Faroeste Caboclo

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Vê se me esquece
Já que você não aparece,
venho por meio desta
devolver teu faroeste,
o teu papel de seda,
a tua meia bege,
tome também teu book,
leve teu ultraleve
carteira de saúde,
tua receita de quibe,
de quiabo, de quibebe,
do diabo que te carregue,
te carregue, te carregue
teu truque sujo, teu hálito,
teu flerte, tua prancha de surf,
tua idéia sem verve,
que nada disso me serve
Já que você não merece,
devolva minhas preces,
meu canto, meu amor,
meu tempo, por favor,
e minha alegria que,
naquele dia,
só te emprestei por uns dias
e é tudo que lhe pertence

PS: Já que você foi embora por que não desaparece?"

Alice Ruiz

Bem por isso mesmo diz o caboclo: a alegria vem das tripas — barriga cheia, coração alegre. O que é pura verdade.

Cora Coralina

Ceará complicado! Chuva caía contada. Cearense chorava. Caboclo, coitado: chapéu caído, couro curtido, caminhava... Cidade, campo, caatinga, corpos, caveiras, calor. Cadê comida, cadê chuva? Ceará conheceu calamidades! Cai chuva. Chove, chove, chove, conclusão: caem casas, colheitas carregadas, crianças chorando, caboclos correndo, chega! Compensa! Chuva, céu claro, chuva, céu claro. Controlando com camaradagem, com caridade, custa?
Cearense, cabra cavador: chega, conversa, controla, com calma... conquista. Começa caixeiro - comerciário; cresce, cresce, comanditário; cresce, cresce, caixa; cresce, cresce... capitalista! Carteira cheia, com cruzeirinhos cantando! Compra carro colossal - Cadillac; compra casa - castelo; compra concubina - corista; corre capitais, centros culturais, cassinos, cabaréis... Cearenses coronéis!
Cearense casa, casa com cearense. Com cearense carinhosa, caridosa, cavilosa, criadora... Companheira constante, carinho constante, cegonha constante!
Cearense, cabra corajoso! Com casquinha, construída com cinco cacos, cipó carcomido, contorna costa, cruza correntezas, caminha... cação; começa combate: carrega, cruza, consegue. Consegue comida. Calos, cortes, compensam: casas cheias, cangalhas carregadas.
Ceará colosso. Colosso? Como colosso? Ceará continente! Café, cacau, coco, cana, carnaúba, caju, cachaça. Celebridades, citaria cinquenta. Cem celebridades cearenses. Ceará cristão, católico, convicto. Ceará Crato, Crateús, Camocim, Cascavel, Ceará Capistrano, Ceará Cícero. Ceará... Chico.

Chico Anysio

Jogando a tarrafa
caboclo desfaz a lua.
Pesca estrelas de escama.

Anibal Beça

[..] 'Sentia mesmo que era mesmo diferente,
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar..'

Faroeste Caboclo

Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria escolheu a solidão

Faroeste Caboclo

O problema é seu, o poema é meu

Caboclo

Povo decora Faroeste Caboclo, mas não decora a fórmula de Bhaskara.

Tiago Carossi

Faroeste Caboclo

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou para trás todo o marasmo da fazenda
Só para sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da sertania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu
Ia para igreja só para roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
Escolha própria escolheu a solidão
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico aos doze era professor
Aos quinze foi mandado pro reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror
Não entendia como a vida funcionava
Descriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem foi direto a Salvador
E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem
Ia perder a viagem mas João foi lhe salvar:
Dizia ele - Estou indo para Brasília
Nesse país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar
O João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária viu as luzes de natal
- Meu Deus mas que cidade linda!
No Ano Novo eu começo a trabalhar
Cortar madeira aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês em Taguatinga
Na sexta feira ia para zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar
E Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava para ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que como Pablo ele iria se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado a plantação foi começar
Logo, logo os maluco da cidade
Souberam da novidade
- Tem bagulho bom ai!
E o João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali
Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
Ia para festa de Rock para se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinhos da cidade
Começou a roubar
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!
Agora Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general
Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele para ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
- Maria Lúcia para sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter
O tempo passa
E um dia vem na porta um senhor de alta classe com
dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta de João
- Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança
Isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cu na mão
E é melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um peixes de ascendente escorpião
Mas antes de sair, com ódio no olhar
O velho disse:
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
Essas palavras vão entrar no coração
- Eu vou sofrer as conseqüências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto
E ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
Que também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em Planaltina

Mas acontece que um tal de Jeremias
Traficante de renome apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester 22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar
Jeremias maconheiro sem vergonha
Organizou a Roconha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente mas não sabia rezar
E Santo Cristo há muito não ia para casa
E a saudade começou a apertar
- Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já está em tempo de a gente se casar
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez
Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias para um duelo ele chamou
- Amanhã, as duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote catorze é para lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas
Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa para que jurei o meu amor
E Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora o local e a razão
No sábado, então as duas horas
Todo o povo sem demora
Foi lá só para assistir
Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo
E começou a sorrir
Sentindo o sangue na garganta
João olhou para as bandeirinhas
E o povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro
E para as câmeras e a gente da TV filmava tudo ali
E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
- Se a via-crucis virou circo, estou aqui.
E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester 22
A arma que seu primo Pablo lhe deu

- Jeremias, eu sou homem. Coisa que você não é
E não atiro pelas costas, não.
Olha para cá filho da puta sem vergonha
Dá uma olhada no meu sangue
E vem sentir o teu perdão
E Santo Cristo com a Winchester 22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor
O povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade não acreditou na história

Que eles viram da TV
E João não conseguiu o que queria
Quando veio para Brasília com o diabo ter
Ele queria era falar com o presidente
Para ajudar toda essa gente que só faz sofrer!

Legião Urbana

CELESTE

Ela era uma garota sem lei
tipo bandoleira
meio faroeste...

Causava furor por onde passava
e achava graça nisso
a Celeste!

Era o desejo de todos os homens
e a inveja de todas as mulheres...

Chamavam-na, "A Peste"!

Tinha quem quisesse à seus pés:
bons moços
ou cafajestes!

Diziam que até algumas meninas
a ela se propuseste!

O que ninguém sabia
é que por debaixo da saia
guardava um segredo

meio que sacana
meio que cafajeste!

A menina dos olhos dos marmanjos
e a cobiça das donzelas

- a admirável Celeste -

era na verdade
um cavalheiro

que guardava seu brinquedinho
debaixo de
suas vestes!

Mell Glitter

FAROESTE

Meu lado
bang bang
anda
dando tiro
pra todo
lado

- Safado!

E eu
que não
sei me comportar
invento
uma história
esfarrapada
pra me
desculpar!

Não to
nem ai
pra que
lado a vida
vai me
levar

hoje eu só quero
saber
de
perder a
compostura

e beijar a
primeira boca
que me
prometer
uma
aventura

-Meu Deus,
ser certinha
deve ser
uma
tortura!

Mell Glitter

Na madrugada sinto sua falta' vago com meu coração sem rumo no faroeste seco da paixão, daqui uns dias faz um més que você saiu da minha vida, me deixou e junto com a sua despedida você levou meus sonhos minha esperança, minha alegria, ás vezes sinto como se eu estivesse trancado em um quarto escuro curtindo minha solidão lembrando de você e sentindo sua falta' o pior de tudo e que eu ainda amo a ideia de um dia ter te amado'

Washington Soares

A bebida é um relaxante
Que deixa a gente relaxado
Mas se o caboclo não tiver cuidado
Não deixa sua vida ir adiante
A mistura é o refrigerante
Tira-gosto, espetinho de galinha
E depois que passar a adolescência minha
Tudo isso vai ficar na saudade
Não existe dinheiro que pague
As bicadas na casa de Terezinha

Tem um mêi careca, dois mêi cabeludo
Tem duas rizadinha e o violão
A cana nos ajuda então
A não ter medo do escuro
Por que André quando olha aquele beco do muro
Tem medo que quase derruba a cachaça todinha
Nunca derrubou a minha
Mas se derrubasse era sem maldade
Não existe dinheiro que pague
As bicadas na casa de Terezinha

Começa o toque das violas
A gente escuta de tudo no mundo
Mais parece um buraco sem fundo
Depois de 10, chega o gogó de sola
Começa log a falar da sogra
E todo mundo da uma rizadinha
e diz: Higor, toma tua bicadinha
E tanta rizada prova que tudo é amizade
Não existe dinheiro que pague
As bicadas na casa de Terezinha

Na hora da partida
A gente junta as tralhas e embarca
Mas pra depois a gente marca
Beber o resto do dia
A vida da gente é só alegria
Principalmente quando chegam as gatinhas
Acompanhando a gente numa pituzinha
Depois disso quero que o mundo se acabe
Não existe dinheiro que pague
As bicadas na casa de Terezinha

Anderson Brito

Um preto e um branco
Um amarelo e um caboclo
Um do norte outro do sul
Um do oeste e outro do leste
Um do ocidente e outro do oriente
Todos iguais em raça
Diferentes na cultura
Cada um defendendo sua religião
Não existe entendimento,
Não existe união
No centro da casa, o pai
Que todos temem
Que todos precisam
Que todos esquecem e desobedece
Adolecente eu sou
Sempre serei
Até o dia em que eu respeitar o verdadeiro rei
Serei filho, terei pai, serei pai
Suprirei todas minhas verdadeiras nessecidades
Estarei no verdadeiro ritimo do meu mundo e da minha morada no céu
Terei paz, e relembrarei ao mundo o nosso verdadeiro ponto de equilibrio.

Roberto Pereira Jr

Poesia - O caboclo do Sertão

Sou matuto, sou da roça, tenho orgulho da mão grosa, sou amante do sertão. Sou caipira, minha nossa senhora, ando de pés no chão.
Sou sacudido no machado, gosto de lidar com gado montado no meu alazão.
Para espantar os mosquitos uso a fumaça do meu pito e clareio a noite com luz do lampião.
La o sol se esconde mais cedo por detrás do arvoredo da noite não tenho medo me adormeço na solidão.

Autor - Carlim do som

Criminal
Cachimbo Com Crack Chapa Cabeça
Consume Caboclo Cachaça Café
Cânticos Cativos Carecem Cantar
Cafetão Cafetina Criola Cafuza
Cafajeste Canalha Corteja Com Cores

Chacal Cinderela Criminosos Combinam
Calculam Crime Cruel Comendo Carne Crua Cozida
Caviar Cabidela Condizem Cocaína Chá Cravo Canela

QuerubimCassino12

O ABC do Sertao

Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê.

LUIS GONZAGA

O leigo, o caboclo, o índio sabem melhor que o doutor em arquitetura como se abrigar.

Flávio Império

Saudade daquele caboclo que cela o seu cavalo branco e vinha de longe tocar moda de viola pra ganhar meu coração.

Liliane Britto

Impressiono-me com tamanha felicidade do mais simples caboclo da minha terra, homem sem ambição, sem desejos supérfluos no qual aquele mais complexo civilizado é capaz de até perder sua vida em busca de tais desejos. Aquele caboclo de minha terra, carrega consigo valores, que jamais lhe poderão deixar-lhes corromper por coisas baratas ou bens materiais, ele sim, tem princípios, que aqueles hipócritas civilizados, se dizem conservador de tais. Vivendo em uma sociedade simples, e com pouca escolaridade formal, é um mestre professor nos assuntos sobre: moral, honestidade, ética e outros milhares de adjetivos. Orgulho-me de dizer, que minhas raízes são desse povo, o tão conhecido povo NORDESTINO.

Thiago Carvalho dos Santos