Lamentações

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Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes

Trovões de lamentações podem paralisá-lo e consumi-lo. Reaja a eles com chuvas da graça de Deus e com doses diárias de perdão. Uma vez por ano não basta. Uma vez por mês é insuficiente. Chuviscos só uma vez por semana deixam você seco. Nevoeiros esporádicos deixam-no sem energia. Você precisa se renovar todos os dias. "Graças ao grande amor do SENHOR é que não somos consumidos, pois as suas mi¬sericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a sua fidelidade!" (Lamentações 3:22,23).

Max Lucado

Um dia especial

Hoje é um dia especial.
Um dia que não aceita lamentações.
Um dia em que é possível reverter a dor em alegria.
Transformar a derrota em escada para a vitória.
Renovar as esperanças de viver um grande amor mais uma vez.
Hoje é o dia em que a canção fala de novos hérois, e o meu herói é você.

Quem machucou seu coração?
Pobre infeliz que não sabe o que vai perder.
Quem negou aquela ajuda que você espera?
Coitado de quem não acreditou em você, nem imagina a besteira que fez.

Nesse dia de transformação, você é um grande sol, cujos raios aquecem os sonhos mais distantes.
Como é bom estar perto de você.
Seu sorriso, seu jeito meigo de falar.
Sua educação, suas boas maneiras.
Tudo em vocêconvence as pessoas sem muito esforço.

Vai, abre seu melhor sorriso e mostra para o mundo quem é você.
Mostra a vitória que está escondida em suas mãos.
Abre os dedos devagar.
Solte o pássaro da felicidade que está escondido em sua mão.
As lindas penas do pássaro são seus sonhos.
Os olhos brilhantes, seu carisma.
A boca exuberante é a sua certeza.
O canto é a sua vontade de acertar, de realizar.
Me responde então: quem vai resistir ao seu encanto?
Ninguém!

É preciso apenas que você descubra que hoje, como todos os dias de sua vida, é um dia especial demais para você jogar fora com pensamentos e sentimentos negativos.
Sabe aquele doce gostoso que nem em sonho você despreza?
Pois é, o dia de hoje é tão especial, tão maravilhoso que nada, nem ninguém merece estragá-lo!.

Aproveita. É o seu dia!.
Prá que chorar neste dia tão maravilhoso?
Fecha os olhos. Faz um pedido.
Melhor, faça dois pedidos.
Você merece mais, muito mais.

Paulo Roberto Gaefke

Queixas e lamentações provocam cegueira.
Abram os olhos: nosso prazo de validade foi
prorrogado. A desesperança ainda pode ser
substituída por projetos e realizações.
Quem tem 30 está dando os primeiros passos.
Quem tem 20, engatinha. E quem tem menos,
vai cruzar a reta dos 100 dando cambalhota.
Vive mais quem não perde tempo.

Martha Medeiros

As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim;
Novas são cada manhã; grande é a Tua fidelidade.

Lamentações

Lágrimas (acróstico)

Lamentações nada mais
Arrependimentos sem fim
Gozando aos meus ouvidos
Rindo sempre de mim
Inteligência de que adianta
Melancolia aflora em meu peito
Aos prantos derramados
Sentindo a dor do meu jeito

Jussara Alves

O homem começa a envelhecer
quando as lamentações
começam a tomar o lugar dos sonhos.

John Barrymore

Por favor, pare com suas historinhas e lamentações. Não acredito mais em você.
Quando era pra você reverter isso você não o fez.
Cansei de esperar por alguém que sei que nada vai me dar.
Você não me deve explicações, mas sim me deixar em paz.
Suas mentiras eu não quero mais.

Aline Pinheiro

Um mundo de ternuras e juras, de aventuras e lamentações, de amores verdadeiros e ilusões, fazer o que, é assim que a banda toca!

Fabricio.S.Cruvinel

Começamos a envelhecer quando as
lamentações tomam o lugar dos sonhos!

John Barrymore

Lamentações da Africa

Quem sabe não é quem responde,
Quem sabe não é aquele que tememos,
Quem sabe não é quem sempre acerta.
No passado não perguntávamos,
Mas sempre quisemos saber.
Hoje o dia está mais claro,
E agora podemos ver
O que antes estava encoberto.
Quem sabe não é quem anda na frente,
Quem sabe não é aquele que tem poder,
Quem sabe nem sempre entende.
Antes caminhávamos livres
Pelos vales verdes,na primavera
E costumávamos conversar tranqüilamente
À noite no quintal.
Esquecemos de acreditar,
Esquecemos de procurar
E agora tudo parece estar tão vazio,nesta cidade sem luz
O sol não brilha como antes,
Parece não poder mais afastar as trevas da noite.
Sim,agora os dias são sempre noites,noites infinitas.
Olhando para o chão entristecido,
Fito um futuro de ilusões,
Olho para o passado e as lembranças machucam.
Olho entristecido o agora.
A minha liberdade já não me pertence,
A minha fé já não é mais minha,
Não conheço minha história,
Me lembro apenas dos tempos
Em que corria através dos campos
Com o sol acima de mim.
E caminhava sempre livre
E pensava tranqüilamente
Sem temer ser machucado.
Agora,percebo
Que nossa vida já não é nossa,
Que nossa história foi contada errada
E que quem sabe não é aquele q responde,
Mas sim aquele que pergunta.

Natália Ribeiro

Lamentações 5

“1 Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera, e olha para o nosso opróbrio.
2 A nossa herdade passou a estranhos, e as nossas casas a forasteiros.
3 órfãos somos sem pai, nossas mães são como viúvas.
4 A nossa água por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha.
5 Os nossos perseguidores estão sobre os nossos pescoços; estamos cansados, e não temos descanso.
6 Aos egípcios e aos assírios estendemos as mãos, para nos fartarmos de pão.
7 Nossos pais pecaram, e já não existem; e nós levamos as suas iniqüidades.
8 Escravos dominam sobre nós; ninguém há que nos arranque da sua mão.
9 Com perigo de nossas vidas obtemos o nosso pão, por causa da espada do deserto.
10 Nossa pele está abraseada como um forno, por causa do ardor da fome.
11 Forçaram as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judá.
12 Príncipes foram enforcados pelas mãos deles; as faces dos anciãos não foram respeitadas.
13 Mancebos levaram a mó; meninos tropeçaram sob fardos de lenha.
14 Os velhos já não se assentam nas portas, os mancebos já não cantam.
15 Cessou a alegria de nosso coração; converteu-se em lamentação a nossa dança.
16 Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós. porque pecamos.
17 Portanto desmaiou o nosso coração; por isso se escureceram os nossos olhos.
18 Pelo monte de Sião, que está assolado, andam os chacais.
19 Tu, Senhor, permaneces eternamente; e o teu trono subsiste de geração em geração.
20 Por que te esquecerias de nós para sempre, por que nos desampararias por tanto tempo?
21 Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes;
22 se é que não nos tens de todo rejeitado, se é que não estás sobremaneira irado contra nós.”

O profeta continua neste capítulo lamentando pela miséria a que ficou sujeitada a nação de Judá por causa dos seus pecados.
Então roga pela misericórdia do Senhor em favor deles.
No entanto, não deixa de reconhecer que a coroa de glória havia sido perdida por Israel porque eles haviam pecado (v. 16).
Todavia, não se sentia desencorajado a clamar pelo favor do Senhor porque sabia que Ele é muito misericordioso, e que estava com Ele o poder de tornar a converter o Seu povo a Si, renovando os dias deles como dantes (v. 21).
Israel não poderia jamais ser rejeitado definitivamente como povo do Senhor, por causa da promessa que Ele fizera aos patriarcas de ser o Deus de Israel perpetuamente.
No entanto, apesar de saber disso, tal fora a grandeza da ira de Deus, que os judeus haviam despertado contra si mesmos, que o profeta tinha o sentimento de que eles poderiam ter sido rejeitados tal como o Senhor fizera em relação a Saul e a muitos outros em Israel (v. 22).
O livro de Lamentações permanece como um marco a nos lembrar que vale a pena andar em verdadeira santidade diante do Senhor, para que não sejamos submetidos à dura disciplina de sermos banidos da Sua presença, ainda que por um determinado tempo.
As ameaças que Ele faz contra a Igreja em Sua Palavra, na demonstração da falta de um verdadeiro arrependimento, são reais, e bem fazem todos os crentes e igrejas que andam fielmente com o Senhor, para que não se vejam debaixo de correções dolorosas, e não desfrutando das bênçãos que lhes viriam da parte do Senhor caso vivessem do modo digno da vocação deles.
O livro de Lamentações não é um mero livro de poesia, mas um livro que descreve a realidade que sobreveio ao povo de Deus, por causa da sua desobediência.
Está registrado para nossa advertência, para que não andemos nos mesmos caminhos em que eles andaram.

Silvio Dutra

Lamentações 4

“1 Como se escureceu o ouro! como se mudou o ouro puríssimo! como estão espalhadas as pedras do santuário pelas esquinas de todas as ruas!
2 Os preciosos filhos de Sião, comparáveis a ouro puro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos de oleiro!
3 Até os chacais abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; mas a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto.
4 A língua do que mama fica pegada pela sede ao seu paladar; os meninos pedem pão, e ninguém lho reparte.
5 Os que comiam iguarias delicadas desfalecem nas ruas; os que se criavam em escarlata abraçam monturos.
6 Pois maior é a iniqüidade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma, a qual foi subvertida como num momento, sem que mão alguma lhe tocasse.
7 Os seus nobres eram mais alvos do que a neve, mais brancos do que o leite, eram mais ruivos de corpo do que o coral, e a sua formosura era como a de safira.
8 Mas agora escureceu-se o seu parecer mais do que o negrume; eles não são reconhecidos nas ruas; a sua pele se lhes pegou aos ossos; secou-se, tornou-se como um pau.
9 Os mortos à espada eram mais ditosos do que os mortos à fome, pois estes se esgotavam, como traspassados, por falta dos frutos dos campos.
10 As mãos das mulheres compassivas cozeram os próprios filhos; estes lhes serviram de alimento na destruição da filha do meu povo.
11 Deu o Senhor cumprimento ao seu furor, derramou o ardor da sua ira; e acendeu um fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos.
12 Não creram os reis da terra, bem como nenhum dos moradores do mundo, que adversário ou inimigo pudesse entrar pelas portas de Jerusalém.
13 Isso foi por causa dos pecados dos seus profetas e das iniqüidades dos seus sacerdotes, que derramaram no meio dela o sangue dos justos.
14 Vagueiam como cegos pelas ruas; andam contaminados de sangue, de tal sorte que não se lhes pode tocar nas roupas.
15 Desviai-vos! imundo! gritavam-lhes; desviai-vos, desviai-vos, não toqueis! Quando fugiram, e andaram, vagueando, dizia-se entre as nações: Nunca mais morarão aqui.
16 A ira do Senhor os espalhou; ele nunca mais tornará a olhar para eles; não respeitaram a pessoa dos sacerdotes, nem se compadeceram dos velhos.
17 Os nossos olhos desfaleciam, esperando o nosso vão socorro. em vigiando olhávamos para uma nação, que não podia livrar.
18 Espiaram os nossos passos, de maneira que não podíamos andar pelas nossas ruas; o nosso fim estava perto; estavam contados os nossos dias, porque era chegado o nosso fim.
19 Os nossos perseguidores foram mais ligeiros do que as águias do céu; sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas.
20 O fôlego da nossa vida, o ungido do Senhor, foi preso nas covas deles, o mesmo de quem dizíamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre as nações.
21 Regozija-te, e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz; o cálice te passará a ti também; embebedar-te-ás, e te descobrirás.
22 Já se cumpriu o castigo da tua iniqüidade, ó filha de Sião; ele nunca mais te levará para o cativeiro; ele visitará a tua iniqüidade, ó filha de Edom; descobrirá os teus pecados.”

Neste capítulo, como nos dois primeiros, o profeta volta a descrever as assolações de Judá e Jerusalém.
Ele não somente lamenta os danos sofridos pelas cidades de Judá como também as indignidades que haviam sido praticadas nelas.
O profeta lamenta o efeitos diretos da escassez que foi decorrente do sítio feito pelos babilônios (v. 3 a 10).
Ele reconhece mais uma vez que os pecados dos líderes foram a causa de todas estas calamidades (v. 13 a 16).
E por fim profetizou a ruína dos edomitas que haviam se alegrado com a queda dos judeus e que haviam se unido aos seus inimigos para desterrá-los.
Como o Senhor mesmo havia falado através do profeta Jeremias em seu livro profético, Israel Lhe havia deixado, a Fonte de água viva, para construir cisternas rotas que não podiam reter as águas, e este foi o fim que eles conseguiram rejeitando a água da fonte sobrenatural, para se manterem com os recursos naturais que eles obtinham à custa da força do seu próprio braço, abrindo buracos pra que fossem cheios de água.
Quem não quiser viver com sua vida espiritual nas mesmas condições miseráveis a que ficaram sujeitos os judeus nos dias de Jeremias, deve aprender a cavar o seu próprio coração para esvaziá-lo das obras da carne, para ser cheio do Espírito Santo.
Os judeus nada aprenderam da experiência ocorrida no passado, nos dias do rei Josafá, quando foi lutar em coligação com os reis de Israel e de Edom, contra os moabitas, conforme consta no terceiro capítulo de II Reis, e que passamos a comentar sucintamente a seguir.
Nota: as referências a versículos entre parêntesis se referem a II Reis 3.
Tendo Acazias, filho de Acabe, morrido da doença que o acometera, desde que havia caído de um quarto superior do seu palácio, seu irmão Jorão começou a reinar, e o faria por 12 anos (v. 1).
Jorão também não andou nos caminhos do Senhor, e ainda que tivesse tirado de Samaria a coluna de Baal, que seu pai fizera, contudo continuou mantendo o culto aos bezerros de ouro que Jeroboão, havia instituído (v. 2,3).
Pela maneira com que Eliseu falou com ele nós podemos inferir que é bem provável que tivesse tirado a coluna de Baal por motivos políticos e não religiosos.
O seu alvo não foi o de agradar com isto ao Senhor, senão ao rei Josafá de Judá, para que se aliançasse com ele, para tê-lo ao seu lado, com o exército de Judá, nas batalhas que tivesse que empreender contra os seus inimigos.
Tudo o que se relata neste capítulo, depõe contra Jorão, porque não é o simples fato de evitarmos alguns tipos de males que nos tornaremos recomendáveis a Deus, porque é possível que continuemos na prática de outros tipos de males.
Importa sermos fiéis em todas as coisas que o Senhor nos tem ordenado, para que possamos contar com o Seu efetivo agrado.
Se Jorão conseguiu enganar Josafá, no entanto, não conseguiu enganar a Deus, e ao profeta Eliseu.
Nós devemos aprender a julgar sempre segundo a reta justiça e não segundo a aparência.
Não é pelos simples votos de fidelidade proferidos pelas pessoas, ou por algumas iniciativas de reforma, em determinadas áreas de suas vidas, que podemos concluir que tenham de fato se convertido a Deus.
A árvore se conhece pelo seu fruto, e por isso se deve dar tempo ao tempo, para que se veja qual é o tipo de fruto que tais pessoas produzirão, antes que nos antecipemos em fazer uma aliança com elas, de coração.
Este foi o erro de Josafá em relação a Jorão, porque ao se aliançar com a casa de Acabe, a ponto de ter dado o seu próprio filho em casamento à perversa Atalia, irmã de Jorão, que havia seguido em tudo as pegadas de sua mãe Jezabel, ele havia se colocado debaixo de um jugo desigual, do qual seria muito difícil se desvencilhar.
É por isso que nós o vemos respondendo a Jorão quando foi convocado por este a lutar ao seu lado contra os moabitas, que haviam se rebelado contra a tributação de Israel, com as seguintes palavras: “como tu és sou eu, o meu povo como o teu povo, e os meus cavalos como os teus cavalos.” (v. 7).
Ainda que com isto não estivesse afirmando que era do mesmo caráter de Jorão, mas que ele poderia considerar o exército de Judá como sendo o mesmo exército de Israel.
Josafá errou também em deixar as iniciativas relativas à batalha contra Moabe a cargo de Jorão, porque quando lhe perguntou por qual caminho subiriam à peleja, ele determinou fazê-lo pelo caminho do deserto de Edom.
O justo Josafá se permitiu conduzir por um ímpio para um deserto, e a conseqüência disto é que ficaram rodeando durante sete dias naquele deserto juntamente com o rei de Edom, em que Jorão estava colocando a sua confiança de conduzi-los em segurança a Moabe, porque, afinal, ele deveria ser um bom conhecedor de suas terras.
Entretanto, ele não achou água para os milhares de soldados e cavalos dos exércitos de Israel e de Judá (v. 8, 9).
Com isso Jorão, que não conhecia o Senhor e não tinha portanto qualquer intimidade com Ele, adiantou-se em afirmar que havia sido Ele quem lhes tinha conduzido àquela condição para serem derrotados pelos moabitas (v. 10), e viria a dizer o mesmo quando esteve na presença de Eliseu, e quando foi exortado pelo profeta que usou de ironia para com ele mandando-o consultar os falsos profetas de Acabe e Jezabel, seus pais (v. 13), nos quais ele confiava.
Mas nem tudo está perdido para os crentes, mesmo quando estão debaixo do jugo desigual com os incrédulos, e recebem da parte deles toda uma avalanche de argumentos para esfriar a sua fé no Seu Deus.
Foi exatamente isto o que se deu com Josafá, que em vez de dar ouvido a Jorão, direcionou os seus ouvidos ao Senhor e perguntou se não havia entre eles algum profeta verdadeiro do Senhor por meio do qual pudessem consultá-lO.
E a providência já havia preparado para aquela hora que Eliseu fosse achado entre eles, mas não para se manifestar logo que eles partiram para aquela empresa, senão para a hora da dificuldade, em que as circunstâncias adversas poderiam trazer muita glória e honra ao nome do Senhor.
O ministério de Eliseu, tal como o de Elias, foi cumprido especialmente em Israel e não em Judá, mas curiosamente, este não tinha, como não poderia ter, qualquer honra e estima da parte de Jorão, rei de Israel, em razão da impiedade deste, senão da parte de Josafá, rei de Judá, por ser um crente fiel e piedoso.
Não é incomum que um profeta não tenha honra em sua própria casa, não por causa de familiaridade, mas por causa da impiedade daqueles que o cercam.
Este era o caso de Israel, desviado em seus pecados, e rejeitando e perseguindo aqueles que lhes eram enviados pelo Senhor, para protestarem contra os seus pecados.
Não admira portanto, que tenha sido um dos servos de Israel, e não o próprio rei de Israel, que disse a Josafá, que Eliseu se encontrava entre eles (v. 11), e também não é de admirar o pronto reconhecimento de Josafá de que a palavra do Senhor estava com Eliseu (v. 12).
O desespero devia ter se apoderado de muitos porque há sete dias que se encontravam marchando no deserto sem que houvesse água para os homens e para os animais e até mesmo tentar retroceder poderia significar a morte tanto quanto avançar para o encontro com os moabitas, em razão da exaustão tanto dos homens, quanto dos animais pela falta de água.
Há momentos assim nas vidas daqueles que se encontram sem um suprimento adequado da água viva do Espírito em suas vidas, mesmo no caso de crentes autênticos.
Eles temem voltar ao passado das buscas vãs do revestimento do poder do Espírito, pelos caminhos áridos da teologia liberal, e das tradições religiosas e dos homens vazios do poder de Deus com os quais conviveram até então.
Mas também se acham temerosos no presente de avançarem, de irem adiante para achar a água viva do Espírito em territórios desconhecidos, nos quais jamais andaram antes, e que realmente poderão levá-los ao vazio da frustração de não acharem tais águas vivas, e por fim se acharem mortos espiritualmente pela falta destas águas.
Este texto ensina que não devemos buscar o batismo de revestimento de poder do Espírito nem nas práticas do passado, nem em aventuras incertas relativas ao futuro, mas agirmos conforme Deus tem determinado, agora mesmo, ou seja no presente.
A solução não está no passado e nem adiante de nós, mas hoje, se cavarmos no profundo dos nossos corações, abrindo espaço para que ele seja cheio da presença do Espírito de Deus. Se tão somente confiarmos que seremos batizados pela exclusiva misericórdia de Deus, se tivermos fé que Ele encherá nossos corações vazios, sem que saibamos de onde vieram estas águas vivas, porque o Espírito Santo age sobrenaturalmente, sem que necessitemos saber de onde Ele vem, nem para onde vai, tal como sucede com o vento.
É importante observar que a água que encheu os poços que haviam sido cavados não veio do fundo dos próprios poços, mas como um rio pelo caminho de Moabe. Deus abrira uma grande fonte naquela hora para encher aqueles poços. Isto nos ensina que não é do fundo dos nossos próprios corações que provêm as águas do Espírito Santo. Elas nos vem como um rio de águas vivas, para encher nossos corações que foram esvaziados. Não vem de nós mesmos. Nos vem de fora. Nos vem de Deus.
Se houver entre nós pastores sinceros e piedosos como um Josafá, não importa que os Jorões tentem atrapalhar o plano de Deus, porque por amor a seus servos fiéis, o Senhor trará o derramar do Espírito Santo para livrar da morte espiritual todos aqueles que são Seus.
O final desta história poderia muito bem ter sido outro se entre aqueles homens não estivesse o rei Josafá, e o próprio Eliseu que seguia com eles certamente a mando de Deus, para proteger o rei de Judá e os seus homens.
A Providência estava cuidando de Josafá, consertando as conseqüências que poderiam lhe advir e ao exército de Judá, por causa da aliança que ele havia feito com Jorão.
Jorão estava esperando a morte, e seria certamente isto o que encontraria, por causa da sua incredulidade e impiedade, pois como lhe foi proferido pelo próprio Eliseu, se não fosse por causa de Josafá, o rei Jorão sequer teria visto o seu rosto (v. 13, 14), porque é certo que o Senhor não lhe teria enviado a ele.
Mas a presença do profeta entre eles significava provisão de livramento da parte do Senhor, ainda que isto não pudesse ser discernido por Jorão, senão por Josafá, que humildemente havia buscado ao Senhor através do Seu profeta, e mesmo em meio àquelas circunstâncias difíceis teve ânimo suficiente para recorrer ao socorro do Senhor, e foi por causa da fé de Josafá que milhares de vidas de Judá, Israel e do próprio Edom, foram poupadas naquela ocasião.
Eliseu, tendo chamado um tangedor que tocasse louvores, para que ele pudesse entrar mais rapidamente na presença de Deus, a mão do Senhor veio sobre ele e ele profetizou o que nós encontramos nos versos 16 a 19.
Deus daria água segundo a medida da fé dos seus servos, porque ordenou através do profeta que se fizessem muitos poços naquele vale do deserto, onde eles se encontravam (v. 16), porque estes poços não seriam enchidos com água de chuva, porque as condições do clima não seriam alteradas, e além disso lhes foi prometido pelo Senhor que os moabitas seriam entregues nas suas mãos, e todas as cidades fortes e escolhidas dos moabitas seriam feridas, e seria dado às forças confederadas produzir uma grande perda nas suas fontes de suprimento, pelo entulhamento de seus campos e de suas fontes de água, e pelo corte de suas árvores frutíferas, de modo que teriam sérias dificuldades em se declarar independentes de Israel, como estavam fazendo naquela ocasião (v. 16 a 19).
Na manhã do dia seguinte, exatamente à hora em que o sacrifício da manhã era oferecido no templo de Jerusalém, as águas, que significavam salvação para toda aquela gente, começaram a vir pelo caminho de Edom e encheram toda aquela terra (v. 20). Esta referência à hora do sacrifício não está solta no texto, porque foi a partir da hora em que Jesus ofereceu-se a si mesmo na cruz como o Cordeiro, que tira o pecado do mundo, que começaram a correr as águas do rio da vida que trazem salvação para todos os que estão sedentos da justiça do reino de Deus.
Este mesmo sacrifício que é a causa da salvação do povo de Deus, é a causa da ruína de todos aqueles que são Seus inimigos, porque serão condenados por tê-lo rejeitado e desprezado.
É interessante observar que os moabitas viram aquelas águas pensando que fosse sangue, porque não havia chovido e não era comum chover naquela região, e quando viram o reflexo do sol nascente sobre a superfície delas, pensaram que era o sangue dos próprios israelitas, judeus e edomitas, que segundo eles, deveriam ter guerreado entre si mesmos (v. 21 a 23).
Com isto, se precipitaram a sair à peleja, e sucedeu a eles tudo o que o Senhor havia dito pela boca de Eliseu (v. 22 a 26).
Como o rei Mesa dos moabitas percebeu que não poderia prevalecer contra as forças confederadas, como medida de desespero, ofereceu o seu próprio filho primogênito como holocausto sobre o muro da cidade, e os israelitas desistiram de lutar, não pelo fato de terem sido impedidos de continuarem lutando por causa da aceitação do sacrifício do filho de Mesa por parte do deus dos moabitas, mas por terem visto até que ponto havia chegado o desespero daquele rei, que assinou com aquele gesto a sua rendição, mais do que tê-lo-ia feito pela deposição de suas armas.
Moloque era uma divindade amonita, que exigia holocaustos humanos, e deve ter sido possivelmente a ele que o rei de Moabe ofereceu o seu próprio filho que o sucederia no trono como sacrifício, e daí nós entendermos porque este povo foi tornado tributário de Israel, desde os dias de Davi, e a razão desta derrota implacável com destruição da terra deles, conforme fora previsto e ordenado pelo Senhor.
Este relato do terceiro capítulo de II Reis nos ensina muitas coisas relativas ao avivamento.
O avivamento desperta primeiro os crentes que estavam morrendo pela falta de um verdadeiro enchimento do Espírito Santo.
Então Deus o derrama em grande profusão de maneira que muitos ímpios vêm também a se converter a Cristo, porque são beneficiados pelo despertamento espiritual que é produzido em primeiro lugar nas vidas das próprias igrejas e dos crentes.
E a coisa não pára por aí, porque aqueles que resistem à obra do avivamento, ou seja, os espíritos malignos, os principados e potestades do mal, representados neste capítulo de II Reis pelos moabitas, serão por fim vencidos por aqueles que foram renovados em suas forças, pela água viva do Espírito Santo que veio sobre eles de modo sobrenatural.
Cavemos então profundamente em nossos corações e tiremos de lá tudo o que possa atrapalhar o enchimento do Espírito Santo.
Retiremos a altivez, a arrogância, o orgulho, a vontade carnal, e tudo o que seja obra da carne, e sedução pelas coisas do mundo, e certamente, ao buscarmos o Senhor de todo o nosso coração e com uma genuína fé, Ele derramará sobre nós o Seu Espírito.

Silvio Dutra

Lamentações 3

“1 Eu sou o homem que viu a aflição causada pela vara do seu furor.
2 Ele me guiou e me fez andar em trevas e não na luz.
3 Deveras fez virar e revirar a sua mão contra mim o dia todo.
4 Fez envelhecer a minha carne e a minha pele; quebrou-me os ossos.
5 Levantou trincheiras contra mim, e me cercou de fel e trabalho.
6 Fez-me habitar em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito.
7 Cercou-me de uma sebe de modo que não posso sair; agravou os meus grilhões.
8 Ainda quando grito e clamo por socorro, ele exclui a minha oração.
9 Fechou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas.
10 Fez-se-me como urso de emboscada, um leão em esconderijos.
11 Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me desolado.
12 Armou o seu arco, e me pôs como alvo à flecha.
13 Fez entrar nos meus rins as flechas da sua aljava.
14 Fui feito um objeto de escárnio para todo o meu povo, e a sua canção o dia todo.
15 Encheu-me de amarguras, fartou-me de absinto.
16 Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes, cobriu-me de cinza.
17 Alongaste da paz a minha alma; esqueci-me do que seja a felicidade.
18 Digo, pois: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor.
19 Lembra-te da minha aflição e amargura, do absinto e do fel.
20 Minha alma ainda os conserva na memória, e se abate dentro de mim.
21 Torno a trazer isso à mente, portanto tenho esperança.
22 A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim;
23 renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.
24 A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.
25 Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca.
26 Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.
27 Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.
28 Que se assente ele, sozinho, e fique calado, porquanto Deus o pôs sobre ele.
29 Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança.
30 Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta.
31 Pois o Senhor não rejeitará para sempre.
32 Embora entristeça a alguém, contudo terá compaixão segundo a grandeza da sua misericórdia.
33 Porque não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens.
34 Pisar debaixo dos pés a todos os presos da terra,
35 perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo,
36 subverter o homem no seu pleito, não são do agrado do senhor.
37 Quem é aquele que manda, e assim acontece, sem que o Senhor o tenha ordenado?
38 Não sai da boca do Altíssimo tanto o mal como o bem?
39 Por que se queixaria o homem vivente, o varão por causa do castigo dos seus pecados?
40 Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los, e voltemos para o Senhor.
41 Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus no céu dizendo;
42 Nós transgredimos, e fomos rebeldes, e não perdoaste,
43 Cobriste-te de ira, e nos perseguiste; mataste, não te apiedaste.
44 Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração.
45 Como escória e refugo nos puseste no meio dos povos.
46 Todos os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca.
47 Temor e cova vieram sobre nós, assolação e destruição.
48 Torrentes de águas correm dos meus olhos, por causa da destruição da filha do meu povo.
49 Os meus olhos derramam lágrimas, e não cessam, sem haver intermissão,
50 até que o Senhor atente e veja desde o céu.
51 Os meus olhos me afligem, por causa de todas as filhas da minha cidade.
52 Como ave me caçaram os que, sem causa, são meus inimigos.
53 Atiraram-me vivo na masmorra, e lançaram pedras sobre mim.
54 Águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado.
55 Invoquei o teu nome, Senhor, desde a profundeza da masmorra.
56 Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor.
57 Tu te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.
58 Pleiteaste, Senhor, a minha causa; remiste a minha vida.
59 Viste, Senhor, a injustiça que sofri; julga tu a minha causa.
60 Viste toda a sua vingança, todos os seus desígnios contra mim.
61 Ouviste as suas afrontas, Senhor, todos os seus desígnios contra mim,
62 os lábios e os pensamentos dos que se levantam contra mim o dia todo.
63 Observa-os ao assentarem-se e ao levantarem-se; eu sou a sua canção.
64 Tu lhes darás a recompensa, Senhor, conforme a obra das suas mãos.
65 Tu lhes darás dureza de coração, maldição tua sobre eles.
66 Na tua ira os perseguirás, e os destruirás de debaixo dos teus céus, ó Senhor.”

No extenso livro da profecia de Jeremias nós o vemos chorar muitas vezes por causa do pecado de Judá, e pela falta de atendimento dos judeus ao apelo de Deus através dele para que se convertessem dos seus pecados, porque ao mesmo tempo lhes anunciava a destruição terrível que viria sobre eles caso não se arrependessem.
Agora, uma vez cumpridas as assolações que ele mesmo havia profetizado, a sua alma estava quebrada por todo o sofrimento que experimentara.
Então, desde o primeiro até o vigésimo versículo ele expressa o abatimento da sua alma (v. 20), começando a dizer que era o homem que viu a aflição que foi causada pela vara de correção do furor de Deus contra o Seu povo (v.1).
Que o Senhor o guiou e o fizera andar em trevas, e não na luz, porque o resultado da sua profecia não foi glória para Israel, mas dor e destruição.
Suas notícias não eram consoladoras para Judá, mas ameaçadoras, e isto já era em si mesmo uma grande carga para a sua alma, que agora vendo o resultado de todas aquelas ameaças fez com que se sentisse como debaixo da mão pesada de Deus todos os dias, e isto fazia envelhecer a sua carne e pele, e a se desconjuntarem os seus ossos.
Deus não lhe dera alternativa senão de cercá-lo com fel e trabalho, e habitar em lugares tenebrosos e desolados. Cercou-o de tal maneira que não podia fugir, e mesmo quando clamava e gritava por socorro, o Senhor não atendia à sua oração, porque a sentença de destruição de Judá já estava determinada, e em mais de uma ocasião, Deus lhe proibira diretamente para não orar em favor do Seu povo.
Além das aflições que lhe foram impostas pelo cumprimento do seu ministério, Jeremias teve também que suportar a dor de ter sido feito objeto de escárnio para todo o seu próprio povo, que o considerava um subversivo que servia aos interesses de Babilônia, e isto o encheu de amarguras, como que seus dentes tivessem sido quebrados por pedrinhas de areia.
Seu ministério não lhe permitiu que tivesse paz em sua alma, e havia até esquecido o que era a felicidade.
Tão grande era a sua amargura de alma, uma vez cumprida a assolação que Deus havia prometido trazer sobre os judeus, que a força de Jeremias havia perecido, bem como a sua esperança no Senhor, ou seja, ele não conseguia naquela hora, ter qualquer boa expectativa em relação aos judeus, que lhe viesse da parte de Deus, porque sabia que Ele estava irado com os pecados deles.
Todavia, ele bem conhecia o caráter do Seu Deus, e isto faz toda a diferença na hora da aflição, porque chegará o momento, que fortalecidos pela Sua graça e misericórdia, poderemos ter uma melhor perspectiva em relação ao futuro, porque experimentando em nós mesmos a Sua misericórdia e favor imerecidos, sabemos que não é Deus somente de justiça, mas também de bondade e misericórdia, e é por isso, que podemos ter esperança em relação ao futuro, apesar de sermos pecadores.
Não temos nenhum outro bem duradouro e eterno que nos acompanhe não somente nesta vida, como principalmente na futura, senão o próprio Deus, então é somente nEle que devemos esperar, porque tudo mais passará e falhará.
Logo, é isto que devemos trazer à mente, na hora da aflição, a saber, a nossa renovada esperança no Senhor (v. 21), porque sabemos que a sua bondade jamais acaba porque as Suas misericórdias não têm fim (v. 22).
O Senhor sempre usará a Sua vara de aflição para corrigir o Seu povo, mas podemos estar seguros que a sua ira sempre estará misturada com a Sua misericórdia, para que possamos ter esperança nEle, quanto à nossa restauração e quanto a dias melhores.
Quando a mão do Senhor é continuamente contra nós, somos tentados a pensar que o Seu coração também está contra nós.
O Senhor havia sido como um leão para Israel, para que eles se vissem culpados, e que assim o buscassem arrependidos:

“14 Pois para Efraim serei como um leão, e como um leão novo para a casa de Judá; eu, sim eu despedaçarei, e ir-me-ei embora; arrebatarei, e não haverá quem livre.
15 Irei, e voltarei para o meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles aflitos, ansiosamente me buscarão.” (Os 5.14,15)

Sabendo deste propósito de Deus de sempre afligir para curar o Seu povo, Jeremias podia renovar sua esperança nEle.
Quando nossos corações se esquecem da graça de Deus por algum tempo, Ele a faz retornar aos nossos corações para que possamos estar prontos a usá-la para nos reconciliarmos com Ele.
Por ruins que sejam as coisas, elas não são piores devido à misericórdia de Deus. Nós somos afligidos pela vara da correção da Sua ira, mas é pelas Suas misericórdias que nós não somos consumidos (v. 22).
Se as coisas são ruins e poderiam ter sido piores, então temos que esperar que elas sejam melhores. Fazer isto é expressar confiança em Deus. É fé em prática na Sua bondade e misericórdia. E como Ele se agrada disto, há certamente de recompensar a nossa fé com coisas boas.
Por isso a Igreja é como a sarça de Moisés, que enquanto queimava não era consumida. Qualquer sofrimento que enfrentarmos poderá nos afligir mas não nos consumir, tal como aquela sarça.
Porque podemos dizer junto com o apóstolo:

“8 Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados;
9 perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;” (II Cor 4.8,9)

A causa disto são as misericórdias do Senhor que atuam em nosso favor, guardando-nos de uma destruição final. Ele é o Pai das misericórdias.
Nós somos livrados por causa destas misericórdias não somente do diabo, mas também da morte e do inferno. Deveríamos ter sido consumidos há muito tempo por causa dos nossos pecados, mas não somos tratados por Deus em conformidade com os nossos pecados, mas segundo a multidão das Suas misericórdias, que nunca têm fim, e que se renovam todos os dias, e que antes mesmo de levantarmos a cada manhã, já se encontram lá nos aguardando, para que não sejamos consumidos pela ira da justiça de Deus.
Quando nossos confortos falham, contudo as misericórdias do Senhor nunca falharão, porque grande é a Sua fidelidade.
Jerusalém podia estar agora em ruínas por causa do juízo de Deus contra os seus pecados, mas por causa da misericórdia tornaria a ser colocada de novo como objeto de louvor em toda a terra, porque o Senhor certamente a restauraria conforme havia prometido fazer.
Ele faz o mesmo com todos os Seus filhos, depois de tê-los sujeitado a um tempo de correção com aflições.
Jeremias havia perdido tudo neste mundo, sua liberdade e seu sustento, e quase a própria vida, contudo, não havia perdido seu interesse em Deus.
Porções da terra perecem e desaparecerão mas o Senhor é a nossa porção para sempre.
Enquanto eu tiver um interesse em Deus, então eu terei o bastante, o suficiente para contrabalançar todas as minhas dificuldades e compensar todas as minhas perdas. Porque nada pode se comparar à Sua doce presença, e à manifestação da Sua graça que me consola.
Quando todos os demais apoios se forem, Deus continuará sendo a força e o apoio da minha alma, e o meu conforto em todas as minhas aflições.
Por isso Jeremias disse que todos aqueles que confiam no Senhor jamais o farão em vão (v. 25) porque provarão as Suas misericórdias.
Feliz portanto é a alma que espera no Senhor e que o busca.
E enquanto nós o esperamos com fé, nós temos que fazê-lo através da oração. Porque se não o buscarmos, não o acharemos. Nossa busca ajudará a manter a nossa espera. E para aqueles que assim esperam e buscam a Deus, Ele dará a Sua graça, e lhes mostrará a Sua misericórdia (v. 26).
E é bom esperar pelo socorro do Senhor estando quietos, em silêncio, não propriamente com os lábios fechados, porque poderão ser abertos para o clamor e para a oração. Mas no silêncio do coração, que não mais murmura e se inquieta por causa das aflições. O coração que foi acalmado pela graça de Deus, deve permanecer assim perante Ele, porque não criou nossa alma para estar atormentada, senão sossegada.
É fácil entender isto, porque quem pode estar intranqüilo quando sente a presença de Deus?
Então o suportar o jugo na mocidade, ter experimentado dificuldades e aflições, serão de grande proveito para nos ensinar esta lição, porque aprenderemos a dar o devido valor às consolações do Senhor, que geram em nós um espírito quieto, manso e sossegado.
Como somos totalmente desmerecedores destas misericórdias divinas, é nosso dever manter uma expectativa humilde em relação a elas, em nossa esperança debaixo de nossas aflições. Devemos ser modestos em nossas expectativas, sabendo que somos totalmente desmerecedores destas misericórdias divinas.
Há um espírito correto para se buscar ao Senhor debaixo de aflições, a saber, com o coração contrito e em humildade. Não cai bem a transgressores se apresentarem diante do Juiz de toda a terra com ares de arrogância, e com reclamações ou petições ousadas.
Ao contrário, convém-nos abaixar a cabeça e dobrar os joelhos, até que o Senhor nos tenha levantado.
Quando Deus nos causa aflições é para fins santos, porque Ele não tem prazer nas nossas calamidades (v. 33). Deus não aflige de boa vontade. Por isso Ele nunca nos afligirá a não ser que nós Lhe demos causa de fazer isto, ou então que seja necessário para o aperfeiçoamento da nossa fé.
Lembremos que quando Deus se levanta para castigar o lugar do qual Ele se levanta é o Seu trono de graça e misericórdia, para o qual Ele sempre retorna. O trono é de graça para Seus filhos, e é importante sabermos isto, e trazê-lo sempre em memória para que tenhamos confiança em buscá-lo e Suas misericórdias, mesmo em nossas aflições, sabendo que por fim há de se mostrar favorável a nós.
Deus afirma expressamente que não tem prazer na morte dos ímpios, quanto mais em afligir os Seus santos.
É por isso que Ele se diz também aflito em toda a nossa aflição, porque o faz com relutância, porque não tem prazer em afligir senão em mostrar misericórdia.
Daí requerer que sejamos também misericordiosos tal como Ele é misericordioso, e não juízes implacáveis, prontos a afligirem a outros.
Contudo, devemos lembrar também que apesar de não ter prazer em afligir e corrigir o Seu povo, que Ele está longe de estar contente com a injustiça que o Seu povo pratica (v. 34 a 36).
Nós somos castigados por causa dos nossos pecados? Então será sábio de nossa parte nos submetermos debaixo da potente mão de Deus, e beijar a vara da disciplina que nos corrige, porque, se caminharmos de modo contrário ao Senhor, Ele nos castigará sete vezes mais, para que não sejamos condenados juntamente com o mundo.
É nosso dever orar ao Senhor, com a expectativa de receber a Sua misericórdia, e não de permanecermos em nossos pecados, ou murmurando por causa de nossas aflições, e aqueles que esperam em Deus, devem esperar com a expectativa de receberem livramento e retorno à plena comunhão em alegria com Ele.
Ao lembrar da misericórdia do Senhor, colocando-se na posição de esperar na Sua bondade, Jeremias estava colocando em prática o conselho de Deus dado através do profeta Joel, quanto ao procedimento que os judeus deveriam ter na hora da aflição.
Deus disse pela boca do profeta Joel o que é que o seu povo deveria fazer quando visse que estava chegando sobre eles as assolações e aflições que estavam determinadas por causa dos seus pecados, em Joel 2.15 a 17:

“15 Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembléia solene;
16 congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai os meninos, e as crianças de peito; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu tálamo.
17 Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?”

Não somente eles seriam ajudados e beneficiados com este ato de humilhação e de busca de Deus no meio da aflição, como ajudariam as gerações seguintes a receberem o cumprimento da promessa do derramamento do Espírito Santo, conforme está profetizado neste mesmo capítulo de Joel, nos versos 28 e 29:

“28 Acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões;
29 e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.”

É importante frisar, que o Espírito Santo, mais uma vez, pela boca do profeta, convoca o povo a se humilhar diante de Deus e para Lhe clamar por misericórdia, ainda que as condições descritas se refiram apenas a juízos, ao peso da Sua potente mão disciplinadora sobre o Seu povo, e não a promessas de bênçãos.
O povo é convocado a se converter ao Senhor de todo o coração, com jejuns e com choro e pranto (v. 12), não propriamente pelos justos juízos, mas pelos seus próprios pecados.
Por isso o Senhor lhes chamou a rasgarem o coração e não as vestes, porque o arrependimento sincero se dá no coração e não no exterior, e faz com que se conte com o favor de Deus, porque “é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal”, como afirmado no verso 13 deste mesmo segundo capitulo de Joel.
Ele é soberano para usar ou não de misericórdia, mas é nosso dever, quando debaixo da Sua potente mão, nos humilharmos diante dEle e nos arrependermos, na expectativa de que nos perdoe e abençoe, segundo a grandeza das Suas misericórdias.
Não deveria haver apenas arrependimento individual, mas a nação de Judá deveria se congregar em assembléia solene para que todos, até mesmo meninos, recém-nascidos, recém-casados, enfim, todas as pessoas de Judá, se reunissem no templo, como lemos nos versos 15 e 16, e que os sacerdotes e ministros chorassem diante do Senhor Lhe pedindo que poupasse o Seu povo da destruição, não somente por causa deles próprios, mas para que o nome do Senhor não fosse blasfemado entre as nações, por terem assolado o povo da Sua aliança, como se afirma no verso 17.
O profeta vislumbrou que haveria esta humilhação, choro, jejum e clamor por parte do povo, quando estivessem debaixo da ameaça de Babilônia, e então o Senhor se compadeceria deles (v. 18).
E lhes deu resposta favorável dizendo que tornaria a fazer com que a sua terra, de assolada que fora, voltaria a ser produtiva (v. 19); e que afastaria o exército opressor que veio do Norte sobre eles (v. 19, 21). O povo de Judá é conclamado a não temer e a se regozijar com alegria, pelos grandes feitos do Senhor, porque até mesmo os animais do campo não teriam mais o que temerem, porque os pastos do desertos tornariam a reverdecer e as árvores a darem os seus frutos (v. 21, 22).
Os judeus tornariam a ter regularidade de chuvas em sua própria terra (v. 23) e a produção agrícola seria abundante (v. 23, 24), e Deus lhes restituiria a produção que havia sido perdida nos anos anteriores, que foi prejudicada pelos poderes destruidores da nação opressora que veio sobre Judá (v. 25). Haveria provisão abundante de bens em Judá para que o nome do Senhor fosse louvado e glorificado, porque removeu o opróbrio do Seu povo (v. 26, 27).
E a melhor bênção. A melhor e maior das melhores e maiores ainda estaria por vir, e começaria com o derramar do Espírito Santo sobre toda a carne, quando não mais uns poucos escolhidos como por exemplo Moisés, Samuel, Elias, e não muitos outros, como o próprio Joel, profetizariam, porque, pelo Espírito, muitos seriam profetas por causa do dom de profecia do Espírito Santo que seria concedido às gerações futuras do povo de Deus. E pelo mesmo Espírito, os velhos teriam sonhos e os jovens visões, espirituais (v. 28). Isto seria feito independente de condição social, porque até sobre os servos e servas o Espírito Santo seria derramado (v. 29).
Conectado à promessa do derramar do Espírito, nos versos 28 e 29, para a formação da Igreja na dispensação da graça, foi proferida a conseqüência e o propósito final deste derramar do Espírito, que é o do estabelecimento do reino de Deus na terra, pela volta de Jesus Cristo.
Este seria o grande resultado da manifestação da misericórdia de Deus diante da humilhação do Seu povo debaixo da aflição, e depois da restauração deles em sua própria terra.
Ora, se Deus estava disposto a manifestar a Sua misericórdia a eles, que estavam sendo afligidos no cativeiro de Babilônia, de quanto maior misericórdia não serão alvos dela os Seus servos na Igreja que são afligidos por causa da Sua fidelidade?
Satanás se levanta para tentar impedir o avanço da obra do Espírito na Igreja, por trazer aflições aos crentes, especialmente em avivamentos, mas bem instruídos pela Palavra, eles sabem que devem ser pacientes nestas aflições e buscarem a Deus clamando a Ele não somente por livramento, mas para que faça avançar a Sua obra enquanto eles se encontram debaixo de tais aflições.
Então, quando alguém é batizado no Espírito Santo em nossos dias, isto é um dos sinais de que a misericórdia de Deus nos está sendo concedida.
É preciso crer portanto na bondade do Senhor e na Sua misericórdia para conosco, apesar de sermos falhos e pecadores, para que possamos ser batizados pelo Espírito Santo.
Ele nos batizará não porque sejamos perfeitos, mas porque Ele é misericordioso.
Por isso este batismo é chamado de dom do Espírito, ou seja, o próprio espírito é o dom, e isto significa que Ele nos é dado como um presente de Deus, de modo que nada temos que pagar por ele.
O profeta Joel havia profetizado antes de Jeremias, e foi nos dias deste profeta que se cumpriram as ameaças que haviam sido proferidas por Deus através de Joel e de outros profetas.
Então era hora de se colocar em prática o que Deus havia dito que eles deveriam fazer mesmo sendo levados para o cativeiro, e estando debaixo de grande aflição, a saber; buscarem a Sua face e se humilharem perante Ele. Eles deveriam trazer à memória o que lhes pudesse dar esperança, sabendo que as misericórdias do Senhor não têm fim.
Ele havia por isso, alertado o povo quanto ao modo de agir debaixo das aflições por causa das suas visitações de juízo contra os pecados deles. Quando Ele se mostra entristecido conosco e quando não sentimos Sua presença em nossas reuniões tanto quanto dantes, não devemos ficar imóveis esperando que as coisas melhorem por si mesmas, ou continuarmos endurecidos em nossos pecados, mas devemos buscar a face do Senhor e nos humilharmos perante Ele, conforme nos tem recomendado em Sua Palavra que façamos.
Ele nos manda fazer isto porque é misericordioso e usará de misericórdia para conosco, apesar de termos entristecido o Seu Espírito.
Por isso, lemos também, o mesmo tipo de orientação, como por exemplo, no profeta Isaías, que havia profetizado isto, muitos anos antes de Judá ser levado para o cativeiro em Babilônia:

“15 Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos.
16 Pois eu não contenderei para sempre, nem continuamente ficarei irado; porque de mim procede o espírito, bem como o fôlego da vida que eu criei.
17 Por causa da iniqüidade da sua avareza me indignei e o feri; escondi-me, e indignei-me; mas, rebelando-se, ele seguiu o caminho do seu coração.
18 Tenho visto os seus caminhos, mas eu o sararei; também o guiarei, e tornarei a dar-lhe consolação, a saber aos que dele choram.” (Is 57.15-18)

Aqueles que não levam em consideração os seus pecados, não serão ajudados por Deus, porque Ele tem prometido habitar somente com os que são contritos e humildes de espírito, e vivificará os seus espíritos e corações, habitando neles (v. 15).
Ele sarará, guiará e consolará os pecadores, mas somente aqueles que choram por causa do pecado (v. 18).
Isto foi confirmado por Jesus em seu ministério terreno quando disse que bem-aventurados são os que choram.
Deus dará a Sua paz a estes, e os sarará (v. 19), mas para os ímpios não dará nenhuma paz, porque são como o mar agitado, que não pode se aquietar e cujas águas lançam de si lama e lodo (v. 20, 21).
É preciso conhecer portanto qual seja o verdadeiro caráter de Deus para que possamos ter um relacionamento correto com Ele, baseado numa completa confiança. Não podemos confiar em quem não conhecemos. Não adianta dizermos que Deus é de inteira confiança caso não conheçamos o Seu caráter. Por isso somos exortados a crescer na graça e no conhecimento de Jesus, para que possamos ter este relacionamento de forma correta com Ele, baseado numa inteira confiança.
Posso dizer que confio nEle, mas se não conhecê-lO como Ele é, especialmente na aplicação da Sua justiça e misericórdia, não saberei como agir, e sequer entenderei as coisas que me vierem da parte dEle, especialmente as aflições por causa do pecado ou por necessidade de ser disciplinado. Acabarei resistindo à correção que me vem da Sua parte, e não aprenderei a lição que deveria ter aprendido.
Mas quando conhecemos a verdade relativa ao modo de se comportar debaixo das aflições, vendo que é a própria mão do Senhor que se encontra na maioria delas, ou então permitindo que elas nos alcancem, então posso ter um comportamento adequado esperando nEle com confiança, de que seja ajudado e mudado, sabendo que é sempre este o Seu desejo, por ser Deus misericordioso, e ter demonstrado o maior grau desta misericórdia dando Seu Filho unigênito para morrer na cruz, em nosso favor, sendo nós pecadores.
Não temos dado um justo valor, não temos feito uma avaliação correta deste ato supremo de amor e misericórdia de Jesus morrendo no nosso lugar.
E não somente isto, dispondo-se a perdoar todas as nossas ofensas, para estarmos completa e perfeitamente reconciliados com Deus que é santo, justo e perfeito.
Se é um fato verdadeiro que Deus detesta o pecado, também é outro fato verdadeiro e não menor que o primeiro, que Ele também perdoa o pecado, porque é misericordioso.
De modo que faz que haja muito mais graça e misericórdia para cobrir os muitos pecados daqueles que se arrependem, se humilham e que buscam a face do Senhor.
É para este propósito de nos aproximar mais e mais de Deus que as aflições estão cooperando, porque elas nos desmamam deste mundo e de nosso apego à carne, elevando-nos à presença do Senhor, para acharmos descanso e paz para as nossas almas.
É preciso conhecer isto. Estarmos convictos de qual seja o caráter de Deus, porque quando a aflição vier, poderemos fazer a avaliação correta das coisas desagradáveis que nos estão sucedendo, para sabermos qual deve ser o modo correto de nos comportarmos nestas horas.
Deus havia mandado os judeus se humilharem e clamarem a Ele buscando a Sua face, na expectativa de serem alvo de Sua misericórdia, mas eles não se arrependeram (v. 42), e por isso o Senhor não quis lhes perdoar os seus pecados e lhes enviou para o cativeiro em Babilônia.
Eles haviam intentado contra a vida do próprio Jeremias lançando-o na masmorra, mas o Senhor ouviu a voz do profeta, e atendeu ao seu clamor, e lhe disse que não temesse (v. 56, 57), porque pleiteou a causa do profeta e remiu a sua vida (v. 58).

Silvio Dutra

Lamentações 2

“1 Como cobriu o Senhor de nuvens na sua ira a filha de Sião! derrubou do céu à terra a glória de Israel, e no dia da sua ira não se lembrou do escabelo de seus pés.
2 Devorou o Senhor sem piedade todas as moradas de Jacó; derrubou no seu furor as fortalezas da filha de Judá; abateu-as até a terra. Tratou como profanos o reino e os seus príncipes.
3 No furor da sua ira cortou toda a força de Israel; retirou para trás a sua destra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacó, como labareda de fogo que tudo consome em redor.
4 Armou o seu arco como inimigo, firmou a sua destra como adversário, e matou todo o que era formoso aos olhos; derramou a sua indignação como fogo na tenda da filha de Sião.
5 Tornou-se o Senhor como inimigo; devorou a Israel, devorou todos os seus palácios, destruiu as suas fortalezas, e multiplicou na filha de Judá o pranto e a lamentação.
6 E arrancou a sua cabana com violência, como se fosse a de uma horta; destruiu o seu lugar de assembléia; o Senhor entregou ao esquecimento em Sião a assembléia solene e o sábado; e na indignação da sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote.
7 Desprezou o Senhor o seu altar, detestou o seu santuário; entregou na mão do inimigo os muros dos seus palácios; deram-se gritos na casa do Senhor, como em dia de reunião solene.
8 Resolveu o Senhor destruir o muro da filha de Sião; estendeu o cordel, não reteve a sua mão de fazer estragos; fez gemer o antemuro e o muro; eles juntamente se enfraquecem.
9 Sepultadas na terra estão as suas portas; ele destruiu e despedaçou os ferrolhos dela; o seu rei e os seus príncipes estão entre as nações; não há lei; também os seus profetas não recebem visão alguma da parte do Senhor.
10 Estão sentados no chão os anciãos da filha de Sião, e ficam calados; lançaram pó sobre as suas cabeças; cingiram sacos; as virgens de Jerusalém abaixaram as suas cabeças até o chão.
11 Já se consumiram os meus olhos com lágrimas, turbada está a minha alma, o meu coração se derrama de tristeza por causa do quebrantamento da filha do meu povo; porquanto desfalecem os meninos e as crianças de peito pelas ruas da cidade.
12 Ao desfalecerem, como feridos, pelas ruas da cidade, ao exalarem as suas almas no regaço de suas mães, perguntam a elas: Onde está o trigo e o vinho?
13 Que testemunho te darei, a que te compararei, ó filha de Jerusalém? A quem te assemelharei, para te consolar, ó virgem filha de Sião? pois grande como o mar é a tua ferida; quem te poderá curar?
14 Os teus profetas viram para ti visões falsas e insensatas; e não manifestaram a tua iniqüidade, para te desviarem do cativeiro; mas viram para ti profecias vãs e coisas que te levaram ao exílio.
15 Todos os que passam pelo caminho batem palmas contra ti; eles assobiam e meneiam a cabeça sobre a filha de Jerusalém, dizendo: E esta a cidade que denominavam a perfeição da formosura, o gozo da terra toda?
16 Todos os teus inimigos abrem as suas bocas contra ti, assobiam, e rangem os dentes; dizem: Devoramo-la; certamente este e o dia que esperávamos; achamo-lo, vimo-lo.
17 Fez o Senhor o que intentou; cumpriu a sua palavra, que ordenou desde os dias da antigüidade; derrubou, e não se apiedou; fez que o inimigo se alegrasse por tua causa, exaltou o poder dos teus adversários.
18 Clama ao Senhor, ó filha de Sião; corram as tuas lágrimas, como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês repouso, nem descansem os teus olhos.
19 Levanta-te, clama de noite no princípio das vigias; derrama o teu coração como águas diante do Senhor! Levanta a ele as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas.
20 Vê, ó Senhor, e considera a quem assim tens tratado! Acaso comerão as mulheres o fruto de si mesmas, as crianças que trazem nos braços? ou matar-se-á no santuário do Senhor o sacerdote e o profeta?
21 Jazem por terra nas ruas o moço e o velho; as minhas virgens e os meus jovens vieram a cair à espada; tu os mataste no dia da tua ira; trucidaste-os sem misericórdia.
22 Convocaste de toda a parte os meus terrores, como no dia de assembléia solene; não houve no dia da ira do Senhor quem escapasse ou ficasse; aqueles que eu trouxe nas mãos e criei, o meu inimigo os consumiu.”

No capítulo anterior o profeta descreveu a dor, o gemido, a aflição, a vergonha e o clamor de Judá pela destruição e pelo cativeiro que lhe sobrevieram como um juízo da parte de Deus, por causa dos seus pecados, e é a mesma nota triste que nós encontramos neste segundo capítulo, que justifica o título deste livro, a saber, Lamentações.
Aqui se descreve principalmente o quanto Deus estava irado com o Seu próprio povo, por causa das transgressões deles. A antiga comunhão, e alegria que tivera neles, se transformou na triste manifestação da Sua ira em relação a eles.
De igual modo, podemos ver como acontece com igrejas que haviam desfrutado no passado da gloriosa presença do Senhor em seu meio, operando sobretudo alegria nos corações dos crentes, conforme lhes era concedido pela Sua graça, não a alegria carnal que é comum de se ver em muitas igrejas, mas a alegria que é fruto do Espírito, e tudo o mais que expressasse espiritualmente o resultado da comunhão do Senhor com o Seu povo.
Repentinamente, depois de um processo de andar contrário à vontade de Deus e dos Seus mandamentos, sequer se encontra nestas igrejas o antigo aroma da Sua santa presença, senão apenas ritos e cerimônias externas, desprovidas da unção do Espírito Santo.
Trocaram um viver na piedade, pela busca de glória terrena e mundana, e o resultado é sempre este, tal como havia sucedido aos judeus no passado.
O Senhor ordenou que fossem destruídos os palácios, os muros da cidade de Jerusalém e o seu próprio templo, e declarou que as visões falsas e insensatas dos profetas de Israel não manifestaram a iniqüidade dos judeus, para que eles fossem desviados do cativeiro, ao contrário, viram para eles profecias vãs e coisas que os levaram ao exílio (v. 14).
Não podemos, aprendendo do exemplo deles, tolerar os falsos profetas vestidos em peles de ovelhas em nossas igrejas, e dar-lhes ouvido, em suas pregações que não nos desviam de nossos pecados, e que por fim, nos tornam sujeitos aos juízos de Deus, tanto quanto podemos aprender do exemplo do que sucedera a Israel no passado.
Por muitos anos, até mesmo séculos, o pecado de Jerusalém não havia sido manifestado e visitado de maneira tão assombrosa, a ponto de ter se tornado visível a todos os seus inimigos, e de igual modo, quando Laodicéia for vomitada da boca do Senhor, se tornará num objeto de espanto para todos aqueles que se admiravam da sua antiga glória e poder. Igrejas suntuosas, cheias de si mesmas, de orgulho espiritual, e vazas da presença do Senhor, que habita com os que são pobres de espírito, e contritos de coração. Muitos se espantarão à vista destas coisas, cujo fim se apressa por vir, e ficarão desolados com a grande vergonha que sentirão por aqueles que julgavam ser e ter o que não eram e não tinham, conforme Jesus expressa diretamente em Apo 3.16,17:

“16 Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca.
17 Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;”

Estes crentes infiéis de Laodicéia, têm sido chamados ao arrependimento, pelo Senhor, em face da Sua grande longanimidade e misericórdia, mas o Seu juízo começa pela Sua própria casa, de modo que não o suspenderá em face da falta de arrependimento deles.
Em vez de se gloriarem em si mesmos, e em suas falsas graças, deveriam seguir o conselho dado pelo profeta a Jerusalém, em seus dias de cativeiro:

“18 Clama ao Senhor, ó filha de Sião; corram as tuas lágrimas, como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês repouso, nem descansem os teus olhos.
19 Levanta-te, clama de noite no princípio das vigias; derrama o teu coração como águas diante do Senhor!...”

Deus tem permitido, ao longo de toda a história da Igreja, que grandes perseguições venham sobre muitos crentes, em razão da fidelidade deles, para testemunho às nações, quanto mais não permitirá que aflições venham sobre aqueles que não andam em verdadeira piedade perante Ele?
Este livro de Lamentações, não foi escrito portanto, para que nós lamentemos apenas o que sobreveio aos judeus, mas para que cuidemos para não cair no mesmo erro deles.

Silvio Dutra

Lamentações 1

“1 Como está sentada solitária a cidade que era tão populosa! tornou-se como viúva a que era grande entre as nações! A que era princesa entre as províncias tornou-se avassalada!
2 Chora amargamente de noite, e as lágrimas lhe correm pelas faces; não tem quem a console entre todos os seus amantes; todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ela; tornaram-se seus inimigos.
3 Judá foi para o cativeiro para sofrer aflição e dura servidão; ela habita entre as nações, não acha descanso; todos os seus perseguidores a alcançaram nas suas angústias.
4 Os caminhos de Sião pranteiam, porque não há quem venha à assembléia solene; todas as suas portas estão desoladas; os seus sacerdotes suspiram; as suas virgens estão tristes, e ela mesma sofre amargamente.
5 Os seus adversários a dominam, os seus inimigos prosperam; porque o Senhor a afligiu por causa da multidão das suas transgressões; os seus filhinhos marcharam para o cativeiro adiante do adversário.
6 E da filha de Sião já se foi todo o seu esplendor; os seus príncipes ficaram sendo como cervos que não acham pasto e caminham sem força adiante do perseguidor.
7 Lembra-se Jerusalém, nos dias da sua aflição e dos seus exílios, de todas as suas preciosas coisas, que tivera desde os tempos antigos; quando caía o seu povo na mão do adversário, e não havia quem a socorresse, os adversários a viram, e zombaram da sua ruína.
8 Jerusalém gravemente pecou, por isso se fez imunda; todos os que a honravam a desprezam, porque lhe viram a nudez; ela também suspira e se volta para trás.
9 A sua imundícia estava nas suas fraldas; não se lembrava do seu fim; por isso foi espantosamente abatida; não há quem a console; vê, Senhor, a minha aflição; pois o inimigo se tem engrandecido.
10 Estendeu o adversário a sua mão a todas as coisas preciosas dela; pois ela viu entrar no seu santuário as nações, acerca das quais ordenaste que não entrassem na tua congregação.
11 Todo o seu povo anda gemendo, buscando o pão; deram as suas coisas mais preciosas a troco de mantimento para refazerem as suas forças. Vê, Senhor, e contempla, pois me tornei desprezível.
12 Não vos comove isto a todos vós que passais pelo caminho? Atendei e vede se há dor igual a minha dor, que veio sobre mim, com que o Senhor me afligiu, no dia do furor da sua ira.
13 Desde o alto enviou fogo que entra nos meus ossos, o qual se assenhoreou deles; estendeu uma rede aos meus pés, fez-me voltar para trás, tornou-me desolada e desfalecida o dia todo.
14 O jugo das minhas transgressões foi atado; pela sua mão elas foram entretecidas e postas sobre o meu pescoço; ele abateu a minha força; entregou-me o Senhor nas mãos daqueles a quem eu não posso resistir.
15 O Senhor desprezou todos os meus valentes no meio de mim; convocou contra mim uma assembléia para esmagar os meus mancebos; o Senhor pisou como num lagar a virgem filha de Judá.
16 Por estas coisas vou chorando; os meus olhos, os meus olhos se desfazem em águas; porque está longe de mim um consolador que pudesse renovar o meu ânimo; os meus filhos estão desolados, porque prevaleceu o inimigo.
17 Estende Sião as suas mãos, não há quem a console; ordenou o Senhor acerca de Jacó que fossem inimigos os que estão em redor dele; Jerusalém se tornou entre eles uma coisa imunda.
18 Justo é o Senhor, pois me rebelei contra os seus mandamentos; ouvi, rogo-vos, todos os povos, e vede a minha dor; para o cativeiro foram-se as minhas virgens e os meus mancebos.
19 Chamei os meus amantes, mas eles me enganaram; os meus sacerdotes e os meus anciãos expiraram na cidade, enquanto buscavam para si mantimento, para refazerem as suas forças.
20 Olha, Senhor, porque estou angustiada; turbadas estão as minhas entranhas; o meu coração está transtornado dentro de mim; porque gravemente me rebelei. Na rua me desfilha a espada, em casa é como a morte.
21 Ouviram como estou gemendo; mas não há quem me console; todos os meus inimigos souberam do meu mal; alegram-se de que tu o determinaste; mas, em trazendo tu o dia que anunciaste, eles se tornarão semelhantes a mim.
22 Venha toda a sua maldade para a tua presença, e faze-lhes como me fizeste a mim por causa de todas as minhas transgressões; pois muitos são os meus gemidos, e desfalecido está o meu coração.”

Jeremias sabia que o tempo de exílio de Judá não seria pequeno, porque o Senhor lhe revelou que seria de 70 anos a duração do cativeiro em Babilônia (Jer 25.11,12; 29.10)
Ele não viveria portanto, para ver a restauração do seu povo, prometida por Deus, depois de cumpridos os 70 anos de cativeiro.
Então expressa o choro amargo de Jerusalém por se encontrar desolada, e por ter ido para o cativeiro para sofrer aflição e dura servidão.
Até mesmo as ruas de Jerusalém choravam porque já não havia quem caminhasse por elas para se dirigir ao culto no templo, porque as portas da cidade estavam desoladas e os sacerdotes impedidos de oficiarem porque o templo havia sido destruído.
Por causa da multidão das transgressões do Seu povo, o Senhor lhes afligiu, e fez com que seus inimigos prosperassem contra eles levando-lhes para o cativeiro.
Todo o esplendor de Jerusalém havia acabado, e seus príncipes já não se achavam em honra em seus tronos, mas caminhavam sem forças adiante do perseguidor que os conduzia para Babilônia.
No entanto, não foi sem causa que Jerusalém havia caído em sua aflição, porque desde tempos antigos pecou gravemente e de honrada que era, passou a ser desprezada, porque se viu nela a sua nudez e imundícia (v. 7 a 9).
O profeta clama em angústia ao Senhor como se fosse a própria cidade de Jerusalém que estivesse clamando, porque ele estava expressando a dor que havia se apoderado dos habitantes de Judá.
Judá não atendeu ao chamado ao arrependimento que o Senhor lhe fizera através dos profetas, inclusive do próprio Jeremias, então lhe sobreveio repentina aflição da parte do Senhor, no dia do furor da sua ira, porque se recusaram a se arrepender dos seus pecados.
Isto não é diferente, mesmo com muitos na Igreja, que insistem em andar deliberadamente no pecado, sem dar a devida atenção às muitas chamadas do Senhor ao arrependimento. Nas cartas dirigidas às Igrejas citadas no segundo e no terceiro capítulo do livro de Apocalipse, nós vemos de modo muito claro como o Senhor ameaça inclusive com a remoção do castiçal, das Igrejas que se recusassem a se arrepender.
E quando há este despejar da ira do Senhor, conduzindo as almas de crentes a cativeiros não de condenação eterna, mas de disciplina e de correção, é realmente de comover o nosso coração, tal como Jeremias o expressou em relação ao gemido dos moradores de Judá e Jerusalém (v. 12).
O juízo de Deus sobre o Seu povo de Judá, nos dias de Jeremias, foi tal como fogo que entra nos ossos, e rede que prende os pés, e que impede o avançar na caminhada, e que traz desolação e desfalecimento todos os dias (v. 13).
Que nestas horas de profundezas da alma, por causa da prática de pecados deliberados, que todo crente, soubesse avaliar devidamente estes sintomas para buscar no Senhor lugar de arrependimento, para ser curado.
O que sucedeu a Jerusalém foi para advertência da Igreja de Cristo, para que não andemos nos mesmos pecados em que eles andaram, de forma a não cairmos debaixo da vara da correção do Senhor, que geralmente, será achada nas mãos do próprio Inimigo das nossas almas, porque aqueles que resistem à vontade do Senhor, dão lugar ao diabo, o qual afligirá as suas almas, até que retornem ao abrigo de Deus.
E o Senhor será achado justo ao vindicar a Sua justiça e santidade, visitando os nossos pecados, e permitindo que sejamos afligidos, não para pagar a conta dos nossos pecados, porque esta dívida já foi paga por Cristo, para o Seu povo, mas para que sejamos desviados dos nossos maus caminhos, pelo temor do mal, que nos sobrevenha ou que possa ainda sobrevir.
Os povos inimigos de Israel alegravam-se com o mal que havia vindo sobre os judeus, mas estavam esquecidos que o Senhor também visitaria no tempo apropriado, com os Seus juízos, os pecados deles.

Silvio Dutra

SALMO 74 – Salmo de Asafe

Este salmo de Asafe bem poderia ser unido ao livro das Lamentações de Jeremias, porque trata não somente do mesmo assunto das assolações feitas contra os judeus bem como contra o templo do Senhor.
Assim, este lamento pode ser aplicado à destruição de Jerusalém nos dias de Nabucodonosor, como a qualquer outra assolação sofrida pelos judeus e o seu culto ao Senhor, em qualquer época da história de Israel. O salmista pergunta por que Deus estava rejeitando o Seu povo, no entanto, ele sabia qual era o motivo de tal rejeição, ainda que não de todos os judeus, mas da grande maioria que lhe era infiel. É o sentimento nacionalista que fala neste salmo. Todavia, Deus não age com base nos nossos sentimentos nacionalistas, ou nos de qualquer outra natureza, senão somente baseado na justiça e na verdade. Israel lhe havia virado as costas por séculos, e na Sua bondade sempre chamou o povo ao arrependimento, e lhes advertiu de que suas cidades seriam assoladas e seriam levados em cativeiro caso não se arrependessem, e foi de fato o que Ele fez, e que agora levava Asafe a lamentar pela condição de ruína a que fora deixada a nação de Israel. Asafe argumentou com o Senhor para que se lembrasse da aliança que havia feito com o Seu povo, no entanto, não foi Ele quem fora infiel à aliança, mas Israel. Eles haviam anulado a aliança que havia sido feita através de Moisés, e então já estava em andamento, para ser inaugurada, uma Nova Aliança, conforme havia sido prometida desde Abraão e aos profetas. Deus tornaria a restaurar os judeus que se arrependessem e tornaria a fazer-lhes bem em sua própria terra, tal como tem feito tantas vezes na história daquela nação, todavia, eles experimentariam antes, todo o Seu desagrado para com as suas apostasias.

“Por que nos rejeitas, ó Deus, para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? Lembra-te da tua congregação, que adquiriste desde a antiguidade, que remiste para ser a tribo da tua herança; lembra-te do monte Sião, no qual tens habitado. Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas, tudo quanto de mal tem feito o inimigo no santuário. Os teus adversários bramam no lugar das assembleias e alteiam os seus próprios símbolos. Parecem-se com os que brandem machado no espesso da floresta, e agora a todos esses lavores de entalhe quebram também, com machados e martelos. Deitam fogo ao teu santuário; profanam, arrasando-a até ao chão, a morada do teu nome. Disseram no seu coração: Acabemos com eles de uma vez. Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra. Já não vemos os nossos símbolos; já não há profeta; nem, entre nós, quem saiba até quando. Até quando, ó Deus, o adversário nos afrontará? Acaso, blasfemará o inimigo incessantemente o teu nome? Por que retrais a mão, sim, a tua destra, e a conservas no teu seio? Ora, Deus, meu Rei, é desde a antiguidade; ele é quem opera feitos salvadores no meio da terra. Tu, com o teu poder, dividiste o mar; esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos. Tu espedaçaste as cabeças do crocodilo e o deste por alimento às alimárias do deserto. Tu abriste fontes e ribeiros; secaste rios caudalosos. Teu é o dia; tua, também, a noite; a luz e o sol, tu os formaste. Fixaste os confins da terra; verão e inverno, tu os fizeste. Lembra-te disto: o inimigo tem ultrajado ao SENHOR, e um povo insensato tem blasfemado o teu nome. Não entregues à rapina a vida de tua rola, nem te esqueças perpetuamente da vida dos teus aflitos. Considera a tua aliança, pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de violência. Não fique envergonhado o oprimido; louvem o teu nome o aflito e o necessitado. Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa; lembra-te de como o ímpio te afronta todos os dias. Não te esqueças da gritaria dos teus inimigos, do sempre crescente tumulto dos teus adversários.”

Silvio Dutra

“Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o Senhor.”
(Lamentações 3.40)



A esposa que com carinho ama seu marido ausente anseia pelo seu retorno; uma separação prolongada de seu amado é uma semi-morte para o seu espírito, e assim se dá com as almas que muito amam o Salvador, elas precisam ver o seu rosto, elas não podem suportar que ele esteja longe sobre os montes de Betel, e não mais manter comunhão com elas. Um olhar reprovador, um dedo erguido será doloroso para filhos amorosos, que temem ofender seu terno pai, e que somente se alegram diante de seu sorriso.
Amado, foi assim uma vez com você. Um texto da Escritura, uma ameaça, um toque da vara da aflição, e você foi para os pés de seu Pai, chorando, "Mostre-me por que contendes comigo?" É assim agora? Você se contenta em seguir Jesus de longe? Você pode contemplar uma comunhão com Cristo suspensa, sem alarmar-se? Você pode suportar o seu Amado andando ao contrário de você, porque você anda ao contrário dele? Os seus pecados separam você e o seu Deus, e seu coração está em repouso? Oh, deixe-me carinhosamente alertá-lo, pois é uma coisa grave quando podemos viver contentes sem o gozo presente do rosto do Salvador. Esforcemo-nos para sentir o quão isto é mau - pouco amor pelo nosso Salvador agonizante, pouca alegria em nosso precioso Jesus, pouca comunhão com o Amado! Faça uma verdadeira preparação na sua alma, enquanto se entristece pela dureza de seu coração. Não pare na tristeza! Lembre-se de onde você recebeu pela primeira vez a salvação. Vá imediatamente para a cruz. Lá, e somente lá, o seu espírito pode ser vivificado.
Não importa o quão duros, quão insensíveis, quão mortos possamos nos ter tornado, vamos para lá novamente com todos os trapos e pobreza, e contaminações de nossa condição natural. Vamos abraçar aquela cruz, vamos olhar para aqueles olhos lânguidos, vamos nos banhar nessa fonte cheia de sangue, isso vai trazer de volta para nós o nosso primeiro amor; o que irá restaurar a simplicidade de nossa fé, e a ternura do nosso coração.

Texto de Charles Haddon Spurgeon, Traduzido e adaptado por Iza Rainbow

Charles Haddon Spurgeon

Não gastes a riqueza do tempo com lamentações improdutivas, nem destruas o valor das horas no fogo da agitação.

Wambasten Lima

Não faça da vida um muro de lamentações, porque a única coisa que irá conseguir é sentir piedade de ti mesmo, sem conseguir superar os obstáculos que está em você. Ataíde Lemos

Ataíde Lemos