Salmos da Bíblia

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Leia e Creia: Salmos 40.1

Salmos 40.1 Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu choro e clamor.

Danillo Souzgospel

Leia e Creia: Salmos 122:1 - 9

Elogio a Jerusalém

122: 1. Fiquei alegre quando me disseram:
" Vamos à casa de Deus, o Senhor ".
2. E agora aqui estamos,
dentro de Jerusalém.

3. Jerusalém é uma cidade
construída de novo,
onde o povo se reúne.
4. Para cá sobem as * tribos,
as tribos de Israel,
para dar graças ao Senhor,
como ele ordenou.
5. Aqui estão os tribunais de justiça,
onde o rei julga o seu povo.

6. Orem para que haja paz em Jerusalém.
" O Jerusalém, que prosperem
aqueles que a amam!
7. Que haja paz na cidade protegida
por muralhas!
Que haja segurança nos seus palácios! "
8. Eu amo os meus patrícios e amigos
e por isso digo a Jerusalém:
" Que a paz esteja com você!"
9. Eu amo o Templo do Senhor,
o nosso Deus,
e por isso oro pela prosperidade
de Jerusalém.

Danillo Souzgospel

Leia e Creia: Salmos 141:1- 10

Oração de tarde

141: 1. Ó Senhor Deus, eu clamo a ti;
vem depressa me socorrer!
Escuta-me quando peço a tua ajuda.
2. Recebe a minha oração
como se fosse incenso,
e que as minha mãos levantadas
sejam como a oferta da tarde!

3. Ó Senhor, controla a minha boca
e não me deixes falar o que não devo!
4. Não permits que o meu coração
deseje fazer o mal,
nem que eu ande com os que são perversos
ou tome parte na maldade deles.
E que eu nunca esteja presente
nas suas festas!

5. Eu aceito que uma pessoa direita
me repreenda ou castigue,
pois isso é um gesto de amizade;
mas eu nunca aceitarei elogios dos perversos
e continuarei a orar contra a ruindade deles.
6. Quando os seus chefes forem atirados
do alto dos rochedos,
então o povo saberá que eu dizia a verdade.
7. Como a lenha é rachada e cortada
em pedaços,
assim os sues ossos serão espalhados
na beira da sepultura deles.

8. Mas eu, ó Senhor, meu Deus,
continuo confiando em ti
e buscando a tua proteção.
Não me deixes morrer.
9. Livra-me das redes que os perversos
estendem para me pegar,
livra-me das armadilhas
dos que fazem o mal.
10. Que os maus caiam
nas suas próprias armadilhas,
e que eu cosiga escapar são e salvo!

Danillo Souzgospel

"Senhor guarda - me como a menina dos seus olhos " (Salmos 17:8 )

MARY SOUZA

Declare a Glória Dele Entre as Nações

Salmos: Pensando e Sentindo Com Deus, Parte 6

Por John Piper

Nessa mensagem final da série "Salmos: Pensando e Sentindo com Deus" eu quero me dirigir a duas questões: canto e nações -musicas e missões- para glória de Deus. Estes são os que se destacam para mim no Salmo 96. Como nós deveríamos pensar e sentir com Deus sobre as nações e sobre cantar, e como eles estão associados nesse salmo e no tempo que há de vir? E como eles estão relacionados a Jesus?
Aqui está a forma na qual eu estou pensando sobre a sequência dessas mensagens. Depois da visão geral do Salmo 1 para estabelecer que os Salmos são as palavras de Deus e que os Salmos são canções, e por isso eles intentam moldar o nosso pensamento e o nosso sentimento, nós olhamos para a depressão espiritual e como ser desencorajado de forma boa (Salmo 42). Então nós olhamos para "culpa e arrependimento" e como ser quebrantado de forma boa (Salmo 51). Então, saindo desse desencorajamento e arrependimento, nós levantamos em gratidão e louvor bendizendo ao Senhor (Salmo 103).
Então, no último texto vimos que nós somos frequentemente combatidos de forma amarga amargamente e às vezes terrivelmente tratados e que o coração clama por justiça e pela punição dos nossos adversários (Salmo 69). E nós encontramos alívio para essa raiva na certeza de que os salmos imprecatórios serão cumpridos, e todos os maus serão devidamente punidos, na cruz de Cristo para aqueles que se arrependerem, ou no inferno para aqueles que não se arrependerem. Minha é a vingança, diz o Senhor. Quanto a você, ame o seu amigo. Deus irá cuidar daqueles que pecam contra você. Ninguém sai ileso acerca de qualquer coisa no universo.
Jesus Cristo tem sido a chave e objetivo de todos esses Salmos. Eles não são completos sem ele. Então assim será hoje.
Feito para Propósitos Globais
Então agora com a nossa raiva aliviada, e nosso senso de justiça sustentado, e nossos corações cheios de gratidão por que " Quanto está longe o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões" (Salmo 103:12), e nossas bocas e almas cheias de bençãos ao Senhor por toda a sua bondade, o que poderia estar faltando? Para onde os Salms nos levam finalmente? A resposta é que Deus te fez para propósitos globais. Deus fez você para algo muito grande.
A Questão de Atingir as Nações
Você pode pensar que, quando o desânimo é passado e a culpa é aliviada e a raiva é atenuada e sua boca é cheia bênçãos, a razão para sua existência foi atingida. De certa maneira, você pode estar certo. Não haverá nada maior do que bendizer ao Senhor com louvor e gratidão transbordantes.
Mas há algo faltando. Deus não fez os seus caminhos conhecidos ou revelou sua glória ou mostrou suas obras maravilhosas apenas para você, ou para o seu grupo étnico apenas. Ele fez isso tendo em vista as nações -todas as nações, não estados políticos, mas nações como a Nação Cherokee, a Nação dos Navaho, a Nação dos Waorani. "Povos” é como o Salmo os chama. Então a primeira questão que nós iremos atingir é a questão das nações.
Pelas as Nações
Acompanhe comigo o foco em nações neste Salmo. O salmista diz que o povo de Deus deveria fazer pelo menos três coisas pelas nações.
1. Declarar a Glória de Deus
Primeiro, declare a elas a verdade sobre a Glória de Deus e suas obras e sua salvação. Versos 2-3: "Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas." Anunciai a sua salvação, anunciai a sua glória, anunciai as suas maravilhas. Faça isso "entre as nações." Faça isso "entre todos os povos." Todos eles. Não deixem nenhum de fora. Verso 10: Adicione à sua declaração a mensagem do reinado de Deus sobre as nações. "Anunciai entre as nações; “O Senhor reina!"
2. Convoque as Nações a se juntarem
Segundo: Convoque as nações a se unirem ao povo de Deus em atribuir glória a Deus e cantar louvores a ele. Verso 7: "Dai ao Senhor, ó famílias dos povos, dai ao Senhor glória e força.” Verso 1: “cantai ao Senhor, todos os moradores da terra.” (Salmos 96:1). Então, não apenas conte a terra os fatos sobre a grandiosidade e a glória de Deus; convide-os a juntarem-se a você em louvá-lo. Chame-os para a salvação deles. Todas as nações devem se dobrar diante do único e verdadeiro Deus de Israel, o qual conhecemos agora como Pai do nosso Senhor Jesus Cristo o Messias.
3. Avise-os do julgamento
Terceiro, não apenas declare sua glória a eles, e não apenas convoque eles a se juntarem em atribuir glória a ele, mas avise-os que a razão pela qual eles devem faazer isso é que eles estão confiando em falsos deuses e julgamento está chegando para todas as nações. Verso 5: “Porque todos os deuses dos povos são coisas vãs; mas o Senhor fez os céus.” Verso 10: “ Dizei entre as nações: O Senhor reina! O mundo também se firmará para que se não abale. Ele julgará os povos com retidão.” Verse 13: “porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua verdade.” (Salmos 96:13).
Em outras palavras, quando ele diz, “cantai ao Senhor, todos os moradores da terra,” e, “Anunciai … entre todos os povos, as suas maravilhas” e, “Porque grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses,” e “ tremei diante dele todos os moradores da terra,” e, “Porque todos os deuses dos povos são coisas vãs,” ele realmente quer dizer todos. O Deus dos Salmos reinvindica a fidelidade de todos os povos. Todos eles—em todas a sua inimaginável diversidade de cultura e religiões.
Todas as Nações, Todos os Povos
Não deixe de fora, o salmo implca, nenhuma nação, nenhum povo, nenhuma família—todos eles devem ser convertidos ao Deus vivo e verdadeiro e abandonar todos os seus outros deuses. Não deixe que nenhuma tendência de multiculturalismo (elas não têm o amor de Deus) te faça retroceder do amável trabalho de convocar todos os povos de todas as outras religiões a se arrependerem e atribuir glória ao único e verdadeiro Deus vivo.
Preste atenção a isto (não do Salmo 96) e veja se você pode imaginar de onde vem:
"eu te louvarei entre os gentios (nações) e cantarei ao teu nome." E outra vez diz: "Alegrai-vos, gentios (nações), com o seu povo." E outra vez: "Louvai ao Senhor, todos os gentios, e celebrai-o todos os povos." E outra vez diz Isaías: "Uma raiz em Jessé haverá, e, naquele que se levantar para reger os gentios (nações), os gentios (nações) esperarão." (Romanos 15:9-12)
Estas são citações dos Salmos, Deuteronômio, e Isaías empilhadas pelo apóstolo Paulo para sustentar o que? A vinda de Jesus como o Messias para todas as nações. Aqui está o contexto (versos 8-9): “Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão [os Judeus], por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais; e para que os gentios (as nações) glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito . . .” Então vem as promessas do Velho Testamento convocando todas as nações para louvar a Deus pela sua misericórdia, isto é, pela obra de Jesus Cristo na crus ao morrer por pecadores e tornando a misericórdia possível para rebeldes, gentios como nós.
Feitos para cantar sobre a Glória
Como você deveria se sentir sobre esta ênfase a todas as nações, e todos os povos no Salmo 96? E no Novo Testamento? Deus não nos está contando isto por propósitos de nos sentir exaustos, mas por propósitos de nos sentir extremamente animados. E eu quero dizer tanto missionários que vão quanto os que enviam missionários—todos nós que cremos no único Deus vivo, completamente no Deus-homem Jesus Cristo.
Por que eu digo isto? Veja o verso 1. Este impulso missionário por todas as nações está fluindo de cantar e chamar para o canto, “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todos os moradores da terra.” Esta é uma missão com cânticos. Esta é a forma que você se sente quando seu time ganha o Campeonato de Boliche, ou a Copa do Mundo, ou o Campeonato estadual—só que mil vezes mais grandioso. “Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos, as suas maravilhas.” Nós estamos falando de glória. Nós estamos falando de obras maravilhosas, não obras entediantes. Nem obras ordinárias. Nós temos provado e visto que este Deus é mais grandioso do que todas as outras grandiosidades. “ grande é o Senhor e digno de louvor” (verse 4). Nós somos em extremo animados por conhecer ele e por cantar para ele e convocar o mundo para cantar conosco para ele.
Você foi feito para isso. Quero dizer todos vocês que dizem de coração, “Jesus Cristo é o Senhor.” Quando você confessa Jesus como o Senhor do Universo, você é inscrito para uma significância além dos seus sonhos. Quero dizer homens de negócios, donas de casa, estudantes. Pertencer a Jesus é abraçar nações pelas quais ele morreu e as quais ele irá reinar. Seu coração foi feito para isso, e sempre haverá uma séria ou suave doença em sua alma até você abraçar este chamado global.
A Maior Causa de Todas
Ouça J. Campbell White, o primeiro secretário do Movimento Missionário Layman nos primeiros anos após 1900. Este movimento nasceu entre homens de negócio que foram capturados por uma ambição santa de ficarem por trás do que Deus esatava fazendo no massivo Movimento Voluntário de Estudantes. Aqui está o que o líder principal entre laymen disse:
A maior parte dos homens não estão satisfeitos com os permanentes resultados de suas vidas. Nada pode satisfazer completamente a vida de Cristo dentro destes seguidores exceto a adoção do propósito de Cristo para com o mundo que Ele veio redimir. Fama, prazer e riquezas são nada mais do que cascas e cinzas em contraste com a alegria permanente e sem fronteiras de trabalhar com Deus pelo cumprimento de seus eternos planos. Os homens que estão pondo tudo debaixo do empreendimento de Cristo estão recebendo desta vida seus mais doces e inestimáveis recompensas. (J. Campbell White, “The Laymans Missionary Movement,” na Perspectives on the World Christian Movement: A Reader, 225)
Como poderíamos nos sentir sobre o propósito global de Cristo Jesus de ser glorificado entre todas as nações? Você deveria sentir que esta causa é a consumação da sua significância na vida. Muitos outras coisas são importantes na vida. Mas esta é a maior de todas as causas. Todo seguidor do Senhor dos Senhores e Rei dos Reis abraça este propósito e encontra a consumação da sua razão de viver em ser parte deste grande propósito de Deus de ser glorificado entre todas as nações.
Impressionantes Movimentos entre as Nações
E qual é a situação entre as nações hoje? Movimentos impressionantes estão tomando lugar enquanto Deus ajunta seus eleitos de todas as nações e envia sua Igreja para todas as nações. Europa e America não são mais o centro de gravidade no Cristianismo. O centro está mudando para o sul e para o leste. América Latina, África, e Ásia estão experimentando crescimentos fenomenais e estão se tornando as grandes igrejas dentre as que enviam. Leia sobre isso nos livros de Philip Jenkins, “The Next Christendom” e “The New Faces of Christianity".
Mas eu pleiteiaria que todos vocês se tornassem familiar com o Joshua Project e o People Groups. Ali você descobre quais nações, no sentido bíblico, realmente são estas e quantas são e o quanto elas são alcançadas ou não alcançadas pelo evangellho. Joshua Project diz que existem 1,569 grupos de pessoas não engajados (nenhum missionário ou igreja), e 6,747 grupos quase inalcançados (menos do que 2% de evangélicos). Como eu agradeço a Deus por haver pessoas fazendo este difícil trabalho de pesquisa para nos ajudar a conhecer a tarefa que ainda resta diante de nós. Vá a estes sites, e comece a aprender qual é a situação global. E então sonhe como sua vida pode ser mais completamente envolvida em declarar sua glória entre as nações, suas obras maravilhosas entre todos os povos, tanto no ato de ir e de enviar.
Como você deveria se sentir sobre as nações do mundo? Uma paixão pela salvação deles e uma vibração por Deus governar sobre todos eles e nos chamar para sermos seus emissários para todos eles com as melhor notícia do mundo, e que ele terá um povo próprio dele de todas as nações, cantando a ele e atribuindo glória e força a seu Filho. Você foi feito para este tipo de alegria. Todas as outras alegrias dos Salmos, todas as outras emoções dos Salmos, estão nos trazendo aqui: a glória de Deus celebrada e cantada por todos os povos da terra.
O que nos traz a nossa segunda questão a ser considerada nesta mensagem: o Cantar.
Considerando a Questão do Cantar
Os versos 1 e 2 tremulam como uma bandeira sobre toda a ênfase nas nações neste Salmo, e eles são completamente sobre o cantar. “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todos os moradores da terra. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia.” Por que você iniciaria um salmo sobre o alcance global do reino de Deus e o dever de “anunciar a sua salvação de dia em dia” e de “Anunciar entre as nações a sua glória”—por que vvocê iniciaria tal salmo com o comando de cantar para o Senhor um cântico novo?
A resposta é simples: Você não pode convocar as nações para cantar se você não estiver cantando. E nós estamos convocando as nações a cantar. Verso 1: “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todos os moradores da terra.” Verso 11 diz, “Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra.” Mesmo a natureza está sendo convocada para se alegrar. E cantar é a consumação desta alegria e deste deleitar-se. Este salmo está nos chamando para disseminar uma paixão pela supremacia de Deus em todas as coisas, para a alegria de todos os povos. E então para convocar eles a atribuir glória a Deus com cânticos. Este é o negócio mais difícil e mais feliz em todo o mundo.
E você não pode convocar as nações a cantar se vocẽ não estiver cantando. Então deixe-me sugerir por que neste contexto missionário global o salmo enfatizaria cantar novos cânticos. Note que estes novos cânticos são “para o Senhor.” Não apenas sobre o Senhor. Verso 1: “Cantai ao Senhor um cântico novo.” Não é errado cantar sobre o Senhor. Os Salmos fazem isso o tempo todo. Mas quando novos cânticos estão sendo compostos e cantados “para o Senhor,” algo está acontecendo na igreja. É um sinal de uma vibração e vida incomum. As pessoas não estão apenas vivendo dos insumos das gerações anteriores, mas eles estão lidando de forma vibrante com o Deus vivo e seus cânticos estão sendo cantados para ele. Ele é real. Ele é pessoal. Ele é conhecido. Ele é precioso. Ele é presente. Adoração é mais intensa e mais pessoal e mais envolvente.
Um Novo Cântico nos Nossos Dias
Este é o chamado que o salmo faz, e isto é o que tem acontecido durante toda a minha vida adulta. Ao redor do mundo há um novo cântico e uma nova vibração e um novo engajamento no cantar para o Senhor. E a coisa realmente surpreendente do nosso tempo é a forma que este despertar de cantar para o Senhor com novos cânticos seja um sabor global e missionário tão forte. Para o meu conhecimento cantar nunca esteve mais na dianteira das missões como o é hoje.
Deus está fazendo algo maravilhoso no cumprimento do Salmo 96. Isto é muito maior do que qualquer igreja, ou qualquer grupo étnico, ou qualquer região do mundo. A igreja global está cantando—cantando para o Senhor, cantando novos cânticos, e cantando sobre o senhorio de Deus sobre ass nações.
E eu simplesmente diria: Não deixe passar o que Deus está fazendo. Seja parte disso. Tome as nações em seu coração. Pense da forma correta acerca dos propósitos globais de Deus. Tenha sentimentos profundos sobre suas obras maravilhosas. Cante com todo seu coração para o Senhor. E se torne uma parte do convocar as nações a se juntarem a você
O Centro do Nosso Cantar
E que o centro do nosso cantar seja o mesmo centro do novo cântico que cantaremos na era porvir, ou seja, o cântico do cordeiro que foi morto.
E cantavam um novo cântico, dizendo: "Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra." (Apocalipse 5:9-10)

John Piper

Depressão Espiritual nos Salmos

Por John Piper

Salmos 42 - Masquil para o músico-mor, entre os filhos de Coré.

"Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus? Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava.
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte. Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim. Contudo o SENHOR mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida. Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo? Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus."

Uma das condições emocionais proeminentes nos Salmos é a depressão espiritual. Martyn Lloyd-Jones escreveu o livro Depressão Espiritual e se baseou no Salmo 42. Este é o Salmo que nós iremos focalizar hoje - aquele que diz, “Por que te abates, ó minha alma, e por que te pertubas dentro de mim?”

Os Salmos: Canção e Instrução

O cabeçalho do Salmo nos lembra do que vimos semana passada. “Para o músico-mor. Um Maskil dos filhos de Coré.”

Os filhos de coré eram um grupo de sacerdotes que eram encarregados do ministério de canto. 2° Crônicas 20:19 descreve eles em ação: “E levantaram-se os levitas, dos filhos dos coatitas, e dos filhos dos coratitas, para louvarem ao SENHOR Deus de Israel, com voz muito alta.”

Então o cabeçalho implica que este salmo foi provavelmente usado em adoração púlblica e foi cantado. Isto é uma parte do que nós falamos na semana passada. Os Salmos são canções. Eles são poemas. Eles são escritos para despertar e expressar e moldar a vida emocional do povo de Deus. Poesias e canções existem porque Deus nos fez com emoções, não apenas raciocínio. Nossas emoções são maciçamente importante.

A segunda coisa a notar no cabeçalho é que o salmo é chamado um “maskil.” O significado desta palavra não é claro. Esta é a razão pela qual a maioria das versões não traduzem esta palavra. Ela vem de um verbo hebraico que significa fazer alguém sábio, ou instruir. Então quando aplicado nos salmos, pode significar uma canção que instrui, ou uma canção sabiamente trabalhada. Isso nos lembra da outra coisa que enfatizamos semana passada: Os Salmos têm a intenção de instruir. “Bem-Aventurado é o varão cujo o prazer está na Lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite.”

Então “Para o músico-mor. Um Maskil dos filhos de Coré” enfatiza ambos os pontos da última reunião: Os salmos são instrução, e os salmos são canções. E Jesus ensinou que eles foram inspirados por Deus. Eles têm a intenção de moldar o que a mente pensa, e eles têm a intenção de moldar o que o coração sente. Quando nós nos imergimos nele, nós estamos “pensando e sentindo com Deus.” Por isso eu oro para que essa série nos ajude nisso.

Uma visão geral do Salmo 42

A maneira pela qual eu gostaria de nos conduzir ao Salmo 42 é dar uma visão geral, e então mostrar 6 coisas que esse homem de Deus faz na sua depressão espiritual —6 coisas que eu penso que são destinadas a moldar a forma como nós lidamos com nossos próprios tempos sombrios.

Aqui está a visão geral. Externamente as circunstâncias em que ele se encontra são opressivas. O verso 3 diz que os seus inimigos “me dizem todos os dias, onde está o teu Deus? ” E o verso 10 diz a mesma coisa, só que descreve o efeito como uma ferida mortal: “Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus? " e a afronta “Onde está o teu Deus?” implica que alguma coisa a mais deu errado também, ou eles não diriam, “Onde está o teu Deus?” Para eles parece que ele foi abandonado.

A condição emocional interna do salmista é depressiva e cheia de turbulências. Nos versos 5 e 11, ele se descreve como “abatido” e “perturbado.” No verso 3 ele diz, “Minhas lágrimas têm sido meu alimento dia e noite.” Então ele está desanimado ao ponto de chorar dia e noite. No verso 7 ele diz que parece estar se afogando: “todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.”

Lutando para ter esperança em Deus

Em meio a tudo isso, ele está lutando pela esperança. Verso 5: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.” Verso 11: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.” Ele não está se rendendo às emoções de desânimo. Ele está contra-atacando.

Eu não posso te dizer quantas centenas de vezes nos últimos 28 anos na (igreja) Bethlehem eu tenho contra-atacado o peso do desânimo com estas mesmas palavras “Espera em Deus, John. Espera em Deus. Você irá louvá-lo novamente. Essa emoção miserável irá passar. Esse tempo irá passar. Não fique abatido. Olhe para Jesus. A luz irá nascer.” Isto era tão central para nossa maneira de pensar e de falar no início dos anos 80 que nós colocamos um imenso “Espere em Deus” na parede externa do santuário antigo e nos tornamos conhecidos na vizinhança como a igreja “Espere em Deus”.

As circunstâncias externas dele são opressivas. Sua condição emocional interna é depressiva e cheia de perturbação. Mas ele está lutando pela esperança. E a coisa realmente marcante é que no fim do salmo, ele continua lutando mas ainda não onde ele quer estar. As últimas palavras do salmo—e as últimas palavras do próximo salmo—são “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.” Ele nos deixa ainda lutando pela alegre experiência da esperança e da libertação da turbulência. Ele ainda não está louvando da maneira como ele queria.

Um final amargo e doce

Isto é um final feliz? Como quase tudo nessa vida, está misturado. Sua fé é realmente incrível, e sua luta é valorosa. Mas ele não está onde ele gostaria de estar, em esperança e paz e louvor.

Então eu assumo que este salmo está na bíblia pelo desígnio de Deus e que se nós escutarmos atentamente, se observarmos a luta deste salmista, se nós meditarmos nesta instrução dia e noite, nossos pensamentos sobre Deus e a vida, por um lado, e nossas emoções, por outro lado, serão moldadas por Deus. E nós nos tornaremos como uma árvore que dá frutos e cujas folhas não caem quando a seca da opressão e desânimo e perturbação vem.

Como o salmista responde ao desânimo

Então aqui estão 6 formas pelas quais o salmista responde ao desânimo e a perturbação que vieram com as afrontas dos seus inimigos. Eu os colocarei em uma ordem na qual elas devem ter acontecido, embora elas certamente tenham acontecido concorrentemente e repetidas vezes.

1. Ele pergunta a Deus por quê?

Primeiro, ele responde às suas circunstâncias em um ponto perguntando a Deus Por quê? Verso 9: “Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo?” A palavra esqueceste é um exagero. E ele sabe disso. Ele havia acabado de falar no verso 8 , “Contudo o SENHOR mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida.”

O que ele quer dizer é que, parece que Deus se esqueceu dele. Ele se sente como se Deus tivesse esquecido dele. Se Deus não se esqueceu dele, por que esses inimigos não retornaram e foram consumidos? Seria bom se todos nós fossemos tão compostos e cuidadosos na expressão dos nossos desânimos que não viéssemos nunca a falar nada impróprio. Mas não é como nós somos. No meio do tumulto das emoções, nós não somos cuidadosos com nossas palavras.

Aqueles de nós que estavam conosco por volta de 1985 quando eu preguei sobre Jó devem se lembrar de como essa verdade veio sobre nós como igreja. Por anos mais tarde, nós iríamos nos referir às palavras de Jó 6:26 e falar sobre “palavras ao vento.” Jó fala para os seus amigos críticos, “Vocês acham que vocês podem reprovar as palavras, quando o discurso de um homem desesperado é o vento?” Em outras palavras, não vá em cima das palavras de um homem desesperado. Desconsidere. Haverá tempo suficiente para discernir as convicções mais profundas do coração. Deixe o vento soprá-las embora. Elas são palavras ao vento.

Então o salmista pergunta Por quê? Está é uma pergunta legítima. Ele pode não ter feito a pergunta com precisão teológica ou linguística, mas se ele prova a tempo que ele não queria dizer que Deus não o tinha esquecido, nós iremos deixar estas palavras serem palavras ao vento.

2. Ele afirma o soberano amor de Deus.

Segundo, em meio ao desânimo ele afirma o soberano amor de Deus por ele. Verso 8: “Contudo o SENHOR mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida.” Nos versos 5 e 11, ele chama Deus de “minha salvação e meu Deus.” E ainda que embora ele diga que parece que Deus se esqueceu dele, ele nunca pára de acreditar na absoluta soberania de Deus sobre todas as suas adversidades. Então no final do verso 7, ele fala, “todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.” Tuas vagas e tuas ondas tem passado sobre mim.

Em outras palavras, todos as circunstâncias dele de conflitos, perturbações, opressões e desânimo são as ondas de Deus. Ele nunca perde essa compreensão sobre as grandes verdades sobre Deus. Elas são o lastro em seu pequeno barco da fé. Elas protegem ele de naufragar no tumulto das suas emoções. Quantos de vocês tem aprendido isso mais profundamente do que eu por causa das ondas que tem quebrado sobre suas vidas. Vocês têm aprendido profundamente que não é aliviante dizer que Deus não controla o vento e as ondas.

Então o salmista afirma o soberano amor de Deus por ele em meio a, e através de, todos os problemas.

3. Ele canta!

Terceiro, ele canta ao Senhor de noite, suplicando pela sua vida. Verso 8: “Contudo o SENHOR mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida." Esta não é uma canção de esperança jubilante. Ele não sente uma esperança jubilante. Ele está buscando uma esperança jubilante. Esta é uma oração em forma de cântico e um cântico suplicante –uma canção "ao Deus da minha vida." Isto é, uma canção suplicando pela vida dele.

Mas não é fantástico que ele esteja cantando sua oração? Meu palpite é que é de onde o Salmo 42 veio. Este mesmo salmo deve ter sido esta oração-canção noturna. Não são muitos de nós os que podem compor canções quando estamos desencorajados e chorando dia e noite. Esta é a razão pela qual é bom manter um saltério que possa ser cantado por perto –ou um hinário com todos os tipos de emoções. Por exemplo, Isaac Watts escreveu estes versos para serem cantados:

Por quanto tempo ocultarás Tu a Tua face?
Meu Deus, quanto tempo?
Quando sentirei eu aqueles raios celestiais
Que afugentam meus medos?

Por quanto tempo irá minha pobre fadigante alma
Se degladiar e se cansar em vão?
Tua palavra pode todos os meus inimigos controlar
E acalmar a minha furiosa dor.

O hinário de 1912 contém estes versos para serem cantados da forma que o salmista do salmo 42 cantou de noite:

Até quando esquecerás Tu de mim,
Oh Senhor, Tu, Deus da graça?
Até quando irão os temores me assaltar
enquanto as trevas escondem Tua face?
Até quando irão as tristezas me angustiar
e transformar meu dia em noite?
Até quando irão meus adversários me oprimir
E triunfar com suas forças?

Oh Senhor meu Deus, atenta para mim
E ouve meus sinceros clamores;
para que o sono da morte não me envolva,
Ilumina Tu os olhos meus;
Para que agora meus adversários que me insultam,
Não se vangloriem em seu sucesso,
E os inimigos, exultantes,
Não se regozijem na minha aflição.

Estas não são canções jubilosas. Mas são canções de fé. E elas são escritas através do pensar e sentir com Deus nos Salmos.

4. Ele prega para sua própria alma.

Quarto, o salmista prega para sua própria alma. Verso 5: " Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. " Oh, como isto é crucial na luta da fé. Nós devemos aprender a pregar a verdade para nós mesmos. Veja Lloyd-Jones falar deste verso:

Você já notou que a maior parte da sua infelicidade na vida é devida ao fato de que você está ouvindo a si mesmo em vez de falar para si mesmo? Considere estes pensamentos que lhe vêm no momento em que você se levanta pela manhã. Você não os originou mas eles estão falando com você, eles trazem de volta os problemas de ontem, etc. Alguém está falando. Quem está falando com você? Seu eu está falando com você. E o tratamento deste homem [em Salmo 42] foi este: em vez de permitir seu eu de falar com ele, ele começa a falar para si mesmo. " Por que estás abatida, ó minha alma? " ele pergunta. Sua alma estava deprimindo ele, esmagando ele. Então ele se levanta e diz,: "Eu, escute por um momento, eu vou falar pra você." (Spiritual Depression, 20-21)

Deste lado da cruz, nós conhecemos o maior firmamento da nossa esperança: Jesus Cristo crucificado pelos nossos pecados e triunfante sobre a morte. Então a principal coisa que devemos aprender é pregar o evangelho para nós mesmos:

Escute, eu: Se Deus é por você, quem pode ser contra você? Ele que não poupou a seu próprio Filho mas por você O entregou, como não te dará também com Ele graciosamente todas as coisas? Quem poderá trazer qualquer acusação contra você como escolhido de Deus? É Deus quem justifica. Quem condenará? Cristo Jesus é quem morreu - mais do que isso, quem ressuscitou –quem está à destra de Deus, e quem de fato está intercedendo por você. Quem te separará do amor de Cristo? (Romanos 8:31-35 parafraseado)

Aprenda a pregar o evangelho a você mesmo. Se este salmista tivesse vivido depois de Cristo, é isto o que ele teria feito.

5. Ele relembra experiências passadas.

Quinto, o salmista relembra. Ele chama experiências passadas à mente. Ele relembra experiências de adoração com a congregação no passado. Verso 4: " Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava. "

Oh, o quanto poderia ser dito aqui sobre a importância da adoração com a congregação nas nossas vidas. Não considere estes momentos de união de qualquer forma. O que nós fazemos aqui é uma transação real com o Deus vivo. A intenção de Deus para estes encontros com Ele na adoração congregacional é preservar sua fé agora e de uma forma que você se lembre deles depois. Se a adoração congregacional não fosse uma obra sobrenatural de Deus, seria puro sentimentalismo o salmista lembrar suas experiências. Ele não está envolvendo nostalgia. Ele está confirmando sua fé no meio da perturbação e do desânimo lembrando-se o quanto real era Deus na adoração congregacional.

Oh, como deveríamos ser mais sérios sobre adoração congregacional. Peça ao Senhor para te mostrar o que está em jogo aqui.

6. Ele tem sede de Deus.

Finalmente, o salmista tem sede de Deus como uma corça brama pelas correntes de águas. Versos 1-2: " Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? " O que torna isto tão lindo, tão crucial para nós, é que a coisa principal que o deixa sedento não é o alívio de suas circunstâncias ameaçadoras. Ele não está sedento principalmente por escapar de seus inimigos ou pela destruição deles.

Não é errado querer alívio e orar por isso. Às vezes é correto orar pela derrota dos inimigos. Porém mais importante do que qualquer um destes motivos é Deus por Si próprio. Quando pensamos e sentimos com Deus nos Salmos, este é o resultado principal: Nós começamos a amar a Deus, e nós queremos ver Deus e estar com Deus e nos satisfazer na admiração e na exultação em Deus.

Esta é a minha esperança final e oração por estas semanas que estamos passando juntos nos Salmos. Que Deus seja revelado, e nós queiramos conhecê-lO como Ele é em Si mesmo e comungarmos com Ele.

Vendo a face de Deus no evangelho de Cristo

Uma provável tradução para o final do versículo 2 é: " quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus. " A resposta final para esta questão foi dada em João 14:9 e 2 Corinthians 4:4. Jesus disse, " quem me vê a mim, vê o Pai " (João 14:9). E Paulo disse que quando somos convertidos a Cristo nós vemos " a luz do Evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. " (2 Corinthians 4:4).

Quando vemos a face de Cristo, vemos a face de Deus. E nós vemos a glória da Sua face quando escutamos a história do evangelho de Sua morte e ressurreição. Isto é a " luz do Evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. "

Que Deus aumente sua fome e sua sede para ver a face de Deus. E que Ele conceda seu desejo através do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.

John Piper

A Quem Deus Chama Ele Protege e Livra



Por João Calvino

Introdução ao Salmo 18

Todos nós sabemos por quais dificuldades e por quais obstáculos quase intransponíveis Davi assumiu o reino. Ainda ao tempo da morte de Saul ele era um fugitivo e, por assim dizer, fora-da-lei, e exaustivamente passou sua vida em temor e em meio a infindas ameaças e perigos de morte. Depois de Deus o ter, com sua própria mão, colocado no trono real, ele foi imediatamente acossado por tumultos e insurreições por parte de seus próprios súditos; e ante as facções hostis, sendo superiores a ele em poder, às vezes chegava ao ponto de sentir-se completamente sucumbido. Inimigos externos, em contrapartida, o tentaram severamente até à sua velhice. A tais calamidades jamais teria sobrepujado não fora ele sempre socorrido pelo poder de Deus. Havendo, pois, obtido muitas e notáveis vitórias, ele não canta, como os homens sem religião costumam fazer, um cântico em sua própria honra, mas exalta e magnifica a Deus como o Autor dessas vitórias, fazendo uso de um encadeamento de termos notáveis e apropriados, e num estilo de inexcedível grandeza e sublimidade. Este Salmo, pois, é o primeiro dentre aqueles em que Davi celebra, em suaves melodias, a imensurável graça que Deus sempre demonstrou para com ele, tanto ao introduzi-lo na posse do reino quanto a partir daí a sustentá-lo em sua possessão. Ele também mostra que seu reinado era uma imagem e tipo do reino de Cristo, com o fim de ensinar e assegurar aos fiéis que Cristo, a despeito de todo o mundo e de toda a resistência que este sempre lhe faz, ele seria, pelo tremendo e incompreensível poder do Pai, sempre vitorioso.
“Ao mestre de música, de Davi, servo de Jehovah, aquele que cantou a Jehovah as palavras deste cântico no dia em que Jehovah olibertou da mão de seus inimigos e da mão de Saul.”
Temos que determinar cuidadosamente o tempo específico em que este Salmo foi composto, como ele nos mostra que Davi, quando seus negócios foram conduzidos ao estado de paz e prosperidade, não se deixou intoxicar com extravagante regozijo como se dá com os homens sem religião que, quando obtêm o livramento de suas calamidades, descartam de suas mentes a lembrança dos benefícios divinos e se precipitam em grosseiros e degradantes prazeres, ou erigem sua torre e obscurecem a glória de Deus com sua soberba e vangloria desprovidas de conteúdo. Davi, segundo o relato da história sagrada (2 Sm 22), cantou este cântico ao Senhor quando já se achava desgastado pela idade, e quando, ao ser libertado de todas as suas tribulações, desfrutava de tranquilidade. A inscrição aqui concorda com esse relato e, à luz do que está declarado ali, concluímos que ela não foi imprópria e incorretamente prefixada para este Salmo. Davi põe em relevo o tempo quando ele era cantado, isto é, depois de Deus o ter libertado de todos os seus inimigos, para nos mostrar que ele estava, então, em perfeita e pacífica posse de seu reino, e que Deus o assistira não apenas uma vez, nem contra apenas um gênero de inimigos; visto que seus conflitos eram de tempo em tempo renovados, e o fim de uma guerra era o começo de outra; sim, muitos exércitos amiúde insurgiam-se contra ele a um só tempo. Desde a criação do mundo, dificilmente encontraremos nele outro indivíduo a quem Deus haja provado com tantas e com tão variadas aflições. Visto que Saul o havia perseguido com mais crueldade e com maior ferocidade e determinação do que todos os demais, seu nome, por essa conta, é aqui expressamente mencionado, ainda que, na cláusula precedente, o salmista haja falado, em termos gerais, de todos os seus inimigos. Saul não é expresso por último como se houvera sido um de seus últimos inimigos, pois sua morte se dera cerca de trinta anos antes desse tempo; e desde esse evento, Davi desbaratara muitos inimigos estrangeiros, e também reprimira a rebelião de seu próprio filho Absalão. Mas, persuadido de que era uma singular manifestação da graça de Deus em seu favor, e eminentemente digno de ser lembrado o fato de que ele havia por tantos anos escapado de incontáveis mortes, ou, melhor, que ao longo dos dias em que ele vivera sob o reinado de Saul, Deus havia operado, por assim dizer, tantos milagres em seu livramento, então ele com razão menciona e celebra em particular seu livramento das mãos desse implacável inimigo.

Ao denominar-se de servo de Deus, ele indubitavelmente pretendia testificar de sua vocação ao ofício de rei, como se quisesse dizer: Não usurpei o reino temerariamente, fazendo valer minha própria autoridade, mas simplesmente agi em obediência ao oráculo celestial. Aliás, em meio às tantas tormentas que iria enfrentar, era um apoio muitíssimo necessário estar bem certo em sua própria mente de nada ter empreendido além do que Deus havia designado; ou, melhor, isso foi para ele um céu pacífico e um refúgio seguro em meio a tantos tumultos e estranhas calamidades. Não há nada mais miserável do que uma pessoa, em adversidade, que entra em desespero por agir segundo o mero impulso de sua própria mente e não em obediência à vocação divina. Davi, pois, tinha sobejas razões para desejar que se fizesse notório que não foi movido de ambição que veio a tomar parte naqueles renhidos combates, os quais lhe foram tão dolorosos e difíceis de suportar, e que não havia intentado nada ilícito, nem usara de meios perversos, mas que sempre estivera em prontidão diante da vontade de Deus, a qual lhe serviu de luz a guiá-lo em sua vereda. Este é o ponto que nos é muitíssimo proveito sabermos, a fim de não esperarmos viver totalmente isentos de dificuldade, ao seguirmos o chamado divino; ao contrário, preparemo-nos para aquele doloroso e desagradável estado de luta em nossa carne. Portanto, a designação, servo, nesta passagem, bem como em muitas outras, se relaciona com seu ofício público; justamente como, quando os profetas e apóstolos se denominam de servos de Deus, temos uma referência ao seu caráter oficial. É como se tivesse dito: Não sou rei por minha própria iniciativa, senão que fui escolhido por Deus para ocupar essa posição por demais elevada. Ao mesmo tempo, devemos notar particularmente a humildade de Davi, o qual, embora distinguido por tantas vitórias e sendo o conquistador de tantas nações e possuidor de tão imensa dignidade e riquezas, não atribui a si nenhuma outra honra senão a de Servo de Deus! Como se pretendesse demonstrar que considerava mais dignificante ter realizado fielmente os deveres do ofício com o qual Deus o investira do que possuir todas as honras e excelências do mundo.

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Calvino

Comentário do Salmo 78.1,2

Por João Calvino

“1 Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca.
2 Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos.”

Para compreender muitas coisas dentro de pouco espaço deve-se observar que neste Salmo há dois tópicos principais. Por um lado, declara-se como Deus adotou para si a Igreja, oriunda da posteridade de Abraão, quão terna e graciosamente ele cuidou dela, quão maravilhosamente ele a tirou do Egito e quão variadas foram as bênçãos que ele lhe outorgou. Por outro lado, os judeus, que lhe eram tão devedores pelas grandes bênçãos que ele lhes conferira, são censurados por terem de tempo em tempo perversa e traiçoeiramente se revoltado contra um Pai tão liberal; de modo que sua inestimável bondade foi claramente manifesta, não só em havê-los outrora adotado tão graciosamente, mas também em continuar no curso ininterrupto de sua bondade, tudo fazendo contra a rebelião de um povo tão pérfido e contumaz. Além disso, faz-se menção da renovação da graça de Deus, e como foi de uma segunda eleição que ele escolheu a Davi, da tribo de Judá, para alçar o cetro sobre o reino de Israel.
“Dai ouvidos a minha lei, povo meu!” Por todo o Salmo podemos conjeturar, com boa probabilidade, que ele foi escrito muito depois da morte de Davi; pois aí temos celebrado o reino erigido por Deus na família de Davi. Aí também a tribo de Efraim, a qual lemos ter sido rejeitada, é contrastada e posta em oposição à casa de Davi. Disto é evidente que as dez tribos estavam naquele tempo em estado de separação do restante do povo eleito; porque deve haver alguma razão pela qual o reino de Efraim é estigmatizado com o estigma da desonra como sendo ilegítimo e bastardo.
Quem quer que tenha sido o escritor inspirado deste Salmo, ele não introduziu Deus falando como alguns imaginam, mas ele mesmo se dirige aos judeus no caráter de mestre. Não há objeção quanto ao fato de ele chamar o povo de meu povo e a lei, minha lei; não sendo algo incomum que os profetas tomavam por empréstimo o nome daquele por quem eram enviados, para que sua doutrina desfrutasse de maior autoridade. Aliás, a verdade que lhes havia sido confiada pode, com propriedade, ser chamada sua. Assim Paulo, em Romanos 2.16, se gloria no evangelho como sendo meu evangelho, expressão essa que não deve ser entendida como significando que ele [o evangelho] era um sistema que devia sua origem a ele [Paulo], mas que ele era meramente pregador e testemunha dele. E tenho dúvidas se os intérpretes estão estritamente certos em traduzir a palavra hrwt, torah, por lei. O significado dela parece ser um tanto mais geral, como transparece da sentença seguinte, onde o salmista usa a frase: as palavras de minha boca, no tempo sentido. Se considerarmos com que intenção mesmo aqueles que fazem veementes confissões de por serem discípulos de Deus ouvem sua voz, ficaremos admirados com o fato de que os profetas tivessem boa razão para introduzir suas lições de instruções com uma solene chamada de atenção. É verdade que ele não se dirige aos obstinados que não se deixam instruir, que teimosamente recusam submeter-se à Palavra de Deus; mas como até mesmo os verdadeiros crentes geralmente são tão relutantes em receber instrução, esta exortação, longe de ser supérflua, era muitíssimo necessária para curar a indolência e inatividade entre eles.
Para assegurar uma atenção mais firme, ele declara ser seu propósito discutir temas de um caráter profundo, elevado e difícil. A palavra lXm mashal, a qual traduzi por parábola, denota sentenças graves e notáveis, tais como adágios, provérbios e apotegmas. Como, pois, a própria questão que temos tratado, se é de peso e importante, desperta a mente dos homens, a pena inspirada afirma que é seu propósito pronunciar somente sentenças notáveis e ditos extraordinários. A palavra twdyx, chidoth, a qual, seguindo a outros, traduzi por enigmas, é aqui usada não tanto para sentenças obscuras, mas para ditos que são enfatizados e dignos de nota especial. Ele não pretendia encerrar seu cântico com linguagem ambígua, mas clara e distintamente conservar tanto os benefícios de Deus quanto a gratidão do povo. Como eu já disse, seu desígnio é apenas estimular seus leitores a pensarem e considerarem mais atentamente o tema proposto. Esta passagem é citada por Mateus 13.35 e aplicada à pessoa de Cristo quando ele manteve a mente do povo em suspenso através de parábolas às quais não podiam entender. O objetivo de Cristo, de agir assim, era provar que ele era um Profeta de Deus distinto dos demais, e que assim pudesse ser recebido com maior reverência. Visto que ele então se assemelhava a um profeta por pregar mistérios sublimes num estilo de linguagem acima do gênero comum, isso que o escritor sacro afirma aqui acerca de si mesmo é com propriedade transferido para ele [Cristo]. Se neste Salmo resplandece uma majestade tal que com razão incita e inflama os leitores com o desejo de aprender, deduzimos disto com que solícita atenção ele nos faz receber o evangelho, no qual Cristo nos abre e nos exibe os tesouros de sua celestial sabedoria.

Calvino

Lutero disse que ele não pôde entender corretamente alguns dos Salmos até que ele esteve em aflição. Aflição ensina o que é o pecado. Na palavra pregada, nós ouvimos como o pecado é uma coisa horrível, ele tanto mancha quanto condena – mas nós o tememos tanto quanto um leão numa pintura; portanto Deus permite a aflição e então sentimos o amargo do pecado em seu próprio fruto. Um leito enfermo geralmente ensina mais que um sermão. Nós podemos ver melhor o feio semblante do pecado quando olhamos pelas lentes da aflição!

Thomas Watson

Socorro na Tribulação - SALMO 116

O início deste salmo é muito parecido com o Salmo 18, de maneira que é possível que seja também de autoria de Davi.
O salmista declara o seu amor pelo Senhor porque Ele ouve a sua voz e súplicas, inclinando os Seus ouvidos para atendê-lo, motivo porque estava determinado a invocá-lO enquanto vivesse.
Mesmo com os laços de morte que lhe haviam cercado em grandes perigos, e as angústias do inferno que se apoderaram da sua alma, fazendo-o cair em tribulação e tristeza.
Ele invocou o nome do Senhor pedindo-Lhe que livrasse a sua alma.
Ele sabia que Deus é justo, mas também compassivo e misericordioso, e por isso tinha sempre bom ânimo em Lhe dirigir clamores.
Sabia também que o Senhor vela pelos que são pobres de espírito, como ele, o próprio salmista, de modo que achando-se prostrado, foi salvo da sua angústia pelo Senhor.
Quando Deus opera na alma ela volta ao seu sossego, que é a condição em que deve se encontrar, conforme o propósito de Deus na criação do homem.
Assim, em sua confiança no Senhor, o salmista foi livrado da morte que sentia em sua alma, das suas lágrimas, e da queda na tentação e na ruína.
Como sua segurança estava em andar na presença do Senhor, então estava determinado a fazê-lo durante todo o tempo da sua peregrinação neste mundo.
Ele mantinha a fé, mesmo quando dizia que estava sobremodo aflito.
Enquanto esteve perturbado em sua paz de mente e espírito, disse que todo homem é mentiroso.
Todavia o Senhor quebrou todas as cadeias que acorrentavam a sua alma, e o libertou completamente, de modo que se dispôs a ofertar ao Senhor, pelos benefícios que havia recebido dEle, e percebeu que não havia maior oferta do que tomar o cálice da salvação e invocar o nome do Senhor.
Por isso cumpriria todos os seus votos feitos ao Senhor na presença de todo o Seu povo, para que lhes servisse de testemunho da sua consagração.
A citação do verso 15 de que “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos.”, merece uma reflexão especial quanto ao seu significado, porque à vista do Senhor a morte dos Seus santos é tão preciosa, que não satisfará aos desejos ímpios de um Saul, de um Absalão, nem de quaisquer inimigos de Davi, para que triunfassem sobre ele, lhe tirando a vida.
Davi sabia, pelo Espírito Santo, que morreria em ditosa velhice, em seu leito, para que o nome do Senhor fosse glorificado, por tê-lo poupado de tantos perigos de morte, revelando assim o Seu poder para preservar os Seus santos.
Se a alguns deles permite saírem deste mundo pelo martírio, é pelo mesmo motivo de ser glorificado neles, pela total falta de temor que eles demonstram em face da morte, porque são assistidos pelo Seu poder.
Mas nenhum santo, morrerá sem que isto seja do desígnio de Deus.
Então esta citação de ser preciosa a morte dos santos aos olhos de Deus, deve ser entendida no contexto bíblico em que se afirma que é preciosa para Ele a vida deles (II Rs 1.13), bem como o seu sangue (Sl 72.14).

Silvio Dutra

Gratidão a Deus

As palavras do 22º capítulo de 2 Samuel encerram as palavras do Salmo 18, com algumas variações. A introdução do capítulo (v. 1) é a mesma do titulo do referido Salmo.
São palavras de gratidão e louvor a Deus pelos livramentos recebidos por Davi, tanto de Saul quanto de todos os seus inimigos.
Este cântico de louvor e gratidão, que foi composto por Davi, fecha de modo maravilhoso toda a história que é relatada acerca da sua vida pessoal e ministerial nos dois livros de Samuel.
Toda a honra e glória dos seus bons serviços prestados a Israel são tributados por ele ao Senhor, porque fora Ele quem realmente tudo operara, nos livramentos que lhe dera, por amor do Seu povo.
O Senhor foi tanto a fortaleza em que Davi se refugiava e se encontrava seguro, como a força dele para vencer as batalhas que tinha que empreender, tanto para vencer seus inimigos, quanto para suportar as aflições, que lhe sobrevieram ao longo de toda a sua vida (v. 2 a 19, 32 a 43, 51).
E ele se esforçou sobremaneira para obedecer ao Senhor e fazer o que era justo diante dos Seus olhos e aprovado por Ele, e foi este o motivo de ter sido abençoado de tal maneira pelo Senhor, porque apesar de ter sido objeto da eleição e graça de Deus, que o ungiu para ser rei, ele poderia ter frustrado o plano de Deus para a sua vida, por um andar desobediente (v. 20 a 31).
Como prova do Seu agrado em relação à fidelidade de Davi, Deus fez com que ele subjugasse nações e governasse povos estrangeiros, e o livrou das contendas internas do próprio Israel (v. 44 a 49).
E nós aprendemos das palavras de Davi que os livramentos que Deus lhe deu foram respostas às suas orações. Ele clamava ao Senhor em suas angústias para receber socorro e alívio (v. 7).

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Deus Derrama a Sua Bênção Onde Há Comunhão


SALMO 133 – Salmo de Davi

Davi escreveu este salmo sob plena inspiração do Espírito Santo, apontando especialmente para a comunhão e unidade que seria realizada pela unção do próprio Espírito na Igreja de Cristo, levando os cristãos ao cumprimento do propósito de Deus para eles de viverem como um corpo harmônico sob a liderança espiritual da cabeça deles, que é Cristo.
Esta união espiritual é preciosa para Deus como a própria unção do Espírito que a promove.
Unção esta que havia sido figurada na Lei pelo óleo que consagrou o sumo sacerdote Arão para o exercício do seu ofício.
Os cristãos são sacerdotes de Deus e não podem realizar a sua função sem tal unção que os conduzirá a viverem como um corpo unido, para poderem interceder com eficácia em favor do bem de toda a humanidade.
Quando esta unção desce sobre a igreja, vinda do alto, do céu, ela promove uma atmosfera espiritual como o refrigério do orvalho que descia do monte Hermom sobre os demais montes de Sião.
Isto gera alegria nos corações dos cristãos.
Eles percebem um jardim espiritual de belos frutos ao redor deles, que lhes é trazido por Deus, como uma bênção que é uma forma de recompensa para a união e obediência deles.
E esta bênção produz em seus corações a manifestação daquela vida que é para sempre, a saber, a manifestação da vida de nosso Senhor Jesus Cristo, que não somente orou por tal unidade dos cristãos, como morreu na cruz para que ela pudesse ser promovida, com o derramar do Espírito Santo desde o dia de Pentecostes.

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião.
Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre.”

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SALMO 32 – Salmo de Davi

Este Salmo revela simultaneamente a bem-aventurança já alcançada de uma vez para todo o sempre quando se é justificado pelo Senhor, quando Ele perdoa o nosso pecado para sempre por causa de Jesus Cristo.
De modo que em vez de nos atribuir, imputar iniquidade, Ele nos atribui a justiça do próprio Cristo, para que sejamos justificados, isto é, declarados justos, absolvidos de nossas culpas perante Ele, para todo o sempre.
Todavia, mesmo naqueles que alcançam tal bem-aventurança, simplesmente pela fé, assim como era o caso de Davi, ele cita o seu próprio exemplo, quando deixou de confessar seus pecados ao Senhor.
Ele usa uma metáfora forte para poder expressar os sentimentos que o dominavam naquela condição.
Ele diz que era como que os seus ossos tivessem envelhecido, ou seja, ele perdeu o seu vigor e força, por causa da tristeza profunda que o pecado produzia todos os dias no seu coração.
Debaixo dos seus pecados não confessados, ele sentia a mão de Deus não como mão consoladora, mas como uma mão corretiva e disciplinadora, que estava sobre ele dia e noite, tirando-lhe todo o vigor espiritual.
Todavia, ele sabia que estas tristezas produzidas por Deus são para conduzir ao arrependimento, que trará de volta a alegria e a paz espirituais que haviam sido perdidas.
Por isso se dispôs a confessar o seu pecado e não mais ocultar a sua iniquidade de Deus.
Ele o fizera e foi perdoado pelo Senhor.
Veja que ele está falando de alguém que já havia sido justificado, de alguém que chamou de homem piedoso, o qual sempre fará súplicas ao Senhor para encontrá-lo, porque aquele que O conhece de fato, já não pode mais suportar viver longe da Sua presença, e quem produz tal afastamento, sempre é o pecado, nas suas mais variadas formas.
São estes que se arrependem continuamente, e que confessam suas faltas ao Senhor, que são consolados pelo Espírito, porque Ele não consola quem está no pecado, senão apenas quem está santificado, porque é Espírito consolador, mas também é Espírito santificador.
Ele primeiro santifica, e depois consola.
Os que levam o pecado a sério, e que procuram se apresentar diante de Deus aprovados, sempre serão livrados por Ele, mesmo quando transbordarem as muitas águas da aflição, porque estas não conseguirão afogar o amor e o fogo do zelo de suas almas.
O Senhor os preservará nas tribulações e lhes cercará com cânticos de livramento.
Instruirá e ensinará o caminho pelo qual devem seguir, e lhes dará conselhos estando com Seus olhos fixados neles.
Contudo o que permanece rebelde contra o Senhor, em vez de ser instruído com mansidão, será dominado com a força de freios e cabrestos tal como se faz com o cavalo ou a mula, que não têm entendimento.
Estes terão que curtir sofrimentos sem consolações.
Mas os que confiam no Senhor, serão assistidos pela Sua misericórdia, e se alegrarão nEle, no espírito, e se regozijarão na sua justiça, porque são retos de coração.

“Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto.
Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo.
Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia.
Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.
Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei.
Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.
Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te.
Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão.
Tu és o meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento.
Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.
Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem.
Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no SENHOR, a misericórdia o assistirá.
Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração.”


SALMO 34 – Salmo de Davi
(quando se fingiu de louco na presença de Abimeleque)

“Bendirei o SENHOR em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no SENHOR a minha alma; os humildes o ouvirão e se alegrarão. Engrandecei o SENHOR comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome. Busquei o SENHOR, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores. Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame. Clamou este aflito, e o SENHOR o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações. O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o SENHOR, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Os leõezinhos sofrem necessidade e passam fome, porém aos que buscam o SENHOR bem nenhum lhes faltará. Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR. Quem é o homem que ama a vida e quer longevidade para ver o bem? Refreia a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente. Aparta-te do mal e pratica o que é bom; procura a paz e empenha-te por alcançá-la. Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor. O rosto do SENHOR está contra os que praticam o mal, para lhes extirpar da terra a memória. Clamam os justos, e o SENHOR os escuta e os livra de todas as suas tribulações. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido. Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra. Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado. O infortúnio matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão condenados. O SENHOR resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam nenhum será condenado.”

No comentário deste salmo, nós usaremos um texto de autoria de Spurgeon, em domínio público, na Internet, que traduzimos do original inglês, intitulado: O ensino das Crianças:

“Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” (Sl 34.11)

É uma coisa singular que os homens piedosos descubram frequentemente seu dever quando estão situados nas condições mais humilhantes. Nunca em sua vida, Davi estivera em pior perigo do que o que lhe inspirou este Salmo. É, como lemos no seu começo “Salmo de Davi, quando se fizera amalucado na presença de Abimeleque, e, por este expulso, ele se foi”. Davi foi levado diante do Rei Aquis, o Abimeleque da Filistia, a fim de tentar escapar, ele simulou estar louco, com uns sintomas muito degradantes que bem podiam confirmar sua loucura. Foi expulso do palácio, e, como é normal quando tais pessoas passam pela rua, um certo número de crianças deve ter se reunido ao seu redor. Em dias posteriores, ao cantar louvores a Deus, e recordando como havia chegado a ser o palhaço de criancinhas, pareceu dizer: “Tenho me rebaixado na estima das gerações vindouras, por minha insensatez nas ruas diante das crianças. Agora tratarei de desfazer este mal.”. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.
É muito possível que se Davi nunca houvesse se encontrado nestas circunstâncias, nunca haveria pensado neste dever, porque não encontro nenhum outro Salmo no qual ele dissesse: “Vinde, filhos, e escutai-me; e vos ensinarei o temor do Senhor.”. Teria o cuidado de suas cidades, províncias e nação pressionando-o, e pôde prestar pouca atenção à educação dos jovens. Porém aqui, levado à mais humilde posição que alguém possa ocupar, havendo chegado a ser como privado da razão, recorda seu dever. O cristão exaltado e próspero nem sempre se lembra dos cordeiros; esta tarefa geralmente recai sobre os Pedros, cuja confiança e soberba têm sido vencidas, e que se regozijam em responder assim de uma maneira prática a pergunta: “Tu me amas ?”.
De nosso texto extrairei primeiro uma doutrina, em segunda lugar, dois alentos, em terceiro, três instruções, em quarto, quatro instruções, e em quinto lugar cinco temas para crianças, tudo isto tomado do texto.

I. Primeiro, UMA DOUTRINA. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. A doutrina é que as crianças são capazes de receber o ensino do temor do Senhor. Os homens são em geral tanto mais sábios quanto mais insensatos têm sido. Davi havia sido sumamente insensato, e agora se transformou em extremamente sábio. E ao sê-lo, não era provável que expressasse sentimentos insensatos, nem que desse instruções que fossem ditadas por uma mente débil.
Temos ouvido falar de alguns que as crianças não podem compreender os grandes mistérios da Palavra de Deus. Inclusive sabemos de alguns mestres da Escola Dominical que cautelosamente evitam mencionar as grandes doutrinas do evangelho, porque creem que as crianças não estão preparadas para recebê-las. O mesmo erro se tem introduzido no púlpito, porque atualmente se crê, entre certa classe de pregadores, que muitas das doutrinas da palavra de Deus, ainda que corretas, não são adequadas para serem ensinadas ao povo, porque seriam confundidos para a própria destruição deles. Fora com esse sacerdotalismo, que é o mesmo erro em que incorrem os católicos romanos ! Tudo o que o meu Deus revelou deve ser pregado. Tudo o que tem revelado, ainda que não possa compreendê-lo, seguirei crendo, e pregando. Mantenho que não há nenhuma doutrina da Palavra de Deus que uma criança, se é capaz de salvação, não seja capaz de receber. Queria que as crianças fossem ensinadas em todas as grandes doutrinas da verdade sem uma só exceção, para que em tempos posteriores possam aferrar-se a elas. Posso dar testemunho de que as crianças podem compreender as Escrituras, porque estou seguro de que quando era somente um menino podia discutir acerca de muitos pontos intrincados de controvérsia teológica, no círculo de amigos de meu pai. De fato, as crianças são capazes de compreender algumas coisas nas primeiras etapas da vida, que dificilmente compreendemos posteriormente. As crianças têm de maneira eminente a simplicidade da fé. A simplicidade é equivalente ao mais alto conhecimento; em realidade, não podemos dizer que haja muita diferença entre a simplicidade de um menino e o gênio de mente mais profunda. O que recebe as coisas com simplicidade, como criança, terá frequentemente ideias que o homem propenso a fazer um silogismo com todas as coisas nunca chegará a alcançar.
Se querem saber se é possível ensinar as crianças, lhes apontarei muitos exemplos em nossas igrejas, e em famílias piedosas: não prodígios, senão meninos que vemos com frequência: Timóteos e Samuéis, e também meninas pequenas, que têm chegado a conhecer muito cedo o amor do Salvador. Assim como um menino é capaz de ser condenado ainda cedo, também é capaz de ser salvo. Tão cedo como um menino pode pecar, este menino pode, se lhe assiste a graça de Deus, crer e receber a Palavra de Deus. Tenham a certeza de que tão cedo como o menino pode conhecer o mal, é competente, sob a condução do Espírito Santo, para aprender o bem. Nunca vá à sua classe com o pensamento de que as crianças não podem compreender, porque se não lhes faz compreenderem é porque não compreende você mesmo. Se não lhes ensina os caminhos que deseja, é porque você não é adequado para a tarefa; você deveria falar palavras mais simples, mais adequadas para sua capacidade, e logo descobrirá que não era culpa da criança, senão do adulto, que ela não aprendesse. Mantenho que as crianças são capazes de salvação. O Senhor, que em sua soberania divina resgata ao encanecido pecador do horror de seus pecados, pode converter um menino de suas tolices juvenis. O que na hora undécima encontra a alguns ociosos na praça do mercado, e os envia à sua vinha, pode chamar a homens no amanhecer do dia de suas vidas para trabalharem para ele. O que pode mudar o curso de um rio quando corre abaixo em seu curso, e fazê-lo grande em seu crescimento, pode controlar um riacho que acabou de brotar, e fazer que corra pelo canal que deseja. Pode fazer todas as coisas. Pode operar no coração das crianças como lhe apraz, porque tudo está sob seu controle.
Temo que muitos de vocês não esperem ouvir acerca de crianças que são salvas. Por todas as igrejas tenho dado conta de uma espécie de repugnância contra qualquer piedade temporã, infantil Assusta-nos a ideia de uma criança que ame a Cristo; e se ouvimos de uma menina seguindo ao Salvador, dizemos que é imaginação infantil, uma impressão temporã que logo se desvanecerá. Queridos amigos, lhes rogo, nunca tratem a piedade infantil com suspeitas. É uma planta tenra, não a manuseiem demasiadamente. Ouvi algo que creio é uma narração genuína. Uma menina de uns cinco a seis anos, que amava verdadeiramente a Jesus, pediu à sua mãe para unir-se à igreja. A mãe lhe disse que era muito pequena. A menina muito triste, e certo tempo depois sua mãe, observou que havia piedade em seu coração, e contou o fato a um pastor. Este falou com a menina, e disse à sua mãe: “Estou totalmente convencido de sua piedade, porém não posso permitir que participe dos cultos porque é muito pequena.”. Quando a menina ouviu isto, uma estranha sombra cobriu seu rosto, no dia seguinte, quando sua mãe foi à sua cama, encontrou-a com lágrimas nos olhos, morta de dor, seu coração havia se partido, porque não lhe deixaram seguir a seu Salvador e fazer como ele lhe havia convidado. Eu não haveria assassinado aquela menina por todo um mundo ! Tenham cuidado como tratam com a piedade juvenil. Sejam ternos com ela. Creiam que as crianças podem ser salvas, tanto quanto vocês. Quando veem um jovem coração trazido ao Senhor, não o coloquem de lado, falando duro, e desconfiando de tudo. É melhor às vezes ser enganados que ser o meio de destruição de alguém. Que Deus envie a seu povo uma convicção mais firme de que os pequeninos brotos da graça são dignos de todo o cuidado.

II. Em segundo lugar, dar-lhes-ei DOIS ALENTOS, em encontrarão a ambos no texto. O primeiro alento é o do exemplo piedoso. Davi disse: ““Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Não te envergonharás de seguir os passos de Davi, verdade ? Não porás objeções para seguir o exemplo de alguém que foi o primeiro eminente em santidade, e logo eminente em grandeza. Acaso o pastorzinho, o matador do gigante, o salmista de Israel e o monarca, haveriam ido pelos passos que tu tenhas demasiado orgulho para seguir ? Ah não! Estou seguro de que te sentirás feliz de ser com era Davi. Porém se queres um exemplo maior, inclusive que o de Davi, escuta ao Filho de Davi, como saem doces palavras de sua boca: “Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino dos céus.”. Estou seguro de que lhes animaria se pensassem sempre nestes exemplos. Vocês ensinam a crianças, e isso não os desonra. Alguns dizem de vocês que são meramente mestres da Escola Dominical, porém vocês são personagens nobres, com um cargo honroso, e têm ilustres predecessores. Encanta-nos ver pessoas de uma certa posição na sociedade tendo interesse na Escola Dominical. Um grande fato em muitas de nossas igrejas é que as crianças são deixadas aos jovens para serem cuidados, e que dentre os membros mais velhos, com maior sabedoria, se preocupam porém muitos poucos deles, e muito frequentemente os membros mais acomodados da igreja se acham de lado como se o ensino dos pobres não fosse a especial atividade dos ricos. Espero o dia em que os fortes de Israel sejam achados ajudando nesta grande batalha contra o inimigo. Tenho ouvido que nos Estados Unidos há presidentes, juízes, membros do Congresso, e pessoas nas mais altas posições, não condescendendo, porque desdenho empregar esta palavra, senão honrando-se em ensinar às crianças nas Escolas Dominicais. O que ensina uma classe na Escola Dominical tem ganhado um bom título. Antes preferiria ter o título de M.E.D. (Mestre da Escola Dominical) do que uma licenciatura ou um diploma ou qualquer outra honra que se possa conferir.
Permitam que lhes rogue que se animem, porque seus deveres são assim honrosos. Que o régio exemplo de Davi, que o nobre e piedoso exemplo de Jesus, lhes inspirem com uma renovada diligência e um crescente ardor, com uma perseverança confiada e permanente, para prosseguir em sua poderosa obra, dizendo, como disse Davi: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.
O segundo alento que lhes darei é o alento de um grande êxito. Davi disse: “ Vinde filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Não disse: “Talvez lhes ensinarei o temor do Senhor”, senão que “vos ensinarei”. Teve êxito, e se ele não o teve, outros o têm tido. O êxito das Escolas Dominicais. Ali onde as hostes estelares cantam perpetuamente seu grande louvor, ali onde as multidões em vestiduras brancas permanentemente lançam suas coroas ao pés do Redentor, poderemos contemplar o êxito das Escolas Dominicais. Ali, também, onde milhões de crianças se reúnem domingo após domingo para louvar ao Senhor Jesus, vemos com alegria o êxito das Escolas Dominicais. E aqui acima, em quase cada púlpito de nossa terra, e ali nos bancos onde se sentam os diáconos, e de onde os piedosos membros se unem no culto, vemos o êxito das Escolas Dominicais. E remotamente, do outro lado do oceano, nas ilhas dos mares do Sul, em terras onde moram os que antes se prostravam ante ídolos de madeira e pedra, temos missionários salvos nas Escolas Dominicais, de onde milhares, remidos por meio de seus labores, contribuem tanto para a poderosa corrente de um imenso, incalculável êxito, quase diria que infinito, e em todo caso sem paralelo, da instrução das Escolas Dominicais.
Prossigam! Prossigam! Muito é o que se tem feito, mais se fará ainda. Que todas as suas vitórias do passado lhes inflamem com ardor; que a recordação de campanhas de triunfo e de campos de batalha ganhos para o seu Salvador nos reinos da salvação e da paz, sejam o alento de vocês para um renovado cumprimento do dever.

III. Agora, em terceiro lugar, lhes darei TRÊS ADMOESTAÇÕES: A primeira é: recordem a quem estão ensinando. Trata-se de crianças. “Vinde filhos”. Creio que deveríamos ter sempre respeito para com a nossa audiência, não no sentido de termos que ter cuidado quanto ao que estamos pregando ao senhor Fulano de Tal, ao Senhor Isso, ou ao Magistrado Aquilo, porque diante de Deus isto é uma vaidade. Porém devemos recordar que estamos pregando a homens e mulheres que têm almas, de maneira que não deveríamos ocupar seu tempo com coisas que não valham à pena de serem ouvidas. Agora, quando vocês ensinam na Escola Dominical, estão, se é possível, numa situação mais responsável ainda do que a de um pastor, porque este prega a pessoas adultas, a homens com juízo, que se não lhes agrada o que ele prega, têm a opção de ir para alguma outra parte. Vocês ensinam a crianças que não têm a opção de irem para algum outro lugar. Se ensinam mal às crianças, elas o crerão, se lhes ensinarem heresias, elas as receberão. O que lhes ensinarem agora, nunca mais esquecerão. Vocês não estão semeando numa terra virgem, como alguns dizem, porque tem estado muito tempo ocupada pelo diabo; porém, estão semeando sobre uma terra mais fértil agora que jamais o será, que produzirá agora o fruto de melhor forma do que em tempos futuros; estão semeando em um coração jovem, e o que semeiam é bastante certo que permanecerá ali, especialmente se ensinam o mal, porque isto nunca será esquecido. Cuidado com o que farão a eles. Não os escandalizem. Muitas crianças são tratadas como as crianças da Índia, nas quais colocam pratos de cobre sobre suas cabeças para que nunca cresçam. Há muitos que agora sabem que são simples, porque quando estiveram ao seu cuidado quando eram pequeninos nunca lhes deram a oportunidade para alcançar conhecimento, de modo que quando se fizeram adultos já não lhes importava nada. Tenham cuidado acerca dos seus objetivos; vocês estão ensinando crianças, vigiem então o que estão fazendo. Se puserem veneno no manancial, impregnarão toda a corrente. Tenham cuidado com o que fazem ! Se torcerem o arbusto a velha árvore ficará torta. Tenham cuidado! É a alma de uma criança que estão manipulando. É a alma de uma criança o que estão preparando para a eternidade, se Deus está com vocês. Faço-lhes uma solene admoestação em nome de cada criança. Certamente, se é traição administrar veneno aos moribundos, será muito mais criminoso administrar veneno à vida jovem. Se é mal extraviar aos de cabelos brancos, há de ser muito pior conduzir o coração jovem a um caminho de erro no qual poderá caminhar para sempre. Daí a severa admoestação de Cristo aos que viessem a escandalizar a qualquer dos pequeninos.
A segunda é, lembrem que estão ensinando para Deus. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” Se vocês, como mestres, ensinassem somente geografia, estou seguro de que não haveria muito problema se dissessem a seus alunos que o pólo Norte está próximo do Equador. Porém não estão ensinando geografia, nem matemática, nem uma profissão deste mundo, estão ensinando, no melhor da sua capacidade, para Deus. Vocês lhes dizem: “crianças venham aqui para que se lhes ensine a palavra de Deus, venham aqui, para que sejamos os instrumentos de salvação de suas almas.”. Tenham cuidado quanto ao seu objetivo quando estão lhes ensinando para Deus. Atem as mãos deles, se o desejarem, porém, por amor a Deus, não ataquem seus corações. Decidam o que quiserem sobre as coisas temporais, porém lhes rogo, em questões espirituais, tenham cuidado com a maneira pela qual os conduzem. Tenham cuidado em lhes inculcar a verdade, e somente a verdade ! E agora, quão solene se torna o trabalho de vocês ! O que está fazendo um trabalho para si mesmo, que o faça como quiser, porém o que está trabalhando para outro, que tenha cuidado acerca de como faz seu trabalho. O que está agora ao serviço de um rei, que tenha cuidado de como leva a cabo seus deveres, porém o que trabalha para Deus, deve tremer, se faz mal o seu trabalho, pois a palavra diz:”maldito aquele que faz descuidadamente a obra do Senhor”. Ah! Temo que muitos entre nós, estão longe de ter esta perspectiva!
A terceira admoestação é: recordem que suas crianças necessitam de ensino. O texto implica isso, quando diz, “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Isto faz que seu trabalho seja tanto mais solene. Se as crianças não necessitassem de ensino não me sentiria tão inquieto pelo que estão lhes ensinando de maneira correta, porque as obras não necessárias os homens podem fazê-las como bem lhes pareça. Porém esta obra é necessária. Teu filho necessita de ensino. Nasceu em iniquidade, em pecado foi concebido por sua mãe. Tem um coração mau. Não conhece a Deus, e jamais o conhecerá se você não ensiná-lo. Não é como alguma boa terra que possua uma boa semente oculta em suas entranhas. Ao contrário, tem má semente em seu coração. Deus pode colocar a boa semente ali. Vocês que professam serem seus instrumentos para espalhar a semente no coração da criança, lembrem: se esta semente não for semeada, ficará perdida para sempre, sua vida será uma vida alienada de Deus, e a sua morte será inevitável, e a sua parte será no fogo eterno. Tenha cuidado então, de como ensina, recordando a premente necessidade do caso. Esta não é uma casa incendiada necessitando da sua ajuda na bomba de água, nem um barco naufragando no mar, que necessita do teu remo no bote salva-vidas, mas um espírito imortal que clama a você: “Passa aqui e ajuda-nos.”. Rogo-lhes, ensinem “no temor do Senhor” e somente isto, tenham desejo de dizer, e dizer com verdade, “no temor do Senhor os instruirei.”.

IV. Isto me leva ao quarto ponto, a QUATRO INSTUÇÕES, e estas estão todas no texto.
A primeira é: faz com que as crianças venham à tua escola. “Vinde filhos.”. A grande queixa de parte de muitos hoje, é que não podem conseguir crianças. Vão buscá-las. Em Londres estamos indo de casa em casa, esta é uma boa ideia, e se deveria ir de casa em casa por todos os povoados, por todas as cidades, por todas as ruas, e conseguir o maior número possível de crianças, porque Davi disse, “Vinde filhos”. Assim, meu conselho é que consigam que venham as crianças, e que façam qualquer coisa para levá-lo a cabo. Mas não seja muito detalhista no modo de como trará as crianças à escola, porque, se eu não pudesse ter pregadores trajando casacos pretos para pregar à minha congregação, eu os teria em uniforme militar, mas eu teria uma congregação de certo modo. É melhor fazer coisas estranhas como esta do que ter uma igreja vazia, ou uma sala de aula vazia.
Quando eu estava para ir à Escócia, nós enviamos antes, um pastor para obter ouvintes, e o plano foi muito bem sucedido.
Evite meios ilícitos, mas faça tudo o que for possível para atrair as crianças à escola. Eu tenho ouvido de ministros que saíram pelas ruas à tarde no dia do Senhor e falaram às crianças que estavam brincando nas proximidades, e as convidaram a virem para a escola. Isto é o que um professor sério fará; ele dirá, "João, venha à nossa escola; você não pode imaginar que lugar agradável é.". A seguir, ele conduz as crianças à escola e em sua maneira amável, ele lhes conta estórias e anedotas sobre meninas e meninos que amaram o Senhor, e desta forma, a escola fica repleta de alunos. Vá e pegue as crianças. Não há nenhuma lei contra isto, tudo é justo na guerra contra o diabo. Assim minha primeira instrução é, conquiste as crianças, e faça-o por todos os modos que você possa fazê-lo.
Em seguida, conquiste o amor das crianças, se você puder fazê-lo. "Deixai vir a mim as criancinhas”. “Oh!”. Pensam as crianças, “como é agradável ter um professor assim, um professor que nos deixa chegar perto dele, um professor que não diz: “ Vão!”, mas “Venham!”. A falha de muitos professores é que eles não deixam suas crianças chegarem perto deles; mas esforçam-se para criar em seus alunos um tipo de respeito temeroso.
Antes que você possa ensinar as crianças, você deve tomar a chave de prata da bondade para abrir seus corações, e assim obter sua atenção. Diga, "venham a mim crianças.". Nós temos conhecido alguns bons homens que eram objeto de aversão às crianças. Você conhece a história de dois meninos aos quais haviam perguntado um dia se eles gostariam de ir para o céu? Para muita surpresa do seu professor, disseram que não o desejavam realmente. Quando lhes perguntaram, "porque não?" um deles disse, "eu não gostaria de ir para o céu porque o vovô está lá, e ele certamente diria: “Fiquem longe meninos, quero estar distante de vocês!” Por isso eu não gostaria de estar no céu com meu avô.”. Portanto, se um menino tem um professor que fala de Jesus, mas que sempre tem um olhar amargo, o que o menino pensará? “Eu quero saber se Jesus é como você; se Ele for eu não gostaria dele.". Então há um outro professor, que, se for sempre assim perturbado, os ouvidos das crianças permanecerão fechados; ao mesmo tempo, que ele ensina que deveriam perdoar-se mutuamente, e que devem ser amáveis com ele. “Bem”, pensa o jovem, "que é muito bonito de ouvir não há nenhuma dúvida, mas meu professor não é um exemplo para mim para que eu possa fazê-lo.". Se você se mantiver distante de uma das suas crianças, o seu poder sobre ela terá ido embora, e você não será capaz de ensinar-lhe qualquer coisa. É de nenhum proveito tentar ensinar àqueles que não lhe amam; assim, tente fazer-lhes amar você, e então eles aprenderão qualquer coisa que lhes ensinar.
Em seguida, ganhe a atenção das crianças. "Venham crianças, venham ouvir-me.". Se elas não lhe escutarem, você pode falar, mas você falará para nenhuma finalidade. Se não escutarem, você realizará seu trabalho como uma tarefa penosa desprovida de propósito para si próprio e para seus alunos. Você nada poderá fazer sem obter antes a atenção deles. Bem, isso depende de você mesmo; se você lhes der alguma coisa de importância para se ocuparem, eles certamente o escutarão. Dê-lhes algo de valor para ouvirem e eles certamente ouvirão. Esta regra pode não ser universal, mas é muito proveitosa. Não se esqueça de contar-lhes algumas coisas engraçadas. As anedotas são muito objetadas pelos críticos dos sermões, que dizem que não devem ser usadas no púlpito; mas alguns de nós sabem melhor do que esses, nós sabemos o que acordará uma congregação; nós podemos testemunhar com base em nossa experiência, que umas poucas anedotas aqui e ali são coisas de primeira qualidade para se obter a atenção inicial das pessoas que não escutarão a doutrina secamente. Tente colecionar boas ilustrações, tantas quanto lhe seja possível; sempre que for ministrar, se você for realmente um professor sábio, você sempre poderá encontrar ilustrações dentro de um conto para dizer às suas crianças. Então, quando seus alunos começarem a achar o ensino maçante, e você estiver perdendo a sua atenção, diga-lhes: “Vocês conhecem os Cinco Sinos ?" Se houver tal lugar onde residam, todos dirigirão sua atenção para a sua pergunta, “Vocês conhecem a volta do Leão Vermelho?”. Diga-lhes então algo que você leu ou ouviu sobre isto, e certamente poderá fixar sua atenção à lição. Uma criança uma vez disse, "Pai, eu gosto de ouvir o Sr. Fulano pregar, porque diz muitas coisas engraçadas em seus sermões”. Sim, as crianças sempre amam as “coisas engraçadas".
Faça parábolas, retratos, figuras para eles, e você progredirá sempre. Eu estou convicto, será que eu seria um menino atento a tudo o que você disse, caso você não apresentasse um conto agora e de vez em quando, você veria frequentemente a parte de trás da minha cabeça, e eu não sei, se eu me sentaria em uma sala de aula quente, mas cochilaria e iria dormir, ou iria brincar com o Juca à minha esquerda, e faria muitas coisas estranhas como descansar, se você não se esforçasse em despertar o meu interesse.
Lembre-se então de fazer com que seus alunos lhe deem ouvidos.
A quarta admoestação é, tenham cuidado com o que ensinam às crianças: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.

V. Em quinto lugar, quero dar-lhes CINCO LIÇÕES DE ESCOLA DOMINICAL, cinco temas para ensinar às suas crianças, e estes se encontram nos versículos que se seguem ao nosso texto: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” (Sl 34.11). A primeira coisa que se deve ensinar é A MORALIDADE. "Quem é o homem que ama a vida, e quer longevidade para ver o bem ? Refreia a tua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, e pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.” (Sl 34.12-14; I Pe 3.10b,11). A segunda coisa a ensinar é A PIEDADE, e uma constante crença na vigilância de DEUS; “Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e atentos os seus ouvidos ao clamor deles.”(Sl 34.15). A terceira é A MALDADE DO PECADO. “O rosto do Senhor está contra os que praticam o mal, para cortar da terra a memória deles.” (Sl 34.16). “Clamam os justo, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas tribulações.” (Sl 34.17). A quarta é A NECESSIDADE DE UM CORAÇÃO QUEBRANTADO. “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os de espírito oprimido.”. A quinta é A INESTIMÁVEL BÊNÇÃO DE SER UM FILHO DE DEUS: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra.” (Sl 34.19). “Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles será quebrado.”(Sl 34.20). “O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado.”(Sl 34.22)..
Tenho lhes dados estas divisões, e agora tratemos de uma por uma: Aqui, pois, temos uma lição modelo para vocês : “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Davi começa com uma pergunta: “Quem é o homem que deseja ver dias felizes ?”. Às crianças agrada este pensamento, lhes agrada a ideia de viverem até serem velhos. Com esta introdução começa ele o ensino sobre moralidade: "Refreie a sua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.”.
Nós nunca ensinamos a moralidade como forma de salvação. Deus proíbe que nós confundamos as obras do homem, sob qualquer forma com o redenção que está em Cristo Jesus! "pela graça é que temos conservado a fé, e isso não vem de nós, é dom de Deus." Contudo nós ensinamos a moralidade quando nós ensinamos a espiritualidade; e eu descobri que o evangelho sempre produz a melhor moralidade em todo o mundo. Eu tive um professor da escola dominical que ministrava muito sobre moralidade aos meninos e meninas sob seu cuidado, falando a eles muito particularmente acerca daqueles pecados que são os mais comuns à juventude. Podem honesta e convenientemente dizer muitas coisas às suas crianças que ninguém mais pode dizer, especialmente lembrá-las dos pecados que se encontram, comumente em crianças, a saber, pecados de pequenos roubos, ou de desobediência aos pais, ou de quebra do dia de descanso. Eu mandaria o professor ser muito particular em mencionar estes males um por um; para ele é de pouco proveito falar-lhes sobre pecados no atacado. Você deve fazer exame de um por um, assim como Davi. Primeiro aponte para o cuidado com a língua: " Refreie a sua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente.". Depois, então, em segundo lugar, aponte para a conduta total:. “aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.". Se a alma da criança não for preservada por outras partes do ensino, esta parte pode ter um efeito benéfico sobre a sua vida, e somente isto, e não além. A moralidade, entretanto, por si é comparativamente uma coisa pequena. A melhor parte do que você ensina é a santidade. Eu não disse "religião," mas santidade. Muitos povos são religiosos de alguma forma, sem serem santos. Muitos têm todos os sinais externos da santidade, toda a parte externa da piedade; tais homens que nós chamamos de "religiosos," mas não têm nenhum pensamento correto sobre Deus. Pensam sobre seu lugar de adoração, seu domingo, seus livros, mas nada sobre Deus. Que não respeita Deus, não ora a Deus, não ama a Deus, é um homem sem santidade, o que quer que sua religião externa possa ser. Trabalhe para ensinar sempre a criança a ter um olho em Deus; escreva em sua memória estas palavras, "Deus está me vendo". Auxilie-a a recordar que cada ato e pensamento seus estão sob o olhar atento de Deus. Não deve o professor da EBD desconsiderar que não é um dever menor colocar constantemente ênfase sobre o fato que há um Deus que observa tudo que acontece. Oh, que sejamos mais santos; e que nós falemos mais da santidade , e que amemos de fato a santidade! A terceira lição é o mal do pecado. Se a criança não aprender isto, nunca aprenderá como se chega ao céu. Nenhum de nós sempre soube quem era o salvador Jesus Cristo até que viemos a saber a coisa má que é o pecado. Se o Espírito Santo não nos ensinasse que somos pecadores jamais conheceríamos a bênção da salvação. Deixe-nos procurar sua graça, então, quando nós ensinamos, que nós devemos sempre colocar a ênfase sobre a natureza abominável do pecado. "o rosto do Senhor é contra aqueles que praticam o mal, para cortar a sua lembrança da terra". Não poupe, sua criança; deixe-a saber a que o pecado conduz. Não, aja como algumas pessoas, que são receosas do discurso claramente e amplamente relativo às consequências do pecado. Eu ouvi de um pai, um cujo filho, um rapaz novo, muito ímpio, morreu de maneira muito repentina. O pai não fez, como alguns costumam fazer, ao dirigir a seguinte palavra à sua família: "nós esperamos que seu irmão tenha ido para o céu.". Mas não; superando seus sentimentos naturais, foi-lhe concedido, pela graça de Deus, sentar junto às suas crianças, e dizer-lhes: "meus filhos; e filhas, seu irmão estava perdido; eu temo que ele esteja no inferno. Vocês souberam sobre sua vida e conduta, vocês viram como se comportou; e Deus tem-no agora afastado em seus pecados.". Então disse-lhes solenemente que do lugar do sofrimento, que cria, para onde tinha ido, deveria estar implorando para evitar e fugir da ira do porvir. Assim, usou o meio necessário para trazer suas crianças ao pensamento sério. Mas, se ao contrário se deixasse vencer pela ternura de coração e tivesse dito que esperava que seu filho tivesse ido para o céu, o que as outras crianças diriam ? "se ele foi para o céu, não há nenhuma necessidade para nós temermos; nós poderemos viver do modo que quisermos.". Não. Não. Eu não penso que não seja cristão afirmar que alguns homens estão indo para o inferno, quando nós vimos que suas vidas foram vidas infernais. Mas perguntamos: "pode você julgar suas criaturas?" Ó Não ! Mas podemos conhecê-los pelos seus frutos. Eu não os julgo, ou os condeno; pois julgam-se a si mesmos. Eu vi seus pecados antes do julgamento, e eu não duvido do que ocorrerá em seguida. "Mas não podem ser salvos na décima primeira hora?". Eu ouvi sobre alguém que foi, mas eu não sei que sempre haverá outro, e eu não posso dizer que sempre haverá. Seja honesto, a seguir, com suas crianças, e ensine-as, pela ajuda de Deus, que o "mal mata o mau." Mas você não terá feito parcialmente bastante a menos que você ensine com cuidado a quarta lição, a necessidade absoluta de uma mudança do coração. "o senhor está perto dos que têm um coração quebrantado; e salva os que têm um espírito contrito.". Oh! Possa Deus permitir-nos manter constantemente, isto nas mentes dos alunos, que importa antes, ser de um coração quebrantado e um espírito contrito, e que as boas obras serão de nenhum proveito a menos que haja uma natureza nova, que todos os deveres e os mais árduos e sérios trabalhos serão como nada, a menos que haja um arrependimento verdadeiro e completo em relação ao pecado, e total abandono do pecado através da atuação da graça e da misericórdia de Deus! Esteja certo: o que quer que você ensine às crianças, nunca deixe faltar os três “R”, — Ruína (estado do homem sujeito ao pecado), Redenção e Regeneração. Diga às crianças que são arruinadas pela queda, e que só há salvação para elas se forem redimidas pelo sangue de Jesus Cristo, e serem regeneradas pelo Espírito Santo. Mantenha constantemente diante delas estas verdades vitais, e então você terá a tarefa agradável de dizer-lhes o assunto doce da lição de fechamento. Em quinto lugar, diga às criança sobre a alegria e a bênção de ser cristão. “O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado". Eu não necessito dizer-lhe como falar sobre esse tema. É verdadeiro o dito: "abençoado é o homem cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.". "Abençoado é o homem que faz do Senhor sua confiança." Sim, verdadeiramente é abençoado o homem, a mulher, a criança que confia no senhor Jesus Cristo, e cuja esperança está nele colocada, sempre dando acima de tudo, ênfase a este ponto — que os justificados são um povo abençoado da família escolhida de Deus, redimida pelo sangue e conservada pelo poder, sendo pessoas abençoadas aqui em baixo, e que serão abençoadas para sempre no céu. Deixe suas crianças verem que você pertence àquela companhia abençoada. Se souberem que você está com problemas, mas se for possível, vir à sua classe com um rosto alegre, de modo que seus alunos possam dizer: o "professor é um homem abençoado embora esteja curvado sob seus problemas.". Sempre buscando manter uma expressão regozijante, seus meninos e meninas saberão que sua religião é uma realidade abençoadora. Deixe isto ser o ponto principal de seu ensino, o de que embora "sejam muitas as aflições do justo," contudo "Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado...O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado". Assim tenho lhes dado cinco lições; e deixe-me agora dizer solenemente, que em toda a instrução que você seja capaz de dar às suas crianças, você deve estar profundamente consciente que você não é capaz de fazer qualquer coisa em prol da salvação da criança, mas que é Deus, ele mesmo que, do primeiro ao último, quem tudo faz. Você é simplesmente uma pena; e Deus pode escrever com você, mas você não deve escrever qualquer coisa de si mesmo. Você é uma espada; Deus pode matar o pecado da criança usando você, mas você não pode matar o seu próprio pecado. Tenha portanto sempre consciência disto, que você deve ser então o primeiro a ser ensinado por Deus e que você deve pedir a Deus para usá-lo como professor; a menos que o maior Mestre do que você o instrua, e instrua às crianças, elas perecerão. Não é sua lição que pode salvar as almas das crianças; é a bênção de Deus, o Espírito Santo acompanhando seus labores. Possa Deus abençoar e coroar seus esforços com abundante sucesso!
Ele fará isto se você gastar tempo em oração e súplica constantes.
Nunca o trabalho do professor e pregador sério será em vão no Senhor, e nunca se viu que o pão lançado sobre as águas se tivesse perdido.

Silvio Dutra

SALMO 29 – Salmo de Davi

Todos os filhos de Deus têm uma grande dívida para com Ele, a qual deve ser paga com adoração verdadeira, em santidade, em espírito. Ele deve ser amado com todas as nossas forças, ou seja, com todo o empenho da nossa mente e espírito, em cumprimento da Sua vontade. Devemos pagar-lhe o tributo da devida glorificação do Seu nome, praticando obras de justiça diante de todos os homens, especialmente por lhes pregar o evangelho, para que o Seu nome seja glorificado, pelas obras poderosas que Ele realizar na presença deles por nosso intermédio. Para tais boas obras é necessário ouvir o que o Espírito diz às igrejas. É preciso ouvir a poderosa voz do Senhor, que está representada em figura nos fenômenos da natureza que produzem fortes sons como por exemplo os trovões e as ondas do mar. Com a liberação da Palavra de ordem o Senhor não somente pode destruir, como também gerar vida. Ele pode purificar como fogo. Ele sobre tudo preside e se nossos ouvidos espirituais estiverem apurados nós ouviremos a Sua poderosa voz, e automaticamente diremos: Glória! A teologia do silêncio permanente como forma de expressar reverência a Deus, não se sustenta nos corações daqueles que tal como Davi, ouvem a voz do Senhor, porque não podem conter o mover que o Espírito produz no interior deles, e o traduzirão em brados de glórias e aleluias a Deus.

“Tributai ao SENHOR, filhos de Deus, tributai ao SENHOR glória e força. Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza da santidade. Ouve-se a voz do SENHOR sobre as águas; troveja o Deus da glória; o SENHOR está sobre as muitas águas. A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade. A voz do SENHOR quebra os cedros; sim, o SENHOR despedaça os cedros do Líbano. Ele os faz saltar como um bezerro; o Líbano e o Siriom, como bois selvagens. A voz do SENHOR despede chamas de fogo. A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades. A voz do SENHOR faz dar cria às corças e desnuda os bosques; e no seu templo tudo diz: Glória! O SENHOR preside aos dilúvios; como rei, o SENHOR presidirá para sempre. O SENHOR dá força ao seu povo, o SENHOR abençoa com paz ao seu povo.”

Silvio Dutra

SALMO 28 – Salmo de Davi

Sendo rei, e antes mesmo de ser rei, tendo vivido na corte do pérfido Saul, Davi conhecia muito bem, não por praticar, mas por ver nas vidas dos cortesãos, o que era a perversidade, especialmente das dissimulações daqueles que falam de paz ao seu próximo, enquanto tramam perversidades em seus corações contra ele.
Num mundo de lobos, temos que pedir ao Senhor, tal como Davi, que ouça as nossas súplicas por socorro, para que não sejamos arrastados pela maldade dos ímpios. Não devemos nos vingar a nós mesmos em nenhuma situação, mas devemos dar lugar à ira de Deus, que prometeu tomar em Suas mãos as nossas causas, e nos vingar, Ele mesmo, dos nossos inimigos. Ainda que nada lhes sobrevenha diretamente da parte de Deus neste mundo, a destruição deles é certa, e terão que prestar contas ao Senhor de todos os seus atos, no dia do Juízo Final. Nenhum cristão que esteja sofrendo injustamente neste mundo, tem portanto, motivo para concentrar a sua atenção ou preocupação naqueles que lhe perseguem ou que intentam o mal contra as suas vidas, como paga do bem que deles recebem, ou por causa do seu bom testemunho em Cristo, mas devem concentrar seus pensamentos e atenção somente no Senhor, porque é dEle que virá o seu livramento. Davi chama por isso o Senhor de sua força e escudo. Força para agir contra o mal, e escudo para nos proteger das suas maldades.

“A ti clamo, ó SENHOR; rocha minha, não sejas surdo para comigo; para que não suceda, se te calares acerca de mim, seja eu semelhante aos que descem à cova. Ouve-me as vozes súplices, quando a ti clamar por socorro, quando erguer as mãos para o teu santuário. Não me arrastes com os ímpios, com os que praticam a iniquidade; os quais falam de paz ao seu próximo, porém no coração têm perversidade. Paga-lhes segundo as suas obras, segundo a malícia dos seus atos; dá-lhes conforme a obra de suas mãos, retribui-lhes o que merecem. E, visto que não atentam para os feitos do SENHOR, nem para o que as suas mãos fazem, ele os derribará e não os reedificará. Bendito seja o SENHOR, porque me ouviu as vozes súplices! O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia, nele fui socorrido; por isso, o meu coração exulta, e com o meu cântico o louvarei. O SENHOR é a força do seu povo, o refúgio salvador do seu ungido. Salva o teu povo e abençoa a tua herança; apascenta-o e exalta-o para sempre.”

Silvio Dutra

SALMO 14 – Salmo de Davi

Davi aspira pela manifestação da glória futura de Israel junto com o Messias, quando o ímpio já não mais prevalecerá na terra. Quando não mais haverá insensatos para afirmarem que Deus não existe, por causa da corrupção deles e da prática das suas abominações, e não se dispõem à prática do bem. A tal ponto se multiplicou a iniquidade que não havia quem fizesse o bem e que invocasse o Senhor. Todos se extraviaram e se corromperam por causa da iniquidade que se multiplicou em seus corações. Todavia não serão tidos por inocentes na presença do Senhor, antes, serão tomados por grande pavor, porque Deus está somente do lado daqueles que foram justificados, porque buscaram graça nEle para viverem na prática da justiça. Estes ímpios que ridicularizam os conselhos dos humildes, porque se têm na conta de mais sábios e espertos do que eles, serão consumidos pelo Senhor, mas Ele será o refúgio destes humildes de coração que são desprezados na terra.

“Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. Acaso, não entendem todos os obreiros da iniquidade, que devoram o meu povo, como quem come pão, que não invocam o SENHOR? Tomar-se-ão de grande pavor, porque Deus está com a linhagem do justo. Meteis a ridículo o conselho dos humildes, mas o SENHOR é o seu refúgio. Tomara de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando o SENHOR restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará.”

Silvio Dutra

SALMO 13 – Salmo de Davi

Davi clama ao Senhor para que o livre da tristeza do seu coração por causa do inimigo que o perseguia tão persistentemente. Ele não queria de modo nenhum fracassar diante dele para que a glória do Senhor não fosse espezinhada. Então orou com confiança na graça do Senhor, regozijando-se na Sua salvação, e louvou ao Senhor porquanto Ele lhe fazia muito bem.

“Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo? Atenta para mim, responde-me, SENHOR, Deus meu! Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte; para que não diga o meu inimigo: Prevaleci contra ele; e não se regozijem os meus adversários, vindo eu a vacilar. No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração na tua salvação. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.”

Silvio Dutra

SALMO 12 – Salmo de Davi

Este Salmo é um retrato perfeito do mundo atual no qual a vileza tem sido exaltada pela sociedade corrompida em que vivemos, de maneira que os perversos andam por todos os lugares da terra, multiplicando-se mais e mais. Não admira que tão poucos estejam dispostos a dar ouvidos e a seguirem a sã doutrina, mesmo em igrejas fiéis. Eles se escandalizam com a verdade e com a chamada à santidade, e à crucificação do ego, porque amam somente a prosperidade, pela qual alimentam os prazeres de suas luxúrias carnais. Não podem mais abrir mão disto porque é um vício que está terrivelmente apegado às suas almas. Então o que prevalece é o falar com falsidade, enganando-se mutuamente, para sobrepujarem o próximo em todas as coisas terrenas (fama, poder, dinheiro, posição etc). Usam de bajulação com um coração fingido para destruírem aqueles que eles invejam, e para galgarem “posições mais elevadas” à vista de outros, para alimentarem o seu orgulho e vaidade. Desconhecem o que seja submissão e obediência à autoridade, porque são senhores da própria vontade, e julgam que seja liberdade verdadeira abrir a boca para falarem o que bem desejam, ainda que seja para destruir a reputação do próximo. No entanto, o Senhor se levantará do Seu trono para julgar toda a opressão e todo o gemido que é produzido na terra por tais ímpios, que se recusam a se converter a Ele e à justiça. Mas salvará a todo aquele que suspira por isto.

“Socorro, SENHOR! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens. Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido. Corte o SENHOR todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente, pois dizem: Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós? Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, eu me levantarei agora, diz o SENHOR; e porei a salvo a quem por isso suspira. As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes. Sim, SENHOR, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre. Por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada.”

Silvio Dutra

SALMO 11 – Salmo de Davi

Os salmistas, assim como Davi, por serem homens santos e justos, recebiam do Senhor a capacidade de discernirem o mal que há no mundo, especialmente nos corações das pessoas. Deus pode nos dar o dom de discernimento, pela Sua Palavra, e Espírito, de discernir não somente os pensamentos, como também as intenções dos corações das pessoas, sejam eles bons ou maus (Hb 4.12). Por isso, enquanto os ímpios procuravam amedrontá-lo e ameaçá-lo, ele buscava refúgio no Senhor, com a firme certeza de que acharia segura proteção, porque não andava nos mesmos passos deles, e sabia que o Senhor se agrada de quem vive na prática da justiça, e é a cidadela forte dos tais, no dia da angústia, e não somente isto, permite-lhes que vejam a Sua face em espírito, a saber, que discirnam e sintam a Sua presença, mas, quanto aos perversos que amam a violência, os abomina e fará chover sobre eles brasas de fogo e enxofre e vento abrasador, pelo derramar dos Seus juízos sobre eles.

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte? Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração. Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens. O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina. Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face.”

Silvio Dutra

SALMO 31 – Salmo de Davi

Temos aqui mais uma das orações modelares de Davi que ele costumava fazer quando se encontrava debaixo de aflições e de angústias. Faríamos bem em seguir-lhe os passos toda vez em que nos encontramos nas mesmas condições que ele havia experimentado, quando por causa do Seu amor pelo Senhor, muitos lhe armavam laços às ocultas, e nas quais sempre fazia do Senhor a sua fortaleza, e entregava o seu espírito nas Suas mãos para ser livrado. Ele sabia perfeitamente que era uma coisa vã recorrer a ídolos para receber livramento. Ao contrário, os laços aumentariam, porque Deus abomina os que adoram ídolos. Sua confiança estava colocada inteiramente no Deus invisível cuja vontade está revelada na Bíblia. Ele somente se alegrava e se regozijava quando o Senhor lhe manifestava a Sua benignidade livrando-o das mãos dos inimigos, que angustiavam e afligiam a sua alma, e firmando os seus pés num lugar espiritual espaçoso, em que já não podia mais estar sendo oprimido em sua alma. Tal era a fidelidade de Davi caminhando em retidão com o Senhor que o diabo tinha uma fome de devorar a sua alma justa muito maior do que a fome que nós temos de pão. Davi e o testemunho de sua vida era um espinho na carne de Satanás, porque por ele, Deus podia calar o diabo com os seus argumentos até mesmo para cristãos, que uma vida de santidade plena com Deus é algo impossível, levando muitos destes portanto, a duvidarem até mesmo da real existência de Deus. Mas o testemunho de Davi era um cala boca nos argumentos do diabo, e ele tentaria então tirar a sua vida por todos os modos e meios, ou então levá-lo a um tal desespero em que já não fosse possível manter o mesmo testemunho de retidão, santidade, amor e prática da verdade. Todavia ele não podia levar vantagem sobre Davi, levantando exércitos contra ele, conspiradores, e toda sorte de perseguidores, porque ele sempre, se voltava para buscar socorro no Senhor, por maior que fosse a angústia da sua alma, tal como a que ele expressa neste salmo. A misericórdia do Senhor para com ele era tão grande, que mesmo quando Davi chegava a desesperar da vida, pensando que Ele lhe havia abandonado, e que seria destruído por seus inimigos, o Senhor sempre se manifestava no fim, dando-lhe livramento. De modo que a sua fé nEle, na Sua bondade e misericórdia, aumentava cada vez mais, pois via como Ele envergonhava os perversos, e emudecia os lábios mentirosos que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém. Davi aprendeu que Deus sempre age assim com aqueles que se refugiam nEle. Por isso Davi conclama todos os que são santos a amarem ao Senhor, porque Ele preserva os fiéis para Si, para que o amem e o sirvam, mas retribui com largueza o soberbo com os Seus juízos. Os que amam o Senhor devem portanto buscar estarem fortalecidos com a Sua graça, e terem o coração revigorado por Ele, para que o sirvam do único modo pelo qual Ele é digno de ser servido e amado.

“Em ti, SENHOR, me refugio; não seja eu jamais envergonhado; livra-me por tua justiça. Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa; sê o meu castelo forte, cidadela fortíssima que me salve. Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás. Tirar-me-ás do laço que, às ocultas, me armaram, pois tu és a minha fortaleza. Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade. Aborreces os que adoram ídolos vãos; eu, porém, confio no SENHOR. Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois tens visto a minha aflição, conheceste as angústias de minha alma e não me entregaste nas mãos do inimigo; firmaste os meus pés em lugar espaçoso. Compadece-te de mim, SENHOR, porque me sinto atribulado; de tristeza os meus olhos se consomem, e a minha alma e o meu corpo. Gasta-se a minha vida na tristeza, e os meus anos, em gemidos; debilita-se a minha força, por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem. Tornei-me opróbrio para todos os meus adversários, espanto para os meus vizinhos e horror para os meus conhecidos; os que me veem na rua fogem de mim. Estou esquecido no coração deles, como morto; sou como vaso quebrado. Pois tenho ouvido a murmuração de muitos, terror por todos os lados; conspirando contra mim, tramam tirar-me a vida. Quanto a mim, confio em ti, SENHOR. Eu disse: tu és o meu Deus. Nas tuas mãos, estão os meus dias; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores. Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tua misericórdia. Não seja eu envergonhado, SENHOR, pois te invoquei; envergonhados sejam os perversos, emudecidos na morte. Emudeçam os lábios mentirosos, que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém. Como é grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual usas, perante os filhos dos homens, para com os que em ti se refugiam! No recôndito da tua presença, tu os esconderás das tramas dos homens, num esconderijo os ocultarás da contenda de línguas. Bendito seja o SENHOR, que engrandeceu a sua misericórdia para comigo, numa cidade sitiada! Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro. Amai o SENHOR, vós todos os seus santos. O SENHOR preserva os fiéis, mas retribui com largueza ao soberbo. Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no SENHOR.”

Silvio Dutra