Julianna Galvão: Eu não sei se você fica se achando o...

Eu não sei se você fica se achando o tal quando eu dou moral suficiente para isso. Eu acho, só acho, mas sabe, eu acho tantas coisas nesse reles mundo besta, que não vale, então abstraia. Só que para ser bem sincera, eu acho que eu me sentiria um tanto ofendida se os meus mimos com você não me proporcionassem nem um pouquinho dessa insegurança de já ser demais, de encher tua bola demais, porque assim, eu sou meio boba, e no fundo, veja bem eu disse no fundo, (isso de 'veja bem eu disse' me lembra tanto você... Engraçado), se essa sensação não fosse atiçada, seria como se o meu amor (veja bem e ouça bem também, porque eu falo de todo o meu amor, e ele é muito) não fosse capaz de fazer você se sentir especial demais, não só para mim, porque especial para mim é um custo óbvio e mínimo, mas eu falo assim de ser mais especial no mundo... Se você se sentir mais especial no mundo quando eu digo para você que és muito, ou quando não digo por culpa de um sentimento considerado justo, quer dizer que eu sou algo como o mundo! Não grande, não de todos, não com T maiúsculo de Terra, mas sabe... Essencial! Isso, essencial como o mundo. Quem seria você ou o que seria de cada ser humano besta e sem escrúpulos sem o mundo? Não vou entrar nessa onda porque a maconha aqui está acabando, e você sabe, meu amor, que nesse ano vou precisar de muita para desopilar da vida. Não, você não, só do resto... Porque você é... Ah, já tá bom demais por hoje, né?! É que na verdade eu gosto de demonstrar, é de mim! Isso é algo meu do mesmo jeito que o Raimundo é nosso, é do fundo da alma, é justo. Isso sim é considerado justo. Sei lá, eu acho que não da para parar dessa besteira boba de ser assim mais um ser humano sem escrúpulos, afinal, gente sem escrúpulos é gente louca, e não que todos sejam loucos, porque loucura também é charme e não há tanta gente assim com sinal embaixo do lado direito da boca, mas os piores são os que tem amor. E eu te amo tanto, tanto, tanto, que tenho medo de te sufocar, mas não se sinta especial, meu caro, isso é de uma grande bobagem abstrata, nada de único. E o que você quer comigo? Quem disse que eu gosto de você? É que na verdade eu te acho tão bonito... Sinto que tenho problemas mentais, mas você sabe, eu também apenas acho. E para de sorrir, besta, porque sorrir assim de mim, sorrir assim raso, abobado, de canto e sem gás, tentando entender essa quantidade absurda de asneiras, isso é coisa de gente sem escrúpulos... E eu amo, amo tanto gente sem escrúpulos... Na verdade só porque sempre tenho que arrumar mais um adjetivo para amar mais você... Mentira, eu te odeio, e amo gente sem escrúpulos porque eu não os tenho e me amo muito. E vou sorrir porque acho engraçada a trilha patética das minhas negações. Para não perder a piada então, vou dizer que não tenho nem um tico de ciúmes de você. E o que quer comigo, rapaz idiota que nasceu sorrindo assim tão lindo? Olha só, um dia eu vou ser uma escritora de verdade e você vai se achar rico, porque você está em uma a cada três borboletas dos meus textos grandes e em dez a cada nove dos meus resumidos. Eu minto, sinto muito, é algo compulsivo. Nunca escrevi sobre você, meu querido! E outra, não sinto muito coisíssima nenhuma... Eu sinto pouco, só um tiquinho. O que tem sobre você são apenas aquelas cartas e essa besteira aqui... E a nossa história, melhor amigo, ela está jogada ao vento, contra a minha vontade, mas está, pois o que não cala é: quem sou eu, pobre coitada, contra o destino? Escrevi histórias e mais histórias sobre um milhão de aflitos, mas é só vaidade, capricho... Não sei de nada além do que não saberei amanhã, porque sei menos. E falo besteiras porque sou idiota, e idiotices porque estou com sono, porque você dormiu, patético e morto, fraco e oprimido. Eu que fique bem claro que eu o odeio. Que fique claro, porque o mundo, aquele todo de todo mundo, sabe que amor de verdade é escuro, bem escurinho. Deixem as claras para depois. Gemas! E que viva a confusão e o duplo sentido, cansei de lutar contra isso... É o que tem de hoje para mim. Ontem venceu e amanhã é castigo.

Julianna Galvão
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