Cristiane Brida: ONDE A VENTURA NÃO MORA Oh! Como me lemb...

ONDE A VENTURA NÃO MORA

Oh! Como me lembro
Do dia em que nasci
Da complicada infância que tive
Que os anos me fez esquecê-la
Não amei, tampouco sonhei
No meu caminho não houve flores
As tardes eram tristes,
Só me restava descansar
Debaixo dos arvoredos.
Eram dias miseráveis
Morria qualquer esperança
De minha alma inocente
Um dia ser feliz
Onde flores eram inexistentes
Mar então – só em pensamento
O céu – cada vez mais escuro
O mundo – todo em negrito
A vida – ficou boa para poucos
Que aurora, que sol, que nada!
Cada noite era mal- assombrada
Naquela tristeza ardia
Naquela aflição e angústia
O céu, negro como nunca,
Naquele tempo desditoso
Ia colher laranjas
Subia a tirá-las
Brincava à beira d’um riacho
Cantava cantigas de roda
Sempre achando o céu escuro e vazio
Dormia por lá mesmo
E acordava aos prantos
A terra cheirava mal
A água era imunda
E a luz, não tendo o que fazer,
Clareava quando queria.
Oh! Dias de miséria!
Oh! Minhas florzinhas murchas!
Que droga de vida
Nessa noite escura e fria
Em vez de carícias
Eram empurrões e surras
Pés descalços e braços nus
Era como eu vivia
Sempre a correr pelo pasto seco
Atrás de mariposas.

Oh! Mas saudades comigo não carrego
Pois comigo hoje habita
A mais perfeita felicidade
Que quando criança
Deixara, perdera, ou melhor,
Nunca existira para sentir.

Cristiane Brida
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