Salmos da Bíblia

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Salmo 119.36 – Por Thomas Manton – Parte 2

“Inclina o meu coração para os teus testemunhos, e não à cobiça.” (Salmo 119.36).

Tradução e adaptação elaboradas pelo Pr Silvio Dutra, de citações extraídas do comentário de autoria de Thomas Manton, sobre o Salmo 119.36.


Há duas razões adicionais que inclinam o coração do homem ao que é temporal - (1) Inclinação natural, e (2) Costume inveterado.
1. Inclinação natural. Que há uma maior propensão em nós para o mal do que para o bem está claro, não somente pela Escritura, mas pela experiência comum. Agora porque somos assim tão viciosamente dispostos? A alma que foi criada por Deus, não recebeu dele qualquer infusão de mal, porque isto não está de acordo com a santidade da sua natureza divina. Eu respondo - Apesar de a alma ter sido criada por Deus, todavia está destituída de graça ou justiça original e, sendo destituída da imagem de Deus, ou da justiça original, só pode estar envolvida com as coisas presentes e conhecidas, não tendo outra fonte de luz e princípio para guiá-la.
Agora as coisas conhecidas e as coisas presentes, elas são os prazeres do corpo, do homem exterior, riqueza, honra e tudo o que é natural. Agora, quando isto ocupa totalmente a nossa mente, nos afasta do amor e estudo das coisas sobrenaturais. É verdade que estas coisas são boas em si mesmas, mas apesar de serem naturalmente boas, elas se mostram moralmente más quando o amor dessas coisas destrói o amor de Deus, o que deve acontecer se estivermos destituídos da graça. O amor de nós mesmos e pelas coisas exteriores cresce necessariamente excessivo, quando não é guiado e dirigido pela graça.
Tire a luz do ar, e ficará escuro, e quando o sol está baixo, deve ser noite. Assim ocorre se a graça é tirada. A grande obra da graça é fazer de Deus o nosso fim e nosso bom Senhor. Agora, este fim último sendo trocado, todas as coisas devem funcionar necessariamente em desordem com o homem. Por quê? Porque o fim último é o princípio mais universal do qual todas perfeições morais dependem. Veja, como Adão e Eva, depois de terem comido o fruto proibido, perderam a imagem de Deus, e foram poluídos, assim também nós. Por quê? Será que Deus infundiu poluição e imundícia neles? ou tinha o fruto proibido tal qualidade venenosa? Não, o seu fim último foi alterado, que é o grande princípio que atravessa todas as nossas ações, e quando o nosso fim é alterado, então tudo fica em desordem. Eles caíram de Deus, com inveja, falsidade, e desejando o mal para eles, e por instigação do diabo viraram-se para a criação para encontrar a felicidade nela, contra a vontade e ordem expressa de Deus. Assim como o primeiro homem foi completamente pervertido, assim estão todos os homens também totalmente pervertidos, pois o pecado ainda consiste numa conversão de Deus para a criatura, Jer 2.13, 2 Tim 3.4.
Pela troca do nosso fim último toda a bondade moral está perdida, pois todos os meios estão subordinados ao fim último, e são determinados por ele. Agora necessariamente isto estará sem a graça; haverá uma conversão do homem para a criatura e para o corpo, com as conveniências e confortos dos mesmos, o interesse e tudo o que concerne ao corpo será seguido em vez de Deus. Porque quando a alma desce do mundo superior, logo se esquece de sua origem divina, e por estar no corpo, ela se conforma com o corpo, e apenas adere a objetos visíveis e corporais. Como a água, que sendo colocada em um recipiente quadrado, tem uma forma quadrada, em um vaso redondo, tem uma forma redonda, de modo que a alma, sendo infundida no corpo, é liderada por ele, e acomoda todas as suas faculdades e operações para o bem-estar do corpo. E daí vem a nossa ignorância e aversão da alma à santidade, o desregramento de apetite, e inclinação para as coisas sensuais. Em suma, sem a graça, a mente de um homem se precipita às vaidades mundanas. Como a água corre, onde ela encontra uma passagem, por isso a alma do homem, sendo destituída da imagem de Deus, encontra uma passagem para as coisas temporais, e assim funciona dessa maneira.
2. Assim como o homem está, portanto, corrompido e propenso a objetos mundanos por inclinação natural, assim também, pelo costume inveterado.
Assim que nascemos, o nosso apetite sensual, e os primeiros anos da vida do homem são apenas regidos pelos sentidos; e os próprios prazeres são nascidos e criados conosco, e profundamente gravados na nossa natureza; e pela constante vivência no mundo, conversando com objetos corpóreos, a mancha vai crescendo em nós, e por isso estamos mais profundamente pintados e confirmados num quadro mundano, e vivemos em busca de honra, ganho e prazer, de acordo com o temperamento particular de nossos corpos e curso de nossos interesses que atuam em nossas deliberações: Jer 13.23, "Pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? então podereis também vós fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal." O costume é como uma outra natureza. Nós a achamos pela experiência, quanto mais estamos acostumados a qualquer curso de vida, mais nos deleitamos nele, e somos desmamados dele com uma dificuldade muito grande. Todo ato dispõe a alma ao hábito, e depois que o hábito ou costume é produzido, então cada novo ato deliberado acrescenta uma rigidez ou influência duplicada na faculdade em que o costume está assentado; e quanto mais tempo este mau costume continuar mais facilmente somos levados com as tentações que a ele se ajustam, e mais dificilmente somos influenciados pelo que lhe seja contrário. Agora, esta rigidez de vontade num curso carnal é o que a Escritura chama de dureza de coração e um coração de pedra, porque um homem é seduzido por esses costumes, e de todos os costumes, a cobiça ou o mundanismo é o mais perigoso. Por quê? Porque este é um pecado de mais crédito e de menos infâmia no mundo, e isso vai multiplicar ainda mais seus atos na alma, e operará incessantemente: "têm o coração exercitado na avareza," 2 Pedro 2.14.
Bem, então, essas paixões (cobiças) sendo nascidas e criadas conosco desde a nossa infância, se estabelecem como uma regra. A fé em Cristo, que vem depois, e nos encontra tendenciosos e predispostos a outras inclinações, que, em razão do uso prolongado não são facilmente quebradas e lançadas fora; assim como nas tentações, às quais seremos chamados, ou que começaremos a nos aplicar nos caminhos da vida, estaremos facilmente sensíveis quanto a esta rigidez do coração e obstinação que nos conduzem por um outro caminho.
Em terceiro lugar, o coração estando, portanto, profundamente comprometido com as coisas temporais, ou coisas terrenas, não pode ser guiado por aquilo que é espiritual e celestial, pois Davi propõe essas coisas aqui como sendo inconsistentes, “para os teus testemunhos Senhor, e não para a cobiça.”. Se o coração estiver viciado em coisas mundanas, estará necessariamente avesso a Deus e aos seus testemunhos, pois a tendência habitual do coração para qualquer pecado é incompatível com a graça ou a obediência completa à vontade de Deus. Aquilo para o que o coração estiver inclinado terá o seu trono. Agora, quando indagamos pela graça; temos ou não a graça? tenho a obra de Deus em meu coração? a questão não é o que há de Deus no coração, mas se Deus tem o trono. Algo de Deus está no coração do homem mais perverso que existe, e algo do pecado no melhor coração que existe; por isso qual caminho é a tendência, a inclinação habitual e predominante da alma? Quem que tem o domínio? “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” Rom 6.14. O que tem a prevalência do coração? Embora a consciência tome partido de Deus, como pode tomar fortemente em um homem mau, ainda qual é o caminho para o qual se inclinam as nossas almas? E, assim como todo pecado, em seu reinado é inconsistente com a graça, assim muito mais são as afeições mundanas: Mat 6.24, "Ninguém pode servir a dois senhores".
Você não pode estar inclinado a Deus e ao dinheiro: 1 João 2.15: "Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele."
Em quarto lugar, este quadro de coração não pode ser alterado até ser mudado pela graça de Deus. Por quê? Porque não há qualquer princípio remanescente em nós, que possa alterar este quadro, ou nos tornar insatisfeitos com nosso estado presente, assim como para cuidar de outras coisas, que possam quebrar a força de nossas inclinações naturais e habituais. Há três coisas que se posicionam contra a mudança do coração para Deus.
1. Há a nossa natureza, que nos leva totalmente a favor da carne, e desordenadamente para buscar o bem do corpo. Agora, a natureza não pode subir mais alto do que si mesma, e se aplicar a coisas que estão acima de sua esfera; como a água, que não pode subir mais alto do que a sua fonte. Nossas ações não podem exceder o seu princípio, que é o amor próprio. Mas, além disso,
2. Há o costume adicionado à natureza, que a torna mais endurecida e obstinada; de modo que se pode supor que a consciência é sensível de nosso erro e escolha errada, e algumas considerações de peso devem ser propostas para nós, pois é fácil mostrar que as coisas eternas são muito melhores do que as coisas temporais, e as coisas espirituais do que as carnais - se a consciência, eu digo, deve entrar, e representar o estado doentio no qual nos encontramos, e ainda, porque a postura de nossos corações nos conduz habitualmente de outro modo, estamos não inclinados a Deus ou ao que concerne à vida eterna; porque não será o mero argumento que fará isto.
Com toda a razão um bem menor não deve ser preferido a um maior; e os prazeres mundanos, que não são apenas inferiores e turvos, mas também passageiros, e que dão ocasião a muitos males para nós, estes não devem ser preferidos antes que a felicidade eterna. Mas aqui reside a nossa miséria, embora os prazeres que nos afetam sejam de menor valor em si mesmos, mas a nossa propensão habitual e inclinação habitual para eles é maior.
3. Há a maldição de Deus, ou duras penas. Porque assim como a natureza cresce em costume, pelos nossos pecados costumeiros Deus é provocado, e retira essas influências comuns da graça pelas quais nossa condição poderia ser melhorada, e na aplicação da Sua justiça ele deixa os nossos corações entregues a si mesmos; Oseias 4.17, "Efraim está entregue aos seus ídolos, deixa-o”, Sl 81.12, “Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos.” Assim deixamos de ter aqueles avisos frequentes e dores de consciência, e os bons pensamentos como antes. "Deixe-o sozinho"; a Providência o deixou só, a consciência, o deixou sozinho, e o pecador é deixado à sua própria vontade. Portanto, de todo o trabalho o que restou foi ser deixado sozinho por Deus, o único que tem poder para perdoar, e para curar a têmpera de nossos corações, ele tem autoridade para tirar essa dura sentença judicial que como um juízo pode continuar sobre nós, e em razão do que os santos se expressam com estas palavras: "Inclina o meu coração para os teus testemunhos,". E vemos assim que Deus tem poder para tirar a dureza natural e habitual que está em nós: "Porque o coração do homem está na sua mão, como os rios de água", Prov 21.1, e pode tão facilmente nos chamar para o bem, assim como a água segue o curso que foi cavado para ela.
Davi diz aqui: “Senhor, incline o meu coração”, e em 1 Reis 8.58: " a fim de que a si incline o nosso coração, para andarmos em todos os seus caminhos e guardarmos os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, que ordenou a nossos pais." Somente a operação de Deus pode dobrar a vara torta para o outro lado. Mas você vai dizer que este trabalho às vezes é atribuído ao homem, por exemplo, no verso 112 deste salmo: “Eu inclinei o meu coração para guardar os teus estatutos, para sempre, até o fim”, e Josué 24.23 “Inclinai o vosso coração ao Senhor Deus de Israel."
Eu respondo - Estas passagens apenas enfocam a nossa operação subordinada, ou o movimento voluntário e resoluto de nossa parte. Quando Deus nos dobrar e inclinar para fazer a sua vontade, quando Deus colocar o nosso amor para agir, e nos posicionar no que é espiritual e bom, então vamos nos inclinar, e dobrar nossos corações desta maneira. De modo que todas essas expressões não implicam uma cooperação, mas a operação subordinada por parte do homem.
(Há um dito popular não bíblico: “faça a tua parte que Deus fará a dele”. Nossa parte é permitir sermos dobrados e movidos por Ele, e não fazer algo específico e diferente do que Ele faz. Nossa parte é crer e obedecer, conforme somos capacitados pela graça – nota do tradutor)
Em quinto lugar, nesta mudança há um enfraquecimento da antiga inclinação para as vaidades carnais, e há um novo pendor de coração derramado sobre nós. O coração é retirado do amor aos objetos terrenos, e então é fixado naquilo que é bom e eterno: Deut 30.6: "O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas.”. Em primeiro lugar, há uma circuncisão, a poda da carnalidade do coração e, depois, um amor sincero a Deus. Assim lemos em Ezequiel 36.26,27, “tirarei o coração de pedra da vossa carne, e porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos.” Primeiro, a indocilidade da vontade e dos afetos é removida e, em seguida, um coração nos é dado, que é capacitado e maleável para os propósitos da graça. Primeiro, as ervas daninhas são arrancadas, então é plantada em nós a santa semente. Ou então nós “tiramos o velho”, e então “colocamos o novo”, Ef 4.22,23. A corrupção inata natural, que diariamente cresce cada vez pior, é cada vez mais removida, assim com nos despimos da roupa velha para vestirmos a nova.
Em sexto lugar, quando nossos corações são assim mudados, eles estão sempre prontos para retornarem às suas antigas inclinações. Porque Davi, sendo um homem renovado, falou assim com Deus: "Ó Senhor, incline o meu coração para os teus testemunhos, e não para a cobiça." Ele viu o seu coração se entortando novamente, e sendo sensível à infecção, recorreu a Deus. A inclinação que há neles para o mal não está tão perdida para o melhor dos filhos de Deus, e ela retornará, a menos que Deus ainda nos atraia a Si. A esposa de Cristo, aqueles que já se encontram em comunhão com ele, dizem: "Atrai-me”. Este não é um trabalho para ser feito uma única vez e não mais, mas deve ser renovado muitas vezes e repetido na alma, pois existem alguns resquícios de nossa aversão natural, para com Deus, e inimizade para com o jugo da sua palavra, ainda deixados no coração: Gál 5.17, "a carne luta contra o espírito”. Existem dois princípios ativos dentro de nós, e eles estão sempre em guerra um contra o outro. Portanto, há necessidade não somente de estarmos inclinados em primeiro lugar, e atraídos para Deus, mas temos de ir a ele de novo e de novo, e orar a ele diariamente para que ele continue mantendo a tendência de nossos corações na retidão, e enfraqueça as afeições carnais.

Thomas Manton

Thomas Manton

Salmo 119.28 – Por Thomas Manton – Parte 2

“A minha alma se consome de tristeza; fortalece-me segundo a tua palavra.” (Salmo 119.28)

Tradução e adaptação elaboradas pelo Pr Silvio Dutra, de citações extraídas do comentário de autoria de Thomas Manton, sobre o Salmo 119.28.

Vejamos agora, em segundo lugar, a petição de Davi dirigida a Deus, “fortalece-me segundo a tua palavra.” Onde temos:
1. O próprio pedido.
2. Um argumento para aplicá-lo.
Em primeiro lugar, o pedido em si, "Fortalece-me”, que é o benefício solicitado.
Doutrina 1. Observe que o que ele faz agora é abandonar a visão de um pedido de segurança temporal, mas em todo o tempo o seu principal desejo é por graça e por apoio ao invés de libertação.
Para os filhos de Deus, a principal coisa que o seu coração busca é sustentação e apoio espiritual ao invés de libertação: Sl 138.3, “No dia em que eu clamei, tu me acudiste e alentaste a força de minha alma.” Veja que Davi buscava uma audiência, para ser ouvido em oração; ele não pensava em libertação, e ainda assim ele tinha a experiência de conforto interior, era isso que o sustentava.
Os filhos de Deus se avaliam pelo homem interior, ao invés do exterior. Davi aqui ora por si mesmo, Paulo ora por outros: Ef 3.16, “para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior;”. Sim, eles estão contentes com os decaimentos do homem exterior, a fim de que o homem interior possa aumentar em força: 2 Coríntios 4.16, "Embora o nosso homem exterior se corrompa, contudo o homem interior se renova de dia em dia." O homem exterior na linguagem de Paulo é o corpo, com todas as suas conveniências e propriedades, como saúde, beleza, força, riqueza, tudo isso é o homem exterior. Agora, isso não é o desejo de um cristão, prosperar no mundo, ou fazer um show de boa aparência na carne, não, mas seu coração está voltado para crescer mais forte no espírito, para que a alma, como que adornada com as graças do Espírito Santo, possa prosperar, este é o homem interior.
Insistamos um pouco mais sobre este ponto:
1. É o homem interior, que é estimado por Deus, e, portanto, é dele que os santos, principalmente, cuidam. Deus não olha para os homens de acordo com sua condição externa, pompa e aparências do mundo, mas de acordo com os dons interiores do coração: 1 Sam 16.7, "Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.”. Do homem interior é dito em 1 Pe 3.4, que é “de grande valor diante de Deus”. Deus considera os homens pela alma, quando está fortalecida com graça.
2. O bem-estar eterno de toda pessoa depende do florescimento do homem interior. Quando jogamos fora a vestimenta superior, a pobre alma ficará desamparada, nua e sem porto, se não fizermos qualquer provisão para isto, 2 Coríntios 5.3, e então, o corpo e a alma são desfeitos para sempre.
Para onde irá a alma que é lançada fora, se ela não tiver uma morada eterna no céu para recebê-la?
3. A perda do homem exterior pode ser recompensada e isto é feito pela força da graça que é colocada no homem interior, mas a perda do homem interior não pode ser compensada pelas perfeições do homem exterior. Um homem que sofre em sua condição exterior, pode ser elevado por Deus em graça; se ele é rico na fé, e os filhos de Deus podem achar consolo no fato de o seu homem interior ser fortalecido e renovado dia após dia, 2 Coríntios 4.16, de modo que um homem pode ser feliz apesar das rupturas da paz feitas no seu homem exterior.
A vida espiritual interior é chamada de a vida de Deus, Ef 4.18. A vida interior é o início de nossa vida no céu. Tanto vivem a vida de Deus, um santo glorificado no céu e um santo militante sobre a Terra; e a vida da graça é o mesmo tipo de vida, mas não em grau; e o que é glorificado e o que se encontra aqui na Terra são diferentes, assim como uma criança difere de um adulto.
Aplicação. O uso disto é verificar o nosso absurdo cuidado carnal para com o homem exterior, em detrimento do interior. Quando não somos tão cuidadosos em provermos a alma com graça, e sermos fortalecidos e renovados pelas influências contínuas de Cristo.
Você pode conhecer a desproporção de seu cuidado para com as coisas exteriores e para o homem interior, por essas razões que apresentamos a seguir:
1. Quanto você preza do dia do Senhor, os meios da graça, as oportunidades de culto, que são para o homem interior? O dia de domingo é um dia de festa para as almas. Agora, quando os homens estão cansados disso, é o dia mais pesado de toda a semana. É um sinal de que são carnais, quando os homens pensam que o domingo consagrado a Deus é um dia perdido para eles, e eles olham para o domingo como uma interrupção melancólica de seus assuntos e negócios.
2. Que cuidados você tem para com o homem interior, para adornar a alma, para embelezá-la com graça, que é de grande valor para Deus, ou para fortificá-la com graça? Agora, quando toda a nossa força e trabalho são utilizados para não nos conduzir à vida interior, Isaías 55.2, e empregamos todo o nosso dinheiro naquilo que não é pão para o espírito, é um sinal de que somos totalmente carnais.
3. Você tem um refrigério espiritual, mesmo quando as aflições abundam? 2 Coríntios 1.5, “Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.”, então você demonstra ser como os filhos de Deus, cujo coração e cuidado estão focados no homem interior.
Doutrina 2. Em segundo lugar, mais especialmente, observe que Davi recorre a Deus para ser fortalecido. Deixe-me mostrar:
1. O que é essa força espiritual.
2. Como ela é dada.
3. Como Deus está presente na mesma. Davi vai a Deus: “Senhor, fortalece-me.”
Primeiro, então, o que é essa força espiritual. Ela é o aperfeiçoamento de Deus da sua obra. A força pressupõe vida, portanto, em geral, ela é a renovada influência de Deus; quando ele tem plantado hábitos de graça, ele vem e fortalece. Em primeiro lugar Deus infunde a graça e depois a confirma. Em primeiro lugar, somos objeto de seu trabalho, em seguida, instrumentos, para mostrar onde reside a força da alma.
1. Os hábitos da graça são plantados na alma. Não são apenas altas operações da graça, mas os hábitos permanentes e fixos, a semente de Deus, que permanece dentro de nós, 1 João 3.9 - isto não é a habitação do Espírito Santo propriamente dita, ou seja, o próprio Espírito Santo com sendo a semente de Deus que permanece em nós, pois esta semente é alguma coisa criada: Sl 51.10, "Cria em mim um coração puro, oh Deus”, e é alguma coisa que cresce: 2 Pedro 3.6, "crescei na graça". E, portanto, é evidente que há hábitos da graça plantados na alma, um bom estoque que temos de Deus em primeiro lugar, chamado de "o bom tesouro do coração", Mateus 12. Estes hábitos da graça são chamados de “armadura de Deus”, “o escudo da fé”, “o capacete da salvação”. Esta é a força da alma.
2. Mas, além disso, há uma continuidade e um aumento dessas graças, quando o Senhor confirma o seu trabalho, e aperfeiçoa o que ele tem começado, Fp 1.16. O apóstolo o define principalmente em 1 Pedro 5.10, "Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar, fortificar e fundamentar.” Todas estas palavras dizem respeito ao hábito, ou à semente da graça na alma; e para mostrar a participação de Deus para nossa preservação no estado espiritual, ele se serve destas palavras: “aperfeiçoar”, que significa a adição de graus que ainda estão faltando; "confirmar", que indica a defesa da graça que já está plantada no coração, da tentação e de perigos; "fortificar", isto é, dar-lhe o poder de ação ou capacidade para o trabalho, e "fundamentar”, que é para fazer a raiz crescer e se fixar mais e mais.
3. Há uma participação de Deus no ato. A graça em hábito não é suficiente, mas deve ser aumentada e dirigida. Sobre o ato, há duas coisas: o Espírito Santo opera a graça que é implantada, e a coloca em exercício, por isso, se diz em Fp 2.13: "É Deus que opera em vós tanto o querer como o realizar", ou seja, ele aplica a graça em nosso coração, e a põe em operação, e, então, há um direcionamento ou regulação da alma para a ação: 2 Ts 3.5, “O Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus" etc.
Em segundo lugar, vejamos os usos para os quais nós temos essa força de Deus. Ela serve para três usos - para a ação, para o sofrimento, e para superação de conflitos; porque assim como as nossas necessidades são muitas, assim também deve ser a nossa força.
1. Força para desempenhar deveres. O cansaço e o desconforto logo cairão em nossos corações, e vamos nos afastar de Deus, se o Senhor não colocar uma nova força e uma nova vivificação em nossos corações.
Se quisermos ser operosos com fervor e em qualquer movimento em direção a Deus, devemos ir adiante na força de Deus. A alma é uma coisa tenra, e logo se desconcerta. Portanto, a obra de Deus deve sempre ser feita na força de Deus.
2. Força para suportar os fardos com paciência, para que não desmaiemos sob eles: Col 1.11, "fortalecidos com todo o poder, segundo a sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo." Para que não desmaiemos em nossa aflição: Prov 24.10: "Se te mostrares fraco no dia da angústia, a tua força é pequena." Filhos de Deus, antes de irem para o céu, terão suas provas, eles terão muitos fardos sobre eles: Heb 6.12, "Sede imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas." É preciso não somente a fé, mas paciência. Agora, um fardo pesado precisa ter bons ombros. Oramos para ter força, para que possamos romper as dificuldades e aflições que encontraremos em nossa jornada para o céu.
3. Força para os conflitos, para que possamos enfrentar as tentações. Um cristão não deve apenas usar a colher de pedreiro, mas a espada. Não podemos pensar em cumprir deveres ou suportar aflições sem uma batalha e conflito; por isso precisamos da força da graça do Senhor para nos sustentar. Satanás é o grande inimigo com o qual lutamos, ele é o gerente da tentação. Este é o curso disto; o mundo é a isca; a carne é o traidor que funciona dentro dos homens, o qual dá vantagem a Satanás; o mal jaz escondido, e procura por coisas mundanas para afastar o nosso coração de Deus. Agora, somos assaltados por todos os lados, às vezes, pelos prazeres do mundo, às vezes pelas cruzes do mesmo, de modo que um cristão precisa estar apto para todas as condições: Fp 4.13, “Tudo posso em Cristo que me fortalece”, porque por todos os meios o diabo tentará nos levar a pecar.
Agora, esses conflitos são, em qualquer caso, ou solicitações para o pecado, ou eles tendem a enfraquecer o nosso consolo; e em ambos os casos é preciso ter força de Deus.
Vejamos agora, em terceiro lugar, como Deus está interessado nisto. Davi vai a Deus para receber este benefício: "Senhor, dá-me força." Do primeiro ao último é ele que faz tudo. Não ficamos de pé pela estabilidade de nossas próprias resoluções, nem pela estabilidade dos hábitos da graça plantados em nós mesmos, a menos que o Senhor nos dê nova força.
Nossas próprias resoluções estão prestes a falhar, porque Davi estava resolvido em se manter perto de Deus, mas ele diz: "Meus pés tinham quase escorregado.” O que o manteve? "A tua destra me sustentou.”
Nem é a estabilidade dos hábitos da graça em si, por si só, porque são coisas que se desvanecem; a fé, o amor e o temor de Deus de si mesmos logo desaparecem: Apocalipse 3.2, “Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer.” Estes que estão prontos para morrer, portanto, só são mantidos por uma força renovada de Deus. É o poder de Deus, que está envolvido em nossa preservação. Eu poderia mostrar em que ordem, temos isto da parte de Deus; não somos somente guardados, em geral, "pelo poder de Deus mediante a fé para a salvação", 1 Pedro 1.5, mas todas as pessoas da Trindade trabalham nisto. O Pai, o seu ato é judicial: Ef 3.14-16, “Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior;”. Ele decreta a concessão, que as almas que vêm em nome de Cristo, e pedindo salvação, deverão obtê-la. E Deus Filho tem comprado essa força para nós, e ele intercede por fornecimento constante e, por isso se diz em Fp 4.13, “Poso todas as coisas por meio de Cristo”. E o Espírito Santo aplica a força que necessitamos ao nosso coração, porque assim é dito, Ef 3.16, “Para que sejais fortalecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior."
Aplicação. Para nos incentivarmos a buscar em Deus por esta força. O que devemos fazer?
1. Seja fraco em seu próprio senso e sentimento. A maneira de ser forte é ser fraco: 2 Coríntios 12.10: "Quando sou fraco, então é que sou forte." O balde, se quisermos enchê-lo com água, deve primeiro ser esvaziado.
Deus fortalece os que são fracos em seu próprio senso quanto à sua insignificância: Heb 11.34, “da fraqueza tiraram força”, da fraqueza sentida e apreendida.
2. Deve haver uma plena confiança somente na força de Deus: Sl 71.16: “Sinto-me na força do Senhor Deus”; Ef 6.10, “Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder”, e 2 Tim 2.1, “Fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus."
3. Use o poder que você tem, e então ele será aumentado. "Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância;", Mat 13.12. Quanto mais exercitamos a graça mais teremos dela.
4. Utilize os meios, pelos quais "os que esperam no Senhor renovam as suas forças”, Isa 40.31.
5. Evite o pecado; que drena a sua força, assim como o sangramento solta o espírito do corpo. Quando você entristece o Espírito de Cristo, que lhe é dado para lhe fortalecer, você joga fora a sua força. Vamos, então, esperar em Deus por ajuda, pois quando todas as coisas falham, Deus não falha.
Vejamos agora a segunda parte do texto: "fortalece-me segundo a tua palavra." Pela sua palavra Deus se compromete em aliviar o seu povo em perigo. Há duas promessas: 1 Coríntios 10.13: "Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças”. Um bom homem não sobrecarregará seu animal, certamente o Deus gracioso não vai permitir que a tentação venha sobre nós acima da medida. Outra promessa é a de Is 57.15-17, “para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos." Ele tem prometido consolo e alívio para os pobres pecadores com o coração partido; você é chamado por nome na promessa, isto é dito a pessoas no seu caso.
Mais uma vez, Davi orou baseado numa palavra e promessa de Deus. A oração fundamentada sobre a promessa é a maneira de prevalecer; você pode fazer um desafio humilde a Deus, invocando a Sua Palavra para ele. Isto é fogo estranho somente quando você coloca no incensário, um pedido a Deus em relação ao qual ele nunca se comprometeu a conceder. Davi, muitas vezes diz: "segundo a tua palavra." Mais uma vez, a palavra de Deus é a única cura e alívio para a alma desfalecida. Quando Davi estava debilitado sob profunda tristeza, então, o Senhor, lhe trouxe força segundo a Sua Palavra.
(1) Isto é a cura apropriada. Meios naturais não podem ser um remédio para a enfermidade espiritual, não mais do que um belo terno de vestuário para um homem doente, ou um ramalhete de flores para um homem condenado. Confortos naturais não têm qualquer relação com uma doença espiritual; nada além da graça, perdão, força e aceitação de Deus pode removê-la.
Os que buscam saciar suas tristezas em excessos e com alegre companhia tomam um remédio brutal para doenças da alma.
(2) Isto é uma cura universal; temos a partir da palavra viva, consolo e força. É a palavra que deve nos guiar e nos guardar de desmaios de alma, ela nos vivifica e nos guarda da morte. A palavra é um remédio completo em conjunção com o poder de Deus, e torna a dor em alegria no meio de problemas externos: Sl 56.10, “Em Deus, cuja palavra eu louvo".
Por último, esta palavra deve ser aplicada à consciência pelo próprio Deus, “fortalece-me segundo a tua palavra." Davi se dirigiu a Deus para que ele pudesse aplicar sua palavra, que poderia ser a sua força; pois não podemos nem apreender nem aplicá-la mais do que recebemos a graça de Deus. A palavra é o instrumento de Deus, e não opera sem o Seu principal Agente.
Thomas Manton

Thomas Manton

Salmo 119.28 – Por Thomas Manton – Parte 1

“A minha alma se consome de tristeza; fortalece-me segundo a tua palavra.” (Salmo 119.28)

Tradução e adaptação elaboradas pelo Pr Silvio Dutra, de citações extraídas do comentário de autoria de Thomas Manton, sobre o Salmo 119.28.

Um cristão nunca deveria ficar entristecido até o grau de desânimo, nem confiante até o grau de segurança; e assim ele deve ter um olhar duplo, sobre Deus e sobre si mesmo, sobre as suas próprias necessidades e a todo-suficiência de Deus. Você tem ambos representados neste verso 28 (e frequentemente neste salmo), a sua condição e a sua petição.
1. A sua condição está representada em: “a minha alma se consome de tristeza”.
2. A sua petição a Deus: “fortalece-me segundo a tua palavra.”
Vejamos então em primeiro lugar, a sua condição, "a minha alma se consome de tristeza." A citação “se consome” foi traduzida do original hebraico “dalaph” que significa "verter lágrimas”, “chorar”. É a mesma palavra usada em Jó 16.20. Relaciona-se com definhar de tristeza a ponto de sentir o coração derreter.
Doutrina extraída do texto: Os filhos de Deus, frequentemente, se encontram sob a ação de uma profunda e esmagadora tristeza que não é experimentada por outros homens.
Davi se expressa aqui como estando numa condição de debilidade que não é comum, "Minha alma goteja ou se derrete de tristeza."
São três as razões disto:
1. Seus fardos são muito grandes.
2. Eles têm uma sensibilidade maior do que outros.
3. Sua ação é maior, porque a sua recompensa e conforto são também grandes.
1. Seus fardos são maiores do que outros - como a tentação, a deserção, o problema do pecado. O bem e o mal da vida espiritual é maior do que o bem e o mal de qualquer outra vida qualquer. Como as suas alegrias são indizíveis e gloriosas, assim seus sofrimentos são, por vezes equivalentes à expressão: "Um espírito abatido quem o pode suportar?" (Pv 18.14).
A coragem natural comum levará um homem a outras aflições, oh! mas quando as flechas do Todo-Poderoso perfuram seu coração, Jó 6.3, isto é um peso insuportável.
O homem, que tem uma vida maior do que os animais, é mais capaz de ter prazeres e tristezas do que eles, e assim um cristão que vive a vida da fé está mais capacitado para uma maior carga.
Considere que aqueles que vivem uma vida espiritual lidam imediatamente com o Deus infinito e eterno, e, portanto, quando ele gera alegria no coração, oh, que alegria é isso! E quando Deus estende a sua mão contra eles, quão grande é o seu problema!
O pecado é um fardo mais pesado do que a aflição, e a ira de Deus do que o descontentamento do homem. Males de uma influência eterna são mais do que temporais, portanto, devem ser, necessariamente, maiores e mais pesados.
2. Eles têm uma sensibilidade maior do que os outros - os seus corações estão enternecidos pela fé que professam em Cristo. Ninguém tem um sentimento despertado tão rápido como os filhos de Deus. Por quê? Porque eles têm uma compreensão mais clara, e as afeições mais ternas e sensíveis.
[1] Porque eles têm uma compreensão e visão mais clara sobre a natureza das coisas do que aqueles que estão afogados em prazeres carnais.
Os homens carnais não sabem como valorizar a perda do favor de Deus, mas os santos o preferem mais do que a própria vida: "A graça de Deus é melhor do que a vida", Sl 63.3. Portanto, se o Senhor suspende as manifestações habituais da sua graça e favor, quão perturbados ficam os seus corações! “Tu escondeste o teu rosto, e fiquei perturbado,” Sl 30.7.
Um filho de Deus, que vive em Seu favor, não pode suportar Sua falta; e portanto, quando perde o sentido doce de Seu favor e reconciliação com ele, oh, isto é um problema para as suas almas! Outros homens não se dão conta de tudo isto. E assim, por causa do pecado, os espíritos comuns valorizam apenas o dano que possam sofrer em seus interesses mundanos, e quando isso lhes custa caro, eles podem curvar a cerviz: Jer 2.9: “Agora sei quão amarga coisa é abandonar o Senhor." Um homem mundano pode saber algo sobre o mal do pecado nos seus efeitos, mas um filho de Deus vê a natureza dele, eles valorizam isto pelo mal, pela ofensa que se faz a Deus, e por isso ficam mais entristecidos pelo mal no pecado, do que pelo mal que é consequente do pecado. Assim, em razão da ira de Deus, os homens carnais têm pensamentos rudes quanto à mesma, e podem uivar nas suas camas quando as suas coisas agradáveis são tomadas deles, mas os filhos de Deus ficam entristecidos porque seu Pai está irado.
[2] Eles têm afeições delicadas e suaves. A graça, que nos dá um novo coração, também nos dá um coração de carne: Ez 36.26: “Vou colocar um coração novo neles.” Que tipo de coração? "Um coração de carne", porque o velho coração que é removido é um coração de pedra. Um novo coração sensível recebe mais rápido a impressão de terror divino do que outros corações. Um selo é mais facilmente deixado sobre a cera, ou uma coisa mole, do que em cima de uma pedra. O ímpio tem mais motivos para ficar incomodado com a ira de Deus do que um homem piedoso, mas ele não é alguém de bom senso, ele tem um coração de pedra, e, portanto, não é tão afetado com as relações de Deus para com ele, ou suas relações com Deus. Veja, como não deve ser considerado apenas o peso dos golpes, mas a delicadeza da constituição, e assim, porque seus corações são de uma constituição mais suave, sendo um coração de carne, e receptivo a uma impressão mais profunda, portanto suas tristezas ultrapassam as tristezas de outros homens.
3. O bem que eles esperam é grandíssimo. Os homens ímpios, nada esperam do mundo por vir, senão que lhes aguardam horrores e dores, e eles agora chafurdam em facilidade e abundância: Lucas 16.25: “Filho, em tua vida tu recebeste os teus bens.” Mas, agora, os homens de bem, esperam por outra felicidade, que deve ser a coisa a ser buscada e exercida, para que possam ser preparados para o gozo dessa felicidade.
Aplicação 1. Então, os homens carnais não estão aptos a julgar os santos quando eles relatam suas experiências.
Davi era um homem valente, que tinha "um coração como o coração de um filho", 2 Sam 17.10. Ele era um homem alegre, chamado "o mavioso salmista de Israel", 2 Sam 23.1. Ele não era tolo, mas um homem sábio como um anjo de Deus; e ainda assim você vê que sentimento amargo ele tinha de sua condição espiritual. E quando um homem tão forte e valente, tão alegre, tão sábio, queixa-se tão fortemente, você vai achar que este abatimento e melancolia eram uma tolice? Mas, infelizmente um homem que nunca soube qual é o peso do pecado não pode concebê-lo, pois nunca esteve familiarizado com a infinitude de Deus, nem com o poder da Sua ira, e não tem o devido senso de eternidade, e por isso pensa tão baixo sobre estes assuntos da vida espiritual.
Aplicação 2. Não esteja tão seguro de alegrias espirituais. Nós lhes alertamos muitas vezes sobre segurança, ou sobre o cair no adormecimento em confortos temporais, e devemos avisá-lo desse tipo de segurança também no que se refere ao espiritual. Todas as coisas mudam. Você pode encontrar Davi neste salmo numa condição diferente de espírito, algumas vezes se regozijando na palavra de Deus acima de todas as riquezas, e em outras vezes a sua alma derrete em lágrimas em razão do muito peso sentido. O próprio povo de Deus está sujeito a grande dificuldade de espírito, portanto, você não deve estar seguro quanto a esses gozos espirituais, que vêm e vão conforme a vontade de Deus. Os homens que constroem muito sobre êxtases espirituais ou sensíveis consolações estão preparando uma armadilha para suas próprias almas, em parte porque estão menos atentos para o presente (como marinheiros que foram ao mar, e quando entram na calmaria, ficam felizes e pensam que nunca mais verão tempestades), e também por causa de sua negligência e descuido em seu conforto espiritual que se foi. E há outro dano - a perda é mais pesada, porque nunca pensaram sobre a possibilidade da mesma. E, portanto, na preparação do coração, devemos estar prontos a perder os nossos confortos interiores, bem como as propriedades e conveniências externas. Somente no céu temos um dia contínuo sem nuvens ou noite, mas aqui sempre haverá mudanças.
Não vamos julgar a nossa condição se for este o nosso caso, ou seja, se devemos estar debaixo de problemas presentes, nem sequer quebrar nossos espíritos. Este foi o caso do Filho de Deus, a sua alma se perturbou, e ele não sabia o que dizer: João 12.27: “A minha alma está perturbada, o que direi eu?” E muitos de seus servos escolhidos foram extremamente experimentados nisto. Nosso negócio, nesse caso, não é examinar e julgar, mas confiar. Nem para determinar nossa condição de um lado ou outro, mas ficar com o nosso coração em Deus, e descansar em suas promessas. Devemos confiar o nosso coração à misericórdia de Deus.
Thomas Manton

Thomas Manton

“Espera no Senhor" (Salmo 27.14)



Esperar pode parecer uma coisa fácil, mas é uma das posturas que um soldado cristão não aprende sem anos de ensino. Marchar e correr é muito mais fácil para os guerreiros de Deus do que permanecer parados. Há momentos de perplexidade, em que o espírito mais disposto, ansiosamente desejoso de servir ao Senhor, não sabe que decisão tomar. Então o que se faz? Ficar agitado pelo desespero? Voar de volta por covardia, virar à direita por medo, ou correr adiante por presunção? Não, mas simplesmente esperar. Entretanto, esperar em oração. Clame a Deus, e exponha o caso diante dele, diga-lhe sua dificuldade, e pleiteie a sua promessa de ajuda.
Em dilemas entre um dever e outro, é doce ser humilde como uma criança, e esperar com simplicidade de alma no Senhor. É certo que tudo está bem conosco quando sentimos e conhecemos nossa própria insensatez, e estamos sinceramente dispostos a ser guiados pela vontade de Deus.
Mas espere com fé. Expresse sua confiança inabalável nele, porque o infiel, espera desconfiando, e isto é um insulto ao Senhor.
Creio que se ele mantiver você esperando até à meia-noite, ainda assim ele virá no momento certo; a visão virá, e não tardará. Espere com paciência tranquila, não se rebelando porque está sob a aflição, mas bendiga a Deus por isso.
Nunca murmure contra a tribulação, como os filhos de Israel fizeram contra Moisés, nunca deseje voltar ao mundo novamente, mas aceite o caso como é, e o apresente de forma simples e com todo o seu coração, sem qualquer vontade própria, nas mãos do seu Deus da aliança, dizendo: "Agora, Senhor, não seja feita a minha vontade, mas a tua. Eu não sei o que fazer; eu cheguei ao limite, mas vou esperar até que tu desfaças as tempestades, ou que afugentes os meus inimigos. Eu vou esperar por muitos dias, se tu me guardares, porque meu coração está firme somente em ti, oh Deus, e meu espírito anseia por ti na plena convicção de que tu ainda serás a minha alegria e a minha salvação, o meu refúgio e a minha torre forte ".

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

No deserto - Salmos 23:4

Quando ouvimos falar em deserto o que vem em nossa mente é dificuldade. Devido a sua instabilidade, poucas pessoas se aventurariam em querer morar neste lugar.

Em nossa vida passamos por desertos, são momentos tão difíceis que achamos não ter solução. Será que podemos aprender alguma coisa quando passamos pelos desertos da vida?



Para meditar.



1) Jesus no deserto: Mateus 4:1 - Jesus foi levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo Diabo, suas qualificações como messias de Deus e nosso Redentor foram confirmadas.

Quem sabe você esteja passando pelo deserto da tentação?
Sendo tentado, como filho de Deus, aguente firme, resista à investida do Diabo e você será aprovado!



2) Calebe no deserto: Josué 14:6-14 - Calebe, mesmo acreditando na promessa, precisou peregrinar no deserto até que todos os que não acreditaram, morressem para que a nova geração crescesse e pudesse entrar na Terra Prometida.

Quem sabe você esteja passando pelo deserto da ajuda, tendo que abrir mão temporariamente da promessa para poder ajudar outras pessoas a crescerem na caminhada à Terra Prometida? Não fique triste, a promessa é sua. Seja um referencial para essas pessoas como servo de Deus.



3) Agar no deserto: Gênesis 21:8-17 - Agar foi mandada embora de onde vivia devido ao conflito de seu filho com o filho de sua senhora. Ela andou errante pelo deserto sem ter solução para seu problema, mas Deus ouviu a voz da dor de seu filho e a socorreu.

Quem sabe você hoje esteja no deserto da falta de esperança, onde, aos teus olhos, não se vê solução. Quero te dizer que Deus está agora mesmo ouvindo o seu choro e te levantará dessa situação, pois Ele tem um propósito com a sua vida. Não são as pessoas que determinan o seu fim, é Deus quem determina.



O deserto não mata quem confia na poderosa mão de Deus. Pelo contrário, podemos tirar grandes experiências com Ele.

MGT

Firma meu garrão na tua palavra e não me deixe ser levado a cabresto pelo pecado. Salmos 119:133

Pastor Gaúcho

Me grudei; tchê! Segui firmezito nos teus caminhos, não froxei o garrão. Salmos 17:5

Pastor Gaúcho

O Senhor firma o garrão do vivente que já não aguenta o repuxo, e ergue o acabrunhado. Salmos 145:14

Pastor Gaúcho

Sobre o Modo de Louvar

”falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais,” (Efésios 5:19)

”Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Colossenses 3:16)

Sobre cantar os Salmos em nossas devoções particulares. E sobre a excelência e benefício deste tipo de devoção, pelos grandes efeitos que ela tem sobre nossos corações. E sobre os meios de fazê-lo da melhor maneira.
Você já viu no capítulo anterior, o que significa e quais são os métodos para aumentar e melhorar a sua devoção. Quão cedo você deve começar suas orações, e o que deve ser o objeto de suas primeiras devoções pela manhã.
Há ainda uma coisa restante, que deve ser observada, e que não pode ser negligenciada, sem grande prejuízo às suas devoções.
E isto é, que você deve começar todas as suas orações com um Salmo.
Isto é tão certo, é tão benéfico para a devoção, porque tem muito efeito em nossos corações.
Eu não quero dizer, que você deve ler um Salmo, mas que você deve cantá-lo.
Deve ser considerada a importância de se cantar um Salmo no início de suas devoções, por ser algo que despertará tudo o que é bom e santo dentro de você, e que chamará o seu espírito ao seu dever apropriado, para ajustá-lo em sua melhor postura para o céu e sintonizar todos os poderes de sua alma para a adoração.
Pois não há nada que tão melhor limpe o caminho para suas orações, nada que tanto expulse a indolência de coração, nada que purifique a alma das paixões pobres e pequenas, nada que abra o céu, ou conduza o seu coração para tão perto dele, como essas canções de louvor.
Elas criam um sentido e prazer em Deus, elas despertam santos desejos, e lhe ensinam a pedir, e prevalecem com Deus para atender suas petições. Elas acendem uma chama sagrada, e transformam seu coração em um altar, suas orações em incenso, e as conduzem como um doce aroma suave ao trono da graça.
A diferença entre cantar e ler um Salmo, será facilmente compreendida, se você considerar a diferença entre ler e cantar uma canção comum que você goste. Enquanto você apenas a lê, você somente gosta da letra, e isso é tudo, mas assim que você a canta, então você a aprecia, você sente o prazer e a emoção dela, ela se apodera de você, suas emoções entram em ritmo com ela e você sente dentro de si o mesmo espírito que parece estar nas palavras.
Se você tivesse que dizer a uma pessoa que tem essa canção, que ela não precisa cantá-la, que seria suficiente ler, ela iria querer saber o que você quis dizer, e achar que lhe pediu um absurdo, como se tivesse lhe dito que somente deveria olhar para a comida, para ver se era boa, mas não precisava comê-la; porque um cântico de louvor não cantado, é muito parecido com qualquer outra coisa boa da qual não se fez uso.
Talvez você diga, que cantar é um talento especial, que pertence somente a determinadas pessoas, e que você não tem nem voz, nem ouvido para cantar qualquer música.
Se você tivesse dito que cantar é um talento geral, no qual as pessoas diferem, como em todas as outras coisas, você teria dito alguma coisa muito mais verdadeira.
Pois as pessoas diferem muito no talento de pensar, que não é somente comum a todos os homens, mas parece ser a própria essência da natureza humana.
No entanto, ninguém deseja ser dispensado do pensamento, ou razão, ou discurso, porque ele não tem esses talentos, como algumas pessoas o possuem.
Se uma pessoa viesse a deixar de orar, porque ela tinha um estranho tom em sua voz, ela teria uma boa desculpa para não cantar Salmos, por ter pouca voz.
Em segundo lugar, esta objeção poderia ser de algum peso, se você fosse cantar para entreter outras pessoas, mas isto não é para ser admitido no presente caso, onde você só está obrigado a cantar os louvores de Deus, como uma parte de sua devoção privada.
Todos os homens são cantores, da mesma forma como todos os homens pensam, falam, riem e choram.
Cada estado do coração, naturalmente, coloca o corpo em algum estado que é adequado para ser mostrado a outras pessoas. Se um homem está com raiva, ninguém precisa lhe instruir como expressar essa paixão pelo tom de sua voz. O estado de seu coração o conduzirá ao uso adequado da sua voz.
Se, portanto, existem, senão poucos cantores de músicas divinas, se as pessoas querem ser excluídas desta parte da devoção, é porque são poucos, cujos corações são elevados à altura da piedade, e que sentem impulsos de alegria e prazer nos louvores a Deus.
Imagine a si mesmo, como se tivesse estado com Moisés quando ele conduzia o povo através do Mar Vermelho, e que você tivesse visto as águas se dividirem, e que estas caíssem sobre os seus inimigos depois de você tê-lo atravessado em segurança, então teria voz para cantar louvores a Deus juntamente com Moisés: “O Senhor é a minha força, e o meu cântico, e se tornou a minha salvação, etc”.
Eu sei, e seu coração lhe diz, que todas as pessoas naquela ocasião devem ter entoado louvores. E isto, portanto, lhe ensina que é o coração que afina a voz para cantar os louvores de Deus; e que se você não pode cantar essas mesmas palavras agora com alegria, é porque você não está tão afetado com a salvação do mundo por Jesus Cristo, como os israelitas ficaram com a sua libertação no Mar Vermelho.
Se você, então, despertar o seu coração, ele tão naturalmente cantará as palavras do Salmo, como ele ri quando ele está satisfeito. E este será o caso em cada música que tocar o coração.
Se você puder dizer com Davi, meu coração está firme, ó Deus, meu coração está firme; será muito fácil e natural você adicionar a isto, como ele fez, eu vou cantar e louvar, etc.
Em segundo lugar, vamos agora considerar uma outra razão para este tipo de devoção. Como o canto é um efeito natural da alegria no coração, por isso tem também um poder natural de tornar o coração alegre.
A alma e o corpo são tão unidos, que têm cada um deles poder sobre o outro em suas ações. Certos pensamentos e sentimentos na alma, produzem tais e tais movimentos ou ações no corpo, e, por outro lado, certos movimentos e as ações do corpo, têm o mesmo poder de aumentar tais e tais pensamentos e sentimentos na alma. Porque, como o canto é o efeito natural da alegria na mente, por isso é tão verdadeiramente uma causa natural que eleva a alegria na mente, pois há aqui uma recíproca relação de causa e efeito.
Como a devoção do coração faz surgir naturalmente atos de oração, de igual modo os atos de oração são meios naturais para elevar a devoção do coração.
Como a raiva produz palavras de raiva, então palavras iradas aumentam a ira.
Embora, a sede da Religião esteja no coração, mas uma vez que nossos corpos têm um poder sobre nossos corações, uma vez que as ações tanto procedem, quanto entram no coração, está claro que as ações externas têm um grande poder sobre essa Religião que está sediada no coração .
Devemos, portanto, tanto usar ajuda externa, quanto interna em nossa meditação, a fim de gerar e corrigir hábitos de piedade em nossos corações.
Esta doutrina pode ser facilmente levada longe demais, pois, se dependermos de muitos meios exteriores de adoração, isto pode degenerar em superstição; como, por outro lado, alguns têm caído no extremo contrário. Porque para provar a Religião sediada no coração, alguns têm exercido essa noção, até agora, como renúncia à oração vocal, e outros atos exteriores de adoração, como o louvor, e têm resumido toda a sua religião em um quietismo, ou relação mística com Deus em silêncio.
Ora, estes são dois extremos igualmente prejudiciais à verdadeira Religião, e não devem ser achados quer no culto interno ou externo.
Pois desde que não somos somente alma, nem somente corpo, por não serem nenhuma de nossas ações separadas da alma, ou separadas do corpo, sabendo que os hábitos são produzidos tanto em nossas almas quanto em nossos corpos , é certo, que, para se chegar a hábitos de devoção, ou prazer em Deus, devemos não somente meditar e exercitar nossas almas, mas devemos praticar e exercitar nossos corpos para todas aquelas ações externas, por serem conformes a esses temperamentos interiores, entre os quais podemos citar o hábito de cantar louvores.
Se quisermos verdadeiramente prostrar nossas almas diante de Deus, devemos usar nossos corpos em posturas de humildade; se desejamos verdadeiro fervor de devoção, devemos fazer da oração o trabalho frequente de nossos lábios.
Se quisermos banir todo o orgulho e paixão de nossos corações, nós devemos nos forçar a todas as ações exteriores de paciência e mansidão. Se quisermos sentir os movimentos interiores de alegria e prazer em Deus, devemos praticar todos os atos externos relativos a isto, e fazer as nossas vozes se ajustarem aos nossos corações.
Agora, pois, você pode ver claramente que a razão e necessidade do cântico dos Salmos, é porque são necessárias ações externas para apoiar as disposições interiores, e, portanto, o ato externo de alegria é necessário para aumentar e apoiar a alegria interior da mente.
Toda oração e devoção, jejuns e arrependimento, meditação e retiros espirituais, a santa ceia e o batismos e todas as ordenanças, têm por alvo senão tornar a alma, assim, santa, e conforme à vontade de Deus, e para enchê-la com gratidão e louvor por cada coisa que vem de Deus. Esta é a perfeição de todas as virtudes; e todas as virtudes que não tendem a isso, ou que não procedam disso, são senão falsos ornamentos de uma alma não convertida a Deus.
Você não precisa, portanto, agora perguntar, porque eu dou tanta ênfase à importância de cantar um Salmo em todas as suas devoções, pois você vê que é para encher o seu espírito de alegria e gratidão a Deus, que é a mais alta perfeição de uma vida divina e santa.

Tradução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, do décimo quinto capitulo do livro de William Law, em domínio público, intitulado Uma Chamada Séria a Uma Vida Santa e Devota. William Law, foi professor e mentor por vários anos de John e Charles Wesley, George Whitefield – principais atores do grande avivamento do século XVIII, que se espalhou por todo o mundo - Henry Venn, Thomas Scott e Thomas Adam, entre outros, que foram profundamente afetados por sua vida consagrada a Deus, e sobretudo pelo conteúdo deste livro.

william Law

“Reúne, ó Deus, a tua força, força divina que usaste a nosso favor," (Salmo 68.28)

É nossa sabedoria, bem como nossa necessidade, pedir a Deus continuamente para fortalecer o que ele tem feito em nós.
É por causa de negligência quanto a isto que muitos cristãos podem acometer a si mesmos com aquelas tribulações e aflições do espírito que surgem da incredulidade.
É verdade que Satanás procura inundar o jardim do coração do justo e torná-lo um cenário de desolação, mas também é verdadeiro que muitos cristãos deixam as suas comportas abertas e ficam sujeitos ao terrível dilúvio por descuido e falta de oração ao seu forte Ajudador.
Muitas vezes esquecemos que o Autor da nossa fé deve ser também o seu preservador. Nunca foi permitido que a lâmpada que ardia no templo fosse apagada, pois tinha que ser reabastecida diariamente com óleo fresco, e de igual forma a nossa fé só pode viver sendo sustentada com o óleo da graça, e somente podemos obtê-lo do próprio Deus. Provaremos ser como as virgens insensatas, se não garantirmos a provisão necessária para as nossas lâmpadas.
Aquele que construiu o mundo o mantém, senão cairia num enorme caos; aquele que nos fez cristãos nos mantém pelo seu Espírito, senão a nossa ruína seria rápida e final.
Vamos, então, de noite a noite, ir ao nosso Senhor para receber a graça e a força que precisamos. Nós temos um forte argumento para pleitear, pois é a sua própria obra da graça que lhe pedimos para fortalecer.
“Reúne, ó Deus, a tua força, força divina que usaste a nosso favor". Você pensa que Ele vai deixar de protegê-la e sustentá-la? Apenas deixe a sua fé se apoderar da Sua força, e todos os poderes das trevas, guiados pelo demônio mestre do inferno, não poderão lançar uma nuvem ou sombra sobre a sua alegria e paz.
Por que desmaiar quando você pode ser forte? Por que sofrer a derrota quando você pode vencer?
Oh! leve a sua fé vacilante e suas graças enfraquecidas, Àquele que pode revivê-las e reabastecê-las, e ore sinceramente: "Fortaleça, ó Deus, o que já fizeste por nós."

Texto de Charles Haddon Spurgeon, em domínio público, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

“Nem te esqueças de nenhum só de todos os seus benefícios." (Salmo 103.2)



É uma ocupação agradável e útil observar a mão de Deus na vida dos santos antigos, e observar a sua bondade em livrá-los, a sua misericórdia em perdoar-lhes, e a sua fidelidade em manter a aliança com eles. Mas não seria ainda mais interessante e útil para nós observarmos a mão de Deus em nossas vidas? Não devemos olhar para a nossa própria história como sendo, pelo menos, tão cheia de Deus, tão cheia de sua bondade e de sua verdade, como uma prova maior de sua fidelidade e veracidade, do que a vida de qualquer um dos santos que viveram antes de nós?
Nós fazemos a nosso Senhor uma injustiça quando supomos que ele operou todos os seus atos poderosos, e se mostrou forte para com aqueles dos tempos antigos, mas que não faz mais milagres com os santos que vivem agora sobre a Terra. Vamos rever nossas próprias vidas. Certamente, nelas poderemos descobrir alguns fatos felizes, como sendo um refrigério para nós mesmos e um motivo para glorificarmos ao nosso Deus.
Você nunca teve livramentos? Você nunca atravessou algum rio, apoiado pela presença divina? Você nunca atravessou algum fogo ileso? Você não teve manifestações da Sua presença? Você nunca teve favores? O Deus que deu a Salomão o desejo do seu coração, nunca tem escutado e respondido seus pedidos? Este Deus de bondade pródiga de quem Davi cantou: "Quem satisfaz a tua boca com coisas boas", nunca tem saciado você com Suas provisões? Você nunca foi conduzidos para se deitar em verdes pastos? Você nunca foi levado para junto das águas tranquilas? Certamente que a bondade de Deus tem sido a mesma para conosco como para os santos do passado. Vamos, então, louvar suas misericórdias numa canção. Tomemos o ouro puro da gratidão, e as joias do louvor e os transformemos em outra coroa para a cabeça de Jesus. Que nossas almas entoem músicas tão doces e tão afetuosas como as que saíam da harpa de Davi, enquanto louvamos ao Senhor, cuja misericórdia dura para sempre.

Texto de Charles Haddon Spurgeon, em domínio público, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

"O Senhor fez grandes coisas por nós, e por isso estamos alegres." (Salmo 126.3)

Alguns cristãos, infelizmente, são propensos a olhar para o lado sombrio de tudo, e se demoram mais pensando naquilo que eles passaram do que no que Deus tem feito por eles. Pergunte qual é a impressão que têm da vida cristã, e eles vão descrever seus conflitos contínuos, em suas aflições, suas tristes e profundas adversidades, e a pecaminosidade de seus corações, mas com quase nenhuma alusão à misericórdia e ajuda que Deus tem concedido a eles.
Mas um cristão cuja alma está em um saudável estado, vai se apresentar com alegria, dizendo: "Eu vou falar, não sobre mim, mas para a honra do meu Deus. Ele me tirou duma cova, e do barro de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos, e pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso de louvor ao nosso Deus. O Senhor tem feito grandes coisas por mim, e por isso estou alegre." Tal resumo de experiência é o melhor que qualquer filho de Deus pode apresentar.
É verdade que suportamos as provações, mas também é verdadeiro que somos livrados delas. É verdade que temos nossa natureza corrompida pelo pecado, e tristemente sabemos isso, mas também é verdade que temos um Salvador todo-suficiente, que vence essas corrupções, e nos liberta do seu domínio.
Ao olhar para trás, seria errado negar que estivemos no Pântano do Desânimo, e que havíamos rastejado ao longo do Vale da Humilhação, mas seria igualmente errado esquecer que temos sido salvos e feitos úteis através deles; e não temos permanecido neles, graças ao nosso Ajudador e Líder Todo-Poderoso, que nos trouxe para um lugar rico e seguro. Quanto mais profundos são os nossos problemas, mais elevados são os nossos agradecimentos a Deus, que nos levou através de tudo, e nos preservou até agora. Nossas tristezas não podem estragar a melodia do nosso louvor, nós as consideramos como as notas baixas da música da nossa vida.
"Ele tem feito grandes coisas por nós, e por isso estamos alegres."

Texto de Charles Haddon Spurgeon, em domínio público, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

O Prazer de Deus com Aqueles que Esperam no Seu Amor

Por John Piper

Salmo 147:10-11:

Não se deleita na força do cavalo,
nem se compraz nas pernas do homem.
O Senhor se compraz nos que o temem,
nos que esperam na sua benignidade.
Nosso Foco nos Prazeres de Deus
Até agora nós temos focado nossa atenção nos prazeres que Deus tem em si mesmo e no seu trabalho.
• Ele tem prazer em seu Filho, a exata representação de sua natureza e reflexo da sua glória.
• Ele tem prazer no seu trabalho da criação - os grandes monstros marinhos que ele fez para divertimento nos oceanos!
• Ele tem prazer em todos os trabalhos de providência que o mostram livre e soberano sobre todo o mundo.
• Ele tem prazer na grandeza do seu nome e na reputação da sua glória.
• Ele tem prazer em livremente escolher pessoas para si mesmo, e ele alegra-se nelas para lhes fazerem o bem.
E lhe trouxe prazer ferir seu Filho, porque naquele grandioso ato de julgamento o tempestuoso noivado das duas grandes paixões de Deus se casaram - sua paixão pela glória do seu nome, e a paixão do seu amor pelos pecadores.
A Pretensão por trás do Nosso Foco
Você pode revocar que nossa pretensão por trás de todas essas mensagens tem sido a convicção expressada por Henry Scougal em seu livro, The Life of God in the Soul of Man [A Vida de Deus na Alma do Homem], isto é, que "O valor e excelência de uma alma é medida pelo objeto de seu amor." Em outras palavras, se nós amamos as coisas baratas e sem valor, nós revelamos quão pequena e barata é nossa alma.
A alma é medida por seus voos
Alguns baixos e outros altos,
O coração é conhecido por seus deleites,
E prazeres nunca mentem.
Nós tomamos como ponto de início nessa série a persuasão de que isso também é verdade de Deus, não apenas de homem. O valor e excelência da alma de Deus é medida pelos objetos de seu amor. E eu acho que temos visto isso confirmado de novo e de novo: os objetos do amor de Deus são aquelas coisas que são de infinita beleza e valor.
• Ele ama seu Filho;
• Ele ama seu trabalho manual na criação;
• Ele ama a soberania de sua providência;
• Ele ama a honra de seu nome;
• Ele ama a liberdade da graça mostrada na eleição, cuidado e compra do seu povo.
Então Deus é um grande exemplo para nós. Ele nos mostra o que uma alma excelente deveria amar acima de tudo. Nós deveríamos amar
• o Filho de Deus,
• e o trabalho manual de Deus na criação,
• e sua soberania no governo do mundo,
• e a honra do seu nome,
• e a liberdade da sua graça.
Se nós os amássemos mais, nossas almas seriam maiores e melhores para isso, e nós seríamos mais conformados à imagem do nosso Criador.
Um ponto decisivo na série
Hoje marca um ponto decisivo na série, porque até agora nós não tínhamos focado em que tipo de atitudes e ações humanas Deus se deleita. Nós focamos primeiramente no amor de Deus por sua própria glória. E eu acredito que essa ordem é muito importante.
Iniciando com o Centro do Evangelho - Deus
Nós precisamos ver (e aqueles que amamos nesse mundo precisam ver!) primeiramente e principalmente que Deus é Deus.
• que ele é perfeito e completo em si mesmo,
• que ele é superabundante feliz na eterna comunhão da Trindade,
• que ele não precisa de nós e não é deficiente sem nós.
Mas nós sim somos deficientes sem ele; a glória da sua comunhão é o rio de água viva que temos desejado por toda nossa vida.
A menos que comecemos com Deus dessa maneira, quando o evangelho chega a nós, nós iremos inevitavelmente colocar-nos no centro disso. Nós sentiremos que o nosso valor ao invés do valor de Deus é a força motriz do evangelho. Nós iremos buscar a origem do evangelho no deleite de Deus em nós ao invés de buscar na graça que cria um caminho para pecadores deleitarem-se nele.
Mas o evangelho é a boa nova de que Deus é o final plenamente suficiente de todos os nossos desejos, e de que mesmo que ele não precise de nós, e é de fato afastado de nós por causa dos nossos pecados que O denigrem, ele tem, no grande amor com o qual nos amou, criado um modo para que pecadores possam beber no rio dos Seus prazeres através de Jesus Cristo. E nós não seremos cativados por essa boa nova a menos que sintamos que ele não foi obrigado a fazer isto. Ele não foi coagido ou constrangido por nosso valor. Ele é o centro do evangelho. A exaltação de sua glória é a força motriz do evangelho. O evangelho é um evangelho de graça! E graça é o desejo de Deus para magnificar o valor de Deus dando a pecadores o direito de deleitarem-se em Deus sem obscurecer a glória de Deus.
E os santos de Deus amam a centralidade de Deus no evangelho:
• Eles amam dizer com Paulo, "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente" (Romanos 11:36).
• Eles amam gloriar-se apenas no Senhor (1 Coríntios 1:31).
• Eles amam dizer que Deus é o princípio, o meio e o fim nesse acontecimento de salvação.
• Eles amam dizer que eles foram escolhidos para a glória de sua graça (Efésios 1:6), e chamados das trevas para luz para declarar as maravilhas da sua graça (1 Pedro 2:9), e justificados porque Cristo morreu para justificar a santidade da graça de Deus (Romanos 3:25-26), e serão um dia absorvidos pela vida para o louvor da glória de sua graça (2 Coríntios 5:4).
E então por sete semanas nós temos focado nos prazeres que Deus tem diretamente em si mesmo e na liberdade do seu trabalho para tornar inconfundível que Deus é o centro do evangelho. Nós apenas sugerimos o tipo de resposta do homem que traria prazer a Deus.
Mudando para Nossa Resposta ao Evangelho
Mas agora nós estamos prontos. Agora, inclinados ao Senhor, nós seremos capazes de enxergar porque as respostas humanas demandadas e apreciadas por Deus chegam como boas novas a pecadores e ainda mantém Deus no centro de suas próprias afeições.
Se o evangelho demanda uma resposta dos pecadores, então a demanda por si mesma deve ser boa nova no lugar de um fardo acrescentado, de outra forma o evangelho não seria evangelho. E se o verdadeiro evangelho bíblico sempre tem Deus no centro, então a resposta que ele demanda deve magnificar ele, não nós.
Agora que tipo de resposta pode cumprir ambas as duas coisas: boas novas para pecadores e glória para Deus?
Nosso texto provê a resposta. Salmos 147:10-11
Não se deleita na força do cavalo,
nem se compraz nas pernas do homem.
O Senhor se compraz nos que o temem,
nos que esperam na sua benignidade.
Vamos começar com o verso 11 e perguntar porque Deus tem prazer naqueles que os temem e esperam no seu amor. Então nós voltaremos ao verso 10 e refinaremos nossa resposta perguntando porque Deus não se deleita na força do cavalo e nas pernas do homem.
Simultaneamente temendo e esperando em Deus
Antes de mais nada deixe-me perguntar-lhe isso: te parece esquisito que nós devamos ser encorajados a temer e esperar ao mesmo tempo e na mesma pessoa? "O Senhor se compraz nos que o temem, nos que esperam na sua benignidade." Você espera naquele que teme e teme aquele em quem você confia?
Normalmente é de outro modo: se nós tememos uma pessoa, nós esperamos que uma outra pessoa venha e nos ajude. Mas aqui nós deveríamos temer aquele em quem nós esperamos e esperar naquele que nós tememos. O que isso significa?
Eu acho que isso significa que nós deveríamos deixar a experiência da esperança penetrar e transformar a experiência do medo, e deixar a experiência do medo penetrar e transformar a experiência da esperança. Em outras palavras, o tipo de medo que nós deveríamos ter de Deus é o que sobrou do medo quando nós temos certeza da esperança no meio disso.
O Medo de uma Terrível Tempestade Ártica
Imagine que você estivesse explorando uma geleira desconhecida no norte da Groelândia no alto inverno. Assim que você alcança um despenhadeiro íngreme com uma vista espetacular de milhas e milhas de gelo entalhado e montanhas de neve, uma terrível tempestade se inicia. O vento é tão forte que surge o medo que ele possa jogar você e seu grupo do outro lado do despenhadeiro. Mas no meio disso você encontra uma fenda no gelo onde você pode se esconder. Neste lugar você sente-se seguro, mas o incrível poder da tempestade torna-se furioso e você assiste a isso com um tipo de prazer tremulo conforme ela lança-se sobre a geleira distante.
No início houve o medo que essa terrível tempestade e o impressionante terreno pudesse requerer sua vida. Mas então você encontra refúgio e ganha a esperança que você estaria seguro. Mas nem tudo no sentimento chamado medo desapareceu. Apenas a parte que ameaçava a vida. Restou o tremor, o temor, a admiração, o sentimento que você nunca iria querer envolver-se em tal tempestade ou ser o adversário de tal poder.
O Temor do Poder de Deus
E é a mesma coisa com Deus. Os versos 16-17 dizem, "Ele dá a neve como lã; ele espalha a geada como cinza. Ele arroja o seu gelo em migalhas; quem resiste ao seu frio?" O frio de Deus é uma coisa temível - quem pode resistir-lhe? E os versos 4-5 apontam para o mesmo poder de Deus na natureza: "Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome. Grande é o nosso Senhor e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir."
Em outras palavras, a grandeza de Deus é maior que o universo de estrelas e o seu poder está por trás do frio insuportável das tempestades árticas. Ainda assim ele coloca suas mãos ao nosso redor e diz, "Tome refúgio em meu amor e deixe os terrores do meu poder tornarem-se os incríveis fogos de artifício do seu feliz anoitecer." O temor de Deus é o que resta da tempestade quando você tem um lugar seguro para assistí-la bem no meio dela.
E naquele lugar de refúgio você diz consigo mesmo, "Isso é surpreendente, isso é terrível, isso é poder inacreditável; Oh a emoção de estar aqui no centro do tremendo poder de Deus, e ainda protegido pelo próprio Deus! Oh que coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivo sem esperança, sem um Salvador! Melhor ter uma pedra de moinho amarrada ao meu pescoço e ser jogado nas profundezas do oceano do que pecar contra esse Deus! Que privilégio maravilhoso conhecer o favor desse Deus no meio do seu poder!"
E assim nós temos uma idéia de como sentimos ambos, confiança e temor, ao mesmo tempo. A esperança transforma o medo em um alegre tremor e pacífica admiração, e o medo toma todo que é trivial da esperança e a torna séria. Os terrores de Deus tornam os prazeres do seu povo intensos. A lareira da comunhão é inteiramente agradável quando a tempestade está uivando do lado de fora da cabana.
O Deleite de Deus em Pessoas que Temem e Esperam Nele
Agora por que Deus se deleita naqueles que o experimentam dessa maneira - em pessoas que o temem e esperam no seu amor?
Certamente porque nosso medo reflete a grandeza do seu poder e nossa esperança reflete a generosidade de sua graça. Deus deleita-se naquelas respostas que espelham sua magnificência.
Isso é apenas o que deveríamos esperar de um Deus que é todo-suficiente em si mesmo e não precisa de nós - um Deus:
• que nunca vai abandonar a glória de ser a fonte de toda a alegria,
• que nunca vai renunciar a honra de ser a fonte de toda segurança,
• que nunca vai abdicar o trono da graça soberana.
Deus tem prazer naqueles que esperam em seu amor porque essa esperança realça a liberdade da sua graça. Quando eu brado, "Deus é a minha única esperança, minha rocha, meu refúgio!" eu estou tirando toda a atenção de mim mesmo e a estou chamando para os ilimitados recursos de Deus.
A Resposta que Cumpre Duas Coisas
Você se lembra da pergunta que nós fizemos alguns momentos atrás: que tipo de resposta pode Deus demandar de nós para que a demanda traga boas novas para nós e glória para ele? Essa é a resposta: a demanda da esperança em seu amor.
Boas novas para pecadores
Como um pecador sem retidão em você mesmo, colocando-se diante de um Deus auto-suficiente e santo, que ordem melhor você poderia ouvir do que essa: "Confie em meu amor!" Se apenas soubéssemos isso, cada um de nós está preso em uma parede de gelo na Groelândia, e o vento está soprando furiosamente. Nossa posição é tão precária que se nós respirarmos muito fundo, nosso peso irá alterar e nós iremos mergulhar para nossa morte. Deus chega-se a nós e diz naquele momento, "Eu vou te salvar, e te proteger na tempestade. Mas há uma condição." Seu coração diminui o ritmo. Seu rosto está encostado no gelo. Suas unhas estão cravadas. Você pode sentir-se cedendo. Você sabe que mesmo que você mexa seus lábios você irá cair. Você sabe que não tem nada que você possa fazer para Deus!
Então ele fala o mandamento do evangelho: minha exigência é que você confie em mim. Isto não é uma boa nova nessa manhã? O que poderia ser mais fácil do que confiar em Deus quando tudo mais está perdido? E isso é tudo o que ele requer. Isto é o evangelho.
Glória a Deus
Mas isso não é apenas uma boa nova para nós pecadores. É também a glória de Deus em nos fazer apenas essa demanda. Por que? Porque quando você espera em Deus, você mostra
• que ele é forte e você fraco;
• que ele é rico e você pobre;
• que ele é cheio e você vazio.
Quando você espera em Deus, você mostra que é você que tem necessidades, não Deus. (Salmos 50:10-15; 71:4-6, 14).
• você é o paciente, ele o médico.
• você é o cervo sedento, ele a fonte superabundante.
• você é a ovelha perdida, ele o bom pastor.
A beleza do evangelho é que em uma simples demanda ("Coloque sua esperança no amor de Deus") nós ouvimos boas novas e Deus recebe a glória. E é por isso que Deus tem prazer naqueles que esperam no seu amor - porque nesse simples ato de esperança sua graça é glorificada e pecadores são salvos. Esse é o mandamento do evangelho que mantém Deus no centro - o centro de suas afeições e das nossas.
Deus se Deleita Não em Cavalos e Pernas
Agora deixe-nos perguntar porque Deus não tem prazer em cavalos e pernas. Verso 10:
Não se deleita na força do cavalo,
nem se compraz nas pernas do homem.
Não Porque Ele Não se Deleita no Que Ele Fez
A questão aqui não é que cavalos fortes e pernas fortes são ruins. Deus os fez. Ele se alegra na força e liberdade de cavalos vigorosos. Ele pergunta a Jó,
Acaso deste força ao cavalo,
ou revestiste de força o seu pescoço?
Fizeste-o pular como o gafanhoto? ...
Escarva no vale, e folga na sua força,
e sai ao encontro dos armados.
Ri-se do temor, e não se espanta;
e não torna atrás por causa da espada...
e não se contém ao som da trombeta.
Toda vez que soa a trombeta, diz: Eia!
E de longe cheira a guerra,
e o trovão dos capitães e os gritos.
(Jó 39:19-25)
Mas Porque Nós Podemos Colocar Nossa Esperança Neles
Não, a questão não é que esse glorioso animal seja ruim. A questão é que no dia da batalha os homens ponham sua confiança em cavalos, ao invés de colocar sua esperança em Deus. Mas Provérbios 21:31 diz, "Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, porém do SENHOR vem a vitória." Por essa razão Salmos 20:7 diz, "Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus."
Deus não está insatisfeito com a força dos cavalos e das pernas humanas. Ele está insatisfeito com aqueles que esperam em seus cavalos e suas pernas. Ele está insatisfeito com pessoas que colocam sua esperança em mísseis ou em maquiagem , em tanques ou bronzeados, em bombas ou musculação. Deus não tem prazer em eficiência corporativa, ou orçamentos balanceados, ou sistemas de previdência social, ou novas vacinas, ou educação, ou eloquência, ou excelência artística, ou processos legais, quando estas coisas são o tesouro no qual confiamos ou a realização da qual nos orgulhamos.
Por que? Porque quando colocamos nossa esperança em cavalos e pernas, cavalos e pernas recebem a glória, não Deus. E nós estamos perdidos, não salvos.
Então eu insisto com você nessa manhã, por amor à sua alma e à glória de Deus: deposite sua esperança no poder e amor de Deus, não em você mesmo ou em alguma coisa que você possa alcançar.
Porque o Senhor se compraz nos que o temem,
nos que esperam na sua benignidade.

John Piper

A língua que fala e canta salmos mostra gratidão a Deus por ter um coração abençoado.

Helgir Girodo

"A salmoura tem a mesma cor da garapa. Só a sede descobre a diferença dos sabores."

Geni Guimarães

Com apenas alguns salminhos muita gente garante seus salmões.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Lutero disse que ele não pôde entender corretamente alguns dos Salmos até que ele esteve em aflição. Aflição ensina o que é o pecado. Na palavra pregada, nós ouvimos como o pecado é uma coisa horrível, ele tanto mancha quanto condena – mas nós o tememos tanto quanto um leão numa pintura; portanto Deus permite a aflição e então sentimos o amargo do pecado em seu próprio fruto. Um leito enfermo geralmente ensina mais que um sermão. Nós podemos ver melhor o feio semblante do pecado quando olhamos pelas lentes da aflição!

Thomas Watson

Salmos Fabianicos Capitulo 1: PAPAIZINHO, do que adiantaria os meus planos e as obras de minhas mãos se o SENHOR não tivesse presente? De que adiantaria os meus feitos sem o teu GRANDE PODER, se tua unção não estivesse incluida nas minhas obras? Mas bem sei que estas presente nos minimos detalhes de minha vida, e que aconteça o que acontecer tu ÉS e sempre serás, passe o que passe isso vai cooperar pro meu bem, minha tranquilidade é saber que tu estas presente, bem sei que antes que eu pensasse em fazer, tu já o sabias pois tu és Onisciente, tudo meu depende de tudo teu PAPAI, te amo SENHOR DEUS VERDADEIRO e PAI do meu SENHOR JESUS CRISTO.

Pr. Fabiano Malhano

Um Coração Quebrantado

Por Robert Murray Mccheyne

Nenhum outro salmo (Salmo 51.17) expressa tão plenamente a experiência pela qual passa a alma que tem sido guiada ao arrependimento: sua humilde confissão de pecado (v. 3, 4 e 5); seu desejo intenso de ser perdoado pelos méritos do sangue de Cristo (v. 7); sua ansiedade para que o Senhor lhe conceda um coração puro (v.10); sua vontade de oferecer algo a Deus por todos seus benefícios.

Diz o salmista que ele ensinará aos prevaricadores o caminho de Deus; diz que seus lábios, pela graça de Deus» se abrirão para proclamar os louvores a Deus; manifesta que oferecerá a Deus um espírito quebrantado e humilhado (vs. 16,17). Vem assim dizer que, do mesmo modo que tem oferecido (seguindo os ritos mosaicos) numerosos cordeiros imolados em ações de graça a Deus, também agora oferecerá a Ele, como um cordeiro imolado, seu coração quebrantado. Cada um que tem pedido o mesmo perdão de Deus e que chegou, no passado, à mesma resolução de oferecer a Deus um coração quebrantado, poderá receber de graça esta bênção hoje.

1. O coração natural é um coração não ferido, não quebrantado.

A lei de Deus, suas misericórdias, as aflições que acontecem não quebrantam o coração natural. Ouve falar da Lei de Deus, de Suas misericórdias e continua impassível. É mais duro que uma pedra. Nada há no universo tão duro. "Ouvi-me, vós que sois de coração obstinado (duro), que estais longe da justiça" (Is. 46:12). "Nós já percorremos a terra, e eis que toda a terra está agora repousada e tranqüila" (Zc. 1:1 I.). "Naquele dia esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que estão apegados à borra do vinho ("assentados sobre as suas fezes" - outra versão), e dizem no seu coração: O Senhor não faz bem nem faz mal". (Sofonias 1:12). "... endureceram os seus rostos mais do que a rocha; não quiseram voltar (Jr. 5:3). "Levantai-vos, mulheres que viveis despreocupadamente, e ouvi a minha voz; vós, filhas, que estais confiantes..." (Is. 32:9-11).

Por quê? Por que é tão duro o coração natural?

Primeiro: Porque há um véu sobre ele. Porque o coração do homem natural se acha coberto por um espesso véu. Não crê na Bíblia, nem nos escritos da Lei, nem na ira que há de vir; um trágico véu cobre seus olhos.

Segundo: Porque Satanás ê dono do coração natural. Satanás leva-lhe a semente perniciosa tão prontamente como possa.

Terceiro: Porque o homem natural está morto em seus delitos e pecados. Os mortos não ouvem, não sentem; carecem de sentimentos e sensibilidade espiritual.

Quarto: Porque se tem construído uma barreira de despreocupação que lhe será mortal. O coração natural confia mais em qualquer refúgio falso, refúgio de mentira, como diz a Bíblia. Confia em rezas ou em esmolas.

Peça a Deus que o livre da maldição de um coração morto, não quebrantado, não contrito e humilhado. Primeiro, porque não passará muito tempo tranqüilo em sua falsa confiança; você se achará sobre lugares escorregadios e as ondas do oceano rugindo sob seus pés. Segundo, porque Deus lhe demonstrará a eternidade com todo o seu infortúnio. Se você se voltar agora, há esperança certa de perdão. Cristo está pronto a perdoar. Mas depois, na eternidade, Seu juízo cairá sobre você.

2. O coração despertado é um coração ferido, porém não quebrantado, não roto.

a. A lei inflige a primeira ferida. Quando Deus se dispõe a salvar uma alma a leva primeiramente a preocupar-se com seus pecados. "Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas neste livro da lei, para praticá-las" (Gl 3: 10). "Outrora, sem lei, eu vivia; mas sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri (Rm 6:21). A vida e o coração de cada um adquirem então tremendas cores.

b. A majestade de Deus produz a segunda ferida. O pecador recebe a sensibilidade que lhe faz sentir a grandeza e a santidade d Aquele contra quem tem pecado. "Pequei contra ti, contra ti somente" (v.4).

c. A terceira ferida procede de sua própria incapacidade para melhorar a si mesmo. Neste estado, todavia, o coração não tem sido quebrantado; o coração se levanta contra Deus. Primeiro, pelo rigor da Lei: "Se não fosse tão exigente... !". Segundo, porque a fé é o único caminho da salvação e ela é um dom de Deus: "Queria merecer a salvação e ganhá-la". Terceiro, porque Deus é soberano e pode, ou não, salvar segundo a Sua vontade. Isto é o que há num coração não quebrantado. Não existe outro estado e situação mais miserável.

Aprendamos que uma coisa é ser despertado, e outra muito diferente é ser salvo.

3. O coração do crente é um coração quebrantado em dois aspectos.

Tem sido quebrantado de sua própria justiça e de sua própria possibilidade de justificar-se. Quando o Espírito Santo leva uma alma à cruz, esta se desespera de justificar-se pelos seus próprios méritos e justiça. Todo o seu fardo, todas as suas próprias justiças e suas próprias opiniões se derramam como ura líquido que se perde ao romper-se o frasco que o contém.


Primeiro, porque a obra de Cristo se mostra tão perfeita tanto quanto a sabedoria e o poder de Deus. O pecador vê na obra da cruz a justiça de Deus. "Maravilho-me ao pensar que houve um tempo em que busquei outros caminhos de salvação. Pensando podê-los obter com minhas obras, certamente que com todas as minhas forças me lancei a eles. Maravilho-me ao pensar que o mundo não tem compreendido, nem tem aceitado que o único caminho da salvação é a justiça de Cristo" (David Brainerd).

Segundo. A graça de Cristo tem tanto esplendor! Quão maravilhoso é, que toda a justiça de Cristo, tão excelsa e divina, seja oferecida gratuitamente ao pecador! Maravilhoso ê que eu, que fui deliberadamente negligente, que menosprezei a Cristo, que odiei Sua obra, que coloquei obstáculos ao Seu chamado levantando entre Ele e mim verdadeiras montanhas, tenha sido objeto de Seu amor e, apesar de tudo, tenha Ele vindo a mim, passando sobre todas elas! "... para que te lembres, e te envergonhes, e nunca mais fale a tua boca soberbamente, por causa do teu opróbrio, quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste, diz o Senhor Deus" (Ez. 16:63). Você tem este coração quebrantado e contrito diante da visão da cruz de Cristo? Não será urna olhada ao seu próprio coração, ou ao coração do inferno, mas ao coração de Cristo, o que realmente quebrantará seu coração. Peça que Deus lhe dê um coração quebrantado assim! O orgulho e a jactância estão excluídos. A Ele seja a glória; digno é o Cordeiro! Todas as batalhas e os esforços da alma que busca sua própria justificação têm de ser tirados e desprezados.

O coração quebrantado tem visto desfeito seu amor para com o pecado - Quando um homem crê em Cristo, percebe que agora o pecado o aborrece. Primeiro, porque o separa de Deus, abrindo entre ele e Deus um grande abismo que arrasta o homem à condenação do inferno. Segundo, porque o pecado levou Cristo, o Senhor da glória, à cruz; foi um "grande fardo" que pesou sobre Sua alma, que O fez suar, sangrar e morrer. Terceiro, porque é o sofrimento do coração de Cristo agora, Toda a minha infelicidade se deve ao fato de ser ura pecador. Agora o crente se lamenta e chora por haver pecado contra quem tanto o ama: "Então recordarás teus caminhos e todas as coisas nas quais tens vivido impiamente e te aborrecerás de ti mesmo".


4. As vantagens de um coração quebrantado.

1. Guardar-se-á de te ofender-se por causa da pregação da cruz. O coração natural se ofende quando se lhe prega a cruz. Muitos a odeiam e a desprezam. Muitos, sem dúvida, se enfurecem freqüentemente no mais íntimo de seus corações ao ouvirem a pregação sobre aceitar a justiça de Cristo e deixar a sua própria justiça, se não quiser perecer, Muitos têm deixado a Igreja por causa desta pregação, não querendo seguir esse caminho. O escândalo e a ofensa da cruz não terminaram. Em troca, o coração quebrantado não pode ofender-se de tal pregação. Os pastores podem falar de forma simples e direta a verdade aos corações quebrantados. Um coração quebrantado sente-se alegre em ouvir acerca da justiça (justificação) sem obras.

Muitos se ofendem quando falamos claramente sobre o pecado; muitos se ofendem nos domingos ao ouvir a mensagem. Porém, o coração quebrantado e contrito não se ofende, porque odeia o pecado mais que os pastores, às vezes, podem fazê-lo. Há muitos como os adoradores de Baal: "Leva para fora o teu filho, para que morra (jz. 6:30). Do mesmo modo, quem não tem um coração quebrantado respira ameaças contra o pecador que destrói o ídolo do seu orgulho; porém um coração quebrantado deseja ver o ídolo destronado, derrotado e convertido em fragmentos.

2. O coração quebrantado descansa ao final O coração natural é como o mar tempestuoso. "Quem nos mostrará o bem?". E corre perguntando de pessoa em pessoa, procurando para seu próprio prazer, "o bem". Um coração apenas despertado não tem paz. Os temores da morte e do inferno ameaçam - assim descobrem desesperados sua alma desde que foram tirados bruscamente de sua condição de sono, de estado de repouso e falsa tranqüilidade.

Porém o coração contrito diz: "Volta à tua paz, oh alma minha!". A justiça de Cristo lança fora o medo, dissipa todos os temores. Inclusive a própria maldade e corrupção do coração não podem verdadeiramente abalá-lo, porque tem depositado todos seus fardos sobre Cristo.

3. Não pode acontecer nenhum mal ao coração quebrantado. Para os não convertidos quão trágico é o leito de morte, ou de enfermidade, agitado e inquieto como uma besta selvagem aprisionada na rede! Em contraste, o coração quebrantado se posta satisfeito e sereno em Cristo. Cristo lhe é suficiente; não ambiciona mais nada. Mesmo que tudo desapareça, seu amor, o amor a Cristo permanece. Está como um bebê de meses no regaço de sua mãe» confiante e seguro. Você conhece esse descanso tão seguro?

Robert M. MacCheyne

Como Vencer o Abatimento de Alma

meditação no Salmo 130

Mesmo uma alma piedosa, depois de muita comunhão com Deus, pode, por causa do pecado, ser trazida a um estado de perplexidade como a que o salmista expressa no início deste salmo.
Mesmo na aliança da graça não há uma provisão de permanente consolação para qualquer pessoa debaixo da culpa de grandes pecados, nos quais elas caíram.
Assim, pelo que significam, tais pecados vêm terrificar a consciência, quebrar os ossos da alma, e colocá-la em trevas, e lançá-la em profundezas insondáveis, apesar do alívio que é provido pelo perdão do sangue de Cristo.
Mas a força de todo e qualquer pecado pode ser debilitada pela graça, contudo a raiz de nenhum pecado será completamente arrancada nesta vida.
Assim, não será algo estranho que em algumas vezes o próprio cristão fiel se encontre nestas profundezas de alma a que se refere o salmista.
A alma regenerada pelo Espírito possui um princípio de graça que opera e trabalha continuamente para preservá-la do pecado.
Então o próprio Espírito Santo que habita no cristão há de incitá-lo a buscar socorro na graça de Cristo, para ser arrancada deste abatimento de espírito.
Quando a presença de Cristo é perdida, pelos sinais visíveis de falta de paz no espírito, devemos nos esforçar com todo empenho para encontrá-lo, porque é nisto que está a cura da nossa angústia.
É preciso crer na sua bondade, graça e misericórdia, e manter o coração firme na fé, ainda que debaixo da fraqueza produzida pelo pecado, porque disto depende a nossa cura.
Este esforço para curar as feridas da alma deve ser empreendido, senão elas se ampliarão até a morte espiritual.
Os ferimentos do pecado devem ser tratados pelo Médico divino, mas Ele não operará se não for procurado.
E esta procura é espiritual em oração e entrega do espírito ao Senhor.
Davi conhecia bem este segredo, e nunca se permitiu ficar nas profundezas por motivo de indolência ou acomodação às enfermidades produzidas pelo pecado.
Ele partia em busca de alívio e de cura nAquele que é o único competente para tratar com os males da alma.
Uma recuperação das profundezas é como uma nova conversão. O Espírito Santo dá às almas um senso renovado para que se apliquem no propósito de buscar a Deus. O trabalho inteiro é dele., mas é nosso dever orar e crer.
Por isso é necessário ter um senso sincero do pecado. E nesta sinceridade devemos reconhecer a nossa culpa no que fazemos, deixamos de fazer ou pensamos, e sem este auto exame e julgamento em razão do pecado não podemos contar com uma confissão sincera que nos habilite ao perdão de Deus.
A condição para o nosso perdão é a confissão. Sem confissão não pode haver perdão. Sem a confissão ficaríamos insensíveis e faríamos pouco caso do pecado. Mas ao termos que declarar as nossas faltas e culpa reconhecemos que Deus é santo e exige santidade de nós. E tratamos o pecado com a devida seriedade com que deve ser tratado.
Devemos nos sujeitar debaixo da potente mão do Senhor, e receber de bom grado os juízos corretivos, por mais que estes nos doam, porque é assim que se acha graça em ocasião oportuna.
Quanto mais tentarmos justificar a nós próprios, maiores abismos se abrirão e engolirão ainda mais o nosso espírito em suas profundezas.
A mão poderosa do Senhor tem o controle de tudo e todos. Ele pode fazer a alma esperar pelo Seu perdão em profundezas pelo tempo que bem Lhe aprouver, de modo que se cumpra todo o Seu propósito.
A misericórdia e o perdão não vêm adiante de Deus como a luz do sol e as ondas do mar, que seguem um curso fixo e pré-determinado.
Isto é mais um fator para reforçar a necessidade do nosso temor e reverência diante dEle.
A andarmos humildemente na Sua presença enquanto aguardamos pelo Seu favor.
É por isso que o seu nome é Senhor.
Ele tem o governo de nossas vidas, e cabe a Ele e não a nós conduzir o nosso caminhar.
Todos os frutos da bondade e graça de Deus são mantidos exclusivamente pela sua própria vontade soberana.
Esta é a Sua grande glória.
Por isso Ele afirmou o que disse em Êx 33.19, quando Moisés lhe pediu que lhe mostrasse a Sua glória (Êx 33.18).
A glória do Senhor está em manifestar a Sua graça e bondade.
Não é de maneira indiscriminada que Ele concede o Seu perdão. Com isto dá grande valor à Sua graça. Ela não é barata porque é graça. Ela não é comum. E faríamos bem em atribuir a ela o mesmo valor que o Senhor lhe dá.
Ela é preciosa para nós, já que Deus tem misericórdia de quem quer ter misericórdia.
Quão grande e permanente gratidão devem demonstrar os cristãos por terem sido alvo de tão precioso favor. Glórias são dadas a Deus no céu e na terra quando Ele manifesta a Sua bondade e misericórdia ao pecador.
Por isso devemos ter paciência e fé, enquanto aguardamos pelo livramento do Senhor, em nos retirar das profundezas em que nos encontramos.
É no próprio Cristo, na comunhão com Ele, que seremos livrados.
Assim, o que o salmista busca é o próprio Deus, é o próprio Jeová que sua alma espera. Não é apenas a graça, a misericórdia ou o alívio considerados de modo absoluto, mas o Deus de toda a graça que devemos esperar com grande expectativa.
O salmista esperava em Deus, e esperava na Sua Palavra, especialmente nas promessas da Palavra e nas suas demonstrações da bondade, misericórdia, graça, generosidade e amor de Deus.
Quando as dificuldades surgem, e em nossos dilemas, tentações e desertos, devemos nos entreter com tais pensamentos sobre o caráter de Deus.
Isto removerá de a impaciência e a ansiedade.

“1 Das profundezas clamo a ti, ó Senhor.
2 Senhor, escuta a minha voz; estejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas.
3 Se tu, Senhor, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá?
4 Mas contigo está o perdão, para que sejas temido.
5 Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra.
6 A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pelo romper da manhã, sim, mais do que os guardas pela manhã.
7 Espera, ó Israel, no Senhor! pois com o Senhor há benignidade, e com ele há copiosa redenção;
8 e ele remirá a Israel de todas as suas iniquidades.”

Silvio Dutra