Filme: As Termópilas (do gr. Θ&#94...

As Termópilas (do gr. Θερμοπύλαι, thermopylai, significando «portas quentes»; em demótico moderno Θερμοπύλες, thermopyles) constituíam um antigo estreito situado no centro da Grécia, na fronteira entre as regiões da Fócida (a Sudoeste), da Ftiótida (a Noroeste), da Lócrida (a Nordeste) e da Beócia (a Sudeste), encravado entre as cadeias montanhosas do Eta e do Calídromo e um braço de mar (o golfo de Mália).

Devem o seu nome ao facto de no seu interior existirem duas fontes sulfurosas, sendo que o estreito – uma simples faixa de areia entre o mar e o desfiladeiro –, em três dos seus troços (as três «portas», donde o estreito houve o seu nome), era de tal forma estreito que, de acordo com a narrativa do historiador Heródoto de Halicarnasso, apenas podia passar um carro de cada vez (Histórias, Livro VII, 176).

Tratava-se de uma região relativamente estéril, apta somente para o pastoreio.

Nas proximidades do desfiladeiro correm dois rios: o Asopo e o Espérquio, os quais, ao longo dos séculos, foram depositando sedimentos nas imediações do estreito, fazendo aumentar a estreita faixa de terra entre o desfiladeiro e o mar, de apenas cerca de 13 metros, para vários quilómetros de comprimento, consoante os locais.

As Térmopilas tornaram-se conhecida após a célebre batalha do mesmo nome, que opôs os defensores da Grécia aos Persas invasores, em meados de 480 a.C., no decorrer da II Guerra Médica, tendo-se tornado sinónimo de resistência heróica ao inimigo. Houve, contudo, várias outras batalhas travadas nesse estreito, ao longo da Antiguidade Clássica.

Leônidas, o comandante, era rei de Esparta e cupou o trono entre 491 a.C. e 480 a.C., como sucessor de seu irmão Cleômenas I, cuja filha Gorgó se tornou sua esposa em 488 a.C..

Uma de suas ações mais importantes se deu por ocasião da invasão da Grécia pelos persas, em 481 a.C.. Defendendo o desfiladeiro das Termópilas, que une a Tessália à Beócia, Leónidas e uma tropa de apenas 7.000 homens, sendo que apenas 300 eram espartanos, conseguiram repelir os ataques iniciais. Mas Xerxes, rei da Pérsia, foi auxiliado por um pastor local (Efialtes) que lhe conduziu por um caminho que contornava o desfiladeiro e cercou o exército de Leónidas. Restavam apenas 300 espartanos e voluntários tespienses e tebanos, que decidiram resistir até a morte. Segundo Pausânias, Xerxes ameaçou a insignificante defesa grega dizendo: "Minhas flechas serão tão numerosas que obscurecerão a luz do Sol". Leónidas respondeu: "Tanto melhor, combateremos à sombra!" (Heródoto, que narra o desastre das Termópilas no seu Livro VII, reporta esta afirmação, não a Leónidas, mas Dieneces). Leônidas sabia da traição de Efialtes. Manteve os espartanos, que durante três dias mataram 20 mil persas, e dispensou o restante do exército. Para aqueles que ficaram, ele disse: "Almocem comigo aqui, e jantem no inferno". Leônidas sabia que sua morte era certa, mas resolveu ficar e morrer lutando. Por dois motivos: O primeiro, é que nenhum espartano volta fugido para sua cidade. Conforme sua própria filosofia, ou voltam vitoriosos, ou mortos em cima de seus escudos. E em segundo lugar, se ele fugisse, o restante da Grécia também fugiria. No final, já cercado por seus inimigos, o rei Xerxes dá uma ordem a Leónidas: "Deponham suas armas e se entreguem", Leónidas responde apenas: "Venham pegá-las". São as últimas palavras do rei espartano. Atacados por todos os lados, foram massacrados sem piedade. A cabeça de Leônidas foi cortada e empalada e o seu corpo crucificado.

Os persas esperaram, durante dois meses, o inverno passar, para continuar a guerra. Quando resolveram voltar, os espartanos restantes formaram o corpo principal do exército grego. Havia três persas para cada grego, e no final da guerra os persas foram derrotados e expulsos da Grécia.

Houve uma grande desproporção entre os exércitos de Leónidas I e de Xerxes. De um lado, Xerxes, com cerca de 200.000 soldados; do outro, Leónidas com algo entre 7.000 e 9.000 homens. Desses, apenas 301 oriundos de Esparta (o próprio rei Leónidas, que tomou parte ativamente no combate, e 300 soldados da sua guarda pessoal).

Naquele momento os espartanos festejavam a Carnéia — festival em honra ao deus Apolo, durante o qual não se podia lutar —, enquanto boa parte do restante da Grécia vivia a Olimpíada — outra celebração que, por motivos religiosos, impedia o combate. Leónidas se deparou com o duro dilema de como conseguir guerreiros para lutar contra os Persas, dadas as condições. Não poderia desrespeitar as confraternizações - que cessavam momentaneamente os combates - no entanto, não se daria ao luxo de esperar que o exército invasor avançasse incólume pelo território grego. Foi aí que o "Leão de Esparta" (como também era conhecido), resolveu partir de encontro às forças invasoras com nada mais que sua guarda pessoal de 300 homens. No caminho, Leónidas reuniu entre 7.000 a 9.000 homens de povos e aldeias amigas para enfrentar os persas sob o comando de Xerxes.

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