Poemas da Seca do Nordeste

Cerca de 26 poemas da Seca do Nordeste

Exaltação ao Nordeste

Eita,Nordeste da peste,
Mesmo com toda sêca
Abandono e solidão,
Talvez pouca gente perceba
Que teu mapa aproximado
Tem forma de coração.
E se dizem que temos pobreza
E atribuem à natureza,
Contra isso,eu digo não.
Na verdade temos fartura
Do petróleo ao algodão.
Isso prova que temos riqueza
Embaixo e em cima do chão.
Procure por aí a fora
"Cabra" que acorda antes da aurora
E da enxada lança mão.
Procure mulher com dez filhos
Que quando a palma não alimenta
Bebem leite de jumenta
E nenhum dá pra ladrão
Procure por aí a fora
Quem melhor que a gente canta,
Quem melhor que a gente dança
Xote,xaxado e baião.
Procure no mundo uma cidade
Com a beleza e a claridade
Do luar do meu sertão.

Luiz Gonzaga de Moura

Meu nome é Nordeste

Tenho seca tenho fome
tenho pressa companheiro
se o desprezo me consome
eu sou forte e verdadeiro
você vem mas logo some
sabe bem que eu tenho nome
sou Nordeste Brasileiro.

Guibson Medeiros

Mãe, Seca...

Nordeste, Brasil.
Enxada na mão, filho no braço.
Ara a terra, seca...

Francismar Prestes Leal

A essência de um homem de verdade,
vem do pai pra formar um cidadão,
vem da mãe pra lhe dar educação,
e um menino vira homem caráter.
Macho véi, com muita sinceridade,
Eu lhe digo que aqui no meu sertão,
caráter e honestidade são coisas de criação,
tem família que sofre com sede e fome,
sem dinheiro, sem luxo e sem “sobrenome”,
12 filhos e nem um vira ladrão.

Bráulio Bessa

Agreste...

leito seco,
em passo lento,
tormento...
ausência...
cicatriz...
violento...
clemência...
minha demência...

margeia,
a pequena veia,
enfeia...
areia
seca,
o vento,
o cisco,
o olho,
a lágrima...
culpa do vento...

Rosangela Calza

“Os problemas do sertão todos nós já estamos acostumados a enfrentar, já não nos assustam mais. O que mais dói é perceber que esses problemas ainda persistem, se renovam e se fortalecem, mesmo com a modernidade de nossos tempos atuais...”

Leandro Flores

É assim no sertão.

Aonde a seca maltrata
o linho não é páreo pro couro
pão é mais caro que prata
água vale mais do que ouro
macambira é melhor do que nata
jumento é mais forte que touro.

Guibson Medeiros

A verdade é que somos retirantes em pleno século XXI. Fugindo dos mesmos problemas, convivendo com as mesmas situações, alimentando os mesmos ideais de sempre, sem nunca resolver o que realmente precisa no sertão: a fome educacional.

Leandro Flores

Vento seco.

O vento seco que corre
pela seca que avança
e o jumento que socorre
é bicho que não descança
aqui quase tudo morre
só não morre a esperança.

Guibson Medeiros

Recompensa Divina

Da pior seca dos últimos tempos
Ao período que mais choveu...
Com Deus não há tempo ruim
Não desampara quem Dele careceu

O pasto está crescendo
O gado engordando
A barragem sangrando
E o povo agradecendo

Graças a Deus,
É a chuva que chega ao sertão
Para fazer de 2013
Um ano de muita recordação

Leandro Flores

Não é a pobreza, nem a seca do nordeste que expulsam o sertanejo de suas terras e sim os próprios coronéis, intitulados políticos que eles próprios colocam no poder...

Leandro Flores

O homem sertanejo
Meu Sertão é seco, mas não é seco por ser mais pobre,
É seco porque a seca é uma das paisagens do Sertão
É fator do clima e do solo da nossa região
Região que é rica em demasia quando se tem chuva
E pobre de fazer pena quando não tem a bendita água nos açudes e barreiros,
Mas, mesmo assim, diante dessa paisagem da vida, o sertanejo é forte em vida

O sertanejo é valente, persistente e um vencedor,
A batalha é constante desde os primórdios do desbravamento do Sertão
Nunca se cansa e nem amolenga diante das dificuldades do tempo e do espaço
O sol escaldante, o solo seco e a paisagem cinzenta,
Não é desestímulo ao homem sertanejo
A dificuldade faz até renascer o espírito de bravura.

Meu nordeste de caboclo trabalhador, de coração sincero e devoto de vários Santos.
Sertanejo que se alegra com o som da sanfona, da zabumba e do triângulo,
Que faz esquecer as agruras da vida,
Embolado no forró, xaxado e xote pelo Sertão.
Homem amante das paisagens
E dos animais mais comuns do seu dia a dia.

Sertanejo que embreado muitas vezes nas matas e serras
Procura o boi, a ovelha, o mel de abelha, a arribaçã, o tejo e o tatu, o preá, o tamanduá,
Tem aí muitas vezes o seu alimento do dia
Mas não é um sofrimento com lamentações,
Pois o sertanejo é corajoso e não reclama fácil diante da tormenta
E segue alegre em busca de um novo alento nas entoadas do sertão

Daniel Ricarte

Em Israel chove menos que no sertão nordestino. Mesmo assim, o país driblou a estiagem e se tornou um grande produtor agrícola. Do chão seco tirou limão, do limão, fez uma limonada. Já no Brasil, somos férteis em assistencialismo a conta gotas!
Toda seca, um bocadinho de água e um montão de dinheiro enviado para não resolver NADA!
A famigerada indústria da seca diz que o povo tem que depender, tem que se humilhar, tem que pagar a "boa ação" do político com fidelidade, com votos!
É o velho-novo cabresto que impede as mudanças e atrofia o Nordeste.
Não iludam o nordestino! Um povo não pode viver de esmolas. Água só não basta! Tem que ter irrigação, tem que ter tecnologia, para o sertanejo não depender dos coronéis da terra, nem dos santos do céu.

Rachel Sheherazade

Maldita seca que racha o chão de meu querido sertão
Que afasta seus filhos
Dor tão doida de deixar a terra natal
Terra tão querida
Ao mesmo tempo tão árida
Árida como os rostos que vejo nas janelas
A olhar o céu...

Letícia Pessôa

Sertão de Sol
De seca, de melodia
Sertão de Lua
De chuva, de alegria
Sertão de rios correndo para o Mar
Sertão do meu coração:
- Sou Made in Parahyba!

Emiliano Pordeus

A seca e o Nordestino

Ah! que saudade eu tenho
Do meu sertão quando chovia
Que enchia nossos rios
De uma noite para o dia
A fartura em nossas casas
Nesse tempo existia

Não faltava em nossos lares
Milho, arroz e feijão
Produzíamos ainda mais
O ouro branco do sertão
Ah!que saudade sentimos
Das safras de algodão

Por falta de sorte
Ou por desgraça talvez
Os nossos rios secaram
Todos de uma só vez
Nunca vi coisa igual
Nem tão grande estupidez

As nossas culturas morreram
Ou já não produzem mais
Já está faltando água
Até para os animais
Crianças choram com fome
A miséria é demais

O sol que nos castiga
Inclemente e brasador
Que queima a nossa pele
Que causa tanto calor
Mas não queima a esperança

Não mata nossa fé
No Cristo, o Salvador
Não queima do Nordestino
Sua honra, seu valor
Não vai destruir
Força, Esperança e Amor.

Ivanaldo Bernardo da Silva

Meu sertão em seca

Em meados de outubro rosa
A seca "agunia" o sertão
A paisagem cinzenta domina
Os pássaros cantam, mas é um canto triste
O coaxar dos sapos não existe
Falta água, falta vida, falta alegria

Daniel Ricarte

ORGULHO DE SER NORDESTINO (A)
Profª Lourdes Duarte

Respeitem os nordestinos
Tanto quanto querem ser respeitados
O nordeste e hospitaleiro
De pessoas livre e cabra da peste
No nordeste de tantas secas
As flores brotam suaves e belas
Mesmo de onde se julgam impossíveis
A vida brota singela.
Tenho orgulho de ser nordestino (a)
O que vem de baixo não nos atinge
Quem desdém preconceito contra nós
Não merece admiração
Muito menos seguidores
Porque estes já rastejam no chão.
E os nordestinos seguem em frente
Desbravando secas, chuvas e trovões
Vivendo a sua vida sem olhar a de ninguém.

Prof Lourdes Duarte

Até na seca Deus sabe desenhar... saudades desse lugar.
Nascido no mato, criado no concreto.... na simplicidade eu me encontro.
Há quem diga que não vive sem o luxo... no final de tudo todos estaremos mortos, cansados por correr atrás de coisas que não eram eternas...

Júnior João

TODO NÓ SE DESATA

A seca é bicho danado
que fica só na espreita
deixando o chão ressecado
e o sertão sem a colheita

Não preciso de canhão
nem de tanque do quartel
pra salvar a plantação
basta chuva lá do céu

Sou nordestino valente
daqueles que fala oxente
e se orgulha de onde nasceu

a terra é seca e ingrata
mas todo nó se desata
inclusive o que o diabo deu.

Guibson Medeiros