Poesias Infantis de Vinicios de Morais

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As vezes passamos tempo demais brigando com nós mesmos,
tentando ser o que acham que devemos ser...

Marcia Morais

Saudade é um elemento importante
para que as lembranças boas fiquem intactas
em nosso corações!

Marcia Morais

Minhas ilusões de menina
mantiveram recolhidas minhas tristezas
para que eu pudesse voar
para longe da solidão.

Marcia Morais

Questionando a Saudade

Ó saudade! Porque levastes aquela moça ?
Aquela pequena moça.
Para sempre dos lábios meus.
De desespero tu ouves o meu chorar.
De alegria debocha ao olha-lá no breu.

Saudade, porque ser tão cruel?
Corpo e alma a entreguei em vida.
Em morte dormirei e subirei aos braços teus.

Saudade, onde foi que eu errei ?
Por merecer tamanha frieza.
Por ter sido verdadeiro?
Isso um desejo que nunca saberei.

Difícil será esquecê-la.
Impossível ao vê-la com outro.
Deus há de me ajudar,
junto com os anjos dai-me força.

Bela se faz. Seus cabelos soltos estão mais.
Bela se fez, por mostrar-me suas mãos,
seus suspiros e sua languidez.

Saudade, sinto saudade dela.
O vento lembra-me seu toque,
as ruas seu corpo,
a luz a sorte.

Caminhávamos por caminhar.
Sonhava só por sonhar.
Sorria talvez por amar.

Saudade, ela tens raiva de mim? Me esqueceu?
Conte-me bem baixinho no meu ouvido para não acordá-la.
Prometo não contá-la ao saber o que aconteceu.

Saudade, ela vai voltar?
Pelo meu sentir acho que não.
Choro dia e noite, me entreguei a solidão.
Mi'alma jás do corpo são.

Podes ficar com ela para ti saudade.
Cuide-a como mereces.
Se ei de saber que faz-a sofrer.
Meus olhos há de temer.

Saudade, não irás ganhar.
Não deixarei que apague-a do meu passado.
Espero continuar outrora dessa vida.
Cheio de suas memórias.
Daquela pequena moça.

alexandre morais

Tudo que escrevo não é pensado.
É sentido.
Só depois de escrito,
que eu procuro uma explicação racional,
para aquilo que foi por mim vivido.

alexandre morais

Pela fé vencerei reinos.
Pela fé alcançarei promessas.
Pela fé calarei a boca do leão.
Pela fé apagarei a força do fogo e porei o mal em fuga.
Pela fé, e apenas pela fé chegarei até a Deus e o agradarei de verdade.

Eugênia Morais

Cuidado com o que falas de si próprio! É muito fácil falar e auto elogiar-se.
Para convencer outrem e fazer calar os que falam mal de você, tens que mostrar mudanças de comportamento.

Eugênia Morais

Fale bem de si próprio com palavras eloquentes e até fantasiosas. Por certo te ouvirei. Mas, para acreditar em tudo que dizes basta que coloques em prática.
As ações não só falam por você como comprovam e convencem.

Eugênia Morais

O amor...
Ele traz sorrisos, momentos inesquecíveis, vontades loucas...
Também ele traz angústia, dores inigualáveis, sofrimento...
Quando ele correspondido não for!

Inacio Morais

No meio da folha

Triste é ver sensibilidade.
Afundado com os pés na terra
escura como carvão, quente feito brasa.
Ver distante, na estante,
na fotografia, na poesia.
Alegre, melhor que antes.
Por ser cioso virei errante.
Caduquei na fala, melhorei na insônia,
sangrei nas mãos, manchei o papel.
Fechei a cortina, virou tristonha.
Obsequioso tive propensão ao fracasso.
O barulho infernal no ouvido.
- Mate-se.
Não. Pretendo sofrer mais,
chorar mais, vê-la eternamente mais.
Engolir a seco sua timidez.
Borrar-me-ei os dedos.
Passarei-os nos olhos, até maquiá-los,
enfeitá-los.
Virarei um palhaço do mundo. O meu palhaço,
o seu palhaço.
Sem mágica, sorrisos, apenas colorido.
Em suma é isso.
Delirei, errei neste poema.
Foi algo criado sem intenção
a ser um certo escritor,
e sim um escritor amador.

alexandre morais

Cair de uma Flor

O homem urbano, no concreto
pulou do prédio.
O homem se foi.
Quis adocicar a essência.
Ele se foi por isso.
Partiu para sempre.
Afundou no buraco que caiu.

Buraco ele deixou, há muitos
na rua, na vida nem se fala.
Levou almas, lágrimas,
elas preencheram a cova
que ele formou.

Seu peso na vida foi grande.
Penosa estrada curta.
Era jovem, 17 anos.
Homem de nascença,
menino de idade,
criança de ser.
Ah, como todos nós
somos crianças.

O edifício era comprido,
tocava o céu.
Por entre as escadas
ele chegou às nuvens.
Nuvens onde dança anjo,
escorrega na chuva,
que molha e revive.

Nasceu de novo, graças as gotas
que caem pouco a pouco ao chão.
Tocam pessoas restantes,
bebem dessa água e se nutrem.

Partiu o homem, todos irão.
Todos ficam aqui, ali, lá.
Bem ao longe, eu vejo o homem,
todos os outros homens que se guardam
e sofrem. Pelo mundo ser sofrido.

Não mais restam olhos.
Boca se foi, saliva secou.
Abraço foi só em uma caixa.
Descida na terra magra e seca.
Seca com verme, seca com dor
tanta dor.
Encharcada por saudade.
Deixada por medo

Foi para sempre.
Não mais volta.
Claro que volta!
Volta no sentir,
na falta que faz
Nas lembranças nas quais
nunca se vão.

alexandre morais

Poema de Ressaca

Uma lindérrima rapariga
passou adiante,

com uma saia enegrecida
criatura bem laminada.

Criança celebérrima,
alfinetou cada retina.

Quantas vozes em uma só,
desnorteou qualquer sentimento

Atrevi em pegar sua mão
ouvidos macios de doces

palavras firmes não hesitei
ela exalava almas-flores.

Fluídos de desejo pelo todo
no meio a distância

um toque aproximado
calma filho, calma, há tempo.

pele-veludo
rosto, brilho repentino

cabelo espesso e taludo
vaga e remota lembrança

Sede por envolvê-la
em meus magros braços

feminina de sá
corpo bem buliço

remexia à sambá
aquele quadril postiço

Enlaçamos os dedos
carnes ferveram-se cruas

A disse:-Vamos para fora
vamos para a rua.

O mundo é grande,
cabe nossa dádiva

da noite deliberante
e total instigante

pois éramos amantes pós-festa
e proferi-a versos romanescos

(atitude esmiuçada)
copiados do tempo parado

bem ali, naquele lugar
os ponteiros congelaram

me revirava de ponta cabeça
vi o mundo do avesso

aliás, nem mundo eu vi,
ouvi muito menos, sentir quem sabe.

Levá-la-ei ao todo
nos murmúrios do amor

despedir-me bem chocho
embalsamado na terra

Compeliu a saudade acometida
refutei-a com poesia

afim de evitar um desconsolo
esquecer à minha pessoa

em pronome de tratamento
direcionado pelo palpitar lírico

Dulcíssimo foi seus contornos,
inundam minhas reminiscências

trago-te ao pé seu jeito idôneo
sem resignação

por despertar a pureza
onde paira maledicência.

alexandre morais

Complexo


É dia triste, procuro fotos em gavetas esquecidas.
Em porta-retratos talhados por lembranças.
Estou sozinho em casa. O dia está nublado.
As memórias ardem o cérebro.
Certa pessoa nunca se vai.
Há pensamentos que só uma longa dose de solidão é capaz de formá-los,
E sento, atento, fechado comigo mesmo.
Repasso os acasos mundanos, são muitos.
Reformulo a consciência e as atitudes errôneas.
Estou na sala.
Os quadros, o abajur e a escrivaninha. A prateleira florada por livros,
lembro-me do homem, sinto medo.
Me pergunto se sou homem, se pertenço mesmo a uma raça desprezível, vingativa e invejosa.
A persiana filtra a luz, a pouca luz, é fim de tarde.
Está nublado, o quintal apagado, folhas mortas ao chão.
Medo de prosseguir. A vida não rara decepciona, mas continuo em pé,
no meio dos homens, são muitos.
Descubro que sou homem, e que não sonhava. Sou mal, ambicioso, mortal.
Senti meu coração pulsar, porque sou animal.
Me fiz confidente de sentimentos ácidos.
A tarde se foi, meu bem também.
Vi sorrisos em uma fotografia. Eu estava lá.
Beijei o vidro, segurei por um breve momento. Sai da casa.
Voltei ao mundo dos homens.

alexandre morais

Semana da volta

Um sino toca, badala
de lá pra cá

De lá flores brancas, caixão
semana santa pisoteada
por procissão.

Um silêncio nas ruas
vozes ao coro
vozes antigas.

Me remeto ao passado,
de quando acreditava
existia tempo
sonhava o futuro

Havia muito chão
terra na mão.

Há tanta paz lá no fundo
em vem a voz de Deus,
dos apóstolos, dos crentes.
Eu só via a pipoca estourar
no carrinho da pracinha
se confundia com o cheiro
de vela.
Com sandálias abertas
como a de Cristo,
eu não entendia nada,
só os amigos que corriam
quando ainda eram vivos.

Sentes?
é o cheiro da chuva,
da pura chuva.
Trouxe o perfume
da minha mãe já falecida,

o céu escureceu
as vozes continuam
arrastadas com tanto peso
e esperança.
O coral é impecável
a casa de Deus tão cheia
povoada por almas pecadoras
um ambiente nostálgico
e fúnebre.

Já me vi um filho
já me vi um intelectual
um bobo
e um alcoólatra
já até me vi poeta.

Hoje me vejo um morto.

E eu nunca vou esquecer
da igreja da minha cidade
do interior de minas.

alexandre morais

Som indecifrável

Qual seria o som do universo?
um chiado de vento?
um telefone mudo?
para alguns seria o fim do mundo!

Não sei o som da galáxia
nunca viajei para o espaço
em uma banana branca.
Arrisco em dizer que seria
choro de bebê, pedindo colo
e mais colo do infinito.

Seria o beijo da lua com o sol?
ou de estrelas povoando
cada milímetro do espaço sideral
corrompendo com a matéria
inorgânica da explosão?
Fantasio a ideia
de um cavalo-alado
com brasão e véu nas crinas
com um sacerdote a tocá-lo
os gruírem de suas rimas

O barulho do universo
pode ter vários tons
e melodias, concreto
de pássaros pigarreando
sucintos na minha janela
toques do horizonte aberto
e inóspito,
que me chamam pra dançar
no balanço do ócio

Sobrevivo com a surdez
da minha curiosidade, na terra árida,
ferida
e nos olhares discretos pra cima
só em tentar entender
da onde vêm o cantar
da vida.

alexandre morais

Olhar para trás


Passei do desejo ao acaso.
Vejo o fim da vida próximo.
As lembranças de nada desfaço,
hoje, velho, só guardo remorso.

Flor púrpura, estrada passada.
Jovem fui pego pelo seu laço.
Criança sozinha e fechada,
moça de diferente compasso.

Luz eterna, nunca mais a verei.
A esperança pálida se foi,
tristeza que a tempos alentei.

Despeço-me com alma impura,
daquela que só me fez reluzir,
na noite amena e escura.

alexandre morais

Miudinho

Tinha uma mocinha,
bem loirinha,
da cidade pequenininha,
que andava com flores,
na cestinha
da bicicletinha.

Toda meiguinha,
bem depressinha,
quanta gracinha,
daquela mocinha
loirinha, da cidade
pequenininha.

Com a bochechinha
rosinha,
escondia do solzinho
debaixo da sombrinha,
e bebia aguinha,
pra voltar a passear
na biclicletinha.

Na esquininha,
ela caiu, e machucou
a perninha,
fez dodóizinho,
tadinha.

Um menininho
desesperadinho
ajudou ela
a se levantar
rapidinho,
pra ganhar
um beijinho
no rostinho
vermelhinho
e sentir amorzinho.

alexandre morais

Algazarra infantil

Desde a meninice tenho fogo no rabo.
Sempre me ansiava, pago com a mesma moeda.
-Capeta! Ofensa destemida e definitivamente
me consumia à honrar tal nomenclatura
desaforada e verdadeira.

Dona Chiquinha - extremosa saudade,
de cabelos a mercê na sombra de pó de giz
no ginásio merendado pela cantina simples.
Endiabrado pedia para repetir, tentava-a,
como a tentava. Pegava-me pelo braço,
e dizia: - No final da aula vens aqui!
Chegava, mesmo ensanguentado
pós-queda da árvore de fruta carnuda,
completamente esfomeado.

Quanta impaciência, quantidade incalculável
de hormônios humorísticos da rua.
Ralava joelho e cotovelo, por vingança
esgoelavam tencionando dor.
-Mãe, tá ardendo! (Falta sabão)
-Volta aqui menino, não irás tomar outro banho
tem que economizar,
e voltava a me sujar.

Encapetado com mulheres ardentes,
fogaréus das melhores jogatinas do prazer,
alisavam o tridente com cuspe.
Um pornô calmo, desinibido,
Intenso e infernal.

Arte ofuscada, arteiro de pintar,
7 quadros, 7 poemas escritos,
túrbido, tentava olhar por debaixo
da saia das freiras, corria e corria.
Mocetão me descobri um pervertido,
assaz alcoólatra, mulherengo, amante,
infinitamente amante.

Faço um reboliço tremendo,
em vidas pacatas,
por não sossegar o facho
e não tirar a obsessão da cabeça,
até conseguir fazer um mormaço.

Corpo de prosa, esculpo-o
deliberado a errar,
com folhas caídas
flores apanhadas com dedos
e dificultar o meu falar.

Na leve brisa do sol poente,
que me traga com luz
perfeccionista de imaginação fértil
a um mísero poeta
me reduz.

alexandre morais

“Platonísmo” Boêmio

Desde pequeno embebedo-me de mulheres.
A cafetina do cortiço atrás do bar
deixou-me vê-la nua,
toda nua, com a colcha vermelha na cama
e boneca de porcelana na penteadeira de
espelho grande.
Foi a primeira vez que eu via o sangue alcoólico
e descobria a veia espessa desse cálice
alojada nas minhas entranhas.

Olhei breve a beleza daquela mulher de esmalte escuro
e cintura recheada. Um laconismo surpreendente e que
influiu o endeusamento às mulheres
para o resto da vida.
Pobre menino virgem, novo, que despertou a sabedoria.
(Para ser puro, é preciso provar das impurezas)

Sôfrego, bebi água com demasiada mimosidade.
Minha mãe, senhora mãe, perguntara o que era,
se estava bem. Matrona do lar regido à mão de ferro.
Respondi- a com eloquência.
-Quero ser poeta!
-Não meu filho, vais sofrer!
-Eu sei, porém irei beber.
-Irás passar mal e parar no hospital.
-Mas é a única forma de eu me apaixonar.
-Tem certeza?
-Absoluta!

Enfático e aos pulos, fui para o bar,
pedi minha primeira dose e escrevi um poema.
Balsamo inexplicável, puro.
Dali sai ébrio, aturdido por descobrir, apenas descobrir,
a mulher que me fez amar a primeira vez era cafetina,
dona de muitas outras mulheres, eternas mulheres
talhadas hoje em minhas poesias,
estou até agora com o copo na mão e rezo.
Casamento eterno, filho da garrafa de uísque.

Reinventando o mundo, criando namoradas ficcionais,
troco uma pela outra, amo diferentemente cada ser.
Levo todas para cama e faço-as arrepiarem
com toques de boca.

Dias de amigos, reuniões e criação,
nunca atrevo, apenas sento-me no boteco,
guardanapo de testamento levo-o no bolso,
retorno para casa e o leio sem muitas esperanças.
São calmantes redigidos
com o cigarro perdido por entre os dedos
(Quase queimei os versos feitos para a mulher
sentada à mesa ao lado)
com os lábios retintos batonados.

Já é um presságio à morte.

alexandre morais

Bem na minha insônia

Debruço sobre meus livros
e a sala continua vazia, sem abajur
uma menina no ponto do ônibus
às onze e meia da noite
resolve ir embora a pé
colhendo flores no cemitério.

Eu continuo na sala, agora há vento,
muito vento, é a chuva.
O telefone toca e eu atendo,
nenhuma palavra.
Não me levanto da poltrona,
ali mesmo continuo.
O céu brilha
flashes formam sombras
na janela aberta.

A menina passou pela porta
senti o cheiro das flores
vagamente umedeceram meus poros

A cidade dorme, o ônibus passou no ponto a sós
ela não entrou, já havia ido.
O ônibus continua,
é meia-noite.

Um passarinho morreu de choque elétrico.
Houve o velório com os outros passarinhos,
no mesmo cemitério onde a moça colheu flores.
No terreno que sepultaram o passarinho
nasceu novas flores,
foi na parte que a moça havia tirado as outras flores
para poder agora nascer novas vidas
junto com o passarinho.

Tudo isso aconteceu em uma noite chuvosa.

alexandre morais