Salmos da Bíblia

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SALMO 48 e 49

SALMO 48 – Salmo dos filhos de Core
SALMO 49 – Salmo dos filhos de Core

Estaremos comentando estes salmos em conjunto.
Quão duro e corrompido é o coração carnal para que possa entender qual é a verdadeira natureza da glória. O homem se aplica a fazer coisas grandiosas, espetaculares, para se orgulhar delas e fazer com que seu coração seja inteiramente dominado pela glória destas coisas terrenas que ele fabrica pela sua própria imaginação, engenhosidade e habilidades. Contudo, há uma glória ao redor dele, criada pelo próprio Deus, numa grandiosidade que não pode ser igualada, quer na sua variedade e formas, quer na sua própria essência. Veja as estrelas do céu. O próprio firmamento. As árvores, suas flores e frutos. Os animais que enchem tanto a terra, quanto os mares e os céus. Os minerais em sua grande variedade e preciosidade. Tão grandes e numerosas são as obras de Deus que não podem ser mensuradas. No entanto, não é comum que o homem se glorie nelas, porque afinal, não são obras de suas próprias mãos. Então, endurecido para a beleza da criação, volta-se para se gloriar em coisas efêmeras criadas pelas suas próprias mãos. Isto é uma forma de idolatria. Da pior das idolatrias, porque está centrada no culto de si mesmo, de sua própria inteligência, capacidade e poder. Para estes de nada lhes serve o grande alerta de Deus pronunciado pelo profeta em Sua Palavra: “23 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; 24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” (Jer 9.23,24). Na verdade o homem, em sua presente condição de estar sujeito ao pecado, não tem nada do que se gloriar em si mesmo, senão do que se envergonhar e se humilhar diante do Senhor para que seja purificado dos seus pecados, e assim, sendo preservado, e mantendo o seu coração na humildade, possa fazer uma justa avaliação da verdadeira glória, que se encontra somente no próprio Senhor. Como diz o salmista nestes salmos, que Ele é grande e mui digno de ser louvado na sua cidade, no seu monte belo e sobranceiro que é a alegria de toda a terra, o monte Sião, situado na cidade do grande Rei, a saber, Jerusalém. É somente naquilo que se refere a Deus e que pertence ao Seu culto, que devemos nos gloriar, assim como os israelitas se gloriavam no templo do Senhor, não propriamente pelas edificações propriamente ditas, mas por ser o lugar dedicado ao Seu serviço e adoração. Gloriar-se na construção de templos de pedra é algo que o Senhor não aprova, porque isto é idolatria. Devemos nos gloriar somente nEle. É bom lembrarmos o que Jesus disse aos discípulos, quando maravilhados lhe falavam acerca da beleza do templo de Jerusalém: “1 Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2 Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1,2). Deus não está interessado na beleza exterior das coisas que fazemos, nem mesmo no que diz respeito ao nosso corpo e vestimentas, senão no interior do nosso coração, nas Suas virtudes que o estejam adornando. É neste tipo de beleza que Ele se gloria e acha a verdadeira glória, e não na das coisas que são passageiras, como por exemplo a da própria flor, que tem a sua glória, mas não devemos nos gloriar nelas porque delas é dito que: “Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;” (I Pe 1.24). Falando de flores, os homens costumam usá-las como adorno em seus festejos carnais, nos quais gastam grandes somas de dinheiro, para se gloriarem não propriamente no que fizeram, mas uns sobre os outros, na superação que não tem limite de se desejar mostrar que se é mais do que os outros, naquilo que realizam. Quanta pobreza e miséria há neste modo de pensar, porque as mesmas flores que adornam seus festejos carnais, são também usadas para adornarem suas sepulturas. No entanto, não podem lembrar disso, porque o seu coração não está ligado continuamente na simplicidade que é devida a Cristo, e assim, não conseguem se amoldar às coisas simples, senão às que eles consideram grandes, e que aos olhos de Deus não passam de abominação, por causa do desejo de glória que há em seus corações pervertidos pela soberba. A glória efêmera das torres, dos palácios, das naus terrenas, passará pelo tempo ou pelo juízo de destruição que virá da parte do Senhor sobre toda a terra. Deveríamos ser então sensatos e não colocarmos o nosso coração nas coisas que são da terra, senão nas que são do céu. Aqueles que desejam se tornar poderosos na terra, haverão de ser abatidos pelo Senhor, e aos mansos fará com que herdem a terra para sempre.


Salmo 48

“Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus.
Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei.
Nos palácios dela, Deus se faz conhecer como alto refúgio.
Por isso, eis que os reis se coligaram e juntos sumiram-se; bastou-lhes vê-lo, e se espantaram, tomaram-se de assombro e fugiram apressados.
O terror ali os venceu, e sentiram dores como de parturiente.
Com vento oriental destruíste as naus de Társis.
Como temos ouvido dizer, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus.
Deus a estabelece para sempre.
Pensamos, ó Deus, na tua misericórdia no meio do teu templo.
Como o teu nome, ó Deus, assim o teu louvor se estende até aos confins da terra; a tua destra está cheia de justiça.
Alegre-se o monte Sião, exultem as filhas de Judá, por causa dos teus juízos.
Percorrei a Sião, rodeai-a toda, contai-lhe as torres; notai bem os seus baluartes, observai os seus palácios, para narrardes às gerações vindouras que este é Deus, o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até à morte.”



Salmo 49

“Povos todos, escutai isto; dai ouvidos, moradores todos da terra, tanto plebeus como os de fina estirpe, todos juntamente, ricos e pobres. Os meus lábios falarão sabedoria, e o meu coração terá pensamentos judiciosos. Inclinarei os ouvidos a uma parábola, decifrarei o meu enigma ao som da harpa. Por que hei de eu temer nos dias da tribulação, quando me salteia a iniquidade dos que me perseguem, dos que confiam nos seus bens e na sua muita riqueza se gloriam? Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre.), para que continue a viver perpetuamente e não veja a cova; porquanto vê-se morrerem os sábios e perecerem tanto o estulto como o inepto, os quais deixam a outros as suas riquezas. O seu pensamento íntimo é que as suas casas serão perpétuas e, as suas moradas, para todas as gerações; chegam a dar seu próprio nome às suas terras. Todavia, o homem não permanece em sua ostentação; é, antes, como os animais, que perecem. Tal proceder é estultícia deles; assim mesmo os seus seguidores aplaudem o que eles dizem. Como ovelhas são postos na sepultura; a morte é o seu pastor; eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura é o lugar em que habitam. Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si. Não temas, quando alguém se enriquecer, quando avultar a glória de sua casa; pois, em morrendo, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará. Ainda que durante a vida ele se tenha lisonjeado, e ainda que o louvem quando faz o bem a si mesmo, irá ter com a geração de seus pais, os quais já não verão a luz. O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem.”

Silvio Dutra

“Confie nele em todos os momentos." (Salmo 62.8)

A fé é quase como o governo tanto da vida temporal quanto da espiritual; devemos ter fé em Deus para os nossos assuntos terrenos, bem como para os celestiais.
É somente à medida que aprendemos a confiar em Deus para o provimento de toda a nossa necessidade diária que iremos viver acima do mundo.
Nós não devemos ser ociosos, porque isto revelaria que não confiamos em Deus, que trabalha até agora, mas no diabo, que é o pai da preguiça. Não devemos ser imprudentes ou precipitados; que confiam no acaso, e não no Deus vivo, que é Deus cuidadoso e ordeiro. Agindo com toda a prudência e honestidade, estamos confiando de forma simples e inteiramente no Senhor em todos os momentos.
Deixe-me recomendar a você uma vida de confiança em Deus nas coisas temporais. Confiando em Deus, você não será compelido a se entristecer porque você usou meios pecaminosos para enriquecer. Sirva a Deus com integridade, e se você não conseguir nenhum sucesso, pelo menos nenhum pecado irá residir sobre sua consciência.
Confiando em Deus, você não será culpado de contradizer a si mesmo. O que confia na tripulação, navega desta forma hoje, e também depois, como um navio sacudido pelo vento inconstante; mas aquele que confia no Senhor é como um navio movido a vapor, que corta as ondas, desafia o vento, e faz uma brilhante pista prateada atrás de si rumando para o seu porto de destino.
Seja uma pessoa que vive com princípios interiores; nunca se curve aos diferentes costumes da sabedoria mundana. Ande em seu caminho de integridade com passos firmes, e mostre que você é invencivelmente forte na força que a confiança somente em Deus pode conferir. Assim, você será livrado de cuidados ansiosos, você não será incomodado com a má notícia, o seu coração será firme, confiando no Senhor.
Como é agradável flutuar ao longo do córrego da Providência! Não há nenhuma maneira mais abençoada de vida do que uma vida de dependência de um Deus que guarda a aliança.
Nós não temos ansiedades, porque ele tem cuidado de nós; nós não temos nenhum problema, porque lançamos todos os nossos fardos sobre o Senhor.

Texto de Spurgeon traduzido por Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

SALMO 35 – Salmo de Davi

Este é um dos chamados salmos de imprecação contra os inimigos, proferido por Davi. No entanto, deve ser notado que ele nunca buscou o mal dos seus inimigos que se levantavam contra ele injustamente, com tramas terríveis, para destruí-lo e virem a se regozijarem com o fato de terem dado cabo daquele que era o campeão de Deus nas Suas batalhas. Então muito mais do que para defender a sua própria honra, senão a do Senhor, Davi pede-Lhe que se levantasse e desse o pago aos seus inimigos. Ele mantinha a sua confiança no Senhor para que fosse livrado daqueles que impiamente tramavam contra a sua vida. Então ele orou para que eles próprios caíssem nos laços que haviam preparado para ele. Não eram pessoas de nações inimigas que estavam buscando o seu mal, mas pessoas que ele havia tratado com bondade e amizade. Eram muitos os que lhe tinham ódio, não porque lhes tivesse feito algum mal, mas porque era devotado ao Senhor, e não desejavam ter por governante alguém que não lhes satisfizesse às luxúrias carnais, e muito menos quem lhes exigisse o cumprimento dos mandamentos de Deus. Este foi o motivo que fizera com que se tornassem seus inimigos mortais. Por isso procuraram usar todos os meios fraudulentos para removê-lo da sua posição de governante. Para tal propósito se reuniram em conselho contra Davi quando viram que ele estava enfraquecido, e sem que lhe dessem tréguas rangiam os dentes contra ele em festim, e tramavam enganos não somente contra ele, mas contra todos os pacíficos da terra. Eles já tinham dado por certo que haviam conseguido arruiná-lo e diziam entre si: “Pegamos! Pegamos”. Como que a dizer: ”Finalmente conseguimos derrubá-lo”. Então Davi não entregou os pontos mas clamou ao Senhor naquela hora pedindo-Lhe que o julgasse segundo a Sua justiça e que não permitisse que tais ímpios se regozijassem contra ele. Que os Senhor os cobrisse então de vergonha e ignomínia, e que cantassem de júbilo e se alegrassem os que tinham prazer na retidão de Davi, ao reconhecerem que Deus lhe havia feito justiça, dando o pago aos seus inimigos, glorificando sempre ao Senhor. O vigor das palavras deste salmo incomoda aos “profetas” que julgam que a bondade de Jesus Cristo, exclui a virilidade que existe nEle e que é tantas vezes expressada nas páginas da Bíblia, especialmente nas cartas que dirigiu às sete igrejas do Apocalipse, e do modo como tratou os escribas e fariseus. A pretexto de desejarem ver a doçura de Jesus nos pastores, muitas ovelhas, equivocadamente, pensam que falta neles o amor e a bondade do Senhor, quando são repreendidas por eles, por causa dos seus pecados. No entanto, isto é uma exigência bíblica, e encontra-se em perfeita consonância com o caráter de Cristo que é ao mesmo tempo cordeiro e leão; exaltado e humilde; servo e rei, e que tem em suas mãos as chaves da morte e do inferno, e que tem recebido do Pai toda autoridade tanto no céu quanto na terra, não somente para introduzir os santos no Seu reino, como também para subjugar todos os seus inimigos a um sofrimento eterno no inferno.

“Contende, SENHOR, com os que contendem comigo; peleja contra os que contra mim pelejam. Embraça o escudo e o broquel e ergue-te em meu auxílio. Empunha a lança e reprime o passo aos meus perseguidores; dize à minha alma: Eu sou a tua salvação. Sejam confundidos e cobertos de vexame os que buscam tirar-me a vida; retrocedam e sejam envergonhados os que tramam contra mim. Sejam como a palha ao léu do vento, impelindo-os o anjo do SENHOR. Torne-se-lhes o caminho tenebroso e escorregadio, e o anjo do SENHOR os persiga. Pois sem causa me tramaram laços, sem causa abriram cova para a minha vida. Venha sobre o inimigo a destruição, quando ele menos pensar; e prendam-no os laços que tramou ocultamente; caia neles para a sua própria ruína. E minha alma se regozijará no SENHOR e se deleitará na sua salvação. Todos os meus ossos dirão: SENHOR, quem contigo se assemelha? Pois livras o aflito daquele que é demais forte para ele, o mísero e o necessitado, dos seus extorsionários. Levantam-se iníquas testemunhas e me argúem de coisas que eu não sei. Pagam-me o mal pelo bem, o que é desolação para a minha alma. Quanto a mim, porém, estando eles enfermos, as minhas vestes eram pano de saco; eu afligia a minha alma com jejum e em oração me reclinava sobre o peito, portava-me como se eles fossem meus amigos ou meus irmãos; andava curvado, de luto, como quem chora por sua mãe. Quando, porém, tropecei, eles se alegraram e se reuniram; reuniram-se contra mim; os abjetos, que eu não conhecia, dilaceraram-me sem tréguas; como vis bufões em festins, rangiam contra mim os dentes. Até quando, Senhor, ficarás olhando? Livra-me a alma das violências deles; dos leões, a minha predileta. Dar-te-ei graças na grande congregação, louvar-te-ei no meio da multidão poderosa. Não se alegrem de mim os meus inimigos gratuitos; não pisquem os olhos os que sem causa me odeiam. Não é de paz que eles falam; pelo contrário, tramam enganos contra os pacíficos da terra. Escancaram contra mim a boca e dizem: Pegamos! Pegamos! Vimo-lo com os nossos próprios olhos. Tu, SENHOR, os viste; não te cales; Senhor, não te ausentes de mim. Acorda e desperta para me fazeres justiça, para a minha causa, Deus meu e Senhor meu. Julga-me, SENHOR, Deus meu, segundo a tua justiça; não permitas que se regozijem contra mim. Não digam eles lá no seu íntimo: Agora, sim! Cumpriu-se o nosso desejo! Não digam: Demos cabo dele! Envergonhem-se e juntamente sejam cobertos de vexame os que se alegram com o meu mal; cubram-se de pejo e ignomínia os que se engrandecem contra mim. Cantem de júbilo e se alegrem os que têm prazer na minha retidão; e digam sempre: Glorificado seja o SENHOR, que se compraz na prosperidade do seu servo! E a minha língua celebrará a tua justiça e o teu louvor todo o dia.”

Silvio Dutra

SALMO 32 – Salmo de Davi

Este Salmo revela simultaneamente a bem-aventurança já alcançada de uma vez para todo o sempre quando se é justificado pelo Senhor, quando Ele perdoa o nosso pecado para sempre por causa de Jesus Cristo.
De modo que em vez de nos atribuir, imputar iniquidade, Ele nos atribui a justiça do próprio Cristo, para que sejamos justificados, isto é, declarados justos, absolvidos de nossas culpas perante Ele, para todo o sempre.
Todavia, mesmo naqueles que alcançam tal bem-aventurança, simplesmente pela fé, assim como era o caso de Davi, ele cita o seu próprio exemplo, quando deixou de confessar seus pecados ao Senhor.
Ele usa uma metáfora forte para poder expressar os sentimentos que o dominavam naquela condição.
Ele diz que era como que os seus ossos tivessem envelhecido, ou seja, ele perdeu o seu vigor e força, por causa da tristeza profunda que o pecado produzia todos os dias no seu coração.
Debaixo dos seus pecados não confessados, ele sentia a mão de Deus não como mão consoladora, mas como uma mão corretiva e disciplinadora, que estava sobre ele dia e noite, tirando-lhe todo o vigor espiritual.
Todavia, ele sabia que estas tristezas produzidas por Deus são para conduzir ao arrependimento, que trará de volta a alegria e a paz espirituais que haviam sido perdidas.
Por isso se dispôs a confessar o seu pecado e não mais ocultar a sua iniquidade de Deus.
Ele o fizera e foi perdoado pelo Senhor.
Veja que ele está falando de alguém que já havia sido justificado, de alguém que chamou de homem piedoso, o qual sempre fará súplicas ao Senhor para encontrá-lo, porque aquele que O conhece de fato, já não pode mais suportar viver longe da Sua presença, e quem produz tal afastamento, sempre é o pecado, nas suas mais variadas formas.
São estes que se arrependem continuamente, e que confessam suas faltas ao Senhor, que são consolados pelo Espírito, porque Ele não consola quem está no pecado, senão apenas quem está santificado, porque é Espírito consolador, mas também é Espírito santificador.
Ele primeiro santifica, e depois consola.
Os que levam o pecado a sério, e que procuram se apresentar diante de Deus aprovados, sempre serão livrados por Ele, mesmo quando transbordarem as muitas águas da aflição, porque estas não conseguirão afogar o amor e o fogo do zelo de suas almas.
O Senhor os preservará nas tribulações e lhes cercará com cânticos de livramento.
Instruirá e ensinará o caminho pelo qual devem seguir, e lhes dará conselhos estando com Seus olhos fixados neles.
Contudo o que permanece rebelde contra o Senhor, em vez de ser instruído com mansidão, será dominado com a força de freios e cabrestos tal como se faz com o cavalo ou a mula, que não têm entendimento.
Estes terão que curtir sofrimentos sem consolações.
Mas os que confiam no Senhor, serão assistidos pela Sua misericórdia, e se alegrarão nEle, no espírito, e se regozijarão na sua justiça, porque são retos de coração.

“Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto.
Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo.
Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia.
Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.
Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei.
Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.
Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te.
Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão.
Tu és o meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento.
Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.
Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem.
Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no SENHOR, a misericórdia o assistirá.
Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração.”


SALMO 34 – Salmo de Davi
(quando se fingiu de louco na presença de Abimeleque)

“Bendirei o SENHOR em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no SENHOR a minha alma; os humildes o ouvirão e se alegrarão. Engrandecei o SENHOR comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome. Busquei o SENHOR, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores. Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame. Clamou este aflito, e o SENHOR o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações. O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o SENHOR, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Os leõezinhos sofrem necessidade e passam fome, porém aos que buscam o SENHOR bem nenhum lhes faltará. Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR. Quem é o homem que ama a vida e quer longevidade para ver o bem? Refreia a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente. Aparta-te do mal e pratica o que é bom; procura a paz e empenha-te por alcançá-la. Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor. O rosto do SENHOR está contra os que praticam o mal, para lhes extirpar da terra a memória. Clamam os justos, e o SENHOR os escuta e os livra de todas as suas tribulações. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido. Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra. Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado. O infortúnio matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão condenados. O SENHOR resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam nenhum será condenado.”

No comentário deste salmo, nós usaremos um texto de autoria de Spurgeon, em domínio público, na Internet, que traduzimos do original inglês, intitulado: O ensino das Crianças:

“Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” (Sl 34.11)

É uma coisa singular que os homens piedosos descubram frequentemente seu dever quando estão situados nas condições mais humilhantes. Nunca em sua vida, Davi estivera em pior perigo do que o que lhe inspirou este Salmo. É, como lemos no seu começo “Salmo de Davi, quando se fizera amalucado na presença de Abimeleque, e, por este expulso, ele se foi”. Davi foi levado diante do Rei Aquis, o Abimeleque da Filistia, a fim de tentar escapar, ele simulou estar louco, com uns sintomas muito degradantes que bem podiam confirmar sua loucura. Foi expulso do palácio, e, como é normal quando tais pessoas passam pela rua, um certo número de crianças deve ter se reunido ao seu redor. Em dias posteriores, ao cantar louvores a Deus, e recordando como havia chegado a ser o palhaço de criancinhas, pareceu dizer: “Tenho me rebaixado na estima das gerações vindouras, por minha insensatez nas ruas diante das crianças. Agora tratarei de desfazer este mal.”. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.
É muito possível que se Davi nunca houvesse se encontrado nestas circunstâncias, nunca haveria pensado neste dever, porque não encontro nenhum outro Salmo no qual ele dissesse: “Vinde, filhos, e escutai-me; e vos ensinarei o temor do Senhor.”. Teria o cuidado de suas cidades, províncias e nação pressionando-o, e pôde prestar pouca atenção à educação dos jovens. Porém aqui, levado à mais humilde posição que alguém possa ocupar, havendo chegado a ser como privado da razão, recorda seu dever. O cristão exaltado e próspero nem sempre se lembra dos cordeiros; esta tarefa geralmente recai sobre os Pedros, cuja confiança e soberba têm sido vencidas, e que se regozijam em responder assim de uma maneira prática a pergunta: “Tu me amas ?”.
De nosso texto extrairei primeiro uma doutrina, em segunda lugar, dois alentos, em terceiro, três instruções, em quarto, quatro instruções, e em quinto lugar cinco temas para crianças, tudo isto tomado do texto.

I. Primeiro, UMA DOUTRINA. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. A doutrina é que as crianças são capazes de receber o ensino do temor do Senhor. Os homens são em geral tanto mais sábios quanto mais insensatos têm sido. Davi havia sido sumamente insensato, e agora se transformou em extremamente sábio. E ao sê-lo, não era provável que expressasse sentimentos insensatos, nem que desse instruções que fossem ditadas por uma mente débil.
Temos ouvido falar de alguns que as crianças não podem compreender os grandes mistérios da Palavra de Deus. Inclusive sabemos de alguns mestres da Escola Dominical que cautelosamente evitam mencionar as grandes doutrinas do evangelho, porque creem que as crianças não estão preparadas para recebê-las. O mesmo erro se tem introduzido no púlpito, porque atualmente se crê, entre certa classe de pregadores, que muitas das doutrinas da palavra de Deus, ainda que corretas, não são adequadas para serem ensinadas ao povo, porque seriam confundidos para a própria destruição deles. Fora com esse sacerdotalismo, que é o mesmo erro em que incorrem os católicos romanos ! Tudo o que o meu Deus revelou deve ser pregado. Tudo o que tem revelado, ainda que não possa compreendê-lo, seguirei crendo, e pregando. Mantenho que não há nenhuma doutrina da Palavra de Deus que uma criança, se é capaz de salvação, não seja capaz de receber. Queria que as crianças fossem ensinadas em todas as grandes doutrinas da verdade sem uma só exceção, para que em tempos posteriores possam aferrar-se a elas. Posso dar testemunho de que as crianças podem compreender as Escrituras, porque estou seguro de que quando era somente um menino podia discutir acerca de muitos pontos intrincados de controvérsia teológica, no círculo de amigos de meu pai. De fato, as crianças são capazes de compreender algumas coisas nas primeiras etapas da vida, que dificilmente compreendemos posteriormente. As crianças têm de maneira eminente a simplicidade da fé. A simplicidade é equivalente ao mais alto conhecimento; em realidade, não podemos dizer que haja muita diferença entre a simplicidade de um menino e o gênio de mente mais profunda. O que recebe as coisas com simplicidade, como criança, terá frequentemente ideias que o homem propenso a fazer um silogismo com todas as coisas nunca chegará a alcançar.
Se querem saber se é possível ensinar as crianças, lhes apontarei muitos exemplos em nossas igrejas, e em famílias piedosas: não prodígios, senão meninos que vemos com frequência: Timóteos e Samuéis, e também meninas pequenas, que têm chegado a conhecer muito cedo o amor do Salvador. Assim como um menino é capaz de ser condenado ainda cedo, também é capaz de ser salvo. Tão cedo como um menino pode pecar, este menino pode, se lhe assiste a graça de Deus, crer e receber a Palavra de Deus. Tenham a certeza de que tão cedo como o menino pode conhecer o mal, é competente, sob a condução do Espírito Santo, para aprender o bem. Nunca vá à sua classe com o pensamento de que as crianças não podem compreender, porque se não lhes faz compreenderem é porque não compreende você mesmo. Se não lhes ensina os caminhos que deseja, é porque você não é adequado para a tarefa; você deveria falar palavras mais simples, mais adequadas para sua capacidade, e logo descobrirá que não era culpa da criança, senão do adulto, que ela não aprendesse. Mantenho que as crianças são capazes de salvação. O Senhor, que em sua soberania divina resgata ao encanecido pecador do horror de seus pecados, pode converter um menino de suas tolices juvenis. O que na hora undécima encontra a alguns ociosos na praça do mercado, e os envia à sua vinha, pode chamar a homens no amanhecer do dia de suas vidas para trabalharem para ele. O que pode mudar o curso de um rio quando corre abaixo em seu curso, e fazê-lo grande em seu crescimento, pode controlar um riacho que acabou de brotar, e fazer que corra pelo canal que deseja. Pode fazer todas as coisas. Pode operar no coração das crianças como lhe apraz, porque tudo está sob seu controle.
Temo que muitos de vocês não esperem ouvir acerca de crianças que são salvas. Por todas as igrejas tenho dado conta de uma espécie de repugnância contra qualquer piedade temporã, infantil Assusta-nos a ideia de uma criança que ame a Cristo; e se ouvimos de uma menina seguindo ao Salvador, dizemos que é imaginação infantil, uma impressão temporã que logo se desvanecerá. Queridos amigos, lhes rogo, nunca tratem a piedade infantil com suspeitas. É uma planta tenra, não a manuseiem demasiadamente. Ouvi algo que creio é uma narração genuína. Uma menina de uns cinco a seis anos, que amava verdadeiramente a Jesus, pediu à sua mãe para unir-se à igreja. A mãe lhe disse que era muito pequena. A menina muito triste, e certo tempo depois sua mãe, observou que havia piedade em seu coração, e contou o fato a um pastor. Este falou com a menina, e disse à sua mãe: “Estou totalmente convencido de sua piedade, porém não posso permitir que participe dos cultos porque é muito pequena.”. Quando a menina ouviu isto, uma estranha sombra cobriu seu rosto, no dia seguinte, quando sua mãe foi à sua cama, encontrou-a com lágrimas nos olhos, morta de dor, seu coração havia se partido, porque não lhe deixaram seguir a seu Salvador e fazer como ele lhe havia convidado. Eu não haveria assassinado aquela menina por todo um mundo ! Tenham cuidado como tratam com a piedade juvenil. Sejam ternos com ela. Creiam que as crianças podem ser salvas, tanto quanto vocês. Quando veem um jovem coração trazido ao Senhor, não o coloquem de lado, falando duro, e desconfiando de tudo. É melhor às vezes ser enganados que ser o meio de destruição de alguém. Que Deus envie a seu povo uma convicção mais firme de que os pequeninos brotos da graça são dignos de todo o cuidado.

II. Em segundo lugar, dar-lhes-ei DOIS ALENTOS, em encontrarão a ambos no texto. O primeiro alento é o do exemplo piedoso. Davi disse: ““Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Não te envergonharás de seguir os passos de Davi, verdade ? Não porás objeções para seguir o exemplo de alguém que foi o primeiro eminente em santidade, e logo eminente em grandeza. Acaso o pastorzinho, o matador do gigante, o salmista de Israel e o monarca, haveriam ido pelos passos que tu tenhas demasiado orgulho para seguir ? Ah não! Estou seguro de que te sentirás feliz de ser com era Davi. Porém se queres um exemplo maior, inclusive que o de Davi, escuta ao Filho de Davi, como saem doces palavras de sua boca: “Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino dos céus.”. Estou seguro de que lhes animaria se pensassem sempre nestes exemplos. Vocês ensinam a crianças, e isso não os desonra. Alguns dizem de vocês que são meramente mestres da Escola Dominical, porém vocês são personagens nobres, com um cargo honroso, e têm ilustres predecessores. Encanta-nos ver pessoas de uma certa posição na sociedade tendo interesse na Escola Dominical. Um grande fato em muitas de nossas igrejas é que as crianças são deixadas aos jovens para serem cuidados, e que dentre os membros mais velhos, com maior sabedoria, se preocupam porém muitos poucos deles, e muito frequentemente os membros mais acomodados da igreja se acham de lado como se o ensino dos pobres não fosse a especial atividade dos ricos. Espero o dia em que os fortes de Israel sejam achados ajudando nesta grande batalha contra o inimigo. Tenho ouvido que nos Estados Unidos há presidentes, juízes, membros do Congresso, e pessoas nas mais altas posições, não condescendendo, porque desdenho empregar esta palavra, senão honrando-se em ensinar às crianças nas Escolas Dominicais. O que ensina uma classe na Escola Dominical tem ganhado um bom título. Antes preferiria ter o título de M.E.D. (Mestre da Escola Dominical) do que uma licenciatura ou um diploma ou qualquer outra honra que se possa conferir.
Permitam que lhes rogue que se animem, porque seus deveres são assim honrosos. Que o régio exemplo de Davi, que o nobre e piedoso exemplo de Jesus, lhes inspirem com uma renovada diligência e um crescente ardor, com uma perseverança confiada e permanente, para prosseguir em sua poderosa obra, dizendo, como disse Davi: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.
O segundo alento que lhes darei é o alento de um grande êxito. Davi disse: “ Vinde filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Não disse: “Talvez lhes ensinarei o temor do Senhor”, senão que “vos ensinarei”. Teve êxito, e se ele não o teve, outros o têm tido. O êxito das Escolas Dominicais. Ali onde as hostes estelares cantam perpetuamente seu grande louvor, ali onde as multidões em vestiduras brancas permanentemente lançam suas coroas ao pés do Redentor, poderemos contemplar o êxito das Escolas Dominicais. Ali, também, onde milhões de crianças se reúnem domingo após domingo para louvar ao Senhor Jesus, vemos com alegria o êxito das Escolas Dominicais. E aqui acima, em quase cada púlpito de nossa terra, e ali nos bancos onde se sentam os diáconos, e de onde os piedosos membros se unem no culto, vemos o êxito das Escolas Dominicais. E remotamente, do outro lado do oceano, nas ilhas dos mares do Sul, em terras onde moram os que antes se prostravam ante ídolos de madeira e pedra, temos missionários salvos nas Escolas Dominicais, de onde milhares, remidos por meio de seus labores, contribuem tanto para a poderosa corrente de um imenso, incalculável êxito, quase diria que infinito, e em todo caso sem paralelo, da instrução das Escolas Dominicais.
Prossigam! Prossigam! Muito é o que se tem feito, mais se fará ainda. Que todas as suas vitórias do passado lhes inflamem com ardor; que a recordação de campanhas de triunfo e de campos de batalha ganhos para o seu Salvador nos reinos da salvação e da paz, sejam o alento de vocês para um renovado cumprimento do dever.

III. Agora, em terceiro lugar, lhes darei TRÊS ADMOESTAÇÕES: A primeira é: recordem a quem estão ensinando. Trata-se de crianças. “Vinde filhos”. Creio que deveríamos ter sempre respeito para com a nossa audiência, não no sentido de termos que ter cuidado quanto ao que estamos pregando ao senhor Fulano de Tal, ao Senhor Isso, ou ao Magistrado Aquilo, porque diante de Deus isto é uma vaidade. Porém devemos recordar que estamos pregando a homens e mulheres que têm almas, de maneira que não deveríamos ocupar seu tempo com coisas que não valham à pena de serem ouvidas. Agora, quando vocês ensinam na Escola Dominical, estão, se é possível, numa situação mais responsável ainda do que a de um pastor, porque este prega a pessoas adultas, a homens com juízo, que se não lhes agrada o que ele prega, têm a opção de ir para alguma outra parte. Vocês ensinam a crianças que não têm a opção de irem para algum outro lugar. Se ensinam mal às crianças, elas o crerão, se lhes ensinarem heresias, elas as receberão. O que lhes ensinarem agora, nunca mais esquecerão. Vocês não estão semeando numa terra virgem, como alguns dizem, porque tem estado muito tempo ocupada pelo diabo; porém, estão semeando sobre uma terra mais fértil agora que jamais o será, que produzirá agora o fruto de melhor forma do que em tempos futuros; estão semeando em um coração jovem, e o que semeiam é bastante certo que permanecerá ali, especialmente se ensinam o mal, porque isto nunca será esquecido. Cuidado com o que farão a eles. Não os escandalizem. Muitas crianças são tratadas como as crianças da Índia, nas quais colocam pratos de cobre sobre suas cabeças para que nunca cresçam. Há muitos que agora sabem que são simples, porque quando estiveram ao seu cuidado quando eram pequeninos nunca lhes deram a oportunidade para alcançar conhecimento, de modo que quando se fizeram adultos já não lhes importava nada. Tenham cuidado acerca dos seus objetivos; vocês estão ensinando crianças, vigiem então o que estão fazendo. Se puserem veneno no manancial, impregnarão toda a corrente. Tenham cuidado com o que fazem ! Se torcerem o arbusto a velha árvore ficará torta. Tenham cuidado! É a alma de uma criança que estão manipulando. É a alma de uma criança o que estão preparando para a eternidade, se Deus está com vocês. Faço-lhes uma solene admoestação em nome de cada criança. Certamente, se é traição administrar veneno aos moribundos, será muito mais criminoso administrar veneno à vida jovem. Se é mal extraviar aos de cabelos brancos, há de ser muito pior conduzir o coração jovem a um caminho de erro no qual poderá caminhar para sempre. Daí a severa admoestação de Cristo aos que viessem a escandalizar a qualquer dos pequeninos.
A segunda é, lembrem que estão ensinando para Deus. “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” Se vocês, como mestres, ensinassem somente geografia, estou seguro de que não haveria muito problema se dissessem a seus alunos que o pólo Norte está próximo do Equador. Porém não estão ensinando geografia, nem matemática, nem uma profissão deste mundo, estão ensinando, no melhor da sua capacidade, para Deus. Vocês lhes dizem: “crianças venham aqui para que se lhes ensine a palavra de Deus, venham aqui, para que sejamos os instrumentos de salvação de suas almas.”. Tenham cuidado quanto ao seu objetivo quando estão lhes ensinando para Deus. Atem as mãos deles, se o desejarem, porém, por amor a Deus, não ataquem seus corações. Decidam o que quiserem sobre as coisas temporais, porém lhes rogo, em questões espirituais, tenham cuidado com a maneira pela qual os conduzem. Tenham cuidado em lhes inculcar a verdade, e somente a verdade ! E agora, quão solene se torna o trabalho de vocês ! O que está fazendo um trabalho para si mesmo, que o faça como quiser, porém o que está trabalhando para outro, que tenha cuidado acerca de como faz seu trabalho. O que está agora ao serviço de um rei, que tenha cuidado de como leva a cabo seus deveres, porém o que trabalha para Deus, deve tremer, se faz mal o seu trabalho, pois a palavra diz:”maldito aquele que faz descuidadamente a obra do Senhor”. Ah! Temo que muitos entre nós, estão longe de ter esta perspectiva!
A terceira admoestação é: recordem que suas crianças necessitam de ensino. O texto implica isso, quando diz, “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Isto faz que seu trabalho seja tanto mais solene. Se as crianças não necessitassem de ensino não me sentiria tão inquieto pelo que estão lhes ensinando de maneira correta, porque as obras não necessárias os homens podem fazê-las como bem lhes pareça. Porém esta obra é necessária. Teu filho necessita de ensino. Nasceu em iniquidade, em pecado foi concebido por sua mãe. Tem um coração mau. Não conhece a Deus, e jamais o conhecerá se você não ensiná-lo. Não é como alguma boa terra que possua uma boa semente oculta em suas entranhas. Ao contrário, tem má semente em seu coração. Deus pode colocar a boa semente ali. Vocês que professam serem seus instrumentos para espalhar a semente no coração da criança, lembrem: se esta semente não for semeada, ficará perdida para sempre, sua vida será uma vida alienada de Deus, e a sua morte será inevitável, e a sua parte será no fogo eterno. Tenha cuidado então, de como ensina, recordando a premente necessidade do caso. Esta não é uma casa incendiada necessitando da sua ajuda na bomba de água, nem um barco naufragando no mar, que necessita do teu remo no bote salva-vidas, mas um espírito imortal que clama a você: “Passa aqui e ajuda-nos.”. Rogo-lhes, ensinem “no temor do Senhor” e somente isto, tenham desejo de dizer, e dizer com verdade, “no temor do Senhor os instruirei.”.

IV. Isto me leva ao quarto ponto, a QUATRO INSTUÇÕES, e estas estão todas no texto.
A primeira é: faz com que as crianças venham à tua escola. “Vinde filhos.”. A grande queixa de parte de muitos hoje, é que não podem conseguir crianças. Vão buscá-las. Em Londres estamos indo de casa em casa, esta é uma boa ideia, e se deveria ir de casa em casa por todos os povoados, por todas as cidades, por todas as ruas, e conseguir o maior número possível de crianças, porque Davi disse, “Vinde filhos”. Assim, meu conselho é que consigam que venham as crianças, e que façam qualquer coisa para levá-lo a cabo. Mas não seja muito detalhista no modo de como trará as crianças à escola, porque, se eu não pudesse ter pregadores trajando casacos pretos para pregar à minha congregação, eu os teria em uniforme militar, mas eu teria uma congregação de certo modo. É melhor fazer coisas estranhas como esta do que ter uma igreja vazia, ou uma sala de aula vazia.
Quando eu estava para ir à Escócia, nós enviamos antes, um pastor para obter ouvintes, e o plano foi muito bem sucedido.
Evite meios ilícitos, mas faça tudo o que for possível para atrair as crianças à escola. Eu tenho ouvido de ministros que saíram pelas ruas à tarde no dia do Senhor e falaram às crianças que estavam brincando nas proximidades, e as convidaram a virem para a escola. Isto é o que um professor sério fará; ele dirá, "João, venha à nossa escola; você não pode imaginar que lugar agradável é.". A seguir, ele conduz as crianças à escola e em sua maneira amável, ele lhes conta estórias e anedotas sobre meninas e meninos que amaram o Senhor, e desta forma, a escola fica repleta de alunos. Vá e pegue as crianças. Não há nenhuma lei contra isto, tudo é justo na guerra contra o diabo. Assim minha primeira instrução é, conquiste as crianças, e faça-o por todos os modos que você possa fazê-lo.
Em seguida, conquiste o amor das crianças, se você puder fazê-lo. "Deixai vir a mim as criancinhas”. “Oh!”. Pensam as crianças, “como é agradável ter um professor assim, um professor que nos deixa chegar perto dele, um professor que não diz: “ Vão!”, mas “Venham!”. A falha de muitos professores é que eles não deixam suas crianças chegarem perto deles; mas esforçam-se para criar em seus alunos um tipo de respeito temeroso.
Antes que você possa ensinar as crianças, você deve tomar a chave de prata da bondade para abrir seus corações, e assim obter sua atenção. Diga, "venham a mim crianças.". Nós temos conhecido alguns bons homens que eram objeto de aversão às crianças. Você conhece a história de dois meninos aos quais haviam perguntado um dia se eles gostariam de ir para o céu? Para muita surpresa do seu professor, disseram que não o desejavam realmente. Quando lhes perguntaram, "porque não?" um deles disse, "eu não gostaria de ir para o céu porque o vovô está lá, e ele certamente diria: “Fiquem longe meninos, quero estar distante de vocês!” Por isso eu não gostaria de estar no céu com meu avô.”. Portanto, se um menino tem um professor que fala de Jesus, mas que sempre tem um olhar amargo, o que o menino pensará? “Eu quero saber se Jesus é como você; se Ele for eu não gostaria dele.". Então há um outro professor, que, se for sempre assim perturbado, os ouvidos das crianças permanecerão fechados; ao mesmo tempo, que ele ensina que deveriam perdoar-se mutuamente, e que devem ser amáveis com ele. “Bem”, pensa o jovem, "que é muito bonito de ouvir não há nenhuma dúvida, mas meu professor não é um exemplo para mim para que eu possa fazê-lo.". Se você se mantiver distante de uma das suas crianças, o seu poder sobre ela terá ido embora, e você não será capaz de ensinar-lhe qualquer coisa. É de nenhum proveito tentar ensinar àqueles que não lhe amam; assim, tente fazer-lhes amar você, e então eles aprenderão qualquer coisa que lhes ensinar.
Em seguida, ganhe a atenção das crianças. "Venham crianças, venham ouvir-me.". Se elas não lhe escutarem, você pode falar, mas você falará para nenhuma finalidade. Se não escutarem, você realizará seu trabalho como uma tarefa penosa desprovida de propósito para si próprio e para seus alunos. Você nada poderá fazer sem obter antes a atenção deles. Bem, isso depende de você mesmo; se você lhes der alguma coisa de importância para se ocuparem, eles certamente o escutarão. Dê-lhes algo de valor para ouvirem e eles certamente ouvirão. Esta regra pode não ser universal, mas é muito proveitosa. Não se esqueça de contar-lhes algumas coisas engraçadas. As anedotas são muito objetadas pelos críticos dos sermões, que dizem que não devem ser usadas no púlpito; mas alguns de nós sabem melhor do que esses, nós sabemos o que acordará uma congregação; nós podemos testemunhar com base em nossa experiência, que umas poucas anedotas aqui e ali são coisas de primeira qualidade para se obter a atenção inicial das pessoas que não escutarão a doutrina secamente. Tente colecionar boas ilustrações, tantas quanto lhe seja possível; sempre que for ministrar, se você for realmente um professor sábio, você sempre poderá encontrar ilustrações dentro de um conto para dizer às suas crianças. Então, quando seus alunos começarem a achar o ensino maçante, e você estiver perdendo a sua atenção, diga-lhes: “Vocês conhecem os Cinco Sinos ?" Se houver tal lugar onde residam, todos dirigirão sua atenção para a sua pergunta, “Vocês conhecem a volta do Leão Vermelho?”. Diga-lhes então algo que você leu ou ouviu sobre isto, e certamente poderá fixar sua atenção à lição. Uma criança uma vez disse, "Pai, eu gosto de ouvir o Sr. Fulano pregar, porque diz muitas coisas engraçadas em seus sermões”. Sim, as crianças sempre amam as “coisas engraçadas".
Faça parábolas, retratos, figuras para eles, e você progredirá sempre. Eu estou convicto, será que eu seria um menino atento a tudo o que você disse, caso você não apresentasse um conto agora e de vez em quando, você veria frequentemente a parte de trás da minha cabeça, e eu não sei, se eu me sentaria em uma sala de aula quente, mas cochilaria e iria dormir, ou iria brincar com o Juca à minha esquerda, e faria muitas coisas estranhas como descansar, se você não se esforçasse em despertar o meu interesse.
Lembre-se então de fazer com que seus alunos lhe deem ouvidos.
A quarta admoestação é, tenham cuidado com o que ensinam às crianças: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”.

V. Em quinto lugar, quero dar-lhes CINCO LIÇÕES DE ESCOLA DOMINICAL, cinco temas para ensinar às suas crianças, e estes se encontram nos versículos que se seguem ao nosso texto: “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.” (Sl 34.11). A primeira coisa que se deve ensinar é A MORALIDADE. "Quem é o homem que ama a vida, e quer longevidade para ver o bem ? Refreia a tua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, e pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.” (Sl 34.12-14; I Pe 3.10b,11). A segunda coisa a ensinar é A PIEDADE, e uma constante crença na vigilância de DEUS; “Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e atentos os seus ouvidos ao clamor deles.”(Sl 34.15). A terceira é A MALDADE DO PECADO. “O rosto do Senhor está contra os que praticam o mal, para cortar da terra a memória deles.” (Sl 34.16). “Clamam os justo, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas tribulações.” (Sl 34.17). A quarta é A NECESSIDADE DE UM CORAÇÃO QUEBRANTADO. “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os de espírito oprimido.”. A quinta é A INESTIMÁVEL BÊNÇÃO DE SER UM FILHO DE DEUS: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra.” (Sl 34.19). “Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles será quebrado.”(Sl 34.20). “O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado.”(Sl 34.22)..
Tenho lhes dados estas divisões, e agora tratemos de uma por uma: Aqui, pois, temos uma lição modelo para vocês : “Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.”. Davi começa com uma pergunta: “Quem é o homem que deseja ver dias felizes ?”. Às crianças agrada este pensamento, lhes agrada a ideia de viverem até serem velhos. Com esta introdução começa ele o ensino sobre moralidade: "Refreie a sua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.”.
Nós nunca ensinamos a moralidade como forma de salvação. Deus proíbe que nós confundamos as obras do homem, sob qualquer forma com o redenção que está em Cristo Jesus! "pela graça é que temos conservado a fé, e isso não vem de nós, é dom de Deus." Contudo nós ensinamos a moralidade quando nós ensinamos a espiritualidade; e eu descobri que o evangelho sempre produz a melhor moralidade em todo o mundo. Eu tive um professor da escola dominical que ministrava muito sobre moralidade aos meninos e meninas sob seu cuidado, falando a eles muito particularmente acerca daqueles pecados que são os mais comuns à juventude. Podem honesta e convenientemente dizer muitas coisas às suas crianças que ninguém mais pode dizer, especialmente lembrá-las dos pecados que se encontram, comumente em crianças, a saber, pecados de pequenos roubos, ou de desobediência aos pais, ou de quebra do dia de descanso. Eu mandaria o professor ser muito particular em mencionar estes males um por um; para ele é de pouco proveito falar-lhes sobre pecados no atacado. Você deve fazer exame de um por um, assim como Davi. Primeiro aponte para o cuidado com a língua: " Refreie a sua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente.". Depois, então, em segundo lugar, aponte para a conduta total:. “aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.". Se a alma da criança não for preservada por outras partes do ensino, esta parte pode ter um efeito benéfico sobre a sua vida, e somente isto, e não além. A moralidade, entretanto, por si é comparativamente uma coisa pequena. A melhor parte do que você ensina é a santidade. Eu não disse "religião," mas santidade. Muitos povos são religiosos de alguma forma, sem serem santos. Muitos têm todos os sinais externos da santidade, toda a parte externa da piedade; tais homens que nós chamamos de "religiosos," mas não têm nenhum pensamento correto sobre Deus. Pensam sobre seu lugar de adoração, seu domingo, seus livros, mas nada sobre Deus. Que não respeita Deus, não ora a Deus, não ama a Deus, é um homem sem santidade, o que quer que sua religião externa possa ser. Trabalhe para ensinar sempre a criança a ter um olho em Deus; escreva em sua memória estas palavras, "Deus está me vendo". Auxilie-a a recordar que cada ato e pensamento seus estão sob o olhar atento de Deus. Não deve o professor da EBD desconsiderar que não é um dever menor colocar constantemente ênfase sobre o fato que há um Deus que observa tudo que acontece. Oh, que sejamos mais santos; e que nós falemos mais da santidade , e que amemos de fato a santidade! A terceira lição é o mal do pecado. Se a criança não aprender isto, nunca aprenderá como se chega ao céu. Nenhum de nós sempre soube quem era o salvador Jesus Cristo até que viemos a saber a coisa má que é o pecado. Se o Espírito Santo não nos ensinasse que somos pecadores jamais conheceríamos a bênção da salvação. Deixe-nos procurar sua graça, então, quando nós ensinamos, que nós devemos sempre colocar a ênfase sobre a natureza abominável do pecado. "o rosto do Senhor é contra aqueles que praticam o mal, para cortar a sua lembrança da terra". Não poupe, sua criança; deixe-a saber a que o pecado conduz. Não, aja como algumas pessoas, que são receosas do discurso claramente e amplamente relativo às consequências do pecado. Eu ouvi de um pai, um cujo filho, um rapaz novo, muito ímpio, morreu de maneira muito repentina. O pai não fez, como alguns costumam fazer, ao dirigir a seguinte palavra à sua família: "nós esperamos que seu irmão tenha ido para o céu.". Mas não; superando seus sentimentos naturais, foi-lhe concedido, pela graça de Deus, sentar junto às suas crianças, e dizer-lhes: "meus filhos; e filhas, seu irmão estava perdido; eu temo que ele esteja no inferno. Vocês souberam sobre sua vida e conduta, vocês viram como se comportou; e Deus tem-no agora afastado em seus pecados.". Então disse-lhes solenemente que do lugar do sofrimento, que cria, para onde tinha ido, deveria estar implorando para evitar e fugir da ira do porvir. Assim, usou o meio necessário para trazer suas crianças ao pensamento sério. Mas, se ao contrário se deixasse vencer pela ternura de coração e tivesse dito que esperava que seu filho tivesse ido para o céu, o que as outras crianças diriam ? "se ele foi para o céu, não há nenhuma necessidade para nós temermos; nós poderemos viver do modo que quisermos.". Não. Não. Eu não penso que não seja cristão afirmar que alguns homens estão indo para o inferno, quando nós vimos que suas vidas foram vidas infernais. Mas perguntamos: "pode você julgar suas criaturas?" Ó Não ! Mas podemos conhecê-los pelos seus frutos. Eu não os julgo, ou os condeno; pois julgam-se a si mesmos. Eu vi seus pecados antes do julgamento, e eu não duvido do que ocorrerá em seguida. "Mas não podem ser salvos na décima primeira hora?". Eu ouvi sobre alguém que foi, mas eu não sei que sempre haverá outro, e eu não posso dizer que sempre haverá. Seja honesto, a seguir, com suas crianças, e ensine-as, pela ajuda de Deus, que o "mal mata o mau." Mas você não terá feito parcialmente bastante a menos que você ensine com cuidado a quarta lição, a necessidade absoluta de uma mudança do coração. "o senhor está perto dos que têm um coração quebrantado; e salva os que têm um espírito contrito.". Oh! Possa Deus permitir-nos manter constantemente, isto nas mentes dos alunos, que importa antes, ser de um coração quebrantado e um espírito contrito, e que as boas obras serão de nenhum proveito a menos que haja uma natureza nova, que todos os deveres e os mais árduos e sérios trabalhos serão como nada, a menos que haja um arrependimento verdadeiro e completo em relação ao pecado, e total abandono do pecado através da atuação da graça e da misericórdia de Deus! Esteja certo: o que quer que você ensine às crianças, nunca deixe faltar os três “R”, — Ruína (estado do homem sujeito ao pecado), Redenção e Regeneração. Diga às crianças que são arruinadas pela queda, e que só há salvação para elas se forem redimidas pelo sangue de Jesus Cristo, e serem regeneradas pelo Espírito Santo. Mantenha constantemente diante delas estas verdades vitais, e então você terá a tarefa agradável de dizer-lhes o assunto doce da lição de fechamento. Em quinto lugar, diga às criança sobre a alegria e a bênção de ser cristão. “O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado". Eu não necessito dizer-lhe como falar sobre esse tema. É verdadeiro o dito: "abençoado é o homem cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.". "Abençoado é o homem que faz do Senhor sua confiança." Sim, verdadeiramente é abençoado o homem, a mulher, a criança que confia no senhor Jesus Cristo, e cuja esperança está nele colocada, sempre dando acima de tudo, ênfase a este ponto — que os justificados são um povo abençoado da família escolhida de Deus, redimida pelo sangue e conservada pelo poder, sendo pessoas abençoadas aqui em baixo, e que serão abençoadas para sempre no céu. Deixe suas crianças verem que você pertence àquela companhia abençoada. Se souberem que você está com problemas, mas se for possível, vir à sua classe com um rosto alegre, de modo que seus alunos possam dizer: o "professor é um homem abençoado embora esteja curvado sob seus problemas.". Sempre buscando manter uma expressão regozijante, seus meninos e meninas saberão que sua religião é uma realidade abençoadora. Deixe isto ser o ponto principal de seu ensino, o de que embora "sejam muitas as aflições do justo," contudo "Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado...O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado". Assim tenho lhes dado cinco lições; e deixe-me agora dizer solenemente, que em toda a instrução que você seja capaz de dar às suas crianças, você deve estar profundamente consciente que você não é capaz de fazer qualquer coisa em prol da salvação da criança, mas que é Deus, ele mesmo que, do primeiro ao último, quem tudo faz. Você é simplesmente uma pena; e Deus pode escrever com você, mas você não deve escrever qualquer coisa de si mesmo. Você é uma espada; Deus pode matar o pecado da criança usando você, mas você não pode matar o seu próprio pecado. Tenha portanto sempre consciência disto, que você deve ser então o primeiro a ser ensinado por Deus e que você deve pedir a Deus para usá-lo como professor; a menos que o maior Mestre do que você o instrua, e instrua às crianças, elas perecerão. Não é sua lição que pode salvar as almas das crianças; é a bênção de Deus, o Espírito Santo acompanhando seus labores. Possa Deus abençoar e coroar seus esforços com abundante sucesso!
Ele fará isto se você gastar tempo em oração e súplica constantes.
Nunca o trabalho do professor e pregador sério será em vão no Senhor, e nunca se viu que o pão lançado sobre as águas se tivesse perdido.

Silvio Dutra

SALMO 31 – Salmo de Davi

Temos aqui mais uma das orações modelares de Davi que ele costumava fazer quando se encontrava debaixo de aflições e de angústias. Faríamos bem em seguir-lhe os passos toda vez em que nos encontramos nas mesmas condições que ele havia experimentado, quando por causa do Seu amor pelo Senhor, muitos lhe armavam laços às ocultas, e nas quais sempre fazia do Senhor a sua fortaleza, e entregava o seu espírito nas Suas mãos para ser livrado. Ele sabia perfeitamente que era uma coisa vã recorrer a ídolos para receber livramento. Ao contrário, os laços aumentariam, porque Deus abomina os que adoram ídolos. Sua confiança estava colocada inteiramente no Deus invisível cuja vontade está revelada na Bíblia. Ele somente se alegrava e se regozijava quando o Senhor lhe manifestava a Sua benignidade livrando-o das mãos dos inimigos, que angustiavam e afligiam a sua alma, e firmando os seus pés num lugar espiritual espaçoso, em que já não podia mais estar sendo oprimido em sua alma. Tal era a fidelidade de Davi caminhando em retidão com o Senhor que o diabo tinha uma fome de devorar a sua alma justa muito maior do que a fome que nós temos de pão. Davi e o testemunho de sua vida era um espinho na carne de Satanás, porque por ele, Deus podia calar o diabo com os seus argumentos até mesmo para cristãos, que uma vida de santidade plena com Deus é algo impossível, levando muitos destes portanto, a duvidarem até mesmo da real existência de Deus. Mas o testemunho de Davi era um cala boca nos argumentos do diabo, e ele tentaria então tirar a sua vida por todos os modos e meios, ou então levá-lo a um tal desespero em que já não fosse possível manter o mesmo testemunho de retidão, santidade, amor e prática da verdade. Todavia ele não podia levar vantagem sobre Davi, levantando exércitos contra ele, conspiradores, e toda sorte de perseguidores, porque ele sempre, se voltava para buscar socorro no Senhor, por maior que fosse a angústia da sua alma, tal como a que ele expressa neste salmo. A misericórdia do Senhor para com ele era tão grande, que mesmo quando Davi chegava a desesperar da vida, pensando que Ele lhe havia abandonado, e que seria destruído por seus inimigos, o Senhor sempre se manifestava no fim, dando-lhe livramento. De modo que a sua fé nEle, na Sua bondade e misericórdia, aumentava cada vez mais, pois via como Ele envergonhava os perversos, e emudecia os lábios mentirosos que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém. Davi aprendeu que Deus sempre age assim com aqueles que se refugiam nEle. Por isso Davi conclama todos os que são santos a amarem ao Senhor, porque Ele preserva os fiéis para Si, para que o amem e o sirvam, mas retribui com largueza o soberbo com os Seus juízos. Os que amam o Senhor devem portanto buscar estarem fortalecidos com a Sua graça, e terem o coração revigorado por Ele, para que o sirvam do único modo pelo qual Ele é digno de ser servido e amado.

“Em ti, SENHOR, me refugio; não seja eu jamais envergonhado; livra-me por tua justiça. Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa; sê o meu castelo forte, cidadela fortíssima que me salve. Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás. Tirar-me-ás do laço que, às ocultas, me armaram, pois tu és a minha fortaleza. Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade. Aborreces os que adoram ídolos vãos; eu, porém, confio no SENHOR. Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois tens visto a minha aflição, conheceste as angústias de minha alma e não me entregaste nas mãos do inimigo; firmaste os meus pés em lugar espaçoso. Compadece-te de mim, SENHOR, porque me sinto atribulado; de tristeza os meus olhos se consomem, e a minha alma e o meu corpo. Gasta-se a minha vida na tristeza, e os meus anos, em gemidos; debilita-se a minha força, por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem. Tornei-me opróbrio para todos os meus adversários, espanto para os meus vizinhos e horror para os meus conhecidos; os que me veem na rua fogem de mim. Estou esquecido no coração deles, como morto; sou como vaso quebrado. Pois tenho ouvido a murmuração de muitos, terror por todos os lados; conspirando contra mim, tramam tirar-me a vida. Quanto a mim, confio em ti, SENHOR. Eu disse: tu és o meu Deus. Nas tuas mãos, estão os meus dias; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores. Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tua misericórdia. Não seja eu envergonhado, SENHOR, pois te invoquei; envergonhados sejam os perversos, emudecidos na morte. Emudeçam os lábios mentirosos, que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém. Como é grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual usas, perante os filhos dos homens, para com os que em ti se refugiam! No recôndito da tua presença, tu os esconderás das tramas dos homens, num esconderijo os ocultarás da contenda de línguas. Bendito seja o SENHOR, que engrandeceu a sua misericórdia para comigo, numa cidade sitiada! Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro. Amai o SENHOR, vós todos os seus santos. O SENHOR preserva os fiéis, mas retribui com largueza ao soberbo. Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no SENHOR.”

Silvio Dutra

SALMO 29 – Salmo de Davi

Todos os filhos de Deus têm uma grande dívida para com Ele, a qual deve ser paga com adoração verdadeira, em santidade, em espírito. Ele deve ser amado com todas as nossas forças, ou seja, com todo o empenho da nossa mente e espírito, em cumprimento da Sua vontade. Devemos pagar-lhe o tributo da devida glorificação do Seu nome, praticando obras de justiça diante de todos os homens, especialmente por lhes pregar o evangelho, para que o Seu nome seja glorificado, pelas obras poderosas que Ele realizar na presença deles por nosso intermédio. Para tais boas obras é necessário ouvir o que o Espírito diz às igrejas. É preciso ouvir a poderosa voz do Senhor, que está representada em figura nos fenômenos da natureza que produzem fortes sons como por exemplo os trovões e as ondas do mar. Com a liberação da Palavra de ordem o Senhor não somente pode destruir, como também gerar vida. Ele pode purificar como fogo. Ele sobre tudo preside e se nossos ouvidos espirituais estiverem apurados nós ouviremos a Sua poderosa voz, e automaticamente diremos: Glória! A teologia do silêncio permanente como forma de expressar reverência a Deus, não se sustenta nos corações daqueles que tal como Davi, ouvem a voz do Senhor, porque não podem conter o mover que o Espírito produz no interior deles, e o traduzirão em brados de glórias e aleluias a Deus.

“Tributai ao SENHOR, filhos de Deus, tributai ao SENHOR glória e força. Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza da santidade. Ouve-se a voz do SENHOR sobre as águas; troveja o Deus da glória; o SENHOR está sobre as muitas águas. A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade. A voz do SENHOR quebra os cedros; sim, o SENHOR despedaça os cedros do Líbano. Ele os faz saltar como um bezerro; o Líbano e o Siriom, como bois selvagens. A voz do SENHOR despede chamas de fogo. A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades. A voz do SENHOR faz dar cria às corças e desnuda os bosques; e no seu templo tudo diz: Glória! O SENHOR preside aos dilúvios; como rei, o SENHOR presidirá para sempre. O SENHOR dá força ao seu povo, o SENHOR abençoa com paz ao seu povo.”

Silvio Dutra

SALMO 28 – Salmo de Davi

Sendo rei, e antes mesmo de ser rei, tendo vivido na corte do pérfido Saul, Davi conhecia muito bem, não por praticar, mas por ver nas vidas dos cortesãos, o que era a perversidade, especialmente das dissimulações daqueles que falam de paz ao seu próximo, enquanto tramam perversidades em seus corações contra ele.
Num mundo de lobos, temos que pedir ao Senhor, tal como Davi, que ouça as nossas súplicas por socorro, para que não sejamos arrastados pela maldade dos ímpios. Não devemos nos vingar a nós mesmos em nenhuma situação, mas devemos dar lugar à ira de Deus, que prometeu tomar em Suas mãos as nossas causas, e nos vingar, Ele mesmo, dos nossos inimigos. Ainda que nada lhes sobrevenha diretamente da parte de Deus neste mundo, a destruição deles é certa, e terão que prestar contas ao Senhor de todos os seus atos, no dia do Juízo Final. Nenhum cristão que esteja sofrendo injustamente neste mundo, tem portanto, motivo para concentrar a sua atenção ou preocupação naqueles que lhe perseguem ou que intentam o mal contra as suas vidas, como paga do bem que deles recebem, ou por causa do seu bom testemunho em Cristo, mas devem concentrar seus pensamentos e atenção somente no Senhor, porque é dEle que virá o seu livramento. Davi chama por isso o Senhor de sua força e escudo. Força para agir contra o mal, e escudo para nos proteger das suas maldades.

“A ti clamo, ó SENHOR; rocha minha, não sejas surdo para comigo; para que não suceda, se te calares acerca de mim, seja eu semelhante aos que descem à cova. Ouve-me as vozes súplices, quando a ti clamar por socorro, quando erguer as mãos para o teu santuário. Não me arrastes com os ímpios, com os que praticam a iniquidade; os quais falam de paz ao seu próximo, porém no coração têm perversidade. Paga-lhes segundo as suas obras, segundo a malícia dos seus atos; dá-lhes conforme a obra de suas mãos, retribui-lhes o que merecem. E, visto que não atentam para os feitos do SENHOR, nem para o que as suas mãos fazem, ele os derribará e não os reedificará. Bendito seja o SENHOR, porque me ouviu as vozes súplices! O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia, nele fui socorrido; por isso, o meu coração exulta, e com o meu cântico o louvarei. O SENHOR é a força do seu povo, o refúgio salvador do seu ungido. Salva o teu povo e abençoa a tua herança; apascenta-o e exalta-o para sempre.”

Silvio Dutra

SALMO 14 – Salmo de Davi

Davi aspira pela manifestação da glória futura de Israel junto com o Messias, quando o ímpio já não mais prevalecerá na terra. Quando não mais haverá insensatos para afirmarem que Deus não existe, por causa da corrupção deles e da prática das suas abominações, e não se dispõem à prática do bem. A tal ponto se multiplicou a iniquidade que não havia quem fizesse o bem e que invocasse o Senhor. Todos se extraviaram e se corromperam por causa da iniquidade que se multiplicou em seus corações. Todavia não serão tidos por inocentes na presença do Senhor, antes, serão tomados por grande pavor, porque Deus está somente do lado daqueles que foram justificados, porque buscaram graça nEle para viverem na prática da justiça. Estes ímpios que ridicularizam os conselhos dos humildes, porque se têm na conta de mais sábios e espertos do que eles, serão consumidos pelo Senhor, mas Ele será o refúgio destes humildes de coração que são desprezados na terra.

“Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. Acaso, não entendem todos os obreiros da iniquidade, que devoram o meu povo, como quem come pão, que não invocam o SENHOR? Tomar-se-ão de grande pavor, porque Deus está com a linhagem do justo. Meteis a ridículo o conselho dos humildes, mas o SENHOR é o seu refúgio. Tomara de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando o SENHOR restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará.”

Silvio Dutra

SALMO 13 – Salmo de Davi

Davi clama ao Senhor para que o livre da tristeza do seu coração por causa do inimigo que o perseguia tão persistentemente. Ele não queria de modo nenhum fracassar diante dele para que a glória do Senhor não fosse espezinhada. Então orou com confiança na graça do Senhor, regozijando-se na Sua salvação, e louvou ao Senhor porquanto Ele lhe fazia muito bem.

“Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo? Atenta para mim, responde-me, SENHOR, Deus meu! Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte; para que não diga o meu inimigo: Prevaleci contra ele; e não se regozijem os meus adversários, vindo eu a vacilar. No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração na tua salvação. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.”

Silvio Dutra

SALMO 12 – Salmo de Davi

Este Salmo é um retrato perfeito do mundo atual no qual a vileza tem sido exaltada pela sociedade corrompida em que vivemos, de maneira que os perversos andam por todos os lugares da terra, multiplicando-se mais e mais. Não admira que tão poucos estejam dispostos a dar ouvidos e a seguirem a sã doutrina, mesmo em igrejas fiéis. Eles se escandalizam com a verdade e com a chamada à santidade, e à crucificação do ego, porque amam somente a prosperidade, pela qual alimentam os prazeres de suas luxúrias carnais. Não podem mais abrir mão disto porque é um vício que está terrivelmente apegado às suas almas. Então o que prevalece é o falar com falsidade, enganando-se mutuamente, para sobrepujarem o próximo em todas as coisas terrenas (fama, poder, dinheiro, posição etc). Usam de bajulação com um coração fingido para destruírem aqueles que eles invejam, e para galgarem “posições mais elevadas” à vista de outros, para alimentarem o seu orgulho e vaidade. Desconhecem o que seja submissão e obediência à autoridade, porque são senhores da própria vontade, e julgam que seja liberdade verdadeira abrir a boca para falarem o que bem desejam, ainda que seja para destruir a reputação do próximo. No entanto, o Senhor se levantará do Seu trono para julgar toda a opressão e todo o gemido que é produzido na terra por tais ímpios, que se recusam a se converter a Ele e à justiça. Mas salvará a todo aquele que suspira por isto.

“Socorro, SENHOR! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens. Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido. Corte o SENHOR todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente, pois dizem: Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós? Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, eu me levantarei agora, diz o SENHOR; e porei a salvo a quem por isso suspira. As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes. Sim, SENHOR, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre. Por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada.”

Silvio Dutra

SALMO 11 – Salmo de Davi

Os salmistas, assim como Davi, por serem homens santos e justos, recebiam do Senhor a capacidade de discernirem o mal que há no mundo, especialmente nos corações das pessoas. Deus pode nos dar o dom de discernimento, pela Sua Palavra, e Espírito, de discernir não somente os pensamentos, como também as intenções dos corações das pessoas, sejam eles bons ou maus (Hb 4.12). Por isso, enquanto os ímpios procuravam amedrontá-lo e ameaçá-lo, ele buscava refúgio no Senhor, com a firme certeza de que acharia segura proteção, porque não andava nos mesmos passos deles, e sabia que o Senhor se agrada de quem vive na prática da justiça, e é a cidadela forte dos tais, no dia da angústia, e não somente isto, permite-lhes que vejam a Sua face em espírito, a saber, que discirnam e sintam a Sua presença, mas, quanto aos perversos que amam a violência, os abomina e fará chover sobre eles brasas de fogo e enxofre e vento abrasador, pelo derramar dos Seus juízos sobre eles.

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte? Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração. Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens. O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina. Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face.”

Silvio Dutra

SALMO 9 – Salmo de Davi

Davi havia vencido muitas guerras. Havia subjugado muitas nações ímpias, inimigas de Israel. Todavia, ele reconhece que todas aquelas vitórias foram, não propriamente suas, mas do Senhor. E ao mesmo tempo reconhece que Ele não é Deus sanguinário, que se agrade da violência e da injustiça. De maneira que foi com justiça e equidade que Davi empreendeu todas as guerras em que teve que se empenhar. Quão diferentemente disto costumam agir todos os demais governantes da terra, que se esquecem do Senhor, da justiça e da benignidade, e que usam da impiedade nas guerras para o aumento da glória do próprio nome deles.

“Louvar-te-ei, SENHOR, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas. Alegrar-me-ei e exultarei em ti; ao teu nome, ó Altíssimo, eu cantarei louvores. Pois, ao retrocederem os meus inimigos, tropeçam e somem-se da tua presença; porque sustentas o meu direito e a minha causa; no trono te assentas e julgas retamente. Repreendes as nações, destróis o ímpio e para todo o sempre lhes apagas o nome. Quanto aos inimigos, estão consumados, suas ruínas são perpétuas, arrasaste as suas cidades; até a sua memória pereceu. Mas o SENHOR permanece no seu trono eternamente, trono que erigiu para julgar. Ele mesmo julga o mundo com justiça; administra os povos com retidão. O SENHOR é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação. Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, SENHOR, não desamparas os que te buscam. Cantai louvores ao SENHOR, que habita em Sião; proclamai entre os povos os seus feitos. Pois aquele que requer o sangue lembra-se deles e não se esquece do clamor dos aflitos. Compadece-te de mim, SENHOR; vê a que sofrimentos me reduziram os que me odeiam, tu que me levantas das portas da morte; para que, às portas da filha de Sião, eu proclame todos os teus louvores e me regozije da tua salvação. Afundam-se as nações na cova que fizeram, no laço que esconderam, prendeu-se-lhes o pé. Faz-se conhecido o SENHOR, pelo juízo que executa; enlaçado está o ímpio nas obras de suas próprias mãos. Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus. Pois o necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se há de frustrar perpetuamente. Levanta-te, SENHOR; não prevaleça o mortal. Sejam as nações julgadas na tua presença. Infunde-lhes, SENHOR, o medo; saibam as nações que não passam de mortais.”

Silvio Dutra

SALMO 3 - com interpretação (nota: todos os salmos estão interpretados)

Salmo de Davi, quando fugia de Absalão

Neste Salmo Davi expressa a sua completa confiança no Senhor, e recebeu dEle paz e força de espírito para não temer a nenhum dos milhares de inimigos que se levantaram contra ele em todo Israel, por causa da conspiração de seu próprio filho Absalão. Ele pede ao Senhor proteção contra os ímpios que se levantaram contra Ele para o matar, mas ao mesmo tempo pede que Deus destruísse os ímpios que intentavam contra a sua vida.

“SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele. Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde. Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados. Levanta-te, SENHOR! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes. Do SENHOR é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção.”

Silvio Dutra

“Vós, que amais ao Senhor, odiai o mal.” (Salmos 97.10)





Tens bons motivos para "odiar o mal", basta considerares o dano que já operou em ti. Oh, que mundo de males o pecado trouxe ao teu coração! O pecado te cegou de forma que não pudesses ver a beleza do Salvador; te fez surdo para que tu não pudesses ouvir os doces convites do Redentor. O pecado conduziu teus passos para o caminho da morte, e derramou veneno na própria fonte do teu ser; maculou o teu coração, e tornou-o "enganoso acima de todas as coisas, e desesperadamente corrupto". Oh, que criatura eras quando o mal fez tudo que pôde contigo, antes da divina graça interpor-se!
Eras um herdeiro da ira como os demais; "correstes com a multidão para fazer o mal." Assim éramos todos nós; mas Paulo nos lembra, "mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus , e pelo Espírito do nosso Deus.". Temos boas razões, de fato, para odiar o mal quando olhamos para trás e seguimos o rastro dos seu efeitos mortais. Tantos foram os danos que o mal nos fez, que nossa alma teria sido perdida se o amor onipotente não tivesse intervindo para nos redimir. Mesmo agora, ele é um inimigo ativo, sempre espreitando para nos ferir e nos arrastar para a perdição. Portanto, “odeiem o mal". Ó cristãos, a menos que desejem desgostos.
Se vocês espalharem espinhos pelo seu caminho, e plantarem urtigas no seu leito de morte, então deixem de "odiar o mal"; mas se preferirem viver uma vida feliz e uma morte em paz, então andem por todos os caminhos da santidade , detestando o mal, até o fim .
Se realmente amas o teu Salvador, e desejas honrá-lo, "odeie o mal". Não conhecemos nenhuma cura para o amor ao mal em um cristão, senão pela grande intimidade com o Senhor Jesus. Viva com ele, e será impossível estar em paz com o pecado.

"Ordena os meus passos na tua Palavra,
E faz meu coração sincero;
Não deixe o pecado ter nenhum domínio , Senhor,
Mas mantenha a minha consciência limpa."

Texto de Charles Haddon Spurgeon, Traduzido por Iza Rainbow

Charles Haddon Spurgeon

“A misericórdia de Deus." (Salmo 52.8)



Medite um pouco sobre esta misericórdia do Senhor. Ela é uma terna misericórdia. Com gentil toque amoroso, ela sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas.
O Senhor é tão gracioso na forma de ministrar a sua misericórdia! Ela é grande. Não há nada pequeno em Deus, a sua misericórdia é como ele - ela é infinita. Você não pode medi-la. Sua misericórdia é tão grande que perdoa grandes pecados de grandes pecadores, depois de grandes períodos de tempo, e, em seguida, dá grandes favores e privilégios, e nos levanta para grandes alegrias no grande céu do grande Deus.
É misericórdia imerecida, como, aliás, toda a verdadeira misericórdia deve ser, porque misericórdia merecida é apenas um equívoco de justiça.
Não havia direito por parte do pecador para tal tipo de consideração do Altíssimo; tendo o rebelde sido condenado ao fogo eterno, ele teria merecido justamente a condenação, e se é livrado da ira, apenas o amor soberano é a causa, porque nada havia no próprio pecador. Isto é a riqueza da misericórdia .
Algumas coisas são grandes, mas têm pouca eficácia em si mesmas, mas a misericórdia é um estímulo para seus espíritos caídos; um unguento de ouro para os seus ferimentos; uma bandagem celestial para seus ossos quebrados; uma carruagem real para os seus pés cansados; um seio de amor para o seu coração turbado.
É uma misericórdia múltipla, variegada. Como Bunyan diz: "Todas as flores no jardim de Deus são duplicadas." Não há misericórdia solitária. Você pode pensar que você tem senão uma misericórdia, mas você as achará num amplo conjunto de misericórdias. É abundante misericórdia. Milhões a têm recebido, e ainda está muito longe de serem esgotadas; são renovadas, plenas, e livres para sempre. É misericórdia infalível. Nunca te deixará. Se a misericórdia é tua amiga, a misericórdia estará contigo na tentação para te guardar da queda; contigo em tribulações para evitar que naufragues; com a tua vida para ser a luz e a vida do teu semblante; e contigo na morte para ser a alegria da tua alma quando o conforto terreno estiver diminuindo rapidamente.

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

“Contigo está o manancial da vida". (Salmo 36.9)

Há momentos na nossa experiência espiritual, quando o conselho ou simpatia humanos, ou ordenanças religiosas, não conseguem nos confortar ou ajudar. Por que o nosso bondoso Deus permite isso? Talvez seja porque temos vivido muito sem ele, e, portanto, ele tira tudo em que temos o hábito de depender, para que ele possa nos levar para si mesmo.
É uma coisa abençoada viver no manancial. Enquanto o nosso odre está cheio de água, estamos contentes, como Agar e Ismael, indo para o deserto (Gên 21.16), mas quando este se seca, nada vai nos servir, mas “Deus tu me viste”.
Nós somos como o filho pródigo - amamos o cocho dos suínos e esquecemos a casa de nosso Pai. Lembre-se, nós podemos fazer chiqueiros e as cascas do pródigo, mesmo fora das formas de religião; elas são coisas abençoadas, mas podemos colocá-las no lugar de Deus, e então elas não têm qualquer valor. Tudo se torna um ídolo quando nos mantém longe de Deus: mesmo a serpente de bronze é para ser desprezada como "Neustã", se nós a adorarmos no lugar de Deus.
O filho pródigo nunca esteve mais seguro do que quando ele foi levado para o seio de seu pai, porque ele não poderia encontrar alimento em nenhum outro lugar. Nosso Senhor nos favorece com uma fome na terra que pode nos fazer buscá-lo ainda mais. A melhor posição para um cristão é viver integral e diretamente na graça de Deus - ainda permanecendo onde ele se levantou pela primeira vez - "Nada tendo, mas possuindo tudo."
Nunca pensemos sequer por um momento que estamos de pé por nossa santificação, nossa mortificação do pecado, nossas graças, ou por nossos sentimentos, porque sabemos que isto se deve a Cristo que ofereceu uma expiação completa, portanto, somos salvos, pois somos completos nEle. Nada tendo em nós mesmos para confiar, senão descansar nos méritos de Jesus - sua paixão e vida santa nos fornecem o único fundamento seguro de confiança. Amados, quando somos levados a uma condição sedenta, temos a certeza de voltarmos para a fonte da vida com entusiasmo.

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

Salmo 119.36 – Por Thomas Manton – Parte 1

“Inclina o meu coração para os teus testemunhos, e não à cobiça.” (Salmo 119.36).

Tradução e adaptação elaboradas pelo Pr Silvio Dutra, de citações extraídas do comentário de autoria de Thomas Manton, sobre o Salmo 119.36.

Nos versículos anteriores Davi pediu compreensão e direção para conhecer a vontade do Senhor, agora ele pede uma inclinação do seu coração para fazer a Sua vontade.
Não somente o entendimento deve ser esclarecido, mas a vontade deve ser movida e mudada.
O coração do homem é, por sua própria vontade avesso a Deus e à santidade, mesmo quando a inteligência é mais refinada, e o entendimento é abastecido com altas noções sobre o assunto, por isso, Davi não disse apenas: “Dá-me entendimento”, mas "Inclina o meu coração".
Podemos ser mundanos de nós mesmos, mas não podemos ser santos e espirituais de nós mesmos; isto deve ser pedido àquele que é "o Pai das luzes, do qual procede toda dádiva boa e perfeita.”
Aqueles que pleiteiam o poder da natureza como apto para produzir a retidão, excluem o uso da oração; pois se, por natureza, podemos determinar para nós mesmos o que é bom, não haveria necessidade de graça; e se não houvesse necessidade da graça, não haveria qualquer utilidade na oração.
Assim fez Davi, e assim fará todo cristão com o coração partido que tenha tido uma experiência das inclinações de sua própria alma; ele virá a Deus e dirá: "Inclina o meu coração para os teus testemunhos, e não à cobiça."
Nestas palavras há algo implícito e expressado. O que está implícito é uma confissão, o que se expressa é uma súplica. Aquilo que ele confessa é a inclinação natural do seu coração para as coisas do mundo e, por conseguinte para todos os males, porque todos os pecados recebem vida e força de inclinações mundanas. O que ele implora é que a inclinação total e o consentimento de seu coração possam conduzi-lo aos testemunhos de Deus. Ou, resumidamente, temos aqui:
1. A coisa pedida - inclina meu coração.
2. O objeto desta inclinação, expressada de forma positiva - para os teus testemunhos; e negativamente - e não para a cobiça.
"Inclina o meu coração”, a palavra implica:
1. Nossa obstinação natural e desobediência à lei de Deus, pois se o coração do homem fosse naturalmente propenso, e voluntariamente pronto para a obediência, seria em vão dizer a Deus: "Inclina o meu coração." Ai! mas até que Deus nos incline para o outro lado permanecemos avessos aos seus mandamentos. Há uma vontade corrompida que pende para trás, e deseja algo, em vez daquilo que é certo. Precisamos ser conduzidos e inclinados novamente como uma vara torta para o outro lado, para que possa ser endireitada.
2. Isto implica o ato gracioso e poderoso de Deus na alma, onde o coração é fixado e dirigido para o que é bom, quando há uma propensão para o que é contrário a isto; este é o fruto da graça eficaz.
1. Quando é dito que o coração está inclinado para os testemunhos de Deus? Eu respondo - Quando a tendência habitual de nossas afeições é mais para a santidade do que para as coisas do mundo (porque o poder do pecado está no amor ao mundo), e assim faz com que sejamos aptos para a graça e ao amor por ela.
Então, nós estamos inclinados para os testemunhos de Deus, quando os nossos afetos têm uma propensão para o que é bom. Agora, esses afetos devem ser mais para a santidade do que para as coisas mundanas; porque é pela prevalência que a graça é determinada, se a parte preponderante da alma se inclina para Deus. Isto não é uma postura permanente; pois estamos sempre nos levantando entre as duas partes. Há Deus e o mundo; um senso bom pendendo de um modo, e há um bem espiritual que nos pende de outra maneira. Agora, a graça prevalece quando o prato da balança pende para o lado da graça. Eu digo que isto é a inclinação habitual, não uma sensação súbita; o coração deve ser dirigido a buscar o Senhor: 1 Crônicas 22.19, “Disponde, pois, agora o coração e a alma para buscardes ao Senhor, vosso Deus”; e no curso de nossos esforços, a força e o fluxo de nossas almas operam desta forma; então é disso que é dito que o coração está inclinado aos testemunhos de Deus.
2. Como é que Deus age para conduzir e enquadrar os nossos corações à obediência de sua vontade? Há duas maneiras que Deus usa, pela Palavra e pelo seu Espírito, pela persuasão e pelo poder; eles devem ser "ensinados por Deus”, e eles são “atraídos por Deus”: João 6.44. "O Senhor engrandecerá Jafé” Gên 9.27, então ele trabalha com persuasão, e em seguida, pelo poder, Ez 36.26,27, “Eu farei com que andeis nos meus caminhos”, etc. Deus atrai com uma força irresistível e com doçura juntamente. Ele opera como Deus, pois ele trabalha forte e invencivelmente, mas ele convence homens como homens, por isso ele propõe razões e argumentos, trabalhando por meio de persuasão; fortemente de acordo com sua própria natureza, docemente segundo a do homem, por persuasões acompanhadas pela eficácia secreta de sua própria graça. Primeiro ele dá razões pesadas, ele lança peso após peso até que o prato da balança seja mudado de posição; então ele faz tudo eficazmente pelo seu Espírito. Ele trabalha moralmente, porque Deus preservará a natureza do homem e portanto os seus princípios, e assim ele não trabalha pela violência, mas por uma doce inclinação fascinante, e falando confortavelmente a nós: Oséias 11.4, "Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor". Deus conhece todas as divisões do coração do homem, e que tipo de chaves vão abrir as trancas, por isso ele adapta esses argumentos para que possam trabalhar em nós, e nos trazer a ele no nosso tempo apropriado (este tempo é diferente para cada pessoa), e então para que o efeito que se seguirá possa realmente prevalecer.
Deus inclina o coração para o que é bom, e o convence pela sua graça. Deus sabe como alterar o curso de nossas afeições pelo seu poder secreto.
Para os teus testemunhos – assim a palavra de Deus é chamada, pois testifica de sua vontade. Temos uma prova clara e o testemunho como Deus fica afetado por cada homem, que tipo de afeição Deus tem para com ele.
E não para a cobiça - Marque esta frase: não me incline para a cobiça. Porventura Deus nos inclina para a cobiça? Não, mas ele nos permite as inclinações de nossos próprios corações, justamente por negar a sua graça àqueles que o ofendem, e após a suspensão da sua graça, a natureza é deixada ao seu próprio domínio: a presença do comandante ou piloto salva o navio, a sua ausência é a causa dos destroços. E assim, os escolásticos dizem, Deus se inclina para uma boa eficiência, trabalhando em nós, e para uma má deficiência, retirando a sua graça de nós. Você tem uma expressão parecida no Sl 141.4 “Não permitas que meu coração se incline para o mal.” Deus pode, como um senhor fazer o que lhe agrada com o que lhe pertence; e como um justo juiz pode deixar nossos corações entregues à sua própria inclinação perversa natural.
“Não para a cobiça". Isto é mencionado porque o nosso amor demasiado às coisas mundanas é o obstáculo especial para a obediência; isto tira os nossos corações do amor e cuidado pela submissão à vontade de Deus. E então, quando ele diz "não para a cobiça", ele demonstra a sua própria estima e escolha, como preferindo os testemunhos de Deus acima de todas as riquezas, e, possivelmente, sugere a sinceridade de seus objetivos, de que não iria servir a Deus por vantagens temporais e honrarias mundanas. Satanás acusou Jó a respeito disto de um modo muito perverso: Jó 1.9, "Porventura Jó serve a Deus em vão?" Davi, para evitar tal suposição, e que ele não foi levado por qualquer pensamento de ganho interesseiro por desejar a piedade, disse: “Para os teus testemunhos, e não à cobiça.".
Estas palavras nos oferecem duas observações:
1. Que somente Deus pode conduzir os nossos corações ao que é reto, ou incliná-los de seu pendor carnal para os Seus testemunhos.
2. Que a cobiça ou o desejo flagrante das coisas mundanas, é um grande impedimento para se cumprir os testemunhos de Deus.
Analisemos a primeira observação com as seguintes considerações:
Primeiro, o coração do homem deve ter um objeto para o qual esteja inclinado ou então se decompõe, pois ele é como uma esponja, que tem sede em si mesma, suga a umidade de outras coisas; é um caos de desejos, buscando ser preenchido com algo de fora. Fomos feitos um para o outro, para sermos felizes na alegria de um ser fora de nós; por isso o homem deve ter algo para amar, pois os afetos da alma não podem permanecer ociosos e sem um objeto amado: Sl 4.6, “Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem?”. Todos nós buscamos por algo para satisfazer os nossos afetos.
Em segundo lugar, o coração que é destituído de graça, é totalmente conduzido pelas coisas temporais. Por quê? Porque elas estão próximas da mão, e se adequam melhor com a nossa natureza carnal.
Thomas Manton

Thomas Manton

“Espera no Senhor" (Salmo 27.14)



Esperar pode parecer uma coisa fácil, mas é uma das posturas que um soldado cristão não aprende sem anos de ensino. Marchar e correr é muito mais fácil para os guerreiros de Deus do que permanecer parados. Há momentos de perplexidade, em que o espírito mais disposto, ansiosamente desejoso de servir ao Senhor, não sabe que decisão tomar. Então o que se faz? Ficar agitado pelo desespero? Voar de volta por covardia, virar à direita por medo, ou correr adiante por presunção? Não, mas simplesmente esperar. Entretanto, esperar em oração. Clame a Deus, e exponha o caso diante dele, diga-lhe sua dificuldade, e pleiteie a sua promessa de ajuda.
Em dilemas entre um dever e outro, é doce ser humilde como uma criança, e esperar com simplicidade de alma no Senhor. É certo que tudo está bem conosco quando sentimos e conhecemos nossa própria insensatez, e estamos sinceramente dispostos a ser guiados pela vontade de Deus.
Mas espere com fé. Expresse sua confiança inabalável nele, porque o infiel, espera desconfiando, e isto é um insulto ao Senhor.
Creio que se ele mantiver você esperando até à meia-noite, ainda assim ele virá no momento certo; a visão virá, e não tardará. Espere com paciência tranquila, não se rebelando porque está sob a aflição, mas bendiga a Deus por isso.
Nunca murmure contra a tribulação, como os filhos de Israel fizeram contra Moisés, nunca deseje voltar ao mundo novamente, mas aceite o caso como é, e o apresente de forma simples e com todo o seu coração, sem qualquer vontade própria, nas mãos do seu Deus da aliança, dizendo: "Agora, Senhor, não seja feita a minha vontade, mas a tua. Eu não sei o que fazer; eu cheguei ao limite, mas vou esperar até que tu desfaças as tempestades, ou que afugentes os meus inimigos. Eu vou esperar por muitos dias, se tu me guardares, porque meu coração está firme somente em ti, oh Deus, e meu espírito anseia por ti na plena convicção de que tu ainda serás a minha alegria e a minha salvação, o meu refúgio e a minha torre forte ".

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

No deserto - Salmos 23:4

Quando ouvimos falar em deserto o que vem em nossa mente é dificuldade. Devido a sua instabilidade, poucas pessoas se aventurariam em querer morar neste lugar.

Em nossa vida passamos por desertos, são momentos tão difíceis que achamos não ter solução. Será que podemos aprender alguma coisa quando passamos pelos desertos da vida?



Para meditar.



1) Jesus no deserto: Mateus 4:1 - Jesus foi levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo Diabo, suas qualificações como messias de Deus e nosso Redentor foram confirmadas.

Quem sabe você esteja passando pelo deserto da tentação?
Sendo tentado, como filho de Deus, aguente firme, resista à investida do Diabo e você será aprovado!



2) Calebe no deserto: Josué 14:6-14 - Calebe, mesmo acreditando na promessa, precisou peregrinar no deserto até que todos os que não acreditaram, morressem para que a nova geração crescesse e pudesse entrar na Terra Prometida.

Quem sabe você esteja passando pelo deserto da ajuda, tendo que abrir mão temporariamente da promessa para poder ajudar outras pessoas a crescerem na caminhada à Terra Prometida? Não fique triste, a promessa é sua. Seja um referencial para essas pessoas como servo de Deus.



3) Agar no deserto: Gênesis 21:8-17 - Agar foi mandada embora de onde vivia devido ao conflito de seu filho com o filho de sua senhora. Ela andou errante pelo deserto sem ter solução para seu problema, mas Deus ouviu a voz da dor de seu filho e a socorreu.

Quem sabe você hoje esteja no deserto da falta de esperança, onde, aos teus olhos, não se vê solução. Quero te dizer que Deus está agora mesmo ouvindo o seu choro e te levantará dessa situação, pois Ele tem um propósito com a sua vida. Não são as pessoas que determinan o seu fim, é Deus quem determina.



O deserto não mata quem confia na poderosa mão de Deus. Pelo contrário, podemos tirar grandes experiências com Ele.

MGT

MEU AUXÍLIO

Ouve, Senhor,
e tem piedade de mim, Senhor.
Sê o meu auxílio.
Salmos 30:10

Jesus.
O porto seguro para as tempestades.

Jesus.
A luz forte para os dias escuros.

Jesus.
A direção para os caminhos sinuosos.

Jesus.
O auxílio para os momentos de turbulência.

Jesus.
A bússola para quando estou perdido na vida.

Caio Góes
Pastor

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