Salmos da Bíblia

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SALMO 99

Como nos salmos precedentes, neste também, todas as nações da terra são conclamadas a honrarem e a louvarem o Senhor, quando Ele estiver reinando em Sião. Servos fiéis do passado que serviram ao Senhor, são aqui citados (Moisés, Arão, Samuel) porque clamavam ao Senhor e eram por Ele ouvidos. São citados para que sigamos o exemplo deles, guardando os Seus mandamentos, porque aos que temem assim ao Senhor, têm os seus pecados perdoados, tal como estes grandes servos do passado tiveram, e assim, a esperança de salvação é segura e garantirá que estejamos de pé, de modo digno diante do Senhor, quando Ele estiver reinando.

“Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra. O SENHOR é grande em Sião e sobremodo elevado acima de todos os povos. Celebrem eles o teu nome grande e tremendo, porque é santo. És rei poderoso que ama a justiça; tu firmas a equidade, executas o juízo e a justiça em Jacó. Exaltai ao SENHOR, nosso Deus, e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés, porque ele é santo. Moisés e Arão, entre os seus sacerdotes, e, Samuel, entre os que lhe invocam o nome, clamavam ao SENHOR, e ele os ouvia. Falava-lhes na coluna de nuvem; eles guardavam os seus mandamentos e a lei que lhes tinha dado. Tu lhes respondeste, ó SENHOR, nosso Deus; foste para eles Deus perdoador, ainda que tomando vingança dos seus feitos. Exaltai ao SENHOR, nosso Deus, e prostrai-vos ante o seu santo monte, porque santo é o SENHOR, nosso Deus.”

Silvio Dutra

SALMO 98

Como os dois salmos precedentes, este também é um prenúncio do futuro reino glorioso do Messias, quando todas as nações da terra o servirão.

“Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória. O SENHOR fez notória a sua salvação; manifestou a sua justiça perante os olhos das nações. Lembrou-se da sua misericórdia e da sua fidelidade para com a casa de Israel; todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus. Celebrai com júbilo ao SENHOR, todos os confins da terra; aclamai, regozijai-vos e cantai louvores. Cantai com harpa louvores ao SENHOR, com harpa e voz de canto; com trombetas e ao som de buzinas, exultai perante o SENHOR, que é rei. Ruja o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam. Os rios batam palmas, e juntos cantem de júbilo os montes, na presença do SENHOR, porque ele vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com equidade.”

Silvio Dutra

SALMO 94

Este salmo, como todos os demais salmos chamados imprecatórios, ou amaldiçoadores dos ímpios, somente podem ser compreendidos quando sabemos qual foi o povo que os produziu, a saber a nação de Israel, que desde a sua formação a partir de Abraão, tem sofrido duras perseguições de todas as nações, especialmente no período do Velho Testamento, quando as sofreu no contexto de guerras constantes contra as nações vizinhas. Tal era a crueldade que eles sofreram de tais nações que isto deixou uma marca muito característica neles, que é a de sendo um povo pequeno, de recorrerem sempre a Deus para que não somente os defendesse de seus implacáveis inimigos, como também, que desse cabo deles. O Senhor havia dado aos israelitas, desde Abraão, costumes para serem guardados por eles, totalmente diferentes dos das nações pagãs, e também lhes proibiu que se misturassem com eles, para não serem contaminados por suas práticas, especialmente o que se referia à idolatria. Sendo diferentes foram e têm sido perseguidos, da mesma maneira que o mundo persegue os cristãos que sustentam um testemunho verdadeiramente fiel a Cristo.

“Ó SENHOR, Deus das vinganças, ó Deus das vinganças, resplandece. Exalta-te, ó juiz da terra; dá o pago aos soberbos. Até quando, SENHOR, os perversos, até quando exultarão os perversos? Proferem impiedades e falam coisas duras; vangloriam-se os que praticam a iniquidade. Esmagam o teu povo, SENHOR, e oprimem a tua herança. Matam a viúva e o estrangeiro e aos órfãos assassinam. E dizem: O SENHOR não o vê; nem disso faz caso o Deus de Jacó. Atendei, ó estúpidos dentre o povo; e vós, insensatos, quando sereis prudentes? O que fez o ouvido, acaso, não ouvirá? E o que formou os olhos será que não enxerga? Porventura, quem repreende as nações não há de punir? Aquele que aos homens dá conhecimento não tem sabedoria? O SENHOR conhece os pensamentos do homem, que são pensamentos vãos. Bem-aventurado o homem, SENHOR, a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei, para lhe dares descanso dos dias maus, até que se abra a cova para o ímpio. Pois o SENHOR não há de rejeitar o seu povo, nem desamparar a sua herança. Mas o juízo se converterá em justiça, e segui-la-ão todos os de coração reto. Quem se levantará a meu favor, contra os perversos? Quem estará comigo contra os que praticam a iniquidade? Se não fora o auxílio do SENHOR, já a minha alma estaria na região do silêncio. Quando eu digo: resvala-me o pé, a tua benignidade, SENHOR, me sustém. Nos muitos cuidados que dentro de mim se multiplicam, as tuas consolações me alegram a alma. Pode, acaso, associar-se contigo o trono da iniquidade, o qual forja o mal, tendo uma lei por pretexto? Ajuntam-se contra a vida do justo e condenam o sangue inocente. Mas o SENHOR é o meu baluarte e o meu Deus, o rochedo em que me abrigo. Sobre eles faz recair a sua iniquidade e pela malícia deles próprios os destruirá; o SENHOR, nosso Deus, os exterminará.”

Silvio Dutra

SALMO 93

Este salmo celebra o reino eterno do Senhor, e a glória da majestade deste grande Rei cujos testemunhos são fidelíssimos, e a cuja casa convém a santidade para sempre.

“Reina o SENHOR.
Revestiu-se de majestade; de poder se revestiu o SENHOR e se cingiu.
Firmou o mundo, que não vacila.
Desde a antiguidade, está firme o teu trono; tu és desde a eternidade.
Levantam os rios, ó SENHOR, levantam os rios o seu bramido; levantam os rios o seu fragor.
Mas o SENHOR nas alturas é mais poderoso do que o bramido das grandes águas, do que os poderosos vagalhões do mar.
Fidelíssimos são os teus testemunhos; à tua casa convém a santidade, SENHOR, para todo o sempre.”

Silvio Dutra

SALMO 89 – Salmo de Etã

“Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade. Pois disse eu: a benignidade está fundada para sempre; a tua fidelidade, tu a confirmarás nos céus, dizendo: Fiz aliança com o meu escolhido e jurei a Davi, meu servo: Para sempre estabelecerei a tua posteridade e firmarei o teu trono de geração em geração. Celebram os céus as tuas maravilhas, ó SENHOR, e, na assembleia dos santos, a tua fidelidade. Pois quem nos céus é comparável ao SENHOR? Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao SENHOR? Deus é sobremodo tremendo na assembleia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam. Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu és, SENHOR, com a tua fidelidade ao redor de ti?! Dominas a fúria do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as amainas. Calcaste a Raabe, como um ferido de morte; com o teu poderoso braço dispersaste os teus inimigos. Teus são os céus, tua, a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste. O Norte e o Sul, tu os criaste; o Tabor e o Hermom exultam em teu nome. O teu braço é armado de poder, forte é a tua mão, e elevada, a tua destra. Justiça e direito são o fundamento do teu trono; graça e verdade te precedem. Bem-aventurado o povo que conhece os vivas de júbilo, que anda, ó SENHOR, na luz da tua presença. Em teu nome, de contínuo se alegra e na tua justiça se exalta, porquanto tu és a glória de sua força; no teu favor avulta o nosso poder. Pois ao SENHOR pertence o nosso escudo, e ao Santo de Israel, o nosso rei. Outrora, falaste em visão aos teus santos e disseste: A um herói concedi o poder de socorrer; do meio do povo, exaltei um escolhido. Encontrei Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi. A minha mão será firme com ele, o meu braço o fortalecerá. O inimigo jamais o surpreenderá, nem o há de afligir o filho da perversidade. Esmagarei diante dele os seus adversários e ferirei os que o odeiam. A minha fidelidade e a minha bondade o hão de acompanhar, e em meu nome crescerá o seu poder. Porei a sua mão sobre o mar e a sua direita, sobre os rios. Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus e a rocha da minha salvação. Fa-lo-ei, por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra. Conservar-lhe-ei para sempre a minha graça e, firme com ele, a minha aliança. Farei durar para sempre a sua descendência; e, o seu trono, como os dias do céu. Se os seus filhos desprezarem a minha lei e não andarem nos meus juízos, se violarem os meus preceitos e não guardarem os meus mandamentos, então, punirei com vara as suas transgressões e com açoites, a sua iniquidade. Mas jamais retirarei dele a minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade. Não violarei a minha aliança, nem modificarei o que os meus lábios proferiram. Uma vez jurei por minha santidade (e serei eu falso a Davi?): A sua posteridade durará para sempre, e o seu trono, como o sol perante mim. Ele será estabelecido para sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço. Tu, porém, o repudiaste e o rejeitaste; e te indignaste com o teu ungido. Aborreceste a aliança com o teu servo; profanaste-lhe a coroa, arrojando-a para a terra. Arrasaste os seus muros todos; reduziste a ruínas as suas fortificações. Despojam-no todos os que passam pelo caminho; e os vizinhos o escarnecem. Exaltaste a destra dos seus adversários e deste regozijo a todos os seus inimigos. Também viraste o fio da sua espada e não o sustentaste na batalha. Fizeste cessar o seu esplendor e deitaste por terra o seu trono. Abreviaste os dias da sua mocidade e o cobriste de ignomínia. Até quando, SENHOR? Esconder-te-ás para sempre? Arderá a tua ira como fogo? Lembra-te de como é breve a minha existência! Pois criarias em vão todos os filhos dos homens! Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro? Que é feito, Senhor, das tuas benignidades de outrora, juradas a Davi por tua fidelidade? Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos e de como trago no peito a injúria de muitos povos, com que, SENHOR, os teus inimigos têm vilipendiado, sim, vilipendiado os passos do teu ungido. Bendito seja o SENHOR para sempre! Amém e amém!”

O salmista proclama a benignidade do Senhor para com a casa de Davi, conforme a promessa que lhe fizera, ao mesmo tempo que lamenta as presentes condições do seu tabernáculo (casa) que se encontrava caído. Ele ora para que o Senhor restaurasse a casa de Davi, no entanto, isto seria feito somente a partir da manifestação de Jesus Cristo em carne, que é Aquele que carrega a promessa de restaurar tal tabernáculo caído (Amós 9.11).
“Naquele dia, levantarei o tabernáculo caído de Davi, repararei as suas brechas; e, levantando-o das suas ruínas, restaura-lo-ei como fora nos dias da antiguidade;” (Am 9.11).
Esta profecia fala em levantar, reparar e restaurar.
A profecia de Amós concentrou-se mais em Israel, mas também falou das assolações que viriam sobre Judá, e sabemos que estas ocorreram com o cativeiro babilônico.
Então, temos aqui uma promessa para dias distantes, quando não somente Judá seria de novo restaurada em sua terra nos dias de Zorobabel, mas quando estariam para sempre seguros com o Messias, que é aquele que restaura a casa caída de Davi, porque é desta casa segundo a carne, e é nEle que se cumprem as boas e fiéis promessas feitas a Davi e á sua casa.
A profecia se refere ao Israel de Deus unido a nosso Senhor porque a promessa afirma que quando Israel habitasse nas cidades assoladas que seriam reedificadas, plantariam vinhas e beberiam o seu vinho, e fariam pomares e lhes comeriam o fruto, e depois de plantados na sua terra, que lhes foi dada pelo Senhor, jamais seriam arrancados dela.
Quando eles retornaram de Babilônia sob Zorobabel, tornaram a ser arrancados da terra pelos romanos em 70 d. C. e para lá retornaram somente no século XX, mas ainda há muitos judeus dispersos pelo mundo, e Jerusalém ainda sofrerá uma nova assolação sob o Anticristo, quando os judeus serão perseguidos e dispersos, mas por ocasião da volta do Senhor, Ele estabelecerá o Seu reino para sempre e dará cumprimento à profecia antiga de que faria de Israel uma nação e reino sacerdotal.
A profecia aponta portanto para a volta de Jesus.
Deste modo, apesar de o Senhor ter profetizado em quase todo o livro de Amós, e no princípio deste último capítulo, que efetuaria grande destruição em Israel, no entanto, deixou registrado que isto não significava que deixaria de ser fiel à promessa que havia feito aos patriarcas de que Israel estaria perpetuamente diante dEle.
Todavia, Ele revelou quais serão estes que habitarão para sempre no tabernáculo de Davi que Ele mesmo restauraria, a saber, aqueles que fossem lavados de seus pecados, porque conforme o Senhor afirmou no verso 10, todos os pecadores do seu povo morreriam à espada, a saber, aqueles que estavam confiados que o juízo do Senhor nunca os alcançaria, e por isso permaneceriam deliberadamente na prática do pecado.
Isto serve de grande alerta para muitas pessoas que se encontram agregadas à Igreja de Cristo, mas que não fazem parte do tabernáculo (casa) de Davi, porque nunca foram purificados dos seus pecados pelo sangue de Jesus.
Seguem confiantes que pelo simples fato de se dizerem pertencentes a Cristo, que nenhum juízo lhes sobrevirá da parte de Deus, apesar de viverem na prática deliberada do pecado.
Quanto às fiéis promessas feitas da Davi e à sua casa, citadas neste salmo, estas constam de II Samuel 7, cujo comentário transcrevemos a seguir:

II SAMUEL 7

“1 Ora, estando o rei Davi em sua casa e tendo-lhe dado o Senhor descanso de todos os seus inimigos em redor,
2 disse ele ao profeta Natã: Eis que eu moro numa casa de cedro, enquanto que a arca de Deus dentro de uma tenda.
3 Respondeu Natã ao rei: Vai e faze tudo quanto está no teu coração, porque o Senhor é contigo.
4 Mas naquela mesma noite a palavra do Senhor veio a Natã, dizendo:
5 Vai, e dize a meu servo Davi: Assim diz o Senhor: Edificar-me-ás tu uma casa para eu nela habitar?
6 Porque em casa nenhuma habitei, desde o dia em que fiz subir do Egito os filhos de Israel até o dia de hoje, mas tenho andado em tenda e em tabernáculo.
7 E em todo lugar em que tenho andado com todos os filhos de Israel, falei porventura, alguma palavra a qualquer das suas tribos a que mandei apascentar o meu povo de Israel, dizendo: por que não me edificais uma casa de cedro?
8 Agora, pois, assim dirás ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos exércitos: Eu te tomei da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses príncipe sobre o meu povo, sobre Israel;
9 e fui contigo, por onde quer que foste, e destruí a todos os teus inimigos diante de ti; e te farei um grande nome, como o nome dos grandes que há na terra.
10 Também designarei lugar para o meu povo, para Israel, e o plantarei ali, para que ele habite no seu lugar, e não mais seja perturbado, e nunca mais os filhos da iniquidade o aflijam, como dantes,
11 e como desde o dia em que ordenei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel. A ti, porém, darei descanso de todos os teus inimigos. Também o Senhor te declara que ele te fará casa.
12 Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino.
13 Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.
14 Eu lhe serei pai, e ele me será filho. E, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens;
15 mas não retirarei dele a minha benignidade como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.
16 A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.
17 Conforme todas estas palavras, e conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi.
18 Então entrou o rei Davi, e sentou-se perante o Senhor, e disse: Quem sou eu, Senhor Jeová, e que é a minha casa, para me teres trazido até aqui?
19 E isso ainda foi pouco aos teus olhos, Senhor Jeová, senão que também falaste da casa do teu servo para tempos distantes; e me tens mostrado gerações futuras, ó Senhor Jeová?
20 Que mais te poderá dizer Davi. pois tu conheces bem o teu servo, ó Senhor Jeová.
21 Por causa da tua palavra, e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza, revelando-a ao teu servo.
22 Portanto és grandioso, ó Senhor Jeová, porque ninguém há semelhante a ti, e não há Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos.
23 Que outra nação na terra é semelhante a teu povo Israel, a quem tu, ó Deus, foste resgatar para te ser povo, para te fazeres um nome, e para fazeres a seu favor estas grandes e terríveis coisas para a tua terra, diante do teu povo, que tu resgataste para ti do Egito, desterrando nações e seus deuses?
24 Assim estabeleceste o teu povo Israel por teu povo para sempre, e tu, Senhor, te fizeste o seu Deus.
25 Agora, pois, ó Senhor Jeová, confirma para sempre a palavra que falaste acerca do teu servo e acerca da sua casa, e faze como tens falado,
26 para que seja engrandecido o teu nome para sempre, e se diga: O Senhor dos exércitos é Deus sobre Israel; e a casa do teu servo será estabelecida diante de ti.
27 Pois tu, Senhor dos exércitos, Deus de Israel, fizeste uma revelação ao teu servo, dizendo: Edificar-te-ei uma casa. Por isso o teu servo se animou a fazer-te esta oração.
28 Agora, pois, Senhor Jeová, tu és Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens prometido a teu servo este bem.
29 Sê, pois, agora servido de abençoar a casa do teu servo, para que subsista para sempre diante de ti; pois tu, ó Senhor Jeová, o disseste; e com a tua bênção a casa do teu servo será, abençoada para sempre.” (II Sm 7.1-29).

Depois de longas e sucessivas guerras com as nações inimigas de Israel, e estando subjugados os povos inimigos dos israelitas, principalmente os filisteus, Davi estava enfim desfrutando em sua vida de um período da paz que ele tanto amava (Sl 120.7).
Em sua meditação sobre a pessoa de Deus ele se sentiu constrangido por estar residindo no palácio suntuoso que Hirão, rei de Tiro, construiu para ele, enquanto a arca ainda permanecia na tenda que ele havia preparado para ela em Jerusalém.
Davi estava descansado de seus inimigos em sua casa, mas não achou descanso em sua alma porque lhe pesava esta preocupação em edificar um templo para o Senhor, e ele compartilha o peso de sua preocupação com o profeta Natã, e este o encorajou a fazer tudo quanto estava no seu coração, porque o Senhor era com ele (v. 2,3).
Porém na noite daquele mesmo dia, Deus se manifestou a Natã dizendo-lhe que Davi não lhe edificaria nenhum templo (I Crôn 17.4), apesar de reconhecer que havia feito bem em ter-se preocupado em honrar o seu Deus ao pensar em construir um templo para Ele (I Rs 8.18).
Natã havia portanto, incentivado Davi a construir o templo, lhe falando como um amigo, mas não da parte de Deus.
E estava enganado neste particular quanto à vontade do Senhor para Davi, que teve que ser-lhe revelada por Deus, pois Davi havia sido separado para estender e consolidar as fronteiras de Israel, mas não para gastar a maior parte do tempo do seu reinado na construção de um templo, que já estava assentado nos desígnios de Deus como sendo algo para ser levado a efeito por seu filho Salomão, e é por isso que ele foi citado na mesma palavra que o Senhor havia dado a Nata, para ser dita a Davi.
Além disso, Deus não havia dado nenhuma autorização ou fizera qualquer pedido, desde a saída de Israel do Egito, até então, para que fosse construído um templo, e não cabia portanto a Davi ou a qualquer outro, tomar uma iniciativa em relação a algo que o Senhor não havia ordenado.
Se Davi não estava confortado em saber que a arca permanecia habitando em tendas, Deus não estava nem um pouco desconfortável, porque qual é a habitação, por mais suntuosa que seja, que os homens possam edificar para o Senhor, que possa ser digna e estar à altura da Sua Majestade? Se o próprio céu é obra das mãos dEle, tudo o que o homem possa edificar neste mundo com ouro, prata, pedras e madeiras preciosas e nobres, será mais do que nada para Aquele que não habita em moradas fabricadas por homens, pois nem o céu dos céus pode contê-lo (II Crôn 2.6).
Mas Deus mandou dizer a Davi que o templo que ele intentava erigir seria edificado pelo seu filho (v. 13), e esta profecia se aplica tanto a Salomão, quanto a Cristo, que é o descendente de Davi que está edificando a Igreja, para ser templo para a habitação de Deus no Espírito.
Deus não pode habitar naquilo que o homem edifica, mas criou o próprio homem para ser lugar da Sua habitação.
E é dito que aquele que edificaria o templo seria filho de Deus (isto se aplica a Salomão e a Jesus), e a parte da profecia que afirma que se ele viesse a transgredir, seria castigado por Ele, mas não retiraria dele a Sua misericórdia como fizera com Saul (v. 14,15) se aplica óbvia e exclusivamente a Salomão.
Isto fala da segurança da promessa feita de que o trono de Davi seria firmado, ainda que Salomão, seu filho, viesse a falhar, bem como os seus descendentes, porque o cetro permaneceria na casa de Davi, e seria firmado para sempre em Cristo, que é da sua casa.
A casa de Saul foi rejeitada por Deus e não foi confirmada.
Mas a Davi, o Senhor estava prometendo que a sua casa permaneceria no trono para sempre (v. 16).
Aqui está pois referido o caráter da aliança da graça que é feita para aqueles que participarão do reino de Cristo pela fé nEle.
Esta promessa de que serão firmados no reino, ainda que venham a transgredir, é garantida pelo próprio Deus conforme revelou a Davi através do profeta Natã.
Esta é uma aliança para sempre que o Senhor jamais revogará, porque prometeu não remover a Sua misericórdia daqueles que fazem parte da casa de Davi.
Não da casa terrena, pois esta promessa não alcançou Absalão e a outros que eram da sua casa, mas a casa espiritual, daqueles que tivessem a mesma fé dele e que fossem eleitos por Deus para a salvação.
Isto não é maravilhoso?
E temos isto confirmado nas palavras dos profetas, dos apóstolos, e do próprio Cristo, como por exemplo em Is 55.3; Jer 33.21,22; Ez 34.23,24; Zac 12.7,8; At 13.34; 15.16; Apo 3.7.
Com a ida de Israel para o cativeiro, o tabernáculo (a casa) de Davi ficou caída (Amós 9.11), porque foi interrompida a sucessão de reis em Judá, da sua descendência, mas quando Cristo estiver reinando, o tabernáculo de Davi estará plenamente restaurado, e a promessa que Deus lhe fez estará vigorando para sempre em toda a sua plenitude.
Diante da grandiosidade da promessa que Deus lhe fizera quanto à casa que edificaria para ele, Davi se retirou da presença de Natã e foi adorar e agradecer ao Senhor diante da tenda onde se encontrava a arca (v. 18 a 29).
É importante destacar que Deus disse que edificaria tal casa a Davi para o bem de seu povo Israel (v. 8 a 11), e é com o mesmo propósito que Cristo foi exaltado com um nome que é sobre todo o nome, a saber, para dar descanso para o Seu povo.
Silvio Dutra

Silvio Dutra

SALMO 88 – Salmo dos filhos de Core

Neste salmo, o salmista chora na presença do Senhor pela condição de abatimento extremo da sua alma. Ele sofre pela ausência da comunhão com o Senhor, e pelo sentir da repreensão da Sua ira. Ele sofre porque em vez de se achar em tal condição como se estivesse morto, o seu desejo era o de louvar e exaltar o nome do Senhor. Por isso orou para que os ouvidos do Senhor atendessem ao Seu clamor e que a sua oração chegasse à Sua presença. O salmista encontrava-se solitário, porque até mesmo do consolo da presença dos seus amigos Ele havia sido privado, e considerava que isto havia sido feito pelo próprio Deus. Assim, orava para que fosse libertado de tais sentimentos e para que sua alma voltasse a achar paz e descanso no Senhor.

“Ó SENHOR, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti. Chegue à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor. Pois a minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte. Sou contado com os que baixam à cova; sou como um homem sem força, atirado entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais já não te lembras; são desamparados de tuas mãos. Puseste-me na mais profunda cova, nos lugares tenebrosos, nos abismos. Sobre mim pesa a tua ira; tu me abates com todas as tuas ondas. Apartaste de mim os meus conhecidos e me fizeste objeto de abominação para com eles; estou preso e não vejo como sair. Os meus olhos desfalecem de aflição; dia após dia, venho clamando a ti, SENHOR, e te levanto as minhas mãos. Mostrarás tu prodígios aos mortos ou os finados se levantarão para te louvar? Será referida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade, nos abismos? Acaso, nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a tua justiça, na terra do esquecimento? Mas eu, SENHOR, clamo a ti por socorro, e antemanhã já se antecipa diante de ti a minha oração. Por que rejeitas, SENHOR, a minha alma e ocultas de mim o rosto? Ando aflito e prestes a expirar desde moço; sob o peso dos teus terrores, estou desorientado. Por sobre mim passaram as tuas iras, os teus terrores deram cabo de mim. Eles me rodeiam como água, de contínuo; a um tempo me circundam. Para longe de mim afastaste amigo e companheiro; os meus conhecidos são trevas.”

Silvio Dutra

SALMO 87 – Salmo dos filhos de Coré

Este salmo exalta a excelência de Jerusalém sobre todas as demais cidades de Israel, e de todas as nações, porque Deus a escolheu para estabelecê-la para sempre, para ser a fonte da Sua revelação, pela qual são gerados filhos para Ele em todas as nações.

“Fundada por ele sobre os montes santos, o SENHOR ama as portas de Sião mais do que as habitações todas de Jacó. Gloriosas coisas se têm dito de ti, ó cidade de Deus! Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe e da Babilônia; eis aí Filístia e Tiro com Etiópia; lá, nasceram. E com respeito a Sião se dirá: Este e aquele nasceram nela; e o próprio Altíssimo a estabelecerá. O SENHOR, ao registrar os povos, dirá: Este nasceu lá. Todos os cantores, saltando de júbilo, entoarão: Todas as minhas fontes são em ti.”

Silvio Dutra

SALMO 80 – Salmo de Asafe

O teor deste salmo é o mesmo do anterior, só que aqui não se faz uma referência direta a Judá ou a Jerusalém, mas a José, a Efraim, ou seja, à porção do Norte de Israel que havia sido levada em cativeiro pelos assírios. Mas o clamor é o mesmo do salmo anterior, tanto em relação aos israelitas quanto aos seus inimigos.

“Dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor. Perante Efraim, Benjamim e Manassés, desperta o teu poder e vem salvar-nos. Restaura-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, até quando estarás indignado contra a oração do teu povo? Dás-lhe a comer pão de lágrimas e a beber copioso pranto. Constituis-nos em contendas para os nossos vizinhos, e os nossos inimigos zombam de nós a valer. Restaura-nos, ó Deus dos Exércitos; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. Trouxeste uma videira do Egito, expulsaste as nações e a plantaste. Dispuseste-lhe o terreno, ela deitou profundas raízes e encheu a terra. Com a sombra dela os montes se cobriram, e, com os seus sarmentos, os cedros de Deus. Estendeu ela a sua ramagem até ao mar e os seus rebentos, até ao rio. Por que lhe derribaste as cercas, de sorte que a vindimam todos os que passam pelo caminho? O javali da selva a devasta, e nela se repastam os animais que pululam no campo. Ó Deus dos Exércitos, volta-te, nós te rogamos, olha do céu, e vê, e visita esta vinha; protege o que a tua mão direita plantou, o sarmento que para ti fortaleceste. Está queimada, está decepada. Pereçam os nossos inimigos pela repreensão do teu rosto. Seja a tua mão sobre o povo da tua destra, sobre o filho do homem que fortaleceste para ti. E assim não nos apartaremos de ti; vivifica-nos, e invocaremos o teu nome. Restaura-nos, ó SENHOR, Deus dos Exércitos, faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.”

Silvio Dutra

SALMO 79 – Salmo de Asafe

Este salmo é semelhante ao salmo 74, também de autoria de Asafe, e descreve as assolações feitas contra os judeus bem como contra o templo do Senhor, nos dias de Nabucodonosor, de Babilônia. Neste, a destruição de Jerusalém é citada diretamente, tendo a cidade sido feita um montão de ruínas, e muitos de seus habitantes foram mortos na ocasião, a ponto de se dizer que seus corpos serviram de pasto para as aves de rapina e às feras da terra, e tantos eram eles, que não foi possível dar-lhes um sepultamento digno. Os judeus se tornaram motivo de zombaria para as nações vizinhas. O salmista clama para que Deus vingasse as assolações de Judá dando o devido pago às nações ímpias que a haviam destruído. E clamou pela misericórdia do Senhor para que não visitasse neles as iniquidades dos seus ancestrais, que em seus pecados, haviam dado ocasião àquelas assolações que lhes vieram da parte do Senhor. Ele clamou por misericórdia porque estavam sobremodo abatidos. Além de clamar por misericórdia, também orou pedindo que os pecados do povo de Judá fossem perdoados, e que o Senhor os livrasse por amor do Seu nome. Que Ele fizesse este bem ao Seu povo para que as nações não escarnecessem do próprio Deus, dizendo que nada fizera por eles. As nações ímpias estavam se gloriando contra o próprio Deus, e por isso o salmista pediu-lhe que lhes retribuísse sete vezes tanto, o opróbrio com o qual Lhe estavam vituperando; enquanto eles, ovelhas do Seu rebanho continuariam Lhe dando graças de geração em geração proclamando os Seus louvores.

“Ó Deus, as nações invadiram a tua herança, profanaram o teu santo templo, reduziram Jerusalém a um montão de ruínas. Deram os cadáveres dos teus servos por pasto às aves dos céus e a carne dos teus santos, às feras da terra. Derramaram como água o sangue deles ao redor de Jerusalém, e não houve quem lhes desse sepultura. Tornamo-nos o opróbrio dos nossos vizinhos, o escárnio e a zombaria dos que nos rodeiam. Até quando, SENHOR? Será para sempre a tua ira? Arderá como fogo o teu zelo? Derrama o teu furor sobre as nações que te não conhecem e sobre os reinos que não invocam o teu nome. Porque eles devoraram a Jacó e lhe assolaram as moradas. Não recordes contra nós as iniquidades de nossos pais; apressem-se ao nosso encontro as tuas misericórdias, pois estamos sobremodo abatidos. Assiste-nos, ó Deus e Salvador nosso, pela glória do teu nome; livra-nos e perdoa-nos os pecados, por amor do teu nome. Por que diriam as nações: Onde está o seu Deus? Seja, à nossa vista, manifesta entre as nações a vingança do sangue que dos teus servos é derramado. Chegue à tua presença o gemido do cativo; consoante a grandeza do teu poder, preserva os sentenciados à morte. Retribui, Senhor, aos nossos vizinhos, sete vezes tanto, o opróbrio com que te vituperaram. Quanto a nós, teu povo e ovelhas do teu pasto, para sempre te daremos graças; de geração em geração proclamaremos os teus louvores.”

Silvio Dutra

Vencendo a Tentação

“Adiante deles enviou um homem, José, vendido como escravo;” (Salmo 105.17

Uma marca do herói de Deus é que ele é capaz de vencer a tentação. Ele tem que passar por várias tentações sujas, mas ele se mantém limpo. Ele tem que peregrinar num mundo mau, mas ele guarda a si mesmo da corrupção do mundo. Ele tem que enfrentar terríveis e fortes tentações exteriores e interiores, mas o Senhor o livra de todas. Assim fez José nos velhos tempos, e assim qualquer um de vocês hoje.
A primeira lição que eu retiro da vida de José é que a pessoa que tentar fazer o que é certo a qualquer custo não será popular entre os seus irmãos.
Tal é a perversidade da natureza humana, que os homens têm ciúme e inveja daqueles que são mais puros, mais santos, mais sábios do que eles. Todo homem tem que fazer a escolha solene entre a amizade de Deus e a amizade do mundo. Nós não podemos ter ambas. O povo de Deus se ama mutuamente, mas os ímpios são sempre inimigos da santidade e da verdade. Se um homem quer ser popular com todos os tipos de pessoas, ele deve desistir de seu dever para com o seu Deus.
"Ai de vós quando todos os homens falarem bem de vocês; sereis odiados de todos por causa do meu nome." O homem de mente pura não pode ser popular com o maldizente e o homem de vida impura. O homem sóbrio não pode escolher o viciado por companheiro. O homem religioso nunca deve fazer amizade com aquele, cujo lema é: "Eu não sei, e eu não me importo, e nada significa." Todo homem que escolhe deliberadamente a Deus, que escolhe o caminho estreito do dever, encontrar-se-á com algum ódio, abuso e desprezo da parte de seus irmãos descuidados. Tem sido sempre assim desde que o mundo começou, Noé e Ló foram alvo de zombaria e escárnio. Os profetas que falavam da vinda do Salvador sempre foram desconsiderados, e muitas vezes mortos. Quando o Filho de Deus veio ao mundo para trazer luz e verdade, eles disseram que ele tinha um demônio, e o penduraram num madeiro. Aqueles que primeiro seguiram seus passos santos ou eram ridicularizados como loucos, ou cruelmente torturados e mortos.
Assim tem sido com quase todos os verdadeiros reformadores na religião, ou da ciência, ou da moral pública. Eles foram chamados de ateus, ou sonhadores, e sua porção tem sido, por vezes, a prisão.
A retidão de José lhe custou o ódio de seus irmãos, custou-lhe perseguição, prisão, escravidão, mas o Senhor estava com ele. Então, se você tentar fazer o certo, você deve esperar se encontrar com a oposição, com o ridículo, talvez insultos. Alguns o chamarão de hipócrita, ou servo de ocasião, ou estraga-prazeres, porque você evita o caminho da impiedade, e busca a Igreja do seu Deus. O que importa isso? Se você tem o testemunho de uma boa consciência para com Deus, se você pode sentir que o Senhor está com você no caminho pelo qual você está indo, você saberá que é melhor sofrer perseguição com o povo de Deus do que desfrutar o salário do pecado por um certo tempo.
Eu também aprendo da história de José, que nossos problemas e desgraças muitas vezes são bênçãos disfarçadas. Deus nos leva para Si mesmo e para o Céu por caminhos diferentes. Um homem é provado pelas tentações da riqueza, outro pelas provações da pobreza. Mas, para cada cristão o caminho da fé é um caminho difícil, cheio de dificuldades e provações e obstáculos, mas sempre nos leva mais alto, mais perto de Deus. Antes que Moisés pudesse olhar as belezas da Terra Prometida, ele teve que escalar a íngreme subida do Monte Pisga, e antes que possamos ver claramente as coisas concernentes à nossa paz, e as coisas boas que Deus tem preparado para nós, devemos viajar na estrada pedregosa, e suportar as dificuldades como bons soldados de Cristo.
Em José, vemos um tipo de cada cristão. Ele foi odiado por seus irmãos porque ele amava o seu pai, e abominava a iniquidade. Então, se nós amamos o nosso Pai Celestial, haverá uma abundância de nossos irmãos na terra que irão nos odiar por isso. Para José houve a inveja de seus irmãos, o poço significava a sua própria destruição, escravidão, terrível tentação, uma falsa acusação, uma prisão. No entanto, este caminho de sofrimento, de provação, de decepção, de cativeiro, levou-o a um trono, e fez dele governador do Egito; aquele calabouço foi o trampolim para o palácio, os grilhões de ferro estavam levando José para a cadeia de ouro, e para o sinete da mão de faraó. Se José nunca tivesse sido lançado na cova ou vendido aos ismaelitas, ou preso no Egito, ele nunca poderia ter sentado à direita de faraó, e seu pai e irmãos teriam perecido pela fome. Mas essas mesmas dores abriram o caminho para a sua grandeza, e fez dele o salvador, não somente do Egito, mas da casa de seu pai.
Meus irmãos, não murmurem, porque a forma pela qual Deus lhe conduz é uma maneira áspera. O caminho de cada homem verdadeiro através da vida está manchado com sangue e marcado por lágrimas. Deus nos traz em baixas condições, como ele fez com José para ser lançado numa cova. Devemos nos encontrar com as tentações de fogo, para que a nossa fé possa ser provada como num forno, é preciso às vezes sofrer a prisão de homens e falso julgamento, ou a ignorância, ou a injustiça, mas enquanto o Senhor estiver conosco, como foi com José, não precisamos temer nenhum mal. O Senhor, que liberta os homens da prisão nos libertará, se não nesta vida, pelo menos quando a Morte, o Amigo, abrir a porta da prisão, passaremos, como Jesus, nosso Mestre, pelo caminho da tribulação para a glória que será revelada.
"Doces são os usos da adversidade;
Que, como um sapo, feio e venenoso,
não obstante usa uma jóia preciosa em sua cabeça.”
E ainda, eu aprendo da história de José, que uma mudança de fortuna muitas vezes traz uma nova tentação.
José, quando era um simples pastor entre as planícies de Canaã, e habitando entre o seu próprio povo, não foi colocado face a face com a terrível tentação que o esperava na luxuosa casa do egípcio Potifar. José nunca estivera sob tal perigo antes. Quando ele foi lançado na cova ele corria o risco de perder sua vida, mas agora ele estava em perigo de perder a sua alma; quando ele foi levado por seus irmãos para o ismaelitas ele foi vendido como escravo a inimigos, agora ele estava em perigo de ser vendido para ser escravo de maus desejos e paixões e perder a liberdade de inocência que ele nunca poderia recuperar.
Todo jovem quando sai para o mundo, deixando um silêncio, numa boa casa, talvez, para um grande cidade, e na companhia de pessoas, boas, ruins, e indiferentes, se encontrará com uma nova e mais feroz tentação do que ele jamais encontrou antes. Deixe o exemplo de José ajudá-lo a se manter impecável, imaculado pela carne, invicto pelo diabo. O Senhor estava com José em sua hora de provação, Ele estará com você também. José gritou: "Como vou fazer isso, e pecar contra Deus? "
Ah, lembrem-se disto, meus irmãos. Quando você peca, você não somente faz o mal para si mesmo e para outros, mas você peca contra Deus. José fugiu para longe da tentação; na hora da provação devemos fazer o mesmo. Fugir da má companhia, da conversa suja, da bebida forte, dos vícios de toda sorte, da visão impura, do livro e dos entretenimentos vis, afastemo-nos destas coisas como Ló fugiu das ruas da condenada e amaldiçoada Sodoma. Não se permitam procurar lugares de má fama; ou ouvir maledicências; muitos têm morrido como viciados arruinados, sem esperança, que começaram suas carreiras com um olhar sobre as fontes de suas tentações. Você não pode tocar o campo do pecado mesmo com a ponta do seu dedo, sem ser contaminado, você não pode ouvir uma palavra ruim, ou olhar para uma coisa má, sem perder algo de sua pureza. Por isso, eu digo, quando você puder, fuja da tentação, quando isso é impossível, mostrem-se heróis lutadores de Deus, na força de Deus, contra o pensamento mau e o desejo indigno.

"Bravos conquistadores! É para vocês,
essa guerra contra seus próprios afetos,
e o enorme exército dos desejos do mundo."

Ainda, a história de José nos ensina que a riqueza e prosperidade não fazem um bom homem esquecer seus amigos dos dias menos prósperos. José era um bom filho e um bom irmão, quando ele vivia a simples vida de pastor em Canaã. Ele ainda era um bom filho e irmão, quando ele se sentou no seu trono no lindo palácio egípcio, a altura vertiginosa que ele tinha galgado não tinha virado a sua cabeça, ou fez com que não se importasse com a família de onde ele viera. Ele pensou em seu pai, o velho Jacó, que estava de luto por ele entre as tendas de Canaã. Ele se lembrou e perdoou seus irmãos que haviam conspirado contra a sua vida, e lhe vendido como escravo.
Agora, irmãos, poucas pessoas podem experimentar prosperidade súbita e inesperada no caminho certo. Muitos que levavam uma boa vida numa condição humilde, foram estragados por serem transplantados para uma posição de riqueza e influência. A prosperidade tenta um homem muito duramente. Se ele é um bom homem, se o Senhor sempre estiver com ele, como foi com José, está tudo bem, senão, riqueza, posição, poder, geralmente estragam um homem, e o tornam orgulhoso, ocioso, egoísta, injusto. É uma coisa ruim para um homem quando ele se torna muito próspero e não se lembra de onde ele veio, e quando ele se envergonha de seu pai e amigos dos dias anteriores.
José, o grande governante do Egito, não teve vergonha de enviar provisões para o simples velho de cabelos brancos morador em tendas, a quem ele amou e honrou como seu pai. José, que viveu em meio aos luxos da coorte de faraó, enviou alimentos para a família faminta de sua casa.
Finalmente, aprendemos com a história da beleza e da bem-aventurança do perdão. Que imagem no Velho Testamento é mais bonita em sua comovente simplicidade do que a de José chorando pelos seus culpados, mas arrependidos irmãos, e lhes dando as boas coisas do Egito em troca das coisas más que lhe haviam dado? Nós nunca poderemos ser felizes, nós nunca poderemos estar em paz, não poderemos ser prósperos no verdadeiro sentido, a menos que perdoemos livremente todos aqueles quem nos têm ofendido.
Ao longo desta história de José, vemos a sombra de Jesus, o tipo desta compaixão divina que o levou a orar por seus assassinos, que o fez enviar as coisas boas do céu a seus irmãos que passavam fome num mundo de pecado, o que proporciona para nós, que tantas vezes pecamos contra Ele, contra a boa terra de Gósen, Sua Igreja na terra, e o melhor da terra além do "mais querido país que ansiosamente nossos corações esperam."

Tradução e adaptação de um sermão em domínio publico de Harry John Wilmot - Buxton

Harry John Wilmot - Buxton

SALMO 76 – Salmo de Asafe

Este salmo foi composto por ocasião de grande vitória dada por Deus a algum rei de Judá, contra uma investida de uma nação inimiga que viera contra eles com carros e cavalos. Mas Deus lhes tirou o ânimo forte e lhes fez vir um sono profundo que nenhum dos valentes inimigos pôde usar suas próprias mãos na batalha. Deus fizera um milagre notório aos olhos de Judá, e por isso se vestiu das cinzas da ira de Seus inimigos, porque o ódio deles contra o Seu povo foi a causa da própria ruína deles, e as cinzas do que lhes restara da guerra eram a prova do grande poder do Senhor para livrar, e não somente isto, exaltavam o Seu nome.

“Conhecido é Deus em Judá; grande, o seu nome em Israel. Em Salém, está o seu tabernáculo, e, em Sião, a sua morada. Ali, despedaçou ele os relâmpagos do arco, o escudo, a espada e a batalha. Tu és ilustre e mais glorioso do que os montes eternos. Despojados foram os de ânimo forte; jazem a dormir o seu sono, e nenhum dos valentes pode valer-se das próprias mãos. Ante a tua repreensão, ó Deus de Jacó, paralisaram carros e cavalos. Tu, sim, tu és terrível; se te iras, quem pode subsistir à tua vista? Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; tremeu a terra e se aquietou, ao levantar-se Deus para julgar e salvar todos os humildes da terra. Pois até a ira humana há de louvar-te; e do resíduo das iras te cinges. Fazei votos e pagai-os ao SENHOR, vosso Deus; tragam presentes todos os que o rodeiam, àquele que deve ser temido. Ele quebranta o orgulho dos príncipes; é tremendo aos reis da terra.”

Silvio Dutra

SALMO 75 – Salmo de Asafe

Este salmo pode ter sido composto provavelmente no tempo em que Davi assumiu o trono de Israel, quando todos os seus inimigos, especialmente os da casa de Saul, haviam sido subjugados pelo Senhor. Então, pela pena de Asafe, Davi rendeu graças ao Senhor e invocou o Seu nome e declarou as Suas maravilhas, pois havia cumprido tudo o que lhe havia prometido fazer no tempo determinado, julgando retamente a sua causa, especialmente a que tinha em relação a Saul, que o perseguiu injustamente, e lhe injuriou e caluniou chamando-o de traidor. Deus é tão reto Juiz que ainda que a terra vacile e todos os seus moradores, no entanto, ainda assim, o Senhor é poderoso para firmar as suas colunas, tal como estava firmando Israel debaixo do trono de justiça de Davi, depois de tantos anos de conturbação sob Saul. Sendo um Deus poderoso que julga assim com justiça, todo soberbo deveria meditar para não ser arrogante, e os ímpios a não confiarem na sua própria força. Pelo mesmo motivo, ninguém deve andar altivamente, falando com insolência contra o Senhor, porque Ele é uma Rocha que não pode ser derrubada. Não é de nenhuma parte da terra que nos vem o auxílio quando debaixo de grande aflição, porque vem da mão do próprio Senhor o abater e o exaltar a quem quer, porque é o Juiz de toda a terra. É da sua mão que é dado de beber o cálice do vinho da amargura a todos os ímpios do mundo. Por isso Davi reinaria em justiça tal como o Seu Deus, abatendo a força dos ímpios, mas exaltando a força dos justos.

“Graças te rendemos, ó Deus; graças te rendemos, e invocamos o teu nome, e declaramos as tuas maravilhas. Pois disseste: Hei de aproveitar o tempo determinado; hei de julgar retamente. Vacilem a terra e todos os seus moradores, ainda assim eu firmarei as suas colunas. Digo aos soberbos: não sejais arrogantes; e aos ímpios: não levanteis a vossa força. Não levanteis altivamente a vossa força, nem faleis com insolência contra a Rocha. Porque não é do Oriente, não é do Ocidente, nem do deserto que vem o auxílio. Deus é o juiz; a um abate, a outro exalta. Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho espuma, cheio de mistura; dele dá a beber; sorvem-no, até às escórias, todos os ímpios da terra. Quanto a mim, exultarei para sempre; salmodiarei louvores ao Deus de Jacó. Abaterei as forças dos ímpios; mas a força dos justos será exaltada.”

Silvio Dutra

SALMO 74 – Salmo de Asafe

Este salmo de Asafe bem poderia ser unido ao livro das Lamentações de Jeremias, porque trata não somente do mesmo assunto das assolações feitas contra os judeus bem como contra o templo do Senhor.
Assim, este lamento pode ser aplicado à destruição de Jerusalém nos dias de Nabucodonosor, como a qualquer outra assolação sofrida pelos judeus e o seu culto ao Senhor, em qualquer época da história de Israel. O salmista pergunta por que Deus estava rejeitando o Seu povo, no entanto, ele sabia qual era o motivo de tal rejeição, ainda que não de todos os judeus, mas da grande maioria que lhe era infiel. É o sentimento nacionalista que fala neste salmo. Todavia, Deus não age com base nos nossos sentimentos nacionalistas, ou nos de qualquer outra natureza, senão somente baseado na justiça e na verdade. Israel lhe havia virado as costas por séculos, e na Sua bondade sempre chamou o povo ao arrependimento, e lhes advertiu de que suas cidades seriam assoladas e seriam levados em cativeiro caso não se arrependessem, e foi de fato o que Ele fez, e que agora levava Asafe a lamentar pela condição de ruína a que fora deixada a nação de Israel. Asafe argumentou com o Senhor para que se lembrasse da aliança que havia feito com o Seu povo, no entanto, não foi Ele quem fora infiel à aliança, mas Israel. Eles haviam anulado a aliança que havia sido feita através de Moisés, e então já estava em andamento, para ser inaugurada, uma Nova Aliança, conforme havia sido prometida desde Abraão e aos profetas. Deus tornaria a restaurar os judeus que se arrependessem e tornaria a fazer-lhes bem em sua própria terra, tal como tem feito tantas vezes na história daquela nação, todavia, eles experimentariam antes, todo o Seu desagrado para com as suas apostasias.

“Por que nos rejeitas, ó Deus, para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? Lembra-te da tua congregação, que adquiriste desde a antiguidade, que remiste para ser a tribo da tua herança; lembra-te do monte Sião, no qual tens habitado. Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas, tudo quanto de mal tem feito o inimigo no santuário. Os teus adversários bramam no lugar das assembleias e alteiam os seus próprios símbolos. Parecem-se com os que brandem machado no espesso da floresta, e agora a todos esses lavores de entalhe quebram também, com machados e martelos. Deitam fogo ao teu santuário; profanam, arrasando-a até ao chão, a morada do teu nome. Disseram no seu coração: Acabemos com eles de uma vez. Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra. Já não vemos os nossos símbolos; já não há profeta; nem, entre nós, quem saiba até quando. Até quando, ó Deus, o adversário nos afrontará? Acaso, blasfemará o inimigo incessantemente o teu nome? Por que retrais a mão, sim, a tua destra, e a conservas no teu seio? Ora, Deus, meu Rei, é desde a antiguidade; ele é quem opera feitos salvadores no meio da terra. Tu, com o teu poder, dividiste o mar; esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos. Tu espedaçaste as cabeças do crocodilo e o deste por alimento às alimárias do deserto. Tu abriste fontes e ribeiros; secaste rios caudalosos. Teu é o dia; tua, também, a noite; a luz e o sol, tu os formaste. Fixaste os confins da terra; verão e inverno, tu os fizeste. Lembra-te disto: o inimigo tem ultrajado ao SENHOR, e um povo insensato tem blasfemado o teu nome. Não entregues à rapina a vida de tua rola, nem te esqueças perpetuamente da vida dos teus aflitos. Considera a tua aliança, pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de violência. Não fique envergonhado o oprimido; louvem o teu nome o aflito e o necessitado. Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa; lembra-te de como o ímpio te afronta todos os dias. Não te esqueças da gritaria dos teus inimigos, do sempre crescente tumulto dos teus adversários.”

Silvio Dutra

SALMO 72 – Salmo de Salomão

Neste salmo de autoria de Salomão, é proclamada a justiça do reino do Messias, do qual o seu reino pacífico era uma figura. O próprio nome Salomão, que foi um nome dado por Deus ao filho de Davi, significa pacífico; indicando isto que o reino do Messias, que é da casa de Davi será um reino de paz e justiça, tal como foi o reino de Salomão, até antes dele ter se desviado dos caminhos do Senhor.

“Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei. Julgue ele com justiça o teu povo e os teus aflitos, com equidade. Os montes trarão paz ao povo, também as colinas a trarão, com justiça. Julgue ele os aflitos do povo, salve os filhos dos necessitados e esmague ao opressor. Ele permanecerá enquanto existir o sol e enquanto durar a lua, através das gerações. Seja ele como chuva que desce sobre a campina ceifada, como aguaceiros que regam a terra. Floresça em seus dias o justo, e haja abundância de paz até que cesse de haver lua. Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra. Curvem-se diante dele os habitantes do deserto, e os seus inimigos lambam o pó. Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes. E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam. Porque ele acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido. Ele tem piedade do fraco e do necessitado e salva a alma aos indigentes. Redime a sua alma da opressão e da violência, e precioso lhe é o sangue deles. Viverá, e se lhe dará do ouro de Sabá; e continuamente se fará por ele oração, e o bendirão todos os dias. Haja na terra abundância de cereais, que ondulem até aos cimos dos montes; seja a sua messe como o Líbano, e das cidades floresçam os habitantes como a erva da terra. Subsista para sempre o seu nome e prospere enquanto resplandecer o sol; nele sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado. Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, que só ele opera prodígios. Bendito para sempre o seu glorioso nome, e da sua glória se encha toda a terra. Amém e amém! Findam as orações de Davi, filho de Jessé.”

Silvio Dutra

SALMO 65 - Salmo de Davi

Neste salmo Davi declara o perdão de pecados por causa da eleição de Deus. Estes eleitos virão ao Senhor para terem as suas iniquidades perdoadas por Ele. São bem-aventurados porque são escolhidos pelo Senhor para se aproximarem dEle, e para que assistam nos Seus átrios, e ficam satisfeitos com a bondade da casa do Senhor, o Seu santo templo. Estes eleitos de Deus não se encontram apenas em Israel, mas eles vêm do Oriente e do Ocidente, de todos os confins da terra, porque eles veem os sinais do Senhor, e Ele os faz exultar de júbilo. Deus abençoa o Seu povo tornando-o fértil e frutífero, com as chuvas do Espírito, assim como Ele faz com a própria terra regando-a com chuvas e fertilizando-a copiosamente, de modo, que os rebanhos nos campos, e os vales vestidos de espigas, parecem exultar de alegria e cantar diante de Deus e dos homens. Tal é a vida destes eleitos de Deus que também crescem, vicejam e frutificam pelo Seu próprio poder que lhes concede tal graça.

“A ti, ó Deus, confiança e louvor em Sião! E a ti se pagará o voto. Ó tu que escutas a oração, a ti virão todos os homens, por causa de suas iniquidades. Se prevalecem as nossas transgressões, tu no-las perdoas. Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa - o teu santo templo. Com tremendos feitos nos respondes em tua justiça, ó Deus, Salvador nosso, esperança de todos os confins da terra e dos mares longínquos; que por tua força consolidas os montes, cingido de poder; que aplacas o rugir dos mares, o ruído das suas ondas e o tumulto das gentes. Os que habitam nos confins da terra temem os teus sinais; os que vêm do Oriente e do Ocidente, tu os fazes exultar de júbilo. Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces copiosamente; os ribeiros de Deus são abundantes de água; preparas o cereal, porque para isso a dispões, regando-lhe os sulcos, aplanando-lhe as leivas. Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoas a produção. Coroas o ano da tua bondade; as tuas pegadas destilam fartura, destilam sobre as pastagens do deserto, e de júbilo se revestem os outeiros. Os campos cobrem-se de rebanhos, e os vales vestem-se de espigas; exultam de alegria e cantam.”

Silvio Dutra

SALMO 57 – Salmo de Davi quando fugia de Saul na caverna

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades. Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa. Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra; cobre de vergonha os que me ferem. Envia a sua misericórdia e a sua fidelidade. Acha-se a minha alma entre leões, ávidos de devorar os filhos dos homens; lanças e flechas são os seus dentes, espada afiada, a sua língua. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória. Armaram rede aos meus passos, a minha alma está abatida; abriram cova diante de mim, mas eles mesmos caíram nela. Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores. Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva. Render-te-ei graças entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações. Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória.”

Nós usaremos como comentário deste salmo o sermão que Spurgeon escreveu sobre o mesmo, e que estamos apresentando a seguir em forma adaptada:

Quando Davi fez a oração deste Salmo ele estava fugindo de Saul, que o procurava com o exército de Israel para tirar-lhe a vida. Ele estava na caverna de Adulão, onde se juntaram a ele seus pais, seus irmãos e todos os homens que se achavam em aperto, e os endividados e todos os amargurados de espírito – cerca de quatrocentos homens (I Sm 22.1,2).

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e o abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos.” (Is 57;15). O Senhor habita no terceiro céu, mas habita também nos corações dos contritos e abatidos de espírito na terra, que se humilham perante Ele e o buscam. Isto não renova a tua esperança em meio aos teus sofrimentos e problemas? O Altíssimo vem ao teu encontro para te dar livramento. Davi começa muitos Salmos com lágrimas mas os termina com louvor e alegria, isto porque Deus nos visita no meio da nossa tribulação, no meio do nosso clamor angustiado, e nos livra dando-nos um cântico de vitória e de alegria.
Davi orou quando estava na caverna.
Deus ouvirá a oração que for feita na terra, no mar e até no fundo do mar. Ele não é somente Deus das montanhas, mas também dos vales. O trono de graça do Senhor sempre está acessível aos que o buscam com um coração sincero e contrito.
As melhores orações são feitas nas cavernas da aflição porque vêm do profundo do nosso coração. Se alguém esta noite encontra-se em posição em que sua alma esteja angustiada, e sentindo nuvens a cercar o seu coração, este é um momento especial para comunhão e intercessão que prevaleça, para provar a fidelidade de Deus à sua promessa de estar junto do abatido e contrito de coração.
O Salmo 142 começa com Davi dizendo que pediria misericórdia a Deus com sua voz.
Podemos cometer dois grandes erros na aflição. O primeiro está na acomodação ao mal. Na nossa descrença pensando que Deus não está interessado em fortalecer o nosso coração e alegrar a nossa alma. Com isto, não clamamos por socorro como fez Davi. Não oramos. Não confiamos. Não cremos.
O segundo grande erro é o de subestimar a dor. E tocarmos a vida com o coração atribulado julgando que somos mais fortes do que qualquer problema. Davi não tinha vergonha de assumir e reconhecer que há situações que o nosso inimigo, seja ele qual for, e venha na forma que for, é mais forte do que nós. E não temos outra alternativa senão a de recorrer ao auxílio do Altíssimo, do Todo Poderoso. Há um mistério nisto, que Paulo bem conheceu: quando somos fracos então somos fortes. A graça do Senhor se revela poderosa na nossa fraqueza. O ato de prosseguir tentando parecer ser mais fortes do que as forças que nos oprimem e deprimem, pode fazer com que nós, nesta nossa auto-confiança venhamos a ficar amargurados, endurecidos, obstinados e frios. O poder não é nosso e nem das forças que nos assolam, mas é exclusivo de Jesus Cristo. Todo o poder Lhe foi dado nos céus e na terra, Ele tem autoridade sobre tudo e todos. É seu prazer ajudar-nos quando clamamos por socorro.
Assim nossa primeira ocupação é a de recorrer a Deus. Façamos conhecidas de Deus nossas dúvidas e temores. Se tens de sair do teu estado atual de depressão, corra imediatamente para Deus, como fez Davi. Ele diz nos dois primeiros versículos do Salmo 142:
1. Ao Senhor ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao Senhor.
2. Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação.
Se não tens força para clamar com tua voz, ou não há um lugar adequado para tal, clama com o coração, grita com a tua alma, fala com o Senhor em silêncio, mas não deixes de clamar. Contempla somente ao Senhor, porque somente nele há esperança.
Se tens pecado contra Deus, saiba que Ele está disposto a perdoar. Ele pode perdoar completamente a maior das ofensas. Lembra que Jesus pagou com sua morte o preço exigido para o perdão de todos os nossos pecados.
Basta apenas confessar. Davi confessou que estava com o seu espírito abatido. Mas determinou-se não ocultar nada de Deus. Faça o mesmo. Ele diz nos versos 2 e 3 do nosso Salmo.
2. Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação.
3. Quando dentro em mim me esmorece o espírito, conheces a minha vereda. No caminho em que ando me ocultam armadilha.
Quando estamos na caverna da aflição não são palavras religiosas que irão nos ajudar. Não são meras palavras que temos que falar, mas colocar toda nossa angústia diante de Deus. Tal como uma criança devemos dizer ao Senhor todas as nossas angústias, nossas queixas, nossas misérias, temores. Se lhe confessarmos tudo, Ele dará ao nosso espírito um grande alívio, pois tem prometido libertar do cativeiro a alma que lhe clama por socorro na angústia (Sl 50.15).
Vão é o socorro humano quando estamos na caverna. Deus pode levantar homens para virem em nosso auxílio, mas devemos reconhecer que eles não viriam e não agiriam bem em nosso favor se o Senhor não os dirigisse em tal sentido.
É importante destacar que quando Davi fez esta oração ele se encontrava num grande refúgio que era a caverna de Adulão, e estava em companhia de seus familiares e de quatrocentos homens que haviam feito dele o seu chefe, mas Davi sabia que não há segurança confiável em nada neste mundo. E dispôs-se a buscar o único e verdadeiro e seguro refúgio, o Senhor nosso Deus.
É preciso reconhecer como Davi que somente no Senhor há esperança e interesse em socorrer a nossa alma. Por isso ele orou assim nos versos 4 e 5:
4. Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse.
5. A ti clamo, Senhor; e digo: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.
As tribulações aprisionam a nossa alma, colocam-na no cárcere. Ali perdemos a alegria da salvação, porque a alma é como um pássaro que só canta em liberdade. Os grilhões da maldade, da perseguição do inimigo que busca aprisionar a nossa alma, não podem resistir ao poder de Jesus que quebra todas as cadeias que nos prendem, e nos dá perfeita liberdade. Podemos caminhar livremente em Jesus. E por isso Davi orou:
6. Atendes ao meu clamor, pois me vejo muito fraco. Livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu.
7. Tira a minha alma do cárcere, para que eu te dê graças ao teu nome: os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem.
Quando os homens são livrados da prisão, eles agradecem e louvam à pessoa que os libertou. Muito mais nós devemos adorar e louvar a Jesus pela liberdade que Ele nos dá. Devemos glorificar o seu santo nome porque somente ele é digno de adoração.
Há uma coisa para ser conhecida em relação às tribulações que sofremos:
Quando Deus quer fazer grande a uma pessoa, ele primeiro a quebra em pedaços.
Deus queria fazer de Jacó, um príncipe, o que fez o Senhor? Saiu numa noite e lutou com ele até raiar o dia. E lhe tocou no nervo da coxa de forma que ficou manco antes de mudar seu nome para Israel, que significa príncipe de Deus. A luta era para retirar-lhe as próprias forças, e quando estas se esgotaram o chamou de príncipe.
Agora Davi seria rei sobre todo Israel. Por onde passava o caminho para o trono de Davi? Pela caverna de Adulão. Deveria ir para lá, perseguido por Saul, como um pária, um proscrito, porque esse era o caminho que o levaria a ser o rei que era segundo o coração de Deus.
Vocês não têm reparado em suas próprias vidas, que cada vez que Deus vai dar-lhes um crescimento, para lhes levar a uma esfera maior de serviço, ou nível mais elevado na vida espiritual, que primeiro vocês são derrubados? Por isso a Palavra diz que devemos ter por motivo de toda a alegria o passar por várias provações. Porque esta é a maneira de Deus trabalhar conosco. Faz com que tenhamos fome antes de dar-nos de comer. Desnuda-nos antes de vestir-nos. Faz de nós nada, antes de fazer algo de nós.
Por que devemos passar pela caverna como Davi? Primeiro porque para sermos uma pessoa de grande utilidade, Deus precisa antes ensinar-nos a orar. Se chegarmos a ser grandes sem orar, nossa grandeza será nossa ruína. A caverna nos ensina que dependemos inteiramente de Deus e que vão é o socorro do homem e nenhuma é a nossa força.
Há situações na vida em que ficamos totalmente entregues nas mãos de Deus. Dependentes da sua misericórdia e auxílio. Com isso quer nos ensinar a não confiarmos em nós mesmos, em nossa própria força, sabedoria, capacidade.
Mais, acima de tudo isso, o Senhor deseja ser conhecido. Quer que aprendamos que Ele é o nosso melhor amigo. Quer que aprendamos que somente a Ele pertence todo o poder. Quer que aprendamos que Ele é totalmente bondoso, misericordioso, amoroso e fiel.
Por isso Davi disse:
5. A ti clamo, Senhor; e digo: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.
Na aflição da caverna aprendemos a chorar com os que choram. Aprendemos a valorizar o sofrimento dos nossos irmãos e compartilhamos com eles as suas lutas, intercedendo por eles e socorrendo-os em suas tribulações.
Sem a caverna não aprenderíamos nenhuma destas coisas, e por isso somos exortados a sermos gratos a Deus por tudo, e a entender que todas as coisas cooperam juntamente para o bem dos que amam a Deus.
Lembremos que quando Deus nos retirar da caverna, uma vez cessado o perigo, ou por termos recebido forças para enfrentá-lo, devemos vigiar para não sairmos nos lamentando da experiência que passamos, ao contrário o Senhor quer que o louvemos pelo Seu poderoso livramento, porque os que cantam são os que seguem adiante. Fora com todo o pessimismo e nuvens de tristeza que venham sobre nós, depois que temos sido libertados por Deus. Que se encontrem somente palavras de louvor e gratidão em nossos lábios, e outros se juntarão a nós, para receberem da mesma alegria e unção. Davi agia assim e devemos agir do mesmo modo, orando juntamente com ele:
7. Tira a minha alma do cárcere, para que eu te dê graças ao teu nome: os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem.

Silvio Dutra

SALMO 54 – Salmo de Davi

SALMO 54 – Salmo de Davi quando os zifeus o delataram a Saul

“Ó Deus, salva-me, pelo teu nome, e faze-me justiça, pelo teu poder. Escuta, ó Deus, a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca. Pois contra mim se levantam os insolentes, e os violentos procuram tirar-me a vida; não têm Deus diante de si. Eis que Deus é o meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida. Ele retribuirá o mal aos meus opressores; por tua fidelidade dá cabo deles. Oferecer-te-ei voluntariamente sacrifícios; louvarei o teu nome, ó SENHOR, porque é bom. Pois me livrou de todas as tribulações; e os meus olhos se enchem com a ruína dos meus inimigos.”

Nós temos o registro de duas delações realizadas pelos zifeus, a saber, em I Samuel 23.19-29, e em I Samuel 26.1:

“19 Então subiram os zifeus a Saul, a Gibeá, dizendo: Não se escondeu Davi entre nós, nos lugares fortes em Hores, no outeiro de Haquilá, que está à mão direita de Jesimom?
20 Agora, pois, ó rei, desce apressadamente, conforme todo o desejo da tua alma; a nós nos cumpre entregá-lo nas mãos do rei.
21 Então disse Saul: Benditos sejais vós do Senhor, porque vos compadecestes de mim:
22 Ide, pois, informai-vos ainda melhor; sabei e notai o lugar que ele frequenta, e quem o tenha visto ali; porque me foi dito que é muito astuto.
23 Pelo que atentai bem, e informai-vos acerca de todos os esconderijos em que ele se oculta; e então voltai para mim com notícias exatas, e eu irei convosco. E há de ser que, se estiver naquela terra, eu o buscarei entre todos os milhares de Judá.
24 Eles, pois, se levantaram e foram a Zife adiante de Saul; Davi, porém, e os seus homens estavam no deserto de Maom, na campina ao sul de Jesimom.
25 E Saul e os seus homens foram em busca dele. Sendo isso anunciado a Davi, desceu ele à penha que está no deserto de Maom. Ouvindo-o Saul, foi ao deserto de Maom, a perseguir Davi.
26 Saul ia de uma banda do monte, e Davi e os seus homens da outra banda. E Davi se apressava para escapar, por medo de Saul, porquanto Saul e os seus homens iam cercando a Davi e aos seus homens, para os prender.
27 Nisso veio um mensageiro a Saul, dizendo: Apressa-te, e vem, porque os filisteus acabam de invadir a terra.
28 Pelo que Saul voltou de perseguir a Davi, e se foi ao encontro dos filisteus. Por esta razão aquele lugar se chamou Selá-Hamalecote.
29 Depois disto, Davi subiu e ficou nos lugares fortes de En-Gedi.” (I Sm 23.19-29)

Quando Davi se encontrava numa região do deserto de Zife, chamada Horesa, Jônatas veio ao seu encontro para fazer uma aliança com ele perante o Senhor, pois Jônatas viera com o propósito de fortalecer a confiança de Davi em Deus (v. 16) e lhe disse da sua convicção de que não deveria temer a mão de seu pai, Saul, porque sabia que Davi viria a reinar sobre Israel, e que ele havia renunciado à coroa em favor de Davi diante de seu próprio pai.
E Jônatas esperava ser o segundo homem em importância no reino, e não sabia que o Senhor tinha outros planos para ele, pois viria também a morrer numa batalha contra os filisteus juntamente com seu pai, de modo que Davi não ficaria vinculado à casa de Saul quando assumisse o reino, e isto certamente seria feito não porque Jônatas não reunisse qualidades morais e espirituais para estar ao seu lado, mas pela confusão política e a dificuldade que seria a de o povo aceitar que Jônatas, que seria o sucessor legal ao trono, ficar sob as ordens de Davi.
Então o próprio Deus estava se encarregando de acomodar as coisas de tal forma, que não houvesse divisões sérias e profundas que se prolongariam durante todo o reinado de Davi.
Nós veremos que a par de todas estas providências não foi com pouca resistência, que Davi assumiu o reino de Israel, tanto que teve que reinar em princípio, somente sobre Judá, em Hebrom, por sete anos, até que fosse reconhecido por todo o povo de Israel como rei de toda a nação.
Movidos pelo mesmo sentimento dos cidadãos de Queila, os habitantes do deserto de Zife, os zifeus, também denunciaram a presença de Davi entre eles a Saul, mas quando este empreendeu perseguição a Davi e aos seus seiscentos homens, estes já haviam se deslocado para o deserto de Maom, e ainda embriagado com o sangue dos sacerdotes de Nobe e com uma sede ainda maior de sangue Saul insistiu na perseguição e foi também para o deserto de Maom, e enquanto ele e seus homens percorriam um lado do monte em que Davi se encontrava, este com seus homens se deslocavam no lado oposto do monte, de modo que um encontro entre eles seria inevitável, e mais uma vez nós vemos a providência de Deus operando, pois certamente o Senhor incitara os filisteus a atacarem Israel, e isto fez com que Saul tivesse que suspender e adiar a perseguição a Davi, motivo porque aquele lugar foi chamado de Selá-Hamalecote, que é uma palavra hebraica composta que significa Pedra de Escape (v. 28).
Tendo recebido tal livramento da parte do Senhor Davi não tentou a Deus permanecendo ali, e se dirigiu para uma região mais segura chamada En-Gedi (v. 29).
Enquanto Davi estava sendo duramente espiado pelos zifeus para ser denunciado a Saul em todo aquele grande deserto de Judá, ele escreveu as palavras deste Salmo 54 e as do Salmo 63, nos quais vemos que a sua confiança permanecia inabalável em Deus, enquanto homens perversos e interesseiros se levantavam contra ele.
Ele afirma a sua inteira confiança na justiça de Deus para recompensar o justo e castigar os perversos.

Vejamos agora o texto de I Samuel 26.1-11:
“1 Ora, vieram os zifeus a Saul, a Gibeá, dizendo: Não está Davi se escondendo no outeiro de Haquilá, defronte de Jesimom?
2 Então Saul se levantou, e desceu ao deserto de Zife, levando consigo três mil homens escolhidos de Israel, para buscar a Davi no deserto de Zife.
3 E acampou-se Saul no outeiro de Haquilá, defronte de Jesimom, junto ao caminho; porém Davi ficou no deserto, e percebendo que Saul vinha após ele ao deserto,
4 enviou espias, e certificou-se de que Saul tinha chegado.
5 Então Davi levantou-se e foi ao lugar onde Saul se tinha acampado; viu Davi o lugar onde se deitavam Saul e Abner, filho de Ner, chefe do seu exército. E Saul estava deitado dentro do acampamento, e o povo estava acampado ao redor dele.
6 Então Davi, dirigindo-se a Aimeleque, o heteu, e a Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe, perguntou: Quem descerá comigo a Saul, ao arraial? Respondeu Abisai: Eu descerei contigo.
7 Foram, pois, Davi e Abisai de noite ao povo; e eis que Saul estava deitado, dormindo dentro do acampamento, e a sua lança estava pregada na terra à sua cabeceira; e Abner e o povo estavam deitados ao redor dele.
8 Então disse Abisai a Davi: Deus te entregou hoje nas mãos o teu inimigo; deixa-me, pois, agora encravá-lo na terra, com a lança, de um só golpe; não o ferirei segunda vez.
9 Mas Davi respondeu a Abisai: Não o mates; pois quem pode estender a mão contra o ungido do Senhor, e ficar inocente?
10 Disse mais Davi: Como vive o Senhor, ou o Senhor o ferirá, ou chegará o seu dia e morrerá, ou descerá para a batalha e perecerá;
11 o Senhor, porém, me guarde de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor. Agora, pois, toma a lança que está à sua cabeceira, e a bilha d'água, e vamo-nos.” (I Sm 26.1-11)

Quando Saul foi poupado por Davi na caverna, na ocasião que lhe cortou a orla da sua veste, prometeu-lhe que não mais o perseguiria, mas nós o encontramos aqui de novo em perseguição a ele, pois foi incitado pelos zifeus a fazê-lo, uma vez que estes vieram lhe denunciar o local em que Davi se encontrava.
E caindo à noite um profundo sono que vinha da parte do Senhor, sobre Saul e seus homens, Davi desceu ao local onde estavam acampados e pegou a lança e a bilha d'água de Saul, que estava à sua cabeceira e os carregou consigo (v. 12).
Mas antes, Abisai, irmão de Joabe, que o acompanhava pediu-lhe que o deixasse encravar a lança em Saul de um só golpe, porque aquilo, segundo ele, só poderia ser obra de Deus, entregando Saul nas mãos de Davi.
Mas este sabiamente o dissuadiu a não se deixar levar pelas aparências e circunstâncias, mas pela verdade da Palavra, pois a nenhum israelita era dado por Deus agir contra aqueles que Ele havia constituído como autoridade sobre eles e ficar sem culpa.
Então Davi concluiu também sabiamente que o modo de Saul morrer não seria pelas suas mãos ou a de quaisquer dos homens que haviam se juntado a ele, mas isto seria feito por uma obra direta da parte de Deus, como foi o caso de Nabal, ou então Saul morreria de morte natural, ou ainda em campo de batalha contra os inimigos de Israel.
Ele viria a morrer desta última forma citada, e a grande lição que aprendemos com Davi, em resumo, neste aspecto particular, é que o modo de morrer de qualquer pessoa permanece debaixo da exclusiva autoridade de Deus, e não é dado ao homem, que não esteja investido de autoridade para tal, e amparado pela lei, decidir sobre quem deve ou não morrer, ou o modo pelo qual deve morrer.
O profundo sono que o Senhor trouxe sobre os homens do acampamento onde se encontrava Saul, não foi para lhe facilitar as coisas para matá-lo, mas para livrar o próprio Davi de ser surpreendido por eles, e também para colocá-lo à prova quanto ao fato de se obedeceria à Sua vontade ou se agiria seguindo qualquer impulso vingativo de sua própria natureza.
São muitas as situações em que os verdadeiros servos de Deus são colocados à prova, para que se veja se amarão os seus inimigos ou se procurarão se vingar deles quando têm oportunidade para fazê-lo.
Bem irá àquele que não se vingar, porque este não é um mandamento exclusivo da Nova Aliança, pois nós o vemos também no Antigo Testamento:
“Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.” (Lev 19.18).
“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor.” (Rm 12.19).
Temos portanto esta ordem de não nos vingarmos, da parte do Senhor, e como poderíamos agradá-lO, não dando o devido acatamento à Sua Palavra.
Davi decidiu então não seguir a palavra do homem (Abisai) e nem seguir qualquer instinto vingativo em sua própria natureza, mas obedecer à Palavra de Deus.
E é esta a fórmula da verdadeira prosperidade.
Em face da benignidade de Davi demonstrada a ele, o próprio Saul como que profetizou acerca dele: “Bendito sejas tu, meu filho Davi, pois grandes coisas farás e também certamente prevalecerás.” (v. 25).
Nós podemos inferir das palavras do verso 19 que Saul saiu em perseguição a Davi desta vez mais pela incitação dos zifeus e dos homens que estavam com ele, do que pela sua própria iniciativa, e por isso Davi impôs um anátema sobre aqueles que estavam incitando Saul a persegui-lo.
O reino das trevas sempre agirá deste modo, pois quando Satanás perde um instrumento de perseguição ele tentará reavivá-la em outros.
Por isso o cristão deve saber que a sua luta não é contra carne e sangue, para que não pense que ao se apaziguar com alguns de seus inimigos, que a intensidade da perseguição será abrandada, pois isto não se encontra na esfera de iniciativa dos homens, mas do diabo e dos demônios, que se levantam contra os servos de Deus, ainda que os poderes das trevas estejam também debaixo da autoridade do Senhor, não lhes sendo permitido atuar contra os santos senão naquilo que lhes for permitido por Deus.
É provável que o Salmo 54 tenha sido escrito por Davi nesta ocasião pois ele reconheceu na perseguição dos zifeus uma tentativa do diabo em afastá-lo dos termos de Israel, da presença do Senhor, para que indo buscar refúgio em terras estrangeiras viesse a ter que adorar por força das circunstâncias os falsos deuses que eles adoravam, de modo que não fosse acusado de ingratidão da sua acolhida, pela recusa de prestar homenagens aos seus deuses.
É sob esta perspectiva que nós podemos entender o significado das palavras que ele proferiu no verso 19: “Se é o Senhor quem te incita contra mim, receba ele uma oferta; se, porém, são os filhos dos homens, malditos sejam perante o Senhor, pois eles me expulsaram hoje para que eu não tenha parte na herança do Senhor, dizendo: Vai, serve a outros deuses.”.
Como não era certamente o Senhor quem estava incitando aquela perseguição, então esta somente poderia estar sendo movida pelos seus inimigos.

Silvio Dutra

SALMO 52 – Salmo de Davi

SALMO 52 – Salmo de Davi, quando Doegue, edomita, fez saber a Saul que Davi havia entrado na casa do sacerdote Aimeleque

“Por que te glorias na maldade, ó homem poderoso? Pois a bondade de Deus dura para sempre. A tua língua urde planos de destruição; é qual navalha afiada, ó praticadora de enganos! Amas o mal antes que o bem; preferes mentir a falar retamente. Amas todas as palavras devoradoras, ó língua fraudulenta! Também Deus te destruirá para sempre; há de arrebatar-te e arrancar-te da tua tenda e te extirpará da terra dos viventes. Os justos hão de ver tudo isso, temerão e se rirão dele, dizendo: Eis o homem que não fazia de Deus a sua fortaleza; antes, confiava na abundância dos seus próprios bens e na sua perversidade se fortalecia. Quanto a mim, porém, sou como a oliveira verdejante, na Casa de Deus; confio na misericórdia de Deus para todo o sempre. Dar-te-ei graças para sempre, porque assim o fizeste; na presença dos teus fiéis, esperarei no teu nome, porque é bom.”

Nós encontramos o contexto deste salmo em I Samuel 22, cujo texto e comentário estamos apresentando adiante:
I SAMUEL 22
“1 Depois Davi, retirando-se desse lugar, escapou para a caverna de Adulão. Quando os seus irmãos e toda a casa de seu pai souberam disso, desceram ali para ter com ele.
2 Ajuntaram-se a ele todos os que se achavam em aperto, todos os endividados, e todos os amargurados de espírito; e ele se fez chefe deles; havia com ele cerca de quatrocentos homens.
3 Dali passou Davi para Mizpe de Moabe; e disse ao rei de Moabe: Deixa, peço-te, que meu pai e minha mãe fiquem convosco, até que eu saiba o que Deus há de fazer de mim.
4 E os deixou com o rei de Moabe; e ficaram com ele por todo o tempo que Davi esteve neste lugar seguro.
5 Disse o profeta Gade a Davi: Não fiques neste lugar seguro; sai, e entra na terra de Judá. Então Davi saiu, e foi para o bosque de Herete.
6 Ora, ouviu Saul que já havia notícias de Davi e dos homens que estavam com ele. Estava Saul em Gibeá, sentado debaixo da tamargueira, sobre o alto, e tinha na mão a sua lança, e todos os seus servos estavam com ele.
7 Então disse Saul a seus servos que estavam com ele: Ouvi, agora, benjamitas! Acaso o filho de Jessé vos dará a todos vós terras e vinhas, e far-vos-á a todos chefes de milhares e chefes de centenas,
8 para que todos vós tenhais conspirado contra mim, e não haja ninguém que me avise de ter meu filho, feito aliança com o filho de Jessé, e não haja ninguém dentre vós que se doa de mim, e me participe o ter meu filho sublevado meu servo contra mim, para me armar ciladas, como se vê neste dia?
9 Então respondeu Doegue, o edomita, que também estava com os servos de Saul, e disse: Vi o filho de Jessé chegar a Nobe, a Aimeleque, filho de Aitube;
10 o qual consultou por ele ao Senhor, e lhe deu mantimento, e lhe deu também a espada de Golias, o filisteu.
11 Então o rei mandou chamar a Aimeleque, o sacerdote, filho de Aitube, e a toda a casa de seu pai, isto é, aos sacerdotes que estavam em Nobe; e todos eles vieram ao rei.
12 E disse Saul: Ouve, filho de Aitube! E ele lhe disse: Eis-me aqui, senhor meu.
13 Então lhe perguntou Saul: Por que conspirastes contra mim, tu e o filho de Jessé, pois lhe deste pão e espada, e consultaste por ele a Deus, para que ele se levantasse contra mim a armar-me ciladas, como se vê neste dia?
14 Ao que respondeu Aimeleque ao rei dizendo: Quem há, entre todos os teus servos, tão fiel como Davi, o genro do rei, chefe da tua guarda, e honrado na tua casa?
15 Porventura é de hoje que comecei a consultar por ele a Deus? Longe de mim tal coisa! Não impute o rei coisa nenhuma a mim seu servo, nem a toda a casa de meu pai, pois o teu servo não soube nada de tudo isso, nem muito nem pouco.
16 O rei, porém, disse: Hás de morrer, Aimeleque, tu e toda a casa de teu pai.
17 E disse o rei aos da sua guarda que estavam com ele: Virai-vos, e matai os sacerdotes do Senhor, porque também a mão deles está com Davi, e porque sabiam que ele fugia e não mo fizeram saber. Mas os servos do rei não quiseram estender as suas mãos para arremeter contra os sacerdotes do Senhor.
18 Então disse o rei a Doegue: Vira-te e arremete contra os sacerdotes. Virou-se, então, Doegue, o edomita, e arremeteu contra os sacerdotes, e matou naquele dia oitenta e cinco homens que vestiam éfode de linho.
19 Também a Nobe, cidade desses sacerdotes, passou a fio de espada; homens e mulheres, meninos e criancinhas de peito, e até os bois, jumentos e ovelhas passou a fio de espada.
20 Todavia um dos filhos de Aimeleque, filho de Aitube, que se chamava Abiatar, escapou e fugiu para Davi.
21 E Abiatar anunciou a Davi que Saul tinha matado os sacerdotes do Senhor.
22 Então Davi disse a Abiatar: Bem sabia eu naquele dia que, estando ali Doegue, o edomita, não deixaria de o denunciar a Saul. Eu sou a causa da morte de todos os da casa de teu pai.
23 Fica comigo, não temas; porque quem procura a minha morte também procura a tua; comigo estarás em segurança.” (I Sm 22.1-23)

Davi havia se refugiado na caverna de Adulão, quando deixou a cidade de Nobe.
Este capítulo de I Samuel começa com Davi na citada caverna e que seus pais e irmãos vieram ter com ele naquele lugar (v. 1) e que se juntaram a ele todos os que estavam em aperto, todos os endividados e amargurados de espírito, cerca de quatrocentos homens, que deveriam também estar sob algum tipo de ameaça de Saul, assim como também o estava agora a família de Davi (v. 2).
E deste modo, ele começa o seu governo sobre os homens de Israel pelos injustiçados, desamparados, marginalizados.
Nisto ele é tipo de Jesus, que governa sobre os pecadores e especialmente sobre os que choram, sobre os perseguidos, sobre os que têm fome e sede de justiça.
Um rei segundo o coração de Deus não se isolará no conforto do seu palácio, de onde passará apenas a dar ordens tirânicas e autoritariamente, mas será alguém que estará junto do Seu povo, sofrendo e lutando juntamente com ele as batalhas contra o reino espiritual da maldade.
Era exatamente isto que Davi estava aprendendo das circunstâncias que estava vivendo.
Ele teria que se humilhar para prover segurança para os seus pais, e por isso teve que pedir a um rei de uma terra estrangeira, o rei de Moabe, que cuidasse deles até que soubesse o que Deus viria a fazer da sua vida (v. 3, 4).
Nós vemos que o profeta Gade o acompanhava na ocasião do seu período de fuga (v. 5), o qual, provavelmente, por uma revelação divina aconselhou Davi a deixar a segurança da terra de Moabe e que voltasse para a tribo de Judá, na qual ficava a sua cidade de Belém (v. 5). E atendendo às suas palavras, Davi se dirigiu para lá e foi se refugiar no bosque de Herete.
Saul estava acusando Davi injustamente de estar conspirando contra a sua vida e acusou o seu próprio filho Jônatas quanto a ter feito uma aliança com Davi neste sentido.
Aos seus próprios olhos, a sua causa era justa, porque, afinal ele era o rei e havia sido ungido a mando de Deus para ser rei sobre todo Israel.
Como poderia o filho de Jessé se levantar contra ele daquela maneira? No entanto Davi sempre lhe fora leal, e aquela acusação não era procedente de modo nenhum.
Tal era a lealdade de Davi a Saul que o sacerdote Aimeleque testemunhou em favor dela na presença de Saul, com o risco de sua própria vida, e ele foi inteiramente verdadeiro quando lhe disse que nada sabia sobre o assunto de que Davi esta fugindo do rei, porque como vimos antes, Davi lhe havia mentindo que estava em missão secreta naquela região a mando de Saul.
Mas a verdade de Aimeleque soou aos ouvidos de Saul como uma mentira, em razão do grande ódio que ele vinha alimentando contra Davi e considerou que todos os sacerdotes de Nobe estavam aliados a Davi na sua alegada conspiração contra ele.
Com isso, viria a cometer uma grande injustiça e transgressão, pois não somente ordenou a morte de todos os sacerdotes, e não somente matou oitenta e cinco deles, pelas mãos de Doegue, o edomita, tendo escapado apenas um, chamado Abiatar, filho de Aimeleque, que fugira e foi ter com Davi, como também matou à espada homens, mulheres, meninos e até mesmo crianças de peito, bois, jumentos e ovelhas daquela cidade.
O rei que deveria cuidar da segurança do povo do Senhor estava fazendo com grande injustiça, exatamente o oposto do que exigia o seu cargo.
Isto não ficaria sem a devida resposta da parte de Deus, pois os que matam de tal modo injusto, pela espada também serão mortos, como viria a ocorrer mais tarde com Saul, em razão do juízo que o Senhor determinara sobre ele.
Doegue não somente denunciou a Saul que Davi estivera em Nobe com os sacerdotes (v. 9), quando Saul se encontrava em sua cidade de Gibeá, na tribo de Benjamim, como também se encarregou de matar os oitenta e cinco sacerdotes que compareceram à presença de Saul em Gibeá quando os seus soldados israelitas se negaram a fazê-lo por temerem ao Senhor.
O temor que faltava ao rei foi achado nos seus servos.
Isto mostra que a sede de sangue de Saul não teria mais limites por causa do seu ódio a Davi, tanto que ele não se satisfez simplesmente em matar os sacerdotes, como também ordenou que suas tropas se dirigissem a Nobe, para fazer aquela grande assolação à cidade sacerdotal, a que já nós referimos anteriormente.
Os israelitas não somente se negaram a informar a Saul o paradeiro de Davi, como se negaram a matar os sacerdotes do Senhor.
Entretanto, um edomita fez a ambos porque aqueles que não conhecem o temor de Deus não têm as suas consciências perturbadas pelas injustiças que possam cometer, porque a falta do conhecimento do Senhor produz tal cauterização da consciência e dureza de coração.
Estes sacerdotes foram mortos por causa do pecado dos seus pais, porque todos eles eram da casa de Eli, sobre os quais Deus havia pronunciado um juízo, dizendo que todos os da sua casa viriam a ser mortos pela espada, e que não chegariam a envelhecer (I Sm 2.31-33; 3.11-13).
Assim, nós temos uma grande injustiça e impiedade de Saul ao fazer o que ele fez, mas Deus continuou justo ao permitir que tal acontecesse por causa deste juízo que havia sido pronunciado contra a grande impiedade que a casa de Eli praticou contra o ofício sacerdotal.
As consequências do pecado deles estava ainda alcançando os seus descendentes e familiares pertencentes à casa de Eleazar, de modo que todo Israel poderia entender o grande temor e reverência que devia ser prestado ao ofício sagrado do tabernáculo.
Quando Doegue denunciou Davi a Saul, ele escreveu as palavras do Salmo 52, que revelam a sua inteira confiança na justiça de Deus para livrá-lo e para trazer juízos sobre os ímpios que intentavam contra a sua vida.
Nós vemos que a providência divina inspirou tais palavras de Davi, sem que ele citasse o nome de Doegue, que foi quem inspirou na verdade a escrita deste Salmo, mas a verdade que ele contém é uma verdade universal e não apenas uma verdade relativa a uma só pessoa ímpia, no caso a de Doegue.

Silvio Dutra

SALMO 50 – Salmo de Asafe

É de fato admirável, que sem a iluminação do Espírito Santo, o homem não pode entender esta carta escrita por Deus para a humanidade que é a Bíblia.
São tão claras e diretas as advertências que o Senhor faz contra aqueles que colocam sua confiança em ritos e cerimônias religiosas, em vez de uma verdadeira vida piedosa, de um coração transformado e santificado; e todavia muitos não se dão por avisados e continuam pensando que estão agradando a Deus por meramente se submeterem a ritos e cerimoniais religiosos.
O Senhor é juiz de todas estas coisas e dará a cada um conforme as Suas obras, quando julgar o mundo por meio do padrão da vida de Jesus Cristo.
Não era portanto nos animais que eram oferecidos por Israel no Velho Testamento, que eles deveriam fazer o fim mesmo do ato de culto deles a Deus, porque todos os animais pertencem a Ele, e não necessita comer a carne deles e nem beber o seu sangue. Então, o sacrifício no qual eles deveriam concentrar a atenção deles era nas ações de graças e nos votos que tinham para com o Altíssimo, especialmente os relativos ao cumprimento dos Seus mandamentos. Somente agindo assim, invocariam ao Senhor no dia da angústia, e seriam livrados por Ele, e em consequência O glorificariam, como é do Seu propósito em relação ao Seu povo. Mas não deviam contar com isto, enquanto colocassem a confiança deles meramente nos sacrifícios de animais que Lhe ofereciam, e nos demais cultos externos exigidos pela Lei cerimonial, quando os mesmos não eram acompanhados por uma verdadeira piedade de coração. Quanto aos ímpios então, nem sequer lhes daria qualquer atenção quando repetiam os Seus preceitos e afirmavam de boca que estavam aliançados ao Senhor, porque aborreciam a disciplina e rejeitavam as Suas palavras. Eles se compraziam no roubo, e no adultério, eram maldizentes e difamadores, e como poderiam esperar contar com o favor de Deus enquanto permaneciam escravizados a estes pecados e a outros? Então somente àqueles que oferecem sacrifício de ações de graças, pelo reconhecimento de tudo o que o Senhor tem feito, e que preparam o seu caminho para andarem somente nas veredas da justiça, o Senhor daria que vissem a Sua salvação.

“Fala o Poderoso, o SENHOR Deus, e chama a terra desde o Nascente até ao Poente. Desde Sião, excelência de formosura, resplandece Deus. Vem o nosso Deus e não guarda silêncio; perante ele arde um fogo devorador, ao seu redor esbraveja grande tormenta. Intima os céus lá em cima e a terra, para julgar o seu povo. Congregai os meus santos, os que comigo fizeram aliança por meio de sacrifícios. Os céus anunciam a sua justiça, porque é o próprio Deus que julga. Escuta, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu testemunharei contra ti. Eu sou Deus, o teu Deus. Não te repreendo pelos teus sacrifícios, nem pelos teus holocaustos continuamente perante mim. De tua casa não aceitarei novilhos, nem bodes, dos teus apriscos. Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas. Conheço todas as aves dos montes, e são meus todos os animais que pululam no campo. Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém. Acaso, como eu carne de touros? Ou bebo sangue de cabritos? Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo; invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás. Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? Se vês um ladrão, tu te comprazes nele e aos adúlteros te associas. Soltas a boca para o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu irmão e difamas o filho de tua mãe. Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista. Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos despedace, sem haver quem vos livre. O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus.”

Silvio Dutra

SALMO 48 e 49

SALMO 48 – Salmo dos filhos de Core
SALMO 49 – Salmo dos filhos de Core

Estaremos comentando estes salmos em conjunto.
Quão duro e corrompido é o coração carnal para que possa entender qual é a verdadeira natureza da glória. O homem se aplica a fazer coisas grandiosas, espetaculares, para se orgulhar delas e fazer com que seu coração seja inteiramente dominado pela glória destas coisas terrenas que ele fabrica pela sua própria imaginação, engenhosidade e habilidades. Contudo, há uma glória ao redor dele, criada pelo próprio Deus, numa grandiosidade que não pode ser igualada, quer na sua variedade e formas, quer na sua própria essência. Veja as estrelas do céu. O próprio firmamento. As árvores, suas flores e frutos. Os animais que enchem tanto a terra, quanto os mares e os céus. Os minerais em sua grande variedade e preciosidade. Tão grandes e numerosas são as obras de Deus que não podem ser mensuradas. No entanto, não é comum que o homem se glorie nelas, porque afinal, não são obras de suas próprias mãos. Então, endurecido para a beleza da criação, volta-se para se gloriar em coisas efêmeras criadas pelas suas próprias mãos. Isto é uma forma de idolatria. Da pior das idolatrias, porque está centrada no culto de si mesmo, de sua própria inteligência, capacidade e poder. Para estes de nada lhes serve o grande alerta de Deus pronunciado pelo profeta em Sua Palavra: “23 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; 24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” (Jer 9.23,24). Na verdade o homem, em sua presente condição de estar sujeito ao pecado, não tem nada do que se gloriar em si mesmo, senão do que se envergonhar e se humilhar diante do Senhor para que seja purificado dos seus pecados, e assim, sendo preservado, e mantendo o seu coração na humildade, possa fazer uma justa avaliação da verdadeira glória, que se encontra somente no próprio Senhor. Como diz o salmista nestes salmos, que Ele é grande e mui digno de ser louvado na sua cidade, no seu monte belo e sobranceiro que é a alegria de toda a terra, o monte Sião, situado na cidade do grande Rei, a saber, Jerusalém. É somente naquilo que se refere a Deus e que pertence ao Seu culto, que devemos nos gloriar, assim como os israelitas se gloriavam no templo do Senhor, não propriamente pelas edificações propriamente ditas, mas por ser o lugar dedicado ao Seu serviço e adoração. Gloriar-se na construção de templos de pedra é algo que o Senhor não aprova, porque isto é idolatria. Devemos nos gloriar somente nEle. É bom lembrarmos o que Jesus disse aos discípulos, quando maravilhados lhe falavam acerca da beleza do templo de Jerusalém: “1 Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2 Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1,2). Deus não está interessado na beleza exterior das coisas que fazemos, nem mesmo no que diz respeito ao nosso corpo e vestimentas, senão no interior do nosso coração, nas Suas virtudes que o estejam adornando. É neste tipo de beleza que Ele se gloria e acha a verdadeira glória, e não na das coisas que são passageiras, como por exemplo a da própria flor, que tem a sua glória, mas não devemos nos gloriar nelas porque delas é dito que: “Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;” (I Pe 1.24). Falando de flores, os homens costumam usá-las como adorno em seus festejos carnais, nos quais gastam grandes somas de dinheiro, para se gloriarem não propriamente no que fizeram, mas uns sobre os outros, na superação que não tem limite de se desejar mostrar que se é mais do que os outros, naquilo que realizam. Quanta pobreza e miséria há neste modo de pensar, porque as mesmas flores que adornam seus festejos carnais, são também usadas para adornarem suas sepulturas. No entanto, não podem lembrar disso, porque o seu coração não está ligado continuamente na simplicidade que é devida a Cristo, e assim, não conseguem se amoldar às coisas simples, senão às que eles consideram grandes, e que aos olhos de Deus não passam de abominação, por causa do desejo de glória que há em seus corações pervertidos pela soberba. A glória efêmera das torres, dos palácios, das naus terrenas, passará pelo tempo ou pelo juízo de destruição que virá da parte do Senhor sobre toda a terra. Deveríamos ser então sensatos e não colocarmos o nosso coração nas coisas que são da terra, senão nas que são do céu. Aqueles que desejam se tornar poderosos na terra, haverão de ser abatidos pelo Senhor, e aos mansos fará com que herdem a terra para sempre.


Salmo 48

“Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus.
Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei.
Nos palácios dela, Deus se faz conhecer como alto refúgio.
Por isso, eis que os reis se coligaram e juntos sumiram-se; bastou-lhes vê-lo, e se espantaram, tomaram-se de assombro e fugiram apressados.
O terror ali os venceu, e sentiram dores como de parturiente.
Com vento oriental destruíste as naus de Társis.
Como temos ouvido dizer, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus.
Deus a estabelece para sempre.
Pensamos, ó Deus, na tua misericórdia no meio do teu templo.
Como o teu nome, ó Deus, assim o teu louvor se estende até aos confins da terra; a tua destra está cheia de justiça.
Alegre-se o monte Sião, exultem as filhas de Judá, por causa dos teus juízos.
Percorrei a Sião, rodeai-a toda, contai-lhe as torres; notai bem os seus baluartes, observai os seus palácios, para narrardes às gerações vindouras que este é Deus, o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até à morte.”



Salmo 49

“Povos todos, escutai isto; dai ouvidos, moradores todos da terra, tanto plebeus como os de fina estirpe, todos juntamente, ricos e pobres. Os meus lábios falarão sabedoria, e o meu coração terá pensamentos judiciosos. Inclinarei os ouvidos a uma parábola, decifrarei o meu enigma ao som da harpa. Por que hei de eu temer nos dias da tribulação, quando me salteia a iniquidade dos que me perseguem, dos que confiam nos seus bens e na sua muita riqueza se gloriam? Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre.), para que continue a viver perpetuamente e não veja a cova; porquanto vê-se morrerem os sábios e perecerem tanto o estulto como o inepto, os quais deixam a outros as suas riquezas. O seu pensamento íntimo é que as suas casas serão perpétuas e, as suas moradas, para todas as gerações; chegam a dar seu próprio nome às suas terras. Todavia, o homem não permanece em sua ostentação; é, antes, como os animais, que perecem. Tal proceder é estultícia deles; assim mesmo os seus seguidores aplaudem o que eles dizem. Como ovelhas são postos na sepultura; a morte é o seu pastor; eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura é o lugar em que habitam. Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si. Não temas, quando alguém se enriquecer, quando avultar a glória de sua casa; pois, em morrendo, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará. Ainda que durante a vida ele se tenha lisonjeado, e ainda que o louvem quando faz o bem a si mesmo, irá ter com a geração de seus pais, os quais já não verão a luz. O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem.”

Silvio Dutra