Marinheiro

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Melhor ser pirata, do que marinheiro...

Steve Jobs

Não existe vento favorável
para o marinheiro que
não sabe aonde ir.

Sêneca

Faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro põe seu barco devagar!

Paulinho da Viola

E se eu fosse um marinheiro,
eu iria navegar pelos sete mares
Pra te dizer "baby, eu não quero que vá embora".

Christofer Drew

Mar calmo nunca fez bom marinheiro.

Desconhecido

Foste abatida por flocos de perfume branco porque
te deixaste ir à deriva das rupturas combatidas p’los lábios
de granizo no franzido céu. Não tive outra chance senão
aprender com torpor a fácil arte de estudar a luz de todos os cometas,
subterfúgio do meu vivo crime!
Ó, novíssimo crime!

Filipe Marinheiro

Adiante o ritmo, depois e depois a dor!
Dor morta!...
Dor que faz de conta!...
Dor que anda morta!...
Dor que vira desnorte brasa de tanto praguejar!...
Dor que entre épocas canta ao bondoso ritmo!...
Ritmo que perdura nas docílimas plantas da nossa dor!
Dor que vive para procriar
o destino do ritmo por escorregar
como derretida cera
na consumada alma!
Adiante o ritmo, depois e depois a dor!
Admite,
já não sabes se é do ritmo ou se é da dor...

Filipe Marinheiro

É-me inevitável!
Diariamente sou impelido
a dialogar lúcido com meus próprios medos,
esses medos têm medo de mim e eu deles
os medos têm aflitivamente medo de todos os medos,
dormem fraquejados na tosse de uns e de outros,
de todos...
Tomam-se, lassam-se, escorraçam-se!..
Quando os medos começam a respirar,
ralham-nos,
inflamam-nos,
dissolvem-nos,
impossibilitam-nos,
calcinam-nos...
Em contrafé falam-me num derradeiro
Adeus aos medos...
Adeus à tristeza que esses medos comportam...
Adeus à solidão que desses medos escorregam...
Adeus à obsessão que esses medos baptizam...
Sob a estúpida impotência não compreendo.
Sinto-me alcatrão calcado,
e na última vénia
murmuram-me a estremunhar
que a minha única imaculada saída
é escrever poesia até enlouquecer!

Filipe Marinheiro

Olho a linha
que espia a retina do mar
espero, espero, espero
e de tanto esperar em vão
um dia tarde demais
descobri que na escrituras
dos rebentos das ondas
estava escrito
que à nascença tinha sido
condenado pois
alma alguma me irá amar

Filipe Marinheiro

Ontem estava um sol
de partir o cérebro,
desassombradamente
tive tempo de brincar ardido
numa casca de noz
d’um tal decotado vento...
rompi-me encantado, descalço
no requinte desse ermo vento...
escrevi vento e ele fechou-me
os miraculosos olhos
fundando-me morníssimo delírio.

Filipe Marinheiro

Uma vez
atei lençóis ferrugentos
aos membros lisos
da claridade daquele céu tatuado,
como deslizava lasso ao longo
da corrente sanguínea
de um qualquer envenenamento.
Após sobrepostas vibrações
retalharem a sombra da minha fechadura.
São terríveis os afectos.

Filipe Marinheiro

A minha cabeça pensa em todas as cabeças é sombriamente
todas as outras cabeças, entranham-se, entram umas nas
outras, na minha! – inquieto-me, estremeço, esmago-me,
imortalizo-me tornando vidente tudo o que mexe...

Filipe Marinheiro

houve uma ensinada tarde
em que a luz se esticava dentro de mim

agitava-se cruelmente longamente
e eu expandia sem parar

quando subi demasiado humano
por entre avenidas de escadas povoadas
vizualizava esquecidos sábios
quem seriam? quem serão? existirão?
depois da meditação sentado na última abóbada do planeta
descobri a diferença entre a palavra origem e proveniência

essas asas d’ouros em tudo bizarras
acorreram-me uma a uma amando o vento
retina de minha oriunda consciência

outros arrastaram o espaço do meu concreto corpo
e a profundeza do mar a avistar as feridas palavras

eis que me amarram de ponta a ponta
uma infinita espuma movida por rostos

meu coração recluso do impróprio choro doce
contempla o tempo desafinado por raros
perfumes deslizantes
dessas hirtas pétalas ligeiramente oblíquas
e noctívago danço a sinfonia em que morro loucamente

Filipe Marinheiro

No pranto uma gota me faça
assombrado poeta para noutra
me tornar selvagem eremita
sorrindo proscrito.

Filipe Marinheiro

Toco na harmonia do suspenso caminho
sei-me lamento pasmo rolado
em erupção paralisante.

Um passageiro muito só
que cai, desequilibra-se
no esquecimento indiferente.

É terrível não dar mesmo
encontro de mim.

Perco-me num denso escuro sombrio
onde as visões
que sublinho fatigado,
picam a esquecível memória
donde parto.

Filipe Marinheiro

Dá-me os teus pés
dancemos abertos ao meio
no dorso da incrível lua estelar
até nos imaginarmos
ofegantes projécteis a derreter
de lábios entupidos
doidos e doidos de preguiçoso amor.

Filipe Marinheiro

já que atravesso abstractas conchas de enxofre
despeço-me gradualmente dos pequenos pedaços de
carvão que ressoam obtusamente como lúmen dentro
da sua ardência.

Filipe Marinheiro

Pus-me em cima duma coagulada faca p’la ideia de
colher a verdade p’ra lá da aberta janela em que
a voragem colhe comigo os mimos dum fatal paraíso
tropical.

Filipe Marinheiro

Ouço cântaros a darem gargalhadas enquanto anéis
em ruído fincam-se nos violinos calados. Nada
real acentuará ser isto, lógico que a poeira que
piso desamarrará tal malha com isco. A
civilização é clandestinamente isto.

Filipe Marinheiro