”

Silvio Dutra

SALMO 96

O salmista conclama a todos os povos que louvem ao Senhor com um cântico novo, bendizendo o Seu nome, e proclamando a Sua salvação todos os dias.
Ele os conclama profeticamente para que seja anunciada em todas as nações a glória do Senhor, e entre todos os povos as Suas maravilhas, porque isto viria a ser feito nos dias do evangelho.
Seria pouco que um Deus tão grande fosse louvado apenas em Israel, porque somente Ele é o criador de todas as coisas.
A glória e majestade que iam adiante dEle, e a Sua força e formosura, podiam ser notadas no Seu santuário.
Todas as nações e povos devem tributo de louvor ao Senhor e a glória devida ao Seu nome, cultuando-O na forma que tem estabelecido: no templo de Jerusalém no Antigo Testamento, e na Igreja na presente dispensação da graça.
Deus deve ser adorado na beleza da Sua santidade, e todos devem tremer diante dEle.
Às nações deve ser proclamado que Ele é Rei, e isto tem sido feito especialmente pela Igreja de Cristo.
Os céus e a terra se alegrarão e exultarão na presença do Senhor, porque restaurará todas as coisas na Sua vinda, para julgar o mundo, e então a criação já não mais gemerá por causa do pecado.


“Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR, todas as terras.
Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; proclamai a sua salvação, dia após dia.
Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas.
Porque grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses.
Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos; o SENHOR, porém, fez os céus.
Glória e majestade estão diante dele, força e formosura, no seu santuário.
Tributai ao SENHOR, ó famílias dos povos, tributai ao SENHOR glória e força.
Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios.
Adorai o SENHOR na beleza da sua santidade; tremei diante dele, todas as terras.
Dizei entre as nações: Reina o SENHOR. Ele firmou o mundo para que não se abale e julga os povos com equidade.
Alegrem-se os céus, e a terra exulte; ruja o mar e a sua plenitude.
Folgue o campo e tudo o que nele há; regozijem-se todas as árvores do bosque, na presença do SENHOR, porque vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, consoante a sua fidelidade.”

Silvio Dutra

SALMO 97

Este salmo é profético e prenuncia as condições reinantes por ocasião da volta de Jesus para estabelecer juízo em toda a terra.
Quando Ele estiver entronizado em Sião todas as nações, inclusive as ilhas de toda a terra se alegrarão.
Os inimigos do Senhor serão abatidos por ocasião da Sua volta, então este Dia será de densas nuvens e trevas para eles, e um fogo consumidor que os devorará.
Naquele dia por vir haverá sinais no céu e na terra, e todos os povos verão o Senhor vindo com grande poder e glória.
Os que adoram ídolos serão confundidos.
Mas em Sião haverá grande alegria por causa da justiça do Senhor, que reinará sobre toda a terra.
Então, todos os que amam a volta do Senhor devem viver de modo santo, detestando o mal, porque é assim que serão achados dignos de estarem de pé na Sua presença, por ocasião do Seu Retorno.


“Reina o SENHOR.
Regozije-se a terra, alegrem-se as muitas ilhas.
Nuvens e escuridão o rodeiam, justiça e juízo são a base do seu trono.
Adiante dele vai um fogo que lhe consome os inimigos em redor.
Os seus relâmpagos alumiam o mundo; a terra os vê e estremece.
Derretem-se como cera os montes, na presença do SENHOR, na presença do Senhor de toda a terra.
Os céus anunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua glória.
Sejam confundidos todos os que servem a imagens de escultura, os que se gloriam de ídolos; prostrem-se diante dele todos os deuses.
Sião ouve e se alegra, as filhas de Judá se regozijam, por causa da tua justiça, ó SENHOR.
Pois tu, SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra; tu és sobremodo elevado acima de todos os deuses.
Vós que amais o SENHOR, detestai o mal; ele guarda a alma dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios.
A luz difunde-se para o justo, e a alegria, para os retos de coração.
Alegrai-vos no SENHOR, ó justos, e dai louvores ao seu santo nome.”

Silvio Dutra