Salmos da Bíblia

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SALMO 101 – Salmo de Davi

Davi fala neste salmo qual seria a sua atitude como rei, para que Israel andasse nos caminhos do Senhor.
Ele se dispôs a atentar sabiamente ao caminho da perfeição, mas sabia que para isto dependeria de que a presença do Senhor fosse sempre com ele.
Davi havia se determinado ter da porta para dentro de sua casa um coração sincero, e isto significa que nem aos seus íntimos se permitiria usar de alguma falsidade para com eles em nome da familiaridade.
Ele guardaria os seus olhos de contemplarem qualquer coisa injusta, e aborreceria o proceder dos que se desviam, e não permitiria ser influenciado por eles.
Ele guardaria o seu coração de toda perversidade, porque cultivaria um coração puro para com Deus, que não conhecesse o mal por experiência.
Ele não permitiria que escapassem do juízo no seu reino, aos que caluniassem o seu próximo às ocultas, e não toleraria os de olhar altivo e coração soberbo.
Antes, procuraria estar na companhia dos que são fiéis, para que reinassem com ele, habitando em sua corte, e somente aqueles que andassem em caminhos retos, lhe serviriam.
Ele não deixaria que ficassem em sua casa o que usa de fraude, e que profere mentiras, nem sequer permitiria que estivessem em sua presença.
Todos os dias, ele procuraria manter a cidade santa do Senhor livre da influência dos ímpios e dos que praticam a iniquidade, que nela se encontravam.
O mesmo se dará em relação ao reino de Jesus, quando for estabelecido na terra no período do milênio, que será inaugurado por ocasião do Seu retorno, reino este do qual o de Davi era um tipo, porque não herdarão o reino de Deus todos os que se encaixam nas descrições daqueles que Davi afirmou, que não teria a seu lado.


“Cantarei a bondade e a justiça; a ti, SENHOR, cantarei.
Atentarei sabiamente ao caminho da perfeição.
Oh! Quando virás ter comigo?
Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero.
Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam; nada disto se me pegará.
Longe de mim o coração perverso; não quero conhecer o mal.
Ao que às ocultas calunia o próximo, a esse destruirei; o que tem olhar altivo e coração soberbo, não o suportarei.
Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá.
Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude; o que profere mentiras não permanecerá ante os meus olhos.
Manhã após manhã, destruirei todos os ímpios da terra, para limpar a cidade do SENHOR dos que praticam a iniquidade.”

Silvio Dutra

SALMO 99

Como nos salmos precedentes, neste também, todas as nações da terra são conclamadas a honrarem e a louvarem o Senhor, quando Ele estiver reinando em Sião. Servos fiéis do passado que serviram ao Senhor, são aqui citados (Moisés, Arão, Samuel) porque clamavam ao Senhor e eram por Ele ouvidos. São citados para que sigamos o exemplo deles, guardando os Seus mandamentos, porque aos que temem assim ao Senhor, têm os seus pecados perdoados, tal como estes grandes servos do passado tiveram, e assim, a esperança de salvação é segura e garantirá que estejamos de pé, de modo digno diante do Senhor, quando Ele estiver reinando.

“Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra. O SENHOR é grande em Sião e sobremodo elevado acima de todos os povos. Celebrem eles o teu nome grande e tremendo, porque é santo. És rei poderoso que ama a justiça; tu firmas a equidade, executas o juízo e a justiça em Jacó. Exaltai ao SENHOR, nosso Deus, e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés, porque ele é santo. Moisés e Arão, entre os seus sacerdotes, e, Samuel, entre os que lhe invocam o nome, clamavam ao SENHOR, e ele os ouvia. Falava-lhes na coluna de nuvem; eles guardavam os seus mandamentos e a lei que lhes tinha dado. Tu lhes respondeste, ó SENHOR, nosso Deus; foste para eles Deus perdoador, ainda que tomando vingança dos seus feitos. Exaltai ao SENHOR, nosso Deus, e prostrai-vos ante o seu santo monte, porque santo é o SENHOR, nosso Deus.”

Silvio Dutra

SALMO 98

Como os dois salmos precedentes, este também é um prenúncio do futuro reino glorioso do Messias, quando todas as nações da terra o servirão.

“Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória. O SENHOR fez notória a sua salvação; manifestou a sua justiça perante os olhos das nações. Lembrou-se da sua misericórdia e da sua fidelidade para com a casa de Israel; todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus. Celebrai com júbilo ao SENHOR, todos os confins da terra; aclamai, regozijai-vos e cantai louvores. Cantai com harpa louvores ao SENHOR, com harpa e voz de canto; com trombetas e ao som de buzinas, exultai perante o SENHOR, que é rei. Ruja o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam. Os rios batam palmas, e juntos cantem de júbilo os montes, na presença do SENHOR, porque ele vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com equidade.”

Silvio Dutra

SALMO 94

Este salmo, como todos os demais salmos chamados imprecatórios, ou amaldiçoadores dos ímpios, somente podem ser compreendidos quando sabemos qual foi o povo que os produziu, a saber a nação de Israel, que desde a sua formação a partir de Abraão, tem sofrido duras perseguições de todas as nações, especialmente no período do Velho Testamento, quando as sofreu no contexto de guerras constantes contra as nações vizinhas. Tal era a crueldade que eles sofreram de tais nações que isto deixou uma marca muito característica neles, que é a de sendo um povo pequeno, de recorrerem sempre a Deus para que não somente os defendesse de seus implacáveis inimigos, como também, que desse cabo deles. O Senhor havia dado aos israelitas, desde Abraão, costumes para serem guardados por eles, totalmente diferentes dos das nações pagãs, e também lhes proibiu que se misturassem com eles, para não serem contaminados por suas práticas, especialmente o que se referia à idolatria. Sendo diferentes foram e têm sido perseguidos, da mesma maneira que o mundo persegue os cristãos que sustentam um testemunho verdadeiramente fiel a Cristo.

“Ó SENHOR, Deus das vinganças, ó Deus das vinganças, resplandece. Exalta-te, ó juiz da terra; dá o pago aos soberbos. Até quando, SENHOR, os perversos, até quando exultarão os perversos? Proferem impiedades e falam coisas duras; vangloriam-se os que praticam a iniquidade. Esmagam o teu povo, SENHOR, e oprimem a tua herança. Matam a viúva e o estrangeiro e aos órfãos assassinam. E dizem: O SENHOR não o vê; nem disso faz caso o Deus de Jacó. Atendei, ó estúpidos dentre o povo; e vós, insensatos, quando sereis prudentes? O que fez o ouvido, acaso, não ouvirá? E o que formou os olhos será que não enxerga? Porventura, quem repreende as nações não há de punir? Aquele que aos homens dá conhecimento não tem sabedoria? O SENHOR conhece os pensamentos do homem, que são pensamentos vãos. Bem-aventurado o homem, SENHOR, a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei, para lhe dares descanso dos dias maus, até que se abra a cova para o ímpio. Pois o SENHOR não há de rejeitar o seu povo, nem desamparar a sua herança. Mas o juízo se converterá em justiça, e segui-la-ão todos os de coração reto. Quem se levantará a meu favor, contra os perversos? Quem estará comigo contra os que praticam a iniquidade? Se não fora o auxílio do SENHOR, já a minha alma estaria na região do silêncio. Quando eu digo: resvala-me o pé, a tua benignidade, SENHOR, me sustém. Nos muitos cuidados que dentro de mim se multiplicam, as tuas consolações me alegram a alma. Pode, acaso, associar-se contigo o trono da iniquidade, o qual forja o mal, tendo uma lei por pretexto? Ajuntam-se contra a vida do justo e condenam o sangue inocente. Mas o SENHOR é o meu baluarte e o meu Deus, o rochedo em que me abrigo. Sobre eles faz recair a sua iniquidade e pela malícia deles próprios os destruirá; o SENHOR, nosso Deus, os exterminará.”

Silvio Dutra

SALMO 93

Este salmo celebra o reino eterno do Senhor, e a glória da majestade deste grande Rei cujos testemunhos são fidelíssimos, e a cuja casa convém a santidade para sempre.

“Reina o SENHOR.
Revestiu-se de majestade; de poder se revestiu o SENHOR e se cingiu.
Firmou o mundo, que não vacila.
Desde a antiguidade, está firme o teu trono; tu és desde a eternidade.
Levantam os rios, ó SENHOR, levantam os rios o seu bramido; levantam os rios o seu fragor.
Mas o SENHOR nas alturas é mais poderoso do que o bramido das grandes águas, do que os poderosos vagalhões do mar.
Fidelíssimos são os teus testemunhos; à tua casa convém a santidade, SENHOR, para todo o sempre.”

Silvio Dutra

SALMO 88 – Salmo dos filhos de Core

Neste salmo, o salmista chora na presença do Senhor pela condição de abatimento extremo da sua alma. Ele sofre pela ausência da comunhão com o Senhor, e pelo sentir da repreensão da Sua ira. Ele sofre porque em vez de se achar em tal condição como se estivesse morto, o seu desejo era o de louvar e exaltar o nome do Senhor. Por isso orou para que os ouvidos do Senhor atendessem ao Seu clamor e que a sua oração chegasse à Sua presença. O salmista encontrava-se solitário, porque até mesmo do consolo da presença dos seus amigos Ele havia sido privado, e considerava que isto havia sido feito pelo próprio Deus. Assim, orava para que fosse libertado de tais sentimentos e para que sua alma voltasse a achar paz e descanso no Senhor.

“Ó SENHOR, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti. Chegue à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor. Pois a minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte. Sou contado com os que baixam à cova; sou como um homem sem força, atirado entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais já não te lembras; são desamparados de tuas mãos. Puseste-me na mais profunda cova, nos lugares tenebrosos, nos abismos. Sobre mim pesa a tua ira; tu me abates com todas as tuas ondas. Apartaste de mim os meus conhecidos e me fizeste objeto de abominação para com eles; estou preso e não vejo como sair. Os meus olhos desfalecem de aflição; dia após dia, venho clamando a ti, SENHOR, e te levanto as minhas mãos. Mostrarás tu prodígios aos mortos ou os finados se levantarão para te louvar? Será referida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade, nos abismos? Acaso, nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a tua justiça, na terra do esquecimento? Mas eu, SENHOR, clamo a ti por socorro, e antemanhã já se antecipa diante de ti a minha oração. Por que rejeitas, SENHOR, a minha alma e ocultas de mim o rosto? Ando aflito e prestes a expirar desde moço; sob o peso dos teus terrores, estou desorientado. Por sobre mim passaram as tuas iras, os teus terrores deram cabo de mim. Eles me rodeiam como água, de contínuo; a um tempo me circundam. Para longe de mim afastaste amigo e companheiro; os meus conhecidos são trevas.”

Silvio Dutra

SALMO 87 – Salmo dos filhos de Coré

Este salmo exalta a excelência de Jerusalém sobre todas as demais cidades de Israel, e de todas as nações, porque Deus a escolheu para estabelecê-la para sempre, para ser a fonte da Sua revelação, pela qual são gerados filhos para Ele em todas as nações.

“Fundada por ele sobre os montes santos, o SENHOR ama as portas de Sião mais do que as habitações todas de Jacó. Gloriosas coisas se têm dito de ti, ó cidade de Deus! Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe e da Babilônia; eis aí Filístia e Tiro com Etiópia; lá, nasceram. E com respeito a Sião se dirá: Este e aquele nasceram nela; e o próprio Altíssimo a estabelecerá. O SENHOR, ao registrar os povos, dirá: Este nasceu lá. Todos os cantores, saltando de júbilo, entoarão: Todas as minhas fontes são em ti.”

Silvio Dutra

SALMO 80 – Salmo de Asafe

O teor deste salmo é o mesmo do anterior, só que aqui não se faz uma referência direta a Judá ou a Jerusalém, mas a José, a Efraim, ou seja, à porção do Norte de Israel que havia sido levada em cativeiro pelos assírios. Mas o clamor é o mesmo do salmo anterior, tanto em relação aos israelitas quanto aos seus inimigos.

“Dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor. Perante Efraim, Benjamim e Manassés, desperta o teu poder e vem salvar-nos. Restaura-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, até quando estarás indignado contra a oração do teu povo? Dás-lhe a comer pão de lágrimas e a beber copioso pranto. Constituis-nos em contendas para os nossos vizinhos, e os nossos inimigos zombam de nós a valer. Restaura-nos, ó Deus dos Exércitos; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. Trouxeste uma videira do Egito, expulsaste as nações e a plantaste. Dispuseste-lhe o terreno, ela deitou profundas raízes e encheu a terra. Com a sombra dela os montes se cobriram, e, com os seus sarmentos, os cedros de Deus. Estendeu ela a sua ramagem até ao mar e os seus rebentos, até ao rio. Por que lhe derribaste as cercas, de sorte que a vindimam todos os que passam pelo caminho? O javali da selva a devasta, e nela se repastam os animais que pululam no campo. Ó Deus dos Exércitos, volta-te, nós te rogamos, olha do céu, e vê, e visita esta vinha; protege o que a tua mão direita plantou, o sarmento que para ti fortaleceste. Está queimada, está decepada. Pereçam os nossos inimigos pela repreensão do teu rosto. Seja a tua mão sobre o povo da tua destra, sobre o filho do homem que fortaleceste para ti. E assim não nos apartaremos de ti; vivifica-nos, e invocaremos o teu nome. Restaura-nos, ó SENHOR, Deus dos Exércitos, faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.”

Silvio Dutra

SALMO 79 – Salmo de Asafe

Este salmo é semelhante ao salmo 74, também de autoria de Asafe, e descreve as assolações feitas contra os judeus bem como contra o templo do Senhor, nos dias de Nabucodonosor, de Babilônia. Neste, a destruição de Jerusalém é citada diretamente, tendo a cidade sido feita um montão de ruínas, e muitos de seus habitantes foram mortos na ocasião, a ponto de se dizer que seus corpos serviram de pasto para as aves de rapina e às feras da terra, e tantos eram eles, que não foi possível dar-lhes um sepultamento digno. Os judeus se tornaram motivo de zombaria para as nações vizinhas. O salmista clama para que Deus vingasse as assolações de Judá dando o devido pago às nações ímpias que a haviam destruído. E clamou pela misericórdia do Senhor para que não visitasse neles as iniquidades dos seus ancestrais, que em seus pecados, haviam dado ocasião àquelas assolações que lhes vieram da parte do Senhor. Ele clamou por misericórdia porque estavam sobremodo abatidos. Além de clamar por misericórdia, também orou pedindo que os pecados do povo de Judá fossem perdoados, e que o Senhor os livrasse por amor do Seu nome. Que Ele fizesse este bem ao Seu povo para que as nações não escarnecessem do próprio Deus, dizendo que nada fizera por eles. As nações ímpias estavam se gloriando contra o próprio Deus, e por isso o salmista pediu-lhe que lhes retribuísse sete vezes tanto, o opróbrio com o qual Lhe estavam vituperando; enquanto eles, ovelhas do Seu rebanho continuariam Lhe dando graças de geração em geração proclamando os Seus louvores.

“Ó Deus, as nações invadiram a tua herança, profanaram o teu santo templo, reduziram Jerusalém a um montão de ruínas. Deram os cadáveres dos teus servos por pasto às aves dos céus e a carne dos teus santos, às feras da terra. Derramaram como água o sangue deles ao redor de Jerusalém, e não houve quem lhes desse sepultura. Tornamo-nos o opróbrio dos nossos vizinhos, o escárnio e a zombaria dos que nos rodeiam. Até quando, SENHOR? Será para sempre a tua ira? Arderá como fogo o teu zelo? Derrama o teu furor sobre as nações que te não conhecem e sobre os reinos que não invocam o teu nome. Porque eles devoraram a Jacó e lhe assolaram as moradas. Não recordes contra nós as iniquidades de nossos pais; apressem-se ao nosso encontro as tuas misericórdias, pois estamos sobremodo abatidos. Assiste-nos, ó Deus e Salvador nosso, pela glória do teu nome; livra-nos e perdoa-nos os pecados, por amor do teu nome. Por que diriam as nações: Onde está o seu Deus? Seja, à nossa vista, manifesta entre as nações a vingança do sangue que dos teus servos é derramado. Chegue à tua presença o gemido do cativo; consoante a grandeza do teu poder, preserva os sentenciados à morte. Retribui, Senhor, aos nossos vizinhos, sete vezes tanto, o opróbrio com que te vituperaram. Quanto a nós, teu povo e ovelhas do teu pasto, para sempre te daremos graças; de geração em geração proclamaremos os teus louvores.”

Silvio Dutra

Vencendo a Tentação

“Adiante deles enviou um homem, José, vendido como escravo;” (Salmo 105.17

Uma marca do herói de Deus é que ele é capaz de vencer a tentação. Ele tem que passar por várias tentações sujas, mas ele se mantém limpo. Ele tem que peregrinar num mundo mau, mas ele guarda a si mesmo da corrupção do mundo. Ele tem que enfrentar terríveis e fortes tentações exteriores e interiores, mas o Senhor o livra de todas. Assim fez José nos velhos tempos, e assim qualquer um de vocês hoje.
A primeira lição que eu retiro da vida de José é que a pessoa que tentar fazer o que é certo a qualquer custo não será popular entre os seus irmãos.
Tal é a perversidade da natureza humana, que os homens têm ciúme e inveja daqueles que são mais puros, mais santos, mais sábios do que eles. Todo homem tem que fazer a escolha solene entre a amizade de Deus e a amizade do mundo. Nós não podemos ter ambas. O povo de Deus se ama mutuamente, mas os ímpios são sempre inimigos da santidade e da verdade. Se um homem quer ser popular com todos os tipos de pessoas, ele deve desistir de seu dever para com o seu Deus.
"Ai de vós quando todos os homens falarem bem de vocês; sereis odiados de todos por causa do meu nome." O homem de mente pura não pode ser popular com o maldizente e o homem de vida impura. O homem sóbrio não pode escolher o viciado por companheiro. O homem religioso nunca deve fazer amizade com aquele, cujo lema é: "Eu não sei, e eu não me importo, e nada significa." Todo homem que escolhe deliberadamente a Deus, que escolhe o caminho estreito do dever, encontrar-se-á com algum ódio, abuso e desprezo da parte de seus irmãos descuidados. Tem sido sempre assim desde que o mundo começou, Noé e Ló foram alvo de zombaria e escárnio. Os profetas que falavam da vinda do Salvador sempre foram desconsiderados, e muitas vezes mortos. Quando o Filho de Deus veio ao mundo para trazer luz e verdade, eles disseram que ele tinha um demônio, e o penduraram num madeiro. Aqueles que primeiro seguiram seus passos santos ou eram ridicularizados como loucos, ou cruelmente torturados e mortos.
Assim tem sido com quase todos os verdadeiros reformadores na religião, ou da ciência, ou da moral pública. Eles foram chamados de ateus, ou sonhadores, e sua porção tem sido, por vezes, a prisão.
A retidão de José lhe custou o ódio de seus irmãos, custou-lhe perseguição, prisão, escravidão, mas o Senhor estava com ele. Então, se você tentar fazer o certo, você deve esperar se encontrar com a oposição, com o ridículo, talvez insultos. Alguns o chamarão de hipócrita, ou servo de ocasião, ou estraga-prazeres, porque você evita o caminho da impiedade, e busca a Igreja do seu Deus. O que importa isso? Se você tem o testemunho de uma boa consciência para com Deus, se você pode sentir que o Senhor está com você no caminho pelo qual você está indo, você saberá que é melhor sofrer perseguição com o povo de Deus do que desfrutar o salário do pecado por um certo tempo.
Eu também aprendo da história de José, que nossos problemas e desgraças muitas vezes são bênçãos disfarçadas. Deus nos leva para Si mesmo e para o Céu por caminhos diferentes. Um homem é provado pelas tentações da riqueza, outro pelas provações da pobreza. Mas, para cada cristão o caminho da fé é um caminho difícil, cheio de dificuldades e provações e obstáculos, mas sempre nos leva mais alto, mais perto de Deus. Antes que Moisés pudesse olhar as belezas da Terra Prometida, ele teve que escalar a íngreme subida do Monte Pisga, e antes que possamos ver claramente as coisas concernentes à nossa paz, e as coisas boas que Deus tem preparado para nós, devemos viajar na estrada pedregosa, e suportar as dificuldades como bons soldados de Cristo.
Em José, vemos um tipo de cada cristão. Ele foi odiado por seus irmãos porque ele amava o seu pai, e abominava a iniquidade. Então, se nós amamos o nosso Pai Celestial, haverá uma abundância de nossos irmãos na terra que irão nos odiar por isso. Para José houve a inveja de seus irmãos, o poço significava a sua própria destruição, escravidão, terrível tentação, uma falsa acusação, uma prisão. No entanto, este caminho de sofrimento, de provação, de decepção, de cativeiro, levou-o a um trono, e fez dele governador do Egito; aquele calabouço foi o trampolim para o palácio, os grilhões de ferro estavam levando José para a cadeia de ouro, e para o sinete da mão de faraó. Se José nunca tivesse sido lançado na cova ou vendido aos ismaelitas, ou preso no Egito, ele nunca poderia ter sentado à direita de faraó, e seu pai e irmãos teriam perecido pela fome. Mas essas mesmas dores abriram o caminho para a sua grandeza, e fez dele o salvador, não somente do Egito, mas da casa de seu pai.
Meus irmãos, não murmurem, porque a forma pela qual Deus lhe conduz é uma maneira áspera. O caminho de cada homem verdadeiro através da vida está manchado com sangue e marcado por lágrimas. Deus nos traz em baixas condições, como ele fez com José para ser lançado numa cova. Devemos nos encontrar com as tentações de fogo, para que a nossa fé possa ser provada como num forno, é preciso às vezes sofrer a prisão de homens e falso julgamento, ou a ignorância, ou a injustiça, mas enquanto o Senhor estiver conosco, como foi com José, não precisamos temer nenhum mal. O Senhor, que liberta os homens da prisão nos libertará, se não nesta vida, pelo menos quando a Morte, o Amigo, abrir a porta da prisão, passaremos, como Jesus, nosso Mestre, pelo caminho da tribulação para a glória que será revelada.
"Doces são os usos da adversidade;
Que, como um sapo, feio e venenoso,
não obstante usa uma jóia preciosa em sua cabeça.”
E ainda, eu aprendo da história de José, que uma mudança de fortuna muitas vezes traz uma nova tentação.
José, quando era um simples pastor entre as planícies de Canaã, e habitando entre o seu próprio povo, não foi colocado face a face com a terrível tentação que o esperava na luxuosa casa do egípcio Potifar. José nunca estivera sob tal perigo antes. Quando ele foi lançado na cova ele corria o risco de perder sua vida, mas agora ele estava em perigo de perder a sua alma; quando ele foi levado por seus irmãos para o ismaelitas ele foi vendido como escravo a inimigos, agora ele estava em perigo de ser vendido para ser escravo de maus desejos e paixões e perder a liberdade de inocência que ele nunca poderia recuperar.
Todo jovem quando sai para o mundo, deixando um silêncio, numa boa casa, talvez, para um grande cidade, e na companhia de pessoas, boas, ruins, e indiferentes, se encontrará com uma nova e mais feroz tentação do que ele jamais encontrou antes. Deixe o exemplo de José ajudá-lo a se manter impecável, imaculado pela carne, invicto pelo diabo. O Senhor estava com José em sua hora de provação, Ele estará com você também. José gritou: "Como vou fazer isso, e pecar contra Deus? "
Ah, lembrem-se disto, meus irmãos. Quando você peca, você não somente faz o mal para si mesmo e para outros, mas você peca contra Deus. José fugiu para longe da tentação; na hora da provação devemos fazer o mesmo. Fugir da má companhia, da conversa suja, da bebida forte, dos vícios de toda sorte, da visão impura, do livro e dos entretenimentos vis, afastemo-nos destas coisas como Ló fugiu das ruas da condenada e amaldiçoada Sodoma. Não se permitam procurar lugares de má fama; ou ouvir maledicências; muitos têm morrido como viciados arruinados, sem esperança, que começaram suas carreiras com um olhar sobre as fontes de suas tentações. Você não pode tocar o campo do pecado mesmo com a ponta do seu dedo, sem ser contaminado, você não pode ouvir uma palavra ruim, ou olhar para uma coisa má, sem perder algo de sua pureza. Por isso, eu digo, quando você puder, fuja da tentação, quando isso é impossível, mostrem-se heróis lutadores de Deus, na força de Deus, contra o pensamento mau e o desejo indigno.

"Bravos conquistadores! É para vocês,
essa guerra contra seus próprios afetos,
e o enorme exército dos desejos do mundo."

Ainda, a história de José nos ensina que a riqueza e prosperidade não fazem um bom homem esquecer seus amigos dos dias menos prósperos. José era um bom filho e um bom irmão, quando ele vivia a simples vida de pastor em Canaã. Ele ainda era um bom filho e irmão, quando ele se sentou no seu trono no lindo palácio egípcio, a altura vertiginosa que ele tinha galgado não tinha virado a sua cabeça, ou fez com que não se importasse com a família de onde ele viera. Ele pensou em seu pai, o velho Jacó, que estava de luto por ele entre as tendas de Canaã. Ele se lembrou e perdoou seus irmãos que haviam conspirado contra a sua vida, e lhe vendido como escravo.
Agora, irmãos, poucas pessoas podem experimentar prosperidade súbita e inesperada no caminho certo. Muitos que levavam uma boa vida numa condição humilde, foram estragados por serem transplantados para uma posição de riqueza e influência. A prosperidade tenta um homem muito duramente. Se ele é um bom homem, se o Senhor sempre estiver com ele, como foi com José, está tudo bem, senão, riqueza, posição, poder, geralmente estragam um homem, e o tornam orgulhoso, ocioso, egoísta, injusto. É uma coisa ruim para um homem quando ele se torna muito próspero e não se lembra de onde ele veio, e quando ele se envergonha de seu pai e amigos dos dias anteriores.
José, o grande governante do Egito, não teve vergonha de enviar provisões para o simples velho de cabelos brancos morador em tendas, a quem ele amou e honrou como seu pai. José, que viveu em meio aos luxos da coorte de faraó, enviou alimentos para a família faminta de sua casa.
Finalmente, aprendemos com a história da beleza e da bem-aventurança do perdão. Que imagem no Velho Testamento é mais bonita em sua comovente simplicidade do que a de José chorando pelos seus culpados, mas arrependidos irmãos, e lhes dando as boas coisas do Egito em troca das coisas más que lhe haviam dado? Nós nunca poderemos ser felizes, nós nunca poderemos estar em paz, não poderemos ser prósperos no verdadeiro sentido, a menos que perdoemos livremente todos aqueles quem nos têm ofendido.
Ao longo desta história de José, vemos a sombra de Jesus, o tipo desta compaixão divina que o levou a orar por seus assassinos, que o fez enviar as coisas boas do céu a seus irmãos que passavam fome num mundo de pecado, o que proporciona para nós, que tantas vezes pecamos contra Ele, contra a boa terra de Gósen, Sua Igreja na terra, e o melhor da terra além do "mais querido país que ansiosamente nossos corações esperam."

Tradução e adaptação de um sermão em domínio publico de Harry John Wilmot - Buxton

Harry John Wilmot - Buxton

SALMO 76 – Salmo de Asafe

Este salmo foi composto por ocasião de grande vitória dada por Deus a algum rei de Judá, contra uma investida de uma nação inimiga que viera contra eles com carros e cavalos. Mas Deus lhes tirou o ânimo forte e lhes fez vir um sono profundo que nenhum dos valentes inimigos pôde usar suas próprias mãos na batalha. Deus fizera um milagre notório aos olhos de Judá, e por isso se vestiu das cinzas da ira de Seus inimigos, porque o ódio deles contra o Seu povo foi a causa da própria ruína deles, e as cinzas do que lhes restara da guerra eram a prova do grande poder do Senhor para livrar, e não somente isto, exaltavam o Seu nome.

“Conhecido é Deus em Judá; grande, o seu nome em Israel. Em Salém, está o seu tabernáculo, e, em Sião, a sua morada. Ali, despedaçou ele os relâmpagos do arco, o escudo, a espada e a batalha. Tu és ilustre e mais glorioso do que os montes eternos. Despojados foram os de ânimo forte; jazem a dormir o seu sono, e nenhum dos valentes pode valer-se das próprias mãos. Ante a tua repreensão, ó Deus de Jacó, paralisaram carros e cavalos. Tu, sim, tu és terrível; se te iras, quem pode subsistir à tua vista? Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; tremeu a terra e se aquietou, ao levantar-se Deus para julgar e salvar todos os humildes da terra. Pois até a ira humana há de louvar-te; e do resíduo das iras te cinges. Fazei votos e pagai-os ao SENHOR, vosso Deus; tragam presentes todos os que o rodeiam, àquele que deve ser temido. Ele quebranta o orgulho dos príncipes; é tremendo aos reis da terra.”

Silvio Dutra

SALMO 75 – Salmo de Asafe

Este salmo pode ter sido composto provavelmente no tempo em que Davi assumiu o trono de Israel, quando todos os seus inimigos, especialmente os da casa de Saul, haviam sido subjugados pelo Senhor. Então, pela pena de Asafe, Davi rendeu graças ao Senhor e invocou o Seu nome e declarou as Suas maravilhas, pois havia cumprido tudo o que lhe havia prometido fazer no tempo determinado, julgando retamente a sua causa, especialmente a que tinha em relação a Saul, que o perseguiu injustamente, e lhe injuriou e caluniou chamando-o de traidor. Deus é tão reto Juiz que ainda que a terra vacile e todos os seus moradores, no entanto, ainda assim, o Senhor é poderoso para firmar as suas colunas, tal como estava firmando Israel debaixo do trono de justiça de Davi, depois de tantos anos de conturbação sob Saul. Sendo um Deus poderoso que julga assim com justiça, todo soberbo deveria meditar para não ser arrogante, e os ímpios a não confiarem na sua própria força. Pelo mesmo motivo, ninguém deve andar altivamente, falando com insolência contra o Senhor, porque Ele é uma Rocha que não pode ser derrubada. Não é de nenhuma parte da terra que nos vem o auxílio quando debaixo de grande aflição, porque vem da mão do próprio Senhor o abater e o exaltar a quem quer, porque é o Juiz de toda a terra. É da sua mão que é dado de beber o cálice do vinho da amargura a todos os ímpios do mundo. Por isso Davi reinaria em justiça tal como o Seu Deus, abatendo a força dos ímpios, mas exaltando a força dos justos.

“Graças te rendemos, ó Deus; graças te rendemos, e invocamos o teu nome, e declaramos as tuas maravilhas. Pois disseste: Hei de aproveitar o tempo determinado; hei de julgar retamente. Vacilem a terra e todos os seus moradores, ainda assim eu firmarei as suas colunas. Digo aos soberbos: não sejais arrogantes; e aos ímpios: não levanteis a vossa força. Não levanteis altivamente a vossa força, nem faleis com insolência contra a Rocha. Porque não é do Oriente, não é do Ocidente, nem do deserto que vem o auxílio. Deus é o juiz; a um abate, a outro exalta. Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho espuma, cheio de mistura; dele dá a beber; sorvem-no, até às escórias, todos os ímpios da terra. Quanto a mim, exultarei para sempre; salmodiarei louvores ao Deus de Jacó. Abaterei as forças dos ímpios; mas a força dos justos será exaltada.”

Silvio Dutra

SALMO 72 – Salmo de Salomão

Neste salmo de autoria de Salomão, é proclamada a justiça do reino do Messias, do qual o seu reino pacífico era uma figura. O próprio nome Salomão, que foi um nome dado por Deus ao filho de Davi, significa pacífico; indicando isto que o reino do Messias, que é da casa de Davi será um reino de paz e justiça, tal como foi o reino de Salomão, até antes dele ter se desviado dos caminhos do Senhor.

“Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei. Julgue ele com justiça o teu povo e os teus aflitos, com equidade. Os montes trarão paz ao povo, também as colinas a trarão, com justiça. Julgue ele os aflitos do povo, salve os filhos dos necessitados e esmague ao opressor. Ele permanecerá enquanto existir o sol e enquanto durar a lua, através das gerações. Seja ele como chuva que desce sobre a campina ceifada, como aguaceiros que regam a terra. Floresça em seus dias o justo, e haja abundância de paz até que cesse de haver lua. Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra. Curvem-se diante dele os habitantes do deserto, e os seus inimigos lambam o pó. Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes. E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam. Porque ele acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido. Ele tem piedade do fraco e do necessitado e salva a alma aos indigentes. Redime a sua alma da opressão e da violência, e precioso lhe é o sangue deles. Viverá, e se lhe dará do ouro de Sabá; e continuamente se fará por ele oração, e o bendirão todos os dias. Haja na terra abundância de cereais, que ondulem até aos cimos dos montes; seja a sua messe como o Líbano, e das cidades floresçam os habitantes como a erva da terra. Subsista para sempre o seu nome e prospere enquanto resplandecer o sol; nele sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado. Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, que só ele opera prodígios. Bendito para sempre o seu glorioso nome, e da sua glória se encha toda a terra. Amém e amém! Findam as orações de Davi, filho de Jessé.”

Silvio Dutra

SALMO 65 - Salmo de Davi

Neste salmo Davi declara o perdão de pecados por causa da eleição de Deus. Estes eleitos virão ao Senhor para terem as suas iniquidades perdoadas por Ele. São bem-aventurados porque são escolhidos pelo Senhor para se aproximarem dEle, e para que assistam nos Seus átrios, e ficam satisfeitos com a bondade da casa do Senhor, o Seu santo templo. Estes eleitos de Deus não se encontram apenas em Israel, mas eles vêm do Oriente e do Ocidente, de todos os confins da terra, porque eles veem os sinais do Senhor, e Ele os faz exultar de júbilo. Deus abençoa o Seu povo tornando-o fértil e frutífero, com as chuvas do Espírito, assim como Ele faz com a própria terra regando-a com chuvas e fertilizando-a copiosamente, de modo, que os rebanhos nos campos, e os vales vestidos de espigas, parecem exultar de alegria e cantar diante de Deus e dos homens. Tal é a vida destes eleitos de Deus que também crescem, vicejam e frutificam pelo Seu próprio poder que lhes concede tal graça.

“A ti, ó Deus, confiança e louvor em Sião! E a ti se pagará o voto. Ó tu que escutas a oração, a ti virão todos os homens, por causa de suas iniquidades. Se prevalecem as nossas transgressões, tu no-las perdoas. Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa - o teu santo templo. Com tremendos feitos nos respondes em tua justiça, ó Deus, Salvador nosso, esperança de todos os confins da terra e dos mares longínquos; que por tua força consolidas os montes, cingido de poder; que aplacas o rugir dos mares, o ruído das suas ondas e o tumulto das gentes. Os que habitam nos confins da terra temem os teus sinais; os que vêm do Oriente e do Ocidente, tu os fazes exultar de júbilo. Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces copiosamente; os ribeiros de Deus são abundantes de água; preparas o cereal, porque para isso a dispões, regando-lhe os sulcos, aplanando-lhe as leivas. Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoas a produção. Coroas o ano da tua bondade; as tuas pegadas destilam fartura, destilam sobre as pastagens do deserto, e de júbilo se revestem os outeiros. Os campos cobrem-se de rebanhos, e os vales vestem-se de espigas; exultam de alegria e cantam.”

Silvio Dutra

SALMO 57 – Salmo de Davi quando fugia de Saul na caverna

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades. Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa. Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra; cobre de vergonha os que me ferem. Envia a sua misericórdia e a sua fidelidade. Acha-se a minha alma entre leões, ávidos de devorar os filhos dos homens; lanças e flechas são os seus dentes, espada afiada, a sua língua. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória. Armaram rede aos meus passos, a minha alma está abatida; abriram cova diante de mim, mas eles mesmos caíram nela. Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores. Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva. Render-te-ei graças entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações. Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória.”

Nós usaremos como comentário deste salmo o sermão que Spurgeon escreveu sobre o mesmo, e que estamos apresentando a seguir em forma adaptada:

Quando Davi fez a oração deste Salmo ele estava fugindo de Saul, que o procurava com o exército de Israel para tirar-lhe a vida. Ele estava na caverna de Adulão, onde se juntaram a ele seus pais, seus irmãos e todos os homens que se achavam em aperto, e os endividados e todos os amargurados de espírito – cerca de quatrocentos homens (I Sm 22.1,2).

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e o abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos.” (Is 57;15). O Senhor habita no terceiro céu, mas habita também nos corações dos contritos e abatidos de espírito na terra, que se humilham perante Ele e o buscam. Isto não renova a tua esperança em meio aos teus sofrimentos e problemas? O Altíssimo vem ao teu encontro para te dar livramento. Davi começa muitos Salmos com lágrimas mas os termina com louvor e alegria, isto porque Deus nos visita no meio da nossa tribulação, no meio do nosso clamor angustiado, e nos livra dando-nos um cântico de vitória e de alegria.
Davi orou quando estava na caverna.
Deus ouvirá a oração que for feita na terra, no mar e até no fundo do mar. Ele não é somente Deus das montanhas, mas também dos vales. O trono de graça do Senhor sempre está acessível aos que o buscam com um coração sincero e contrito.
As melhores orações são feitas nas cavernas da aflição porque vêm do profundo do nosso coração. Se alguém esta noite encontra-se em posição em que sua alma esteja angustiada, e sentindo nuvens a cercar o seu coração, este é um momento especial para comunhão e intercessão que prevaleça, para provar a fidelidade de Deus à sua promessa de estar junto do abatido e contrito de coração.
O Salmo 142 começa com Davi dizendo que pediria misericórdia a Deus com sua voz.
Podemos cometer dois grandes erros na aflição. O primeiro está na acomodação ao mal. Na nossa descrença pensando que Deus não está interessado em fortalecer o nosso coração e alegrar a nossa alma. Com isto, não clamamos por socorro como fez Davi. Não oramos. Não confiamos. Não cremos.
O segundo grande erro é o de subestimar a dor. E tocarmos a vida com o coração atribulado julgando que somos mais fortes do que qualquer problema. Davi não tinha vergonha de assumir e reconhecer que há situações que o nosso inimigo, seja ele qual for, e venha na forma que for, é mais forte do que nós. E não temos outra alternativa senão a de recorrer ao auxílio do Altíssimo, do Todo Poderoso. Há um mistério nisto, que Paulo bem conheceu: quando somos fracos então somos fortes. A graça do Senhor se revela poderosa na nossa fraqueza. O ato de prosseguir tentando parecer ser mais fortes do que as forças que nos oprimem e deprimem, pode fazer com que nós, nesta nossa auto-confiança venhamos a ficar amargurados, endurecidos, obstinados e frios. O poder não é nosso e nem das forças que nos assolam, mas é exclusivo de Jesus Cristo. Todo o poder Lhe foi dado nos céus e na terra, Ele tem autoridade sobre tudo e todos. É seu prazer ajudar-nos quando clamamos por socorro.
Assim nossa primeira ocupação é a de recorrer a Deus. Façamos conhecidas de Deus nossas dúvidas e temores. Se tens de sair do teu estado atual de depressão, corra imediatamente para Deus, como fez Davi. Ele diz nos dois primeiros versículos do Salmo 142:
1. Ao Senhor ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao Senhor.
2. Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação.
Se não tens força para clamar com tua voz, ou não há um lugar adequado para tal, clama com o coração, grita com a tua alma, fala com o Senhor em silêncio, mas não deixes de clamar. Contempla somente ao Senhor, porque somente nele há esperança.
Se tens pecado contra Deus, saiba que Ele está disposto a perdoar. Ele pode perdoar completamente a maior das ofensas. Lembra que Jesus pagou com sua morte o preço exigido para o perdão de todos os nossos pecados.
Basta apenas confessar. Davi confessou que estava com o seu espírito abatido. Mas determinou-se não ocultar nada de Deus. Faça o mesmo. Ele diz nos versos 2 e 3 do nosso Salmo.
2. Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação.
3. Quando dentro em mim me esmorece o espírito, conheces a minha vereda. No caminho em que ando me ocultam armadilha.
Quando estamos na caverna da aflição não são palavras religiosas que irão nos ajudar. Não são meras palavras que temos que falar, mas colocar toda nossa angústia diante de Deus. Tal como uma criança devemos dizer ao Senhor todas as nossas angústias, nossas queixas, nossas misérias, temores. Se lhe confessarmos tudo, Ele dará ao nosso espírito um grande alívio, pois tem prometido libertar do cativeiro a alma que lhe clama por socorro na angústia (Sl 50.15).
Vão é o socorro humano quando estamos na caverna. Deus pode levantar homens para virem em nosso auxílio, mas devemos reconhecer que eles não viriam e não agiriam bem em nosso favor se o Senhor não os dirigisse em tal sentido.
É importante destacar que quando Davi fez esta oração ele se encontrava num grande refúgio que era a caverna de Adulão, e estava em companhia de seus familiares e de quatrocentos homens que haviam feito dele o seu chefe, mas Davi sabia que não há segurança confiável em nada neste mundo. E dispôs-se a buscar o único e verdadeiro e seguro refúgio, o Senhor nosso Deus.
É preciso reconhecer como Davi que somente no Senhor há esperança e interesse em socorrer a nossa alma. Por isso ele orou assim nos versos 4 e 5:
4. Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse.
5. A ti clamo, Senhor; e digo: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.
As tribulações aprisionam a nossa alma, colocam-na no cárcere. Ali perdemos a alegria da salvação, porque a alma é como um pássaro que só canta em liberdade. Os grilhões da maldade, da perseguição do inimigo que busca aprisionar a nossa alma, não podem resistir ao poder de Jesus que quebra todas as cadeias que nos prendem, e nos dá perfeita liberdade. Podemos caminhar livremente em Jesus. E por isso Davi orou:
6. Atendes ao meu clamor, pois me vejo muito fraco. Livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu.
7. Tira a minha alma do cárcere, para que eu te dê graças ao teu nome: os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem.
Quando os homens são livrados da prisão, eles agradecem e louvam à pessoa que os libertou. Muito mais nós devemos adorar e louvar a Jesus pela liberdade que Ele nos dá. Devemos glorificar o seu santo nome porque somente ele é digno de adoração.
Há uma coisa para ser conhecida em relação às tribulações que sofremos:
Quando Deus quer fazer grande a uma pessoa, ele primeiro a quebra em pedaços.
Deus queria fazer de Jacó, um príncipe, o que fez o Senhor? Saiu numa noite e lutou com ele até raiar o dia. E lhe tocou no nervo da coxa de forma que ficou manco antes de mudar seu nome para Israel, que significa príncipe de Deus. A luta era para retirar-lhe as próprias forças, e quando estas se esgotaram o chamou de príncipe.
Agora Davi seria rei sobre todo Israel. Por onde passava o caminho para o trono de Davi? Pela caverna de Adulão. Deveria ir para lá, perseguido por Saul, como um pária, um proscrito, porque esse era o caminho que o levaria a ser o rei que era segundo o coração de Deus.
Vocês não têm reparado em suas próprias vidas, que cada vez que Deus vai dar-lhes um crescimento, para lhes levar a uma esfera maior de serviço, ou nível mais elevado na vida espiritual, que primeiro vocês são derrubados? Por isso a Palavra diz que devemos ter por motivo de toda a alegria o passar por várias provações. Porque esta é a maneira de Deus trabalhar conosco. Faz com que tenhamos fome antes de dar-nos de comer. Desnuda-nos antes de vestir-nos. Faz de nós nada, antes de fazer algo de nós.
Por que devemos passar pela caverna como Davi? Primeiro porque para sermos uma pessoa de grande utilidade, Deus precisa antes ensinar-nos a orar. Se chegarmos a ser grandes sem orar, nossa grandeza será nossa ruína. A caverna nos ensina que dependemos inteiramente de Deus e que vão é o socorro do homem e nenhuma é a nossa força.
Há situações na vida em que ficamos totalmente entregues nas mãos de Deus. Dependentes da sua misericórdia e auxílio. Com isso quer nos ensinar a não confiarmos em nós mesmos, em nossa própria força, sabedoria, capacidade.
Mais, acima de tudo isso, o Senhor deseja ser conhecido. Quer que aprendamos que Ele é o nosso melhor amigo. Quer que aprendamos que somente a Ele pertence todo o poder. Quer que aprendamos que Ele é totalmente bondoso, misericordioso, amoroso e fiel.
Por isso Davi disse:
5. A ti clamo, Senhor; e digo: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.
Na aflição da caverna aprendemos a chorar com os que choram. Aprendemos a valorizar o sofrimento dos nossos irmãos e compartilhamos com eles as suas lutas, intercedendo por eles e socorrendo-os em suas tribulações.
Sem a caverna não aprenderíamos nenhuma destas coisas, e por isso somos exortados a sermos gratos a Deus por tudo, e a entender que todas as coisas cooperam juntamente para o bem dos que amam a Deus.
Lembremos que quando Deus nos retirar da caverna, uma vez cessado o perigo, ou por termos recebido forças para enfrentá-lo, devemos vigiar para não sairmos nos lamentando da experiência que passamos, ao contrário o Senhor quer que o louvemos pelo Seu poderoso livramento, porque os que cantam são os que seguem adiante. Fora com todo o pessimismo e nuvens de tristeza que venham sobre nós, depois que temos sido libertados por Deus. Que se encontrem somente palavras de louvor e gratidão em nossos lábios, e outros se juntarão a nós, para receberem da mesma alegria e unção. Davi agia assim e devemos agir do mesmo modo, orando juntamente com ele:
7. Tira a minha alma do cárcere, para que eu te dê graças ao teu nome: os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem.

Silvio Dutra

SALMO 54 – Salmo de Davi

SALMO 54 – Salmo de Davi quando os zifeus o delataram a Saul

“Ó Deus, salva-me, pelo teu nome, e faze-me justiça, pelo teu poder. Escuta, ó Deus, a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca. Pois contra mim se levantam os insolentes, e os violentos procuram tirar-me a vida; não têm Deus diante de si. Eis que Deus é o meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida. Ele retribuirá o mal aos meus opressores; por tua fidelidade dá cabo deles. Oferecer-te-ei voluntariamente sacrifícios; louvarei o teu nome, ó SENHOR, porque é bom. Pois me livrou de todas as tribulações; e os meus olhos se enchem com a ruína dos meus inimigos.”

Nós temos o registro de duas delações realizadas pelos zifeus, a saber, em I Samuel 23.19-29, e em I Samuel 26.1:

“19 Então subiram os zifeus a Saul, a Gibeá, dizendo: Não se escondeu Davi entre nós, nos lugares fortes em Hores, no outeiro de Haquilá, que está à mão direita de Jesimom?
20 Agora, pois, ó rei, desce apressadamente, conforme todo o desejo da tua alma; a nós nos cumpre entregá-lo nas mãos do rei.
21 Então disse Saul: Benditos sejais vós do Senhor, porque vos compadecestes de mim:
22 Ide, pois, informai-vos ainda melhor; sabei e notai o lugar que ele frequenta, e quem o tenha visto ali; porque me foi dito que é muito astuto.
23 Pelo que atentai bem, e informai-vos acerca de todos os esconderijos em que ele se oculta; e então voltai para mim com notícias exatas, e eu irei convosco. E há de ser que, se estiver naquela terra, eu o buscarei entre todos os milhares de Judá.
24 Eles, pois, se levantaram e foram a Zife adiante de Saul; Davi, porém, e os seus homens estavam no deserto de Maom, na campina ao sul de Jesimom.
25 E Saul e os seus homens foram em busca dele. Sendo isso anunciado a Davi, desceu ele à penha que está no deserto de Maom. Ouvindo-o Saul, foi ao deserto de Maom, a perseguir Davi.
26 Saul ia de uma banda do monte, e Davi e os seus homens da outra banda. E Davi se apressava para escapar, por medo de Saul, porquanto Saul e os seus homens iam cercando a Davi e aos seus homens, para os prender.
27 Nisso veio um mensageiro a Saul, dizendo: Apressa-te, e vem, porque os filisteus acabam de invadir a terra.
28 Pelo que Saul voltou de perseguir a Davi, e se foi ao encontro dos filisteus. Por esta razão aquele lugar se chamou Selá-Hamalecote.
29 Depois disto, Davi subiu e ficou nos lugares fortes de En-Gedi.” (I Sm 23.19-29)

Quando Davi se encontrava numa região do deserto de Zife, chamada Horesa, Jônatas veio ao seu encontro para fazer uma aliança com ele perante o Senhor, pois Jônatas viera com o propósito de fortalecer a confiança de Davi em Deus (v. 16) e lhe disse da sua convicção de que não deveria temer a mão de seu pai, Saul, porque sabia que Davi viria a reinar sobre Israel, e que ele havia renunciado à coroa em favor de Davi diante de seu próprio pai.
E Jônatas esperava ser o segundo homem em importância no reino, e não sabia que o Senhor tinha outros planos para ele, pois viria também a morrer numa batalha contra os filisteus juntamente com seu pai, de modo que Davi não ficaria vinculado à casa de Saul quando assumisse o reino, e isto certamente seria feito não porque Jônatas não reunisse qualidades morais e espirituais para estar ao seu lado, mas pela confusão política e a dificuldade que seria a de o povo aceitar que Jônatas, que seria o sucessor legal ao trono, ficar sob as ordens de Davi.
Então o próprio Deus estava se encarregando de acomodar as coisas de tal forma, que não houvesse divisões sérias e profundas que se prolongariam durante todo o reinado de Davi.
Nós veremos que a par de todas estas providências não foi com pouca resistência, que Davi assumiu o reino de Israel, tanto que teve que reinar em princípio, somente sobre Judá, em Hebrom, por sete anos, até que fosse reconhecido por todo o povo de Israel como rei de toda a nação.
Movidos pelo mesmo sentimento dos cidadãos de Queila, os habitantes do deserto de Zife, os zifeus, também denunciaram a presença de Davi entre eles a Saul, mas quando este empreendeu perseguição a Davi e aos seus seiscentos homens, estes já haviam se deslocado para o deserto de Maom, e ainda embriagado com o sangue dos sacerdotes de Nobe e com uma sede ainda maior de sangue Saul insistiu na perseguição e foi também para o deserto de Maom, e enquanto ele e seus homens percorriam um lado do monte em que Davi se encontrava, este com seus homens se deslocavam no lado oposto do monte, de modo que um encontro entre eles seria inevitável, e mais uma vez nós vemos a providência de Deus operando, pois certamente o Senhor incitara os filisteus a atacarem Israel, e isto fez com que Saul tivesse que suspender e adiar a perseguição a Davi, motivo porque aquele lugar foi chamado de Selá-Hamalecote, que é uma palavra hebraica composta que significa Pedra de Escape (v. 28).
Tendo recebido tal livramento da parte do Senhor Davi não tentou a Deus permanecendo ali, e se dirigiu para uma região mais segura chamada En-Gedi (v. 29).
Enquanto Davi estava sendo duramente espiado pelos zifeus para ser denunciado a Saul em todo aquele grande deserto de Judá, ele escreveu as palavras deste Salmo 54 e as do Salmo 63, nos quais vemos que a sua confiança permanecia inabalável em Deus, enquanto homens perversos e interesseiros se levantavam contra ele.
Ele afirma a sua inteira confiança na justiça de Deus para recompensar o justo e castigar os perversos.

Vejamos agora o texto de I Samuel 26.1-11:
“1 Ora, vieram os zifeus a Saul, a Gibeá, dizendo: Não está Davi se escondendo no outeiro de Haquilá, defronte de Jesimom?
2 Então Saul se levantou, e desceu ao deserto de Zife, levando consigo três mil homens escolhidos de Israel, para buscar a Davi no deserto de Zife.
3 E acampou-se Saul no outeiro de Haquilá, defronte de Jesimom, junto ao caminho; porém Davi ficou no deserto, e percebendo que Saul vinha após ele ao deserto,
4 enviou espias, e certificou-se de que Saul tinha chegado.
5 Então Davi levantou-se e foi ao lugar onde Saul se tinha acampado; viu Davi o lugar onde se deitavam Saul e Abner, filho de Ner, chefe do seu exército. E Saul estava deitado dentro do acampamento, e o povo estava acampado ao redor dele.
6 Então Davi, dirigindo-se a Aimeleque, o heteu, e a Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe, perguntou: Quem descerá comigo a Saul, ao arraial? Respondeu Abisai: Eu descerei contigo.
7 Foram, pois, Davi e Abisai de noite ao povo; e eis que Saul estava deitado, dormindo dentro do acampamento, e a sua lança estava pregada na terra à sua cabeceira; e Abner e o povo estavam deitados ao redor dele.
8 Então disse Abisai a Davi: Deus te entregou hoje nas mãos o teu inimigo; deixa-me, pois, agora encravá-lo na terra, com a lança, de um só golpe; não o ferirei segunda vez.
9 Mas Davi respondeu a Abisai: Não o mates; pois quem pode estender a mão contra o ungido do Senhor, e ficar inocente?
10 Disse mais Davi: Como vive o Senhor, ou o Senhor o ferirá, ou chegará o seu dia e morrerá, ou descerá para a batalha e perecerá;
11 o Senhor, porém, me guarde de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor. Agora, pois, toma a lança que está à sua cabeceira, e a bilha d'água, e vamo-nos.” (I Sm 26.1-11)

Quando Saul foi poupado por Davi na caverna, na ocasião que lhe cortou a orla da sua veste, prometeu-lhe que não mais o perseguiria, mas nós o encontramos aqui de novo em perseguição a ele, pois foi incitado pelos zifeus a fazê-lo, uma vez que estes vieram lhe denunciar o local em que Davi se encontrava.
E caindo à noite um profundo sono que vinha da parte do Senhor, sobre Saul e seus homens, Davi desceu ao local onde estavam acampados e pegou a lança e a bilha d'água de Saul, que estava à sua cabeceira e os carregou consigo (v. 12).
Mas antes, Abisai, irmão de Joabe, que o acompanhava pediu-lhe que o deixasse encravar a lança em Saul de um só golpe, porque aquilo, segundo ele, só poderia ser obra de Deus, entregando Saul nas mãos de Davi.
Mas este sabiamente o dissuadiu a não se deixar levar pelas aparências e circunstâncias, mas pela verdade da Palavra, pois a nenhum israelita era dado por Deus agir contra aqueles que Ele havia constituído como autoridade sobre eles e ficar sem culpa.
Então Davi concluiu também sabiamente que o modo de Saul morrer não seria pelas suas mãos ou a de quaisquer dos homens que haviam se juntado a ele, mas isto seria feito por uma obra direta da parte de Deus, como foi o caso de Nabal, ou então Saul morreria de morte natural, ou ainda em campo de batalha contra os inimigos de Israel.
Ele viria a morrer desta última forma citada, e a grande lição que aprendemos com Davi, em resumo, neste aspecto particular, é que o modo de morrer de qualquer pessoa permanece debaixo da exclusiva autoridade de Deus, e não é dado ao homem, que não esteja investido de autoridade para tal, e amparado pela lei, decidir sobre quem deve ou não morrer, ou o modo pelo qual deve morrer.
O profundo sono que o Senhor trouxe sobre os homens do acampamento onde se encontrava Saul, não foi para lhe facilitar as coisas para matá-lo, mas para livrar o próprio Davi de ser surpreendido por eles, e também para colocá-lo à prova quanto ao fato de se obedeceria à Sua vontade ou se agiria seguindo qualquer impulso vingativo de sua própria natureza.
São muitas as situações em que os verdadeiros servos de Deus são colocados à prova, para que se veja se amarão os seus inimigos ou se procurarão se vingar deles quando têm oportunidade para fazê-lo.
Bem irá àquele que não se vingar, porque este não é um mandamento exclusivo da Nova Aliança, pois nós o vemos também no Antigo Testamento:
“Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.” (Lev 19.18).
“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor.” (Rm 12.19).
Temos portanto esta ordem de não nos vingarmos, da parte do Senhor, e como poderíamos agradá-lO, não dando o devido acatamento à Sua Palavra.
Davi decidiu então não seguir a palavra do homem (Abisai) e nem seguir qualquer instinto vingativo em sua própria natureza, mas obedecer à Palavra de Deus.
E é esta a fórmula da verdadeira prosperidade.
Em face da benignidade de Davi demonstrada a ele, o próprio Saul como que profetizou acerca dele: “Bendito sejas tu, meu filho Davi, pois grandes coisas farás e também certamente prevalecerás.” (v. 25).
Nós podemos inferir das palavras do verso 19 que Saul saiu em perseguição a Davi desta vez mais pela incitação dos zifeus e dos homens que estavam com ele, do que pela sua própria iniciativa, e por isso Davi impôs um anátema sobre aqueles que estavam incitando Saul a persegui-lo.
O reino das trevas sempre agirá deste modo, pois quando Satanás perde um instrumento de perseguição ele tentará reavivá-la em outros.
Por isso o cristão deve saber que a sua luta não é contra carne e sangue, para que não pense que ao se apaziguar com alguns de seus inimigos, que a intensidade da perseguição será abrandada, pois isto não se encontra na esfera de iniciativa dos homens, mas do diabo e dos demônios, que se levantam contra os servos de Deus, ainda que os poderes das trevas estejam também debaixo da autoridade do Senhor, não lhes sendo permitido atuar contra os santos senão naquilo que lhes for permitido por Deus.
É provável que o Salmo 54 tenha sido escrito por Davi nesta ocasião pois ele reconheceu na perseguição dos zifeus uma tentativa do diabo em afastá-lo dos termos de Israel, da presença do Senhor, para que indo buscar refúgio em terras estrangeiras viesse a ter que adorar por força das circunstâncias os falsos deuses que eles adoravam, de modo que não fosse acusado de ingratidão da sua acolhida, pela recusa de prestar homenagens aos seus deuses.
É sob esta perspectiva que nós podemos entender o significado das palavras que ele proferiu no verso 19: “Se é o Senhor quem te incita contra mim, receba ele uma oferta; se, porém, são os filhos dos homens, malditos sejam perante o Senhor, pois eles me expulsaram hoje para que eu não tenha parte na herança do Senhor, dizendo: Vai, serve a outros deuses.”.
Como não era certamente o Senhor quem estava incitando aquela perseguição, então esta somente poderia estar sendo movida pelos seus inimigos.

Silvio Dutra

SALMO 50 – Salmo de Asafe

É de fato admirável, que sem a iluminação do Espírito Santo, o homem não pode entender esta carta escrita por Deus para a humanidade que é a Bíblia.
São tão claras e diretas as advertências que o Senhor faz contra aqueles que colocam sua confiança em ritos e cerimônias religiosas, em vez de uma verdadeira vida piedosa, de um coração transformado e santificado; e todavia muitos não se dão por avisados e continuam pensando que estão agradando a Deus por meramente se submeterem a ritos e cerimoniais religiosos.
O Senhor é juiz de todas estas coisas e dará a cada um conforme as Suas obras, quando julgar o mundo por meio do padrão da vida de Jesus Cristo.
Não era portanto nos animais que eram oferecidos por Israel no Velho Testamento, que eles deveriam fazer o fim mesmo do ato de culto deles a Deus, porque todos os animais pertencem a Ele, e não necessita comer a carne deles e nem beber o seu sangue. Então, o sacrifício no qual eles deveriam concentrar a atenção deles era nas ações de graças e nos votos que tinham para com o Altíssimo, especialmente os relativos ao cumprimento dos Seus mandamentos. Somente agindo assim, invocariam ao Senhor no dia da angústia, e seriam livrados por Ele, e em consequência O glorificariam, como é do Seu propósito em relação ao Seu povo. Mas não deviam contar com isto, enquanto colocassem a confiança deles meramente nos sacrifícios de animais que Lhe ofereciam, e nos demais cultos externos exigidos pela Lei cerimonial, quando os mesmos não eram acompanhados por uma verdadeira piedade de coração. Quanto aos ímpios então, nem sequer lhes daria qualquer atenção quando repetiam os Seus preceitos e afirmavam de boca que estavam aliançados ao Senhor, porque aborreciam a disciplina e rejeitavam as Suas palavras. Eles se compraziam no roubo, e no adultério, eram maldizentes e difamadores, e como poderiam esperar contar com o favor de Deus enquanto permaneciam escravizados a estes pecados e a outros? Então somente àqueles que oferecem sacrifício de ações de graças, pelo reconhecimento de tudo o que o Senhor tem feito, e que preparam o seu caminho para andarem somente nas veredas da justiça, o Senhor daria que vissem a Sua salvação.

“Fala o Poderoso, o SENHOR Deus, e chama a terra desde o Nascente até ao Poente. Desde Sião, excelência de formosura, resplandece Deus. Vem o nosso Deus e não guarda silêncio; perante ele arde um fogo devorador, ao seu redor esbraveja grande tormenta. Intima os céus lá em cima e a terra, para julgar o seu povo. Congregai os meus santos, os que comigo fizeram aliança por meio de sacrifícios. Os céus anunciam a sua justiça, porque é o próprio Deus que julga. Escuta, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu testemunharei contra ti. Eu sou Deus, o teu Deus. Não te repreendo pelos teus sacrifícios, nem pelos teus holocaustos continuamente perante mim. De tua casa não aceitarei novilhos, nem bodes, dos teus apriscos. Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas. Conheço todas as aves dos montes, e são meus todos os animais que pululam no campo. Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém. Acaso, como eu carne de touros? Ou bebo sangue de cabritos? Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo; invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás. Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? Se vês um ladrão, tu te comprazes nele e aos adúlteros te associas. Soltas a boca para o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu irmão e difamas o filho de tua mãe. Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista. Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos despedace, sem haver quem vos livre. O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus.”

Silvio Dutra

SALMO 48 e 49

SALMO 48 – Salmo dos filhos de Core
SALMO 49 – Salmo dos filhos de Core

Estaremos comentando estes salmos em conjunto.
Quão duro e corrompido é o coração carnal para que possa entender qual é a verdadeira natureza da glória. O homem se aplica a fazer coisas grandiosas, espetaculares, para se orgulhar delas e fazer com que seu coração seja inteiramente dominado pela glória destas coisas terrenas que ele fabrica pela sua própria imaginação, engenhosidade e habilidades. Contudo, há uma glória ao redor dele, criada pelo próprio Deus, numa grandiosidade que não pode ser igualada, quer na sua variedade e formas, quer na sua própria essência. Veja as estrelas do céu. O próprio firmamento. As árvores, suas flores e frutos. Os animais que enchem tanto a terra, quanto os mares e os céus. Os minerais em sua grande variedade e preciosidade. Tão grandes e numerosas são as obras de Deus que não podem ser mensuradas. No entanto, não é comum que o homem se glorie nelas, porque afinal, não são obras de suas próprias mãos. Então, endurecido para a beleza da criação, volta-se para se gloriar em coisas efêmeras criadas pelas suas próprias mãos. Isto é uma forma de idolatria. Da pior das idolatrias, porque está centrada no culto de si mesmo, de sua própria inteligência, capacidade e poder. Para estes de nada lhes serve o grande alerta de Deus pronunciado pelo profeta em Sua Palavra: “23 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; 24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” (Jer 9.23,24). Na verdade o homem, em sua presente condição de estar sujeito ao pecado, não tem nada do que se gloriar em si mesmo, senão do que se envergonhar e se humilhar diante do Senhor para que seja purificado dos seus pecados, e assim, sendo preservado, e mantendo o seu coração na humildade, possa fazer uma justa avaliação da verdadeira glória, que se encontra somente no próprio Senhor. Como diz o salmista nestes salmos, que Ele é grande e mui digno de ser louvado na sua cidade, no seu monte belo e sobranceiro que é a alegria de toda a terra, o monte Sião, situado na cidade do grande Rei, a saber, Jerusalém. É somente naquilo que se refere a Deus e que pertence ao Seu culto, que devemos nos gloriar, assim como os israelitas se gloriavam no templo do Senhor, não propriamente pelas edificações propriamente ditas, mas por ser o lugar dedicado ao Seu serviço e adoração. Gloriar-se na construção de templos de pedra é algo que o Senhor não aprova, porque isto é idolatria. Devemos nos gloriar somente nEle. É bom lembrarmos o que Jesus disse aos discípulos, quando maravilhados lhe falavam acerca da beleza do templo de Jerusalém: “1 Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2 Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1,2). Deus não está interessado na beleza exterior das coisas que fazemos, nem mesmo no que diz respeito ao nosso corpo e vestimentas, senão no interior do nosso coração, nas Suas virtudes que o estejam adornando. É neste tipo de beleza que Ele se gloria e acha a verdadeira glória, e não na das coisas que são passageiras, como por exemplo a da própria flor, que tem a sua glória, mas não devemos nos gloriar nelas porque delas é dito que: “Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;” (I Pe 1.24). Falando de flores, os homens costumam usá-las como adorno em seus festejos carnais, nos quais gastam grandes somas de dinheiro, para se gloriarem não propriamente no que fizeram, mas uns sobre os outros, na superação que não tem limite de se desejar mostrar que se é mais do que os outros, naquilo que realizam. Quanta pobreza e miséria há neste modo de pensar, porque as mesmas flores que adornam seus festejos carnais, são também usadas para adornarem suas sepulturas. No entanto, não podem lembrar disso, porque o seu coração não está ligado continuamente na simplicidade que é devida a Cristo, e assim, não conseguem se amoldar às coisas simples, senão às que eles consideram grandes, e que aos olhos de Deus não passam de abominação, por causa do desejo de glória que há em seus corações pervertidos pela soberba. A glória efêmera das torres, dos palácios, das naus terrenas, passará pelo tempo ou pelo juízo de destruição que virá da parte do Senhor sobre toda a terra. Deveríamos ser então sensatos e não colocarmos o nosso coração nas coisas que são da terra, senão nas que são do céu. Aqueles que desejam se tornar poderosos na terra, haverão de ser abatidos pelo Senhor, e aos mansos fará com que herdem a terra para sempre.


Salmo 48

“Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus.
Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei.
Nos palácios dela, Deus se faz conhecer como alto refúgio.
Por isso, eis que os reis se coligaram e juntos sumiram-se; bastou-lhes vê-lo, e se espantaram, tomaram-se de assombro e fugiram apressados.
O terror ali os venceu, e sentiram dores como de parturiente.
Com vento oriental destruíste as naus de Társis.
Como temos ouvido dizer, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus.
Deus a estabelece para sempre.
Pensamos, ó Deus, na tua misericórdia no meio do teu templo.
Como o teu nome, ó Deus, assim o teu louvor se estende até aos confins da terra; a tua destra está cheia de justiça.
Alegre-se o monte Sião, exultem as filhas de Judá, por causa dos teus juízos.
Percorrei a Sião, rodeai-a toda, contai-lhe as torres; notai bem os seus baluartes, observai os seus palácios, para narrardes às gerações vindouras que este é Deus, o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até à morte.”



Salmo 49

“Povos todos, escutai isto; dai ouvidos, moradores todos da terra, tanto plebeus como os de fina estirpe, todos juntamente, ricos e pobres. Os meus lábios falarão sabedoria, e o meu coração terá pensamentos judiciosos. Inclinarei os ouvidos a uma parábola, decifrarei o meu enigma ao som da harpa. Por que hei de eu temer nos dias da tribulação, quando me salteia a iniquidade dos que me perseguem, dos que confiam nos seus bens e na sua muita riqueza se gloriam? Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre.), para que continue a viver perpetuamente e não veja a cova; porquanto vê-se morrerem os sábios e perecerem tanto o estulto como o inepto, os quais deixam a outros as suas riquezas. O seu pensamento íntimo é que as suas casas serão perpétuas e, as suas moradas, para todas as gerações; chegam a dar seu próprio nome às suas terras. Todavia, o homem não permanece em sua ostentação; é, antes, como os animais, que perecem. Tal proceder é estultícia deles; assim mesmo os seus seguidores aplaudem o que eles dizem. Como ovelhas são postos na sepultura; a morte é o seu pastor; eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura é o lugar em que habitam. Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si. Não temas, quando alguém se enriquecer, quando avultar a glória de sua casa; pois, em morrendo, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará. Ainda que durante a vida ele se tenha lisonjeado, e ainda que o louvem quando faz o bem a si mesmo, irá ter com a geração de seus pais, os quais já não verão a luz. O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem.”

Silvio Dutra

“Confie nele em todos os momentos." (Salmo 62.8)

A fé é quase como o governo tanto da vida temporal quanto da espiritual; devemos ter fé em Deus para os nossos assuntos terrenos, bem como para os celestiais.
É somente à medida que aprendemos a confiar em Deus para o provimento de toda a nossa necessidade diária que iremos viver acima do mundo.
Nós não devemos ser ociosos, porque isto revelaria que não confiamos em Deus, que trabalha até agora, mas no diabo, que é o pai da preguiça. Não devemos ser imprudentes ou precipitados; que confiam no acaso, e não no Deus vivo, que é Deus cuidadoso e ordeiro. Agindo com toda a prudência e honestidade, estamos confiando de forma simples e inteiramente no Senhor em todos os momentos.
Deixe-me recomendar a você uma vida de confiança em Deus nas coisas temporais. Confiando em Deus, você não será compelido a se entristecer porque você usou meios pecaminosos para enriquecer. Sirva a Deus com integridade, e se você não conseguir nenhum sucesso, pelo menos nenhum pecado irá residir sobre sua consciência.
Confiando em Deus, você não será culpado de contradizer a si mesmo. O que confia na tripulação, navega desta forma hoje, e também depois, como um navio sacudido pelo vento inconstante; mas aquele que confia no Senhor é como um navio movido a vapor, que corta as ondas, desafia o vento, e faz uma brilhante pista prateada atrás de si rumando para o seu porto de destino.
Seja uma pessoa que vive com princípios interiores; nunca se curve aos diferentes costumes da sabedoria mundana. Ande em seu caminho de integridade com passos firmes, e mostre que você é invencivelmente forte na força que a confiança somente em Deus pode conferir. Assim, você será livrado de cuidados ansiosos, você não será incomodado com a má notícia, o seu coração será firme, confiando no Senhor.
Como é agradável flutuar ao longo do córrego da Providência! Não há nenhuma maneira mais abençoada de vida do que uma vida de dependência de um Deus que guarda a aliança.
Nós não temos ansiedades, porque ele tem cuidado de nós; nós não temos nenhum problema, porque lançamos todos os nossos fardos sobre o Senhor.

Texto de Spurgeon traduzido por Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

SALMO 32 – Salmo de Davi

Este Salmo revela simultaneamente a bem-aventurança já alcançada de uma vez para todo o sempre quando se é justificado pelo Senhor, quando Ele perdoa o nosso pecado para sempre por causa de Jesus Cristo.
De modo que em vez de nos atribuir, imputar iniquidade, Ele nos atribui a justiça do próprio Cristo, para que sejamos justificados, isto é, declarados justos, absolvidos de nossas culpas perante Ele, para todo o sempre.
Todavia, mesmo naqueles que alcançam tal bem-aventurança, simplesmente pela fé, assim como era o caso de Davi, ele cita o seu próprio exemplo, quando deixou de confessar seus pecados ao Senhor.
Ele usa uma metáfora forte para poder expressar os sentimentos que o dominavam naquela condição.
Ele diz que era como que os seus ossos tivessem envelhecido, ou seja, ele perdeu o seu vigor e força, por causa da tristeza profunda que o pecado produzia todos os dias no seu coração.
Debaixo dos seus pecados não confessados, ele sentia a mão de Deus não como mão consoladora, mas como uma mão corretiva e disciplinadora, que estava sobre ele dia e noite, tirando-lhe todo o vigor espiritual.
Todavia, ele sabia que estas tristezas produzidas por Deus são para conduzir ao arrependimento, que trará de volta a alegria e a paz espirituais que haviam sido perdidas.
Por isso se dispôs a confessar o seu pecado e não mais ocultar a sua iniquidade de Deus.
Ele o fizera e foi perdoado pelo Senhor.
Veja que ele está falando de alguém que já havia sido justificado, de alguém que chamou de homem piedoso, o qual sempre fará súplicas ao Senhor para encontrá-lo, porque aquele que O conhece de fato, já não pode mais suportar viver longe da Sua presença, e quem produz tal afastamento, sempre é o pecado, nas suas mais variadas formas.
São estes que se arrependem continuamente, e que confessam suas faltas ao Senhor, que são consolados pelo Espírito, porque Ele não consola quem está no pecado, senão apenas quem está santificado, porque é Espírito consolador, mas também é Espírito santificador.
Ele primeiro santifica, e depois consola.
Os que levam o pecado a sério, e que procuram se apresentar diante de Deus aprovados, sempre serão livrados por Ele, mesmo quando transbordarem as muitas águas da aflição, porque estas não conseguirão afogar o amor e o fogo do zelo de suas almas.
O Senhor os preservará nas tribulações e lhes cercará com cânticos de livramento.
Instruirá e ensinará o caminho pelo qual devem seguir, e lhes dará conselhos estando com Seus olhos fixados neles.
Contudo o que permanece rebelde contra o Senhor, em vez de ser instruído com mansidão, será dominado com a força de freios e cabrestos tal como se faz com o cavalo ou a mula, que não têm entendimento.
Estes terão que curtir sofrimentos sem consolações.
Mas os que confiam no Senhor, serão assistidos pela Sua misericórdia, e se alegrarão nEle, no espírito, e se regozijarão na sua justiça, porque são retos de coração.

“Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto.
Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo.
Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia.
Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.
Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei.
Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.
Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te.
Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão.
Tu és o meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento.
Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.
Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem.
Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no SENHOR, a misericórdia o assistirá.
Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração.”


SALMO 34 – Salmo de Davi
(quando se fingiu de louco na presença de Abimeleque)

“Bendirei o SENHOR em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no SENHOR a minha alma; os humildes o ouvirão e se alegrarão. Engrandecei o SENHOR comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome. Busquei o SENHOR, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores. Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame. Clamou este aflito, e o SENHOR o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações. O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o SENHOR, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Os leõezinhos sofrem necessidade e passam fome, porém aos que buscam o SENHOR bem nenhum lhes faltará. Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR. Quem é o homem que ama a vida e quer longevidade para ver o bem? Refreia a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente. Aparta-te do mal e pratica o que é bom; procura a paz e empenha-te por alcançá-la. Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor. O rosto do SENHOR está contra os que praticam o mal, para lhes extirpar da terra a memória. Clamam os justos, e o SENHOR os escuta e os livra de todas as suas tribulações. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido. Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra. Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado. O infortúnio matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão condenados. O SENHOR resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam nenhum será condenado.”

No comentário deste salmo, nós usaremos um texto de autoria de Spurgeon, em domínio público, na Internet, que traduzimos do original inglês, intitulado: O ensino das Crianças:

“Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” (Sl 34.11)

É uma coisa singular que os homens piedosos descubram frequentemente seu dever quando estão situados nas condições mais humilhantes. Nunca em sua vida, Davi estivera em pior perigo do que o que lhe inspirou este Salmo. É, como lemos no seu começo “Salmo de Davi, quando se fizera amalucado na presença de Abimeleque, e, por este expulso, ele se foi”. Davi foi levado diante do Rei Aquis, o Abimeleque da Filistia, a fim de tentar escapar, ele simulou estar louco, com uns sintomas muito degradantes que bem podiam confirmar sua loucura. Foi expulso do palácio, e, como é normal quando tais pessoas passam pela rua, um certo número de crianças deve ter se reunido ao seu redor. Em dias posteriores, ao cantar louvores a Deus, e recordando como havia chegado a ser o palhaço de criancinhas, pareceu dizer: “Tenho me rebaixado na estima das gerações vindouras, por minha insensatez nas ruas diante das crianças. Agora tratarei de desfazer este mal.”. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.
É muito possível que se Davi nunca houvesse se encontrado nestas circunstâncias, nunca haveria pensado neste dever, porque não encontro nenhum outro Salmo no qual ele dissesse: “Vinde, filhos, e escutai-me; e vos ensinarei o temor do Senhor.”. Teria o cuidado de suas cidades, províncias e nação pressionando-o, e pôde prestar pouca atenção à educação dos jovens. Porém aqui, levado à mais humilde posição que alguém possa ocupar, havendo chegado a ser como privado da razão, recorda seu dever. O cristão exaltado e próspero nem sempre se lembra dos cordeiros; esta tarefa geralmente recai sobre os Pedros, cuja confiança e soberba têm sido vencidas, e que se regozijam em responder assim de uma maneira prática a pergunta: “Tu me amas ?”.
De nosso texto extrairei primeiro uma doutrina, em segunda lugar, dois alentos, em terceiro, três instruções, em quarto, quatro instruções, e em quinto lugar cinco temas para crianças, tudo isto tomado do texto.

I. Primeiro, UMA DOUTRINA. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. A doutrina é que as crianças são capazes de receber o ensino do temor do Senhor. Os homens são em geral tanto mais sábios quanto mais insensatos têm sido. Davi havia sido sumamente insensato, e agora se transformou em extremamente sábio. E ao sê-lo, não era provável que expressasse sentimentos insensatos, nem que desse instruções que fossem ditadas por uma mente débil.
Temos ouvido falar de alguns que as crianças não podem compreender os grandes mistérios da Palavra de Deus. Inclusive sabemos de alguns mestres da Escola Dominical que cautelosamente evitam mencionar as grandes doutrinas do evangelho, porque creem que as crianças não estão preparadas para recebê-las. O mesmo erro se tem introduzido no púlpito, porque atualmente se crê, entre certa classe de pregadores, que muitas das doutrinas da palavra de Deus, ainda que corretas, não são adequadas para serem ensinadas ao povo, porque seriam confundidos para a própria destruição deles. Fora com esse sacerdotalismo, que é o mesmo erro em que incorrem os católicos romanos ! Tudo o que o meu Deus revelou deve ser pregado. Tudo o que tem revelado, ainda que não possa compreendê-lo, seguirei crendo, e pregando. Mantenho que não há nenhuma doutrina da Palavra de Deus que uma criança, se é capaz de salvação, não seja capaz de receber. Queria que as crianças fossem ensinadas em todas as grandes doutrinas da verdade sem uma só exceção, para que em tempos posteriores possam aferrar-se a elas. Posso dar testemunho de que as crianças podem compreender as Escrituras, porque estou seguro de que quando era somente um menino podia discutir acerca de muitos pontos intrincados de controvérsia teológica, no círculo de amigos de meu pai. De fato, as crianças são capazes de compreender algumas coisas nas primeiras etapas da vida, que dificilmente compreendemos posteriormente. As crianças têm de maneira eminente a simplicidade da fé. A simplicidade é equivalente ao mais alto conhecimento; em realidade, não podemos dizer que haja muita diferença entre a simplicidade de um menino e o gênio de mente mais profunda. O que recebe as coisas com simplicidade, como criança, terá frequentemente ideias que o homem propenso a fazer um silogismo com todas as coisas nunca chegará a alcançar.
Se querem saber se é possível ensinar as crianças, lhes apontarei muitos exemplos em nossas igrejas, e em famílias piedosas: não prodígios, senão meninos que vemos com frequência: Timóteos e Samuéis, e também meninas pequenas, que têm chegado a conhecer muito cedo o amor do Salvador. Assim como um menino é capaz de ser condenado ainda cedo, também é capaz de ser salvo. Tão cedo como um menino pode pecar, este menino pode, se lhe assiste a graça de Deus, crer e receber a Palavra de Deus. Tenham a certeza de que tão cedo como o menino pode conhecer o mal, é competente, sob a condução do Espírito Santo, para aprender o bem. Nunca vá à sua classe com o pensamento de que as crianças não podem compreender, porque se não lhes faz compreenderem é porque não compreende você mesmo. Se não lhes ensina os caminhos que deseja, é porque você não é adequado para a tarefa; você deveria falar palavras mais simples, mais adequadas para sua capacidade, e logo descobrirá que não era culpa da criança, senão do adulto, que ela não aprendesse. Mantenho que as crianças são capazes de salvação. O Senhor, que em sua soberania divina resgata ao encanecido pecador do horror de seus pecados, pode converter um menino de suas tolices juvenis. O que na hora undécima encontra a alguns ociosos na praça do mercado, e os envia à sua vinha, pode chamar a homens no amanhecer do dia de suas vidas para trabalharem para ele. O que pode mudar o curso de um rio quando corre abaixo em seu curso, e fazê-lo grande em seu crescimento, pode controlar um riacho que acabou de brotar, e fazer que corra pelo canal que deseja. Pode fazer todas as coisas. Pode operar no coração das crianças como lhe apraz, porque tudo está sob seu controle.
Temo que muitos de vocês não esperem ouvir acerca de crianças que são salvas. Por todas as igrejas tenho dado conta de uma espécie de repugnância contra qualquer piedade temporã, infantil Assusta-nos a ideia de uma criança que ame a Cristo; e se ouvimos de uma menina seguindo ao Salvador, dizemos que é imaginação infantil, uma impressão temporã que logo se desvanecerá. Queridos amigos, lhes rogo, nunca tratem a piedade infantil com suspeitas. É uma planta tenra, não a manuseiem demasiadamente. Ouvi algo que creio é uma narração genuína. Uma menina de uns cinco a seis anos, que amava verdadeiramente a Jesus, pediu à sua mãe para unir-se à igreja. A mãe lhe disse que era muito pequena. A menina muito triste, e certo tempo depois sua mãe, observou que havia piedade em seu coração, e contou o fato a um pastor. Este falou com a menina, e disse à sua mãe: “Estou totalmente convencido de sua piedade, porém não posso permitir que participe dos cultos porque é muito pequena.”. Quando a menina ouviu isto, uma estranha sombra cobriu seu rosto, no dia seguinte, quando sua mãe foi à sua cama, encontrou-a com lágrimas nos olhos, morta de dor, seu coração havia se partido, porque não lhe deixaram seguir a seu Salvador e fazer como ele lhe havia convidado. Eu não haveria assassinado aquela menina por todo um mundo ! Tenham cuidado como tratam com a piedade juvenil. Sejam ternos com ela. Creiam que as crianças podem ser salvas, tanto quanto vocês. Quando veem um jovem coração trazido ao Senhor, não o coloquem de lado, falando duro, e desconfiando de tudo. É melhor às vezes ser enganados que ser o meio de destruição de alguém. Que Deus envie a seu povo uma convicção mais firme de que os pequeninos brotos da graça são dignos de todo o cuidado.

II. Em segundo lugar, dar-lhes-ei DOIS ALENTOS, em encontrarão a ambos no texto. O primeiro alento é o do exemplo piedoso. Davi disse: ““Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Não te envergonharás de seguir os passos de Davi, verdade ? Não porás objeções para seguir o exemplo de alguém que foi o primeiro eminente em santidade, e logo eminente em grandeza. Acaso o pastorzinho, o matador do gigante, o salmista de Israel e o monarca, haveriam ido pelos passos que tu tenhas demasiado orgulho para seguir ? Ah não! Estou seguro de que te sentirás feliz de ser com era Davi. Porém se queres um exemplo maior, inclusive que o de Davi, escuta ao Filho de Davi, como saem doces palavras de sua boca: “Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino dos céus.”. Estou seguro de que lhes animaria se pensassem sempre nestes exemplos. Vocês ensinam a crianças, e isso não os desonra. Alguns dizem de vocês que são meramente mestres da Escola Dominical, porém vocês são personagens nobres, com um cargo honroso, e têm ilustres predecessores. Encanta-nos ver pessoas de uma certa posição na sociedade tendo interesse na Escola Dominical. Um grande fato em muitas de nossas igrejas é que as crianças são deixadas aos jovens para serem cuidados, e que dentre os membros mais velhos, com maior sabedoria, se preocupam porém muitos poucos deles, e muito frequentemente os membros mais acomodados da igreja se acham de lado como se o ensino dos pobres não fosse a especial atividade dos ricos. Espero o dia em que os fortes de Israel sejam achados ajudando nesta grande batalha contra o inimigo. Tenho ouvido que nos Estados Unidos há presidentes, juízes, membros do Congresso, e pessoas nas mais altas posições, não condescendendo, porque desdenho empregar esta palavra, senão honrando-se em ensinar às crianças nas Escolas Dominicais. O que ensina uma classe na Escola Dominical tem ganhado um bom título. Antes preferiria ter o título de M.E.D. (Mestre da Escola Dominical) do que uma licenciatura ou um diploma ou qualquer outra honra que se possa conferir.
Permitam que lhes rogue que se animem, porque seus deveres são assim honrosos. Que o régio exemplo de Davi, que o nobre e piedoso exemplo de Jesus, lhes inspirem com uma renovada diligência e um crescente ardor, com uma perseverança confiada e permanente, para prosseguir em sua poderosa obra, dizendo, como disse Davi: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.
O segundo alento que lhes darei é o alento de um grande êxito. Davi disse: “ Vinde filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Não disse: “Talvez lhes ensinarei o temor do Senhor”, senão que “vos ensinarei”. Teve êxito, e se ele não o teve, outros o têm tido. O êxito das Escolas Dominicais. Ali onde as hostes estelares cantam perpetuamente seu grande louvor, ali onde as multidões em vestiduras brancas permanentemente lançam suas coroas ao pés do Redentor, poderemos contemplar o êxito das Escolas Dominicais. Ali, também, onde milhões de crianças se reúnem domingo após domingo para louvar ao Senhor Jesus, vemos com alegria o êxito das Escolas Dominicais. E aqui acima, em quase cada púlpito de nossa terra, e ali nos bancos onde se sentam os diáconos, e de onde os piedosos membros se unem no culto, vemos o êxito das Escolas Dominicais. E remotamente, do outro lado do oceano, nas ilhas dos mares do Sul, em terras onde moram os que antes se prostravam ante ídolos de madeira e pedra, temos missionários salvos nas Escolas Dominicais, de onde milhares, remidos por meio de seus labores, contribuem tanto para a poderosa corrente de um imenso, incalculável êxito, quase diria que infinito, e em todo caso sem paralelo, da instrução das Escolas Dominicais.
Prossigam! Prossigam! Muito é o que se tem feito, mais se fará ainda. Que todas as suas vitórias do passado lhes inflamem com ardor; que a recordação de campanhas de triunfo e de campos de batalha ganhos para o seu Salvador nos reinos da salvação e da paz, sejam o alento de vocês para um renovado cumprimento do dever.

III. Agora, em terceiro lugar, lhes darei TRÊS ADMOESTAÇÕES: A primeira é: recordem a quem estão ensinando. Trata-se de crianças. “Vinde filhos”. Creio que deveríamos ter sempre respeito para com a nossa audiência, não no sentido de termos que ter cuidado quanto ao que estamos pregando ao senhor Fulano de Tal, ao Senhor Isso, ou ao Magistrado Aquilo, porque diante de Deus isto é uma vaidade. Porém devemos recordar que estamos pregando a homens e mulheres que têm almas, de maneira que não deveríamos ocupar seu tempo com coisas que não valham à pena de serem ouvidas. Agora, quando vocês ensinam na Escola Dominical, estão, se é possível, numa situação mais responsável ainda do que a de um pastor, porque este prega a pessoas adultas, a homens com juízo, que se não lhes agrada o que ele prega, têm a opção de ir para alguma outra parte. Vocês ensinam a crianças que não têm a opção de irem para algum outro lugar. Se ensinam mal às crianças, elas o crerão, se lhes ensinarem heresias, elas as receberão. O que lhes ensinarem agora, nunca mais esquecerão. Vocês não estão semeando numa terra virgem, como alguns dizem, porque tem estado muito tempo ocupada pelo diabo; porém, estão semeando sobre uma terra mais fértil agora que jamais o será, que produzirá agora o fruto de melhor forma do que em tempos futuros; estão semeando em um coração jovem, e o que semeiam é bastante certo que permanecerá ali, especialmente se ensinam o mal, porque isto nunca será esquecido. Cuidado com o que farão a eles. Não os escandalizem. Muitas crianças são tratadas como as crianças da Índia, nas quais colocam pratos de cobre sobre suas cabeças para que nunca cresçam. Há muitos que agora sabem que são simples, porque quando estiveram ao seu cuidado quando eram pequeninos nunca lhes deram a oportunidade para alcançar conhecimento, de modo que quando se fizeram adultos já não lhes importava nada. Tenham cuidado acerca dos seus objetivos; vocês estão ensinando crianças, vigiem então o que estão fazendo. Se puserem veneno no manancial, impregnarão toda a corrente. Tenham cuidado com o que fazem ! Se torcerem o arbusto a velha árvore ficará torta. Tenham cuidado! É a alma de uma criança que estão manipulando. É a alma de uma criança o que estão preparando para a eternidade, se Deus está com vocês. Faço-lhes uma solene admoestação em nome de cada criança. Certamente, se é traição administrar veneno aos moribundos, será muito mais criminoso administrar veneno à vida jovem. Se é mal extraviar aos de cabelos brancos, há de ser muito pior conduzir o coração jovem a um caminho de erro no qual poderá caminhar para sempre. Daí a severa admoestação de Cristo aos que viessem a escandalizar a qualquer dos pequeninos.
A segunda é, lembrem que estão ensinando para Deus. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” Se vocês, como mestres, ensinassem somente geografia, estou seguro de que não haveria muito problema se dissessem a seus alunos que o pólo Norte está próximo do Equador. Porém não estão ensinando geografia, nem matemática, nem uma profissão deste mundo, estão ensinando, no melhor da sua capacidade, para Deus. Vocês lhes dizem: “crianças venham aqui para que se lhes ensine a palavra de Deus, venham aqui, para que sejamos os instrumentos de salvação de suas almas.”. Tenham cuidado quanto ao seu objetivo quando estão lhes ensinando para Deus. Atem as mãos deles, se o desejarem, porém, por amor a Deus, não ataquem seus corações. Decidam o que quiserem sobre as coisas temporais, porém lhes rogo, em questões espirituais, tenham cuidado com a maneira pela qual os conduzem. Tenham cuidado em lhes inculcar a verdade, e somente a verdade ! E agora, quão solene se torna o trabalho de vocês ! O que está fazendo um trabalho para si mesmo, que o faça como quiser, porém o que está trabalhando para outro, que tenha cuidado acerca de como faz seu trabalho. O que está agora ao serviço de um rei, que tenha cuidado de como leva a cabo seus deveres, porém o que trabalha para Deus, deve tremer, se faz mal o seu trabalho, pois a palavra diz:”maldito aquele que faz descuidadamente a obra do Senhor”. Ah! Temo que muitos entre nós, estão longe de ter esta perspectiva!
A terceira admoestação é: recordem que suas crianças necessitam de ensino. O texto implica isso, quando diz, “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Isto faz que seu trabalho seja tanto mais solene. Se as crianças não necessitassem de ensino não me sentiria tão inquieto pelo que estão lhes ensinando de maneira correta, porque as obras não necessárias os homens podem fazê-las como bem lhes pareça. Porém esta obra é necessária. Teu filho necessita de ensino. Nasceu em iniquidade, em pecado foi concebido por sua mãe. Tem um coração mau. Não conhece a Deus, e jamais o conhecerá se você não ensiná-lo. Não é como alguma boa terra que possua uma boa semente oculta em suas entranhas. Ao contrário, tem má semente em seu coração. Deus pode colocar a boa semente ali. Vocês que professam serem seus instrumentos para espalhar a semente no coração da criança, lembrem: se esta semente não for semeada, ficará perdida para sempre, sua vida será uma vida alienada de Deus, e a sua morte será inevitável, e a sua parte será no fogo eterno. Tenha cuidado então, de como ensina, recordando a premente necessidade do caso. Esta não é uma casa incendiada necessitando da sua ajuda na bomba de água, nem um barco naufragando no mar, que necessita do teu remo no bote salva-vidas, mas um espírito imortal que clama a você: “Passa aqui e ajuda-nos.”. Rogo-lhes, ensinem “no temor do Senhor” e somente isto, tenham desejo de dizer, e dizer com verdade, “no temor do Senhor os instruirei.”.

IV. Isto me leva ao quarto ponto, a QUATRO INSTUÇÕES, e estas estão todas no texto.
A primeira é: faz com que as crianças venham à tua escola. “Vinde filhos.”. A grande queixa de parte de muitos hoje, é que não podem conseguir crianças. Vão buscá-las. Em Londres estamos indo de casa em casa, esta é uma boa ideia, e se deveria ir de casa em casa por todos os povoados, por todas as cidades, por todas as ruas, e conseguir o maior número possível de crianças, porque Davi disse, “Vinde filhos”. Assim, meu conselho é que consigam que venham as crianças, e que façam qualquer coisa para levá-lo a cabo. Mas não seja muito detalhista no modo de como trará as crianças à escola, porque, se eu não pudesse ter pregadores trajando casacos pretos para pregar à minha congregação, eu os teria em uniforme militar, mas eu teria uma congregação de certo modo. É melhor fazer coisas estranhas como esta do que ter uma igreja vazia, ou uma sala de aula vazia.
Quando eu estava para ir à Escócia, nós enviamos antes, um pastor para obter ouvintes, e o plano foi muito bem sucedido.
Evite meios ilícitos, mas faça tudo o que for possível para atrair as crianças à escola. Eu tenho ouvido de ministros que saíram pelas ruas à tarde no dia do Senhor e falaram às crianças que estavam brincando nas proximidades, e as convidaram a virem para a escola. Isto é o que um professor sério fará; ele dirá, "João, venha à nossa escola; você não pode imaginar que lugar agradável é.". A seguir, ele conduz as crianças à escola e em sua maneira amável, ele lhes conta estórias e anedotas sobre meninas e meninos que amaram o Senhor, e desta forma, a escola fica repleta de alunos. Vá e pegue as crianças. Não há nenhuma lei contra isto, tudo é justo na guerra contra o diabo. Assim minha primeira instrução é, conquiste as crianças, e faça-o por todos os modos que você possa fazê-lo.
Em seguida, conquiste o amor das crianças, se você puder fazê-lo. "Deixai vir a mim as criancinhas”. “Oh!”. Pensam as crianças, “como é agradável ter um professor assim, um professor que nos deixa chegar perto dele, um professor que não diz: “ Vão!”, mas “Venham!”. A falha de muitos professores é que eles não deixam suas crianças chegarem perto deles; mas esforçam-se para criar em seus alunos um tipo de respeito temeroso.
Antes que você possa ensinar as crianças, você deve tomar a chave de prata da bondade para abrir seus corações, e assim obter sua atenção. Diga, "venham a mim crianças.". Nós temos conhecido alguns bons homens que eram objeto de aversão às crianças. Você conhece a história de dois meninos aos quais haviam perguntado um dia se eles gostariam de ir para o céu? Para muita surpresa do seu professor, disseram que não o desejavam realmente. Quando lhes perguntaram, "porque não?" um deles disse, "eu não gostaria de ir para o céu porque o vovô está lá, e ele certamente diria: “Fiquem longe meninos, quero estar distante de vocês!” Por isso eu não gostaria de estar no céu com meu avô.”. Portanto, se um menino tem um professor que fala de Jesus, mas que sempre tem um olhar amargo, o que o menino pensará? “Eu quero saber se Jesus é como você; se Ele for eu não gostaria dele.". Então há um outro professor, que, se for sempre assim perturbado, os ouvidos das crianças permanecerão fechados; ao mesmo tempo, que ele ensina que deveriam perdoar-se mutuamente, e que devem ser amáveis com ele. “Bem”, pensa o jovem, "que é muito bonito de ouvir não há nenhuma dúvida, mas meu professor não é um exemplo para mim para que eu possa fazê-lo.". Se você se mantiver distante de uma das suas crianças, o seu poder sobre ela terá ido embora, e você não será capaz de ensinar-lhe qualquer coisa. É de nenhum proveito tentar ensinar àqueles que não lhe amam; assim, tente fazer-lhes amar você, e então eles aprenderão qualquer coisa que lhes ensinar.
Em seguida, ganhe a atenção das crianças. "Venham crianças, venham ouvir-me.". Se elas não lhe escutarem, você pode falar, mas você falará para nenhuma finalidade. Se não escutarem, você realizará seu trabalho como uma tarefa penosa desprovida de propósito para si próprio e para seus alunos. Você nada poderá fazer sem obter antes a atenção deles. Bem, isso depende de você mesmo; se você lhes der alguma coisa de importância para se ocuparem, eles certamente o escutarão. Dê-lhes algo de valor para ouvirem e eles certamente ouvirão. Esta regra pode não ser universal, mas é muito proveitosa. Não se esqueça de contar-lhes algumas coisas engraçadas. As anedotas são muito objetadas pelos críticos dos sermões, que dizem que não devem ser usadas no púlpito; mas alguns de nós sabem melhor do que esses, nós sabemos o que acordará uma congregação; nós podemos testemunhar com base em nossa experiência, que umas poucas anedotas aqui e ali são coisas de primeira qualidade para se obter a atenção inicial das pessoas que não escutarão a doutrina secamente. Tente colecionar boas ilustrações, tantas quanto lhe seja possível; sempre que for ministrar, se você for realmente um professor sábio, você sempre poderá encontrar ilustrações dentro de um conto para dizer às suas crianças. Então, quando seus alunos começarem a achar o ensino maçante, e você estiver perdendo a sua atenção, diga-lhes: “Vocês conhecem os Cinco Sinos ?" Se houver tal lugar onde residam, todos dirigirão sua atenção para a sua pergunta, “Vocês conhecem a volta do Leão Vermelho?”. Diga-lhes então algo que você leu ou ouviu sobre isto, e certamente poderá fixar sua atenção à lição. Uma criança uma vez disse, "Pai, eu gosto de ouvir o Sr. Fulano pregar, porque diz muitas coisas engraçadas em seus sermões”. Sim, as crianças sempre amam as “coisas engraçadas".
Faça parábolas, retratos, figuras para eles, e você progredirá sempre. Eu estou convicto, será que eu seria um menino atento a tudo o que você disse, caso você não apresentasse um conto agora e de vez em quando, você veria frequentemente a parte de trás da minha cabeça, e eu não sei, se eu me sentaria em uma sala de aula quente, mas cochilaria e iria dormir, ou iria brincar com o Juca à minha esquerda, e faria muitas coisas estranhas como descansar, se você não se esforçasse em despertar o meu interesse.
Lembre-se então de fazer com que seus alunos lhe deem ouvidos.
A quarta admoestação é, tenham cuidado com o que ensinam às crianças: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.

V. Em quinto lugar, quero dar-lhes CINCO LIÇÕES DE ESCOLA DOMINICAL, cinco temas para ensinar às suas crianças, e estes se encontram nos versículos que se seguem ao nosso texto: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” (Sl 34.11). A primeira coisa que se deve ensinar é A MORALIDADE. "Quem é o homem que ama a vida, e quer longevidade para ver o bem ? Refreia a tua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, e pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.” (Sl 34.12-14; I Pe 3.10b,11). A segunda coisa a ensinar é A PIEDADE, e uma constante crença na vigilância de DEUS; “Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e atentos os seus ouvidos ao clamor deles.”(Sl 34.15). A terceira é A MALDADE DO PECADO. “O rosto do Senhor está contra os que praticam o mal, para cortar da terra a memória deles.” (Sl 34.16). “Clamam os justo, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas tribulações.” (Sl 34.17). A quarta é A NECESSIDADE DE UM CORAÇÃO QUEBRANTADO. “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os de espírito oprimido.”. A quinta é A INESTIMÁVEL BÊNÇÃO DE SER UM FILHO DE DEUS: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra.” (Sl 34.19). “Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles será quebrado.”(Sl 34.20). “O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado.”(Sl 34.22)..
Tenho lhes dados estas divisões, e agora tratemos de uma por uma: Aqui, pois, temos uma lição modelo para vocês : “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Davi começa com uma pergunta: “Quem é o homem que deseja ver dias felizes ?”. Às crianças agrada este pensamento, lhes agrada a ideia de viverem até serem velhos. Com esta introdução começa ele o ensino sobre moralidade: "Refreie a sua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.”.
Nós nunca ensinamos a moralidade como forma de salvação. Deus proíbe que nós confundamos as obras do homem, sob qualquer forma com o redenção que está em Cristo Jesus! "pela graça é que temos conservado a fé, e isso não vem de nós, é dom de Deus." Contudo nós ensinamos a moralidade quando nós ensinamos a espiritualidade; e eu descobri que o evangelho sempre produz a melhor moralidade em todo o mundo. Eu tive um professor da escola dominical que ministrava muito sobre moralidade aos meninos e meninas sob seu cuidado, falando a eles muito particularmente acerca daqueles pecados que são os mais comuns à juventude. Podem honesta e convenientemente dizer muitas coisas às suas crianças que ninguém mais pode dizer, especialmente lembrá-las dos pecados que se encontram, comumente em crianças, a saber, pecados de pequenos roubos, ou de desobediência aos pais, ou de quebra do dia de descanso. Eu mandaria o professor ser muito particular em mencionar estes males um por um; para ele é de pouco proveito falar-lhes sobre pecados no atacado. Você deve fazer exame de um por um, assim como Davi. Primeiro aponte para o cuidado com a língua: " Refreie a sua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente.". Depois, então, em segundo lugar, aponte para a conduta total:. “aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.". Se a alma da criança não for preservada por outras partes do ensino, esta parte pode ter um efeito benéfico sobre a sua vida, e somente isto, e não além. A moralidade, entretanto, por si é comparativamente uma coisa pequena. A melhor parte do que você ensina é a santidade. Eu não disse "religião," mas santidade. Muitos povos são religiosos de alguma forma, sem serem santos. Muitos têm todos os sinais externos da santidade, toda a parte externa da piedade; tais homens que nós chamamos de "religiosos," mas não têm nenhum pensamento correto sobre Deus. Pensam sobre seu lugar de adoração, seu domingo, seus livros, mas nada sobre Deus. Que não respeita Deus, não ora a Deus, não ama a Deus, é um homem sem santidade, o que quer que sua religião externa possa ser. Trabalhe para ensinar sempre a criança a ter um olho em Deus; escreva em sua memória estas palavras, "Deus está me vendo". Auxilie-a a recordar que cada ato e pensamento seus estão sob o olhar atento de Deus. Não deve o professor da EBD desconsiderar que não é um dever menor colocar constantemente ênfase sobre o fato que há um Deus que observa tudo que acontece. Oh, que sejamos mais santos; e que nós falemos mais da santidade , e que amemos de fato a santidade! A terceira lição é o mal do pecado. Se a criança não aprender isto, nunca aprenderá como se chega ao céu. Nenhum de nós sempre soube quem era o salvador Jesus Cristo até que viemos a saber a coisa má que é o pecado. Se o Espírito Santo não nos ensinasse que somos pecadores jamais conheceríamos a bênção da salvação. Deixe-nos procurar sua graça, então, quando nós ensinamos, que nós devemos sempre colocar a ênfase sobre a natureza abominável do pecado. "o rosto do Senhor é contra aqueles que praticam o mal, para cortar a sua lembrança da terra". Não poupe, sua criança; deixe-a saber a que o pecado conduz. Não, aja como algumas pessoas, que são receosas do discurso claramente e amplamente relativo às consequências do pecado. Eu ouvi de um pai, um cujo filho, um rapaz novo, muito ímpio, morreu de maneira muito repentina. O pai não fez, como alguns costumam fazer, ao dirigir a seguinte palavra à sua família: "nós esperamos que seu irmão tenha ido para o céu.". Mas não; superando seus sentimentos naturais, foi-lhe concedido, pela graça de Deus, sentar junto às suas crianças, e dizer-lhes: "meus filhos; e filhas, seu irmão estava perdido; eu temo que ele esteja no inferno. Vocês souberam sobre sua vida e conduta, vocês viram como se comportou; e Deus tem-no agora afastado em seus pecados.". Então disse-lhes solenemente que do lugar do sofrimento, que cria, para onde tinha ido, deveria estar implorando para evitar e fugir da ira do porvir. Assim, usou o meio necessário para trazer suas crianças ao pensamento sério. Mas, se ao contrário se deixasse vencer pela ternura de coração e tivesse dito que esperava que seu filho tivesse ido para o céu, o que as outras crianças diriam ? "se ele foi para o céu, não há nenhuma necessidade para nós temermos; nós poderemos viver do modo que quisermos.". Não. Não. Eu não penso que não seja cristão afirmar que alguns homens estão indo para o inferno, quando nós vimos que suas vidas foram vidas infernais. Mas perguntamos: "pode você julgar suas criaturas?" Ó Não ! Mas podemos conhecê-los pelos seus frutos. Eu não os julgo, ou os condeno; pois julgam-se a si mesmos. Eu vi seus pecados antes do julgamento, e eu não duvido do que ocorrerá em seguida. "Mas não podem ser salvos na décima primeira hora?". Eu ouvi sobre alguém que foi, mas eu não sei que sempre haverá outro, e eu não posso dizer que sempre haverá. Seja honesto, a seguir, com suas crianças, e ensine-as, pela ajuda de Deus, que o "mal mata o mau." Mas você não terá feito parcialmente bastante a menos que você ensine com cuidado a quarta lição, a necessidade absoluta de uma mudança do coração. "o senhor está perto dos que têm um coração quebrantado; e salva os que têm um espírito contrito.". Oh! Possa Deus permitir-nos manter constantemente, isto nas mentes dos alunos, que importa antes, ser de um coração quebrantado e um espírito contrito, e que as boas obras serão de nenhum proveito a menos que haja uma natureza nova, que todos os deveres e os mais árduos e sérios trabalhos serão como nada, a menos que haja um arrependimento verdadeiro e completo em relação ao pecado, e total abandono do pecado através da atuação da graça e da misericórdia de Deus! Esteja certo: o que quer que você ensine às crianças, nunca deixe faltar os três “R”, — Ruína (estado do homem sujeito ao pecado), Redenção e Regeneração. Diga às crianças que são arruinadas pela queda, e que só há salvação para elas se forem redimidas pelo sangue de Jesus Cristo, e serem regeneradas pelo Espírito Santo. Mantenha constantemente diante delas estas verdades vitais, e então você terá a tarefa agradável de dizer-lhes o assunto doce da lição de fechamento. Em quinto lugar, diga às criança sobre a alegria e a bênção de ser cristão. “O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado". Eu não necessito dizer-lhe como falar sobre esse tema. É verdadeiro o dito: "abençoado é o homem cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.". "Abençoado é o homem que faz do Senhor sua confiança." Sim, verdadeiramente é abençoado o homem, a mulher, a criança que confia no senhor Jesus Cristo, e cuja esperança está nele colocada, sempre dando acima de tudo, ênfase a este ponto — que os justificados são um povo abençoado da família escolhida de Deus, redimida pelo sangue e conservada pelo poder, sendo pessoas abençoadas aqui em baixo, e que serão abençoadas para sempre no céu. Deixe suas crianças verem que você pertence àquela companhia abençoada. Se souberem que você está com problemas, mas se for possível, vir à sua classe com um rosto alegre, de modo que seus alunos possam dizer: o "professor é um homem abençoado embora esteja curvado sob seus problemas.". Sempre buscando manter uma expressão regozijante, seus meninos e meninas saberão que sua religião é uma realidade abençoadora. Deixe isto ser o ponto principal de seu ensino, o de que embora "sejam muitas as aflições do justo," contudo "Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado...O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado". Assim tenho lhes dado cinco lições; e deixe-me agora dizer solenemente, que em toda a instrução que você seja capaz de dar às suas crianças, você deve estar profundamente consciente que você não é capaz de fazer qualquer coisa em prol da salvação da criança, mas que é Deus, ele mesmo que, do primeiro ao último, quem tudo faz. Você é simplesmente uma pena; e Deus pode escrever com você, mas você não deve escrever qualquer coisa de si mesmo. Você é uma espada; Deus pode matar o pecado da criança usando você, mas você não pode matar o seu próprio pecado. Tenha portanto sempre consciência disto, que você deve ser então o primeiro a ser ensinado por Deus e que você deve pedir a Deus para usá-lo como professor; a menos que o maior Mestre do que você o instrua, e instrua às crianças, elas perecerão. Não é sua lição que pode salvar as almas das crianças; é a bênção de Deus, o Espírito Santo acompanhando seus labores. Possa Deus abençoar e coroar seus esforços com abundante sucesso!
Ele fará isto se você gastar tempo em oração e súplica constantes.
Nunca o trabalho do professor e pregador sério será em vão no Senhor, e nunca se viu que o pão lançado sobre as águas se tivesse perdido.

Silvio Dutra