Salmos da Bíblia

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SALMO 31 – Salmo de Davi

Temos aqui mais uma das orações modelares de Davi que ele costumava fazer quando se encontrava debaixo de aflições e de angústias. Faríamos bem em seguir-lhe os passos toda vez em que nos encontramos nas mesmas condições que ele havia experimentado, quando por causa do Seu amor pelo Senhor, muitos lhe armavam laços às ocultas, e nas quais sempre fazia do Senhor a sua fortaleza, e entregava o seu espírito nas Suas mãos para ser livrado. Ele sabia perfeitamente que era uma coisa vã recorrer a ídolos para receber livramento. Ao contrário, os laços aumentariam, porque Deus abomina os que adoram ídolos. Sua confiança estava colocada inteiramente no Deus invisível cuja vontade está revelada na Bíblia. Ele somente se alegrava e se regozijava quando o Senhor lhe manifestava a Sua benignidade livrando-o das mãos dos inimigos, que angustiavam e afligiam a sua alma, e firmando os seus pés num lugar espiritual espaçoso, em que já não podia mais estar sendo oprimido em sua alma. Tal era a fidelidade de Davi caminhando em retidão com o Senhor que o diabo tinha uma fome de devorar a sua alma justa muito maior do que a fome que nós temos de pão. Davi e o testemunho de sua vida era um espinho na carne de Satanás, porque por ele, Deus podia calar o diabo com os seus argumentos até mesmo para cristãos, que uma vida de santidade plena com Deus é algo impossível, levando muitos destes portanto, a duvidarem até mesmo da real existência de Deus. Mas o testemunho de Davi era um cala boca nos argumentos do diabo, e ele tentaria então tirar a sua vida por todos os modos e meios, ou então levá-lo a um tal desespero em que já não fosse possível manter o mesmo testemunho de retidão, santidade, amor e prática da verdade. Todavia ele não podia levar vantagem sobre Davi, levantando exércitos contra ele, conspiradores, e toda sorte de perseguidores, porque ele sempre, se voltava para buscar socorro no Senhor, por maior que fosse a angústia da sua alma, tal como a que ele expressa neste salmo. A misericórdia do Senhor para com ele era tão grande, que mesmo quando Davi chegava a desesperar da vida, pensando que Ele lhe havia abandonado, e que seria destruído por seus inimigos, o Senhor sempre se manifestava no fim, dando-lhe livramento. De modo que a sua fé nEle, na Sua bondade e misericórdia, aumentava cada vez mais, pois via como Ele envergonhava os perversos, e emudecia os lábios mentirosos que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém. Davi aprendeu que Deus sempre age assim com aqueles que se refugiam nEle. Por isso Davi conclama todos os que são santos a amarem ao Senhor, porque Ele preserva os fiéis para Si, para que o amem e o sirvam, mas retribui com largueza o soberbo com os Seus juízos. Os que amam o Senhor devem portanto buscar estarem fortalecidos com a Sua graça, e terem o coração revigorado por Ele, para que o sirvam do único modo pelo qual Ele é digno de ser servido e amado.

“Em ti, SENHOR, me refugio; não seja eu jamais envergonhado; livra-me por tua justiça. Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa; sê o meu castelo forte, cidadela fortíssima que me salve. Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás. Tirar-me-ás do laço que, às ocultas, me armaram, pois tu és a minha fortaleza. Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade. Aborreces os que adoram ídolos vãos; eu, porém, confio no SENHOR. Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois tens visto a minha aflição, conheceste as angústias de minha alma e não me entregaste nas mãos do inimigo; firmaste os meus pés em lugar espaçoso. Compadece-te de mim, SENHOR, porque me sinto atribulado; de tristeza os meus olhos se consomem, e a minha alma e o meu corpo. Gasta-se a minha vida na tristeza, e os meus anos, em gemidos; debilita-se a minha força, por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem. Tornei-me opróbrio para todos os meus adversários, espanto para os meus vizinhos e horror para os meus conhecidos; os que me veem na rua fogem de mim. Estou esquecido no coração deles, como morto; sou como vaso quebrado. Pois tenho ouvido a murmuração de muitos, terror por todos os lados; conspirando contra mim, tramam tirar-me a vida. Quanto a mim, confio em ti, SENHOR. Eu disse: tu és o meu Deus. Nas tuas mãos, estão os meus dias; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores. Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tua misericórdia. Não seja eu envergonhado, SENHOR, pois te invoquei; envergonhados sejam os perversos, emudecidos na morte. Emudeçam os lábios mentirosos, que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém. Como é grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual usas, perante os filhos dos homens, para com os que em ti se refugiam! No recôndito da tua presença, tu os esconderás das tramas dos homens, num esconderijo os ocultarás da contenda de línguas. Bendito seja o SENHOR, que engrandeceu a sua misericórdia para comigo, numa cidade sitiada! Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro. Amai o SENHOR, vós todos os seus santos. O SENHOR preserva os fiéis, mas retribui com largueza ao soberbo. Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no SENHOR.”

Silvio Dutra

SALMO 29 – Salmo de Davi

Todos os filhos de Deus têm uma grande dívida para com Ele, a qual deve ser paga com adoração verdadeira, em santidade, em espírito. Ele deve ser amado com todas as nossas forças, ou seja, com todo o empenho da nossa mente e espírito, em cumprimento da Sua vontade. Devemos pagar-lhe o tributo da devida glorificação do Seu nome, praticando obras de justiça diante de todos os homens, especialmente por lhes pregar o evangelho, para que o Seu nome seja glorificado, pelas obras poderosas que Ele realizar na presença deles por nosso intermédio. Para tais boas obras é necessário ouvir o que o Espírito diz às igrejas. É preciso ouvir a poderosa voz do Senhor, que está representada em figura nos fenômenos da natureza que produzem fortes sons como por exemplo os trovões e as ondas do mar. Com a liberação da Palavra de ordem o Senhor não somente pode destruir, como também gerar vida. Ele pode purificar como fogo. Ele sobre tudo preside e se nossos ouvidos espirituais estiverem apurados nós ouviremos a Sua poderosa voz, e automaticamente diremos: Glória! A teologia do silêncio permanente como forma de expressar reverência a Deus, não se sustenta nos corações daqueles que tal como Davi, ouvem a voz do Senhor, porque não podem conter o mover que o Espírito produz no interior deles, e o traduzirão em brados de glórias e aleluias a Deus.

“Tributai ao SENHOR, filhos de Deus, tributai ao SENHOR glória e força. Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza da santidade. Ouve-se a voz do SENHOR sobre as águas; troveja o Deus da glória; o SENHOR está sobre as muitas águas. A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade. A voz do SENHOR quebra os cedros; sim, o SENHOR despedaça os cedros do Líbano. Ele os faz saltar como um bezerro; o Líbano e o Siriom, como bois selvagens. A voz do SENHOR despede chamas de fogo. A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades. A voz do SENHOR faz dar cria às corças e desnuda os bosques; e no seu templo tudo diz: Glória! O SENHOR preside aos dilúvios; como rei, o SENHOR presidirá para sempre. O SENHOR dá força ao seu povo, o SENHOR abençoa com paz ao seu povo.”

Silvio Dutra

SALMO 28 – Salmo de Davi

Sendo rei, e antes mesmo de ser rei, tendo vivido na corte do pérfido Saul, Davi conhecia muito bem, não por praticar, mas por ver nas vidas dos cortesãos, o que era a perversidade, especialmente das dissimulações daqueles que falam de paz ao seu próximo, enquanto tramam perversidades em seus corações contra ele.
Num mundo de lobos, temos que pedir ao Senhor, tal como Davi, que ouça as nossas súplicas por socorro, para que não sejamos arrastados pela maldade dos ímpios. Não devemos nos vingar a nós mesmos em nenhuma situação, mas devemos dar lugar à ira de Deus, que prometeu tomar em Suas mãos as nossas causas, e nos vingar, Ele mesmo, dos nossos inimigos. Ainda que nada lhes sobrevenha diretamente da parte de Deus neste mundo, a destruição deles é certa, e terão que prestar contas ao Senhor de todos os seus atos, no dia do Juízo Final. Nenhum cristão que esteja sofrendo injustamente neste mundo, tem portanto, motivo para concentrar a sua atenção ou preocupação naqueles que lhe perseguem ou que intentam o mal contra as suas vidas, como paga do bem que deles recebem, ou por causa do seu bom testemunho em Cristo, mas devem concentrar seus pensamentos e atenção somente no Senhor, porque é dEle que virá o seu livramento. Davi chama por isso o Senhor de sua força e escudo. Força para agir contra o mal, e escudo para nos proteger das suas maldades.

“A ti clamo, ó SENHOR; rocha minha, não sejas surdo para comigo; para que não suceda, se te calares acerca de mim, seja eu semelhante aos que descem à cova. Ouve-me as vozes súplices, quando a ti clamar por socorro, quando erguer as mãos para o teu santuário. Não me arrastes com os ímpios, com os que praticam a iniquidade; os quais falam de paz ao seu próximo, porém no coração têm perversidade. Paga-lhes segundo as suas obras, segundo a malícia dos seus atos; dá-lhes conforme a obra de suas mãos, retribui-lhes o que merecem. E, visto que não atentam para os feitos do SENHOR, nem para o que as suas mãos fazem, ele os derribará e não os reedificará. Bendito seja o SENHOR, porque me ouviu as vozes súplices! O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia, nele fui socorrido; por isso, o meu coração exulta, e com o meu cântico o louvarei. O SENHOR é a força do seu povo, o refúgio salvador do seu ungido. Salva o teu povo e abençoa a tua herança; apascenta-o e exalta-o para sempre.”

Silvio Dutra

SALMO 14 – Salmo de Davi

Davi aspira pela manifestação da glória futura de Israel junto com o Messias, quando o ímpio já não mais prevalecerá na terra. Quando não mais haverá insensatos para afirmarem que Deus não existe, por causa da corrupção deles e da prática das suas abominações, e não se dispõem à prática do bem. A tal ponto se multiplicou a iniquidade que não havia quem fizesse o bem e que invocasse o Senhor. Todos se extraviaram e se corromperam por causa da iniquidade que se multiplicou em seus corações. Todavia não serão tidos por inocentes na presença do Senhor, antes, serão tomados por grande pavor, porque Deus está somente do lado daqueles que foram justificados, porque buscaram graça nEle para viverem na prática da justiça. Estes ímpios que ridicularizam os conselhos dos humildes, porque se têm na conta de mais sábios e espertos do que eles, serão consumidos pelo Senhor, mas Ele será o refúgio destes humildes de coração que são desprezados na terra.

“Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. Acaso, não entendem todos os obreiros da iniquidade, que devoram o meu povo, como quem come pão, que não invocam o SENHOR? Tomar-se-ão de grande pavor, porque Deus está com a linhagem do justo. Meteis a ridículo o conselho dos humildes, mas o SENHOR é o seu refúgio. Tomara de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando o SENHOR restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará.”

Silvio Dutra

SALMO 13 – Salmo de Davi

Davi clama ao Senhor para que o livre da tristeza do seu coração por causa do inimigo que o perseguia tão persistentemente. Ele não queria de modo nenhum fracassar diante dele para que a glória do Senhor não fosse espezinhada. Então orou com confiança na graça do Senhor, regozijando-se na Sua salvação, e louvou ao Senhor porquanto Ele lhe fazia muito bem.

“Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo? Atenta para mim, responde-me, SENHOR, Deus meu! Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte; para que não diga o meu inimigo: Prevaleci contra ele; e não se regozijem os meus adversários, vindo eu a vacilar. No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração na tua salvação. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.”

Silvio Dutra

SALMO 12 – Salmo de Davi

Este Salmo é um retrato perfeito do mundo atual no qual a vileza tem sido exaltada pela sociedade corrompida em que vivemos, de maneira que os perversos andam por todos os lugares da terra, multiplicando-se mais e mais. Não admira que tão poucos estejam dispostos a dar ouvidos e a seguirem a sã doutrina, mesmo em igrejas fiéis. Eles se escandalizam com a verdade e com a chamada à santidade, e à crucificação do ego, porque amam somente a prosperidade, pela qual alimentam os prazeres de suas luxúrias carnais. Não podem mais abrir mão disto porque é um vício que está terrivelmente apegado às suas almas. Então o que prevalece é o falar com falsidade, enganando-se mutuamente, para sobrepujarem o próximo em todas as coisas terrenas (fama, poder, dinheiro, posição etc). Usam de bajulação com um coração fingido para destruírem aqueles que eles invejam, e para galgarem “posições mais elevadas” à vista de outros, para alimentarem o seu orgulho e vaidade. Desconhecem o que seja submissão e obediência à autoridade, porque são senhores da própria vontade, e julgam que seja liberdade verdadeira abrir a boca para falarem o que bem desejam, ainda que seja para destruir a reputação do próximo. No entanto, o Senhor se levantará do Seu trono para julgar toda a opressão e todo o gemido que é produzido na terra por tais ímpios, que se recusam a se converter a Ele e à justiça. Mas salvará a todo aquele que suspira por isto.

“Socorro, SENHOR! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens. Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido. Corte o SENHOR todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente, pois dizem: Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós? Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, eu me levantarei agora, diz o SENHOR; e porei a salvo a quem por isso suspira. As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes. Sim, SENHOR, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre. Por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada.”

Silvio Dutra

SALMO 11 – Salmo de Davi

Os salmistas, assim como Davi, por serem homens santos e justos, recebiam do Senhor a capacidade de discernirem o mal que há no mundo, especialmente nos corações das pessoas. Deus pode nos dar o dom de discernimento, pela Sua Palavra, e Espírito, de discernir não somente os pensamentos, como também as intenções dos corações das pessoas, sejam eles bons ou maus (Hb 4.12). Por isso, enquanto os ímpios procuravam amedrontá-lo e ameaçá-lo, ele buscava refúgio no Senhor, com a firme certeza de que acharia segura proteção, porque não andava nos mesmos passos deles, e sabia que o Senhor se agrada de quem vive na prática da justiça, e é a cidadela forte dos tais, no dia da angústia, e não somente isto, permite-lhes que vejam a Sua face em espírito, a saber, que discirnam e sintam a Sua presença, mas, quanto aos perversos que amam a violência, os abomina e fará chover sobre eles brasas de fogo e enxofre e vento abrasador, pelo derramar dos Seus juízos sobre eles.

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte? Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração. Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens. O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina. Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face.”

Silvio Dutra

SALMO 9 – Salmo de Davi

Davi havia vencido muitas guerras. Havia subjugado muitas nações ímpias, inimigas de Israel. Todavia, ele reconhece que todas aquelas vitórias foram, não propriamente suas, mas do Senhor. E ao mesmo tempo reconhece que Ele não é Deus sanguinário, que se agrade da violência e da injustiça. De maneira que foi com justiça e equidade que Davi empreendeu todas as guerras em que teve que se empenhar. Quão diferentemente disto costumam agir todos os demais governantes da terra, que se esquecem do Senhor, da justiça e da benignidade, e que usam da impiedade nas guerras para o aumento da glória do próprio nome deles.

“Louvar-te-ei, SENHOR, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas. Alegrar-me-ei e exultarei em ti; ao teu nome, ó Altíssimo, eu cantarei louvores. Pois, ao retrocederem os meus inimigos, tropeçam e somem-se da tua presença; porque sustentas o meu direito e a minha causa; no trono te assentas e julgas retamente. Repreendes as nações, destróis o ímpio e para todo o sempre lhes apagas o nome. Quanto aos inimigos, estão consumados, suas ruínas são perpétuas, arrasaste as suas cidades; até a sua memória pereceu. Mas o SENHOR permanece no seu trono eternamente, trono que erigiu para julgar. Ele mesmo julga o mundo com justiça; administra os povos com retidão. O SENHOR é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação. Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, SENHOR, não desamparas os que te buscam. Cantai louvores ao SENHOR, que habita em Sião; proclamai entre os povos os seus feitos. Pois aquele que requer o sangue lembra-se deles e não se esquece do clamor dos aflitos. Compadece-te de mim, SENHOR; vê a que sofrimentos me reduziram os que me odeiam, tu que me levantas das portas da morte; para que, às portas da filha de Sião, eu proclame todos os teus louvores e me regozije da tua salvação. Afundam-se as nações na cova que fizeram, no laço que esconderam, prendeu-se-lhes o pé. Faz-se conhecido o SENHOR, pelo juízo que executa; enlaçado está o ímpio nas obras de suas próprias mãos. Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus. Pois o necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se há de frustrar perpetuamente. Levanta-te, SENHOR; não prevaleça o mortal. Sejam as nações julgadas na tua presença. Infunde-lhes, SENHOR, o medo; saibam as nações que não passam de mortais.”

Silvio Dutra

SALMO 3 - com interpretação (nota: todos os salmos estão interpretados)

Salmo de Davi, quando fugia de Absalão

Neste Salmo Davi expressa a sua completa confiança no Senhor, e recebeu dEle paz e força de espírito para não temer a nenhum dos milhares de inimigos que se levantaram contra ele em todo Israel, por causa da conspiração de seu próprio filho Absalão. Ele pede ao Senhor proteção contra os ímpios que se levantaram contra Ele para o matar, mas ao mesmo tempo pede que Deus destruísse os ímpios que intentavam contra a sua vida.

“SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele. Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde. Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados. Levanta-te, SENHOR! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes. Do SENHOR é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção.”

Silvio Dutra

“Vós, que amais ao Senhor, odiai o mal.” (Salmos 97.10)





Tens bons motivos para "odiar o mal", basta considerares o dano que já operou em ti. Oh, que mundo de males o pecado trouxe ao teu coração! O pecado te cegou de forma que não pudesses ver a beleza do Salvador; te fez surdo para que tu não pudesses ouvir os doces convites do Redentor. O pecado conduziu teus passos para o caminho da morte, e derramou veneno na própria fonte do teu ser; maculou o teu coração, e tornou-o "enganoso acima de todas as coisas, e desesperadamente corrupto". Oh, que criatura eras quando o mal fez tudo que pôde contigo, antes da divina graça interpor-se!
Eras um herdeiro da ira como os demais; "correstes com a multidão para fazer o mal." Assim éramos todos nós; mas Paulo nos lembra, "mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus , e pelo Espírito do nosso Deus.". Temos boas razões, de fato, para odiar o mal quando olhamos para trás e seguimos o rastro dos seu efeitos mortais. Tantos foram os danos que o mal nos fez, que nossa alma teria sido perdida se o amor onipotente não tivesse intervindo para nos redimir. Mesmo agora, ele é um inimigo ativo, sempre espreitando para nos ferir e nos arrastar para a perdição. Portanto, “odeiem o mal". Ó cristãos, a menos que desejem desgostos.
Se vocês espalharem espinhos pelo seu caminho, e plantarem urtigas no seu leito de morte, então deixem de "odiar o mal"; mas se preferirem viver uma vida feliz e uma morte em paz, então andem por todos os caminhos da santidade , detestando o mal, até o fim .
Se realmente amas o teu Salvador, e desejas honrá-lo, "odeie o mal". Não conhecemos nenhuma cura para o amor ao mal em um cristão, senão pela grande intimidade com o Senhor Jesus. Viva com ele, e será impossível estar em paz com o pecado.

"Ordena os meus passos na tua Palavra,
E faz meu coração sincero;
Não deixe o pecado ter nenhum domínio , Senhor,
Mas mantenha a minha consciência limpa."

Texto de Charles Haddon Spurgeon, Traduzido por Iza Rainbow

Charles Haddon Spurgeon

“A misericórdia de Deus." (Salmo 52.8)



Medite um pouco sobre esta misericórdia do Senhor. Ela é uma terna misericórdia. Com gentil toque amoroso, ela sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas.
O Senhor é tão gracioso na forma de ministrar a sua misericórdia! Ela é grande. Não há nada pequeno em Deus, a sua misericórdia é como ele - ela é infinita. Você não pode medi-la. Sua misericórdia é tão grande que perdoa grandes pecados de grandes pecadores, depois de grandes períodos de tempo, e, em seguida, dá grandes favores e privilégios, e nos levanta para grandes alegrias no grande céu do grande Deus.
É misericórdia imerecida, como, aliás, toda a verdadeira misericórdia deve ser, porque misericórdia merecida é apenas um equívoco de justiça.
Não havia direito por parte do pecador para tal tipo de consideração do Altíssimo; tendo o rebelde sido condenado ao fogo eterno, ele teria merecido justamente a condenação, e se é livrado da ira, apenas o amor soberano é a causa, porque nada havia no próprio pecador. Isto é a riqueza da misericórdia .
Algumas coisas são grandes, mas têm pouca eficácia em si mesmas, mas a misericórdia é um estímulo para seus espíritos caídos; um unguento de ouro para os seus ferimentos; uma bandagem celestial para seus ossos quebrados; uma carruagem real para os seus pés cansados; um seio de amor para o seu coração turbado.
É uma misericórdia múltipla, variegada. Como Bunyan diz: "Todas as flores no jardim de Deus são duplicadas." Não há misericórdia solitária. Você pode pensar que você tem senão uma misericórdia, mas você as achará num amplo conjunto de misericórdias. É abundante misericórdia. Milhões a têm recebido, e ainda está muito longe de serem esgotadas; são renovadas, plenas, e livres para sempre. É misericórdia infalível. Nunca te deixará. Se a misericórdia é tua amiga, a misericórdia estará contigo na tentação para te guardar da queda; contigo em tribulações para evitar que naufragues; com a tua vida para ser a luz e a vida do teu semblante; e contigo na morte para ser a alegria da tua alma quando o conforto terreno estiver diminuindo rapidamente.

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

“Contigo está o manancial da vida". (Salmo 36.9)

Há momentos na nossa experiência espiritual, quando o conselho ou simpatia humanos, ou ordenanças religiosas, não conseguem nos confortar ou ajudar. Por que o nosso bondoso Deus permite isso? Talvez seja porque temos vivido muito sem ele, e, portanto, ele tira tudo em que temos o hábito de depender, para que ele possa nos levar para si mesmo.
É uma coisa abençoada viver no manancial. Enquanto o nosso odre está cheio de água, estamos contentes, como Agar e Ismael, indo para o deserto (Gên 21.16), mas quando este se seca, nada vai nos servir, mas “Deus tu me viste”.
Nós somos como o filho pródigo - amamos o cocho dos suínos e esquecemos a casa de nosso Pai. Lembre-se, nós podemos fazer chiqueiros e as cascas do pródigo, mesmo fora das formas de religião; elas são coisas abençoadas, mas podemos colocá-las no lugar de Deus, e então elas não têm qualquer valor. Tudo se torna um ídolo quando nos mantém longe de Deus: mesmo a serpente de bronze é para ser desprezada como "Neustã", se nós a adorarmos no lugar de Deus.
O filho pródigo nunca esteve mais seguro do que quando ele foi levado para o seio de seu pai, porque ele não poderia encontrar alimento em nenhum outro lugar. Nosso Senhor nos favorece com uma fome na terra que pode nos fazer buscá-lo ainda mais. A melhor posição para um cristão é viver integral e diretamente na graça de Deus - ainda permanecendo onde ele se levantou pela primeira vez - "Nada tendo, mas possuindo tudo."
Nunca pensemos sequer por um momento que estamos de pé por nossa santificação, nossa mortificação do pecado, nossas graças, ou por nossos sentimentos, porque sabemos que isto se deve a Cristo que ofereceu uma expiação completa, portanto, somos salvos, pois somos completos nEle. Nada tendo em nós mesmos para confiar, senão descansar nos méritos de Jesus - sua paixão e vida santa nos fornecem o único fundamento seguro de confiança. Amados, quando somos levados a uma condição sedenta, temos a certeza de voltarmos para a fonte da vida com entusiasmo.

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

Salmo 119.36 – Por Thomas Manton – Parte 1

“Inclina o meu coração para os teus testemunhos, e não à cobiça.” (Salmo 119.36).

Tradução e adaptação elaboradas pelo Pr Silvio Dutra, de citações extraídas do comentário de autoria de Thomas Manton, sobre o Salmo 119.36.

Nos versículos anteriores Davi pediu compreensão e direção para conhecer a vontade do Senhor, agora ele pede uma inclinação do seu coração para fazer a Sua vontade.
Não somente o entendimento deve ser esclarecido, mas a vontade deve ser movida e mudada.
O coração do homem é, por sua própria vontade avesso a Deus e à santidade, mesmo quando a inteligência é mais refinada, e o entendimento é abastecido com altas noções sobre o assunto, por isso, Davi não disse apenas: “Dá-me entendimento”, mas "Inclina o meu coração".
Podemos ser mundanos de nós mesmos, mas não podemos ser santos e espirituais de nós mesmos; isto deve ser pedido àquele que é "o Pai das luzes, do qual procede toda dádiva boa e perfeita.”
Aqueles que pleiteiam o poder da natureza como apto para produzir a retidão, excluem o uso da oração; pois se, por natureza, podemos determinar para nós mesmos o que é bom, não haveria necessidade de graça; e se não houvesse necessidade da graça, não haveria qualquer utilidade na oração.
Assim fez Davi, e assim fará todo cristão com o coração partido que tenha tido uma experiência das inclinações de sua própria alma; ele virá a Deus e dirá: "Inclina o meu coração para os teus testemunhos, e não à cobiça."
Nestas palavras há algo implícito e expressado. O que está implícito é uma confissão, o que se expressa é uma súplica. Aquilo que ele confessa é a inclinação natural do seu coração para as coisas do mundo e, por conseguinte para todos os males, porque todos os pecados recebem vida e força de inclinações mundanas. O que ele implora é que a inclinação total e o consentimento de seu coração possam conduzi-lo aos testemunhos de Deus. Ou, resumidamente, temos aqui:
1. A coisa pedida - inclina meu coração.
2. O objeto desta inclinação, expressada de forma positiva - para os teus testemunhos; e negativamente - e não para a cobiça.
"Inclina o meu coração”, a palavra implica:
1. Nossa obstinação natural e desobediência à lei de Deus, pois se o coração do homem fosse naturalmente propenso, e voluntariamente pronto para a obediência, seria em vão dizer a Deus: "Inclina o meu coração." Ai! mas até que Deus nos incline para o outro lado permanecemos avessos aos seus mandamentos. Há uma vontade corrompida que pende para trás, e deseja algo, em vez daquilo que é certo. Precisamos ser conduzidos e inclinados novamente como uma vara torta para o outro lado, para que possa ser endireitada.
2. Isto implica o ato gracioso e poderoso de Deus na alma, onde o coração é fixado e dirigido para o que é bom, quando há uma propensão para o que é contrário a isto; este é o fruto da graça eficaz.
1. Quando é dito que o coração está inclinado para os testemunhos de Deus? Eu respondo - Quando a tendência habitual de nossas afeições é mais para a santidade do que para as coisas do mundo (porque o poder do pecado está no amor ao mundo), e assim faz com que sejamos aptos para a graça e ao amor por ela.
Então, nós estamos inclinados para os testemunhos de Deus, quando os nossos afetos têm uma propensão para o que é bom. Agora, esses afetos devem ser mais para a santidade do que para as coisas mundanas; porque é pela prevalência que a graça é determinada, se a parte preponderante da alma se inclina para Deus. Isto não é uma postura permanente; pois estamos sempre nos levantando entre as duas partes. Há Deus e o mundo; um senso bom pendendo de um modo, e há um bem espiritual que nos pende de outra maneira. Agora, a graça prevalece quando o prato da balança pende para o lado da graça. Eu digo que isto é a inclinação habitual, não uma sensação súbita; o coração deve ser dirigido a buscar o Senhor: 1 Crônicas 22.19, “Disponde, pois, agora o coração e a alma para buscardes ao Senhor, vosso Deus”; e no curso de nossos esforços, a força e o fluxo de nossas almas operam desta forma; então é disso que é dito que o coração está inclinado aos testemunhos de Deus.
2. Como é que Deus age para conduzir e enquadrar os nossos corações à obediência de sua vontade? Há duas maneiras que Deus usa, pela Palavra e pelo seu Espírito, pela persuasão e pelo poder; eles devem ser "ensinados por Deus”, e eles são “atraídos por Deus”: João 6.44. "O Senhor engrandecerá Jafé” Gên 9.27, então ele trabalha com persuasão, e em seguida, pelo poder, Ez 36.26,27, “Eu farei com que andeis nos meus caminhos”, etc. Deus atrai com uma força irresistível e com doçura juntamente. Ele opera como Deus, pois ele trabalha forte e invencivelmente, mas ele convence homens como homens, por isso ele propõe razões e argumentos, trabalhando por meio de persuasão; fortemente de acordo com sua própria natureza, docemente segundo a do homem, por persuasões acompanhadas pela eficácia secreta de sua própria graça. Primeiro ele dá razões pesadas, ele lança peso após peso até que o prato da balança seja mudado de posição; então ele faz tudo eficazmente pelo seu Espírito. Ele trabalha moralmente, porque Deus preservará a natureza do homem e portanto os seus princípios, e assim ele não trabalha pela violência, mas por uma doce inclinação fascinante, e falando confortavelmente a nós: Oséias 11.4, "Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor". Deus conhece todas as divisões do coração do homem, e que tipo de chaves vão abrir as trancas, por isso ele adapta esses argumentos para que possam trabalhar em nós, e nos trazer a ele no nosso tempo apropriado (este tempo é diferente para cada pessoa), e então para que o efeito que se seguirá possa realmente prevalecer.
Deus inclina o coração para o que é bom, e o convence pela sua graça. Deus sabe como alterar o curso de nossas afeições pelo seu poder secreto.
Para os teus testemunhos – assim a palavra de Deus é chamada, pois testifica de sua vontade. Temos uma prova clara e o testemunho como Deus fica afetado por cada homem, que tipo de afeição Deus tem para com ele.
E não para a cobiça - Marque esta frase: não me incline para a cobiça. Porventura Deus nos inclina para a cobiça? Não, mas ele nos permite as inclinações de nossos próprios corações, justamente por negar a sua graça àqueles que o ofendem, e após a suspensão da sua graça, a natureza é deixada ao seu próprio domínio: a presença do comandante ou piloto salva o navio, a sua ausência é a causa dos destroços. E assim, os escolásticos dizem, Deus se inclina para uma boa eficiência, trabalhando em nós, e para uma má deficiência, retirando a sua graça de nós. Você tem uma expressão parecida no Sl 141.4 “Não permitas que meu coração se incline para o mal.” Deus pode, como um senhor fazer o que lhe agrada com o que lhe pertence; e como um justo juiz pode deixar nossos corações entregues à sua própria inclinação perversa natural.
“Não para a cobiça". Isto é mencionado porque o nosso amor demasiado às coisas mundanas é o obstáculo especial para a obediência; isto tira os nossos corações do amor e cuidado pela submissão à vontade de Deus. E então, quando ele diz "não para a cobiça", ele demonstra a sua própria estima e escolha, como preferindo os testemunhos de Deus acima de todas as riquezas, e, possivelmente, sugere a sinceridade de seus objetivos, de que não iria servir a Deus por vantagens temporais e honrarias mundanas. Satanás acusou Jó a respeito disto de um modo muito perverso: Jó 1.9, "Porventura Jó serve a Deus em vão?" Davi, para evitar tal suposição, e que ele não foi levado por qualquer pensamento de ganho interesseiro por desejar a piedade, disse: “Para os teus testemunhos, e não à cobiça.".
Estas palavras nos oferecem duas observações:
1. Que somente Deus pode conduzir os nossos corações ao que é reto, ou incliná-los de seu pendor carnal para os Seus testemunhos.
2. Que a cobiça ou o desejo flagrante das coisas mundanas, é um grande impedimento para se cumprir os testemunhos de Deus.
Analisemos a primeira observação com as seguintes considerações:
Primeiro, o coração do homem deve ter um objeto para o qual esteja inclinado ou então se decompõe, pois ele é como uma esponja, que tem sede em si mesma, suga a umidade de outras coisas; é um caos de desejos, buscando ser preenchido com algo de fora. Fomos feitos um para o outro, para sermos felizes na alegria de um ser fora de nós; por isso o homem deve ter algo para amar, pois os afetos da alma não podem permanecer ociosos e sem um objeto amado: Sl 4.6, “Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem?”. Todos nós buscamos por algo para satisfazer os nossos afetos.
Em segundo lugar, o coração que é destituído de graça, é totalmente conduzido pelas coisas temporais. Por quê? Porque elas estão próximas da mão, e se adequam melhor com a nossa natureza carnal.
Thomas Manton

Thomas Manton

“Espera no Senhor" (Salmo 27.14)



Esperar pode parecer uma coisa fácil, mas é uma das posturas que um soldado cristão não aprende sem anos de ensino. Marchar e correr é muito mais fácil para os guerreiros de Deus do que permanecer parados. Há momentos de perplexidade, em que o espírito mais disposto, ansiosamente desejoso de servir ao Senhor, não sabe que decisão tomar. Então o que se faz? Ficar agitado pelo desespero? Voar de volta por covardia, virar à direita por medo, ou correr adiante por presunção? Não, mas simplesmente esperar. Entretanto, esperar em oração. Clame a Deus, e exponha o caso diante dele, diga-lhe sua dificuldade, e pleiteie a sua promessa de ajuda.
Em dilemas entre um dever e outro, é doce ser humilde como uma criança, e esperar com simplicidade de alma no Senhor. É certo que tudo está bem conosco quando sentimos e conhecemos nossa própria insensatez, e estamos sinceramente dispostos a ser guiados pela vontade de Deus.
Mas espere com fé. Expresse sua confiança inabalável nele, porque o infiel, espera desconfiando, e isto é um insulto ao Senhor.
Creio que se ele mantiver você esperando até à meia-noite, ainda assim ele virá no momento certo; a visão virá, e não tardará. Espere com paciência tranquila, não se rebelando porque está sob a aflição, mas bendiga a Deus por isso.
Nunca murmure contra a tribulação, como os filhos de Israel fizeram contra Moisés, nunca deseje voltar ao mundo novamente, mas aceite o caso como é, e o apresente de forma simples e com todo o seu coração, sem qualquer vontade própria, nas mãos do seu Deus da aliança, dizendo: "Agora, Senhor, não seja feita a minha vontade, mas a tua. Eu não sei o que fazer; eu cheguei ao limite, mas vou esperar até que tu desfaças as tempestades, ou que afugentes os meus inimigos. Eu vou esperar por muitos dias, se tu me guardares, porque meu coração está firme somente em ti, oh Deus, e meu espírito anseia por ti na plena convicção de que tu ainda serás a minha alegria e a minha salvação, o meu refúgio e a minha torre forte ".

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

Charles Haddon Spurgeon

No deserto - Salmos 23:4

Quando ouvimos falar em deserto o que vem em nossa mente é dificuldade. Devido a sua instabilidade, poucas pessoas se aventurariam em querer morar neste lugar.

Em nossa vida passamos por desertos, são momentos tão difíceis que achamos não ter solução. Será que podemos aprender alguma coisa quando passamos pelos desertos da vida?



Para meditar.



1) Jesus no deserto: Mateus 4:1 - Jesus foi levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo Diabo, suas qualificações como messias de Deus e nosso Redentor foram confirmadas.

Quem sabe você esteja passando pelo deserto da tentação?
Sendo tentado, como filho de Deus, aguente firme, resista à investida do Diabo e você será aprovado!



2) Calebe no deserto: Josué 14:6-14 - Calebe, mesmo acreditando na promessa, precisou peregrinar no deserto até que todos os que não acreditaram, morressem para que a nova geração crescesse e pudesse entrar na Terra Prometida.

Quem sabe você esteja passando pelo deserto da ajuda, tendo que abrir mão temporariamente da promessa para poder ajudar outras pessoas a crescerem na caminhada à Terra Prometida? Não fique triste, a promessa é sua. Seja um referencial para essas pessoas como servo de Deus.



3) Agar no deserto: Gênesis 21:8-17 - Agar foi mandada embora de onde vivia devido ao conflito de seu filho com o filho de sua senhora. Ela andou errante pelo deserto sem ter solução para seu problema, mas Deus ouviu a voz da dor de seu filho e a socorreu.

Quem sabe você hoje esteja no deserto da falta de esperança, onde, aos teus olhos, não se vê solução. Quero te dizer que Deus está agora mesmo ouvindo o seu choro e te levantará dessa situação, pois Ele tem um propósito com a sua vida. Não são as pessoas que determinan o seu fim, é Deus quem determina.



O deserto não mata quem confia na poderosa mão de Deus. Pelo contrário, podemos tirar grandes experiências com Ele.

MGT

"A salmoura tem a mesma cor da garapa. Só a sede descobre a diferença dos sabores."

Geni Guimarães

Socorro na Tribulação - SALMO 116

O início deste salmo é muito parecido com o Salmo 18, de maneira que é possível que seja também de autoria de Davi.
O salmista declara o seu amor pelo Senhor porque Ele ouve a sua voz e súplicas, inclinando os Seus ouvidos para atendê-lo, motivo porque estava determinado a invocá-lO enquanto vivesse.
Mesmo com os laços de morte que lhe haviam cercado em grandes perigos, e as angústias do inferno que se apoderaram da sua alma, fazendo-o cair em tribulação e tristeza.
Ele invocou o nome do Senhor pedindo-Lhe que livrasse a sua alma.
Ele sabia que Deus é justo, mas também compassivo e misericordioso, e por isso tinha sempre bom ânimo em Lhe dirigir clamores.
Sabia também que o Senhor vela pelos que são pobres de espírito, como ele, o próprio salmista, de modo que achando-se prostrado, foi salvo da sua angústia pelo Senhor.
Quando Deus opera na alma ela volta ao seu sossego, que é a condição em que deve se encontrar, conforme o propósito de Deus na criação do homem.
Assim, em sua confiança no Senhor, o salmista foi livrado da morte que sentia em sua alma, das suas lágrimas, e da queda na tentação e na ruína.
Como sua segurança estava em andar na presença do Senhor, então estava determinado a fazê-lo durante todo o tempo da sua peregrinação neste mundo.
Ele mantinha a fé, mesmo quando dizia que estava sobremodo aflito.
Enquanto esteve perturbado em sua paz de mente e espírito, disse que todo homem é mentiroso.
Todavia o Senhor quebrou todas as cadeias que acorrentavam a sua alma, e o libertou completamente, de modo que se dispôs a ofertar ao Senhor, pelos benefícios que havia recebido dEle, e percebeu que não havia maior oferta do que tomar o cálice da salvação e invocar o nome do Senhor.
Por isso cumpriria todos os seus votos feitos ao Senhor na presença de todo o Seu povo, para que lhes servisse de testemunho da sua consagração.
A citação do verso 15 de que “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos.”, merece uma reflexão especial quanto ao seu significado, porque à vista do Senhor a morte dos Seus santos é tão preciosa, que não satisfará aos desejos ímpios de um Saul, de um Absalão, nem de quaisquer inimigos de Davi, para que triunfassem sobre ele, lhe tirando a vida.
Davi sabia, pelo Espírito Santo, que morreria em ditosa velhice, em seu leito, para que o nome do Senhor fosse glorificado, por tê-lo poupado de tantos perigos de morte, revelando assim o Seu poder para preservar os Seus santos.
Se a alguns deles permite saírem deste mundo pelo martírio, é pelo mesmo motivo de ser glorificado neles, pela total falta de temor que eles demonstram em face da morte, porque são assistidos pelo Seu poder.
Mas nenhum santo, morrerá sem que isto seja do desígnio de Deus.
Então esta citação de ser preciosa a morte dos santos aos olhos de Deus, deve ser entendida no contexto bíblico em que se afirma que é preciosa para Ele a vida deles (II Rs 1.13), bem como o seu sangue (Sl 72.14).

Silvio Dutra

Gratidão a Deus

As palavras do 22º capítulo de 2 Samuel encerram as palavras do Salmo 18, com algumas variações. A introdução do capítulo (v. 1) é a mesma do titulo do referido Salmo.
São palavras de gratidão e louvor a Deus pelos livramentos recebidos por Davi, tanto de Saul quanto de todos os seus inimigos.
Este cântico de louvor e gratidão, que foi composto por Davi, fecha de modo maravilhoso toda a história que é relatada acerca da sua vida pessoal e ministerial nos dois livros de Samuel.
Toda a honra e glória dos seus bons serviços prestados a Israel são tributados por ele ao Senhor, porque fora Ele quem realmente tudo operara, nos livramentos que lhe dera, por amor do Seu povo.
O Senhor foi tanto a fortaleza em que Davi se refugiava e se encontrava seguro, como a força dele para vencer as batalhas que tinha que empreender, tanto para vencer seus inimigos, quanto para suportar as aflições, que lhe sobrevieram ao longo de toda a sua vida (v. 2 a 19, 32 a 43, 51).
E ele se esforçou sobremaneira para obedecer ao Senhor e fazer o que era justo diante dos Seus olhos e aprovado por Ele, e foi este o motivo de ter sido abençoado de tal maneira pelo Senhor, porque apesar de ter sido objeto da eleição e graça de Deus, que o ungiu para ser rei, ele poderia ter frustrado o plano de Deus para a sua vida, por um andar desobediente (v. 20 a 31).
Como prova do Seu agrado em relação à fidelidade de Davi, Deus fez com que ele subjugasse nações e governasse povos estrangeiros, e o livrou das contendas internas do próprio Israel (v. 44 a 49).
E nós aprendemos das palavras de Davi que os livramentos que Deus lhe deu foram respostas às suas orações. Ele clamava ao Senhor em suas angústias para receber socorro e alívio (v. 7).

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Silvio Dutra

A Vaidade de Tudo Que Há no Mundo



Por D. M. Lloyd Jones

O que este homem diz no Salmo 73.25 – “A quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti” - é que, apesar das suas imperfeições, a despeito do seu fracasso quando se achava longe de Deus e mais ou menos voltando a Ele as costas, não podia encontrar satisfação. Em sua experiência, quando estava de mal com Deus, estava mal em tudo mais. Havia um vácuo em sua vida — nenhuma satisfação, nenhuma bênção, nenhuma força — e conquanto não estivesse habilitado a fazer qualquer afirmação positiva acerca de Deus, ao menos pôde dizer que, sem Ele, não havia nada nem ninguém mais!

Será que podemos dizer que já percebemos a falsidade de tudo o que há nesta vida e neste mundo? Chegamos a reconhecer que tudo que o mundo oferece é«uma cisterna rota»? Estamos nós,.de fato, capacitados a ver sem máscara o mundo e os seus caminhos, bem como toda a sua pretensa glória? Teremos chegado ao ponto em que podemos dizer: Bem, isto cheguei a saber, no mínimo:não existe nada mais que me possa satisfazer. Provei o que o mundo tem para oferecer, experimentei todas as coisas, brinquei com elas e cheguei a esta conclusão: quando estou longe de Deus, para citar Otelo, «volta o caos».

Quem já foi um desviado sabe exatamente o que estou dizendo. . . o cristão desviado da igreja, devido à sua relação com Deus, nunca pode ter verdadeiro prazer em coisa alguma. Pode fazer a tentativa, mas sente grande tristeza enquanto isso dura. Ele já percebeu a falsidade dessas coisas. Daí, esta é uma base com a qual podemos sempre testar-nos a nós mesmos. De maneira notável temos nesta confissão um extraordinário teste da nossa fé e crença cristã.

Frequentemente, esse é o primeiro passo em nossa recuperação — a percepção de que tudo se nos tornou, de fato, diferente. . . As coisas do mundo já não têm aquele encanto e valor que pareciam ter. Descobrimos que quando não estamos bem com Deus, as próprias bases parecem ter-se diluído. Podemos viajar até aos confins da terra, tentando achar satisfação sem Deus. Mas descobrimos que não há nenhuma.


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