Metamorfose

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Na vida, às vezes a gente tem que se arriscar, se reinventar através de uma dolorosa metamorfose, cortar na própria carne, sangrar, mas se libertar de dores ainda maiores que vêm nos torturando em conta gotas através dos dias com a nossa conivência e omissão.

É isso que venho fazendo comigo. Venho me transformando radicalmente em mim mesmo, porém, mais feliz, sem pesos nos ombros, e sem a mínima aptidão de fazer coisas contra a minha vontade ou conviver com pessoas que me sugam e não me acrescentam.

E nessa saga de mudança, vem sendo inevitável começar perdendo pra ganhar depois. Porque ganhar de virada é muito mais gostoso. Porque o mal sempre vem como hospedeiro do bem. Porque certas moléstias só são curáveis através da extirpação de partes importantes de nós mesmos. Porque pra ser feliz, quase sempre é necessário fazer sacrifícios. Porque toda cicatrização é precedida por uma ferida aberta.

Renée Venâncio

Cada coisa ao seu tempo, cada momento após o outro, e a confiança sempre na metamorfose.

Stuka Angyali

Evoluir é uma necessidade, não vou dizer que sou apenas isso, por que sou realmente uma metamorfose ambulante e fico feliz por isso. Por saber que mudo de idéia todos os dias. Por saber que ser só uma não é interessante. Mudar é preciso para evoluir a alma...transformar carma em darma...

Zainne Melo

Somos borboletas de Deus! Passamos pelo apertado e sufocante casulo,mas a metamorfose nos transforma em seres ainda mais belos.

Day Anne

Penso ser uma borboleta em total metamorfose, oras estou em cores, oras me escondo...casulo ou asas?

Cecilia sfalsin

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Raul Seixas (1945-1989) - Metamorfose Ambulante

Metamorfose - I

É bossa nova o som que sua luz toca
Mescla os raios de sol ao puro vermelho
Que enaltece sua branca face em anseio
A confirmar meu juízo: é carioca

Mas não conclua agora nem muito pense:
Leves traços, mas seu olhar irradia
O poder de atrair com toda a ousadia
E assim me faz pensar: é brasiliense

É a moça que brinca com meus sentidos
É dentre todas, a mulher mais bela
É a dona dos tesouros escondidos

Onde o sol e o céu são somente dela
É a menina que faz sonhos partidos
E eu pergunto: afinal, quem é ela?

Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho

Apesar das dores da metamorfose, é sempre enriquecedor nos "metamorfosiarmos".

Rosa Berg

metamorfose - meta amor fase

Enquanto alguns
pensam em estratégias
de sedução para as borboletas,
penso que seria
para mim mais interessante
me tornar uma delas.

Milena Palladino

METAMORFOSE


Lá vai a feia lagarta deslizando com seu jeito desengonçado por entre folhas e flores. Ela está sempre apressada, em busca de alimento. Não percebe o sol que a aquece, a brisa que a toca, nem as belezas que a cercam. De algum modo ela sabe que tem de ser rápida. Acumular energia, seu instinto a avisa que seu tempo é limitado, finito. Então sua forma flácida desloca-se sem parar.
Eu fico olhando-a, tomada de certa repulsa, controlando a vontade de jogá-la para longe de mim, ou, com a primitiva crueldade inerente a todo ser humano diante do feio, esmaga-la sob meus pés.
Mas algo em mim se contém. Ela é tão persistente! Repentinamente sinto-me tão parecida com ela. Penso na minha fase lagarta. É quando embrenho uma corrida desenfreada na selva do meu cotidiano, em busca de alimento que abastecerá meu EU. Fase egoísta onde se me é difícil olhar para o lado. Onde meus sentidos conduzem-me como autômato, em busca de acúmulo de energia estagnada, que torna meu espírito obeso. Mas definha minha capacidade de doar e torna anoréxica minha compreensão.
Tenho fome e tenho pressa! Mas não tenho uma meta, um objetivo ou um rumo. Nem consciência. Apenas existo.
Então, das entranhas da minha alma, sinto nascer uma nova necessidade. Eu não a compreendo a princípio. É também uma espécie de fome: falta-me um complemento. A pressa sai de mim e achegam-se às divagações, começam os questionamentos. E o mundo que antes era meu limite, torna-se cansativo.
Lá vou eu, feia lagarta, construir um casulo, onde, na escuridão permanecerei inerte.





Difícil decisão! Admitir que meu espírito é flácido, gelatinoso. Não gosto da forma que tenho, não suporto mais ser lagarta. No aconchegante escuro do casulo onde me encontro, readapto minha visão. Fecho os olhos, abro a percepção e olho para dentro.
Espio nas gôndolas da despensa de minha alma, avalio os alimentos ali estocados.
Quanta coisa que nunca consumirei! E quanta fonte de energia sadia!
Ei! Eu não preciso de tudo isso que guardei. Posso repartir, alimentar.
Olhando com mais atenção, vejo que na ânsia de abastecer-me, tornar robustas minhas certezas, muitas coisas perderam o prazo de validade:
Tornaram-se dúvidas.
Repentinamente o breu torna-se luz e posso ver com exatidão. Ela, a esperança, vem fazer-me companhia. Mas ainda sinto o frio da solidão.
Não posso mover meu corpo inferior, as pernas da minha força de vontade ainda estão atrofiadas. Começo uma longa sessão de exercícios, reeducarei meu instinto, alongarei minha bondade e estirarei ao máximo os músculos do amor incondicional. Então, depois de muito tempo sinto uma nova sensação. Ela sai de mim em forma de uma morna lágrima, deslizando silenciosa pela face resignada da honestidade para com minha condição.
Quero sair daqui, quero nascer de novo. Adquirirei uma nova forma.



O suor escorre de minha face enquanto rasgo o útero da minha segurança. Os soluços do choro que não pode ser contido umedecem as finas membranas que me farão adentrar num mundo novo e desconhecido.
E nasço de novo! Sinto dor. A dor de nascer e saber se impossível retroceder.
Movo os longos apêndices que saem de mim. São asas! Posso voar. No afã de recomeçar, recolho todos os meus pertences, quero subir, redescobrir.
Muito rapidamente percebo que não posso levar nenhum peso sobressalente. Então dou um emocionado abraço de despedida na parte de mim mesma que ficará para trás e o vento brando me leva sem rumo.
Provo o néctar doce da emoção, sinto o perfume da minha nova capacidade. Sou a persistência de levar a beleza. Sou a candura de ver um mundo encantado. Sou a poesia da renovação. Infinitamente mais frágil, mas serenamente mais sábia.
Meu íntimo avisa-me que este é meu último estágio, devo desviar-me dos ventos fortes das dificuldades, do peso sufocante do medo da altura. Embrenhar-me neste fascinante mundo do querer. Eu não tenho nenhum medo de errar.

Mommentum ad Infinitum

Somos o ser da metamorfose ininterrupta. Nossas transformações são mais alucinantes que de uma larva, que depois de virar borboleta, morre.

Kléber Novartes

Cansei de mim, agora quero você. Cansei desses dias tão iguais, cansei dessa metamorfose que existe nesse nosso espaço, é o único em que podemos só falar, e não ouvir nada.
Cansei do tempo, quero o passado. Sabe, a estória paranoica de Alice, ela sonhava ou vivia? Confunde a cabeça, ela se refez, se propôs um novo começo, e fez assim. Começa no coração, e depois vai pra cabeça, e depois desse mais lá pra baixo. Eu quero entrar em sua casa, bagunçar a sua vida, remexer nas suas coisas e virar do avesso sua rotina. Eu quero deitar-te no chão gelado da sala, abanar seus cabelos, fazer do nada, um tudo. Eu quero parar de ser eu, e ser nós dois, eu quero deixar pra lá o que já está esquecido. Vamos fazer isso juntos, parar de tentar lembrar, porque querendo esquecer você se lembra ainda mais.
Vem cá, te conto estórias, e faço você dormir, vem cá, simplesmente vem. E deixe o depois pra depois, não pense no amanhã, viva hoje, e comigo. Seja a mais linda das flores, seja o que quiser, seja o que eu quero, me deixa pelo menos imaginar. Esse meu lado egoísta que carrego sempre comigo, as vezes disfarço mas você percebe, eu quero ser, então tenho que deixa-la ser também.

Luana Rodrigues.

Eu prefiro não ser nenhuma metamorfose ambulante e ter opinião formada sobre tudo para mim é questão de personalidade!

Reinaldo Ribeiro - O Poeta do Amor

METAMORFOSE

Saber dizer,
Desprezar sofrer,
Loucuras puras,
Amor tanto;
Compreender é vida...

Voz erguida,
Paixão encanto,
Lua alvura,
Desejo amar;
Sem ser vão, viver...

Qual sol amor;
Cantar fulgor
E, (igual), enternecer...

Poeta Dolandmay

Minha armadura constitui-se numa metamorfose e, enquanto for berço meu, nela e com ela seguirei.

Camila Kayane Medeiros

Sou
... a completa inconstância, definitivamente em eterna metamorfose! Corajosa e medrosa, insana e sensata, com atitude e preguiçosa; sou o mundo, sou o beijo e os abraços que me rodeiam, de um amor que não se mede, não se pede e nem se repete. Sou o tudo e sou o nada...mas sempre desejando sentir o gosto do bem-querer-viver...uma borboleta que perambula por jardins viçosos e outros não tanto. Que sobrevoa sim, a lama... mas sem pousar para não se sujar e ter histórias para contar. Que fala do doce a partir do amargo. Do amor a partir da dor e vice versa.

alohaLove

METAMORFOSE
“Antes de germinar, sementes morrem... Passam por uma metamorfose obscura até despontar as primeiras folhas, galhos, flores então aparecem os desejados frutos... Quantas vezes nossa vida se assemelha a esse processo; vemo-nos soterrados de problemas, decepções, provações que parecem sem fim. Assim como a semente que desaparece por um tempo até que o milagre da vida renasça, em nós, não é diferente; uma força sobrenatural toca-nos, restaurando os sonhos , florescendo a esperança, permitindo-nos viver um novo tempo aliado a beleza das flores e a fartura dos frutos. Só frutificam os que expõem a essa metamorfose”. Gil Camargos

Gil Camargos

Metamorfose

Fui moleque, jornaleiro, nunca tive opinião,
ajudante de pedreiro,fui chofer de caminhão,
trabalhei na Plataforma,operário de sabão,
já morei oi! já morei no Taboão.
Carneirinho! Carneirão!
Olha pro céu! Olha pro chão!

Céu é Barra, é Avenida, outra vida!
nunca a gente foi lá não.
Nem eu sei como foi isso, foi feitiço,
arte do Cão, mas um dia fiquei rico que nem o rei Salomão.
Chave do mundo, tenho na mão.
Desceu o céu! Subiu o chão!

Minha gente venha ver coisa que nunca se viu,
um mulato virou branco, subiu! Subiu!
A formiga criou asas,o pato passou a ganso,
lagarta virou besouro, de repente virei tudo,
virei até um rei mouro, virei sábio, virei gentleman,
meu cabelo virou louro, virei genro, industrial,
tabu, ministro, escritor,quase viro ditador.
Agora cheguei em cima, agora vi que eu sou dois.

Quem sois?
Minhas senhoras:
Meus senhores:
O meu drama começou.
Serei moleque e rei mouro,serei dentro e serei fora,
serei ontem e serei hoje, serei noite e luz da aurora?
Quem sois? Serei eu e serei tu,serei Sancho e D. Quixote,
serei Deus e Belzebu? Não posso viver assim!
Serei Pierrot e Arlequim,serei anjo e homem carnal,
serei o ser e o não-ser,serei o bem e o mal?
Serei foice e serei sigma?
Enigma! Que serei eu afinal?
Ai de mim! Serei o princípio e o fim?

(1944)

Jacinta passos

Metamorfose

No vazio do espaço absoluto
Jazia o silêncio,
Para que a Música aflore
Soberana!

Rodrigo Corrêa

Metamorfose| Verso de Rodrigo Corrêa

No vazio do espaço absoluto
Jazia o silêncio...

Então disse Deus: Que haja Vida!
E tudo se tornou Música!

Rodrigo Corrêa