Salmos da Bíblia

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Como Vencer o Abatimento de Alma

meditação no Salmo 130

Mesmo uma alma piedosa, depois de muita comunhão com Deus, pode, por causa do pecado, ser trazida a um estado de perplexidade como a que o salmista expressa no início deste salmo.
Mesmo na aliança da graça não há uma provisão de permanente consolação para qualquer pessoa debaixo da culpa de grandes pecados, nos quais elas caíram.
Assim, pelo que significam, tais pecados vêm terrificar a consciência, quebrar os ossos da alma, e colocá-la em trevas, e lançá-la em profundezas insondáveis, apesar do alívio que é provido pelo perdão do sangue de Cristo.
Mas a força de todo e qualquer pecado pode ser debilitada pela graça, contudo a raiz de nenhum pecado será completamente arrancada nesta vida.
Assim, não será algo estranho que em algumas vezes o próprio cristão fiel se encontre nestas profundezas de alma a que se refere o salmista.
A alma regenerada pelo Espírito possui um princípio de graça que opera e trabalha continuamente para preservá-la do pecado.
Então o próprio Espírito Santo que habita no cristão há de incitá-lo a buscar socorro na graça de Cristo, para ser arrancada deste abatimento de espírito.
Quando a presença de Cristo é perdida, pelos sinais visíveis de falta de paz no espírito, devemos nos esforçar com todo empenho para encontrá-lo, porque é nisto que está a cura da nossa angústia.
É preciso crer na sua bondade, graça e misericórdia, e manter o coração firme na fé, ainda que debaixo da fraqueza produzida pelo pecado, porque disto depende a nossa cura.
Este esforço para curar as feridas da alma deve ser empreendido, senão elas se ampliarão até a morte espiritual.
Os ferimentos do pecado devem ser tratados pelo Médico divino, mas Ele não operará se não for procurado.
E esta procura é espiritual em oração e entrega do espírito ao Senhor.
Davi conhecia bem este segredo, e nunca se permitiu ficar nas profundezas por motivo de indolência ou acomodação às enfermidades produzidas pelo pecado.
Ele partia em busca de alívio e de cura nAquele que é o único competente para tratar com os males da alma.
Uma recuperação das profundezas é como uma nova conversão. O Espírito Santo dá às almas um senso renovado para que se apliquem no propósito de buscar a Deus. O trabalho inteiro é dele., mas é nosso dever orar e crer.
Por isso é necessário ter um senso sincero do pecado. E nesta sinceridade devemos reconhecer a nossa culpa no que fazemos, deixamos de fazer ou pensamos, e sem este auto exame e julgamento em razão do pecado não podemos contar com uma confissão sincera que nos habilite ao perdão de Deus.
A condição para o nosso perdão é a confissão. Sem confissão não pode haver perdão. Sem a confissão ficaríamos insensíveis e faríamos pouco caso do pecado. Mas ao termos que declarar as nossas faltas e culpa reconhecemos que Deus é santo e exige santidade de nós. E tratamos o pecado com a devida seriedade com que deve ser tratado.
Devemos nos sujeitar debaixo da potente mão do Senhor, e receber de bom grado os juízos corretivos, por mais que estes nos doam, porque é assim que se acha graça em ocasião oportuna.
Quanto mais tentarmos justificar a nós próprios, maiores abismos se abrirão e engolirão ainda mais o nosso espírito em suas profundezas.
A mão poderosa do Senhor tem o controle de tudo e todos. Ele pode fazer a alma esperar pelo Seu perdão em profundezas pelo tempo que bem Lhe aprouver, de modo que se cumpra todo o Seu propósito.
A misericórdia e o perdão não vêm adiante de Deus como a luz do sol e as ondas do mar, que seguem um curso fixo e pré-determinado.
Isto é mais um fator para reforçar a necessidade do nosso temor e reverência diante dEle.
A andarmos humildemente na Sua presença enquanto aguardamos pelo Seu favor.
É por isso que o seu nome é Senhor.
Ele tem o governo de nossas vidas, e cabe a Ele e não a nós conduzir o nosso caminhar.
Todos os frutos da bondade e graça de Deus são mantidos exclusivamente pela sua própria vontade soberana.
Esta é a Sua grande glória.
Por isso Ele afirmou o que disse em Êx 33.19, quando Moisés lhe pediu que lhe mostrasse a Sua glória (Êx 33.18).
A glória do Senhor está em manifestar a Sua graça e bondade.
Não é de maneira indiscriminada que Ele concede o Seu perdão. Com isto dá grande valor à Sua graça. Ela não é barata porque é graça. Ela não é comum. E faríamos bem em atribuir a ela o mesmo valor que o Senhor lhe dá.
Ela é preciosa para nós, já que Deus tem misericórdia de quem quer ter misericórdia.
Quão grande e permanente gratidão devem demonstrar os cristãos por terem sido alvo de tão precioso favor. Glórias são dadas a Deus no céu e na terra quando Ele manifesta a Sua bondade e misericórdia ao pecador.
Por isso devemos ter paciência e fé, enquanto aguardamos pelo livramento do Senhor, em nos retirar das profundezas em que nos encontramos.
É no próprio Cristo, na comunhão com Ele, que seremos livrados.
Assim, o que o salmista busca é o próprio Deus, é o próprio Jeová que sua alma espera. Não é apenas a graça, a misericórdia ou o alívio considerados de modo absoluto, mas o Deus de toda a graça que devemos esperar com grande expectativa.
O salmista esperava em Deus, e esperava na Sua Palavra, especialmente nas promessas da Palavra e nas suas demonstrações da bondade, misericórdia, graça, generosidade e amor de Deus.
Quando as dificuldades surgem, e em nossos dilemas, tentações e desertos, devemos nos entreter com tais pensamentos sobre o caráter de Deus.
Isto removerá de a impaciência e a ansiedade.

“1 Das profundezas clamo a ti, ó Senhor.
2 Senhor, escuta a minha voz; estejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas.
3 Se tu, Senhor, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá?
4 Mas contigo está o perdão, para que sejas temido.
5 Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra.
6 A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pelo romper da manhã, sim, mais do que os guardas pela manhã.
7 Espera, ó Israel, no Senhor! pois com o Senhor há benignidade, e com ele há copiosa redenção;
8 e ele remirá a Israel de todas as suas iniquidades.”

Silvio Dutra

Alívio Garantido






Temos no Salmo 31 mais uma das orações modelares de Davi que ele costumava fazer quando se encontrava debaixo de aflições e de angústias. Faríamos bem em lhe seguir os passos toda vez em que nos encontramos nas mesmas condições que ele havia experimentado, quando por causa do Seu amor pelo Senhor, muitos lhe armavam laços às ocultas, e nas quais sempre fazia do Senhor a sua fortaleza, e entregava o seu espírito nas Suas mãos para ser livrado.
Ele sabia perfeitamente que era uma coisa vã recorrer a ídolos para receber livramento.
Ao contrário, os laços aumentariam, porque Deus abomina os que adoram ídolos.
Sua confiança estava colocada inteiramente no Deus invisível cuja vontade está revelada na Bíblia.
Ele somente se alegrava e se regozijava quando o Senhor lhe manifestava a Sua benignidade o livrando das mãos dos inimigos, que angustiavam e afligiam a sua alma, e firmando os seus pés num lugar espiritual espaçoso, em que já não podia mais estar sendo oprimido.
A misericórdia do Senhor para com ele era tão grande, que mesmo quando Davi chegava a desesperar da vida, pensando que Ele lhe havia abandonado, e que seria destruído por seus inimigos, o Senhor sempre se manifestava no fim, lhe dando livramento.
De modo que a sua fé nEle, na Sua bondade e misericórdia, aumentava cada vez mais, pois via como Ele envergonhava os perversos, e emudecia os lábios mentirosos que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém.
Davi aprendeu que Deus sempre age assim com aqueles que se refugiam nEle.
Livrava Davi. Livra você. Livra a mim.
Crer no Senhor na hora da aflição é alívio garantido.
Certamente a fraqueza do espírito é mui grande na hora da angústia, e parece não ter forças ou sequer desejo de confiar em Deus e nem em si mesmo, mas é preciso lhe pedir socorro ainda que seja com um sinal de um levantar de um dedo, dizendo: “Senhor olha para mim. Sê o meu auxílio!”
Isto é infalível, porque Ele não se nega a ajudar a qualquer que o busque.
Por isso Davi conclamava todos a amarem ao Senhor, porque Ele preserva os fiéis para Si, para que o amem e o sirvam.
Ele havia aprendido também que a fé é sempre colocada à prova pelo Senhor, nas aflições que sofremos, para que aprendamos a não confiarmos em nossa própria justiça, em nossa santidade, em nossa capacidade, que são muito importantes, mas não para nos livrar no dia da angústia, porque nestas ocasiões temos que colocar toda a nossa confiança no poder de Deus, esperar com fé pela sua resposta e intervenção, clamando-Lhe por socorro.

Silvio Dutra

SALMO 94

Este salmo, como todos os demais salmos chamados imprecatórios, ou amaldiçoadores dos ímpios, somente podem ser compreendidos quando sabemos qual foi o povo que os produziu, a saber a nação de Israel, que desde a sua formação a partir de Abraão, tem sofrido duras perseguições de todas as nações, especialmente no período do Velho Testamento, quando as sofreu no contexto de guerras constantes contra as nações vizinhas. Tal era a crueldade que eles sofreram de tais nações que isto deixou uma marca muito característica neles, que é a de sendo um povo pequeno, de recorrerem sempre a Deus para que não somente os defendesse de seus implacáveis inimigos, como também, que desse cabo deles. O Senhor havia dado aos israelitas, desde Abraão, costumes para serem guardados por eles, totalmente diferentes dos das nações pagãs, e também lhes proibiu que se misturassem com eles, para não serem contaminados por suas práticas, especialmente o que se referia à idolatria. Sendo diferentes foram e têm sido perseguidos, da mesma maneira que o mundo persegue os cristãos que sustentam um testemunho verdadeiramente fiel a Cristo.

“Ó SENHOR, Deus das vinganças, ó Deus das vinganças, resplandece. Exalta-te, ó juiz da terra; dá o pago aos soberbos. Até quando, SENHOR, os perversos, até quando exultarão os perversos? Proferem impiedades e falam coisas duras; vangloriam-se os que praticam a iniquidade. Esmagam o teu povo, SENHOR, e oprimem a tua herança. Matam a viúva e o estrangeiro e aos órfãos assassinam. E dizem: O SENHOR não o vê; nem disso faz caso o Deus de Jacó. Atendei, ó estúpidos dentre o povo; e vós, insensatos, quando sereis prudentes? O que fez o ouvido, acaso, não ouvirá? E o que formou os olhos será que não enxerga? Porventura, quem repreende as nações não há de punir? Aquele que aos homens dá conhecimento não tem sabedoria? O SENHOR conhece os pensamentos do homem, que são pensamentos vãos. Bem-aventurado o homem, SENHOR, a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei, para lhe dares descanso dos dias maus, até que se abra a cova para o ímpio. Pois o SENHOR não há de rejeitar o seu povo, nem desamparar a sua herança. Mas o juízo se converterá em justiça, e segui-la-ão todos os de coração reto. Quem se levantará a meu favor, contra os perversos? Quem estará comigo contra os que praticam a iniquidade? Se não fora o auxílio do SENHOR, já a minha alma estaria na região do silêncio. Quando eu digo: resvala-me o pé, a tua benignidade, SENHOR, me sustém. Nos muitos cuidados que dentro de mim se multiplicam, as tuas consolações me alegram a alma. Pode, acaso, associar-se contigo o trono da iniquidade, o qual forja o mal, tendo uma lei por pretexto? Ajuntam-se contra a vida do justo e condenam o sangue inocente. Mas o SENHOR é o meu baluarte e o meu Deus, o rochedo em que me abrigo. Sobre eles faz recair a sua iniquidade e pela malícia deles próprios os destruirá; o SENHOR, nosso Deus, os exterminará.”

Silvio Dutra

SALMO 93

Este salmo celebra o reino eterno do Senhor, e a glória da majestade deste grande Rei cujos testemunhos são fidelíssimos, e a cuja casa convém a santidade para sempre.

“Reina o SENHOR.
Revestiu-se de majestade; de poder se revestiu o SENHOR e se cingiu.
Firmou o mundo, que não vacila.
Desde a antiguidade, está firme o teu trono; tu és desde a eternidade.
Levantam os rios, ó SENHOR, levantam os rios o seu bramido; levantam os rios o seu fragor.
Mas o SENHOR nas alturas é mais poderoso do que o bramido das grandes águas, do que os poderosos vagalhões do mar.
Fidelíssimos são os teus testemunhos; à tua casa convém a santidade, SENHOR, para todo o sempre.”

Silvio Dutra

SALMO 88 – Salmo dos filhos de Core

Neste salmo, o salmista chora na presença do Senhor pela condição de abatimento extremo da sua alma. Ele sofre pela ausência da comunhão com o Senhor, e pelo sentir da repreensão da Sua ira. Ele sofre porque em vez de se achar em tal condição como se estivesse morto, o seu desejo era o de louvar e exaltar o nome do Senhor. Por isso orou para que os ouvidos do Senhor atendessem ao Seu clamor e que a sua oração chegasse à Sua presença. O salmista encontrava-se solitário, porque até mesmo do consolo da presença dos seus amigos Ele havia sido privado, e considerava que isto havia sido feito pelo próprio Deus. Assim, orava para que fosse libertado de tais sentimentos e para que sua alma voltasse a achar paz e descanso no Senhor.

“Ó SENHOR, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti. Chegue à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor. Pois a minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte. Sou contado com os que baixam à cova; sou como um homem sem força, atirado entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais já não te lembras; são desamparados de tuas mãos. Puseste-me na mais profunda cova, nos lugares tenebrosos, nos abismos. Sobre mim pesa a tua ira; tu me abates com todas as tuas ondas. Apartaste de mim os meus conhecidos e me fizeste objeto de abominação para com eles; estou preso e não vejo como sair. Os meus olhos desfalecem de aflição; dia após dia, venho clamando a ti, SENHOR, e te levanto as minhas mãos. Mostrarás tu prodígios aos mortos ou os finados se levantarão para te louvar? Será referida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade, nos abismos? Acaso, nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a tua justiça, na terra do esquecimento? Mas eu, SENHOR, clamo a ti por socorro, e antemanhã já se antecipa diante de ti a minha oração. Por que rejeitas, SENHOR, a minha alma e ocultas de mim o rosto? Ando aflito e prestes a expirar desde moço; sob o peso dos teus terrores, estou desorientado. Por sobre mim passaram as tuas iras, os teus terrores deram cabo de mim. Eles me rodeiam como água, de contínuo; a um tempo me circundam. Para longe de mim afastaste amigo e companheiro; os meus conhecidos são trevas.”

Silvio Dutra

SALMO 48 e 49

SALMO 48 – Salmo dos filhos de Core
SALMO 49 – Salmo dos filhos de Core

Estaremos comentando estes salmos em conjunto.
Quão duro e corrompido é o coração carnal para que possa entender qual é a verdadeira natureza da glória. O homem se aplica a fazer coisas grandiosas, espetaculares, para se orgulhar delas e fazer com que seu coração seja inteiramente dominado pela glória destas coisas terrenas que ele fabrica pela sua própria imaginação, engenhosidade e habilidades. Contudo, há uma glória ao redor dele, criada pelo próprio Deus, numa grandiosidade que não pode ser igualada, quer na sua variedade e formas, quer na sua própria essência. Veja as estrelas do céu. O próprio firmamento. As árvores, suas flores e frutos. Os animais que enchem tanto a terra, quanto os mares e os céus. Os minerais em sua grande variedade e preciosidade. Tão grandes e numerosas são as obras de Deus que não podem ser mensuradas. No entanto, não é comum que o homem se glorie nelas, porque afinal, não são obras de suas próprias mãos. Então, endurecido para a beleza da criação, volta-se para se gloriar em coisas efêmeras criadas pelas suas próprias mãos. Isto é uma forma de idolatria. Da pior das idolatrias, porque está centrada no culto de si mesmo, de sua própria inteligência, capacidade e poder. Para estes de nada lhes serve o grande alerta de Deus pronunciado pelo profeta em Sua Palavra: “23 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; 24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” (Jer 9.23,24). Na verdade o homem, em sua presente condição de estar sujeito ao pecado, não tem nada do que se gloriar em si mesmo, senão do que se envergonhar e se humilhar diante do Senhor para que seja purificado dos seus pecados, e assim, sendo preservado, e mantendo o seu coração na humildade, possa fazer uma justa avaliação da verdadeira glória, que se encontra somente no próprio Senhor. Como diz o salmista nestes salmos, que Ele é grande e mui digno de ser louvado na sua cidade, no seu monte belo e sobranceiro que é a alegria de toda a terra, o monte Sião, situado na cidade do grande Rei, a saber, Jerusalém. É somente naquilo que se refere a Deus e que pertence ao Seu culto, que devemos nos gloriar, assim como os israelitas se gloriavam no templo do Senhor, não propriamente pelas edificações propriamente ditas, mas por ser o lugar dedicado ao Seu serviço e adoração. Gloriar-se na construção de templos de pedra é algo que o Senhor não aprova, porque isto é idolatria. Devemos nos gloriar somente nEle. É bom lembrarmos o que Jesus disse aos discípulos, quando maravilhados lhe falavam acerca da beleza do templo de Jerusalém: “1 Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2 Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1,2). Deus não está interessado na beleza exterior das coisas que fazemos, nem mesmo no que diz respeito ao nosso corpo e vestimentas, senão no interior do nosso coração, nas Suas virtudes que o estejam adornando. É neste tipo de beleza que Ele se gloria e acha a verdadeira glória, e não na das coisas que são passageiras, como por exemplo a da própria flor, que tem a sua glória, mas não devemos nos gloriar nelas porque delas é dito que: “Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;” (I Pe 1.24). Falando de flores, os homens costumam usá-las como adorno em seus festejos carnais, nos quais gastam grandes somas de dinheiro, para se gloriarem não propriamente no que fizeram, mas uns sobre os outros, na superação que não tem limite de se desejar mostrar que se é mais do que os outros, naquilo que realizam. Quanta pobreza e miséria há neste modo de pensar, porque as mesmas flores que adornam seus festejos carnais, são também usadas para adornarem suas sepulturas. No entanto, não podem lembrar disso, porque o seu coração não está ligado continuamente na simplicidade que é devida a Cristo, e assim, não conseguem se amoldar às coisas simples, senão às que eles consideram grandes, e que aos olhos de Deus não passam de abominação, por causa do desejo de glória que há em seus corações pervertidos pela soberba. A glória efêmera das torres, dos palácios, das naus terrenas, passará pelo tempo ou pelo juízo de destruição que virá da parte do Senhor sobre toda a terra. Deveríamos ser então sensatos e não colocarmos o nosso coração nas coisas que são da terra, senão nas que são do céu. Aqueles que desejam se tornar poderosos na terra, haverão de ser abatidos pelo Senhor, e aos mansos fará com que herdem a terra para sempre.


Salmo 48

“Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus.
Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei.
Nos palácios dela, Deus se faz conhecer como alto refúgio.
Por isso, eis que os reis se coligaram e juntos sumiram-se; bastou-lhes vê-lo, e se espantaram, tomaram-se de assombro e fugiram apressados.
O terror ali os venceu, e sentiram dores como de parturiente.
Com vento oriental destruíste as naus de Társis.
Como temos ouvido dizer, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus.
Deus a estabelece para sempre.
Pensamos, ó Deus, na tua misericórdia no meio do teu templo.
Como o teu nome, ó Deus, assim o teu louvor se estende até aos confins da terra; a tua destra está cheia de justiça.
Alegre-se o monte Sião, exultem as filhas de Judá, por causa dos teus juízos.
Percorrei a Sião, rodeai-a toda, contai-lhe as torres; notai bem os seus baluartes, observai os seus palácios, para narrardes às gerações vindouras que este é Deus, o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até à morte.”



Salmo 49

“Povos todos, escutai isto; dai ouvidos, moradores todos da terra, tanto plebeus como os de fina estirpe, todos juntamente, ricos e pobres. Os meus lábios falarão sabedoria, e o meu coração terá pensamentos judiciosos. Inclinarei os ouvidos a uma parábola, decifrarei o meu enigma ao som da harpa. Por que hei de eu temer nos dias da tribulação, quando me salteia a iniquidade dos que me perseguem, dos que confiam nos seus bens e na sua muita riqueza se gloriam? Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre.), para que continue a viver perpetuamente e não veja a cova; porquanto vê-se morrerem os sábios e perecerem tanto o estulto como o inepto, os quais deixam a outros as suas riquezas. O seu pensamento íntimo é que as suas casas serão perpétuas e, as suas moradas, para todas as gerações; chegam a dar seu próprio nome às suas terras. Todavia, o homem não permanece em sua ostentação; é, antes, como os animais, que perecem. Tal proceder é estultícia deles; assim mesmo os seus seguidores aplaudem o que eles dizem. Como ovelhas são postos na sepultura; a morte é o seu pastor; eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura é o lugar em que habitam. Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si. Não temas, quando alguém se enriquecer, quando avultar a glória de sua casa; pois, em morrendo, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará. Ainda que durante a vida ele se tenha lisonjeado, e ainda que o louvem quando faz o bem a si mesmo, irá ter com a geração de seus pais, os quais já não verão a luz. O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem.”

Silvio Dutra

SALMO 9 – Salmo de Davi

Davi havia vencido muitas guerras. Havia subjugado muitas nações ímpias, inimigas de Israel. Todavia, ele reconhece que todas aquelas vitórias foram, não propriamente suas, mas do Senhor. E ao mesmo tempo reconhece que Ele não é Deus sanguinário, que se agrade da violência e da injustiça. De maneira que foi com justiça e equidade que Davi empreendeu todas as guerras em que teve que se empenhar. Quão diferentemente disto costumam agir todos os demais governantes da terra, que se esquecem do Senhor, da justiça e da benignidade, e que usam da impiedade nas guerras para o aumento da glória do próprio nome deles.

“Louvar-te-ei, SENHOR, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas. Alegrar-me-ei e exultarei em ti; ao teu nome, ó Altíssimo, eu cantarei louvores. Pois, ao retrocederem os meus inimigos, tropeçam e somem-se da tua presença; porque sustentas o meu direito e a minha causa; no trono te assentas e julgas retamente. Repreendes as nações, destróis o ímpio e para todo o sempre lhes apagas o nome. Quanto aos inimigos, estão consumados, suas ruínas são perpétuas, arrasaste as suas cidades; até a sua memória pereceu. Mas o SENHOR permanece no seu trono eternamente, trono que erigiu para julgar. Ele mesmo julga o mundo com justiça; administra os povos com retidão. O SENHOR é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação. Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, SENHOR, não desamparas os que te buscam. Cantai louvores ao SENHOR, que habita em Sião; proclamai entre os povos os seus feitos. Pois aquele que requer o sangue lembra-se deles e não se esquece do clamor dos aflitos. Compadece-te de mim, SENHOR; vê a que sofrimentos me reduziram os que me odeiam, tu que me levantas das portas da morte; para que, às portas da filha de Sião, eu proclame todos os teus louvores e me regozije da tua salvação. Afundam-se as nações na cova que fizeram, no laço que esconderam, prendeu-se-lhes o pé. Faz-se conhecido o SENHOR, pelo juízo que executa; enlaçado está o ímpio nas obras de suas próprias mãos. Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus. Pois o necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se há de frustrar perpetuamente. Levanta-te, SENHOR; não prevaleça o mortal. Sejam as nações julgadas na tua presença. Infunde-lhes, SENHOR, o medo; saibam as nações que não passam de mortais.”

Silvio Dutra

SALMO 3 - com interpretação (nota: todos os salmos estão interpretados)

Salmo de Davi, quando fugia de Absalão

Neste Salmo Davi expressa a sua completa confiança no Senhor, e recebeu dEle paz e força de espírito para não temer a nenhum dos milhares de inimigos que se levantaram contra ele em todo Israel, por causa da conspiração de seu próprio filho Absalão. Ele pede ao Senhor proteção contra os ímpios que se levantaram contra Ele para o matar, mas ao mesmo tempo pede que Deus destruísse os ímpios que intentavam contra a sua vida.

“SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele. Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde. Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados. Levanta-te, SENHOR! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes. Do SENHOR é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção.”

Silvio Dutra

Salmo 116.1-9



“1 Amo o SENHOR, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas.
2 Porque inclinou para mim os seus ouvidos, invoca-lo-ei enquanto eu viver.
3 Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza.
4 Então, invoquei o nome do SENHOR: ó SENHOR, livra-me a alma.
5 Compassivo e justo é o SENHOR; o nosso Deus é misericordioso.
6 O SENHOR vela pelos simples; achava-me prostrado, e ele me salvou.
7 Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o SENHOR tem sido generoso para contigo.
8 Pois livraste da morte a minha alma, das lágrimas, os meus olhos, da queda, os meus pés.
9 Andarei na presença do SENHOR, na terra dos viventes.”

O salmista havia experimentado a bondade de Deus para com ele na resposta que recebeu à sua oração.
Ele, em sua aflição, havia implorado humilde e sinceramente pela misericórdia de Deus, e o Senhor o ouviu, e deu paz ao seu coração.
Deus condescende em se inclinar para atender ao clamor dos aflitos e contritos de espírito. O que dificilmente o homem poderoso se dispõe a fazer, o Rei dos reis e Senhor dos senhores tem prazer em fazer, para atender ao menor de todos os pecadores que recorra a ele em busca de socorro e alívio.
O sofrimento do salmista era assaz extremo porque diz: “Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza.”, mas não se entregou ao desânimo em seu abatimento de alma, senão buscou ao Senhor com a convicção de que somente nele acharia descanso, paz e livramento daquela terrível aflição em que se encontrava.
Fizera isto porque estava experimentado nos socorros que recebera do Senhor no passado, de modo que havia decidido invocá-lo enquanto vivesse neste mundo.
Estava convicto do amor que o Senhor tinha por ele, assim como ele também o amava, e bem conhecia o seu caráter bondoso, misericordioso, justo e compassivo.
Sabia que os olhos do Senhor estão continuamente postos sobre os que são humildes de espírito para levantá-los de suas prostrações de alma, com a sua poderosa salvação, verso 6.
Este é o teor dos Salmos, bem como de todas as Escrituras, a saber, que Deus socorre e se compraz nos que são quebrantados de espírito.
Nada vemos de declarações de ousadas asseverações de que ele está obrigado a atender os nossos pedidos e a honrar a nossa fé. Nada vemos de afirmações ousadas de tomarmos posse das bênçãos que merecemos e que nos são devidas por Deus como um direito que temos para reclamar junto a ele em nossas orações.
Quanto isto está distante do espírito e tom das Escrituras, que nos apresentam como pessoas dependentes inteiramente da misericórdia e da graça de Deus.
Moisés que o diga. Davi que o diga. Paulo e Pedro que o digam. E todos os santos que o digam.
Todas as promessas que Deus nos tem feito, e não as coisas que declaramos serem devidas por ele a nós, são para serem obtidas com a mão humilde da fé, e com base nos méritos exclusivos de Jesus Cristo, por cuja causa, e em nome de quem somos recebidos e atendidos pelo Pai.

Silvio Dutra

“Não me desampares ó Senhor." (Salmo 38.21)



Frequentemente oramos para que Deus não nos desampare na hora da provação e tentação, mas também nos esquecemos que temos necessidade de usar esta oração em todos os momentos .
Não existe nenhum momento em nossa vida, ainda que santa, em que possamos estar sem a sua constante proteção. Seja na luz ou nas trevas, em comunhão ou em tentação, sempre precisamos desta oração: "Não me desampares, ó Senhor". "Ampara-me, e serei salvo."
A criança, ao aprender a andar, sempre precisa da ajuda de alguém. O navio deixado pelo piloto deriva imediatamente do seu curso. Nada podemos fazer sem a ajuda contínua do Alto; seja então esta a sua oração de hoje:
"Não me desampares. Pai, não deixes o teu filho, para que não caia pela mão do inimigo. Grande Pastor, não deixes a tua ovelha, para que não se desvie da segurança do aprisco. Grande Lavrador, não deixes a tua planta, para que não murche e morra. Não me desampares, ó Senhor, agora, e não me desampares, em qualquer momento da minha vida. Não me desampares, em minhas alegrias, para que não dominem o meu coração. Não me desampares, em minhas tristezas, para não murmurar contra ti. Não me desampares no dia do meu arrependimento, para que eu não perca a esperança do perdão, e caia em desespero, e não me desampares no dia da minha maior fé, para que a fé não se degenere em presunção. Não me desampares, pois sem ti sou fraco, mas contigo eu sou forte. Não me desampares, porque o meu caminho é perigoso e cheio de armadilhas, e eu nada posso fazer sem a tua orientação. A galinha não abandona sua ninhada, que tu, então, sempre me cubras com tuas penas, e permita-me encontrar o meu refúgio em tuas asas. Não te afastes de mim, ó Senhor, pois a angústia está perto, porque não há ninguém para ajudar. Não me deixes, nem me desampares, ó Deus da minha salvação!"

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Silvio Dutra

SALMO 123

Quando este salmo foi escrito Israel estava debaixo de grande aflição sob a ameaça de povos inimigos que escarneciam deles e do Seu Deus.
Então elevavam os seu olhos espirituais para os céus, para clamarem pela misericórdia do Senhor, para que lhes desse livramento.

“A ti, que habitas nos céus, elevo os olhos!
Como os olhos dos servos estão fitos nas mãos dos seus senhores, e os olhos da serva, na mão de sua senhora, assim os nossos olhos estão fitos no SENHOR, nosso Deus, até que se compadeça de nós.
Tem misericórdia de nós, SENHOR, tem misericórdia; pois estamos sobremodo fartos de desprezo.
A nossa alma está farta da zombaria dos arrogantes e do desprezo dos soberbos.”

Silvio Dutra

SALMO 122 – Salmo de Davi

Quando este salmo foi escrito por Davi a arca já se encontrava em Jerusalém, e o culto ao Senhor havia sido restaurado no tabernáculo que ele mandara construir para abrigar a arca, e para que oficiassem nele os sacerdotes e levitas.
Nas datas das festas fixas o povo de todas as demais tribos de Israel vinham a Jerusalém, para adorar ao Senhor.
Davi se alegrava como rei em ver o povo do Senhor Lhe rendendo culto de adoração.
Por isso ele conclamava o povo a orar pela paz de Jerusalém, para que se desse continuidade ao culto de adoração que era devido a Deus, e conforme previsto na Lei de Moisés.

“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR.
Pararam os nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém! Jerusalém, que estás construída como cidade compacta, para onde sobem as tribos, as tribos do SENHOR, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR.
Lá estão os tronos de justiça, os tronos da casa de Davi.
Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam.
Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios.
Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti!
Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem.”

Silvio Dutra

SALMO 108 – Salmo de Davi

“Firme está o meu coração, ó Deus!
Cantarei e entoarei louvores de toda a minha alma.
Despertai, saltério e harpa!
Quero acordar a alva. Render-te-ei graças entre os povos, ó SENHOR!
Cantar-te-ei louvores entre as nações. Porque acima dos céus se eleva a tua misericórdia, e a tua fidelidade, para além das nuvens.
Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória, para que os teus amados sejam livres; salva com a tua destra e responde-nos.
Disse Deus na sua santidade: Exultarei; dividirei Siquém e medirei o vale de Sucote. Meu é Gileade, meu é Manassés; Efraim é a defesa de minha cabeça; Judá é o meu cetro.
Moabe, porém, é a minha bacia de lavar; sobre Edom atirarei a minha sandália; sobre a Filístia jubilarei. Quem me conduzirá à cidade fortificada?
Quem me guiará até Edom? Não nos rejeitaste, ó Deus?
Tu não sais, ó Deus, com os nossos exércitos! Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem.
Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo calca aos pés os nossos adversários.”

Este salmo nos faz recordar que Davi era um compositor, cantor e instrumentista ungido, que louvava o Senhor continuamente, especialmente com a harpa.
E isto desde a mais tenra idade, porque era tocando a sua harpa que expulsava os demônios que atormentavam o rei Saul, quando Davi ainda era muito jovem.
Nós temos citações neste salmo de porções dos salmos 57.7,8 :” 7 Firme está o meu coração, ó Deus, firme está o meu coração; cantarei, sim, cantarei louvores. 8 Desperta, minha alma; despertai, alaúde e harpa; eu mesmo despertarei a aurora.”, e 60.5,8: “5 Para que os teus amados sejam livres, salva-nos com a tua destra, e responde-nos. 6 Deus falou na sua santidade: Eu exultarei; repartirei Siquém e medirei o vale de Sucote. 7 Meu é Gileade, e meu é Manassés; Efraim é o meu capacete; Judá é o meu cetro. 8 Moabe é a minha bacia de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato; sobre a Filístia darei o brado de vitória.”
Como já comentamos anteriormente, este Salmo 60 parece ter sido escrito em plena batalha que foi empreendida em várias frentes contra exércitos dos filisteus, moabitas e sobre os siros de Zobá e de Damasco, além de ter feito os edomitas tributários de Israel.
Assim, Davi clamava para que Deus não o rejeitasse e dispersasse as forças dos exércitos de Israel, por algum motivo de indignação da Sua parte, de modo que em vez disto, os restabelecesse, e que no meio dos reveses que havia feito o Seu povo experimentar, e que lhes desse um estandarte, para fazer com que os inimigos de Israel batessem em retirada.
Estas batalhas empreendidas por Davi ilustram a nossa vida neste mundo, em que nossas alegrias nas vitórias que o Senhor nos concede estão misturadas aos reveses constantes que sofremos por causa das investidas do Inimigo.
Somente o Senhor pode libertar o Seu povo dos ataques do Inimigo, e por isso Davi lhe pediu que respondesse à sua oração, e que os salvasse com a Sua destra.

Silvio Dutra

SALMO 107

Nos dois salmos precedentes o salmista celebrou a majestade, o poder, a sabedoria e a bondade de Deus nos Seus procedimentos em relação à criação e ao Seu povo, e neste salmo, ele destaca alguns exemplos da Sua providência e cuidado com os filhos dos homens em geral, especialmente nas suas angústias, porque Ele não é apenas o Deus e Rei de Israel, mas de todas as nações da terra.

“Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre. Digam-no os remidos do SENHOR, os que ele resgatou da mão do inimigo e congregou de entre as terras, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do mar. Andaram errantes pelo deserto, por ermos caminhos, sem achar cidade em que habitassem. Famintos e sedentos, desfalecia neles a alma. Então, na sua angústia, clamaram ao SENHOR, e ele os livrou das suas tribulações. Conduziu-os pelo caminho direito, para que fossem à cidade em que habitassem. Rendam graças ao SENHOR por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens! Pois dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta. Os que se assentaram nas trevas e nas sombras da morte, presos em aflição e em ferros, por se terem rebelado contra a palavra de Deus e haverem desprezado o conselho do Altíssimo, de modo que lhes abateu com trabalhos o coração—caíram, e não houve quem os socorresse. Então, na sua angústia, clamaram ao SENHOR, e ele os livrou das suas tribulações. Tirou-os das trevas e das sombras da morte e lhes despedaçou as cadeias. Rendam graças ao SENHOR por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens! Pois arrombou as portas de bronze e quebrou as trancas de ferro. Os estultos, por causa do seu caminho de transgressão e por causa das suas iniquidades, serão afligidos. A sua alma aborreceu toda sorte de comida, e chegaram às portas da morte. Então, na sua angústia, clamaram ao SENHOR, e ele os livrou das suas tribulações. Enviou-lhes a sua palavra, e os sarou, e os livrou do que lhes era mortal. Rendam graças ao SENHOR por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens! Ofereçam sacrifícios de ações de graças e proclamem com júbilo as suas obras! Os que, tomando navios, descem aos mares, os que fazem tráfico na imensidade das águas, esses veem as obras do SENHOR e as suas maravilhas nas profundezas do abismo. Pois ele falou e fez levantar o vento tempestuoso, que elevou as ondas do mar. Subiram até aos céus, desceram até aos abismos; no meio destas angústias, desfalecia-lhes a alma. Andaram, e cambalearam como ébrios, e perderam todo tino. Então, na sua angústia, clamaram ao SENHOR, e ele os livrou das suas tribulações. Fez cessar a tormenta, e as ondas se acalmaram. Então, se alegraram com a bonança; e, assim, os levou ao desejado porto. Rendam graças ao SENHOR por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens! Exaltem-no também na assembleia do povo e o glorifiquem no conselho dos anciãos. Ele converteu rios em desertos e mananciais, em terra seca; terra frutífera, em deserto salgado, por causa da maldade dos seus habitantes. Converteu o deserto em lençóis de água e a terra seca, em mananciais. Estabeleceu aí os famintos, os quais edificaram uma cidade em que habitassem. Semearam campos, e plantaram vinhas, e tiveram fartas colheitas. Ele os abençoou, de sorte que se multiplicaram muito; e o gado deles não diminuiu. Mas tornaram a reduzir-se e foram humilhados pela opressão, pela adversidade e pelo sofrimento. Lança ele o desprezo sobre os príncipes e os faz andar errantes, onde não há caminho. Mas levanta da opressão o necessitado, para um alto retiro, e lhe prospera famílias como rebanhos. Os retos veem isso e se alegram, mas o ímpio por toda parte fecha a boca. Quem é sábio atente para essas coisas e considere as misericórdias do SENHOR.”

Silvio Dutra

SALMO 138 - Salmo de Davi

Davi rende graças ao Senhor de todo o seu coração por causa dos grandes livramentos que lhe havia dado diante de nações poderosas, que haviam se levantado contra ele, e que foram derrotadas pelo auxílio do Senhor, de modo que ele continuaria louvando ao Senhor na presença dos poderosos que Ele havia subjugado.
Ele se humilharia se prostrando diante de Deus no Seu santuário para louvar a Sua misericórdia e verdade, porque estava cumprindo fielmente cada uma das promessas que Lhe havia feito segundo a Sua palavra.
Sempre que Davi clamava ao Senhor Ele lhe acudia e alentava a força da sua alma atribulada pelas muitas adversidades que teve que enfrentar.
Davi ficava extasiado com a sublimidade de Deus, que apesar de ser excelso, glorioso, atentava para os humildes, e resistia aos soberbos.
Por isso se humilhava perante Ele, porque sabia que enquanto o fizesse Ele levaria a bom termo tudo o que concernisse a ele, especialmente refazendo a sua vida em meio às suas tribulações, porque estenderia a Sua mão poderosa contra a ira dos seus inimigos, e o livraria deles.
Deus faria isto para com ele porque a Sua misericórdia dura para sempre e não desampararia as obras que estavam sendo feitas pelas Suas próprias mãos através da instrumentalidade de Davi.


“Render-te-ei graças, SENHOR, de todo o meu coração; na presença dos poderosos te cantarei louvores.
Prostrar-me-ei para o teu santo templo e louvarei o teu nome, por causa da tua misericórdia e da tua verdade, pois magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra.
No dia em que eu clamei, tu me acudiste e alentaste a força de minha alma.
Render-te-ão graças, ó SENHOR, todos os reis da terra, quando ouvirem as palavras da tua boca, e cantarão os caminhos do SENHOR, pois grande é a glória do SENHOR.
O SENHOR é excelso, contudo, atenta para os humildes; os soberbos, ele os conhece de longe. Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos; a tua destra me salva.
O que a mim me concerne o SENHOR levará a bom termo; a tua misericórdia, ó SENHOR, dura para sempre; não desampares as obras das tuas mãos.”

Silvio Dutra

SALMO 101 – Salmo de Davi

Davi fala neste salmo qual seria a sua atitude como rei, para que Israel andasse nos caminhos do Senhor.
Ele se dispôs a atentar sabiamente ao caminho da perfeição, mas sabia que para isto dependeria de que a presença do Senhor fosse sempre com ele.
Davi havia se determinado ter da porta para dentro de sua casa um coração sincero, e isto significa que nem aos seus íntimos se permitiria usar de alguma falsidade para com eles em nome da familiaridade.
Ele guardaria os seus olhos de contemplarem qualquer coisa injusta, e aborreceria o proceder dos que se desviam, e não permitiria ser influenciado por eles.
Ele guardaria o seu coração de toda perversidade, porque cultivaria um coração puro para com Deus, que não conhecesse o mal por experiência.
Ele não permitiria que escapassem do juízo no seu reino, aos que caluniassem o seu próximo às ocultas, e não toleraria os de olhar altivo e coração soberbo.
Antes, procuraria estar na companhia dos que são fiéis, para que reinassem com ele, habitando em sua corte, e somente aqueles que andassem em caminhos retos, lhe serviriam.
Ele não deixaria que ficassem em sua casa o que usa de fraude, e que profere mentiras, nem sequer permitiria que estivessem em sua presença.
Todos os dias, ele procuraria manter a cidade santa do Senhor livre da influência dos ímpios e dos que praticam a iniquidade, que nela se encontravam.
O mesmo se dará em relação ao reino de Jesus, quando for estabelecido na terra no período do milênio, que será inaugurado por ocasião do Seu retorno, reino este do qual o de Davi era um tipo, porque não herdarão o reino de Deus todos os que se encaixam nas descrições daqueles que Davi afirmou, que não teria a seu lado.


“Cantarei a bondade e a justiça; a ti, SENHOR, cantarei.
Atentarei sabiamente ao caminho da perfeição.
Oh! Quando virás ter comigo?
Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero.
Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam; nada disto se me pegará.
Longe de mim o coração perverso; não quero conhecer o mal.
Ao que às ocultas calunia o próximo, a esse destruirei; o que tem olhar altivo e coração soberbo, não o suportarei.
Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá.
Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude; o que profere mentiras não permanecerá ante os meus olhos.
Manhã após manhã, destruirei todos os ímpios da terra, para limpar a cidade do SENHOR dos que praticam a iniquidade.”

Silvio Dutra

SALMO 99

Como nos salmos precedentes, neste também, todas as nações da terra são conclamadas a honrarem e a louvarem o Senhor, quando Ele estiver reinando em Sião. Servos fiéis do passado que serviram ao Senhor, são aqui citados (Moisés, Arão, Samuel) porque clamavam ao Senhor e eram por Ele ouvidos. São citados para que sigamos o exemplo deles, guardando os Seus mandamentos, porque aos que temem assim ao Senhor, têm os seus pecados perdoados, tal como estes grandes servos do passado tiveram, e assim, a esperança de salvação é segura e garantirá que estejamos de pé, de modo digno diante do Senhor, quando Ele estiver reinando.

“Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra. O SENHOR é grande em Sião e sobremodo elevado acima de todos os povos. Celebrem eles o teu nome grande e tremendo, porque é santo. És rei poderoso que ama a justiça; tu firmas a equidade, executas o juízo e a justiça em Jacó. Exaltai ao SENHOR, nosso Deus, e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés, porque ele é santo. Moisés e Arão, entre os seus sacerdotes, e, Samuel, entre os que lhe invocam o nome, clamavam ao SENHOR, e ele os ouvia. Falava-lhes na coluna de nuvem; eles guardavam os seus mandamentos e a lei que lhes tinha dado. Tu lhes respondeste, ó SENHOR, nosso Deus; foste para eles Deus perdoador, ainda que tomando vingança dos seus feitos. Exaltai ao SENHOR, nosso Deus, e prostrai-vos ante o seu santo monte, porque santo é o SENHOR, nosso Deus.”

Silvio Dutra

SALMO 98

Como os dois salmos precedentes, este também é um prenúncio do futuro reino glorioso do Messias, quando todas as nações da terra o servirão.

“Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória. O SENHOR fez notória a sua salvação; manifestou a sua justiça perante os olhos das nações. Lembrou-se da sua misericórdia e da sua fidelidade para com a casa de Israel; todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus. Celebrai com júbilo ao SENHOR, todos os confins da terra; aclamai, regozijai-vos e cantai louvores. Cantai com harpa louvores ao SENHOR, com harpa e voz de canto; com trombetas e ao som de buzinas, exultai perante o SENHOR, que é rei. Ruja o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam. Os rios batam palmas, e juntos cantem de júbilo os montes, na presença do SENHOR, porque ele vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com equidade.”

Silvio Dutra

SALMO 136

Este salmo é praticamente o mesmo salmo precedente, sendo que é incluída no final de cada verso, a repetição da frase: “porque a sua misericórdia dura para sempre”.

“Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre. Rendei graças ao Deus dos deuses, porque a sua misericórdia dura para sempre. Rendei graças ao Senhor dos senhores, porque a sua misericórdia dura para sempre; ao único que opera grandes maravilhas, porque a sua misericórdia dura para sempre; àquele que com entendimento fez os céus, porque a sua misericórdia dura para sempre; àquele que estendeu a terra sobre as águas, porque a sua misericórdia dura para sempre; àquele que fez os grandes luminares, porque a sua misericórdia dura para sempre; o sol para presidir o dia, porque a sua misericórdia dura para sempre; a lua e as estrelas para presidirem a noite, porque a sua misericórdia dura para sempre; àquele que feriu o Egito nos seus primogênitos, porque a sua misericórdia dura para sempre; e tirou a Israel do meio deles, porque a sua misericórdia dura para sempre; com mão poderosa e braço estendido, porque a sua misericórdia dura para sempre; àquele que separou em duas partes o mar Vermelho, porque a sua misericórdia dura para sempre; e por entre elas fez passar a Israel, porque a sua misericórdia dura para sempre; mas precipitou no mar Vermelho a Faraó e ao seu exército, porque a sua misericórdia dura para sempre; àquele que conduziu o seu povo pelo deserto, porque a sua misericórdia dura para sempre; àquele que feriu grandes reis, porque a sua misericórdia dura para sempre; e tirou a vida a famosos reis, porque a sua misericórdia dura para sempre; a Seom, rei dos amorreus, porque a sua misericórdia dura para sempre; e a Ogue, rei de Basã, porque a sua misericórdia dura para sempre; cujas terras deu em herança, porque a sua misericórdia dura para sempre; em herança a Israel, seu servo, porque a sua misericórdia dura para sempre; a quem se lembrou de nós em nosso abatimento, porque a sua misericórdia dura para sempre; e nos libertou dos nossos adversários, porque a sua misericórdia dura para sempre; e dá alimento a toda carne, porque a sua misericórdia dura para sempre. Oh! Tributai louvores ao Deus dos céus, porque a sua misericórdia dura para sempre.”

Silvio Dutra

SALMO 135

Este salmo exalta o Senhor como o único Deus e Criador, sendo portanto o único digno de adoração e de ser louvado.
O texto do salmo relativo aos adoradores de ídolos é semelhante ao do Salmo 115.
O Senhor deve ser temido especialmente por causa dos Seus juízos, que havia demonstrado abundantemente no passado, quer na destruição das nações pagãs de Canaã, quer nos juízos que trouxe sobre os egípcios nos dias de Moisés.
Ele também julgava a Seu próprio povo Israel, no entanto se compadece daqueles que são Seus servos.


“Aleluia!
Louvai o nome do SENHOR; louvai-o, servos do SENHOR, vós que assistis na Casa do SENHOR, nos átrios da casa do nosso Deus.
Louvai ao SENHOR, porque o SENHOR é bom; cantai louvores ao seu nome, porque é agradável.
Pois o SENHOR escolheu para si a Jacó e a Israel, para sua possessão.
Com efeito, eu sei que o SENHOR é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses.
Tudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos. Faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva, faz sair o vento dos seus reservatórios.
Foi ele quem feriu os primogênitos no Egito, tanto dos homens como das alimárias; quem, no meio de ti, ó Egito, operou sinais e prodígios contra Faraó e todos os seus servos; quem feriu muitas nações e tirou a vida a poderosos reis: a Seom, rei dos amorreus, e a Ogue, rei de Basã, e a todos os reinos de Canaã; cujas terras deu em herança, em herança a Israel, seu povo.
O teu nome, SENHOR, subsiste para sempre; a tua memória, SENHOR, passará de geração em geração. Pois o SENHOR julga ao seu povo e se compadece dos seus servos.
Os ídolos das nações são prata e ouro, obra das mãos dos homens.
Têm boca e não falam; têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem; pois não há alento de vida em sua boca.
Como eles se tornam os que os fazem, e todos os que neles confiam.
Casa de Israel, bendizei ao SENHOR; casa de Arão, bendizei ao SENHOR; casa de Levi, bendizei ao SENHOR; vós que temeis ao SENHOR, bendizei ao SENHOR.
Desde Sião bendito seja o SENHOR, que habita em Jerusalém! Aleluia!”

Silvio Dutra