Anne Caroline Barbosa: Noite de Lucce - Parte 2 Compartíamos de...

Noite de Lucce - Parte 2

Compartíamos de uma conversa muito agradável, que tinha sabor ainda mais especial com o barulho da chuva e com a sensualidade que o doce-amargo do vinho dilatava.
Ele nos interrompeu bruscamente num salto de alguém que tinha acabado de ter uma idéia genial. Tola. O que vinha dele que não era genial…
Ele me pediu que fechasse os olhos, quase sem entender, obedeci, claro.
Me pediu que eu sentisse, só sentisse.
Eu pensei comigo: quem seria capaz de não sentir em tão sublime presença?
Enquanto eu me perdia dentro de mim, ouço Lucce me presenteando com o som do piano. Que homem incrível era aquele, que tocava em harmonia com o barulho da chuva, e mesmo assim não perdia o clima daquele momento.
Aquela era eu, sentada na poltrona sentindo muito mais do que eu devia, até.
Ele me pediu que eu abrisse meus olhos. Abri.
Ele fez isso na hora certa, eu estava lá, já quase em êxtase pelas fantasias que me ocupavam os pensamentos.
Lucce, chegou perto de mim, me levantou daquela poltrona por suas mãos envolvidas pelos meus cabelos, em ritmo de Bossa. Me colocou de costas pra ele.
Fez um leve peso com sua cabeça sobre a minha, inclinando-a. Beijava meu pescoço como se não mais tempo pra nós.
Soltou levemente sua mão de meus cabelos, alisando suavemente minha nuca e percorrendo meu corpo até tocar meu sexo. Enquanto, com a outra mão, acariciava meus seios. Eu gemia. Muito alto. Estar ali era,uma mistura de sensações. Na verdade, uma mistura de prazeres. Era satisfação, desafio, clímax.
Lucce, de repente, cessou. Se afastou. Me olhou fundo nos olhos com uma pergunta: É isso mesmo que você quer?
Cheguei perto dele e arranquei sua camisa numa voracidade animal, respondendo-o de fora que não restasse qualquer dúvida. Ele me compreendeu perfeitamente.
Me puxou novamente o cabelo, me abraçando, arrancando cada peça que me cobria, agressivo, intenso, sensível. Me tocava como seu eu fosse sua principal canção num dia de recital. Me desalinhava harmonicamente enquanto sua língua desbravava meu corpo. Fomos agarrados, até seu quarto, onde ele me jogou com toda a audácia que havia dentro dele, naqueles lençóis vermelhos que um dia iriam ditar toda aquela efervescência. Lucce, me conduzia em beijos vulcânicos até finalmente me violar. Impetuosamente. Másculo, sem jamais perder sua delicadeza.
Nos amamos, nos odiamos, nos misturamos por horas a fio como se não houvesse amanhã. Como se não houvesse. Como não havia.

Anne Caroline Barbosa
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