Homenagens para 15 anos

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Fico imaginando aquela menina de 15 anos recebendo a visita do anjo, um ser celestial que lhe disse: “Não tenhas medo, Maria”. Essa palavra do anjo está tocando você neste momento. Você que está preocupado, sem metas e sem projetos para este ano que se iniciou. Você que não tem motivos para louvar, que está vivendo uma situação difícil, hoje o anjo entra na sua vida e diz: “Não tenha medo, eu estou contigo”. O Senhor está contigo neste momento. Você não está sozinho, não esteve e nunca estará, pois a palavra do anjo é o que em dar 'liga', agora, ao seu interior.

"Assim como Maria, tenha fé sem ver!" Mensagem do padre Arlon, da comunidade Canção Nova, no programa "Sorrindo pra Vida" da TV

Minha filha, hoje você completa 15 anos. E que magia tem isso?
Não sei exatamente, nem sei se alguém pode responder seguro e certo.
Que diferença tem de outros natalícios?
Não vou descobri, talvez não precise.
O que preciso dizer, ate como testemunho da grandeza e soberania de Deus, e que, você é um milagre.
Então... Imagina a alegria que enche o meu coração em ter sido escolhido por Deus para ser teu pai.
Agradeço a Deus por ter honrado meus sonhos, de cumprir o desejo do meu coração, de ter você, minha filha, meu tesouro!
Parabéns!!!

Inaldo Ferreira

Não virei alcoólatra, não engravidei aos 15 e nem estou desempregada. Sim, acho que orgulhos meus pais.

Camila Bill

Hoje de madrugada (15/01/13) aconteceu um fato que me deixou com essa frase na cabeça "dê valor enquanto tem". Moro com a minha avó, sempre fui muito apegada á ela pelo fato de não ter pai, ela cuidou de mim e hoje de madrugada acordei com ela passando muito mal, muito mesmo, ela aparentemente é saudável, mas é tem muitas doenças e uma delas é no pulmão e hoje achei que iria perder ela. Agora ela já melhorou e está tudo bem graças a Deus. Mas ainda estou com isso na cabeça. Quando a gente vê que está perdendo uma pessoa aos poucos, parece que na sua cabeça só passa aqueles momentos em que você pensa: "poxa, eu poderia ter feito mais, poderia ter aproveitado mais". E uma coisa é verdade: a gente só se dá conta da importância, da necessidade de uma pessoa em nossas vidas, quando estamos perdendo ela. Então o que nos resta é aproveitar cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo que ainda resta com essa pessoa para valorizar, para aproveitar, porque arrependimento infelizmente não trás ninguém de volta.

Bárbara Flores

Uma menina de 15 anos tem um filho de um ano
nos braços. As pessoas a chamam de vagabunda,
mas não sabem que ela foi estuprada aos 13. As
pessoas chamam um outro de gordo, mas
ninguém sabe que ele tem uma doença grave que
causa sobrepeso. As pessoas chamam um velho
de feio, mas ninguém sabe que quando houve
uma guerra ele lutou pelo nosso país.

Allyne15

Aos 15, eu já possuía massa cefálica ativa, há muito tempo.

Camila Bill

PROVÉRBIOS 15:23
15 Todos os dias do aflito são maus; mas o coração contente tem um banquete contínuo.
16 Melhor é o pouco com o temor do Senhor, do que um grande tesouro, e com ele a inquietação.
17 Melhor é um prato de hortaliça, onde há amor, do que o boi gordo, e com ele o ódio.
18 O homem iracundo suscita contendas; mas o longânimo apazigua a luta.
19 O caminho do preguiçoso é como a sebe de espinhos; porém a vereda dos justos é uma estrada real.
20 O filho sábio alegra a seu pai; mas o homem insensato despreza a sua mãe.
21 A estultícia é alegria para o insensato; mas o homem de entendimento anda retamente.
22 Onde não há conselho, frustram-se os projetos; mas com a multidão de conselheiros se estabelecem.
23 O homem alegra-se em dar uma resposta adequada; e a palavra a seu tempo quão boa é!

José Inácio

Dos 15 aos 25

Ao final desse tempo percebemos como amadurecemos nossa maneira de pensar e começamos a ter uma visão mais ampla da nossa vida !
Por volta de 15 à 18 anos , as coisas da nossa vida são definitivas! Pelos é o que achamos...
Cada namorada(o) são as"pessoas" da nossa vida! fazemos juras eternas ,escolhemos os nomes dos filhos, o lugar da lua de mel ,
nos imaginamos velhinhos juntos ,idealizamos aquele casamento na praia ou aquela entrada triunfal na igreja! Quando de repente ... PLAFT!!
O namoro termina o sonho acaba , e você descobre que é novo ou nova demais para se casar e ter filhos e resolve
sair aproveitar a vida , curtir com os amigos , fazer festas , estar em todas as baladas ou bares , e haja dinheiro rsrsrs.
Aí ... Em um espaço de tempo não muito longo , você conhece uma nova pessoa e acaba criando outras e novas expectativas , na maioria das
vezes apenas "expectativas"... Você vai aos poucos se tornando mais seletivo com as companias ao perceber que o tempo dos relacionamentos já não passam de meses
e as relações já são previsíveis, então você começa a se preocupar mais cedo com as responsabilidades da vida e é apresentado as "DIVIDAS"
e ai começa o alvejado crescimento profissional , a monotonia etc... E então você resolve matar a saudade de um pouco daquela falta de responsabilidade
e dar uma quebrada na rotina .É ai que você se pega perdido no meio daquele lugar em que você adorava frequentar , aonde você conhecia todo mundo ,
e então vem a famosa decepção ao ver que aquele lugar já não é mais tão legal , que as pessoas são bem mais novas , e aquele sentimento de que o tempo passou bate no
peito... Bem vindo a casa dos vinte e poucos anos , é quando você descobre novos horizontes e faz novos amigos ,se orgulha de já não ser mais tão dependente dos outros
e nota varias mudanças acontecendo. Amigos de infância se casando e tendo filhos , amigos que se quer reconhecemos mais caminhando pelas ruas ...
Vamos aos poucos se acostumando com as mudanças , colocando um pé atrás em coisas que nem se quer importava pra gente antes , sem falar nos laços de família que estavam
ali o tempo todo , e só agora demos conta de quanto são importantes e aposto que lá atrás a muito tempo .Alguém já tinha falado pra você que as coisas eram assim
, mas você ignorou como todo adolescente , assim como seus filhos irão fazer com você . É a lei da vida , só aprendemos tomando tapa na cara e tombos para ai sim tomarmos
nossas próprias conclusões não muito diferente de nossos pais . Sobre a vida só podemos seguir aproveitando ao maximo possível porque segundo minhas "CONCLUSÕES" a única
certeza que tenho é que não tenho certeza de nada , e sigo querendo não concordar com aquela musica da Cassia Eller , aonde ela diz: "O PRA SEMPRE , SEMPRE ACABA!"

Juan Felipe Torres Garbelotto

EZEQUIEL 15

Israel era a vide do Senhor, uma videira que fora plantada por Ele para ser frutífera, como se espera de qualquer videira, porque sua madeira não tem qualquer outra utilidade senão a de sustentar ramos que deem uvas.
Mas em vez de uvas doces, Israel se tornou numa videira que não somente dava uvas bravas, como também não frutificava.
Então seriam cortados e queimados pelo Senhor, tal como se faz com a madeira da videira que não é frutífera. É queimada, geralmente sendo usada para aquecer fornos.
Se Israel antes de ser queimado pelo juízo de fogo do Senhor não tinha qualquer serventia para Ele, quanto mais não a teria depois que fossem queimados?
Por isso o cristão é chamado a frutificar dando os frutos de justiça esperados por Deus, pelos quais comprovará que está de fato ligado à Videira verdadeira.
“1 Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o viticultor.
2 Toda vara em mim que não dá fruto, ele a corta; e toda vara que dá fruto, ele a limpa, para que dê mais fruto.
3 Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.
4 Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim.
5 Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
6 Quem não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas.” (João 15.1-5)
Um cristão que se recusa a frutificar para Deus, pode ser apanhado pelo fogo do Senhor, com um juízo de morte física, que o desligará do corpo de Cristo na terra, embora permaneça salvo, ainda que como pelo fogo, que lhe impediu de continuar dando um mau testemunho ainda maior do que aquele que vinha dando (I Cor 3.15).
Não se pode confundir o caso de um cristão autêntico, lavado e remido pelo sangue de Jesus, com o de Judas, que era filho da perdição, e que por conseguinte, nunca se convertera de fato, e não era portanto filho de Deus. Porque ele andou ligado à Videira Verdadeira, enquanto estava no seu apostolado, mas desonrou a Videira, pelo seu testemunho de vida que se consumou na sua traição, e portanto foi cortado porque era um ramo morto na Videira, e sendo videira não pode sustentar ramos mortos, que devem ser cortados e queimados, tal como Judas o fora, não por um fogo purificador de correção, mas de destruição para uma condenação eterna.
O destino dos judeus dos dias de Ezequiel seria o mesmo que foi reservado para Judas, porque eram ramos mortos na videira de Israel.





“1 De novo veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, que mais do que qualquer outro pau é o da videira, o ramo da videira que está entre as árvores do bosque?
3 Toma-se dele madeira para fazer alguma obra? ou toma-se dele alguma estaca, para se lhe pendurar algum utensílio?
4 Eis que é lançado no fogo, para servir de pasto; o fogo devora ambas as suas extremidades, e o meio dele fica também queimado; serve para alguma obra?
5 Ora, quando estava inteiro, não servia para obra alguma; quanto menos, estando consumido ou carbonizado pelo fogo, se faria dele qualquer obra?
6 Portanto, assim diz o Senhor Deus: Como entre as árvores do bosque é o pau da videira, que entreguei para servir de pasto ao fogo, assim entregarei os habitantes de Jerusalém.
7 E porei a minha face contra eles; eles sairão do fogo, mas o fogo os devorará; e sabereis que eu sou o Senhor, quando tiver posto a minha face contra eles.
8 Farei da terra uma desolação, porquanto eles se houveram traiçoeiramente, diz o Senhor Deus.” (Ezequiel 15)

Silvio Dutra

Jogando Vinagre em Feridas – Jó 15

Maior do que o sofrimento físico e pelas perdas que havia sentido, foi o que Jó sentiu pela grande pressão que os seus amigos faziam sobre a sua alma.
Quando estamos em grande estado de fraqueza, angústia, dor, aflição, não queremos ouvir conselhos funestos, mas alguém que se coloque ao nosso lado e levante um clamor a Deus em nosso favor para que nos dê alívio.
É o que todo bom médico procura fazer: aliviar as dores de seus pacientes, e não aumentá-las.
Que médicos de almas eram aqueles amigos de Jó, que só faziam aumentar o seu sofrimento, e que não recuavam diante da constatação do efeito das suas palavras sobre ele?
Eles queriam justificar a Deus condenando o seu servo justo e íntegro.
Não estavam muito distantes dos principais sacerdotes e anciãos de Israel, que tentaram justificar a Deus e a Lei de Moisés, levando Jesus a morrer na cruz.
Não podemos ser aprovados por Deus condenando inocentes, e era justamente isto que estavam fazendo os amigos de Jó.
Mais do que justificar a Deus, os amigos de Jó queriam exibir a grande sabedoria da qual julgavam estarem dotados.
Pavões exibicionistas diante da dor alheia. É algo para ser não apenas temido, mas evitado.
Todavia, quantos destes pavões não são encontrados nas próprias igrejas, exibindo conhecimento teológico enquanto matam almas inocentes, com a sua incapacidade de sintonizarem com a dor alheia.
Que ao menos ficassem calados diante de tais sofrimentos, como Jó apelou insistentemente a seus amigos que o fizessem.
Todavia não lhe deram ouvido e continuaram em sua obstinação, fustigando a sua alma justa, conforme vemos neste 15º capítulo, tentando convencê-lo de que a causa do seu sofrimento era falta de temor e de reverência para com Deus. Principalmente por insistir em afirmar que era justo perante Ele.
Como eles não admitiam que tais sofrimentos não podiam acometer uma alma justa, então concluíram que a causa da aflição de Jó era a iniquidade do seu coração.
Não são poucos os teólogos, especialmente os da confissão positiva e da teologia da prosperidade, que advogam a mesma posição errada dos amigos de Jó.
Eles afirmam que se alguém está sofrendo é por causa do pecado que tenha praticado, ou então por causa da falta de fé para repreender o mal.
Que modo mais simplista e errado de se definir a vida!
Isto não pode ser aplicado como uma regra absoluta, porque se há de fato, sofrimento que é causado por causa de pecados praticados e também pela incredulidade, não se pode, no entanto, diagnosticar todo tipo de sofrimento por esta mera regra estreita.
Como se encaixam nesta regra as seguintes afirmações bíblicas, dentre outras:
“confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé, dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus.” (At 14.22)
“E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições.” (II Tim 3.12)
“Antes em tudo recomendando-nos como ministros de Deus; em muita perseverança, em aflições, em necessidades, em angústias,” (II Cor 6.4)
“Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que resta das aflições de Cristo, por amor do seu corpo, que é a igreja;” (Col 1.24)
“mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis.” (I Pe 4.13)
“Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (Jo 16.33)
“pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer por ele,” (Fp 1.29)
Todas estas afirmações bíblicas relativas aos sofrimentos dos justos não poderiam ser entendidas pelos amigos de Jó, se fossem lidas para eles, porque se justificariam como fazem os teólogos da confissão positiva e da prosperidade material, porque não se darão por convencidos até que sejam humilhados por Deus, tal como o Senhor fizera com os amigos de Jó, lhes declarando que os mataria caso Jó não intercedesse em favor deles, e também por conceder a Jó uma vida próspera em dobro, em relação a tudo o que tinha antes de ter sido afligido.
A história não tinha acabado.
Havia ainda capítulos para serem contados, mas como isto foi encoberto por Deus aos amigos de Jó, eles prosseguiram em suas ousadas asseverações, conforme as que vemos nas palavras de Elifaz neste 15º capítulo, que continuou teimosamente justificando a Deus, quando Ele não necessita de nenhum justificador, e o pior de tudo, fazendo-o, por condenar a Jó.
Diferentemente de Jó, aqueles homens se julgavam justos a seus próprios olhos, tal como os fariseus e escribas dos dias de Jesus, simplesmente por entenderem que possuíam um conhecimento elevado acerca de Deus.
Como se julgavam retos por causa deste conhecimento, então eram ímpios todos aqueles, que segundo eles, lhes faltava tal conhecimento, e nisto incluíram o próprio Jó.
Eles definiram o ímpio por esta medida particular que eles haviam criado em suas próprias imaginações, sem que tivessem recebido qualquer revelação específica da parte de Deus.
Então, estes ímpios jamais poderiam ter paz tal como eles, e jamais poderiam esperar algo diferente de uma condenação inapelável.
Veja, que tal como os escribas e fariseus, haviam esquecido, ou não conheciam, os aspectos mais importantes da teologia, que são a justiça, a fé e a misericórdia.
Eles faziam umas poucas coisas que consideravam justas e como sendo toda a vontade de Deus, e se julgavam portanto, aprovados.
Eles não conseguiam enxergar que por maiores e melhores que sejam as obras dos homens, eles permanecem condenados diante de Deus, sendo salvos exclusivamente por Sua graça e misericórdia, pelo simples fé no ato da justiça que nos tem oferecido em Jesus Cristo.
Somos justificados pela justiça de um Outro, a saber: Cristo.
Somos vestidos com a Sua justiça para sermos aceitos por Deus.
Ninguém será justificado por obras que realize ou pelo conhecimento ortodoxo que alegue possuir.
Todavia como o conhecimento incha, os amigos de Jó estavam inchados de orgulho, para que pudessem ser enchidos com o verdadeiro conhecimento que procede de Deus.
Assim, à uma apressada vista, as palavras de Elifaz podem dar a impressão de serem a pura expressão da sabedoria divina, no entanto, não devem ser lidas com os óculos da mente natural, mas com os óculos do Espírito, e então veremos que não passam de afirmações de palha, que não podem resistir ao fogo do justo juízo divino.
Em primeiro lugar, ele desprezou completamente as alegações sábias de Jó sobre a brevidade da vida do homem neste mundo, chamando-as de palavras de vento, e que portanto seriam espalhadas pelo vento oriental. Chamou-as de palavras vãs e de nenhuma serventia. No entanto, vimos quão apropriado é dar a devida atenção ao que Jó disse para que não ajuntemos tesouros na terra, senão somente no céu.
Além disso, Elifaz afirmou que Jó estava destruindo a reverência, e impedindo a meditação diante de Deus. Obviamente o dissera porque a verdade incomoda, e impede que devaneios sejam a base da nossa meditação espiritual.
Não se pode, no entanto, prestar-se verdadeiro culto a Deus, ou meditar na Sua presença, sem esta sinceridade de abrir o coração perante Ele, tal como Jó estava fazendo.
Enganam-se os herdeiros do espírito dos escribas e fariseus, pensando que é possível cultuar a Deus com hipocrisia, ou seja, ocultando as reais condições de nossa alma, enquanto nos entregamos a ritos e cerimoniais religiosos.
O problema com os amigos de Jó é da mesma ordem e natureza do problema de todos os hipócritas, ou seja, apesar de serem insinceros diante de Deus, e de não buscarem uma vida verdadeiramente santa, pretendem ainda assim, serem considerados como todos os verdadeiros santos.
Isto nós vemos nas seguintes palavras de inveja amargurada que Elifaz disse a Jó:
“9 Que sabes tu, que nós não saibamos; que entendes, que não haja em nós?
10 Conosco estão os encanecidos e idosos, mais idosos do que teu pai.”
Veja que ele estava afirmando um conhecimento superior de Deus, baseado nas tradições que haviam recebido de seus antepassados.
Não era exatamente este o problema com os escribas e fariseus, que invalidaram a Palavra de Deus, por causa das tradições de seus pais?
A teologia de Jó não era uma teologia recebida por tradição de homens, mas por ser cavada em íntima experiência com Deus.
Isto o homem natural não pode aceitar.
Ele não admite que Deus fale diretamente conosco, e que nos revele a Sua vontade.
Tem que estar seguro em algo que lhe foi dito pelos antepassados. Por algum religioso renomado. E é nisto que firmam suas convicções sobre Deus.
O espírito livre de Jó, que não estava preso a tais tradições era um abuso, uma irreverência, algo insuportável para eles.
Assim como foram Jesus e os apóstolos para os escribas e fariseus em seus dias.
Elifaz disse que Jó estava fazendo pouco caso das consolações de Deus, quando estava sendo privado destas consolações durante o período da sua aflição. Que descaramento! Que falta de sensibilidade e misericórdia! Dizer a alguém que estava sendo consumido com a dor, com a morte todo o tempo diante da sua face, que deveria se alegrar em Deus, e se regozijar por saber que Ele é consolador.
Pessoas que se queixam de suas presentes condições aflitivas, não estão necessariamente se voltando contra Deus, pelas palavras amargas que possam sair de suas bocas, tal como Elifaz estava julgando a Jó incorretamente (v. 13).
Não podemos julgá-los nestas horas difíceis como sendo apóstatas, ou como pessoas que perderam a sua santidade perante Deus.
É muito fácil ser conduzido, como Elifaz foi em seus dias, a um julgamento errado, pensando que a causa dos sofrimentos de tais pessoas é o fato de não serem espirituais, de não obedecerem os mandamentos de Deus, de não estarem orando ou buscando ao Senhor o tanto quanto deveriam.
E finalmente julgá-los como sendo ímpios e não verdadeiros cristãos, tal como Elizaz fizera em relação a Jó, pelo que deduzira de seus grandes sofrimentos.
É cruel dizer para alguém em tais circunstâncias, como as de Jó:
“Está sofrendo assim porque quer! Não deu a devida atenção à vontade de Deus e olha só o que lhe veio a acontecer!” Se isto é cruel a nossos olhos, imagine aos olhos puros e santos de Deus! Por isso se irou sobremaneira contra os amigos de Jó como vemos no final do seu livro.
Deus se enoja de toda esta justiça farisaica que condena o pecador antes mesmo que ele seja submetido ao juízo divino.
Por isso somos advertidos para não julgarmos para não sermos julgados com o mesmo critério com que julgarmos a outros, porque somos tão pecadores quanto eles, sendo justificados gratuitamente por Cristo, por causa da Sua exclusiva graça e misericórdia.
Todavia, a natureza terrena nos leva sempre a nos compararmos com outros e a nos julgarmos melhores do que eles, ou então a estarmos em melhores condições perante Deus do que eles, em razão de não praticarmos as mesmas coisas que costumam praticar ou por não vivermos tal como eles.
Devemos vigiar constantemente contra este espírito que nos torna inúteis para ajudar o nosso próximo, tal como os amigos de Jó no passado.



“1 Então respondeu Elifaz, o temanita:
2 Porventura responderá o sábio com ciência de vento? E encherá do vento oriental o seu ventre,
3 arguindo com palavras que de nada servem, ou com razões com que ele nada aproveita?
4 Na verdade tu destróis a reverência, e impedes a meditação diante de Deus.
5 Pois a tua iniquidade ensina a tua boca, e escolhes a língua dos astutos.
6 A tua própria boca te condena, e não eu; e os teus lábios testificam contra ti.
7 És tu o primeiro homem que nasceu? Ou foste dado à luz antes dos outeiros?
8 Ou ouviste o secreto conselho de Deus? E a ti só reservas a sabedoria?
9 Que sabes tu, que nós não saibamos; que entendes, que não haja em nós?
10 Conosco estão os encanecidos e idosos, mais idosos do que teu pai.
11 Porventura fazes pouco caso das consolações de Deus, ou da palavra que te trata benignamente?
12 Por que te arrebata o teu coração, e por que flamejam os teus olhos,
13 de modo que voltas contra Deus o teu espírito, e deixas sair tais palavras da tua boca?
14 Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique justo?
15 Eis que Deus não confia nos seus santos, e nem o céu é puro aos seus olhos;
16 quanto menos o homem abominável e corrupto, que bebe a iniquidade como a água?
17 Escuta-me e to mostrarei; contar-te-ei o que tenho visto
18 (o que os sábios têm anunciado e seus pais não o ocultaram;
19 aos quais somente era dada a terra, não havendo estranho algum passado por entre eles);
20 Todos os dias passa o ímpio em angústia, sim, todos os anos que estão reservados para o opressor.
21 O sonido de terrores está nos seus ouvidos; na prosperidade lhe sobrevém o assolador.
22 Ele não crê que tornará das trevas, mas que o espera a espada.
23 Anda vagueando em busca de pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que o dia das trevas lhe está perto, à mão.
24 Amedrontam-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele, como um rei preparado para a peleja.
25 Porque estendeu a sua mão contra Deus, e contra o Todo-Poderoso se porta com soberba;
26 arremete contra ele com dura cerviz, e com as saliências do seu escudo;
27 porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou carne gorda nas ilhargas;
28 e habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguém deveria morar, que estavam a ponto de tornar-se em montões de ruínas;
29 não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela terra as suas possessões.
30 Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os seus ramos, e ao sopro da boca de Deus desaparecerá.
31 Não confie na vaidade, enganando-se a si mesmo; pois a vaidade será a sua recompensa.
32 Antes do seu dia se cumprirá, e o seu ramo não reverdecerá.
33 Sacudirá as suas uvas verdes, como a vide, e deixará cair a sua flor como a oliveira.
34 Pois a assembleia dos ímpios é estéril, e o fogo consumirá as tendas do suborno.
35 Concebem a malícia, e dão à luz a iniquidade, e o seu coração prepara enganos.” (Jó 15)

Silvio Dutra

Os Judeus Subornam os Guardas do Sepulcro – Mateus 28.11-15

“11 Ora, enquanto elas iam, eis que alguns da guarda foram à cidade, e contaram aos principais sacerdotes tudo quanto havia acontecido.
12 E congregados eles com os anciãos e tendo consultado entre si, deram muito dinheiro aos soldados,
13 e ordenaram-lhes que dissessem: Vieram de noite os seus discípulos e, estando nós dormindo, furtaram-no.
14 E, se isto chegar aos ouvidos do governador, nós o persuadiremos, e vos livraremos de cuidado.
15 Então eles, tendo recebido o dinheiro, fizeram como foram instruídos. E essa história tem-se divulgado entre os judeus até o dia de hoje.”

Os judeus têm sido enganados até hoje, não crendo na ressurreição de Jesus, porque têm dado crédito à mentira que foi forjada pelos principais sacerdotes, quando alguns dos guardas do sepulcro lhes disseram o que tinham testemunhado, quanto ao terremoto e o anjo que tinha a aparência do relâmpago tirou a pedra do sepulcro, e o corpo de Jesus havia desaparecido do mesmo.
Temendo que aquela notícia se espalhasse por Israel subornaram os guardas dando-lhes uma grande soma em dinheiro para que contassem a versão forjada por eles para ocultarem a ressurreição de nosso Senhor, pedindo-lhes que dissessem que foram os seus discípulos que haviam furtado o corpo enquanto eles, guardas, estavam dormindo.
E caso Pôncio Pilatos pretendesse agir contra eles, prometeram que intercederiam em favor deles, certamente dizendo a verdade do caso para que o governador a mantivesse também em segredo, para que não houvesse uma possível rebelião na Judeia, em favor de Jesus.
Este foi um dos motivos porque Ele não apareceu depois de Sua ressurreição a todos em Israel, mas o principal deles é que Ele somente se manifesta como ressuscitado dentre os mortos, como o Deus vivo, que já não pode morrer, somente aos que se convertem a Ele, ou seja, aos Seus santos, porque somente eles são tidos por dignos de participarem da Sua vida e ressurreição.
Deus permitiu que o engano fosse forjado, porque isto tem contribuído para o endurecimento dos judeus até os dias de hoje. Endurecimento este que havia sido profetizado, e que será removido somente por ocasião da volta de Jesus ao mundo.

Silvio Dutra

A Questão do Tributo – Mateus 22.15-22

“15 Então os fariseus se retiraram e consultaram entre si como o apanhariam em alguma palavra;
16 e enviaram-lhe os seus discípulos, juntamente com os herodianos, a dizer; Mestre, sabemos que és verdadeiro, e que ensinas segundo a verdade o caminho de Deus, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.
17 Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não?
18 Jesus, porém, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas?
19 Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário.
20 Perguntou-lhes ele: De quem é esta imagem e inscrição?
21 Responderam: De César. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
22 Ao ouvirem isso, ficaram admirados; e, deixando-o, se retiraram.”

Nosso Senhor havia contado também a Parábola das Bodas aos fariseus, e eles mais se enfureceram contra Ele, porque pela parábola, foi-lhes dito explicitamente que estavam fora do reino de Deus.
E não somente isto, estavam rejeitando e perseguindo aqueles que lhes foram enviados com a mensagem do evangelho.
Não tendo como retrucarem às palavras do Senhor, eles se retiraram e entraram em conselho para ver como pegariam a Jesus em alguma palavra, com o fito de fazerem uma acusação formal contra Ele, que o conduzisse a ser condenado à morte.
Para tal propósito, os fariseus entraram em conluio com os partidários políticos do rei Herodes, e enviaram dois discípulos para fazerem uma pergunta a Jesus adrede preparada por eles, provavelmente com um fariseu e um herodiano, e na presença de outros destes partidos para que servissem de testemunhas caso lograssem ter bom êxito na cilada que eles haviam preparado.
Deste modo, caso Jesus respondesse que não era lícito pagar tributo a César, poderiam acusá-lo de estar se rebelando contra o poder civil de Roma, e não teriam nenhum trabalho para a sua condenação, porque o objeto da denúncia, não seria de caráter religioso, mas civil, e portanto, apenas do interesse de Roma.
Os herodianos se encarregariam de levar o assunto a Herodes, para que este interagisse junto ao Procônsul romano, com autoridade sobre toda a Judeia, a saber, Pôncio Pilatos.
Já comentamos em outra passagem que nosso Senhor em nada ofendeu à ordem civil, e nos deixou o exemplo de uma perfeita cidadania, sob as autoridades constituídas deste mundo, para ser seguido por nós.
Então, sua resposta, àqueles hipócritas, fingindo-se de Seus admiradores, não seria uma estratégia para escapulir da cilada que Lhe haviam montado, mas uma resposta sincera que expressava os Seus reais sentimentos e pensamentos relativos ao assunto.
Os judeus, em sua grande maioria eram rebeldes ao poder civil romano, que pelo desígnio de Deus havia sujeitado todas as nações do mundo conhecido de então, e os sacerdotes, escribas e fariseus, fingiam submissão a Roma, para não serem prejudicados em seus interesses pessoais, porque, enquanto apoiassem o Império Romano, este não consideraria a religião de Israel contrária aos interesses deles, e não deixariam de tirar vantagens mutuamente.

Silvio Dutra

Jesus Abençoa as Crianças – Mateus 19.13-15

“13 Então lhe trouxeram algumas crianças para que lhes impusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos os repreenderam.
14 Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus.
15 E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.”

As boas promessas que Deus fez aos israelitas, eram dirigidas a eles e a seus filhos (At 2.38, 39).
Nesta passagem, nosso Senhor revela que estas boas promessas dirigidas a Israel não estavam vedadas aos menores deles, ou seja, às criancinhas de colo que foram trazidas a Ele para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas.
Nos textos paralelos de Marcos e Lucas (Mc 10.13-16; Lc 18.15-17) nós lemos que os discípulos estavam repreendendo aqueles que estavam trazendo as crianças a Jesus, porque pensavam que o pedido deles era uma perda de tempo e incômodo para o Senhor, mas Ele repreendeu os discípulos com a ordem que não mais tentassem impedir que crianças Lhe fossem trazidas para serem abençoadas.
Nosso Senhor fez o bem por toda parte por onde andou (At 10.38), e nunca recusou atender a qualquer um que Lhe procurasse, fosse qual fosse a sua condição.
Se Ele sempre fez o bem e nunca rejeitou a qualquer que O buscasse com sinceridade o mesmo devem fazer os Seus servos.
A Igreja deve aprender do exemplo do Seu mestre, e não negar-se a orar por quem quer que seja, inclusive por aqueles que a maldizem e a perseguem, conforme é ordenado na Palavra.

Silvio Dutra

A Remoção das Ofensas – Mateus 18.15-20

“15 Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão;
16 mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada.
17 Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano.
18 Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu.
19 Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.
20 Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

Para que não fosse mal compreendido em Seu ensino sobre o cuidado com os pequeninos, e que isto não implicava de modo algum, ser tolerante com a prática do mal, nosso Senhor apresentou nesta passagem as regras gerais para o exercício da disciplina na Igreja.
No comentário desta passagem nos valeremos de uma adaptação de um estudo de John Macarthur relativo ao assunto, que traduzimos do original em inglês, em domínio público.
“Uma das mais difíceis responsabilidades para os pais é a educação de seus filhos através do exercício da disciplina. Muitos pais evitam confrontar seus filhos e preferem deixar as coisas no estado em que se encontram. Contudo, é necessário agir com amor, mas com firme e consistente disciplina.
Este mesmo princípio é verdadeiro na família de Deus, pois o Senhor tem dado instruções para disciplinar aqueles membros da família que se recusam a se submeter aos padrões de vida santa que Ele tem estabelecido em Sua Palavra. Os que são responsáveis pela liderança da Igreja devem cedo ou tarde captar a sua responsabilidade em exercer a disciplina da família de Deus.
Quando o assunto da disciplina da igreja é mencionado, muitas perguntas vêm imediatamente à mente. O que Deus fala sobre disciplina? A disciplina está destinada a ser aplicada nos dias de hoje? Quais princípios devem estar envolvidos no processo da disciplina? Como começar a aplicar a disciplina quando esta tem sido negligenciada há muito tempo? Quais tipos de repercussões podem ser esperadas se o processo de disciplina é iniciado?
A disciplina nunca é fácil. Ela é difícil tanto para os que são submetidos a ela, quanto para aqueles que administram o processo. Contudo, na família de Deus, seus filhos são chamados a fazer o que é correto mesmo que isto possa ser difícil. Como lemos em Heb 12.11: “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza: ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.”. Este fruto é o alvo em toda disciplina – o caráter justo de Cristo produzido na vida do cristão.
A disciplina na igreja é uma evidência do amor cristão.
O livro de Provérbios fala repetidamente da disciplina no contexto familiar. Ao pai é dada a responsabilidade de disciplinar seus filhos. Prov 13.24 diz. “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina.”. Se os pais falharem na disciplina de seus filhos, isto é uma evidência de que eles realmente não os amam. Algumas pessoas dizem que elas amam muito seus filhos e que por isso não os disciplinam. Não, a Bíblia diz que não disciplinar significa não amar. É por isso que os filhos de Deus são disciplinados por Ele. Ele os ama. Deixá-los sem disciplina acarretará problemas para eles próprios e para outros.
Quando a disciplina envolve a família de Deus, o princípio é ainda o mesmo. A disciplina é necessária. E é sempre uma manifestação de amor se for aplicada apropriadamente. É fácil verificar os abusos de disciplina, de pais que punem seus filhos de maneira abusiva. Obviamente, não é isto o que a Bíblia incentiva. Casos de disciplina em igrejas que foram administradas de forma não bíblica, também logo vêm à nossa mente.
A disciplina envolve a igreja local. A igreja universal é composta por muitas pessoas que têm compreendido e crido que Jesus Cristo morreu pelos seus pecados.
Uma analogia que é usada frequentemente no Novo Testamento é que a igreja é um corpo, o Corpo de Cristo. I Cor 12 usa esta analogia para mostrar como os cristãos têm sido colocados pelo Espírito de Deus no Corpo de Cristo.
A igreja local é simplesmente o local da representação e da manifestação do corpo universal de Jesus Cristo no qual os cristãos se encontram para adorá-lo e servi-lo.
Quanto à estrutura do Corpo de Cristo, a Bíblia diz que é importante manter a pureza do corpo e manifestar acurada e corretamente o caráter de Cristo. Desde que os cristãos são o Seu Corpo, eles devem manifestar o Seu caráter, santidade e pureza. Para manter a pureza e a santidade, a disciplina é necessária.
Paulo disse aos coríntios para tratarem de remover o pecado do meio da igreja porque “um pouco de fermento leveda a massa toda” (I Cor 5.6). Em Gál 5.9 ele diz a mesma coisa: “um pouco de fermento leveda toda a massa”, e por isso o pecado deve ser tratado porque ele invade o Corpo e afetará aos demais. Assim, se o pecado não é disciplinado, ele se alastrará. E quando se alastra, ele compromete o testemunho que os cristãos dão do caráter e pureza de Cristo. Sua santidade não será manifestada no Seu Corpo.
E a disciplina deve ser aplicada porque os cristãos são companheiros. A grande marca do cristão é o amor porque todos são filhos de Deus. O amor sempre reclama a disciplina. Se o genuíno amor for manifestado na igreja local, a disciplina bíblica será praticada. Guarde em sua mente, dois princípios da disciplina da igreja. O primeiro diz respeito aos cristãos que fazem parte da família da igreja local. A disciplina da igreja diz respeito somente àqueles que são integrantes da família de Deus. Assim, cada igreja local é responsável por seus próprios membros. Os pais não punem os filhos dos vizinhos, e ocorre o mesmo com a disciplina bíblica. Segundo, a disciplina deve ter sempre o objetivo de corrigir o problema. A disciplina é aplicada a cristãos que estão vivendo no pecado para ajudá-los a deixar tal prática.
Em Mateus 18, Jesus apresenta claramente o padrão para a disciplina na igreja. Este padrão é visto nas epístolas do Novo Testamento. Há seis degraus na disciplina bíblica. Quatro deles estão em Mt 18, e os dois restantes em outras porções do Novo Testamento.

Confrontação Pessoal

O primeiro passo é a confrontação pessoal. “Se o teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só.” (Mt 18.15). Um irmão é um membro do Corpo como nós, e que faz parte da família de Deus, um que tem crido em Cristo e que agora faz parte do Seu Corpo. “Irmão” é a palavra usada no texto. Se uma irmã peca, o princípio é o mesmo. A situação descrita é aplicável a qualquer cristão que peque. Basicamente, qualquer área da vida cristã que está abertamente em rebelião com a Palavra de Deus está em vista aqui.
Se um Cristão está em pecado e isto se torna do conhecimento de algum outro cristão, este deve confrontá-lo. Se Deus tem feito o pecado conhecido, Ele está indicando que Ele deseja que o pecado seja confrontado. Ele não permite que um pecado de um cristão se torne conhecido de outro, que não seja capaz de fazer a confrontação. O cristão que foi conscientizado do pecado do outro, é quem deve fazer a confrontação. Deus colocou isto fortemente em Sua Palavra, “vai argui-lo” (Mt 18.15). Uma correção deve ser feita. Assim o cristão se aproximaria apropriadamente do cristão pecador, em amor. Uma igreja carnal não pode praticar isto. É necessário que cristãos amadurecidos no amor existam na igreja, para que possam exercer a sua disciplina. Como Paulo diz em Rom 15.14: “E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros.”. A demonstração deste zelo em manter a pureza do Corpo, por parte dos próprios membros, é uma manifestação prática e visível do amor dos cristãos por Cristo. É uma grande prova do Seu amor por Ele e por sua igreja. E como Ele se agrada disto! Ele derrama bênçãos sobre a igreja que se conduz de tal modo, como confirmação do Seu agrado.
Por isso também lemos em Heb 10.24:
“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes façamos admoestação, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.”.
Desta passagem tem-se enfatizado muito apenas a obrigação de os cristãos se congregarem, mas podemos observar que o grande foco da passagem é a confrontação pessoal entre os cristãos para viverem no amor praticando boas obras e se exortando mutuamente, para que sejam irrepreensíveis na vinda de Cristo, quando cada um prestará contas de tudo que tiver feito em sua vida a Deus, ainda que não para condenação eterna.
A confrontação deve ser feita privadamente (Mt 18.15).
Não deve ser feita na presença de outras pessoas. Fale ao irmão faltoso sobre o pecado que tem sido revelado. Isto é duro de ser feito, mas é a manifestação do verdadeiro amor do cristão. Confie em Deus para fazer tal confrontação em amor. Não há como prever a reação, mas a confiança em Deus deve operar na vida de seus filhos.
Mt 18.15 ainda diz: “Se ele te ouvir, ganhastes a teu irmão.”. Se há arrependimento, isto é o fim do assunto. Acabou! Não diga nada a ninguém mais sobre a situação, porque seria pecado. Não faça fofoca ou espalhe rumores. Lembre que Deus ordena que a situação seja tratada em privado. Regozije-se e louve a Deus por Sua graça e Seu trabalho. Isto é para ser tratado estritamente entre você, a pessoa e o Senhor.
Lc 17.3 diz, “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe.”. Em Gál 6.1 lemos: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós que sois espirituais, corrigi-o com o espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.”. Aqui, o verbo “corrigir” é usado, indicando o objetivo da confrontação. Não se aproxime com espírito de superioridade, mas com espírito de gentileza e humildade, pois cada um deve olhar por si mesmo para que não seja também tentado. Não vá com atitude arrogante, mas com sincero desejo de ajudar. Tenha cuidado para não cair no pecado.

Confrontação com Testemunhas

Se o irmão responder negativamente à confrontação, sua responsabilidade ainda não terminou. É hora do segundo passo. Se não há resposta à confrontação pessoal, o segundo passo é confrontá-lo com testemunhas. “Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça.” (Mt 18.16). Está claro que o amor cristão exige trabalho. É duro exercitar a disciplina bíblica, mas o amor busca o que é melhor para todos, independente do custo pessoal. Se não há arrependimento após a confrontação pessoal, traga um ou dois cristãos maduros para que juntamente com você possam testemunhar o confronto contra o pecado do irmão que recusou se arrepender.
As testemunhas são para os seguintes propósitos: Primeiro, para que eles também testifiquem contra o pecado. O segundo, para que no caso de não aceitação da admoestação, eles possam dar seu testemunho na continuação do processo. Mas, caso haja arrependimento, o caso está terminado, e deve-se proceder em relação ao resguardo do caso, da mesma maneira como no primeiro passo da confrontação pessoal.
Mas se a confrontação com testemunhas não der resultado positivo, a responsabilidade ainda não terminou, e deve ser dado um terceiro passo, a saber:

Confrontação com a Igreja

O terceiro passo está em Mt 18.17: “E, se ele não os atender, dize-o à igreja: e, se recuar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.”. O pecado agora deve ser confrontado pela igreja. Duas tentativas não reconciliaram o cristão – uma privada e outra com um pequeno grupo de testemunhas. A igreja local deve agora tratar com o pecado.

O Conselho de Anciãos.

Isto pode ser feito diretamente ou em duas fases. Há igrejas que usam como primeira fase o Conselho de Anciãos que representam e tratam da disciplina na igreja local. Eles devem avaliar a situação, indicando os passos que ainda deverão ser tomados. Os anciãos contataram com a pessoa envolvida. Eles farão um confronto pessoal para tratar do pecado em questão. Eles encorajarão a pessoa a ver a gravidade da situação e a tratarão com propriedade. Se a pessoa reconhecer a gravidade do pecado e arrepender-se, então, o assunto está encerrado.

Toda a Igreja.

Se não houver uma resposta apropriada, a segunda fase é iniciada. Toda a igreja, como corpo fica ciente da pessoa e seu pecado. A igreja estaria em oração sobre o assunto e pela pessoa por um período de tempo específico, talvez duas ou três semanas, antes do julgamento. Se no tempo aprazado a pessoa reconhecer a gravidade do seu pecado e mostrar-se arrependida, ela deve ser perdoada e o processo está encerrado.

Cortado de Toda Associação

Se a pessoa ainda recusar-se ao arrependimento, o quarto e último passo deve ser dado, como lemos em Mt 18.17: “e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.”.
Isto significa que a pessoa está cortada de toda associação com a igreja local. Os cristãos estão obrigados a se separarem completamente de se associarem com tal indivíduo. Deve ser um rompimento total.
Repare a seriedade disto em Mt 18.18: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá sido desligado no céu.”.
O mandamento é dado à igreja local, não à hierarquia da igreja.
A disciplina é operada no contexto da igreja local.
Este padrão é visto também em Coríntios, Tessalonicenses e Timóteo. Quando a disciplina é administrada, os cristãos são excluídos, e Deus reconhece esta disciplina. Isto é parte da Sua operação através da igreja local, e o Seu nome é exaltado e glorificado nos cristãos, que revelam amor e zelo por Sua santidade.

Uma Objeção Comum

Frequentemente, quando o assunto da disciplina da igreja é levantado, João 8.7 é citado: “”Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire pedra.”. As pessoas utilizam este versículo como justificativa para não aplicarem a disciplina na igreja, conforme prevista em Mt 18. Contudo, isto é decorrente de um entendimento inadequado da situação nem João 8, porque está em foco uma pessoa que estava presumivelmente se convertendo ao Senhor, que seria ainda incluída no Seu corpo. E a disciplina na igreja trata com aqueles que já fazem parte do Corpo de Cristo. É evidente que o pecado de um descrente arrependido deve ser perdoado por Deus e pela igreja, e tal pessoa deve ser recepcionada como novo membro do Corpo. Mas, quando se torna um cristão está sujeito à disciplina a que todos estão sujeitos na igreja. Mesmo à igreja carnal de Corinto Paulo exigiu que exercessem a disciplina, apesar de serem bebês em Cristo, e de suas imperfeições. O pecado deliberado não deve ser tolerado na igreja. Uma rebelião aberta contra a Palavra de Deus na vida dos cristãos deve ser tratada de acordo com a Escritura.

Entregue a Satanás.

Algumas passagens das epístolas também relatam a exclusão de cristãos que estavam em rebelião contra Deus. Em I Cor 5 é citado um pecado deliberado. Esta passagem apresenta um homem que estava envolvido em imoralidade sexual com sua madrasta. A igreja de Corinto estava ignorando o assunto. Note a ênfase em I Cor 5.4,5. A disciplina deve ser exercida no nome e poder de Jesus. Entregar alguém a Satanás, em outras palavras quer significar o corte da associação com todos os demais cristãos. Lembre que o objetivo final é a restauração dos cristãos, mas o corpo da igreja local deve também ser protegido da corrupção.
Os coríntios não tinham tomado nenhuma ação contra o homem em seu meio porque eles tinham se equivocado quanto a uma carta anterior de Paulo. O apóstolo havia dito para não se associarem com pessoas imorais. A igreja pensou que ele estava se referindo a não se associarem com o mundo. Isto não é possível. Paulo clareou o assunto em I Cor 5.11.
Um cristão deve ser tratado como um cristão, em razão de sua condição de filho de Deus. Quem professou ser um cristão, deve ser disciplinado como um cristão.
Expulsar o Malfeitor.

A ênfase da severidade prossegue em I Cor 5.13: “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.”. Isto é outra maneira de dizer que deve ser entregue a Satanás. Cortar a pessoa da associação com a igreja torna-a sujeita ao reino do Inimigo. Isto é uma coisa terrível. Em I Jo 5.19 nos é dito, “que o mundo inteiro jaz no malígno,”. O que ocorre quando um cristão em pecado é excluído da igreja? Ele é deixado no reino dos malígnos. Isto dá a Satanás certas liberdades físicas em relação ao cristão. Entregar alguém a Satanás não é para a sua destruição final. Mas tem em vista o que ele pode aprender da disciplina quando é exposto a Satanás. Que a disciplina é muito, muito severa, nós vemos em I Tim 1.20: “E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem.”.
Em II Tim 2.16-18 lemos que Himeneu e Fileto estavam usando um ensino que estava contrariando a verdade de Deus, e assim estava gangrenando o corpo de Cristo, e por isso foi necessário submetê-los à disciplina da exclusão, especialmente para preservar a igreja. O único remédio para tratar uma gangrena é cortar a parte afetada do corpo. Os cristãos não manifestam amor a Deus e à igreja quando deixam a gangrena se espalhar pelo corpo.
Em II Tes 3.6 lemos: “Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebestes;”.

Afastar-se.

Há outra passagem para ser considerada no assunto da dissociação. Rom 16.17,18, que pode ser tanto aplicada a cristãos quanto a descrentes. Os cristãos devem evitar os falsos mestres. A Palavra é clara. Isto não se trata de disciplina, mas é uma ordenança para a vida cristã. Em Rom 16.17, 18 lemos: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes: afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo nosso Senhor, e, sim, a seu próprio ventre: e, com suaves palavras e lisonjas enganam os corações incautos.”.
O padrão é claro e inegável. Está descrito em muitas passagens das Escrituras. Um cristão que vive no pecado deve ser cortado da associação com os demais cristãos. Isto é duro de ser feito, mas é o padrão bíblico que deve ser mantido para a pureza da igreja e a manifestação do amor cristão.

Posto em Vergonha.

O problema identificado em II Tes 3.11 era que alguns não estavam trabalhando. “Pois, de fato, estamos informados de que entre vós há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes se intrometem na vida alheia.”. Eles estavam ociosos, vivendo indisciplinadamente e pensando que outros deveriam sustentá-los. II Tes 3.14,15 diz: “Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão.”. O cristão não é um inimigo. Paulo diz que se alguém entre os cristãos tessalonicenses não obedecesse às instruções de sua carta, para não se associarem com ele.

O Alvo é a Restauração.

Frequentemente ocorre que quando a pessoa é cortada de toda associação com os cristãos, que a seriedade do pecado é reconhecida. A pessoa não tem qualquer outra alternativa, senão retornar para Deus. Se ela se arrepende, a igreja deve dar as boas vindas ao cristão imediatamente.
II Cor 2.7 diz que a resposta correta é receber imediatamente o retorno do cristão. Pensamentos de punição e sofrimento não são apropriados. Lembre que o alvo é a restauração, não a punição. Tão logo que o pecado seja deixado para trás, a pessoa deve ser restaurada à comunhão. Este é o caso citado em II Cor 2.7: “De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.”. Esta restauração e acolhimento pela igreja é uma demonstração prática do amor cristão.
Em II Cor 2.10,11 Paulo prossegue: “A quem perdoais alguma cousa, também eu perdôo; porque de fato o que tenho perdoado, se alguma cousa tenho perdoado, por causa de vós o fiz na presença de Cristo; para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.”.

Tenha cuidado!

Satanás tentará corromper o processo, mesmo por prevenir o exercício da disciplina ou por prolongar a disciplina quando isto não é necessário. Espera-se que depois do quarto passo de ser confrontado e excluído pela igreja, que a gravidade da situação se torne visível, e que a pessoa se arrependa.
Mas quando os quatro passos não produzem o arrependimento, há mais dois passos, pois Satanás é usado por Deus como instrumento de disciplina.
Caso não haja arrependimento com os quatro passos que são da responsabilidade da igreja, o cristão estará sujeito às seguintes confrontações:

Confrontação pela Fraqueza e pela Doença

Isto é o que ocorrerá com o cristão rebelde depois do quarto passo tomado pela igreja para a sua disciplina. Isto está descrito em I Cor 11. Muitos na igreja estavam incorrendo no pecado enquanto lembravam a morte do Senhor na santa ceia. Eles estavam perpetuando o pecado, em razão do qual Cristo havia sido crucificado.
E Paulo lhes diz em I Cor 11.30: “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes,”. Estas duas condições são o quinto passo, que está no domínio exclusivo de Deus, quanto à disciplina da igreja.
Fraqueza é uma palavra abrangente que inclui toda sorte de problemas trazidos à vida dos cristãos. Por exemplo, Jó não sofreu somente doenças físicas, mas também perda de possessões, a morte de seus filhos, e ele estava atormentado com muitos problemas, e veja, isto não em razão de pecados praticados, mas porque estava sendo disciplinado por Deus para que pudesse ser melhor conhecido por Jó.
Enquanto em João 9 vemos que nem todos os sofrimentos são resultantes de pecados pessoais, a doença mencionada em Tiago 5 é o resultado do pecado. Se um cristão se rebela contra Deus e continua a viver no pecado, a doença pode ser atribuída à correção que procede da mão de Deus. Se um cristão estiver doente por causa do pecado, ele o saberá. Tenha cuidado. Outros cristãos nem sempre podem reconhecer isto.
Tiago dá esta instrução, “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai, pois os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados.” (Tg 5.14-16). Se um cristão reconhece que a mão de Deus está sobre sua vida, usando Satanás para que o enferme, e assim traga arrependimento à sua vida, por chamar os presbíteros para orarem por ele, então a disciplina é removida quando o arrependimento ocorre, e ele é também curado de sua enfermidade física que tinha por causa do pecado.

Confrontação pela Morte

O último passo na disciplina da igreja, é dado por Deus, com a morte física do cristão.
Deus frequentemente usa Satanás como instrumento. Em I Jo 5.16 lemos: “Há pecado para morte e por esse não digo que rogue.”. Os presbíteros não podem orar por uma pessoa que está enferma para a morte em razão do pecado. Em I Cor 11.30 Paulo diz que além dos que estavam fracos e enfermos, muitos estavam dormindo, referindo-se com isto, à morte física dos cristãos, como castigo pelo pecado.
Ainda que o custo altíssimo da disciplina não seja percebido nesta vida, certamente isto trará perda de recompensas e bênçãos e será visto na eternidade. Não é uma tragédia um cristão morrer jovem ou velho quando é o tempo de Deus. Mas é uma tragédia quando é disciplinado por Deus com o castigo da morte física. Pois isto é um indicativo de que ficou endurecido em seu pecado e recusou-se a se arrepender enquanto em vida neste mundo. E isto ficará marcado para sempre, e será revelado especialmente no Tribunal de Cristo, quando sua vida for julgada pelo Senhor, ainda que não para condenação eterna.

A Disciplina é para o Nosso Deus.

“Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai dos espíritos, e então viveremos? Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade.” (Hb 12.9,10).
A disciplina é para o bem dos cristãos, de modo que possam participar da santidade de Deus.
Em Hb 12.11 lemos que o alvo da disciplina é produzir o fruto da justiça. Assim, o objetivo em vista é a justiça. A disciplina, quando aplicada não é motivo de alegria, mas de tristeza, mas produz a justiça que é segundo Deus em sua igreja. Esta disciplina é parte do processo de amadurecimento dos cristãos. Por isso a Palavra ordena que os cristãos se disciplinem mutuamente, em amor.
Por isso os cristãos necessitam orar a Deus para que Ele lhes dê sabedoria, coragem e amor para exercerem a disciplina na maneira bíblica, sempre que isso for necessário.
Quando falamos sobre punição divina ou disciplina ou correção divina, no caso de cristãos, não estamos falando sobre uma punição judicial dos pecados para nossa salvação.
Nós estamos falando de punição, correção e disciplina com vistas à nossa santificação.
Deus já puniu em Cristo todos os nossos pecados. Mas, Deus tem nos punido pelos nossos pecados aqui neste mundo para nos conformar mais e mais à santidade e à justiça, que nos trarão maiores bênçãos e utilidade.
Na disciplina, o objetivo é a santidade, para conformar o cristão à pureza.
Na punição do ímpio, a condenação é o alvo, e na disciplina do cristão, a justiça é o alvo.
Agora, devemos distinguir os sofrimentos que nos sobrevêm como cristãos, por conta da perseguição do mundo e do diabo, contra a nossa fidelidade a Cristo, de modo, que em nós se cumpre a Palavra de que todo o que quiser viver piedosamente em Cristo padecerá perseguições, dos sofrimentos que nos sobrevêm por estarmos sendo disciplinados por Deus.
No primeiro caso há honra e glória, e no segundo, há desonra e vergonha, pois neste último, estamos sofrendo por causa dos nossos pecados, e no primeiro, em razão da nossa fidelidade.
Assim, tanto num quanto noutro caso, estamos sujeitos às aflições que temos que sofrer neste mundo, por sermos cristãos. Ou estamos sendo corrigidos por Deus, ou perseguidos por conta de nossa fidelidade a Ele.
Uma vida cristã vitoriosa não pode significar portanto ausência de perseguições, de sofrimentos. Não pode ser traduzida por comodidade e conforto ao longo de toda a nossa jornada. Porque se nos amoldarmos ao mundo, Deus nos corrigirá. E se vivermos fielmente a Deus, seremos perseguidos.”

Silvio Dutra

A Segunda Multiplicação dos Pães – Mateus 15.29-39

“29 Partindo Jesus dali, chegou ao pé do mar da Galileia; e, subindo ao monte, sentou-se ali.
30 E vieram a ele grandes multidões, trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e outros muitos, e lhos puseram aos pés; e ele os curou;
31 de modo que a multidão se admirou, vendo mudos a falar, aleijados a ficar sãos, coxos a andar, cegos a ver; e glorificaram ao Deus de Israel.
32 Jesus chamou os seus discípulos, e disse: Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que eles estão comigo, e não têm o que comer; e não quero despedi-los em jejum, para que não desfaleçam no caminho.
33 Disseram-lhe os discípulos: Donde nos viriam num deserto tantos pães, para fartar tamanha multidão?
34 Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? E responderam: Sete, e alguns peixinhos.
35 E tendo ele ordenado ao povo que se sentasse no chão,
36 tomou os sete pães e os peixes, e havendo dado graças, partiu-os, e os entregava aos discípulos, e os discípulos à multidão.
37 Assim todos comeram, e se fartaram; e do que sobejou dos pedaços levantaram sete alcofas cheias.
38 Ora, os que tinham comido eram quatro mil homens além de mulheres e crianças.
39 E havendo Jesus despedido a multidão, entrou no barco, e foi para os confins de Magadã.” (Mateus 15.29-39)

Ao retornar dos termos de Tiro e Sidom, nosso Senhor chegou ao pé do Mar da Galileia e subiu o monte.
“E vieram a ele grandes multidões, trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e outros muitos, e lhos puseram aos pés; e ele os curou.”
Isto durou por espaço de três dias, e tendo compaixão deles, nosso Senhor não quis despedi-los em jejum, para que não desfalecessem pelo caminho, ao retornarem às suas casas.
Os discípulos, que já tinham testemunhado anteriormente, o milagre da multiplicação de 5 pães e 2 peixes, com os quais foram alimentados cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças, não tiveram fé suficiente para crer na repetição do mesmo milagre, e mais uma vez questionaram a Jesus quanto à improcedência, segundo eles, do desejo manifestado por Ele, dizendo:
“Donde nos viriam num deserto tantos pães, para fartar tamanha multidão?”
Todavia, nosso Senhor não se ocupou em lhes dar qualquer tipo de esclarecimento ou repreensão e foi direto ao lhes perguntar quantos pães eles tinham. Responderam que apenas sete, e alguns peixinhos.
Muitas vezes, a providência divina entrará na vida dos cristãos sem lhes pedir licença, ou consultá-los se acham conveniente ou não o que necessita ser feito, e Deus lhes abençoará, apesar do endurecimento deles para poderem compreender a Sua mente divina.
Graças a Deus, que Ele opera de tal modo, senão estaríamos perdidos em nossas necessidades, dificuldades e problemas, que Ele resolve pela Sua livre iniciativa e misericórdia, muitas vezes multiplicando os poucos recursos que possuímos, tal como fizera com aqueles sete pães e alguns peixinhos, para alimentar com eles cerca de quatro mil homens, além de mulheres e crianças.
Depois de ter dado das migalhas que caíam da Sua mesa à mulher cananeia, nosso Senhor deu um grande banquete aos filhos de Israel, porque o Seu ministério terreno, deveria ser realizado junto aos judeus, pelas razões que já comentamos anteriormente, em outras passagens.
Desta vez, foram recolhidos sete cestos de sobras, depois que todos se fartaram.
O Senhor proveu todas as necessidades daquela multidão e partiu através do mar da Galileia para outra região, a de Magadã.

Silvio Dutra

O Que Contamina é o que Sai do Coração – Mateus 15.1-20

“1 Então chegaram a Jesus uns fariseus e escribas vindos de Jerusalém, e lhe perguntaram:
2 Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos, quando comem.
3 Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?
4 Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e, Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá.
5 Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O que poderias aproveitar de mim é oferta ao Senhor; esse de modo algum terá de honrar a seu pai.
6 E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus.
7 Hipócritas! bem profetizou Isaias a vosso respeito, dizendo:
8 Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim.
9 Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem.
10 E, clamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:
11 Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina.
12 Então os discípulos, aproximando-se dele, perguntaram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?
13 Respondeu-lhes ele: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.
14 Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco.
15 E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola.
16 Respondeu Jesus: Estai vós também ainda sem entender?
17 Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo ventre, e é lançado fora?
18 Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem.
19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
20 São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina.” (Mateus 15.1-20)

Nós temos aqui o registro do confronto havido entre Jesus e os escribas e fariseus que vieram de Jerusalém ter com Ele, quando ainda se encontrava na Galileia.
Esperava-se que estes de Jerusalém, onde se situava o templo e a grande concentração de sacerdotes, escribas, fariseus e saduceus, fossem mais esclarecidos quanto à lei, do que os poucos religiosos da região da Galileia, mas eles se revelaram ainda mais cegos do que estes.
Quem se permitiria ser guiado por um cego? Não seriam somente aqueles que são também cegos e que não sabem que o que lhes dirige é tão cego quanto eles?
Este era o caso do povo judeu sendo conduzido pelos sacerdotes, escribas e fariseus dos dias de Jesus.
E quando há este consentimento e desejo de permanecer na cegueira; em justificar a cegueira, e este ajuste mútuo entre os que guiam e os que são guiados, qual é posição de nosso Senhor em relação a isto?
Eles devem ser deixados seguindo o seu caminho até que venham a cair no abismo espiritual eterno que os aguarda, conforme nosso Senhor disse aos Seus discípulos no verso 14.
Quando se fecha os olhos para a verdade, e nos conduzimos pelas tradições de homens, e defendemos estas tradições, contra a verdade revelada de Deus e a Sua vontade, como estão exatamente registradas na Bíblia, ficamos expostos a este perigo de sermos cegos que estão a caminho da condenação, seja como guias, seja como aqueles que são guiados.
Os escribas e fariseus não somente invalidavam a Palavra de Deus com a tradição deles, como também descumpriam os Seus mandamentos, como o citado por Jesus de se honrar os pais, a pretexto de serem cumpridas as tradições que eles acrescentaram à Lei.
Não importava se determinados mandamentos da Lei fossem descumpridos, desde que a tradição deles fosse observada.
Por isso justificavam as pessoas que não cuidavam de seus pais, desde que os recursos que deveriam ser usados para a provisão deles fosse consagrado como oferta no templo; uma vez que os líderes religiosos viviam de tais ofertas.
Eles estavam tão somente preocupados com o cumprimento dos ritos e cerimônias que haviam acrescentado à Lei, como este mandamento religioso criado por eles de se lavar as mãos toda vez que se fosse comer alguma coisa, para que não fossem contaminados religiosamente por alguma impureza que houvesse nas mãos.
Não faziam isto por motivos sanitários, mas religiosos, e por isso foram repreendidos por nosso Senhor.
Então Ele se apressou em aplicar o ensino de que nada do que comemos pode nos contaminar diante de Deus, e muito menos pelo fato de termos lavado ou não nossas mãos, porque não há nenhum pecado nisto; mas sim com as coisas invisíveis que saem de nós e que são manifestações do pecado, como os exemplos que nosso Senhor citou: “maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.”
Tudo isto procede do coração, do interior, mas os escribas e fariseus não podiam enxergar isto porque se preocupavam somente com o que era exterior; uma vez que caso dessem ênfase ao estado interior do coração, a condição pecaminosa deles seria revelada, e isto não era obviamente, do interesse deles, porque tinham fama junto ao povo, de serem homens santos, que conheciam a Lei, e nem sequer isto eles conheciam de fato, como convinha, e também enganavam o povo quanto a este falso conhecimento que eles possuíam da Lei.
Por isso seriam arrancados por Deus, porque eram plantas que não haviam sido plantadas por Ele.
Não somente as opiniões corrompidas e práticas supersticiosas dos fariseus, mas a própria seita deles, estavam destinadas a desaparecer, segundo esta palavra proferida por nosso Senhor, e desde há muitos séculos tal palavra teve cumprimento.
A lavoura de Deus neste mundo é constituída somente por aqueles que se encontram na Igreja de Cristo. Todas as demais plantas serão cortadas e queimadas no dia do Juízo.

Silvio Dutra

João Envia Mensageiros a Jesus e o Senhor Dá Testemunho de João – Mateus 11.1-15

“1 Tendo acabado Jesus de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades da região.
2 Ora, quando João no cárcere ouviu falar das obras de Cristo, mandou pelos seus discípulos perguntar-lhe:
3 És tu aquele que havia de vir, ou havemos de esperar outro?
4 Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes:
5 os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.
6 E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim.
7 Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João: que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento?
8 Mas que saístes a ver? um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam vestes luxuosas estão nas casas dos reis.
9 Mas por que saístes? para ver um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta.
10 Este é aquele de quem está escrito: Eis aí envio eu ante a tua face o meu mensageiro, que há de preparar adiante de ti o teu caminho.
11 Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele.
12 E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto.
13 Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João.
14 E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.
15 Quem tem ouvidos, ouça.” (Mateus 1.1-15)

Nós vemos no texto paralelo a este, do evangelho de Lucas, que foram dois mensageiros, dentre os seus discípulos, que João enviou a Jesus, e que para que tivessem a certeza de que era Ele mesmo o Messias, de quem se dizia que operava muitos sinais e maravilhas, Lucas registra que naquela mesma hora, na presença dos mensageiros que João lhe enviara, nosso Senhor ”curou a muitos de doenças, de moléstias e de espíritos malignos, e deu vista a muitos cegos” (Lc 7.21) comprovando-lhes que era o Messias do qual deram testemunho os profetas do Antigo Testamento, que Ele faria tais coisas quando se manifestasse a Israel.
Quando foi batizado por João nas águas, Deus Pai e o Espírito Santo deram uma evidência a João de que Jesus era o Messias, porque não somente ouviu a voz do Pai que dizia “este é meu Filho amado em quem me comprazo”, como também viu o Espírito Santo vindo sobre Ele na forma de uma pomba.
Agora, João estava na solidão do cárcere, aguardando pela sua execução, e não desejava deixar este mundo sem receber uma evidência da parte do próprio Cristo, de que Ele era o Messias, e como não podia fazê-lo pessoalmente, por se encontrar encarcerado, enviou-Lhe dois de seus discípulos para perguntarem a nosso Senhor se Ele era o Messias, ou se deveriam continuar aguardando ainda pela sua manifestação na pessoa de um outro.
O Senhor não recebeu a pergunta de João como uma prova de incredulidade, mas como manifestação de um desejo em sua fraqueza humana, para saber se havia de fato cumprido a sua missão de anunciar o Messias, conforme estava profetizado acerca dele nas Escrituras, uma vez que estava prestes a deixar este mundo, e queria ter a plena consciência do dever cumprido.
Como dissemos antes, o Senhor fez na presença dos mensageiros de João, aquilo que estava profetizado acerca do que o Messias faria, dando-lhe assim, Ele próprio uma firme evidência de ser o Cristo, sem, no entanto, de deixar de fazer a advertência de que era bem-aventurado todo aquele que não encontrasse nEle motivo de escândalo.
Não era por causa da rejeição que estava sofrendo da parte de muitos judeus, que se comprova que não era o Messias. Possivelmente, este deve ter sido um dos motivos de João ter balançado temporariamente em sua convicção acerca dEle, porque afinal, o Messias fora prometido a todo Israel.
Todavia, a resposta que Jesus deu a João, e a advertência que Lhe fez, serviria para lembrar-lhe, que ele, o próprio João, mesmo na condição de Seu precursor, também estava sofrendo rejeições, a ponto de se encontrar num cárcere aguardando o martírio.
Tribulações e perseguições não testemunham contra o fato de sermos cidadãos do reino dos céus, ao contrário, antes, o confirmam.
O Senhor não apenas foi paciente com a indagação vacilante de João, como deu um passo além dando um firme testemunho dele, como sendo o maior homem nascido de mulher do Velho Testamento porque foi a Ele que Deus deu a honra de não apenas falar acerca do Messias como os demais profetas, mas a de dar testemunho dEle em pessoa, dizendo que era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e pregando muitas outras coisas relativas a Jesus.
João era um homem resoluto e não um caniço agitado pelo vento. Para dissuadir alguém que tentasse alimentar tal pensamento acerca de João, de que era inconstante, Jesus se apressou em fazer a defesa do seu caráter, dizendo que ele não era assim.
João não oscilava em seus princípios e convicções acerca da vontade de Deus, especialmente a relativa à sua chamada, ao contrário, era firme e consistente a ponto de protestar contra o pecado do próprio rei Herodes, que dera causa à sua prisão e morte.
Ele era forte em espírito, tal como Elias, apesar de homens fortes como eles, estarem sujeitos a momentos de depressão como quaisquer outros, quando a graça de Deus lhes deixa entregues a si mesmos, para poderem perceber quão fraca é a natureza terrena, e que por isso, necessita ser mortificada.
Todavia, João estava morto para este mundo, e o mundo para ele, tal como estivera para o apóstolo Paulo, porque não foi achado em castelos e em glórias e honras mundanas, mas modestamente trajado em peles de camelo, pregando no deserto e se alimentando de mel e gafanhotos.
Ele não era um asceta, mas alguém que viveu como nazireu, inteiramente consagrado a Deus, cheio do Espírito, desde o ventre de sua mãe, para que pudesse ter a honra de ser o precursor do Messias, honra na qual, deve-se dizer, estava embutida a de ser mártir, ainda jovem, porque, no desígnio de Deus, encontrava-se determinado a respeito dele, o modo pelo qual sairia deste mundo, sendo decapitado, quando contava apenas cerca 30 anos de idade.
Esta tem sido a parte e a honra de muitos servos de Deus que têm sido também chamados por Ele para serem grandemente honrados.
Veja o caso de Estevão, de Tiago, de Paulo, Pedro, e de tantos outros que deixaram este mundo pelo martírio.
Foram grandemente honrados, mas estava designado para eles também uma honra que poucos estão dispostos a desejar, que é a de serem mártires de nosso Senhor Jesus Cristo, por amor a Ele e ao evangelho.
João era grande aos olhos de Deus apesar das condições de extrema humildade em que viveu neste mundo, conforme o desígnio divino para ele, tal como havia sido antes para o profeta Elias.
Para Deus João não era apenas um profeta, era mais do que um profeta, porque não falaria como os demais do Cristo que ainda viria, mas teria a honra de falar dEle estando com Ele em pessoa, e também Lhe prepararia o caminho, conduzindo muitos ao arrependimento (v. 10).
João era grande, mas viriam muitos após ele, na nova aliança, de uma nova dispensação, que Jesus inauguraria em Seu sangue, que seriam ainda maiores do que João, até mesmo o menor deles, porque João anunciou um reino que viria, e estes estariam participando do reino que João pregou.
Lembremos que João não realizou qualquer milagre, porque isto não lhe fora concedido por Deus, como tem concedido a muitos na Igreja.
O reino do Messias se manifestaria na Igreja, pelo derramar do Espírito Santo, e os cristãos receberiam dons e uma glória ainda maiores do que a que fora concedida a João, em seu ministério neste mundo.
João era portanto o marco divisório entre duas alianças e dispensações. Uma antiga e uma nova. O período do Antigo Testamento estava sendo fechado com ele, porque desde então Deus não levantaria nenhum outro profeta na Antiga Aliança.
A morte de João representava portanto o fim do Velho Testamento, e por isso Jesus disse acerca dele que: “todos os profetas e a lei profetizaram até João.”
Ele era aquele que viria no espírito de Elias, conforme havia sido profetizado por Malaquias, antes que o Messias viesse.
Deus Pai vinculou o ministério de João ao de Seu Filho unigênito, para sobretudo, marcar esta transição do Velho para o Novo Testamento.
Então são os que se esforçam pela verdade, na defesa da justiça evangélica, estando arrependidos, tal como João havia ensinado, e que seguem o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, que se apoderam do reino dos céus.
Era a isto que nosso Senhor se referiu quando disse as seguintes palavras:
“E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto.”
Não são apenas os que desejam entrar no reino dos céus que entram efetivamente, mas o que se esforçam e lutam para isto, principalmente contra as cobiças da carne e contra as forças espirituais da maldade.
“23 E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que se salvam? Ao que ele lhes respondeu:
24 Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.” (Lc 13.23,24)

Silvio Dutra

Instruções para os Apóstolos – Mateus 10.5-15

“5 A estes doze enviou Jesus, e ordenou-lhes, dizendo: Não ireis aos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos;
6 mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;
7 e indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.
8 Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.
9 Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre, em vossos cintos;
10 nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de alparcas, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.
11 Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela é digno, e hospedai-vos aí até que vos retireis.
12 E, ao entrardes na casa, saudai-a;
13 se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.
14 E, se ninguém vos receber, nem ouvir as vossas palavras, saindo daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
15 Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.” (Mateus 10.5-15)

É preciso entender que enquanto nosso Senhor esteve neste mundo, cumprindo Seu ministério junto à circuncisão (judeus), o ministério de Seus discípulos, especialmente dos apóstolos, deveria ser uma extensão exata do próprio ministério do Senhor, e daí a ordem para que não fossem aos gentios, mas que pregassem e ministrassem exclusivamente aos judeus.
Somente depois que o Senhor fosse glorificado, depois de Sua morte e ressurreição, e que o Espírito Santo fosse derramado, que eles poderiam ministrar aos gentios, mas ainda assim, teriam que pregar primeiro o evangelho aos judeus.
Isto nos ajuda a entender a grande quantidade de curas de enfermos, ressurreição de mortos, purificação de leprosos e expulsão de demônios, que realizaram, conforme nosso Senhor lhes havia ordenado.
Importava que se visse que os seguidores de Cristo não somente estavam debaixo de Suas ordens, como também estavam capacitados por Ele, e somente eles, a realizarem as mesmas obras que Ele realizava.
Tudo isto se vê claramente nestas instruções que nosso Senhor lhes deu, e que foram registradas nesta passagem por Mateus.
Muito aprendemos desta limitação inicial imposta pelo Senhor aos apóstolos, para que não caiamos na tentação de realizar um ministério mais extenso do que aquele que o Senhor tiver designado para nós, ou então fora do momento apropriado.
Tudo deve seguir as Suas ordens nos trabalhos realizados pela Sua Igreja, e quando digo Igreja, não me refiro exclusivamente à Igreja local, mas a todos os recursos humanos e meios que Deus, em Sua providência, usa, para a Sua exclusiva glória.
O alvo do ministério dos apóstolos, ao serem enviados no início pelo Senhor, era apenas as ovelhas perdidas da casa de Israel. Então temos aqui uma limitação dentro da limitação, porque não somente deveriam se limitar aos termos de Israel, mas concentrar seus objetivos nos eleitos daquela nação.
Paulo dizia que tudo fazia por amor aos eleitos.
Nosso Senhor afirmou que não rogava pelo mundo, mas por aqueles que lhes foram dados pelo Pai (Jo 17.9).
Evidentemente, isto não exclui o dever de amar a todas as pessoas, sem fazer qualquer tipo de acepção, mas devemos estar conscientes que os benefícios permanentes do evangelho serão eficazes somente naqueles que amarão a Cristo, e que atendem à Sua chamada ao arrependimento e à conversão.
Por isso deveriam pregar que “É chegado o reino dos céus.”
Este reino está destinado àqueles que são descritos nas bem-aventuranças, a saber: pobres de espírito; contritos de coração que choram por causa do pecado; mansos; famintos e sedentos de justiça; misericordiosos; limpos de coração; pacificadores e perseguidos por causa da justiça.
Tal como os apóstolos haviam sido salvos pela graça, de igual modo deveriam tudo fazer de graça e pela graça.
Eles deveriam vencer a tentação de fazerem um comércio com as coisas relativas à graça do Senhor, e para que soubessem que a mesma graça que lhes havia salvado, continuaria provendo todas as necessidades deles, para que não estivessem ansiosos quanto ao que comer, beber e vestir, desviando-se assim da missão que deveriam cumprir, para se dedicarem exclusivamente a atividades seculares, com vistas à sua subsistência.
Por isso nosso Senhor lhes ordenou o seguinte:
“Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre, em vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de alparcas, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.”
Eles estavam a serviço exclusivo do evangelho e deveriam portanto ser supridos somente pelo próprio evangelho, isto é, viveriam do fruto do trabalho do seu ministério.
Pessoas gratas a Deus seriam levantadas por Ele para suprirem as necessidades dos apóstolos, mas eles nada deveriam cobrar pela cura de enfermos, expulsões de demônios, pela salvação de almas, ou por qualquer outro benefício decorrente do trabalho deles.
Por isso Jesus ordenou aos apóstolos que não fizessem qualquer provisão prévia para poderem sair para pregar o evangelho (v. 9,10).
Eles sairiam no cumprimento de uma missão curta e logo retornariam a estar sob os cuidados diretos do Senhor, em pessoa. A graça de Deus lhes proveria todo o necessário através de pessoas dignas, de maneira que nosso Senhor lhes ordenou o seguinte:
“11 Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela é digno, e hospedai-vos aí até que vos retireis.
12 E, ao entrardes na casa, saudai-a;
13 se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.
14 E, se ninguém vos receber, nem ouvir as vossas palavras, saindo daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
15 Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.”
Os apóstolos deveriam se informar quanto a quem era digno nas cidades e aldeias que visitassem. Deus moveria os corações destas pessoas dignas, para que hospedassem os apóstolos e provessem suas necessidades até que se retirassem do meio deles.
Caso eles errassem quanto à dignidade da casa em que se hospedassem, poderiam reconhecer tal erro porque perceberiam a falta de paz na casa, apesar de terem saudado seus habitantes com a paz do Senhor.
Evidentemente, deveriam se retirar e procurar outra hospedagem, e caso esta fosse negada por alguma pessoa, ou até mesmo por toda a cidade, não deveriam ficar intimidados com isto e nem paralisarem a sua missão, porque neste caso deveriam sair da cidade sacudindo até o pó dos seus pés, em testemunho contra a rejeição não propriamente deles, mas do Senhor, porque quem rejeita aos que são enviados por Cristo, rejeitam ao próprio Cristo. Tal como uma coisa vil como o pó, também eles seriam espalhados como o vento, no dia do Grande Juízo de Deus.
E, como juiz de vivos e mortos, o Senhor julgará os tais com maior rigor, do que aquele que haverá para os habitantes de Sodoma e Gomorra, no dia do Juízo, porque a estes não foi enviado por Deus, nenhum mensageiro da parte de Cristo, com as boas novas de salvação, a saber, o evangelho.
Então, quando rejeitados, devemos deixar a questão do juízo nas mãos do Senhor, e continuar fazendo o nosso trabalho onde ele seja bem recebido.

Silvio Dutra

A Cura da Sogra de Pedro – Mateus 8.14,15

“14 Ora, tendo Jesus entrado na casa de Pedro, viu a sogra deste de cama; e com febre.
15 E tocou-lhe a mão, e a febre a deixou; então ela se levantou, e o servia.” (Mateus 8.14,15)

Nós temos aqui o relato da cura da sogra de Pedro.
Ela estava com febre, e geralmente febres são apenas sintomas de algum mal que esteja acometendo o nosso organismo, geralmente infecções.
Então, ao fazer cessar a febre, Jesus curou a enfermidade que estava dando causa à mesma.
A sogra de Pedro encontrava-se acamada na casa do apóstolo, e tão logo foi curada por Jesus, levantou-se e O servia.
A saúde que o Senhor nos concede é para servi-lO.
Por isso não deveríamos nos entristecer somente pela enfermidade propriamente dita, mas pelo fato de nos impossibilitar de nos dar continuidade ao nosso serviço para Cristo.
Um simples toque de Jesus na mão da sogra de Pedro a curou.
O poder de cura atravessou todo o seu corpo e atingiu a parte que estava abrigando a doença, porque não é de se supor que fosse qualquer problema em sua mão que estivesse dando ocasião à febre.
Disto aprendemos, que não há necessidade, como muitos imaginam, que toquemos na parte do corpo em que esteja supostamente localizada a enfermidade, para que uma pessoa seja curada, quando oramos por ela.

Silvio Dutra

COMO E PORQUE SER ESPIRITUAL E NÃO CARNAL
– Parte 15

As sete igrejas citadas nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse representam todas as igrejas de todas as localidades do mundo em toda a história do Cristianismo.
No entanto, elas configuram as igrejas que estarão predominando no mundo no tempo do fim, especialmente as três últimas citadas (Sardes, Laodiceia e Filadélfia). Lembremos também em reforço deste argumento que Apocalipse foi escrito para descrever as coisas que acontecerão no tempo do fim.
E é bem fácil de identificarmos estes três tipos de Igrejas em nossos dias, e disto podemos concluir que a volta do Senhor está mais próxima do que imaginamos.
Nós vemos que uma das notas constantes para as igrejas que estão vivendo fora da vontade do Senhor, com exceção de Esmirna e Filadélfia, que permanecem fiéis à Sua vontade, é a chamada ao arrependimento. E que se ouça o que o Espírito está dizendo às igrejas.
Nós entendemos então que uma das principais missões dos cristãos fiéis neste tempo do fim é chamar ao arrependimento os cristãos que estão vivendo de maneira contrária à vontade de Deus.
E esta chamada ao arrependimento deve ser feita por se proclamar a verdade no poder do Espírito.
Porque é o Espírito Santo que dá testemunho da verdade juntamente com o nosso espírito.
Para tanto é necessário viver em santidade, porque é pela fidelidade de Filadélfia que muitos de Sardes e de Laodiceia poderão chegar ao arrependimento, porque numa igreja corrompida fica quase impossível conhecer a mensagem do verdadeiro evangelho, e muito mais ainda o poder para praticá-la.
É nosso dever portanto, se desejamos ser fiéis ao Senhor, que santifiquemos nossas vidas para que sejamos cristãos espirituais e úteis no Seu serviço em favor da restauração da Sua Igreja que se encontra em sua maior parte corrompida, conforme Ele próprio a descreve com as palavras que dirigiu às Igrejas de Sardes e de Laodiceia.
Há uma grande recompensa e um grande fruto para o nosso trabalho no Senhor.
Ele próprio fortalecerá as nossas mãos para a batalha.
Sigamos portanto em frente, perseverando na fé, certos de que a vitória pertence ao Senhor, e Ele nos honrará porque nós O temos honrado.

Silvio Dutra