Orações Espíritas

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Oração Nossa

Senhor ensina-nos a orar, sem esquecer o trabalho.
A dar, sem olhar a quem.
A servir, sem perguntar até quando...

A sofrer, sem magoar, seja quem for.
A progredir, sem perder a simplicidade.
A semear o bem, sem pensar nos resultados...

A desculpar, sem condições.
A marchar para frente, sem contar os obstáculos.
A ver sem malícia...

A escutar, sem corromper os assuntos.
A falar, sem ferir.
A compreender o próximo, sem exigir entendimento...

A respeitar os semelhantes, sem reclamar consideração.
A dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxas de reconhecimento...

Senhor, fortalece em nós, a paciência para com as dificuldades dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros, para com as nossas próprias dificuldades...

Ajuda-nos para que a ninguém façamos aquilo que não desejamos para nós...

Auxilia-nos, sobretudo, a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será, invariavelmente, aquela de cumprir seus desígnios onde e como queiras, hoje, agora e sempre.

Chico Xavier

Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO, mesmo eu sabendo que as rosas não falam.

Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro que nos espera não é assim tão alegre.

Que eu não perca a vontade de VIVER, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa...

Que eu não perca a vontade de ter grandes AMIGOS, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de AJUDAR as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.

Que eu não perca o EQUILÍBRIO, mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia.

Que eu não perca a VONTADE de amar, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo, pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a LUZ e o BRILHO no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo, escurecerão meus olhos...

Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos.

Que eu não perca a RAZÃO, mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas.

Que eu não perca o sentimento de JUSTIÇA, mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu.

Que eu não perca o meu forte ABRAÇO, mesmo sabendo que um dia meus braços estarão fracos...

Que eu não perca a BELEZA e a ALEGRIA de ver, mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o AMOR por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia.

Que eu não perca a vontade de doar este enorme AMOR que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado.

Que eu não perca a vontade de ser GRANDE, mesmo sabendo que o mundo é pequeno... E acima de tudo...

Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente, que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois.... a vida é construída nos sonhos e concretizada no amor!

Chico Xavier

Grande Espírito, ajuda-me a não julgar ninguém antes de ter caminhado uma meia lua com os seus sapatos.

Oração Hindu

Oração da Solidariedade
(Oração captada de Francisco de Assis e transmitida psicograficamente pelo Espírito Carlos Murion ao médium José Medrado.)

Senhor,

Que eu possa a quem está com frio dar o cobertor.
Mas se o frio for da alma, que eu tenha condições de dar afetivo calor.

Se alguém chorar, que eu possa suas lágrimas enxugar.
Mas se eu também estiver em dor, que pelo menos possa companhia fazer.

Porque é chocante, senhor,
chorar sem ter alguém para nos consolar;
sofrer sem ter com quem dividir;
precisar desabafar e não ter quem ouvir;
enfermar sem ter com quem contar.

Assim, Senhor, e por tudo isso, eu te suplico:
preciso ao próximo servir, tendo tolerância para com a ignorância:
o desprendimento frente à pobreza;
a solicitude moral diante dos reclames das crianças;
atenção e amparo para com a velhice;
o perdão sem condição;
a brandura na exaltação;
a verdade sem interesse e o amor sem cobranças.

Mas, se nada disso eu puder ter ou fazer, que a vida me torne humilde para reconhecer que preciso espiritualmente crescer.

Assim seja.

José Medrado (psicografia)

ORAÇÃO DO AMOR..
Senhor!
Ilumina meus olhos
para que eu veja os
defeitos da minha alma.
E vendo-os para que eu não
comente os defeitos alheios.
Senhor!
Leva de mim a tristeza
e não a entregueis
a mais ninguém...
Encha meu coração
com a divina fé,
para sempre louvar
o vosso nome.
E arranca de mim o orgulho e presunção.
Senhor!
Faze de mim um ser humano realmente justo,
dá-me a esperança de vencer
minhas ilusões todas.
Planta em meu coração
a sementeira do amor,
e ajuda-me a fazer feliz
o maior número possível
de pessoas.
Para ampliar seus dias risonhos
e resumir suas noites tristonhas.
Transforma meus rivais
em companheiros,
meus companheiros em amigos
meus amigos em
entes queridos...
Não permita que eu seja
um cordeiro perante os fortes,
nem um leão perante os fracos.
Dá-me, Senhor,
o sabor de perdoar
e afasta de mim o desejo
de vingança,
mantendo sempre
em meu coração
somente o amor.
Amém!

Noelson PaimCantinho de Oração. - Forum Espirita

Oração de Batalha Espiritual Para Dar Paz ao Coração

Senhor eu te louvo,
porque sei muito bem,
o que é estar com laços de morte,
e angústias do inferno se apoderando de nós.

Digo nós, porque há pessoas me ouvindo agora,
que estão passando pelo vale da aflição e da opressão,
e que necessitam do socorro do teu poderoso braço,
repreendendo o Inimigo e colocando em retirada
todos os espíritos opressores que perturbam a nossa alma.

Teu é o poder, tua é a força, tua é a glória,
nada e ninguém pode resistir quando tu operas.

Basta uma palavra de ordem, expedida por ti nas alturas,
e todo o mal tem que ir embora.

Dá então Senhor, eu te imploro, um único comando
sobre tudo aquilo que estiver oprimindo,
e traz libertação e paz ao coração que te busca nesta hora.

Tira do vale da escuridão e transporta para o monte elevado da tua luz, onde há amor, alegria e paz.

Perdoa e cobre os nossos pecados com o sangue de Jesus, teu filho amado, em nome de quem te oramos, Senhor amado.

E pelos méritos da sua morte e ressurreição, do seu governo sobre toda a terra, ajuda-nos, consola-nos, e acalma-nos com a tua graça.

Porque nós nos levantaremos do nosso abatimento, pelo teu poder, e te entoaremos cânticos de louvor e de gratidão, pelos teus poderosos livramentos.
Nós te agradecemos pelo dom da fé, porque é somente por olhar para Jesus, e somente para Ele, que todos os nossos problemas já não mais nos afligem, e tudo se transforma em bênçãos, concedidas pela tua graça.

Amém.

Silvio Dutra

ORAÇÃO XAMÂNICA - SABEDORIA


Oh, Grande Espirito que habita
Todos os planos invisíveis
Que está em todos os lugares

Conduza-nos ao caminho da paz
Da compreensão, Do discernimento
Da verdade, da honra e do conhecimento!

Leve-nos a viver juntos
Com amor, respeito e fraternidade
Como irmãos e irmãs.

Nossas vidas aqui,
Caminhando sobre a superfície
Da Pacha Mama, Mãe-Terra, são curtas.

Permita que nossos olhos
Se abram para todas
As bençãos que nos são concedidas

E para todas as articulações,
Artimanhas maldosas e vis
Dos inimigos que nos lançam as trevas.

Por favor, ouça nossas orações,
Revelando e aproximando-nos do Sagrado
Através dos nossos corações.

Oh, Grande Espírito!
Dá-nos proteção e sabedoria!
Ahoo!

Siomara Reis Teixeira

Você não deixa de alimentar seu corpo físico diariamente, mas nunca esqueça que o corpo espiritual também precisa da prece ou oração como alimento para estar fortalecido

Jader Amadi

Por outro lado, os gemidos e suspiros espirituais do cristão são interpretados por Deus como orações! Aqueles sacrifícios que são aceitáveis a Ele são o “coração contrito e quebrantado” (Salmo 51.17). Os soluços da alma são de grande valor diante dEle. Os gemidos do crente são uma linguagem inteligível ao céu: “porque o SENHOR já ouviu a voz do meu pranto” (Salmo 6.8): aquele “pranto” pode ser uma súplica a Deus que a eloqüência da oração professional não tem. “Senhor, diante de ti está todo o meu desejo, e o meu gemido não te é oculto” (Salmo 38.9).

Nossas lágrimas contam a Ele da tristeza piedosa, nossos gemidos são as aspirações de um espírito contrito. “O SENHOR contemplou a terra, para ouvir o gemido dos presos” (Salmo 102.19,20). Aqui, então, está a consolação – Deus ouve nossos suspiros secretos; Cristo está em contato com eles (Hebreus 4.15); eles sobem ao céu como petições, e são a segurança do resgate.

A. W. Pink

As muralhas do mau e do pessimismo desaparecem com um espírito firmado pela fé e em orações.

Helgir Girodo

A dor da tristeza pela perda de um ente querido não pode ser maior que a dele que se encontra num estado de confusão espiritual, precisando das preces e orações para gerar a luz necessária que irá iluminar seus caminhos em direção a Casa do Pai

Jader Amadi

"...quando estiveres em oração, sorvendo a taça de angústia, na sentença que indicaste a ti próprio diante das leis Divinas, roga a benção da saúde e a riqueza da paz, a luz da consolação e o favor da alegria, mas pede a Deus, acima de tudo,o apoio da humildade e a força da paciência."

EMMANUEL ( Francisco Cândido Xavier)-Religião dos Espíritos-FEB

Oração pela saúde de alguém
(nome da pessoa____________)é filho(a) de Deus.
O Espírito de Deus esta no(a)(nome da pessoa_________)
O Espírito de Deus não adoece então (nome da pessoa________)já esta curado(a), ele(a) é saudável
Muito Obrigado, Graças a Deus!!!

Monica Ap.de Medeiros

A minha espiritualidade se prende à oração que Deus nos ensinou:
“Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
O trabalho honesto e suado, Deus está sempre do lado observando o momento certo de dar a vitória.
O mundo pode se levantar contra vc, mas se Deus estiver no controle hahahahah, coitado daquele que se meter no seu caminho!

Edenir Vaz

Se eu entrar na internet mais vezes do que entrar em oração, então minha espiritualidade estará vulnerável.

Celso Neto

Oração Para o Derramar do Espírito Santo – Atos 1

Por várias evidências internas, que encontramos no livro de Atos, e especialmente pelo prefácio, que endereça a escrita a Teófilo (Atos 1.1), tal como no evangelho que leva o nome do autor (Lc 1.4), concluímos que o livro de Atos foi com toda a certeza escrito por Lucas, o amigo e cooperador do apóstolo Paulo.
Lucas começa a escrita de Atos, reportando-se ao que Jesus começou a fazer e a ensinar, até o dia da Sua ascensão (Atos 1.1,2), e destaca que, entre Sua ressurreição e ascensão, Ele estivera com os seus apóstolos pelo espaço de quarenta dias, lhes falando acerca do reino de Deus e lhes dando mandamentos pelo Espírito Santo (v. 3,4).
O Senhor também lhes ordenara, que não se ausentassem de Jerusalém, sem que antes fossem batizados pelo Espírito Santo, o qual seria derramado em cumprimento à promessa feita por Deus, e que havia sido revelada especialmente, aos profetas, desde os dias do Velho Testamento.
Nisto há um princípio para ser vivido pela Igreja, pois o que valeu para eles, vale também para todos os períodos da história da Igreja, porque não se pode fazer a obra do Senhor sem o poder do Espírito Santo.
Na verdade, somos apenas instrumentos do Espírito, e por isso é necessário estar de fato debaixo do Seu poder, direção e influência, em tudo o que deve ser feito pela Igreja.
Mas, há um ponto importante a ser destacado na experiência deles, porque a abertura das portas das nações para a pregação do evangelho, começaria a partir daquele primeiro derramamento do Espírito, que haveriam de experimentar no dia de Pentecostes.
Até que Jesus se manifestasse em carne, não havia uma comissão de se pregar o arrependimento e a fé em Cristo para a salvação, em todas as nações.
Aquele derramar seria o ponto de partida, para o início do cumprimento da grande comissão de Jesus de se pregar o evangelho em todo o mundo.
A morte, ressurreição e ascensão de Jesus, eram a prova de que a obra de remissão que Ele fizera em favor dos pecadores, foi inteiramente aceita pelo Pai, e então, o Espírito Santo prometido às nações começaria a ser derramado, produzindo conversões de almas, pelo convencimento do pecado, da justiça e do juízo.
Como é o Espírito Santo quem marca a história da Igreja, e Sua obra há de continuar até que Cristo volte, é interessante observar, que é difícil marcar onde começa e onde termina o livro de Atos, pois o relato é visivelmente o de uma história não concluída, porque os atos do Espírito Santo se encontram na terra desde a criação do mundo, e prosseguirão na verdade, por toda a eternidade, porque a Igreja está sendo formada para ser a habitação de Deus.
“Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (I Cor 6.19).
“no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” (Ef 2.22)
A história da Igreja é a história do cumprimento do propósito eterno de Deus, de habitar num corpo formado por muitos membros, do qual Cristo é a Cabeça.
É com isto em perspectiva, que devemos estudar o livro de Atos.
Lucas, tal como na escrita do seu evangelho, estava sendo inspirado pelo Espírito Santo para a produção do livro de Atos, de modo que os servos de Deus fossem instruídos, não propriamente sobre a história geral da formação da Igreja, pois não é este certamente, o propósito principal do livro.
Este, não se concentra na descrição do ministério de cada um dos apóstolos de Cristo, nem mesmo da ação de todos os seus discípulos no início da história da Igreja.
O livro registra as coisas que foram consideradas essenciais por Deus para o nosso ensino, acerca das oposições que são levantadas contra aqueles que estão encarregados da defesa do depósito da fé e da verdade, como se vê sobretudo, nas perseguições sofridas pela Igreja, e particularmente, pelos apóstolos.
Mas o triunfo da Palavra e de Cristo, por meio da Igreja, está garantido por Deus, conforme também se vê neste livro.
Muitas outras coisas foram registradas, para o ensino da Igreja, sobre o modo de como se deve caminhar na verdade, de modo que, quando a voz dos apóstolos fosse silenciada pela morte, o testemunho do que Deus fizera através de suas vidas e tudo o que lhes foi ensinado, ficasse registrado para todas as gerações subsequentes.
O que temos portanto, neste livro, não é uma leitura opcional, senão a sã doutrina e o genuíno leite espiritual da Palavra da verdade, que nos foi dada pelo Senhor, para nosso aproveitamento, para servir de modelo e exemplo sobre o modo pelo qual Ele tem ordenado os trabalhos da Sua Igreja, e o caráter missionário da fé que abraçamos, que deve ser propagada em todas as nações e lugares.
Este caráter, autoritativo, e inspirado do livro, está marcado nas palavras do autor, destacando que Jesus havia feito obras que atestaram Sua divindade, e havia ensinado e dado mandamentos aos seus apóstolos.
Portanto, o que fizeram, foi seguindo o exemplo do Seu Mestre, em obediência aos Seus mandamentos e ensino.
Assim, o que temos neste livro, torna-se material de caráter obrigatório a ser seguido pela Igreja de Cristo, de todas as épocas, pois não é obra e ensino de simples homens o que temos em Atos, mas sobretudo o ensino e as obras do Espírito Santo de Deus, no início da formação da Igreja.
Note-se por exemplo, o modelo dado por Deus para o governo das Igrejas; os epíscopos, palavra grega usada em Atos 14.23 e 20.28, para designar aqueles que têm o ofício de bispos, supervisores, presbíteros, presidentes na Igreja, que são constituídos pelo Espírito Santo, como também os diáconos, auxiliares dos ministros do evangelho nas questões da administração da Igreja (cap 6).
Há Igrejas que rejeitam uma liderança específica; na verdade, estão rejeitando a liderança de Deus, que tem ordenado oficiais para conduzirem o Seu rebanho.
Estes oficiais, são constituídos sobre o rebanho do Senhor pelo Espírito Santo, não como clérigos, mas como guias do rebanho de Cristo, e para a ajuda e aperfeiçoamento dos cristãos, para a obra do ministério, e o Espírito foi enviado por Cristo à Igreja, como outro Parácleto.
O batismo do Espírito, que deveria ser buscado pelos apóstolos, enquanto aguardavam em oração contínua em Jerusalém, conforme Jesus lhes havia ordenado, não seria para atender a nenhum capricho pessoal de qualquer um deles, senão para que fossem santificados, instruídos, amadurecidos, capacitados e aperfeiçoados para a obra que teriam que realizar como instrumentos do mesmo Espírito.
A expectativa deles, se podemos dizer, era inteiramente bíblica, segundo a revelação das Escrituras do Velho Testamento, e de tudo o que Jesus lhes havia feito e ensinado.
Eles haviam sido devidamente instruídos por Jesus, durante seu ministério terreno, que seria o Espírito Santo quem lhes recordaria tudo o que Ele havia ensinado, e que também, continuaria ensinando a eles os mistérios relativos ao reino de Deus.
Então, o que temos aqui, são servos à espera do Seu Senhor; alunos à espera do Seu Mestre; pessoas em completa submissão e temor à vontade de Deus.
De modo que, depois de terem recebido o batismo do Espírito prometido, se diz deles, que perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão e no partir do pão e nas orações.
Que havia temor em cada alma (At 2.42,43), que perseveravam unânimes e diariamente no templo, partindo o pão de casa em casa e tomando as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e contando com simpatia de todo o povo (2.44-47).
“Havia temor em cada alma”. O temor de Deus, dos Seus juízos, da Sua santidade, estava presente em todos.
Eles haviam aprendido isto da doutrina dos apóstolos, que era a mesma doutrina de Cristo, na qual haviam sido ensinados; sobretudo a doutrina da cruz, quanto à necessidade de crucificarem a carne com suas paixões, para poderem andar de fato no Espírito.
Vale lembrar, que os apóstolos não se nomearam apóstolos a si mesmos, eles foram escolhidos a dedo, por Cristo, e vemos neste capitulo, que para marcar esta verdade, aqueles que são ministros do evangelho devem ter sido escolhidos e chamados por Deus.
Mesmo no caso da vacância apostólica de Judas, foi buscada direção em Deus, de modo que se decidisse por sortes, conforme foram dirigidos na ocasião, quem deveria ocupar o lugar que havia sido deixado vago por ele.
Os apóstolos já haviam recebido o Espírito Santo antes do dia do Pentecostes (Jo 20.22), mas Jesus lhes disse que deveriam aguardar pelo seu derramamento, numa maior plenitude do que a que haviam recebido.
Eles receberiam maiores medidas dos dons do Espírito, das Suas graças e confortos.
Tal como os sacerdotes do Antigo Testamento, foram ungidos com o óleo sagrado, para serem consagrados para o início dos seus trabalhos no tabernáculo.
De igual modo, os apóstolos receberiam esta unção especial, da qual aquela com óleo, era uma figura, para que pudessem efetivamente, iniciar o ministério da formação da Igreja, em todas as partes do mundo.
Eles dariam testemunho da verdade, e o Espírito Santo os conduziria cada vez mais nisto, purificando e santificando suas vidas, progressivamente, em graus, de fé em fé, de modo que o Senhor fosse glorificado, pela constatação da Sua obra em suas próprias vidas.
Eles seriam confirmados pelo Espírito Santo nos seus apostolados, porque saberiam que não eram propriamente eles, que davam testemunho, mas o Espírito que falava através deles, lhes inspirando não somente ao conhecimento, mas à prática e à proclamação da verdade.
Quando Jesus disse aos apóstolos, que seriam batizados com o Espírito Santo, eles devem ter recordado as palavras de João Batista a respeito dEle; que era Aquele que batizaria com o Espírito Santo e com fogo.
A pergunta (v. 6) que os discípulos de Jesus lhe fizeram pouco antes da Sua ascensão, bem demonstra o quanto necessitavam da instrução do Espírito, para poderem compreender o verdadeiro caráter do reino de Deus, pois imaginavam que Jesus daria início imediato a um reinado em Israel, paralelamente aos demais reinados que existiam na terra.
Eles ainda confundiam a glória celestial, com a glória terrena.
Pensavam em poder político, como que se a sua esperança se reduzisse apenas à vida neste mundo.
Ao mesmo tempo em que o Senhor disse aos apóstolos, que não lhes competia conhecer os tempos ou as épocas que o Pai reservou à Sua própria autoridade, como por exemplo, quando ocorreria o governo de Cristo sobre todas as nações, a partir de Jerusalém, no milênio, lhes foi dito que receberiam poder quando o Espírito Santo descesse sobre eles, e dariam testemunho dEle não apenas em Jerusalém, mas também em toda a Judéia, e entre os gentios, inclusive aos samaritanos, aos quais os judeus odiavam, e até aos confins da terra.
Isto indicava, que antes que seja inaugurado o reino de Deus em sua forma final, importava que fosse formada a verdadeira nação de Israel, composta de cristãos de todas as épocas e nações, até o tempo determinado pelo Pai, para que Seu Filho governe sobre todas as coisas.
Já se passaram cerca de dois mil anos, desde que Jesus falou tais palavras aos discípulos, que estavam com Ele antes da Sua ascensão.
Qual seria o proveito que soubessem, que tal se daria mais de dois mil anos depois?
Certamente, isto não contribuiria para aumentar o zelo e a esperança, e muitos poderiam até mesmo, esfriar na fé, pensando que seu trabalho no Senhor seria vão, em razão do grande tempo que seria necessário esperar até a Sua volta.
Por isso, Deus tem reservado o conhecimento do dia da volta de Jesus em segredo absoluto, e não o tem revelado a ninguém, de modo que nos cabe apenas, vigiar e orar em todo o tempo, para que sejamos achados firmes e fiéis em nossa própria época, como os demais cristãos fizeram nas épocas em que viveram.
Assim, os discípulos fariam um trabalho grandemente honroso, e glorioso para Deus, pois seriam suas testemunhas na terra.
A raiz da palavra “testemunha”, no original, vem de “mártir”, isto é, eles atestariam a verdade do evangelho com seus sofrimentos, até mesmo, se necessário fosse, em face da morte.
Assim, depois de ter-lhes dado tais instruções, o Senhor subiu à vista deles para o céu, e uma nuvem o encobriu.
Cristo conhece o caminho para o céu; por isso foi para lá, pelo Seu próprio poder.
Ninguém precisa lhe ensinar o caminho, pois Ele mesmo é o caminho que nos conduzirá ao céu.
Enquanto olhavam, dois anjos se colocaram ao lado deles e lhes indagaram porque continuavam olhando para o alto, tendo a nuvem encoberto o Senhor à vista deles; pois como havia subido pelo Seu próprio poder, também retornaria à terra, por Sua própria autoridade, para estabelecer Seus juízos e inaugurar Seu governo de justiça.
Tendo Jesus ascendido aos céus no Monte das Oliveiras (At 1.12), os discípulos retornaram dali para Jerusalém.
Reunidos no cenáculo, os apóstolos, com Maria, mãe de Jesus, os irmãos dEle e as mulheres que O serviram, perseveravam unânimes em oração (v. 13, 14).
A última vez que o nome de Maria, mãe de Jesus, é mencionado nas Escrituras, é neste primeiro capítulo de Atos, e é muito importante vermos que ela estava entre os discípulos, orando juntamente com eles, aguardando o derramar prometido do Espírito Santo.
Ela estava intercedendo como uma pessoa comum, juntamente com eles, para o mesmo propósito, e não como um ser sobrenatural, ao qual deveriam dirigir suas petições na expectativa de serem atendidos por ela.
Era apenas mais uma pessoa, entre os demais servos do Senhor, a par da honra e respeito que lhe era devido, pelo fato de ter sido escolhida por Deus, para a concepção de Cristo.
Todos estavam orando, porque este é o modo mais usual para que o Espírito Santo seja derramado sobre nós; pois é por meio da oração que nos ligamos a Deus em espírito.
É sempre por meio desta via espiritual que o Espírito Santo se manifesta a nós, por isso é ordenado que oremos em todo o tempo, no Espírito (Ef 6.18).
O próprio Jesus foi batizado pelo Espírito Santo, quando estava orando (Lc 3.21,22).
Então, não é difícil concluir, que aqueles que estão em melhores condições de receberem bênçãos espirituais são os que obedecem ao mandamento de Deus, de orar sem cessar (I Tes 5.17).
Podemos assim entender, porque Jesus não lhes ordenou, que ficassem simplesmente em Jerusalém, até que o Espírito fosse derramado.
Ele certamente lhes orientou sobre a necessidade de permanecerem em oração, para vencerem seus temores, em relação àqueles que estavam se levantando para perseguir a Igreja, especialmente os sacerdotes, fariseus e saduceus.
Eles sabiam que através da oração, poderiam vencer toda forma de oposição, pela resposta de Deus às suas súplicas.
Nosso Senhor lhes havia ensinado muitas coisas sobre a oração, especialmente, sobre o dever da oração perseverante e do suplicar sem desfalecer (Lc 18.1).
Eles estavam agora, simplesmente continuando a colocar em prática, tudo o que haviam aprendido com o exemplo pessoal do Seu Mestre.
Em Lc 24.53, vemos que eles não estavam simplesmente orando naquela ocasião, como também bendizendo a Deus.
Pois o Senhor, havia enviado o Salvador do mundo ao Seu povo, e lhes dera o encargo de anunciar esta grande salvação em toda a terra.
Aleluia!
Quão grande privilégio o deles, como também, o nosso, de sermos embaixadores de Deus e de Cristo, no sagrado ministério da reconciliação dos pecadores com Deus.
Eles estavam unânimes, porque haviam também aprendido de Jesus, a necessidade de unidade e concordância nas petições dos que oram, para que sejam respondidas por Deus (Mt 18.19).
Vemos então, que não estavam agindo por simples intuição, quando permaneceram em oração unânime e perseverante, a qual continuou ao longo de toda a vida, mas por estarem devidamente esclarecidos, sobre a necessidade e o dever da Igreja de orar sempre, sem cessar.
Estavam incentivados e animados, pela grande honra de servir Àquele que subira aos céus à vista deles, e que lhes prometeu que voltaria.
Para sua segurança, isto foi confirmado por dois anjos que lhes falaram da volta do Senhor, enquanto Jesus subia aos céus.
Não havia nada mais importante a fazer naquele momento, senão orar incessantemente, para que fosse cumprida a promessa do derramamento do Espírito Santo, para iniciarem a ordem que lhes foi dada, de darem testemunho do evangelho em todas as nações.
Nós podemos imaginar, quão grande era a expectativa em todos eles, e isto certamente, contribuía, grandemente, para que perseverassem em oração.
Quando a Igreja não tem expectativas de apressar o retorno do Senhor, pela pregação do evangelho, entregando-se inteiramente a isto, como se pode esperar que os cristãos sejam poderosos em oração?
Somente o despertar das consciências, do trabalho do qual fomos encarregados para realizar para o Senhor até que Ele volte, pode produzir cristãos verdadeiramente fervorosos na oração, e na evangelização.
Quando falta isto, o que se vê normalmente, são cristãos orando egoística e unicamente, para a própria segurança e conforto pessoal, esquecidos das necessidades daqueles que se encontram no mundo, necessitando de salvação.
Que se ore por estes, e que se lhes dê testemunho de Cristo e do Seu evangelho, para tal fim.
Então, embalados pelo desejo de obedecer a Seu Mestre e as ordens específicas que lhes deu, de que não se ausentassem de Jerusalém; em vez de retornarem à Galiléia, onde estava o domicílio da maioria deles, permaneceram em Jerusalém, se santificando, através do exercício da oração, na expectativa da descida do Espírito Santo.
A permanência em Jerusalém, ainda que Jesus não lhes tenha dito o motivo, certamente tinha a ver com o fato, de que para lá se dirigiam judeus de todas as partes do mundo, e não somente de Israel, no dia da festa de Pentecostes.
Aquela festa, que sempre ocorria num domingo; simbolizava a consagração a Deus das primícias da colheita; e foi propositalmente, que Ele havia determinado esta festa anual, na Lei de Moisés, para servir de figura, do fenomenal evento que ocorreria na terra.
As primícias da colheita de almas pelo pequeno núcleo da Igreja, na seara de Deus, no mesmo dia em que o Espírito Santo seria derramado, em cumprimento à promessa revelada aos profetas.
E quão grande e inigualável festa seria tal evento aos olhos de Deus!
Pois, se há grande alegria diante dos anjos nos céus por um só pecador que se arrepende, qual não seria então a alegria pelas quase três mil almas, que se converteram naquele dia (At 2.41)?
Muitos se perguntam ainda hoje, por que foi necessário escolher um outro apóstolo, para ocupar o lugar de Judas.
Muitos pensam, que seria em razão de o número 12, ser um número místico, e que a Igreja não poderia ser formada, a não ser com um número exato de doze apóstolos.
Entretanto, devemos dizer antes de tudo, que o número inicial de doze apóstolos foi aumentado em muito. Lembremo-nos dos irmãos de Jesus - Tiago e Judas - que passaram a compor o apostolado, tendo sido Tiago, o provável líder da Igreja em Jerusalém, como podemos inferir do quinto capítulo do livro de Atos.
Não devemos esquecer também, que o maior dos apóstolos ainda seria juntado àquele grupo, a saber, Paulo; bem como muitos outros foram designados como apóstolos, como por exemplo, Barnabé (At 14.14).
Mas, o motivo da escolha de um apóstolo, com o propósito específico de ocupar o lugar de Judas, se deveu à estrita obediência à Palavra de Deus, por parte da Igreja de então, pois no próprio versículo 20, deste capítulo de Atos, Pedro afirmou diante da assembléia de cerca de 120 discípulos, o que se encontra registrado no Salmo 109.8:
“Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu ministério”.
Esta falta de apreço, respeito e cumprimento à Palavra de Deus, tão comum, que há em nossos dias, não era algo que havia entre eles, bem como não há entre os servos do Senhor, que verdadeiramente O temem, pois sabem da seriedade de tudo o que a boca de Deus tem proferido.
Eles se apressaram então, em cumprir aquilo que estava predito no Salmo; outro deveria ocupar o ministério de Judas, pois com isso, ficaria marcado para o temor da própria Igreja, que aquele que falha no seu ministério, será substituído pelo Senhor por outra pessoa, que O sirva fielmente; tal como ocorrera com Judas.
Pedro afirma, que o que foi escrito por Davi no Salmo, fora por inspiração do Espírito Santo (v. 16), e que convinha portanto, que fosse cumprido como de fato estava ocorrendo, porque Judas havia traído o Senhor apesar de ter tido parte com eles no ministério apostólico (v.17).
Ele havia deixado deserta a sua casa, porque havia morrido não de um modo honroso e glorioso, por conta de um testemunho fiel de Cristo, mas por um juízo determinado de Deus sobre ele, conforme já estava previsto no Salmo.
E ele o fez, se suicidando (Mt 27.5).
Eles procederam àquela substituição do modo correto, segundo o critério de Deus, pois propuseram à Igreja dois, dentre todos os que estavam mais bem qualificados espiritualmente, pelo seu testemunho de vida, a ocupar o ofício (v. 23).
Oraram então, pedindo a Deus, porque somente Ele conhece o coração humano, para que lhes revelasse qual dos dois deveria ser o escolhido, para cumprir aquilo que o próprio Deus havia falado há séculos, pela boca do salmista.
Quem era aquele que deveria ocupar o ministério, no lugar de Judas?
Inspirados pelo Espírito, sentiram-se movidos a lançar sortes, naquela situação específica, sobre os dois nomes escolhidos (José, que era também chamado por Barsabás, e que tinha o apelido de Justo, e o outro que tinha por nome Matias).
O Senhor fez com que a sorte recaísse sobre Matias (v. 26).
Que grande lição de obediência à Palavra de Deus!
E que estrita obediência e dependência dEle, nós encontramos nesta simples passagem.
Isto foi registrado, para instrução da Igreja de todas as épocas, pois é desta forma que o Senhor deve ser servido e honrado.



“1 Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo quanto Jesus começou a fazer e ensinar,
2 até o dia em que foi levado para cima, depois de haver dado mandamento, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera;
3 aos quais também, depois de haver padecido, se apresentou vivo, com muitas provas infalíveis, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias, e lhes falando das coisas concernentes ao reino de Deus.
4 Estando com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual (disse ele) de mim ouvistes.
5 Porque, na verdade, João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias.
6 Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel?
7 Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade.
8 Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.
9 Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto olhavam, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.
10 Estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles apareceram dois varões vestidos de branco,
11 os quais lhes disseram: Varões galileus, por que ficais aí olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado para o céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.
12 Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado.
13 E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.
14 Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.
15 Naqueles dias levantou-se Pedro no meio dos irmãos, sendo o número de pessoas ali reunidas cerca de cento e vinte, e disse:
16 Irmãos, convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus;
17 pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério.
18 (Ora, ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade; e precipitando-se, caiu prostrado e arrebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.
19 E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém; de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama, isto é, Campo de Sangue.)
20 Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu ministério.
21 É necessário, pois, que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós,
22 começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima, um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição.
23 E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias.
24 E orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces os corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido,
25 para tomar o lugar neste ministério e apostolado, do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar.
26 Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias, e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos.” (Atos 1.1-26)

Silvio Dutra

O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 1

"Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas" (Zc 12.10a)

O Espírito aqui prometido é o Espírito de Deus, o Espírito Santo.
O verbo "derramarei" aqui usado é o mesmo que encontramos no original hebraico em Ez 39.29 e Joel 2.28.
Foram declaradas duas coisas em outro lugar da Bíblia relativas a esta expressão aplicadas a tal comunicação do Espírito Santo:
(1) Que haverá uma dispensação abundante dEle para o fim pelo qual Ele é prometido.
Em Tito 3.5,6 Paulo diz: "nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador;".
Então, não se trata de uma mera concessão e comunicação do Espírito, mas um derramar abundante dele, que está planejado.
Por isso o Espírito é prometido nesta passagem de Zac 12.10 com indicação de um dos efeitos notáveis da Sua comunicação, a saber, que isto seria percebido pelas súplicas que seriam feitas a Deus.
(2) Que o cumprimento desta promessa foi desconhecido até os dias do evangelho; eu quero dizer, a promessa do derramar do Espírito sobre pessoas de todas as nações. E na parte "b" do mesmo versículo de Zac 12.10 é indicado como haveria este resultado, a saber, olhando para aquele a quem prantearam por ter sido transpassado, a saber nosso Senhor Jesus Cristo, morte esta que, por cuja causa o Espírito está sendo derramado.
E aqueles aos quais é prometido receberem este Espírito de súplicas são os da casa de Davi e todos os habitantes de Jerusalém, a saber a Igreja de Cristo, que é composta por estes que são pertencentes à casa espiritual de Davi, porque Cristo é o soberano sobre esta casa, e os que habitarão Jerusalém para sempre são os crentes.
Como todas as promessas seriam cumpridas primeiro na pessoa de Cristo, o Espírito Santo foi derramado em toda a Sua plenitude primeiro nEle, para ser depois comunicado a outros.
As qualificações do Espírito prometido são duas:
(1) Ele é o Espírito de graça, isto é, de misericórdia, de compaixão, de generosidade, condescendência e favor para com os pecadores.
Esta graça pode ser vista em textos como Rom 1.7; 4.16; 5.2, 15, 20; 6.1; 11.5; I Cor 1.3 e em outras passagens inumeráveis.
Como a causa da dispensação do Espírito não é outra senão somente a graça de Deus, é por isso que Ele é designado por Espírito de graça, conquanto neste período em que o Espírito tem sido derramado em todas as nações, Jesus não veio condenar, mas salvar os pecadores. Assim a doação do Espírito é um efeito da graça.
A razão deste título do Espírito está declarada em Tito 3.4-7. É importante ler este texto de Tito porque ali se vê que este derramar do Espírito está em oposição às nossas próprias obras e méritos, mas está fixado no amor e bondade de Deus em Jesus Cristo, de onde Ele pode ser chamado apropriadamente de Espírito de graça.
Porque Deus é o autor de toda a graça naqueles sobre os quais é derramado o Espírito; e assim Deus é chamado de o Deus de toda a graça, porque Ele é a fonte e o autor da mesma. E o Espírito Santo é a causa eficiente imediata de toda a graça em nós, e tem provado isto na nossa regeneração e santificação.
E assim o Espírito também pode ser chamado de Espírito de graça, porque aqueles nos quais Ele é derramado acharam favor e graça diante de Deus, sendo aceitos no Amado (Ef 1.6).

O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 2

O Espírito é prometido para trabalhar graça e santidade em todos aos quais Ele é dado. E Ele é, quando assim derramado, um Espírito de súplicas; isto é, de oração por graça e misericórdia.
A palavra súplica é usada aqui no mesmo sentido de Hb 5.7.
Originalmente significa um ramo de oliveira enrolado em lã branca ou algo de igual natureza, e que era erguido para cima como sinal de rendição, suplicando por misericórdia para obtenção de paz.
Está assim implícita a súplica a Deus por graça e misericórdia. E assim o Espírito é derramado para que façamos isto com o modo e o espírito corretos, de maneira a sermos aceitos e atendidos por Deus.
Nós encontramos a palavra súplica usada em Zac 12.10 em textos como Jó 41:3; Provérbios 18:23; Daniel 9:3,18,23; Jeremias 3.21; 31:9; 2 Crônicas 6:21; Salmo 28:2,6, 31:22; 86.6; 116:1, 130:2, 140:6, 143:1; e sempre tem o sentido de súplica por graça, para liberdade e libertação do mal.
Então, nós podemos indagar em que sentido é chamado o Espírito Santo de Deus de Espírito de súplicas, ou qual é a razão desta atribuição a Ele.
Um Espírito de súplicas deveria ser um Espírito abundante em oração por misericórdia e para livrar do mal.
E isto tem sido feito abundante e eficazmente ao longo dos séculos pela salvação dos pecadores, que aos milhões, têm se rendido a Cristo por meio de tais súplicas em favor da conversão deles.
Há dois modos concebíveis por meio dos quais se pode afirmar que o Espírito é um Espírito de súplicas:
1 - Por trabalhar em nós inclinações e disposições para o nosso dever de suplicar a Deus;
2 - Dando-nos uma habilidade adequada para suplicarmos da maneira correta. Paulo fala disto em Rom 8.26.
E onde isto não é encontrado, nenhuma oração é aceitável a Deus, porque importa que toda oração seja no Espírito.
Deus é espírito e importa que tudo de nosso relacionamento com Ele seja originado no espírito, e somente o Espírito Santo pode trabalhar em nosso espírito de tal maneira que ele possa ser inflamado com o Seu fogo de modo a ser aceitável à aproximação de Deus e à comunhão com Ele.
Tiago 4.1-3 afirma a alienação de uma mente carnal que não pode de modo algum agradar a Deus ou receber dEle qualquer coisa, especialmente as relativas à nossa edificação espiritual, porque não há uma disposição correta de espírito que somente pode ser dada por uma verdadeira operação do Espírito Santo na preparação de nosso espírito para que possa ter comunhão com Deus.
Somente o Espírito pode trabalhar em nós aquela condição de orar sem cessar, conforme é requerida de nós.
A oração não é propriamente uma graça, mas o modo e o meio pelo qual nós podemos exercitar todas as demais graças da fé, amor, alegria, temor, reverência, auto-negação, etc.
A oração é portanto o modo santo de exercitar todas as graças. Mas nós podemos chamar a oração de graça da oração, porque ela própria é também estimulada pelo Espírito. Dizemos graça de oração porque é um trabalho da graça do Espírito no coração.
Assim é o Espírito que nos dá a habilidade para a oração, de maneira que ela seja um meio para exercitar todas as graças deste modo especial.
Se o Espírito prometido é de súplicas, isto significa que Ele fará com que aqueles em cujos corações habita, abundem mais e mais em oração.
Lembramos que a promessa do Espírito de súplicas foi feita à Igreja e não ao povo de Israel na Antiga Aliança, de modo que é uma grande perda qualquer Igreja não buscar ser cheia do Espírito para que seja também abundante nas orações, porque onde o Espírito está operando em plenitude, haverá conseqüentemente muitas e contínuas orações.
A profecia relativa ao derramar do Espírito em todos os tipos de pessoas em Joel 2:28-32, é interpretada por Pedro como o envio do Espírito Santo no dia de Pentecostes (Atos 2:15-21).
Mas Pedro não limitou aquela experiência aos seus próprios dias, porque no mesmo texto afirmou que a promessa diz respeito a todos aqueles a quem o Senhor chamar em todas as épocas. Assim não podemos imaginar que a dispensação do Espírito Santo com a promessa do Seu derramamento esteja limitada aos primeiros dias do evangelho.
E de fato não podemos limitar a promessa do Espírito tanto em Joel, quanto no nosso texto de Zac 12.10 como sendo apenas relativa ao dia de Pentecostes, porque de outra maneira, não teríamos nenhuma graça e nenhuma súplica, e por conseguinte, nenhum derramar em nossos dias presentes, caso a promessa do derramar do Espírito se referisse apenas aos dias apostólicos.
Há uma comunicação rica do Espírito de graça e oração concedida em comparação à que desfrutaram os crentes sob o Antigo Testamento.
A natureza da dispensação do evangelho que nós recebemos por meio de Jesus Cristo é graça sobre graça.
É graça sobre graça porque é o ministério do Espírito, que é Espírito de graça nesta dispensação, porque Deus tem se mostrado longânimo para com todos os pecadores (II Cor 3.8).
Portanto, se quem opera agora na Igreja é o Espírito de súplicas, conforme a dispensação da graça, seria aniquilar totalmente a promessa de Zac 12.10 não crer que há uma ação real do Espírito Santo disponível para os crentes, e que esta deve ser buscada por eles em suas orações, para que sejam eficazes.
Deste modo, as orações que são lidas em homilias, ou que consistem em meras repetições de palavras, configuram uma negação da promessa de que foi dado ao crente o Espírito de graça e de súplicas.
Assim nós podemos então concluir que Deus tem prometido dar aos crentes no Novo Testamento, uma medida abundante do Espírito de graça e de súplicas, ou o próprio Espírito Santo, de maneira que possam orar de acordo com a Sua mente divina.



O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 3

"E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai." (Gál 4.6)

A próxima evidência geral que nós temos da verdade do cumprimento da promessa de Zac 12.10 na dispensação do Novo Testamento ou Nova Aliança, é esta de Gál 4.6.
A promessa se cumpre nos crentes porque são eles estes filhos de Deus a que o texto se refere.
Nós recebemos o Espírito de adoção por meio do qual fomos feitos filhos de Deus. Nós recebemos a adoção de filhos, e porque nós somos filhos, Deus enviou o Seu Espírito aos nossos corações. E este privilégio de adoção nós obtivemos pela fé em Cristo Jesus: João 1:12.
Em segundo lugar, há um título especial ou descrição do Espírito prometido e dado para este propósito.
Ele é o "Espírito de seu Filho" por causa da relação dEle para com os crentes.
Jesus Cristo é mencionado aqui porque o Filho de Deus está envolvido no trabalho mencionado que é uma misericórdia e um privilégio evangélico, isto é, decorrente da obra do Seu evangelho.
Então o Espírito Santo é chamado de "Espírito do Seu Filho", porque Ele foi dado em primeiro lugar a Cristo, por ser o cabeça da Igreja, para a união, consagração e santificação da natureza humana de Jesus.
Aqui ele pôs o fundamento, e deu um exemplo do que Ele deveria fazer com todos os membros do corpo de Cristo.
E também porque é em virtude da aliança feita entre o Pai e o Filho, de dar a Ele todas as coisas, tanto no céu quanto na terra, que o Filho recebeu a promessa do Espírito Santo, isto é, de ter poder e autoridade para dá-lo a quem Ele quiser, para todos os fins da mediação que realiza entre Deus e os homens (Atos 2:33, 5:32).
É disso que derivam todas as graças do Seu Espírito a nós, da Sua parte como a cabeça da igreja, como a fonte de toda a vida espiritual, que foram nEle entesouradas para este propósito (Colossenses 1:19; 2:19; 3.1-4; Efésios 4:16).
O trabalho do Espírito em geral, como dado aos crentes, está incluído em parte nestas palavras.
Eles são feitos filhos de Deus por adoção, sendo ensinados a se conduzirem dentro desta nova relação.
Porque aos que são filhos, Ele tem dado o Espírito do Seu Filho; com o qual eles podem caminhar condignamente diante dEle não como meros servos, mas como filhos e herdeiros de Deus (Rom 8.15-17).
É o Espírito que os dispõe a uma obediência santa e filial, de maneira que não sejam mais estranhos diante dEle mas membros da família de Deus.
E assim o Espírito remove o medo e a escravidão que eles tinham debaixo do poder da lei (II Tim 1.7; Rom 8.15).
De maneira que os crentes que andam no Espírito, estando cheios da Sua santa presença, não andam mais amedrontados pelos terrores da lei, não por que sejam capazes de guardar perfeitamente toda a lei, mas porque têm o sentimento pleno de que são filhos amados por Deus.
Isto é decorrente do poder do Espírito que neles habita lhes fortalece e lhes habilita a todos os deveres de obediência.
Ele lhes fortalece e aperfeiçoa a fé, de maneira que descansam no poder de Deus e confiam que Ele mesmo realiza as Suas obras poderosas através deles.
Isto não é apenas um sentimento, mas uma realidade que se manifesta na experiência de cada crente cuja fé se encontra amadurecida no e pelo Espírito.
Porque sem o Espírito de adoção nós não temos força ou poder para nos comportarmos como filhos na família de Deus.


O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 4

O Espírito Santo é também um espírito de amor que trabalha em nós o amor a Deus e aquele deleite nEle que os filhos sentem em relação ao seu Pai divino.
Esta é a primeira conseqüência genuína desta relação.
Pode haver muitos deveres realizados para Deus onde não haja nenhum verdadeiro amor a Ele, pelo menos nenhum amor a Ele como um Pai em Cristo que é o único modo genuíno e aceito.
E Ele é também um Espírito de moderação que nos foi dado, porque é sério, grave e sóbrio.
É o Espírito quem nos permite nos comportarmos com aquela sobriedade, modéstia e humildade que existe na família de Deus.
É nestas três coisas referidas em II Tim 1.7 (poder espiritual, amor e sobriedade de mente) em que consiste o comportamento inteiro dos filhos de Deus na Sua família.
Este é o estado e a condição daqueles que, pela operação eficaz do Espírito de adoção, são livrados do "espírito de escravidão e temor" que é citado pelo apóstolo em Rom 8.15.
Aqueles que não estão debaixo do poder do Espírito não podem fazer as suas orações da maneira exigida por Deus, porque se encontram no estado da natureza, e o espírito por meio do qual eles estão agindo é o espírito sujo do mundo ou a influência que opera nos filhos da desobediência.
A lei que eles obedecem é a lei que opera nos membros mencionada por Paulo em Rom 7.23.
As obras que eles executam são as obras estéreis das trevas, e os frutos destas obras são pecado e morte.
Estando debaixo desta escravidão, eles não têm nenhum poder para se aproximarem de Deus; e a escravidão deles tende ao medo, e eles não podem ter nenhum prazer em buscá-lO.
Mas quanto àqueles que são livrados deste estado por causa da adoção de filhos, dá-se o caso contrário.
O Espírito que neles opera é o Espírito de Deus. O Espírito de adoção, de poder, de amor e de uma mente sã.
A lei debaixo da qual eles estão em obediência é a lei santa de Deus, como escrita nas tábuas de carne dos seus corações. Os efeito disto são fé e amor, com todas as demais graças do Espírito, e eles recebem os frutos da paz, com alegria indizível e cheia de glória.
Em terceiro lugar, no nosso texto de Gál 4.6 se destaca que o efeito do trabalho do Espírito nos corações dos crentes é que eles oram clamando Abba Pai.
O objetivo do dever é o Pai (Ef 2.18). Pai comum tanto de judeus quanto de gentios, de maneira que por causa desta coragem e confiança íntima no amor de Deus como pai, fez com que o apóstolo reduplicasse o nome. E é pelo Espírito que clamamos Abba Pai, em testificação com o nosso próprio espírito que somos de fato filhos de Deus por causa da Sua habitação em nós.
Abba no hebraico não significa apenas pai, mas "meu pai".
Então quando trazemos todas estas verdades à consideração da oração nós verificamos que não é apenas um exercício externo que está planejado para a oração.
E o exercício das graças da fé, do amor, da alegria, da abnegação e de todas as demais graças está designado ao Espírito de Deus.
Não há nenhuma exigência mais apropriada à oração do que o nosso clamor "Abba, Pai". E a ajuda do Espírito não é o suficiente para nos habilitar diante de Deus? Foi assim no passado, e será sempre o dever de todos os crentes que são chamados a este dever, com respeito às próprias pessoas deles, às suas famílias, ou à igreja de Deus.
Há portanto um trabalho de operação especial do Espírito Santo nas orações dos crentes que os habilita suficientemente, conforme a promessa de Zac 12.10. É Ele quem lhes permite clamarem Abba Pai em oração, como o Pai deles por meio de Jesus Cristo.
Negar isto, então, é se levantar em contradição ao testemunho expresso do próprio Deus, e por nossa incredulidade lhe fazer um mentiroso.
Por isso é dever dos crentes não simplesmente orarem, mas orarem no Espírito, porque não há oração eficaz que não seja no Espírito.


O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 5

"E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis." (Rom 8.26)

A ORAÇÃO é uma habilidade ou faculdade espiritual de exercitar fé, amor, reverência, temor, alegria, e outras graças, através de petições vocais e súplicas e louvores a Deus.
"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças." (Fp 4.6).
Este dom e habilidade nos é dado e trabalhado pelo Espírito Santo, no cumprimento da promessa de que é Espírito de graça e súplicas enquanto clamamos Abba Pai.
A primeira coisa que nós designamos nisto ao Espírito é que ele supre e esclarece a mente com uma compreensão devida do assunto da oração, e sem isto nenhum homem pode orar como convém porque como pode o homem orar por aquilo que ele não conhece, a saber, a mente de Deus, no que tange à Sua vontade quanto ao que devemos orar?
Onde não há compreensão, a natureza mesma da oração é destruída. E nisto consiste o testemunho expresso do apóstolo em Rom 8.26.
No momento eu desejo me fixar somente na expressão deste versículo que afirma que não sabemos orar nem como convém orar. Não sabemos apenas em relação aos motivos e assunto da oração, mas sobretudo pelo fato de que não podemos estar em contato com o Deus que não conhecemos até que tal conhecimento nos seja dado pelo Espírito.
Mas geralmente os homens pensam que sabem o que devem orar e como devem orar. Mas a Palavra afirma exatamente o oposto disto, e no entanto os que pensam que não dependem do Espírito para orar, sequer oram, apesar de afirmarem que sabem o quê e o como orar.
Eu não apresentarei nenhuma desculpa para a maldade e negligência dos homens quanto ao dever de orar, as quais sem dúvida são abomináveis, mas eu tenho ainda que afirmar a verdade revelada pelo apóstolo que eu comprovarei mais adiante.
Isto é, que sem uma ajuda especial do Espírito nenhum homem conhece o que ele deve orar, especialmente porque sem o Espírito não pode conhecer e ter a mente de Cristo, que é a mesma mente de Deus.
De maneira que as comuns multiplicações de palavras que costumam chamar de oração não é nenhuma verdadeira oração.
E o próprio Jesus nos ensinou acerca disto em Seu ministério terreno, que não é pelo muito falar que seremos ouvidos por Deus.
É verdade, que tudo pelo que nós deveríamos orar está declarado na Bíblia, sim, e resumidamente incluído na Oração do Senhor; mas uma coisa é ter aquilo pelo que nós deveríamos orar no livro, e outra coisa ter isto em nossas mentes e corações, sem o quê nunca estará em nós o assunto devido da oração.
É da abundância do que está no coração que a boca tem que falar neste assunto - Mateus 12.34.
Então, há em nós uma deficiência com respeito ao assunto da oração que é provida pelo Espírito Santo e que não pode ser provida por nós mesmos por qualquer outro modo ou meio; e nisso Ele é para nós um Espírito de súplica de acordo com a promessa.
Porque: 1. Nós não conhecemos nossos próprias necessidades, particularmente as relativas ao nosso necessário amadurecimento espiritual; 2. Nós não conhecemos como isto é expressado nas promessas de Deus; e, 3. Nós não sabemos o fim para o qual nós oramos.
Sem o conhecimento e entendimento de tudo isto, nenhum homem pode orar como deveria; para atender ao propósito eterno de Deus, e nós não podemos ter qualquer modo de conhecê-lo a não ser pela ajuda do Espírito de graça.
E estas coisas são manifestas, e serão evidentes como neste primeiro exemplo em que nos é permitido orar pelo Espírito Santo.
Primeiro, Nossos desejos devem ser a questão da oração.
Isto consiste primeiro em nossos dilemas externos, pressões, e dificuldades dos quais nós desejamos ser livrados, com todas as demais outras coisas temporais com as quais nós estamos preocupados.
Nessas coisas aparece claramente que realmente não sabemos como e pelo que orar.
Por exemplo, Paulo pediu que o espinho fosse removido, mas era necessário para o seu aperfeiçoamento e seu pedido não foi atendido pelo Senhor, que lhe mostrou que o propósito daquela aflição era para que ele, Paulo, fosse aperfeiçoado na graça.
Então Deus chama a maioria das orações dos que se encontram debaixo de tais condições, e não buscam a ajuda do Espírito, de uivos dos que não lhe clamam com o coração (Os 7.14).
Realmente, há uma voz da natureza que chora em sua angústia ao deus da natureza, mas isso não é o dever da oração evangélica sobre a qual estamos discorrendo, e freqüentemente a maioria dos homens não orarão conforme convém exatamente quando eles pensam que estão mais prontos e preparados para isso, porque estão pedindo meramente por livramento de suas aflições, sem levarem em conta qual é a vontade de Deus nestas aflições. Vejam que os crentes da Igreja Primitiva, com o se vê em Atos 4, quando debaixo da pressão da perseguição feroz que estavam sofrendo, dirigidos pelo Espírito, não pediram por livramento, mas por poder para continuarem pregando o evangelho.


O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 6

Conhecer nossos desejos temporais para fazer deles um assunto de oração de acordo com a mente de Deus requer mais sabedoria do que a que existe em nós mesmos (Ec 6.12), e os crentes freqüentemente não sabem como devem orar corretamente acerca de coisas temporais.
Nenhum homem deveria permanecer debaixo de dor ou aflição, ou qualquer desejo cuja continuação resultaria na destruição do seu ser, porque ele pode e deve buscar a libertação de tudo isto através da sua oração.
Assim nesse caso ele sabe em alguma medida, ou em geral, pelo que deveria orar, sem qualquer iluminação espiritual vinda de fora.
Mas devem ser consideradas as circunstâncias destas coisas, no que se refere à glória de Deus e o Seu propósito supremo no uso delas para operar o que é bom no Seu povo, e assim, mesmo que não possam entendê-las, eles podem confiar na promessa feita à igreja de que todos serão ensinados de Deus.
Nós temos desejos internos que são discernidos na luz de uma consciência natural: tal é a culpa do pecado, em acusações.
A luz natural contra os pecados é uma carta aberta e clara da lei.
São estas coisas que nós conhecemos um pouco sem qualquer ajuda especial do Espírito Santo - Romanos 2:14,15, e desejos de libertação são inseparáveis delas.
Mas nós podemos observar aqui duas coisas: (1) Que o conhecimento que nós temos de nós mesmos é tão obscuro e confuso que nós não somos de nenhum modo capazes de administrar nossos desejos corretamente em oração a Deus, e nem de conhecer a real profundidade do nosso pecado, de modo que pudéssemos interceder por perdão e purificação do coração, daquilo que somente o Espírito Santo conhece perfeitamente.
Uma consciência natural, despertada e excitada por aflições ou outras visitações providenciais, manifestará reflexões sinceras e severas de culpa na alma; mas até que o Espírito convença do pecado, todas as coisas estarão em tal desordem e confusão na mente que nenhum homem sabe como se dirigirá a Deus sobre isto de uma maneira devida.
E é requerido mais do que um mero sentimento sobre isto, porque deve se tratar corretamente com Deus sobre a culpa do pecado.
Por isso a culpa do pecado discernida apenas na luz de uma consciência natural é apenas uma abominação.
(2) Além disso, todos nós sabemos quão poucos crentes não se deixam cair debaixo da luz de uma consciência natural, porque as coisas com as quais os crentes deveriam tratar e lidar principalmente com Deus, se referem às condições espirituais e disposições interiores das suas almas, com ações de graça.
Por isso Davi não estava satisfeito com a confissão dos seus pecados conhecidos (Sl 51.1-5), nem ainda com o reconhecimento que ninguém conhece os seus próprios desejos, e deste modo desejava ser limpo dos seus pecados desconhecidos (Sl 19.12).
Mas além disso ele implorou a Deus para sondar o seu coração e descobrir estes pecados ocultos e que lhe estavam afastando da comunhão com Ele (Sl 139.23,24), por saber que Deus se agrada da verdade no íntimo (Sl 51.6). Tal é a continuação do trabalho de santificação completa no espírito, alma e corpo (I Tes 5.23).
É pela santificação interior de todas as nossas faculdades que nós devemos orar, e é sendo santificados, que aprenderemos a orar como convém por causa deste trabalho de purificação realizado pelo Espírito em nós.
A graça de Deus opera principalmente para este propósito, em meio ao senso de culpa, poder e engano do pecado, em suas ações na mente e nos afetos, com outras coisas semelhantes inumeráveis que interessam ao motivo principal da oração, especialmente da súplica.
A súplica é portanto, sobretudo por mais santidade, para a vitória da batalha do Espírito contra a carne.
Jamais foi do propósito de Deus fazer a promessa de nos conceder o Espírito de graça e de súplicas, para que atendêssemos a nossos desejos temporais e carnais.
Entretanto não poucos crentes fazem disso o objeto principal de suas orações e comprovam deste modo que não sabemos de fato, por nós mesmos, pelo que orar, e como convém orar.

A oração está em grande parte associada ao nosso relacionamento de fé e amor com Deus.
Para o reconhecimento do mistério completo da Sua sabedoria, graça e amor em Jesus Cristo, com todos os frutos, efeitos e benefícios que nós recebemos disto; e todas as operações e ações de nossas almas para com Ele, com suas faculdades e afetos; em resumo, todas as coisas em que consiste o nosso acesso espiritual ao trono da graça.
Todas as ocasiões e emergências da vida espiritual estão incluídas nisto.
À medida que os crentes progridem em santificação mais eles se tornam entendidos das coisas do Espírito e conseqüentemente mais eles conhecerão sobre o que orar e como convém orar por tais coisas que lhes serão reveladas pelo Espírito, para o progresso deles e da obra de Deus na qual estejam empenhados.
O assunto da oração pode ser considerado também com relação às promessas de Deus.
Estas são a medida da oração e contêm todo o seu assunto, porque é somente aquilo que Deus tem prometido que deve ser o objeto das nossas orações, e nada mais, porque as coisas não reveladas pertencem ao Senhor nosso Deus.
Mas a declaração da Sua vontade e graça pertencem a nós, e são a nossa regra.
Portanto não há nada que nós realmente façamos para podermos estar de pé, senão somente a provisão que Deus tem prometido para tal propósito, de maneira que quando debaixo de limitações desta provisão nós devemos nos levantar e buscar em Deus aquilo que está faltando em nós, juntamente com os demais membros do corpo de Cristo.
Porque nós não sabemos pelo que orar e nem como convém orar, a menos que saibamos ou entendamos a bondade, graça, bondade e misericórdia que estão preparadas e propostas nas promessas de Deus.
Então dependemos da ajuda especial do Espírito Santo para entender estas coisas que nos são necessárias, e as que foram dispostas por Deus para a nossa provisão, sendo o enchimento do próprio Espírito, uma destas provisões e a principal delas.

O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 7

O apóstolo nos fala que as coisas de Deus, as coisas espirituais, nenhum homem conhece, mas somente o Espírito de Deus; e que nós temos que receber o Espírito de Deus para conhecer as coisas que nos são dadas livremente por Ele - I Cor 2.11,12; que são a graça, misericórdia, amor, e bondade das promessas - II Cor 7.1.
Dizer que nós podemos de nós mesmos perceber, entender, e compreender estas coisas, sem a ajuda especial do Espírito Santo, é subverter completamente o evangelho e a graça de nosso Senhor Jesus Cristo.
Por isso nós devemos orar com fé - Rom 10.14, e fé relativa às promessas de Deus - Hb 4.1.
E se nós não conhecemos o que Deus tem prometido, nós não podemos orar como convém.



O principal assunto das nossas orações concerne à nossa fé ou incredulidade.
Assim os apóstolos oraram ao Senhor pedindo que lhes aumentasse a fé; e o pobre pai do lunático em sua angústia pediu a Jesus que o ajudasse na sua incredulidade.
Eu julgo que não é possível orar corretamente sem que nunca se peça perdão pela incredulidade, para a sua remoção e aumento da fé.
Se a incredulidade é o maior dos pecados, e se a fé é o maior dos dons de Deus, nós não somos cristãos se estas coisas não forem a parte principal do assunto das nossas orações.
Sem a convicção da culpa da incredulidade, bem como da natureza e uso da fé, nós não podemos orar como convém. E este é expressamente o trabalho especial do Espírito Santo a que Jesus se referiu em João 16.8,9: "E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim;".
Estaríamos irremediavelmente perdidos caso não tivéssemos este trabalho de convencimento do pecado pelo Espírito que nos foi dado por causa da morte e obra de Jesus Cristo, porque não poderíamos de modo algum, sequer confessarmos que somos pecadores do modo aceitável por Deus para a nossa conversão.
Assim ninguém pode ser convencido da natureza e culpa dessa incredulidade, no todo ou em parte, que é o grande pecado condenado debaixo do evangelho, sem um trabalho especial do Espírito Santo na mente e na alma, porque a incredulidade consiste em não crer em Cristo como deveríamos.
É um pecado contra o evangelho, e somente o Espírito pode nos convencer disto.
Portanto, não é a consciência natural ou a lei que podem nos convencer da culpa da incredulidade em relação a Jesus Cristo, nem nos instruir acerca da natureza da fé nEle.
Nenhuma noção inata de nossas mentes e nenhuma doutrina da lei o fará.
Isto é um trabalho exclusivo do Espírito como um Espírito de súplica (Zac 12.10).
Sem este trabalho do Espírito ensinando acerca da natureza e culpa da incredulidade, e sobre a natureza, eficácia e uso da fé em Cristo Jesus, os homens poderão se cansar de orar noite e dia com uma multidão de orações, e todo o esforço deles será em vão.
O assunto principal de nossa oração diz respeito à corrupção da nossa natureza terrena, e aos nossos desejos que são derivados de tal natureza.
Esta natureza terrena é inimizade contra Deus. Não está sujeita à Sua vontade, e nem a Ele, porque não lhe é possível tal coisa.
Por isso qualquer que for reconciliado com Deus, o terá sido por ter recebido uma nova natureza do Espírito Santo, e não por causa de bons modos ou até mesmo por causa de sadia moralidade, ainda que sejam coisas importantes.
Não podemos lembrar que muitos filósofos gregos que pregavam a sã moralidade, rejeitaram a Jesus e consideram a mensagem da cruz como sendo loucura.
As trevas e a ignorância que residem em nossa compreensão, e alienação da vida de Deus e das coisas espirituais, celestiais e divinas, mantêm a mente debaixo da sombra e cobertura desta escuridão, e a teimosia obstinada e perversa de nossas vontades, por natureza, com a sua relutância contra as coisas espirituais, com malícias ocultas inumeráveis que surgem disso, impedem a alma de se achar numa conformidade devida em relação à santidade de Deus.
Coisas estas para com as quais os crentes têm que ter uma consideração especial em suas confissões e súplicas.
Eles sabem que isto é dever deles, e sabem por experiência que a maior parte das coisas concernentes entre Deus e as suas almas, relativas ao pecado e à santidade, se baseiam nestas coisas, e assim se eles negligenciam a necessidade de buscar misericórdia e perdão pela graça, para a remoção delas, e se não buscarem uma renovação diária à imagem de Deus, eles estarão renunciando a tudo o que é necessário para o propósito de se viver de modo agradável a Deus.
Portanto, sem um conhecimento e uma compreensão devida destas coisas, nenhum homem pode pedir em oração como deve, porque ele é um estranho para o assunto da oração, e não sabe pelo que deve orar.
Não conhece a natureza decaída no pecado que possui, não entende como a obra de Jesus e o trabalho do Espírito Santo operam em favor da nova natureza, e assim, não pode ser eficaz em suas orações, quanto ao que se refere à vida espiritual, e será achado apresentando a Deus somente motivos carnais que não são de qualquer proveito, segundo a sua mente carnal o dispõe a isto.
Mas este conhecimento da realidade espiritual, celestial e divina, nós não podemos atingir de nós mesmos.
A natureza está corrompida e assim não pode entender a sua própria corrupção.

O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 8


O coração é a mais corrompida de todas as coisas que há no mundo, e somente Deus conhece esta corrupção do coração humano na exata compreensão da sua natureza, profundidade e gravidade.
Somente o Espírito Santo pode nos dar uma convicção devida, e uma perspicácia espiritual para a compreensão destas coisas.
Mas esta ignorância inata à natureza do verdadeiro estado do coração é a causa da esterilidade na oração mesmo daqueles que foram regenerados e renovados pelo Espírito Santo, com os seus frutos, conseqüências e efeitos, de maneira que raramente eles podem cumprir o dever de orar sem cessar que está prescrito a eles pelo Senhor.
E eles podem se satisfazer também por isso com um mero jogo de palavras bem compostas, no qual eles poderiam discernir facilmente que eles não expressam nele a sua real condição, tanto para a aproximação do Senhor pela fé completa em Jesus Cristo, e para a sua progressiva transformação no crescimento espiritual operado pelo Espírito Santo.
Isto decorre do fato de que ninguém pode orar como convém sem nenhuma iluminação espiritual que é recebida somente quando nos submetemos à instrução e direção do Espírito Santo. Primeiro temos que aprender do Espírito as coisas relativas a Cristo e à nossa vida nEle, para que possamos interceder segundo a mente do Espírito não somente em nosso próprio favor, como também ao de outros.
Então a resistência à ação do Espírito Santo é a principal causa do endurecimento espiritual a que nos referimos e que por sua vez produzirá esterilidade naquilo que chamamos de orações.
Esta corrupção da natureza tem a ver também com os nossos afetos, que são expressões de nossas almas e não dos nossos espíritos.
O pecado original fez com que o homem se tornasse carnal, isto é, ele passou a ser governado pelos desejos da sua alma e não pelo seu espírito.
Deus é espiritual porque é espírito, e o homem, para ter comunhão com Deus deve ser também espiritual, isto é, deve ter o governo do Espírito sobre o seu próprio espírito, e agir conforme a mente de Cristo.
A alma animal, ou seja, natural, busca apenas o que é natural, as coisas terrenas, mas o espírito governado pelo Espírito inclina-se para as coisas espirituais, celestiais e eternas. Por isso não é possível adorar a Deus senão somente em espírito.
Acrescente-se que estes afetos da alma têm uma aversão natural pelas coisas que são espirituais e divinas, porque a operação básica do pecado é exatamente esta oposição à vontade de Deus, de maneira que Paulo afirma que a carne não está sujeita à lei de Deus e nem mesmo pode estar.
Estas disposições da alma que prevalecem sobre o espírito são enganosas e gostam de superstições e produzir noções falsas de adoração, especialmente aquelas que produzam prazer e o estímulo das emoções.
Não é portanto para se estranhar que haja tanta falsa adoração debaixo do nome de adoração a Deus, que não é na verdade e em espírito, mas meras manifestações de emocionalismo produzidas por uma mente carnal estimulada por coisas naturais, como música estimulante, apelos persuasivos para prosperidade etc.
Por isso se exige além de que seja adoração em espírito, que seja também em verdade, isto é, baseada na Palavra de Deus, e na sinceridade de nossos corações em reconhecer a corrupção que há neles e a completa dependência do Espírito Santo para revelar estas inumeráveis superstições e enganos que são produzidos pela carne debaixo do nome de adoração.
Sem esta iluminação espiritual do Espírito Santo estas coisas não podem ser descobertas (I Cor 2.14).
E o que dissemos a respeito do pecado, se aplica também a Deus e a Cristo, porque também necessitamos da iluminação do Espírito para entender a aliança, a graça, a santidade e os privilégios espirituais dos crentes.
Nós não temos inatamente nenhuma concepção espiritual sobre eles, nenhum entendimento correto deles, senão somente aquilo que nos tiver sido revelado pelo Espírito. E sem um conhecimento destas coisas qual é o significado que podem ter as nossas orações?
Eu digo com o apóstolo Paulo que nós devemos orar com nosso entendimento, isto é, nós devemos entender o que nós oramos. Nós devemos então conhecer o que Deus nos tem prometido na Palavra. Devemos conhecer a verdade, para podermos não somente adorar, mas também orar em espírito e em verdade.
Nós devemos conhecer as coisas que Deus preparou para nós, conforme dizer de Paulo em I Cor 2.9 para orar em conformidade com estas coisas preparadas, e que nos são ensinadas pelo Espírito, quanto ao seu verdadeiro significado, tal como se encontram reveladas na Bíblia.
Quando os homens não conhecem as promessas de Deus eles não sabem pelo que orar, e assim são forçados a recorrerem a uma repetição confusa dos mesmos pedidos.
Então nós temos que procurar saber por qual modo e meios nós podemos chegar a ter um conhecimento destas promessas que todos os crentes têm em alguma medida, uns mais do que outros, mas todos numa suficiência útil.
E isto, nós afirmamos, é pelo Espírito Santo, sem cuja ajuda nós não podemos sequer entender o que está contido nelas.
Eu confesso que alguns, mediante leitura freqüente da Bíblia, com a simples ajuda de uma boa memória, podem expressar as promessas de Deus em suas orações, sem qualquer conhecimento espiritual relativo à graça que elas contêm, mas esta recordação de palavras não pertence ao trabalho especial do Espírito Santo provendo os corações e mentes dos crentes no assunto da oração.
Porque o que Ele faz é abrir os olhos dos crentes lhes dando compreensão e Sua iluminação nas mentes deles, de maneira que eles perceberão como as coisas foram preparadas por Deus para eles, e conforme estão contidas nas promessas do evangelho; e as apresentará na beleza delas, glória, doçura e encanto para suas as almas.
Ele faz com que os crentes vejam os frutos da mediação de Cristo neles, e todo o efeito da graça e do amor de Deus neles; a excelência da misericórdia e do perdão, a graça da santidade, de um novo coração, e um genuíno e adequado temor de Deus, e honra do Seu santo nome, e todas as demais disposições, inclinações, e ações que são propostos aos crentes com base na verdade e fidelidade de Deus.
É por isso que o apóstolo instruiu a igreja de Corinto quanto ao fato de que os dons sobrenaturais do Espírito Santo, especialmente o de línguas desconhecidas edifica o espírito daquele que fala ou ora em línguas, mas a mente dele fica infrutífera porque não sabe o que está falando em mistérios, nem aqueles que o ouvem, de maneira que não podem acrescentar o amém à oração que estiver fazendo em línguas, de sorte que o apóstolo exortou aquela igreja a buscar entendimento da Palavra de Deus de maneira que também orasse com a mente com palavras inteligíveis às quais a igreja pudesse acrescentar o seu amém.
Ele não estava de maneira alguma desencorajando o falar em línguas, mas fixando o princípio que é preciso conhecer as coisas que nos foram prometidas gratuitamente por Deus em Cristo Jesus, para que possamos orar e louvar a Deus com o pleno entendimento destas coisas reveladas.


O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 9

O que nós falamos em relação à promessas deve ser aplicado também aos preceitos ou mandamentos de Deus.
Estas são de certa forma as questões das nossas orações, tanto em relação à confissão quanto à súplica; e assim sem um entendimento correto destes mandamentos nós não podemos executar o dever da oração de maneira adequada.
O Espírito manterá nossos corações inclinados para guardar a lei.
Mas a lei de Deus é espiritual, e por isso precisamos também da graça do Espírito para sermos iluminados além da letra da lei, para apreender o espírito que há na lei.
E onde isto está presente a mente estará verdadeiramente provida com o verdadeiro assunto da oração, porque quando o espírito tem aprendido a espiritualidade e santidade da lei, em sua extensão até a disposição interior dos nossos corações, como também nas ações externas, e sua santidade e justiça absolutas que são requeridas, em conformidade a Deus, a toda hora e em todas as coisas, então se aprenderá a viver de modo irrepreensível.
E conseqüentemente haverá aquelas confissões de pecados, nos melhores e na maioria dos crentes santos que aqueles que não entendem estas coisas zombam delas e as desprezam.
Isto significa que o Espírito Santo nos ajuda a orar, provendo-nos com o assunto devido e próprio de súplicas, nos familiarizando e influenciando nossos corações com a espiritualidade dos mandamentos.
Aquele que é instruído nisto pelo Espírito estará preparado em todas as ocasiões a confessar e a se humilhar, como também terá um senso correto da graça e misericórdia nas quais nós estamos firmes em relação à obediência que é requerida de nós, porque Cristo morreu para nos apresentar santos, inculpáveis e irrepreensíveis perante Deus, e tem derramado a Sua graça para operar em nós tal propósito.
Assim o Espírito Santo é quem nos ajuda a orar pelo que convém, livrando-nos de orar por falsos e enganosos fins.
E é isto que significa a ajuda que o Espírito nos dá na oração para que oremos segundo a mente de Deus (Rom 8.27).
O Espírito nos dirige então e nos capacita a fazermos súplicas "de acordo com a mente de Deus".
E por isso é dito que Deus conhece o que o Espírito tem em mente; quer dizer, o fim dEle e propósito nos assuntos dos pedidos que nos inspira a fazer.
A afirmação que Deus conhece a mente do Espírito em Rom 8.27, significa que Deus aprova e aceita somente o que é inspirado em nós pelo Espírito, porque, como não poderia ser de outro modo, Ele nos levará a orar somente por aquilo que for aprovado e da vontade de Deus.
E há muito que está implícito nesta citação do apóstolo de que Deus conhece a mente do Espírito, porque Ele opera desejos e propósitos elevados, santos e espirituais nas mentes dos crentes nas súplicas que eles fazem conhecidas de Deus. O quê de nós mesmos não estamos capacitados a fazer conforme declarado em Tiago 4.3.
Assim toda oração inspirada pelo Espírito terá sempre como alvo a glória de Deus, e sem esta ajuda do Espírito, nossas orações apontariam para os próprios desejos do nosso ego em tudo o que nós fazemos, visando ao nosso próprio lucro, conforto, satisfação pessoal, de maneira que todas as nossas súplicas seriam viciadas e abomináveis para Deus, porque afinal o que conta é que seja feita a vontade dEle e não a nossa.
Nós vemos assim que onde este fins não estão presentes, o assunto da oração pode ser bom e de acordo com a Palavra de Deus, e ainda assim nossas orações serem uma abominação.
Nós podemos orar por misericórdia e graça, e pelos frutos prometidos do amor de Deus, e ainda estar faltando este fim exclusivo de suplicar para a exclusiva glória de Deus, e assim não encontrar nenhuma aceitação da parte do Senhor para as nossas súplicas.
Devemos estar bem instruídos pelo Espírito que é da vontade de Deus expulsar todos os propósitos e petições do ego, trazendo todos os desejos naturais a uma subordinação a Deus.
E voltamos a lembrar que a mente pode ter luz para discernir as coisas pela quais devemos orar, e ainda a vontade e os afetos estarem mortos e desinteressados nelas.
Portanto, primeiramente o Espírito Santo trabalha em nós como um Espírito de graça e súplica, e Ele trabalha na vontade e nos afetos para agirem obedientemente a Deus e no que diz respeito às nossas orações.
Assim, quando Ele é derramado como um Espírito de súplica, Ele nos enche com tristeza e lamento pelo estado em que nos achamos perante Deus, como pecadores destituídos da Sua glória, que necessitam da Sua graça para serem aceitos por Ele.
O Espírito nos convence de que é necessário ter o coração purificado de toda má consciência e o corpo lavado com água pura, e uma fé não fingida, para que possamos entrar no Santo dos Santos. E como não somos suficientes de nós mesmos para tais coisas, o Espírito nos assiste na nossa fraqueza, e faz isto em tal profundidade que não podemos explicar este Seu trabalho com palavras, senão somente exprimir a força e paz que recebemos dEle com gemidos inexprimíveis.
Isto porque verdadeiramente é algo sobrenatural que transcende o natural, dando-nos uma visão do trono da graça (Hb 4.16), não por imaginação carnal, mas por iluminação espiritual.
Quando a mente e o espírito realmente oram nós vemos o invisível (Hb 11.27) porque a fé é a evidência de coisas não vistas.
Então é pela oração que nós nos dirigimos ao trono da graça para acharmos misericórdia e graça no tempo da necessidade.
Assim o dever da oração é descrito pelo seu interesse imediato que é misericórdia e graça, e pelo seu único objetivo, que é Deus no Seu trono de graça.
E o autor de Hebreus apresenta este trono de graça no lugar onde se encontra erigido, isto é no Santo dos Santos celestial, no qual nós temos coragem para poder entrar por causa do sangue de Jesus (Hb 10.19).
E por este meio o autor de Hebreus nos mostra que a expressão trono de graça tem relação ao propiciatório da arca da aliança, coberto com os querubins, por causa da manifestação especial de Deus em Seu trono, sendo que aquela era uma representação da graça de Jesus Cristo, senão do próprio Senhor Jesus que é o caminho que nos dá acesso à presença de Deus, enquanto achamos graça e misericórdia para a nossa condição de pecadores.
Então Deus no trono de graça é Deus com uma prontidão por causa de Jesus Cristo, para dispensar graça e misericórdia aos pecadores suplicantes.
Mas quando o Senhor vier executar julgamento o Seu trono é representado não como trono de graça, mas de juízo (Dn 7.9,10). E a base do juízo será exatamente o desprezo da graça e misericórdia que foram oferecidas gratuitamente aos pecadores em Cristo Jesus.

O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 10

Tudo o que se refere às realidades espirituais pode ser discernido somente pelo Espírito Santo, e de igual modo portanto, somente pelo Espírito podemos achar deleite e paz na visão espiritual do trono da graça.
Por isso Paulo orava pela igreja para que pudessem receber tal revelação da riqueza da glória da herança deles em Cristo Jesus (Ef 1.17,18).
"17 Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento espírito de sabedoria e de revelação;
18 Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;" (Ef 1.17,18).
E nós temos visto fartamente quem é este espírito de sabedoria e de revelação e que ilumina os olhos do nosso entendimento: o Espírito Santo.
Todo conhecimento que nós temos de Deus, é feito a nós pela revelação do Espírito Santo.
E como já vimos antes uma das principais formas deste conhecimento de Deus que é feito pelo Espírito se refere ao fato de conhecê-lo como Pai, porque, pelo Espírito podemos dizer "meu Pai". "Abba Pai".
E isto implica que temos liberdade para fazer conhecidas de nosso Pai todas as preocupações que temos neste mundo, através da oração.
Não devemos esconder nada de Deus porque Ele tem um profundo interesse em tudo o que se relaciona aos Seus filhos como uma Pai zeloso e bom. Daí a razão da exortação do apóstolo à Igreja:
"6 Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.
7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus." (Fp 4.6,7).
Devemos lembrar que antes que o pecado tivesse entrado no mundo, Adão conversava aberta e livremente com Deus todos os dias, mas foi por causa do pecado que herdamos este sentimento de nos escondermos de Deus e especialmente aquilo em que pecamos, mas em Jesus Cristo fomos reaproximados no modo daquela relação original que o homem tinha com Deus antes do pecado, e assim podemos e devemos ser completamente abertos e sinceros diante dEle, porque nisto se encontra o deleite do próprio Deus, porque é do Seu agrado ter comunhão conosco na base de filhos que confiam inteiramente no Seu Pai e que se tornam os seus confidentes.
Não escondamos portanto de Deus tudo o que se refira à nossa real condição, até porque Ele tudo sabe e conhece antes mesmo de acontecer, em razão da Sua onisciência e presciência.
Não nos escondamos portanto atrás das árvores da nossa consciência, assim como Adão fizera no jardim do Éden, quando pecou, porque o Senhor vem à nossa procura oferecendo redenção e perdão, esperando tão somente que sejamos sinceros e confessemos as nossas culpas.
E a confiança de que podemos de fato agir desta forma não é encontrada em nós mesmos, mas no Espírito Santo que nos foi dado, e pelo qual podemos clamar Abba Pai.
Ele nos ajuda nesta aproximação confiante de Deus, e faz com que tenhamos real deleite e coragem em nossas orações.
Se temos a Deus por Pai, e se fomos criados para esta relação filial em obediência amorosa, então é um dever, conforme Jesus ensinou, orar sempre sem nunca desfalecer, ainda que em face de toda a oposição que possamos experimentar neste mundo, seja ela decorrente de condições naturais ou sobrenaturais.
Nós somos exortados a ter confiança na oração na aproximação do trono de graça porque nossa aceitação por Deus nunca foi e jamais estará baseada em nós mesmos, mas em Jesus Cristo que é o único modo e meio de nossa aceitação por Deus.
E é também o Espírito Santo quem nos convence desta grande verdade.
Enquanto nossos olhos espirituais não forem abertos pelo Espírito, tenderemos a buscar em nós mesmos motivos para sermos aceitos por Deus, mas à medida que progredimos no conhecimento de Jesus, e crescemos na Sua graça, pelo trabalho do Espírito Santo em nós, podemos ver claramente que Ele é a base segura da nossa aproximação, porque é pelo Seu sangue derramado na cruz que podemos entrar no Santo dos Santos, assim como isto estava prefigurado no Antigo Testamento com a entrada do sumo sacerdote no Santo dos Santos do tabernáculo e do templo, para aspergir o sangue da expiação sobre o propiciatório, e ele não poderia entrar ali, de maneira alguma, sem o sangue da expiação.
O trabalho de mediação de Jesus em todas as nossas orações é merecedor de um capítulo à parte, mas não é para ser considerado presentemente, porque nós estamos estudando somente sobre o trabalho do Espírito na oração.

O Trabalho do Espírito Santo na Oração

Por John Owen (adaptado)

P 11

Finalmente, focalizaremos o dever da oração conforme está expressado em Efésios 6.18: "Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos,".
Este orar no Espírito é entendido por muitos como sendo apenas uma referência a um dom extraordinário e miraculoso; mas o seu uso é ordenado aqui a todos os crentes, sem qualquer exceção, e é sem sombra de dúvida que nem todos eles possuem o dom extraordinário e miraculoso que os tais afirmam, porque sabemos que os dons do Espírito são distribuídos conforme Lhe apraz, e não sabemos de nenhum crente que possua todos os dons do Espírito, e isto é uma evidência que há de fato uma repartição soberana destes dons.
E o modo de execução deste dever de orar no Espírito é também prescrito pelo apóstolo, a saber: em todo o tempo, isto é, sempre.
Então há uma oração no Espírito que é o dever constante de todos os crentes, e é um grande pecado desprezar tal ordenança.
É ordenado também que esta oração no Espírito em todo o tempo seja com toda a oração e súplica, isto é, com todas as formas de oração, requeridas nas ocasiões e necessidades apropriadas.
Isto é plenamente possível porque o Espírito age como um Espírito de graça e súplica (Zac 12.10) e nos foi prometido por Deus exatamente para agir desta forma.
Deus tem projetado o exercício da graça através da oração e por todos os demais meios para o seu crescimento nos crentes, e tem dado a Sua bênção como resposta à Sua própria instituição.
Mas a natureza da oração requer a realização do dever de modo adequado conforme a condição que Deus estabeleceu, e se os homens não se exercitam nisto estão pecando diante do Senhor, que lhes tem ordenado que o façam para o cumprimento daquilo que Ele tem determinado, especialmente em relação ao amadurecimento espiritual, que não poderá ser alcançado sem o exercício da graça pelos meios que Ele tem prescrito: oração incessante e perseverante no Espírito, meditação na Palavra, adoração, comunhão etc.
E é ordenado também em Ef 6.18 que se ore com toda a vigilância, perseverança e súplicas por todos os santos, isto é, nos é ordenado que oremos para a edificação e benefício da Igreja.
E para que seja colocado o amém da congregação na oração que é feita vocalmente por todos os santos, é necessário que esta oração seja em palavras inteligíveis, isto é, deve ser oração com a mente e não somente com o espírito, de maneira que todos saibam pelo que se está intercedendo.
Nós não estamos dizendo que todo aquele que tem recebido o Espírito de graça e súplica tem necessariamente que ter um dom que lhe permite orar como um ministro na congregação, ou qualquer pessoa em igual ocasião solene. Não, mas todos os crentes têm esta habilidade de orar no Espírito. E Deus fará com que esta habilidade cresça na medida em que sejam obedientes no exercício do dever de orar.
Os indolentes, os negligentes, os medrosos e aqueles que estão debaixo de preconceitos, não terão qualquer parte nesta misericórdia.
Consideremos também que a oração vocal é um dever tanto em privado quanto em público porque os ministros do evangelho, em virtude do seu ofício especial devem fazer súplicas, orações e intercessões por todos os homens, com ações de graças, no culto público (I Tim 2.1).
Os ministros são como a boca de Deus diante da Igreja.
Por isso os apóstolos consagraram-se inteiramente à oração e ao ministério da Palavra (At 6.4) porque os ministros estão encarregados por Deus pela execução deste dever.
E os ministros são habilitados pelo Espírito Santo com a recepção do dom especial que lhes capacita ao exercício do dever deles.
E este dom que eles receberam é para o aperfeiçoamento dos santos, para o trabalho do ministério, para a edificação do corpo de Cristo (Ef 4.12).
Então pregar e orar vocalmente é um dom do Espírito Santo para o exercício do ofício deles, e assim, aqueles que não têm o dom do Espírito, não pertencem ao ofício do ministério.

John Woen

Escalar o pico Everest é uma aventura física; escalar
o monte de oração é um desafio espiritual, sem tirar os pés da terra.

Helgir Girodo

Dons espirituais: Uma Implicação para a Oração não Respondida

Por John Piper

Em primeiro lugar, vamos nos lembrar de algumas verdades sobre os dons espirituais de 1 Coríntios 12. Então, vamos notar uma implicação simples para a oração não respondida.
1. Deus quer que nós saibamos sobre os dons espirituais.
“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1 Coríntios 12:1).
2. Verdades objetivas sobre Jesus dominam experiências espirituais pessoais .
“Ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: "Jesus seja amaldiçoado"; e ninguém pode dizer: "Jesus é Senhor", a não ser pelo Espírito Santo.” (1 Coríntios 12:3).
3. Diferentes Cristãos possuem diferentes poderes espirituais dados a eles pelo Espírito Santo.
“Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo.” (1 Coríntios 12:4).
4. Por exemplo, estes diferentes poderes espirituais incluem os seguintes:
"Sabedoria . . . conhecimento . . . fé . . . cura . . . milagres . . . profecia . . . dom de discernir os espíritos . . . línguas . . . interpretação de línguas" (1 Coríntios 12:8-10).
5. O Espírito de Deus é soberano sobre quando e para quem Ele dá tais poderes.
“Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, conforme quer.” (1 Coríntios 12:11).
6. O objetivo de todos os dons é o bem comum da igreja.
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum.” (1 Coríntios 12:7).
7. A variedade de dons é como a variedade das partes do nosso corpo, tais como meus olhos e ouvidos, mãos e pés.
“O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos.” (1 Coríntios 12:14).
8. Portanto, se um poder espiritual não é usado, é como o corpo humano que não ouve.
“Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição?" (1 Coríntios 12:17).
9. Portanto, devemos nos beneficiar dos poderes espirituais que Deus nos dá por meio de outros.
“O olho não pode dizer à mão: “Não preciso de você" (1 Coríntios 12:21).
Agora, considere as implicações disso para a oração não respondida. Há mais do que uma razão pela qual nós podemos orar pelas coisas e ainda não recebê-las. As razões podem incluir 1) Porque nós não confiamos em Deus (Tiago 1:6); 2) Porque a resposta não iria glorificar a Cristo e nos santificar, na mesma medida que outra coisa iria (2 Coríntios 12:8-10); 3) Porque a resposta está vindo mais tarde do que pensamos (José esperou 13 anos antes de ver uma razão para as suas aflições, Gênesis 37-50).
Mas, aqui há uma razão pela qual não refletimos com frequência. Deus pode ter a intenção de nos dar a bênção que almejamos não diretamente em resposta à oração, masindiretamente em resposta à oração — através do dom espiritual de outro crente. E a razão pela qual nós não recebemos a bênção é porque não nos beneficiamos do poder que Deus pretende canalizar através dos dons de Seu povo.
Por exemplo, os dons que Paulo menciona incluem sabedoria e curas e milagres. Isso implica que Deus quer que, algumas vezes, sabedoria, cura e outros tipos de milagres entrem em nossas vidas através de outros crentes ministrando para nós. Se isso não fosse verdade, não haveria razão em ter dons espirituais. Eles são uma maneira de Deus promover o "bem comum" da igreja.
Se orarmos e orarmos por alguma mudança que queremos ver, mas nunca considerarmos buscar o ministério de um irmão, nós somos como o olho que diz à mão, "Não preciso de você!" (1 Coríntios 12:21).
Portanto, em seus pequenos grupos (o qual é o lugar mais natural para tal ministério acontecer), busque a plenitude do "bem" de Deus (1 Coríntios 12:7), e ministre uns aos outros — e busque ser ministrado — nesta maneira.
Buscando toda a plenitude Dele com vocês,
Pastor John

John Piper

A oração é o energético necessário para o nosso fortalecimento espiritual e não há contra indicações, porque em casos de doses excessivas, maior será o seu crescimento

Jader Amadi