Nascimento de Neném

Cerca de 430 frases e pensamentos: Nascimento de Neném

Lágrimas

Toda lágrima que cai...

Cai pela Dor do Nascimento,
Cai pela felicidade do sorriso,
Cai pela eternidade da perda,

Toda Lágrima cai...

Pelo anseio do retorno,
Para alegria da família,
Por ser Amado,
De tristeza da partida,
Partida do coração,
Da amizade ferida,

Toda Lágrima cai...

De desespero,
Cai pela angustia,
Para alivio,
Da Cura da Alma,
Do Coração batido por parar,
Do Dia que Nasce,

Toda Lágrima cai...

No desabafo,
Na insegurança,
Amparo do Pai da Mãe,
Par a desprezo de todos,

Toda Lágrima cai...
Na felicidade de um colo,
No gesto de bondade,
Do Dia que Renasce...
Para Simplesmente Agradecer!...
A Deus.

Celso de Oliveira Souza

Em nossa caminhada é preciso sempre esta em crescente Re-nascimento.Devemos aprender a nos re-ciclar, sempre, inovar pra viver. Não importa se será dia de sol, se frio, se chuva, se vendaval, eu tenho que seguir adiante, pra cima,pro alto.

Nilton Mendonça

O nascimento
de uma criança
é tão trágico
que ela chora e...
implora:
“deixa eu voltar ao meu
desterro!”

JMEL PENSADOR

O nascimento de Jesus foi um milagre, não de Maria ou de homem algum, foi um milagre de Deus, que sendo seu filho maior do que tudo, diminuiu e veio flutuar no ventre da virgem. A lição, o ensinamento é diminuir, se esvaziar, para se tornar grande.

Carlos Adriano

Se me perguntarem o dia que nasci, irei olhar para a data do meu nascimento , mas se me perguntar em que dia eu ganhei vida, irei olhar para você

Lucas Lima

Em todos os anos no mês de Dezembro, comemoramos o nascimento de Jesus. Cada um, a sua maneira, procura passar o melhor Natal possivel.
Para poucos, muita fartura... Para muitos, enormes dificuldades... E para outros, alguma reflexão.
É sobre esta reflexão que quero falar um pouco com você!
Fico pensando: porque? Ou, para que? Comemora-se o nascimento de Jesus.
Percebi facilmente que na verdade a grenade maioria da spessoas nem se lembra do aniversariante. Arrisco-me a dizer que não é muito diferente quando vamos a qualquer aniversário.
Pois muito bem... acho que já ouvimos alguém dizer:
- "Deixe Jesus nascer dentro de você!".
Como poderia Jesus nascer dentro de mim?
Conclui que todos nós temos várias sementes de coisas "boas" dentro de nós que de alguma forma recebemos, guardamos, e infelizmente, por falta de tempo ou prioridade, não deixamos nascer. Não seria agora em Dezembro, que é o mês do nascimento de Jesus, o momento ideal para escolhermos uma para deixá-lo nascer?
Proponho que, a cada ano, cultivemos uma destas sementes que foi escolhida. Mas precisamos cuidar o tempo todo durante os 365 dias, por que se não fizermos, em janeiro mesmo ela morrerá!
Parece fácil, não é mesmo?
Imagine que você escolheu a semeste da paciência, que nós sabemos o quanto é importante. Já pensou você, o ano inteiro, cuidando dela, ver ela crescendo, e quem sabe até dando frutos?
Existem também outras sementes que eu tenho certeza que passaram pela sua mente agora não é mesmo? Pois bem, sugiro agora seja escolhida apenas uma de cada vez para que você possa cuidar dela o melhor o possível, para que ela se desenvolvae frutifique no tempo certo.
Se você for um bom "agricultor", escolha uma a cada Dezembro...
Tenho uma idéia: sabe quem pode nos ensinar como cuidar das nossas sementes? O próprio aniversariante!
Finalmente, penso que podemos passar a chamar o mes de Dezembro de "O Mês dos Nascimentos", e não "O Mês das Festas e Exageros".

Que Deus os ajude!

Getúlio Barsand

A vida tem dois caminhos:
- Nascimento e Morte.
O que voce fizer no percurso é que vai destinar a tua sorte!

Lu Lena

O nascimento de Jesus, celebrado no Natal, é a plena encarnação da graça divina a nos fazer convite. Em vez de reclamar dos males do mundo, em vez de procurar culpados e elencar inimigos, seu chamado nos desafia à transformação da realidade onde quer que pisem os nossos pés.

Marco André Regis

Vamos Celebrar

Hoje é noite de alegria
Vamos todos celebrar
O nascimento de Jesus
Vamos juntos comemorar,

Todas as pedras do Caminho ,
um dia ele retirou ,
Deixando livre a tua estrada
Como prova de amor ,

É natal é alegria
mais um ano se passou ,
Más tuas palavras não passam ,
E tua historia ficou .

joaquim gomes alves

Comentário do Evangelho

Lucas e Mateus, começando seus evangelhos com a narrativa do nascimento de Jesus na cidade de Belém, vinculada à memória de Davi, têm a intenção de atribuir a Jesus uma origem davídica. Nos evangelhos de Marcos e de João não há referências ao nascimento em Belém. Lucas destaca as condições de despojamento e pobreza neste nascimento. Enquanto Mateus narra a visita dos magos do oriente trazendo ricos presentes, Lucas narra a visita dos humildes pastores em vigília dos rebanhos de seus patrões. Lucas é o evangelista dos pobres amados por Deus. Em um mundo marcado pelas injustiças dos poderosos, o povo oprimido vislumbra a libertação e a vida plena

Jaldemir Vitório, padre

Hoje, dia 25.12.2012, Terça-feira, é Natal! Natal, quer dizer nascimento, qual seja, nascimento do Menino Jesus, que veio ao Mundo para nos salvar. Jesus Cristo nasceu em Belém de Judá, segundo a Bíblia Sagrada, e, Belém, significa em hebraico, a Casa do Pão, Casa do Pão Sagrado que é Jesus Cristo, que veio ao mundo para mudar o rumo das coisas que até então não andavam muito boas. Se olharmos ao nosso lado, veremos também que as coisas ultimamente não andam dentro dos conformes, basta olhar os noticiários dos Jornais e TVs, para a gente se assustar com tantas coisas ruins acontecendo por esse mundão afora, tudo por falta ou ausência total de Jesus Cristo no meio daqueles que não acreditam em nada, ou só acreditam nas coisas materiais, querendo a todo custo juntar mais e mais, para poder dizer que é o todo poderoso e o melhor de todos, se esquecendo que os bens deste mundo são apenas deste mundo, pois, ninguém leva dinheiro ou bens diversos para a eternidade, somente levamos as coisas boas ou ruins que aqui na terra fizemos ou deixamos de fazer. Que neste Natal, possamos voltar os nossos pensamentos para as coisas do alto, fazendo tudo aquilo que Jesus Cristo nos legou aqui na Terra, e, com certeza, o Mundo será bem melhor e a Paz tão esperada por todos nós reinará para sempre em nossas vidas, assim o espero. Feliz Natal e Próspero Ano Novo para todos os amigos e amigas de Facebook! Abraços fraternos.

Luiz Maria Borges dos Reis

Já que o Natal representa o nascimento de Jesus. Que hoje renasça dentro de cada um características que se perderam com este mundo tão moderno: Sinceridade, Respeito, Fé e amor próprio.

Que as pessoas se tornem menos orgulhosas e prepotentes. Que deixem de pensar somente em si mesmas!!

Espero que o amor volte aos corações dos seres humanos. Que a beleza e os interesses financeiros ou de status não estejam na frente dos relacionamentos.

E por fim que os filhos voltem a respeitar os seus pais!!!!

Feliz Nascimento de um novo eu, um novo você!!!

Leonel Corrêa Costa

Então ta chegando a hora de comemorar o nascimento de Jesus, dia em que se renova as esperanças, os desejos e os votos, esperança pra uma nova etapa em nossas vidas, dia em que não existe inimigo, desafeto, dia em que todos desejamos o bem para nossos pares (pena que é só hoje), não existe dia igual no ano que exista tamanha saudade de quem se foi, de quem partiu e não voltou ou de simplesmente lembrar mais daqueles que não esquecemos, mesmo que façamos muita força pra esquecer, pois a presença em nossas vidas foi por demais marcante, é isso, eu lembro dos meus parentes que estão longe e que eu finjo que não fazem falta (TO DIZENDO QUE VCS FAZEM FALTA), lembro dos Fernando e Rafael, amores da minha vida, foram vcs que deram sentido a vida sem graça que eu tinha, quando me deu os filhos lindos que eu tenho, lembro dos meus amigos que moram longe e dos que fiz e ainda não os conheci pessoalmente, lembro das perdas irreparáveis que tivemos (as perdas dos meus amigos são minhas perdas), mas hoje é dia de FESTA, dia de ALEGRIA, e eu desejo do fundo do meu coração, que todos tenham uma noite abençoada (EU TEREI COM MINHA FAMILIA)e um ano novo prospero, que não nos falte batalhas pra gente, nem esperança, pois a vida é feita disso!!!! E EU AMO VCS TODOS

Marina Ribeiro.

Cresci em uma família Católica, cumpri todos os
rituais do meu nascimento à vida adulta de acordo com as cobranças da sociedade, mas durante minha vida tomei conhecimento sobre todos os crimes e roubos praticados no passado e no presente em nome de Deus, dai em diante comecei a ter muitas duvidas sobre a possibilidade desse Deus ter sido criado para controlar as pessoas, comecei a pesquisar mais, foi quando percebi que a própria Bíblia foi criada, copiada, alterada, auditada e censurada por homens que diziam estarem tomados pelo espirito santo e ou em nome do mesmo Deus.
Procurei igrejas onde todos sentiam, conversavam e enxergava a Deus, menos eu.
Me entreguei procurando acreditar na palavra, mas não consegui encontra.
Como acreditar?
Porque acreditar?
Estou confuso e não encontro respostas, todas as pessoas citam a Bíblia e se eu não consigo confiar do mesmo jeito que as pessoas na Bíblia o que faço?
Tem alguma resposta?
Pode me ajudar?

Sergio

Sergio Torrubia

O cair da chuva para a renovação do ar, o surgimento do sol a cada manhã e o nascimento de novas vidas, vem sempre agigantada de uma nova mensagem de esperança.
(para Cecília)

Teresa Teth

A ideia é um óvulo fecundado pela atitude. O nascimento desse parto consiste na reflexão, colocando em prática toda a gestação mental.

Joni Baltar

O maior consolo da dor e do sofrimento é a certeza que seu fim é um novo nascimento

Fábio Cunha Silva

Nascimento dos Filhos de Jacó Gênesis 30

“1 Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão eu morro.
2 Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel; e disse: Porventura estou eu no lugar de Deus que te impediu o fruto do ventre?
3 Respondeu ela: Eis aqui minha serva Bila; recebe-a por mulher, para que ela dê à luz sobre os meus joelhos, e eu deste modo tenha filhos por ela.
4 Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a conheceu.
5 Bila concebeu e deu à luz um filho a Jacó.
6 Então disse Raquel: Julgou-me Deus; ouviu a minha voz e me deu um filho; pelo que lhe chamou Dã.
7 E Bila, serva de Raquel, concebeu outra vez e deu à luz um segundo filho a Jacó.
8 Então disse Raquel: Com grandes lutas tenho lutado com minha irmã, e tenho vencido; e chamou-lhe Naftali.
9 Também Léia, vendo que cessara de ter filhos, tomou a Zilpa, sua serva, e a deu a Jacó por mulher.
10 E Zilpa, serva de Léia, deu à luz um filho a Jacó.
11 Então disse Léia: Afortunada! e chamou-lhe Gade.
12 Depois Zilpa, serva de Léia, deu à luz um segundo filho a Jacó.
13 Então disse Léia: Feliz sou eu! porque as filhas me chamarão feliz; e chamou-lhe Aser.
14 Ora, saiu Rúben nos dias da ceifa do trigo e achou mandrágoras no campo, e as trouxe a Léia, sua mãe. Então disse Raquel a Léia: Dá-me, peço, das mandrágoras de teu filho.
15 Ao que lhe respondeu Léia: É já pouco que me hajas tirado meu marido? queres tirar também as mandrágoras de meu filho? Prosseguiu Raquel: Por isso ele se deitará contigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.
16 Quando, pois, Jacó veio à tarde do campo, saiu-lhe Léia ao encontro e disse: Hás de estar comigo, porque certamente te aluguei pelas mandrágoras de meu filho. E com ela deitou-se Jacó aquela noite.
17 E ouviu Deus a Léia, e ela concebeu e deu a Jacó um quinto filho.
18 Então disse Léia: Deus me tem dado o meu galardão, porquanto dei minha serva a meu marido. E chamou ao filho Issacar.
19 Concebendo Léia outra vez, deu a Jacó um sexto filho;
20 e disse: Deus me deu um excelente dote; agora morará comigo meu marido, porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom.
21 Depois. disto deu à luz uma filha, e chamou-lhe Diná.
22 Também lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a tornou fecunda.
23 De modo que ela concebeu e deu à luz um filho, e disse: Tirou-me Deus o opróbrio.
24 E chamou-lhe José, dizendo: Acrescente-me o Senhor ainda outro filho.
25 Depois que Raquel deu à luz a José, disse Jacó a Labão: Despede-me a fim de que eu vá para meu lugar e para minha terra.
26 Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e deixa-me ir; pois tu sabes o serviço que te prestei.
27 Labão lhe respondeu: Se tenho achado graça aos teus olhos, fica comigo; pois tenho percebido que o Senhor me abençoou por amor de ti.
28 E disse mais: Determina-me o teu salário, que to darei.
29 Ao que lhe respondeu Jacó: Tu sabes como te hei servido, e como tem passado o teu gado comigo.
30 Porque o pouco que tinhas antes da minha vinda tem se multiplicado abundantemente; e o Senhor te tem abençoado por onde quer que eu fui. Agora, pois, quando hei de trabalhar também por minha casa?
31 Insistiu Labão: Que te darei? Então respondeu Jacó: Não me darás nada; tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho se me fizeres isto:
32 Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele todos os salpicados e malhados, e todos os escuros entre as ovelhas, e os malhados e salpicados entre as cabras; e isto será o meu salário.
33 De modo que responderá por mim a minha justiça no dia de amanhã, quando vieres ver o meu salário assim exposto diante de ti: tudo o que não for salpicado e malhado entre as cabras e escuro entre as ovelhas, esse, se for achado comigo, será tido por furtado.
34 Concordou Labão, dizendo: Seja conforme a tua palavra.
35 E separou naquele mesmo dia os bodes listrados e malhados e todas as cabras salpicadas e malhadas, tudo em que havia algum branco, e todos os escuros entre os cordeiros e os deu nas mãos de seus filhos;
36 e pôs três dias de caminho entre si e Jacó; e Jacó apascentava o restante dos rebanhos de Labão.
37 Então tomou Jacó varas verdes de estoraque, de amendoeira e de plátano e, descascando nelas riscas brancas, descobriu o branco que nelas havia;
38 e as varas que descascara pôs em frente dos rebanhos, nos cochos, isto é, nos bebedouros, onde os rebanhos bebiam; e conceberam quando vinham beber.
39 Os rebanhos concebiam diante das varas, e as ovelhas davam crias listradas, salpicadas e malhadas.
40 Então separou Jacó os cordeiros, e fez os rebanhos olhar para os listrados e para todos os escuros no rebanho de Labão; e pôs seu rebanho à parte, e não pôs com o rebanho de Labão.
41 e todas as vezes que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacó as varas nos bebedouros, diante dos olhos do rebanho, para que concebessem diante das varas;
42 mas quando era fraco o rebanho, ele não as punha. Assim as fracas eram de Labão, e as fortes de Jacó.
43 E o homem se enriqueceu sobremaneira, e teve grandes rebanhos, servas e servos, camelos e jumentos.”

Neste capítulo nós temos o registro do aumento da família de Jacó, com oito filhos ao todo: Dã e Naftali, gerados com Bila, a serva de Raquel; Gade e Aser, gerados com Zilpa, a serva de Léia; Issacar, Zebulon e Diná, através de Léia, e José, através de Raquel.
Há vários detalhes descrevendo as circunstâncias em que estes filhos de Jacó foram gerados, não para imitação, mas para advertência.
As Escrituras não foram produzidas por Deus para instruir cientistas, nem mesmo governantes e estadistas sobre os princípios de política, mas para todas as pessoas, até mesmo as piores, para dirigirem suas vidas e famílias, e delas aprendemos que mesmo na vida daqueles que trazem as promessas de bênçãos de Deus, é possível passar por sérios entraves e dificuldades, especialmente quando suas vidas não são governadas pelos princípios estabelecidos por Ele.
Aqui nós temos o registro da família de um homem, que não seguiu os passos de seu pai, e que ficou envolvido pelas circunstâncias, apesar de a bondade e misericórdia de Deus estarem sobre a sua vida, e de vir a formar a partir daqueles seus filhos gerados em condições tão conturbadas, a nação de Israel.
Jacó amava Raquel, mas a sagacidade de Labão o deixou compromissado com Léia, e o seu relacionamento com Raquel recebeu um duro golpe, pois mesmo vindo a se casarem havia aquela estranha situação que eles teriam que enfrentar, aquela dura realidade de que ele havia se casado primeiro com Léia, ainda que não voluntariamente, mas por ter sido enganado por Labão.
Como ele desprezava Léia em favor de Raquel, Deus em sua misericórdia para com Léia, compadecido pela situação em que a havia jogado o próprio pai, fez com que ela fosse fecunda, enquanto sua irmã permanecia estéril.
Aí, Raquel passou a invejar sua irmã, e a sua infelicidade e discórdia com ela, não era tanto pela sua própria esterilidade, quanto era pela fertilidade de sua irmã.
Como Léia vinha gerando filhos, Raquel não conseguia viver pacificamente com Jacó.
Raquel não estava considerando que era Deus quem estava fazendo a diferença. Neste caso a sua irmã estava sendo preferida antes dela, contudo em outras coisas ela tinha vantagem.
Deus é bom para qualquer um dos nossos semelhantes. Mas Raquel não conseguia enxergar, por causa da cegueira da inveja, que também era alvo da bondade de Deus, e assim, ela passou a sentir que o não ter filhos era o mesmo que estar morta. Ela havia fixado o seu coração inteiramente no desejo de ter filhos.
A inveja amargurada do coração de Raquel chegou a tal ponto, que ela se determinou ter filhos de Jacó através de sua serva Bila, e a prova dessa contenção com Léia está nos nomes que ela deu aos dois meninos que nasceram de Bila, o primeiro ela chamou de Dã, que significa julgamento, porque entendia que Deus havia julgado a sua causa (v 6), e o segundo ela chamou de Naftali, que significa luta, pois entendia que havia lutado com sua irmã e havia prevalecido (v 8).
Assim, havia contenda na casa de Jacó, e nós vemos o tipo de relacionamento que havia entre aqueles irmãos, a ponto de terem vendido José como escravo aos midianitas.
Houve muitas lutas e disputas internas entre as tribos, mesmo depois de estabelecidas, cada uma em seu território em Canaã, não se podendo dizer delas que chegaram a formar uma unidade federativa harmoniosa, nem entre si, nem como unidade teocrática diante de Deus.
Eles chegaram a guerrear entre si em algumas ocasiões, quer nos dias dos Juízes, quer nos dias dos reis, quando houve guerra entre o reino do Norte e o do Sul.
No final, acabou praticamente restando a tribo de Judá, porque as demais tribos foram dissolvidas pelas nações depois do cativeiro assírio, e não chegaram a guardar a sua identidade nacional, pois acabaram assimilando os costumes das nações para as quais haviam sido espalhadas.
Toda esta semente, de contendas, de discórdias começou a ser plantada nos dias do próprio Jacó, pela forma como constituiu e dirigiu a sua família.
Ele lhes ensinou os preceitos do Senhor, mas não podia ter paz em casa pelas razões anteriormente apontadas.
Léia esteve efetivamente em contenda com Raquel, porque lutou com as mesmas armas de sua irmã, pois determinou dar também sua serva Zilpa a Jacó para se prover de outros filhos por meio dela, já que não conseguia mais engravidar, e não queria que Raquel ficasse em vantagem.
Relações extraconjugais, casamentos em jugo desigual, poligamia e tudo o mais que fuja do padrão sábio divino de que o homem tenha uma só mulher e que lhe seja fiel por toda a vida, não poderá permitir que haja aquela paz a que Deus nos tem chamado (I Cor 7.15).
Sem isto é impossível ter paz no lar. É impossível ter a edificação da casa pelo Senhor, porque isto só é possível dentro dos limites que Ele próprio estabeleceu.
Quando Zilpa concebeu de Jacó a Gade e a Aser, Léia deu a este último este nome de Aser, porque significa feliz, por ter ela julgado que seus vizinhos a chamariam de abençoada.
Ora, isto não passa de um orgulho carnal que não se sustenta diante daquela verdadeira alegria, que está não em posses, conquistas, filhos, mas numa vida reta diante do Senhor.
Os caprichos de vaidade daquela contenda chegaram a tal ponto que Raquel cedeu a sua vez de coabitar com Jacó a Léia, por uma simples troca deste direito pelas mandrágoras que havia cobiçado de Rúben, filho de Léia.
Deste encontro, nasceu a Léia, Issacar. Ela concebeu ainda de Jacó outro filho e lhe deu o nome de Zebulon, e finalmente uma filha a quem deu o nome de Diná.
De todo este mal, Deus tirou o bem, porque foi com estas pessoas que ele veio a formar a nação de Israel.
Quando o Senhor tornou Raquel fecunda, ela veio a gerar aquele que seria grande diante de Deus e dos homens, a saber, José.
Se ela não teve muitos filhos, ela concebeu um que valia por muitos.
Tal como sucedeu com Ana, que era estéril; e o Senhor fizera com que ela gerasse a Samuel, que foi de uma importância extrema na história de Israel, numa hora crítica vivida pela nação.
Tendo sido formada a família de Jacó em Harã, em quase sua totalidade, pois ele viria ainda a ser pai de Benjamin, filho de Raquel, Deus começou a movê-lo para retornar a Canaã, como lhe havia prometido em Betel, que depois de ter estado em Harã o traria de volta para a terra das peregrinações de seus pais, que Ele daria à sua descendência por herança. Jacó não seria para sempre empregado de Labão.
Ele trabalharia para a prosperidade da sua própria casa, e não mais para a de terceiros, assim como Labão havia reconhecido que Deus lhe havia feito prosperar por amor de Jacó.
Ele queria retê-lo por simples interesse egoísta, não que estivesse interessado no bem e prosperidade de Jacó, mas nos seus próprios.
E assim, ele tentou pressioná-lo a continuar a seu serviço, sendo explorado por ele, como estava sendo todos aqueles anos.
O reconhecimento da bênção de Deus por parte de Labão se referia apenas às coisas materiais, pois ele continuava sendo idólatra como haviam sido todos os seus ancestrais antes dele.
Ele não havia considerado que havia uma bênção superior e melhor sobre a vida de Jacó, e não se deixara persuadir por ela, em razão do seu coração mundano, e envolvido apenas com as coisas desta vida.
Toda aquela sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo Jesus não chegou a ser do conhecimento de Labão, e na verdade, ele sequer estava interessado nelas.
Tal era a ganância de Labão que quando Jacó lhe propôs que os animais salpicados e malhados do rebanho lhes fossem dados como salário, o que fez Labão?
Ele os deu a seus filhos e fez com que fossem com tais animais bem para longe, de modo que seriam necessários três dias de jornada para alcançá-los.
Confiando inteiramente na providência de Deus, Jacó usou de um expediente para se prover de animais malhados e salpicados, como também saudáveis.
Ele pegou varas verdes e fez riscos na casca de maneira que a polpa branca ficasse exposta, e colocava estas varas diante dos animais, que quando davam crias olhando para estas varas, estas saiam listradas, salpicadas e malhadas. Certamente isto era operado por um milagre de Deus e não pelo poder daquelas varas.
Assim Jacó veio a ter um grande rebanho, a ponto de ter se tornado rico, e poderia agora sustentar a sua grande família em Canaã, por sua própria conta, conforme lhe havia capacitado a providência divina.

Silvio Dutra

O Nascimento de Isaque Gênesis 21

“1 O Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez como havia prometido.
2 Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, de que Deus lhe falara;
3 e, Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de Isaque.
4 E Abraão circuncidou a seu filho Isaque, quando tinha oito dias, conforme Deus lhe ordenara.
5 Ora, Abraão tinha cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
6 Pelo que disse Sara: Deus preparou riso para mim; todo aquele que o ouvir, se rirá comigo.
7 E acrescentou: Quem diria a Abraão que Sara havia de amamentar filhos? no entanto lhe dei um filho na sua velhice.
8 cresceu o menino, e foi desmamado; e Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi desmamado.
9 Ora, Sara viu brincando o filho de Agar a egípcia, que esta dera à luz a Abraão.
10 Pelo que disse a Abraão: Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não será herdeiro com meu filho, com Isaque.
11 Pareceu isto bem duro aos olhos de Abraão, por causa de seu filho.
12 Deus, porém, disse a Abraão: Não pareça isso duro aos teus olhos por causa do moço e por causa da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência.
13 Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto ele é da tua linhagem.
14 Então se levantou Abraão de manhã cedo e, tomando pão e um odre de água, os deu a Agar, pondo-os sobre o ombro dela; também lhe deu o menino e despediu-a; e ela partiu e foi andando errante pelo deserto de Beer-Seba.
15 E consumida a água do odre, Agar deitou o menino debaixo de um dos arbustos,
16 e foi assentar-se em frente dele, a boa distância, como a de um tiro de arco; porque dizia: Que não veja eu morrer o menino. Assim sentada em frente dele, levantou a sua voz e chorou.
17 Mas Deus ouviu a voz do menino; e o anjo de Deus, bradando a Agar desde o céu, disse-lhe: Que tens, Agar? não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está.
18 Ergue-te, levanta o menino e toma-o pela mão, porque dele farei uma grande nação.
19 E abriu-lhe Deus os olhos, e ela viu um poço; e foi encher de água o odre e deu de beber ao menino.
20 Deus estava com o menino, que cresceu e, morando no deserto, tornou-se flecheiro.
21 Ele habitou no deserto de Parã; e sua mãe tomou-lhe uma mulher da terra do Egito.
22 Naquele mesmo tempo Abimeleque, com Ficol, o chefe do seu exército, falou a Abraão, dizendo: Deus é contigo em tudo o que fazes;
23 agora pois, jura-me aqui por Deus que não te haverás falsamente comigo, nem com meu filho, nem com o filho do meu filho; mas segundo a beneficência que te fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste.
24 Respondeu Abraão: Eu jurarei.
25 Abraão, porém, repreendeu a Abimeleque, por causa de um poço de água, que os servos de Abimeleque haviam tomado à força.
26 Respondeu-lhe Abimeleque: Não sei quem fez isso; nem tu mo fizeste saber, nem tampouco ouvi eu falar nisso, senão hoje.
27 Tomou, pois, Abraão ovelhas e bois, e os deu a Abimeleque; assim fizeram entre, si um pacto.
28 Pôs Abraão, porém, à parte sete cordeiras do rebanho.
29 E perguntou Abimeleque a Abraão: Que significam estas sete cordeiras que puseste à parte?
30 Respondeu Abraão: Estas sete cordeiras receberás da minha mão para que me sirvam de testemunho de que eu cavei este poço.
31 Pelo que chamou aquele lugar Beer-Seba, porque ali os dois juraram.
32 Assim fizeram uma pacto em Beer-Seba. Depois se levantaram Abimeleque e Ficol, o chefe do seu exército, e tornaram para a terra dos filisteus.
33 Abraão plantou uma tamargueira em Beer-Seba, e invocou ali o nome do Senhor, o Deus eterno.
34 E peregrinou Abraão na terra dos filisteus muitos dias.”

A expressão de alegria de Sara em que revela que ficou inteiramente maravilhada com o fato de Deus ter-lhe dado um filho em sua velhice (21.1-7) é a mesma que acontece com todo verdadeiro cristão quando se converte, pois fica alegre e maravilhado com o fato de Deus ter-nos dado o Seu filho, a nós, imerecedores pecadores, que merecíamos senão a morte eterna.
Ele cumpriu o que prometeu aos profetas, dando-nos na plenitude do tempo, Aquele que é toda a nossa esperança e alegria. A providência divina deve ser de fato reconhecida e louvada.
O próprio Abraão, em reconhecimento e gratidão a Deus pela bênção do cumprimento da promessa que lhe havia feito, deu um grande banquete para comemorar o dia em que Isaque foi desmamado, e isto despertou um ciúme juvenil em Ismael que começou a caçoar de Isaque.
Isto ensejou que na ira de Sara contra Hagar e Ismael, ela pronunciasse as palavras proféticas de que o filho da escrava não seria herdeiro juntamente com seu filho (Gên 21.10; Gál 4.29,30).
Apesar disto ter doído ao coração de pai, de Abraão, Deus confirmou as palavras de Sara, e ordenou-lhe que atendesse a Sara em tudo o que ela lhe dissesse porque de fato a sua descendência seria chamada em Isaque (21.12; Rom 9.7), isto é, a descendência que lhe fora prometida por Deus, que habitaria em Canaã, e na qual seriam abençoadas todas as famílias da terra.
Tendo Abraão despedido a Hagar e a Ismael, dando-lhes provisões para a jornada, esta não foi suficiente porque ela tomou o caminho do deserto de Berseba, e a água que levava acabou, e extenuados, ficou aguardando pela morte do filho.
Mas Deus ouviu a voz de Ismael e lhes enviou um anjo para encorajá-los com a promessa de que uma grande nação seria formada a partir de Ismael, e o Senhor abriu os olhos de Hagar para que visse um poço de água, e Ismael cresceu e habitou no deserto, tendo se tornado um flecheiro, e se casou com uma mulher egípcia.
Nesse tempo, Abraão entrava em aliança com Abimeleque, pois permaneceu residindo na terra dos filisteus (20.15), e armou suas tendas no lugar que ficou sendo conhecido como Berseba, e que ficava na extremidade sul da Palaestina, tanto que se tornou comum em Israel a expressão de Dã a Berseba, indicando toda a extensão territorial da nação no sentido norte-sul.
Abimeleque havia reconhecido que a promessa de Deus de engrandecer o nome de Abraão, e de torná-lo o pai de numerosas nações, teria cabal cumprimento, pois ele testemunhara o milagre da concepção e nascimento de Isaque, estando Abraão e Sara, já bastante avançados em idade para gerarem um filho. Daí ter ele dito:
“Deus é contigo em tudo o que fazes”, ao se referir a Abraão (v. 22).
Temendo por um possível conflito futuro com a descendência de Abraão, que ele sabia que seria certamente abençoada e multiplicada por Deus, ele se antecipa de modo previdente levando Abraão a jurar que se lembraria de todo o bem que lhe havia feito, e que usaria também com ele e com a sua descendência, da mesma bondade (21.23).
Esta aliança seria vantajosa para ambos os lados, e particularmente para o crescimento de Isaque em paz e segurança.
Há aqui uma importante lição para todos os filhos de Deus.
No que depender deles devem ter paz com todos os homens.
Eles devem ser pacificadores sem serem cúmplices dos pecados dos que são do mundo.
A aliança de paz que devem fazer não deve de modo nenhum comprometer o seu testemunho.
Ao contrário, ela deve ser baseada no reconhecimento deste testemunho, como foi o caso de Abimeleque em relação a Abraão.
Valores não podem ser negociados, especialmente os valores eternos e absolutos de Deus.
Abraão e Abimeleque fizeram uma aliança de estadistas.
Cada qual tendo em vista preservar os interesses presentes e futuros de sua gente.
Por isso, antes de confirmar a aliança, Abraão lhe apresentou a questão de um poço que lhe havia sido tomado à força pelos servos de Abimeleque (v. 25).
Se vai ser firmada uma aliança ela deve ser firmada no respeito mútuo.
Senão o que teremos não será uma aliança, mas uma farsa.
Isto tudo nos remete à aliança que temos com Deus através de Jesus Cristo.
Se não respeitamos os Seus termos e mais do que isto a Sua própria pessoa divina, como podemos afirmar que estamos sendo fiéis à aliança que Ele tem feito conosco?
Assim como Abraão confirmou a sua aliança com Abimeleque lhe apresentando voluntariamente sete cordeiras, em sinal de sua amizade, e de que havia cavado o poço que lhe haviam tomado à força, de igual modo devem os crentes oferecer o seu melhor, no serviço de Deus, como prova de gratidão em face da Sua bondade e da aliança que firmou conosco por meio de Cristo.
O fato de que Abraão habitou por algum tempo na terra dos filisteus, conforme se diz em Gên 21.34, se comprova em que ele plantou tamargueiras em Berseba.
Ora, ninguém planta árvores sem esperar desfrutar de seus frutos ou sombra.
E elas levam algum tempo para atingir o seu completo desenvolvimento.
A promessa começou a ser cumprida em parte, e isto comprovava que seria cumprida plenamente, e Abraão foi fortalecido em sua fé, e chamou a Deus de El-Holam, isto é, o Deus eterno.
Ele contempla a promessa se estendendo pela eternidade, e isto porque o Deus a quem servia é eterno.
O fato de Cristo já ter vindo na plenitude do tempo, e da igreja estar presente no mundo em toda a história da humanidade, manifesta a continuidade do cumprimento da promessa feita por Deus, e do Seu total cumprimento, por ocasião do retorno de Jesus, e quando forem criados novos céus e nova terra onde a justiça habita para sempre.

Silvio Dutra

Nascimento de Ismael Filho de Abraão - Gênesis 16

“1 Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos. Tinha ela uma serva egípcia, que se chamava Agar.
2 Disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de ter filhos; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos por meio dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.
3 Assim Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar a egípcia, sua serva, e a deu por mulher a Abrão seu marido, depois de Abrão ter habitado dez anos na terra de Canaã.
4 E ele conheceu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.
5 Então disse Sarai a Abrão: Sobre ti seja a afronta que me é dirigida a mim; pus a minha serva em teu regaço; vendo ela agora que concebeu, sou desprezada aos seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti.
6 Ao que disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está nas tuas mãos; faze-lhe como bem te parecer. E Sarai maltratou-a, e ela fugiu de sua face.
7 Então o anjo do Senhor, achando-a junto a uma fonte no deserto, a fonte que está no caminho de Sur,
8 perguntou-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vieste, e para onde vais? Respondeu ela: Da presença de Sarai, minha senhora, vou fugindo.
9 Disse-lhe o anjo do Senhor: Torna-te para tua senhora, e humilha-te debaixo das suas mãos.
10 Disse-lhe mais o anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, de modo que não será contada, por numerosa que será.
11 Disse-lhe ainda o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e terás um filho, a quem chamarás Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição.
12 Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.
13 E ela chamou, o nome do Senhor, que com ela falava, El-Rói; pois disse: Não tenho eu também olhado neste lugar para aquele que me vê?
14 Pelo que se chamou aquele poço Beer-Laai-Rói; ele está entre Cades e Berede.
15 E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão pôs o nome de Ismael no seu filho que tivera de Agar.
16 Ora, tinha Abrão oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu Ismael.”

Dez anos haviam se passado desde que Abraão havia saído de Harã, rumo a Canaã, pelo mandado de Deus, tendo recebido a promessa de que a sua descendência receberia aquela terra por herança.
Abraão contava agora com oitenta e cinco anos de idade e Deus não havia ainda lhe dado filhos.
Sara, impaciente com a demora do cumprimento da promessa feita por Deus, instou com Abraão para que coabitasse com uma serva egípcia chamada Hagar, para que se provesse de filhos através dela.
A lei antiga prescrevia que, os filhos nascidos do relacionamento de um senhor com uma escrava, dava o direito legal de maternidade à esposa do senhor e não à escrava.
E foi pensando neste arranjo que Sara fez a proposta a Abraão para que coabitasse com Hagar.
O pecado de Sara lhe trouxe dificuldades, porque tendo Hagar concebido de Abraão, passou a desprezá-la.
Isto a deixou extremamente ferida e irada a ponto de proferir um juízo sobre o próprio marido dizendo que aquilo que ela estava recebendo da parte de Hagar na forma de afronta, que viesse a recair sobre Abraão por uma aplicação da justiça de Deus na avaliação do caso.
Esta não era de fato uma avaliação justa porque ela mesma havia se precipitado dando ocasião a que tudo aquilo acontecesse.
Abraão certamente errou ao dar ouvidos à sua mulher, para satisfazer o seu desejo, em vez de buscar orientação em Deus, ou agir de acordo com a promessa que o Senhor lhe fizera.
Ele poderia e deveria ter dito a Sara: “Não devemos fazer isto porque Deus nos tem feito a promessa de nos dar um filho que será gerado por nós mesmos.”

Tal era a pressão da situação que Abraão expôs Hagar à livre ação de Sara, lembrando-lhe que ela tinha autoridade sobre a escrava, pois era sua senhora, e estava em suas mãos tomar a decisão que bem lhe parecesse.
Sara a humilhou, de modo que ela teve que fugir, estando grávida.
Foi o desejo de vingança de Sara contra Hagar que a levou a proferiu aquela palavra de imprecação sobre Abraão, porque no seu entendimento ele se recusava a punir Hagar.
Esta vingança foi cumprida quando Sara a humilhou.
Certamente a aprovação de Deus não estava em nada disso porque Ele proíbe claramente a vingança e a ira injustificada.
Um pecado conduz a outro pecado, e por isso o mal deve ser cortado pela raiz, para que não se espalhe e contamine a muitos.
O fato de sermos humilhados não nos dá o direito da parte de Deus, de pagarmos na mesma moeda.
Ao contrário, Ele nos ordena que abençoemos os que nos maldizem, que amemos os nossos inimigos, que oremos pelo bem dos que nos perseguem.
Além disso, foi a própria Sara a culpada por tudo o que estava ocorrendo; e como no dizer do apóstolo, aqueles que sofrem por causa das suas próprias faltas, devem suportar os seus sofrimentos pacientemente, uma vez que foram eles próprios que lhe deram causa (I Pe 2.20).
Mas o propósito principal desta revelação das Escrituras está contido nas palavras do anjo do Senhor a Hagar quando ela se encontrava no deserto, quanto ao futuro da descendência daquele filho que ela conceberia: “Ele será, entre os homens, como um jumento selvagem; a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará fronteiro a todos os seus irmãos.”
Esta profecia é de um alcance que tem cumprimento ainda em nossos dias e terá até que Jesus volte, porque os descendentes de Ismael são os árabes, e de fato, eles têm, na história da humanidade, especialmente da cristandade, sido um povo à parte, neste aspecto de serem contra todos, e todos serem contra eles, o que se vê nos constantes conflitos que ocorrem há séculos naquela região, particularmente em razão da inimizade histórica com Israel, que é descendente de Isaque, o filho de Abraão com Sara.
A atitude inconsequente e precipitada de Sara e Abraão deixaria este duro legado para a humanidade.
Assim, para que o menino que seria gerado fosse preservado e se desenvolvesse em segurança sob a influência de Abraão, o anjo ordenou a Hagar que se desculpasse com Sara, humilhando-se perante ela, de modo que fosse recebida de novo no seio da família da qual ela havia fugido.

Silvio Dutra