Poemas de Índio

Cerca de 70 poemas de Índio

EU SOU

Eu sou PRETO... tenho amor
Eu sou BRANCO... amo também
Eu sou ÍNDIO... tenho valor
Eu sou PARDO... e vivo bem
Só não TROCO... a minha cor
Pelo RACISMO... de ninguém.

Guibson Medeiros

Que não importe para você se sou branco, preto, pardo, mulato, índio, asiático ou latino.
Que não importe para você se sou gorda, magra, alta, baixa, obesa, anã, gigante.
Que não importe para você se me visto com roupas curtas ou cumpridas e uso cabelos curtos, longos, muito longos ou se sou careca.
Que não importe para você se eu sou casada, solteira, divorciada, viúva.
Que não importe para você se eu não queira filhos, nem bichos, nem casar, nem namorar .
Se importe apenas com minha essência e não com minha aparência.

Arcise Câmara

BARBÁRIE DRUMMONDIANA

"O homem que matou o branco que matou o índio
que matou o índio que matou o branco que matou o negro
que matou o índio que matou o negro que matou o negro
que matou o branco que matou o branco — se matará?"

Ramiro Conceição Nascimento

A idade da felicidade
é a idade da liberdade,
se é que liberdade tem idade...
Há o modo dos índios
que não contam as horas,
não contam o tempo...
Que apenas flutuam como folhas,
em comunhão com o vento...
Pode haver limitações na vida,
mas não na alma...
ou em pessoas que encontramos...
Se para se voar com as asas do coração,
o preço for uma prisão...
haverá sempre um escape... mesmo num feixe de luz...
que revigora a imaginação...
para quem sabe encontrar a felicidade...
Para quem tem alma de pássaro...
Simplesmente porque aprendeu a voar... com a felicidade...

mfpoton

MEU PROGRAMA NESTE DIA DO INDIO

Neste domingo, dia do índio , eu que sou tataraneto de um deles, quero fazer uma homenagem a mim mesmo e a minha família.
Vamos esquecer os trabalhos , descer a serra do mar e subir a um paraíso musical onde cantam pintassilgos , pintaroxos, melros, engole-ventos, saíras, inhambus, patativas, tordos, tujus, tuins , tiés-sangue, tiés-fogo , rouxinóis, coleiras , trigueiros , colibris , macucos e outros pássaros da orquestra sinfônica de Passaredo, bela música de Chico Buarque e Francis Hime.

Deste autêntico-programa-de-índio , além da pajelança neo-ortodoxa, do cachimbo da paz e da rodada de chá-de-cana, consta que faremos uma meditação sobre um texto sagrado escrito pelo chefe índio Seatle e endereçado ao presidente dos EUA.
Ei-lo ecologicamente correto, belo e romântico, como almeja nossa alma indígena:

Não há um lugar calmo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar para escutar o desabrochar das flores na primavera ou o bater das asas de um inseto.
E o que resta da vida se um homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxar dos sapos à volta de uma lagoa à noite?
O índio prefere o suave murmúrio do vento, encrespando a face do lago e o próprio aroma do vento levado pela chuva ou perfumado pelos pinheiros.

Quando retornar para a cidade, quero de novo, estar sintonizado com as batidas do meu coração. E com minha pressão arterial no compasso da mãe natureza: calma, serena e tranquila! O grande Senhor do sol, da lua, das montanhas, dos ventos , das águas, dos passarinhos e de todos os peles-vermelhas me ajudará na bela empreitada.

Carlos Alberto Rodrigues Alves

AMOR DE ÍNDIO

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo cuidado, meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com o arco da promessa
Do azul pintado pra durar
Abelha fazendo mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for e ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser tudo

Beto Guedes

Aupaba

Vejo a lança do índio guerreiro, que pesca no rio.
A flecha, o assobio.
O barulho de caça.
A mandioca que a índia amassa.
A goma fresquinha na coité.
A tribo dos índios kanidé.
Jenipapo e paiacus, que habitam a terra santa.
Ouço o barulho da mudança.
O cimento, o concreto da construção.
Ouço barulho de expulsão.
O índio teve que sair.
A terra que existe ali é caminho grande.
Foi cortada por ponte.
Temos que construir.

E no meio do nada nasceu o civil.
A ponte foi sendo erguida.
E o povo a seguia, e foi aumentando.
Aumentando!
E já é gente demais.
Lavadeira o que faz?
Lava roupa no rio.
Cozinheira no fogão.
Fazendo o feijão-de-corda.
Plantado a beira-rio.
Grande população.
Dentro do casarão.
E onde antes era só rio.
Hoje tem civilização.
Tem sujeito, e aquele vilarejo.

É como massa de pão.
Que cresce e cresce.
E que luta pelo direito.
E conseguiu se emancipar.
Com bravura com vontade.
Hoje tem identidade.
Tem história de verdade.
Povo sofrido que cresceu.
Ali naquele lugar.
Terra santa milagrosa, berço do homem da cruz.
Foi palco de um milagre.
Do nosso menino Jesus.
Terra rica de fartura.
Artesanato e cultura popular.
Muita castanha pra apanhar.

E seguir nesse enredo.
E na noite eu festejo, no forrozinho do bar.
E aqui nesse Chorozinho.
Tenho orgulho de morar.

W.M

De um lado um dragão, do outro um índio
A lua de fundo pra figura sorrindo
A ilha acordando e a malucada dormindo

Dazaranha

O Guarani


Peri ama Ceci
Isabel ama Alvaro
Que ama Ceci
Peri índio goitacá
De olhar profundo e de fidelidade voraz
Um amor no meio de uma batalha
Ganancia de Don Loredano
Tal como a obra Shakespeariana
Isabel e Alvaro morrem juntos...
Mas o ataque dos Aimorés
Fará a casa de Don Antonio sucumbir
Ele entrega Ceci a Peri
O batiza como cristão
E assim se vão
A casa de Don Antonio se acaba numa explosão
Mas o tal amor ainda iria passar
Por algumas provações
Num tempestade viu Ceci tudo acabar
Mas Peri indio valente pede pra Tupã os guardar
E á sombra da lenda de Tamandaré
Peri numa palmeira faz canoa
Descem o rio e água se escoa...
Perpetua-se o amor
De Peri por Ceci...


Baseado na obra de José de Alencar - O guarani

Letícia Andrea Pessôa

Criaram conflitos...em suas almas.
E hoje, eles desconhecem a paz.
Quando tudo começou, o indio, era quem mais sabia viver a vida compartilhando com a natureza. Por ela zelando, aprendendo.
Dela tirando seu sustento.
Roubaram a paz, do coração de quem apenas queria viver, despido de ambição.

Dayse Sene

AMOR DE CARNAVAL
Sidney Santos

De índio, no carnaval brinquei
No vermelho, azul e branco, transitei
Não fui palhaço e pirata, tão pouco
Quando fui médico, escutei
As batidas do teu coração
E desde então, fiquei louco
Pirado com a séria brincadeira
Amor de carnaval dura pouco
Acaba na terça-feira!

Sidney Poeta Dos Sonhos

COMO ÍNDIO
O que acontece de repente
Quando ela se pinta diante do espelho,
Batom, sobrancelhas e cílios...
Tomara que caia justinho,
Cambraia estampada,
Nem lembra dos filhos
O que fantasia, tão bela diante do espelho
Com poses e closes pra postar no face,
O marido disfarça, fingindo reler um jornal antigo,
Mas instiga, seus risos e bicos,
Meu amigo malandro metido a filósofo
Dizia que mulher é como índio
Quando se pinta quer guerra
E a vejo tão bela com a escova
E um decote generoso
Falando em lift e massagem
E uma taruagem na coxa,
Poxa ninguém é de ferro e parece provocação,
Mas tem a tal “maria da penha”
O que fazer com o ciúme
Se trejeitos e excesso de perfume
Me fizerem perder a cabeça?
Meu amigo dizia por experiencia própria
Que mulher é como índio
Quando se pinta quer guerra...

tadeumemoria

Era um vez o indio que estava andando na feira 
e nao tinha nada pra comprar . 
Comprou uma cueca de pano dai ele foi embora 
chegou em casa e a mulher do indio pergunta:amor porque sua cueca esta rasgada? 
O indio responde: indioo forte cueca fraca indio peida cueca rasga. 
No outro dia o indio compra uma de madeira. 
E a india perguta: poque esta rachada? 
indio responde: indio forte cueca fraca indio peida cueca racha. 
No outro dia o indio compra uma de vidro. 
E a india perguta: poque esta trincada. 
indio responde: indio forte cueca fraca indio peida cueca trinca. 
No outro dia o indio compra uma de aço. 
E a india perguta: porque vc esta chorando. 
indio responde chorando: indio fraco cueca forti indio peida cú esprode!!!

eu

Índio, lhe peço perdão
pela soberba, avareza, enganação
pela tirania, hipocrisia, zombação
Índio! lhe peço perdão
pela ignorância, maldade, destruição
pela arrogância, ganancia, humilhação
Índio, me perdoe!
por pensar que sabia por ter tudo,
hoje sei quem não tem nada é que conhece o mundo
ÍNDIO ME PERDOE!

Luan da Silva Leal

Sítio Histórico

O branco veio
explorou o índio, explorou o negro
a construir prédios
que se não prisão, não freqüentaram.
O branco veio
usou o índio, usou o negro
a servir em prédios
que se deu riqueza, não repassaram.

O branco vê
os filhos índios, os filhos negros
a bendizer prédios
que se viu nobreza, sequer pisaram.
O branco vê
que os filhos índios, que os filhos negros
se em nome de prédios
pedem trocados, é pela riqueza que edificaram.

Lucian Rodrigues Cardoso

Eu sou o branco que tu vê
O negro que tu tanto discrimina e maltrata
O índio que tu mata
Sou o mesmo que você.

Nathalia Crisane

"Teu rosto
Onde um índio passa e canta
E se enlaça em Caymmi e Mozart
Foi-se depressa tal como a jangada
Cujo limite são as léguas do mar.

A amizade é graça
cartas nunca escritas, notícias sem dar.
Ah Amazônia das fugas e percursos
Teu rosto invade e alaga devagar."

Heleno Oliveira - poeta brasileiro In: As sombras de Olinda - Ed. Caminho - 1997 p.31

“DEPOIMENTO DE ÍNDIO”

Avistei de longe, em meio aos montes, alguns barcos querendo atracar.
Desses barcos desceram pessoas bem vestidas, com trajes de invejar, não sabíamos nós índios, quantas tempestades iríamos enfrentar.
Eles eram portugueses, que nas mãos traziam espelhos, pentes e outras coisas mais.
Nos deram os espelhos....
Ao se avistarem nos espelhos o meu povo ficou maravilhado. Nunca tinham visto suas imagens refletidas antes, a não ser nas águas dos rios. Coitados, mal sabiam eles o quanto de coisas ruins estava para chegar.
Já eu, ao me avistar no espelho, vi refletido um povo, uma cultura e seus costumes destruídos pela ingenuidade, perdendo a identidade e a coragem de lutar.
Éramos um povo simples, sem malícia. Adorávamos a simplicidade e o modo de vida de lá. Mas infelizmente o homem é o maior destruidor da natureza, e de tudo que toca. E com o nosso povo... eles não foram diferentes.
O Brasil não foi descoberto, foi saqueado!
O que sei é que perdemos nossas terras, e a cada dia perdemos mais e mais. Mas não perdemos a nossa dignidade, nossa força, e a nossa coragem e a vontade de lutar.
Somos um povo forte, guerreiro, e não tememos nada!
A nossa cultura e os nossos costumes estão espalhados por todas as partes, por todo o Brasil.
Enquanto a nossa cultura e os nossos costumes se manterem vivos no coração de cada um dos brasileiros, o nosso povo não morrerás!

Autor: Lenilson Xavier (19/04/2016)

Lenilson Xavier (lexgrafia)

Carta de um índio
(Fernandha Franklin)

Nós vivíamos em um lugar incrível.
Éramos amigos íntimos da natureza e as únicas riquezas que nos interessavam eram as essenciais para se viver: comida, água e um bom convívio.
Não sabíamos que existiam riquezas além disso, e se existiam...essas não nos interessavam.

Nosso único investimento era no fortalecimento do elo que tínhamos com a mãe Terra. A energia com o planeta é que nos elevava.

Tínhamos nossos costumes, rituais e nossa nudez nunca forá um tabu, ou motivo para vergonha.
Foi então, que chegou um povo diferente, que colocou roupa na gente, e nos ensinou a entender sua língua. Pois para que acreditássemos em suas mentiras precisariamos entender suas palavras.

Prometeram nos mostrar o que havia de melhor fora da aldeia (fora de nós) e que também poderíamos ser "homens civilizados". Nos falaram que seus mundos eram muito melhores, e que de onde vinham, a vida era encantada.
Eu acreditei!Até porque, foram eles que me ensinaram no que acreditar.
Eles mentiram!
E foi então que fez sentido as vestes que usavam: era uma forma de esconderem um pouco da mentira que eram.

Troquei tudo o que eu tinha e toda paz da mata...por um quarto velho numa cidade poluída, que agredia meus olhos e ouvidos, e que o homem civilizado, insistia em dizer que fazia parte do meu futuro.
Eu, índio "selvagem". Ele, homem "civilizado". Muitos de meu povo, ainda tentam se manter na pureza e nos valores daqueles dias... mas até lá, o homem levou tecnologia, e esse entretenimento impede meu povo de pensar, como pensavam nos antigos dias.

Eu, índio, triste estou!
Não somente pelo meu povo, mas por todo povo que o homem enganou.
O conhecimento que diziam, era pura hipocrisia...
E toda lembrança da vida do índio, foi substituída por este único dia. Hoje! 19deabrildiadoíndio

Fernandha Franklin

☛❝No Brasil, todo mundo tem sangue de índio. Uns nas mãos, outros nas veias e outros na alma. Onde está o seu?❞

❝✪❞
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❖ ∂ιηηнσ¹
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Dinnho Beduzupo