Poemas Cinetico de Millôr Fernandes

Cerca de 2975 poemas Cinetico de Millôr Fernandes

Era uma vez num dia
Em que ainda se acreditava
Em que os frios homens ,o calor sentiam
E que os olhos cegos ainda enxergavam

Nos Caminhos obscuros nasciam
O sol das trevas que pairavam
Mas mesmo assim ainda decidiram
Deixar-se levar pelas palavras

A flor que deixou de brotar
Na performance do prolixo pgmeu
Ocultou o sol dos campos nortes
Resultou na espera de um grito seu

Mas assim os rios que dúbios dorme
E na vertente serás o fim que nos mantém
Não importe o rumo que o tome
O fim será longo a mim também.

Fernandes Asi

Caminho só
sem rumo
sem hora para chegar.

Banco o ridículo
faço me de comediante
para a tristeza tirar.

Finjo que o fato
não seja realmente importante
Apesar dele, me matar.

Kiyoshi Fernandes

O afeto;
Pelo menos o meu;
Que sinto por meus entes queridos;
Pessoas que estão e que já tiveram comigo;
Não muda;
Limite tendendo ao infinito;
Infinito que é definido por fatores, pessoas e tempo.
A preocupação do bem estar alheio
Uma coisa que sempre manterei.

Kiyoshi Fernandes

Menina, se Deus te ouve fale com Ele sobre mim. Diga que sou grato pela vida, pela beleza da natureza, pela percepção das cores. Peço essa prenda. Não creio em santos, mas creio em Deus, Cristo e o Espírito Santo. Creio também não ser ouvido. Enfadei os ouvidos de Deus e sou o tédio do Céu. Por isso peço essa prenda menina, fale com Ele sobre mim. Diga que à pouco enfrentei muito e nem sabia que o corpo podia suportar a alma tão pesada. Que os horrores da vida me perseguem e ora, alguns me alcançam. Mas não quero lamentar, de dores e lágrimas também compõem a vida. Diga que sei que sou pequeno, que se as muitas pedras e a ausência dEle me eram para mostrar minha pequena existência, diga que já entendi, se não, peça perdão por este pensamento. Alias peça perdão por muito, poderia dizer, mas me envergonho e temo não ganhar absolvição, de sorte que só quero o perdão. A vida me tem retribuído cada erro.

Não me peça, a Ele, favores menina, não tenho coragem. Deus já me foi muito bom, até penso que de compaixão, às vezes, ele olha pra mim. Mas que se não for de mim arrogância, peça que ele apenas me dê um novo sono, sono bom, livre de sonhos cruéis. Menina, não tenho mais nada a lhe pedir, tão só que fale ao Senhor por mim. Mas temo que Ele não te ouça por falar de mim, não penso que Deus se zangou comigo, mas que é por não saber o que pensar que temo. Creio que enfadei os ouvidos de Deus e sou o tédio do Céu.

Por fim, diga que me sinto só, mas tenho suportado bem, comprei a antologia de Neruda e leio bastante, também me perco no tempo ouvindo as canções de Bethânia. O Resto é distração. Então diga amém, apenas para concordar, não como fim.

Ronaldo Fernandes

Ambidestro

Desnudo minh’alma
devagar, peça a peça
Ninguém sequer nota
Meu escudo é o trauma
de ter vida destra
e alma canhota

Nem tudo me acalma
Nem me interessa
Me aponte uma rota
Iludo a palma
da mão que tem pressa
e a outra boicota

Ao espelho sem pose
Somente reflexo
Imagem reversa
Se a lente der close
Verá quão complexo
é o ser que dispersa

Sob várias camadas
Sob a superfície
Esconde-se o magma
Energias domadas
Um vulcão na planície
Onde o ser não estagna

Meu prazer será
ultrapassar meu dever
Vou extravasar, porque
não há o que esconder

Hermes Fernandes

Jogo da vida

A banca está aberta
para quem quer apostar
Se falha ou acerta
só sabe quem pagar

O futuro está em jogo
roletas a girar
Depois de aceso o fogo
quem pode apagar?

Os dados viciados
garantem a ilusão
os mesmos resultados
eis a conspiração!

Rebeldes contra o mal
Que rompem com o jogo desleal
Vamos nos rebelar
e toda injustiça denunciar
Prudência não faz mal
Quem vence é quem luta até o final

Não é questão de sorte
nem jogo de azar
Nem sempre é o forte
que entra pra ganhar
Se a regra agora é esta
as fichas vou lançar
O que me espera é festa
O futuro certo está

Hermes Fernandes

Ideal

Não é por fama ou por aplauso,
Nem pela luz do holofote
Se o escândalo eu causo
Ou soberba que eu arrote
Que esta chama, que este alvo
Se me apague, alguém sabote

Que milagre ou prodígio,
Vai impor o meu querer?
Não busco posse ou prestígio,
Nem prazer, ou o poder

Mas...
Um ideal pelo qual morrer
Um amor para o qual viver

Ao oprimido estendo a mão
Às injustiças eu cerro o punho
Ao desterrado, pedaço de chão
Ao desesperado, meu testemunho
Saio às ruas para proclamar
Que um novo tempo já se insinua
No horizonte a esperança a raiar
Que a distância entre nós diminua

E o que a mão esquerda fizer
A direita não saiba jamais
Que eu sofra a perda que vier
Mas não desista, nem olhe pra trás

O Seu amor hei de manifestar
No sacrifício pelo semelhante
Com o Seu perdão quero aterrar
o precipício que houver adiante

Quero ser voz para o mudo
para o mais fraco, hei de ser um escudo
Quero ser luz no escuro
Faz de mim seta que aponte o futuro

Hermes Fernandes

Avalanche

Não repare minha voz estar fanha
Se algo me engasga e embarga
Nem me encare, pois o trauma me acanha
O que era doce me rasga e amarga
Quero expor o que quer que eu tenha
Dar à luz, pois minh’alma está prenha
Sensatez naquele que sonha
cede a vez à dor e a vergonha
Não importa o que se proponha
Travesseiro perdeu sua fronha
Se quer me encontrar, então venha
Se vai me acessar, eis a senha
Mas para conter a avalanche
O perdão em vez da revanche
Se custou pra montar, não desmanche
Se já está limpo, não manche
Perdoe-me se te insulto
Se exponho o que estava oculto
Do que vale se tudo te estranha
Se nem tua superfície arranha
Só há cura se a ferida é exposta
Se o amor for além da aposta

Hermes Fernandes

Duvido, logo insisto

Quem me vê
Pensa que sou só certezas
Que tenho respostas
para toda e qualquer questão
Quem assim me vê
Não imagina as represas
Paredes impostas
Destinadas à implosão

Certezas são estacas
Dúvidas são remos
Que nos fazem navegar
Oceanos extremos

Certezas são âncoras
Dúvidas são velas

Certezas são portas
Dúvidas, janelas

Certezas, palácios
Dúvidas, caravelas

Certezas confortam
Dúvidas confrontam

Certezas tranquilizam
Dúvidas desafiam

Certezas, sonhos
Dúvidas, insônia

Certezas, caverna
Dúvidas, ar puro

Certeza hiberna
Dúvida veraneia

Certeza inspira
Dúvida suspira

Certezas, alicerces
Dúvidas, terraço

Certezas, arco-íris
Dúvidas, mormaço

Certezas, ouro
Dúvidas, aço

Certezas, tempo
Dúvidas, espaço

Certezas, memória
Dúvidas, lapso

Certezas, história
Dúvidas, colapso

Certezas, lago
Dúvidas, correnteza

Certezas, assoalho
Dúvidas, telhado

Certezas, sinfonia
Dúvidas, bossa-nova

Certezas, ironia
Dúvidas, sarcasmo

Certezas, distração
Dúvidas, atenção

Certezas, exclamação
Dúvidas, interrogação

Certezas, ponto final
Dúvidas, reticências

Certezas, dogma
Dúvidas, ciência

Certezas, satisfação
Dúvidas, desejo

Certezas, rotina
Dúvidas, imaginação

Só os que firmemente creem
Podem expor suas dúvidas
Pois onde há tanta certeza
Não resta espaço para surpresa

Não confunda dúvida com incredulidade
Nem fé com ansiedade
Quem tem dúvida, quer saber
Para errar menos, acertar mais

Hermes Fernandes

Entre aspas - Um poema

Para quê tantas asneiras
Se inventaram as “aspas”?
Uns comem pelas beiras
Outros se fartam de raspas
Desqualificam o oponente
Expondo-o ao ridículo
Vale é o escândalo recente
Não importa o seu currículo
Quem nos deu procuração
Pra pensar pelos demais?
Se quiser dar sua opinião
Tem que provar ser capaz
Basta dizer o que pensa
E as pedras lhe atingirão
Porém sua recompensa
Vai além de se ter a razão
Se deles recebe sentença
de Deus vem seu galardão
Ser autêntico tem um preço
Quem se dispõe a pagar?
Se agrado ou se aborreço
Ou se vão me difamar
No meu rumo permaneço
Sei aonde vou chegar
Não me tratem pelo título
Entre aspas ou colchetes
Isso é só mais um capítulo
Falem grosso ou em falsetes
Só me nego andar em círculo
iludido entre verbetes

Por Hermes C. Fernandes em 26/06/2014

Hermes Fernandes

Conto de Enfado (Perdido)

Não há placas na floresta
Que me apontem uma trilha
Já nem sei quanto me resta
Alguns metros ou uma milha
No meu barco há uma fresta
Estou preso numa ilha
O que antes era festa
Revelou-se armadilha
Ora o meu ser protesta
Ou se engaja na guerrilha

Se o pavor se manifesta
Não me escondo na escotilha
Que fortuna indigesta!
A lanterna está sem pilha!
Se tem uma, me empresta
Luz que é luz se compartilha
O meu coração detesta
Freio que perde a pastilha
Gente séria e modesta
Não se exalta, nem se humilha

Toda árvore no apogeu
sempre aponta para o alto
Não há rastro de pneu,
Nem sinais ou mesmo asfalto
Paraquedas de ateu
Não me servem neste salto
A ferida me doeu
Inútil é gritar bem alto

Do meu grito ouço o eco
Pois sou gente, não boneco
Se acerto ou se peco
Minha paz que hipoteco

Extraíram meu sorriso
Do molar até o siso
Me deixaram duro e liso
Deixaram o chão, levaram o piso

Só me acho, se perdido
Minha alma não se espanta
Não me poupo, fui ferido
Pela mão que me acalanta

Já não caio neste conto
Nem no canto da sereia
Que diante do confronto
Sem ter pernas, esperneia

Pois o raio nunca cai
duas vezes na areia
Presa fácil, nunca mais
Eu rompi com sua teia

Hoje volto a sorrir,
Mesmo que quase banguela
Meu caminho vou seguir
Pra tristeza não dou trela

Restam os dentes da frente
os caninos e os incisivos
Só caminho com gente decente
Mais que fichas em arquivos

Confiança quando se quebra,
De uma vez se esfacela
Nem tudo se celebra
É meia-noite, Cinderela!

Hermes Fernandes

Apenas, ame.

Se há quem contra ti trame,
ame.
Se houver quem te difame,
ame.
Se te expõem ao vil vexame,
ame.
Se não há quem por ti clame,
ame.
Se te cercam de arame,
ame.
Se submetem-te a exame,
ame.
Não procure quem te aclame,
apenas, ame.

Hermes Fernandes

Tão-somente, perdoe

Se há quem de ti destoe,
perdoe.
Se há quem de ti caçoe,
perdoe.
Se há quem te atraiçoe,
perdoe.
Se há quem sempre te magoe,
perdoe.
Se há quem te amaldiçoe,
tão-somente, perdoe.

Hermes Fernandes

Tem que ser muito homem para ter a coragem de expor seus sentimentos sem temer ser ridicularizado. Afinal de contas, homem tem que ser corajoso! Há que se ter mais coragem para dizer o que sente do que para dizer o que pensa, para expor uma emoção do que para expressar uma opinião.

Tem que ser muito homem para admitir sua fragilidade e suas limitações.

Tem que ser muito homem para conter seus desejos e paixões e direcioná-las a uma única mulher.

Tem que ser muito homem para reconhecer seus erros e pedir perdão.

Tem que ser muito homem para jamais trair uma amizade, mesmo que o amigo não lhe seja tão leal.

Tem que ser muito homem para manter sua palavra e cumprir o que prometeu, mesmo que lhe custe um grande prejuízo.

Tem que ser muito homem para correr qualquer risco a fim de fazer feliz a quem se ama.

Tem que ser muito homem para não esmorecer diante das lutas e não se render ao desânimo.

Tem que ser muito homem para manter acesa a chama da esperança mesmo em meio à mais devastadora tempestade.

Tem que ser muito homem para levar a vida com leveza e rir de si mesmo sem perder a ternura.

Tem que ser muito homem para se calar reverentemente diante de um espetáculo da natureza como um pôr-do-sol ou o canto de um passarinho.

Tem que ser muito homem para romper com os grilhões da mesmice e surpreender os que o julgavam previsível.

Tem que ser muito homem para ser firme em suas convicções, mas vulnerável em suas emoções.

Homem que é homem chama para si a responsabilidade, sem jamais deixar de ser menino, franzindo a testa ante as injustiças, mas mantendo nos olhos a pureza da ingenuidade.

Hermes Fernandes

FANTASIA

Desiludir-se
desistir da fantasia
Abraçar a nostalgia
Caminhar à margem da vida

Despertar-se
Aceitar os seus limites
Refrear seus apetites
Comprar passagem só de ida

Conformar-se
Jamais ousar se aventurar
Se reprimir, deixar pra lá
Encarar a crueza da lida

Sabotar-se
Tornar sonho em pesadelo
Seguir tristonho, enxugar gelo
desprezar a destreza contida

Hermes Fernandes

Deus Teimoso

Por que eu?
O que foi que você viu em mim?
Será que esqueceu
Tudo quanto eu fiz pra tentar ser feliz
sem você...

Sim, doeu
Entregar-se por mim deste jeito
Por que se atreveu...
tudo quanto eu quis foi viver por um triz
Tudo quanto eu fiz foi tentar ser feliz
Sem você...

Não consigo entender sua insistência...
Por alguém que não é seu amigo e sequer vale a pena
Se entregar por amor sem qualquer resistência...
Recebendo em si meu castigo, minha dor, minha pena

Desça daí
Cravos não podem te segurar
Eu te traí
Escravo me fiz, miserável, infeliz
Tentando fingir ser o que sempre quis
Sem você...

Não mereço nem uma só lágrima, nem uma gota
do teu sangue inocente vertido na cruz de madeira
Eis o preço, o valor de minha bancarrota
Falido e perdido no mundo, sem eira e nem beira

Todo-amoroso, Deus teimoso é o que você é
Teu amor me constrange, desarma minha alma e conquista
Todo-amoroso, Deus teimoso é o que você é
Teu amor tudo abrange, não há quem mereça e resista

Hermes Fernandes

Se for para ser...

Se for para ser pedra...
Que seja pedra preciosa no colar de quem se ama
e não pedra arremessada contra pecadores e desafetos.

Se for para ser corda...
Que seja corda lançada em resgate de quem pede socorro
e não em volta do pescoço de quem se atreva a nos contrariar.

Se for para ser luz...
Que ilumine o caminho em vez de cegar.

Se for para ser água...
Que sacie a sede em vez de afogar.

Se for para ser pão...
Que seja da última fornada, pronto para ser repartido,
e não pão dormido ou mofado, impróprio para o consumo.

Se for para ser flor...
Que seja um botão de rosa num buquê, que ainda se abrirá,
e não um cravo numa coroa funerária.

Se for para ser perfume...
Que seja colônia dos apaixonados e
não spray de bom-ar para disfarçar o mal odor.

Se for para ser dentes...
Que sejam exibidos num sorriso sincero em vez de morder e devorar.

Se for para ser sorriso...
Que seja sorriso de quem ama e não de quem trama.

Se for para ser abraço...
Que seja abraço de quem acolhe e não de quem apunhá-la.

Se for para ser lágrima...
Que seja de gratidão e não de mágoa.

Se for para ser dedo...
Que aponte o caminho em vez de apontar os erros.

Se for para ser pé...
Que pise firme em vez de pisotear quem nos atravesse o caminho.

Se for para ser mão...
Que acalante em vez de espancar.

Se for para ser boca...
Que sussurre verdades em vez de gritar mentiras.

Se for para ser lábios...
Que sejam lábios que beijem, não que cuspam e destilem veneno.

Se for para ser coração...
Que ame em demasia sem jamais guardar rancores contra ninguém.

Se for para ser qualquer coisa...
Que seja sempre pelo bem, pelo belo e pelo verdadeiro.

Se for para ser ponto...
Que seja de exclamação, de interrogação ou
mesmo reticências, mas jamais ponto final.

Hermes Fernandes

Se atentarem contra sua dignidade, ofereça a outra face. Não revide, surpreenda seu agressor.
Se lhe fizerem vítima do abuso de autoridade, ande a segunda milha, vença o abuso com voluntariedade.
Se lhe quiserem tomar o que você tem, dê mais do que lhe é pedido. Querem sua túnica, dê também a capa. Vença a exploração com a generosidade.

Hermes Fernandes

QUANDO ERRAR É CERTO

Hoje é você quem decide! amanhã será outro dia para pensar no que decidir.
Seria fácil decidir entre o certo que é certo dar errado, mais errado ficará quando nada fizer para que de fato o errado fosse não tentar o risco de que é certo errar para acertar.


Pensando nisso erro e acerto quando erro para acertar quando sei do acerto que o erro nos traz...

Edgley Fernandes

PODER MAIOR.

Acredito plenamente que o amor existe!
Plenamente que ele resiste, persiste não desiste nunca.
Pois é só ele quem nos move e que nos faz cometer erros e acertos numa vida cheia de tantos caminhos. Não choro mais em vão ou ao vão do tempo. Percorre dentro de meu interior uma voz que diz que o amor é uma arma quente. Solto as palavras atrás de estradas caminhos que nos leve até o subconsciente de uma gota onipotente chamada amor meu amor amigo. Eu quero mais é você dentro bem dentro de meu ser, para que de fato crer se torne o maior, menor porem melhor caminho.

Baseado nisso: acredito telo de certeza como meu melhor amigo. Mesmo nunca o tendo visto; Asim sendo com ele irei envelhecer.

Edgley Fernandes