Fauna e Flora

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A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres
em mim ressuscitados

Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino

Roupa e tempo jaziam pelo chão
E nem restava mais o mundo,
à beira dessa moita orvalhada,
nem destino.

Carlos Drummond de Andrade

A castidade com que abria as coxas

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,

eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.

Carlos Drummond de Andrade

A abelha tristonha,
fauna e flora devastadas,
produz mel amargo.

Leila Míccolis

Não deixe portas entreabertas.
Escancare-as ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas passam apenas semiventos, meias verdades e muita insensatez.

Flora Figueiredo

Faz a tua ausência para que alguém sinta a tua falta. Mas não prolongue demais para que esse alguém não sinta que pode viver sem você.

Flóra Cavalcanti

Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia, atropela minha hora, despreza minha agenda.
Corre prepotente, para disputar lugar com o vento.
O tempo envelhece, não se emenda.
Deveria haver algum decreto que obrigasse o tempo a desacelerar e a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta dos livros que vão se empilhando,das melodias que estão me aguardando;
Das saudades que venho sentindo,
Das verdades que ando mentindo,
Das promessas que venho esquecendo,
Dos impulsos que sigo contendo,
Dos prazeres que chegam partindo,
Dos receios que partem voltando.
Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço a Deus por ter vivido, amanhecer e continuar teimando ...

Flora Figueiredo

Pois que viver
não é entrar no mar onde dá pé,
mas mergulhar com fé no maremoto.

Flora Figueiredo

Colibri ou Beija-Flor


O sol brilhou naquele dia despertando a fauna e a flora

A rosa de um qualquer jardim se abriu exibindo a côr.

As outras, em botão, quietas ficavam jardim fora

Invejosas daquela que atraía o Beija-Flor.



Vinha voando o Colibri e mirou a côr

Da rosa aberta como dádiva da vida

Junto ao perfume que expândia em seu redor

Numa oferta amorosa, na ânsia de ser colhida.



Abrandou o Colibri e pairou, ao vê-la assim

Escorregou pelos estames e debicou os pistilos

Beijou quais lábios rubros as pétalas de cetim.

Imaginando eu a língua em entumescidos mamilos.



Na permuta com o néctar coligaram-se em extreme fervor

No frémito da paixão que apenas um instante permanece

Levou e deixou em troca a essência do amor

Num extâse esfusiante qual coração que estremece.

maisquetudo

Ouviu-se um estrondo
Baleia presa na teia?
Não! é marimbondo.

Flora Figueiredo

A estrela cadente
teima, se enrosca, se queima.
Quer o sol nascente.

Flora Figueiredo

Quanto desafeto!
A palvra se deprava
frente ao alfabeto.

Flora Figueiredo

O canteiro assiste:
a antúrio, falso perjúrio,
pões o dedo em riste.

Flora Figueiredo

Festa chega ao fim.
Beijos sobram na bandeja.
Todos de amendoim!...

Flora Figueiredo

Não deixe portas entreabertas.
Escancare-as ou as bata de uma vez.
Porque por meias entradas entram meias felicidades.

Flora Figueiredo