Poemas Cinetico de Millôr Fernandes

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Sabe,eu sei que não me entende
Sei que apesar de tudo
O muito não foi suficiente
E não te vejo contente
há coisas minuciosas e pendentes
Delírios da mente!
De um ser prepopente
De esperança inocente
Que transcende e se faz presente
Em palavras fluentes
Quase intorpecentes
Sabe eu não queria ser exata
Não queria ser nada
Mas eu preciso ser tudo
De um jeito estranho e sincero
Eu vivo!
Eu sinto e eu espero
Meras palavras ...
O que vale são os gestos?
Acho que não!
O que importa são ambas essências
se mostrarem fúteis aparências
Diante de inevitáveis defesas
De gente que pensa
Que causar tristeza alheia
lher -serve mais do que seu próprio chão.

Fernandes Asi

Ela fecha os olhos...
Ela vê tudo que pode ser
Ela se apega ao objetivo
Ela deixa isso transparecer

Ela faz uma cara séria
Ela é quase uma esfinge
Ela não sorriu hoje...mas
Ela não é do tipo que finge

Ela andava triste
Ela nunca admitia...
Ela estava indignada
Ela queria ficar sozinha

Ela sorria fácil...
Ela facilmente entendia
Ela sabia dar um trato
Ela alegrava meu dia -a- dia

Ela se achava forte
Ela se dizia melhor que eu
Ela negava ter pura sorte
Ela afirmava ser a justiça de Deus

Ela mudava de opinião
pelas suas conclusões...
Um dia ela mudou,
Achando outras soluções

Hoje mais velha,
Ela lê isso, com a experiência do futuro
Hoje pra ela
nada foi mais absurdo.

Fernandes Asi

memórias passadas de um futuro desconhecido
verdades complexas por um poeta adormecido.
Eis um coração,
um ser pequeno, de maturidade acrescido.
Que pleiteia no futuro se abster de seu caminho.
O futuro parece distante nesse momento.
mas há opiniões distintas ,
Com razões extintas
E de difícil entendimento.
Medos comuns, medo é defeito
Remorcio será sina.
Talvez instantâneo,só foste
prazeroso arrependimento.
Atos fúteis com intelectos chulos,
Personalidade falsa de um líder fajuto
Quem sabe um tirano,perdido no mundo
No mundo mundano ...socorro eu esculto.
Mas ajuda, não chamo
E à ajuda-lo me recuso.
A negação se sustenta,
Se muda uma vida
Prossegue o tempo
E uma sentença será cumprida

Fernandes Asi

Dias á mais ou dias á menos,
Verdades ocultas caráter pequeno
Me fez refletir sobre o que ando fazendo
E quanto de minha essência fui perdendo
Quer se elevar,
mas não consegue
Parece querer mudar
Porém não se livrará do que o persegue
No fundo eu sou fleumática
Pensas o contrário?
Não me importo nem um pouco
Com seu imaginário
As vozes da noite dizem verdades
As minhas ,suplicam liberdade...
Outra vez eu as tranco, exigindo cautela
Sendo óbvia a vida não seria tão bela
Mas no fundo eu sei que de nada me serve

Fernandes Asi

Patrocinou o congresso que anunciava
Apresentar ao mundo à soberana WICs

Como eles poderiam ter negado a esmola da grande DA’WA
Se toda a miséria é esquecida, diante de palavras
confortantes da religião
Na Libéria o povo agradece o arroz que “come”
E em Gâmbia ,o turismo cresce na Mesquita de Serrekunda,

A industria de Kempala e os biscoitos de Naiorobi
Há escolas em Masindi e Uganda ...Projetos oriundos somente em prol do amor?
O coronel que queria ser o rei.

Para ele,um passo adiante era seguir o alcorão
O petróleo e gás que permitiram ,seus planos de expansão
Com objetivo de fazer no continente de Mandela ,uma Jirad Revolução

Fernandes Asi

Era uma vez num dia
Em que ainda se acreditava
Em que os frios homens ,o calor sentiam
E que os olhos cegos ainda enxergavam

Nos Caminhos obscuros nasciam
O sol das trevas que pairavam
Mas mesmo assim ainda decidiram
Deixar-se levar pelas palavras

A flor que deixou de brotar
Na performance do prolixo pgmeu
Ocultou o sol dos campos nortes
Resultou na espera de um grito seu

Mas assim os rios que dúbios dorme
E na vertente serás o fim que nos mantém
Não importe o rumo que o tome
O fim será longo a mim também.

Fernandes Asi

Caminho só
sem rumo
sem hora para chegar.

Banco o ridículo
faço me de comediante
para a tristeza tirar.

Finjo que o fato
não seja realmente importante
Apesar dele, me matar.

Kiyoshi Fernandes

O afeto;
Pelo menos o meu;
Que sinto por meus entes queridos;
Pessoas que estão e que já tiveram comigo;
Não muda;
Limite tendendo ao infinito;
Infinito que é definido por fatores, pessoas e tempo.
A preocupação do bem estar alheio
Uma coisa que sempre manterei.

Kiyoshi Fernandes

Menina, se Deus te ouve fale com Ele sobre mim. Diga que sou grato pela vida, pela beleza da natureza, pela percepção das cores. Peço essa prenda. Não creio em santos, mas creio em Deus, Cristo e o Espírito Santo. Creio também não ser ouvido. Enfadei os ouvidos de Deus e sou o tédio do Céu. Por isso peço essa prenda menina, fale com Ele sobre mim. Diga que à pouco enfrentei muito e nem sabia que o corpo podia suportar a alma tão pesada. Que os horrores da vida me perseguem e ora, alguns me alcançam. Mas não quero lamentar, de dores e lágrimas também compõem a vida. Diga que sei que sou pequeno, que se as muitas pedras e a ausência dEle me eram para mostrar minha pequena existência, diga que já entendi, se não, peça perdão por este pensamento. Alias peça perdão por muito, poderia dizer, mas me envergonho e temo não ganhar absolvição, de sorte que só quero o perdão. A vida me tem retribuído cada erro.

Não me peça, a Ele, favores menina, não tenho coragem. Deus já me foi muito bom, até penso que de compaixão, às vezes, ele olha pra mim. Mas que se não for de mim arrogância, peça que ele apenas me dê um novo sono, sono bom, livre de sonhos cruéis. Menina, não tenho mais nada a lhe pedir, tão só que fale ao Senhor por mim. Mas temo que Ele não te ouça por falar de mim, não penso que Deus se zangou comigo, mas que é por não saber o que pensar que temo. Creio que enfadei os ouvidos de Deus e sou o tédio do Céu.

Por fim, diga que me sinto só, mas tenho suportado bem, comprei a antologia de Neruda e leio bastante, também me perco no tempo ouvindo as canções de Bethânia. O Resto é distração. Então diga amém, apenas para concordar, não como fim.

Ronaldo Fernandes

Ambidestro

Desnudo minh’alma
devagar, peça a peça
Ninguém sequer nota
Meu escudo é o trauma
de ter vida destra
e alma canhota

Nem tudo me acalma
Nem me interessa
Me aponte uma rota
Iludo a palma
da mão que tem pressa
e a outra boicota

Ao espelho sem pose
Somente reflexo
Imagem reversa
Se a lente der close
Verá quão complexo
é o ser que dispersa

Sob várias camadas
Sob a superfície
Esconde-se o magma
Energias domadas
Um vulcão na planície
Onde o ser não estagna

Meu prazer será
ultrapassar meu dever
Vou extravasar, porque
não há o que esconder

Hermes Fernandes

Jogo da vida

A banca está aberta
para quem quer apostar
Se falha ou acerta
só sabe quem pagar

O futuro está em jogo
roletas a girar
Depois de aceso o fogo
quem pode apagar?

Os dados viciados
garantem a ilusão
os mesmos resultados
eis a conspiração!

Rebeldes contra o mal
Que rompem com o jogo desleal
Vamos nos rebelar
e toda injustiça denunciar
Prudência não faz mal
Quem vence é quem luta até o final

Não é questão de sorte
nem jogo de azar
Nem sempre é o forte
que entra pra ganhar
Se a regra agora é esta
as fichas vou lançar
O que me espera é festa
O futuro certo está

Hermes Fernandes

Ideal

Não é por fama ou por aplauso,
Nem pela luz do holofote
Se o escândalo eu causo
Ou soberba que eu arrote
Que esta chama, que este alvo
Se me apague, alguém sabote

Que milagre ou prodígio,
Vai impor o meu querer?
Não busco posse ou prestígio,
Nem prazer, ou o poder

Mas...
Um ideal pelo qual morrer
Um amor para o qual viver

Ao oprimido estendo a mão
Às injustiças eu cerro o punho
Ao desterrado, pedaço de chão
Ao desesperado, meu testemunho
Saio às ruas para proclamar
Que um novo tempo já se insinua
No horizonte a esperança a raiar
Que a distância entre nós diminua

E o que a mão esquerda fizer
A direita não saiba jamais
Que eu sofra a perda que vier
Mas não desista, nem olhe pra trás

O Seu amor hei de manifestar
No sacrifício pelo semelhante
Com o Seu perdão quero aterrar
o precipício que houver adiante

Quero ser voz para o mudo
para o mais fraco, hei de ser um escudo
Quero ser luz no escuro
Faz de mim seta que aponte o futuro

Hermes Fernandes

Avalanche

Não repare minha voz estar fanha
Se algo me engasga e embarga
Nem me encare, pois o trauma me acanha
O que era doce me rasga e amarga
Quero expor o que quer que eu tenha
Dar à luz, pois minh’alma está prenha
Sensatez naquele que sonha
cede a vez à dor e a vergonha
Não importa o que se proponha
Travesseiro perdeu sua fronha
Se quer me encontrar, então venha
Se vai me acessar, eis a senha
Mas para conter a avalanche
O perdão em vez da revanche
Se custou pra montar, não desmanche
Se já está limpo, não manche
Perdoe-me se te insulto
Se exponho o que estava oculto
Do que vale se tudo te estranha
Se nem tua superfície arranha
Só há cura se a ferida é exposta
Se o amor for além da aposta

Hermes Fernandes

Duvido, logo insisto

Quem me vê
Pensa que sou só certezas
Que tenho respostas
para toda e qualquer questão
Quem assim me vê
Não imagina as represas
Paredes impostas
Destinadas à implosão

Certezas são estacas
Dúvidas são remos
Que nos fazem navegar
Oceanos extremos

Certezas são âncoras
Dúvidas são velas

Certezas são portas
Dúvidas, janelas

Certezas, palácios
Dúvidas, caravelas

Certezas confortam
Dúvidas confrontam

Certezas tranquilizam
Dúvidas desafiam

Certezas, sonhos
Dúvidas, insônia

Certezas, caverna
Dúvidas, ar puro

Certeza hiberna
Dúvida veraneia

Certeza inspira
Dúvida suspira

Certezas, alicerces
Dúvidas, terraço

Certezas, arco-íris
Dúvidas, mormaço

Certezas, ouro
Dúvidas, aço

Certezas, tempo
Dúvidas, espaço

Certezas, memória
Dúvidas, lapso

Certezas, história
Dúvidas, colapso

Certezas, lago
Dúvidas, correnteza

Certezas, assoalho
Dúvidas, telhado

Certezas, sinfonia
Dúvidas, bossa-nova

Certezas, ironia
Dúvidas, sarcasmo

Certezas, distração
Dúvidas, atenção

Certezas, exclamação
Dúvidas, interrogação

Certezas, ponto final
Dúvidas, reticências

Certezas, dogma
Dúvidas, ciência

Certezas, satisfação
Dúvidas, desejo

Certezas, rotina
Dúvidas, imaginação

Só os que firmemente creem
Podem expor suas dúvidas
Pois onde há tanta certeza
Não resta espaço para surpresa

Não confunda dúvida com incredulidade
Nem fé com ansiedade
Quem tem dúvida, quer saber
Para errar menos, acertar mais

Hermes Fernandes

Entre aspas - Um poema

Para quê tantas asneiras
Se inventaram as “aspas”?
Uns comem pelas beiras
Outros se fartam de raspas
Desqualificam o oponente
Expondo-o ao ridículo
Vale é o escândalo recente
Não importa o seu currículo
Quem nos deu procuração
Pra pensar pelos demais?
Se quiser dar sua opinião
Tem que provar ser capaz
Basta dizer o que pensa
E as pedras lhe atingirão
Porém sua recompensa
Vai além de se ter a razão
Se deles recebe sentença
de Deus vem seu galardão
Ser autêntico tem um preço
Quem se dispõe a pagar?
Se agrado ou se aborreço
Ou se vão me difamar
No meu rumo permaneço
Sei aonde vou chegar
Não me tratem pelo título
Entre aspas ou colchetes
Isso é só mais um capítulo
Falem grosso ou em falsetes
Só me nego andar em círculo
iludido entre verbetes

Por Hermes C. Fernandes em 26/06/2014

Hermes Fernandes

Conto de Enfado (Perdido)

Não há placas na floresta
Que me apontem uma trilha
Já nem sei quanto me resta
Alguns metros ou uma milha
No meu barco há uma fresta
Estou preso numa ilha
O que antes era festa
Revelou-se armadilha
Ora o meu ser protesta
Ou se engaja na guerrilha

Se o pavor se manifesta
Não me escondo na escotilha
Que fortuna indigesta!
A lanterna está sem pilha!
Se tem uma, me empresta
Luz que é luz se compartilha
O meu coração detesta
Freio que perde a pastilha
Gente séria e modesta
Não se exalta, nem se humilha

Toda árvore no apogeu
sempre aponta para o alto
Não há rastro de pneu,
Nem sinais ou mesmo asfalto
Paraquedas de ateu
Não me servem neste salto
A ferida me doeu
Inútil é gritar bem alto

Do meu grito ouço o eco
Pois sou gente, não boneco
Se acerto ou se peco
Minha paz que hipoteco

Extraíram meu sorriso
Do molar até o siso
Me deixaram duro e liso
Deixaram o chão, levaram o piso

Só me acho, se perdido
Minha alma não se espanta
Não me poupo, fui ferido
Pela mão que me acalanta

Já não caio neste conto
Nem no canto da sereia
Que diante do confronto
Sem ter pernas, esperneia

Pois o raio nunca cai
duas vezes na areia
Presa fácil, nunca mais
Eu rompi com sua teia

Hoje volto a sorrir,
Mesmo que quase banguela
Meu caminho vou seguir
Pra tristeza não dou trela

Restam os dentes da frente
os caninos e os incisivos
Só caminho com gente decente
Mais que fichas em arquivos

Confiança quando se quebra,
De uma vez se esfacela
Nem tudo se celebra
É meia-noite, Cinderela!

Hermes Fernandes

Apenas, ame.

Se há quem contra ti trame,
ame.
Se houver quem te difame,
ame.
Se te expõem ao vil vexame,
ame.
Se não há quem por ti clame,
ame.
Se te cercam de arame,
ame.
Se submetem-te a exame,
ame.
Não procure quem te aclame,
apenas, ame.

Hermes Fernandes

Tão-somente, perdoe

Se há quem de ti destoe,
perdoe.
Se há quem de ti caçoe,
perdoe.
Se há quem te atraiçoe,
perdoe.
Se há quem sempre te magoe,
perdoe.
Se há quem te amaldiçoe,
tão-somente, perdoe.

Hermes Fernandes

Tem que ser muito homem para ter a coragem de expor seus sentimentos sem temer ser ridicularizado. Afinal de contas, homem tem que ser corajoso! Há que se ter mais coragem para dizer o que sente do que para dizer o que pensa, para expor uma emoção do que para expressar uma opinião.

Tem que ser muito homem para admitir sua fragilidade e suas limitações.

Tem que ser muito homem para conter seus desejos e paixões e direcioná-las a uma única mulher.

Tem que ser muito homem para reconhecer seus erros e pedir perdão.

Tem que ser muito homem para jamais trair uma amizade, mesmo que o amigo não lhe seja tão leal.

Tem que ser muito homem para manter sua palavra e cumprir o que prometeu, mesmo que lhe custe um grande prejuízo.

Tem que ser muito homem para correr qualquer risco a fim de fazer feliz a quem se ama.

Tem que ser muito homem para não esmorecer diante das lutas e não se render ao desânimo.

Tem que ser muito homem para manter acesa a chama da esperança mesmo em meio à mais devastadora tempestade.

Tem que ser muito homem para levar a vida com leveza e rir de si mesmo sem perder a ternura.

Tem que ser muito homem para se calar reverentemente diante de um espetáculo da natureza como um pôr-do-sol ou o canto de um passarinho.

Tem que ser muito homem para romper com os grilhões da mesmice e surpreender os que o julgavam previsível.

Tem que ser muito homem para ser firme em suas convicções, mas vulnerável em suas emoções.

Homem que é homem chama para si a responsabilidade, sem jamais deixar de ser menino, franzindo a testa ante as injustiças, mas mantendo nos olhos a pureza da ingenuidade.

Hermes Fernandes

FANTASIA

Desiludir-se
desistir da fantasia
Abraçar a nostalgia
Caminhar à margem da vida

Despertar-se
Aceitar os seus limites
Refrear seus apetites
Comprar passagem só de ida

Conformar-se
Jamais ousar se aventurar
Se reprimir, deixar pra lá
Encarar a crueza da lida

Sabotar-se
Tornar sonho em pesadelo
Seguir tristonho, enxugar gelo
desprezar a destreza contida

Hermes Fernandes