Musset: Lembra-te, quando fomos condenados/ à ma...
Lembra-te, quando fomos condenados/ à magoa eterna da separação,/ e
a dor, o exílio, os anos fatigados,/me
houverem corroído o coração;/ pensa
no extremo adeus, nesta triste existência!/Para
quem ama, o tempo é nada, e é nada a ausência./Meu
pobre coração, até morrer,/sempre
te há de dizer:/Lembra-te!
Lembra-te
ainda quando paz sem termo/ ele,
extinto, gozar na terra fria;/e quando, em meu sepulcro, a flor do ermo/Desabrochar
suavemente um dia!/Não
mais tu me hás de ver;/ mas, onde quer que vás,/junto
de ti minha alma - irmã fiel - terás!/E,
alta noite, hás de ouvir a voz desconhecida,/murmurando
sentida:/Lembra-te!/(Musset, lembra-te)

