Jose Luis Borges
Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.
Jorge Luis BorgesParece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti, mas viver sem amor acho impossível.
Jorge Luis BorgesA esperança é o mais sórdido dos sentimentos.
Jorge Luis BorgesHoje não me alegram
as amendoeiras do horto.
Me lembro de ti.
O casamento é um destino pobre para uma mulher.
Jorge Luis BorgesEu não falo de vingança nem de perdão, o esquecimento é a única vingança e o único perdão
Jorge Luis BorgesTodos os caminham levam à morte. Perca-se.
Jorge Luis BorgesCreio que uma forma de felicidade é a leitura.
Jorge Luis BorgesCalam-se as cordas.
A música sabia
o que eu sinto.
aqui também essa desconhecida
e ansiosa e breve coisa
que é a vida
Desde aquele dia
não movi as peças
no tabuleiro.
Sou um homem de letras, nada mais. Não estou certo de ter pensado nada de original em minha vida. Sou um fazedor de sonhos.
Jorge Luis BorgesSou
Sou o que sabe não ser menos vão
Que o vão observador que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irmão.
Sou, tácitos amigos, o que sabe
Que a única vingança ou o perdão
É o esquecimento. Um deus quis dar então
Ao ódio humano essa curiosa chave.
Sou o que, apesar de tão ilustres modos
De errar, não decifrou o labirinto
Singular e plural, árduo e distinto,
Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.
No deserto
acontece a aurora.
Alguém o sabe.
Esta é a mão
que às vezes tocava
tua cabeleira.
Elogio da Sombra
A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.
em vão espero
as desintegrações e os símbolos
que precedem ao sonho
Sob a lua
a sombra que se alonga
é uma só.
A velha mão
segue traçando versos
para o esquecimento.
É um império
essa luz que se apaga
ou um vaga-lume?
