Poesias Infantis de Vinicios de Morais

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Os pensamentos que eu Refleti

Todos os livros que eu li,
todos os versos que eu não escrevi,
todas as poesias que eu esqueci,
todo o mundo que eu me perdi
e todos os amores que eu parti,
estão ainda aqui.

Todas as garrafas que eu bebi,
e cigarros que acendi,
todos os casamentos que eu pedi,
toda minha vida que eu vivi,
e todos os corações desenhados pra ti,
juntos com aquelas flores que eu colhi,
estão por ali.

E as mortes que eu ainda não morri,
andam a me seguir
no passeio que eu corri
lá na casa que eu construí,
da mulher que eu vim,
nos dias que eu amanheci,
nas noites que mal dormi,
e em todas às horas que eu sofri.

alexandre morais

Mesa Formada

Me deem uma garrafa de vinho
batata palha
requeijão
creme de leite
frango desfiado
e um amor para poder dormir no frio.

alexandre morais

Bula

Aviso para os seguintes sintomas.

Se você estiver com:
Tremores no corpo,
suor exacerbado nas mãos
frio na barriga,
complexo por medo de rejeição,
falta de ânimo,
alucinação.
Batimentos cardíacos acelerados,
cegueira incontrolável,
tato arrepiado,
impaciência,
aumento do ritmo da respiração,
tontura e sonolência,
escassez de ar,
isolamento
e preocupação.
Ataques de risos inexplicáveis,
juntos com ansiedade,
combinada com impulsividade.
Atenção!

Corres um grande risco de se perder.
Por quê? Cuidado.
Estás completamente apaixonado,
de coração.

alexandre morais

Nunca teve nada
nunca foi nada
e nem vai ser nada.
Até chegar no nada,
que onde não deveria estar.

alexandre morais

Todos precisamos mergulhar dentro de nós mesmos
e encontrar o nosso próprio caminho
as vezes reorganiza-lo
outras vezes refaze-lo
Descansar para se reciclar é imprescindível.

Marcia Morais

De Cara na Porta

Toda vez que tento ir à sua casa
sinto que seria como escrever,
foge da minha compreensão.
Um sentimento abstrato,
uma ousadia no vácuo,
grande insistência no inato,
tentativa de reconciliação.
A borrifada de ar no meu rosto marejado
despertado no vazio
entender que não consegui o perdão.
O jeito sempre é voltar pra cama
e dormir sozinho,
no frio e solitário colchão.

alexandre morais

O Presente não Dado

Ao pé do fim do morro,
com o mais fino embrulho,
carregava embaixo do braço
um presente não dado
que eu há anos afundo.

Fazia tempo que pairava
que até a cor perdera.
Na minha estante repousava
junto com o medo de ir entregá-lo
para a pessoa que o merecera.

Agora, encontro-me debaixo de chuva,
no início do morro íngreme,
tentando encontrar palavras
e dizer para a menina matuta
o tanto que ela me inspire.

O embrulho é prateado
bem, era.
A água revolta tratou de deturpá-lo,
junto com o tempo adiado
com isso, das minhas lembranças levado
na correnteza foi para o ralo
que de cor ficou apagado.

Menina, me perdoe por antes não ter falado
que eu tinha um presente guardado
lá na estante empoeirada
feita de madeira, no meu quarto.
Sinto que consegui ser amaldiçoado
pelo fracasso de amar.

Se agora choro, fustigo meu coração.
Amasso-o como um padeiro trabalha o pão.
Sou aspirante a poeta, menina bonita, peço perdão,
pela falta de fala expressa pessoalmente,
e o grande número de escritas correntes
no papel escondido na gaveta da minha prisão.

Voltei todos os dias pra casa,
hoje também voltei.
Com a mão firme, cheia e suada
carregando o presente que nunca dei.
Recoloco-o na estante mais uma vez.
e deito ao relento da noite
me odiando por todas às vezes que fraquejei.

alexandre morais

Amor Bobo

Me nutro por amor bobo.
Engraçado e recheado
todo colorido palhaço
e tolo.

O que é motivo de chacota
o famoso casal que sente a beleza no olho.

Amor que faz pessoas sorrirem
por ser inacreditável
impossível de ser amado.
É, aquele bobo,
pro outro invejado.

Amor gostoso
igual café com bolo morno.

Gosto de amor bobinho
simples e ousado
a bobice que debaixo das cobertas
esquenta o frio exato.

Juntinhos, sem maldade,
amor que é completo, de graça
e que não se paga.
A falta de preferência
pela medíocre aparência
para ambos baterem asas.

Ah, como é bom amar,
ainda mais se o amor for bobo
por nada.

alexandre morais

Rua da Lata Virada

Dois cães se veem na rua suja e latem
se estranham.
Dois cães um noutro se avançam.
Ambos se mordem
se espancam.

Esses dois cães se odeiam
estão bêbados
sem ao menos saber o porquê.
Nem pensam
muito menos têm consciência do que são.
Se agridem por sede amarga de sangue,
o sangue que nunca tiveram.
São raivosos e desesperados
diferente de só um cão.

São gerados pela estadia do esquecimento
É pau, é pedra, é cada um por si
no abandono latente.
Caem e levantam, voltam à estaca zero da vida
e ferem aqui
o coração de tanta gente.

Imbecis de pelos enormes.

Na rua, dois cães brigam,
agonizam
e morrem.

alexandre morais

Ave ufana de Pátrias

Araponga sem-vergonha,
fica nas restantes árvores escondida
gritando aos setes ventos
uma rima forte e partida.

Araponga brincalhona
na janela do ferreiro.
Cata verme e compete,
canta por doçura e brinquedo.

Se o martelo bate no ferro
sua mãe é esverdeada
o pai branco como geada
tu só poderia ter nascido,
no litoral das terras salgadas.

Se agora eu apanho
na Mata Atlântica,
ou no interior do continente
o fruto no chão,
todo sangrado e ferido,
entendo um bocado,
a falta de comida
e sua perseguição.

Araponga voe livre
para longe inclusive
de toda à prisão.
Sua liberdade imponha,
é seu direito em ser viva
e tocar às pessoas
com seu murmurejar marcante.
Araponga inesquecível,
sem-vergonha.

alexandre morais

Por que sentes dor?

Não sei! Se eu fosse detentor deste conhecimento, ia lá no fundo,
lá no motivo inicial, o ponto de partida
e entenderia sem pestanejar o porquê de tudo isso.
Entenderia, não com a intenção de findá-la ou
retirá-la com as mãos da terra que é meu corpo
arrancando com raiz, caule, verme e pétalas
mas sim para afrontar os meus medos e desejos
e descobrir o motivo no qual escrevo
e entro em seguida no desespero.

Porém, este entendimento, tenho pavor em conhecê-lo.
Posso deixar de poetizar pelo simples fato
de ter elucidado a causa mais íntima,
que briga submersamente para que permaneça no anonimato,
e só saia em forma de poesia.
É por isso que tenho essa dor crônica
pelo fato de que eu nunca me esforcei para encará-la de frente.
Não tenho a pretensão
de ser sabedor do motivo pelo qual dói
e em seguida olhar o medo que tanto me encoraja
e saciar o desejo que tanto me impulsiona.

Desde modo, nunca conseguirei responder essa pergunta.
Minha dor é dos papéis e das declamações
minha dor é relógio na madrugada que fofoca às almas
os nuances sobre o dia dos vivos
é linguajar popular acessível a todos.
Minha dor é um código indecifrável de palavras
que não perco tempo em decifrá-lo
apenas em escrever o que é necessário
para que essa dor continue a pulsar forte
e me inspire até o dia em que eu for embalsamado.

alexandre morais

Brincadeira de Hora em Segundos

Lá, lá atrás do tempo
criou-se um descontento
Isso? Há muito me lembro
pungir o vento,
nas costas das horas
que estavam distraídas lendo.

Não sei se gostavam
porém achavam-se atentas
pararam até os ponteiros
que todos os dias andam pela sala,
passam pela cozinha
pelo quarto, voltam pra sala, e sentam.

Os números que formam o dia e a noite
o nascer e o crepúsculo
pairavam no ar escasso e cortante
e usavam grandes óculos escuros
em cima do muro,
comiam um maduro fruto
olhando o poço fundo
do mundo.

com os olhos vendados
filtravam o brilho deste tempo
o tempo rodante,
no espaço barulhento
o tempo passado, o tempo pequeno
desesperado e frêmito
por atrás deste paciente poema lento.

alexandre morais

O Visto Eterno

Te amo infinito
no coração afinco
dentro do corpo nutrido
e pela alma, excluído.

Tudo excluído
foi tudo perdido
o passado era aquilo
um dia partido
na surdez do ouvido.

Quando te vi
foi lindo,
inventou o calor
que eu não elimino
até agora zelado
por anos, mantido.

Neste tempo promíscuo
sonhei em beijar-te a boca
com o lábio mordido
por dente de mimo.

Sua roupa em alinho
o sangue na veia
permeia o seu rio
corre líquido mítico
me dê vida
em sede de bico.

Agora, pode chegar
o dia de ir, não vivo
nem uma hora a mais
nem menos que isso
por motivos próprios
por dentro, há sinto.

alexandre morais

Pela fé vencerei reinos.
Pela fé alcançarei promessas.
Pela fé calarei a boca do leão.
Pela fé apagarei a força do fogo e porei o mal em fuga.
Pela fé, e apenas pela fé chegarei até a Deus e o agradarei de verdade.

Eugênia Morais

Cuidado com o que falas de si próprio! É muito fácil falar e auto elogiar-se.
Para convencer outrem e fazer calar os que falam mal de você, tens que mostrar mudanças de comportamento.

Eugênia Morais

Fale bem de si próprio com palavras eloquentes e até fantasiosas. Por certo te ouvirei. Mas, para acreditar em tudo que dizes basta que coloques em prática.
As ações não só falam por você como comprovam e convencem.

Eugênia Morais

Minha história é um texto sem resumo
Ora ao lado de alguém, ora sozinho...
Que perder-se também é um caminho
Onde só os mais fortes buscam rumo.
Se você quer ir mesmo? Eu me acostumo!
E prometo sorrir na despedida
Se voltares depois, direi: -''Querida,
Não voltei pra você nem pra ninguém,
Que na vida tirando o 'V' que tem
As três letras restantes são de 'IDA'.

Dudu Morais

Inevitável

E essa tal boêmia
que vai acabar
por me matar
um dia

junto com os
angustiantes versos
de líricas poesias.

alexandre morais

Vamos que *amo!


Cada um se sente bem
com aquilo que se tem

a cada manhã
que se abre a janela
e se permite o vento mapear
na cama quente
o corpo de alguém

e por estar feliz
por mais um nascer
ao lado da alma
do seu amor também

depois, levantar da cama
ajoelhar e orar
ver a pessoa
e pedir esperança,
para enfim dizer:
-Amém.

alexandre morais

Medo de Cores


Há noites no qual sinto vontade
de me trancar em um quarto de hotel
e suicidar com o meu próprio medo.

Por causa do tempo isolado,
longe de tudo e pelo desajeito
ao deparar com algo branco, afastado

feito para inventar uma passagem do inócuo dia.
Uma forma concreta, um quadro

e nele pintar um sentido reto de linha
para criar de passo em passo
uma obra de arte, a vida.

alexandre morais