Poemas de Manuel Bandeira

Cerca de 47 poemas de manuel bandeira

Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com o livro do
[ponto expediente protocolo e
[manifestações de apreço ao Sr. diretor

Estou farto do lirismo que para e vai
[averiguar no dicionário de cunho
[vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clows de Shakespeare
-Não quero mais saber do lirismo que
[não é libertação.

Manuel Bandeira

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.
Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Manuel Bandeira

Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu presciso
Muita força
Muita força
Muita força
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora
Vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

Manuel bandeira.

Tempo Será:

A Eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão).

Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A Eternidade está longe,
Brinca de tempo-será.

(Manuel Bandeira)

Não Sou Manuel
.

Chega
Já deu
Não sou Manuel Bandeira mas vou-me embora ...

Aqui despedaço
Trituro
Remouo
Firo Junto ao sol

As lembranças também fritam
Tenho pelo menos 3 queimaduras
De terceiro grau

Sempre existiu tanta aversão pelo fogo...
Não há por que isso permitir
Ficar tanto tempo nesse calor

Volto pra onde nasci
Troco de lugar
De pele
A cor do cabelo
E o endereço

Quem sabe assim eu não consigo fugir
Das lembranças daquilo que eu tanto persegui ?

NaNa Caê

RECADO PARA MANUEL BANDEIRA

versos, métricas e citações
nada servem.
os neologismos foram enterrados
junto com o que devera.

nobre bandeira...
o que fizeram
"do beijo pouco, falo menos ainda??"
tudo hoje é tão intransitivo.

a duros golpes de chicotes
forçam a poesia ser sempre revolucionária.
uma espécie de menchevic léxico-morfológico-gramatical.

estou farto desta contínua e mutável
transgressionalidade poética
tudo hoje quer ser novo de novo.
eu, minha cuca e minha escrita
querem ficar um pouquinho mais velha....

Pierrot Sampaio

'...Li num livro da escola o poema O Bicho Manuel Bandeira...tenho vários personagens prediletos, conheci Macabéa num livro A hora da estrela de Clarice Lispector.

Bindes Maciel Fá
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