Poesias sobre Morangos

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"Pois há tempo de rosas, outro de melões, e não comereis morangos senão na época de morangos."

Clarice Lispector

Olha, você parece um morango doce. Daqueles que eu gosto. Aliás, vem aqui comigo comer morangos frescos? A gente pode esquecer do que acontece além da porta, apagar o verbo reflexivo "preocupar-se" de todos os dicionários e escutar aquele CD. Ou aquele outro. Ou o que você preferir. Acho que vou estar prestando mais atenção nos seus sons. Me perco, sim, acho que me perco nos seus tudo. Você me põe de cabeça para baixo com todas as suas definições particulares e apimentadas. E só eu sei o quanto eu gosto disso. Vem aqui comigo e entra com a chave que eu vou deixar debaixo do tapete. Vem, porque eu estou esperando com os morangos e só. E vem daquele jeito seu que eu acho lindo.

Você se habilita?

Marcos Cesar Mello

Poderia talvez ser internado no próximo minuto, mas era realmente um pouco assim como se ouvisse as notas iniciais de A sagração da primavera. O gosto mofado de morangos tinha desaparecido. Como uma dor de cabeça, de repente. Tinha cinco anos mais que trinta. Estava na metade, supondo que setenta fosse sua conta. Mas era um homem recém-nascido quando voltou-se devagar, num giro de cento e oitenta graus sobre os próprios pés, para deslizar as costas pela sacada até ficar de joelhos sobre os ladrilhos escuros, as mãos postas sobre o sexo.

Abriu os dedos. Absolutamente calmo, absolutamente claro, absolutamente só enquanto considerava atento, observando os canteiros de cimento: será possível plantar morangos aqui? Ou se não aqui, procurar algum lugar em outro lugar? Frescos morangos vivos vermelhos.

Achava que sim.

Que sim.

Sim.

Caio Fernando Abreu

E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto de morangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta.

Caio F.

Não importa se teu mundo tá caíndo aos pedaços. Quando você começa a ter mais fé, de alguma maneira linda a vida dá um jeito de ficar melhor.

Morangos Mofados

Morangos

Avisto morangos, atraentes morangos,
Eles despertam meus reprimidos desejos.

Lindos morangos sobre a mesa.
Será sobremesa?

Eles despertam-me a libido.
Desejos recolhidos e escondidos.

A minha frente estão lindos e vermelhos.
Cor excitante, parecem envergonhados.

Com sua lisura tiram-me a atenção
E me levam a um momento de distração.

Suas curvas têm a forma de um coração.
Morangos, morangos aguçam minha paixão.

Ao tocá-los sinto-os, são macios e suculentos.
A saliva aflora. Meus lábios umedecem sedentos.

Estou prestes a cometer um homicídio, não consigo conter-me.
Ah! Morangos. Já não aguento mais, perdoem-me.

Meu ímpeto em possuí-los me domina e terei de devorá-los.
Só assim irei saciar o meu desejo. Ao matá-los e comê-los.

Que me prendam e condenem-me por devorar-te.
Esse será o meu castigo por em demasia amar-te.

Leandro M. Cortes

Passei a vida inteira
colhendo:
Sonhos.
Delicadezas.
Sorrisos.
Abraços e morangos!
Hoje distribuo
tudo isso em versos,
para emocionar
o seu coração!

Dayse Sene

Tem um trecho de Morangos Mofados, do Caio Fernando, que diz algo mais ou menos assim ‘’Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.’’, trecho perfeito. Aquele típico dilema de ‘sinto, mas não sei o que sinto’. Os motivos que me levam a ficar feliz, em questão de segundos me deixam triste, por pensar no que pode vir a acontecer após a vírgula. É como se para ficar feliz, eu precisasse de um motivo, e no momento, aparentemente inexistente. Mostre-me um, terás um sorriso como recompensa. Não garanto que duradouro, mas pelo menos momentâneo, e as coisas mais importantes da vida de uma pessoa, levam, duram, segundos. Encontrar um amor, fecundar um ovulo, não conseguir segurar aquela lagrima, perder a vida, uma vida. Sou tão confusa, que nem se quer me entendo. Admiro conseguir passar isso pra um pedaço de papel. Puta confusão isso aqui, caralho. Fico agoniada, preocupada, triste, ‘’TRISTE’’. É como se eu não tivesse nenhuma certeza na vida. Costumo me questionar sobre tudo, e acabo sempre concluindo que são poucas as certezas que tenho. Mas logo surge mais, some o dobro, reaparece o triplo. Porra! E nesse instante são quatro as asserções,
Que nasci
Que te amei
Que morrerei
Que sinto, mas não seio que sinto.

Gabriela Polippo

Morangos e gelos

Para o homem
ela não troca
ela tira
e revira.

Tira a roupa
rasga a camisa
desce a calcinha rendada
desabotoa o sutiã farto
e morde os lábios

tira o cigarro da boca
apaga-o na pele
tira suas dúvidas
tira sua vergonha

senta e sobe
olha pro teto
enfia os dedos na boca
aperta os dentes na língua

ela é mulher de sangue
de sorriso ébrio
ela penetra a voz nos meus ouvidos
e me pega nas partes

ela retarda o tempo,
bebe um Martini Rosé

senta e levanta
abre e fecha,
toda hora
a todo momento
e eu esqueci
que tenho que ir trabalhar

no momento que
as luzes do motel
pararam de piscar

alexandre morais

Sou um cúmulo de metamorfoses. O produto de muitas reinvenções.
Em meio a tantas ousas, já até me perdi de mim. Mas senti saudades e, de braços bem abertos, corri ao meu encontro.
Já pensei não ter mais forças. Mas, de algum lugar secreto, a força sempre vem.
Já perdi a esperança... Mas a esperança é fênix. Renasce das cinzas, forte e inexorável.
Entendi que não importa quão caótica a situação, a maior demonstração de presença de espírito que se pode dar é colher os morangos da vida. Ah, os morangos! A vida os oferece aos punhados. Mas só os nota quem se atreve a sair do lamento e olhar ao redor.
Entendi que Clarice Lispector tinha toda a razão: Ser livre é seguir-se afinal.

Anna Vargas

Deixei morangos perdidos na geladeira. Isso nunca acontece por acaso ou descuido e eu sei bem que eles estavam lá apodrecendo, e deixei, vi, senti, uma parte boa e bonita indo embora de mim

L. Simões

E assim, fez o céu escurecer com um toque de dedos, cheiravam a morangos recém colhidos. Dá-me teu dedo, me faz não ter medo, esconda meus olhos, me faz um cortejo...

Thiago Santin

Essa palavras trocadas em um estilo meio Caio Fernando. Em um estilo meio Morangos Mofados. Típico, um típico único.

Gabriela Polippo

Nem todo dia tem Sol, nem toda sobremesa são morangos e nem toda relação homem e mulher é romance. Por isso vive a vida e curte o que ela tem de melhor.

A. Araújo

E desejá-lo assim, com todos os lugares comuns do desejo, a esse outro tão íntimo que às vezes julga desnecessário dizer alguma coisa, porque enganado supões que tu e ele vezenquando sejam um só (…)

Caio Fernando Abreu - Natureza Viva. In: Morangos Mofados