Poesias Infantis de Vinicios de Morais

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A cada dia, a cada passo dado, a cada troca de olhares, a cada suor derramado, você
me atrai mais. É como se fosse dois corpos magnetizados

alexandre morais

Ingratidão

É, a vida sempre nos dando uma rasteira.
Quando você encontra a felicidade,
ela vêm e mostra da pior maneira,
que no mundo não há eternidade.

É como se fosse uma casa,
que a cada dia você constrói.
E depois de tanto esforço.
Vem um simples terremoto e a destrói.

Você pensa no melhor,
isso eles não reconhecem.
São tão pessimistas que,
viram as costas e te aborrecem.

O modo certo é caminhar,
sem rumo nem direção.
Fica - se um pesar.
E junto com ele o gosto de ingratidão.

As pessoas erram,
isso eu sei.
Mas veja pelo lado positivo.
Do seu lado, eu sempre estarei.

alexandre morais

Mudança.

Aconteceu por acaso.
Não. Se fosse pelo acaso, não aconteceria.
Tava escrito, tava para ser.
Se não fosse o destino, o que mais seria ?

Eu lembrei,
depois daquele dia,
você deu o sorriso e pensei
que nunca mais esqueceria.

Me envolvi de tal forma,
que quase não me reconheci.
Foi tão precipitado,
Que até voltei a sorri.

Depois, pisei na bola,
Com tudo isso eu sofri,
Hoje não vejo a hora,
De te mostrar que aprendi.

Para isso eu preciso de você.
Saber se está disposta, será ?
Já te mostrei o que sei.
Vem pro meu lado e você verá.

alexandre morais

Amar.

Amar não é simplesmente ter emoções.
É viver, sofrer e presenciar
as melhores sensações
que a vida pode proporcionar.

Quem ama quer gritar para o mundo inteiro
o quanto aquela pessoa te faz bem,
para isso precisa de sentimento verdadeiro
e sinceridade também.

Algúns são timidos e nunca falam,
Muitos gritam e elouquecem,
com os olhares que se entrelaçam
mas dizem tudo que os enobrecem.

E quando esse sentimento briga em sair,
é nessa hora que a mão soa, a pupila dilata
perdemos o controle do corpo
e junto com ele a fala.

Não omita a verdade
Não tenha medo de amar, não se engane
é o que impulsiona a humanidade
por isso, Ame.

alexandre morais

Viva-Me

Olhe-me, para eu ver verdade.
Sorria-me, para eu viver sinceridade.
Dance, para balançar meu coração.
Toque-me, para eu sentir arrepio e emoção,
Abrace-me forte e se envolva, naquilo que eles chamam de paixão
Não me dê a mão com frieza, pois se você cair ela vai te levantar com firmeza.
Não me ignore, nunca se esqueça,
que eu sempre estarei do seu lado,
não importa o que aconteça.

alexandre morais

A Filha do Sol

A muitos séculos dizem que o sol é a estrela mais brilhante. Bem, era! O resultado dessa emissão foi uma filha que herdou e ultrapassou o seu brilho. Grandes mentes empenharam suas vidas para decifrá-lo. Não precisei ter uma mente brilhante para vê-la tal herdeira, estudá-la, senti-la. Sempre esteve perto de mim, do meu lado. Isso explica o calor exacerbado em meus poros. Transfigurada do universo para um corpo tão pequeno. Sem ele o ser - humano não vive. Sem ela eu não vivo. Ele é fonte de energia renovável. Ela me renova a cada dia. Mãos minúsculas, as quais eu pego com o mesmo cuidado que se pega uma porcelana, com medo de quebra-la. No seu núcleo um coração derretido. O sol fez questão, ao fazê-la sua filha, em pintar o momento em que ele é mais bonito. O pôr - do - sol. E ele o colocou no lugar mais mágico e encantador do mundo. O lugar onde o universo se rende a tal formosa atração. Os seus olhos. Mas com um toque de natureza. Uma mistura de quando o sol abraça a floresta e a envolve em seus braços, e forma um amarelo-esverdeado. Me perco na mata fechada, mas sou guiado pela luz. Dizem que Deus é brasileiro. Mentira. O sol que se encantou pelas maravilhas de uma terra descoberta por mercenários a procura de lucros, e que até hoje é vítima de tanta ganância. O sol se apaixonou pelos índios, pela fauna, pela flora e pelo pão de açúcar que lhe dá um toque especial. Por isso que ele nos presenteou e nos encantou com sua filha, com sua cachoeira de fogo, que deságua delicadamente sobre seu pescoço e seus ombros. Sempre quando a encosto me queimo, mas não forma-se cicatrizes. Forma lembranças que fixam a minha pele. Vários artistas se inspiram no sol para fazer suas obras. Eu me inspiro em sua filha para viver.

alexandre morais

"O tabuleiro escorrido"

O jogo de damas. Disputado no horizonte com suas formas quadradas e secas, formado por duas cores que a muito tempo combinaram-se e marcaram a história, o preto e o branco. Certa vez, um rei e uma rainha travaram uma guerra em um jogo acirrado e amoroso, idealizado ao nascer-do-sol com seu esplendor, modelaram uma massa saborosa e lisa. O conjunto de três nobres talharam no mármore um tabuleiro escorrido na vertical, redesenhado em humano, uma princesa. A combinação sabiamente molhada pela tinta fresca, com fortes pinceladas de raios solares, queimaram cada fio de cabelo branco, herdados da rainha que-lhe presenteou com paz. Cada fio negro foi inspirado na beleza da noite, misturada com o fim do dia, e formou-se um escuro claro. O azar deixado de lado do jogo diferente, cedeu tempo para o jogo vivo. Assim chamado de o jogo das realezas.

alexandre morais

Questionando a Saudade

Ó saudade! Porque levastes aquela moça ?
Aquela pequena moça.
Para sempre dos lábios meus.
De desespero tu ouves o meu chorar.
De alegria debocha ao olha-lá no breu.

Saudade, porque ser tão cruel?
Corpo e alma a entreguei em vida.
Em morte dormirei e subirei aos braços teus.

Saudade, onde foi que eu errei ?
Por merecer tamanha frieza.
Por ter sido verdadeiro?
Isso um desejo que nunca saberei.

Difícil será esquecê-la.
Impossível ao vê-la com outro.
Deus há de me ajudar,
junto com os anjos dai-me força.

Bela se faz. Seus cabelos soltos estão mais.
Bela se fez, por mostrar-me suas mãos,
seus suspiros e sua languidez.

Saudade, sinto saudade dela.
O vento lembra-me seu toque,
as ruas seu corpo,
a luz a sorte.

Caminhávamos por caminhar.
Sonhava só por sonhar.
Sorria talvez por amar.

Saudade, ela tens raiva de mim? Me esqueceu?
Conte-me bem baixinho no meu ouvido para não acordá-la.
Prometo não contá-la ao saber o que aconteceu.

Saudade, ela vai voltar?
Pelo meu sentir acho que não.
Choro dia e noite, me entreguei a solidão.
Mi'alma jás do corpo são.

Podes ficar com ela para ti saudade.
Cuide-a como mereces.
Se ei de saber que faz-a sofrer.
Meus olhos há de temer.

Saudade, não irás ganhar.
Não deixarei que apague-a do meu passado.
Espero continuar outrora dessa vida.
Cheio de suas memórias.
Daquela pequena moça.

alexandre morais

Tudo que escrevo não é pensado.
É sentido.
Só depois de escrito,
que eu procuro uma explicação racional,
para aquilo que foi por mim vivido.

alexandre morais

Bem na minha insônia

Debruço sobre meus livros
e a sala continua vazia, sem abajur
uma menina no ponto do ônibus
às onze e meia da noite
resolve ir embora a pé
colhendo flores no cemitério.

Eu continuo na sala, agora há vento,
muito vento, é a chuva.
O telefone toca e eu atendo,
nenhuma palavra.
Não me levanto da poltrona,
ali mesmo continuo.
O céu brilha
flashes formam sombras
na janela aberta.

A menina passou pela porta
senti o cheiro das flores
vagamente umedeceram meus poros

A cidade dorme, o ônibus passou no ponto a sós
ela não entrou, já havia ido.
O ônibus continua,
é meia-noite.

Um passarinho morreu de choque elétrico.
Houve o velório com os outros passarinhos,
no mesmo cemitério onde a moça colheu flores.
No terreno que sepultaram o passarinho
nasceu novas flores,
foi na parte que a moça havia tirado as outras flores
para poder agora nascer novas vidas
junto com o passarinho.

Tudo isso aconteceu em uma noite chuvosa.

alexandre morais

Cair de uma Flor

O homem urbano, no concreto
pulou do prédio.
O homem se foi.
Quis adocicar a essência.
Ele se foi por isso.
Partiu para sempre.
Afundou no buraco que caiu.

Buraco ele deixou, há muitos
na rua, na vida nem se fala.
Levou almas, lágrimas,
elas preencheram a cova
que ele formou.

Seu peso na vida foi grande.
Penosa estrada curta.
Era jovem, 17 anos.
Homem de nascença,
menino de idade,
criança de ser.
Ah, como todos nós
somos crianças.

O edifício era comprido,
tocava o céu.
Por entre as escadas
ele chegou às nuvens.
Nuvens onde dança anjo,
escorrega na chuva,
que molha e revive.

Nasceu de novo, graças as gotas
que caem pouco a pouco ao chão.
Tocam pessoas restantes,
bebem dessa água e se nutrem.

Partiu o homem, todos irão.
Todos ficam aqui, ali, lá.
Bem ao longe, eu vejo o homem,
todos os outros homens que se guardam
e sofrem. Pelo mundo ser sofrido.

Não mais restam olhos.
Boca se foi, saliva secou.
Abraço foi só em uma caixa.
Descida na terra magra e seca.
Seca com verme, seca com dor
tanta dor.
Encharcada por saudade.
Deixada por medo

Foi para sempre.
Não mais volta.
Claro que volta!
Volta no sentir,
na falta que faz
Nas lembranças nas quais
nunca se vão.

alexandre morais

Poema de Ressaca

Uma lindérrima rapariga
passou adiante,

com uma saia enegrecida
criatura bem laminada.

Criança celebérrima,
alfinetou cada retina.

Quantas vozes em uma só,
desnorteou qualquer sentimento

Atrevi em pegar sua mão
ouvidos macios de doces

palavras firmes não hesitei
ela exalava almas-flores.

Fluídos de desejo pelo todo
no meio a distância

um toque aproximado
calma filho, calma, há tempo.

pele-veludo
rosto, brilho repentino

cabelo espesso e taludo
vaga e remota lembrança

Sede por envolvê-la
em meus magros braços

feminina de sá
corpo bem buliço

remexia à sambá
aquele quadril postiço

Enlaçamos os dedos
carnes ferveram-se cruas

A disse:-Vamos para fora
vamos para a rua.

O mundo é grande,
cabe nossa dádiva

da noite deliberante
e total instigante

pois éramos amantes pós-festa
e proferi-a versos romanescos

(atitude esmiuçada)
copiados do tempo parado

bem ali, naquele lugar
os ponteiros congelaram

me revirava de ponta cabeça
vi o mundo do avesso

aliás, nem mundo eu vi,
ouvi muito menos, sentir quem sabe.

Levá-la-ei ao todo
nos murmúrios do amor

despedir-me bem chocho
embalsamado na terra

Compeliu a saudade acometida
refutei-a com poesia

afim de evitar um desconsolo
esquecer à minha pessoa

em pronome de tratamento
direcionado pelo palpitar lírico

Dulcíssimo foi seus contornos,
inundam minhas reminiscências

trago-te ao pé seu jeito idôneo
sem resignação

por despertar a pureza
onde paira maledicência.

alexandre morais

Complexo


É dia triste, procuro fotos em gavetas esquecidas.
Em porta-retratos talhados por lembranças.
Estou sozinho em casa. O dia está nublado.
As memórias ardem o cérebro.
Certa pessoa nunca se vai.
Há pensamentos que só uma longa dose de solidão é capaz de formá-los,
E sento, atento, fechado comigo mesmo.
Repasso os acasos mundanos, são muitos.
Reformulo a consciência e as atitudes errôneas.
Estou na sala.
Os quadros, o abajur e a escrivaninha. A prateleira florada por livros,
lembro-me do homem, sinto medo.
Me pergunto se sou homem, se pertenço mesmo a uma raça desprezível, vingativa e invejosa.
A persiana filtra a luz, a pouca luz, é fim de tarde.
Está nublado, o quintal apagado, folhas mortas ao chão.
Medo de prosseguir. A vida não rara decepciona, mas continuo em pé,
no meio dos homens, são muitos.
Descubro que sou homem, e que não sonhava. Sou mal, ambicioso, mortal.
Senti meu coração pulsar, porque sou animal.
Me fiz confidente de sentimentos ácidos.
A tarde se foi, meu bem também.
Vi sorrisos em uma fotografia. Eu estava lá.
Beijei o vidro, segurei por um breve momento. Sai da casa.
Voltei ao mundo dos homens.

alexandre morais

Semana da volta

Um sino toca, badala
de lá pra cá

De lá flores brancas, caixão
semana santa pisoteada
por procissão.

Um silêncio nas ruas
vozes ao coro
vozes antigas.

Me remeto ao passado,
de quando acreditava
existia tempo
sonhava o futuro

Havia muito chão
terra na mão.

Há tanta paz lá no fundo
em vem a voz de Deus,
dos apóstolos, dos crentes.
Eu só via a pipoca estourar
no carrinho da pracinha
se confundia com o cheiro
de vela.
Com sandálias abertas
como a de Cristo,
eu não entendia nada,
só os amigos que corriam
quando ainda eram vivos.

Sentes?
é o cheiro da chuva,
da pura chuva.
Trouxe o perfume
da minha mãe já falecida,

o céu escureceu
as vozes continuam
arrastadas com tanto peso
e esperança.
O coral é impecável
a casa de Deus tão cheia
povoada por almas pecadoras
um ambiente nostálgico
e fúnebre.

Já me vi um filho
já me vi um intelectual
um bobo
e um alcoólatra
já até me vi poeta.

Hoje me vejo um morto.

E eu nunca vou esquecer
da igreja da minha cidade
do interior de minas.

alexandre morais

Som indecifrável

Qual seria o som do universo?
um chiado de vento?
um telefone mudo?
para alguns seria o fim do mundo!

Não sei o som da galáxia
nunca viajei para o espaço
em uma banana branca.
Arrisco em dizer que seria
choro de bebê, pedindo colo
e mais colo do infinito.

Seria o beijo da lua com o sol?
ou de estrelas povoando
cada milímetro do espaço sideral
corrompendo com a matéria
inorgânica da explosão?
Fantasio a ideia
de um cavalo-alado
com brasão e véu nas crinas
com um sacerdote a tocá-lo
os gruírem de suas rimas

O barulho do universo
pode ter vários tons
e melodias, concreto
de pássaros pigarreando
sucintos na minha janela
toques do horizonte aberto
e inóspito,
que me chamam pra dançar
no balanço do ócio

Sobrevivo com a surdez
da minha curiosidade, na terra árida,
ferida
e nos olhares discretos pra cima
só em tentar entender
da onde vêm o cantar
da vida.

alexandre morais

Olhar para trás


Passei do desejo ao acaso.
Vejo o fim da vida próximo.
As lembranças de nada desfaço,
hoje, velho, só guardo remorso.

Flor púrpura, estrada passada.
Jovem fui pego pelo seu laço.
Criança sozinha e fechada,
moça de diferente compasso.

Luz eterna, nunca mais a verei.
A esperança pálida se foi,
tristeza que a tempos alentei.

Despeço-me com alma impura,
daquela que só me fez reluzir,
na noite amena e escura.

alexandre morais

Miudinho

Tinha uma mocinha,
bem loirinha,
da cidade pequenininha,
que andava com flores,
na cestinha
da bicicletinha.

Toda meiguinha,
bem depressinha,
quanta gracinha,
daquela mocinha
loirinha, da cidade
pequenininha.

Com a bochechinha
rosinha,
escondia do solzinho
debaixo da sombrinha,
e bebia aguinha,
pra voltar a passear
na biclicletinha.

Na esquininha,
ela caiu, e machucou
a perninha,
fez dodóizinho,
tadinha.

Um menininho
desesperadinho
ajudou ela
a se levantar
rapidinho,
pra ganhar
um beijinho
no rostinho
vermelhinho
e sentir amorzinho.

alexandre morais

Patrícia Mendes

Quantos segredos
há em uma fotografia?
quanta paz
há em desenhos?
quanta luz há um formato?

Eu só olhei e mais nada,
as expressões fortes e sérias
de uma moça
que eu vi sem querer
em uma foto-novela

Amei-a da terra do nada
por onde brotou
um cálice de flor
da gaveta empoeirada
na qual era guardada
uma imagem emoldurada,
no porta-retratos de cor.

Lembrei-me das moedas cunhadas
na qual vinham o retrato
de D. Pedro I
e a imperatriz desejou-o
o belo rosto rasteiro.

Vou pedi-lá em casamento
ainda hoje irei
graças a minha curiosidade
adiantar minhas cartas
acelerar as brigas
reconciliar os beijos
que nunca dei.

Dirigir-me-ei aos pais, pedir-lhes à mão,
disser-lhes sobre a foto do meu pecado
colorida, preta e branca
do diamante escasso
que encarava a fina lente
e penetrava o rigor olhar
no limbo aro

Estás a duzentos, não!
trezentos e oitenta mil quilômetros
de enfática distância
do meu apartamento de esquina
ombreando com minha estima
alerta e desespera a ganância

no rapaz esquálido,
que anos luz
a viu
estacada,
defronte
de perfil

sua silhueta reta
os cabelos soltos
mornos
nascidos de uma nova era
da carne no osso.

Como pode o sol permear
os arredores de casa
da rua, sem trazê-la?
e o meu castigo já estava imposto
a punição de não conhecê-la.

Em um quadro marcado
foram pintados
os olhos simétricos
a rebuscada boca
para o meu aval
literário, poético.

alexandre morais

Tédio

de chinelo,
ao longe
um jornal velho

com rosto patético
cabelo de ontem
inédito

roupão amarelo
do Sinério

no corpo hermético

sem inspiração
pra poético

até voltar
a dormir
no concreto
remédio
do assédio.

alexandre morais

Medo Puro

Eu tenho medo normal,
o mesmo medo que você,
e neste momento ler meu medo
de médico, do homem do saco roxo
de lombriga e doença.

Tenho temor de palavras bonitas
de frases pensadas e bem feitas.

Tenho medo de pular da ponte
e cair de braços abertos no rochedo.
Medo de tocar o interfone e for ele
e eu me descontrolar e ofendê-lo
e esperá-lo no passeio.

Medo de tirar os livros da mala
a garrafa de uísque pela metade
e acabar com o resto de uma vez e,
ter refluxos e refluxos de medo
junto com o cigarro
mal apagado.
Sinto medo porque quero
não para me proteger
não é algo instintivo
salvador.

Medo de amar por antes
ter tido medo de falar o amor
incalculável,
depois chorar de medo
por não conseguir
amar de novo.

Meu medo não tem explicação
matemática e nem luso-portuguesa,
muito menos em dicionários.
Medo de deitar com você
posso babar de desejo
e revirar o lençol como meu estômago
depois do porre de uísque.

Tenho pânico em dizer "eu te amo"
e morder a maçã e quebrar o dente.
Tenho medo do pronome "eu"
e pavor da felicidade excessiva
enjoativa como glacê.

Medo medo medo medo
Medo do meu apartamento
e nele dormir sozinho
no frio, sem luz,
como em um caixão.

Medo de escrever uma carta
e desse poema medroso.
Não sei, só tenho medo.
medo de finalizar meu medo
e dizer: "Adeus."

alexandre morais