Filhos q Perderam seu Pai

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"Quando o filho aprende com o pai, ambos dão risada. Quando o pai aprende com o filho, ambos choram."

William Shakespeare

O Pai Rico

O filho de um homem muito rico foi encarregado de gerenciar uma de suas empresas. Certa vez, ele pegou todo o lucro do mês e foi jogar cartas, perdendo tudo no jogo, sendo apontado por seus irmãos como irresponsável e inconsequente, merecendo, portanto, ser até deserdado.
Mas o pai, olhando para seu filho querido, não hesitou em dar-lhe de volta tudo quanto ele tinha perdido e mais um pouco de dinheiro, dizendo-lhe: vai, meu filho, e reconstrói o que tu destruistes.
Intrigados, os demais filhos foram questionar ao pai sobre sua forma de agir. Então aquele homem explicou que estava bastante chateado com o que tinha acontecido,sim. Mas devia reconhecer que seu filho tinha pecado pela ousadia, apenas isto. Se ele tivesse ganhado dinheiro no jogo, a esta hora estaríamos todos comemorando, e provavelmente sendo beneficiados por isto.
Aquele filho precisava apenas de um pouco mais de prudência, mas ele não poderia punir sua coragem e ousadia, pois assim como ele perdeu, ele poderia ter ganhado.

Augusto Branco

Resposta a Vinicius

Poeta sou; pai, pouco; irmão, mais.
Lúcido, sim; eleito, não;
E bem triste de tantos ais
Que me enchem a imaginação.
Com que sonho? Não sei bem não.
Talvez com me bastar, feliz
– Ah, feliz como jamais fui! –
Arrancando do coração
– Arrancando pela raiz –
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.

Manuel Bandeira

Meu Pai

Gosto de rever
a imagem forte do meu pai,
tremendo o assoalho
ao caminhar.
É doce me lembrar
como se temia
quando ele perdia
a abotoadura,
o guarda-chuva,
a chave de fenda!
Hoje é lenda,
a figura enigmática,
a disciplina dura,
a rotina sistemática.
O pai não morre,
ele corre na frente
pra levantar o segredo do véu
e guardar pra gente
o lugar mais estrelado do céu.

Ivone Boechat

Para onde fores, Pai, para onde fores,
Irei também, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!

Augusto dos Anjos

"Morrestes achando que
amava.
Matastes pensando que era
amor.
Dominado pelo egoísmo da
paixão,
nos fez ver que não te
conhecíamos como
deveríamos
e, por tua atitude,
demonstrou que não
conhecias o amor.
Descansem em paz."

William Shakespeare

Para onde vão os trens, meu pai? Para Mahal, Tamí, para Camirí, espaços no mapa, e depois o pai ria: também para lugar algum meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem, tu não te moves de ti.

Hilda Hilst

Sons que confortam

Eram quatro horas da manhã quando seu pai sofreu um colapso cardíaco. Só estavam os três em casa: o pai, a mãe e ele, um garoto de doze anos. Chamaram o médico da família. E aguardaram. E aguardaram. E aguardaram. Até que o garoto escutou um barulho lá fora. É ele que conta, hoje, adulto: “Nunca na vida ouvira um som mais lindo, mais calmante, do que os pneus daquele carro amassando as folhas de outono empilhadas junto ao meio-fio.”
Inesquecível, para o menino, foi ouvir o som do carro do médico se aproximando, o homem que salvaria seu pai. Na mesma hora que li esse relato, imaginei um sem-número de sons que nos confortam. A começar pelo choro na sala de parto. Seu filho nasceu. E o mais aliviante para pais que possuem adolescentes baladeiros: o barulho da chave abrindo a fechadura da porta. Seu filho voltou.
E pode parecer mórbido para uns, masoquismo para outros, mas há quem mate a saudade assim: ouvindo pela enésima vez o recado na secretária eletrônica de alguém que já morreu.
Deixando a categoria dos sons magnânimos para a dos sons cotidianos: a voz no alto-falante do aeroporto dizendo que a aeronave já se encontra em solo, e que o embarque será feito dentro de poucos minutos.
O sinal, dentro do teatro, avisando que as luzes serão apagadas e o espetáculo irá começar.
O telefone tocando exatamente no horário que se espera, conforme o combinado. Até a musiquinha que antecede a chamada a cobrar pode ser bem-vinda, se for grande a ansiedade para se falar com alguém distante.
O barulho da chuva forte no meio da madrugada, quando você está quentinho na sua cama.
Uma conversa em outro idioma na mesa ao lado da sua, provocando a falsa sensação de que você está viajando, de férias em algum lugar estrangeiro. E estando em algum lugar estrangeiro, ouvir o seu idioma natal sendo falado por alguém que passou, fazendo você lembrar que o mundo não é tão vasto assim.
O toque to interfone quando se aguarda ansiosamente a chegada do namorado. Ou mesmo a chegada da pizza.
O aviso sonoro de que entrou um torpedo no seu celular.
A sirene da fábrica anunciando o fim de mais um dia de trabalho.
O sinal da hora do recreio.
A música que você mais gosta tocando no rádio do carro. Aumente o volume.
O aplauso depois que você, nervoso, falou em público para dezenas de desconhecidos.
O primeiro eu te amo dito por quem você também começou a amar.
E, em tempos de irritantes vuvuzelas, o mais raro de todos: o silêncio absoluto.

Martha Medeiros

Culpo minha pobre e velha mãe e
meu magro e triste pai, por me
jogarem na vida e ousadamente
me colocarem o nome de Raul. Eis-me!
Culpo ao meu próprio escárnio de
repetir tres vezes o mesmo erro,
se é que qualquer um desses tres tenham
a mesma lucidez dilacerante do
que a dor do absurdo do ser.
Nada é mais que um nada mergulhado
no oceano de uma dor de chibata
chamada Deus! Que este tenha o meu perdão.
Só peço que um raio de amor
venha do espaço, e blind as tres
para que a escuridão da santa
divina ignorãncia lhes vedem a
visão do apocalipse, amem!

Raul Seixas

Oração pelos Filhos
Ó Deus, Pai de todos os homens, a Vossa lei me lembra o sagrado dever de educar os meus filhos segundo a santa religião para a virtude e o céu. Eles pertencem mais a Vós do que a mim. Das minhas mãos os pedireis um dia. É a Vossa palavra: "Se alguém não tem cuidado dos seus e sobretudo dos de sua casa, negou a fé e é pior que o infiel" (I Tim 5,7).

Além do bem-estar temporal dos meus filhos me confiaste a maior responsabilidade: a santificação de suas almas.

Assisti-me, Senhor, e iluminai-me para que eu conheça as minhas obrigações e concedei-me a firme vontade e o máximo cuidado em cumpri-las.

Moderai o nosso amor natural: quantas vezes nos tornamos cegos em seus erros, perdoando-os facilmente, sem mostrar-lhes suas faltas e os prejudicando intensamente.

Dai-me inteligência para usar da severidade quando esta for necessária; dai-me brandura quando me faltar a paciência.

Livrai-me, Senhor, de todo o escândalo, para que sirva de modelo aos meus filhos, em tudo quanto é justo, bom e louvável.

Santificai, Deus de toda santidade, os meus filhos, para que Vos amem e respeitem; dai-lhes docilidade e obediência para que se tornem perfeitos.

Não Vos peço riquezas para eles, e sim saúde e força para se manterem na vocação que Vós lhes destinastes.

Preservai-os da escravidão das más paixões; conservai-lhes a pureza no meio deste mundo depravado. Concedei, Senhor, aos meus filhos boas companhias e exemplares guias; antes quero vê-los mortos do que vê-los em vida perdida.

Eu Vos entrego, ó Pai de bondade, cada um de meus filhos para os protegerdes e salvardes por toda a vida.

Assim tenho a firme esperança de poder dizer um dia: "Senhor, daqueles que me confiastes não perdi nenhum".

Amém.

Desconhecido

Nossas vidas se encontraram na mesma velocidade que nossos olhares se perderam.

Sean Wilhelm

Tem que vencer uma batalha por vez, não pode vencer todos os desafios ao mesmo tempo

Ari Pai

Um brinde... Aos homens que me conquistaram, aos idiotas que me perderam e aos sortudos que ainda terão o prazer de me conhecer.

Desconhecido

Disciplina Antiga

Os que bebem não sabem falar às mulheres,se perderam de tudo, e ninguém os aceita.
Andam lentos na rua, e as ruas e postes não têm fim.
Alguns deles dão giros mais longos, mas não há o que temer:amanhã eles voltam para casa.
O que bebe imagina que está com mulheres-como postes à noite são sempre os mesmos, assim as mulheres são sempre as mesmas-; nenhuma o escuta.
Mas o bêbado tenta, e as mulheres não o querem.
As mulheres, que riem, conhecem de cor suas palavras.
Por que riem assim as mulheres ou gritam, se choram?
O homem bêbado quer e deseja uma bêbada que o ouvisse calada. Mas elas o atiçam:"Para ter esse filho, é preciso contar com a gente."
O homem bêbado abraça-se ao bêbado amigo que esta noite é seu filho, nascido sem elas.
Como pode umazinha que chora e que grita dar-lhe um filho amigo? Se aquele é um bêbado, não recorda as mulheres no andar inseguro, e esses dois perambulam em paz. O filhinho que conta não nasceu de mulher- pois seria mulher também ele. Caminha com o pai e conversa:toda a noite iluminam-lhe os passos os postes.

Cesare Pavese

... e que bonita foi aquela noite - em que se encontraram e se perderam para sempre.

Caio Fernando Abreu

Quantas paixões escondidas
quanta tristeza acolhida
tantos amores perdidos
Viver pensando na morte
morrer pensando da vida.

Pai João da Mata Virgem

Mensagem à família

Na educação de nossos filhos
Todo exagero é negativo.
Responda-lhe, não o instrua.
Proteja-o, não o cubra.
Ajude-o, não o substitua.
Abrigue-o, não o esconda.
Ame-o, não o idolatre.
Acompanhe-o, não o leve.
Mostre-lhe o perigo, não o atemorize.
Inclua-o, não o isole.
Alimente suas esperanças, não as descarte.
Não exija que seja o melhor, peça-lhe para ser bom e dê exemplo.
Não o mime em demasia, rodeie-o de amor.
Não o mande estudar, prepare-lhe um clima de estudo.
Não fabrique um castelo para ele, vivam todos com naturalidade.
Não lhe ensine a ser, seja você como quer que ele seja.
Não lhe dedique a vida, vivam todos.
Lembre-se de que seu filho não o escuta, ele o olha.
E, finalmente, quando a gaiola do canário se quebrar, não compre outra...
Ensina-lhe a viver sem portas.

Eugênia Puebla

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

Khalil Gibran